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Linguagem Fotográfica

Material Teórico
Subgêneros Fotográficos Contemporâneos e o Mercado de Trabalho

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Rita Garcia Jimenez

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Subgêneros Fotográficos
Contemporâneos e o
Mercado de Trabalho

• Subgêneros Fotográficos Contemporâneos


e o Mercado de Trabalho;
• Fotografia Newborn, de Gastronomia
e de Animais de Estimação (pets).

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Conhecer os subgêneros contemporâneos da fotografia como lin-
guagem e seus elementos constituintes;
· Entender as peculiaridades dos subgêneros e suas possibilidades no
mercado de trabalho;
· Valorizar a pesquisa sobre linguagem fotográfica por meio dos seus
subgêneros.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
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e o Mercado de Trabalho

Subgêneros Fotográficos Contemporâneos


e o Mercado de Trabalho

Figura 1 – Maurício Nahas. Campanha da agência Young & Rubicam Brasil para a empresa de sorvetes Freddo.
O trabalho recebeu ouro e prata na categoria Print & Publishing no Festival de Cannes (França), em 2016. As imagens
da campanha mostram o esforço de crianças para salvar o sorvete ao levarem um tombo. Fotografia publicitária.
Fonte: oneclub.org

Os quatro gêneros da fotografia que estudamos – retrato, paisagem, natureza-


morta e documental – abrangem grande parte dos temas dentro da fotografia,
entretanto, com o seu desenvolvimento, outras imagens foram sendo agrupadas em
subgêneros, abrindo espaço para um número praticamente infinito de variantes. É
como se a cada conceito ou ideia de tema, pudéssemos criar um subgênero. Bem,
não há nada que impeça isso.

Mas, para que possamos estudar e entender melhor as características de alguns


subgêneros, teremos de delimitá-los, definindo algumas áreas. Assim, passaremos
a estudar a fotografia de ação/esportes, de arte, de eventos (casamentos,
formaturas), de moda, publicitária, newborn – fotografia de bebês recém-nascidos
–, gastronomia e de animais de estimação (pets). Como dissemos, a lista é enorme.
Seja qual for o seu objetivo pessoal – profissional ou amador –, a definição de
uma área parece ser importante, ainda que você possa se interessar por diversas
áreas. A fotografia oferece muitas oportunidades no mercado de trabalho em todos
os seus segmentos; entretanto, fique atento: a qualificação e a criatividade são
elementos fundamentais.

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Fotografia de Ação/Esportes
Quanto maior for o seu conhecimento sobre o tema que você pretende fotografar,
maiores serão as suas chances de realizar um bom trabalho. Por exemplo, caso o
objetivo seja fotografar uma corrida de automóvel ou um jogo de voleibol, e você
desejar ficar em uma posição pré-definida – como a linha de chegada ou perto
da rede –, é melhor chegar cedo para se posicionar. Quando se está iniciando,
acompanhar um evento esportivo amador pode ser uma boa dica para realizar
experimentações.

Figura 2 – Simonkr. Scoring a goal. Fotografia de esporte


Fonte: iStock/Getty Images

Imagens esportivas fantásticas dizem algo sobre o esforço ou a realização de


um atleta. “Não basta simplesmente capturar o ponto máximo de ação; embora
isso possa atrair o fã de esportes, é preciso haver um elemento a mais para atrair
o interesse do espectador em geral”, ressalta Präktel (2010, p. 147). Para tanto,
é importante que o fotógrafo conheça minimamente as regras do esporte que irá
fotografar e o seu funcionamento, tendo, assim, melhores condições de prever e
reagir aos diferentes momentos que fatalmente surgirão.

E atenção para o que disse um ex-fotógrafo de esportes do The New York Times:
“Se você viu acontecer, perdeu a foto” (PRÄKTEL, 2010, p. 147). Antecipação,
nesses momentos, é tudo. Fotógrafos de esportes e de ação precisam se antecipar,
prever o que acontecerá. A ênfase será sempre nos participantes (atletas), mas
reações do público também podem render boas fotos. Normalmente, essas reações
ocorrem antes ou depois de lances cruciais, assim, não vá perder um lance desses
para fotografar o público, certo?

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e o Mercado de Trabalho

Uma técnica que oferece bons resultados


é seguir o movimento com a câmera para
bater a foto, isso contribui para que você
capte o auge de uma ação. A velocidade
do obturador, por exemplo, é fundamental
para o registro e, se for o caso, para o “con-
gelamento” do movimento. O importante
é que, em grande parte dos casos, quanto
mais perto você chegar da ação, seja por
meio da posição da câmera ou da distância
focal, melhores serão suas fotos.

O equipamento necessário em relação a


câmeras, objetivas e acessórios depende do
quanto você estará perto daquilo que quer
fotografar e do fluxo da ação. Para a maior
parte dos eventos esportivos e de ação, Figura 3 – MediaProduction.
uma teleobjetiva média (70-200 mm) será Capoeira na praia. Fotografia de ação
o suficiente. Fonte: iStock/Getty Images

Fotografia Contemporânea de Arte


O contraste entre a subjetividade do fotógrafo e a objetividade aparente
da câmera é uma questão fundamental. Enquadramento e composição
seletivos podem criar conexões ou justaposições que talvez revelem um
significado mais profundo (LOWE, 2017, p. 160).

A afirmação de Lowe demonstra que a fotografia é um tema intrigante e com-


plexo para os fotógrafos. Ao aplicar um modelo conceitual de pensamento com
base na prática das belas-artes, a fotografia encontrou um novo mundo com pro-
fundidade e ressonância.

O pictorialismo foi o movimento de vanguarda que aplicou os princípios das


belas-artes à fotografia de meados da década de 1880 até 1910. Henry Peach
Robinson, em 1869, estabeleceu que a base da representação pictórica na fotografia
seria uma mistura de arte, natureza, autenticidade, beleza e uma boa quantidade
de artifícios de estúdio: “O fotógrafo tem permissão para usar qualquer tipo de
artifício ou truque necessário” (HACKING, 2012, p. 160-161).

Um exemplo importante de fotografia pictorialista é Primavera (Figura 4), de


1896, do francês Robert Demachy. O artista começou a usar o processo de goma
bicromatada no qual é acrescentado um pigmento que confere cor de “sangue” ou
sépia às fotos, mostrando um resultado próximo da pintura de forma artística e cria-
tiva. O processo produzia imagens pictóricas a partir de negativos fotográficos.

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Figura 4 – Robert Demachy.
Primavera, 1896. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

Na segunda década do século XX, o fotógrafo norte-americano Alvin Langdon


Coburn (1882-1966) escreveu em um artigo intitulado Por que a câmera tam-
bém não deveria se livrar dos grilhões da representação convencional? e
concluiu: “Pense na alegria de fazer algo que seria impossível de classificar, ou de
saber qual a parte de cima ou de baixo!” (HACKING, 2012, p. 197). Coburn foi
um dos primeiros a produzir fotografias não-figurativas (figuras 5 e 6).

Figura 5 – Alvin Langdon Coburn. Figura 6 – Alvin Langdon Coburn.


Vortógrafo, 1917. Fotografia Vortógrafo II, 1917. Fotografia
Fonte: utexas.edu Fonte: Hacking, 2012

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e o Mercado de Trabalho

O início do século XX, marcado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918),


pela forte industrialização do mundo, quebra de paradigmas sociais e culturais,
obviamente, influenciou a arte. Pouco tempo depois, a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945) fez com que artistas europeus migrassem para a América, proporcio-
nando a aproximação e a mixagem de ideias dos dois continentes.

Os fotógrafos, por sua vez, especialmente a partir dos anos 1960, passaram a
criar estratégias, performances – manifestação artística interdisciplinar que pode
combinar teatro, música, poesia ou vídeo, com ou sem público – e eventos feitos
especialmente para a câmera de forma mais contundente e frequente, desafiando
o estereótipo tradicional da fotografia, ou seja, a noção do fotógrafo solitário,
remexendo a vida diária em busca de uma imagem de grande impacto visual ou de
conteúdo profundo, especialmente social. “Essa estratégia foi pensada para não só
mudar a maneira como pensamos sobre nosso mundo físico e social, mas também
para levar esse mundo a dimensões extraordinárias”, analisa Cotton (2010). Era a
fotografia contemporânea de arte abrindo e encontrando seu espaço.

Território Preferencial
Estamos vivendo um momento excepcional para a fotografia, pois hoje o
mundo da arte a acolhe como nunca o fez e os fotógrafos consideram as
galerias e os livros de arte o espaço natural para expor seu trabalho. Ao
longo de toda a história da fotografia, sempre houve quem a promovesse
como uma forma de arte e um veículo de ideias, ao lado da pintura e da
escultura, mas nunca essa perspectiva foi difundida com tanta frequência
e veemência como agora. Atualmente, a aspiração de muitos fotógrafos
consiste em identificar a “arte” como o território preferencial de suas
imagens (COTTON, 2010, p. 7).

Uma das principais características da fotografia contemporânea de arte é a


utilização maciça da cor, ainda que alguns artistas realizem com competência
trabalhos em preto e branco. Outra questão importante é que as fotografias
resultam de estratégias ou de acontecimentos administrados pelos fotógrafos
com o único propósito de criar uma imagem. Essa abordagem significa que o
ato da criação artística começa muito tempo antes de a câmera ser efetivamente
fixada na posição adequada e de a imagem ser registrada. Entretanto, essa
estratégia não exclui trabalhos fantásticos que registram um momento específico
de forma espontânea.
Explor

William Eggleston. The Hasselblad Award, 1998. Fotografia: https://goo.gl/hL6fQS

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Figura 7 – Philip-Lorca diCorcia. Cabeça nº 7, 2000. Fotografia
Fonte: Cotton, 2010

O artista norte-americano Robert Rauschenberg (1925-2008), conhecido como


pintor e escultor e por seus trabalhos que “combinavam” objetos achados com pin-
tura, passou, a partir dos anos 1980, a produzir suas próprias fotos. Céu japonês
(1988) (Figura 8), da sua Série do Alvejante, mostra um uso altamente inovador
da tecnologia fotográfica ao trabalhar com uma câmera Polaroid e aplicar alvejante
de forma desordenada sobre folhas grandes de filme Polapan, resultando na elimi-
nação de algumas imagens. A série explora a tensão entre realismo e abstração.

Figura 8 – Robert Rauschenberg. Céu japonês, 1988. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

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Atualmente, boa parte das melhores publicações fotográficas, tanto na for-


ma tradicional do livro impresso quanto na forma digital – on-line ou não –,
são decorrentes de trabalhos de fotógrafos de arte que trabalham em um estilo
de observação, alheios a regras ou temas pré-estabelecidos. A fotógrafa norte-
americana Eileen Quinlan (1972-) propõe na série Smoke & Mirrors (2005) um
ato de fotografar totalmente autoconsciente.
Explor

A seguir, temos a fotografia de Eileen Quinlan. Smoke & mirrors, 2005: https://goo.gl/9zpHsV

Já profissionais mais jovens como Lisa


Oppenheim (1975-) e Carter Mull (1977-)
“debatem-se criativamente com a reali-
dade hibridizada da fotografia de hoje”
(COTTON, 2010, p. 234). Esse conhe-
cimento de dois mundos (o analógico e
o digital) faz com que essa geração tenha
consciência da herança material da foto-
grafia de arte e também das mudanças
significativas da imagem digital. Entre
2008 e 2009, Mull realizou uma série de
fotografias com foco no jornal Los An-
geles Times, cheias de cores e padrões
vibrantes, explorando a linguagem, o re-
lacionamento das pessoas com imagens
em um mundo saturado de imagens e o
espectro da morte da mídia impressa e
da fotografia química. O artista enfoca o
Figura 9 – Carter Mull. Los Angeles
equilíbrio entre as motivações analítica e Times, segunda-feira, 23 de fevereiro
subjetiva, inerentes ao uso da abstração de 2009, 2009. Fotografia
na fotografia contemporânea (Figura 9). Fonte: moma.org

A japonesa Rinko Kawauchi (1972-), por sua vez, configura narrativas sutis
e até certo ponto melancólicas sem o auxílio de textos interpretativos. Na série
AILA – que significa grande família em turco –, a sequência de imagens pontuais
inclui fotos de animais e seres humanos, ninhos de insetos e matrizes de ovas de
peixe, gotas de orvalho, quedas d’água, arco-íris e copas de árvores. Rinko não é a
única no universo da fotografia de arte no mundo contemporâneo a simplificar as
estratégias fotográficas, permanecendo fiel à noção de que tudo à nossa volta são
imagens esperando para acontecer.

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Fig. 10 – Rinko Kawauchi. Sem título, 2004, da série AILA. Fotografia
Fonte: Cotton, 2010

O projeto on-line de Jason Evans (1968-), O bom de cada dia http://www.thedailynice.com/


Explor

é uma resposta criativa ao potencial da internet para a divulgação de seu pensamento


fotográfico contemporâneo, fora do sistema tradicional das galerias, por exemplo. Todo o
dia, e por apenas 24 horas, o fotógrafo exibe uma imagem de algo que fotografou e que, ao
mesmo tempo, é intrigante, atraente e transmite uma atmosfera de alegria.

Os fotógrafos dos nossos dias propõem de forma inesgotável novas formas de


expressão da fotografia como arte em um ambiente progressivamente digitalizado,
ainda que haja espaço para o trabalho analógico.

Fotografia de Eventos
Trabalhar com eventos é um outro bom nicho de mercado no mundo da foto-
grafia. Congressos, seminários, feiras, casamentos, batizados, formaturas, nasci-
mentos etc., outra lista que parece não ter fim. Nessa área, o profissional pode
se especializar e obter bons resultados financeiros, especialmente se realizar um
trabalho de alta qualidade, tanto técnica quanto artisticamente. Uma boa dica é
tentar um estágio em um estúdio de primeira linha e que seja reconhecido pelos
seus trabalhos.

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Uma das maiores qualidades de um fotógrafo de eventos é a discrição. “Só de-


pois de meia hora da cerimônia religiosa começada é que eu fui perceber que havia
um fotógrafo na igreja. Eu escolhi aquele profissional pela discrição, pela forma
como ele se movimentava sem interferir na cerimônia.” A afirmação é de Rodri-
go Lopes, fotógrafo profissional (ZUANETTI et al, 2002, p. 146), esse é um dos
pontos mais importante na vida de um fotógrafo de eventos: ele deve saber transi-
tar pelo local sem chamar a atenção. Quantas vezes vemos um fotógrafo sendo o
centro das atenções?

Figura 11 – Estúdio Aszmann. Casamento na igreja do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro. Fotografia
Fonte: Zuanetti et al., 2002

Conferiremos agora algumas dicas para fotografias de casamento e de formatu-


ras, os eventos mais comuns nesse tipo de cobertura fotográfica.

Dicas para Fotografias de Casamento


O trabalho de fotografar um casamento começa muito antes do grande dia.
Em primeiro lugar, converse com o casal e entenda sobre as fotografias que eles
querem – por exemplo: mais clássicas ou informais, ou ambas, dependendo do
momento da cerimônia. Vamos conferir algumas dicas do fotógrafo Joe Mcnally
para fotografias de casamento (MCNALLY, 2018):

1. Você não terá todo o tempo do mundo


Uma festa de casamento tem ações ininterruptas com todos os tipos de atraso e circuns-
tâncias imprevisíveis. Em nenhum momento (na maioria das vezes), você terá tempo
suficiente para fazer o seu trabalho. Prepare-se para correr o dia todo e fotografar
apressadamente, mas cujo resultado passará a ideia de que você teve todo o tempo do
mundo para configurar, compor, organizar e dirigir a ação. Por isso, saiba que você deve
aproveitar todos os momentos para tirar fotografias maravilhosas em poucos segundos.

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Figura 12 – Fotografia de Joe McNally
Fonte: McNally, 2018

2. Lista sobre o que fotografar


Sobre a lista de o que fotografar, certifique-se de obter uma. Ou, se você tiver uma
conversa com os noivos e eles não tiverem uma lista formal sobre o que desejam, converse
com eles a respeito e anote tudo. Mantenha as anotações em um local acessível.

3. Fotografando grupos
Se você for fotografar casamentos, com certeza trabalhará com grupos. O mantra de
toda fotografia em grupo nesses cenários é simples e sucinto: faça rápido e de forma
divertida. Dirija a ação! Atribua alguma atividade aos convidados! Certifique-se de que
todos consigam ver a câmera com os dois olhos! Assim, você saberá que ninguém ficará
parcialmente bloqueado. Use fontes de luz frontais. Quanto mais suave, melhor.

4. Organização é fundamental
Imediatamente, organize uma estação de trabalho, caso seja possível. Alguma mesa
pequena fora do caminho da ação e razoavelmente segura para deixar o equipamento
extra, e que tenha uma fonte de energia para carregar várias baterias da câmera e do
flash. Um computador também deve ser ligado nessa mesa, sendo conectado a duas
unidades de disco rígido. Durante a festa, saia de cena nos momentos tranquilos e faça
o download dos cartões de memória, troque as baterias e grave pastas das imagens em
vários dispositivos de armazenamento. Sente-se quando possível, fotografar casamentos
é uma atividade exaustiva e, por isso, faça algumas pausas durante o trabalho para
continuar com disposição ao longo da festa.

5. Chegue cedo
Chegue ao local do evento com antecedência. Negocie um horário antecipado para
fotografar os bastidores dos preparativos dos noivos. Quanto mais próximo você estiver
demonstrando sua personalidade discreta e agradável, mais rápido os noivos ficarão
acostumados quando a ação começar. Familiarize-se com a festa de casamento.
Fonte: adaptado de Mcnally (2018).

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Dicas para Fotografias de Formatura


Formaturas são eventos emocionantes, tanto para os formandos quanto para
seus parentes. Atualmente, não são apenas os estudantes de ensino médio e de
faculdade que passam por cerimônias de formatura, mas até mesmo crianças do
maternal e da pré-escola passam por cerimônias para marcar a passagem para os
próximos níveis de escolarização. Sendo assim, atenção: o local dessas cerimônias é
muito diversificado, desde teatros e auditórios até ginásios ou simples salas de aula.

Vamos, então, conferir algumas dicas das fotógrafas Dixie Dixon e Lindsay Sil-
verman para realizarmos um bom trabalho em formaturas (DIXON e SILVERMAN,
2018).

1. Fique o mais próximo possível


Isso será mais fácil em grupos menores; geralmente, em formaturas de ensino médio
e de faculdade, é pouco provável que você fique próximo dos formandos. Prepare-se
trazendo uma teleobjetiva, você precisará de um zoom com um alcance de pelo menos
200 mm ou 300 mm.

Figura 13 – Dixie Dixon


Fonte: Dixon e Silverman, 2018
2. Aumente a ISO
Dependendo da sua câmera, você poderá aumentar a ISO significativamente, permitindo
que você use uma velocidade de obturador maior, o que ajuda a obter fotos mais nítidas.

3. Ajuste a câmera
Durante a cerimônia, não se preocupe com ajustes manuais, a menos que você conheça
a sua câmera muito bem. Ajuste a câmera em Auto Programado (Modo P) e deixe a
câmera fazer todos os ajustes por você. Você obterá belas fotos e conseguirá curtir a
cerimônia de formatura. O mesmo vale para o foco, se você tiver uma lente com foco
automático, use esse recurso; se você não tem uma lente com foco automático, é uma
boa ideia conseguir uma emprestada para o grande dia.

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4. Dê zoom e preencha todo o enquadramento
Principalmente quando o seu formando estiver atravessando o palco para receber o
diploma, você deverá focar nele. Tirar uma foto do formando recebendo o diploma do
diretor ou do reitor é uma ótima foto. Isso sem dizer que você também deve tirar uma
foto “mais aberta” de toda a turma.

5. Seja criativo
Tire fotos espontâneas, além de retratos formais e fotos de todo o grupo.

6. Disparo contínuo
Para imagens dos graduandos aceitando os seus diplomas, seja no palco ou não, ajuste
a câmera para disparo contínuo, para que você possa capturar tantas fotos quanto a
câmera permitir.
Fonte: adaptado de Dixon e Silverman (2018)

Fotografia de Moda
No final dos anos 1970, o diretor editorial
da revista Vogue, Alexander Liberman, des-
creveu a fotografia de moda como “uma ope-
ração sutil e complexa que envolve arte, talen-
to, técnica, psicologia e vendas” (HACKING,
2012, p. 488). Na fotografia de moda, inevi-
tavelmente, o fotógrafo adapta sua forma de
trabalhar em função das tendências do merca-
do, ou até mesmo criando tendências visuais
em conjunto com editores, produtores e até a
indústria da moda.

Terry Jones, fundador da icônica publica-


ção de estilo, a revista britânica i-D, e o fo-
tógrafo Steve Johnson criaram importantes
documentos fotográficos durante a década
de 1990. Eles foram pioneiros de um estilo
documental de retratos de rua. Punks, jovens
adeptos do estilo new wave – moda colorida e
irreverente – e outras pessoas que passavam
por um determinado lugar vestidas com estilo
eram parados e fotografados em frente a um
muro com suas próprias roupas. Atualmente, Figura 14 – Wolfgang Tillmans. Suzanne & Lutz,
essa forma de registrar o estilo das ruas é utili- vestido branco, saia militar (1993). Fotografia
zada por blogueiros em diversos países. Fonte: Wikimedia Commons

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A década de 1990 marcou sobremaneira a fotografia de moda. Ao assumir o


cargo de editora da Vogue britânica, Alexandra Schulman, em 1992, a revista
começou a assimilar um estilo de fotografia neorrealista, com modelos pálidas e
extremamente magras, posando em ambientes
desolados. Não tardou para a publicação come-
çar a receber críticas. Em 1997, o então presi-
dente dos Estados Unidos, Bill Clinton, criticou
publicamente a fotografia de moda no estilo
“heroin chic”, afirmando que ela promovia o
abuso de drogas.

Hoje as imagens de moda são impulsionadas


por narrativas coloridas e poéticas. Da mesma
forma que designers de moda reinterpretam
tendências passadas, os fotógrafos contemporâ-
neos buscam, muitas vezes, inspiração no pas-
sado, misturando influências de outras épocas.
Miles Aldridge (1964-) em Festa com jantar
nº 5 (2009) (Figura 16), trabalho realizado para
a Vogue italiana, lembra uma obra fotográfica
Figura 15 – Madame Yevonde. Lady
da década de 1930, de Madame Yevonde, es- Bridgette Elizabeth Felicia Henrietta Augusta
pecialista em um processo químico que produzia Poulett como “Aretusa”, 1935. Fotografia
cores vibrantes (Figura 15). Fonte: Hacking, 2012

Figura 16 – Miles Aldridge. Festa com jantar nº 5, 2009. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

Fotografia de Moda no Brasil


A fotografia de moda é um mercado em ascensão no Brasil. Eventos de moda
como o São Paulo Fashion Week (SPFW), uma das maiores semanas de moda
do mundo, realizada anualmente na capital paulista, e a Fashion Rio, no Rio de
Janeiro, estão aí para confirmar isso. O reconhecimento de modelos brasileiras
nas passarelas da Europa e dos Estados Unidos e do trabalho de estilistas nacionais

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como Fause Haten, Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Reinaldo Lourenço
também têm contribuído para essa expansão.

Para os fotógrafos brasileiros, de maneira geral, é mais fácil seguir as tendências


da moda e da fotografia de moda, pois, como os europeus estão uma estação à
nossa frente, o que foi visto no mundo da moda no verão europeu vai, obviamente,
influenciar o verão brasileiro – e assim ocorre em todas as estações.

Bob Wolfenson
Desde que iniciou sua trajetória profissional, aos dezesseis anos, no estúdio da
Editora Abril, em São Paulo/SP, o paulistano Bob Wolfenson (1954-), um dos mais
importantes fotógrafos do Brasil, trabalhou com os principais gêneros fotográficos,
e com sucesso, tanto em seu estúdio quanto em viagens pelo Brasil e pelo mundo.
Esse fotógrafo é uma das referências nacionais como retratista, fotógrafo de nus
e, principalmente, de moda. Wolfenson transita entre a publicidade e a arte com
muita desenvoltura. Já trabalhou para as principais revistas de moda e música,
como Vogue, Elle, S/N, Playboy, Harper’s Bazaar, Marie Claire e Rolling Sones.

Wolfenson publicou vários livros de fotografia: Jardim da Luz (Editora DBA/


Companhia das Letras, 1996), Moda no Brasil por brasileiros (Cosac Naify, 2003),
Antifachada – Encadernação dourada (Cosac Naify, 2004), Cinépolis (Schoeler,
2009), Apreensões (Cosac Naify, 2010), Belvedere (Cosac Naify, 2013) e 24x36
(Schoeler Editions, 2013), entre outros.

Wolfenson é também criador e editor da revista de arte e moda S/N. Muitas de


suas obras fazem parte dos acervos do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Itaú
Cultural, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Brasileira – Faap,
Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC/USP), Zacheta National
Gallery of Art (Varsóvia), entre outras coleções. Além de seus projetos autorais,
em 2016, foi cocurador da exposição de Otto Stupakoff ao lado de Sergio Burgi,
no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro (WOLFENSON, 2018).

Figura 17 – Bob Wolfenson. Naomi Campbell para a revista Vogue, 2016. Fotografia
Fonte: Bob Wolfenson, Vogue - 2016

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UNIDADE Subgêneros Fotográficos Contemporâneos
e o Mercado de Trabalho

J.R. Duran
Outro nome de destaque na fotografia de moda no Brasil é Josep Ruaix Duran
é conhecido como J.R. Duran (1952-), nascido na Espanha, mas desde 1970
radicado no Brasil. Em 1979, montou seu estúdio em São Paulo/SP e começou
a fotografar para revistas de moda como Vogue e Elle Brasil. Ao mesmo tempo,
começou a trabalhar para agências de publicidade como DPZ, McCann, Thompson,
Talent e para clientes como Johnson & Johnson, General Motors, Volkswagen,
Souza Cruz, British American Tobacco e outros.

Em 1984, realizou sua primeira exposição, Beijos Roubados, na Galeria Paulo


Figueiredo, em São Paulo/SP. Ganhou sete prêmios Abril de Jornalismo. Foi capa
da edição nacional da Veja, em janeiro de 1988, com o título O mago das lentes.
Tem ensaios a respeito de seus trabalhos publicados nas revistas Forum (alemã),
Zoom (edições francesa, italiana e japonesa), Man (espanhola) e Photo (francesa).

Em 1989, mudou-se para os Estados Unidos, onde trabalhou para Harper’s


Bazaar USA, Elle (edições francesa, inglesa, italiana e espanhola), Mademoiselle,
Glamour, Tatler, Vogue (alemã), assim como para agências de publicidade como
Grey, Saatchi & Saatchi, DDB e outras. Em 1995, voltou a morar no Brasil.
Duran é conhecido por saber contextualizar bem o local onde a foto é realizada.

Figura 18 – J.R. Duran. Aline Weber por J.R. Figura 19 – J. R. Duran. Fiorella Mattheis
Duran para Vogue Brasil, 2014. Fotografia para a revista Talk, 2016. Fotografia
Fonte: J. R. Duran, Vogue - 2014 Fonte: J. R. Duran, Talk - 2016

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Fotografia Publicitária
Os fotógrafos que atuam em publicidade têm um olhar diferente, por exemplo,
dos fotojornalistas, que se comprometem exclusivamente com a verdade. Na foto-
grafia publicitária, é preciso criar no público o desejo de consumo de um produto
ou serviço ou mesmo de um estilo de vida por meio do apelo visual. Além disso,
será preciso estar sempre atento aos lançamentos de novos produtos e tendências
em um ambiente que, naturalmente, é dos mais competitivos.

A fotografia de publicidade abrange tudo o que pode ser anunciado. É, portanto,


um subgênero da fotografia híbrido e muito amplo. Para anunciar um piso, por
exemplo, faz-se uma foto de arquitetura; de um banco, vende-se a satisfação do
cliente; em um pacote turístico, uma viagem, o foco são as paisagens ou o confor-
to de hotéis. Na parte técnica, por exemplo, uma joia normalmente exige grande
experiência em macrofotografia.

Ricardo Barcellos. Lua, campanha de divulgação do Teleton 2013, da Associação de Assistên-


Explor

cia à Criança Deficiente (AACD), 2013. Anúncio. Agência: Z+ https://goo.gl/GW2PFu

Importante! Importante!

Uma das maiores preocupações na fotografia publicitária é o direito de imagem. É


importante que o fotógrafo, ou a produção do trabalho, providencie as assinaturas de
autorizações de modelos ou de propriedades de terceiros antes da realização das fotos,
evitando questões judiciais. Em relação aos modelos, a autorização de uso de imagem
com fim comercial é feita por meio de um contrato de prestação de serviços e licença de
imagem. Quando não há fins comerciais, como exposições, ilustração de artigos, etc., é
necessário apenas uma autorização para uso de imagem. Um termo de compromisso
que descreva as obrigações do modelo também deve ser elaborado. Da mesma forma,
quando o profissional fotografa um imóvel, animal, objeto, obra de arte, automóvel ou
qualquer bem que tenha um proprietário que possa ser identificado, precisa de uma
autorização assinada do uso de imagem da propriedade (ZUANETTI et al, 2002).

Os anos 1980 foram importantes na definição de uma nova estética na fotografia


publicitária, especialmente na moda. Houve uma diluição forte nas barreiras que
separavam foto publicitária das artes visuais. Guy Bourdin (1928-1991), fotógrafo
francês de moda, revolucionou o setor, produzindo imagens publicitárias a serem
publicadas em revistas que privilegiavam a inovação estética em vez do produto
(Figura 20). Bourdin contribuiu efetivamente para a criação de uma vanguarda na
fotografia publicitária. A partir daí, limites foram rompidos e, ao mesmo tempo,
instauradas muitas polêmicas.

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e o Mercado de Trabalho

Figura 20 – Guy Bourdin. Charles Jourdan campaign, 1975. Fotografia


Fonte: imgrum.org

O diretor de criação e fotógrafo italiano Oliviero Toscani (1942-) comandou,


em 1992, a controversa campanha da Benetton que apresentava uma série de
situações reais, entre as quais a de um homem morrendo de aids em um hospital.
A foto original, Os últimos momentos de David Kirby, foi tirada por Therese Frare
(1958-), em 1990, e publicada em preto e branco na revista norte-americana Life.
A imagem retratava David, vítima de aids, à beira da morte. A Benetton utilizou
uma versão colorizada para torná-la mais próxima de um anúncio. A intenção da
empresa era a conscientização em relação à doença. Apoios e críticas marcaram a
campanha, que foi acusada de homofóbica. A empresa contribuía financeiramente
para uma fundação de combate a AIDS.

Fig. 21 – Therese Frare. Os últimos momentos de David Kirby, 1990.


Fotografia colorizada para a campanha da Benetton, em 1992
Fonte: Hacking, 2012

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Figura 22 – Therese Frare. Os últimos momentos de David Kirby, 1990. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

Mercado de Trabalho
Agências de publicidade, escritórios de design, editoras e clientes diretos –
que procuram diretamente o profissional – são, basicamente, as grandes fontes
de trabalho do fotógrafo publicitário. Normalmente, as agências de publicidade
possuem uma estrutura maior, com departamentos e setores especializados, e é
onde o fotógrafo pode ser melhor remunerado. Entretanto, muitas vezes, a criação
do fotógrafo é limitada em função da atuação dos diretores de arte. A fotografia é
a ponta do processo no qual o cliente encomenda o trabalho e a área de criação da
agência produz o trabalho. Após ser aprovada, a peça publicitária é executada, em
conjunto, pela criação e pelo fotógrafo.

Já os escritórios de design têm estruturas mais enxutas e a criação se dirige à


comunicação visual, cujo objetivo é a divulgação do trabalho. A atuação é realizada
em conjunto, favorecendo à criatividade do fotógrafo junto ao criador da ideia.

Fotografia Newborn, de Gastronomia


e de Animais de Estimação (pets)
Fotografia Newborn (bebê recém-nascido)
Os primeiros dias de recém-nascidos são importantes para a família e, acredite,
passam muito rápido. Esse é o período que a fotografia newborn – recém-nascido,
em inglês – abrange. Esse subgênero, específico e especializado, é comum nos
Estados Unidos e na Austrália, tendo crescido nos últimos anos no Brasil.

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e o Mercado de Trabalho

O ensaio newborn tem por objetivo registrar os primeiros dias de vida do bebê,
normalmente até o 15° dia, assim como suas feições e características. Há duas
vertentes: pose/estúdio, que apresenta uma produção, tanto em relação ao cenário
e acessórios quanto às poses do bebê e dos pais; e life style (estilo de vida), que
resulta em fotos mais naturais e se preocupa com o registro do recém-nascido e sua
família, em geral, na residência; são fotos mais espontâneas.

Figura 23 – Katrinaelena. Newborn baby girl wearing angel wings, 2017


Fonte: iStock/Getty Images

Figura 24 – Tempura. Pais millennials, movendo-se para um novo apartamento, 2017


Fonte: iStock/Getty Images

Fotografia de Gastronomia
O subgênero de fotografia de gastronomia pode ser vinculado à natureza-morta
ou foto publicitária; entretanto, têm suas próprias especificidades. Caso o fotógrafo
não queira se envolver com a produção, será indispensável um especialista que
domine as técnicas de manipulação de alimentos. A questão é que o alimento tem
de parecer saudável e o mais apetitoso possível, quer seja nos livros de culinária,
revistas ou em embalagens de produtos.

Na maioria dos casos, o ajuste de iluminação é fundamental. Uma das soluções


pode estar na escolha de filtros coloridos que tornem a foto mais viva, ou no uso
de uma luz intensa em alguma parte que queremos destacar. O profissional, no

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caso da gastronomia, precisa ter grande experiência para obter bons resultados. A
preparação dos cenários também é importante. Nesse segmento, perfeição não é
opção, é obrigação.

O fotógrafo de gastronomia começa, frequentemente, escolhendo os ingredien-


tes com melhor aspecto, selecionando-os, muitas vezes, entre dúzias de produ-
tos, tendo o cuidado de selecionar alimentos reserva para o caso de imprevistos.
O trabalho, na maioria dos casos, é demorado. Um dos grandes desafios é encon-
trar um bom fornecedor de ingredientes.

Você precisará, também, de adereços para a composição das fotografias, esses


se dividem em dois grupos: a) adereços de cozinha: louças, talheres, pratos, tábuas
de cozinha, cestos, tigelas; b) adereços que contribuem para a composição, mas
que não fazem parte do prato, como flores ou objetos atraentes, por exemplo.

Figura 25 – Ribeirorocha. Picanha, 2018. Fotografia


Fonte: iStock/Getty Images

Figura 26 – Yulkapopkova. Salada de abóbora, 2016. Fotografia


Fonte: iStock/Getty Images

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e o Mercado de Trabalho

Fotografia de Animais de Estimação (pets)


Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em
2013, o Brasil contava com mais de 132 milhões de animais de estimação, sendo
39,4% cães; 28,7% aves canoras (pássaros que cantam) e ornamentais; 16,7%
gatos; 13,6% peixes; e, 1,6% outros (répteis e pequenos mamíferos) (BRASIL,
2013). Esses números demonstram o potencial do mercado para fotos de animais
de estimação no país.

Vamos conferir 10 dicas que Patrícia Zwipp (2018) sugere para se fotografar
um bichinho de estimação, segundo o fotógrafo Andrew Darlow, autor da obra Pet
photography 101: tips for taking better photos of your dog or cat.

1. Comece devagar
Câmeras causam curiosidade nos animais de estimação. Coloque o equipamento ao
redor do pescoço ou segure-o na mão enquanto acaricia ou brinca com o pet, deixando
com que o cheire e analise. Comece a tirar fotos com uma certa distância e se aproxime
aos poucos, para que ele se acostume com seus sons e luzes.

2. Planeje o horário da foto


Se o cão é muito agitado, fotografe-o depois da volta de uma caminhada. Assim, terá
menos energia e melhor capacidade de escutar, o que facilita sua meta de fazer com que
se sente e permaneça no lugar enquanto é clicado. Quer uma foto em movimento e o
gato é preguiçoso? Espere para colocar a sessão em prática depois de sua soneca.

3. Escolha bem o local


Fotografe o animal de estimação em um lugar já frequentado por ele e onde se sinta
confortável. Levá-lo a um espaço desconhecido fará com que os novos cheiros, paisagens
e sons o distraiam.

4. Avalie a luminosidade
Os melhores momentos para fotografar fora de casa são 10h e 14h, quando o sol
emite luz dourada. Evite o meio-dia, porque a posição solar faz com que a luz achate os
objetos, animais e pessoas.

5. Pense no cenário
Não é necessário colocar mil e um itens decorativos de Natal, por exemplo, para montar
o cenário. Um objeto disposto no fundo, como uma guirlanda ou uma caixa de presente,
basta. Se quiser incrementar, dê algum brinquedo em formato de boneco de neve, por
exemplo, para o pet.

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6. Não perca o foco
Para evitar imagens borradas, selecione a opção “ação” ou “modo pet” na câmera.
Em relação ao flash, tenha cuidado, esse pode deixar os olhos do animal vermelhos. Se
realmente precisar usá-lo, fique longe do “modelo” e use o zoom.

7. Escolha a pose
Uma boa fotografia depende de a pose parecer natural. Alguns animais saem melhor
deitados no sofá e outros em pé, por exemplo.

8. Fique atento ao ângulo


Cães maiores podem ficar bem deitados no sofá enquanto você os fotografa localizado
a poucos passos atrás. Também vale acompanhar com a câmera o movimento do gato
enquanto caminha pela mesa. Teste vários ângulos.

9. Peça ajuda
Fazer com que o pet olhe para a câmera no momento do clique não é tarefa simples.
Peça a ajuda de alguém para que chame sua atenção ao falar seu nome ou mostrar
recompensas.

10. Tenha paciência


Ao contrário das pessoas, os animais não são treinados a sorrir e posar para fotos, ou
seja: tenha calma. Clique o pet em intervalos de 10 a 15 minutos.

Figura 27 – Andresr. Happy boy with a beautiful dog, 2016. Fotografia


Fonte: iStock/Getty Images

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Figura 28 – Rebecca Mack. Tippy, 2017. Fotografia


Fonte: iStock/Getty Images

Trocando ideias...Importante!
Se temos no Brasil 132 milhões de animais de estimação, conforme dados de 2013 do
IBGE, não será difícil você encontrar um para fotografar. Se você tiver um, melhor, fica
mais fácil; mas, se não, experimente convidar um amigo que tenha um pet para realizar
um ensaio fotográfico. Você já tem as dicas de como proceder, então, vá em frente!
Fotografe o animal com e sem seu dono, em um ambiente fechado (um estúdio?) ou ao ar
livre. Utilize as técnicas que você aprendeu, inclusive as de outros gêneros e subgêneros,
todas são importantes. Faça uma série de fotografias produzidas e espontâneas. Você vai
se surpreender. Ah, depois mostre para o seu amigo.

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Canon College
Técnicas de aprimoramento em fotografia. Dowload gratuito.
https://goo.gl/icsnrM

Leitura
Fotografia na era digital: produção, protagonismo e performance –
problemas para a Educação Física/Ciências do Esporte
BITENCOURT, Fernando Gonçalves. Fotografia na era digital: produção, protagonismo
e performance – problemas para a Educação Física/Ciências do Esporte. Motrivivência
– Revista de Educação Física, Esporte e Lazer, Universidade Federal de Santa Catarina,
v. 26, n. 43. 2014.
https://goo.gl/ixjosn
A Fotografia de Moda e a Produção de Sentidos
KALIL, Samara. A fotografia de moda e a produção de sentidos. IV Mostra de Pesquisa
da Pós-Graduação – PUCRS, 2009.
https://goo.gl/qiF4UL

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UNIDADE Subgêneros Fotográficos Contemporâneos
e o Mercado de Trabalho

Referências
BRASIL. Ministério da Agricultura. IBGE – População de animais de estimação
no Brasil – 2013 – Em milhões. 2013. Disponível em: <https://goo.gl/zFhrmC>.
Acesso em: 19 fev. 2018.

COTTON, Charlotte. A fotografia como arte contemporânea. São Paulo:


Martins Fontes, 2010.

DEJEAN, Karen Lynne. Fotografia newborn. Relatório apresentado como parte das
exigências para conclusão do Módulo 3 do curso de Fotografia – Focus. [2018]. Disponí-
vel em: <https://focusfoto.com.br/wp-content/uploads/2017/08/FOTOGRAFIA
-NEWBORN.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2018.

DIXON, Dixie e SILVERMAN, Lindsay. 20 dicas para excelentes fotos de


formatura. [2018]. Disponível em: <http://www.nikon.com.br/learn-and-
explore/a/tips-and-techniques/20-dicas-para-excelentes-fotos-de-formatura.
html?generate=pdf>. Acesso em: 18 fev. 2018.

HACKING, Juliet (ed.). Tudo sobre fotografia. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

HEDGECOE, John. Guia completo de fotografia. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

LOWE, Paul. Mestres da fotografia. São Paulo: Gustavo Gili, 2017.

MCNALLY, Joe. Sete dicas para melhores fotografias de casamentos, [2018].


Disponívelem:<https://www.nikon.com.br/learn-and-explore/a/tips-and-techniques/
sete-dicas-para-melhores-fotografias-de-casamentos.html>. Acesso em: 18 fev. 2018.

PEREA, Joaquín. Los géneros fotográficos. Revista de Fotografia, Universidade


Complutense de Madri – Faculdade de Belas Artes, Madri, ano II, n. 2, abr. 2000.
Disponível em: <http://webs.ucm.es/info/univfoto/num2/index.htm>. Acesso
em: 02 fev. 2018.

PRÄKEL, David. Composição. Porto Alegre: Bookman, 2010.

WOLFENSON, Bob. Bob Wolfenson. [2018]. Disponível em: <https://www.


bobwolfenson.com.br/copy-of-home>. Acesso em: 19 fev. 2018.

ZUANETTI, Rose et al. Fotógrafo: o olhar, a técnica e o trabalho. Rio de Janeiro:


Senac Nacional, 2002.

ZWIPP, Patricia. Confira 10 dicas para fotografar seu bichinho de estimação,


[2018]. Disponível em: <http://vidaeestilo.terra.com.br/confira-10-dicas-para-
fotografar-seu-bichinho-de-estimacao,8279430f5de27310VgnCLD100000bbcce
b0aRCRD.html>. Acesso em: 19 fev. 2018.

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