You are on page 1of 47

Aula 0 - parte 2

Direito Administrativo p/ DPU (Conhecimentos Básicos - Nível Médio e Superior)

Professor: Herbert Almeida


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

AULA 00 (parte 2): Organização administrativa

Sumário

AUTARQUIAS ................................................................................................................................................... 2
CONCEITO .............................................................................................................................................................. 2
CRIAÇÃO E EXTINÇÃO................................................................................................................................................ 4
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS...................................................................................................................................... 6
TUTELA OU CONTROLE DO ENTE POLÍTICO ..................................................................................................................... 7
PATRIMÔNIO .......................................................................................................................................................... 9
PESSOAL ................................................................................................................................................................ 9
NOMEAÇÃO E EXONERAÇÃO DOS DIRIGENTES .............................................................................................................. 12
AUTARQUIAS SOB REGIME ESPECIAL........................................................................................................................... 13
JUÍZO COMPETENTE................................................................................................................................................ 15
ATOS, CONTRATOS E LICITAÇÃO ................................................................................................................................ 16
PRERROGATIVAS DAS AUTARQUIAS ............................................................................................................................ 17
EMPRESAS PÚBLICAS E SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA ...........................................................................21
CONCEITO ............................................................................................................................................................ 21
CRIAÇÃO E EXTINÇÃO.............................................................................................................................................. 23
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS.................................................................................................................................... 25
REGIME JURÍDICO .................................................................................................................................................. 28
BENS ................................................................................................................................................................... 32
FALÊNCIA ............................................................................................................................................................. 33
PRESCRIÇÃO ......................................................................................................................................................... 34
DIFERENÇAS ENTRE EP E SEM ................................................................................................................................. 34
QUESTÕES COMENTADAS NA AULA ................................................................................................................42
GABARITO.......................................................................................................................................................46
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................................................46

Olá pessoal, tudo bem?


Nesta aula, vamos estudar as autarquias e as empresas estatais. Já
estou finalizando uma outra parte, em que iremos estudar as fundações
públicas e, por fim, as agências reguladoras e as agências executivas.
Preferi fazer assim, pois temos muitas questões sobre este assunto. Já
resolvemos 40 questões na primeira parte da aula 0, agora nós
resolveremos mais 43, e ainda temos uma boa quantidade para a próxima
parte. Assim, irei postar mais uma aula complementar com esses assuntos
no dia 10/09.
Sobre a nossa aula, busquei trazer questões recentes e no nível que
pode ser exigido no concurso de vocês. Os tópicos estão recheados de
exercícios para facilitar a compreensão.
Aos estudos, aproveitem!

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 1 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Autarquias

Conceito

O Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello define autarquia como


“pessoas jurídicas de Direito Público de capacidade exclusivamente
administrativa”. Para José dos Santos Carvalho Filho, pode-se conceituar
a autarquia como a “pessoa jurídica de direito público, integrante da
Administração Indireta, criada por lei para desempenhar funções
que, despidas de caráter econômico, sejam próprias e típicas do
Estado”.
Outra importante definição é da lavra da Prof. Maria Sylvia Zanella Di
Pietro, que define autarquia como a:
[...] a pessoa jurídica de direito público, criada por lei, com capacidade de
autoadministração, para o desempenho de serviço público descentralizado,
mediante controle administrativo exercido nos limites da lei.

No ordenamento jurídico, é muito utilizada a definição prevista no


Decreto-Lei 200/1967, que, apesar de ser aplicado exclusivamente à
Administração Pública federal, costuma servir de referência para os demais
entes. Vejamos, então, o conteúdo do art. 5º, I, do DL 200/1967:
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade
jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da
Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento,
gestão administrativa e financeira descentralizada. (grifos nossos)

De forma mais simples, as autarquias representam uma extensão da


Administração Direta, pois, em regra, realizam atividades típicas de
Estado, que só podem ser realizadas por entidades de direito público.
Assim, elas são a personificação de um serviço retirado da
Administração Direta. Elas são criadas para fins de especialização da
Administração Pública, pois desempenham um serviço específico, com
maior autonomia em relação ao Poder central.

Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, há certo consenso


entre os autores ao apontarem as características das
autarquias:
 criação por lei;

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 2 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

 personalidade jurídica pública;


 capacidade de autoadministração;
 especialização dos fins ou atividades;
 sujeição a controle ou tutela.

Assim como todas as demais entidades administrativas, não se


encontram subordinadas a nenhum órgão da Administração Direta, ou seja,
elas não se submetem ao controle hierárquico da administração
centralizada, mas estão vinculadas à pessoa política que a criou,
normalmente por intermédio do ministério da área correspondente.
Vejamos alguns exemplos de autarquias federais1:
 Instituto Nacional do Seguro Social – INSS: autarquia vinculada
ao Ministério da Previdência Social;
 Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea: autarquia
vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da
República;
 Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel: autarquia
vinculada ao Ministério das Comunicações.
Quando se relacionam com os administrados, justamente pelo fato de
serem pessoas jurídicas de direito público, as autarquias agem como se
fossem a própria Administração Pública central e, portanto, gozam das
mesmas prerrogativas e restrições que informam o regime jurídico-
administrativo. Ademais, como possuem personalidade jurídica própria, os
seus direitos e obrigações são firmados em seu próprio nome.
Com efeito, ainda em decorrência da personalidade jurídica própria,
como essas entidades recebem competência em lei para desempenhar
determinado serviço (princípio da especialização), as autarquias são
chamadas de serviço público personalizado.
No que se refere à relação com a Administração central, a Prof. Maria
Di Pietro ensina o seguinte:
Perante a Administração Pública centralizada, a autarquia dispõe de
direitos e obrigações; isto porque, sendo instituída por lei para
desempenhar determinado serviço público, do qual passa a ser titular, ela
pode fazer valer perante a Administração o direito de exercer aquela
função, podendo opor-se às interferências indevidas; vale dizer que ela tem
o direito ao desempenho do serviço nos limites definidos em lei.

1
No Portal da AGU está disponível uma relação com todas as autarquias e funções públicas federais:
http://www.agu.gov.br/sistemas/site/TemplateTexto.aspx?idConteudo=220492&id_site=788

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 3 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)
Paralelamente, ela tem a obrigação de desempenhar suas funções;
originariamente, essas funções seriam do Estado, mas este preferiu
descentralizá-las a entidades às quais atribuiu personalidade jurídica,
patrimônio próprio e capacidade administrativa; essa entidade torna-se a
responsável pela prestação do serviço; em consequência, a Administração
centralizada tem que exercer o controle para assegurar que essa função
seja exercida.

Complementa a autora afirmando que esse duplo aspecto – direito e


obrigação – dá margem a outra dualidade: independência e controle.
Dessa forma, a capacidade de autoadministração é exercida nos limites da
lei; enquanto, da mesma forma, os atos de controle não podem ultrapassar
os limites legais.

1. (Cespe – Técnico Administrativo/ANAC/2012) A autarquia é o serviço


autônomo criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da administração pública, que requeiram, para seu
melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
Comentário: segundo o DL 200/67:
Art. 5º [...]
I - Autarquia - o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade
jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas
da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor
funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
(grifos nossos)
Percebam que a questão é cópia idêntica do texto do Decreto-Lei.
Gabarito: correto.

2. (Cespe – AA/Anatel/2012) As autarquias compõem a estrutura da


administração direta do Estado.
Comentário: dispensa maiores comentários, pois as autarquias integram a
administração indireta.
Gabarito: errado.

Criação e extinção

Conforme já estudado anteriormente, tanto a criação quanto a


extinção das autarquias deve ocorrer por meio de lei específica, nos
termos previstos no art. 37, XIX, da CF.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 4 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Na esfera federal, a lei para a criação ou extinção das autarquias é de


iniciativa privativa do Presidente da República, por força do art. 61,
§1º, II, “e”2, da Constituição Federal. Essa regra aplica-se, por simetria,
aos estados, Distrito Federal e municípios. Assim, caberá aos
governadores e prefeitos a iniciativa de lei para a criação ou extinção de
autarquia dentro da esfera de governo de cada um.

Tanto a criação quanto a extinção de autarquia


depende de edição de lei específica.

Entretanto, na hipótese de autarquia vinculada aos Poderes Legislativo


ou Judiciário, a iniciativa de lei caberá ao respectivo chefe de Poder.

3. (Cespe – AJ/TRT ES/2013) Uma autarquia federal pode ser criada mediante
decreto específico do presidente da República.
Comentário: a criação de autarquia ocorre por lei específica. É o que dispõe o
inciso XIX, art. 37, CF:
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada
a instituição de empresa pública, de sociedade de economia mista e de
fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as
áreas de sua atuação;
Logo, o item está errado.
Gabarito: errado.

4. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) A lei de criação de uma


autarquia federal deve ser de iniciativa privativa do presidente da República.
Comentário: segundo o art. 61, §1º, II, “e”, da CF, são de iniciativa privativa do
Presidente da República as leis que disponham sobre criação e extinção de
Ministérios e órgãos da administração pública. Esse dispositivo se estende a
criação e extinção de entidades integrantes da administração indireta. Dessa
forma, caberá ao PR a iniciativa de lei para a criação ou extinção de autarquia
federal. Nos estados e municípios, essa competência caberá,
respectivamente, aos governadores e prefeitos. Essa é a regra geral, que
deverá, inclusive, ser adotada nas provas. Por isso a questão está correta.

2
Art. 61. [...] § 1º - São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que: [...]
II - disponham sobre: [...]
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI;

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 5 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Lembramos, no entanto, que a doutrina admite, ainda que de forma


excepcional, a criação de autarquias vinculadas aos Poderes Legislativo ou
Judiciário, caso em que a iniciativa de lei caberia ao respectivo chefe de
Poder.
Gabarito: correto.

Atividades desenvolvidas

Segundo o DL 200/1967, as autarquias são criadas para executar


atividades típicas da Administração Pública. A doutrina defende, então, que as
autarquias devem executar serviços públicos de natureza social e atividades
administrativas, excluindo-se os serviços e atividades de cunho econômico e
mercantil3.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo mencionam como atividades desenvolvidas
pelas autarquias a prestação de serviços públicos em sentido amplo, a realização de
atividades de interesse social e o desempenho de atividades que envolvam as
prerrogativas públicas, como o exercício do poder de polícia. Com efeito, as autarquias
podem ser criadas para o desempenho e fiscalização de obras, a exemplo do que faz
o Departamento Nacional de Infraestrutura e Rodagens – DNIT, criado pela Lei
10.233/20014.
Vejamos com isso é exigido em provas.

5. (Cespe – SERPRO/2013) As autarquias são pessoas jurídicas de direito


privado, criadas por lei específica e destinadas a realizar atividades, obras e
serviços descentralizados da entidade estatal que as criou.
Comentário: o único erro do item é que as autarquias possuem personalidade
jurídica de direito público.
Gabarito: errado.

6. (Cespe - TJ TRT10/Administrativa/2013) Consoante a doutrina, as entidades


autárquicas são pessoas jurídicas de direito público, de natureza administrativa,

3
Carvalho Filho, 2014, p. 477.
4
Lei 10.233/2001: Art. 80. Constitui objetivo do DNIT implementar, em sua esfera de atuação, a política
formulada para a administração da infra-estrutura do Sistema Federal de Viação, compreendendo sua operação,
manutenção, restauração ou reposição, adequação de capacidade, e ampliação mediante construção de novas
vias e terminais, segundo os princípios e diretrizes estabelecidos nesta Lei. (grifos nossos)

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 6 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

criadas por lei, para realizar, de forma descentralizada, atividades, obras ou


serviços.
Comentário: a autarquias são pessoas jurídicas de direito público, com
capacidade de autoadministração, criadas por lei para desempenhar
atividades típicas da Administração Pública, em que podemos incluir a
prestação de serviços públicos em sentido amplo, a realização de atividades
de interesse social e o desempenho de atividades que envolvam as
prerrogativas públicas, como o exercício do poder de polícia, e o desempenho
e fiscalização de obras. O melhor exemplo do que consta no enunciado é o
DNIT, que é uma autarquia do Governo Federal.
Gabarito: correto.

Tutela ou controle do ente político

Como já abordado, as autarquias, assim como as demais entidades


administrativas, não estão subordinadas ao ente instituidor, ou seja, não
há relação de hierarquia entre uma entidade autárquica e os órgãos da
administração direta do ente político que as instituiu. Diz-se, no entanto,
que há vinculação administrativa, normalmente com o ministério da área
correspondente.
Por exemplo, o DNIT está vinculado ao Ministério dos Transportes; o
INSS está vinculado ao Ministério da Previdência Social; a Anatel vincula-
se ao Ministério das Comunicações; a Ancine5 encontra-se vinculado ao
Ministério da Cultura; e assim por diante.
O órgão da administração direta exerce sobre a autarquia o
denominado controle finalístico – também conhecido como tutela
administrativa ou supervisão (normalmente chamada de “supervisão
ministerial” em decorrência da vinculação com os ministérios).
A grande diferença do controle hierárquico (quando há relação de
hierarquia) e o controle finalístico, é que o primeiro é mais amplo, sendo
considerado presumido e permanente, abrangendo todos os aspectos da
atuação do subordinado controlado, independentemente de previsão legal;
o controle finalístico, por outro lado, só pode ocorrer nos limites
expressamente previstos em lei.

5
Agência Nacional do Cinema.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 7 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Ademais, o controle finalístico tem como o objetivo de verificação do


enquadramento da instituição no programa geral do Governo e de seu
acompanhamento para garantir o atingimento das finalidades da entidade
controlada6.
Vamos resolver alguns exercícios.

7. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Embora seja dotada de


personalidade jurídica própria e de capacidade de autoadministração, a autarquia
sujeita-se ao controle ou à tutela do ente político que a tenha criado.
Comentário: exatamente. Embora as autarquias possuam personalidade
jurídica própria e capacidade de autoadministração, elas se encontram sob o
controle ou tutela do ente político que as criou.
Gabarito: correto.

8. (Cespe – ATA/MI/2013) Toda pessoa jurídica da administração pública indireta,


embora não se subordine, vincula-se a determinado órgão da estrutura da
administração direta, estando, assim, sujeita à chamada supervisão ministerial.
Comentário: as autarquias, assim como todas as demais entidades da
administração indireta, não se subordinam ao ente central, porém encontram-
se vinculadas a determinado órgão da administração direta para fins de tutela,
controle finalístico ou supervisão ministerial. Logo, o item está perfeito.
Gabarito: correto.

9. (Cespe - AJ TRT10/Judiciária//2013) As autarquias federais detêm autonomia


administrativa relativa, estando subordinadas aos respectivos ministérios de sua
área de atuação.
Comentário: pode-se dizer que a autonomia das autarquias é relativa, pois elas
não atuam de forma ilimitada, sujeitando-se ao controle finalístico da
administração direta. Contudo, o item está errado, uma vez que não há
subordinação entre administração direta e indireta.
Gabarito: errado.

6
Meirelles, 2013, p.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 8 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Patrimônio

De acordo com o novo Código Civil, “São públicos os bens do domínio


nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno;
todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem”
(CC, art. 98).
Por conseguinte, a natureza dos bens das autarquias é a de bens
públicos, uma vez que essas entidades são pessoas jurídicas de direito
público. Em decorrência dessa qualificação, os bens das autarquias
possuem os mesmos atributos dos bens públicos em geral7, destacando-se
a impenhorabilidade (não podem ser objeto de penhora – assim, a
execução de judicial em desfavor de uma autarquia se submete ao regime
de precatórios, nos termos do art. 100, CF); a imprescritibilidade (não
podem ser adquiridos por meio de usucapião); e as restrições quanto à
alienação de bens públicos (que se submetem a regras específicas).
Ademais, o patrimônio inicial da autarquia é oriundo de
transferências do ente que as criou, passando a pertencer à nova entidade.
Por outro lado, ao se extinguir a autarquia, os seus bens serão
reincorporados ao patrimônio da pessoa política8.

Pessoal

A Constituição Federal de 1988, na redação inicial do art. 39,


determinava que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios
deveriam instituir, no âmbito de sua competência, regime jurídico único
(RJU) para os servidores da administração pública direta, das
autarquias e das fundações públicas.
Dessa forma, os entes da Federação deveriam instituir o mesmo
regime jurídico para os servidores da administração direta, autárquica
e fundacional. A Constituição não determinou que o regime devesse ser
estatutário, apenas impôs que os entes adotassem um regime jurídico
único. Contudo, o regime estatutário, em virtude das inúmeras garantias
que representa ao servidor, foi o que prevaleceu9.
No entanto, a Emenda Constitucional 19/1998 alterou a redação do
art. 39, caput, da Constitucional, tendo por objetivo abolir o regime jurídico

7
Carvalho Filho, 2014, p. 487.
8
Alexandrino e Paulo, 2011, p. 43.
9
Marinela, 2013, p. 123.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 9 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

único. A nova redação, portanto, permitiu a adoção de regime jurídico


múltiplo, ou seja, um mesmo ente poderia utilizar tanto o regime estatutário
quanto o regime celetista para a administração direta, autarquias e
fundações públicas. Para ter uma noção melhor, vamos comparar as duas
redações do art. 39, caput, antes e pós EC 19/1998:

Redação anterior à EC 19/1998:


Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito
de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores
da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas.

Redação instituída pela EC 19/1998:


Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho
de política de administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores
designados pelos respectivos Poderes.

Contudo, ao analisar a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº


2.135, o STF, em sede de cautelar, reconheceu a inconstitucionalidade
formal da nova redação do art. 39 da CF, uma vez que não foram
observadas as regras para alteração do texto constitucional, resgatando,
por conseguinte, o regime jurídico único. Todavia, a medida foi tomada com
efeitos ex nunc, ou seja, os efeitos valem da data da decisão (2/7/2007)
em diante. Com isso, toda a legislação editada durante a vigência da
redação do art. 39, caput, com redação dada pela EC 19/1998, contínua
válida, bem como as respectivas contratações de pessoal10.
Assim, a partir da decisão e até que o STF pronuncie-se definitivamente
sobre o mérito da ADI nº 2.135, voltou a vigorar a redação inicial do art.
39, caput, da Constituição Federal. Dessa forma, atualmente os entes
devem possuir regime jurídico único, aplicável a todos os servidores da
Administração Direta, das autarquias e das fundações públicas. Com efeito,
atualmente não é mais permitida a contratação concomitante de servidores
públicos (regime estatutário) e empregados públicos (regime celetista) na

10
Alexandrino e Paulo, 2011, p. 46.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 10 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

administração direta, autárquica e fundacional dos entes políticos, uma vez


que vigora novamente a regra do regime jurídico único.
Tendo em vista que o regime estatutário foi adotado pelo Governo
Federal, as autarquias e fundações, atualmente, seguem este tipo de
regime. Com efeito, o art. 1º11 da Lei 8.112/1990 – que institui o regime
jurídico dos servidores públicos civis da União – deixa claro que suas normas
se aplicam às “autarquias, inclusive as em regime especial” e às
fundações públicas federais.
Nesse contexto, os agentes das autarquias, assim como todos os
servidores públicos, sujeitam-se a regras como: exigência de concurso
público (CF, art. 37, II); proibição para acumulação (CF, art. 37, XVII); teto
remuneratório (CF, art. 37, XI); direito à estabilidade (CF, art. 41); regras
de regime especial de aposentadoria (CF, art. 40); seus atos são passíveis
de remédios constitucionais e ao controle de improbidade administrativa;
bem como são considerados funcionários públicos para fins penais12.

10. (Cespe – Agente Administrativo/SUFRAMA/2014) Considere que Emanuel,


servidor da SUFRAMA, tenha sido aprovado em concurso público para analista
administrativo em outra autarquia federal e passe a acumular os dois cargos, ambos
com jornada semanal de 40 horas. Nessa situação, uma vez que as duas autarquias
compõem a administração indireta, não há violação do dispositivo constitucional que
veda a acumulação de cargos no serviço público.
Comentário: não é objeto desta aula as regras sobre acumulação de cargos.
No entanto, acabamos de ver que a proibição de acumulação, prevista no art.
37, XVII, da CF, aplica-se também aos servidores das autarquias. Segundo o
mencionado dispositivo constitucional, é vedada a acumulação remunerada
de cargos públicos, exceto nas seguintes situações, desde que exista
compatibilidade de horários:
 dois cargos de professor;
 um cargo de professor com outro técnico ou científico;
 dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com
profissões regulamentadas;

11
Art. 1º Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as
em regime especial, e das fundações públicas federais.
12
Marinela, 2013, p. 128.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 11 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

O caso apresentado é de analista administrativo, ou seja, não é cargo de


professor, nem de profissional de saúde. Assim, não é possível a acumulação.
Dessa forma, o item está errado.
Gabarito: errado.

11. (Cespe – SERPRO/2013) Os servidores das autarquias sujeitam-se ao regime


jurídico único da entidade-matriz.
Comentário: com o retorno da redação primitiva do art. 39, caput, da
Constituição Federal, voltou a vigorar a exigência de regime jurídico único
para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das
fundações públicas. Logo, os servidores das autarquias sujeitam-se ao
regime jurídico único da entidade política que as criou, ou, como mencionou
a questão, entidade-matriz. Portanto, o item está correto.
Gabarito: correto.

Nomeação e exoneração dos dirigentes

A nomeação dos dirigentes das autarquias cabe privativamente ao


Presidente da República, nos termos do art. 84, XXV13, da Constituição
Federal. Essa competência aplica-se, por simetria, aos governadores e
prefeitos.
A forma de investidura será disciplinada na lei que criar a entidade,
podendo prever aprovação prévia do Senado Federal ou da casa legislativa
dos estados ou municípios, (CF, art. 84, XIV14). É o que ocorre, por
exemplo, com as agências reguladoras (Anatel, Antaq, ANP, etc.), em que
a lei instituidora determina que a nomeação dos dirigentes seja aprovada
previamente pelo Senado, tomando como fundamento o art. 52, III, “f” da
Constituição.
Por exemplo, a Lei 9.472/1997, que criou a Anatel, determina que a nomeação de seus
conselheiros seja aprovada pelo Senado Federal:
Art. 23. Os conselheiros serão brasileiros, de reputação ilibada, formação universitária
e elevado conceito no campo de sua especialidade, devendo ser escolhidos pelo

13
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...]
XXV - prover e extinguir os cargos públicos federais, na forma da lei;
14
Art. 84. [...] XIV - nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e
dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os
diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei;

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 12 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos
termos da alínea f do inciso III do art. 52 da Constituição Federal.

Em outras situações, a própria Constituição determina que a nomeação


dos dirigentes de autarquias passe pelo crivo do Senado, a exemplo do que
ocorre com o presidente e os diretores do Banco Central (CF, art. 52,
III, “d”).
Ademais, o Suprimo Tribunal Federal já consolidou o entendimento
que, nos estados, Distrito Federal e municípios, é possível que as leis
instituidoras de autarquias e fundações públicas exijam a prévia aprovação
da assembleia legislativa ou da câmara de vereadores, conforme o caso15.
Todavia, o STF entende que é vedada e exigência de autorização
legislativa para a exoneração de dirigentes da administração indireta pelo
chefe do Poder Executivo. Com efeito, também não é possível que a
exoneração seja efetivada diretamente pelo Poder Legislativo. Dessa forma,
em respeito ao princípio da separação dos poderes, não é possível que a
exoneração de dirigentes das autarquias seja realizada pelo Poder
Legislativo, nem mesmo que se exija autorização desse Poder para que o
chefe do Executivo possa exonerá-los16.

Autarquias sob regime especial

Muito se tem falado sobre as “autarquias sob regime especial”.


Porém, a legislação raramente apresenta a definição adequada.
José dos Santos Carvalho Filho apresenta uma classificação das
autarquias quanto ao regime jurídico em: (a) autarquias comuns (ou
de regime comum); (b) autarquias especiais (ou de regime especial). As
primeiras apresentam um regime sem qualquer especificidade, enquanto as
últimas seriam regidas por um regime com disciplina específica, atribuindo

15
Nesse sentido, vide ADI 2.225 MC / SC:
EMENTA: Separação e independência dos poderes: submissão à Assembléia Legislativa, por lei estadual, da
escolha de diretores e membros do conselho de administração de autarquias, fundações públicas e empresas
estatais: jurisprudência do Supremo Tribunal. 1. À vista da cláusula final de abertura do art. 52, III, f da
Constituição Federal, consolidou-se a jurisprudência do STF no sentido da validade de normas locais que
subordinam a nomeação dos dirigentes de autarquias ou fundações públicas à prévia aprovação da Assembléia
Legislativa. 2. Diversamente, contudo, atento ao art. 173 da Constituição, propende o Tribunal a reputar ilegítima
a mesma intervenção parlamentar no processo de provimento da direção das entidades privadas, empresas
públicas ou sociedades de economia mista da administração indireta dos Estados.
16
Nesse sentido: ADI 1.949/RS.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 13 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

como característica algumas prerrogativas especiais e diferenciadas a


certas autarquias.
Todavia, o difícil é saber sobre o que elas se distinguem. Assim, alguns
autores mencionam o regime previsto no Decreto Lei 200/1967 como o
regime ordinário, comum ou normal, enquanto as autarquias sob regime
especial receberiam de suas leis instituidoras as características próprias. No
entanto, o DL 200/1967 aplica-se exclusivamente ao governo federal e, em
geral, os entes administrativos não possuem uma norma que discipline o
regime ordinário dessas entidades.
De qualquer forma, devemos saber que as autarquias sob regime
especial são entidades que recebem características próprias do
ordenamento jurídico, em geral com o objetivo de outorgar-lhes maior
autonomia em relação ao ente instituidor.
Atualmente, o exemplo mais comum são as agências reguladoras. Não
significa que todas as autarquias sob regime especial são agências
reguladoras, porém este é o exemplo mais comum. Algumas universidades
também recebem a designação de autarquia especial e, para parte da
doutrina, os consórcios públicos, quando organizados na forma de
associação pública, também são considerados autarquias sob regime
especial.
Para exemplificar, vamos apresentar o conteúdo do art. 8º, caput e
§2º, da Lei 9.472/1997, que criou a Anatel:
Art. 8° Fica criada a Agência Nacional de Telecomunicações, entidade
integrante da Administração Pública Federal indireta, submetida a regime
autárquico especial e vinculada ao Ministério das Comunicações, com a
função de órgão regulador das telecomunicações, com sede no Distrito
Federal, podendo estabelecer unidades regionais.
[...]
§ 2º A natureza de autarquia especial conferida à Agência é
caracterizada por independência administrativa, ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus
dirigentes e autonomia financeira. (grifos nossos)

Conforme ensinam Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, o termo


“independência administrativa” é utilizado de forma inadequada, pois
nenhuma entidade da administração indireta pode ser “independente”, por
força, dentre outros dispositivos, do art. 84, II, da CF. Com efeito, todas as
autarquias possuem autonomia administrativa e financeira e ausência de
subordinação hierárquica, o que, portanto, não é nada de novo. Dessa
forma, de especial, só sobra o mandato fixo e estabilidade dos dirigentes.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 14 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Importante também é destacar que não se confunde autarquia sob


regime especial com agências executivas, pois estas são autarquias que
cumpriram os requisitos previstos em lei (Lei 9.649/1998, art. 51) para
receber a mencionada qualificação, podendo ser, inclusive, as autarquias
“normais”; enquanto aquelas são as autarquias que receberam um regime
especial de sua lei instituidora.
Vamos estudar as agências executivas e as agências reguladoras em
tópico próprio.

Juízo competente

Nos termos do art. 109, I, da CF, serão julgadas na Justiça Federal


as causas em que uma autarquia federal for interessada na condição de
autoras, rés, assistentes ou oponentes. Na mesma linha, os mandados de
segurança contra atos coatores de agentes autárquicos federais também
serão processados e julgados na Justiça Federal (CF, art. 109, VIII).

Nas causas envolvendo usuários-consumidores e


concessionárias de serviços públicos, intervindo agência
reguladora federal, na qualidade de litisconsorte passiva
necessária (quando a agência obrigatoriamente é ré do processo juntamente com a
concessionária), assistente ou oponente, a competência para julgar o caso será da
Justiça Federal. Porém, quando a agência não estiver em nenhuma dessas situações,
ou seja, quando a demanda envolver apenas o usuário e a concessionária, sem
participação da agência reguladora, o processo será de competência da Justiça
Estadual.
Nesse sentido, vale transcrever a Súmula Vinculante nº 27 do STF:
Súmula Vinculante nº 27
Compete à justiça estadual julgar causas entre consumidor e concessionária de
serviço público de telefonia, quando a Anatel não seja litisconsorte passiva
necessária, assistente, nem opoente.

No caso das autarquias estaduais ou municipais, não existe regra


específica. Por conseguinte, será da Justiça Estadual as causas em que
figurarem as autarquias estaduais e municipais, inclusive nos mandados de
segurança contra atos das autoridades dessas entidades.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 15 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Por fim, no que se refere às ações de relação de trabalho, a


competência ocorrerá de acordo com o regime de pessoal adotado. Na
esfera federal, as causas entre os servidores públicos (vínculo
estatutário) e as autarquias, serão processadas e julgadas na Justiça
Federal. Nos estados e municípios, essas mesmas causas serão de
competência da Justiça Estadual. Por fim, em qualquer caso, quando o
regime for o celetista (empregados públicos), as causas serão
resolvidas na Justiça do Trabalho (CF, art. 114). Contudo, é importante
lembrar que, com o retorno da redação primitiva do art. 39, caput, da
Constituição Federal (regime jurídico único), não é mais possível a
existência de dois regimes para o pessoal da administração direta,
autárquica e fundacional.

12. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) Nos litígios comuns, as causas que digam


respeito às autarquias federais, sejam estas autoras, rés, assistentes ou oponentes,
são processadas e julgadas na justiça federal.
Comentário: conforme redação do art. 109, I, da Constituição Federal, as
causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem
interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes serão
processadas e julgadas na Justiça Federal. Assim, o item está correto.
Gabarito: correto.

Atos, contratos e licitação

Existem dois tipos de atos, os atos administrativos, que gozam de


certos atributos que colocam a Administração em posição de superioridade
perante o administrado, como a presunção de veracidade e de legitimidade,
a imperatividade e a autoexecutoriedade; e os atos de direito privado, que,
de forma geral, são produzidos em condições de igualdade na relação
Administração e administrados.
Da mesma forma, os contratos podem ser contratos
administrativos, que possuem as chamadas cláusulas exorbitantes, que
asseguram a posição de superioridade da Administração ante o

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 16 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

administrado; e os contratos de direito privado, em que as partes


(Administração e administrados) estão em condições de igualdade.
As autarquias, como são entidades de direito público e que realizam
atividades típicas de Estado, formalizam, em regra, atos administrativos e
contratos administrativos. Vale dizer, seus atos possuem todos os requisitos
de validade (competência, finalidade, forma, motivo e objeto) e possuem
os atributos de presunção de veracidade e de legitimidade, a imperatividade
e a autoexecutoriedade; enquanto os seus contratos sujeitam-se ao mesmo
regime jurídico direito público dos ajustes da administração direta.
Lembrando, é claro, que em algumas hipóteses, da mesma forma como na
administração direta, as autarquias realizarão atos e contratos de direito
privado. É o que ocorre, por exemplo, em um contrato de compra e venda
da Administração.
Por fim, os contratos firmados pelas autarquias devem se submeter
previamente à licitação, na forma da Lei 8.666/1993, na forma do art. 22,
XXVII, da CF, com exceção das ressalvas previstas na própria lei (dispensa
e inexigibilidade de licitação). Com efeito, o parágrafo único, art. 1º, da Lei
8.666/1993 – Lei de normas gerais de licitações e contratos – dispõe que a
Lei de Licitações e Contratos aplica-se aos órgãos da administração direta,
aos fundos especiais, às autarquias, às fundações públicas, às empresas
públicas, às sociedades de economia mista e às demais entidades
controladas direta ou indiretamente pela União, estados, Distrito Federal e
Municípios.

Prerrogativas das autarquias

Considerando a natureza da atividade desempenhada pelas autarquias,


o ordenamento jurídico as atribui algumas prerrogativas de direito público.
Segundo José dos Santos Carvalho Filho, as prerrogativas mais importantes
são as seguintes17:
a) imunidade tributária recíproca: o art 150, §2º, da CF (c/c18 art.
150, VI, “a”), veda a instituição de impostos sobre o patrimônio, a
renda e os serviços das autarquias, desde que vinculadas a suas
finalidades essenciais ou às que delas decorram. O entendimento
literal é que a imunidade protege somente o patrimônio, a renda e os
serviços vinculados às finalidades essenciais das autarquias, ou

17
Carvalho Filho, 2014, pp. 491, 492.
18

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 17 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

decorrentes dessas finalidades. No entanto, o STF possui um


entendimento mais amplo, estendendo a aplicação da imunidade
tributária à renda decorrente de atividades estranhas às finalidades da
autarquia, desde que esses recursos sejam integralmente aplicados
nas finalidades essenciais da entidade19.
Assim, se uma autarquia federal alugar um imóvel pertencente ao seu
patrimônio e empregar a renda decorrente da locação em suas finalidades
essenciais, o município em que está sediado o imóvel não poderá cobrar-
lhe o IPTU.
b) impenhorabilidade de seus bens e de suas rendas: os seus bens
não podem ser penhorados como instrumento coercitivo para garantia
do credor. Os débitos decorrentes de decisões judiciais transitadas em
julgado devem ser quitados por meio do sistema de precatórios (CF,
art. 100). As regras de exigibilidade seguem as linhas próprias da
legislação processual20.
c) imprescritibilidade de seus bens: os bens das autarquias são
considerados bens públicos e, portanto, não podem ser adquiridos por
terceiros por meio de usucapião;
d) prescrição quinquenal: as dívidas e os direitos em favor de terceiros
contra as autarquias prescrevem em cinco anos (Decreto 20.910/1932,
art. 1º21, c/c Decreto-Lei 4.597/1942, art. 2º22). Dessa forma, se
alguém tem um crédito contra uma autarquia, deverá promover a
cobrança nesse prazo, sob pena de prescrever o direito de ação;
e) créditos sujeitos à execução fiscal: possibilidade de inscrever os
seus créditos em dívida ativa e realizar a respectiva cobrança por
meio de execução fiscal, na forma da Lei 6.830/1980;

19
Nesse sentido, STF: RE 589.185 RS; e RE 237.718 SP:
さImunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c): sua aplicabilidade
de modo a preexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando
alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionaisざ (RE
237.718, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ 6.9.2001 grifos nossos).
20
Há exceções ao sistema de precatórios, conforme prevê o art. 100, §3º, da CF.
21
Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados
da data do ato ou fato do qual se originarem.
22
Art. 2º O Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que regula a prescrição qüinqüenal, abrange as dívidas
passivas das autarquias, ou entidades e órgãos paraestatais, criados por lei e mantidos mediante impostos, taxas
ou quaisquer contribuições, exigidas em virtude de lei federal, estadual ou municipal, bem como a todo e
qualquer direito e ação contra os mesmos.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 18 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

f) principais situações processuais específicas:


 prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer
nos processos em que for parte – prerrogativas especiais da
fazenda pública – (CPC, art. 188; Lei 9.469/1997, art.10);
 estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição obrigatório, de forma
que a sentença proferida contra tais entidades, ou a que julgar, no
todo ou em parte, embargos opostos à execução de sua dívida
ativa, só adquirem eficácia jurídica se confirmada por tribunal (CPC,
art. 475, I e II).
O duplo grau de jurisdição obrigatório significa que o juiz, ao
prolatar a sentença, deverá determinar a remessa dos autos ao tribunal,
ainda que não tenha ocorrido recurso voluntário (apelação). Caso o juiz não
o faça, deverá o presidente do tribunal deverá avocar os autos (CPC, art.
475, §1º).
O Código de Processo Civil apresenta duas exceções ao duplo grau de
jurisdição obrigatório: (a) quando a condenação, ou o direito controvertido,
for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos,
bem como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução
de dívida ativa do mesmo valor (CPC, art. 475, §2º); (b) quando a sentença
estiver fundada em jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal
Federal ou em súmula deste Tribunal ou do tribunal superior competente
(CPC, art. 475, §3º).
Por fim, podemos apresentar outros privilégios processuais para as
autarquias:
 isenção de custas judiciais, com exceção da obrigação de
reembolsar as despesas judiciais feitas pela parte vencedora (Lei
9.289/1996, art. 4º, I e parágrafo único);
 dispensa de apresentação do instrumento de mandato, pelos
procuradores de seu quadro de pessoal, para a prática de atos
processuais em juízo (Lei 9.469/1997, art. 9º);

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 19 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Súmula nº 644/STF: さAo titular do cargo de procurador de autarquia não se exige


a apresentação de instrumento de mandato para representá-la em juízo .

Vamos resolver algumas questões sobre o assunto.

13. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As autarquias, que adquirem


personalidade jurídica com a publicação da lei que as institui, são dispensadas do
registro de seus atos constitutivos em cartório e possuem as prerrogativas especiais
da fazenda pública, como os prazos em dobro para recorrer e a desnecessidade de
anexar, nas ações judiciais, procuração do seu representante legal.
Comentário: quando se deparar com uma questão extensa como essa,
procure analisá-la por partes. No início, o item afirma que as autarquias
adquirem personalidade jurídica com a publicação da lei que as instituiu, o
que está correto, uma vez que a lei efetivamente cria a autarquia. Dessa forma,
não há necessidade de registro de seu ato constitutivo em cartório.
Além disso, as autarquias gozam das prerrogativas especiais da fazenda
pública, como o prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer
(CPC, art. 188; Lei 9.469/1997, art.10) e a desnecessidade de apresentar
instrumentos de mandato para representá-las em juízo (Súmula 644/STF).
Com isso, concluímos pela correção do item.
Gabarito: correto.

14. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) Os bens das autarquias não


são passíveis de penhora.
Comentário: os bens das autarquias gozam do atributo de impenhorabilidade.
Assim, os débitos decorrentes de decisões judiciais transitadas em julgado
contra as autarquias, com algumas exceções (CF, art. 100, §3º), devem seguir
o sistema de precatórios. Com isso, o item está correto. Além disso, os bens
dessas entidades são e imprescritíveis, ou seja, não podem ser adquiridos por
meio de usucapião.
Gabarito: correto.

15. (Cespe - AA/PRF/2012) São exemplos de prerrogativas estatais estendidas às


autarquias a imunidade tributária recíproca e os privilégios processuais da Fazenda
Pública.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 20 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Comentário: as autarquias gozam da imunidade tributária recíproca, nos


termos do art. 150, inc. VI, “a”, e §2º, da CF. Por conseguinte, é vedada a
instituição de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das
autarquias, desde que vinculadas a suas finalidades essenciais ou às que
delas decorram, ou quando a renda seja aplicada integralmente nas
finalidades dessas entidades. Por fim, acabamos de ver que as autarquias
gozam dos privilégios processuais da Fazenda Pública (CPC, art. 188; Lei
9.469/1997, art.10).
Gabarito: correto.

Empresas públicas e sociedades de economia mista

Conceito

As empresas estatais dividem-se em empresas públicas e


sociedades de economia mista. As duas são entidades administrativas,
integram a administração indireta, possuem personalidade jurídica de
direito privado, têm sua criação autorizada em lei e podem ser criadas para
explorar atividade econômica ou prestar serviços públicos.
Vejamos a definição de cada uma dessas entidades nos ensinamentos
de José dos Santos Carvalho Filho23:

Empresa pública (EP):


são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do
Estado, criadas por autorização legal, sob qualquer forma jurídica adequada a sua
finalidade, para que o Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou,
em certas situações, execute a prestação de serviços públicos

São exemplos de empresas públicas federais a Empresa Brasileira de Correios e


Telégrafos EBCT; a Caixa Econômica Federal CEF; o Banco Nacional de

23
Carvalho Filho, 2014, p. 500.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 21 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Desenvolvimento Econômico e Social BNDES; o Serviço Federal de Processamento


de Dados Serpro; e muitas outras.

Sociedade de economia mista (SEM):


são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes da Administração Indireta do
Estado, criadas por autorização legal, sob a forma de sociedades anônimas, cujo
controle acionário pertença ao Poder Público, tendo por objetivo, como regra, a
exploração de atividades gerais de caráter econômico e, em algumas ocasiões, a
prestação de serviços públicos

Como exemplos, podemos mencionar o Banco do Brasil S.A.; o Banco da Amazônia;


a Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrás.

Das definições acima, é possível confirmar como há muito mais


semelhanças do que diferenças entre essas entidades administrativas.

Maria Sylvia Zanella Di Pietro cita como traços comuns às


empresas públicas e sociedades de economia mista:

a) a criação e extinção autorizadas por lei;


b) personalidade jurídica de direito privado;
c) sujeição ao controle estatal;
d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito
público;
e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora;
f) desempenho de atividade de natureza econômica.

Vamos ver algumas questões!

16. (Cespe – AJ/TRT ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa


pública.
Comentário: a Petrobrás, ou Petróleo Brasileiro S.A., é um exemplo de
sociedade de economia mista, eis o erro do item. Mostramos acima alguns
exemplos de SEMs e EPs, é importante fazer uma boa leitura, pois um item
como este pode se repetir na prova.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 22 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Gabarito: errado.

17. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e


sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito
privado, derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito
público e desempenho de atividade de natureza econômica.
Comentário: a questão tomou por base os ensinamentos da professora Maria
Di Pietro. De acordo com a autora, são características comuns das empresas
públicas e sociedades de economia mista: a) criação e extinção autorizadas
por lei; b) personalidade jurídica de direito privado; c) sujeição ao controle
estatal; d) derrogação parcial do regime de direito privado por normas de
direito público; e) vinculação aos fins definidos na lei instituidora; f)
desempenho de atividade de natureza econômica.
A derrogação parcial do regime de direito privado significa que algumas
dessas regras são substituídas por normas de direito público, ou seja, as EPs
e SEMs não se submetem exclusivamente ao regime jurídico de direito
privado. Quanto ao último item – desempenho de atividade de natureza
econômica – devemos saber que essa é a regra geral e, portanto, é uma
característica comum dessas entidades. Logo, o item está correto. Porém,
podemos adicionar a prestação de serviços públicos, que também é uma
atividade realizadas pelas empresas estatais.
Gabarito: correto.

Criação e extinção

Nos termos do inc. XIX, art. 37, da CF/88, a instituição de empresa


pública e de sociedade de economia mista deve ser autorizada por lei
específica. Após a edição da lei autorizativa, será elaborado o ato
constitutivo, cujo registro no órgão competente significará o início da
personalidade jurídica da entidade. Assim, as empresas públicas e
sociedades de economia mista nascem, efetivamente, após o registro de
seu ato constitutivo no órgão competente.
Com efeito, conforme estabelece a Constituição, a lei deverá ser
específica. Não significa que a lei deverá tratar tão somente da criação da
EP e da SEM, mas sim que o assunto (matéria) da lei deverá ser relacionado
com as competências da nova entidade. Assim, não poderá uma lei abordar
um assunto e, de forma genérica, autorizar a criação de uma empresa
pública. Deverá a norma, isso sim, tratar da matéria relacionada com a

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 23 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

empresa, disciplinando a sua finalidade, estabelecendo diretrizes,


competências, estrutura, etc.
Após a edição da lei, será elaborado o ato constitutivo, que, em geral,
é feito por meio de decreto. Segundo Alexandrino e Paulo, utiliza-se o
decreto para dar publicidade ao estatuto, no entanto, a criação efetiva da
entidade só ocorrerá no momento do registro do órgão competente, e não
na data de publicação do decreto.
A extinção das EP e das SEM segue a mesma regra. Para tanto, deverá
ser editada lei específica autorizando a extinção da entidade. Assim, o Poder
Executivo não poderá dar fim às EPs e SEMs por ato de sua competência
exclusiva, reclamando a autorização do Poder Legislativo.
Vamos resolver algumas questões.

18. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia


mista pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo
conteúdo específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública.
Comentário: a criação de SEM e de EP deve ser autorizada por lei específica.
Dessa forma, a autorização não poderá ser feita de forma genérica, conforme
consta na questão. Por isso, o item está errado.
Gabarito: errado.

19. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) Pessoas jurídicas de direito privado


integrantes da administração indireta, as empresas públicas são criadas por
autorização legal para que o governo exerça atividades de caráter econômico ou
preste serviços públicos.
Comentário: o trecho criadas “por autorização legal” costuma causar um
pouco de confusão. No entanto, o item está informando que a criação da
empresa pública necessidade de autorização legal, o que é verdade. Além
disso, o item se assemelha ao conceito proposto por José dos Santos
Carvalho Filho, vejamos:
Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, integrantes
da Administração Indireta do Estado, criadas por autorização legal,
sob qualquer forma jurídica adequada a sua finalidade, para que o
Governo exerça atividades gerais de caráter econômico ou, em
certas situações, execute a prestação de serviços públicos. (grifos
nossos)
Dessa forma, podemos concluir com tranquilidade que a questão está correta.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 24 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Gabarito: correto.

20. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não


poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública.
Comentário: para extinguir uma empresa pública, o Poder Executivo
dependerá autorização legislativa específica. Logo, jamais poderá fazê-lo por
ato de sua exclusiva competência.
Gabarito: correto.

Atividades desenvolvidas

De forma simples, as empresas públicas e sociedades de economia


mista podem desenvolver dois tipos de atividade:
a) explorar atividade econômica;
b) prestar serviço público.
A regra geral é que as empresas públicas e as sociedades de economia
mista sejam criadas para atuar na exploração de atividades econômicas
em sentido estrito. Contudo, a atuação do Estado na exploração direta da
atividade econômica só é admitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo (CF. art. 173,
caput).
Nesse contexto, o §1º, do art. 173, da CF dispôs que a “lei”
estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade
econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação
de serviços, dispondo sobre: (a) sua função social e formas de fiscalização
pelo Estado e pela sociedade; (b) a sujeição ao regime jurídico próprio
das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis,
comerciais, trabalhistas e tributários; (c) licitação e contratação de
obras, serviços, compras e alienações, observados os princípios da
administração pública; (d) a constituição e o funcionamento dos conselhos
de administração e fiscal, com a participação de acionistas minoritários; (e)
os mandatos, a avaliação de desempenho e a responsabilidade dos
administradores.
O mencionado “estatuto jurídico” das EPs e SEMs não foi editado até
hoje. Contudo, algumas regras já estão claras na Constituição e, portanto,

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 25 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

merecem destaque. Nesse ponto, as empresas estatais (e suas subsidiárias)


que atuarem na exploração de atividade econômica devem se sujeitar ao
regime próprio das empresas privadas, inclusive no que se refere às
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários. O objetivo dessa
regra é evitar que as entidades estatais usufruam de benefícios não
extensíveis às empresas privados, o que poderia gerar um desequilíbrio no
mercado. Reforçando essa regra, o §2º, art. 173, CF, estabelece que as
”empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão
gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”.
Assim, se o Banco do Brasil S.A., por exemplo, receber uma isenção fiscal,
a mesma regra deverá ser aplicada aos bancos privados.
Quanto às empresas públicas e às sociedades de economia mista que
prestarem serviços públicos, não há uma regra tão clara na Constituição
Federal. Além disso, o próprio Decreto Lei 200/1967 menciona tão somente
a exploração de atividade econômica como inerente às empresas estatais.
Todavia, é certo que esse tipo de entidade administrativa presta serviço
público, encontrando respaldo na legislação infraconstitucional, na
jurisprudência e na doutrina.
Nesse contexto, costuma-se dizer que as regras básicas para as SEMs
e EPs que prestam serviços públicos estão disciplinadas no art. 175 da CF,
que estabelece que incumbe “ao Poder Público, na forma da lei, diretamente
ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a
prestação de serviços públicos”.
Assim, os regramentos previstos no art. 173 da Constituição Federal
não alcançam as EPs e SEMs que prestam serviços públicos. Tal constatação
causa uma diferença fundamental no regime jurídico dessas entidades,
conforme iremos observar no tópico seguinte.
Todavia, é de se mencionar que não todo tipo de serviço público que
pode ser exercido pelas empresas estatais. Elas não podem exercer
atividades típicas de Estado, ou seja, aquelas que só podem ser prestadas
por entidades que possuem personalidade jurídica de direito público, como,
por exemplo, o exercício do poder de polícia.
Por fim, deve-se notar que mesmo quando exploram atividade
econômica, as SEMs e as EPs são entidades administrativas integrantes da
Administração Indireta e que, portanto, compõem a Administração Pública
em sentido subjetivo.
Vejamos como isso pode aparecer na prova.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 26 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

21. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia


mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação
hipotética, a referida sociedade não é considerada integrante da administração
indireta do respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve
prestar serviço público.
Comentário: as empresas públicas e sociedades de economia mista integram
a Administração Indireta em qualquer hipótese, seja as que prestam serviço
público ou as que exploram atividade econômica. Logo, a assertiva está
errada.
Gabarito: errado.

22. (Cespe - AJ TRT10/Administrativa/2013) Empresas públicas são pessoas


jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas
mediante prévia autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas
situações, prestam serviço público.
Comentário: mais um item conceitual. As empresas públicas (e as sociedades
de economia mista) são:
a) pessoas jurídicas de direito privado;
b) dependem de autorização legislativa para sua criação (e extinção);
c) atuam prioritariamente na exploração de atividade econômica e,
eventualmente, na prestação de serviços públicos.
Gabarito: correto.

23. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito


privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada
quanto prestar serviço público.
Comentário: outra muito fácil. Uma SEM pode executar atividade econômica
própria da iniciativa privada ou prestar serviço público. Portanto, perfeito o
item.
Gabarito: correto.

24. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da


administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da
iniciativa privada.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 27 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Comentário: esse item é muito parecido com o anterior. As sociedades de


economia mista podem executar atividades econômicas próprias da iniciativa
privada, como, por exemplo, os serviços bancários, como faz o Banco do
Brasil S.A. Assim, a questão está certa.
Gabarito: correto.

25. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração


pública a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado
que, embora se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade
tipicamente econômica.
Comentário: novamente, mesmo quando explora atividade econômica, as
SEMs integram a administração pública. Daí o erro do item.
Gabarito: errado.

26. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade


econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do
setor privado.
Comentário: segundo o §2º, art. 173, da CF, as empresas públicas e as
sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não
extensivos às do setor privado. Deve-se frisar que essa determinação se
insere no rol das EPs e SEMs que exploram atividade econômica.
Gabarito: correto.

Regime jurídico

Em qualquer situação, as empresas públicas e as sociedades de


economia mista possuem natureza jurídica de direito privado. Isso
porque essas entidades são efetivamente criadas com o registro de seu ato
constitutivo.

As empresas públicas e as sociedades de


economia mista sempre possuirão
personalidade jurídica de direito privado.

Por outro lado, o regime jurídico dessas entidades será sempre


híbrido, em algumas situações com predomínio de regras de direito privado
e em outras com predomínio do direito público. O que vai dizer qual o tipo

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 28 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

de regra dominante é a natureza da atividade desenvolvida, isto é, se


prestam serviços públicos ou exploram atividade econômica.
As empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram
atividade econômica atuam com predomínio das regras de direito
privado, porquanto o art. 173, §1º, II, da CF, estabelece que o estatuto
dessas entidades se sujeita ao regime jurídico próprio das empresas
privadas. Dessa forma, essas entidades só se submetem às regras de
direito público quando a Constituição assim o determine, expressa ou
implicitamente. Assim, para uma lei administrativa dispor sobre regras de
direito público para uma empresa pública exploradora de atividade
econômica, tais regras devem derivar do texto constitucional.
O entendimento é simples, se a própria Constituição determinou que
as empresas públicas e sociedades de economia mista devem seguir as
regras próprias das empresas privadas, somente a própria Constituição
poderá estabelecer exceções, seja de forma expressa ou de forma implícita.
Nesse contexto, o art. 37, caput, da Constituição estabelece os
princípios gerais da Administração Pública (legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência), todos aplicáveis às EPs e às SEMs,
mesmo quando exploram atividades econômicas. Essas entidades também
se sujeitam ao concurso público para contratação de pessoal (CF, art. 37,
II). Ademais, para o desempenho de suas atividades-meio, como a
aquisição de material de escritório, obrigam-se a realizar licitação pública
(CF, art. 37, XXI; e art. 173, §1º, III). A organização dessas entidades
também depende de regras de direito público, uma vez que dependem de
lei para autorizar sua criação ou extinção, ou mesmo para criação de
subsidiárias, neste último caso, mesmo que ocorra de forma genérica (CF,
art. 37, XIX e XX). Por fim, essas entidades submetem-se ao controle e
fiscalização do Tribunal de Contas (CF, art. 71) e do Congresso Nacional
(art. 49, X).
Por outro lado, as empresas públicas e sociedades de economia mista,
quando atuarem na prestação de serviços públicos, submetem-se
predominantemente, às regras de direito público. Isso fica muito mais
evidente quando as entidades realizam suas atividades-fim, ou seja,
quando estão prestando o serviço público para o qual foram criadas.
Menciona-se, por exemplo, o princípio da continuidade do serviço
público e outros.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 29 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Dessarte, podemos resumir da seguinte forma. Todas as empresas


públicas e sociedades de economia mista possuem personalidade jurídica
de direito privado e regime jurídico híbrido. Porém, quando explorarem
atividade econômica, sujeitam-se predominantemente ao regime de direito
privado. Por outro lado, quando prestam serviços públicos, subordinam-se
predominantemente a regras de direito público.
Por fim, a atividade preferencial das empresas estatais é a exploração
de atividade econômica. Dessa forma, se a questão não definir qual a área
de atuação, devemos partir do pressuposto que é a exploração de atividade
econômica. Logo, o regime predominante será de direito privado.

Se a questão não definir a área de atuação da


EP ou da SEM, o regime predominante será de
direito privado.

Benefícios fiscais

O §2º, art. 173, CF, dispõe que as empresas públicas e as sociedades


de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não
extensivos às do setor privado. Todavia, a mencionada regra encontra-
se no art. 173, que se aplica somente às empresas públicas e sociedades
de economia mista que exploram atividade econômica.
Com efeito, o dispositivo não veda toda concessão de privilégios fiscais,
mas tão somente aqueles aplicados exclusivamente às empresas públicas e
sociedades de economia mista. Assim, se o ente conceder um privilégio
fiscal a todas as empresas de determinado setor, independentemente se
são estatais ou não, não haverá vedação.
Ademais, quando a empresa atuar em regime de monopólio, não
existirá nenhuma vedação da concessão do privilégio, ainda que a empresa
explore atividade econômica. O entendimento é muito simples, uma vez
que há monopólio, não existirão empresas do ramo no setor privado.

Imunidade tributária

Nesse ponto, vale trazer um importante entendimento do Supremo


Tribunal Federal sobre a imunidade tributária recíproca. O art. 150, VI,
“a”, da CF, estabelece que é vedado à União, aos estados, ao Distrito
Federal e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 30 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

serviços, uns dos outros. O §2º da mesmo art. dispõe que essa regra se
estende às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
Em nenhum lugar há menção às empresas públicas e sociedades de
economia mista. Contudo, o Supremo Tribunal Federal vem apresentando
entendimento de que a imunidade tributária recíproca aplica-se às
empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços
públicos. O primeiro julgamento do STF nesse sentido ocorreu com a
Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – EBCT, no julgamento do RE
407.099/RS, quando a Corte entendeu que a empresa é “prestadora de
serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado”
motivo pela qual está abrangida pela regra da imunidade tributária24.
Na mesma linha, o STF entendeu que a imunidade tributária recíproca
se aplica à Infraero, empresa pública federal, uma vez que presta serviço
público “em regime de monopólio”. Contudo, o entendimento do
Supremo Tribunal Federal, ao decidir o caso da Infraero, aparenta-se ser
bem mais amplo que o caso da EBCT, vejamos25:
A submissão ao regime jurídico das empresas do setor privado, inclusive
quanto aos direitos e obrigações tributárias, somente se justifica, como
consectário natural do postulado da livre concorrência (CF, art. 170, IV), se
e quando as empresas governamentais explorarem atividade econômica em
sentido estrito, não se aplicando, por isso mesmo, a disciplina prevista no
art. 173, § 1º, da Constituição, às empresas públicas (caso da
INFRAERO), às sociedades de economia mista e às suas
subsidiárias que se qualifiquem como delegatárias de serviços
públicos. (grifos nossos)

Em recente posicionamento, o STF firmou entendimento ainda mais


amplo, aplicando a imunidade tributária recíproca à sociedade de economia
mista prestadora de ações e serviços de saúde, ou seja, que nem mesmo
atuava como delegatária de serviço público26. Vale dizer, o serviço de
saúde, quando prestado pelo Estado, enquadra-se no conceito de serviço
público, no entanto não ocorre mediante delegação, dada sua livre
exploração pelas entidades privadas (CF, art. 199).
Diante do exposto, só podemos concluir que a imunidade tributária
recíproca, conforme posicionamento recente do Supremo Tribunal Federal,

24
RE 407.099/RS. No mesmo sentido: RE 354.897/RS, RE 398.630/SP, ACO 765/RJ, e outros; quando a Corte
destacou que a EBCT é prestadora de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado, motivo
por que está abrangida pela imunidade tributária recíproca
25
RE 363.412/BA.
26
RE 580.264 RS.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 31 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

possui uma amplitude genérica, alcançando as empresas públicas,


sociedades de economia mista e suas subsidiárias prestadoras de
serviços públicos. Por outro lado, as empresas públicas e as sociedades
de economia mista que exploram atividade econômica não possuem
imunidade tributária.
Vamos exercitar um pouco!

27. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ RR/2012) Embora possuam capital


exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se
aplicam, preponderantemente, normas de direito privado.
Comentário: como a questão não definiu a área de atuação da EP, devemos
partir do pressuposto que ela explora atividade econômica, afinal essa é a
atividade primordial das empresas estatais. Assim, as normas de direito
privado serão aplicadas preponderantemente.
Gabarito: correto.

28. (Cespe – Técnico em Administração/TJ AC/2012) A empresa pública criada


com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente,
formada sob o regime de pessoa jurídica de direito privado.
Comentário: em qualquer hipótese as empresas públicas e as sociedades de
economia mista serão formadas sob o regime de pessoa jurídica de direito
privado. Assim, o item está correto. Contudo, devemos lembrar que o regime
jurídico será sempre híbrido, predominando ou um ou o outro regime (direito
público e direito privado). No caso das empresas que exploram atividade
econômica, as regras predominantes serão de direito privado.
Gabarito: correto.

Bens

Os bens das sociedades de economia mista e das empresas públicas


são considerados bens privados e, portanto, não possuem os atributos dos
bens públicos, como a impenhorabilidade e imprescritibilidade.
No entanto, tendo em vista o princípio da continuidade dos
serviços públicos, a regra para as empresas públicas e sociedades de
economia mista que prestam serviço público é um pouco diferente. Nesse

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 32 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

caso, os bens afetados diretamente à prestação do serviço público gozam


dos mesmos atributos dos bens públicos. Nesse sentido, voltando ao caso
da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - EBCT, o Supremo Tribunal
Federal possui diversos julgados sobre essa entidade, atribuindo-lhe os
mesmos privilégios da fazenda pública, como a impenhorabilidade
de seus bens (e, por conseguinte, a sujeição ao regime de precatórios)27.
Assim, podemos resumir o caso da seguinte forma. Os bens das
empresas públicas e sociedades de economia mista são bens privados.
Porém, no caso das prestadoras de serviço público, os bens diretamente
relacionados à prestação do serviço gozam dos mesmos atributos dos bens
públicos.

Falência

A Lei 11.105/2005, que regula a recuperação judicial, a extrajudicial e


a falência do empresário e da sociedade empresária, deixou claro, em seu
art. 2º, I, que suas normas não se aplicam às empresas públicas e
sociedades de economia mista. Dessa forma, independentemente da
atividade que desempenham, as empresas públicas e as sociedades
de economia mista não se sujeitam ao regime falimentar.

29. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas


públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são
imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas
finalidades essenciais ou delas decorrentes.
Comentário: não importa qual a natureza da atividade (prestação de serviços
públicos ou exploração de atividade econômica), pois todas as EPs e SEMs
não se sujeitam ao regime falimentar. Quanto à imunidade tributária, o
entendimento do STF é que ela só se aplica às empresas estatais prestadoras
de serviço público. Assim, o item está correto, pois as sociedades de
economia mista e as empresas públicas exploradoras de atividade econômica
não podem falir e não estão imunes aos impostos sobre patrimônio, renda e
serviços vinculados às suas finalidades essenciais.
Gabarito: correto.

27
RE 220.906 DF.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 33 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Prescrição

Vimos que as dívidas e os direitos em favor de terceiros contra as


autarquias prescrevem em cinco anos (Decreto 20.910/1932, art. 1º28, c/c
Decreto-Lei 4.597/1942, art. 2º). Para as empresas públicas e as
sociedades de economia mista, contudo, não há essa regra.
Assim, elas devem se submeter ao regramento previsto no Código
Civil. O art. 205 do CC dispõe que a prescrição ocorrerá em dez anos,
quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. Em seguida, o art. 206
estabelece diversos prazos de prescrição, para várias situações. Cremos
que não há necessidade de decorar esses prazos, sobretudo quando se fala
em direito administrativo. Assim, o que nos interessa é saber que as
empresas públicas e as sociedades de economia mista não gozam
do prazo quinquenal de prescrição.

30. (Cespe - TJ TRT10/Administrativa/2013) As ações judiciais promovidas contra


sociedade de economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos.
Comentário: ficou fácil. As EPs e as SEMs não se submetem ao prazo
quinquenal. Assim, as regras de prescrição estão previstas nos arts. 205 e 206
do Código Civil. Dessa forma, concluímos pela incorreção da questão.
Gabarito: errada.

Diferenças entre EP e SEM

As diferenças entre as empresas públicas e as sociedades de economia


mista resumem-se em três:
a) forma jurídica;

28
Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação
contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados
da data do ato ou fato do qual se originarem.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 34 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

b) composição do capital; e
c) foro processual (somente para as entidades federais).
Vamos analisar cada uma dessas diferenças.

Forma jurídica

As sociedades de economia mista devem, obrigatoriamente, ter a


forma de sociedade anônima (S/A). Em virtude dessa formação
societária, as SEMs são reguladas, basicamente, pela Lei das Sociedades
por Ações (Lei 6.404/1976), que possui um capítulo específico para tratar
dessas entidades29.
Por outro lado, as empresas públicas podem ser formadas sob
qualquer forma admitida em direito. Assim, elas podem ser unipessoais
(quando a entidade instituidora possui a integralidade de seu capital),
pluripessoais (quando possui capital dominante do ente instituidor
associados aos recursos de outras pessoas administrativas). Cumpre frisar,
as empresas públicas inclusive podem ser formadas como sociedades
anônimas.
Com efeito, o Decreto Lei 200/1967 dispõe que as empresas públicas
podem revestir-se de qualquer das formas admitidas em direito. Por
conseguinte, a doutrina entende que, uma vez que cabe à União legislar
sobre direito civil e comercial (CF, art. 22, I), poderia ser instituída uma
empresa pública federal sob forma inédita, sui generis, não prevista
para o direito privado. Assim, a União criaria uma nova forma de empresa.
Segundo José dos Santos Carvalho Filho30, apesar de o Decreto Lei
200/1967 dispor que as EP podem ser formadas sob qualquer forma
admitida em direito, existem algumas formas societárias incompatíveis com
a empresa pública, a exemplo das sociedades em nome coletivo (CC, art.
1.039) sociedade corporativa (CC, art. 1.093) e a empresa individual de
responsabilidade limitada (CC, art. 980-A). Essas formas societárias são
tipicamente formadas por pessoas físicas, inviabilizando a formação de
capital por meio do Poder Público. Ainda com essa ressalva, devemos
manter o entendimento de que as EPs podem ser formadas sob qualquer
forma admitida em direito.

29
Lei 6.404/1976, arts. 235-240.
30
Carvalho Filho, 2014, p. 513.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 35 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Dessa forma, podemos entender que as empresas públicas podem ser


criadas sob qualquer forma admitida em direito e, exclusivamente para a
União, podem ser criadas sob uma forma jurídica inédita. Por outro lado, as
sociedades de economia mista serão sempre constituídas na forma de
sociedade anônima.
Vamos exercitar um pouco!

31. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas


apenas podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima.
Comentário: as empresas públicas podem ser criadas sob qualquer forma
admitida em direito. Logo, o item está errado.
Gabarito: errado.

32. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas


jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica.
Comentário: as sociedades de economia mista só podem ser constituídas em
sociedade anônima. São as EPs que admitem qualquer forma jurídica (desde
que compatível).
Gabarito: errado.

33. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) As sociedades de economia mista podem


revestir-se de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público,
que procede à sua criação.
Comentário: novamente, são as empresas públicas que admitem qualquer
forma admitida em direito. Assim, o item está errado.
Gabarito: errado.

34. (Cespe - AJ TRT10/Judiciária/2013) As empresas públicas devem ser


constituídas obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima.
Comentário: parece replay, mas não é! As empresas públicas podem ser
constituídas sob qualquer forma admitida em direito; enquanto as sociedades
de economia mista só podem ser criadas como sociedade anônima.
Gabarito: errado.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 36 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

35. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista


é a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital
exclusivamente público.
Comentário: a questão apresentou o conceito de empresa pública e não de
sociedade de economia mista. Para fixar, vamos escrevê-lo novamente:
Sociedade de economia mista Empresa pública é a pessoa jurídica
de direito privado, integrante da administração indireta, criada
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma
jurídica e com capital exclusivamente público.
Gabarito: errado.

Composição do capital

As sociedades de economia mista admitem a participação de


capital público e de capital privado, enquanto as empresas públicas
só admitem capital público.
No caso das sociedades de economia mista, podem ser conjugados
recursos de pessoas de direito público ou de outras pessoas administrativas
com recursos de particulares. No entanto, o controle acionário da entidade
deve permanecer que o ente instituidor, logo a maioria do capital votante
sempre pertencerá ao ente que instituiu a entidade. Nesses termos, o
Decreto Lei 200/1967 dispõe que as ações com direito a voto na SEMs
federais devem pertencer em sua maioria à União ou à entidade da
Administração Indireta.
Por outro lado, as empresas públicas são formadas com capital
totalmente público. Não é necessário que o capital pertença a uma única
pessoa política ou administrativa, o que se exige é que o ente político que
as instituiu possua a maioria do capital votante. Dessa forma, uma empresa
pública federal pode ser formada com capital da União, de algum estado-
membro, de autarquias e até mesmo de sociedades de economia mista.
Vale dizer que as sociedades de economia mista possuem a maioria de
seu capital público e, portanto, estão sob controle de uma entidade do Poder
Público. Logo, não há vedação à participação de capital dessas entidades
na composição de uma empresa pública.
Vamos dar uma olhada em como isso é exigido em concursos.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 37 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

36. (Cespe - AnaTA MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de


economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como
organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público.
Comentário: as sociedades de economia mista são formadas pela conjugação
de capital público e privado, porém a maioria do capital social deve pertencer
ao ente público que as instituiu. Ainda que possuam capital privado, essas
entidade se submetem a algumas regras de direito público, como a
contratação de pessoal (concurso público) e a sua organização (depende de
lei para autorizar a criação e extinção ou para autorizar a criação de
subsidiárias). Assim, a questão está perfeita!
Gabarito: correto.

37. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital,


podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois
grupos: um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é
exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia
mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital
público e privado.
Comentário: o item está errado, pois as empresas públicas possuem capital
totalmente público, logo não há conjugação de capital público e privado.
Assim, o item está errado.
Gabarito: errado.

38. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito


privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e
privado.
Comentário: na mesma linha da questão anterior, as empresas públicas não
possuem capital privado. Assim, a questão está errada.
Gabarito: errado.

39. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é


exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas
atividades são regidas pelos preceitos comerciais.
Comentário: aqui podemos delinear várias características das empresas
públicas: (a) capital exclusivamente público; (b) personalidade de direito

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 38 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

privado; (c) atividades regidas pelos preceitos comerciais (CF, art. 173, §1º, II).
Deve-se frisar que quando a questão não mencionar nada sobre a prestação
de serviços públicos, devemos considerar que as empresas públicas e
sociedades de economia mista se submetem às regras da exploração de
atividade econômica. Assim, a questão está perfeita.
Gabarito: correto.

40. (Cespe – Analista PGIPI/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas


jurídicas de direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende
de autorização legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquer
forma admitida em direito.
Comentário: aqui a questão apresentou mais algumas características
adicionais, como a autorização legislativa para a criação; e a estruturação
jurídica sob qualquer forma admitida em direito. Além disso, nunca é demais
lembrar que o capital das EPs é totalmente público. Correto, portanto, o item.
Gabarito: correto.

41. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade


da administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a
conjugação de capital público e privado.
Comentário: não há capital privado nas EPs. Assim, o item está errado.
Gabarito: errado.

42. (Cespe - Ana MPU/Direito/2013) A empresa pública federal caracteriza-se,


entre outros aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União,
não se admitindo, portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na
constituição de seu capital.
Comentário: as empresas públicas admitem a participação de outras pessoas
jurídicas, desde que sejam integrantes da Administração Pública. Dessa
forma, não há nenhum impedimento que um estado da Federação, uma
autarquia ou uma empresa pública, por exemplo, possuem parte do capital de
uma empresa pública federal. Porém, a maioria do capital deverá pertencer à
União, pois estamos falando de uma EP federal. Com isso, o item está errado.
Gabarito: errado.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 39 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Foro processual para as entidades federais

A última particularidade diz respeito à justiça competente. Segundo o


texto constitucional, as causas em que empresa pública federal for
interessada na condição de autora, ré, assistente ou oponente serão
processadas e julgadas na Justiça Federal (CF, art. 109, I). Quando se
tratar de empresa pública dos estados ou municípios, a competência
será da Justiça Estadual.
Por outro lado, as ações das sociedades de economia mista (de
qualquer ente da Federação), em regra, serão julgadas na Justiça
Estadual (comum), conforme dispõe a Súmula 556 do STF: “É competente
a Justiça comum para julgar as causas em que é parte sociedade de
economia mista” (grifos nossos).
Contudo, quando a União intervém na condição de assistente ou
oponente, as causas envolvendo as sociedades de economia mista serão
deslocadas para a Justiça Federal, conforme entendimento apresentado
na Súmula 517-STF31.
Por fim, as causas que envolvam as relações de trabalho entre os
empregados públicos e as empresas públicas e sociedades de economia
mista, serão de competência da Justiça do Trabalho.
Em resumo:
 causas envolvendo EP federal: Justiça Federal;
 causas envolvendo EP de estado ou município: Justiça Estadual;
 causas envolvendo SEM: Justiça Estadual;
 causas envolvendo SEM, mas que a União intervenha como
assistente ou oponente: Justiça Federal.
O quadro a seguir resume as diferenças das empresas públicas e das
sociedades de economia mista.

31
Súmula 517 do STF As sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União intervém
como assistente ou opoente

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 40 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Dimensões Empresa Pública Sociedade de Economia


Mista
Forma Jurídica Qualquer forma admitida Somente na forma de
pelo ordenamento jurídico sociedade anônima (S/A).
(civil, comercial, S/A, etc.) ou
até mesmo formas inéditas
(somente para a União).
Composição do capital Capital totalmente público. Admite capital público e
privado, mas a maioria do
capital com direito a voto é
público.
Foro processual (somente Com algumas exceções, as Tramitam na justiça
para as entidades federais) causas em que as empresas estadual.
públicas federais forem
interessadas tramitam na
Justiça Federal.

E, para fechar, vamos resolver uma questãozinha!

43. (Cespe - AJ TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar


as causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem
serviço público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado.
Comentário: o item possui dois erros. O primeiro é que a questão não
especificou que empresa pública (federal, estadual, municipal), pois somente
as causas envolvendo EPs federais são processadas e julgadas na Justiça
Federal.
O outro erro consiste no “dado o fato”, que dá o sentido de que a competência
da Justiça Federal ocorre por causa da prestação do serviço público, o que
não é verdade. As causas envolvendo empresas públicas são julgadas na
Justiça Federal simplesmente porque a Constituição determinou assim, logo
alcançaria também as EPs que exploram atividade econômica.
Gabarito: errado.

Concluímos por enquanto. Até nosso próximo encontro.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 41 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

Espero por vocês!


Bons estudos e até breve.
HERBERT ALMEIDA.
herbert@estrategiaconcursos.com.br
http://www.estrategiaconcursos.com.br/cursosPorProfessor/herbert-almeida-3314/

QUESTÕES COMENTADAS NA AULA

1. (Cespe – Técnico Administrativo/ANAC/2012) A autarquia é o serviço


autônomo criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios,
para executar atividades típicas da administração pública, que requeiram, para seu
melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.
2. (Cespe – AA/Anatel/2012) As autarquias compõem a estrutura da administração
direta do Estado.
3. (Cespe – AJ/TRT ES/2013) Uma autarquia federal pode ser criada mediante
decreto específico do presidente da República.
4. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) A lei de criação de uma
autarquia federal deve ser de iniciativa privativa do presidente da República.
5. (Cespe – SERPRO/2013) As autarquias são pessoas jurídicas de direito privado,
criadas por lei específica e destinadas a realizar atividades, obras e serviços
descentralizados da entidade estatal que as criou.
6. (Cespe - TJ TRT10/Administrativa/2013) Consoante a doutrina, as entidades
autárquicas são pessoas jurídicas de direito público, de natureza administrativa,
criadas por lei, para realizar, de forma descentralizada, atividades, obras ou serviços.
7. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) Embora seja dotada de
personalidade jurídica própria e de capacidade de autoadministração, a autarquia
sujeita-se ao controle ou à tutela do ente político que a tenha criado.
8. (Cespe – ATA/MI/2013) Toda pessoa jurídica da administração pública indireta,
embora não se subordine, vincula-se a determinado órgão da estrutura da
administração direta, estando, assim, sujeita à chamada supervisão ministerial.
9. (Cespe - AJ TRT10/Judiciária//2013) As autarquias federais detêm autonomia
administrativa relativa, estando subordinadas aos respectivos ministérios de sua área
de atuação.
10. (Cespe – Agente Administrativo/SUFRAMA/2014) Considere que Emanuel,
servidor da SUFRAMA, tenha sido aprovado em concurso público para analista

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 42 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

administrativo em outra autarquia federal e passe a acumular os dois cargos, ambos


com jornada semanal de 40 horas. Nessa situação, uma vez que as duas autarquias
compõem a administração indireta, não há violação do dispositivo constitucional que
veda a acumulação de cargos no serviço público.
11. (Cespe – SERPRO/2013) Os servidores das autarquias sujeitam-se ao regime
jurídico único da entidade-matriz.
12. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) Nos litígios comuns, as causas que digam
respeito às autarquias federais, sejam estas autoras, rés, assistentes ou oponentes,
são processadas e julgadas na justiça federal.
13. (Cespe – Procurador Geral/AGU/2013) As autarquias, que adquirem
personalidade jurídica com a publicação da lei que as institui, são dispensadas do
registro de seus atos constitutivos em cartório e possuem as prerrogativas especiais
da fazenda pública, como os prazos em dobro para recorrer e a desnecessidade de
anexar, nas ações judiciais, procuração do seu representante legal.
14. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) Os bens das autarquias não
são passíveis de penhora.
15. (Cespe - AA/PRF/2012) São exemplos de prerrogativas estatais estendidas às
autarquias a imunidade tributária recíproca e os privilégios processuais da Fazenda
Pública.
16. (Cespe – AJ/TRT ES/2013) A PETROBRAS é um exemplo de empresa pública.
17. (Cespe – Adm/MIN/2013) São características comuns a empresas públicas e
sociedades de economia mista, entre outras, personalidade jurídica de direito privado,
derrogação parcial do regime de direito privado por normas de direito público e
desempenho de atividade de natureza econômica.
18. (Cespe – Bibliotecário/MS/2013) A criação de uma sociedade de economia mista
pode ser autorizada, genericamente, por meio de dispositivo de lei cujo conteúdo
específico seja a autorização para a criação de uma empresa pública.
19. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) Pessoas jurídicas de direito privado
integrantes da administração indireta, as empresas públicas são criadas por
autorização legal para que o governo exerça atividades de caráter econômico ou
preste serviços públicos.
20. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Poder Executivo não
poderá, por ato de sua exclusiva competência, extinguir uma empresa pública.
21. (Cespe – TJ/CNJ/2013) Considere que determinada sociedade de economia
mista exerça atividade econômica de natureza empresarial. Nessa situação hipotética,
a referida sociedade não é considerada integrante da administração indireta do

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 43 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

respectivo ente federativo, pois, para ser considerada como tal, ela deve prestar
serviço público.
22. (Cespe - AJ TRT10/Administrativa/2013) Empresas públicas são pessoas
jurídicas de direito privado integrantes da administração indireta do Estado, criadas
mediante prévia autorização legal, que exploram atividade econômica ou, em certas
situações, prestam serviço público.
23. (Cespe - DPF/2013) A sociedade de economia mista é pessoa jurídica de direito
privado que pode tanto executar atividade econômica própria da iniciativa privada
quanto prestar serviço público.
24. (Cespe - AFT/2013) A sociedade de economia mista, entidade integrante da
administração pública indireta, pode executar atividades econômicas próprias da
iniciativa privada.
25. (Cespe – TNS/PRF/2012) Não é considerada integrante da administração pública
a entidade qualificada com natureza de pessoa jurídica de direito privado que, embora
se constitua como sociedade de economia mista, exerça atividade tipicamente
econômica.
26. (Cespe – TNS/PRF/2012) As empresas públicas que explorem atividade
econômica não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do
setor privado.
27. (Cespe – Técnico Judiciário/TJ RR/2012) Embora possuam capital
exclusivamente público, as empresas públicas são pessoas jurídicas a que se
aplicam, preponderantemente, normas de direito privado.
28. (Cespe – Técnico em Administração/TJ AC/2012) A empresa pública criada
com a finalidade de explorar atividade econômica deve ser, necessariamente, formada
sob o regime de pessoa jurídica de direito privado.
29. (Cespe - Proc DF/2013) As sociedades de economia mista e as empresas
públicas exploradoras de atividade econômica não se sujeitam à falência nem são
imunes aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às suas
finalidades essenciais ou delas decorrentes.
30. (Cespe - TJ TRT10/Administrativa/2013) As ações judiciais promovidas contra
sociedade de economia mista sujeitam-se ao prazo prescricional de cinco anos.
31. (Cespe – Técnico Administrativo/ANCINE/2013) As empresas públicas apenas
podem ser criadas sob a forma jurídica de sociedade anônima.
32. (Cespe – ATA PGPE/MS/2013) As sociedades de economia mista são pessoas
jurídicas de direito privado e podem ser constituídas sob qualquer forma jurídica.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 44 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

33. (Cespe - AJ TJDFT/Judiciária/2013) As sociedades de economia mista podem


revestir-se de qualquer das formas em direito admitidas, a critério do poder público,
que procede à sua criação.
34. (Cespe - AJ TRT10/Judiciária/2013) As empresas públicas devem ser
constituídas obrigatoriamente sob a forma de sociedade anônima.
35. (Cespe – Analista Administrativo/ANAC/2012) Sociedade de economia mista é
a pessoa jurídica de direito privado, integrante da administração indireta, criada
mediante autorização de lei específica, sob qualquer forma jurídica e com capital
exclusivamente público.
36. (Cespe - AnaTA MDIC/2014) Parte do capital instituidor de uma sociedade de
economia mista é privada, apesar de determinadas relações institucionais, como
organização e contratação de pessoal, serem regidas pelo direito público.
37. (Cespe - Ag Adm/MDIC/2014) Adotando-se o critério de composição do capital,
podem-se dividir as entidades que compõem a administração indireta em dois grupos:
um grupo, formado pelas autarquias e fundações públicas, cujo capital é
exclusivamente público; e outro grupo, constituído pelas sociedades de economia
mista e empresas públicas, cujo capital é formado pela conjugação de capital público
e privado.
38. (Cespe – ATA/MIN/2013) Empresas públicas são pessoas jurídicas de direito
privado que integram a administração indireta, constituídas por capital público e
privado.
39. (Cespe – Técnico Administrativo/ANTT/2013) O capital da empresa pública é
exclusivamente público, mas ostenta personalidade de direito privado, e suas
atividades são regidas pelos preceitos comerciais.
40. (Cespe – Analista PGIPI/INPI/2013) As empresas públicas são pessoas jurídicas
de direito privado, com totalidade de capital público, cuja criação depende de
autorização legislativa, e sua estruturação jurídica pode se dar em qualquer forma
admitida em direito.
41. (Cespe - Analista em Geociências/CPRM/2013) A empresa pública, entidade da
administração indireta, é pessoa jurídica de direito privado, formada mediante a
conjugação de capital público e privado.
42. (Cespe - Ana MPU/Direito/2013) A empresa pública federal caracteriza-se, entre
outros aspectos, pelo fato de ser constituída de capital exclusivo da União, não se
admitindo, portanto, a participação de outras pessoas jurídicas na constituição de seu
capital.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 45 de 46


Direito Administrativo
Analista Técnico e Agente Administrativo - DPU
Teoria e exercícios comentados
Prof. Herbert Almeida – Aula 00 (parte 2)

43. (Cespe - AJ TJDFT/2013) Pertence à justiça federal a competência para julgar as


causas de interesse das empresas públicas, dado o fato de elas prestarem serviço
público, ainda que detenham personalidade jurídica de direito privado.

GABARITO

1. C 6. C 11. C 16. E 21. E 26. C 31. E 36. C 41. E


2. E 7. C 12. C 17. C 22. C 27. C 32. E 37. E 42. E
3. E 8. C 13. C 18. E 23. C 28. C 33. E 38. E 43. E
4. C 9. E 14. C 19. C 24. C 29. C 34. E 39. C
5. E 10.E 15. C 20. C 25. E 30. E 35. E 40. C

REFERÊNCIAS

ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito administrativo descomplicado. 19ª Ed. Rio de
Janeiro: Método, 2011.

ARAGÃO, Alexandre Santos de. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2012.

BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 31ª Ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.

BARCHET, Gustavo. Direito Administrativo: teoria e questões. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas,
2014.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. “Personalidade judiciária de órgãos públicos”. Salvador:
Revista Eletrônica de Direito do Estado, 2007.

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27ª Edição. São Paulo: Atlas, 2014.

JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 10ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2014.

MARINELA, Fernanda. Direito Administrativo. 7ª Ed. Niterói: Impetus, 2013.

MEIRELLES, H.L.; ALEIXO, D.B.; BURLE FILHO, J.E. Direito administrativo brasileiro. 39ª Ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 2013.

Prof. Herbert Almeida www.estrategiaconcursos.com.br Página 46 de 46