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AULA 1- 26/01/13

1) LAVAGEM DE CAPITAIS - Lei 9613/98 + 12.683/12
2) ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS - Lei 9034/95 + 12.694/12
3) JECRIM - Lei 9099/95 + 12726/12
4) RACISMO - Lei 7716/89 + 12735/12
5) CRIMES TRIBUTÁRIOS - art. 168-A/337-A CPP + 8137/90

LAVAGEM DE CAPITAIS
1) CONCEITO
Lavagem é o ato ou a seqüência de atos praticados para encobrir a natureza, origem,
localização ou propriedade de bens, direitos ou valores de origem delituosa com o
objetividade reintroduzi-los na economia formal com aparência licita.

2) HISTÓRICO DA LAVAGEM DE CAPITAIS NO BRASIL
Convenção da Nações Unidas Contra o Tráfico de Drogas - (Viena 1988) - pela 1ª vez
os países se conscientizaram sobre a importância do combate a movimentação financeira
dos traficantes.
Essa convenção foi ratificada pelo decreto 154/91 pelo Brasil.
Surge em 1998 a Lei 9.613. Essa lei previa um rol taxativo de infrações antecedentes
para configurar o crime de lavagem de capitais.
No ano de 2012, surge a Lei 12.683 alterando por completo a lei 9613/98. Essa lei
entrou em vigor na mesma data em que foi publicada (10/07/12)
O objetivo dessa lei nova é tornar mais eficiente a persecução penal em relação ao crimes de
lavagem de capitais.
Destaca-se três grandes mudanças:
• houve um aprimoramento das medidas cautelares visando a recuperação de ativos.
• agora, qualquer infração penal (crimes e contravenções penais) pode figurar como antecedente da
lavagem de capitais. Essa infração penal deve ser produtora de bens, direitos ou valores passíveis de
lavagem.
• ampliou o número de pessoas físicas e jurídicas responsáveis pela comunicação de operações
suspeitas.

4º. 144-A. a requerimento do Ministério Público ou por solicitação da parte interessada. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo.683. de 2012) CPP Art.694/12 (organizações criminosas) ALIENAÇÃO ANTECIPADA . Quando a norma é genuinamente processual. nos termos do disposto no art.683. se for o caso. 2º) CPP .Art. fungíveis. 366. Se o julgamento pelo júri ocorrer a partir de 09/08/08 (vigência da Lei 11689) não mais será cabível o protesto. de fácil deterioração e de difícil conservação. ou quando houver dificuldade para sua manutenção. que será autuada em apartado e cujos autos terão tramitação em separado em relação ao processo principal. ainda que o crime tenha sido praticado em data anterior. 1º c/c art. 312. (Incluído pela Lei nº 12.consiste na expropriação antecipada de coisas móveis. (Redação dada pela Lei nº 12. de ofício. Ex2: Alienação Antecipada (Lei 9613/98 art. citado por edital. mediante petição autônoma. . que tenham sido objeto de medidas cautelares patrimoniais a ser adotada com o objetivo de preservar o valor dos ben.1) NORMA DE DIREITO PROCESSUAL PENAL a) Norma Genuinamente Processual São aquelas que cuidam de procedimentos. (Incluído pela Lei nº 12. 4º-A.694/2012) b) Norma Processual Mista (Material) É aquela que afeta o "ius libertatis" do agente. A alienação antecipada para preservação de valor de bens sob constrição será decretada pelo juiz. atos processuais e técnicas do processo. decretar prisão preventiva. ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional. Se o acusado. ou quando houver dificuldade para sua manutenção. de 2012) LEI LAVAGEM Art. O CPP também passou a prever essa alienação antecipada no art. 366 CPP Art. nem constituir advogado. 4º § 1o Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação. LEI LAVAGEM ART. não comparecer.3) DIREITO INTERTEMPORAL 3. sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. Exemplo: ex1: Art. com redação dada pela Lei 12. Exemplo de norma Genuinamente processual: Ex1: supressão protesto por novo júri. O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação. 144-A. podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e. 4º-A com redação dada pela Lei 12683/12). a regra a ser aplicada é o principio da aplicação imediata (tempus regit actum) (CPP art.

manter ou custear organização paramilitar. cumulada com as medias cautelares diversas da prisão. de 2012) . 121 § 6o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada. §6°. devem ser aplicadas retroativamente. 366 do CPP depois da lei 9271 .2) NORMA DE DIREITO PENAL Aplica-se a regra da irretroatividade da "lex gravior". Previa tambem a proibição da concessão da liberdade provisória e fiança.720. sob o pretexto de prestação de serviço de segurança. Constituir. 4º da Lei 12683/12 . de 2012) CPP Art. organizar. art. 366 do CPP.720. integrar. (Incluído pela Lei nº 12. Entrou em vigor no dia 28/09/12) CPP ART. 121. Como são mudanças benéficas. 366 do CPP antes da Lei 9271 ART. 129. 3º previa que o condenado podia ser preso para poder apelar. §7º e art. 288-A(milícia privada). grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos neste Código: (Incluído dada pela Lei nº 12.se o acusado citado por edital não comparecer. 3. Agora a Lavagem de Capitais admite liberdade provisória. com ou sem fiança. os Tribunais passaram a entender que a nova redação do art. Ex1: Lei 12. de 2012) Pena . ex2: Lei de Lavagem de Capitais ( art.se o acusado citado por edital não . adota-se o mesmo critério do direito penal (principio da irretroatividade da lei mais gravosa) (principio da ultratividade da lei mais benigna) Concluindo. Esse art.reclusão. 288-A. de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. não é mais possível condicionar o conhecimento do recurso ao recolhimento a prisão. ou por grupo de extermínio. comparecesse era decretada sua o juiz determinará a suspensão do processo e a revelia suspensão da prescrição Diante de uma norma processual mista.ART. art. 3º da Lei 9613/98). dada pela Lei 9271/96 só poderia ser aplicadas crimes cometidos após a sua vigência.720/12 (alterou o CP.720.revogou o art. milícia particular. Agora. (Incluído dada pela Lei nº 12.

Súmula Nº 711 . antes da vigência da Lei 9613/98. saberemos qual corrente será adotada. quando entra em vigor a lei 9613/98. Essa posição é favorável ao criminoso. . (Money laundering) Em alguns países usa-se a expressão "branqueamento de dinheiro". 4) A EXPRESSÃO "LAVAGEM DE DINHEIRO" Surge no direito norte americano. portanto posição a ser adotada pela Defesnsoria Pública. sob pena de violação ao principio da irretroatividade da lei mais gravosa. o crime consuma-se com o ato de ocultar. Logo se o ato inicial de ocultação foi praticado. Pública. se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.trata do caso Paulo Maluf . ou seja. Assim a depender da decisão do STF.A Lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente. Surge duas correntes a respeito de aplicabilidade: 1ª CORRENTE: O crime de lavagem de captais é uma crime instantâneo de efeitos permanentes. Essa segunda corrente assume posição mais firme. ATENÇÃO: STF INQ 2471 . mesmo aqueles provenientes de infrações anteriormente não abrangidas pela Lei de Lavagem de Capitais. Ex2: ampliação do rol de infrações antecedentes pela Lei 12683/12 e sua aplicação no tempo. portanto. É acusado de ter praticado crimes contra a Adm. Foi denunciado por crime de lavagem de capitais. 2ª CORRENTE O crime de lavagem de capitais tem natureza permanente. por volta da década de 20. e a infração penal não era antecedente da lavagem. O STF ainda precisa manifestar sobre o assunto. pois possuía depósitos de dinheiro no exterior. quando considerada a redação da sumula 711 do STF. sendo que a manutenção do bem oculto ou dissimulado é um mero desdobramento do ato Inicial. Logo a nova redação da Lei 9613/98 aplica-se todos os agentes que possuíam bens ocultos quando de sua vigência. somente manifestando-se pelo recebimento da denúncia. o agente não poderá responder por este crime.

Portanto para a caracterização da lavagem.caso dos criminoso depositando dinheiro na conta do cunhado. O STF entendeu que a consumação do crime de Lavagem de Capitais independe do preenchimento dessas 3 fases.pulverização de grandes quantias em vários pequenos depósitos bancários.rol taxativo (numerus clausus) de infrações antecedentes. . A nova redação da Lei 9613/98 é de 3ª geração. 3ª FASE . ou seja. Nesse caso não haverá lavagem de capitais.INTEGRAÇÃO Já com uma aparência lícita.816 . a 1ª fase da Lavagem de Capitais. é necessário que o ato de ocultação seja praticado com a intenção de que tais valores sejam reintegrados a ordem econômica com aparência lícita. os valores são reinvestidos nas mesmas atividades delituosas. que acaba sendo desdobramento natural de todo e qualquer delito do qual resulte vantagem patrimonial. 2ª FASE . ATENÇÃO: STF RHC 80.5) GERAÇÕES DE LEI DE LAVAGENS LEIS DE 1ª GERAÇÃO . LEIS DE 2ª GERAÇÃO .COLOCAÇÃO (placement) Introdução do dinheiro ilícito no sistema financeiro. 7) FASES DA LAVAGEM DE CAPITAIS 1ª FASE . Ex: "SMURFING" . não basta a simples ocultação do dinheiro. mas tão somente mero exaurimento da infração antecedente. Portanto.apenas o tráfico era infração antecedente da lavagem. LEIS DE 3ª GERAÇÃO . Logo. Era de 2ª geração a redação original da Lei 9613/98.máfia da propina de SP . 6) DISTINÇÃO ENTRE LAVAGEM DE CAPITAIS E O EXAURIMENTO DA INFRAÇÃO ANTECEDENTE Aquele que se propõe a praticar uma infração penal com resultado patrimonial o faz com a intenção de gastar em proveito próprio os bens adquiridos. o crime consuma-se ainda que descoberto e identificado na 1ª fase.DISSIMULAÇÃO (layering) São realizadas diversas movimentações financeiras com o objetivo de dificultar o rastreamento da origem ilícita dos valores.qualquer infração penal pode funcionar como antecedente da lavagem de capitais.

Utiliza-se o mesmo parâmetro utilizado para crimes tributários. pois ambos os crimes são contra a Ordem Econômica Financeira. IV . Serão arquivados. Prestar a criminoso. de valor consolidado igual ou inferior a R$ 10. sem baixa na distribuição. tem por fim assegurar a todos existência digna. 170 CF Art. IX . inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. A ordem econômica. e multa.00 (Lei 10. conforme os ditames da justiça social. Seria a ordem prevista no art. II .propriedade privada. de 2004) Cuidado. 2ª Corrente: o crime de lavagem de capitais é um crime contra a Administração da Justiça. os autos das execuções fiscais de débitos inscritos como Dívida Ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ou por ela cobrados.defesa do meio ambiente. VII . Parágrafo único. Ainda não esta sendo usado pelos Tribunais .defesa do consumidor. auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime: Pena .busca do pleno emprego. independentemente de autorização de órgãos públicos. VI . fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. 20) Art. ATENÇÃO: pode ser aplicado o principio da insignificância na lavagem? R: SIM O STF trabalha com 4 Requistos para aplicação do principio da insgnificancia. 170.522/02 . VIII . Art.000.redução das desigualdades regionais e sociais. V . salvo nos casos previstos em lei. 3ª Corrente (majoritária): o bem jurídico tutelado é a ordem econômico financeira. III .8) BEM JURÍDICO TUTELADO Existem três correntes: 1ª Corrente (minoritária): é o mesmo bem jurídico tutelado pela infração antecedente. (Redação dada pela Lei nº 11. fora dos casos de co-autoria ou de receptação.000. mediante requerimento do Procurador da Fazenda Nacional. 349 CP e esse crime esta no título dos crimes contra a administração da justiça. de um a seis meses. Atualmente o valor é de R$ 10.00 (dez mil reais).art. 20. Entendem que se parece com o crime de favorecimento real do art. observados os seguintes princípios: I .função social da propriedade. • mínima ofensividade da conduta • nenhuma periculosidadade social da ação • reduzido grau de reprovabilidade do comportamento • inexpressividade da lesão provocada O montante (valor) para ser aplicado o principio da insignificância não é expresso na Lei.soberania nacional. pois existe a portaria 75/2012 do Ministro da Fazenda que prevê um valor mínimo de R$ 20.000. .033.tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. mas há grandes chances de ser utilizado para efeitos de aplicação do principio da insignificância. 349. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica.livre concorrência.detenção.00 para execução federais.

(Redação dada pela Lei nº 12. origem. pois depende de uma outra infração penal. 1o Ocultar ou dissimular a natureza. (Redação dada pela Lei nº 12. Assim. é uma elementar do tipo penal da lavagem.683. o que não impede a reapreciação do tema pelo Tribunal competente através de possível conflito negativo de competência. II da Lei de Lavagem). 2º. Assim. a absolvição na infração de lavagem será vinculada. disposição. §1º) § 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da infração penal antecedente. sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei. movimentação ou propriedade de bens. (Redação dada pela Lei nº 12.9) ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS A lavagem é um crime acessório. de 2012) PERGUNTA 3: é necessária a condenação da infração antecedente para a condenação pelo crime de lavagem? R: a condenação em relação a infração antecedente não é pressuposto para que alguém seja condenado pelo crime de lavagem de capitais. III) PERGUNTA 2: A quem compete decidir se os dois processos serão reunidos? R: cabe ao juízo competente para julgar os crimes de lavagem de capitais decidir inicialmente quanto a existência ou não de conexão probatória e consequente reunião dos feitos(Art. ainda que desconhecido ou isento de pena o autor.683. direitos ou valores provenientes. ainda que praticados em outro país. .para que alguém seja condenado por lavagem de capitais é indispensável que a conduta antecedente seja ao menos típica e ilícita. essa outra infração penal. ou extinta a punibilidade da infração penal antecedente. dependendo do tipo de absolvição na infração antecedente. localização. 2º II . por exemplo. de 2012) PERGUNTA 4: A absolvição na infração antecedente vincula o julgamento do crime de lavagem ? R: aqui prevalece a Teoria da Acessoriedade Limitada . Lei 9613/98 ART.independem do processo e julgamento das infrações penais antecedentes. não será possível a condenação pelo crime de lavagem de capitais. 76.683. de infração penal. Se. Art. subsiste a possibilidade de condenação pelo crime de lavagem. cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e julgamento. (Art. no entanto não impede a reunião dos processos em virtude de evidente conexão probatória (quando a prova de um crime ajuda na prova do outro) (CPP art. 2º. salvo nas hipóteses de "abolitio criminis" e anistia. direta ou indiretamente. Se a absolvição da infração antecedente ocorreu em virtude da causa excludente da culpabilidade ou causa extintiva da punibilidade. Isso. for absolvido por atipicidade ou causa excludente da ilicitude. de 2012) PERGUNTA: Os processos precisam obrigatoriamente tramitar juntos? R: o processo do crime de lavagem de capitais não precisa obrigatoriamente tramitar junto com o processo referente a infração antecedente.

a depender do caso concreto. É perfeitamente admitido no Brasil.683.a doutrina traz duas figuras distintas de advocacia 1) Advocacia de representação contenciosa: advogados que atuam na defesa de seu cliente em processo judicial ou que são consultados sobre uma concreta situação jurídica vinculada a um processo judicial. (Incluída pela Lei nº 12. de 2012) c) de abertura ou gestão de contas bancárias. (Incluída pela Lei nº 12. 10. parágrafo único. por força da Lei 9613/98. fundações. e (Incluída pela Lei nº 12. 2) Advocacia de Operações: sua atividade profissional diz respeito a consultoria jurídica não processual (v. 10 e 11 as pessoas físicas e jurídicas que tenham. de 2012) Parágrafo único. de 2012) d) de criação. em operações: (Incluído pela Lei nº 12.683. de 2012) a) de compra e venda de imóveis. 10. investimento ou de valores mobiliários. contadoria. consultoria. desde que tenha conhecimento da origem ilícita dos valores.2) ADVOGADO COMO SUJEITO ATIVO DA LAVAGEM Lei 9613/98 . Assim pode ser praticado por qualquer pessoa.1) AUTOLAVAGEM (SELF LAUNDERING) Quando o autor da infração antecedente pratica a lavagem de capitais. 9o Sujeitam-se às obrigações referidas nos arts. de qualquer natureza. auditoria. de 2012) OBRIGAÇÃO DE COMUNICAÇÃO DE OPERAÇÕES SUSPEITAS POR PARTE DE ADVOGADOS . estabelecimentos comerciais ou industriais ou participações societárias de qualquer natureza. (Incluída pela Lei nº 12.933) . 9º.. de 2012) f) de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos relacionados a atividades desportivas ou artísticas profissionais. mesmo que eventualmente.10) SUJEITOS DO CRIME O crime de lavagem de capitais é um crime comum. como atividade principal ou acessória.683. societárias ou imobiliárias. valores mobiliários ou outros ativos. Nesse caso impõe-se ao advogado o dever de conhecer seu cliente (know your customer). de 2012) b) de gestão de fundos.683.683. comercial.683.683. de poupança. XIV. etc).g. aconselhamento ou assistência. de 2012) e) financeiras. exploração ou gestão de sociedades de qualquer natureza. tributária. Art.as pessoas físicas ou jurídicas que prestem. (STF INQ 2471) OBS: a participação na infração antecedente não é condição "sine qua non" (obrigatória) para que o agente responda por lavagem. (Incluída pela Lei nº 12. como também pode. serviços de assessoria. (Incluída pela Lei nº 12. cumulativamente ou não: (Redação dada pela Lei nº 12. Sujeitam-se às mesmas obrigações: XIV .passou a ter uma nova redação em seu art. não há obrigação de comunicar ao COAF quaisquer fatos delituosos dos quais tenha tomado conhecimento no exercício de sua atividade profissional. Logo se a consultoria recair sobre a melhor forma de se ocultar valores obtidos criminosamente. em caráter permanente ou eventual. o advogado não só tem a obrigação de comunicar operações suspeitas. responder pelo crime de lavagem de capitais (STJ HC 50.683. Nesse caso. fundos fiduciários ou estruturas análogas.

12. Ocultar é crime permanente.os converte em ativos lícitos. sendo ele considerado mero exaurimento do crime. . Há uma corrente na doutrina dizendo que trata-se de crime de natureza formal. Já o parágrafo primeiro do artigo 1ª trata-se de crime formal. Portanto mesmo que o agente tenha dado inicio a ocultação em momento anterior a entrada em vigor da lei. Exemplo: prefeito que lava dinheiro antes da lei entrar em vigor fazendo depósitos em contas no exterior.683. trata-se de crime material (STFRHC 80. guarda.1) CRIME FORMAL. dá ou recebe em garantia.É Um crime de ação múltipla 11) TIPO OBJETIVO • Ocultar: significa esconder a origem da coisa. (ler súmula 711 do STF). § 1o Incorre na mesma pena quem. O crime do artigo 1º da lei é formal ou material? R: O ideal é concluir que o crime material será o do art. III . de 2012) I . negocia. mas o simples fato do dinheiro estar na conta dele já é possível acusá-lo por lavagem de capitais. 1º caput e §2º.importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros.os adquire. X. responderá normalmente pelo delito se mantiver os depósitos após a vigência da lei. ou seja. II . 12) NATUREZA DO CRIME De acordo com o artigo 1º. CRIME MATERIAL Crime material: é aquele no qual o resultado está dentro do próprio tipo penal. Crime formal (também chamado de crime de consumação antecipada) é aquele crime cujo resultado pode ocorrer. troca. direitos ou valores provenientes de infração penal: (Redação dada pela Lei nº 12. mas o resultado não faz parte do tipo penal. • Dissimular: deve ser interpretado como ocultação com fraude. tem em depósito.816). Exemplo: homicídio. movimenta ou transfere. onde matar alguém já é o resultado e está dentro do tipo. recebe. e após a entrada da lei ele para de fazer depósitos. pois se trata de crime permanente. para ocultar ou dissimular a utilização de bens. caput. crime cuja consumação se prolonga no tempo.

já o objeto material a coisa alheia móvel. O delito de lavagem de capitais também é punido a titulo de dolo eventual. associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. Diferença de bem jurídico para objeto material: bem jurídico são bens tutelados pelo direito (exemplo: vida) objeto material são as pessoas ou coisas sobre as quais recai a conduta delituosa.2) OBJETO MATERIAL Produto direto do crime: é o resultado imediato do delito. São bens.12. de 2012) II . ou seja. na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12. Produto direto do crime: São os bens que chegam as mãos do criminoso como resultado direto da prática delituosa (coisa alheia móvel subtraída no furto) Produto indireto do crime: é conhecido como fructus sceleris e trata-se do proveito obtido pelo criminoso com o resultado da utilização econômica do produto direto do delito.683. ainda. II . Exemplo: carro comprado com o dinheiro da venda de drogas. §2º. Dolo: é composto por consciência (elemento cognitivo) e vontade (elemento volitivo) § 2o Incorre.participa de grupo. direitos ou valores que sejam produto direito ou indireto de infração penal. 13) TIPO SUBJETIVO O delito de lavagem de capitais só é punido a titulo de dolo apenas e não na forma culposa. Configura o resultado mediato do delito. em que somente é possível a punição a titulo de dolo direto. Exemplo: uma casa comprada com o dinheiro lavado. Exemplo: no crime de furto o bem jurídico é o patrimônio individual. salvo nas hipóteses do artigo 1º. é o proveito obtido pelo criminoso como resultado da utilização econômica do produto direto do delito. .

PERGUNTA: Posso punir o crime de lavagem a titulo de dolo eventual? Exemplo: CP Art. conduzir ou ocultar. ela teria que ter consciência que esses bens ocultados eram advindos das praticas criminosas elencadas. Dar causa à instauração de investigação policial.683/12: o dolo do autor da lavagem também devia abranger o crime antecedente. onde antigamente não bastava a ocultação por parte da pessoa. imputando-lhe crime de que o sabe inocente: CP Artigo 180. em proveito próprio ou alheio. Muitos dizem que aqui que está a justificativa da nova lei. Adquirir. Dolo eventual: todas as modalidades de lavagem (art. inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém. associação ou escritório tendo conhecimento de que sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. mas assume risco de não ser verdade. . receba ou oculte O artigo 339 e 180 não admite dolo eventual. Antes da lei 12. 339. transportar. 1º que só admite a punição por dolo direto.participa de grupo.1º caput §1º.683. pois o agente tem que ter certeza da inocência do denunciado e no segundo caso ter certeza que o produto advém de crime. basta que o autor da lavagem tenha consciência de que tais bens são produto de infração penal. ainda. a adquira. I. na mesma pena quem: (Redação dada pela Lei nº 12. E no dolo eventual o agente não tem certeza. ou influir para que terceiro. e §2º) admitem a punição a titulo de dolo direto e eventual. á exceção do inciso II do §2º do art. coisa que sabe ser produto de crime. Com a mudança da lei. instauração de investigação administrativa. receber. de 2012) II . § 2o Incorre. de boa-fé. de processo judicial. Agora não preciso saber que os bens são oriundos daqueles crimes taxados e sim apenas que eu tenha consciência que os bens são oriundos de qualquer crime. II e III.

e artigos 34. Há uma segunda corrente vai dizer que o crime de terrorismo estaria previsto no artigo 20 da lei de segurança nacional (7. No crime de lavagem de capitais.1) TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA Tem origem no direito norte americano. 1º DA LEI 9. roubar. 36 e 37. Com base no artigo 44 da lei de drogas conclui-se que o tráfico de drogas está previsto no artigo 33 caput e §1º. depredar. Art. razão pela qual pode responder pelo crime a titulo de dolo eventual. seqüestrar. onde a agencia foi condenada por vender vários carros importados e não informou a atividade. 2) Terrorismo e seu financiamento: uma 1ª corrente vai dizer que o crime de terrorismo não há previsão legal no Brasil. Vai ter um exemplo na lei e tudo que for parecido vai se encaixar no exemplo. mesmo os agentes terem pagado a vista. .170/83). por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas. inciso XV. No caso houve uma interpretação analógica que é uma fórmula casuística seguida de uma fórmula genérica. extorquir. ocultação ou dissimulação. praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo. também chamado de instruções da avestruz (porque avestruz enfia cabeça no buraco para se alimentar. se o agente deliberadamente evita a consciência quanto a origem ilícita dos bens. manter em cárcere privado. saquear. A associação para fins de tráfico do artigo 35 não é crime equiparado a hediondo. 14) REVOGADO ROL DOS CRIMES ANTECEDENTES DO ART. Mas no fim em 2ª instancia foram absolvidos.Devastar.613/98 1) Tráfico de drogas: a associação para o trafico é diferente de tráfico de drogas. assume o risco de produzir o resultado. XVII entre outras do artigo 9º. provocar explosão. e no caso dessa teoria o agente enfia a cabeça no buraco para não saber a origem ilícita do dinheiro): Aqui recai o inciso XII do artigo 9º. 20 . Aqui difere da pessoa que deixa de comunicar. incendiar. Esta teoria foi aplicada no caso de Fortaleza no furto do Banco Central. 13.

salvo se nelas dispuserem de modo diverso. 337C e 337D. .492/86 e lei 6.826/03: artigos 17 e 19. sendo assim é admissível a tentativa. artigos 312 a 359-H. Artigo 12 do CP: as regras da parte geral do código se aplicam as leis especiais. 6) Crimes contra o sistema financeiro nacional: lei 7.3) Contrabando ou tráfico de armas: está previsto na lei 10. 15) TENTATIVA Trata-se de crime plurisubsistente (de vários atos). 4) Extorsão mediante sequestro: previsto dentro do CP. artigo 159. 8) Próximas aulas: crime praticado por particular contra a administração pública estrangeira previstos nos artigos 337B. lei 8. 5) Crimes contra a administração publica: CP. § 4º A pena será aumentada de um a dois terços. 16) CAUSA DE AUMENTO DE PENA Está prevista no §4º do artigo 1º.385 7) Crime praticado por organização criminosa. se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada(habitual) ou por intermédio de organização criminosa.666/93 e decreto lei 201/67. A doutrina diz que também há o crime no artigo 12 da lei de segurança nacional.

não só confessa o delito. Já na delação premiada é necessário delatar alguém apenas. X. sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites: A causa de aumento do paragrafo 4º do art. 282.1) CRIME HABITUAL. Há quem diga que colaboração e delação seria ato antiético. . Já o crime habitual é uma característica do crime. Exercer. intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente: (Redação dada pela Lei nº 12. por conta própria ou de terceiro.015. de 2009). HABITUALIDADE CRIMINOSA Quando falamos em habitualidade criminosa estamos nos referindo a atividade do criminoso como atividade profissional. Diferença entre delação premiada e colaboração premiada: a colaboração é o gênero na qual a delação premiada é uma espécie da qual um terceiro é incriminado. Na colaboração premiada é possível ajudar as autoridades sem caguetar alguém como dizer onde está valores ou objetos.16. O delator é o cagueta. Essa posição é muito minoritária. Este crime é caracterizado crime de natureza habitual. a profissão de médico. 229. é aquele crime que demanda a prática reiterada de uma mesma conduta. arte dentária ou farmacêutica). 1º da lei de lavagem é para o criminoso habitual e não para o crime habitual. Outro exemplo: artigo 282 (exercício ilegal da medicina. estabelecimento em que ocorra exploração sexual. como também denunciar alguém. em troca por determinado prêmio legal. dentista ou farmacêutico. onde um ato isolado apenas não vai caracterizar o delito. Art. Manter. Ex: Art. 17) COLABORAÇÃO PREMIADA Conceito: trata-se de técnica especial de investigação por meio da qual o acusado. haja. ainda que a título gratuito. como também presta informações relevantes para o esclarecimento do fato delituoso. ou não.

8º § único da lei 8. prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais. facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou substituí-la. onde há 4 benefícios distintos: 1º diminuição da pena 2ºfixação do regime inicial aberto ou semiaberto 3º substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. por pena restritiva de direitos. se o autor. de 2012) Antes o colaborador tinha que ajudar em todos os pontos do artigo.41 Lei de Drogas • Lei 12.1) PREVISÃO LEGAL Seria interessante que ela fosse colocada em uma única lei. agora só é necessário ajudar em um dos pontos apontado apenas. (Redação dada pela Lei nº 12. 16: crimes tributários • Lei 9. . 4º perdão judicial Para a escolha da opção será levada em conta o tamanho da ajuda prestada. à identificação dos autores.529/12 . ou à localização dos bens. a qualquer tempo. 1º § 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida em regime aberto ou semiaberto. coautores e partícipes. direitos ou valores objeto do crime.159§4º (extorsão mediante sequestro) • Lei 9. independentemente dos requisitos do artigo 44 do CP.Sistema brasileiro de Concorrência – artigo 87 • Lei 9.17. senão vejamos: • Lei dos crimes hediondos – art.137 – art.072/90 • Código Penal – art. ART. pois a colaboração premiada está espalhada pelo ordenamento jurídico. 6º: Lei de organização criminosa • Lei 11. coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades.613/98: lei de lavagem: também tem a colaboração criminosa no artigo 1º §5º.343/06 – art.034/95 – art.683.080/95 • Lei 8.

13. Observação 2: se se entender que os três incisos são de observância obrigatória. na localização da vítima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime.a recuperação total ou parcial do produto do crime. .a identificação dos demais co-autores ou partícipes da ação criminosa. III . Parágrafo único.a localização da vítima com a sua integridade física preservada. desde que dessa colaboração tenha resultado: I . conceder o perdão judicial e a conseqüente extinção da punibilidade ao acusado que. Portanto. é o quando basta para a incidência do artigo 13. sendo possível o preenchimento dos três incisos. sendo primário.17. de ofício ou a requerimento das partes.807/99 não trata de um crime específico. funcionando como regramento geral. a aplicação desse dispositivo legal deve se dar de acordo com o caso concreto. Art. circunstâncias. no caso de condenação. Poderá o juiz. II . entende-se que os artigos 13 e 14 podem ser aplicados a qualquer crime. terá pena reduzida de um a dois terços. gravidade e repercussão social do fato criminoso. ou seja. 14. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime. desde que não haja previsão especial em sentido diverso. tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e o processo criminal. haverá necessidade da observância de todos eles para a incidência do perdão judicial. no qual tenha havido o pagamento do preço do resgate. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a natureza. a aplicação desse dispositivo ficaria restrita ao crime de extorsão mediante sequestro praticado em concurso de agentes.2) Lei 9.807/99 – LEI DE PROTEÇÃO AS TESTEMUNHAS Artigos 13 e 14: Art. Caso seja possível o preenchimento de apenas um dos incisos. Observação 1: como a lei 9.

(STF HC 90. Na fase da execução tem doutrinador dizendo que deveria ser buscado o benefício através de revisão criminal. a ser submetido a homologação do juiz. Não é a melhor posição. mas desde que dotada de eficácia objetiva. não necessariamente espontânea. esse acordo não deve constar nos autos e nem se tornar público.3) EFICÁCIA OBJETIVA DA DELAÇÃO PREMIADA As informações prestadas pelo agente devem ser objetivamente eficazes.4) VALOR PROVATÓRIO DA COLABORAÇÃO PREMIADA E OBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO Observação 1: A colaboração premiada por si só não pode fundamentar um decreto condenatório (STF. caso o colaborador tenha cumprido todas as obrigações pactuadas. basta que sua colaboração seja voluntária. a delação tem que ajudar em algo. Para que o criminoso faça jus ao prêmio legal. 17. 17. Observação 2: Se o colaborador vier a ser ouvido durante o processo.830).688). não precisa que a ideia parta do delator e sim que alguém dê uma dica e ele conte de maneira voluntária. que não poderá deixar de observá-lo por ocasião da sentença. HC 84. . nem mesmo para os advogados dos demais acusados delatados (STF HC 90.17.517). os advogados dos acusados delatados terão direito de fazer reperguntas. com a presença de advogado. Para os tribunais. pois revisão criminal é uma ação de impugnação para atacar sentença que contenha erro e não delação premiada.4) ACORDO DE DELAÇÃO PREMIADA Trata-se de acordo sigiloso celebrado entre o MP e o acusado. MOMENTO : pode ser feito na fase investigatória (é o momento mais comum). na fase processual e com a inovação da lei nova durante a execução penal. A melhor maneira seria através de um incidente na execução. pois a sentença não contém erro. Ou seja. ou seja. Em suma é permitida em qualquer caso.

109. salvo se houver disposição legal em sentido contrário. suas autarquias e empresas públicas (CF. serviços e interesses da união. II da CF). ou seja. não é matéria submetida ao principio da reserva legal em sentido estrito (lei específica ordinária). 19) VARAS ESPECIALIZADAS DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS Obs. c) Quando a lavagem de capitais for praticada além do território nacional (CF. Obs.2: Com a CF/88.1: Há previsão legal autorizando a especialização de varas para o julgamento de quaisquer crimes.3: A especialização não é matéria que precisa de lei.105 § único. a competência será da justiça federal nas seguintes hipóteses: a) Quando praticada em detrimento de bens. 18) COMPETÊNCIA CRIMINAL Em regra crimes contra a ordem econômico-financeira são julgados pela justiça estadual. Sendo assim em regra o crime de lavagem de capitais será julgado pela justiça estadual. No entanto. artigo 109. portaria ou regulamento. . o conselho da justiça federal passou a ter atribuições meramente administrativas e orçamentárias (art. V). Obs. mas apenas ao princípio da legalidade em sentido amplo (pode ser feita por provimento. a competência para especialização de varas recai sobre o respectivo Tribunal Regional Federal. art. inclusive o de lavagem. á luz da CF/88. Portanto. IV) b) Quando a infração penal antecedente for de competência da justiça federal.