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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2015.0000580953

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 1027680-

90.2014.8.26.0053, da Comarca de São Paulo, em que é apelante VIANORTE S/A,

são apelados ARTESP (AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS

DELEGADOS DE TRANSPORTE DO ESTADO DE SÃO PAULO) e FAZENDA

DO ESTADO DE SÃO PAULO.

ACORDAM, em 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de

São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Rejeitaram as preliminares e negaram

provimento ao recurso. Sustentou oralmente, pelo apelante Vianorte S/A, o dr.

Candido da Silva Dinamarco e pelo apelado ARTESP e Fazenda do Estado de São

Paulo, a dr. Maria Clara Falavignia.", de conformidade com o voto do Relator, que

integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores OSCILD

DE LIMA JÚNIOR (Presidente) e JARBAS GOMES.

São Paulo, 4 de agosto de 2015.

Luis Ganzerla RELATOR Assinatura Eletrônica

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11ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO

APELAÇÃO Nº 1027680-90.2014.8.26.0053

APELANTE: VIANORTE S.A.

SÃO PAULO

VOTO N.º 24.061

APELADAS: ARTESP - AGÊNCIA REGULADORA DE SERVIÇOS PÚBLICOS DELEGADOS

DE TRANSPORTE DO ESTADO DE SÃO PAULO E FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

CONTRATO ADMINISTRATIVO - Ação declaratória de nulidade Pretensão à implementação de reajuste na tarifa do pedágio no percentual de 6,3749%, em oposição ao determinado pela ARTESP (5,581606%) Alegação de erro nos cálculos e na metodologia aplicada não comprovada Observância das formalidades e dos princípios constitucionais do contraditório, a ampla defesa e devido processo legal no processo administrativo instaurado para alteração dos índices de reajuste das tarifas, a fim de recompor o equilíbrio econômico-financeiro do contrato Sentença de improcedência mantida Recurso não provido.

A apelante, Vianorte S/A, ajuizou ação declaratória de nulidade dirigida a ARTESP Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo e ao Estado de São Paulo, com o intuito obter a anulação da Deliberação Ordinária de 26 de junho de 2014, editada pelo Conselho Diretor da ARTESP, no tocante a autorização de compensação dos valores que especifica com o reajuste determinado do pedágio do ano de 2014, constante no processo administrativo da ARTESP nº 015.540/2013.

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Explica ter a demandada ARTESP - Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo editado referida Resolução para que a tarifa de pedágio paga pelo usuário sofresse reajuste de apenas 5,581606%, de forma a estabelecer compensações com as concessionárias de rodovias v.g. redução da taxa de fiscalização e início da cobrança de pedágio nos eixos suspensos -- ao invés da porcentagem pretendida de 6,3749%, esta validada pela Resolução como o devido reajuste.

fls. 1052

Alega desrespeito aos princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, pois não consultada antes das homologação das medidas compensatórias lançadas no processo administrativo nº 015.540/2013, as quais foram aplicadas de forma equivocada, sem reprodução dos cálculos utilizados para atingir a equivalência entre as medidas compensatórias e o abatimento no reajuste tarifário.

Salienta sofrer prejuízo de difícil reparação, pois o pagamento a menor das tarifas pelos usuários jamais será reparado, motivo pelo qual pleiteou a antecipação da tutela, para suspensão dos efeitos da Deliberação Ordinária da ARTESP, a fim de assegurar a aplicação integral do reajuste tarifário, na base de 6,3749% (fls.

1/41).

Sobreveio

r.

decisão

de

indeferimento

da

tutela

de

urgência, sob o fundamento de necessária a prévia ouvida dos ora apelados, inclusive em razão dos reflexos econômicos irreversíveis à população (fls. 330/331, 335/336 e 337).

Na sequência, interpôs a acionante agravo de instrumento, não provido (AI nº 2117000-02.2014.8.26.0000, São Paulo, DM

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22.263-AI, desta relatoria, j. 22.07.2014

fls. 241/394 e 399/405).

fls. 1053

Saneado o feito, deferiu-se a prova pericial contábil, indeferida a de engenharia, motivo pelo qual, recorreram ambas as partes, via recursos de agravo de instrumento, as acionadas sob o entendimento da desnecessidade da contábil e a demandante com o intuito de realizar, também, a de engenharia (fls. 752/754, 764/784,

785/802).

Ambos os recursos restaram desprovidos por decisões monocráticas desta relatoria (AI nº 2222311-79.2014.8.26.0000, São Paulo, DM 23.081-AI, j. 08.04.2015 e AI nº 2221578-16.2014.8.26.0000, São Paulo, DM 23.632-AI, j. 16.04.2015 fls. 873/878 e 881/887).

Posteriormente, a ora recorrente pleiteou o julgamento de plano, independentemente de outras prova.

Sobreveio r. sentença de improcedência, condenada a demandante no pagamento das custas processuais e verba honorária da parte contrária de 10% do valor da causa (fls.

888/892).

Inconformada, recorre a vencida, em busca de inverter o decidido, com preliminar de nulidade da r. sentença por fundamentação deficiente e cerceamento de defesa ante a não realização de prova contábil. Alega, ainda: desrespeito aos princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, pois não consultada antes das homologação das medidas compensatórias lançadas no processo administrativo nº 015.540/2013; imprestabilidade do relatório técnico elaborado pela empresa Praxian, o qual obteve resultado financeiro equivocado da redução

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da outorga variável, pois o período de vigência do desconto foi equivocadamente considerado; nulidade da Deliberação ordinária de 26.06.2014 em consequência da nulidade do processo administrativo da qual foi originada; utilização de índice de reajuste pela ARTESP diferente do previsto no contrato de concessão; quebra do equilíbrio econômico-financeiro do contrato; e ofensa ao princípio da segurança jurídica (fls. 895/952).

Contrariado o apelo, os autos foram remetidos a este E. Tribunal (fls. 958/994).

É o relatório, em acréscimo ao da r. decisão recorrida.

sentença por

fundamentação deficiente, a qual, embora resumida, decidiu todos os temas colocados a julgamento.

Não

se

verifica

a

nulidade

da

r.

Ademais “o juiz não está obrigado a responder todas as alegações das

partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se obriga a ater-se aos fundamentos indicados por elas e tampouco a responder um a

um todos os seus argumentos” (RJTJESP 115/207).

Com relação ao alegado cerceamento de defesa ante a não realização de prova contábil, sobre o tema, dispõe o art. 130, do Cód. Proc. Civil:

Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias à instrução do processo, indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias.

Por certo, as provas destinam-se ao convencimento do juiz acerca dos fatos que compõem e delimitam a lide. Cabe a ele, portanto, discernir quais provas deverão, ou não, ser produzidas.

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A respeito, leciona HUMBERTO THEODORO JUNIOR, em sua obra, Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 48ª ed., 2008, p.

481:

“Toda prova há de ter um objeto, uma finalidade, um destinatário, e deverá ser obtida mediante meios e métodos determinados. A prova judiciária tem como objeto os fatos deduzidos pelas partes em juízo. Sua finalidade é a formação da convicção em torno dos mesmos fatos. O destinatário é o juiz, pois é ele que deverá se convencer da verdade dos fatos para dar solução jurídica ao litígio.”

Outrossim,

a

questão

foi

analisada

por

ocasião

do

julgamento

dos

agravos

de

instrumento

nºs

2222311-79.2014.8.26.0000 e 2221578-16.2014.8.26.0000, em decisões monocráticas desta relatoria DM 23.081-AI, j. 08.04.2015 e DM 23.632-AI, j. 16.04.2015, respectivamente.

Ademais, a própria apelante afirmou ser dispensável a realização da apontada prova, ao expor, em petição, que, “[e]m atenção ao R. despacho de fls. 854, a VIANORTE vem retificar sua

petição de especificação de provas de fls. 751, para o fim de requerer, em caráter principal, o julgamento antecipado do mérito do presente processo. Assim o faz por entender que diversos fundamentos autônomos constantes de sua petição inicial já foram demonstrados documentalmente, sendo despicienda, pois, a produção de outras provas (v.g., nulidade absoluta do processo administrativo instaurado pela ARTESP, com múltiplas ofensas ao contraditório e à ampla defesa; impossibilidade de se impor o resultado de um cálculo de reequilíbrio em um processo

instaurado com o mero propósito de reajustar a inflação na tarifa etc.).

em prol da economia processual, em caráter principal pede-

se o julgamento antecipado do mérito e, apenas em caráter

)Assim, (

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subsidiário, caso se entenda que remanesce a necessidade de produção de outras provas para a demonstração do direito da autora, é que se ressalva o interesse na produção da prova pericial de contabilidade já deferida por este MM. Juízo (fls. 752-754).” (grifo nosso, fls. 870/871).

Desta forma, acertada a dispensa de prova desnecessária, assim entendido pela própria recorrente, ainda que depois de seu deferimento

0179404-31.2011.8.26.0000, Guarulhos, rel. DES. VICENTE DE ABREU AMADEI, j. 27.09.11; AI nº 0230265-21.2011.8.26.0000, Cubatão, rel. DES. URBANO RUIZ, j. 24.10.11; AI nº 0041147-89.2012.8.26.0000, São Paulo, rel. DES. COIMBRA SCHMIDT, j. 13.04.12; AI nº 0306978-37.2011.8.26.0000, Santos, rel. DES. VALDECIR JOSÉ DO NASCIMENTO, j. 08.05.12 e AI nº 0089801-10.2012.8.26.0000, Araraquara, rel. DES. PIRES DE ARAÚJO, j. 06.08.12, este com a seguinte ementa:

Nesse

sentido,

os

v.

arestos

proferidos

no

AI

“Prova. Decisão que indeferiu a realização de prova pericial. Cabe ao

juiz

aferir

sobre

a

pertinência ou não da realização das provas.

Inteligência do artigo 130, do CPC. Indeferimento de provas que não se mostra desarrazoado. Recurso improvido.”

Por outro lado, é certo que o contrato de concessão celebrado pelas partes, por sua cláusula 26.1, previu o reajuste da Base Tarifária Quilométrica em periodicidade anual e conforme critérios, fórmulas e datas constantes do anexo XVI da avença, ou seja, o IPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (fls.

74).

No entanto,

a

Lei

nº 8.666,

de 21

de junho de 1993, a

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disciplinar os contratos da Administração Pública, prevê a possibilidade de alteração dos contratos:

Art. 65 - Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos:

I - unilateralmente pela Administração:

a) quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos;

b) quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei;

(

)

§ 5º - Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso.

Ademais, a possibilidade de revisão do contrato a fim de restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da avença, no binômio encargo-remuneração, está expressamente prevista na cláusula 24.3 do contrato desse contrato (fls. 73).

Isso desde que se proceda a devida compensação econômica do contratado. Foi justamente o sucedido no presente caso, pois, consta dos autos, a administração procedeu a abertura do processo administrativo da ARTESP nº 015.540/2013, o qual culminou com a Deliberação Ordinária de 26 de junho de 2014, editada pelo Conselho Diretor da ARTESP, a autorizar a redução do reajuste da tarifa do pedágio com relação ao avençado.

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O processo administrativo deve observar o previsto no art.

5.º, LV, da Constituição Federal, o qual possui a seguinte redação:

“Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.”

Pelos documentos acostados aos autos, constata-se terem sido iniciados estudos pela ARTESP em agosto de 2013 e, posteriormente, instaurou-se o Processo Administrativo nº 015.540/2013, o qual culminou com a Deliberação Ordinária de 26 de junho de 2014, editada pelo Conselho Diretor da ARTESP, no tocante a autorização de compensação dos valores que especifica com o reajuste determinado do pedágio do ano de 2014.

A concessionária-apelante efetuou, por mais de uma vez,

pleito de cópia integral do processo administrativo e das planilhas eletrônicas, o que lhe foi fornecido. Outrossim, após a apresentação das conclusões da empresa de consultoria Praxian contratada pela acionante, a demandada solicitou oportunidade para apresentar estudo detalhado considerando as variáveis aplicáveis ao caso, no entanto, não apresentou tal estudo. Ainda, houve outras manifestações da ora apelante no processo administrativo, inclusive

com interposição de recurso (fls. 59, 61, 73/74, 78, 80, 83/84, 98/108, 110, 113/123 e 125).

Desta forma, foram observados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e do contraditório, concedidas à recorrente oportunidades possíveis de manifestação sobre os atos do processo e de exposição de sua perspectiva, em âmbito administrativo.

Alega a apelante a ocorrência de inúmeras falhas na

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conduta dos apelados, de forma a demandar a análise de contratos, aditivos, deliberações e o próprio estudo intentado para implementação das compensações combatidas na ação.

Assim, não restou demonstrado o direito invocado pela apelante. Não logrou apresentar o prejuízo experimentado com a adoção do percentual de 5,581606% como reajuste tarifário, em oposição aos pretendidos 6,3749%, consideradas as compensações outorgadas pelo Poder concedente, em razão do aumento da arrecadação auferido pela acionada.

Ressalte-se, a diferença entre os reajustes o implantado e o pretendido - é inferior a 0,8%, a qual, com a devida permissão, não tem o condão de obstar a devida manutenção das rodovias ou acarretar prejuízos outros aos usuários, como levantado pela apelante. Não se olvide, ainda, a autorização de cobrança dos eixos suspensos dos caminhões, dentre outras medidas, a aumentar a arrecadação de receita pelas concessionárias.

sobre o tema, bem JUSTEN FILHO:

E

espelha a doutrina de MARÇAL

“O princípio da intangibilidade da equação econômico-financeira do contrato administrativo beneficia também a Administração Pública. Se as condições extraordinárias produzirem benefício extraordinário e imprevisível par ao particular, a vantagem não poderá ser embolsada

por ele.” (in Curso de Direito Administrativo, 3ª ed., Editora Saraiva, pág. 437).

Registre-se, por fim, a Egrégia Presidência deste Tribunal suspendeu liminares concedidas em quatro ações movidas por concessionárias, em casos a envolver a mesma questão ora

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discutida, no Pedido de Suspensão de Liminares nº

2132554-74.2014.8.26.0000, j. 13.08.2014, rel. DES. RENATO NALINI, com a seguinte passagem, ora transcrita pela sua propriedade e relação direta com o presente caso:

“No caso, as decisões questionadas permitem que as Concessionárias reajustem as tarifas de pedágio com base no índice integral apurado pelo IPCA (6,3749%), então em substituição ao definido pela ARTESP, que autorizou um reajuste de 5,29%. Em que pese bem fundamentadas as decisões, justifica-se a suspensão de seus efeitos, pois, a par de presente o interesse público primário, necessário para afastar o risco de grave lesão à ordem e à economia públicas. Na hipótese vertente, a subsistência dos efeitos das decisões questionadas compromete, prima facie, a manutenção da equação econômico-financeira do ajuste. Em princípio, e a partir de um juízo mínimo de delibação, o reajuste determinado afeta política pública em desenvolvimento, que, no caso, objetiva alcançar maior justiça tarifária e realizar o princípio da modicidade das tarifas. Contraria, ao que consta, o espírito da Resolução SLT Nº 4 da Secretaria de Logística e Transportes, que, em 2013, estabeleceu medidas de mitigação e reequilíbrio contratual, contra as quais, parece, as concessionários não se insurgiram. Ao reverso, a revisão determinada pela ARTESP, aplicada com respaldo em cláusula contratual, está em sintonia com a política pública em comento, e levou em consideração o aumento da arrecadação auferido pelas concessionárias no último ano. Em outras palavras: num exame superficial, o reajuste conforme o índice contratual convencionado não realiza, in concreto, o fim a que se destina; não se presta a resguardar a equivalência efetiva entre as prestações e o preço. E isso diante do impacto causado pelas medidas de mitigação e de reequilíbrio contempladas na Resolução SLT nº 4 acima referida. Por outro lado, não há dúvida que o reajuste discutido afetará os usuários, que, é certo, uma vez desacolhido o pedido das concessionárias, terão enorme dificuldade para reaver os valores que foram indevidamente desembolsados. Ao contrário, caso ao final acolhido o pedido, as concessionários mais facilmente obterão a adequação dos contratos. Sob outro prisma, resta evidente os efeitos imediatos do reajuste sobre a

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economia, seus reflexos sobre os valores de produtos e serviços, seu impacto, enfim, sobre a inflação. Ora, o aumento será certamente internalizado nos custos dos bens que, em função das exigências do tráfego negocial, circulam pelas rodovias exploradas pelas concessionárias. Vale dizer, no caso em apreço, fica caracterizado o risco concreto de dano reverso. Ou seja, o perigo de dano inverso é mais acentuado, o que igualmente justifica a suspensão perseguida, à luz do

princípio da proporcionalidade.”

O caso é, assim, de rejeição das preliminares e de não provimento do recurso interposto por Vianorte S/A nos autos da ação dirigida a ARTESP Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo e ao Estado de São Paulo (ref. proc. nº 1027680-90.2014.8.26.0053 3º Ofício da Fazenda Pública de São Paulo, SP), mantida a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos.

Consigne-se, para fins de prequestionamento, inexistir ofensa aos artigos de lei mencionados, pois debatidos, analisados e decididos, prescindíveis as referências numéricas expressas (cfe.

STF, RE 184347-SP, rel. MIN. MARCO AURÉLIO, j. 16.12.97; STJ,

AgRg no REsp j. 22.02.2011).

1066647-SP, rel. MIN. ADILSON VIEIRA MACABU,

LUIS GANZERLA

RELATOR

(assinatura eletrônica)

Apelação nº 1027680-90.2014.8.26.0053 - São Paulo - V 24.061 - Página 12/12