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# Notas sobre o Processo da Comunicação Mediúnica

Glossário
Idéia – imagem mental de coisa concreta ou abstrata.
Pensamento –
1. enquanto ato de pensar é uma operaçao mental que consiste em formar idéias e estabelecer relações entre
elas, sob o impulso da vontade. Designa a força mental (neutra em relação aos valores morais) do Espírito –- agente
manipulador dos fluidos espirituais.
2. Também é usado como o resultado do ato de pensar, e, aí, ele revela a moralidade do agente produtor (o
Espírito) graças ao sentimento com que foi produzido.
Linguagem do Espírito – idéias e símbolos, onde a força do sentimento dá tonalidade ao pensamento (no sentido de
força mental) no processo de concretização da linguagem.
Fluido perispirítico – fluido produzido pela expansão do perispírito. É çomposto de fluido espiritual, ou seja, veicula
os pensamentos do Espírito.
Lei do Campo Mental –
“a criatura consciente, seja onde for no Universo, apenas assimilará as influências a que se afeiçoe”.

§§

Processo de comunicação mediúnica:


•Identificação do Espírito com o médium, perispírito a perispírito;
•Captação do pensamento, sensações e emoções graças às seguintes propriedades do perispírito:
expansibilidade e sensibilidade.

Segundo Herculano Pires o “ato mediúnico é o momento em que o espírito comunicante e o médium se fundem na
unidade psico-afetiva da comunicação. O espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais.
Essas vibrações irradiam-se do seu corpo espiritual atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório,
semelhante ao de um brando choque elétrico, reage o perispírito do médium. Realiza-se a fusão fluídica. Há uma
simultânea alteração no psiquismo de ambos. Cada um assimila um pouco do outro. (...) As irradiações
perispirituais projetam sobre o rosto do médium a máscara transparente do espírito. Compreende-se, então, o
sentido mais profundo da palavra intermúndio. Essa superposição de planos dá aos videntes a impressão de que o
espírito comunicante se incorpora no médium. Daí a errônea denominação de incorporação para as manifestações
orais. O que se dá não é uma incorporação, mas uma interpenetração psíquica, como a da luz atravessando uma
vidraça. Ligados os centros vitais de ambos, o espírito se manifesta emocionado, reintegrando-se nas sensaçòes da
vida terrena, sem sentir o peso da carne.”

Para entendermos o processo da comunicação mediúnica, será útil classificar os médiuns em dois grandes grupos
conforme a sua situação dentro do contexto de vida (que nada mais é do que o campo da sua atividade espiritual).
Assim, teríamos dois tipos de indivíduos:
• Indivíduos ajustados às necessidades da experiência humana. São as pessoas de sensibilidade mediúnica
normal, possuidoras de um campo magnético (aura produzida e mantida pelos seus pensamentos) entrosado
às emoções comuns.
• Indivíduos em situação magnética anômala (onde os efeitos magnéticos do pensamento aparecem
descontrabalançados., exigindo o auxílio de correntes de força que lhe ofereçam o necessário equilíbrio Tal
é a situação daqueles Espíritos em encarnação de teor purgativo (trabalho expiatório da alma que um dia
se rendeu à delinqüência) ou a situação daqueles Espíritos elevados em ação missionária junto ao Bem. São
os chamados médiuns ostensivos, ou seja, alguém com o campo magnético (aura) mais vasto, com
possibilidades de ampliação, seja nas atividades do bem ou naquelas que se reportam à prática do mal
(conforme a sua escolha).

Mas, para TODOS os indivíduos ocorrem alguns fenômenos comuns no que se refere ao manuseio da própria
faculdade de pensar. Ao nos determos com atenção sobre alguma coisa (o ato de pensar), produzimos alterações no
perispírito, levando-o a um estado de maior energização (ele se satura dos fluidos por nós produzidos). Tal estado de
saturação leva-nos a atrair (como se fôssemos ímãs) fluidos da mesma natureza daqueles por nós produzidos. A partir
daí, então, passamos a exteriorizar uma onda mental própria (emitimos fluidos) com a capacidade de produzir nos
outros estados análogos ao nosso, caso sintam afinidade com as idéias por nós produzidas. Podemos dizer que
estamos produzindo influenciação. Tal capacidade de influenciação é tanto maior quanto mais amplos sejam a nossa
capacidade de concentração e o teor de persistência nos objetivos que acalentamos.
Assim, emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham (atraímos como um ímã), idéia essa que
para logo se corporifica, com intensidade correspondente à nossa insistência em sustentá-la, mantendo-nos, assim,
espontaneamente em comunicação com todos os que nos esposem o modo de sentir. Produzimos então verdadeiras
construções na esfera da alma ou formas-pensamentos, a determinarem compulsório intercâmbio com todas as
mentes encarnadas ou desencarnadas com quem nos afinizamos. Resumidamente diríamos com o instrutor espiritual
no livro “Nos Domínios da Mediunidade”:

“Cada Espírito vive entre as forças com as quais se combina, transmitindo-as segundo as concepções que lhe
caracterizam o modo de ser.”

Concluindo, a mediunidade como capacidade de sintonia está em todas as criaturas, porque todas as criaturas são
dotadas de campo magnético particular (que é a aura produzida pelos seus pensamentos), campo esse, porém, que é
sempre mais vasto naquelas que estejam temporariamente em regime de descompensação vibratória.

Daí a importância dos nossos pensamentos concentrados em certo sentido, porque é pela projeção de nossas idéias
que nos vinculamos às Inteligências inferiores ou superiores de nosso caminho. Vale destacar também que para
manejar as correntes mentais, em serviço de projeção das próprias energias e de assimilação das energias alheias,
dispõe a alma, em si, da alavanca da vontade.

Particularizando para o caso do médium ostensivo, podemos dizer que sempre que ocorra uma sintonia psíquica entre
um emissor (o Espírito comunicante) e um receptor (o médium), há uma integração magnética entre os perispíritos
(interpenetração vibratória), estabelecendo-se um regime de troca de energias, um vai e vem em que uma vontade-
apelo e uma vontade-resposta se conjugam de forma natural ou provocada. Assim, o médium atento ao reflexo
condicionado da prece, nas reuniões doutrinárias ou nas experiências psíquicas, passa a emitir as vibrações que lhe
são próprias, às quais se entrosam aquelas da entidade comunicante, com vistas a certos fins.
Surge, então, a questão da filtragem mediúnica, pois se não há riqueza de material interpretativo na mente
mediúnica, as mais belas expressões espirituais passarão despercebidas.
Quanto mais se lhe acentuem o aperfeiçoamento e a abnegação, a cultura e o desinteresse, mais se lhe sutilizam os
pensamentos, e, com isso, mais se lhe aguçam as percepções mediúnicas, que se elevam a maior demonstração de
serviço, de acordo com as suas disposições individuais.

Transcrevemos abaixo algumas considerações de André Luiz em Mecanismos da Mediunidade (Cap.XXV Oração):

“Observamos em todos os momentos da alma, seja no repouso ou na atividade, o reflexo condicionado (ou ação
independente da vontade que se segue, imediatamente, a uma excitação externa) na base das operações da mente,
objetivando esse ou aquele gênero de serviço.
Daí resulta o impositivo da vigilância sobre a nossa própria orientação, de vez somente a conduta reta sustenta o
reto pensamento e, de posse do reto pensamento, a oração, qualquer que seja o nosso grau de cultura intelectual, é o
mais elevado toque de indução para que nos coloquemos, para logo, em regime de comunhão com as Esferas
Superiores. Qual toque de indução que nos mobiliza?

Fases do processo

1. Concentração – um ato mental ativo, onde centralizamos a mente sobre dado ponto de interesse com a
idéia deliberada de obter determinado efeito. Desdobra-se em dois gêneros, conforme seja realizado pelo
médium ostensivo ou pelo médium de sustentação (mediunidade generalizada). Pode ser em torno de uma
idéia enobrecedora, um quadro que desperte sentimentos elevados,etc. Em seguida, para o médium
ostensivo em maior profundidade, ocorre a expansão do perispírito.

2. Expansão do Perispírito – obtida como efeito da concentração do médium,i.e., é o resultado da monoidéia


mantida pelo médium durante a concentração. Vale ressaltar aqui que o médium ostensivo possui uma
natureza perispirítica – e, portanto, com reflexos no corpo - que lhe confere uma natural descompensação
vibratória. Ou seja, existe nele uma expansão perispirítica natural, sem a necessidade de concentração, o
que lhe confere, na prática, uma maior sensibilidade - maior capacidade de interagir com fluidos
espirituais.

Nota: (Perceber X Assimilar)


Poderíamos perguntar, então, qual a razão da prática da concentração para o médium ostensivo? Destacaremos
principalmente o seguinte:

Na educação da mediunidade busca-se atingir a condição de médium consciente. Ou seja, alguém capaz do uso da
sua vontade-resposta no processo do intercâmbio mediúnico. Isto terá fundamental importância no caso do
médium com um passado espiritual difícil. Ao se predispor à monoidéia edificante – concentração - o médium,
treina a capacidade de fixar os pensamentos em algo elevado, conferindo-lhe a responsabilidade de manter-se
dentro de uma conduta reta e digna na vida diária, sem a qual não logrará os resultados esperados nesse esforço
consciente. É, portanto, um esforço de auto-superação para o médium.
Considerando-se ser o médium um Espírito reencarnado como qualquer outro, i.e., sem distinções especiais, não
podemos esquecer o objetivo principal da sua encarnação: a moralização através do serviço no bem. Assim, é
de se esperar nele não alguém pronto, mas sim um indivíduo com vínculos espirituais do passado que podem
trazer-lhe sofrimentos ou alegrias na atual existência (afinização). Conscientizar-se do papel que lhe cabe na
manutenção ou modificação desse quadro, bem como das ferramentas de que dispõe para isso, tudo será
facilitado pelo uso que fará da vontade durante o treino da concentração.
Busca-se atingir com isso o automatismo do processo sempre dentro da anuência do médium. Assim, a vontade-
apelo que lhe chega do plano espiritual é correspondida ou não pela sua vontade-resposta, conforme a
conveniência ou não do intercâmbio, julgado pelo seu discernimento.

“Para o conveniente registro das comunicações espirituais é exigível que se estabeleça, mediante a concentração, o
aquientamento das ansiedades, e das turbações constantes, ruidosas e insensatas, de modo que ocorram espaços
mentais silenciosos, nos quais se captam as informações, os pensamentos das Entidades desencarnadas.” [5]

Com a expansão do perispírito o indivíduo se torna mais sensível aos fluidos do plano espiritual. Cabe, então, uma
atitude de receptividade tranqüila por parte do médium ostensivo, a fim de que possa captar as sugestões que lhe
chegam do plano espiritual.

1. Receptividade à percepção – ou seja, procuramos mudar a postura mental para um estado receptivo e
atento, diminuindo o fluxo de pensamentos tão logo sintamos a sensação de afastamento do corpo físico. Isso
permitirá depois que a impulsão nervosa do comunicante penetre nos nossos registros fisio-psíquicos, numa
expectativa serena, sem ansiedade ou tensões, para concretização da receptividade. O que se busca treinar aqui
é, sem dúvida, a habilidade em perceber e não se envolver com os fluidos percebidos (assimilá-los) numa
primeira fase do trabalho de educação. Afastar os medos, as inseguranças, tudo aquilo, enfim, que possa
contribuir para um apassivamento improdutivo por parte do médium. Tornar-se capaz de experienciar tais
estados e sair deles pela sua própria vontade, sem o desejo, ainda que inconsciente, de permanecer nesses
estados. Superada esta fase de treino (o que pode durar meses, senão anos), chega a possibilidade de se permitir
assimilar mais pronunciadamente os fluidos com que interage.

2.Assimilação fluídica – resulta do esforço consciente para propiciar a necessária afinização com o comunicante
(a partir do contato com os fluidos emitidos por este). Vamos, então, começar a absorver idéias tão próximas
quanto possível às dele (seu fluido perispirítico) em nosso mundo íntimo, para depois, com a continuidade do
processo (ver itens 4 e 5), devolvê-las com a vestimenta representada pelo nosso estilo, vocabulário, emoções e
acervo cultural. É um processo de interação com os fluidos do comunicante a partir da aproximação deste (note
que se trata de uma aproximação vibratória, i.e., aproximação mental). A intensificação da assimilação fluídica
permitirá, então, o contato com o comunicante (i.e., com suas idéias).

3. Contato com o comunicante – pode ser colocado como o ligar do interruptor do circuito mediúnico,
permitindo uma troca constante de energias entre o Espírito comunicante e o médium. No médium o que seria
esse interruptor? É o pensamento de aceitação ou adesão por parte do médium. Ou seja, enquanto ele aceite
(responda) à vontade-apelo e se mantenha dentro dessa atitude pode ocorrer o intercâmbio mediúnico.

No Cap. VII do livro “Mecanismos da Mediunidade” (André Luiz/F.C.Xavier), verificamos que ocorre, por parte
do médium, a produção do pensamento de aceitação ou adesão com a função de um interruptor para o circuito
mediúnico. O que poderia impedir tal intercâmbio? A falta de adesão (não concordar com o que está sentindo), o
desinteresse ou distrações não permitem que se estabeleça um contato com o comunicante, inviabilizando a
comunicação mediúnica (interruptor aberto). Com a consolidação do contato, há uma troca energética entre o
comunicante e o médium, daí se intensificando a interpenetração fluídica e levando ao envolvimento por parte do
médium com as idéias e sugestões do Espírito. Ao mesmo tempo ele, o Espírito, perceberá o controle exercido
pelo médium durante a comunicação, bem como a atmosfera fluídica deste que, em muitos casos, representará um
alívio para o Espírito graças ao melhor equilíbrio moral em que se encontra o médium (choque fluídico).

4. Envolvimento – a absorção das idéias do comunicante (assimilação das suas correntes mentais), com a
energização necessária dos centros de força do médium para que o fenômeno ocorra de forma ininterrupta.
Depois da recepção da mensagem (que é o envolvimento propriamente dito) vem o trabalho de expressão com a
transformação da mensagem mental em impulsos energéticos vitais e transmissão aos centros de comando do
corpo físico (manifestação).

5. Manifestação – será a transmissão da mensagem propriamente dita, durante a qual o médium procurará
manter o pensamento constante de aceitação ou adesão a fim de dar continuidade ao intercâmbio mediúnico.
(Ver [1], Cap-11, pag 88, o médium como intérprete da mensagem).
Notemos agora que pode ocorrer todo este processo até este ponto e não conseguirmos estabelecer uma comunicação
mediúnica efetiva. Podemos até assimilar fluidos perispiríticos do comunicante, permanecendo com eles por algum
tempo, sem lograr êxito na consolidação do circuito mediúnico por causas diversas (pouca afinização, pouco
magnetismo residual no médium, pouca capacidade receptiva do médium, “ruídos” como desatenção, instabilidade
emocional, desinteresse, stress, etc).

Se houver possibilidade de afinização (sintonia), ocorre, então, uma combinação dos fluidos de ambos (comunicante
e médium) até um ponto ótimo que possibilite a ação recíproca entre os dois iniciada pela assimilação fluídica.

Impedimentos ao exercício
‘(...) embora potencialmente todos sejamos médiuns, não podemos ignorar que entre ser-se médium e estar-se
preparado para o exercício da mediunidade, a distância é muito grande.”

Dividiríamos em duas classes os obstáculos encontrados para o exercício mediúnico:


1. o estabelecimento de uma dependência em relação a Espíritos inferiores (Ver a Escala Espírita em O Livro dos
Espíritos).
2. a situação psico-física do próprio médium:
• ignorância doutrinária e em relação à mediunidade;
• possuidor de reservas morais pobres, que também o leva a uma sintonia com Espíritos inferiores;
• pessoas doentes.

Segundo O Livro dos Médiuns (Cap. XVII, item 211) , a “dificuldade encontrada pela maioria dos médiuns
iniciantes é a de ter que tratar com os Espíritos inferiores, e eles devem considerar-se felizes quando se trata de
Espíritos apenas levianos. Toda a sua atenção deve ser empregada para não os deixar tomar pé, porque uma vez
firmados nem sempre é fácil afastá-los.”

O que deve o médium fazer, então?


• “armar-se o médium de uma fé sincera, sob a proteção de Deus, pedindo a assistência do seu anjo
guardião.”
• “dedicar-se com escrupuloso cuidado a reconhecer, por todos os indícios que a experiência oferece, a
natureza dos primeiros Espíritos comunicantes. (...) Eis porque o estudoo prévio da teoria é indispensável, se o
médium pretende evitar os inconvenientes inseparáveis da falta de experiência.”

Por outro lado, a ansiedade, agitação nervosa ou estado depressivo e as intenções doentias do médium produzem-lhe
bloqueios compreensíveis, afastando-se da companhia de Espíritos dignos. Assim, podemos dizer que as CARGAS
TÓXICAS de qualquer natureza bloqueiam os núcleos de transformação do pensamento captados nas
mensagens (a semelhança do que ocorre em outras atividades intelectuais, artísticas e comportamentais).
Assim , deverá o médium objetivar conquistar atitudes física, emocional e mental saudáveis. Complementando o
que foi dito acima, podemos dizer que o hábito de interiorização deve constituir a forma eficaz para que o médium
anule as interferências estranhas e insistentes que buscam penetrar na sua tela mental com o propósito de predominar
em relação às idéias saudáveis que quererá manter.

Por último, vale atentar para o que diz Kardec em relação às pessoas com problemas de súde mental:
“Deve-se afastar da prática mediúnica, por todos os meios possíveis, as que apresentem os menores sinais de
excentricidade nas idéias ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porque são evidentemente predispostas à
loucura, que qualquer motivo de superecitação pode desenvolver.”
Tais pessoas devem buscar “canalizar seus recursos mediúnicos para alguma tarefa assistencial onde, através do
tempo, encontrem o equilíbrio que procuram.”

§§

Bibliografia
• Vivência Mediúnica. Cap.6 Passividade, 1a. ed., Leal.1994.

• XAVIER, Francisco C. - Nos Domínios da Mediunidade, pelo espírito André Luiz, 10a. ed. FEB, 1979, Cap.5 - Assimilação de Correntes
Mentais.

• XAVIER, Francisco C. - Mecanismos da Mediunidade, pelo espírito André Luiz, , 9ª ed. FEB, 1986, Cap. V Átomos e Espíritos p. 52, Cap. VII
Analogia de Circuitos p. 64,Cap. IV Matéria Mental/ Formas-pensamentos/ Indução Mental, Cap. IX Cérebro e Energia/ Corrente do
pensamento.

• PIRES, Herculano - Mediunidade,2ª ed. Paideia 1992, Cap. V- O Ato Mediúnico.


• FRANCO, Divaldo P. - Temas da Vida e da Morte, pelo espírito Manoel P. de Miranda, 2ª ed. FEB, 1988, Educação Íntima.

• BACCELLI, Carlos A. - Somos Todos Médiuns, pelo espírito Odilon Fernandes, 1ª ed, Didier, 1993, Cap 17 Médiuns doentes.

Notas adicionais
1) Um pouco mais sobre a assimilação fluídica

Ref.: “Nos Domínios a Mediunidade” -Xavier, F. C./ André Luiz , Cap.5 Assimilação de Correntes Mentais FEB
10a. ed. 1979

Para entendermos a correlação dos assuntos, será útil recordar que no fato mediúnico fluido espiritual (ou fluido
perispirítico) corresponde à matéria mental das Obras de André Luiz. Assim o referido capítulo trata justamente do
processo de assimilação de fluidos que ocorre em fatos mediúnicos, ou nas palavras do Instrutor Áulos:

“Vimos aqui o fenômeno da perfeita assimilação de correntes mentais que preside habitualmente a quase todos os
fatos mediúnicos.” (Opus cit. p. 4 grifos nossos )

O Capítulo pode ser dividido em cinco partes quanto ao conteúdo exposto. Resumidamente:

(A) Descrição da situação


• - A equipe em atitude de concentração mental com a emissão de luminescência particular do sistema
nervoso, núcleos glandulares e plexos:

“Os veículos físicos apareciam quais se fossem correntes eletromagnéticas em elevada tensão.”
“Sangue, encéfalo, nervos, ossos, pele e músculos represemtam materiais que se aglutinam entre si para manifestação
transitória da alma,(...) segundo as condições em que a mente se ache.” 2 (p. 46)

Emissão de luminescência particular : sistema nervoso, núcleos glândulares, plexos. A Mente como uma esfera de
luz característica com um potencial de irradiação “
• A equipe em atitude de concentração mental produzindo irradiação de energia (fluidos).

(B) O momento da prece

• - A atitude de Clementino (o Espírito diretor da reunião):

Clementino pousou a destra na fronte do amigo (Raul Silva – o dirigente encarnado):

Amortecimento do tom vibratório habitualmente elevado, descendo à posição de Raul ( “mostrando-se-nos mais
humanizado, quase obscuro”)

Graduação do pensamento e expressão do Espírito segundo a capacidade do médium e do ambiente.

• - As mudanças que ocorrem com Clementino e com Raul Silva (o dirigente encarnado);

“A cabeça venerável de Clementino passou a emitir raios fulgurantes, ao mesmo tempo que o cérebro de
Silva, sob os dedos do benfeitor, se nimbava de luminosidade intensa, embora diversa.”

• A situação dos demais participantes:

“Fios de luz brilhante ligavam os componentes da mesa, dando-nos a perceber que a prece os reunia mais fortemente
entre si”
• Concentração mental (prece) produzindo irradiação (forma de transmissão de energia).
(C) Explicação sobre o que aconteceu com Raul Silva

• A onda de força ou jatos de forças mentais e a analogia do “contato espiritual” com a ligação elétrica de uma
lâmpada.
• A “onda mental” possui “coeficientes de força”.

“… e observei, então todo o busto, inclusive braços e mãos, sob vigorosa onda de força, a eriçar-lhe a pele, num
fenômeno de doce excitação, como que agradável calafrio. Essa onda de força descansava sobre o plexo solar, onde
se transformava em luminoso estímulo, que se estendia pelos nervos até o cérebro, do qual se derramava pela boca,
em forma de palavras. ”

• A explicação do processo:

“O jacto de forças mentais do irmão Clementino atuou sobre a organização psíquica de Silva, como a correte dirigida
para a lâmpada elétrica. Apoiando-se no plexo solar, elevou-se ao sistema neuro-crebrino. Como a energia elétrica da
usina emissora que, atingindo a lâmpada, se espalha no filamento incandescente, produzindo o fenômeno da luz.”

Jato de forças mentais: representam o pensamento e a expressão de Clementino, graduados de acordo com a
capacidade do médium e do ambiente, ajustando-se-lhe às possibilidades

A alma lança for afora de si os princípios espirituais condensados na força ponderável e múltipla do pensamento,
princípios esses com que influímos no espaço mental.

•“Então, o pensamento não escapava às realidades do mundo corpuscular ...”

Combinações dos pensamentos: crueldade, revolta , tristeza, amor, compreensão, esperança ou alegria...
... têm natureza diferenciada (com característicos e pesos próprios: adensando a alma ou sutilizando-a, além de lhe
definirem as qualidades magnéticas.

Ou seja, “a onda mental possuiria determinados coeficientes de força a se expressarem na concentração silenciosa,
no verbo exteriorizado ou na palavra escrita”

• somos naturalmente vítimas ou beneficiários de nossas próprias criações, segundo as correntes mentais que
projetamos escravizando-nos a compromissos com a retaguarda de nossas experiências ou libertando-nos
para a vanguarda do progresso –- conforme nossas deliberações e atividades., em harmonia ou em
desarmonia com as Leis Eternas.

(D) A comunhão entre Clementino e Raul Silva


•a assimilação de correntes mentais nos fatos mediúnicos
• O processo –- o que acontece.

“Comparemos a organização de Silva, nosso companheiro encarnado, a um aparelho receptor, quais os que
conhecemos na Terra ,nos domínios da radiofonia. A emissão mental de Clementino (condensando-lhe o pensamento
e a vontade), envolve RaulSilva em profusão de raios que lhe alcançam o campo interior, primeiramente pelos poros,
que são miríades de antenas sobre as quais essa emissão adquire o aspecto de impressões fracas e indecisas. Essas
impressões apóiam-se nos centros do corpo espiritual, que funcionam à guisa de condensadores, atingem de imediato
os cabos do sistema nervoso, a desempenharem o papel de preciosas bobinas de indução, acumulando-se aí num
átimo e reconstituindo-se, automaticamente, no cérebro, onde possuímos centenas de centros motores, semelhante a
milagroso teclado de eletroímãs, ligados uns aos outros e em cujos fulcros dinâmicos se processam as ações e as
reações mentais, que determinam vibrações criativas, através do pensamento ou das palavras, considerando-se
o encéfalo como poderosa estação emissora e receptora e a boca por valioso alto-falante. Tais estímulos se expressam
ainda pelos mecanismos das mãos e dos pés ou pelas impressões dos sentidos e dos órgãos, que trabalham na feição
de guindastes e condutores, transformadores e analistas, sob o comando direto da mente”.

Emissão mental -> Centros perispiríticos. (impressões) -> Sist Nervoso -> Cérebro e órgãos -> voz
“…o pensamento que nos é exclusivo flui incessantemente de nosso campo cerebral, tanto quanto as ondas
magnéticas e caloríficas que nos são particulares, e usamo-lo normalmente, acionando os recursos de que dispomos”.

(E) A diferenciação entre as criações mentais que nós produzimos daquelas que se nos incorporam à cabeça
• A nossa onda de pensamento –- caracterização. - Manejar a atenção
• A “vida mental” parasitária enquanto encarnados –- o que isso quer dizer?
• Como identificar com nitidez as correntes mentais que passamos a assimilar?

Como diferenciar as correntes mentais que assimilamos daquelas que nos são próprias?
• Identificar a nossa onda de pensamento

Nosso pensamento é irradiação que vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se:

em nossa maneira especial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos
são peculiares.

=> Assim, basta detectar a mudança, sabendo manejar a própria atenção.

Obstáculos:
Vida mental parasitária, enquanto encarnados, de vez que ocultamos a onda de pensamento que nos é própria para:

Refletir e agir com os preconceitos consagrados ou com a pragmática dos costumes preestabelecidos - Cristalizações
mentais no tempo.

Refletir e agir com as modas do dia e as opiniões dos afeiçoados. - Acomodação com o menor esforço.

O que fazer, então?

“Basta que nos afeiçoemos:


•aos exercícios de meditação,
•ao estudo edificante e
•ao hábito de discernir

para compreendermos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que
passamos a assimilar”.

À guisa de conclusão

“… a mediunidade é um dom inerente a todas os seres, como a faculdade de respirar, e cada criatura assimila as
forças superiores ou inferiores com as quais sintoniza. Por isso mesmo, o Divino Mestre recomendou-nos oração e
vigilância para não cairmos nas sugestões do mal, porque a tentação é o fio de forças vivas a irradiar-se de nós,
captando os elementos que lhe são semelhantes e tecendo, assim, ao redor de nossa alma, espessa rede de impulsos,
por vezes irresistíveis.(grifos nossos)
Estudemos trabalhando. O tempo utilizado a serviço do próximo é benção que entesouramos em nosso próprio
favor, para sempre.” (grifos nossos)
2) O Perispírito na comunicação mediúnica
Na mediunidade, é o veículo intermediário entre o Espírito comunicante e o corpo físico do médium. Diz Kardec:

“O perispírito é o órgão sensítivo do Espírito,por meio do qual este percebe coisas espirituais, que escapam aos
sentidos corpóreos. Pelos órgãos do corpo, a vista, o ouvido e as diversas sensações são localizadas e limitadas à
percepção das coisas materiais; pelo sentido espiritual, ou psíquico, elas se generalizam; o Espírito vê, ouve e sente
por todo o seu ser, o que está na esfera de irradiação de seu fluido perispirítico”17(grifos nossos)
• As propriedades do perispírito de, sob determinadas condições, expandir-se e assimilar fluidos
espirituais é que possibilitam, então, a percepção para o Espírito (encarnado ou desencarnado).

“34. O fluido perispirítico é o agente de todos os fenômenos espíritas, que só se podem produzir pela ação recíproca
dos fluidos que emitem o médium e o Espírito. O desenvolvimento da faculdade mediúnica depende da natureza
mais ou menos expansível do perispírito do médium e da maior ou menor facilidade da sua assimilação pelo dos
Espíritos; depende, portanto, do organismo e pode ser desenvolvida quando exista o princípio; não pode, porém,
ser adquirida quando o princípio não exista...” (grifos nossos)

35 As relações entre médiuns e Espíritos estabelecem-se por meio dos seus respectivos perispíritos, dependendo a
facilidade dessas relações do grau de afinidade existente entre os dois fluidos. Alguns há que se combinam
facilmente, enquanto outros se repelem, donde se segue que não basta ser médium para que uma pessoa se
comunique indistintamente com todos os Espíritos. Há médiuns que só com certos Espíritos podem comunicar-se
ou com Espíritos de certas categorias, e outros que não o podem a não ser pela transmissão do pensamento, sem
qualquer manifestação exterior. .” (grifos nossos)

• Para que ocorra a manifestação mediúnica exterior será preciso, então, além da expansão dos
respectivos perispíritos, que haja entre os fluidos perispirituais do Espirito e do médium um certo grau
de afinidade, que viabilize a combinação fluídica (assimilação).

36. Pela assimilação dos fluidos perispirituais, o Espírito se identifica, por assim dizer, com a pessoa sobre a
qual quer influir, e não somente lhe transmite pensamentos, como pode exercer sobre ela uma ação física: fazê-
la agir e falar como lhe aprouver, fazê-la dizer o que lhe parecer, servir-se , em uma palavra, dos seus órgãos
como se seus próprios fossem; enfim, podem paralisar-lhe a ação espiritual e dominar-lhe o livre-arbítrio. Os
bons Espíritos servem-se dessa influência para o bem, os maus para o mal.” (grifos nossos)

• A mediunidade é uma faculdade orgânica, possível graças à interação entre os perispíritos do


Médium e do Espírito;