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Linguagem Fotográfica

Material Teórico
Análise da Imagem – Nível Técnico

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Rita Garcia Jimenez

Revisão Textual:
Prof.ª Me. Natalia Conti
Análise da Imagem – Nível Técnico

• Análise da Imagem – Nível Técnico;


• Anexo.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Conhecer os elementos básicos para a leitura de uma imagem
fotográfica no nível técnico;
· Identificar em fotografias os elementos que compõem o nível técnico
de análise de uma imagem;
· Realizar análise de imagem fotográfica a partir do uso de fichas
específicas para o nível técnico.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Introdução

Figura 1 – Paul Lowe. Sem título, s/d. “Ao analisar imagens noticiosas é fácil esquecer que os fotógrafos não são
invisíveis. Na verdade, eles são tão protagonistas na situação como as pessoas que são o tema de sua reportagem”
Fonte: Lowe, 2017

Não são apenas as imagens que são importantes – também é importante


estar em sintonia com o momento da sociedade que as fotos mostram.
Se você entender isso, não haverá limites para você. Sebastião Salgado
(Lowe, 2017, pagina 219)

As teorias linguísticas atuais vêm ampliando o conceito de texto como sendo uma
produção verbal, sonora, gestual, imagética, em qualquer situação de comunicação
humana, estruturada com coerência e coesão. A partir dessa premissa, passamos a
entender que as imagens se estruturam na forma de um texto visual, que pode ser
lido. A questão passa a ser, então, como é possível lermos esse texto imagético?

Os textos visuais, como a fotografia, por exemplo, são resultado de um conteúdo


que envolve, necessariamente, três componentes básicos: o autor, o texto visual
propriamente dito (imagem) e o leitor/espectador. De acordo com Mauad (2005),
Cada um desses três elementos integra o resultado final à medida que
todo o produto cultural envolve um locus de produção e um produtor, que
manipula técnicas e detém saberes específicos à sua atividade; um leitor
ou destinatário, concebido como um sujeito transindividual cujas respostas
estão diretamente ligadas às programações sociais de comportamento do

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contexto histórico no qual se insere; e, por fim, um significado aceito
socialmente como válido, resultante do trabalho de investimento de
sentido (MAUD, 2005),.

A fotografia comunica-se, portanto, por meio de mensagens não-verbais, cujo signo


que a constitui é a imagem. Como resultado de um trabalho humano de comunicação,
ela está associada a códigos convencionalmente aceitos nos contextos em que está
inserida como mensagem. É inquestionável, também, que somos reféns de nossos
próprios olhos e de nosso referencial teórico e repertório cultural. Analisar uma imagem
é muito mais do que simplesmente reconhecer seu traço. Durante anos privilegiou-se o
autor, em seguida, a obra e, por fim, o espectador. Todos estes conceitos, na verdade,
podem ser resumidos em um único: ler imagem é atribuir significados.

Em relação ao autor, temos, além do olhar – elemento fundamental – o dispositivo


de caráter tecnológico (câmera) que intermedia a relação entre o sujeito que olha
e a imagem elaborada. Sobre o produto resultante se processada em uma dada
temporalidade, que conta histórias (fatos/acontecimentos), registra memórias,
inventa, imagina... E, na parte final desse processo está a recepção, o leitor/
espectador, que, em geral, tem uma relação simplesmente estética com a imagem,
atribuindo-lhe valor informativo, artístico, pessoal, etc. Entretanto, para aqueles
que vão além desses aspectos, existem as questões de análise da imagem, como,
por exemplo, os níveis técnico e morfológico, compositivo e narrativo.

Figu’ra 2 – Wang Qingsong. Siga-me, 2003. Fotografia encenada pelo artista chinês Wang Qingsong (1966-)
Fonte: Hacking, 2012

Nesta unidade, estudaremos a análise de imagem com base no nível técnico;


posteriormente, nos níveis morfológico e compositivo; e, adiante, no nível narrativo.
O material tem como base o método proposto por Felici (2004), a partir de dados
disponíveis como, por exemplo, nome do autor, título, data de sua produção, etc.
Na verdade, esta última informação não é, segundo Felici, estritamente necessária
– embora não seja a circunstância ideal –, uma vez que uma análise de imagem
pode ser realizada sem serem conhecidos a autoria, o título ou o ano da fotografia.

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Análise da Imagem – Nível Técnico


“O primeiro problema que enfrentamos é a constatação de que o investigador
projeta sempre sobre a imagem uma carga importante de ideias feitas e de
convicções particulares, gostos e preferências” (FELICI, 2004, on-line).
O alerta do autor é para que o analista da imagem reconheça a existência desse
“condicionamento inevitável”, mas que trate de corrigi-lo para que este fator
não distorça a análise.

O nível técnico recolhe as informações necessárias sobre a(s) técnica(s) utilizadas(s),


o(a) autor(a) da obra, o momento a que se reporta a imagem, a origem da imagem
(livro, catálogo, internet, etc.), seu formato original, a câmera, objetivas, o movimen-
to artístico ou escola fotográfica a que pertence, assim como a pesquisa de outros
estudos críticos sobre o trabalho analisado, entre outros dados.
Finalmente, a própria experiência vem demonstrando que, a cada novo
tipo de fotografia e objeto a ser estudado a partir da imagem fotográfica,
o pesquisador vê-se obrigado a atualizar o método de análise e adequá-lo
à sua matéria significante, guardando os imperativos metodológicos
apresentados. Nesse sentido, é sempre importante lembrar que toda a
metodologia, longe de ser um receituário estrito, aproxima-se mais de
uma receita de bolo, na qual, cada mestre-cuca adiciona um ingrediente a
seu gosto. (MUAD, 2005)

Dados Gerais
Título e Data da Fotografia
O título da fotografia costuma vincular o sentido da fotografia a partir da
perspectiva do autor. Entretanto, devemos estar atentos em relação a refle-
xões realizadas pelo autor da fotografia, uma vez que quase sempre a análise
textual permite chegar muito além em significado que aquilo que o autor pos-
sa dizer sobre a sua própria obra. Um exemplo são as fotografias de Duane
Michals (1932-), nas quais as legendas se constituem em uma boa reflexão so-
bre o sentido da imagem a partir da dimensão do autor. Em As coisas são es-
tranhas (1973) (Fig. 3), o fotógrafo apresenta nove imagens sequenciais nas
quais histórias são encenadas, registrando sua visão do mundo interior por
meio de narrativas psicológicas. “Sempre afirmei que eu quero que minhas
fotografias sussurrem. Enquanto um monte de fotografias grita para chamar a
atenção”, relatou. Neste momento, também pode ser incluída a data em que
foi tirada a fotografia.

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Figura 3 – Duane Michals. As coisas são estranhas, 1973. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

Autor(a), Nacionalidade, Nascimento/Morte


Estas informações registram a autoria da imagem, a nacionalidade do
fotógrafo e o ano de produção da fotografia, o que permite situá-la geográfica
e historicamente. Esses dados nos auxiliam no relacionamento da fotografia
com o conjunto da obra do autor, se ele é conhecido, ou com outras produções
artísticas do período e do país. O conhecimento prévio do autor e da sua obra
é importante para possibilitar o reconhecimento de seu estilo. Neste item
pode ser incluída uma foto do artista/fotógrafo.

Entretanto, é frequente não dispormos dessas informações, especialmente no


mundo digital onde as imagens são reproduzidas sem nenhum crédito ou informação
sobre sua origem ou autoria. Mas, mais uma vez, nada disso deve ser obstáculo
para analisarmos uma imagem.

Fonte da Imagem
Também é interessante especificarmos a fonte da imagem: museu, galeria,
livro, catálogo ou documento eletrônico, etc. Nesse aspecto, é importante
tentarmos encontrar uma origem (fonte) extremamente confiável para que
tenhamos certeza da veracidade dessas informações. Com o advento da
internet ficou muito mais fácil chegarmos a esses dados, entretanto, todo
cuidado é pouco, será preciso confirmar as informações coletadas, sob pena
de nossa análise ficar comprometida. Um exemplo é a fotografia Guerrilheiro
heroico (1960) (Fig. 4), de Alberto Korda (1928-2001). A imagem, uma das
mais reproduzidas no mundo, foi recortada pelo próprio Korda (Fig. 5).

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Figura 4 – Alberto Korda. Guerrilheiro heroico, 1960. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

Figura 5 – Alberto Korda. Guerrilheiro heroico, 1960. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

Gênero e Local Onde Foi Tirada a Fotografia


Outro aspecto importante é a classificação do gênero da fotografia, um aspecto
muitas vezes difícil porque uma mesma fotografia pode apresentar vários atributos
genéricos ao mesmo tempo, o que pode causar alguma polêmica. Assim, podemos
classificar as imagens em gêneros básicos como retrato, conforme a fotografia de
Malick Sidibé (1936-2016), A most seul (1978) (Fig. 6); paisagem, natureza-morta
e documental, além de fotografia de arte, publicitária, de eventos, gastronomia,
entre tantos outros.

Muitas fotografias contemplam simultaneamente vários gêneros e subgêne-


ros, por isso, na análise da imagem é importante registrarmos esse aspecto.
Frederick Sommer (1905-1999), em seu trabalho Max Ernest (1946) (Fig. 7),
mostra claramente isso com o gênero retrato e o subgênero fotografia de arte,
juntos. Ele imprimiu dois negativos em um só papel fotográfico. Neste mo-
mento também pode ser incluída a informação sobre o local onde foi tirada a
fotografia, se estiver disponível.

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Figura 6 – Malick Sidibé. A most seul, 1978. Fotografia. Gênero: retrato
Fonte: Lowe, 2017

Figura 7 – Frederick Sommer. Max Ernest, 1946. Gênero retrato e subgênero fotografia de arte.
Fonte: Hacking, 2012

Estilo, Escola ou Movimento Artístico


Em alguns casos, é possível inclusive situar a fotografia ou o autor da imagem em uma
determinada corrente ou movimento artístico, escola fotográfica, etc., cujo conhecimen-
to pode ser de grande utilidade para a análise textual da fotografia. Neste caso, é impor-
tante apresentar, na análise, uma breve descrição dos principais pontos do movimento
artístico e a sua época de ocorrência. Normalmente, características de um movimento
artístico são observadas na fotografia, auxiliando o observador na leitura da imagem, a
partir das características pertencentes a esses movimentos, no caso a ideia e o conceito.
Entretanto, não é uma informação que impeça a realização da análise.

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Cena de perseguição (1969), de Vito Acconci (1940-2017) (Fig. 8), por


exemplo, está ligada à arte conceitual – conjunto de práticas artísticas ocorrida nos
anos 1960/1970, no qual o conceito e as ideias e não o meio (formalismo da arte)
são a essência do movimento. Acconci trabalhou o papel da fotografia como um
meio de vigilância e controle social. Em Cena de perseguição o artista seguia um
estranho escolhido por acaso, em Nova York, até essa pessoa entrar em um espaço
privado. As fotografias – que não foram tiradas por Acconci, que aparece de costas
– documentam uma performance do artista.

Figura 8 – Vito Acconci. Cena de perseguição, 1969. Fotografia conceitual


Fonte: Hacking, 2012

Parâmetros Técnicos
P/B, Cor
A fotografia pode ser em preto e branco ou em cores; ser originalmente em
preto e branco e ter sido colorizada posteriormente ou ser originalmente em cores
e ter sido transformada em preto e branco. Nesses dois últimos casos, o ideal é que
essas informações estejam disponíveis, pois, caso contrário, não teremos como
concluir que essas técnicas foram utilizadas. Uma fotografia também pode ser,
simultaneamente, em preto e branco e em cores, caso tenha algum elemento ou
parte da imagem com essas características.

Formato Original
Outro aspecto igualmente importante é o tamanho original da imagem que
analisamos. Por vezes, esta informação está presente na própria legenda da
imagem. É obvio que as condições de recepção de uma fotografia por parte do
espectador se alteram de forma substancial quando as imagens são de grandes
dimensões ou quando apresentam dimensões muito reduzidas. Este aspecto
apresenta importantes consequências na análise, quando se estuda a relação da
imagem com o espectador.

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Câmera
O tipo de câmara utilizada é outro aspecto igualmente relevante. Nas fotografias
analógicas, caso não consigamos essa informação junto à imagem ou em bancos de
dados, fica praticamente impossível identificar a câmera utilizada. Já nas imagens
digitais, normalmente, essa informação está em “Informações do arquivo” ou em
“Propriedades”, da fotografia.

Suporte
Em certas ocasiões, pode-se dispor de informação sobre o tipo de formato foto-
gráfico empregado, como o universal ou 35 mm, o formato médio ou grande for-
mato. Essas informações podem apresentar muitas alternativas, inclusive identificar
a marca e o tipo de película utilizada, no caso de fotografia analógica. Estas informa-
ções possibilitam a compreensão sobre como o autor conseguiu obter determinados
efeitos visuais, mas, sobretudo, as condições de produção da fotografia.

Objetiva(s)
Esta informação, quando disponível, permite que conheçamos se foi utilizada
uma teleobjetiva, uma lente grande-angular, uma objetiva normal, uma objetiva
olho de peixe, etc. A seleção da objetiva produz importantes consequências na
construção do ponto de vista físico da fotografia. Uma objetiva grande-angular,
por exemplo, pode auxiliar o fotógrafo na inclusão de muitas informações no
quadro ou destacar o primeiro plano, fazendo com que ele pareça enorme em
comparação com o fundo. Já uma teleobjetiva pode compactar uma imagem e
dar a impressão de que objetos aparentemente distantes estejam próximos um do
outro. Henri Cartier-Bresson (1908-2004), por exemplo, fotografou quase todos
os seus trabalhos com uma objetiva padrão de 50 mm.

Foco
Dentro das questões técnicas, o foco é um elemento que deve ser analisado.
O fotógrafo tem a possibilidade de controlar a localização do foco e também os
objetos que ficarão nítidos. Um elemento da fotografia pode ser destacado sobre
os demais como ponto de maior nitidez dentro do quadro. A força da mensagem
se deve muito ao foco. Conforme Feijó (2018), uma “pequena falta de foco de
todos os elementos que compõem a imagem pode servir para a suavização dos
traços, o contrário acontece quando há total nitidez que demonstra a rudeza ou
brutalidade da realidade”.

Paolo Pellegrin (1964-), em Civis chegando a Tiro depois de fugir de suas


aldeias no sul do Líbano (2006) (Fig. 9), mostra uma imagem sob condições
precárias de luz, proporcionando desfoque e embaçamento devido à vibração
da câmera causada por longas exposições. Ele procura intensificar o drama e a
expressividade da cena.

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Figura 9 – Paolo Pellegrin. Civis chegando a Tiro depois de fugir


de suas aldeias no sul do Líbano, 2006. Fotografia
Fonte: Lowe, 2017

Ângulo/Ponto de Vista
A câmera pode ser situada na mesma altura do sujeito ou objeto a ser fo-
tografado, como também abaixo ou acima dele. Feijó (2018) observa que, ao
fotografarmos com a máquina de um ângulo superior (de cima para baixo) ou de
um ângulo inferior (de baixo para cima) temos que nos preocupar com a impres-
são subjetiva causada por esta visão. Segundo ele, a máquina na posição de um
ângulo superior (Fig. 10) tende a diminuir o sujeito em relação ao espectador e
pode significar derrota, opressão, submissão, fraqueza do fotografado; enquanto
que em um ângulo inferior (Fig. 11) pode ressaltar a sua grandeza, sua força, seu
domínio. Evidentemente, que essa análise vai depender do contexto em que a
altura da câmera for usada.

Figura 10 – Cindy Sherman. Sem título nº 92 (série Centerfolds), 1981. Fotografia


Fonte: Lowe, 2017

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Figura 11 – Dmitri Baltermants. Ataque, 1941. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

Dados Biográficos e Comentários Críticos Sobre o Autor


Também é importante dispormos de informações sobre o fotógrafo como, por
exemplo, uma pequena biografia e de comentários críticos e técnicos realizados
por especialistas – e também realizados pelo próprio autor da imagem – sobre a
obra fotográfica em análise. Esses dados podem auxiliar na melhor compreensão
da imagem, ainda que uma crítica ou análise possam vir acompanhados de
interpretações pessoais, mas, neste caso, é fundamental que fique claro sua intenção
de personalizar a análise.

Outras Informações
Nesta seção, podem ser incluídos dados disponíveis como, por exemplo, a
utilização de filtros fotográficos (ópticos ou digitais), utilização de imagens negativas,
técnicas de revelação ou pós-produção, entre outras informações que podem estar
disponíveis em catálogos ou nas fontes de origem da fotografia.

Uma fotografia também pode incorporar inscrições de letras, palavras, textos,


frases ou outros elementos verbais (Figs. 12 e 13) em duas dimensões diferentes:
como objeto, resultado da presença de marcas, calendários, cartas, anúncios
luminosos, etc., ou como componente conceitual relativamente à expressão
direta de uma palavra ou frase sub ou sobreposta. A legenda da foto pode ter sido
deliberadamente inscrita pelo autor em algum lugar do texto fotográfico como um
título. Este espaço também fica reservado para a inclusão de outros conceitos que
podem estar relacionados com o nível morfológico da análise da fotografia.

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

De 1977 a 1985, o fotógrafo norte-americano Jim Goldberg (1953-) documentou a vida de


Explor

pessoas afetadas pela crise econômica e social nos Estados Unidos, na época. Ele fotografou
hóspedes temporários em um hotel onde famílias viviam em situação de pobreza e também
casas de ricos. Ele questionou as pessoas sobre suas vidas, esperanças e medos, perguntando:
“Se você morresse ou deixasse este espaço amanhã, e se esta foto fosse colocada na porta
como uma lembrança de você, o que você diria?” (LOWE, 2017, p. 247). Na figura 12 lemos:
“I love David. But he is to fragile for a rough father like me.” (“Eu amo David. Mas ele é frágil
para um pai áspero como eu.”). E, na figura 13: “I wish I could see more softness within myself.
Most of the time, as though in limbo, I feel caught between an iceberg and a desert.” (“Eu queria
poder ver mais suavidade dentro de mim. Na maioria das vezes, como no limbo, eu me senti
atrapalhada entre um iceberg e um deserto.”). Conforme Lowe (2017), “a justaposição do
texto escrito à mão e da imagem faz a conexão com as pessoas parecer tangível e visceral;
ela explora o espaço entre o que pode ser visto e o que está sendo dito”.

Figura 12 – Jim Goldberg. Figura 13 – Jim Goldberg.


Ricos e pobres, 1979. Fotografia Ricos e pobres, 1983. Fotografia
Fonte: Lowe, 2017 Fonte: Lowe, 2017

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Anexos
Ficha Para Análise Fotográfica – Nível Técnico
Há uma grande quantidade de propostas de metodologias para a análise fo-
tográfica, que contemplam várias etapas, desde a análise técnica até a narrativa.
A partir do estudo de Felici (2004), e de sua proposta de fichas para esse tipo
de análise, apresentamos, a seguir, a ficha 1 que contempla elementos do nível
técnico, apresentados nesta unidade. A adaptação busca o desenvolvimento de
uma análise fotográfica básica, por meio da identificação dos principais elemen-
tos constantes nas imagens.

ANÁLISE FOTOGRÁFICA
FOTOGRAFIA

Ficha 1 – Nível técnico


ELEMENTO SIM / NÃO ANÁLISE
1. Dados gerais
Título e data da fotografia
Autor(a), nacionalidade, nascimento/morte
Fonte da imagem
Gênero(s) e local da fotografia
Estilo, escola ou movimento artístico
2. Parâmetros técnicos
P/B, cor
Formato original
Câmera
Suporte
Objetiva(s)
Foco
Ângulo/ponto de vista
Dados biográficos sobre o autor
Comentários críticos sobre o autor
Outras informações:
Análise realizada por:
Fonte: ficha adaptada de Felici (2004)

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Análise Fotográfica – Nível Técnico – Exemplo


ANÁLISE FOTOGRÁFICA
FOTOGRAFIA

Figura1 – Ansel Adams. Tempestade de inverno se dissipando, Yosemite Valley, c.1935. Fotografia
Fonte: Lowe, 2017
Ficha 1 – Nível técnico
ELEMENTO SIM / NÃO ANÁLISE
1. Dados gerais
Tempestade de inverno se dissipando,
Título e data da fotografia
Yosemite Valley, 1944.
Ansel Adams, norte-americano, 1902-1984

Autor(a), nacionalidade, nascimento/morte

Figura 12 – Malcolm Greany. Ansel Adams, 1950


Fonte: Wikimedia Commons
LOWE, Paul. Mestres da fotografia.
Fonte da imagem
São Paulo: Gustavo Gili, 2017.
Paisagem, Parque Nacional de Yosemite, Califórnia
Gênero(s) e local da fotografia
(Estados Unidos)
Estilo, escola ou movimento artístico Não

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2. Parâmetros técnicos
P/B, cor P/B
Formato original 39,5 x 48,5 cm
Grande formato. Exposição 1/5 segundos e abertura
Câmera
f/16. Marca da câmera não identificada.
Película negativa Isopan de 64 ASA
Suporte
de 8” x 10” (20 x 25 cm)
Objetiva(s) Objetiva Cooke Series XV de 12 ¼ polegadas
Foco Extremo
Ângulo/ponto de vista Central
Após uma viagem ao Yosemite National Park, então com 14 anos, Adams
começou a experimentar a fotografia. A partir de 1937, viveu por dez
anos no parque onde conheceu profundamente sua geografia e condições
meteorológicas de forma que sabia exatamente quando e onde fotografar
Dados biográficos sobre o autor para alcançar o resultado que queria. Ele era membro da organização
ambiental Sierra Club, onde pode atuar pela preservação de áreas naturais
americanas como um ativo ambientalista. Juntamente com Paul Strand e
Edward Weston, fundou o influente Grupo f/64, nome referente à abertura
mínima de uma objetiva que dá maior profundidade de campo.
Juntamente com o fotógrafo Fred Archer, Adams desenvolveu a
ideia do Sistema de Zonas, método para exposição e revelação
da fotografia em preto e branco, com dez zonas de densidade, de
Comentários críticos sobre o autor
preto puro a branco puro com uma graduação sutil de tons de cinza
no intervalo. Em algarismos romanos, 0 representa preto puro; X,
branco puro; e V, cinza médio.
Outras informações: Não
Análise realizada por: Rita Jimenez
Fonte: ficha e conteúdo adaptados de Felici (2004 e 2009)
Explor

Figura 3 – Peter Fraser


Fonte: Lowe, 2017
Com base na ficha 1 – Análise fotográfica – Nível técnico, apresentada nesta unidade,
analise a fotografia de Peter Fraser (Figra 3), uma construção que parece estar viva.
Dicas: confira o site do fotógrafo e também o livro Mestres da Fotografia, de Peter Lowe
(Gustavo Gili, 2017, p. 106-107). https://goo.gl/BMya65

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UNIDADE Análise da Imagem – Nível Técnico

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
Calendário de concursos de fotografia
https://goo.gl/S4u45c

 Vídeos
Ansel Adams a documentary film
Escrito e dirigido por Ric Burns, 2002. Documentário dedicado ao fotógrafo e
ambientalista norte-americano Ansel Adams (1902-1984), mestre nos aspectos
técnicos e estéticos da fotografia de paisagem em preto e branco.
https://youtu.be/hNvMBvkmjvU

 Leitura
Como descobrir informações técnicas de uma foto pelo PC
https://goo.gl/Z6Wbo4
Da fotografia analógica à ascensão da fotografia digital
https://goo.gl/X2QXn2

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Referências
FEIJÓ, Cláudio. Linguagem fotográfica. Universidade Estadual de Londrina/
Especialização em Fotografia [2018]. Disponível em: http://www.uel.br/pos/
fotografia/wp-content/uploads/downs-uteis-linguagem-fotografica.pdf. Acesso
em: 13 mar. 2018.

FELICI, Javier Marzal. Cómo se lee una fotografia – Interpretaciones de la


mirada. Madri: Cátedra, 2009.

________, Javier Marzal. Proposta de modelo de análise da imagem fotográfica


– Descrição dos conceitos contemplados. In: I Congresso de Teoria e Técnica
dos Meios Audiovisuais, Castellón (Espanha), 2004. Disponível em: http://www.
analisisfotografia.uji.es/root2/meto_por.html. Acesso em: 25 fev. 2018.

HACKING, Juliet (ed.). Tudo sobre fotografia. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

LOWE, Paul. Mestres da fotografia. São Paulo: Gustavo Gili, 2017.

MAUAD, Ana Maria. Na mira do olhar: um exercício de análise da fotografia nas


revistas ilustradas cariocas, na primeira metade do século XX. In: Anais do Museu
Paulista. v. 13. n.1. Jan.-Jun. 2005. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/
anaismp/article/view/5417/6947. Acesso em: 26 fev. 2018

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