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INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS E ARBOVIROSES: A INCIDÊNCIA DE

DENGUE E A QUALIDADE DE VIDA NO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS, MARANHÃO.

Lucas Vinicius de Aguiar ALVES


Graduando do Curso de Geografia da UFMA – Campus Bacanga
lucasvinyaaa@gmail.com

José AQUINO JÚNIOR


Professor-doutor do Curso de Geografia da UFMA – Campus Bacanga
aquinogeosaude@gmail.com

Zulimar Marita Ribeiro


Professora-doutora do Curso de Geografia da UFMA – Campus Bacanga
zmarita@usp.br

RESUMO

O presente artigo trata como os procedimentos técnico-metodológicos da Educação Ambiental e


da Cartografia Social podem contribuir nos processos de planejamento e gestão territorial das
comunidades. Enfoca os conceitos e fundamentos teóricos das abordagens em questão, mostrando
como a interação entre os conhecimentos científicos e os saberes tradicionais, podem levar a um
maior empoderamento por parte da população no processo de planejamento e gestão ambiental.
Destaca como as fases de planejamento e gestão consideradas, como organização e inventário,
análise, diagnóstico, prognóstico e execução, podem ser melhor adequadas com o apoio de uma
população devidamente capacitada .

palabras-chave:

RESUMÉN
El articulo trata como los procedimientos técnico-metodológicos de la Educación Ambiental y de
la Cartografia Social pueden contribuyer en los procesos de planificación y gestión territorial de
las comunidades tradicionales. Enfoca los conceptos y fundamentos teóricos de los abordajes en
cuestión, enseñando como la interacción entre los conocimientos científicos y los saberes
tradicionales pueden llevar a un mayor empoderamiento por parte de la población y gestión
ambiental. Destaca aún, como las etapas de planificación y gestión consideradas, como
organización e inventario, análisis, diagnóstico, prognóstico y ejecución, pueden ser mejor
adecuadas con el apoyo de la población debidamente capacitada por la

Palavras-chave:
INTRODUÇÃO

As arboviroses são doenças motivadas pela infecção por insetos (arthopod borne viruses,
Vírus de artrópode). O arbovírus da dengue, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, se destaca
devido a sua grande incidência global. O dengue ocorre em climas tropicais e subtropicais de todo o
mundo, especialmente em áreas urbanas e semi-urbanas (OMS, 2016). Usualmente são observadas
nessas regiões, condições naturais e sociais favoráveis à infestação do mosquito.
Nesta pesquisa, é relacionada qualidade de vida urbana no município de São Luís com a
incidência da dengue a partir de do estudo dos indicadores socioambientais. Acredita-se que as
condições de vida das populações estão intrinsecamente ligadas à dengue. A doença vem sendo
considerada como um grave problema de saúde pública nos países em desenvolvimento e endêmica
em todos os continentes, florescendo em áreas urbanas pobres, subúrbios e no campo, mas também
afeta bairros mais abastados em países tropicais e subtropicais (WHO, 2017).

A cidade de São Luís vem testemunhando nos últimos tempos grandes transformações em
seu espaço geográfico. Essas mudanças acabam repercutindo no modo de vida dos habitantes do
município. A qualidade de vida tende a ser degradada mediante o crescimento urbano desordenado.
A partir deste Fenômeno, são propiciadas condições para a infestação do mosquito transmissor da
dengue. É necessário então o estudo dos indicadores socioambientais a fim de se conhecer o
problema.
Apontada a influência dos indicadores socioambientais sobre arbovirose da dengue, é
proposta uma maior atuação das políticas públicas sobre o saneamento ambiental da cidade.
Entende-se que ações voltadas a aspectos infraestruturais são a melhor medida de controle de
arboviroses, destacando-se a dengue. Dessa forma, o presente trabalho pretende contribuir com o
maior reconhecimento da importância da qualidade de vida e dos indicadores socioambientais no
enfrentamento da arbovirose da dengue.

MATERIAL E MÉTODOS
Método e procedimentos metodológicos

Para realização da pesquisa adotou-se o paradigma da geografia socioambiental. Baseado


em Monteiro (1984, p. 26) uma de suas prerrogativas, é a “compreensão de que um dos mais
importantes aspectos epistemológico para a Geografia esteja na atitude fenomenológica de não
considerar nem a Natureza, nem o Homem como elementos centrais”. Não se deve então,
considerar um elemento mais importante que o outro, pois há uma relação entre os mesmos.
Para Oliveira Netto (2008), um artigo, por sua característica, é uma pequena parcela de um
saber maior, cuja finalidade, de um midi geral, é tornar pública parte de um trabalho de pesquisa
que se está realizando. Ainda o autor, os artigos são pequenos estudos, porém completos, que tratam
de uma questão verdadeiramente científica. O trabalho em questão contribui as discussões sobre o
enfrentamento da dengue a partir do paradigma socioambiental.

Os procedimentos metodológicos consistiram em um primeiro momento, na pesquisa


secundária de dados na dimensão social relacionando-se a doença da dengue. Foi feito levantamento
de dados sobre agravos e notificações e óbitos por dengue. Foram contempladas variáveis
consideradas importantes como “Escolaridade” e “Faixa etária” concomitantemente aos gêneros
“masculino” e “feminino” entre os anos de 2007 a 2012 no município de São Luís. Os dados estão
contidos na plataforma virtual do SINAN – Sistema Nacional de Agravos e notificações,
disponibilizada pelo ministério da saúde.

Em um segundo momento, a fim de complementar a pesquisa foram feitas pesquisas de


campo no intuito de identificar aspectos da qualidade de vida em São Luís em vários pontos da
cidade. Os bairros visitados situam-se em diversas localidades da cidade. Outras pesquisas de
campo realizadas no estudo, ocorreu a partir do acompanhamento da visita de agentes de saúde nos
LIRAas (Levantamento rápido de índices de infestação do Aedes aegypti) de Novembro de2015 e
Junho de 2016, respectivamente nos bairros de Macaúba e Anjo da Guarda.

Conforme Gil (2008), a natureza do estudo de campo realizado se enquadra nos tipos de
pesquisa “exploratória”, pois tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema,
com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Em complemento, Marconi e Lakatos
(2009) classificam a pesquisa de campo realizada como “estudo exploratório” tendo a finalidade de
“desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou
fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar
conceitos”.

Dessa forma, a pesquisa exploratória objetivou associar a visão ambiental à sociedade


explicitando a qualidade de vida das populações investigadas. Serviu também para aumentar a
familiaridade com a problemática investigada gerando-se novas hipóteses e indagações a respeito da
contaminação da dengue.

Localização e situação geográfica do Município


São Luís é um município maranhense localizado na mesorregião Norte maranhense,
microrregião da aglomeração urbana da grande São Luís, situando-se a 2º 31’ de latitude e 44º 18’
W de Longitude. São Luís (figura - 1) é capital do estado, com a maior população, estimada em
1.073.839 habitantes (IBGE, 2015) assentados em uma área de cerca de 830 km².

O município em sua parte ocidental é banhado pela Baía de São Marcos, enquanto que na
sua parte oriental é banhado pela Baía de São José. Na parte sul, é isolado do continente pelo canal
fluvial do Estreito dos Mosquitos. O município de São Luís faz divisa com São José de Ribamar a
Leste. A cidade está inserida na ilha do Maranhão, centro do golfão maranhense (figura - 1).

Figura – 1: Localização de São Luís.


Fonte: Acervo da pesquisa, 2017 (Dados IBGE, 2014).

Resultado da ocupação francesa, em 1612, São Luís, atual capital do estado do


Maranhão, é considerada a comunidade mais antiga do estado (FEITOSA e TROVÃO, 2009, p. 34).
Portanto, São Luís concentra as atividades humanas mais significativas e em decorrência, acaba por
registrar impactos sore a qualidade devida da população, sobretudo no que diz respeito a saúde..
A cidade de São Luís vem testemunhando um grande crescimento urbano. Feitosa e
Trovão (2006) observam a reclassificação do município de Centro sub-metropolitano, em 1987,
para Metrópole Regional em formação, a partir de 2003. Os autores justificam o fato mediante o
processo de crescimento vertiginoso da cidade ao longo das últimas décadas, a recuperação de seu
perfil industrial a partir da implantação dos grandes projetos industriais e de desenvolvimento
regional.
TRANSFORMAÇÕES ESPACIAIS EM SÃO LUÍS
O município de São Luís passou por uma rápida transformação de seu espaço
geográfico. Dados (IPEA, 2013) dão conta que desde os anos 2000 a população ludovicense vem
crescendo rapidamente, cerca de 860 mil habitantes em 2000 para cerca de um milhão de habitantes
em 2010, representando uma taxa de acréscimo populacional anual de 1,7%. Este é um indício da
rápida consolidação do processo de urbanização.
O fenômeno espacial de crescimento urbano de São Luís é traduzido pelo acréscimo do
número de setores censitários1 na cidade, evidenciando a expansão da área urbana. Pereira (2013)
observa que em comparação a 2000, o número de setores censitários (áreas com contorno escuro no
mapa) em São Luís subiu de 780 setores em para 1126 setores em 2010. Este dado também é outro
indicativo do aumento significativo do conglomerado populacional de São Luís. No mapa a seguir
(figura - 2) é demonstrada a evolução dos setores censitários em São Luís entre os anos de 2000 a
2010.

Figura – 2: Setores censitários em São Luís nos anos de 2000 e 2010.


Fonte: Acervo da pesquisa, 2017 (Dados IBGE, 2014).

QUALIDADE DE VIDA E INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS.

A qualidade de vida é definida pela OMS (1996) como “as percepções individuais sobre
sua posição de vida no contexto dos sistemas de cultura e de valores em que vivem, e em relação às
suas metas, expectativas, padrões e preocupações”. Trata-se de um conceito complexo, reunindo os

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O setor censitário é a menor unidade territorial, formada por área contínua, integralmente contida em área urbana ou
rural, com dimensão adequada à operação de pesquisas e cujo conjunto esgota a totalidade do Território Nacional, o que
permite assegurar a plena cobertura do País (IPEA, 2013).
domínios: físico, psicológico, nível de dependência, relações sociais, ambiente e aspectos
espirituais. O bom estado de cada domínio influi na qualidade de vida do indivíduo OMS (1996).

O termo qualidade de vida está associado a diversos discursos. É um termo abrangente,


conforme o conceito apregoado originalmente pela OMS. No âmbito da geografia, as discussões
estão voltadas a relação entre sociedade e ambiente com a saúde humana. Entende-se que os
aspectos sociais e ambientais, intrínsecos a qualidade de vida, influem na saúde do indivíduo. Dessa
forma a geografia busca intervenções nesses aspectos.

Mendonça (2004) observa o recente “ambientalismo geográfico”. Para o autor, passou-se


da descrição analítica do ambiente a “abordagem na perspectiva da interação sociedade-natureza e
propondo, de forma detalhada e consciente, intervenções no sentido da recuperação da degradação e
da melhoria da qualidade de vida do homem”. A visão holística e crítica introduzidas na Geografia
possibilitaram essas discussões uma vez que foi possível relacionar as causas sociais e naturais na
degradação da saúde humana.

Uma das ferramentas utilizadas nos estudos geográficos sobre a saúde humana, são os
indicadores sociais e ambientais. Januzzi (2009, p. 15) conceitua indicadores como “uma medida
em geral quantitativa dotada de significado social, substantivo, usado para substituir, quantificar ou
operacionalizar um conceito operacional abstrato”. Neste caso, os indicadores servem para elucidar
as condições socioambientais de um local, operacionalizando um conceito abstrato: o espaço social
e ambiental.

A possível destinação deste tipo de dados é dar indícios das condições qualidade de vida em
diversos locais no espaço. Januzzi (2009) reforça entre outras coisas, que os indicadores se prestam
a subsidiar as atividades de planejamento público e formulação de políticas sociais nas diferentes
esferas de governo. Os aspectos relacionados à qualidade de vida devem ser de interesse deste tipo
de estudo.

ARBOVIROSES EM SÃO LUÍS: O CASO DA DENGUE

A cidade de São Luís vem sofrendo nos últimos tempos infecções arbovíricas, a exemplo
do dengue. A capital do estado do Maranhão, São Luís, teve sua primeira epidemia em 1996, com
4.641 casos notificados (RIBEIRO JÚNIOR, 2016). Em especial, nos últimos anos vem e
observando um acréscimo no número de agravos notificados (FIGURA - 3). Estes números
denotam o agravamento da doença a partir dos anos 2000.
Figura – 3: Casos de dengue em São Luís de 2001 a 2015.
Fonte: RIBEIRO JÚNIOR, 2016.

Bani et al (2015) associou a infestação do mosquito da dengue aos determinantes


socioambientais em São Luís através de uma abordagem espacial pelos distritos sanitários do
município. Nos sete distritos sanitários da cidade (Bequimão, Centro, CoHab, Coroadinho, Tirirical,
Vila Esperança e Bacanga) foram encontradas condições propícias para proliferação do mosquito.
Nos locais visitados foram encontrados depósitos de lixo, córregos de esgoto a céu aberto,
asfaltamento precário entre outros problemas urbanos infraestruturais.

A partir do estudo, é foi apontada a relação “entre a concentração do registro dos óbitos de
dengue com as características dos espaços urbanos, bem representadas pelos bairros visitados nesta
pesquisa”. Cabe aqui ressaltar que a relação entre essas variáveis ocorre porque o estado da saúde
dos indivíduos se torna mais sensível ao habitarem áreas de vulnerabilidade socioambiental mais
intensa (BANI et al, 2015).

Para complementação de dados na pesquisa, foram feitas também pesquisas de campo. A


primeira no acompanhamento de visitas de agentes de saúde durante os LIRAa’s dos bairros
Macaúba e Bacanga. A segunda, ao longo de vários bairros da cidade onde foi possível observar
características espaciais que conferem a degradação da qualidade vida e ampliação da situação de
risco a doenças como a dengue. (figura - 3).
Figura - 4: Pontos visitados na cidade. A: Lixão a céu aberto, CoHab; B: Piscina abandonada no complexo esportivo
Canhoteiro, Outeiro da Cruz; C: Córrego de esgoto no Coroadinho; D: Afluente do rio Anil poluído, Vila Aurora;
E: Lixão a céu aberto, Ilhinha; F: Canal de esgoto sem proteção, Vila Palmeira.
Fonte: RIBEIRO JÚNIOR, 2017.

Todos os elementos da paisagem representados nas fotografias são indícios de áreas com
infestação do mosquito Aedes aegypti. Canais de esgoto a céu aberto, depósitos irregulares de
lixo, são fatores que propiciam a maior infestação do vírus da dengue. Dessa forma, pode se afirmar
que as populações humanas assentadas nessas áreas estão mais propensas a contração da doença
dada a sua vulnerabilidade socioambiental.

O LIRAa (Levantamento para Índice Rápido para Aedes aegypti) é uma metodologia
desenvolvida para gestores no controle municipal da dengue. Trata-se, fundamentalmente, de um
método de amostragem que tem como objetivo principal a obtenção de indicadores entomológicos,
de maneira rápida (BRASIL/MS, 2009). O LIRAa foi criado a partir do Programa nacional de
controle da dengue (2002), do governo federal.

Nas visitas do LIRAa realizadas pelos agentes de saúde, é verificada a existência de depósitos
potenciais a oviposição do mosquito Aedes aegypti. O procedimento de controle consiste na
remoção dos focos (quando há possibilidade) ou então aplicação de produtos químicos nos
criadouros. Os agentes de saúde também conscientizam os moradores das residências levantadas
sobre as práticas de prevenção do mosquito.

Conforme especificações da política nacional de Controle da Dengue (PNCD), os recipientes


com potencial de criadouros da larva do mosquito obedecem a seguinte classificação: Grupo A –
depósitos para armazenamento de água; Grupo B – depósitos móveis; Grupo C – depósitos fixos;
Grupo D – depósitos passíveis de remoção; Grupo E – depósitos naturais. A figura – 3 demonstra os
procedimentos realizados durante visitas dos LIRAa’s nos bairros da Macáuba e Bacanga.

Figura – 5: A: Coleta de material para análise laboratorial. B: Amostra com larvas do mosquito Aedes aegypti. C:
Tanque, grupo C. D: Depósitos removíveis, grupo D. E: Manilha grupo C. E: Diversos depósitos removíveis, grupo C.
Fonte: RIBEIRO JÚNIOR, 2017.

A conscientização sobre praticas de prevenção das larvas do mosquito é muito importante.


Ressalta-se que o abastecimento de água em São Luís é deficitário, obrigando dessa forma, os
moradores a armazenarem água para o uso doméstico, muitas vezes de forma inadequada. Com
isso, ocorre a possibilidade do mosquito depositar seus ovos nos recipientes desprotegidos.
Também é importante a coleta de material para análises de laboratório.

CASOS DE DENGUE EM SÃO LUÍS DE 2007 A 2012

Quando se faz um balanço da situação da dengue no município de São Luís, relacionado a


registros de agravos e óbitos por dengue no banco de dados DATASUS no Sistema único de saúde
(SUS), é possível ter uma melhor dimensão numérica do problema na cidade.

Os agravos de Dengue notificados entre 2007 a 2012 demonstram (figura - 6), obedecendo às
categorias “Escolaridade” e faixa “Etária” assim como os gêneros masculino e feminino, a
predominância de ocorrências na categoria “Analfabeto” referente à variável “escolaridade” em
ambos os sexos como, também as categorias “15 a 39 anos” e “15 a 39 anos” referentes
respectivamente aos gêneros masculino e feminino em “Faixa etária”. Estes dados revelam a grande
incidência de Dengue em grupos sociais fragilizados e em grupos economicamente ativos.
Figura – 6: Agravos e notificações de Dengue em São Luís (2007-2012)
Fonte: Acervo da pesquisa, 2017 (Fonte: Dados SINAN/MS, 2015).

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As arboviroses são doenças trazidas à baila no cenário mundial na atualidade por um contexto
de desigualdade social e ambiental do espaço urbano. A reemergência dessas doenças acontece
devido às contradições do espaço urbano: serviços urbanos ineficientes possibilitam a instalação e
infestação das arboviroses como ilustrado pelo estudo sobre a dengue em São Luís.
Se percebe a qualidade de vida como um grande apontador da arbovirose. Muitos grupos
populacionais no município de São Luís vivem em áreas com grande degradação da qualidade de
vida. Como foi exposto na pesquisa, nestas áreas, são verificadas condições para instalação e
proliferação do mosquito Aedes aegypti.
As áreas pobres da cidade, com intensa concentração de aglomerados subnormais, devido
suas condições de vulnerabilidade socioambiental apresentam maior propensão à contaminação do
arboviroses, sobretudo o dengue. É evidente que as ações de controle vetorial do município devem
se concentrar nessas áreas visto o grande risco de infecção do vírus do dengue em virtude da
degradação da qualidade de vida.
Os resultados obtidos na pesquisa demonstram grande contribuição no enfrentamento do
problema. As geotecnologias possibilitam uma melhor compreensão de problemas relacionados a
questão urbana e saúde pública. Os mapeamentos de áreas socioambientalmente degradadas a partir
da distribuição espacial dos indicadores socioeconômicos auxiliam nas políticas públicas. Através
do apontamento das áreas críticas é possível concentrar os esforços das políticas públicas de
melhoria das condições de vida dos moradores dessas áreas.
Neste sentido, é imperativo o maior uso e aplicação dos indicadores socioambientais
estudados no planejamento da cidade. Eles podem auxiliar na explicitação das condições de vida
presentes nas paisagens urbanas. O serviço vem sendo relativamente feito através do LIRAa. Este
serviço exerce papel importante como ferramenta de avaliação e controle da Dengue relativo ao
plano municipal de saúde.
No entanto, o enfrentamento do problema também deve ter contribuição da universidade. A
noção sistêmica e holística dos problemas ambientais urbanos e a importância do monitoramento a
partir de indicadores aqui abordados devem ser reconhecidas nos planos municipais de controle da
virose. É preciso que haja o maior reconhecimento dos setores da sociedade sobre a relação entre os
problemas ambientais urbanos e a incidência das doenças arbovíricas, como demonstrado a partir do
vírus da dengue.

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