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Territórios e Geopoética

RESUMO: O plano de imanência é uma linha abstrata que corta o caos em infinitos movimentos, criando
imagens. Como criar um pensamento sem imagens se a mente precisa de imagens para pensar? Algumas
imagens produzem mitos que dão corpos para os conceitos, expondo um perspectivismo que apresenta
personagens conceituais mitológicos para mostrar a relação entre forças incontroláveis e crenças
morais. Deuses e monstros gregos, forças e cataclismas, são figuras que demonstram os paradoxos do
pensamento da diferença de Nietzsche e Deleuze. Guattari traz a heterogênese da matéria para afirmar
o valor da Terra, Gaia ou Géia, para todo o tipo de existência, corpos e vidas ainda não formadas.

PALAVRAS-CHAVE: Gaia. Caosmose. Imagem.

Territories and Geopoetics

ABSTRACT: Immanence plan is a abstract line inside caos, where infinite movements are cut to make
images. How to create a thought without images if mind needs images to think? Some images make
myths that do subject for concepts, exposing a perspectivism for present mythological conceptual
characters which to evince the uncontrolled forces in relationship with moral beliefs. Greek gods and
monsters, forces and cataclysms are figures that demonstrate the paradoxes from diference thought by
Nietzsche and Deleuze. Guattari introduces the matter’s heterogenesis to affirm the valour of Earth,
Gaya or Gea, for all kind of beings, bodies and unformed life.

KEY-WORDS: Gaya. Chaosmosis. Image.

Paola Zordan - Artista visual, professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa
de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, (UFRGS).
Coordenadora dos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Artes Visuais da UFRGS. Líder
do grupo de pesquisa ARCOE, Arte, Corpo e EnSigno (CNPq), articula o M.A.L.H. A.,
Movimento Apaixonando pela Liberação de Humores Artísticos.

Revista CLIMACOM - ANO 03 - N06 - "Territórios" ISSN 2359-4705

obra de motivos obscuros e inexplicáveis. O corpo é o ponto zero da experiência. um afectando o outro e vice-versa. 55) se cria. Um pensamento sem imagens implica pensar intensivamente e mirar um turbilhão. uma imagem de plano. uma paisagem. Caos não é o nada. lance de dados. por meio do qual o pensamento experimenta o caos. um estado sem consciência. o caos ganha consistência nas formas de pensamento que recortam as variabilidades caóticas. imprevisto. não-enunciável. p. anterior ao Ser. pressupõe encarar o caos. Em suas idas. desmorona. variedades. Uma aliança paradoxal com o caótico é a linha de fuga que Terré aponta para sair dos estados de clichê. como tantas vezes Deleuze propõe? Como exprimir a experiência sem as imagens. extensão da matéria junto a qual o corpo percebe. as caóides traçam um plano secante de referência. as incertezas de sua atmosfera e seus fluxos tempestuosos. será que só criamos com imagens? É possível criar um pensamento sem imagens. de seu transe[2] Raios fulminam uma torre. lembra que precisamos de reconhecimento e familiaridade. “gigantesco tear” (DELEUZE & GUATTARI. de um pouco de ordem para nos proteger do caos. Essa necessidade é afirmada por uma das máximas de Zaratustra. batida da asa da borboleta. matéria da criação. É o plano de imanência. são manifestações da sua cólera. Uma construção vai abaixo. 1976. Esse encontro com o inesperado. por que é tão difícil pensar fora do visível e do enunciável que compõem as imagens? Pensar sem imagens. Máquinas de corte que não se separaram do caos. p. entradas e saídas de agenciamentos. é o caos. ao tratar os clichês da cultura midiatizada sob uma perspectiva deleuziana. matérias de pensamento. háptico. seus abalos fazem tudo despencar. 25): “é . Jordi Terré (1994). mas o devir imanente à matéria e à vida. da filosofia e da ciência. frêmito molecular intensivo. A percepção acontece nos sucessivos deslocamentos e mudanças de pontos de vista. inconsciente e louco. Movimentos de elétrons. mais do que um encontro com o fora. Mas. Uma vida. ovo que rompe. 1992. desordenado. a mordida da duração. univocidade de todos os fluxos que passam na matéria. potência caósmica da matéria. sem essa derme pela qual o pensamento faz corpo com o mundo? Se apenas na pele das coisas se dá o jogo pictórico. a grande “fórmula do jogo” (DELEUZE. indiscernível do plano movente da experiência. de re- encadeamento de conceitos e de sensações que constituem o Caosmos. 43). Mesmo assim. pedra atirada na água: mutabilidade imperscrutável do tempo que a cada instante desborda e se infiltra nos corpos. rostos: imagens do que experimentamos. célula que se divide. os quais estão implicados em certas disposições de imagens. p. devoração molecular na qual o caos e o plano se misturam. Um diagrama maquínico se desmancha. A Terra treme. o impensado de todo pensamento. É a necessidade de proteção que nos afasta de seu “rosto pavoroso e sinistro” a ponto de sacrificarmos as potências caóticas criativas que a vida oferece (TERRÉ. Caos é multiplicidade. não-visível. 1994. Todos pertencem à Terra. vindas e voltas. variações e variáveis junto às quais se criam as caóides da arte.

1992. Abrir fendas nos “guarda-chuvas e sombrinhas das opiniões”. 1992. não é sem perigos que se ultrapassa a famosa “linha feiticeira”. enfim. 260). p. como desembaraçar-se da opinião […]. o caos é “a condição imanente de toda a criação” (TERRÉ. podemos transbordar a opinião corrente. p. O confronto involuntário com o fora nos arrasta a um jogo incessante. no qual podemos tanto nos esconder nos clichês estratificados como encarar o espaço liso e demoníaco do que ainda não se formou. “Constelação saída do lance de dados” (DELEUZE. 44). 1994. esse ponto em que o pensamento afirma a vida e a vida ativa o pensamento. enunciar o não-enunciável. criar um corpo sem órgãos aberto ao infinito. pássaro de fogo? (TERRÉ. são entidades que . 1992. 25) é o jogo dionisíaco onde o deus é dilacerado. p. intrincados que estão na imagem oferecida pela experiência atual que se dispõe de acordo com os movimentos do virtual. o pensar. já que. pressupõe um toque do caos virtual na matéria. O plano é mesmo a “imagem que ele se dá do que significa pensar. experimentar o caos. p. Na imanência. imaginá-la. 54). é desterritorializar a Terra.preciso ter caos dentro de si para poder dar à luz uma estrela dançante” (Idem. Somente fora das tramas de saber e poder. virtual. Se o pensamento só acontece no encontro com seu lado de fora. 53). p. afinal. tudo isso sem desmoronar-se pelo declive dissoluto do caos mental? Como alcançar. Enunciar a matéria. Esse plano é povoado por personagens conceituais. crivar o caos. 1976. pensamento e natureza são indiscerníveis. tácteis e abstratas. fazer uso do pensamento. Toda imagem mostra os territórios virtuais do pensamento que se atualizam na experiência. Todavia. p. 1992. cozido. Em sua ascendência e descendência. brinquedo de deus menino: belas imagens de Nietzsche e Deleuze para o devir criador da vida e sua potência ígnea. se orientar no pensamento…” (DELEUZE & GUATTARI. Colocar palavras nas coisas é criar imagens de pensamento. do erro e do reconhecimento. 99) e as condições internas do pensamento. de cujo plano extenso são extraídas as perspectivas que povoam o plano intenso. composição de sensações. alquimizá-la. como ascender a uma percepção. dourada estrela dançarina. 1994. separada do cérebro (DELEUZE & GUATTARI. territorializá-la. também é “matéria do ser”. cópula do leão e da pomba. Matéria sempre a se transformar. da prova escolar do saber. descrita por Deleuze (1988) em seu livro sobre Foucault. p. 1992. 25). e sim uma paisagem em devir. Poeira do cosmos. da qual o pensamento tira devires imperceptíveis e impessoais. prova o caos e faz seu monstruoso casamento com o fora. p. Como sair do tópico. rachar os dogmas que nos protegem da água da chuva e do ardor do sol. Rasgar o firmamento e mergulhar no caos (DELEUZE & GUATTARI. a uma experiência não codificada. procede do caos. Paisagem como agenciamento entre matérias visíveis. essa imagem do plano de imanência não é necessariamente dogmática. sonoras. p. “verdadeiros agentes de enunciação” (DELEUZE & GUATTARI. o plano retém o que a experiência pode reivindicar de direito. Um pensamento sem imagens é sempre in-formado. 87) que constituem os “pontos de vista” (Idem. Imagem constituída do pensamento é “movimento infinito ou movimento do infinito”. o que o pensamento seleciona. dos visíveis e enunciáveis. 44). sem desmoronar-se em uma regressão catastrófica do indiferenciado? E. Devir da própria filosofia.

os conceitos deslocam-se brincando de perceptos. a Terra[3]. a engendradora de monstros. grutas. escolhidas pelo alto grau de partículas selvagens que possuem. a abóbada celeste.manifestam territórios. Sempre ao lado dos que estão sem o . p. mares. Tais forças são rajadas e abalos deleuzianos que impelem a pensar os desconfortos e as delícias do inapreensível. p. 99) ao passo que lançam os dados do acaso. criam imagens que interiorizam o lado de fora e todas as forças ali relacionadas. estéticas. 2002. essas figuras. 1994. os Hecatônquiros. Terra. misturas que desordenam reinos e confundem os territórios. campos. os deuses ultrapassam os temas que encarnam para elevá-los à enésima potência do pensamento. também chamada de Gaia. Como personagens limítrofes. contraditórios” (BRANDÃO. tempestades. o planeta Gaia. formaram sincretismos complexos. nascida logo após o Caos[4] primordial. em defesa da preservação dos ecossistemas naturais. 1992. 1992. literárias. personificando seus montes. os deuses não representam nada. Ao formar blocos de sensações. intensidades” (SCHÉRER. rios. dos gigantes Cíclopes de um olho só. Incógnitas do problema (DELEUZE & GUATTARI. 73). das vingadoras e furiosas Erínias. viram híbridos que povoam uma caóide esquizo. como também gera filhos sozinha: é a mãe de seres cheios de cabeças e de uma profusão vertiginosa de membros. que Deleuze e Guattari chamam “a desterritorializada”. 1992. mesmo quando não deixam de povoar o plano de imanência filosófico. Junito de Souza Brandão observa o caráter migratório das divindades. 106) tais figuras se situam nas linhas de fuga por onde passam forças diabólicas. 92). Nessa movimentação. Entrelaçadas com a civilização. Os deuses greco-romanos clássicos são notáveis personagens/figuras criados nesse plano de fronteiras borradas. criando os traços intensivos que sobrevoam o plano de imanência. do dragão Píton. O primeiro personagem conceitual misturado a uma figura estética é Geia. da impermanência e do transitório que permeiam os territórios. que os movimentos “verdes” e pacifistas. crosta terrestre habitável que se confunde com o próprio plano. o entre-plano onde arte e filosofia se misturam. p. assumiram as mais diversas formas e se apoderaram de quase todas as coisas inventadas no mundo. bosques. designa um tipo de relação singular que inclui graus. Copuladora. p. da serpente Equidna. redimensionam a um só corpo. p. os personagens conceituais confundem-se com as figuras estéticas da caóide da arte. onde o pensamento é obra de arte. Númens que se espalham pela Terra. desterritorializações e reterritorializações (Idem. às vezes. é permeada pelo caos ao mesmo tempo em que dele se distingue. a construção de um conceito abarca “uma multiplicidade de figuras históricas. Em cada caso. composições de povos que se cruzam e cujos deuses se fundem “em elementos heterogêneos e. o corpo de Geia. estratificação da imanência. produzem miscigenações entre o plano e o caos. lagos. não somente esposa Urano. Vagabundos que mudam de contorno. Elementos de sínteses disjuntivas. apenas expressam as forças da vida e as potências das artes. Tiram determinações do caos das quais fazem “os traços diagramáticos” (Idem. Grande Mãe primordial. surgidas das gotas do sangue derramado na mutilação de Urano. ato brutal da foice de Cronos/Saturno incitado por Geia. São Imagens. Combinações estranhas. intervindo entre os traços do plano e o caos. mitológicas. dos Titãs que são os deuses da natureza em seu estado selvagem. penhascos. problemáticos. 37). Para René Schérer.

todas as gerações dos filhos de Geia estavam destinadas a devorar umas às outras e a vencer e exilar a força devorada pela obtenção do poder. O que está em jogo são os contrastes entre a civilidade. enquanto seus pés eram infatigáveis. os tendões de Zeus são recuperados por Hermes e Pã. 203). O nome do monstro. e a Quimera. O mito greco-romano da luta de Zeus e Tífon talvez seja a mais cataclísmica de todas as versões e interessa devido à dimensão amoral expandida pelo espírito pagão que a engendrou. Sua imagem mostra a natureza rebelde dos fluxos da Terra chocando-se contra a civilização que tenta controlá-los. O Filhos de Tífon eram Cérbero. repelido pela ponta da lança. pássaro que atinge as maiores alturas do céu e Dragão. Colocados sob a guarda do dragão Delfínia. também conhecido como Tifeu ou Tifão. Hércules e a Hidra. Essa irrupção infernal que faz todos os deuses fugirem disfarçados de animais é enfrentada pelo celeste Zeus. seus braços abertos alcançavam os confins do Oriente e do Ocidente. criada com o domínio técnico da pedra e do metal. o mundo inferior. matriz de todos abalos sísmicos. Depois de curado e de ter renovado suas forças. Sob dimensões reduzidas. Domar e subterrar a barbárie é o desenlace clichê desse mito do Grande Embate. se repete ao infinito: Apolo e Píton. 269). diz das forças prodigiosas que abalam a Terra.poder. a permanente tensão entre os eflúvios secretos de Geia. Tífon toma-lhe a lança e arranca seus tendões. 1995. Príncipe das Milícias Celestes. na maior parte das vezes. Teseu e o Minotauro. p. vem de “redemoinho” (LURKER. Tífon. Esse eterno combate de forças opostas é reterritorializado pelo cristianismo. o reino inferior. O último predador foi Tífon. Afirma o estado de combate travado na superfície. animal consagrado a Zeus. cujo desfecho imprescindível é mostrar o Vencedor e que. que as rebate de volta até conseguir esmagar Tífon com um monte. Zeus tenta fulminar Tífon com uma chuva indescritível de raios. p. O monstro sangra. Nas lutas pelo domínio de seu corpo. catacumba de si mesma e o poderio luminoso do Olimpo. governado por Zeus. apresentando outras máscaras e variando as armas. atirando montanhas e mais montanhas contra Zeus. útero canibal que gerou toda a miséria da carne. o motivo da luta entre Águia. Resistente aos raios lançados por Zeus. excedia em tamanho a todos os seres criados. o qual protegeu para derrubar o poder de Saturno. Belerofonte e a Quimera. Trata-se de uma narrativa. “o . 1993. une-se ao Tártaro. seu filho. o cão de três cabeças que guardava a entrada do Hades. que serve de alimento para a produção global de entretenimento e corre pelo mundo em várias versões. gigantesco monstro concebido no Tártaro como mais uma das investidas de Geia contra o estabelecimento do poder. De seus olhos saíam labaredas. e a selvageria da natureza: o dragão feroz é ferido com a espada. intempéries. o dragão de cem cabeças Ládon. para derrotar a ascensão dos deuses olímpicos. tufão. que consegue ferir o monstro com uma lança. cujas mil cabeças tocavam as estrelas. cataclismos. animal híbrido que “soltava fogo pelas ventas” (GUIMARÃES. animal telúrico expelido pelas entranhas da terra. com a lenda de São Jorge e com a função de São Miguel. Perseu e a Górgona. que garante a vitória transcendente do Bem e a subjugação do Mal. expulso do Paraíso e obrigado a se exilar nos confins do mundo. encabeçados por seu neto Zeus/Júpiter. vira uma representação moral dos valores dominantes.

por Zeus ter dado à luz sozinho. é aquele que repartiu o poder com seus irmãos. Perante a fúria de Hera. também aparece como filho de Hera. p. exímia tecelã. Tífon. inventora do carro. soberana do plano de consistência da cultura ocidental “esclarecida”. as forças dessa deusa obliteraram quase todas as outras. de modo que nenhuma emoção atrapalha os julgamentos e os métodos de discernimento que se põe a aplicar. A única divindade que não se transforma em animal e combate o monstro ao lado de Zeus. Acabam ligados às práticas libertinas e passatempos aristocráticos. seu peito é o rosto feito de buracos-negros estancando o devir. Conhecimento. Seu coração é protegido pela cabeça petrificadora da Medusa. ocidentalizados e cunhados pelo espírito grego. Décadas antes de declarar-se discípulo de Dioniso. antes de apregoar a morte de Deus. a sabedoria. como a Torá. Deus de valores abstratos: Verdade. Senhor do Céu. a Bíblia e depois o Alcorão. Misericórdia. Ao invés da multiplicidade de forças geopoéticas que compõem a imagem de figuras imanentes à natureza e às atividades dos homens. Sabedoria. todas emanadas da Árvore da Vida[7] e expressas por livros sagrados feitos para serem incontestáveis. escudo e espada. das artes e dos ofícios foram tomadas como grandes mentiras. a deusa virgem de armadura. o pior dos flagelos. esposa traída de Zeus. As antigas divindades. elmo. Viram enfeites retóricos que afirmam a cultura clássica “esclarecida” contra os misticismos populares que perduram junto ao poder eclesiástico. Atena. da Educação. Poseidon/Netuno. nascida de sua cabeça arrebentada. Personagem conceitual da vontade de verdade. foi se sobrepondo uma Ideia Transcendente. a protetora dos estudantes. detentora da tecnologia. A coruja. embora essa Lei tenha sido tecida junto ao plano de consistência greco-latino. Irmãos e filhos de Zeus. Deus Soberano. tornou-se emblema estereotipado da Filosofia e. são algemados pela ânsia socrática por . Justiça. 37). é a obreira que protege a cidade e aconselha em nome da paz. Glória. forças da natureza.primeiro. Efígie da morte. foi incorporada aos cultos gnósticos no alvorecer do cristianismo. estrategista. o qual. Como Sofia. falácias idólatras de um povo que desconheceu a verdadeira Lei de Deus. Tífon foi criado para enfrentar o poder de um deus que pariu pela cabeça. Nietzsche. As entidades greco-romanas povoam o discurso dos filósofos e dos homens de todas as letras. aparecendo como firulas da erudição. ainda professor de filologia clássica. já instituído. cujas divindades operavam como personagens conceituais e figuras estéticas enredadas na realidade psicossocial. a cultura cristã reduz os deuses clássicos a temas alegóricos que ornam os salões da Idade Moderna. Vitória. seus nomes permanecem nas classificações de várias ciências e suas lendas inspiram a sintomatologia médica e psiquiátrica. protetora de rebanhos. E. um Deus único. que ganhou o poder dos Reinos Abissais[5]. Ergue-se. posteriormente. um de seus atributos. então. molar. epônimo. Senhor do Raio e do Trovão. Filha da Prudência. 1994. também é a deusa da Razão. fundador” (SCHÉRER. passa a cultuar forças parecidas por meio da imagem de Santa Catarina de Alexandria. A Zeus coube o domínio dos Céus e todo o poder sobre a Terra. que ficou encarregado do mar e Hades/Plutão. Beleza. disse que os homens cultos. o Pai Todo- poderoso. os deuses olimpianos possuem armas e artes inerentes a práticas da civilização[6].

As codificações operadas por essa imagem fomentam regras e leis que isolam as forças do devir. erigidos a serviço de uma cultura mais ou menos erudita. Presos também estão os meios educativos. cujo teor platônico tende a descolar matéria e pensamento. 1992. desmentindo-as. formas de educar que se prendem a traçados fixos. formação disciplinar e determinações curriculares. p. do qual Nietzsche fez questão de mostrar as limitações e impossibilidades. a Terra não passa de simulacro. Nietzsche procura as brechas abertas pela arte. mas levar o rugido do leão a virar gargalhada de menino. esses traçados descrevem segmentos molares tomados como o caminho legítimo para se chegar ao saber. o conhecimento. jogo dionisíaco. 57). bárbara. expressa nos múltiplos elementos dançantes do sentido dionisíaco. p. cria um corpo que não pode ser recodificado pelos aparelhos de Estado. 1985. ele cria uma ilusão transcendente. 1992. rosto embalsamado que perde aquele frêmito indizível da matéria. Cheio dos limites e condicionamentos que os contratos sociais instituem e aparelham. aeternae veritates. parodiando-as” (Idem. que pouco interessam. abstrato. Frente a essa cultura. Quando o homem passa a cultivar valores abstratos. é brincadeira de crianças. Movimentos orgiásticos presentes na vida de Geia mostram a necessidade titânica. Em O nascimento da tragédia. por debaixo das relações contratuais. 57). p. Ao reivindicar o contra-senso (DELEUZE. descartando o “reverente assombro” com que os antigos veneravam a “onipotência sexual da natureza” (NIETZSCHE. 108. que assume os riscos do caos como prova e estratégia de transvaloração. do horror antinatural da fusão e da desintegração. 109). na distribuição de títulos. As ideias. 1985. Nietzsche inaugura o que pode se chamar de filosofia underground. fissuras pelas quais um outro tipo de conhecimento consegue passar. separada da Terra. mas de experimentar os fluxos desterritorializadores de Geia. Deleuze expõe o nomadismo do pensamento de Nietzsche. recusando-as. transmutar. são tomados como uma instância superior. mostra como a cultura alexandrina só considerou o aspecto apolíneo dos gregos.Conhecimento (NIETZSCHE. Vista como matéria dominada. Máquinas binárias. mostrando como esse é voltado para o . o do escrito…” (DELEUZE. nos afasta da Geia e de seus filhos. vontade de potência nascida da má-consciência. p. Afirmar o caos é entrar na dança animalesca. Esse niilismo de Nietzsche é uma negação ativa. o da terra. tal ilusão é conhecimento morto que nada tem a ver com as fulgurações invisíveis da vida. A dança. Não se trata apenas de desenterrar monstros exilados no Tártaro. Trata- se de criar um corpo em que o devir “possa passar e fluir: um corpo que seria o nosso. rebaixando as efervescências caóticas dos fluxos da Terra. p. enfim. na obtenção de graus. Feita de abstrações metafísicas. por debaixo das instituições. na qual os lugares são marcados com poucas chances de barganha. libertar suas torrentes e aprender com a dimensão trágica da existência. mas sem fazer da dança uma cerimônia ou um ritual. esse Conhecimento. 56) e privilegiar a passagem dos fluxos “por debaixo das leis. que se empenha no estabelecimento de verdades. 59). que não cabe aos mortais inteiramente compreender. cópia mal-feita do Projeto Divino. enfraquecendo as potências intrínsecas ao território. Esse isolamento afirma uma vontade ressentida que serve a uma cultura que necessita de servos e escravos. O projeto genealógico nietzschiano conduz à invenção de novos modos de vida.

p. bodes expiatórios que funcionaram em oposição ao que foi eleito pelo monoteísmo. a princípio. “reservatório inesgotável de criação” (CORAZZA. confundem os limites. bandos de arteiros malditos e todas as suas esquisitices. completamente esquizo. onde a arte revela o tragicômico. a Infersfera desestabiliza vertiginosamente as estruturas culturais assépticas. p. povoando territórios de personagens “emergentes dos abismos” que “fazem curto-circuito entre dois ou mais reinos” (Idem. “Fantásticos. não se trata de reforçar caducos esquemas opositivos. 1962. 2000. “no lugar da velha coruja carrancuda” (LYOTARD. reflexivas e comunicativas. intensidade imperceptível das coisas que sempre escapa ao conhecimento. confusos. p. Contrariamente a Platão. rompe com as ideias humanistas. Tal ruptura. de inspiração esquizoanalítica. Pensamento que é “o sorriso sem focinho do gato de Chester”. 37). Criam contornos indefinidos. vampiros. apresentam tendências que diferem e fazem oscilar termos que. Contudo. o qual Sandra Corazza chama Infersfera. afirmando sua natureza selvagem e seres de estranhas combinações. para o fora. Esse plano de consistência experimenta deuses antigos. Guattari e Deleuze. para deixar que a vida seja invadida pelo sentido trágico. aqueles que “queimam sem se consumir e renascem sempre” (Idem. pela magia. instauram um plano filosófico demoníaco. corpóreos e incorporais. afirmando o lusco-fusco do dionisíaco e seu cortejo de monstruosidades. Traçada com linhas de Nietzsche. por acontecimentos inexplicáveis e. assim como a expulsão das palavras de ordem do racionalismo. então. que se abre “para as línguas e falas proscritas” (CORAZZA. 57) cuja complexidade expressa a alucinação infinita dos acontecimentos. 1996. A tendência inumana dessa filosofia. 2002a. técnicas de chiaroscuro[10] e efeitos de sfumato[11] que provocam percepções imprecisas. a quimera e uma multidão de górgonas e pégasos”[9] (PLATÃO. seriam contrários. contemplativas. a Filosofia da Diferença cria um plano educacional louco. mesmo que se explore os contrastes… Os opostos se misturam. dragões e outras criaturas. pelos dogmas da ciência e pelo positivismo. é com imensa alegria que a geopoética faz desfilar um cortejo dionisíaco. Colocar imagens monstruosas e animalescas na “berlinda” é recriar perceptos que sempre estiveram nos limites do educacional. p. personagem maluco de Lewis Carroll. a magia . 101). 20). os Infernais. a “aurora da contra-cultura” (Idem. uma filosofia que abandona o solo onde apodrecem os ideais do Iluminismo para afirmar a imanência transcendental da diferença e envolver a vida e suas criações no pensamento[8]. “hipocentauros. composta por elementos animados e inanimados. fantasmas. Em defesa de uma geopoética territorial. p.exterior. filosóficos ou não. 54) e movimentam conceitos vagos. Espécie de xamanismo desterritorializado. No meio de um palhaço e de um defunto. cria-se. absurdos”. segue-se os fluxos da matéria e seus agenciamentos no interior de uma cultura cada vez mais ilógica. ao qual estão fadados todos os filhos e filhas da Terra. que atravessa a interioridade dos conceitos e conduz a um pensar itinerante que escapa às codificações. feiticeiro e infantil. p. fazem “vinculações extravagantes” (Idem. principalmente. que alegava não se encontrar a felicidade fazendo “doutas deduções” sobre criaturas inexplicáveis e lendárias. p. 46). que predominam na maior parte dos planos. 195). p. 57) transporta o pensamento para áreas obscuras. todos em constante ebulição.

reconhecidos e ajustados. modos de marcação. a depressão. Trata-se de um saber “menor. da letargia e dos enquadramentos das políticas educacionais. deslocamentos e deslizamentos que não coincidem com aqueles já instituídos nos planos psicopedagógico. por efeito do peso. são sintomas que expressam as impossibilidades de se captar “toda uma energética. Magia se confunde com clichês de amor romântico. Oficial. Para Sylvio de Sousa Gadelha Costa (2000). este professor. esoterismos dogmáticos. como a “indústria cultural” e suas derivações capitalísticas. linguagens e experimentações. atribuindo-lhe o estatuto de um inconsciente inacessível e inatingível. fórmulas para se alcançar a felicidade. Os fluxos desejantes são obrigatoriamente identificados. acaba como representação molar. produzida para ocupar o lugar do fluxo em si. codificam e impõe limites e identidades ao devir-criança e ao devir-professor (COSTA. 2000. ativamente.maquínica da diferença filosofa besteiras. práticas. códigos. não há nenhuma força mágica. das teorias e métodos psicopedagógicos que cada vez mais organizam. 2000. 128). dentro e fora da escola. a vida cria ameaças cada vez mais obscuras. educacional e social. das tecnologias de gestão do comportamento. que limita a diferença. todo um processo de produção molecular que anima o movimento que nos arrasta” (COSTA. Apartada. 131). Nesse tipo de vida. Uma micropolítica pede estudos sobre processos moleculares. principalmente quando envolvem confortos e a facilidades de ordem privada e emoções vertiginosas do entretenimento partilhado globalmente[12]. aquelas que fazem circuitos subterrâneos e sobrevoam o espaço estriado dos próprios conglomerados estatais. enquanto o Modelo de Mundo canaliza e controla o caos. procura a tessitura de um outro plano para o educacional: Pensar uma educação esquizo é potencializar. de encontrar-se com o mundo. esse modelo de pensamento passa a aprisionar a vida. designados. das instituições de ensino. coagulados numa imagem que serve como sua representação. é mais fácil destruir aquilo que já se conhece do que criar alguma coisa junto ao que ainda não está formado. Ao produzir uma divisória estanque que relega o caos aos confins de suas estruturas. receitas para obtenção de orgasmos. corpos sem órgãos e outros acontecimentos que fazem a vida . 130. p. a perda de capacidade de invenção. que ainda não tem imagem. cuja multiplicidade e inconstância dos elementos poderiam fornecer mapas variados para ajudar nas inevitáveis travessias pelo caos. terapias alternativas e com todas as maravilhas da tecnologia. sobre o caos. que a priori seria impossível de ser ensinado nas escolas. nas instituições de propagação do conhecimento formal e nos lugares ditos “pedagógicos” pelo status quo. assim como muitos outros no Brasil afora. tudo aquilo que não tem sua pulsação visível à superfície. O modelo Árvore do Conhecimento-Livro do Mundo-Grande Obra-Imagem de Deus. afinal. Quando pensa que “O anti-édipo e Alice sejam dois bons livros para dar início a uma esquizo-educação” (Idem. de criação.(…) é fazer fugir e escoar. Há uma razão política para sempre se começar pensando o minoritário pela crítica ao molar. p. 130). a total indiferença. seguindo o curso das artes e das trilhas deixadas pelas ciências ambulantes. p.” disjuntivo. O problema de se estudar as máquinas binárias é o de não sair de suas estruturas e continuar ignorando linhas de fuga.

esse tipo de sistema. é o devir da geo-filosofia. posições previamente fixadas. as opiniões temem os fluxos caóticos imanentes ao próprio pensamento. 259) forma a pior das desgraças da humanidade. ideia cujas repercussões psicológicas e cognitivistas acabam por tomar a criação apenas como processo. A Educação pensa a criação sobre bases dialéticas. ciência e filosofia investem contra as opiniões. Imagens que são ideias prontas. a causalidade. 1992. por que parece tão difícil extrair devires de certas imagens? Porque certas imagens parecem ser o juízo de Deus[13]. no risco das provações exigidas para que se possa criar e nos perigos mortais que rondam suas implicações com o caos. não há plano ou intenção pedagógica que não faça suas apologias à criatividade. p. a ponto de só conseguirmos criar depois de esconjurá-las e exterminá-las. p. “anti-caos objetivo” (Idem. uma vez dentro dele. Sem criação não há pensamento e sem pensamento não existe vida. Esse sistema procura as semelhanças. égide petrificadora de Palas- Athena e sua implacável espada de discernimento. Apesar de tudo. que devora os traços do plano e bebe do caos. os clichês de opiniões. Isso implica uma pesquisa que busque a intensidade zero.vibrar. de reprodução e de representação submetidas a noções do que seja aprender e pensar. 1992. que burla as imagens e faz joguete nas dobras do pensamento. como o resultado do que se fez em sala de aula ou qualquer outra coisa produzida nos espaços educacionais. é impossível conter a proliferação de seus devires. pensamentos já “dados”. Então. familiares. São imagens produzidas dentro de um sistema de regras. Entrar no devir que é a própria vida. 84). encadeamento. a criação é um dos mais notáveis problemas que atravessam o campo educacional. representações. absorção de algum devir. A maior parte das teorizações e das práticas educativas envolvem problemas em torno dos processos de recognição. o que nos faz pensar (DELEUZE & GUATTARI. a Senhora da Cornucópia. p. estereótipos. ordenação. obedecendo à necessidade de haver acordo entre as coisas. entrar na “Existência Estética Demoníaca” (CORAZZA & TADEU. As caóides arte. a Filosofia de Geia. transitáveis. percebe-se o presente em conformidade com as imagens do passado (DELEUZE & GUATTARI. Mesmo que a educação faça de Geia um grande laboratório.117). Duras. 2003. Embora possam parecer reconfortantes. tais imagens são as inimigas do pensamento e da criação. as imagens não passam de coagulações daquilo que foi provado e experimentado na superfície plena. força criadora que é o interesse primeiro da educação. deusa da abundância exuberante e das fúrias incontidas. Mesmo assim. A criação é explicada pelas mais díspares correntes teóricas. formam imagens dogmáticas que são modelos de recognição. aprender e criar. É a Terra. fazer magia. que veem o criar como uma passagem do nada ao ser. traçam . mas quase ninguém toca nas suas complicadas núpcias com o pensamento. a “criatividade” é uma preocupação legada à Educação Infantil. p. tome-a como campo no qual a cultura desenvolve todos os seus experimentos. abocanhado do corpo de Geia. cujos contornos se estabelecem por contigüidade. Para Deleuze e Guattari (1992). de modo que. sem modelos. estratificadas. ou socada no espaço restrito no qual se debate a Educação Artística e sua função dentro do currículo. o acontecimento pleno em que se começa a pensar. Calcadas no bom senso. De nômade distribuição. 259). Criar é cruzar uma linha. Mesmo que em seu seio se afirmem crenças por meio de imagens. Todos concordam que a criação é vital.

a opinião acaba por nos afastar da vida. 16). criar. com aquilo que dela se extrai. plano monstruoso miscigenado e sincrético das três caóides dançando suas criações. p. p. matéria divina onde tudo se engendra.seu plano eliminando a doxa. Os perigos do caos não são poucos. opinião que “retira da percepção uma qualidade abstrata e da afecção uma potência geral” (Idem. esvazie ou se dissolva completamente na sua ligação com o caos. do devir caótico da Terra. Trata-se de pensar uma educação caósmica. O problema é de método. funções e perceptos que povoam o corpo de Geia. Evitando a loucura oceânica do caos. Essa revolução. conceitos. modos ontológicos e linhas virtuais que inventam universos de referência e modelos estereotipados de vida. filogenias. 54) num processo contínuo de re-singularização que reinventa relações “com o corpo. p. Sem separar a mecanosfera dos ecosssistemas. Pensar uma pedagogia ecosófica implica o campo problemático. numa dança que movimenta desejos e potencializa novos encontros de forças. Mesmo pensar. arranjos e encontros que dizem respeito a agenciamentos concretos e conceituais que não se separam do caos. o socius e a psique na luta contra a deterioração dos modos de vida. a opinião é uma atividade mental que jamais cruza as fronteiras colocadas pelas imagens de pensamento e não se deixa tocar pelas ondas do oceano caótico. desejo aberto que “afronta o face-a-face vertiginoso com o Cosmos”(Idem. O problema é que a doxa. de trabalhar junto com a Terra e produzir agenciamentos territoriais. chamada por Guattari de ecosófica. com o fantasma. 8). Essa pedagogia procuraria as vias . A forma-força-matéria que compõe as imagens não é o problema. Aprender uma estilística para a vida plena é traçar uma poética para o plano educacional. entrar nele sem um mínimo de logística. seus fluxos podem ser fatais. Guattari articula três registros ecológicos. a carência de arte presente nas misérias materiais e desgraças psíquicas que pairam sobre o planeta. empedre. o estilo é política (DELEUZE. sem estratégias. corpo de toda a criação[14]. só acontecem num embate corpo-a-corpo com o caos. naquilo que se faz com ela.1985. um jeito de criar um corpo sem órgãos pleno. o senso comum que teme a diferença e isola o caos. 189). A heterogeneidade é um processo erótico. essa educação responde à grande questão colocada por Guattari sobre a “maneira de viver daqui em diante sobre este planeta”(GUATTARI. bio-cultural. funcionando como verdadeiro guarda-chuva que protege das intempéries caóticas. o meio-ambiente. O mapa ecosófico de Guattari segue o projeto esquizoanalítico: cartografar Territórios existenciais para detectar e experimentar vetores potenciais que se abram à singularidade. pois envolve os procedimentos e os meios pelos quais o pensamento restitui uma interioridade para as forças exteriores que o atravessam. evita as singularidades da experiência e a multiplicidade experimentada no devir. é enlouquecimento certo. Acreditando nos proteger da morte. 1990. 59) pois é a maneira de se conduzir na vida. Pensando a cultura como devir da natureza. Para a esquizoanálise. p. opera por heterogênese. Pensamento e criação são problemas estéticos implicados em composições. com o tempo que passa e com os mistérios da vida e da morte”(Idem. elaborar um estilo. é preciso manejar a matéria caótica com cuidado. combinações. Por isso. os problemas surgem no modo pelo qual se experimenta uma imagem. p. constituído por práticas. tecidos de signos. para que ele não se vitrifique.

p. de modo que o professor. 2001. In: PELBART e ROLNIK (orgs). as minorias. 1996. Educação que é a dança excêntrica. Geia. 2003. n. Porto Alegre: LP&M. bio-mecanosfera polidimensionada. BRANDÃO. cria. 1986. Petrópolis: Vozes. mas como corpo desorganizado a ser tomado em suas complexas variabilidades infinitesimais. Para aprender a magia dos signos que esse corpo emite é preciso seguir as linhas minoritárias. que experimentam as intensidades caósmicas da matéria. maneirismo. A. uma “docência artística”. Mitologia grega 1. da força sensorial e da movimentação do pensamento. potencialmente criadoras. p. T. 2002. 2001. Transe. Pesquisa-ensino: o “hífen” da ligação necessária na formação docente. p. Belo Horizonte: Autêntica. CORAZZA. Palmas. superfície na qual se “briga”(CORAZZA. estética e política das práticas pedagógicas (Idem. jun.Araucárias – Revista do Mestrado em Educação. estilística. Sob uma perspectiva ainda crítica. Pensar a práxis educativa como arte. com a Terra e pela Terra. “artista”. . afirmando uma geopoética territorial. São Paulo: Núcleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade. Na diversidade cultural. Porto Alegre. menores.singulares. é aquele que inventa. é estabelecer. traça um plano geopoético para o campo educacional. 28) contra a molarização homogeneizadora. S. FACIPAL. PUC/SP.v. n. para a Terra. ao invés de ensinar um estado de coisas sobre a sua matérias. É quando o professor se desprende dos traços diagramáticos e. crença e povo. Escritos de Antonin Artaud. I./jul. 17. 1. 07-16). Composições. In: Pátio: Revista pedagógica. O aprendizado do caosmos. CORAZZA. p. a mecanosfera é tomada como um campo de lutas. é composto molecular que precisa ser considerado não como um organismo holístico. As estratégias de resistência resgatam as subculturas. passa a “artistar” a matéria (CORAZZA. no lugar de leis marciais e regras dicotômicas. como saída das absurdas monstruosidades que alimentam o mercado global. CORAZZA. 07-16. p. S. mai. relação esquizo com o fora. Para uma filosofia do inferno na Educação. Referências ARTAUD. relações éticas e estéticas com a Terra e suas ecologias. BENTES. “faz algo diferente com a sua docência”. sua lógica de “produção pela produção” e o crescimento obsessivo que rege o Capitalismo Mundial Integrado (GUTTARI. a liberação os impulsos indomáveis e disfuncionais do sentido dionisíaco. CORAZZA. 1. & TADEU. Cadernos de Subjetividade: Dossiê Deleuze. 1998. 33). 2002b. 2002a. Belo Horizonte: Autêntica. É o que Sandra Corazza chamou artistagem ética. as populações do fora. 2002b. 27-30). as margens.

p.). 1993. 1996. Foucault. In: PELBART e ROLNIK (orgs). O nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo. F. F. G. Esquizo ou da educação: Deleuze educador virtual. Archipiélago. DELEUZE. Nietzsche e a filosofia. Caosmose. n. Assim falou Zaratustra. 108-109. Mitos da criação. O que faz gaguejar a linguagem da escola. In: MARTON. 1995. & GUATTARI. 1985. In: Cadernos de Subjetividade. 42-51. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. G. São Paulo: Cultrix. São Paulo: Martins fontes. DELEUZE. MACLAGAN. Recebido em: 1/06/2016 Aceito em: 1/06/2016 . Mil platôs – vol. Campinas: Papirus. Madrid. Cadernos de Subjetividade: Dossiê Deleuze. 34. LURKER. São Paulo: Ed. As três ecologias.1.). DELEUZE. São Paulo: Brasiliense. F. p. F. TERRÉ. Rio de Janeiro: DP&A. In: LINS. 8. 41. GUIMARÃES. um novo paradigma estético. Madrid. Del Prado. 17. Diálogos.& GUATTARI. jun. NIETZSCHE. São Paulo: Núcleo de Estudos e Pesquisas da Subjetividade. 1988. O tempo que não passa.& GUATTARI. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Ed. Mil platôs – vol. 1976. 2000. A vida filosófica. p. DELEUZE. p. In: ___. 1994. Dicionário de mitologia grega. REGNAULT.CORAZZA. COSTA. 1992. Rio de Janeiro: Editora Rio.Linguagens. Porto Alegre: Globo. jun. Archipiélago. 1998. Nietzsche e Deleuze: intensidade e paixão. 269. 1994. As dobras e o lado de dentro do pensamento. 1997. LYOTARD. DELEUZE. 17. PLATÃO. 1992. 34. n. 2000. G. F. COSTA e VERAS (Orgs. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. jun.3. 1996. São Paulo: Editora 34. 1998. In: CANDAU (Org. GUATTARI. São Paulo: Editora 34. Dicionário dos deuses e demônios. 1962. Deleuze! São Paulo: PUC-SP. Madrid/Rio de Janeiro/Lisboa: Ed. São Paulo: Companhia das Letras. F. Deleuze educador. 1996. DELEUZE. espaços e tempos no ensinar e aprender. p. p. 1990. F. 203. GUATTARI. Pensamento nômade. 1995. 41. SCHÉRER. S. NIETZSCHE. jun. p. F. G. Nietzsche hoje? São Paulo: Brasiliense. PUC/SP. Ojos rojos: tientos sobre algunas fórmulas deleuzianas.