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SUMÁRIO

Etapa I - Introdução ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais – Libras.............. 8

ESTUDO DA LÍNGUA 1 - O que você precisa saber antes começar?.............................. 9


O que é Libras?........................................................................................................................... 9
Quem são os Surdos e quem são os Ouvintes?..................................................................... 12
Culturas e Identidades em questão......................................................................................... 13
Sistema de transcrição em Libras............................................................................................ 15
Principal Característica das Línguas de Sinais..................................................................... 16
Veja no DVD – “Início de Conversa”....................................................................................... 17
ESTUDO DA LÍNGUA 2 – Apresentação Pessoal: Oi, seu sinal?……............................. 18
Atividade 1 - Alfabeto Manual – Quem é Quem?……………………………..................... 21
Veja no DVD – “MEU SINAL”…………………………………………………….................. 22
Pronomes Pessoais e Possessivos............................................................................................ 23
Sinais em foco: Formas de cumprimento / Identificação..................................................... 24
Verbos em Libras 1: LEMBRAR / ESQUECER………………………………….................. 25
Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS - 1”....................................................................... 25
Curiosidades – Primeira Publicação do Alfabeto Manual………………………............... 26
ESTUDO DA LÍNGUA 3 – Expressões Faciais na Libras................................................... 27
Atividade 2 – Qual a expressão?………………………………………….............................. 30
Atividade 3 no DVD – Reconhecendo as Expressões Faciais................................................ 31
Sinalizando: Quem? / De Quem É? / Quem É?..................................................................... 31
Veja no DVD – “Quem? / De Quem É? / Quem É?”…………............................................... 31
Sinais em foco: Pessoas, objetos e animais............................................................................. 32
Você sabia...? – “Escrita de Sinais – Sign Writing”………………………………............... 33
ESTUDO DA LÍNGUA 4 – Que dia é hoje?.......................................................................... 35
Advérbios de Tempo e Freqüência / Calendário................................................................... 35
Atividade 4 – Responda rápido............................................................................................... 39
Veja no DVD – “Dia de Prova”…………………………………............................................. 39
Curiosidades – A primeira Escola para Surdos no Brasil.................................................... 40
ESTUDO DA LÍNGUA 5 – Números em Libras.................................................................. 41
Atividade 5 – Responda rápido……………………………………………………............... 42
Veja no DVD – “Tipos de Numeração em Libras”....................................................................... 42
Sinais em foco: Localidades / Tecnologias / Caro / Barato................................................... 43

6
Verbos em Libras 3: COMPRAR / VENDER / PAGAR / TROCAR.................................... 44
Veja no DVD – “BATE-PAPO EM LIBRAS – 2”...................................................................... 44
Você sabia...? – “Soletração Rítmica” + Atividade 6 no DVD…………….......................... 45
REVISÃO DA ETAPA I........................................................................................................... 46
Etapa II – Produção e Compreensão de Sinais…………………………………................ 47

ESTUDO DA LÍNGUA 6 – Na hora certa!............................................................................ 48


Atividade 7 no DVD – Horas em contexto................................................................................ 49
Conversando em Libras – Diálogo.......................................................................................... 50
Curiosidades –“As Associações de Surdos no Brasil” ......................................................... 51
ESTUDO DA LÍNGUA 7 – Espaço de Sinalização…………………….............................. 52
Igual ou Diferente?.................................................................................................................... 52
Atividade 8 – Comparando Igual ou Diferente…………………………………................. 53
VEJA NO DVD – Vocabulário Cores e Vestuário + Atividade 9 – Certo ou Errado?............. 53
Curiosidades – “O Intérprete de Libras”……………………………………....................... 54
ESTUDO DA LÍNGUA 8 – Classificadores de formas........................................................ 56
Atividade 10 – Sinalizando classificadores............................................................................ 58
Você sabia...? – “Língua de Sinais não é Mímica!!”……………………………….............. 59
REVISÃO DA ETAPA II......................................................................................................... 60
Etapa III – Vocabulário Básico de Libras…………………………………………............. 61

ESTUDO DA LÍNGUA 9 – Exercitando Sinais.................................................................... 62


Conversando no Banco……………………………………………………............................. 63
Conversando no Consultório Médico..................................................................................... 64
Conversando na Empresa......................................................................................................... 65
Pedindo Informação.................................................................................................................. 66
Curiosidades – “As Línguas de Sinais do Mundo”.............................................................. 67
Finalizando – “ATÉ O PRÓXIMO CURSO”.......................................................................... 68
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................................ 69

7
Objetivo
Apresentar algumas das características fundamentais da Língua
Brasileira de Sinais para iniciação ao seu aprendizado e ao contato com
pessoas Surdas.

8
ESTUDO DA LÍNGUA 1
O que você precisa saber antes de começar?

O QUE É LIBRAS?
Língua Brasileira de Sinais

A Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – FENEIS

define a Língua Brasileira de Sinais – Libras como a língua materna2 dos

surdos brasileiros e, como tal, poderá ser aprendida por qualquer pessoa

interessada pela comunicação com esta comunidade. Como língua, está

composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como

gramática, semântica, pragmática, sintaxe e outros elementos preenchendo,

assim, os requisitos científicos para ser considerado instrumento lingüístico de

poder e força. Possui todos elementos classificatórios identificáveis numa língua

e demanda prática para seu aprendizado, como qualquer outra língua. (...) É

uma língua viva e autônoma, reconhecida pela lingüística.

Segundo Sánchez (1990:17) a comunicação humana “é essencialmente diferente

e superior a toda outra forma de comunicação conhecida. Todos os seres

humanos nascem com os mecanismos da linguagem específicos da espécie, e

todos os desenvolvem normalmente, independentes de qualquer fator racial,

social ou cultural”. Uma demonstração desta afirmação se evidencia nas línguas

oral-auditiva (usadas pelos ouvintes) e nas línguas viso-espacial (usadas pelos

surdos). As duas modalidades de línguas são sistemas abstratos com regras

gramaticais. Entretanto, da mesma forma que as línguas orais-auditivas não são

iguais, variando de lugar para lugar, de comunidade para comunidade a língua

2Língua materna se refere aos surdos que nascem em famílias de surdos, onde a língua comum
é a Libras. Já para surdos que nascem em famílias ouvintes onde não há comunicação em Libras
entendemos como Língua natural.

9
de sinais também varia. Dito de outra forma: existe a língua de sinais americana,
inglesa, francesa e varias outras línguas de sinais em vários países, bem como a
brasileira.

A estrutura da Língua Brasileira de Sinais é constituída de parâmetros

primários e secundários que se combinam de forma seqüencial ou

simultânea. Segundo Brito (1995, p. 36 – 41) os parâmetros primários são:

a) Configurações das mãos, em que as mãos tomam as diversas formas na

realização de sinais. De acordo com a autora, são 46 configurações de mãos

na Língua Brasileira de Sinais;

b) Ponto de articulação, que é o “espaço em frente ao corpo ou uma região do

próprio corpo, onde os sinais são articulados. Esses sinais articulados no

espaço são de dois tipos, os que articulam no espaço neutro diante do corpo

e os que se aproximam de uma determinada região do corpo, como a cabeça,

a cintura e os ombros”; (BRITO, 1995).

c) Movimento, que é um “parâmetro complexo que pode envolver uma vasta

rede de formas e direções, desde os movimentos internos da mão, os

movimentos do pulso, os movimentos direcionais no espaço até conjuntos

de movimentos no mesmo sinal. O movimento que as mãos descrevem no

espaço ou sobre o corpo pode ser em linhas retas, curvas, sinuosas ou

circulares em várias direções e posições”. (BRITO, 1995)

Quanto aos parâmetros secundários tem-se:

10
a) Disposição das mãos, em que as “articulações dos sinais podem ser feitas

apenas pela mão dominante ou pelas duas mãos. Neste último caso, as duas

mãos podem se movimentar para formar o sinal, ou então, apenas a mão

dominante se movimenta e a outra funciona como um ponto de articulação”;

(BRITO, 1995)

b) Orientação da palma das mãos, “é a direção da palma da mão durante o

sinal: voltada para cima, para baixo, para o corpo, para frente, para a

esquerda ou para a direita. Pode haver mudança na orientação durante a

execução do movimento”; (BRITO, 1995)

c) Região de contato, “refere-se à parte da mão que entra em contato com o

corpo. Esse contato pode-se dar de maneiras diferentes: através de um

toque, de um risco, de um deslizamento etc.” (BRITO, 1995)

d) Expressões faciais “muitos sinais, além dos parâmetros mencionados

acima, têm como elemento diferenciador também a expressão facial e/ou

corporal, traduzindo sentimentos e dando mais sentido ao enunciado e em

muitos casos determina o significado do sinal” (SILVA, p. 55, 2002). Ou seja,

podem expressar as diferenças entre sentenças afirmativas, interrogativas,

exclamativas e negativas.

11
Quem são os Surdos e
Quem são os Ouvintes?

Antes de começarmos nossa caminhada para o aprendizado da Língua


Brasileira de Sinais é importantíssimo que você compreenda que esta língua
não é a língua de um país mas, é a língua de um povo que se auto-denomina de
Povo Surdo3. Os surdos deste povo são pessoas que se reconhecem pela ótica
cultural e não medicalizada, possuem uma organização política de vida em
função de suas habilidades, neste caso a principal é a habilidade visual, o que
gera hábitos também visuais e uma língua também visual.

No entanto, a palavra – surdo – possui vários sentidos. O mais usado é


aquele ligado à idéia de doença, de falta, de incapacidade, de deficiência. Nem
todos os surdos se identificam como surdos, há aqueles que ouvem pouco e/ou
usam a oralidade indentificando-se como deficiêntes auditivos, outros com o
mesmo histórico preferem indentificar-se como surdo, logo não se tem uma
definição exata do termo.

Neste curso quando nos referimos aos surdos, estamos nós referindo
àqueles que utilizam a Libras assim como você utiliza a Língua Portuguesa.
O surdos para identificar aqueles que não são surdos costumam
perguntar: _ Você é ouvinte?, assim o termo ouvinte é uma forma de reconher o
não-surdo.

Talvez não tenha ficado claro o suficiente quem são os surdos e quem são
os ouvintes, mas com certeza gradativamente com o decorrer do curso você
compreenderá o significado tais termos.

3Uma Pesquisadora Surda da Universidade Federal de Santa Catarina, Flaviane Reis, explica a
expressão Povo Surdo como “uma estratégia de poder, de identidade. O que constitui este
povo? As associações, organizações locais, nacionais e mundiais de surdos, as lutas, a cultura, as
políticas. É uma representação simbólica não como uma simples comunidade a quem podem
impor regras, mas como uma estrutura forte que se defende, impõe suas próprias regras, seus
próprios princípios”. (REIS, p. 19, 2006).

12
Culturas e Identidades em Questão

Quando falamos sobre cultura muitas coisas podem vir a nossa mente,
há diferentes culturas e diferentes modos de conceituar cultura, depende do
espaço onde ela é discutida. Aqui, neste espaço lingüístico, usamos o termo
cultura para expressar “jeitos de ser e estar no mundo”, e ressaltaremos a todo
momento os jeitos de ser e estar no mundo do povo surdo, ou seja, a Cultura
Surda.
Sobre Cultura Surda podemos dizer com as palavras de Sá (p.01, 2006)4
que ““Cultura”, neste texto, é definida como um campo de forças subjetivas que
dá sentido(s) ao grupo”. No século XXI, mais do que nunca, tem-se dado
extremo valor à estética do corpo e da linguagem, mesmo que ocultamente tem-
se mantido o paradigma da alta e da baixa cultura. O discurso que ecoa é que
surdos são pessoas deficientes, que precisam entrar na linha da normalização,
precisam urgentemente ser iguais a maioria, precisam falar, ver, ouvir, andar
fazer parte de uma cultura dita padrão para então serem considerados incluídos
na sociedade.
O embate acontece exatamente porque existe um campo de forças subjetivas
que dá sentido(s) ao grupo, ou seja, existe a Cultura Surda e é a língua de sinais a
marca subjetiva que dá sentido(s) a esta cultura.
Os surdos são organizados social e politicamente, possuem um estilo de
viver que é próprio de quem usa a visão como meio principal de obter
conhecimento. A cultura surda é também híbrida e mestiça, pois não se
encontra isolada no mundo, está sempre em contato direto com outras culturas
e evolui da mesma forma que o pensamento humano. Há narrativas
normalizantes que põem os surdos como pessoas sub-culturais relatando que:

Acho que os surdos não têm uma cultura própria, têm apenas algumas
adequações. (...) Os surdos interagem com outros surdos, porque eles se

4 SÁ, Nídia Limeira de. Existe uma cultura surda? Artigo disponível em
http://www.eusurdo.ufba.br/arquivos/cultura_surda.doc. Acessado em 28/03/2007.

13
entendem na sua linguagem, e se afastam dos ouvintes pela falta de
compreensão, dando a ilusão de ter uma cultura própria5.

A contradição acontece nas narrativas surdas, elas revelam que pessoas


surdas não vivem de adaptação ou reabilitação, vivem em evolução, criam
meios de ser e de estar no mundo, como qualquer ser humano faz. Possuem a
necessidade de estar em permanente contato com outros surdos, não porque os
ouvintes não os compreendem, mas pela força da identificação cultural, pela
força da subjetividade que os atrai como um imã da mesma forma que acontece
com outros grupos sociais.

Para compreender por que existe uma cultura surda é fundamental


entrar em contato com esta cultura deixando de lado pré-conceitos que se
costuma fazer antes de conhecer, seja aberto ao novo e torne-se um ser plural.

5SÁ, Nídia Limeira. A produção de significados sobre a surdez e sobre os surdos: práticas
discursivas em educação. Porto Alegre: UFRGS/FACED/PPGEDU, 2001. (Tese de Doutorado).
Tais enunciados fazem parte da pesquisa que realizada pela citada autora com professores de
surdos.

14
Sistema de Transcrição em Libras

Já sabemos que a Libras uma língua viso-espacial, logo o melhor meio de


reproduzi-la tem sido pelo registro de imagem (vídeo), a escrita da língua de
sinais está ainda em fase de pesquisas e aceitação, no decorrer do curso você
saberá mais sobre esta escrita. Sendo assim, para transcrever a libras
utilizaremos um sistema de transcrição, que também é usado por
pesquisadores, baseado numa forma de Glosa6 com palavras da lingua
portuguesa para representar aproximadamente enunciados da Libras.
Aqui optamos apenas por algumas das convenções apresentadas por
Felipe (2001), para maiores informações consulte a bibliografia:

1) Os sinais em Libras serão representados por uma glosa (sistema de anotação)


da Lingua Portugeuesa em letras maiúsculas.

Exemplos: TRABALHAR, QUERER, NÃO-TER

2) A datilologia (alfabeto manual) que é usada para expressar nome de pessoas,


de localidades e outras palvras que não possuem um sinal, está representada
pela palavra separada, letra por letra, por hífen.

Exemplos: HOTEL I-T-A-G-U-A-Ç-U

3) Na Libras não desinencias para gênero(maculino e feminino). O sinal,


representado por palvra da língua portuguesa que possui marcas de gênero,
está terminado com o símbolo @ para reforçar a idéia de ausência e não haver
confusão.

Exemplos: EL@ (ela, ele), AMIG@S (amigos ou amigas)

Obs.: Neste primeiro curso os enunciados em libras sempre virão acompanhados da


tradução em língua portuguesa.

6 O termo Glosa neste contexto é entendido como uma palavra que traduz aproximadamente o
significado de outra.

15
Principal Características
das Línguas de Sinais

O que você vê?

Fonte: http://ervilhas.weblog.com.pt/arquivo/cat_crafts.html

VISUALIDADE – A atenção do olhar

Obviamente a atenção do olhar é imprescindível para comunicação com


pessoas Surdas já que a língua de sinais é principalmente visual se você não
olhar não entenderá o que estão dizendo. Então mesmo que você não saiba
nada sobre a língua de sinais o olhar continua sendo o ponto principal de
comunicação, poucas pessoas sabem como se comunicar com pessoas surdas, a
grande maioria fala por trás ou de costas não mostrando sua expressão facial e
com movimentos limitados do corpo.
Então o primeiro passo para a comunicação com pessoas surdas é
demonstrar pela expressão facial, pela fala pausada (sem exageros), pelo

16
apontar e pela comunicação escrita o que se quer informar. É importante você
saber também que nem todos os surdos fazem leitura labial assim como nem
todos utilizam a língua de sinais para comunicação, cada um tem suas
especificidades.
Observe a figura abaixo e note ângulo do olhar quando se utiliza a Libras
ou se pretende comunicar com pessoas surdas.

VEJA NO DVD – “Início de Conversa”

Se você já assistiu o DVD já estará ciente de como se comunicar, por


alguns instantes, com uma pessoa que utiliza o idioma Libras mesmo sem sabê-
lo.
A visualidade implica também no momento da criação de sinais para
representar objetos e pessoas, assim como o som implica no momento de criar
novas palavras. É claro que há ainda o processo de significação que se encontra
embutido na historia do que se quer representar, mas isto é uma longa
trajetória.
Agora vamos saber como é a identificação pessoal em Libras.

17
ESTUDO DA LÍNGUA 2
Apresentação Pessoal: _ Oi! Seu sinal?

Comumente quando conhecemos alguém lhes perguntamos logo o


nome, como se chama, para que todas as vezes que quisermos nos referir àquela
pessoa temos um signo que a representa. O nome que estamos falando é o que
na Língua Brasileira de Sinais denominamos de sinal pessoal ou somente sinal,
costuma-se dizer que se trata de um nome visual, um batismo, para dar início à
participação na comunidade surda.
Um nome visual, como o próprio nome diz se trata de uma marca, um
traço visual próprio da pessoa. Quando tal pessoa ainda não tem um sinal
(nome visual) usa-se o alfabeto manual que compõe o quadro das configurações
de mãos usadas na Libras. O alfabeto manual teve origem pela necessidade de
representar as letras de forma visual e era usado principalmente para ensinar
pessoas surdas a ler e escrever, na Libras o uso do alfabeto manual é
caracterizado como um Empréstimo Lingüístico7.
Assim como todas as línguas a Libras tem seu léxico criado a partir de
unidades mínimas que junto a outros parâmetros formam o sinal (vocábulo),
estas unidades mínimas denominamos de CONFIGURAÇÕES DE MÃOS, ou
seja, são as formas utilizadas para formação de sinais.
Através de algumas dessas configurações de mãos é possível representar
o alfabeto de outras línguas orais como a língua portuguesa, por exemplo.

7 Você aprenderá mais sobre esta temática no CURSO III.

18
CONFIGURAÇÕES DE MÃO

19
ALFABETO MANUAL

NÚMEROS

20
ATIVIDADE - 1

QUÉM É QUEM?

(1) JOÃO ( ) ( )

(2) PELÉ ( ) ( )

(3) MARA ( )
( )
(4) CARLOS

(5) FÁBIO
( )

(6) JOSÉ
( )
(7) ZICO
( )
(8) ROSA

(9) SÉRGI ( )
(10) PEDRO

( )
(11) SILVIA

(12) ELZA ( )

(13) EVA
( )
(14) VALDIR

(15) RAFAEL ( )

(16) IGOR ( )

( )

21
Qual o seu nome?

Agora pense no seu sinal...

PRATICANDO...
Observe as pessoas famosas e dê um sinal para elas:

VEJA NO DVD – “Meu Sinal”

22
Pronomes Pessoais / Possessivos

Pronomes Pessoais

Na Língua Brasileira de Sinais também há uma forma de representar


pessoas no discurso, ou seja, um sistema pronominal, para tanto se usa as
seguintes configurações de mão.

Singular – Todas as representações têm a mesma configuração, mudando somente a


orientação.

EU
Plural – A configuração muda conforme o número de participantes, mudando também
a orientação conforme a pessoa do discurso.

⇒ Note que a direção da


mão e do olhar é
NÓS VÓS / VOCÊS ou EL@S determinante na
significação do sinal.

Pronomes Possessivos

Os pronomes possessivos em Libras estão relacionados às pessoas do


discurso e aos objetos de posse, também não possuem marca de gênero. Mais
uma vez a direção do olhar e da mão são importantíssimos.

⇒ Note que para sinalizar


pronomes possessivos
plurais usam-se os
ME@ TE@ / SE@ - DEL@ pronomes pessoais
apropriados.

VEJA NO DVD – “Pronomes em LIBRAS”

23
Sinais em Foco:
Formas de Cumprimento / Identificação

_ Tudo Bem? _ Bem!! _ Eu sou Ouvinte. _ Eu uso Libras.

VEJA NO DVD – Vocabulário Básico

24
Verbos em Libras:
LEMBRAR / ESQUECER

VEJA NO DVD – “Bate-papo em Libras - 1”

Pratique o diálogo abaixo e veja o DVD:

Um amigo encontra outro que não via há muito tempo...

A – OI!!!!!
B – HUMM!! NÃO LEMBRAR VC...

A – ESQUECER MIM
B – NOME?

A – U-B-I-R-A-J-A-R-A R-A T-A-N-T-A M-O-R-E-I-R-A


B – U-B-I-R-A-J-A-R-A R-A T-A-N-T-A M-O-R-E-I-R-A

A – LEMBRAR?
B – LEMBRAR!!!!

25
CURIOSIDADES

PRIMEIRA PUBLICAÇÃO DO ALFABETO MANUAL

Juan Pablo Bonet


1579-1620
Publicou o primeiro livro sobre surdos com o título
“ Reduccion de las letras y arte para ensenãr a hablar a los mudos”,
onde apresenta a ilustração de alfabeto manual. Disponível em
http://www.cervantesvirtual.com/portal/signos/index.html

26
ESTUDO DA LÍNGUA 3
Expressões Faciais ou
Não-maunais

Observe as expressões faciais abaixo e dê significados para elas:

27
Expressões faciais são formas de comunicar algo, um sinal pode mudar
completamente seu significado em função da expressão facial utilizada.
Quadros e Pimenta (2006) explicam que existem dois tipos diferentes de
expressões faciais: as afetivas e as gramaticais (lexicais e sentenciais).
As afetivas são as expressões ligadas a sentimentos / emoções. Veja os
exemplos:

As expressões faciais gramaticais lexicais estão ligadas ao grau dos


adjetivos:

BONIT@

BONIT@O
BONITINH@
LIND@

28
E as expressões faciais gramaticais sentenciais estão ligadas às sentenças:

INTERROGATIVAS

COMO? O QUE? QUERER? PODE?

POR QUÊ? ONDE?

AFIRMATIVAS / NEGATIVAS

SIM NÃO

EXCLAMATIVAS

29
ATIVIDADE - 2

Qual a Expressão?

Cerrados

- sobrancelhas levantadas e boca


aberta em A

- sobrancelhas abaixadas e dentes


cerrados

- sobrancelhas levantadas, olhos


arregalados e lábios cerrados

- olhos cerrados boca aberta

- testa franzida e boca torta para o


lado

- boca em O, olhar de espanto

30
ATIVIDADE 3 NO DVD – Reconhecendo as Expressões

Visualize no DVD as expressões faciais que correspondam a uma das


alternativas abaixo:

1 – DÚVIDA ( ) MEDO ( ) RAIVA ( )

2 – ESPANTO ( ) ADMIRAÇÃO ( ) ESTRANHEZA ( )

3 – ALEGRIA ( ) SATISFAÇÃO ( ) PENSATIVO ( )

4 – TRISTEZA ( ) DESANIMO ( ) ZANGADO ( )

SINALIZANDO:
Quem? De Quem É? Quem É?

As expressões, QUEM – DE QUEM É – QUEM É, são feitas com a mesma


configuração de mão, a principal diferenciação você irá perceber no contexto, na
expressão facial e no sinal auxiliar.

VEJA NO DVD – Quem? / De Quem É? / Quem É?

31
Sinais em Foco:
Pessoas, objetos e animais.

32
VOCÊ SABIA...

Escrita de Sinais – SIGN WRITING

Os primeiros estudos brasileiros sobre a escrita da Língua de Sinais, mais


precisamente sobre o Sign Writing8, tiveram início com o Dr. Antônio Carlos da
Rocha Costa, Marianne Stumpf (Surda) e a Professora Márcia Borba, na
Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul, em 1996.9

Segundo Costa (COSTA et. al., 2004), William C. Stokoe foi o primeiro
lingüista a realizar um estudo sistemático das línguas de sinais nos Estados
Unidos, iniciando inclusive a escrita dessas línguas. O mesmo informa que:

O Sign Writing é um sistema de escrita com características gráfico-esquemáticas,


que permite uma representação de textos de línguas de sinais através de uma forma
intuitiva e de fácil compreensão. O sistema é constituído de um conjunto de
símbolos e um conjunto de regras de escrita, definidos para representar os diversos
aspectos fonético-fonológicos das línguas de sinais. Desse modo, o Sign Writing
apresenta a feição de um sistema de escrita fonética para línguas de sinais, mas
plenamente apto a suportar a delimitação de um subsistema de escrita de línguas
de sinais que tenha características estritamente fonológicas. (COSTA et. al.,
2004:pág.254).

Quadros (2004) em seu artigo, “Um capítulo da história do Sign


Writing”, relata que o Sign Writing teve origem num sistema para escrever
passos de dança, que acabou despertando o interesse de pesquisadores da
Língua de Sinais dinamarquesa que estavam procurando uma forma de
escrever os sinais. A autora nos diz também que

Em 1974, a Universidade de Copenhagen solicitou a Sutton que registrasse os sinais


gravados em vídeo cassete. As primeiras formas foram inspiradas no sistema
escrito de danças. A década de 70 caracterizou um período de transição de
Dancewriting para Sign Writing, isto é, da escrita de danças para a escrita de sinais
das línguas de sinais. (QUADROS, 2004, disponível em:
http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html).

8 Escrita criada em 1974 por Valerie Sutton, dançarina.


9QUADROS, 2004. Um capítulo da história do Sign Writing. Disponível em:
http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html.

33
A escrita de sinais de Valerie Sutton é um sistema de representação
gráfica das línguas de sinais que permite, através de símbolos visuais,
representar as configurações das mãos, seus movimentos, as expressões faciais e
os deslocamentos corporais.

O Sign Writing possui um alfabeto que pode ser comparado com o


alfabeto usado para escrever a Língua Portuguesa, a Inglesa, a Espanhola, a
Francesa, etc. Dessa mesma forma, os símbolos do alfabeto Sign Writing
também podem ser utilizados para escrever diferentes línguas de sinais.
Atualmente, o Sign Writing se encontra em uso em vários países, como
Dinamarca, Irlanda, Itália, México, Nicarágua, Holanda, Espanha, Inglaterra,
Estados Unidos e em fase de pesquisa no Brasil. (CAPOVILLA, 2002).

Um exemplo deste modo de transcrever a língua de sinais para o papel é


o seguinte:

SINAL - CURSO

Símbolo de contato -
deslize

Configuração de
mão Seta de movimento

SINAL - CASA

Símbolo de contato - Toque

Configuração de mão

34
ESTUDO DA LÍNGUA 4
Que dia é hoje?

CALENDÁRIO

35
36
Na Língua Brasileira de Sinais os advérbios também expressam
circunstâncias como: lugar, tempo, modo, dúvida, afirmação, negação e
intensidade; porém, deve-se ter cuidado com os enunciados e seus sentidos que
muitas vezes a sinalização varia em apenas um parâmetro (movimento, locação,
configuração de mão, orientação da mão e expressão facial).
Os mais comuns são:

37
EXPRESSÕES COM RELAÇÃO DE TEMPO

• SEMANA QUE-VEM
• SEMANA PASSADA
• SEMANA AGORA
• 1 SEMANA
• 2 SEMANAS
• 3 SEMANAS
• 4 SEMANAS

• MÊS QUE-VEM
• MÊS PASSADO
• MÊS AGORA
• 1 MES
• 2 MESES
• 3 MESES
• 4 MESES
• 5 MESES CUIDADO! VEJA NO DVD

• ANO QUE-VEM
• ANO PASSADO
• ANO AGORA
• 1 ANO

38
ATIVIDADE - 4

Responda rápido em Libras:


(em caso de dúvidas pesquise)

1- Que dia da semana é hoje?


2- Em mês você nasceu?
3- Quais os dias que você trabalha?
4- Quais os dias que você descansa?
5- Qual o ano do seu nascimento?
6- Qual dia, mês e ano que você começou aprender libras?
7- Que dia da semana você mais gosta?
8- Quantos meses têm um ano?
9- Qual mês você fica de férias?
10- Uma semana tem quantos dias?
11- Qual o primeiro dia da semana?
12- Qual o último dia da semana?
13- Qual o terceiro dia da semana?
14- Em que ano a Lei n.° 10.436 (que oficializa a Libras no País) foi aprovada?
15- Qual a data que se comemora o Dia dos Surdos?
16- Quando foi criada a primeira Instituição destinada a Educação de Surdos no
Brasil?
17- Em que ano foi aprovado o Decreto n.° 5.626 que regulamenta a Lei n°
10.436?

VEJA NO DVD – “Dia de Prova”

39
CURIOSIDADES
A Primeira Escola para Surdos no Brasil...

No Brasil o primeiro espaço destinado à educação de surdos foi cedido


pelo Imperador Dom Pedro II o qual convidou o professor surdo francês
Hernest Huet (conhecido também como Ernest) para ensinar a alguns surdos
nobres. Depois de aproximadamente um ano, em 26 de setembro de 1957, foi
fundado o Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de Janeiro, atualmente
denominado Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES.
O instituto atendia surdos de várias partes do Brasil, funcionava como
um internato, onde somente eram aceitos surdos do sexo masculino. Lá
aprendiam de tudo um pouco, inclusive eram preparados para o trabalho.
Para o público feminino somente em 1931 foi criado o externato com
oficinas de costura e bordado.
Foi do Instituto que surgiram os primeiros líderes surdos que ao
terminarem seus estudos retornaram aos seus Estados de origem e divulgaram
a Língua Brasileira de Sinais, reuniram outros surdos e fundaram associações,
escolas e grupos de luta pelos direitos dos surdos.

Prédio onde funciona o INES


Para saber mais visite: www.ines.org.br desde 1915 – Rio de Janeiro
www.feneis.org.br

40
ESTUDO DA LÍNGUA 5
Números em Libras

A sinalização dos números na língua brasileira de sinais acontece de


quatro formas dependendo do significado do número.

1 - Números Cardinais

Usado como código representativo é sinalizado da seguinte forma:

Exemplo: número do telefone, número da caixa postal, número da casa, número


da conta no banco...etc.

2 - Números Cardinais

Usado para quantidades. Também são sinalizados sem adição de movimento,


porém há diferenças na configuração de mão e no posicionamento dos números
de 1 a 4, observe:

Exemplo: quantidade de canetas na mesa, quantidade de pessoas presentes,


quantidade de ônibus....etc.

41
3 - Números Ordinais

São sinalizados com movimento trêmulo (veja no DVD).

4 - Valores monetários

São sinalizados com movimentos rotacionais (veja no DVD) do 1 ao 9, seguindo a


configuração de mão dos números cardinais. Do número 10 em diante acrescentasse o
sinal da moeda (REAL).

VEJA NO DVD – “Tipos de Numeração em Libras”

ATIVIDADE - 5
Invente e responda rápido em Libras:

Supondo que você more num grande prédio...


a) Em qual andar você mora?
b) Qual o número do seu apartamento?
c) Quantas pessoas moram com você?
d) Quantos andares têm o seu prédio?
e) Quantos vizinhos você tem?
f) Qual o preço do aluguel que você paga?
g) Você acha caro ou Barato?
h) Quanto você pagaria pelo apartamento?

42
Sinais em Foco:
Tecnologias / Caro / Barato

VEJA NO DVD – Vocabulário Básico

43
Verbos em Libras:
COMPRAR, PAGAR,
VENDER, TROCAR

VEJA NO DVD – “Conversando em Libras - 2”

Pratique o diálogo abaixo e assista o DVD:

Paulo caminhando na feira procura por um computador bom e barato...(P -


Paulo / V - vendedor)

P – BOA TARDE! QUERER COMPRAR COMPUTADOR BOM E BARATO.


V – OK. TEM DOIS BOM UM R$ 2.000,00 OUTRO R$ 1.500,00
P – CARO!
P – EU TER COMPUTADOR EM CASA, VC TROCAR PREÇO MENOS?
V – HUMMM...TROCAR SIM, MAS VC PARGAR HORA OK?
P – OK ! IR BUSCAR COMPUTADOR
V – OK !

44
VOCÊ SABIA...

Soletração Rítmica

Muitas pessoas acham difícil aprender a Língua de Sinais porque acham


que é tudo muito rápido, precisa ter habilidade nas mãos etc... a verdade que
realmente é necessário ter habilidade nas mãos e também na visão, e se houver
vontade a dificuldade passa. Então para treinar tanto a habilidade manual como
a visão comece a soletrar palavras pequenas de modo mais rápido e em
conjunto com um colega pratique a leitura da soletração. Veja alguns exemplos
no DVD.

ATIVIDADE 6 NO DVD – SOLETRAÇÃO RÍTMICA

No DVD você encontrará uma atividade de soletração manual, olhe com


atenção a sinalização e marque abaixo a palavra soletrada:
Obs: repita quantas vezes forem necessárias, praticando você também aprende.

1- ANA ( ) AMA ( ) ADA ( )

2- BIA ( ) BICA ( ) BIO ( )

3- MALU ( ) MARLI ( ) MILA ( )

4- ZELI ( ) ZENI ( ) ZILI ( )

5- NINA ( ) NANI ( ) NICO ( )

45
REVISÃO ETAPA I
Testando conhecimentos...

1. Observe a fala do professor e escreva em Língua Portuguesa:

Nome de pessoa Idade

a) ______________________________ __________________________

b) ______________________________ __________________________

c) ______________________________ __________________________

d) ______________________________ __________________________

Mês Ano

a) ______________________________ __________________________

b) ______________________________ __________________________

c) ______________________________ __________________________

d) ______________________________ __________________________

2. Observe a expressão facial do professor e marque a alternativa


ordenadamente:

( ) ( )

( ) ( )

( ) ( )

3. Observe os enunciados feitos pelo professor e marque a alternativa correta:

a) SEGUNDA-FEIRA FERIADO ( ) b) EL@ QUEM É ( )


SEGUNDA-FEIRA FOLGA ( ) ISSO DE QUEM É? ( )

c) HOJE VOCÊ TRABALHAR? ( )


AGORA VOCÊ TRABALHAR? ( )

4. Quanto custa?

O professor irá escolher objetos e perguntar aleatoriamente aos alunos quanto


custa e apontando para outro aluno que deverá dizer se é caro ou barato?

46
Objetivo
Dar início a produção e compreensão de sinais da Libras a partir do
conhecimento do espaço de sinalização.

47
ESTUDO DA LÍNGUA 6
Na Hora Certa!

Em Libras as horas são sinalizadas de formas diferentes dependendo do


que se quer expressar.

Para sinalizar as horas do relógio é importante saber que:

⇒ Não se sinaliza as horas com dois algarismos a partir das 13h até às 24h.
Acrescentasse o substantivo manhã, tarde, noite e madrugada quando
necessário;

⇒ Os números de 1 a 4 são sinalizados como cardinais de quantidade;

⇒ As horas são sinalizadas como quantidade enquanto os minutos são


sinalizados com cardinais como código representativo;

⇒ Para a fração 30 minutos a configuração varia de acordo com região da


comunidade surda.

Para sinalizar as horas com sentido de duração é importante saber que:

⇒ A partir do número 5 são usadas duas configurações (horas-quantidade +


cardinal como código representativo).

48
⇒ A duração das horas tem incorporação dos numerais quando se trata de
1 a 4h.

ATIVIDADE 7 NO DVD – “Horas em Contexto”

Assista no DVD os quadros da atividade “Horas em Contexto” e assinale


somente as alternativas incorretas.

(A)
(B)
(C)
(D)
(E)

Veja no DVD – Dicionário / Acontecimentos

49
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: I Seminário de Língua de Sinais: O Brasil ainda é monolíngue?


(dois participantes do seminário conversam)

A) OI! TUDO BEM?


(Olá tudo bem?)

B) TUDO BEM! VOCÊ AQUI?!


(Tudo bem! Você por aqui?)

A) IMPORTANTE. PERDER-NÃO
(Não poderia perder é importante.)

B)VERDADE. EU ATRASAR POUCO MAS CONSEGUIR VER PRIMEIR@


PALESTRA
(É mesmo, eu atrasei um pouquinho, mas consegui assistir a primeira palestra)

A) EU INTERESSE PALESTRA TARDE 14H PARECE BO@


(Estou interessada na palestra das 14h parece ser boa)

B) AMANÃ TAMBÉM TER DIFERENTES PALESTRAS. TOTAL HORAS


SEMINÁRIO?
(amanha também tem diferentes palestras. Você sabe a carga horária do
seminário?)

A) 40H
(40 horas)

B) BOM. APREDER MAIS.


(Que bom dá para aprender muito)

A) VER COMEÇAR JÁ DEPOIS CONVERSAR


(Olhe já começou, depois conversamos.)

B) CERTO VER.
(certo vou ver)

50
CURIOSIDADES
As Associações de Surdos no Brasil

A associação de surdos é o principal ponto de encontro dos surdos com


sua cultura. É na associação que floresce a política, os movimentos, a busca por
direitos e melhores condições de vida, é um lugar onde os surdos se sentem
como pessoa surda, é um espaço onde todos tem um objetivo em comum, a
busca pela liberdade e acesso ao mundo. É ainda o lugar onde a maiorias dos
surdos aprendem a Libras, através da convivência mútua como se estivessem
num ambiente familiar.
A associação de surdos é a principal fonte de informações indispensáveis
à integração social ligada a todas as áreas da vida (saúde, educação,
relacionamentos, trabalho, lazer).

No Brasil são mais de 120


DISTRIBUIÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE SURDOS Associações de Surdos que
lutam para divulgar a
cultura do povo surdo.

2 Associações

24 Associações

12 Associações

59 Associações Norte
Nordeste
Sudeste
28 Associações
Centro-oeste
Sul

Fonte: www.feneis.org.br

51
ESTUDO DA LÍNGUA 7
Espaço de Sinalização

A figura acima mostra os limites do espaço de sinalização. Importante que se


perceba que há uma área específica onde os sinais podem ser realizados, ou
seja, não podemos fazer um sinal esticando demais os braços e o corpo para
frente ou para baixo chegando aos pés, e nem para os lados.

Igual ou Diferente?

Na Libras é preciso ter atenção quando sinalizamos comparando dois


objetos, é preciso estar atento a localização desses objetos. Observe:

52
ATIVIDADE – 8

Agora faça você mesmo, sinalizando IGUAL ou DIFERENTE conforme as

formas abaixo:

VEJA NO DVD – Vocabulário Básico + Atividade 9

Atividade no DVD – (C)erto ou (E)rrado?


Observe a sinalização de cada alternativa e marque C para certo e E para errado

a)( ) d)( )

b)( ) e)( )

c)( ) f)( )

53
CURIOSIDADES

O Intérprete da Língua Brasileira


de Sinais – Língua Portuguesa
O que é o ato de interpretar?

Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa Aurélio Buarque de


Holanda Ferreira interpretar significa traduzir ou verter de língua estrangeira ou
antiga. O Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngüe da Língua de Sinais
Brasileira complementa o significado definindo que seria traduzir ou verter de
língua para outra, exprimindo a mesma mensagem.

Quem é o Intérprete da Língua de Sinais?

Intérprete é aquele que serve de língua ou de intermediário para fazer


compreender indivíduos que falam idiomas diferentes. (Aurélio, Dicionário). Ou
ainda, pessoa que traduz a outrem, na língua que este fala o que foi dito ou
escrito por outra pessoa em língua diferente. Logo o Intérprete da Língua Sinais
é aquele que interpreta de uma dada língua de sinais para outra língua, ou
desta outra língua para uma determinada língua de sinais. (Quadros, p.8, 2002).
Assim para interpretar ou traduzir uma língua é fundamental que se
domine profundamente duas línguas, por exemplo, o Intérprete de Língua
Brasileira de Sinais / Língua Portuguesa para ser um profissional intérprete
deve primordialmente dominar as Línguas Portuguesa e Brasileira de Sinais
igualmente. Pois este é responsável pelo acesso legítimo a informações
veiculadas. Outro exemplo é o Intérprete de Língua Brasileira de Sinais / Língua
de Sinais Americana (ASL), o mesmo precisa dominar profundamente as duas
línguas de sinais.

Qual a formação do Intérprete?


O decreto n° 5.626 de 22 de dezembro de 2005 em seu Capítulo V
determina que “Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua

54
Portuguesa deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e
Interpretação, com habilitação em Libras - Língua Portuguesa.”

No entanto tal curso superior ainda não é de total acesso aos


profissionais que já atuam como Intérpretes de Libras – Língua Portuguesa.
Sendo assim até que se tenha Profissionais devidamente formados toma-se por
base a formação definida pela Federação Nacional de Educação e Integração de
Surdos presente no documento – O QUE É INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE
SINAIS PARA PESSOAS SURDAS? Feneis /Belo Horizonte – MG, 1995.

Algumas dessas condições10 são:


a) Ter competência na Língua Portuguesa e na Língua Brasileira de Sinais;
b) Possuir no mínimo o ensino médio Completo, mas preferencialmente ensino
superior;
c) Ser membro ativo da Associação de Surdos local;
d) Possuir certificado expedido pela FENEIS;
e) Possuir certificado Exame PROLIBRAS – MEC;
f) Possuir alguma noção de outro idioma estrangeiro;
g) Ter noções suficientes de lingüística, comunicação e técnicas de tradução e
interpretação;
h) Ter contato com surdos adultos com freqüência comprovada;
i) Ter disponibilidade de tempo para estar presente onde se fizer necessário.

Aqui expomos somente alguns pontos básicos sobre o profissional


Interprete de Libras – Língua Portuguesa, outras informações serão dadas
gradativamente nas edições seguintes, mas você pode começar a pesquisar
sobre este tema e muitos outros a partir dos seguintes sites:
http://www.feneis.org.br
http://www.interpretels.hpg.ig.com.br/
http://www.ines.org.br
www.diariodosurdo.com.br/noticiantiga/noticia12.html
http://www.apilms.org/index.html
http://www.ronice.ced.ufsc.br/publicacoes/minidic.pdf
http://www.apilms.org/menu/downloads/livro_o_tradutor_ILS.pdf

10 Ao citar tais condições omitiu-se a condição de “ser ouvinte”, pois atualmente há também
Intérpretes Surdos que traduzem a Língua Portuguesa escrita para a Libras ou outra língua de
sinais estrangeira para a Língua Brasileira de Sinais. Acrescentou-se na segunda condição “mas
preferencialmente ensino superior”. O documento original pode ser requerido em qualquer
filial da FENEIS.

55
ESTUDO DA LÍNGUA 8
Classificadores de Formas

Já sabemos que para as línguas de sinais a descrição, a reprodução da


forma, o movimento e sua relação espacial, são fundamentais, pois tornam mais
claros e compreensíveis os significados do que se quer enunciar, estamos nos
referindo então aos classificadores em Libras.
Os classificadores constituem importante área de estudo da gramática de
língua de sinais, Brito (1995) apresentando alguns resultados de sua pesquisa
sobre gramática de Língua de Sinais explica que em Libras os classificadores
“funcionam como parte dos verbos em uma sentença, estes sendo chamados
verbos de movimento ou de localização, indicando o objeto que se move ou é
localizado” (BRITO, p. 103, 1995). Este tipo de classificador é chamado também
de Classificadores Predicativos, outro tipo são os Classificadores de formas,
objetos inanimados e seres animados que fazem parte do processo de
adjetivação.

Observe que os classificadores obedecem a regras e são representados sempre


por configurações de mãos específicas associadas a expressões faciais, corporais
e a localização, portanto nada têm em comum com mímicas.

1. CLASSIFICADORES DE FORMAS GEOMÉTRICAS

56
2. CLASSIFICADORES ADJETIVOS

57
ATIVIDADE – 10

Observe as figuras e sinalize o classificador correspondente:

58
VOCÊ SABIA...?

LÍNGUA DE SINAIS NÃO É MÍMICA!!

A mímica tem uma representação visual assim como as línguas de sinais


que utilizam o canal viso-espacial para sua exteriorização, talvez, também, por
esse motivo exista a tendência de relacionar as línguas de sinais com a mímica.
Muitas pessoas pensam que a língua de sinais é universal, é única para
todos de qualquer parte do mundo, pois basta fazer uma mímica ou gesto e o
entendimento acontece. Mas tal concepção é, um tanto, ultrapassada, pois além
de haver várias línguas de sinais como você já viu (brasileira - LIBRAS, francesa
- LSF, espanhola - LSE, boliviana - LSB, venezuelana - LSV...) hoje as pesquisas
lingüísticas comprovam a complexidade e arbitrariedade presente em todas
essas línguas. Atualmente temos livros de gramática, cursos superiores em
Letras, cursos de tradução e interpretação, literatura, artes e muita cultura.
Através da língua de sinais pode-se discutir política, economia, psicologia,
física, matemática, filosofia, física quântica e outros temas.
Para as línguas de sinais a reprodução da forma, do movimento de sua
relação espacial é fundamental, logo a criação de sinais icônicos é um fenômeno
natural e é o que chamamos também de Classificadores em Língua de Sinais.
Os classificadores permitem tornam mais claro e compreensível o
significado do que se quer enunciar. Em Libras os classificadores descritivos
“desempenham uma função descritiva podendo detalhar som, tamanho,
textura, paladar, tato, cheiro, formas em geral de objetos inanimados e seres
animados”.(PIMENTA e QUADROS, p.71, 2006).

No próximo curso o uso dos verbos classificadores em Libras será


retomado e aprofundado.

59
REVISÃO DA ETAPA II

Usando a Imaginação... e a Libras

Cada aluno(a) irá descrever um colega da


turma aos mínimos detalhes (físico,
fisionomia, roupas, acessórios, cores...) até
que se descubra quem é a pessoa.

60
Objetivo
Conhecer, praticar e revisar vocábulos que facilitam a conversação.

61
ESTUDO DA LÍNGUA 9
Exercitando Sinais...

Agora você irá conhecer alguns sinais básicos, ou seja, sinais mais usados
e que não variam muito de significado em diferentes contextos. O objetivo
principal é que você, aprendiz, ganhe mais familiaridade com a prática de
sinalização e comece a conversar em Libras. Afinal a prática é fundamental.

Nas próximas páginas e no DVD você encontrará as seguintes categorias:

VEJA NO DVD – “Vocabulário Básico”

62
CONVERSANDO...
EM LIBRAS

 Conversando no Banco

Situação: Abrindo conta no Banco (a) surdo (b) ouvinte funcionário do banco.

a) TUD@ BO@!

b) TUD@ BO@! O QUE QUERER?

a) EU QUERER ABRIR CONTA BANCO GUARDAR DINHEIRO.

b) P-O-U-P-A-N-Ç-A?

a) SIM. CERTO.

b) VOCÊ TRAZER DOCUMENTOS: IDENTIDADE, CPF, CONTA


LUZ OU TELEFONE PRECISA TER SEU NOME ENDEREÇO.

a) AGORA NÃO TER TUDO.

b) PODE AMANHÃ HORA 11:00 ATÉ 16:00.

a) OK AMANHÃ VOLTAR. OBRIGAD@. TCHAU.

b) OBRIGAD@. TCHAU.

63
 Conversando no Consultório Médico:

Situação: Marcando consulta médica. (a) recepção (b) surdo

a) TUD@ BO@!

b) TUD@ BO@! EU QUERER MARCAR MEDICO C-L-Í-N-I-C-O


G-E-R-AL.

a) IR VER AGENDA EPERAR....

a) TER HOJE AGORA HORA 3 TARDE AMANHÃ HORA 10


MANHÃ.

b) PREFERIR AGORA.

a) PODE ESPERAR PORTA AMARELA VOCÊ SEGUE ESQUERDA


SUBIR ESCADA, DIREITA VOCÊ ENTRAR, SÓ, ENTENDER?

b) SIM OBRIGAD@.

a) NADA.

64
 Na Empresa

Situação: Procurando emprego. (a) surdo procurando emprego (b) ouvinte


recepcionista.

a) BO@ DIA!

b) BO@ DIA! O-QUE VOCÊ QUER?

a) ME@ NOME R-I-C-A-R-D-O VOCÊ NOME?

b) NOME C-L-A-R-A.

a) EU QUERER SABER TER VAGA AQUI HOTEL


I-T-A-G-U-A-Ç-U?

b) DESCULPAR, PARECER NÃO-TER VAGA.

b) VOCÊ PREENCHER FICHA NOME DOCUMENTOS


IDENTIDADE CPF CARTEIRA DE TRABALHO RUA TELFONE
CONTATO. DEPOIS ESPERAR.

a) VOCÊ LIGAR CHAMAR?

b) SIM. QUANTO TER VAGA LIGAR SIM.

a) CERTO! OBRIGAD@! TCHAU!

65
 Pedindo Informação

a) VOCÊ SABER FESTA HOTEL V-A-L-É-R-I-A?

b) EU SABER-NÃO.

a) VOCÊ QUERER IR?

b) EU QUERER!!!

a) Q-U-E-M COM VOCÊ?

b) NÃO EU SOZINH@.

a) NÓS-2 IR-JUNT@.

b) HORA?

a) HORA 8 NOITE.

b) ONDE? SABE-NÃO ONDE?

a) ESQUINA RUA 15 DE N-O-V-E-M-B-R-O IR JUNTO


ENCONTRAR LÁ.

b) ESQUINA NÃO, MELHOR LIGAR PRIMEIR@ T-D-D.

a) VOCÊ TER T-D-D OU CELULAR?!

b) EU TER.

a) FÁCIL COMUNICAR.

b) CERTO, VAMOS!

66
SUMÁRIO

Etapa I - Introdução a Gramática da Libras............................................................................ 7

ESTUDO DA LÍNGUA 1 - Recapitulando.............................................................................. 8


ESTUDO DA LÍNGUA 2 – Onde fica?..................................................................................... 9
Veja no DVD – Onde fica?.............................................................................................................. 9
Pronomes demonstrativos e Indefinidos na Libras ................................................................ 10
Atividade 1 – Responda rápido em Libras............................................................................... 11
Sinais em foco: Perspectiva LONGE / PERTO.......................................................................... 12
Veja no DVD – O Mundo em Língua de Sinais............................................................................. 12
Conversando em Libras – Diálogo............................................................................................. 13
Curiosidades – “Surdos & Tecnologias”................................................................................... 14
ESTUDO DA LÍNGUA 3 – Procurando Emprego!................................................................ 15
Veja no DVD – “Procurando Emprego”………………………................................................. 15
Sinais em Foco: Profissões e Afins............................................................................................. 16
Conversando em Libras – Diálogo............................................................................................. 17
Você sabia...? – “O Tornar-se Empregável e a Formação Profissional”................................ 18
ESTUDO DA LÍNGUA 4 – A Viagem...................................................................................... 21
Expressões e Advérbios de Tempo / Freqüência..................................................................... 21
Sinais em foco: Meios Transportes............................................................................................. 22
Atividade 3 – Responda rápido…………………………………………………….................. 22
Conversando em Libras – Diálogo............................................................................................ 23
Mais uma para você responder................................................................................................. 25
Você sabia...? – “Os Movimentos Surdos”................................................................................ 26
REVISÃO DA ETAPA I ............................................................................................................. 28
Etapa II – Produção e Compreensão de Sinais…………………………………................... 29

ESTUDO DA LÍNGUA 5– A Grande Família......................................................................... 30


Conversando em Libras – Diálogo............................................................................................. 31
ESTUDO DA LÍNGUA 6 – Características Pessoais e Personalidades............................... 32
Adjetivos e Comparativos em Libras......................................................................................... 32
Atividade – De olho no contexto................................................................................................ 32
Veja no DVD – “Meu amigo é...”................................................................................................ 33
ESTUDO DA LÍNGUA 7 – “E Vento Levou...”...................................................................... 34
Tipos de Verbos na Libras .......................................................................................................... 34

5
Veja no DVD – “Aviso Importante”.......................................................................................... 35
Os verbos classificadores – Manuais e Instrumentos.............................................................. 37
Atividades no DVD – Cadê o verbo? I, II e III.......................................................................... 38
Sinais em Foco: Negação em Libras........................................................................................... 41
Veja no DVD – “Contextos da Negação”.................................................................................. 41
Conversando em Libras – Diálogo............................................................................................. 42
Curiosidade – “A Primeira Publicação sobre Língua de Sinais no Brasil”…….................. 43
REVISÃO DA ETAPA II............................................................................................................ 44
Etapa III – Vocabulário de dificuldades.................................................................................. 45

ESTUDO DA LÍNGUA 8 - PARECE, MAS NÃO É……………………............................... 46


Atividade …………………………………………………………….......................................... 46
CUIDADO COM O CONTEXTO…………………………………………………................... 47
Atividade no DVD – “SINAIS EM CONTEXTO”………………………………………........ 48
Para você conhecer – Leis em Destaque ................................................................................. 49
CONCLUINDO OS ESTUDOS................................................................................................ 59
BIBLIOGRAFIAS........................................................................................................................ 60

6
Objetivo
Conhecer aspectos gramaticais da Libras de modo
contextualizado favorecendo a prática da conversação.

7
ESTUDO DA LÍNGUA 1
Recapitulando...

Recapitulando...
Estamos, aos poucos, avançando no nosso objetivo de aprender um novo
idioma, a Libras, agora é hora de relembrar o que já foi apreendido e continuar a
caminhada...Então responda as perguntas abaixo com suas palavras para depois
apresentar ao professor(a) e seus colegas de curso:

1 – Para você as línguas de sinais são línguas de mesmo status que as línguas orais?
Por quê?
___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

2 – O que você entende por Cultura Surda?


___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

3 - Escolha um dos trechos abaixo e sinalize para seus colegas e professor(a):

a) “Hoje acordei e levei um susto, tinha um gato na minha cama!


Quando olhei de novo vi que não era um gato era o meu marido”.

b) “Todo dia a mesma coisa, acordar, trabalhar, estudar, comer e


dormir... Como fazer diferente?”

c) “Quem comeu meu queijo?”

8
ESTUDO DA LÍNGUA 2
Onde fica?

- Qual o caminho de A até B?


- Qual o caminho de B até D?
- Qual o caminho de C até A?

VEJA NO DVD – “Onde Fica?”

9
Pronomes Demonstrativos
em Libras

Observe nos sinais abaixo que os pronomes demonstrativos e os advérbios de


lugar têm o mesmo sinal a diferença se dá conforme o contexto do enunciado:

EST@ / AQUI - olhar para o lugar apontado, perto da 1ª pessoa.

ESS@ / AÍ - olhar para o lugar apontado, perto da 2ª pessoa.

AQUEL@ / Lá - olhar para um lugar distante apontando

10
Pronomes Indefinidos

Os pronomes indefinidos na Libras se apresenta das seguintes formas:

Ninguém
⇒ Usados somente para pessoas:

Ninguém / Nada
⇒ Usado para pessoas e coisas.

Nada
⇒ Usado para pessoas e coisas.
(mãos abertas esfregando-se uma na outra)

Atividade - 1

Responda rápido em Libras:


Quem está sentado a sua direita?
Quem está sentado a sua esquerda?
Quem está sentado a sua frente?
Quem está sentado atrás de você?

11
Sinais em Foco:
Perspectiva Longe / Perto
Localização regional Cidades / Estados

VEJA NO DVD – “O Mundo em Libras”

12
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: Bate-papo (duas pessoas conversando sobre a visita que receberam)

A) ONTEM PESSOAS GRUPO VISITAR ESCOLA (MUITO) BOM!


(A visita de ontem na escola foi muito boa)

B) VERDADE. LEGAL PESSOAS BRASIL DIFERENTES


(É mesmo, foi legal ver pessoas de diferentes estados do Brasil.)

A) GOSTAR MAIS PESSOAS BAHIA SEMPRE ALEGRE.


(Eu gostei mais dos baianos, eles estavam sempre alegres.)

B) EU VONTADE CONHECER BAHIA MAS (MUITO) LONGE...


(Eu tenho vontade de conhecer a Bahia, mas é muito longe)

A) FUTURO PODE...
(Quem sabe no futuro?)

B) PODE...AGORA VOLTAR TRABALHAR OK?. TCHAU


(Pode ser...Agora preciso voltar para o trabalho ok? Tchau)

A) TCHAU. NOITE ENCONTRAR.


(Tchau, a noite nos encontramos)

13
Curiosidades

Surdos & Tecnologias

O avanço das tecnologias não deixou os surdos à margem, hoje há uma grande
variedade de produtos tecnológicos que se adaptaram ao estilo de vida dos surdos
lhes proporcionando comodidade, segurança e autonomia. Veja alguma dessas
tecnologias:

14
ESTUDO DA LÍNGUA 3
Procurando Emprego

Você conhece profissionais surdos de que áreas?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

O que você tem a dizer sobre os surdos no mercado de trabalho? Há alguma

profissão que você acha que os surdos não podem exercer?

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

VEJA NO DVD – “Procurando Emprego”

15
Sinais em Foco:
Profissões e afins

Dica:
- Converse com Surdos (em Libras) sobre as profissões que eles gostariam de exercer.

16
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: Procurando Emprego

A) BO@ TARDE!
(Boa tarde!)

B) BO@ TARDE! PODE AJUDAR COISAS?


(Boa tarde. Posso ajuda-lo?)

A) EU NOME R-O-B-E-R-T-O PROCURAR TRABALHO-VAGA COZINHAR.


(Meu nome é Roberto e estou procurando uma vaga para trabalhar como cozinheiro.)

B) VOCÊ JÁ EXPERIENCIA COZINHAR? TER CURSO?


Você já tem experiência na área? Já fez algum curso?

A) TER SIM, JÁ TRABALHAR COZINHA RESTAURANTE 3 ANOS FAZER


CURSO S-E-N-A-C.
(Já trabalhei durante 3 anos em cozinha de restaurante e já fiz curso no SENAC)

B) BOM, VC CURRICULO DAR SE TER VAGA (EU) AVISAR (VOCÊ).


(Ótimo. Você deixa seu currículo e se tiver alguma vaga nós entraremos em contato com
você)

A) OK, MELHOR AVISAR CELULAR MENSAGEM OU E-MAIL


(ok, seria melhor vocês fazerem contato por e-mail ou mensagem de texto pelo celular.)

B) CERT@
(certo)

A) OBRIGAD@
(obrigodo)

B)TCHAU
(tchau)

17
Você Sabia...?

O Tornar-se Empregável e a Formação Profissional*

Texto elaborado pelo Professor Vilmar Silva*


Coordenador do NEPES – CEFET/SC

A política governamental, principalmente nos últimos tempos, tem se

utilizado de um expediente nada convincente para o trabalhador, dentre eles os

surdos, quando associa a possibilidade de emprego à melhoria na formação

profissional.

O argumento utilizado pelo governo, no início da década de 90 do século

passado, foi de que a força de trabalho no Brasil era de setenta milhões de pessoas

com uma média de três anos e meio de escolaridade, enquanto nossos vizinhos Chile,

Uruguai, Argentina e Paraguai contavam com uma força de trabalho em média com

seis anos de escolaridade. Com este quadro educacional, para um país que buscava

qualidade e produtividade para ampliar suas possibilidades no mercado

internacional, tornava-se indispensável ampliar a proposta de formação profissional

vigente e elevar o nível de escolaridade dos trabalhadores. O governo também

frisava, que no novo contexto internacional, o trabalhador – surdo ou ouvinte –,

precisava se adequar à nova realidade do trabalho, que tinha e tem como única

constante à transitoriedade, em que profissões aparecem e desaparecem

abruptamente. Na prática, significava e significa dizer que o trabalhador, para ser

produtivo, além de ser explorado, precisa buscar permanentemente a formação

profissional.

Frente à transitoriedade das profissões, nos dias de hoje, para se manter

“empregável” o trabalhador precisa de centros de formação profissional com

múltiplas entradas e saídas para se qualificar e requalificar durante toda a sua vida

produtiva.

18
Mas, como fica a formação profissional dos surdos se os centros de formação

(CEFETs, SENAI, SENAC, Universidade Públicas e Privadas, etc.) não possuem em

seu quadro de profissionais professores de Libras, Intérpretes e os projetos

curriculares não privilegiam a experiência visual dos surdos? A reposta para esta

pergunta é simples: os surdos sem uma estrutura pedagógica mínima, nesses centros

de formação profissional, não têm como se qualificar para o mercado de trabalho. Por

não possuírem uma qualificação mínima não tem como ingressar no mercado de

trabalho. Portanto, não podem ser explorados pelo capital. E por não serem

explorados enquanto força de trabalho, não possuem os pré-requisitos para adquirir

os bens materiais (televisão, geladeira, carro, casa, etc.) produzidos pela

humanidade. Isto é, no mundo do trabalho o surdo é duplamente excluído.

A lógica de se manter empregável passou a ser de responsabilidade do

próprio trabalhador. Dito de outro modo: o governo fez o seu papel quando mudou

a política nacional de formação profissional, permitindo generosamente ao

trabalhador fazer múltiplas capacitações (cursos de qualificação e requalificação,

cursos técnicos, tecnólogos, etc.). Se ele não se torna empregável é porque não se

capacitou adequadamente, ou seja, não se tornou competente para aquele trabalho,

portanto a culpa é sua e não do governo.

Por trás dessa lógica de formação permanente do trabalhador para ter uma

possibilidade de inserção no mercado de trabalho, o que se observa é uma

substituição da identidade de cidadão de plenos direitos pela identidade de cidadão

consumidor, na qual o emprego aparece como dependendo da estrita vontade

individual de formação, quando se sabe que fatores de ordem macroeconômicos

contribuem decisivamente com fechamento de postos de trabalho. O trabalhador,

nesse novo contexto do mercado de trabalho e conseqüentemente da formação

profissional, passa a ser um consumidor de conhecimentos que devem prepará-lo a

competir em um mercado onde não há espaço para todos, mas somente para alguns.

Assim, o tornar-se empregável emerge em sintonia com a definição da

19
impossibilidade de existência do pleno emprego como direito, adquirindo este a

condição de mera possibilidade.

Para se inserir no mercado de trabalho cada vez mais competitivo, o

trabalhador surdo também passa a depender de sua capacidade individual em

consumir os conhecimentos mais adequados que lhe garantam o emprego. De novo,

voltamos a pergunta anterior: como o trabalhador surdo pode ser um consumidor de

conhecimentos se os centros de formação profissional não estão preparados para

recebê-los? A situação atual é tão perversa que o Estado, nesse processo, deixa de ser

o provedor da formação profissional, permitindo a ampliação cada vez maior dos

centros de formação privada, atribuindo ao trabalhador a responsabilidade pela sua

própria formação. O trabalhador, por este viés, deve ter a liberdade de escolher as

opções que melhor o capacitem a competir, desde de que pague pelo acesso ao

conhecimento, no intuito de garantir seus direitos de consumidor.

Dentro desta lógica, não se deixa de ser consumidor se outras pessoas

consomem mais. Porém, quando isto ocorre, os que consomem menos perdem

alguns direitos básicos da cidadania (saúde, educação, habitação, etc.),

independentemente de sua condição lingüística, social, sexual, nacional, racial e

outros. A condição de cidadania é negada quando essa diferenciação se produz na

vida social. Neste sentido, o conceito “tornar-se empregável” passa a colocar em foco

que a cidadania está vinculada a possibilidade de consumir, não permitindo a

existência do sujeito como cidadão de plenos direitos.

Reflexões Críticas

O que você achou do texto? Reflita e discuta

20
ESTUDO DA LÍNGUA 4
A Viagem

Expressões e Advérbios de Tempo / Freqüência

21
Sinais em Foco:
Meios de transporte / Hotel / Rodoviária /
Aeroporto / Bagagem / Cultura / Turismo

Atividade - 3

Responda rápido em Libras: (dica: as respostas estão acima)

a) Qual o veículo de duas rodas que mais causa acidentes?


b) O que é que tem asas, mas não é pássaro, tem rodas, mas não carro?
c) O maior ninho do Brasil é?
d) Titanic lembra...?
e) Sempre lotado?
f) Lugar de passagem?
g) Grupo de passeio?

22
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: Encontro no aeroporto


(duas pessoas se encontram por coincidência no aeroporto)

A) OI! BOM!
(olá tudo bem!)

B) BOM! QUANTO-TEMPO?
(tudo bem, nossa quanto tempo?)

B) DESCULPE VOCÊ SINAL?


(Desculpa qual é mesmo o seu sinal?)

A) SINAL ESQUECER?
(você esqueceu do meu sinal?)

A) (faz sinal)

B) LEMBRAR ROSTO SINAL ESQUECER NÓS-DOIS JÁ ESTUDAR JUNT@


PASSADO.
(Eu lembro da sua fisionomia, mas esqueci seu sinal. Nós já estudamos juntas há
pouco tempo)

A) SIM. AGORA EU VIAJAR RIO GRANDE DO SUL CASA AMIG@ E VC?


(Isso mesmo. Estou indo para o Rio Grande do Sul para casa de uma amiga, e você?)

B) EU VIAJAR R-I-O AMANHA FESTA SURDOS.


(Estou indo para o Rio de Janeiro, para uma festa dos surdos que vai ter amanhã?)

A) VOCÊ VIAJAR R-I-O SEMPRE?


(Você sempre viaja para o Rio?)

B) NUNCA, HOJE PRIMEIRA VEZ.


(Hoje é a primeira vez que vou, nunca fui antes.)

A) EU FREQUENTAR RIO GRANDE DO SUL SEMPRE-SEXTA.


(Eu vou para o Rio Grande do Sul toda sexta-feira)

B) BOM ENCONTRAR MAS AGORA PRECISA IR JÁ HORA AVIÃO.


(Foi te encontrar, mas agora preciso ir. Já esta na hora do avião sair)
A) PROBLEMA-NÃO. BO@ VIAGEM.

23
(Não tem problema. Boa viagem)

B) TAMBÉM VOCÊ.
(para você também)

A)TCHAU

B)TCHAU

24
Mais uma para você responder...

A Viagem

Você já tem internalizado conhecimentos básicos para uma boa comunicação em


Libras, no entanto, suponha que no lugar onde você trabalha ou estuda somente você
tem tais conhecimentos e de repente chegam dois surdos pedindo informações sobre
como comprar passagens de volta para casa...Como você faria para se comunicar
com eles? (sinta-se à vontade para expressar todas as suas idéias).

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Agora suponha que sejam dois Surdos de outro país como seria sua reação?

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25
Os Movimentos Surdos

Madalena Klein (UFRGS)


Movimentos Surdos e os Discursos Sobre Surdez, Educação e Trabalho:
A constituição do surdo trabalhador.

Artigo completo disponível em:


http://www.cultura-sorda.eu/resources/Klein_movimento-surdo.pdf

A comunidade surda vê nos movimentos surdos uma possibilidade de


caminhada política de resistência às práticas ouvintistas2 até então hegemônicas nos
diferentes espaços educacionais, sociais e culturais, como também, um espaço de luta
pelo reconhecimento da Língua de Sinais e das identidades surdas. Nas palavras de
uma pesquisadora surda, encontramos explicitada sua visão do movimento surdo.

Para o movimento surdo, contam as instâncias que afirmam a busca do direito do


indivíduo surdo ser diferente nas questões sociais, políticas e econômicas que
envolvem o mundo do trabalho, da saúde, da educação, do bem-estar social (Perlin,
1998:71)

Esses movimentos se dão a partir dos espaços articulados pelos surdos, como
as associações, as cooperativas, os clubes, onde “jovens e adultos surdos estabelecem
o intercâmbio cultural e lingüístico e fazem o uso oficial da Língua de Sinais”
(FENEIS, 1995a:10)3 . Um dos principais fatores de reunião das pessoas surdas é a
Língua de Sinais, através da qual eles encontram oportunidades de compartilhar
suas experiências e seus sonhos, e também um espaço de reafirmação da luta pelo
direito ao uso dessa língua. Mas as questões discutidas pelos movimentos surdos se
ampliam e diversificam, segundo suas realidades locais e nacionais. Algumas lutas
são compartilhadas pelos grupos de surdos em diferentes regiões do mundo, sendo
que sua articulação ao nível mundial está sob a coordenação da Federação Mundial
de Surdos (Word Federation of the Deaf—WFD), com sede na Finlândia. A sua

2
Segundo Skliar (1998: 15), esse termo se refere “as representações dos ouvintes sobre a surdez e sobre
os surdos (...) a partir do qual o surdo está obrigado a olhar-se e narrar-se como se fosse ouvinte”.
Com esse termo se faz uma analogia ao colonialismo – colonialista.

3
Ao falar em movimentos surdos, não estou me referindo ao conjunto generalizado de surdos. Eles
representam, neste artigo, grupos determinados, em sua maioria moradores dos centros urbanos,
pertencendo a famílias de situação sócio-econômica estável, que tiveram acesso à escolarização.

26
criação, em 1951, significou uma importante conquista de espaço político para as
discussões e articulações das lutas das comunidades surdas (Souza, 1998).
Entre a maioria dos surdos europeus e norte-americanos, principalmente, há
uma tradição de festejar o surgimento ou a origem da comunidade surda a partir do
encontro do Abade L’Epèe, por volta de 1760, com duas jovens surdas nas ruas de
Paris. Deste encontro resultou seu interesse pela Língua de Sinais e a fundação da
primeira escola pública para surdos4.
(...)
Mottez (1992) sugere o nascimento do movimento surdo vinculado
diretamente ao encontro de pessoas surdas em banquetes, sendo que o primeiro teria
sido organizado para comemorar o aniversário do Abade.
(...)
A história dos movimentos surdos começa a ser contada, pela própria
comunidade surda (FENEIS, Relatórios de 1993, 1996, 1997), a partir da chegada ao
Brasil do francês Hernest Huet, surdo e ex-diretor do Instituto de Surdos de Paris.
(...)
Um exemplo significativo de resistência nos movimentos surdos vem se
dando no campo da educação. As discussões emergentes sobre a participação de
surdos nas decisões educacionais das escolas, os movimentos em direção à ruptura
com o que até então se denomina educação especial, procurando redefinir novos
espaços, novos sujeitos, são alguns dos exemplos de saberes, fragmentados e
descentrados, às vezes, mas que vêm a contrapor os saberes oficiais, instituídos e
considerados até então como verdadeiros.

4 A primeira escola pública para surdos foi fundada pelo Abade L’Epèe, na cidade de Paris em 1760,
tornando-se, em 1791, o Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris – INJS (Institut, 1994). Esta
escola foi referência na educação de surdos nos séculos XVIII e XIX, de onde se formaram vários
professores surdos que fundara novas escolas de surdos em diferentes países, como é o caso do
Instituto Nacional de Surdos de nosso país, fundado a partir da chegada do professor surdo Hernest
Huet, em 1857, na cidade do Rio de Janeiro.

27
REVISÃO DA ETAPA I

Revisando...

1) Assista no DVD o conto “Encontro Marcado” e reescreva-o abaixo em língua


portuguesa:

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___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

___________________________________________________________________________

2) Responda as lacunas rapidamente traduzindo para Libras:

a) Agora estou........da minha casa.

b) Um dia tem ...........de duração.

c) Quem trabalha ganha.........todo mês.

d) Hoje acordei às.........

e) Amanhã a noite vou a uma........

f) Minha escola está em.......por isso não tive aula.

g) Amanhã viajo para Bahia de.....

h) Eu ......um cachorro verde.

i) Eu .....vou andar de moto, morro de medo.

j) Às 16h tenho um..... com meu amigo.

k) Demorei quase ..... para chegar em casa.

l) Estou atrasado! Vou pegar um .....

m) Minha viagem foi ...

28
Objetivo
Avançar na produção e compreensão de sinais da Libras em
diferentes contextos.

29
ESTUDO DA LÍNGUA 5
A Grande Família

Dica:
- Estude os sinais relacionados à família e pratique diálogos.

30
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: Conhecendo a Família dela...


(a namorada mostra foto da família para o namorado)

A) namorada B) namorado

A) OLHA FOTO MINHA FAMILIA.


(Olhe a foto da minha família)

B) HUMM. QUEM EST@ ALT@ FORTE CABELO NADA?


(Humm. E quem é este alto, forte e careca?)

A) PAI.
(É meu pai.)

B) MULHER DUAS PARECE. QUEM?


(Tem duas mulheres muito parecidas. Quem são?)

A) UMA MAE.
(Uma delas é minha mãe.)

B) QUAL-DOS-DOIS?
(Qual das duas?)

A) LADO DIRET@
(A que está do lado direito.)

B) BONIT@...VELH@ É VOVÔ SEU?


(Bonita...Este velhinho é seu avô?)

A) SIM. MORREU JÁ
(É sim, mas já faleceu.)

B) EST@ MENINA CABELO COMPRIDO BONIT@ QUEM?


(E esta menina bonita de cabelos compridos? Quem é?)

A) EU.
(Sou eu.)

B) VERDADE? DIFERENTE...
(É mesmo? Está diferente...)

A) PORQUE? FEI@ AGORA?


(Por que? Agora estou feia é?)

B) NÃO! AGORA MAIS BONIT@


(Não! Agora está muito mais bonita!)

31
ESTUDO DA LÍNGUA 6
Caracteristicas Pessoais e
Personalidades

Adjetivos e Comparativos em Libras- Pesquise os sinais e pratique:

Velho – jovem

Velho – usado – novo


Qual-dos-dois?
Alto – baixo
Mais do que
Gordo – magro
Igualdade
Grosso – fino
Inferioridade
Grande – pequeno
Superioridade
Feio – bonito

Forte - fraco

Rápido – devagar

Quente – frio

Atividade

De olho no contexto, sinalize as frases abaixo e correlacione ao contexto correto:

( ) Qual você quer? Branco ou preto?


( ) Ele come mais do que eu.
( ) Qual sua idade?
( ) Ele comeu menos do que eu.
( ) Ele pensa que sabe tudo.
( ) Surdos e ouvintes são iguais não tem melhor ou pior.

a)IGUALDADE b) SUPERIORIDADE c)INFERIORIDADE

d)MAIS DO QUE e) QUAL DOS DOIS

32
ATIVIDADES NO DVD – Meu amig@ é...

Assista no DVD a atividade “Meu amigo é...” correlacionando os adjetivos em libras


com os parênteses abaixo:

( ) ( ) ( ) ( )

33
ESTUDO DA LÍNGUA 7
E vento levou...

TIPOS DE VERBOS EM LIBRAS

1 - Verbos sem Concordância

Esse grupo de verbos é caracterizado por não apresentar flexão quanto à


pessoa, eles também não incorporam instrumentos e nem argumentos. São os verbos
mais simples em libras. Muitos deles apresentam a locação do sinal junto ao corpo.

São verbos como:

Um fato curioso é que muitos deles são verbos ligados às emoções ou à


capacidade intelectual, justamente por esses terem a locação junto ao corpo na libras.
Eles geralmente estão associados a apontação. Veja os exemplos no DVD.

34
Atividade

Em dupla elaborar um diálogo que envolva o maior número possível de


verbos sem concordância em seguida apresente para seus colegas e professor.

2- Verbos com Concordância

São verbos que concordam com as pessoas da sentença, mas não incorporam o
locativo. A direção do sinal é realizada do sujeito para o objeto da sentença. Com isso
a direção do movimento destes verbos sempre irá variar com a posição das pessoas
que estão envolvidas.

Exemplos deste tipo de verbo são:

VEJA NO DVD – “Aviso Importante”

35
Atividade

Com o grupo de alunos de sua turma pratique o uso destes verbos a partir das
seguintes situações:

f) EU DAR ELE
a) EU AVISAR VOCÊ
g) EU DAR VOCÊ E ELE
b) VOCÊ AVISAR EU
h) EU PERGUNTAR VOCÊ
c) EU AVISAR VOCÊ E ELE
i) VOCE PERGUNTAR EU
d) ELE AVISAR EU
e) EU DAR VOCÊ

3 - Verbos Espaciais

Os verbos espaciais são verbos que têm afixos locativos. Estes verbos sempre
estão relacionados a existência de um lugar no discurso. Exemplos de verbos
espaciais são COLOCAR, IR, CHEGAR.

Atividade

Em grupos filmem uma pequena narrativa em Libras que utilizem os verbos acima
descritos.

36
VERBOS CLASSIFICADORES
De Incorporação / Manuais / Instrumentais

1 - Verbos que Incorporam o Formato dos Argumentos da Sentença

Esse grupo de verbos é muito diversificado e um pouco complexo. Para


entendermos como eles funcionam precisamos ver de maneira bem superficial, o que
queremos dizer com argumentos verbais. Para explicar isso, vamos citar um exemplo
do português, o verbo “amar”.
O verbo amar exprime uma relação entre duas pessoas, onde uma pessoa ama
e a outra pessoa é amada. Veja o exemplo

________ ama _________

Pessoa que ama Pessoa que é amada

João ama Maria

O verbo amar apresenta dois locais que precisam ser preenchidos, como
ilustrado acima. Esses locais são chamados dentro da gramática de argumentos
verbais.
Agora que já entendemos um pouco o que é argumento verbal podemos
estudar melhor o grupo de verbos que incorporam argumentos na libras.
Na libras o verbo AMAR funciona da mesma forma que em português, onde
uma pessoa ama a outra pessoa, e o verbo amar apresenta dois argumentos e apenas
isso.
Entretanto há um grupo de verbos onde o formato de um dos argumentos
modifica a configuração da mão na realização daquele sinal. Um exemplo é o verbo
andar, pois em libras conforme o que estiver andando a configuração de mão será
diferente. Agora tente sinalizar as expressões abaixo, discuta com seus colegas e
professor:

37
ANDAR-PESSOA / ANDAR-ANIMAL-DE-PATAS

ANDAR-ANIMAL-RASTEJANTE / ANDAR-CARRO

ANDAR-MOTO / ANDAR-AVIÃO

Outros verbos desse grupo são: ABRIR, NADAR, SEGURAR, CAIR.

Atividade

1) Dos verbos acima citado, tente relacionar as modificações de configuração que eles
podem ter dependendo do argumento da sentença. Uma dica. Monte frases com
esses verbos e depois procure sinalizá-las, verás que os verbos sofrerão alteração na
configuração de mão. Apresente suas considerações aos colegas e professores.

2) Tente sinalizar as seguintes ações:

a) Copo quebrando;
b) Lápis rolando;
c) Vidro rachando;
d) Água vazando;
e) Pessoa tropeçando;
f) Pessoa carregando uma caixa muito pesada.

Atividade no DVD – Cadê o verbo? I

Veja no DVD a história contada e procure encontrar os verbos que apresentam incorporação
de argumento. Anote-os e discuta em sala de aula.

38
2 - Verbos Manuais

Agora vamos conhecer um pouco mais sobre um outro grupo especial de


verbos da libras, são os Verbos Manuais. Esse é um grupo restrito de verbos e o seu
significado só é definido dentro do contexto discursivo.

A configuração de mão desses verbos é sempre em ou em e


representam ações onde uma pessoa está segurando algo. Tente sinalizar as
expressões verbais:

PASSAR-ROUPA PINTAR-PAREDE-ROLO REGAR-PLANTAS-MANGUEIRA

Outros exemplos são:


VARRER-VASSOURA, VARRER-ASPIRADOR, REMAR-REMO, CORTAR-FACÃO.

Atividade no DVD – Cadê o verbo? II

Veja no DVD o pequeno conto em libras e tente identificar os Verbos Manuais. Depois em sala
de aula o professor(a) irá discutir com vocês os sinais encontrados.

3- Verbos Instrumentais

Os verbos instrumentais são um outro grupo especial de verbos da


libras. Esse grupo de verbos é mais complexo e exige que vocês prestem muita
atenção para poder compreendê-los e usá-los adequadamente. Em português não há
nada parecido.

39
Os verbos instrumentais são verbos no qual o formato do
instrumento que está sendo usado para realizar aquela ação modifica o formato da
configuração da mão. Por exemplo, o verbo CORTAR. Em português o verbo
“cortar” exprime uma ação onde algo está sendo partido pela ação desse
instrumento. Em libras não encontramos o verbo “cortar” isolado, ele está sempre
ligado ao instrumento que está sendo utilizado para realizar uma determinada ação
de cortar. Sinalize os exemplos abaixo.

CORTAR-FACA CORTAR-TESOURA CORTAR-GUILHOTINA

Podemos notar que em português o instrumento da ação geralmente


não está presente na sentença, veja abaixo:

(1) João cortou o pão.

Em libras o verbo cortar necessita que se explicite o instrumento que


foi usado na ação de cortar.

(2) JOÃO PÃO CORTAR-FACA.

Há uma série de verbos que são instrumentais em libras e que


dependendo do instrumento que é utilizado na ação há alteração da configuração da
mão. Como exemplo de verbos instrumentais podemos citar: FURAR-X; CAVAR-X;
CORTAR-X; PINTAR-X; COLHER-X.

Atividade no DVD – Cadê o verbo? III

Veja no DVD o pequeno conto em libras e procure identificar os verbos instrumentais

40
Sinais em Foco:
Negação em Libras

Tipos de Negação em Libras

1 – Negação utilizando o sinal NÃO.

Sinalize:
CONHECER JOÃO? CONHECER-NÃO

2 – Negação simultânea ao sinal através do movimento da cabeça

Sinalize:
NÃO-ACREDITAR VOCÊ

HOJE NÃO-PRECISAR VOCÊ IR

3 – Negação por incorporação (incorporação da negação)

Sinalize:
NÃO-QUERER NÃO-TER NÃO-GOSTAR

- Agora discuta com seus colegas e Professor as diferenças encontradas.

ATIVIDADE NO DVD – “Contextos da Negação”

Traduza para a língua portuguesa os enunciados em Libras:

a) ________________________________________________
b) ________________________________________________
c) ________________________________________________
d) ________________________________________________
e) ________________________________________________
f) ________________________________________________

41
Conversando em Libras
Diálogo

SITUAÇÃO: Pedindo informação


(pessoa pedindo várias informações para outra pessoa no ponto de ônibus)

A) Quem pede informação B) Informante

A) BOM DIA! VOCÊ CONHECER ONDE CIDADE S-Ã-O S-E-B-A-S-T-I-Ã-O?


(Bom dia! Você sabe onde fica Cidade São Sebastião?)

B) CONHECER-NÃO
(Não conheço)

A) SABER ONDE RUA G-U-A-R-A-J-Á?


(Sabe onde fica rua Guarujá?)

B) SABER-NÃO
(Não sei)

A) JÁ VER ONIBUS 175 PASSAR?


(Viu se o ônibus 175 já passou?)

B) VER-NÃO
(Não vi.)

A) TÁXI TER AQUI?


(Por aqui tem táxi?)

B) NUNCA-VI
(Nunca vi não)

A) PUXA!!! NUNCA-VI NÃO!NÃO!NÃO.

42
A Primeira Publicação sobre Língua de Sinais no Brasil

Foi feita, em 1873, pelo Surdo Flausino José da Gama aluno do Instituto de
Surdos-Mudos do Rio de Janeiro (atual Instituto Nacional de Educação de Surdos –
INES). O estudo resultou na obra “Iconographia dos Signaes dos Surdos-Mudos”,
publicado em 1875. Veja a seguir:

Cópia disponível no acervo do NEPES

43
REVISÃO DA ETAPA II

Revisando...

1) Monte sua árvore genealógica mais recente e apresente aos seus colegas e
professor(a) descrevendo as semelhanças físicas e emocionais de alguns:

2) Crie um pequeno conto que envolva verbos de incorporação, manuais e


instrumentais. Apresente aos seus colegas e professor(a).
OBS: Esta atividade será filmada para que posteriormente cada um possa se auto-avaliar.

3) Faça a correspondência ente os sinais e seu uso em diferentes contextos.

a) b) c) d) e)

( ) Não comi nada hoje.


( ) Não tenho dinheiro.
( ) Ainda não recebi salário.
( ) Nunca andei de avião.
( ) Não consigo abrir a porta.

44
Objetivo
Conhecer, praticar e revisar vocábulos que facilitam a conversação.

45
ESTUDO DA LÍNGUA 8
Parece, mas não é...

Nas línguas de sinais existem sinais que são quase idênticos, mas possuem
significados diferentes que são percebidos no contexto, assim como na língua
portuguesa, por exemplo, as palavras: firma (empresa) – firma (confirmação) –
manga (camisa) - manga (fruta) – ouve (ato de ouvir) – houve (acontecer) são
idênticas, mas apresentam significados diferentes. Então cuidado para não
confundir, pois as aparências enganam...

Veja os exemplos:

Cadeira / Sentar Estudar / Aula

Oito / S Remédio / Engraçado

Sábado / Laranja Carro / Dirigir

Vídeo / Fita de vídeo Pente / Pentear

Pesquisar / Perguntar Acordo / Vingar

Avião / Voar Oficial / Verdade

Café / Xícara Vidro / Verde

Deputado / Advogado Combinar / Compromisso

Curto / Pequeno Como / Para quê?

VEJA NO DVD – Parece, mas não é...

Assista os sinais acima no DVD e comente as diferenças encontradas.

Atividade

Crie uma pequena história (conto/ narrativa / piada) utilizando duplas de sinais quase-
idênticos.

46
CUIDADO COM O
CONTEXTO...

Já sabemos que a língua de sinais é principalmente visual, a iconicidade é uma


característica básica. No entanto quando se está acostumado a ouvir a percepção
visual, pela falta de uso, acaba por não se ampliar muito, logo há a tendência de
pessoas ouvintes ao sinalizarem em Libras associar sinais às palavras da Língua
Portuguesa e a seus significados. É preciso então estar atento e exercitar a percepção
visual sobre os acontecimentos e objetos a nossa volta para estar sempre dentro do
contexto de sinalização. Observe os exemplos...

 PALAVRA DO PORTUGUES: MAIS

Em Libras apresenta diferentes significados e formas de enunciar.

(Veja a sinalização com seu Professor)

MAIS (SOMA) MAIS (DOBRO) MAIS(FALTA) MAIS(NOVAMENTE)

 PALAVRA DO PORTUGUES: AINDA

Em Libras apresenta diferentes significados e formas de enunciar.

(Veja a sinalização com seu Professor)

AINDA-NÃO PRONTO ACABADO

 PALAVRA DO PORTUGUES: FALTAR

Em Libras apresenta diferentes significados e formas de enunciar.

(Veja a sinalização com seu Professor)

FALTAR PESSOAS COISAS FALTAR (AUSÊNCIA)

47
Atividade no DVD – “Sinais em Contexto - MAIS”

1) Assista no DVD a cena -1 “sinais em contexto - MAIS” e escolha a opção correta:

Os sinais que aparecem consecutivamente são:

a) Mais (soma) / Mais (dobro). / Mais (novamente) / Mais (falta)

b) Mais (falta) / Mais (novamente). / Mais (dobro) / Mais (soma)

c) Mais (soma) / Mais (falta). / Mais (dobro) / Mais (novamente)

d) Mais (novamente) / Mais (soma). / Mais (dobro) / Mais (falta)

Atividade no DVD – “Sinais em Contexto - FALTAR”

Assista o DVD - “sinais em contexto - FALTAR” e assinale as alternativas corretas:

1) (a) (b) (c)


2) (a) (b) (c)
3) (a) (b) (c)
4) (a) (b) (c)
5) (a) (b) (c)

48
Leis em destaque...

No Estado de Santa Catarina os movimentos surdos vêm alcançando algumas das metas sobre
a difusão da língua brasileira de sinais, ou seja, oficializá-la como língua própria do povo
surdo.

Ano 2000, em 25 de abril no Estado. Lei n.º 11.385.


Ano 2002, em 24 de abril no Brasil. Lei n.º 10.436.
Ano 2005, em 12 de dezembro, regulamentação da lei de libras, conforme abaixo. Decreto n.º
5.626.

http://www.mp.sc.gov.br/legisla/est_leidec/lei_estadual/2000/le11385_00.htm

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono


a seguinte Lei:

o
Art. 1 É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de
Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação
e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical
própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades
de pessoas surdas do Brasil.

o
Art. 2 Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de
serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais -
Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do
Brasil.

o
Art. 3 As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à
saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de
acordo com as normas legais em vigor.

o
Art. 4 O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do
Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de
Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de
Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme
legislação vigente.

Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade
escrita da língua portuguesa.

o
Art. 5 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

o o
Brasília, 24 de abril de 2002; 181 da Independência e 114 da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

49
Paulo Renato Souza

http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/LEIS/2002/L10436.htm

DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005.

PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
o
Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei n 10.436, de 24 de abril de 2002, e no art. 18 da Lei
o
n 10.098, de 19 de dezembro de 2000,

DECRETA:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

o
Art. 1 Este Decreto regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei no
10.098, de 19 de dezembro de 2000.

o
Art. 2 Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda
auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua
cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.

Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta
e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e
3.000Hz.

CAPÍTULO II

DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA CURRICULAR

o
Art. 3 A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação
de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de
Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos
sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

o
§ 1 Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de
nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são
considerados cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do
magistério.

o
§ 2 A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação
superior e na educação profissional, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

CAPÍTULO III

DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LIBRAS E DO INSTRUTOR DE LIBRAS

o
Art. 4 A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental,
no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de
graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como
segunda língua.

50
Parágrafo único. As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no
caput.

o
Art. 5 A formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais
do ensino fundamental deve ser realizada em curso de Pedagogia ou curso normal superior, em que
Libras e Língua Portuguesa escrita tenham constituído línguas de instrução, viabilizando a formação
bilíngüe.

o
§ 1 Admite-se como formação mínima de docentes para o ensino de Libras na educação
infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a formação ofertada em nível médio na modalidade
normal, que viabilizar a formação bilíngüe, referida no caput.

o
§ 2 As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.

o
Art. 6 A formação de instrutor de Libras, em nível médio, deve ser realizada por meio de:

I - cursos de educação profissional;

II - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior; e

III - cursos de formação continuada promovidos por instituições credenciadas por secretarias de
educação.

o
§ 1 A formação do instrutor de Libras pode ser realizada também por organizações da
sociedade civil representativa da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por
pelo menos uma das instituições referidas nos incisos II e III.

o
§ 2 As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.

o
Art. 7 Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja docente
com título de pós-graduação ou de graduação em Libras para o ensino dessa disciplina em cursos de
educação superior, ela poderá ser ministrada por profissionais que apresentem pelo menos um dos
seguintes perfis:

I - professor de Libras, usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou com formação
superior e certificado de proficiência em Libras, obtido por meio de exame promovido pelo Ministério
da Educação;

II - instrutor de Libras, usuário dessa língua com formação de nível médio e com certificado
obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação;

III - professor ouvinte bilíngüe: Libras - Língua Portuguesa, com pós-graduação ou formação
superior e com certificado obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo
Ministério da Educação.

o
§ 1 Nos casos previstos nos incisos I e II, as pessoas surdas terão prioridade para ministrar a
disciplina de Libras.

o
§ 2 A partir de um ano da publicação deste Decreto, os sistemas e as instituições de ensino da
educação básica e as de educação superior devem incluir o professor de Libras em seu quadro do
magistério.

o o
Art. 8 O exame de proficiência em Libras, referido no art. 7 , deve avaliar a fluência no uso, o
conhecimento e a competência para o ensino dessa língua.

o
§ 1 O exame de proficiência em Libras deve ser promovido, anualmente, pelo Ministério da
Educação e instituições de educação superior por ele credenciadas para essa finalidade.

51
o
§ 2 A certificação de proficiência em Libras habilitará o instrutor ou o professor para a função
docente.

o
§ 3 O exame de proficiência em Libras deve ser realizado por banca examinadora de amplo
conhecimento em Libras, constituída por docentes surdos e lingüistas de instituições de educação
superior.

o
Art. 9 A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que oferecem
cursos de formação para o magistério na modalidade normal e as instituições de educação superior
que oferecem cursos de Fonoaudiologia ou de formação de professores devem incluir Libras como
disciplina curricular, nos seguintes prazos e percentuais mínimos:

I - até três anos, em vinte por cento dos cursos da instituição;

II - até cinco anos, em sessenta por cento dos cursos da instituição;

III - até sete anos, em oitenta por cento dos cursos da instituição; e

IV - dez anos, em cem por cento dos cursos da instituição.

Parágrafo único. O processo de inclusão da Libras como disciplina curricular deve iniciar-se nos
cursos de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras, ampliando-se progressivamente
para as demais licenciaturas.

Art. 10. As instituições de educação superior devem incluir a Libras como objeto de ensino,
pesquisa e extensão nos cursos de formação de professores para a educação básica, nos cursos de
Fonoaudiologia e nos cursos de Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

Art. 11. O Ministério da Educação promoverá, a partir da publicação deste Decreto, programas
específicos para a criação de cursos de graduação:

I - para formação de professores surdos e ouvintes, para a educação infantil e anos iniciais do
ensino fundamental, que viabilize a educação bilíngüe: Libras - Língua Portuguesa como segunda
língua;

II - de licenciatura em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa, como segunda


língua para surdos;

III - de formação em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

Art. 12. As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam cursos de


Educação Especial, Pedagogia e Letras, devem viabilizar cursos de pós-graduação para a formação
de professores para o ensino de Libras e sua interpretação, a partir de um ano da publicação deste
Decreto.

Art. 13. O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para
pessoas surdas, deve ser incluído como disciplina curricular nos cursos de formação de professores
para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental, de nível médio e superior,
bem como nos cursos de licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa.

Parágrafo único. O tema sobre a modalidade escrita da língua portuguesa para surdos deve ser
incluído como conteúdo nos cursos de Fonoaudiologia.

52
CAPÍTULO IV

DO USO E DA DIFUSÃO DA LIBRAS E DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ACESSO DAS


PESSOAS SURDAS À EDUCAÇÃO

Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas
acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos
conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde
a educação infantil até à superior.

o
§ 1 Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as
instituições federais de ensino devem:

I - promover cursos de formação de professores para:

a) o ensino e uso da Libras;

b) a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa; e

c) o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas;

II - ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da Língua


Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos;

III - prover as escolas com:

a) professor de Libras ou instrutor de Libras;

b) tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa;

c) professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas; e

d) professor regente de classe com conhecimento acerca da singularidade lingüística


manifestada pelos alunos surdos;

IV - garantir o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos surdos, desde a


educação infantil, nas salas de aula e, também, em salas de recursos, em turno contrário ao da
escolarização;

V - apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, alunos,


funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos;

VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na


correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade
lingüística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa;

VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos


expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e
tecnológicos;

VIII - disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias de informação e comunicação,


bem como recursos didáticos para apoiar a educação de alunos surdos ou com deficiência auditiva.

o
§ 2 O professor da educação básica, bilíngüe, aprovado em exame de proficiência em tradução
e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, pode exercer a função de tradutor e intérprete de
Libras - Língua Portuguesa, cuja função é distinta da função de professor docente.

53
o
§ 3 As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e
do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar
atendimento educacional especializado aos alunos surdos ou com deficiência auditiva.

Art. 15. Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de Libras e o ensino
da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos, devem ser
ministrados em uma perspectiva dialógica, funcional e instrumental, como:

I - atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e anos iniciais do


ensino fundamental; e

II - áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do ensino fundamental,
no ensino médio e na educação superior.

Art. 16. A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, deve ser ofertada aos
alunos surdos ou com deficiência auditiva, preferencialmente em turno distinto ao da escolarização,
por meio de ações integradas entre as áreas da saúde e da educação, resguardado o direito de
opção da família ou do próprio aluno por essa modalidade.

Parágrafo único. A definição de espaço para o desenvolvimento da modalidade oral da Língua


Portuguesa e a definição dos profissionais de Fonoaudiologia para atuação com alunos da educação
básica são de competência dos órgãos que possuam estas atribuições nas unidades federadas.

CAPÍTULO V

DA FORMAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS - LÍNGUA PORTUGUESA

Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa deve efetivar-se por
meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras - Língua Portuguesa.

Art. 18. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, a formação de tradutor e
intérprete de Libras - Língua Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por meio de:

I - cursos de educação profissional;

II - cursos de extensão universitária; e

III - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições
credenciadas por secretarias de educação.

Parágrafo único. A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por
organizações da sociedade civil representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja
convalidado por uma das instituições referidas no inciso III.

Art. 19. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja pessoas
com a titulação exigida para o exercício da tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa,
as instituições federais de ensino devem incluir, em seus quadros, profissionais com o seguinte perfil:

I - profissional ouvinte, de nível superior, com competência e fluência em Libras para realizar a
interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de
proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, para atuação em instituições de ensino médio e
de educação superior;

II - profissional ouvinte, de nível médio, com competência e fluência em Libras para realizar a
interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de
proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, para atuação no ensino fundamental;

54
III - profissional surdo, com competência para realizar a interpretação de línguas de sinais de
outros países para a Libras, para atuação em cursos e eventos.

Parágrafo único. As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal,


estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo
como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à
informação e à educação.

Art. 20. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, o Ministério da Educação
ou instituições de ensino superior por ele credenciadas para essa finalidade promoverão, anualmente,
exame nacional de proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa.

Parágrafo único. O exame de proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua


Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função,
constituída por docentes surdos, lingüistas e tradutores e intérpretes de Libras de instituições de
educação superior.

Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais de ensino da
educação básica e da educação superior devem incluir, em seus quadros, em todos os níveis, etapas
e modalidades, o tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à
comunicação, à informação e à educação de alunos surdos.

o
§ 1 O profissional a que se refere o caput atuará:

I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;

II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos
curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e

III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de ensino.

o
§ 2 As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e
do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar
aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.

CAPÍTULO VI

DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS SURDAS OU COM DEFICIÊNCIA


AUDITIVA

Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a
inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da organização de:

I - escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores
bilíngües, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;

II - escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e
ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com
docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade lingüística dos alunos
surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa.

o
§ 1 São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em que a Libras e a
modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento
de todo o processo educativo.

55
o
§ 2 Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento
educacional especializado para o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de
equipamentos e tecnologias de informação.

o
§ 3 As mudanças decorrentes da implementação dos incisos I e II implicam a formalização,
pelos pais e pelos próprios alunos, de sua opção ou preferência pela educação sem o uso de Libras.

o o
§ 4 O disposto no § 2 deste artigo deve ser garantido também para os alunos não usuários da
Libras.

Art. 23. As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar
aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa em sala de aula
e em outros espaços educacionais, bem como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à
comunicação, à informação e à educação.

o
§ 1 Deve ser proporcionado aos professores acesso à literatura e informações sobre a
especificidade lingüística do aluno surdo.

o
§ 2 As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e
do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar
aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.

Art. 24. A programação visual dos cursos de nível médio e superior, preferencialmente os de
formação de professores, na modalidade de educação a distância, deve dispor de sistemas de
acesso à informação como janela com tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa e
subtitulação por meio do sistema de legenda oculta, de modo a reproduzir as mensagens veiculadas
o
às pessoas surdas, conforme prevê o Decreto n 5.296, de 2 de dezembro de 2004.

CAPÍTULO VII

DA GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE DAS PESSOAS SURDAS OU

COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Art. 25. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de Saúde - SUS e as
empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, na
perspectiva da inclusão plena das pessoas surdas ou com deficiência auditiva em todas as esferas da
vida social, devem garantir, prioritariamente aos alunos matriculados nas redes de ensino da
educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade e
especialidades médicas, efetivando:

I - ações de prevenção e desenvolvimento de programas de saúde auditiva;

II - tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as especificidades de cada caso;

III - realização de diagnóstico, atendimento precoce e do encaminhamento para a área de


educação;

IV - seleção, adaptação e fornecimento de prótese auditiva ou aparelho de amplificação sonora,


quando indicado;

V - acompanhamento médico e fonoaudiológico e terapia fonoaudiológica;

VI - atendimento em reabilitação por equipe multiprofissional;

56
VII - atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens matriculados na educação
básica, por meio de ações integradas com a área da educação, de acordo com as necessidades
terapêuticas do aluno;

VIII - orientações à família sobre as implicações da surdez e sobre a importância para a criança
com perda auditiva ter, desde seu nascimento, acesso à Libras e à Língua Portuguesa;

IX - atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva na rede de serviços do SUS e


das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, por
profissionais capacitados para o uso de Libras ou para sua tradução e interpretação; e

X - apoio à capacitação e formação de profissionais da rede de serviços do SUS para o uso de


Libras e sua tradução e interpretação.

o
§ 1 O disposto neste artigo deve ser garantido também para os alunos surdos ou com
deficiência auditiva não usuários da Libras.

o
§ 2 O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal, do Distrito
Federal e as empresas privadas que detêm autorização, concessão ou permissão de serviços
o o
públicos de assistência à saúde buscarão implementar as medidas referidas no art. 3 da Lei n
10.436, de 2002, como meio de assegurar, prioritariamente, aos alunos surdos ou com deficiência
auditiva matriculados nas redes de ensino da educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos
diversos níveis de complexidade e especialidades médicas.

CAPÍTULO VIII

DO PAPEL DO PODER PÚBLICO E DAS EMPRESAS QUE DETÊM CONCESSÃO OU PERMISSÃO


DE SERVIÇOS PÚBLICOS, NO APOIO AO USO E DIFUSÃO DA LIBRAS

Art. 26. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Poder Público, as empresas
concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração pública federal, direta e indireta
devem garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado, por meio do uso e difusão de Libras e
da tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, realizados por servidores e empregados
capacitados para essa função, bem como o acesso às tecnologias de informação, conforme prevê o
Decreto no 5.296, de 2004.

o
§ 1 As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento de
servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação da Libras.

o
§ 2 O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito
Federal, e as empresas privadas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos buscarão
implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar às pessoas surdas ou com
deficiência auditiva o tratamento diferenciado, previsto no caput.

Art. 27. No âmbito da administração pública federal, direta e indireta, bem como das empresas
que detêm concessão e permissão de serviços públicos federais, os serviços prestados por
servidores e empregados capacitados para utilizar a Libras e realizar a tradução e interpretação de
Libras - Língua Portuguesa estão sujeitos a padrões de controle de atendimento e a avaliação da
satisfação do usuário dos serviços públicos, sob a coordenação da Secretaria de Gestão do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em conformidade com o Decreto no 3.507, de 13
de junho de 2000.

Parágrafo único. Caberá à administração pública no âmbito estadual, municipal e do Distrito


Federal disciplinar, em regulamento próprio, os padrões de controle do atendimento e avaliação da
satisfação do usuário dos serviços públicos, referido no caput.

57
CAPÍTULO IX

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 28. Os órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem incluir em seus
orçamentos anuais e plurianuais dotações destinadas a viabilizar ações previstas neste Decreto,
prioritariamente as relativas à formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e
empregados para o uso e difusão da Libras e à realização da tradução e interpretação de Libras -
Língua Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

Art. 29. O Distrito Federal, os Estados e os Municípios, no âmbito de suas competências,


definirão os instrumentos para a efetiva implantação e o controle do uso e difusão de Libras e de sua
tradução e interpretação, referidos nos dispositivos deste Decreto.

Art. 30. Os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito Federal, direta e
indireta, viabilizarão as ações previstas neste Decreto com dotações específicas em seus orçamentos
anuais e plurianuais, prioritariamente as relativas à formação, capacitação e qualificação de
professores, servidores e empregados para o uso e difusão da Libras e à realização da tradução e
interpretação de Libras - Língua Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

Art. 31. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

o o
Brasília, 22 de dezembro de 2005; 184 da Independência e 117 da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Fernando Haddad

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm

58