You are on page 1of 7

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.

br

Guia resumido para


projetos cofinanciados
Manual de
Financiamentos
Externos

C
riado para orientar os mutuários ou potenciais ções, além da nova versão do sistema da SEAIN (Sis-
tomadores de recursos externos, o Manual de tema de Gerenciamento Integrado da SEAIN - SIGS)
Financiamentos Externos foi elaborado pela para recebimento de pleitos destinados à contrata-
Secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério ção de operações de crédito externo em conformi-
do Planejamento, Orçamento e Gestão - SEAIN/MP. dade com a legislação vigente.
Para facilitar o processo, enxugamos o conteúdo
e apresentamos um guia com os principais passos As orientações contidas nesse material servem
do método de contratação de operações de crédito como facilitadoras na busca, na manutenção e na
externo com organismos internacionais de financia- prestação de contas aos órgãos financiadores inter-
mento. nacionais.

Projetos ou programas são autorizados a saírem do


papel pela Comissão de Financiamentos Externos –
COFIEX, órgão colegiado integrante da estrutura do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão,
Confira neste guia os principais
com aval final do Ministro de Estado do Planejamen- passos para contratação de
to, Orçamento e Gestão. Portanto, é fundamental operações de crédito externo.
prestar atenção a todas as etapas de planejamento
listadas neste documento. Confira todas as informa-

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 1


Comissão de Financiamentos
Externos – COFIEX

A COFIEX - Comissão de Financiamentos Externos é o órgão no site do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
colegiado do Ministério do Planejamento, Orçamento e Ges- A comissão analisa ainda os pedidos de alterações de questões
tão (MP) que identifica, examina e avalia as solicitações de técnicas e financeiras de projetos em execução.
financiamento externo, seja ele reembolsável ou não. A comis-
são se reúne periodicamente para avaliar uma lista de projetos Cabe à SEAIN o apoio administrativo ao funcionamento da CO-
pré-classificados – que passam antes pelo crivo da SEAIN (Se- FIEX e aos seus grupos de trabalho. De acordo com o Decreto
cretaria de Assuntos Internacionais), órgão que responde pela nº. 8.189, de 21 de janeiro de 2014, cabe à secretaria, no que diz
Secretaria Executiva da comissão – e recebem ou não parecer respeito à Comissão de Financiamentos Externos:
favorável. formular diretrizes, planejar, coordenar as políticas e ações
para a negociação de programas e projetos do setor pú-
A Comissão avalia projetos que buscam recursos externos vin- blico;
dos de Organismos Multilaterais ou Bilaterais de Financiamen- avaliar pleitos de programas ou projetos do setor público;
to, como o Banco Mundial (BIRD) e o Banco Interamericano de assegurar que os contratos a serem negociados tenham
Desenvolvimento (BID). Para a avaliação é preciso preencher a projetos compatíveis com a autorização dada pela COFIEX;
Carta-Consulta, instrumento que deve conter a proposta de- acompanhar a execução de programas e projetos aprova
talhada – desde a previsão de custos até o planejamento da dos pela COFIEX e recomendar, quando necessário, altera-
obra, por exemplo. A Carta-Consulta é preenchida diretamente ções em sua implementação.

1.1 Grupos técnicos GTAP


Grupo de Trabalho
Interministerial para Análise
da COFIEX de Projetos de Meio Ambiente

São dois os grupos técnicos que apoiam as análises da COFIEX:


Responsável pela análise de projetos candidatos a apoio ex-

GTEC
terno do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (Global Envi-
ronment Facility – GEF), conforme disposto no Capítulo II, art.
Grupo Técnico da COFIEX 4º, do Anexo da Resolução COFIEX nº 290, de 1º de setembro
de 2006. Para mais informações sobre o Global Environment
Facility, acesse o site www.thegef.org.
Instituído pelo art. 9º, do Decreto n.º 3.502, de 12 de junho de
2000, assessora a COFIEX no desempenho de suas funções,
principalmente nas avaliações e nos exames técnicos:
a) das propostas de projetos ou programas com apoio finan-
ceiro externo, reembolsável ou não, de acordo com os requisi-
tos dos artigos 4º, 5º e 6º, do Decreto nº 3.502, de 2000;
b) de alterações em projetos ou programas em execução, com
apoio externo, nos casos que necessitem de modificações nos
instrumentos contratuais;
c) da agenda preliminar das reuniões da COFIEX, de acordo
com o Regimento Interno da Comissão, § 5º, do art. 5º, do Ane-
xo à Resolução COFIEX nº 290, de 1º de setembro de 2006.

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 2


1.2 Diretrizes básicas da COFIEX

ELEGIBILIDADE DOS PROJETOS NO CASO DE ENTIDADES DO GOVERNO


FEDERAL, SERÃO OBSERVADOS:
A elegibilidade de projetos está entre as diretrizes básicas
de identificação e avaliação de projetos que podem ou não
receber financiamento externo. Todo projeto encaminhado o enquadramento do projeto
para avaliação deve estar alinhado às diretrizes do Governo dentro dos programas e das

A
Federal e suas prioridades, no que se refere à política de desen- ações e a existência de recursos
volvimento social da união. Os seguintes requisitos mínimos previstos no Plano Plurianual - PPA
são solicitados de acordo com os artigos 4º, 5º e 6º do Decreto compatíveis com o pleito bem como
n.º 3.502, de 12 de junho de 2000, e da Resolução COFIEX n.° a observância de fontes de recursos
291, de 1° de setembro de 2006: vinculadas, alternativas
ao financiamento externo;

existência de recursos orçamentários

1 B
compatibilidade do projeto com na Lei Orçamentária Anual - LOA
as prioridades do Governo Federal e e, quando for o caso, na proposta
com as metas fiscais do setor público; orçamentária para o exercício
seguinte;

2
compatibilidade do financiamento

C
externo com as políticas do compatibilidade do pleito com a pro-
Governo Federal; gramação orçamentária e financeira
do Tesouro Nacional.

3
avaliação dos aspectos técnicos
do projeto e do desempenho da
carteira de projetos em execução do ESTADOS, MUNICÍPIOS E SUAS ENTIDADES, EMPRESAS
proponente mutuário e do executor. PÚBLICAS OU DE SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA,
INCLUSIVE AS FEDERAIS, DEVEM RESPEITAR AS SEGUINTES
CONDIÇÕES, QUANDO APLICÁVEIS:

existência de capacidade de

A pagamento e de aporte de
contrapartida do proponente
mutuário, apurada pelo Ministério
da Fazenda;

avaliação do cumprimento do

B
contrato de renegociação da dívida
entre o proponente mutuário e a
União e do programa de ajuste fiscal
a ele associado, quando existirem;
A elegibilidade de projetos

C
está ligada diretamente às informação quanto à adimplência
diretrizes do Governo Federal com relação às metas e aos
compromissos assumidos com
e suas prioridades. a União.

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 3


1.2 Diretrizes básicas da COFIEX

ROTEIRO PARA PLEITOS À COFIEX


Antes da solicitação de aporte externo, é importante que o
mutuário procure o agente financeiro adequado à proposta
para se certificar se há interesse em financiar o projeto. Impor-
tante: as condições financeiras da operação de crédito externo
devem estar em dia.

ENCAMINHAMENTO DO PLEITO À SEAIN APRECIAÇÃO DO PLEITO PELO GTEC


Para solicitar a autorização de preparação de projetos Chegou a hora da apresentação técnica do projeto. A SEAIN/
à COFIEX, o mutuário deve entrar no link MP convida o mutuário a fazer uma exposição para subsidiar
http://www.sigs.planejamento.gov.br/sgs e seguir a análise da proposta, que não garante o imediato encami-
o tutorial. Depois do acesso, basta optar pelas seguintes nhamento à COFIEX. Esteja preparado: poderão ser solicita-
modalidades: das informações adicionais que possibilitem o parecer final
dos membros do GTEC.

A operação de crédito externo;

B contribuição financeira não reembolsável; APRECIAÇÃO DO PLEITO PELO GTAP


Quando o projeto for relacionado ao Fundo para o Meio Am-

C contribuição financeira não reembolsável – GEF; biente Mundial (Global Environment Facility – GEF), a solici-
tação de recursos deverá ser acompanhada de formulários

D
específicos, além da Carta Consulta. Os formulários estão no
cooperação técnica – GEF; link: http://www.thegef.org/gef/guidelines_templates.

E operação comercial.
As solicitações serão analisadas pelos membros do GTAP,
que irão deliberar sobre a proposta apresentada. Caso seja
verificado que os recursos não serão alocados no orçamen-
to público, a SEAIN/MP endossará a proposta e encaminhará
Antes do envio pelo sistema, o pleito deverá estar assinado
diretamente à agência executora do projeto. Caso os recur-
eletronicamente pelos seguintes dirigentes:
sos forem designados no orçamento público, a solicitação

A
é remetida à COFIEX para apreciação.
Ministro de Estado, quando o proponente
mutuário for a União;

titular máximo dos poderes legislativo e

B judiciário, quando o proponente mutuário for


um órgão do poder legislativo ou do poder
judiciário;
Antes de solicitar aporte externo,
C Governador, quando o proponente mutuário
for o estado; é importante procurar o agente
financeiro adequado à proposta
D Prefeito, quando o proponente mutuário
for o município; para saber se há interesse em
financiar o projeto.
E
pelo presidente, quando o proponente
mutuário for autarquia, empresa estatal
ou sociedade de economia mista.

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 4


1.2 Diretrizes básicas da COFIEX

PREPARAÇÃO DO PROJETO
O processo de preparação do projeto se baseia nas exigên-
cias de cada agente financiador, que realiza missões técni-
cas com o objetivo de preparar o projeto em conjunto com
o proponente mutuário. Depois de sua conclusão, o agente
financiador organiza as minutas contratuais e encaminha
à SEAIN/MP para que a Secretaria do Tesouro Nacional (STN/
MF), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN/MF)
e o proponente mutuário tomem conhecimento. O pró-
ximo passo é o mutuário abrir um processo na Coordena-
ção-Geral de Operações Financeiras (COF) da PGFN/MF, no
caso de pleitos relacionados à União, ou junto à Coordena-
ção Geral de Operações de Crédito de Estados e Municípios
(COPEM), da STN/MF, para pleitos relacionados aos entes
subnacionais. O Manual de Instrução de Pleitos (MIP) serve
de auxílio para o fornecimento de todas as informações ne-
APRECIAÇÃO DO PLEITO PELA COFIEX cessárias para a análise da proposta.
Regularmente a COFIEX aprecia os pleitos e delibera da se-
guinte forma:

a) RECOMENDAÇÃO: depois da autorização da prepara-


ção do projeto, a Recomendação é submetida ao Ministro NEGOCIAÇÕES COM O AGENTE FINANCIADOR
de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão para ra- A fase de negociação de minutas contratuais é dividida em
tificação. Os contratos não negociados em até 24 meses duas reuniões: uma de análise e discussão e uma para a ne-
perdem a validade da recomendação. No entanto, o prazo gociação propriamente dita, ambas agendadas pela SEAIN/
pode ser prorrogado pelo Secretário-Executivo da COFIEX MP com a participação de representantes da STN/MF, da
por mais 12 meses. PGFN/MF e do proponente mutuário, incluindo represen-
tante de sua área jurídica. Depois da negociação é preciso
b) RESOLUÇÃO: quando a COFIEX autoriza a 2ª prorroga- atender os requerimentos exigidos pelo Ministério da Fa-
ção do prazo de validade da Recomendação COFIEX. zenda (STN e PGFN) para encaminhamento do processo ao
Senado Federal. Caso haja dúvidas basta consultar a Secre-
c) COMUNICAÇÃO: é feita ao proponente mutuário e ao taria do Tesouro Nacional (STN/MF) e a Coordenação Geral
agente financiador quando aprovado o projeto. Quando a de Operações Financeiras da PGFN/MF.
COFIEX rejeita o pleito ou retira-o de pauta, o proponente
mutuário é informado. Os pleitos retirados de pauta que
não tenham sido complementados com as informações ne-
cessárias para sua avaliação em 12 meses são arquivados.
Depois disso, é realizada a publicação no Diário Oficial da
União (D.O.U.)
O processo de preparação
do projeto se baseia nas
exigências de cada agente
financiador.

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 5


PASSO A PASSO:
Ações prévias à contratação da operação de empréstimo externo

1
Aprovação pela diretoria do agente financiador
As minutas contratuais negociadas partem para aprovação da operação
de crédito pela Diretoria Executiva dos agentes financiadores. Esse processo leva
no mínimo 30 dias a contar do término da negociação. No entanto, alguns agentes
financiadores aprovam a operação de crédito previamente ao processo
de negociação.

2
Exposição de motivos ao presidente da república e envio
de mensagem ao senado federal
A PGFN/MF, de posse do credenciamento provisório da operação junto
ao BACEN (ROF – Registro de Operações Financeiras), emite parecer sobre as
minutas e elabora a Exposição de Motivos do Ministro da Fazenda ao Presidente
da República, solicitando o envio de mensagem ao Senado Federal, com vistas
à autorização da contratação e/ou à concessão de garantia da União. Se o contrato
estiver em língua estrangeira, a solicitação do registro deve ser enviada com
tradução juramentada do contrato e cópia da versão original.

3
Deliberação do senado federal
O Senado Federal autoriza a contratação da operação de crédito externo e/ou
a concessão da garantia da União mediante Resolução específica publicada no
D.O.U., válida por 540 dias a contar da data de sua publicação.

PROVIDÊNCIAS FINAIS
Para efetivar o contrato, o mutuário deve seguir, além das
disposições contratuais, os seguintes encaminhamentos,
permitindo assim o desembolso dos recursos:

a) Solicitar ao BACEN o Registro da Operação Financeira -


ROF. Se o contrato estiver em língua estrangeira, a solicita-
ção deve ser acompanhada da tradução juramentada do
contrato e da cópia da versão original.
CONTRATAÇÃO DE FINANCIAMENTOS EXTERNOS b) Solicitar parecer sobre os aspectos legais do contrato as-
A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, depois de reu- sinado (ao órgão jurídico de sua esfera de competência) e
nir o parecer final da STN/MF com manifestação formal do o encaminhar a PGFN/MF, que emite seu parecer legal, na
agente financiador quanto ao cumprimento das condições qualidade de representante legal do mutuário da operação,
especiais prévias ao primeiro desembolso, da Resolução do nos termos da Portaria MEFP n.º 650, de 01 de outubro de
Senado Federal e da aprovação da operação pela Diretoria 1992;
Executiva do agente financiador, prepara a autorização do c) Publicar o extrato do Contrato de Empréstimo externo no
Ministro da Fazenda para a contratação da operação de cré- D.O.U., informando a espécie e o valor da operação, as partes
dito externo e/ou para a concessão de garantia da União. envolvidas, o objeto do financiamento, a data da celebração
A partir disso a assinatura do contrato pode ser agendada. do contrato de empréstimo e seus representantes.

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 6


Esperamos que a essência do Manual
de Financiamento Externos facilite o
entendimento e sirva como uma síntese
orientativa e assertiva para os gestores
públicos tomadores de recursos externos nas
diferentes etapas do processo de contratação
do empréstimo com os organismos
internacionais de financiamento.

Destacamos a importância de seguir os


passos detalhados neste instrumento para
que a preparação de projeto ou programa
seja otimizada e que todo o processo
de contratação de operações de crédito
externo com organismos internacionais
de financiamento seja um sucesso.

Esperamos que a leitura tenha sido


proveitosa. Até a próxima!

E-GESTÃO PÚBLICA
www.e-gestaopublica.com.br

Uma iniciativa

E-GESTÃO PÚBLICA | www.e-gestaopublica.com.br 7