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Joana de Sousa Coutinho

Avogadro e Cannizzaro formularem a teoria atómica. tal como a conhecemos hoje. a energia de uma plataforma a ser içada. Joule e outros. mas. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho 1. controlar e utilizar a transferência de energia – quer seja energia atómica. do ambiente. Para tal houve que esperar cerca de dois séculos até Dalton.Porque razão apresentam determinado comportamento? 3 . E muitos mistérios continuam por desvendar. etc. um facto que é tão reconfortante como provocador. A Engenharia está muito preocupada com a mudança do estado “descarregado” para “em carga” (em serviço). do trabalho.. 1 .. se se generalizar esta ciência. mais tarde desenvolvidos por cientistas como Clausius. ao abordar o assunto desta forma. as consequências da mudança de temperatura. Basicamente existem três questões que é necessário conhecer sobre os materiais: 1 . produzindo ideias tais como a conservação de energia. idealizavam a partícula individual elementar mas os seus conhecimentos científicos não se estendiam à observação e experimentação.Como se comportam em serviço? 2 . de facto corresponde à arte e conhecimento de como gerir. Os primeiros estudos de mudança de estado são atribuídos a Sadi Carnot (1824). INTRODUÇÃO 1. energia das marés ou mesmo. etc. está-se a considerar a partir dos tempos antigos. Um outro conceito importante é mais recente. Desde os primeiros estudos realizados com motores movidos a calor que a respectiva ciência foi designada por termodinâmica.Que fazer para alterar esse comportamento? O conceito do “estudo dos átomos” não é novo.1 Generalidades Como engenheiros o nosso trabalho é projectar mas qualquer projecto não é mais do que isso até se começar a usar materiais e convertê-los em artefactos que funcionam. Os Gregos e em especial Democritus (cerca de 460 AC). Assim. por exemplo. a evolução do pensamento sobre o universo e o modo como funciona.

Claro que é necessário chegar a um compromisso e a engenharia tem a ver justamente com encontrar soluções óptimas (Biggs. apresenta-se em seguida uma pequena discussão sobre o assunto: Que regras são estas que nenhum engenheiro pode ignorar? Em resumo (com um certo humor) são as seguintes: 1 – Não é possível “ganhar”. Em segundo lugar. (fonte da prática). isto é. Estudar e conhecer os Materiais 2 . 1994). manuseamento e colocação de materiais. a termodinâmica é tratada como assunto à parte mas. Um dos objectivos do estudo dos Materiais de Construção é apresentar uma panorâmica mais articulada em que o conhecimento do comportamento dos materiais é desenvolvido a partir do conhecimento da estrutura dos materiais englobando os conhecimentos resultantes da experiência e da prática. Pode-se fazer variar algumas propriedades – como por exemplo a resistência. tem frequentemente estado pouco interligadas em detrimento quer do conhecimento dos materiais quer do seu tratamento na prática (Illston. encontram- se as experiências combinadas de técnicos envolvidos no processamento. a não ser subestimado. o que se perde é inútil para o fim que se tem em vista. No passado a informação sobre o comportamento dos materiais tem tido como origem três fontes diferentes. tais como a densidade. 1994). Em primeiro lugar (fonte empírica) a partir de ensaios mecânicos de provetes que tem fornecido valores tais como a resistência ou módulo de elasticidade com o intuito específico de fornecer dados para análise estrutural ou outro tipo de análise. prática e científica. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Em muitos cursos de engenharia. qualquer engenheiro deverá lembrar-se que a engenharia tem tudo a ver com compromisso e negócio. mas não outras. Assim. porque as suas aplicações ditam regras que nenhum engenheiro pode ignorar. Em terceiro lugar (fonte científica) aparecem os estudos mais sofisticados de estruturas físicas e químicas dos materiais propriamente ditos no conjunto da Ciência de Materiais Em engenharia civil as três fontes – empírica. 2 – Não é possível “empatar” – em qualquer mudança alguma coisa se perde e mais precisamente. não é possível retirar de um sistema mais do que se lhe fornece.

porém. Da qualidade dos materiais empregues irá depender a solidez. Compreende-se que as matérias de cunho dedutivo sejam importantíssimas. devem ter em mente que aquelas deduções serão empregues em materiais. a Estática e disciplinas afins fornecem as fórmulas que permitem conhecer as tensões internas e as forças externas que a viga irá suportar. mas o que se tem verificado é que o estudante descuida-se relativamente a esta disciplina a fim de dedicar mais tempo às cadeiras mais difíceis ou que exijam maior raciocínio. A razão disso é que se trata de um assunto bastante descritivo. o projectista deve conhecer os materiais que tem ao seu dispor. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho de Construção constitui então uma base sólida para o engenheiro que os vai utilizar (Illston. Essa é a finalidade da disciplina Materiais de Construção (Verçosa. o custo e o acabamento da obra. limitações. À primeira vista pode parecer desnecessário falar ao futuro engenheiro sobre a importância da disciplina Materiais de Construção. pela experiência adquirida ou por ensaios em laboratórios especializados. de fácil compreensão e que requer mais memorização. e depois saber controlar a produção durante toda a obra. Como não seria prático que cada novo engenheiro fosse adquirindo aos poucos essa experiência. vantagens e utilização deverão ser perfeitamente conhecidas. ao mesmo tempo. mas a cada um corresponderão diferentes qualidades e diferentes aparências. Todos. a durabilidade. é preciso que esses conhecimentos sejam difundidos por meio do ensino. é preciso saber também determinar a composição do betão de modo a obter a resistência prevista. Uma parede pode ser feita com diferentes materiais. Cabe ao engenheiro (e arquitecto) escolher o que melhor atenda às condições pedidas. Mas é o conhecimento dos materiais de construção que possibilitará ao projectista escolher aquele que poderá resistir a essas tensões. a Resistência dos Materiais. 1994). Não adianta saber apenas calcular uma viga. e que a elas o estudante de Engenharia dedique maior atenção. Quando se procede ao cálculo de uma viga. 2001). tecnológico. Tal conhecimento deve ser predominantemente experimental. As qualidades dos materiais podem ser estabelecidas pela observação continuada. uma aparência agradável e durabilidade suficiente. e que tenha. cujas propriedades. Por essa razão. a Mecânica. 3 .

1994). as propriedades importantes tais como a resistência e rigidez são inversamente proporcionais à porosidade. O nível estrutural do material é um passo acima do nível molecular. 1994). Este nível é estudado pela Ciência dos Materiais e a ordem de grandeza das partículas varia de 10-7 a 10-3 mm. Por exemplo.2 – Níveis de informação A estrutura dos materiais pode ser descrita a três níveis diferentes de acordo com a escala com que se analisa: . ao nível molecular serve sobretudo para fornecer esquemas mentais que permitam ao engenheiro prever o comportamento provável dos materiais em dadas condições. Os conhecimentos a nível químico e da estrutura física também permite aos especialistas desenvolver materiais melhores (Illston. a durabilidade do aço depende da velocidade de acesso de determinadas substâncias tais como o oxigénio. englobados nos Materiais de Construção são por exemplo os silicatos de cálcio hidratados que compõem a pasta de cimento endurecida.nível estrutural do material . Em materiais como os tijolos. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho 1.nível molecular . Os factores físicos e químicos do material definem de se o material é poroso e o seu grau de porosidade. Os materiais estudados a este nível. A estrutura física e a composição química são fundamentais para compreender o comportamento do material. A informação sobre os materiais.nível da engenharia 1. que reagem quimicamente com substâncias que compõem o material. As várias fases podem corresponder a: 4 . madeira e betão.2.1 nível molecular No nível molecular o material é analisado à escala microscópica em termos de átomos ou moléculas. as moléculas de celulose na madeira ou polímeros tais como o PVC (Illston. O material é considerado como um compósito de várias fases que interagem para constituir o comportamento do material como um todo.

resultado de uma mistura de diversos componentes dispostos aleatoriamente (ex. Ex. betão) ou dispostos regularmente (ex. ou . o que interessa é ser possível distinguir as fases. células (fibras) na madeira.entidades identificáveis separadamente na estrutura do material. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho . das partículas ou fases). Aqui o material é constituído por partículas cujas dimensões podem variar desde alguns microns (por ex. incluíndo as regiões com problemas. Em geral é considerado contínuo e homogéneo. concentração etc. Os materiais a este nível constituem os que tradicionalmente são reconhecidos pelos técnicos ligados à construção e é o seu comportamneto que interessa estudar. Para que o material seja considerado correctamente é necessário estabelecer uma dimensão mínima para a célula representativa. comprimento de um tijolo). que corresponde a um volume mínimo de material que representa todo o sistema.a geometria (forma e dimensão. na rotura. Trabalhar ao nível estrutural dos materiais pressupõe conhecimentos consideráveis relativamente aos três aspectos mencionados. A dimensão não é importante. alvenaria). distribuição. a rigidez do material é determinado pelos módulos de elasticidade das fases) e . .o estado físico e propriedades das fases (por ex. Claro que nestes modelos de previsão é necessário ter em conta os seguintes aspectos: . fibras da madeira) até centenas de mm (por ex. O interesse de conhecer os materiais a nível da estrutura reside na possibilidade de criar modelos de previsão de comportamento a partir do comportamento das várias fases. As 5 . Ao nível da engenharia o material é considerado como um todo. assumindo-se que as propriedades tomam o valor médio em todo o material.os efeitos de interface (por ex. o modo de ruína do material é muitas vezes controlado pela aderência numa interface).

o teor em carbono no aço. Em resultado das actividades de investigação e desenvolvimento tecnológicos. 6 . Os materiais são parte integrante da nossa vida.3 Materiais Materiais são substâncias com as quais se fazem objectos. 1. etc. Os resultados dos ensaios fornecem informação empírica relativa às propriedades que pode muitas vezes ser expressa gráfica ou matematicamente. Desde os primórdios da civilização. resistência e rotura. alumínio. 1998). uma vez que os produtos são feitos de materiais. para melhorar os seus padrões de vida. durabilidade. a propriedade “resistência à tracção do aço” depende do “teor de carbono do aço”. Além disso os gráficos ou expressões matemáticas em geral fornecem indicação de como os valores da propriedade são afectados por determinadas variáveis como por ex. No entanto. 1998). aço. vidro. Madeira. digamos de cerca de: 10-3 mm para metais até 100 mm para betão e 1000 mm para alvenaria. As propriedades medidas em volumes superiores ao da célula unitária podem ser generalizadas ao material todo. plástico. a humidade da madeira. conjuntamente com a energia. conteúdo e orientação das fibras nos compósitos (por ex. borracha. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho dimensões lineares das células representativas variam consideravelmente. tijolo. betão. novos materiais estão frequentemente a ser inventados (Smith. o Homem tem usado os materiais. Os ensaios são de diversos tipos como por ex. deformação.) (Illston. cobre e papel são alguns materiais frequentemente utilizados. existem muitos mais tipos de materiais. A maior parte da informação técnica sobre materiais utilizada na prática provem de ensaios em provetes preparados e ensaiados de modo a representar as condições do material inserido na estrutura.

1.1 Materiais metálicos Estes materiais são substâncias inorgânicas que contêm um ou mais elementos metálicos e que podem também conter alguns elementos não metálicos. sendo uma das classes. tintas. 1998). Os metais possuem uma estrutura cristalina. aço. Muitos deles são relativamente 7 . são considerados outros tipos de materiais. o cobre. Os MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ainda podem ser classificados. os materiais compósitos e os materiais electrónicos. Como exemplos de elementos não metálicos que podem fazer parte da composição de materiais metálicos citam-se o carbono. o alumínio.4. apresentam-se em seguida algumas considerações relativas a cada tipo de materiais. devido à sua grande importância em engenharia (Smith. Esta classificação dos materiais baseia-se na sua natureza mas poder-se-á classificar os materiais de acordo com outros critérios por exemplo quanto à aplicação. . 1978.materiais cerâmicos.4 Tipos de materiais Por razões de conveniência. Ter-se-á então os materiais estruturais ou principais – com capacidade resistente (betão. Bastos. madeira). Para além das três classes principais. gesso. o azoto e o oxigénio. a que interessa em Engenharia Civil. O ferro. pedra. de acordo. 1998).materiais metálicos. materiais ligantes (cimento. asfalto) e materiais auxiliares (vernizes.materiais poliméricos (ou plásticos) e . Sendo a classificação dos materiais segundo a sua natureza. Os metais são geralmente bons condutores térmicos e eléctricos. a maioria dos materiais de engenharia são divididos em três classes: . vidros) (Sampaio. na qual os átomos se dispõem de um modo ordenado. o níquel e o titânio são exemplos de elementos metálicos. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho 1. com a função em obra. a mais generalizada. a classe dos MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO.

4 mostra como. 1 1 Uma liga metálica consiste numa combinação de dois ou mais metais ou de um metal (ou metais) com um não metal (ou não metais). tais como os aços e os ferros fundidos. assim como as respectivas ligas. os materiais e as tecnologias de fabrico têm estado associados ao aumento de eficiência dos motores de propulsão por turbina a gás. Foram necessários muitos anos de investigação e desenvolvimento tecnológico.3 apresenta a fotografia de um motor a jacto de um avião comercial feito essencialmente de ligas metálicas. realizado por cientistas e engenheiros.3 – O motor de avião a jacto (PW2037) é feito essencialmente de ligas metálicas. e a dos materiais metálicos não ferrosos. As ligas metálicas usadas no interior do motor têm de ser capazes de suportar as elevadas temperaturas e pressões que se geram durante o seu funcionamento. o zinco. e muitos mantêm uma boa resistência mecânica mesmo a temperaturas elevadas. que não contêm ferro ou em que o ferro surge apenas em pequena quantidade. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho resistentes e dúcteis à temperatura ambiente. Num futuro próximo. 8 . o cobre. Figura 1. 1998). para aperfeiçoar este motor de alto rendimento. que contêm uma percentagem elevada de ferro. Neste motor são utilizadas as mais recentes ligas de níquel. o níquel. resistentes a altas temperaturas e com elevada resistência mecânica (Smith. o titânio. Os materiais metálicos (metais e ligas metálicas)1 são habitualmente divididos em duas classes: a dos metálicos ferrosos. a utilização de materiais compósitos de matriz metálica ou de matriz cerâmica pode mesmo conduzir a crescentes aumentos de eficiência (Smith. A Figura 1. O alumínio. nos anos mais recentes. 1998). A figura 1. são exemplos de materiais metálicos não ferrosos.

Nas Figuras 1. 9 . Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Figura 1.4 – Os materiais e tecnologias de fabrico tem estado associadas. ao longo dos últimos anos. 2001). 1998).5 – Torre Eiffel de 300m de altura em ferro forjado. As ligas metálicas são muito usadas em engenharia civil e em conjunto com o betão constitui um dos materiais mais comuns na construção civil: o betão armado.5 a 1.8 apresentam-se obras realizadas com ligas metálicas e betão armado (material compósito). Figura 1. concluída em 1889. ao aumento da eficiência dos motores de propulsão por turbina a gás (Smith. com fundações realizadas em betão armado ( Collins.

6 – Ponte D. Luís. Figura 1. no Porto.924m2 de área formados com 27572 cabos 10 . Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Figura 1.8 – Golden Gate bridge com um vão de 1280m. é suportada por dois cordões de aço de pré-esforço com 0. 2001).7 – Construção de um reservatório em betão armado (Oland e Baker. concluída em 1937. Figura 1.

9.Figura 1. de modo a satisfazer as rigorosas exigências de resistência mecânica e estabilidade dimensional a altas temperaturas e a garantir a integridade do material sob condições de soldadura (Smith. 1998). Figura 1. são usados nas correspondentes aplicações eléctricas . 1998). A resistência mecânica e a ductilidade dos materiais poliméricos variam bastante. a maioria dos materiais poliméricos é má condutora de electricidade. Figura 1. por isso.11.2 Materiais poliméricos (Plásticos) A maioria dos materiais poliméricos é constituída por cadeias longas ou redes de moléculas orgânicas (contendo carbono). Alguns destes materiais são mesmo bons isoladores e.4. No que respeita à estrutura. a maioria dos materiais poliméricos é não cristalina. Em construção civil utilizam-se muitos materiais poliméricos –Figura 1.10 – Cabeça de ancoragem e bainhas (Dywidag).9 – A placa de circuito e as ligações aqui apresentadas utilizam o termoplástico de engenharia poliéter-etercetona. embora alguns sejam constituídos por misturas de regiões cristalinas e não cristalinas. Em geral.10 e 1. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho 1. os materiais poliméricos possuem densidades baixas e amaciam ou decompõem-se a temperaturas relativamente baixas (Smith. Devido à natureza da sua estrutura interna. 11 .

Os materiais cerâmicos podem ser cristalinos. grande resistência mecânica e dureza. conjuntamente com a resistência ao calor e ao desgaste. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Figura 1. não cristalinos. boa resistência quer ao calor quer ao desgaste. desenvolveram-se novos materiais cerâmicos para aplicação em motores.3 Materiais cerâmicos Os cerâmicos são materiais inorgânicos constituídos por elementos metálicos e não metálicos ligados quimicamente entre si. e também das suas propriedades isolantes.4. O facto de serem isolantes. ou misturas dos dois tipos.11– Esquema e fotografia de um sistema de pré-esforço (Dywidag). baixo coeficiente de atrito. A maioria dos materiais cerâmicos possui elevada dureza e grande resistência mecânica a altas temperaturas. mas têm tendência a ser frágeis. Nos últimos anos. Uma aplicação importante dos cerâmicos na 12 . faz com que muitos cerâmicos sejam utilizados no revestimento de fornos para fusão de metais tais como o aço. As vantagens da utilização de materiais cerâmicos em motores derivam do seu baixo peso. 1.

Na construção civil os cerâmicos utilizam-se desde longa data – Figura 1. Existem muitos tipos de compósitos. devidamente seleccionado. Figura 1. Ao painéis de ladrilhos cerâmicos protegem termicamente a estrutura interna de alumínio do vaivém. com um material compatível que serve de ligante (ou matriz). Existem também muitas combinações diferentes de reforços e de matrizes. 1998). Um grande número deles é do tipo fibroso (formados por fibras no seio de uma matriz) ou de partículas (formados por partículas no seio de uma matriz). A maioria dos materiais compósitos consiste numa mistura de um material de reforço ou de enchimento. são constituídos por fibras de vidro numa matriz de poliéster ou de resina epoxídica e por fibras de carbono numa matriz de resina epoxídica (Smith. Dão-se exemplos de materiais compósitos na Figura 1. de modo a obterem-se determinadas características e propriedades.13. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho engenharia aeroespacial são os painéis do vaivém espacial (space shuttle).4 Materiais compósitos Os materiais compósitos são misturas de dois ou mais materiais. Geralmente. os componentes não se dissolvem uns nos outros e podem ser fisicamente identificados pelas interfaces que os separam. Dois tipos mais relevantes de materiais compósitos modernos.4. 1998). quer durante a subida quer na reentrada na atmosfera da Terra (Smith. para aplicação em engenharia. 13 .12 – Exemplos de materiais cerâmicos usados na construção civil. 1.12.

Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Betão Mantas de fibra de vidro (Smith.13 – Exemplos de materiais compósitos. 1994) Figura 1. 1998) Fibra de vidro em pasta de cimento (Hollaway e Hannant. 14 . 1998) Madeira (Dinwoodie.

635 cm (1/4 de polegada) de lado. isto é. 15 . a fim de se alterarem as suas características eléctricas. e que tenha. num cristal de silício. 1. ter que considerar as propriedades principais do material: a) O material terá que ser suficientemente resistente de modo a resistir às cargas a que a estrutura estará sujeita.1 Selecção de materiais A variabilidade das composições física e química dos diversos materiais tem de ser considerada pelos engenheiros e projectistas de estruturas que tem de estabelecer critérios formais para definir que materiais se devem utilizar (Illston. O critério mais importante na selecção do material é justamente a aptidão- para-o-uso. o qual é modificado de várias maneiras. a durabilidade. quer em serviço. tais como os satélites de comunicação.5 Materiais electrónicos Os materiais electrónicos não constituem um grupo importante em termos de volume de materiais.5. uma aparência agradável e durabilidade suficiente (Vercosa. os relógios digitais e os robots de soldadura (Smith. quando a estrutura já estiver construída. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho 1. com a forma de um quadrado com cerca de 0. Um grande número de circuitos electrónicos complexos pode ser miniaturizado num chip de silício. b) Os elementos fabricados com o material não poderão deformar-se demasiado. 2001).5 Comparação e variabilidade dos materiais 1. 1998) Já foi referido que da qualidade dos materiais empregados irá depender a solidez. o custo e o acabamento da obra e cabe ao engenheiro escolher o que melhor atenda às condições pedidas. os computadores. pois é necessário garantir que o material apresente um desempenho satisfatório quer durante a fase construtiva. ao mesmo tempo. Satisfazer este critério será. O material electrónico mais importante é o silício puro. O engenheiro terá que considerar a aptidão do material escolhido para a estrutura projectada. as calculadoras de bolso. 1998). provavelmente. mas são um grupo extremamente importante em termos de tecnologias avançadas.4. Foram os sistemas de microelectrónica que tornaram possível o aparecimento de novos produtos e equipamentos.

resolve a questão de qual o material mais adequado dentro dos com aptidão-para-o-uso. ou o prazo de construção. No 16 . Então a questão será resolvida pelo engenheiro que terá de decidir e julgar qual o material que é mais adequado entre os que satisfazem os critérios de aptidão-para-o-uso. 1998). Por exemplo. em geral. a impermeabilidade poderá ser essencial. ou. 1. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho c) O material não poderá degradar-se significativamente durante o período de vida útil da estrutura. Aparentemente esta solução é um critério simples em que se comparam valores de custos entre as várias soluções. Esta variabilidade depende claramente da homogeneidade do material na estrutura. por sua vez depende de como o dito material foi produzido. Em muitas situações práticas existe mais de um material que satisfaz os critérios de aptidão-para-o-uso. metal. Á primeira vista parecerá simples esta decisão mas mesmo com vastos conhecimentos e informações sobre cada material é muitas vezes necessário recorrer á ajuda de especialistas. por exemplo. d) Outros aspectos poderão ser incluídos no critérios da aptidão-para-o-uso. madeira ou alvenaria. não é assim tão simples. e muitas vezes a solução escolhida é a mais barata. Num extremo da escala a produção de aço constitui um processo bem desenvolvido e controlado pelo que um determinado tipo de aço pode ser facilmente reproduzido e a variabilidade de propriedades como a resistência é reduzida. Também a estética e os efeitos no ambiente não podem ser esquecidos. O custo estimado de uma obra não poderá exceder. avaliar os custos dos efeitos de não cumprimento de prazos de construção causado por entregas tardias na obra. Uma questão importante reside na variabilidade das propriedades do material em si. Por exemplo elementos em tracção poderão ser feitos de aço ou madeira. do material escolhido (prazos de entrega não garantidos) (Illston.2 Variabilidade O utilizador de materiais terá então de considerar os critérios de aptidão-para-o- uso para decidir que material empregar. placas de revestimento de edifícios poderão ser executados com compósitos de fibras. que. o valor disponível. é a questão do CUSTO. Pois por exemplo poderá haver dificuldades em interpretar o balanço entre o primeiro investimento e custos de manutenção. Um outro critério que pode resolver e. Na prática.5. evidentemente.

Então esta propriedade pode ser representada por dois números: A resistência média. é dada por: x= ∑x n A variação da resistência. x . A maioria das propriedades varia de acordo com a Lei Normal ou de Gauss: 1  (x − x)2  y= exp −  σ 2π  2σ 2  em que: y é a função densidade de probabilidade x é a variável Consideremos que x representa por exemplo. Para se compararem diferentes materiais ou diversos tipos do mesmo material. para propriedades comparáveis o coeficiente de variação será maior na madeira. o 17 . Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho extremo oposto a madeira natural que apresenta nós e defeitos que conduzem inevitavelmente a uma variação maior dos valores das propriedades. Por exemplo. É possível reduzir o coeficiente de variação quando o material é fabricado. a resistência. para n amostras. utiliza-se o coeficiente de variação que é uma grandeza adimensional: σ c. representada pelo desvio padrão σ . é dada por: (x − x)2 σ2 =∑ n −1 O desvio padrão apresenta as mesmas unidades que a variável e expressa a sua variabilidade. = x Como em principio a madeira natural tem maior variabilidade do que o aço.v.

M. Sarmento Teixeira. e &FN Spon. não classificada 120 tracção 18 Sem nós. A. Biggs. pp.M. Apresentam-se valores típicos da resistência média e coeficientes de variação de alguns materiais no Quadro 1. Illston. 18 . Pp. 1998) Material Resistência média c.M.. pp. paralelamente ás fibras 11 tracção 10 Contraplacado estrutural Compósitos 18 tracção 10 Fibras contínuas de polipropileno com cimentícios com 6% (em volume) na direcção das tensões fibras alvenaria 20 compressão 10 Muros pequenos de tijolo com argamassa REFERÊNCIAS Bastos.P. Vol. Construction Materials. 1998. J.405-508. Edt. Their Nature and Behaviour. comentário MPa % Aço 460 tracção 2 Aço macio de construção Betão 40 compressão 15 Betão de massa volúmica normal. Concrete International. Timber. Construction Materials. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho coeficiente de variação de aglomerado de madeira é bastante menor do que de madeira natural. 1998. Collins. J. Dinwoodie. M.28 dias.M. Aços. London and New York.1-48.1 obtidos em ensaios em provetes do mesmo lote ou amassadura dos material típico (Illston. W. J.. Quadro 1. London and New York.v. FEUP.1 – Resistências e coeficientes de variação de alguns materiais de construção (Illston. n. Their Nature and Behaviour.23. e &FN Spon. Materiais de Construção 1. Provetes cúbicos. 1998). Madeira 30 tracção 35 Resinosas. 1998. July 2001. Edt. 7.57-72. In Search of Elegance: The evolution of the art of structural engineering in the western world. Fundamentals. Textos de apoio ás aulas teóricas. Illston.de resinosas. D.

C. Illston. e &FN Spon. Construction Materials. Smith. J. Their Nature and Behaviour. Suíça. Fibre Composites. Madeira.J. Universidade do Porto. Pp. Asfalto. Theresa Wenger. Oland. Plásticos. e &FN Spon.23. 2001. 9.M. J. Materiais de Construção 1 – 1ª Parte Documento Provisório-2003 Joana de Sousa Coutinho Dywidag – Systems International. Mc Graw- Hill. e Baker. 2001. Ed. 5ª edição Revisada. J. C. Preface.W. Capítulo 1.xvii-xxiii. Cerâmica. Materiais de Construção: Concreto.317-404. Princípios de Ciência e Engenharia dos Materiais. Their Nature and Behaviour. pp. pp. 1978.. Verçosa. Hollaway L. Concrete International. 1998. J. J. 1998. William F. M. D.. Coordenador: L. Metais. e Hannant. Construction Materials.. AEFEUP. Sept. Sampaio. Introdução. Edt. London and New York. 19 . Portugal. Volume 1. Illston.M. Novos Materiais para Construção Civil. Illston. Edt. Edt. Vol. LTC. London and New York. Concrete structures for waste storage and disposal. Falcão Bauer.41-46. Materiais de Construção. n. International. A. 1998.B. Brasil. VSL. E.