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2 Estante Mágica | Como engajar alunos através de projetos pedagógicos

I ntrod uçã o
Você, com certeza, já deve ter escutado do seu aluno a frase clássica: “Por que eu estou apren-
dendo isso?”. Numa época dominada por avanços tecnológicos, em que o dinamismo e é pala-
vra-chave para descrever a atmosfera social em que estamos, usar ferramentas que despertem o
engajamento do estudante é indispensável para alcançar um processo de aprendizado satisfatório.

Por isso, a aprendizagem baseada em projetos (Project Based Learning – PBL -, em inglês) tem sido
apontada como uma das melhores metodologias para a sala de aula contemporânea. Ela mescla teoria
e prática de forma dinâmica, trazendo o aluno para o centro do aprendizado e criando as condições
ideais para o aprendizado ser completo.

Neste e-book, explicaremos o que é PBL para que você possa transformar sua sala de aula em um
ambiente dinâmico, divertido e prático!

O Q UE É
“APREN D I Z AGEM
B ASEA DA E M
P RO J ETOS ” ?
Aprend i z a g e m b a se ada e m P ro j e to s é uma
estratégia pedagógica centrada no aluno,
na qua l o s e st u dante s apre nde m s o bre os
ma is d i ve r so s t e mas at ravé s de s i t uaç õ es -
-problema reais e sem soluções definitivas.
Ou s eja , o f o c o n ão é ne c e s s ari ame nte na
resolução do problema em si, mas em todas
a s ha bi l i da de s e apre ndi z ado s que po dem
s e r d ese n vo l vi da s durant e e s s e pro c e s so.
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De onde veio?

Tanto o termo quanto a base do que se entende hoje por PBL surgem a partir de um acúmulo das
contribuições de diversos estudiosos da aprendizagem ao longo do século XX. Maria Montessori,
Jean Piaget e Paulo Freire são nomes importantes nessa formação embrionária.

Posteriormente, John Dewey vai propor o PBL enquanto método alternativo educacional alunocen-
trada, interdisciplinar e que se faz significativo, pois foca em construir um conteúdo central através
de um rigoroso processo de elaboração onde o próprio estudante coloca a mão na massa.

Por que ensinar através de projetos?

Num contexto globalizado, que fervilha com mudanças rápidas e convive com a criação de novas
áreas e novos desafios, a superação de obstáculos é essencial para estarmos preparados para os
cenários seguintes.

Não há mais espaço para a divisão entre teoria e prática, devendo estar ambas em sintonia para
que o aprendizado seja, de fato, efetivo. Assim, habilidades além das tradicionais tornam-se neces-
sárias, como a análise crítica, a resolução de problemas e a empatia. E aprender através de pro-
jetos significa ter contato com desafios do mundo real, desenvolvendo competências cognitivas e
não-cognitivas, fundamentais para qualquer contexto.

O PBL engaja?

Um estudo realizado pela publicação The Interdisciplinary Journal of Problem-based Learning chegou
à conclusão que alunos de educação básica ensinados por PBL conseguem performar melhor, obtêm
resultados mais impactantes e transportam os processos de investigação aprendidos para ocasi-
ões diversas.

A associação de um conhecimento abstrato a uma aplicação real dá significado e propósito àquele


conteúdo. Os benefícios são diversos, tais como:

Desenvolvimento de habilidades de vida (responsabilidade, confiança, comunicação, colabora


ção, empatia, senso crítico e criatividade)

Alunos e professores mais engajados

Os alunos aprendem de forma mais significativa e conseguem lembrar com mais facilidade o
que aprenderam

Escolas com PBL no programa tendem a ter um crescimento na taxa de frequência e aprovação
dos alunos

Escolas com PBL têm menos problemas disciplinares


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OBJETIVOS
DA APRENDIZAGEM
M a is i m p o r t a n te do que a re s o l uç ão do problema em questão é o percur so inte l ec tu a l
e o e n c a de a m ento de aç õ e s de l e que ser v ir ão par a o professor av aliar os alunos .

Por e x e m p l o : em uma aul a de ge o grafia em que os alunos dev em ser introduzid o s a o s


princ í p i o s de carto graf i a, é po s s í ve l que se proponha: “Quais os caminhos ma i s p er-
corri do s p e l o s al uno s de c as a até c h eg arem à escola?” .

Individualmente, cada um poderia fazer o mapa do seu trajeto e, em um outro momento,


todos comparam seus trajetos. Em grupos, eles podem unificar seus mapas em um
m a io r e m a i s co mpl e to , para que , e m um momento final, alcançarem coletiv am en te a
s ol uç ã o da q u es t ão dada. O re s ul t ad o final é apenas uma culminância, mas o a p ren d i-
za d o o c o r re u d urant e to do o pro c e s so.

Além das competências que cada disci-


p l i n a re q u e r q u e o s a l u n o s d e s e n v o l v a m
( á l g e b r a , n ú m e r o s i n t e i r o s , d i v i s ã o s i l á-
bica, pontuação, etc.), existem as habi-
lidades socioemocionais (ou habilidades
de v ida) . E m outr as palav r as, são h a b i l i-

Ha bilidade s dades fundamentais par a que os s u j ei to s


desse século deem conta de suas emoções

d e v i da
e saibam como conduzir suas vidas de
forma serena (com empatia, resiliência,
autonomia etc).

Elementos fundamentais de um Projeto PBL:

U m p ro j e t o n o f o rmat o P BL t e m uma estr utur a própr ia par a que possa ser realiza d o . O s
t ópic o s q u e o c o ns ti tue m s ão o s s e guintes: per g unta motiv ador a, inv estig ação, a u ten -
t icid a de , e st u dante c o m vo z e po de r de escolha, reflexão, cr ítica/rev isão e culm i n â n-
cia / e n t re g a p ú b l i c a.
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É uma pergunta instigante, que dialogue


com o universo dos alunos que farão o
projeto para tornar esse aprendizado mais
sig nificativ o par a eles. Um problem a q u e
necessite de inv estig ação par a solu ç ã o .

Sug er imos que professores ( às v ezes c o m


os estudantes) elaborem uma Pergunta
Motivadora amigável aos estudantes e que

Pergunta dê foco às tarefas, como uma tese or i en ta


um ar tig o de um pesquisador. E xem p l o :

M ot iva do ra “Como podemos melhorar a reciclagem aqui


na escola, par a ev itar mos o desper d í c i o ?”

A força da Pergunta Motivadora é justa-


mente a necessidade de se buscar mais
sobre o tema para elaborar soluções.
Então, após apresentados à proposta, é
fundamental que os estudantes passem por
um per íodo de inv estig ação. Ou seja : q u e
tenham em mente a diferença entre “ d a r
uma olhada” e investigar a fundo um tema.

A ideia é que uma pergunta traga a próxima,


que, por sua vez, traz outra ainda mais pro-
funda e que esse processo se repita até que
se chegue a uma resposta ou possível solução
satisfatória para o problema geral. Eles podem
se utilizar de meios distintos para tal: pes-
quisas no Google, em livros, entrevistas com
pessoas mais velhas, com especialistas, com
representantes públicos etc.
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U m p ro j e t o p o d e s e r a u t ê n t i c o d e v á r i a s
formas e essa autenticidade pode estar
relacionada ao impacto comunitário - como
quando a escola atua em cima de uma
demanda do bairro ou da comunidade
escolar, por exemplo, ao refazer o j a r d i m
de uma praça pública, ajudar os refugiados
da cidade ou plantar uma hor ta na es c o l a .

O mais impor tante é que a autenti c i d a d e

A u te nticida d e
anule aquela per g unta tão ouv ida n a s a l a
de aula “Mas, professora, por que eu tenho
que aprender isso?” . Tendo um res u l ta d o

(realidade) concreto, esse projeto contribui para moti -


v ação e aprendizag em dos estudan tes .

E s t u da n te Quando se pode opinar na constr u ç ã o d o


projeto, os alunos passam a ter u m s en -
timento de dono em relação a ele, o q u e

co m voz e g ar ante estudantes mais eng ajados e q u e


t r a b a l h a m m a i s d u ro p a r a a l c a n ç a re m a s
respostas necessár ias. Vendo que a s p ró-

poder de prias ideias são capazes de resolver um


problema, eles automaticamente passam a

esc ol h a
perceber a tarefa como alg o v alios o .

Um dos “pais” da Aprendizagem por


Projetos, John Dewey dizia: “Nós não
aprendemos pela experiência, aprende-
mos refletindo sobre a experiência”. Nesse
sentido, é impor tante hav er um mo m en to
onde se olhe par a tr ás em conjunto , p ro-
fessor e alunos, para refletirem pontos
c o m o : “O q u e e s t a m o s a p r e n d e n d o ? P o r
que estamos aprendendo? E como estamos
aprendendo?”. Esse momento pode ser bem

Re fle x ão
simples, como uma roda de conv er s a p a r a
troca de impressões, todos com igual poder
de fala e dev er de escutar.
A aprendizagem por projetos possibilita
a cr iação, pelos estudantes, de tr a b a l h o s
de alta qualidade e robustez. Par a ta l , é
impor tante que eles aprendam a rec eb er e
a dar feedbacks positiv os e neg ativ o s - o
que ir á alav ancar os resultados e p ro c es -
sos do projeto em questão.

Esse processo é um dos mais importan-


tes, pois além de ser a pr incipal g a r a n ti a

C rí t i ca e de melhora do aluno é quando eles podem


enxer g ar a possibilidade de melhora e s ã o

re visão
estimulados a conv iv er pacificamen te c o m
o erro, enxergando-o desde cedo como uma
nov a possibilidade de aprendizado .

CULMINÂNCIA / ENTREGA PÚBLICA


Na li t e r a t u r a so bre apre ndi z age m por projetos, muito se fala da necessidade d a c u l-
m inâ n c i a e m a l gum “P ro dut o ” o u “Mater ial Final” . E sse produto pode ser alg o fí s i c o ,
como um livro, um filme, uma planta baixa, uma horta da comunidade escolar, mas não
a pe n a s i sso . Po de - s e c ul mi nar c o m u ma apresentação sobre reciclag em par a o b a i r ro ,
um show de talentos da escola, uma feira de ciências com as escolas próximas, o plano
d a so l u ç ã o de um pro bl e ma.

O ob j e t i vo é t o rnar e s s a c ul mi nânc i a, esse “ produto” , o mais público possív el, j á q u e,


um a ve z a u m e n tadas as e x pe c tati vas de for ma saudáv el, os alunos tendem a a gi r c o m
mais compromisso. Além disso, fazendo com que o trabalho dos alunos se torne público,
e s t am o s a p ro x imando o s pai s e a c o munidade do processo educativ o. E as cr ian ç a s , a o
v ere m o s g r a n d i o s o s re s ul tado s do projetos, tor nam-se mais eng ajadas. Isso refo rç a
os ga n h o s p e dagó gi c o s da e s c o l a a par tir desta metodolog ia.
Q ue r a pl ica r essa m etodologi a
na sua escola?

Na E stante M ági ca , di s p o n i bi l i z a m o s
u ma pl atafo r m a gra tu i ta co m u m a s é r i e
de p ro jeto s p ed a gó gi co s i n s p i ra d o s p e l a
ap rend izag em ba s e a d a e m p ro j e to s .

Com o resul tad o, s e u s a l u n o s e s cre ve m


o p ró p r io l iv ro e o p ro m ove m e m u m
inesq uec íve l di a d e a u tó gra fo s !

QU E RO T R A N S FO R MA R A
SAL A D E AU L A !