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INSTITUTO TECNOLÓGICO DE AERONÁUTICA

Departamento de Aerodinâmica
Mecânica dos Fluidos

Perda de Carga em Dutos e a Experiência


de Reynolds

Caio Capistrano Teixeira


Daniel Chin
David Araujo Holanda
Fidel Esteves do Nascimento
Geune Vieira Quintino
Lorenzo Pellizzaro Lima
Rafael Barreto Mendes
Victor Régis Mesquita

Professores:
Vitor Kleine
Cap. Rodrigo Moura

São José dos Campos - SP


27 de Abril de 2018
Lista de Tabelas
1 Leitura das pressões dos ensaios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2 Condições ambientes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
3 Condições ambientes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
4 Dimensões do Túnel de Ensino e Pesquisa do ITA. . . . . . . . . . . . . . . 29
5 Resultado para a perda de carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

1
Lista de Figuras
1 Aparato experimental para estudo da perda de carga em dutos, retirado
de [3].
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
3 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
4 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
5 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
7 Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
8 Gráfico de calibração do primeiro experimento.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
9 Gráfico de calibração do segundo experimento.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
10 Grafico Massa X Tempo com Re = 1919,6.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
11 Fotografia do regime para Re = 563.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
12 Fotografia do regime a Re = 735.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
13 Fotografia do regime a Re = 1709.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
14 Fotografia do regime a Re = 1919.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
15 Fotografia do regime a Re = 2692.
Fonte: Autor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
16 Ilustração de Reynolds para sua observação de regime laminar.
Fonte: [4]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
17 Ilustração de Reynolds para sua observação de regime turbulento.
Fonte: [4]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
18 Esquema do Túnel de Vento de Ensino e Pesquisa do ITA, retirado de [3]. . 28
19 Entrada do túnel. Figura retirada de [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
20 Diagrama de Moody, de [2] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
21 Seção convergente, de [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
22 F 8 em função de Re, de [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
23 Seção Divergente, de [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
24 Coeficiente de perda de carga do fluxo através de uma seção divergente,
de [2]. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
25 Detalhes do compressor. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

2
Conteúdo
1 Introdução Geral 4

2 Perda de Carga em Dutos Circulares 4


(a) Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
i Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
ii Aparato experimental e instrumentação . . . . . . . . . . . . . . . . 5
(b) Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
(c) Considerações teóricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
i Efeito de entrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
ii Regime de transição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
iii Escoamento turbulento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
(d) Condições ambientes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
(e) Análise dos resultados e Discussões . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
(f) Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18

3 Experiência de Reynolds 19
(a) Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
i Objetivos do experimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
ii Aparato Experimental e Instrumentação . . . . . . . . . . . . . . . 20
iii Condições Ambientes e Valores de Referência . . . . . . . . . . . . 20
(b) Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
i Calibração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
ii Execução do Experimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
(c) Análise dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
i Comparativo Global . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
ii Discussão dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

4 Perda de Carga em Túneis de Vento 27


(a) Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
(b) Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
(c) Metodologia e Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
(d) Discussão dos resultados obtidos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
(e) Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

5 Conclusão Geral 37

3
1 Introdução Geral
Perda de Carga é uma grandeza normalmente utilizada na engenharia e na mecânica
de fluidos para representar a perda de energia que um fluido sofre ao escoar. Pois, ao
escoar, um fluido perde energia dinâmica devido ao atrito entre as suas partı́culas e à
superfı́cie que delimita a região de escoamento.
Um escoamento pode ser classificado como turbulento, laminar ou de transição. No
escoamento laminar, predominam as forças viscosas, assim as camadas do fluido deslizam
umas sobre as outras como lâminas. No escoamento turbulento, as partı́culas do fluido
se movem em movimentos irregulares e difı́ceis de prever. No escoamento de transição, o
fluido se encontra em uma fase intermediária entre as outras duas.
Ao comparar as perdas de carga nos escoamentos laminares a montante e turbulentos
a jusante, observa-se algumas diferenças. Em primeiro lugar, a perda de carga é significa-
tivamente mais elevada nos escoamentos turbulentos, pois o diagrama de Moody mostra
um aumento brusco no fator de atrito ao passar do regime laminar para o turbulento. Em
segundo lugar, a rugosidade das paredes internas do tubo tem uma grande importância
na análise da perda de carga de um regime turbulento, enquanto tem influência muito
pequena na perda de carga do regime laminar.
Portanto, ao analisar um projeto é de fundamental importância avaliar os regimes de
escoamento de funcionamento, pois o regime em questão pode trazer uma grande alteração
nas perdas de carga envolvidas.
Com isso, realizou-e três práticas intimamente conectadas com esses conceitos:

1. Na primeira prática, realizou-se um procedimento experimental que tinha como


objetivo o cálculo da perda de carga em uma tubulação variando-se o número de
Reynolds.

2. A segunda prática consistiu em variar o número de Reynolds para observar como


este influi no regime de escoamento observado.

3. Na terceira prática, é necessário avaliar a potência necessária para um túnel de


vento, considerando um cenário real, ou seja, levando em conta as perdas de cargas
envolvidas na operação desse equipamento.

Dessa forma, esta prática foi planejada para se estudar a perda de carga que ocorre
no escoamento em dutos devido a viscosidade do fluido e como esta sofre influência de
acordo com o tipo de escoamento (laminar ou turbulento).

2 Perda de Carga em Dutos Circulares


(a) Introdução
A perda de carga em um tubo equivale à variação da soma das alturas de pressão e de
gravidade, isto é, à variação da linha piezométrica (LP). Para tubos circulares, descobriu-
se que a perda de carga é proporcional a L/D e aproximadamente proporcional a V 2 .
Assim, chega-se à seguinte correlação:

L V2
hp = f , (1)
D 2g

4
em que f = f(Rd , d , formato do duto). A rugosidade  da parede tem grande influência
em escoamentos turbulentos, mas é desprezı́vel em escoamentos laminares.
Para um escoamento laminar totalmente desenvolvido em um tubo circular horizontal,
escoamento de Poiseuille, a perda de carga pode ser espressa em sua forma diferencial:
128µQ ∂p
= − . (2)
πD4 ∂x
O fator de forma é facilmente determinado comparando-se, com devidos ajustes, as
equações 1 e 2:
64
flam = , (3)
ReD
com ReD = 4ρQ/πDµ.

i Objetivos
O experimento de perda de carga em tubos circulares visou alguns objetivos:

• Estimar a viscosidade da água para diversos números de Reynolds.

• Discutir a dependência da viscosidade com o número de Reynolds para os regimes


laminar e turbulento.

• Comparar o resultado obtido com valores tı́picos de viscosidade da literatura.

ii Aparato experimental e instrumentação


Com o objetivo de estimar a viscosidade da água para diversos Reynoldos, foi montado
um aparato capaz de gerar fluxo de água através de um duto circular e, além disso, indicar
a pressão em diversos pontos do escoamento (Ver Figura 1).
Tal fluxo era gerado por um reservatório de água. O reservatório possuia duas válvulas:
uma de entrada de água e outra de saı́da, que se comunicava com o duto do escoamento.
O segundo elemento da instrumentação do experimento é um multimanômetro, gra-
duado em milı́metros. Tal instrumento possui vinte tomadas de pressão ao longo do duto
horizontal, por onde escoa a água. A distância entre duas tomadas consecutivas de pressão
é de 75 mm enquanto o diâmetro do duto horrizontal é de 3,2 mm. O duto por onde ocorre
o fluxo de água possui uma das suas extremidades conectada ao reservatório e a outra
limitada por um regulador de vazão.
O regulador de vazão é um mecanismo para controle visual da vazão de água que
atravessa o duto. Como o experimento tem um cunho numérico, a vazão é medida a cada
tomada de pressões através de uma balança, que lança dados de tensão que são traduzidos
em massa por um computador, em sincronia com um cronômetro.

(b) Metodologia
A metodologia aplicada para esse experimento visou estimar os valores de viscosidade
para cada escoamento através da Equação 2.
O tubo utilizado no experimento estava apoiado sobre uma superfı́cie horizontal.
Tendo em vista a equação 2, para que possamos estimar o valor de µ, são necessários
∂p
os valores de vazão Q, diâmetro do tubo D e gradiente de pressão ∂x . Já que o diâmetro

5
Figura 1: Aparato experimental para estudo da perda de carga em dutos, retirado de [3].
Fonte: Autor.

6
Número do ensaio Valor de pressão para o tubo 20 (mmH2 O)
1 803
2 687
3 583
4 491
5 386
6 303

Tabela 1: Leitura das pressões dos ensaios

do tubo é um dado do aparato experimental, o foco foi obter, durante os ensaios, dados
suficientes para calcular as duas outras grandezas mencionadas.
Desse modo, visou-se obter os dados através da seguinte abordagem: ao se abrir o
regulador de vazão, acionou-se o cronômetro e, logo abaixo dele, foi colocado um frasco
graduado. O ensaio terminava quando havia sido coletado um volume próximo de 500
ml, de modo que o peso do conjunto água e frasco estivesse dentro dos valores de massa
utilizados na calibração da célula de carga. Nesse momento o cronômetro também era
pausado. Com os valores médios de massa coletada e do intervalo de tempo obtido, foi
possı́vel obter as informações sobre a vazão média de cada ensaio. Durante cada ensaio,
buscou-se manter o nı́vel da água constante no reservatório para que as condições do
escoamento permanecessem as mesmas ao longo do tempo.
Além disso, o conjunto de tubos verticais foi usado para obter os valores de gradiente
de pressão. Cada um dos 20 tubos forneceu um valor de pressão em mmH2 O, que foi lido
durante o perı́odo de abertura da válvula de vazão. O conjunto das medidas possibilitou a
obtenção dos gráficos de pressão por unidade de comprimento do tubo horizontal. Durante
a prática, pode-se verificar visualmente que tal gráfico apresenta uma tendência linear. O
∂p
coeficiente angular de tais gráficos é numericamente igual ao gradiente de pressão ∂x .
Com uma análise prévia dos valores de Reynolds e do fenômeno da transição do es-
coamento em tubos circulares, foram feitos ensaios para vários valores de velocidade do
escoamento, visando capturar ambos os escoamentos laminar e turbulento, a fim de com-
parar a dependência de µ com o número de Reynolds. Como não possuı́amos informações
sobre vazão ou velocidade antes de iniciar cada coleta de dados, a referência adotada para
identificar cada escoamento foi o valor de pressão registrado pelo tubo de número 20,
conforme ilustrado na referência [3] . Os valores utilizados constam na Tabela 1.
Por fim, quanto ao cálculo do número de Reynolds, existiam duas possibilidades para
o valor de viscosidade: o valor calculado pelo método descrito nesse trabalho e o valor
estimado para as condições do laboratório. Tendo em vista que, durante o laboratório, o
valor calculado não sofreu grandes variações, além do fato de que, através do método aqui
descrito, foram obtidos valores com certa divergência, optou-se por adotar como valor de
viscosidade para o cálculo do número de Reynolds o valor teórico obtido. A fim de evitar
confusões quanto a isso, esse valor será indicado a partir de agora por µR .

(c) Considerações teóricas


i Efeito de entrada
Existe uma região de entrada em que o escoamento aproximadamente não viscoso
a montante converge para o tubo e entra nele. As camadas-limite viscosas crescem a

7
jusante e retarda o escoamento axial. A uma distância finita da entrada, as camadas-
limite fundem-se e o núcleo não viscoso desaparece. O escoamento no tubo fica então
inteiramente viscoso, e a velocidade xial se ajusta levemente até que, em x = Le , ela não
muda mais com x, sendo chamada de totalmente desenvolvida.
Para escoamento laminar, a relação aceita entre Le e D é
Le
≈ 0, 06Re. (4)
D
No escoamento turbulento, as camadas-limite crescem mais rapidamente, e Le é rela-
tivamente menor, de acordo com a aproximação para paredes lisas:
Le
≈ 4, 4Re1/6 . (5)
D

ii Regime de transição
O valor aceito do número de Reynolds para a transição do escoamento em tubos é

ReD,cr ≈ 2300. (6)

O escoamento torna-se totalmente turbulento para V ≈ 0, 67 m/s, ReD ≈ 4200.

iii Escoamento turbulento


Para escoamento turbulento em tubos, não podemos usar as relações que regem o
regime laminar dadas anteriormente. Para um tubo horizontal, as soluções para o caso
turbulento mostram que:  −2
ReD
f ≈ 1, 8 log . (7)
6, 9
Substituindo esse valor na equação 2, encontramos
∂p
0, 241ρ3/4 µ1/4 D−4,75 Q1,75 ≈ − . (8)
∂x
Para um dado gradiente de pressão, a vazão volumétrica calculada pela relação acima
é menor do que aquela calculada pela Equação 2.

(d) Condições ambientes


No inı́cio e no fim do experimento foram realizadas medidas de densidade e tempe-
ratura da água. O valor médio dessas medidas será o utilizado em eventuais cálculos de
grandezas relevantes no experimento. A viscosidade da água foi calculada com base na
equação logarı́tmica para lı́quidos:
   2
µ T0 T0
ln =a+b +c . (9)
µ0 T T
Para a água, T0 = 273,16 K, µ0 = 0,001792 Kg/(m.s), a = −1, 94, b = −4, 80 e c = 6, 74.
A tabela abaixo apresenta os valores obtidos. O valor médio da viscosidade vale µR =
0,000913.

8
Tabela 2: Condições ambientes

Horário Densidade da água Temperatura da Viscosidade da água


(kg/m3 ) água (ºC) (kg/m.s)
16 : 00 995, 5 25, 0 0, 000908
17 : 00 995, 5 24, 5 0, 000918

(e) Análise dos resultados e Discussões


Ensaio 1
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foram de 0,534 kg
e 03:40 min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:
m
Q= = 2, 438 · 10−6 m3 /s. (10)
ρt
4ρQ
ReD = = 1058, 8. (11)
πDµR
O número de Reynolds calculado é bem menor do que 2300; Logo, o escoamento é laminar
e a Equação 4 se aplica ao comprimento de entrada:
Le
≈ 63, 528 ⇒ Le ≈ 0, 20 m. (12)
D
O comprimento de entrada é menor do que a distância do inı́cio do duto horizontal ao
primeiro duto vertical (0,37 m); Logo, na região estudado do duto, o escoamento pode ser
considerado como laminar plenamente desenvolvido e a Equação 2 se aplica à viscosidade.
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

9
Figura 2: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão, coeficiente


angular, vale -830,25 Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão
na Equação 2, encontra-se para viscosidade da água:
128 · µ · 2, 438 · 10−6
= 830, 25. ⇒ µ ≈ 0, 0008764 kg/m · s. (13)
π · 0, 00324
O desvio relativo entre o valor encontrado e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
0, 0008764 − 0, 0009130
σ= = −0, 040 = −4%. (14)
0, 0009130

Ensaio 2
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foram de 0,545 kg
e 02:27 min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:

Q = 3, 724 · 10−6 m3 /s, (15)


ReD = 1615, 6. (16)
O número de Reynolds calculado é menor do que 2300; Logo, o escoamento é laminar e a
Equação 4 se aplica ao comprimento de entrada:
Le
≈ 5, 17 ⇒ Le ≈ 0, 31 m. (17)
D
O comprimento de entrada é menor que 0,37 m; Logo, o escoamento pode ser considerado
como laminar plenamente desenvolvido e a Equação 2 se aplica à viscosidade.

10
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

Figura 3: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.


Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão vale -1379,4


Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão na Equação 2,
encontra-se para viscosidade da água:

µ ≈ 0, 0009532 kg/m · s. (18)

O desvio relativo entre o valor encontrado e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
σ = 0, 044 = 4, 4%. (19)

Ensaio 3
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foram de 0,555 kg
e 01:50 min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:

Q = 5, 068 · 10−6 m3 /s (20)


ReD = 2198, 7. (21)
O número de Reynolds calculado é menor do que 2300; Logo, o escoamento é laminar e a
Equação 4 se aplica ao comprimento de entrada:
Le
≈ 131, 9 ⇒ Le ≈ 0, 42 m. (22)
D

11
O comprimento de entrada é um pouco maior que 0,37 m; Mesmo assim, o efeito de
entrada terá pouca influência no escoamento como um todo, podendo ser considerado
aproximadamente como laminar plenamente desenvolvido de tal maneira que a Equação
2 se aplica à viscosidade.
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

Figura 4: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.


Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão vale -1861,3


Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão na Equação 2,
encontra-se para viscosidade da água:

µ ≈ 0, 001035 kg/m · s. (23)

O desvio relativo entre o valor encontrado e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
σ = 0, 133 = 13, 3%. (24)

Ensaio 4
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foram de 0,46 kg e
01:18 min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:

Q = 5, 924 · 10−6 m3 /s. (25)


ReD = 2570. (26)

12
O número de Reynolds calculado é maior do que 2300; Logo, o escoamento não é laminar
e o comprimento de entrada deve estar entre aquele calculado pela Equação 4 e aquele
calculado pela Equação 5:
Le,lam
≈ 152, 4 ⇒ Le,lam ≈ 0, 49 m, (27)
D
Le,turb
≈ 4, 4Re1/6 ≈ 16, 3 ⇒ Le,turb ≈ 0, 052 m. (28)
D
O comprimento de entrada deve estar próximo de 0,37 m; Com isso, o efeito de entrada
terá pouca influência no escoamento como um todo. O valor da viscosidade deve estar
entre o valor calculado para o caso laminar e o valor calculado para o caso turbulento.
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

Figura 5: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.


Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão vale -2353,5


Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão na Equação 2 e 8,
encontra-se para viscosidade da água:
µlam ≈ 0, 00119 kg/m · s, (29)
1/4
0, 241 · 995, 53/4 · µturb · 0, 0032−4,75 · (5, 924 · 10−6 )1,75 ≈ 2353, 5, (30)
µturb ≈ 0, 001426 kg/m · s. (31)
O desvio relativo entre os valores encontrados e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
σlam = 0, 303 = 30, 3%, (32)
σturb = 0, 562 = 56, 2%. (33)

13
Ensaio 5
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foi de 0,44 kg e 01:04
min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:

Q = 6, 906 · 10−6 m3 /s, (34)


ReD = 2996, 1. (35)
O número de Reynolds calculado é maior do que 2300; Logo, o escoamento não é laminar
e o comprimento de entrada deve estar entre aquele calculado pela Equação 4 e aquele
calculado pela Equação 5:
Le,lam
≈ 179, 8 ⇒ Le,lam ≈ 0, 57 m, (36)
D
Le,turb
≈ 4, 4Re1/6 ≈ 16, 3 ⇒ Le,turb ≈ 0, 053 m. (37)
D
O comprimento de entrada deve estar próximo de 0,37 m; Com isso, o efeito de entrada
terá pouca influência no escoamento como um todo. O valor da viscosidade deve estar
entre o valor calcuilado para o caso laminar e o valor calculado para o caso turbulento.
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

Figura 6: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.


Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão vale -2944,6


Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão na Equação 2 e 8,
encontra-se para viscosidade da água:
µlam ≈ 0, 001097 kg/m · s, (38)

14
µturb ≈ 0, 001194 kg/m · s. (39)
O desvio relativo entre os valores encontrados e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
σlam = 0, 201 = 20, 1%, (40)
σturb = 0, 307 = 30, 7%. (41)

Ensaio 6
O valor médio da massa coletada e do intervalo de tempo medido foram de 0,41 kg e
00:54 min, respectivamente. Com isso, a vazão média e o número de Reynolds valem:

Q = 7, 595 · 10−6 m3 /s, (42)


ReD = 3295. (43)
O número de Reynolds calculado é maior do que 2300; Logo, o escoamento não é laminar
e o comprimento de entrada deve estar entre aquele calculado pela Equação 4 e aquele
calculado pela Equação 5:
Le,lam
≈ 197, 7 ⇒ Le,lam ≈ 0, 63 m, (44)
D
Le,turb
≈ 4, 4Re1/6 ≈ 17 ⇒ Le,turb ≈ 0, 054 m. (45)
D
O comprimento de entrada deve estar próximo de 0,37 m; Com isso, o efeito de entrada
terá pouca influência no escoamento como um todo. O valor da viscosidade deve estar
entre o valor calculado para o caso laminar e o valor calculado para o caso turbulento.
O seguinte gráfico apresenta a relação obtida entre a pressão ao longo do duto hori-
zontal e a respectiva distância.

15
Figura 7: Pressão vs distância ao longo do duto horizontal.
Fonte: Autor.

A curva obtida é aproximadamente uma reta, e o gradiente de pressão vale -3402,1


Pa/m. Utilizando os valores obtidos de vazão e gradiente de pressão nas Equações 2 e 8,
encontra-se para viscosidade da água:

µlam ≈ 0, 001153 kg/m · s, (46)

µturb ≈ 0, 001093 kg/m · s. (47)


O desvio relativo entre os valores encontrados e aquele obtido pela equação logarı́tmica,
teórico, vale:
σlam = 0, 262 = 26, 2%, (48)
σturb = 0, 197 = 19, 7%. (49)

A análise dos dados evidencia a presença de diferentes fatores e fenômenos no expe-


rimento. Registrou-se nos ensaios 1 e 2 a presença do escoamento laminar, vendo que
a teoria se mostrou bem condizente com os valores esperados. O terceiro ensaio, apesar
de ser considerado escoamento laminar totalmente desenvolvido, apresentou um desvio
relativo maior entre as viscosidades. Isso pode ter ocorrido porque o escoamento apresen-
tava número de Reynolds próximo ao crı́tico (1750) [1], ou seja, o regime estava próximo
da transição, sujeito a perturbações externas. Além disso, o pequeno efeito de entrada
encontrado pode ter contribuı́do para o relevante desvio entre as duas grandezas. Apesar
disso, nos ensaios de 4 e 5, houve uma grande divergência de resultados, mesmo ao apli-
car tanto a equação supondo regime laminar quanto regime turbulento, isto é, os valores
calculados para a viscosidade mostraram-se com consideráveis erros relativos em relação

16
a ambos os valores teóricos (para regime laminar e turbulento). Pode-se inferir portanto
que nesses ensaios o escoamento era de transição, condição em que nenhuma das duas
teorias podem ser aplicadas com sucesso. De fato, a análise do escoamento no regime de
transição não pode ser feita com equações do regime laminar e/ou do turbulento.
A transição do escoamento entre os regimes laminar e turbulento se dá de modo gradual
em relação ao número de Re, e não pontualmente como por vezes a literatura indica ao
dar um valor de referência para a transição. Isto é: O valor de transição na realidade é
uma faixa, que depende, além de outros fatores, do grau de rugosidade do tubo utilizado,
e das condições geométricas de entrada (bocal). Sendo assim, não era de conhecimento
do grupo essa faixa de valores, e por isso, a referência adotada de [5] foi utilizada para
guiar as análises. Deste modo, foi possı́vel verificar a presença do regime de transição
nos ensaios de 4 a 6. Ao aplicarmos tanto a equação para regime turbulento quanto para
regime laminar, observou-se uma grande discrepância quanto aos valores de referência, o
que indica que de fato esses três escoamentos não se encontravam em nenhum dos dois
regimes, mas na faixa de transição. Isso ainda é corroborado pelo fato de que, quando se
observa a progressão dos erros para a estimativa através da Eq.8 nos ensaios de 4 a 6, o
erro desse resultado decresce, além de que, comparando os ensaios 5 e 6, verifica-se um
aumento do erro para a estimativa da Equação 2, indicando que ao aumentar o número
de Reynolds, os resultados da Equação 8 estariam mais coerentes e os da Eq.2 cada vez
mais discrepantes, mostrando o crescente domı́nio do regime turbulento.
Como a maioria dos resultados se localizaram no regime de transição, a quantidade de
dados obtidos para avaliar a dependência da viscosidade com o número de Reynolds nos
regimes laminar e turbulento foi escassa, especialmente para o regime turbulento, em que
a análise permite deduzir que nenhum dos dados estava de fato no regime turbulento. Para
o regime laminar, com apenas dois ensaios, ao plotar o gráfico de vazão por gradiente de
pressão para esse caso, o valor de viscosidade encontrado apresentou grande discrepância
tanto com os valores de viscosidade estimados para estes ensaios quanto com o valor
calculado para as condições do laboratório, retificando a falta de dados para realizar essa
abordagem. A acumulação dos pontos na região de transição pode ser correlacionada com
as perturbações externas, tendo em vista que as condições do laboratório não eram livres
delas. Podemos destacar entre elas o bocal que conectava o tubo e o reservatório, já que
para uma entrada mais suave do escoamento no tubo, este deveria ser divergente, e no
laboratório havia um bocal reto. Além disso, a maneira como era feito o reabastecimento
do reservatório causava certa agitação da água ali contida, o que poderia também causar
perturbações. Além desses, perturbações em menor escala como as vibrações geradas pela
presença de ventiladores e pessoas podem ter sido também fonte de perturbações.
A influência do número de Reynolds na viscosidade pode ser avaliada analisando-se
as variações respectivas do fator de atrito de Darcy. Utilizando a Equação 3 para o esco-
amento laminar totalmente desenvolvido, e, a Equação 7, para o escoamento turbulento
em tubo liso, pode-se obter as seguintes curvas de dependência do fator de atrito com o
número de Reynolds.

17
Caso laminar
0.1

8 · 10−2

6 · 10−2
f

4 · 10−2

2 · 10−2

0
1,000 1,200 1,400 1,600 1,800 2,000 2,200
Re

Caso turbulento
0.1

8 · 10−2

6 · 10−2
f

4 · 10−2

2 · 10−2

0
4,200 4,300 4,400 4,500 4,600 4,700 4,800 4,900 5,000
Re

Observa-se que f depende fortemente do número de Reynolds no escoamento laminar,


pois para pequenas variações, há um decréscimo significativo do fator de atrito. Para
o caso turbulento, f varia moderadamente para grandes variações do número de Rey-
nolds. Isso nos permite afirmar que a viscosidade é fortemente dependente do número de
Reynolds no escoamento laminar e, no caso turbulento, apresenta dependência moderada.

(f ) Conclusão
A viscosidade da água foi calculada com sucesso para seis diferentes números de Rey-
nolds. No entanto, a análise do comportamento da viscosidade em função de Re revelou-se

18
aquém do previsto. Isso porque as previsões teóricas para viscosidade, tanto em regimes
laminar e turbulento, em geral diferiram muito dos valores calculados experimentalmente.
Esse fato levou à aferição de que o escoamento sendo analisado em grande parte era de
transição, condição que não encontra análise teórica satisfatória da viscosidade em função
de Re. Corrobora com essa aferição o fato de que os Re analisados eram superiores ao Re
crı́tico teórico, condição que deixa o escoamento suscetı́vel a perturbações externas diver-
sas, alterando suas propriedades de forma randômica e gerando imprecisão nas medições.
O ambiente laboratorial certamente induzia perturbações, pois não foi projetado para se
isolar destas, havendo fluxo de pessoas, equipamentos elétricos como ventiladores ligados
e presença de correntes de ar.
Melhorias podem ser feitas no sentido de se verificar qual o regime de escoamento está
sendo estudado no aparato deste experimento, para cada análise (análises diferindo entre
si pelo número de Reynolds caracterı́stico do escoamento). Isso pode ser alcançado por vi-
sualização pela injeção de corante, em procedimento análogo ao realizado no experimento
de Reynolds.

3 Experiência de Reynolds
(a) Introdução
Neste experimento ressalta-se a importância do número de Reynolds, sendo este o fator
principal na determinação do regime de escoamento em tubos, por meio da execução de
método muito semelhante ao realizada pelo próprio Osborne Reynolds em 1883 [4] .
O número de Reynolds, um parâmetro adimensional, é proporcional à velocidade do
fluxo, e portanto à sua vazão num tubo circular:
ρV d
Re = , (50)
µ
onde ρ é a densidade do fuido, V sua velocidade, d um comprimento caracterı́stico do
escoamento (no presente caso é o diâmetro do tubo) e µ sua viscosidade.
O número de Reynolds pode ser entendido como uma medida do grau de mistura
macroscópica em um escoamento. Desse modo, para baixos Re, predomina a mistura mi-
croscópica, molecular, caracterı́stica de regimes laminares. Para altos Re, a mistura ma-
croscópica torna-se relevante e manifesta-se no turbilhonamento no escoamento, fenômeno
caracerı́stico de regimes turbulentos. Outra forma de se entender o número de Reynolds
é como uma razão entre as forças de inércia (convecção) e as forças viscosas (difusão) de
um escoamento [5]. A predominância de forças de inércia está associadas ao regime tur-
bulento, pois estas tendem a propagar perturbações desordenadas ao longo do escoamento
e causar distribuições randômicas de velocidade de partı́culas do fluido. Já o inverso se
verifica quando da predominância de forças viscosas, que tendem a mitigar perturbações,
laminarizando o escoamento. Sendo assim, quanto menor o número de Reynolds maior é
a influência das forças viscosas, que tendem a fazer o fluido escoar em camadas que não se
misturam, sendo maior a tendência ao regime laminar. Da mesma forma, quanto maior o
número de Reynolds maiores são as forças de inércia comparadas com as forças viscosas,
fazendo com que aumente a possibilidade da mistura das camadas de fluido, o que torna
maior a tendência do escoamento ao regime turbulento.
Entre o regime laminar e turbulento há o escoamento de transição, que caracteriza-se
pela presença dos dois regimes, sendo laminar a montante e turbulento a jusante. Para

19
a experiência de Reynolds, o valor Re = 2300 é normalmente aceito como o Reynolds de
transição [5], sendo que esse valor pode variar de acordo com algumas condições experi-
mentais, como rugosidade do cano e perturbações externas. Experimentalmente verifica-se
que o regime de transição é especialmente sensı́vel a perturbações externas.
O número de Reynolds crı́tico é definido como o menor valor de Re a partir do qual
existe pelo menos uma frequência de perturbação que transiciona o escoamento de laminar
para turbulento [1]. Naturalmente, o número de Re crı́tico é sempre menor que Re de
transição para dado experimento.

i Objetivos do experimento
Este experimento buscou reproduzir a experiência de Reynolds, de modo a atingir os
seguintes objetivos:

1. Relatar as caracterı́sticas observadas dos escoamentos laminares, turbulentos e de


transição; e

2. Estimar o valor do número de Reynolds de transição observado comparando com


dados disponı́veis na literatura.

ii Aparato Experimental e Instrumentação


Nesta prática foram utilizados os equipamentos a seguir:

• Reservatório de água com volume máximo de 500 litros.

• Duto transparente com diâmetro interno de 3 cm.

• Mangueira coletora com vazão máximo 9 litros/minutos.

• Cilindro de corante que tem capacidade de 1 litro.

• Linha de trasporte.

• Injetor de corante.

• Recipiente coletora que tem capacidade de 10 litros.

• Célula de carga que tolera um limite de 10 kg.

• Sistema de aquisição é composto por um amplificador/filtro, que ajusta a voltagem


da célula de carga, e por uma interface de comunicação entre amplicador/filtro e o
computador, que pode ser uma placa interna ou um módulo USB externo.

iii Condições Ambientes e Valores de Referência


Analogamente ao primeiro experimento obteve-se os valores iniciais e usando a Equação
9. A tabela abaixo apresenta os valores obtidos. Valor médio da viscosidade vale µR =
0,00092.

20
Tabela 3: Condições ambientes

Horário Densidade (kg/m3 ) Temperatura (ºC) Viscosidade (kg/m.s)


17 : 00 995, 5 24.5 0, 00092
17 : 30 995, 5 24.5 0, 00092

(b) Metodologia
i Calibração
Antes de começar o experimento, fez-se o processo de calibração da célula de carga.
Para isso, colocamos pesos na célula de carga e digitamos o valor correspondente no
programa LabView©, e este, por sua vez, traçava uma curva relacionando a tensão gerada
na célula de carga e o valor do peso digitado no programa.
Para o primeiro experimento, os pontos de calibração começaram em zero e foram até
1,4 kg, com passo de 100 g. Para o segundo experimento, começou-se sem carga e foi-se
até 9 kg, com passo de 1 kg.
Em ambas as calibrações, registrou-se pontos do mı́nimo ao máximo e depois decres-
cendo até o mı́nimo, com o objetivo de identificar a histerese.

Figura 8: Gráfico de calibração do primeiro experimento.


Fonte: Autor.

ii Execução do Experimento
Após concluı́da a calibração, foi induzido, lentamente, o escoamento no tubo de vidro
pela ligeira abertura da válvula de saı́da. Em seguida, também foi lentamente aberta
válvula de controle do corante, de modo a igualar a velocidade com que este é injetado

21
Figura 9: Gráfico de calibração do segundo experimento.
Fonte: Autor.

deste à velocidade do fluido no tubo. Se injetado com velocidade significativamente di-


ferente, o jato de corante se definhará, tornando-se pouco visı́vel, caso a velocidade de
injeção seja consideravelmente menor que a do fluido; e induzirá turbulência, se diper-
sando, caso sua velocidade de injeção for consideravelmente superior à do fluido. Deste
modo, para que se obter visualização adequada do escoamento, foi necessário a todo
momento ajuste fino da válvula de controle do corante.
A partir de então, tendo-se observado um regime de escoamento relevante à prática,
iniciava-se processo de medição de vazão e fotografia do escoamento, sucedido por novo
aumento de vazão (tanto do fluido água, quanto do corante) até obter-se novo regime
relevante. Em cada regime de escoamento analisado, um membro do grupo perturbou o
escoamento pela aplicação simples de piparotes à parede do tubo, e observou-se como o
piparote afetou o escoamento em cada caso.
Admitiu-se, para o cálculo da vazão, que esta era constante durante a medida, su-
posição válida levando-se em conta o pequeno volume drenado, durante as medições, da
caixa d’água de capacidade de 500 litros. A vazão é função da altura da coluna de água
na caixa de água, coluna esta que pouco varia durante a medição. A Figura 10, gerada
com dados do LabView©, plota massa medida na balança em função do tempo. Conse-
quentemente, a vazão média pode ser obtida em cada ponto pela derivada em relação ao
tempo da curva média dos pontos do gráfico. A análise pelo software Excel mostra que o
coeficiente angular da curva é aproximadamente constante, o que significa que a vazão é
também aproximadamente constante.

22
Figura 10: Grafico Massa X Tempo com Re = 1919,6.
Fonte: Autor.

Figura 11: Fotografia do regime para Re = 563.


Fonte: Autor.

(c) Análise dos Resultados


i Comparativo Global
As Figuras 11, 12, 13, 14 e 15 ilustram diferentes regimes de escoamento capturados
neste experimento por fotografia e identificados pelo número de Reynolds associado. Para
Re = 563, observou-se regime laminar e estacionário. Aumentando-se a vazão e obtendo
Re = 735 e Re = 1709, se configurou ainda regime laminar, porém com oscilações, isto
é, não estacionário. Chegando-se ao valor de Re = 1919, foi observada e capturada a
transição de regime laminar para turbulento. Como esperado, para valores de Re acima
deste (de transição), por exemplo Re = 2692, o escoamento capturado foi inteiramente
turbulento.
As Figuras 16 e 17, originais no trabalho apresentado por Reynolds [4], ilustram as
observações dele para dois regimes de escoamento: laminar e de transição.

23
Figura 12: Fotografia do regime a Re = 735.
Fonte: Autor.

Figura 13: Fotografia do regime a Re = 1709.


Fonte: Autor.

Figura 14: Fotografia do regime a Re = 1919.


Fonte: Autor.

Figura 15: Fotografia do regime a Re = 2692.


Fonte: Autor.

24
Figura 16: Ilustração de Reynolds para sua observação de regime laminar.
Fonte: [4].

Figura 17: Ilustração de Reynolds para sua observação de regime turbulento.


Fonte: [4].

ii Discussão dos Resultados


Pôde-se observar, conforme capturado nas figuras anteriores, alguns aspectos dos di-
ferentes regimes que se configuraram nos escoamentos estudados. Para o número de Rey-
nolds mais baixo, Re = 563, o escoamento observado foi laminar e estacionário. É possı́vel
deduzir isso porque a linha de corrente formada pelo corante foi reta e de disposição es-
pacial imutável ao longo do tempo da medição de vazão. Quando aplicado, o piparote,
que consiste em forte e pontual perturbação, produzia oscilação na linha de escoamento,
porém a perturbação não se propagava e muito menos se amplificava. A linha de escoa-
mento tornava-se então reta a montante e a jusante, e regionalmente ondulada, sendo a
região de ondulação estacionária, e carregada suavemente para o fim do escoamento. Essa
observação concorda com a teoria, que prediz que em Re baixos, onde predominam forças
viscosas, estas tendem a impedir a propagação e amplificação de perturbações.
Aumentando-se Re, o regime laminar anteriormente estacionário passou a não-estacionário,
exibindo ligeiras ondulações oscilatórias. A frequência e amplitude de tais oscilações au-
mentou com o aumento de Re. A sequência de Figuras 12 para 13 ilustra o aumento
da amplitude. O aumento da amplitude pode ser explicado analisando-se o número de
Reynolds como razão entre forças de inércia e forças viscosas. Aumentando-se a pre-
dominância das forças de inércia, perturbações se propagarão e amplificarão com maior
facilidade (ao passo que as forças viscosas tendem a agir contrariamente a este efeito). O
aumento da frequência, por sua vez, está diretamente relacionado à velocidade de escoa-
mento do fluido crescente, ou seja, as perturbações são carregadas ao longo do tubo mais
rapidamente ao se aumentar Re (e se manter constantes todos os parâmetro exceto o de
velocidade), gerando o efeito de aumento de frequência.
Continuando o aumento gradual e contı́nuo de Re, chegou-se ao estado da transição,
capturado na Figura 14. A observação condiz com a literatura: em regime de transição,
o escoamento inicialmente laminar acumula perturbações e vibrações até um certo ponto,
quando se torna turbulento. No experimento, foi obtido como o maior número de Reynolds
no qual se obtem regime de escoamento laminar o valor 1919,6 que é superior ao número de
Reynolds crı́tico obtido na literatura que é 1750. Logo, a medida realizada pelo grupo está

25
dentro da faixa em que há possibilidade de transição. O regime turbulento caracteriza-se
por ser tridimensional, randômico e não-estacionário. A linha de corrente (visualizada pelo
corante), antes laminar, torna-se então errante e rapidamente transforma-se numa espécie
de fumaça dinâmica e se esvai, evidenciando os inúmeros (e aleatórios) vetores velocidade
(das partı́culas de fluido) não paralelos à direção do escoamento que caracterizam uma
zona de turbulência. Ao se dar um piparote no tubo sob este regime de escoamento,
observou-se que a região de transição se precipitava a montante, ou seja, a transição
ocorria mais cedo no escoamento; e gradualmente, mas não suavemente (a posição oscilava
consideravelmente), com o tempo a região de transição tornava a ocorrer mais tarde. Essa
observação confirma a grande sensibilidade do regime de transição à perturbações e por
isso diz-se que este é instável, em relação a perturbações.
O valor de Re medido para a transição, Re = 1919, é menor que o aceito como padrão
na literatura, de 2300. O valor padrão, no entanto, é sabidamente apenas uma referência,
pois o regime de transição caracteriza-se por sua sensibilidade à perturbações de todo o
tipo. Desse modo, o valor de Re de transição sofre influência das condições iniciais do esco-
amento no tubo, das inúmeras perturbações que o ambiente laboratorial na vizinhança do
tubo exerce sobre este, e até mesmo da rugosidade da parede interna do tubo e condições
de entrada do fluido no cano. Experimentos [1] mostram que, quando esforços são feitos
a fim de: mitigar quaisquer perturbações ambientes, tornar mais suaves as condições de
entrada do fluido no tubo (por exemplo, com bordas arredondadas) e utilizar tubos com
paredes internas extremamente lisas; pode-se chegar a Re de transição muito maiores que
2300, de fato chega-se até em torno de 12000. O número de Reynolds de transição tende
a cair, quanto maiores forem as perturbações ao escoamento. Pode-se explicar o número
medido neste experimento então pela condição brusca de entrada, inúmeras perturbações
vibracionais do ambiente (que não foi controlado) e mesmo a rugosidade interna do tubo
(ainda que não se tenha nenhuma informação sobre esta, ou seja, seu efeito real pode
apenas ser especulado).
Adicionalmente, pode-se observar que o Re de transição, apesar de menor que a re-
ferência, Re = 2300, é maior que o Re crı́tico da literatura [1], o que consite em resultado
coerente, já que a transição não pode ocorrer para Re menor que o crı́tico.
Para o Re mais alto testado, Re = 2692, foi observado, vide Figura 15, regime de
escoamento turbulento. Vê-se que a linha de escoamento tingido pelo corante logo se
perturba, se esfumaçando e tornando-se praticamente invisı́vel, por sua alta dispersão no
fluido. Dando-se o piparote no tubo, pouca influência (no escoamento) foi visivelmente
observada. Isso pode ser explicado pela natureza aleatória do escoamento turbulento.
Certamente, a rigor, o piparote interferiu no escoamento, porém também certamente ele
não alterou sua natureza, que é não-estacionária e irregular, de modo que pouco mudou
na observação através de fio de corante, que caracterizou-se por rapidamente turbilhonar
e esfumaçar, isto é, com ou sem a presença de perturbações como o piparote.
O fio de corante se dispersa meramente porque acompanha certas partı́culas de fluido,
e estas, por se encontrarem em regime turbulento, têm movimentos diversos e aleatórios,
espalhando-se consideravelmente em curto espaço de tempo. No entanto, a média tempo-
ral de suas velocidades é constante (pois o fluido escoou com vazão constante) [5], e por
isso observa-se que a região esfumaçada de fluido se desloca coerentemente, no sentido
montante para jusante, em todo o tempo.

26
4 Perda de Carga em Túneis de Vento
(a) Introdução
A perda de carga em túneis de vento se dá pela fricção das partı́culas do fluido entre
si e contra as paredes da tubulação do túnel. Seu cálculo é muito importante para a
estimativa da potência requerida para o funcionamento correto do túnel.
Tal cálculo envolve o coeficiente de perda de carga e a pressão dinâmica é dado pela
Equação 51, retirada de [2]:
1
∆P = Kφ ρv1 2 (51)
2
Onde Kφ representa o coeficiente de perda de carga.
A referência [2] ensina meios para o cálculo do coeficiente de perda de carga das
diferentes secções de um túnel.

(b) Objetivos
1. Estimar a perda de carga em um túnel de vento subsônico de circuito aberto;

2. Estimar a potência requerida para manter escoamento estacionário e dimensionar o


agente movimentador do escoamento;

3. Discutir a contribuição de cada componente de um túnel de vento para a perda de


carga e potência requerida.

(c) Metodologia e Resultados


Para o cálculo da perda de carga em um túnel, é de fundamental importância conhecer
as secções que geram tal efeito. Cada secção possui uma contribuição ∆P de perda de
carga. A potência necessária para cada secção é dada pela Equação 52

W = ∆P.Q (52)
Onde Q representa o fluxo volumétrico na secção dada.
Para efeitos de coerência com a literatura, foram utilizadas as seguintes notações para
os parâmetros desta secção:

D8: Diâmetro hidráulico

F 8: Fator de atrito

de : Diâmetro equivalente

Pw : Perı́metro molhado

S: Rugosidade

S8: Rugosidade relativa

27
Para o túnel em estudo (Figura 18), utilizou-se como referência a Tabela 4, extraı́da
de [2].

Figura 18: Esquema do Túnel de Vento de Ensino e Pesquisa do ITA, retirado de [3].

28
Tabela 4: Dimensões do Túnel de Ensino e Pesquisa do ITA.

Componente Descrição
Entrada de Ar contração abrupta suavizada
Camara de Tranquilização secção quadrada
Área da secção 12, 0m2
Comprimento 5m
Velocidade 7, 5m/s
Colméia (x1) filetes hexagonais
Telas (x3) malha equi-espaçada
Diâmetro dos fios 0, 00030m
Distância entre os fios 0, 001025m
Secção Convergente secção quadrada
Comprimento 5, 0m
Velocidade 7, 5m/s até 75m/s
Secção de Testes secção retangular
Comprimento 4, 0m
Largura 1, 2m
Altura 1, 0m
Velocidade 75m/s
Secção Divergente secção quadrada
Comprimento equivalente total 30, 0m
Área da secção final 30, 0m2
Secção de Saı́da duto com haletas
Área de saı́da 30, 0m2
Velocidade 3, 0m/s
Rotaciona o escoamento de 90graus

Desta forma, dividiu-se o cálculo da perda de carga em 7 partes:

1. Entrada do túnel: A entrada do túnel pode ser considerada uma contração abrupta.
Para o cálculo de Kφ nesta secção, é necessário se conhecer a relação ldi , de acordo
com a Figura 19.

29
Figura 19: Entrada do túnel. Figura retirada de [2].

Desta forma, considerou-se ldi = 0, 75 para a estrada do túnel em questão. A lite-


ratura (referência [2]) fornece um valor de K = 0, 02 para estradas deste padrão.
Considerou-se, de forma simplificada, que a velocidade de entrada é igual àquela
na câmara de tranquilização, já que as especificações da entrada do túnel não são
conhecidas. Esta é uma aproximação razoável, visto que tal secção não possui uma
grande extensão.
Assim, a perda de carga e a potência necessária devido a essa secção é dada são
dadas, respectivamente, pelas Equações 51 e 52. Para o cálculo de Q, foram consi-
deradas as condições ambientes da primeira medição no dia do experimento, loca-
lizadas na Tabela 2. Com estes valores, obteve-se um valor de Q = 90m3 /s. Logo,
encontrou-se ∆P = 0, 6P a e W = 50, 4W .

2. Câmara de Tranquilização: A câmara de tranquilização pode ser avaliada com uma


secção de duto quadrado, acrescida de três telas de fios finos e uma colmeia. O
calculo do coeciente de perda de carga em um duto quadrado é dado pela Equação
53:

F 8.L
Kw = (53)
D8
Onde D8 é dado por:

4A
D8 = (54)
PW
Para um duto quadrado: √
D8 = a = A (55)

Para a câmara de tranquilização,


O Fator de Fricção (F8), pode ser encontrado por meio da Figura 20, conhecida
como Diagrama de Moody. Para tanto, é necessário se conhecer o tipo de material

30
e a sua rugosidade (S8). Para o túnel em estudo, considerou-se o material como aço
comercial, o qual possui, de acordo com a referência [2], S = 0, 00015. A partir de
interpolação do gráfico abaixo, obteve-se F 8 = 0, 01525.
Kw , portanto, vale Kw = 0, 01525.5/3, 464 = 0, 22.

Figura 20: Diagrama de Moody, de [2]

Já o coeficiente de perda de carga devido às telas é dado pela Equação 56

0.52(1 − β 2 )
KΘ = (56)
β2
Em que β é a porosidade da tela e é calculado por:
diametro do f io
β =1− (57)
distancia entre f ios
Assim temos que para cada uma das telas uma porosidade de β = 0, 9423 e um
coeficiente de KΘ = 0, 0656.
Para as colméias, usou-se o valor Kc = 0, 20 dado na referência [2], já que há pouca
informação em relação a expressões teóricas para sua perda de carga.
Portanto, temos que o coeficiente total de perda de carga na câmara é:

K = Kc + 3 × KΘ + Kw (58)

Logo, K = 2, 19. Com isso, δP = 61, 6P a e W = 5543, 7W.

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3. Seção Convergente: A perda de carga nesta secção se dá tanto por perda fixa quanto
por perda de fricção.

Kφ = K + K8 (59)

Para um túnel subsônico, no entanto, as perdas fixas são tão pequenas que podem
ser desprezadas. Assim, o coeficiente de perda de carga pode ser estimado como:

L
Kφ = K8 = F 8 D81 +D82 (60)
2

Na Equacão 60, é importante notar que F8 depende diretamente do numero de


Reynolds e este depende da velocidade. Por isso, foi considerado para efeitos de
cálculo, a velocidade na entrada da secção.

Figura 21: Seção convergente, de [2].

A Figura 22, obtém-se F 8 = 0, 0080 para um Re = 98706. Daı́, encontra-se Kφ =


0, 006. LogoδP = 0, 168P a e W = 15, 1W.

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Figura 22: F 8 em função de Re, de [2].

4. Seção de Testes: O cálculo do coeficiente de perda de cargas na seção de testes leva


em consideração o efeito da parede sob o escoamento, do corpo de prova, de ondas
de choque e também da perda geométrica, o que pode ser visto na Eq. 61.

Kφ = Kw + Km + Ks + K g (61)

Em virtude da velocidade subsônica no túnel, não existem ondas de choque a serem


analisadas, sendo portanto seu termo é desprezı́vel. Além disso, não existem efeitos
geométricos na secção pois ela é constituı́da de um duto reto, tendo seu termo
relativo desprezado.

Kφ = Kw + Km (62)

Onde Kw é dado pela eq. 53 e Km pela eq. 63

CD .Sm
Km = (63)
A
Como assumiu-se um modelo de ensaio com CD unitário, este, caracterı́stico de cor-
pos rombudos, buscou-se na literatura algum corpo com caracterı́sticas semelhantes
para aproximar o modelo do túnel. Considerou-se, assim, adequada a hipótese de um
cilindro circular com área de secção frontal de Sm = 0, 04m2 . Além disso, com um
Re = 98706 na secção de testes, encontrou-se um valor de F 8 = 0, 0185. Com isso,
obteve-se o valor para Kw = 0, 068 e Km = 0, 033, resultando assim em Kφ = 0, 101.
Logo, δP = 282, 8P a e W = 25450, 6W.

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5. Seção Divergente:
O cálculo do coeficiente de perda de carga na seção divergente leva dois fatores em
consideração:

Kφ = K + Ki (64)
Onde o coeficiente de fricção Ki é dado por:

L
Ki = F 8 d1+d2 (65)
2
e o coeficiente de perdas fixas, por:
A1 2
K = K2θ [1 − ( )] (66)
A2

e o coeficiente de perdas fixas, por:


A1 2
K = K2θ [1 − ( )] (67)
A2

A geometria da seção fornece um valor de 2θ = 9, 3°. Da Figura 24, obtem-se um


valor de aproximadamente K2θ =0,14.
Com base nisso, nos valores da tabela 4 e no diagrama de Moody (figura 20), Kφ =
0, 27 e, assim, δP = 755, 9P a e W = 68036, 2W.

Figura 23: Seção Divergente, de [2].

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Figura 24: Coeficiente de perda de carga do fluxo através de uma seção divergente, de [2].

6. Compressor: Ao contrário dos outros elementos do túnel de vento, em que a pressão


estática diminuio, o compressor pode ser considerado como um elemento que au-
menta a pressão estática. No entanto, ao analizar os componentes internos do
compressor, é fácil observar que com exceção das pás que movem o fluido, todo o
resto tem um efeito de queda de pressão, como a grade protetora, a carenagem do
motor, aletas retificadores, dentre outros.
Estes elementos de perda de carga podem ser vizualizados na Figura 25. O cálculo
da influência desses elementos na perda de carga foge do escopo desse relatório.

Figura 25: Detalhes do compressor.

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7. Seção de Saı́da: Na seção de saı́da o ar encontra um joelho reto com aletas diretoras
que é defletido para cima e expelido para atmosfera ambiente através de uma ex-
pansão abrupta. As aletas diretoras são constituı́das de arcos de circunferência com
comprimento de 1m e largura 2m. Assim sendo, o coeficiente de perda de carga para
a saı́da será dado pelo coeficiente de perda de carga do joelho com aletas somado à
expansão abrupta.
No caso do joelho, a perda por fricção pode ser desprezada, tendo o coeficiente
baseado somente em perdas fixas. Segundo a referência [2], no caso de aletas como
arco de circunferência, o coeficiente de perda de carga fixo do joelho será de Kj =
0, 22.
Para a expansão abrupta - quando o fluido sai para a atmosfera - o termo relativo
a perdas de fricção também pode ser desprezado, restando apenas as perdas fixas.
Em [2] encontra-se o valor de k = 1 para esse caso, totalizando assim, K = 1, 22
para toda a seção de saı́da.
Logo, da Eq. 51, da Eq. 52 e dos valores das Tabelas 2 e 4, conclui-se que a perda
de carga é de 5, 5Pa e a potência necessária para esse elemento é de 491, 9W.

(d) Discussão dos resultados obtidos


Os resultados encontrados para cada secção encontram-se expressos na Tabela 5.

Tabela 5: Resultado para a perda de carga

Seção K Velocidade (m/s) ∆P (P a) Potência (W )


Entrada 0,02 7,5 0,6 50,4
Câmara de Tranquilização 2,19 7,5 61,6 5543,7
Seção Convergente 0,006 7,5 0,168 15,1
Seção de Testes 0,10 75,0 282,8 25450,6
Seção Divergente 0,27 75,0 755,9 68036,2
Seção de Saı́da 1,22 3,0 5,5 491,9
Total - - 1106,6 99587,9

Observou-se que a secção divergente resultou em uma grande queda de pressão. Tal
fato é justificado por seu grande comprimento e pela alta velocidade com que o ar adentra.
Em seguida, a secção de teste também contribuiu bastante com perda de carga. Isso
se deve também às altas velocidades e ao tipo de modelo ensaiado (rombudo).
Observou-se, ainda, que a secção de saı́da possui um coeficiente bem mais altos que
as demais secções. Porém, a perda de carga nesta parte do túnel não é tão relevante
devido à baixa velocidade. Além dela, a câmara de tranquilização também apresentou
um coeficiente alto, fazendo necessário aproximadamente 5,5kW de potência a mais para
o túnel. Entretanto, esta secção é de fundamental importância para a fidelidade dos
experimentos, já que garante o alinhamento do escoamento com o túnel. Para se tentar
reduzir essa perda de carga, poderia-se reduzir o número de telas. Porém, é necessário se
conhecer os efeitos desta redução nos experimentos, para que não haja queda de qualidade
do túnel.

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(e) Conclusão
Com o cálculo feito, é possı́vel estimar a potência necessária para o funcionamento do
túnel de carga estudado. Para as condições ambientes estudadas, faz-se necessária uma
potência mı́nima de aproximadamente 100kW. Para se ter uma margem de segurança de
20%, seria necessário uma potência de 120kW. Acrescenta-se, ainda, que seria grande valia
um experimento que medisse a perda de carga real do túnel para que se possa comparar
com o valor calculado teoricamente nesta seção.

5 Conclusão Geral
Os três experimentos realizados possibilitaram o entendimento acerca de como o escoa-
mento de fluidos é influenciado pelo número de Reynolds e pela viscosidade, relacionando-
se a isso a perda de carga - fenômeno importante nos escoamentos confinados.
No primeiro experimento, viu-se que o regime de escoamento tem papel central na
perda de carga que um fluido experimenta ao escoar num tubo circular. Deparou-se com
a dificuldade de se analisar dados em regime de transição, um regime instável. Para o
segundo experimento, notou-se através da visualização do corante adicionado ao fluido
diferentes tipos de escoamento. Determinou-se o valor importante Re de transição. Para
o terceiro experimento, estudou-se a influência da geometria do túnel e as influências
internas do túnel para a perda de carga. Isto permite o importante cálculo da estimativa
da potência necessária para se manter um túnel em funcionamento.
Os três experimentos giram em torno da relação entre perda de carga e número de
Reynolds. A perda de carga depende do número de Reynolds, como evidenciado no
primeiro e terceiro experimentos, e a razão disso pôde ser melhor compreendida pela
visuaização de diferentes escoamentos (para diferentes números de Reynolds) no segundo
experimento.
Com isso, notou-se ao se analisar estes três experimentos uma concordância entre
os dois primeiros experimentos no que se diz respeito a perda de carga ser linearmente
proporcional a vazão. No entanto, o terceiro experimento apresenta uma perda de carga
proporcional ao quadrado da vazão.
Isso se mostra essencial nos projetos de engenharia que lidam com escoamentos confi-
nados. O diferentes fenômenos associados a esse escoamento, como regime de escoamento
e perda de carga, devem ser bem compreendidos. Isso ficou claro no terceiro experi-
mento, em que a perda de carga do túnel de vento constituiu parâmetro essencial para a
determinação da potência de funcionamento do túnel.

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Referências
[1] R. T. A.P.Willis, J.Peixinho. Experimental and theoretical progress in pipe flow tran-
sition. The Royal Society, pages 2671–2682, 2012.

[2] Departamento de Aerodinâmica. Apostila de Perda de Carga em Túneis de Vento.


2016.

[3] Departamento de Aerodinâmica. Apostila de Laboratório de AED-01. 2018.

[4] O. Reynolds. An experimental investigation of the circumstances which determine


whether the motion of water shall be direct or sinuous, and of the law of resistance
in parallel channels. Philosophical Transactions of Royal Society of London, pages
935–982, 1883.

[5] F. M. White. Mecânica dos Fluidos. 6 edition, 2011.

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