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Deverá conter capa, conforme Anexo 5, com o título do trabalho, identificação do

candidato, indicação da linha de pesquisa e do Orientador proposto pelo candidato, além


de declaração, com assinatura de próprio punho, afirmando tratar- se de trabalho de sua
autoria exclusiva conforme Anexo IV.

Capa

Folha de rosto

Título

O realismo na contemporânea literatura fantástica brasileira

Resumo

Essa pesquisa tem como problema a questão do realismo na literatura fantástica


brasileira publicada nos últimos 20 anos. Historicamente a literatura fantástica teve
pouco espaço no Brasil e sofreu preconceito mesmo em outros lugares do mundo. Um
caso de relevância, para aproveitar o contexto, ocorreu na década de 70 quando Stephen
King lançou um livro que vendeu cerca de um milhão de exemplares em um mês, mas
mesmo assim ficou fora da lista dos mais vendidos do New York Times, cujo número 1
teve cerca de 50 mil exemplares vendidos.

Palavras-chave

Literatura fantástica; Literatura brasileira; realismo; dialética;

Definição do problema de pesquisa

Essa pesquisa tem como problema a questão do realismo na literatura fantástica


brasileira publicada nos últimos 20 anos. Historicamente a literatura fantástica teve
pouco espaço no Brasil e sofreu preconceito mesmo em outros lugares do mundo. Um
caso de relevância, para aproveitar o contexto, ocorreu na década de 70 quando Stephen
King lançou um livro que vendeu cerca de um milhão de exemplares em um mês, mas
mesmo assim ficou fora da lista dos mais vendidos do New York Times, cujo número 1
teve cerca de 50 mil exemplares vendidos.
Segundo Batalha (2011) em seu livro “O fantástico brasileiro: contos
esquecidos”, renomados escritores brasileiros produziram dentro do bojo da literatura
fantástica. São exemplos: Alvares de Azevedo, Aluísio Azevedo e mesmo Machado de
Assis.
Principalmente a partir desse último, reiteramos a importância do realismo na
literatura brasileira e nesse caso, mesmo na literatura fantástica.
O fenômeno a ser descortinado nessa pesquisa carece da seguinte reflexão.
Historicamente houve um preconceito para com a literatura fantástica no Brasil, seja por
parte dos escritores, críticos ou mesmo leitores. Muitos cadernos e suplementos
dedicados à cultura e literatura nem se dão ao trabalho da crítica ao gênero, pois ele
pouco aparece na imprensa. Ainda assim, nos últimos 20 anos o mercado brasileiro se
aqueceu desse tipo de literatura e os leitores passaram a consumi-lo cada vez mais.
Somamos a isso o fato de o leitor brasileiro ostentar níveis baixíssimos de dedicação à
leitura. Segundo pesquisa1 realizada pelo NOP World Culture Score Index em 30 países,
o Brasil está na 27° posição, na frente apenas de Taiwan, Japão e Coréia, dedicando em
média cinco horas e doze minutos semanais à leitura.
Porém, levantamentos feitos pela empresa GFK apontaram aumento de 24% de
vendas no ano de 2013 em relação a 2012, graças à literatura young adult” (tradução
literal para “jovens adultos”, para leitores entre 13 e 18 anos) ou a “new adult” (“novos
adultos”, voltado para pessoas entre 18 e 25 anos).
Esse fenômeno tem influencia do destaque de obras como “Harry Potter”, “O
Senhor dos Anéis”, “O Hobbit” e “As Crônicas de Nárnia” que a partir de suas
adaptações para o cinema, ganham novas edições e aumentam a vendagem. A entrada
dessas obras no marcado editorial brasileiro facilitou o destaque de uma literatura que
vinha buscando espaço desde a década de 80 e que hoje conta com autores como
Eduardo Spohr e André Vianco que já venderam na casa dos milhões.
Kopp (2011) afirma que a literatura fantástica está longe de ser um simples
devaneio. Ao analisar os cânones da literatura fantástica de ficção cientifica – Zamiatin,
Huxley, Orwell, Vonnegut e Bradbury – ele afirma que:
As representações dos meios de comunicação apresentadas pelos
autores fazem ressoar, de maneira geral, o pensamento crítico que
havia, então, acerca desses meios e situa-os como tecnologias
fundamentais para a manutenção do poder. O homem, sob essa
perspectiva, pode ser modificado e administrado através, justamente,
desses meios. Essa manutenção se resume a fazer o indivíduo abdicar
de qualquer atitude dissonante daquilo que se define como o modo
padrão de estabilidade dessas sociedades (p.6).

1 http://inspirar.com.br/blog/leitura-em-ranking-de-30-paises-brasil-ocupa-27a-posicao/
E vai além, afirmando não apenas a crítica daquele momento, mas o
desenvolvimento da sociedade em direção a modelos semelhantes àqueles. São obras do
século XX, que nos ajudam a compreender mesmo a realidade atual.
Para Lukács (1998) a obra de arte, e, portanto a literatura, deve estar ligada de
maneira intima à vida. O realismo crítico, afirma o marxista húngaro, é a verdadeira arte
capaz de fazer aquele que se depara e deleita com ela abrir os olhos e dar um passo
rumo à emancipação dos seus sentidos e da compreensão da própria realidade.
Embora o fantástico, em um primeiro momento, possa não parecer realista2, é
preciso compreender que para Lukács (2011) o realismo “não é a superfície
imediatamente percebida do mundo exterior, não é a soma dos fenômenos eventuais,
casuais e momentâneos” (p.103). O autor põe o realismo no dentro da teoria da arte,
mas combate um naturalismo que tenda à mimese ou à reprodução fotográfica.
Portanto, nosso problema de estudo se concentra no realismo crítico com
referencial marxista, tendo como objeto a literatura fantástica lançada nos últimos 20
anos no Brasil. Assim, pretendemos compreender um pouco da totalidade histórica a
partir da literatura fantástica brasileira, bem como seu desenvolvimento e situação
sóciohistóricos.

Objetivos

O objetivo geral da pesquisa é analisar a literatura fantástica brasileira publicada


nos últimos 20 anos, com base no referencial da estética marxista. A crítica marxista da
literatura tem como foco a dialética forma-conteúdo, bem como a compreensão histórica
e social da totalidade concreta. Foca também nas questões da objetividade e
subjetividade no interior da arte, colocando a arte como forma de conhecimento
particular e fundamental para a sociedade. Assim, o foco dessa critica literária é o
realismo lukásiano.
Para esse projeto é importante também recuperar o histórico do realismo crítico
no Brasil, estudos proeminentes nos últimos anos. Com isso, poderemos compreender
também peculiaridades do realismo no Brasil.
Também é objetivo dessa pesquisa compreender a literatura fantástica em suas
peculiaridades enquanto gênero literário, buscando atualizar e compreender o gênero na
contemporaneidade.
Justificativa
2 No sentido Lukácsiano.
Para Cortina (2006) há uma indissociabilidade entre obra, autor e leitor quando
se pretende estudar literatura. O leitor justifica a existência da obra, afirma o professor.
Assim cremos ser importante estudar esse gênero literário que tem ganhado notoriedade
e espaço no mercado editorial em um país que lê muito pouco.
Esses três constituintes da crítica literária nos ajudam a compreender uma dada
realidade e perceber características culturais do país, que, em última instância nos
remete a questões ideológicas, políticas, econômicas e sociais.
Em um mundo globalizado, dominado pelo Príncipe Eletrônico (IANNI, 1999) e
pelo Príncipe Digital (BITTENCOURT, 2016), compreender esses constituintes se torna
um esforço que relaciona o país com o mundo, principalmente tendo em vista que
último boom do gênero no Brasil se deu em função de obras estrangeiras de relevância
mundial.
Segundo Baudrillard (2010) a sociedade contemporânea é a sociedade do
consumo. Perdidos e sozinhos no mar do capitalismo sem volta, os indivíduos tem no
consumo a realização de suas necessidades e vontades. A literatura, outro objeto de
consumo, torna-se cada vez mais distante da realidade como forma de escapismo.
Para Kellner (2011) a cultura da mídia de um modo geral, e a literatura de modo
específico, podem descortinar características da sociedade. Segundo sua metodologia de
crítica diagnóstica, multicultural e multiperspectívica a arte é constituída por material
histórico.
Ambos os autores, trazem importantes e diversas contribuições a critica da
cultura e da literatura. Porém, carecem estudos marxistas acerca desse gênero específico
no Brasil, principalmente no que tange à ficção científica e aos demais livros desse novo
e crescente mercado.
Os estudos sobre o realismo no Brasil tem se dedicado aos clássicos e cânones
da literatura moderna (Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, etc.), quando precisamos
estudar todo e qualquer artifício literário que tenha fruição editorial e no público. E já
que nesse projeto ainda não é possível fazer crítica estética, temos como referência a
vendagem, que significa, também, que o público lê, gosta e se identifica com o gênero.
Jameson (1985) ao tratar de Lukács, afirma que para o autor húngaro “Mais
fundamental é a influencia da matéria-prima social não apenas no conteúdo, mas na
própria forma das obras” (p.131).
Portanto, esse gênero específico (forma) precisa ser também compreendido
dentro de sua dada matéria-prima social. Sendo assim, torna-se importante para o crítico
literário responder por que escrever esse tipo de literatura fantástica. Por ser um
fenômeno reconhecido, justificamos a importância dessa pesquisa.

Referencial teórico e metodológico

Para Georg Lukács a crítica e o conhecimento sobre arte estão longe de ser algo
isolado. A estética, a ética e a ontologia são dimensões fundamentais para a
compreensão da totalidade e do ser humano. Tertulian (2008) afirma que:
A concepção estética de Lukács se apoia evidentemente em toda uma
filosofia da gênese e da constituição da subjetividade humana. O
conceito de mimeis não deve enganar: longe de atribuir à arte a missão
de evocar a realidade em sua neutralidade e sua indiferença, em sua
exterioridade, os acentos decisivos estão colocados na vocação da arte
para intensificar a subjetividade, para criar, segundo a fórmula
significativa de Lukács, uma ‘ênfase’ da subjetividade. A
particularidade mais tocante de sua estética é, como já observamos, a
lógica da articulação dos teoremas estéticos a partir de uma ontologia
da existência social e da epistemologia correspondente (p.252).

Em síntese, para Lukács, o conhecimento de si do homem só pode ocorrer junto


ao conhecimento de suas relações com o mundo. A arte enquanto dimensão criativa é
uma forma fundamental do homem se relacionar, conhecer e lhe dar com o mundo.
Conhecer a arte é, portanto, conhecer também o mundo. O filósofo Leandro Konder
(2013) afirma que para Lukács a arte antropomorfiza o real em sua representação, traz o
homem para perto da arte e reconhece-o como parte constituinte da realidade.
Jameson (1985) e Tertulian (2008) indicam como fundamental, também, a
dialética entre essência e aparência. O primeiro afirma, citando Engels, que os homens
fazem sua própria história, mas a fazem em um ambiente dado que a condiciona e com
bases em relações reais já existentes; dentre estas, as relações econômicas, por mais que
possam ser influenciadas por outras – política e ideológicas, por exemplo – são em
última instância as decisivas.
O mundo, inicialmente nos aparece sob uma forma reificada, escondida e não
plena. O caminho até a essência é uma estrada pela compreensão de diversos fatores,
rumo à realidade e sua construção. Konder (2013) afirma:
Nas grandes obras de arte, os homens revivem o presente e o passado
da humanidade, a perspectiva de seu desenvolvimento futuro, mas não
os revivem como fatos exteriores, cujo conhecimento pode ser mais
ou menos importante, e sim como algo essencial para a própria vida,
como momento importante para a própria existência individual (deles,
homens) (p.137).
A arte nunca e neutra diante dos conflitos humanos que apresenta, mesmo que a
obra em questão seja fantástica aparentemente distante da realidade, sua posição precisa
ser compreendida para além da aparência.

Cronograma de execução

Referencias bibliográficas