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Aula 11

Obras Rodoviárias e Hídricas p/ EMBASA (Engenheiro Civil) - Com videoaulas

Professor: Marcus Campiteli


Obras Hídricas Embasa/2017
Teoria e Questões
Profs. Marcus Campiteli Aula 11

HIDROLOGIA

Antes que a água da chuva possa fluir em um curso d’água ou


canal, ou em um bueiro, ela deve primeiro se precipitar do céu,
seguir seu caminho pela superfície da terra e acumular-se em uma
forma concentrada.
O valor da vazão resultante da água da chuva denomina-se
deflúvio (ou runoff) e depende de vários fatores, incluindo o volume
precipitado, o tamanho da área onde cai a água da chuva e a
natureza do solo sobre o qual a água flui.

1 – CICLO HIDROLÓGICO
O ciclo hidrológico é fechado, mas adota-se a atmosfera como
ponto inicial de origem da água na qual existe sob a forma de vapor,
partículas líquidas, gelo ou neve. Quando as partículas de água
formadas por condensação do vapor atingem determinada dimensão,
precipitam-se em forma de chuva. Se na queda atravessam zonas de
temperatura inferior a 0oC pode haver formação de partículas de
gelo, dando origem ao granizo. No caso da condensação ocorrer sob
temperaturas abaixo do ponto de congelamento, há formação de
neve. Quando a condensação se verifica sobre uma superfície sólida
ocorre o orvalho ou a geada, conforme seja a temperatura superior
ou inferior a 0oC.
Parte da precipitação não atinge o solo devido à evaporação,
durante a própria queda, ou porque é retida pela vegetação, perda a
que se dá o nome de interceptação. Do volume que atinge o solo
parte se infiltra, parte escoa pela superfície e parte evapora-se
diretamente ou através das plantas, fenômeno conhecido como
transpiração.
A infiltração é o processo de penetração da água no solo.
Quando a intensidade da precipitação excede a capacidade de

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infiltração, a água escoa na superfície. Em primeiro lugar, preenche


as depressões do terreno. Em seguida, inicia-se o escoamento
superficial propriamente dito: a água procura os canais naturais que
vão concentrar-se nos vales principais, formando os cursos dos rios,
para finalmente dirigir-se aos lagos, mares e oceanos. Nesse
processo pode ocorrer infiltração ou evaporação, conforme as
características do terreno e a umidade ambiente da zona
atravessada. A água retida nas depressões ou como umidade
superficial do solo pode ainda evaporar-se ou infiltrar-se. Em estado
líquido, pela energia recebida do Sol ou de outras fontes, a água pode
retornar ao estado gasoso, fenômeno chamado de evaporação e ao
qual se atribui o equilíbrio do ciclo hidrológico.
As plantas retiram umidade do solo que utilizam em seu
crescimento e eliminam na atmosfera sob a forma de vapor, ao que
se dá o nome de transpiração. Em muitos estudos a evaporação do
solo e das plantas é considerada em conjunto sob a denominação de
evapotranspiração. A água que se infiltra no solo movimenta-se
através dos vazios existentes por percolação e, eventualmente,
atinge uma zona saturada formando o lençol subterrâneo que poderá
interceptar uma vertente, retornando à superfície para alimentar os
rios, ou mesmo os oceanos, ou formar lençóis artesianos entre
camadas impermeáveis.
Na fase aérea do ciclo hidrológico a água é pura porque nos
processos de evaporação e de precipitação tudo se passa como se
houvesse um gigantesco destilador. Entretanto, a água é límpida
apenas enquanto vapor e no momento da condensação. Logo após a
esta as impurezas começam a acumular-se, os gases dissolvem-se
nas gotas das chuvas que ao atingir a superfície do solo dissolvem
substâncias como cálcio, magnésio, sódio, bicarbonatos, cloretos,
sulfatos e nitratos.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

O quadro a seguir apresenta uma estimativa feita por N. Meinardus


(1928) e H. Hoinkes (1968) da quantidade de água disponível no
planeta Terra por fontes:

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

O quadro abaixo apresenta uma estimativa de distribuição


baseado no volume total de água potável apresentado no quadro
anterior:

Fonte:
Amorim & Reis (IME)

Uma parte da reserva de água está em circulação contínua e


compõe uma transferência, pois evapora das superfícies líquidas e do
solo e após a condensação na atmosfera é depositada novamente nas
superfícies como precipitação líquida ou sólida. Pela precipitação, a
evaporação e o escoamento superficial são sempre repostos como
água potável. O vapor de água em circulação na atmosfera formaria
com sua completa condensação e precipitação uma camada de água
de somente 2 a 3 cm de profundidade na superfície da Terra.
Comparando-se com a média de precipitação anual na Terra (97 cm),

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deduz-se que a vida média de uma molécula de água na atmosfera é


de cerca de 10 dias.
A água disponível para uso na superfície da terra, da qual a
humanidade, a economia e a indústria dependem, constitui apenas
uma fração da água total da terra e é renovada pelo ciclo hidrológico.
O quadro seguinte mostra os fluxos globais entre os continentes
e os oceanos:

Fonte: Amorim & Reis (IME)

1) (33 – Transpetro/2011 – Cesgranrio) Considere as


seguintes reservas de água doce (Rn) do nosso planeta.

R1 – lagos e rios

R2 – geleiras e gelo polar

R3 – água subterrânea

A ordem DECRESCENTE de volume de água armazenada


nessas reservas é

(A) R1, R2, R3

(B) R1, R3, R2

(C) R2, R1, R3

(D) R2, R3, R1

(E) R3, R2, R1

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a) Balanço Hídrico

Devido ao fato de que a quantidade total de água disponível na


Terra ser finita e indestrutível, podemos encarar o ciclo hidrológico
global como sendo um sistema fechado. Um balanço hídrico pode ser
desenvolvido para explicar os componentes hidrológicos.
De modo ilustrativo pode-se imaginar um sistema simples e
altamente restrito como o da figura a seguir. Considere uma
superfície plana inclinada e completamente impermeável (a água não
pode passar através da superfície), confinada pelos quatro lados e
comum a saída no canto A. Desde que a superfície seja assumida
como sendo completamente plana, não haverá depressões nas quais
a água poderá se armazenar. Se uma chuva for aplicada a este
sistema hidrológico simplificado, surgirá em A uma vazão de saída,
denominada escoamento superficial direto.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Pode-se representar o balanço hídrico para este sistema pela


seguinte equação:
I – Q = dS/dt
Onde:

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I = vazão de entrada
Q = vazão de saída
dS/dt = variação no armazenamento do sistema por unidade de
tempo
Como a vazão de saída é constante, com o aumento da
intensidade da chuva temos um aumento da vazão de entrada, e se
esta supera a vazão de saída temos uma acumulação na superfície
(retenção superficial). Com o cessar da precipitação, a água retida na
superfície se transforma em vazão de saída do sistema.
No exemplo citado, toda a entrada se transforma em saída,
negligenciando-se a pequena quantidade de água retida
eletricamente na superfície e também qualquer evaporação ocorrida
durante o período (uma suposição razoável para o sistema descrito).
Num sistema mais generalizado, existem depressões no sistema
fechado e a vazão de saída não pode ocorrer até que se acumule
água a uma profundidade mínima para fornecer carga necessária ao
escoamento.
Esta ilustração elementar sugere que qualquer sistema
hidrológico pode ser descrito por um balanço hídrico que explica a
disposição das entradas de água no sistema e a variação no
armazenamento.
Uma versão mais generalizada do balanço hídrico deverá
explicar os vários componentes de um ciclo hidrológico e fornecer a
visão de técnicas de resolução de problemas em regiões hidrológicas
complexas. Tais regiões podem estar definidas pela topologia,
limitadas politicamente ou especificadas arbitrariamente.
Teoricamente, um balanço é possível para qualquer tipo de
região que caracterize um sistema fechado, embora a possibilidade
de dados e o grau de refinamento dos métodos analíticos determine a
aplicabilidade daquele em um senso prático. O balanço hídrico de

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uma área unitária da superfície da Terra é formado pelos seguintes


componentes:
- P = precipitação;
- E = evaporação;
- Q = descarga, escoamento;
- R = reserva, armazenamento;
- U = uso, consumo;

Nesta forma mais generalizada a equação da continuidade se


apresenta na seguinte forma:
P=E+D+R+U
Onde:
D = escoamento superficial ou subterrâneo
R = armazenamento temporário de água no solo, e
U = água utilizada física ou quimicamente.

Em uma média de longo período pode-se admitir que R e U


sejam constantes, de forma que as flutuações dessas quantidades
tornam-se insignificantes no balanço hídrico. Assim a equação pode
ser simplificada para:
P=E+Q
Em um sistema mais generalizado, normalmente, tomamos
como sistema fechado uma bacia hidrográfica, que é uma área
definida topograficamente, drenada por um rio ou sistema de rios de
forma que toda a vazão é descarregada em uma única saída definida
pela seção de estudo, definindo um sistema fechado.
A precipitação é avaliada por medidores dispostos em uma
área. O escoamento superficial pode ser medido de várias formas,
tais como medidores em barragens, medidores de velocidade de
fluxo, etc.. A umidade do solo pode ser determinada usando-se
provas de nêutrons e métodos gravimétricos; a infiltração é

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determinada localmente por infiltrômetros ou estimada através dos


dados de chuva-escoamento.
A equação do balanço hídrico é um instrumento extremamente
útil e que pode ser usado de várias maneiras para estimar a
magnitude e distribuição no tempo das variáveis hidrológicas.

2 – BACIA HIDROGRÁFICA

Para o cálculo da vazão em um curso d’água resultante de um


evento de chuva, deve-se, primeiro, determinar o tamanho da área
sobre a qual a chuva incide. Para todos os cursos d’água, uma área
bem definida intercepta a chuva e a transporta até o curso d’água,
conforme a figura a seguir.

Fonte: Gribbin (2014)

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Essa área denomina-se bacia hidrográfica, bacia de drenagem


ou área de captação.
Toda chuva que incide sobre a bacia de drenagem segue seu
caminho até o curso d’água, enquanto a chuva que cai fora dela
segue caminho distinto, afluindo em outro curso d’água.
A linha imaginária que delineia o limite da bacia de drenagem
denomina-se divisor da bacia ou divisor de águas e é determinada
pela topografia da região.
Conforme apresentado na figura seguinte, o primeiro passo
para delinear a bacia de drenagem é decidir o ponto, no curso d’água,
onde a bacia começa (onde se quer determinar a vazão). Esse ponto
inicial constitui o ponto de análise (ponto de saída) do escoamento
proveniente da bacia de drenagem, também denominado exutório da
bacia. Em geral, esse ponto é escolhido para a instalação da estrutura
hidráulica proposta, como um bueiro.

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Fonte:
Gribbin (2014)

O divisor da bacia na figura seguinte ilustra os princípios mais


importantes para se delinear uma bacia de drenagem:
1) Desenhe o divisor perpendicular às linhas de contorno
(curvas de nível).
2) Desenhe o divisor ao longo das cristas das elevações
(colinas ou montanhas).
3) Nunca desenhe o divisor ou longo de ou através de uma
baixada.
4) Desenhe o divisor entre duas curvas de nível de mesma
cota topográfica e paralelo a elas.
5) Quando estiver em dúvida sobre a linha do divisor da bacia,
simule uma gota de chuva caindo perto da linha; então,

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trace o caminho do escoamento seguido pela gota. Se a


gota escoa em direção ao exutório da bacia, ela caiu dentro
da bacia. Quando escoa em declive, a água segue
perpendicularmente às curvas de nível.

Fonte:
Gribbin (2014)

A figura a seguir representa um talvegue (lugar geométrico dos


pontos mais baixos da bacia de drenagem) e uma elevação. Um
fundo de vale é a transição entre duas elevações e dois talvegues.

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Fonte: Gribbin (2014)

Cabe ressaltar que os divisores topográficos nem sempre


coincidem com os divisores freáticos. Desta forma podem ocorrer
fugas ou acréscimos de água numa bacia, e o sistema não poderia
ser tomado como fechado. A exceção de casos especiais estas
variações não são significativas.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

O balanço entre a disponibilidade e a demanda de água para


diversos fins, indica a situação hídrica de escassez ou de abundância
da bacia hidrográfica. Pode-se estabelecer o balanço hídrico de uma
bacia hidrográfica medindo-se as chuvas nos postos pluviométricos
locais ou vizinhos e as vazões escoadas na seção fluviométrica.

2.1 - Resposta de uma Bacia Hidrográfica


A maneira pela qual se dão as variações de vazão em uma
seção em relação à chuva precipitada é denominada resposta de uma
bacia. Uma bacia responderá diferentemente a tempestades de
intensidade e duração diferentes. A resposta também será diferente
com chuvas idênticas, se a condição antecedente variar. Pode-se
observar o comportamento da bacia em relação a uma chuva
específica, analisando o hidrograma no período, ou seja, o gráfico da
vazão versus tempo. A figura a seguir mostra um exemplo de um
hidrograma típico de cheia:

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

O hidrograma de cheia representa a variação da vazão em uma


seção de um curso d’água para um evento isolado de chuva. Note-se
que geralmente pode-se traçar o hidrograma de uma bacia mesmo
para nenhuma precipitação, devido à perenidade dos rios. Esta
perenidade é causada pelo abastecimento de água feito a partir do
escoamento subterrâneo (deflúvio básico), onde o nível do rio está
abaixo da superfície freática. Portanto, o pico do hidrograma de cheia
será mais acentuado quanto maior for a contribuição do escoamento
superficial direto, resultante da chuva em relação ao deflúvio básico.
Isto se dará para solos com pouca capacidade de infiltração, para
bacias com declividade acentuada, com influência de sua forma e do
tipo de vegetação e também da distribuição espacial da chuva na
bacia. É interessante observar que a forma de um hidrograma vai
depender tanto das características físicas da bacia como também das
características da precipitação. Os estudos baseados na análise do
hidrograma compreendem um dos métodos conceituais usados na
determinação de parâmetros de projeto, na transformação da chuva
em vazão.
2.2 - Características físicas e funcionais de uma Bacia
Hidrográfica

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A discussão das características físicas e funcionais das bacias


hidrográficas tem a finalidade de proporcionar o conhecimento dos
diversos fatores que determinam a natureza da descarga de um rio. A
utilização das características físicas pode ser resumida a três
utilidades básicas:
- Explicação de observações passadas ou criação de cenários
futuros, como por exemplo, no planejamento de drenagem de uma
cidade, prevendo-se as áreas impermeabilizadas futuras.
- Transposição de dados entre bacias vizinhas. É muito comum
não se dispor de dados observados de vazões no local de interesse de
um projeto; entretanto, encontrando-se uma bacia vizinha com dados
históricos ou eventualmente dados no mesmo rio, mas em seções
distantes, pode-se através de fórmulas empíricas ou por uma análise
estatística regional, correlacionar os dados de vazões com as
características físicas das bacias.
- Criação de fórmulas empíricas para generalizações regionais
dessas correlações. Em geral, estas são efetuadas mais com um
cunho científico, de forma independente à uma necessidade de
estudo específico.
O escoamento num curso d'água é condicionado a diversos
fatores, podendo ser divididos em dois grupos (fatores climáticos e
fatores físicos). São estes fatores que irão determinar as variações de
escoamento de bacia para bacia.
Fatores climáticos: Precipitação; Evapotranspiração;
Parâmetros secundários ligados aos primeiros (radiações solares,
temperaturas, umidade do ar, vento,...).
Fatores físicos (intimamente ligados às características da bacia
hidrográfica): Uso e Tipo do solo / florestas; Área; Forma;
Declividade da bacia; Elevação; Declividade do Curso D’água; Tipo da
Rede de Drenagem; Densidade de drenagem.

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a) Uso e tipo do solo / florestas da bacia hidrográfica:


Um dos fatores fisiográficos mais importantes que afetam o
escoamento é o uso do solo ou controle da terra.
Uma área constituída por floresta com o solo coberto por folhas
e galhos, durante as maiores precipitações, evitam que o escoamento
superficial atinja o curso d’água num curto intervalo de tempo,
mitigando, assim, uma enchente. Se esta área for desflorestada e seu
solo compactado ou impermeabilizado, aquela chuva que antes se
infiltrava no solo, pode provocar enchentes nunca vistas. Entretanto,
esse fator não tem influência sensível nas maiores enchentes
catastróficas.
As florestas têm ação regularizadora nas vazões dos
cursos d’água, mas não aumentam o valor médio das vazões.
Em climas secos, a vegetação pode até mesmo diminuí-lo em virtude
do aumento da evaporação.
As características do escoamento superficial também são
bastante influenciadas pelo tipo predominante de solo, devido à
capacidade de infiltração dos diferentes solos, que por sua vez é
função do tamanho dos grãos do solo, da sua agregação, da forma e
do arranjo das partículas. Solos que contém material coloidal
contraem-se e incham-se com as mudanças de umidade, afetando a
capacidade de infiltração.

b) Área da bacia hidrográfica:


É a área plana definida pela projeção horizontal do
divisor de águas. Seu valor multiplicado pela lâmina da chuva
precipitada define o volume de água recebido pela bacia.
A determinação da área de drenagem de uma bacia é feita com
o auxílio de uma planta topográfica e de altimetria adequada,
traçando-se a linha divisória que passa pelos pontos de maior cota
entre duas bacias vizinhas. O cálculo da área pode ser realizado com

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boa precisão utilizando-se um planímetro, ou com recursos


intrínsecos aos aplicativos de Sistemas de Informação Geográfica
(SIG), quando se trabalha com a planta digitalizada.
As bacias podem ser classificadas em grandes e pequenas. O
tamanho da bacia (a área) não é critério suficiente para tal
classificação, haja vista que duas bacias de mesma área podem
apresentar comportamentos hidrológicos totalmente distintos.
Considera-se uma bacia pequena quando a quantidade de água
acumulada no leito do curso d’água devido à precipitação for superior
à quantidade de água acumulada no solo e na vegetação.
A área da bacia afeta a grandeza das enchentes, das vazões
mínimas, e das vazões médias de várias formas. Ou seja, tem
significativa influência sobre o hidrograma como veremos a seguir:
- Efeito sobre vazões máximas: Entre duas bacias que
diferem apenas pela área, se quantidades iguais de chuva precipitam
em intervalos de tempos iguais sobre elas, o volume do escoamento
superficial por unidade de área será o mesmo nas duas bacias.
Entretanto, esse volume de escoamento estará mais disperso na
bacia de maior área. Assim, o tempo necessário para que todo esse
volume passe pela seção de saída desta bacia será maior que o
tempo gasto na bacia de área menor. Dessa forma, o pico de
enchente será menos acentuado na maior bacia (em relação à
vazão normal).
- Efeito sobre as vazões mínimas: Uma vez cessado o
escoamento superficial, a vazão de um curso d’água é
alimentada pela água subterrânea. Consequentemente, com o
gasto desse armazenamento a vazão do curso d’água vai diminuindo
até que o curso d’água fique seco ou haja uma recarga no solo pela
precipitação. Estas precipitações, que ocorrem durante as secas
atingem algumas partes das grandes bacias, enquanto muitas vezes
não caem sobre algumas pequenas sub-bacias. Por esse motivo, a

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vazão dos cursos d’água principais das bacias maiores tem


maior chance de prover uma vazão firme.
- Efeito sobre a vazão média: A área da bacia não afeta
diretamente a vazão média. Assim, as vazões médias específicas
(vazão por unidade de área) em vários pontos de uma bacia são
praticamente constantes.

c) Forma da bacia hidrográfica:


As grandes bacias hidrográficas, em geral, apresentam forma
de leque ou de pêra, ao passo que as pequenas bacias apresentam
formas as mais variadas possíveis em função da estrutura geológica
dos terrenos. A forma da bacia influencia no escoamento
superficial e consequentemente no hidrograma resultante de
uma determinada chuva.
Entre os índices propostos para caracterizar a forma da bacia
serão calculados o fator de forma e os índices de compacidade e de
conformação. Estes índices são utilizados para comparar bacias e
para comporem parâmetros das equações empíricas de correlações
entre vazões e características físicas das bacias.
- Fator de Forma ou índice de Gravelius: é a razão entre a
largura média da bacia e o comprimento axial da mesma. O
comprimento axial é medido da saída da bacia até seu ponto mais
remoto, seguindo-se as grandes curvas do rio principal (não se
consideram as curvas dos meandros).

Fonte: Amorim & Reis (IME)

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- Índice de Compacidade (Kc): É definido como sendo a


relação entre o perímetro da bacia e a circunferência do
círculo de área igual à da bacia. Como o círculo é a figura
geométrica plana que comporta uma dada área com o menor
perímetro, este índice nunca será menor que 1 (um).
Bacias que se aproximam geometricamente de um círculo
convergem o escoamento superficial ao mesmo tempo para um
trecho relativamente pequeno do rio principal. Caso não existam
outros fatores que interfiram, os menores valores de Kc indicam
maior potencialidade de produção de picos de enchentes elevados.

Kc = 0,28.

Onde:
P = perímetro da bacia, em km
A = área da bacia, em km2

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Índice de Conformação: Compara a área da bacia coma


área do quadrado de lado igual ao comprimento axial. Caso não
existam outros fatores que interfiram, quanto mais próximo de 1

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(um) o valor de Fc, isto é, quanto mais a forma da bacia se aproximar


da forma do quadrado do seu comprimento axial, maior a
potencialidade de produção de picos de cheias, pois há uma
conversão de todo escoamento para uma mesma região, ao mesmo
tempo.

Fc = A/L2
Onde:
A = área da bacia
L = comprimento axial

Fonte: Amorim & Reis (IME)

d) Declividade da bacia hidrográfica: A declividade da bacia ou


dos terrenos da bacia tem uma relação importante e também
complexa com a infiltração, o escoamento superficial, a umidade do
solo e a contribuição de água subterrânea ao escoamento do curso
d’água. É um dos fatores mais importantes que controla o tempo do
escoamento superficial e da concentração da chuva e tem uma
importância direta em relação à magnitude da enchente. Quanto
maior a declividade, maior a variação das vazões
instantâneas.

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e) Elevação da bacia hidrográfica: A variação da elevação e


também a elevação média de uma bacia são fatores importantes com
relação à temperatura e à precipitação.

f) Declividade do curso d’água da bacia hidrográfica: A


velocidade de escoamento da água de um rio depende da declividade
dos canais fluviais. Quanto maior a declividade, maior será a
velocidade de escoamento. Assim, os hidrogramas de enchente serão
tanto mais pronunciados e estreitos, indicando maiores variações de
vazões instantâneas.

g) Tipo da rede de drenagem da bacia hidrográfica: Podemos


caracterizar o tipo da rede de drenagem através da ordem dos cursos
d’água, da densidade de cursos d’água e da densidade de drenagem.
- Ordem dos cursos d’água: A classificação dos rios quanto à
ordem reflete no grau de ramificação ou bifurcação dentro de uma
bacia. Os cursos d’água maiores possuem seus tributários, que por
sua vez possuem outros até que se chegue aos minúsculos cursos
d’água da extremidade. As correntes formadoras, isto é, os canais
que não possuem tributários são considerados de primeira ordem.
Quando dois canais de primeira ordem se unem é formado um
segmento de segunda ordem. A união de dois rios de mesma ordem
resulta em um rio de ordem imediatamente superior; quando dois
rios de ordens diferentes se unem, formam um rio com a ordem
maior dos dois.
Para se determinar corretamente a ordem, situam-se num
mapa todos os cursos d’água, perenes ou intermitentes, mas não se
deve incluir ravinas de água que não possuem curso definido.
Geralmente, quanto maior a ordem de um curso d’água maior é a sua
extensão:

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Densidade de cursos d’água: A densidade de cursos d’água


é a relação entre o número de cursos d’água e a área total da
bacia. São incluídos apenas os rios perenes e os intermitentes. O rio
principal é contado apenas uma vez de sua nascente até a foz e os
tributários de ordem superior, cada um se estendendo da sua
nascente até a junção como rio de ordem superior. A densidade de
cursos d’água não indica a eficiência da drenagem, pois a extensão
dos cursos d’água não é levada em conta.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Densidade de drenagem: A densidade de drenagem indica


a eficiência da drenagem na bacia. É definida pela relação entre
o comprimento total dos cursos d’água e a área de drenagem.
Quanto mais eficiente o sistema de drenagem, ou seja, quanto maior

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a densidade de drenagem da bacia, mais rapidamente a água do


escoamento superficial originada da chuva chegará à saída da bacia,
gerando hidrogramas com picos maiores e em instantes mais cedo.

2.3 - Tempo de Concentração

É uma medição do tempo necessário para o escoamento ocorrer


do ponto mais remoto da bacia hidrográfica ao exultório da bacia.

Fonte: Gribbin (2014)

Cada bacia de drenagem tem seu próprio tempo de


concentração, dependendo do tamanho, forma, declividade e
condições do solo. O ponto mais remoto é aquele em que a bacia
requer mais tempo para escoar. O ponto mais remoto não,
necessariamente, é o mais distante do exutório, pois a água pode
escoar vagarosamente em razão da declividade e das condições do
solo.
O percurso na bacia de drenagem do ponto mais remoto ao
exutório denomina se vertente.
O escoamento sobre o solo geralmente é o primeiro tipo de
escoamento. Caracteriza-se por um escoamento laminar, semelhante

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à maneira como a água escoa sobre um pavimento. Esse é o mais


lento de todos os tipos de escoamento, e é calculado por um
nomógrafo ou por equação empírica.
O escoamento concentrado raso ocorre quando as reentrâncias
naturais do terreno fazem o escoamento formar pequenos regatos.
Por serem mais concentrados, a eficiência do escoamento aumenta,
e, consequentemente, a velocidade. O tempo de escoamento
concentrado raso é determinado por monógrafo empírico.
O escoamento de um curso d’água geralmente é o último e o
mais rápido, que ocorre ao longo da vertente. O tempo pode ser
calculado pela equação de Manning.
O tempo de concentração é um parâmetro fundamental para o
cálculo da vazão máxima ou vazão de pico. Se o escoamento leva
muito tempo para atingir o exutório, a vazão de pico será inferior,
caso levasse mais tempo.

3 - PRECIPITAÇÃO

Precipitação é o termo geral dado a todas as formas de água


depositada na superfície terrestre e oriunda do vapor d’água na
atmosfera, tais como neblina, granizo, geada, neve, orvalho e chuva.
É o elemento alimentador da fase terrestre do ciclo hidrológico
e constitui fator importante para os processos de escoamento
superficial direto, infiltração, evaporação, transpiração, recarga de
aqüíferos, vazão básica dos rios e outros.
Comumente os termos precipitação e chuva se confundem,
uma vez que a neve é incomum no país, e as outras formas pouco
contribuem para a vazão dos rios.
A magnitude de uma precipitação é descrita pelo número de
mm de chuva, junto com sua duração (intensidade).

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A probabilidade de ocorrência é descrita como período de


retorno, que é o número médio de anos entre dois eventos de chuva
que se igualam ou excedem um determinado número de mm durante
uma determinada duração.

3.1 – Formas de precipitação

As precipitações apresentam formas diferentes dependendo da


temperatura na qual ocorre a condensação e das condições existentes
durante a queda das partículas na direção do solo:

Fonte: Amorim & Reis (IME)

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3.2 – Formação das Precipitações

O vapor d’água contido na atmosfera constitui um reservatório


potencial de água doce que ao se condensar possibilita a ocorrência
de precipitações. Embora a umidade atmosférica seja o elemento
indispensável para a ocorrência de chuva, ela não responde sozinha
por sua formação.
A formação está intimamente ligada à ascensão, ao
resfriamento e à condensação das massas de ar, sendo que a
precipitação dependerá da formação de núcleo higroscópicos para
que atinjam peso suficiente para vencer as forças de sustentação.
Quando ocorre o movimento vertical e o ar é transportado para
níveis mais altos, seja por convecção, relevo ou ação frontal das
massas, há uma expansão devido a diminuição da pressão. Essa
expansão é adiabática, uma vez que não há troca de calor com o
ambiente. Porém, a temperatura é reduzida, devido à energia térmica
ter sido utilizada em seu processo de expansão. Como resfriamento,
a massa de ar pode atingir seu ponto de saturação com a
consequente condensação do vapor em gotículas (nuvens).

3.2.1 - Elementos de Hidrometeorologia

a) Temperatura, Pressão e Circulações do vapor d’água na


atmosfera
A atmosfera é uma camada gasosa que envolve a terra,
constituída por uma mistura de ar seco (97% - Nitrogênio 78%,
Oxigênio 21%, Gases Nobres), vapor d’água e partículas sólidas em
suspensão.
Os fenômenos hidrometeorológicos ocorrem
principalmente na troposfera, que é a camada em contato com a

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superfície terrestre, com 16.000 m no equador e 8.000 m nos pólos,


sendo o principal meio de transporte de massa (água, partículas
sólidas, e poluentes), energia (energia térmica recebida pelo sol) e
quantidade de movimento (ventos) sobre a superfície da terra.
Devido ao efeito estufa natural, mais especificamente ao
espectro de absorção da atmosfera e aos diferentes comprimentos de
onda entre a energia incidente e a energia emitida pela superfície,
verifica-se que a principal fonte de aquecimento da atmosfera é a
superfície terrestre. As camadas inferiores, por contarem com mais
vapor, gotas e partículas sólidas, tornam-se mais eficientes em
absorver a radiação terrestre que as camadas mais altas. Desta
forma, dentro da troposfera, existe um gradiente de temperatura
aproximado de 6 a 7oC para cada 1.000 m de altitude. Assim,
verticalmente, a temperatura diminui com a altitude. Analogamente,
na troposfera a pressão também diminui.
Horizontalmente também temos diferentes zonas de
temperatura e de pressão. A nível global, devido às variações de
potência incidentes, e localmente devido aos diferentes calores
específicos da terra e dos oceanos. Estas pressões diferentes
provocam ventos que transportam a umidade das regiões de maior
pressão para as de menor pressão, isto é, das regiões mais aquecidas
para as mais frias. Apesar do gradiente de pressão ser o principal
mecanismo formador dos ventos, estes também são influenciados
pela força de Coriolis resultante da rotação da terra, que provoca um
deslocamento das massas de ar para a esquerda no hemisfério sul
(para a direita no norte); e pela força centrífuga, que aparece
quando os ventos apresentam curvaturas em função das isobáricas
não estarem retilíneas e paralelas. Até 1.000 m de altitude atua
também sobre o vento a força de atrito no sentido oposto ao do
movimento do ar.

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Desta forma, a circulação geral da atmosfera ocorre conforme o


mostrado na figura a seguir:

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Conforme vimos, os ventos são formados principalmente pelo


gradiente de pressão, mas estes sofrem influência da força de
Coriolis. É devido a esta força que temos a formação de ciclones e
anticiclones respectivamente sobre os centros de baixa e de alta
pressão.
Nas zonas equatoriais temos uma forte ascensão de ar
provocada pelo forte aquecimento das camadas inferiores. Isto faz
que nesta região tenhamos centros de baixa pressão. Analogamente
o forte resfriamento nas camadas inferiores dos pólos provoca um
abaixamento (por resfriamento e aumento de densidade) das massas
de ar superiores, formando nestas regiões centros de alta pressão.

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Nos centros de baixa pressão ocorre, pelo gradiente de


pressão, um movimento convergente em direção ao centro e uma
ascensão das camadas de ar mais baixas. Contudo, devido à força de
Coriolis, no hemisfério sul, há um deslocamento para esquerda, o que
faz com que a massa de ar, além de convergir e subir, execute um
movimento no sentido horário denominado de movimento ciclônico.
Analogamente, nos centros de alta pressão, pelo gradiente de
pressão, há a redução de altitude das camadas de ar mais altas e,
nas camadas mais baixas, um movimento divergente partindo do
centro. Da mesma forma, devido à força de Coriolis, no hemisfério
sul, há um deslocamento para a esquerda, o que faz com que a
massa de ar, além de descer e divergir, execute um movimento no
sentido anti-horário que chamamos de movimento anti-ciclônico.
Vimos que à medida que se sobe, baixa-se a temperatura. Isto
faz com que as massas úmidas se condensem formando nuvens.
Desta forma, à medida que estas massas sobem, tornam-se menos
úmidas e mais secas. Devido a este fenômeno, temos sobre os
centros de baixa pressão locais de tempo ruim e sobre os centros de
alta pressão locais de tempo bom. Isto ocorre porque nos centros de
baixa pressão as massa de ar que são convergidas e ascendidas são
as mais baixas, isto é, as mais úmidas, que após a ascensão,
resfriam condensam e, possivelmente, precipitam, enquanto que
sobre os centros de alta pressão as camadas que descem e divergem
são mais altas, isto é, mais secas, sem potencial (água) para
precipitação.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

b) Umidade do ar e pressão de vapor


Para existir condensação e possivelmente precipitação é
imprescindível haver umidade (água) na massa de ar. Assim, para
estimar o potencial de precipitação, é importante haver uma medida
da umidade do ar.
Conforme visto no ciclo hidrológico, o vapor d’água dá entrada
na atmosfera através da evaporação e da evapotranspiração. Na
evaporação, que é a principal fonte, com o aumento da temperatura,
as moléculas de água rompem a tensão superficial e passam para o
ar. As moléculas vão ocupando os espaços entre as moléculas do ar
seco, causando a chamada umidade do ar, contudo, este processo
não segue indefinidamente.
Existe um limite para a quantidade de vapor d’água que um
dado volume de ar pode suportar, e, quando esse limite é alcançado,
diz-se que o ar está saturado. O ar quente pode suportar mais vapor
do que o ar frio. Para cada grau de elevação da temperatura, verifica-
se, também, um aumento do conteúdo do vapor d’água para a
saturação.

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A pressão atmosférica decorre de uma composição de pressões


parciais exercidas pelos gases que a constituem. A parcela de pressão
devida a presença do vapor d’água é denominada pressão de vapor
d’água (e).
Suponha uma superfície de água em evaporação, em um
sistema fechado, envolta em ar. Sob a ação de uma fonte de calor, a
água vai sendo evaporada até o estado de equilíbrio, quando o ar
está saturado de vapor e não pode mais absorvê-lo. As moléculas de
vapor d’água exercerão então uma pressão, denominada pressão de
saturação de vapor d’água (es), para determinada temperatura do
sistema. O valor de es muda com a temperatura como mostra a
figura a seguir:

A saturação do ar pode se dar por três processos básicos:


- Processo isotérmico – a temperatura é mantida constante e
o vapor d’água é incorporado ao ar para suprir sua deficiência de
umidade.

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- Processo isobárico – a pressão é conservada constante e o


ar é submetido a um resfriamento até interceptar a curva de
saturação de vapor. Esta temperatura corresponde a temperatura do
ponto de orvalho (td). Ou seja, a temperatura de ponto de
orvalho é aquela na qual uma massa de ar resfriada
isobaricamente é resfriada até atingir a condição de
saturaçãodo vapor d’água.
- Livre saturação – se a água evapora livremente dentro da
massa de ar, a saturação é atingida à pressão e temperaturas
diferentes das que tinha inicialmente, uma vez que a evaporação
necessita de calor (calor latente de evaporação), que é retirado do
próprio ar. Assim, à medida que a umidade e a pressão aumentam, a
temperatura diminui. O ponto P irá se mover na diagonal até atingir a
curva de saturação a uma temperatura tw denominada de
“temperatura do bulbo úmido”.
Quando o ar possui uma tensão de vapor es, é impossível
comprimir o vapor de água por resfriamento sob a forma gaseiforme.
Ao aproximar mais suas moléculas, o vapor saturante se liquefaz e se
condensa.
Os valores de tensão de vapor saturante (es) podem ser obtidos
em função dos valores de temperatura do ar T através de gráficos,
tabelas ou fórmulas como a de Tetens:

es = 6,11 x 10(a x T)/(b + T)

Como a quantidade de vapor d’água é fator imprescindível a


precipitação, devemos estabelecer índices de umidade do ar e medi-
los. A quantidade de vapor d’água no ar expressa-se simplesmente
pela relação peso/volume (gramas/m3). Os principais índices de
umidade do ar são:

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- Umidade absoluta ( v): É a relação entre a massa de vapor


d’água, mv, e o volume de ar que a contém.
- Umidade relativa (U): é a relação entre o percentual que
expressa a quantidade real de vapor d’água no ar e o valor de
saturação para a mesma temperatura. Ou seja, é a relação entre a
quantidade de vapor d’água existente no ar e a quantidade de vapor
d’água necessária para saturá-lo:

U = (e/es)

- Razão ou teor de mistura (W): é a razão entre a massa de


vapor d’água e a massa de ar úmido que a contém.

W = mv/ma = v/ a

- Umidade específica (q): é o quociente entre a massa de


vapor d’água e a massa de ar seco com a qual o vapor se mistura.

W = mv/(ma+mv)

A umidade atmosférica, na prática corrente, é medida através


deum aparelho chamado psicômetro.

c) Crescimento das gotas e formação das precipitações


Conforme foi visto, quando o ar possui uma tensão de vapor es
é impossível comprimir o vapor de água por resfriamento sob a forma
gaseiforme. Ao aproximar mais suas moléculas o vapor saturante se
liquefaz e se condensa.
Quando ocorre o movimento vertical e o ar é transportado para
níveis mais altos, seja por convecção, relevo ou ação frontal das
massas, há uma expansão devido a diminuição da pressão. Essa

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expansão é adiabática, uma vez que não há troca de calor com o


ambiente. Porém, a temperatura é reduzida, devido à energia térmica
ter sido utilizada em seu processo de expansão. Como resfriamento,
a massa de ar pode atingir seu ponto de saturação com a
consequente condensação do vapor em gotículas que formam as
nuvens.
Esta condensação é realizada sobre partículas minúsculas
(diâmetro 0,01 a 1 mícron) de várias origens (argilosas, orgânicas
(pólen), químicas e sais marinhos) que são conhecidas como núcleos
de condensação. Entretanto, a condensação do vapor em gotículas
não garante que haja precipitação.
Para que ocorra a precipitação, é necessário que as gotas
tenham um volume tal que seu peso seja superior às forças que a
mantém em suspensão, adquirindo assim uma velocidade superior às
componentes verticais ascendentes dos movimentos atmosféricos.
Estas gotículas, após condensadas, apresentam diâmetros
variando entre 0,01 e 0,03 mm em massa, variando de 0,5 a 1 g/m3
de ar. Como as gotas de chuva têm diâmetros variando de 0,5 a 2
mm, para precipitação, é necessário que elas cresçam.
O crescimento das gotas ocorre devido a dois fatores: ao
crescimento por condensação do vapor d’água e devido à
absorção de uma pela outra devido à choques entre elas
(processo de coalescência direta).

c.1) Crescimento por condensação do vapor d’água


O vapor d’água existente no ar atmosférico possui massa de 1
a 5 g/m3 de ar, enquanto que as gotículas possuem massa variando
de 0,5 a 1 g/m3. Para que haja uma transferência de massa através
da condensação do vapor d’água, é necessário que certas gotículas
das nuvens tenham tensão de vapor inferior à tensão de vapor d’água
do ar. Existem três casos em que esta situação ocorre:

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- Em nuvens frias (temperaturas abaixo de 0ºC – teoria


de Tor Bergeron): abaixo de zero a tensão máxima de vapor é
menor para o gelo do que para a água sobrefundida. Desta forma, as
gotículas de água sobrefundida vaporizam-se em proveito dos cristais
de gelo. Esta situação ocorre em regiões frias e temperadas;
- Em nuvens com temperatura superior à 0ºC: as gotículas
quentes têm tensão de vapor maior que a das demais partículas,
ocorrendo a vaporização destas em proveito das gotículas mais frias.
Esta situação ocorre em regiões de média e baixa latitude;
- Em nuvens constituídas por gotículas salinas: A tensão
de vapor da água salgada é menor que a da água pura, assim, as
gotículas de água pura vaporizam-se em proveito das salinas.
Entretanto, experiências laboratoriais mostram que estas ações de
condensação isoladas não conseguem produzir gotículas de diâmetro
superior a 0,2 mm. Como elas têm que crescer no mínimo até 0,5
mm, é necessário a ação conjunta de um outro mecanismo,
conhecido por coalescência direta.
As gotas de chuva chegam a um diâmetro máximo de 5,5 mm.
Acima disso elas se rompem devido à resistência do ar formando
gotas menores antes delas atingirem o limite de velocidade de queda.
Chuvas têm sido provocadas artificialmente pela disseminação
de gotículas frias ou com cloreto de sódio em solução, em nuvens
quentes; ou pela disseminação de partículas muito frias (anidrido
carbônico sólido) ou de cristais com estrutura próxima à do gelo
(cristais de iodeto de prata).

c.2) Crescimento por coalescência direta


Através deste processo ocorre absorção de uma gotícula, já
aumentada por condensação do vapor, por outra, através do choque
entre elas. Várias teorias explicam o movimento relativo e os choques
sucessivos entre as partículas (atração eletrostática, indução

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eletromagnética, atração hidrodinâmica, microturbulência etc;),


entretanto, verifica-se em laboratório que nenhum deles justificaria o
rápido crescimento inicial que é observado nas gotículas. Observa-se,
contudo, que estas teorias explicariam satisfatoriamente o posterior
crescimento, pois o número de choques prováveis aumenta com o
diâmetro das partículas, principalmente quando as partículas já
aumentadas vencem as correntes de suspensão e começam a cair,
chocando-se com as partículas que ainda estão em suspensão. Desta
forma, o processo de coalescência direta é responsável pelo
crescimento das gotículas somente após um crescimento
inicial por condensação.

3.3 – Tipos de Precipitação

A ascensão do ar é considerada o estopim da formação das


chuvas, portanto, nada mais lógico que classificá-las segundo a causa
que gerou este movimento. De acordo com os mecanismos que
provocam a ascensão das massas de ar, as precipitações
podem ser classificadas em três tipos:
- orográficas: a massa de ar é jogada para cima por uma
cadeia de montanhas;
- convectivas: a massa de ar é jogada para cima por um
forte e desigual aquecimento da superfície terrestre em áreas
tropicais;
- frontais: a massa de ar é jogada para cima por ação de
massas frontais.
O fato da massa de ar ser ascendida e ter se condensado em
nuvens não significa que ela continuará subindo e condensando até
se precipitar. Isto depende se a massa de ar ultrapassará ou não a
cota da linha de estabilidade. Ela só continuará ascendendo se o
mecanismo de elevação (frontal, orográfico ou convectivo) elevar

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esta massa acima da cota denominada linha de estabilidade. Caso a


elevação não atinja esta cota, as nuvens ao invés de continuar
subindo começarão a descer e as gotículas de água se revaporizarão.

3.3.1 - Ascensão – Estabilidade e instabilidade:


Uma vez que podemos admitir que o ar comporta-se como um
gás perfeito, pela equação que rege a física destes, podemos concluir
que a medida que o ar é aquecido este decresce em densidade, isto
é, ele tende a se tornar mais leve e a subir.
Se elevo uma partícula (uma massa de ar) até uma dada
altura, podemos concluir que: se a temperatura externa é maior que
a da partícula (isto é a massa externa é menos densa que a partícula)
ela desce, se é menor ela sobe, se igual ela fica parada.
Vimos ainda que a temperatura e a pressão diminuem com a
altura. Se a massa de ar está seca ou ainda não está saturada, a
temperatura decresce a uma taxa de – 10ºC/Km.
Neste caso dizemos que temos um gradiente de temperatura do
tipo DARL (dry adiabatic rate lapse). No caso em que a partícula (a
massa dear) sobe verticalmente por ação de um dos mecanismos de
elevação, ela esfria a uma taxa ( ) (do tipo DARL - adiabática seca).
Porém, se a massa de ar já está saturada, à medida que esta
sobe ela se condensa liberando calor latente, e, com este
aquecimento, a taxa de decréscimo da temperatura é menor que
10ºC/Km (seria, por exemplo, de - 2,5ºC/ Km, ou de - 1,8ºC/Km
dependendo de quão úmida está esta massa de ar (quanto mais
úmida menor o gradiente)). Neste caso dizemos que a temperatura
cai a uma taxa do tipo SARL (saturated adiabatic rate lapse). No caso
da massa de ar do ambiente para o qual a partícula foi elevada temos
um resfriamento a uma taxa deste tipo SARL (adiabática úmida).
O nível de estabilidade é dado pelo cruzamento das linhas DARL
e SARL (figura a seguir).

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

Quando uma partícula (massa de ar) é elevada a uma cota


acimado nível de estabilidade, temos a temperatura do ambiente
menor (mais densa) que a da partícula, pois a partícula foi resfriada a
uma taxa maior (DARL), neste caso a partícula por ser menos densa
continuará subindo. Caso esta seja elevada a uma cota inferior ao
nível de estabilidade, a temperatura do ambiente será maior (menos
densa) e a partícula cairá, diminuindo de cota, aumentando de
temperatura e re-evaporando o vapor que tinha se condensado, isto
é, as nuvens sumirão.

3.3.2 - Orográficas:
Ocorrem quando ventos quentes e úmidos, soprando
geralmente dos oceanos para os continentes, encontram uma
barreira montanhosa que forçam sua elevação, e consequente, a
condensação adiabática, formando nuvens que crescem e precipitam.
São chuvas de pequena intensidade e grande duração, que ocorrem
em pequenas áreas no sentido do deslocamento e grandes áreas
(definidas pelo comprimento da escarpa de montanha) na escala de
bacias hidrográficas no sentido transversal ao deslocamento. Estas
são frequentes na Serra do Mar. A figura a seguir mostra o
mecanismo de uma chuva orográfica.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

Quando os ventos conseguem ultrapassar a barreira


montanhosa, projeta-se do lado oposto uma sombra pluviométrica de
características secas e semi-áridas, causadas pelo ar seco que chega
após a descarga de toda a umidade na encosta oposta.

3.3.3 - Convectivas
Vimos que à medida que o ar é aquecido decresce em
densidade, isto é, ele tende a se tornar mais leve. Sabemos ainda
que a superfície terrestre não é homogênea e temos materiais com
diferentes calores específicos compondo esta. Isto faz com que o ar
seja aquecido de forma desigual nestas diferentes regiões. Por
exemplo, áreas de floresta esquentam menos que áreas urbanas ricas
em concreto easfalto. Como resultado deste aquecimento diferencial
temos o aparecimento de camadas de ar com diferentes densidades;
surgem então forças ascendentes que elevam o ar mais quente (mais
leve) através do ar vizinho mais frio (mais denso).
Em tempo quente e calmo, quando a superfície do solo e,
consequentemente, o ar úmido em contato com ela, é aquecido de
forma desigual, podem ser criadas camadas de ar que se mantêm em
equilíbrio instável. Perturbado o equilíbrio, forma-se uma brusca
ascensão local de ar menos denso, que atinge seu nível de
condensação, com formação de nuvens e, muitas vezes, de
precipitação. São características de regiões equatoriais, onde os

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ventos são fracos e os movimentos de ar são essencialmente


verticais, podendo ainda ocorrer em regiões temperadas durante o
verão. São chuvas de grande intensidade e de pequena duração,
restritas a pequenas áreas, da ordem de grandeza de bairros,
podendo provocar enchentes e inundações nestes. A figura a seguir
mostra o mecanismo de uma chuva convectiva.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

3.3.4 - Frontais
Frentes, zonas frontais, ou sistemas frontais são regiões de
descontinuidade térmica separando duas massas de ar de
características diferentes. São, em geral, delgadas zonas de transição
entre uma massa de ar quente (menos densa) e uma de ar frio (mais
densa). O deslocamento relativo das massas de ar é que define a
denominação:
- frente fria: é aquela no qual o ar frio proveniente de altas
latitudes (zonas polares) avança em direção ao ar quente,
provocando sua ascensão, posterior condensação, e possível
precipitação. Numa frente fria o ar frio que se move está em contato
com a superfície terrestre, e as camadas mais próximas o solo são

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retardadas pela turbulência e pelo atrito, produzindo uma superfície


frontal relativamente inclinada (da ordem de 1:10, de 10 a 100 vezes
maior que a das frentes quentes). Desta forma o ar quente é
levantado de forma rápida, produzindo tempestades intensas em
áreas menores no sentido do deslocamento. No sentido transversal
ao deslocamento temos uma ordem de grandeza continental do
fenômeno.
- frente quente: é aquela no qual o ar quente oriundo das
baixas e médias latitudes (zona equatorial) avança em direção ao ar
frio, que mais denso funciona como uma cunha de ar frio que age
sobre a massa de ar quente levantando-a. Posteriormente esta se
condensa e possivelmente precipita. As camadas inferiores de ar
quente também são retardadas nas proximidades do solo, mas neste
caso a declividade da superfície frontal é reduzida (costuma estar
entre 1:100 e 1:1000), e a espessura da camada de transição atinge
vários quilômetros. Desta forma o ar úmido eleva-se de forma
relativamente lenta e a precipitação espalha-se por uma área maior
que a da frente fria no sentido do deslocamento.
No sentido transversal ao deslocamento temos uma ordem de
grandeza continental do fenômeno.
A figura a seguir mostra o mecanismo de uma chuva frontal e a
escala desta no sentido transversal do deslocamento.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

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2) (63 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) Em uma


determinada bacia hidrográfica, ocorreu uma chuva provocada
pelo desvio ascendente das correntes aéreas do ar quente e
úmido, provenientes de um oceano próximo, que, ao
encontrarem uma cadeia montanhosa em sua rota, sofreram
resfriamento e condensação. Esse tipo de precipitação é
denominado chuva

(A) convencional

(B) convectiva

(C) frontal

(D) orográfica

(E) sazonal

3.4 – Medidas da Precipitações

3.4.1 – Grandezas características


As grandezas que caracterizam uma chuva e que devem ser
avaliados na medida de precipitações são:
- Altura Pluviométrica (P em mm): é a espessura média da
lâmina de água precipitada que recobriria a região atingida pela
precipitação, admitindo-se que esta água não se infiltre, evapore ou
escoe para fora dos limites da região.
- Duração (t em min, h, dia): é o tempo durante o qual a
chuva cai.
- Intensidade (i em mm/min ou mm/h): é a precipitação
por unidade de tempo. Esta apresenta variabilidade temporal, mas

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para análise dos processos hidrológicos geralmente são definidos


intervalos de tempo nos quais esta é considerada constante.
- Freqüência (F em vezes): é o número de ocorrências de
um determinado evento (por exemplo: a precipitação máxima para
uma dada duração) em um dado intervalo de tempo.
- Tempo de recorrência (Tr em anos): é o intervalo de
tempo médio em que um dado evento (por exemplo, a
precipitação máxima para uma dada duração) pode ser igualado ou
superado.
A relação entre a freqüência e o tempo de recorrência é dada
por: F = 1/ Tr. Por exemplo, uma precipitação com 1% de
probabilidade de ser igualada ou superada em um ano tem um tempo
de recorrência de 100 anos.
No caso de precipitações mínimas, Tr é o inverso da
probabilidade de não excedência.

3.4.2 – Instrumentos de Medida

Exprime-se a quantidade de chuva (P) pela altura de água


precipitada e acumulada sobre uma superfície plana e impermeável.
Para sua medida dispõe-se, basicamente, dos seguintes
instrumentos: os pluviômetros, os pluviógrafos, os satélites e os
radares meteorológicos.
- Pluviômetro – consiste de um receptor cilindro-cônico e de
uma proveta graduada de vidro. A água é retirada por uma torneira
no fundo do aparelho e medida através da proveta graduada em mm.
São feitas medidas às 7 e às 19 horas. Este consegue medir apenas a
altura de precipitação diária (em 24 horas), não indicando a
intensidade das chuvas ocorridas.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Pluviógrafo – É um aparelho capaz de registrar


continuamente a precipitação em um determinado local. Ou seja, este
serve para realizar medidas no tempo. Consiste de um registrador
automático, trabalhando em associação a um mecanismo de relógio;
este imprime rotação a um cilindro, envolvido em papel graduado,
sobre o qual uma pena grafa a altura da precipitação registrada, ao
se deslocar juntamente com uma bóia colocada no recipiente de
captação. A figura a seguir mostra um pluviógrafo.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Satélites e radares meteorológicos: são aparelhos usados


para medir as precipitações no tempo e no espaço. Estes são
empregados para se observar a localização e o movimento de áreas
de precipitação, ou seja, eles medem a chuva espacialmente. Estes

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permitem estabelecer com precisão o traçado das linhas isoetas


(linhas de igual precipitação).

3.5 – Precipitação média em uma bacia


A maioria dos problemas hidrológicos requer a determinação da
altura de chuva ocorrida em uma bacia hidrográfica. Devido a
precipitação, pela própria natureza do fenômeno, não ocorrer de
modo uniforme sobre toda a bacia, é necessário calcular a altura
média precipitada. Sua determinação é feita com base nos dados
pluviométricos de estações pluviométricas, que já foram processados.
Toma-se a precipitação média como uma lâmina de água de altura
uniforme sobre toda a área considerada, associada a um determinado
período de tempo. Cabe ressaltar que isto é uma abstração, pois a
chuva real apresenta distribuições espaciais e temporais variáveis.
Para a determinação da pressão média em uma área são
usados os seguintes métodos:

- Método Aritmético: Este método consiste em se calcular a


média aritmética de todos os postos situados dentro da área de
estudo. É o de maior simplicidade, porém apresenta algumas
restrições quanto ao seu uso, tais como: os postos devem ser
uniformemente distribuídos, os valores de cada posto devem estar
próximos ao da média, e o relevo deve ser o mais plano possível.
- Método de Thiessen: Este método pode ser usado para
aparelhos não uniformemente distribuídos, uma vez que o mesmo
pondera os valores obtidos em cada posto por sua zona de influência.
O método possui as seguintes etapas:
1) de posse do mapa da bacia hidrográfica unem-se os
postos pluviométricos adjacentes por linhas retas;
2) traçam-se as mediatrizes dessas retas formando
polígonos;

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3) os lados dos polígonos são os limites das áreas de


influência de cada estação;
4) a precipitação média sobre a bacia é calculada por:

h=

Onde:
Pi = precipitação observada no posto
Ai = área de influência do posto
∑Ai = área total da bacia

- Método das Isoietas: Considerado o mais preciso, este


método baseia-se em curvas de igual precipitação. A dificuldade
maior em sua implementação consiste no traçado destas curvas, que
requer sensibilidade do analista. O método possui as seguintes
etapas:
1) De posse dos dados pluviométricos obtidos nos postos
da bacia, traçam-se as curvas de igual precipitação (Isoietas).
O procedimento é semelhante ao adotado para curvas de nível.
2) Calcula-se para cada par sucessivo de isoietas o valor
médio da altura de chuva precipitada.
3) Planimetra-se as áreas entre isoietas sucessivas.
4) Calcula-se a média ponderada dos valores obtidos no
passo 2 (hmed iso), tomando como peso a área planimetrada
correspondente (área entre as isoetas). A média ponderada
obtida corresponde à precipitação média sobre a bacia em
análise.

hmed =

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3.6 – Chuvas intensas


Chuvas intensas são aquelas que são mais concentradas no
tempo e no espaço e que se repetem com menor frequência. Para o
dimensionamento de estruturas hidráulicas, o hidrólogo deve
determinar a chuva de maior intensidade que se pode esperar que
ocorra com uma dada frequência. A utilização prática desses dados
requer que se estabeleça uma relação analítica entre as grandezas
características de uma precipitação, quais sejam, a intensidade (i), a
duração(t) e a frequência (P).
Esta relação pode ser obtida através do traçado de curvas i–d–f
em locais com dados, ou através de equações genéricas de chuva. A
figura a seguir mostra um exemplo de curva i–d–f.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

3.6.1 – Equação de Chuvas Intensas


A equação da chuva, particular de cada localidade, é obtida
partir de registros de pluviógrafos, estabelecendo-se para cada
duração de chuva, as máximas intensidades. A representação geral
de uma equação de chuvas intensas tem a forma:

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i=

Onde:
Tr = período de retorno
t = duração
B, d, c, b = constantes
i = intensidade em mm/h

4 – EVAPOTRANSPIRAÇÃO

4.1 – Definições

Evaporação: conjunto de fenômenos de natureza física que


transformam em vapor a água da superfície do solo, a dos cursos de
água, lagos, reservatórios de acumulação e mares.
Evaporação potencial: taxa de evaporação de uma dada
superfície, controlada climaticamente, quando a quantidade
disponível e a taxa de alimentação de água à superfície são
ilimitadas.
Evaporação real: está condicionada à real alimentação da
superfície.
Transpiração: evaporação que ocorre das folhas das plantas,
através das aberturas dos estômatos. As plantas, através de suas
raízes, retiram do solo a água para suas atividades vitais. Parte dessa
água é cedida à atmosfera, sob a forma de vapor, na superfície das
folhas.
Transpiração potencial: evaporação devida à ação fisiológica
dos vegetais, dada uma taxa ilimitada de alimentação de água na
zona das raízes. É uma função do clima e da fisiologia da planta.

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Transpiração real: sob condições limitadas de água, depende


da habilidade da planta em extrair a umidade do solo parcialmente
saturado com capacidade limitada de transferir água.
Evapotranspiração: conjunto das duas ações (evaporação e
transpiração).
Evapotranspiração potencial: máxima evapotranspiração
que ocorreria se o solo e os corpos d’água dispusessem de
suprimento de água suficiente. É um valor de referência, pois
caracteriza a perda de água da bacia como se toda a vegetação fosse
um “gramado” de uma espécie vegetal padronizada. Portanto, é um
índice que independe das características particulares de transpiração
da cultura plantada na região estudada, levando em conta apenas o
clima, o tipo de solo, e as superfícies livres de água na bacia. A
evapotranspiração potencial pode ser determinada a partir da
evaporação potencial, utilizando um coeficiente kp, que particulariza
o tipo de solo, ventos, entre outros. Como se verá adiante, esta
última é mais fácil de ser determinada, utilizando-se por exemplo,
tanques apenas com água.
Evapotranspiração real ou efetiva é a perda d´água por
evaporação ou transpiração, nas condições reinantes (atmosféricas e
de umidade do solo). Nos períodos de deficiência de chuva em que os
solos tornam-se mais secos, a evapotranspiração real é sempre
menor do que a potencial. Pode-se determinar a evapotranspiração
real indiretamente a partir da evapotranspiração potencial através de
um coeficiente kc particular para cada tipo de cultura.
Perda por evaporação (ou por transpiração): quantidade
de água evaporada por unidade de área horizontal durante um certo
intervalo de tempo.
Intensidade de evaporação (ou de transpiração):
velocidade com que se processam as perdas por evaporação. Pode
ser expressa em mm/hora ou em mm/dia.

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4.2 – Características da evapotranspiração


De toda a precipitação que ocorre sobre os continentes, 57%
evapora, enquanto que nos oceanos a evaporação corresponde a
112% do total precipitado.
Em uma região semi-árida, cerca de 96% da precipitação total
anual pode evaporar.
A evapotranspiração diária pode variar em uma faixa de 0 a 12
mm por dia.
Durante uma chuva intensa, a evaporação é reduzida a um
mínimo, por causa das condições de saturação do ar; entretanto, a
evapotranspiração entre as tormentas é normalmente suficiente para
deplecionar completamente a umidade do solo em regiões áridas e
tem influência significativa na umidade do solo e nas respostas
hidrológicas futuras em todos os lugares.

4.3 – Fatores intervenientes

- Radiação Solar: O calor radiante fornecido pelo Sol constitui


a energia motora para o próprio ciclo hidrológico.

- Grau de umidade relativa do ar: O grau de umidade


relativa do ar atmosférico é a relação entre a quantidade de vapor de
água aí presente e a quantidade de vapor de água no mesmo volume
de ar se estivesse saturado de umidade. Essa grandeza é expressa
em porcentagem. Quanto maior for a quantidade de vapor de
água no ar atmosférico, tanto maior o grau de umidade e
menor a intensidade de evaporação.

A intensidade de evaporação é função direta da diferença entre


a pressão de saturação do vapor d’água do ar atmosférico e a

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pressão atual de vapor d’água. Esta correlação é conhecida como a


Lei de Dalton:

E = C.(es – e)

Onde:

E = intensidade de evaporação

C = constante que depende dos demais fatores que intervêm na


evaporação

es = pressão de vapor saturante do ar adjacente a superfície


líquida

e = atual pressão de vapor do ar adjacente a superfície líquida

- Temperatura do ar: A elevação da temperatura tem


influência direta na evaporação porque eleva o valor da pressão
de saturação do vapor de água, permitindo que maiores quantidades
de vapor de água possam estar presentes no mesmo volume de ar,
para o estado de saturação. De um modo geral um aumento de 10ºC,
es dobra.

- Vento: O vento atua no fenômeno da evaporação renovando


o ar em contato com as massas de água ou com a vegetação,
afastando do local as massas de ar que já tenham grau de umidade
elevado.

- Pressão barométrica: A influência da pressão barométrica é


pequena, só sendo apreciada para grandes variações de altitude.
Quanto maior a altitude, menor a pressão barométrica e maior a
intensidade de evaporação.

- Outros fatores: Além desses fatores, pode-se citar as


influências inerentes à superfície evaporante, a saber: tamanho da

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superfície evaporante, estado da área vizinha, salinidade da


água (É menor quanto maior), umidade do solo (É maior quanto
maior), cor da água (mais escura absorve mais evapora mais),
composição e textura do solo, etc.

3) (65 – Liquigas/2013 – Cesgranrio) No estudo da


evapotranspiração, há uma série de fatores que intervêm na
intensidade de evaporação. Dentre esses fatores, está(ão)

(A) a temperatura, que influi de forma inversamente


proporcional à intensidade de evaporação.

(B) a salinidade da água, pois, quanto maior o teor de sal na


água, menor a evaporação.

(C) a pressão barométrica, pois a evaporação é menor em


altitudes elevadas.

(D) a luz e o calor que atuam nas folhas, reduzindo a


transpiração.

(E) os ventos, que reduzem a intensidade da evaporação.

5 – INFILTRAÇÃO
Os oceanos contêm 97,13% da água do planeta, as massas
polares e geleiras 2,24% e as águas subterrâneas 0,61% sendo que,
mais de metade, se encontra a mais de 800 m de profundidade,
inacessíveis para os atuais meios de operação. A água subterrânea
ocupa os vazios do solo e subsolo e constitui reservas importantes.
Ela movimenta-se com velocidade muito baixas (percolação).
O abastecimento público, através da captação de águas
subterrâneas, tem sido utilizado em vários países de acordo comas
percentagens:
• Alemanha Ocidental: 75%

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• Inglaterra: 50%
• Estados Unidos: 20%
Embora varie de país para país, consoante a maior ou menor
disponibilidade hídrica, pode considerar-se como bom um poço que
produza 50 m3/hora e muito bom um que forneça 100 m3/hora. Um
poço que produz mais de 100 m3/hora (28 l/s) é considerado de alto
caudal.

5.1 – Conceitos Básicos

A água precipitada tem os seguintes destinos:


- Parte é interceptada pelas vegetações;
- Parte é retida nas depressões;
- Parte é infiltrada;
- O resto escoa superficialmente.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Infiltração é o fenômeno de penetração da água nas camadas


do solo próximas à superfície do terreno. É a passagem da água do ar

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para a terra, ou seja, é o movimento da água através da superfície do


solo para o seu interior.
Percolação é o movimento da água através do solo para
camadas inferiores.

a) Fases da infiltração:
- Intercâmbio - ocorre na camada superficial de terreno, onde
as partículas de água estão sujeitas a retornar à atmosfera por
aspiração capilar, provocada pela ação da evaporação ou absorvida
pelas raízes das plantas;
- Descida – dá-se o deslocamento vertical da água quando o
peso próprio (gravidade) supera a adesão e a capilaridade. À medida
que água infiltra pela superfície, as camadas superiores do solo vão
se umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente o perfil
de umidade (afina com a profundidade);
- Circulação – devido ao acúmulo da água, o solo fica saturado
formando-se os lençóis subterrâneos. A água escoa devido à
declividade das camadas impermeáveis.

b) Escoamentos superficial, subterrâneo, e sub-superficial.


- Escoamento superficial – chega mais rapidamente à seção
transversal do rio;
- Escoamento subterrâneo – chega mais lentamente à seção
transversal do rio. É o escoamento no subsolo que ocorre abaixo do
nível do lençol d'água;
- Escoamento sub-superficial – chega lentamente à seção
transversal do rio. É o escoamento no subsolo, porém acima do nível
do lençol d'água.

c) Distribuição vertical da água no solo

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A parte superior da crosta terrestre é normalmente porosa até


uma maior ou menor profundidade. Os poros podem, nesta porção da
litosfera, estar parcialmente ou completamente cheios de água. A
camada superior onde os poros estão parcialmente cheios d’água é
designada zona de aeração. Imediatamente abaixo onde os
interstícios estão repletos d’água, esta é a zona de saturação.
- A zona de aeração é dividida em 3 faixas: a faixa de água
no solo, a faixa intermediária e a franja de capilaridade. Seus limites
não são bem definidos; há uma transição gradual de uma para outra.
- Faixa de água do solo ou zona de raízes – É de particular
importância para a agricultura, pois fornece a água para o
crescimento das plantas. A água mantém-se nesta faixa pela atração
molecular e pela ação da capilaridade, agindo contra a força da
gravidade. A atração molecular tende a reter uma delgada película de
água sobre a superfície de cada partícula sólida. A capilaridade retém
água nos pequenos interstícios das partículas do solo (CETESB,
1978). Só quando a água penetra suficientemente nesta faixa,
saturando a capacidade de retenção de água pelas forças capilares, é
que a mesma começa a se deslocar verticalmente para baixo
(percolação) (wilson, 1969).
- Faixa intermediária – da mesma forma que na faixa de
água do solo, esta faixa retém a água por atração molecular e
capilaridade. A água retida nesta faixa é um armazenamento morto,
visto que não pode ser aproveitada para qualquer uso. As franjas
capilares não estão saturadas.
- Faixa de franja de capilaridade – retém a água acima da
zona de saturação por capilaridade, opondo-se à ação da gravidade.
Devido à água da zona de saturação nesta faixa as franjas capilares
estão saturadas.
- A zona de saturação – além das franjas capilares, os
demais interstícios estão preenchidos por água, saturados. Aqui o

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movimento se deve também e principalmente devido à ação da


gravidade. É a única dentre as águas da superfície que propriamente
constitui a água subterrânea, obedecendo as leis do escoamento
subterrâneo.

d) Aquífero e aquiclude
Aqüífero é uma rocha da qual se pode extrair água em
quantidades satisfatórias. O valor da quantidade satisfatória varia de
região para região, mas num clima semi-árido , pode considerar-se
como economicamente viável um poço que forneça um caudal
superior a 2000 L/hora. Num aqüífero os vazios devem conter água
que possa se movimentar e ser extraída por meio de drenos ou furos.

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As rochas que contêm água, como por exemplo as argilas, mas


das quais não se pode extraí-la em condições econômicas,
denominam-se aqüitard ou aqüiclude. Aqüiclude é uma rocha que
pode produzir pequenas quantidades de água, apresentando
permeabilidade média a baixa.
Os aqüíferos são classificados em livres ou freáticos, e em
confinados:
- Aqüíferos livres ou freáticos – Estão parcialmente
saturados de água cuja base é uma camada impermeável ou semi-
impermeável. O topo é limitado pela superfície livre da água, sob a
pressão atmosférica. Por não haver pressão a água de um poço
escavado sobre o aqüífero freático não subirá de nível.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Aqüíferos confinados – Quando no topo e na base existem


camadas impermeáveis e o aqüífero está completamente saturado
diz-se que é um aqüífero confinado. O nível da água define uma
superfície imaginável denominada superfície piezométrica. Num poço
perfurado em tal aqüífero, a água pode subir acima do nível freático.
Os aqüíferos confinados são chamados de artesianos (de Artois,
região de França) e os furos neles perfurados podem ou não jorrar
água sem necessidade de bombeamento. Geralmente os aqüíferos

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confinados ou artesianos têm uma área em contato com a atmosfera


por onde recebem a recarga do aqüífero (área de reabastecimento).

Fonte: Amorim & Reis (IME)

5.2 – Características da Infiltração

- Taxa de Infiltração (I) – é a quantidade de água infiltrada


na unidade de tempo por unidade de área (infiltração real), em mm/h
ou cm/h. É função apenas da intensidade de chuva até o instante de
saturação da camada superficial do solo.
- Capacidade de infiltração (fc) – é a quantidade máxima de
água que um solo, sob uma dada condição, é capaz de absorver na
unidade de tempo por unidade de área (infiltração potencial), antes
do início do escoamento superficial. Geralmente é expressa em
mm/h. A infiltração que realmente ocorrerá depende da capacidade
de água que será disponibilizada.
- Velocidade de filtração – é a velocidade média com que a
água atravessa um solo saturado. É a vazão dividida pela secção reta
do escoamento. Esta área inclui a projeção dos poros por onde escoa
a água e a projeção da área dos grãos. É a velocidade de Darcy

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(fórmula a seguir). A velocidade de filtração não é um bom parâmetro


da infiltração, pois depende somente do coeficiente de
permeabilidade (Ksat) e do gradiente hidráulico (dh/dt). A infiltração,
por sua vez, depende também de condições de contorno, sendo
melhor utilizar o conceito de capacidade de infiltração como
parâmetro de medida.

V = K . (dh/dt)

- Coeficiente de permeabilidade (Ksat) - é a velocidade de


filtração em um solo saturado com perda de carga unitária (gradiente
hidráulico unitário). Mede a facilidade ao escoamento. Permeabilidade
é a maior ou menor facilidade com que a água se move no interior da
rocha sob a ação da gravidade. A permeabilidade depende do
tamanho e número dos poros e da sua forma e distribuição dos
elementos sólidos componentes do meio.
- Textura ou distribuição granulométrica do solo – é a
distribuição das partículas constituintes do solo em função das suas
dimensões, representada pela curva de distribuição granulométrica
(% argila, % areia, % silte, % pó de pedra, % pedrisco, % brita 1, %
brita 2 ... ).
- Estrutura do solo – é o arranjo das partículas sólidas, ou
seja a disposição dos agregados de solo formando estruturas
prismáticas, laminares, granulares ou em blocos.
- Porosidade – é a relação entre o volume de vazios e volume
total, expressa em porcentagem. Este é um indicativo da
permeabilidade do solo. Existem vários tipos de porosidade: a
porosidade intergranular (ocorre em areias e argilas), a porosidade
de fissuras (ocorre em granitos e gnaisses), a porosidade de canais
(ocorre em calcários, dolomitos e rochas carbonatadas) e a
porosidade não comunicante (ocorre em basaltos). Esta é dita

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primária quando é originada durante a formação da própria rocha


(caso da porosidade intergranular e da não comunicante), e é dita
secundária quando se efetua depois da formação da rocha (caso da
de fissuras e de canais de dissolução).

a) Curva de variação da capacidade de infiltração no tempo


Existindo uma disponibilidade de água suficiente proporcionada
pela intensidade da precipitação, a capacidade de infiltração decai
exponencialmente com o tempo, à medida que a camada de solo vai
se saturando, e mesmo após saturado, até o limite em que a
capacidade de infiltração se iguala a permeabilidade do solo. fc tem
um valor máximo no início da chuva (fo) e vai decaindo até um valor
mínimo onde o solo está saturado e já foi atingido o limite de
permeabilidade do solo. A partir daí a infiltração ocorre de acordo
coma permeabilidade do solo (fmin= Ksat).

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Podemos ter dois casos: um (curva A) em que a intensidade da


precipitação (i) é inferior à permeabilidade do solo (Ksat) e um (curvas
B e C) em que ela é superior:

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

Onde:
i = intensidade da chuva;
I = taxa de infiltração;
fc = capacidade de infiltração;
to = tempo de início da chuva;
tsat = tempo de saturação da superfície do solo;
t1= tempo do fim da chuva;
P = ponding time = início do escoamento superficial; e
Ksat = coeficiente de permeabilidade do solo ou condutividade
hidráulica do solo na saturação.

- Caso 1: Infiltração controlada por Ksat (i < Ksai): toda a


água precipitada é absorvida pelo solo, não existindo o escoamento
superficial (linha A). A taxa de infiltração é igual à intensidade da
chuva (i =I < fc);
- Caso 2:
- Fase 1: Infiltração controlada por i (Ksat< i = I < fc):
no início a taxa de infiltração será igual à intensidade da chuva

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(linha B), porém este patamar termina no momento em que a


superfície do solo satura, iniciando o escoamento superficial
(área sobre a linha C – abaixo está o volume infiltrado).
- Fase 2: Infiltração controlada por fc (Ksat< i = I = fc):
no instante da saturação da superfície do solo, a capacidade de
infiltração se iguala à intensidade da chuva e dá-se início ao
escoamento superficial. A taxa de infiltração (I) iguala-se à
capacidade de infiltração (fc) (linha C).

Partindo do to de início da chuva a água infiltra a uma taxa


constante. Atingido a saturação (t1) a capacidade de infiltração vai
decaindo (curva decrescente) e a taxa de escoamento superficial vai
aumentando proporcionalmente (curva crescente).

Fonte: Amorim & Reis (IME)

b) Fatores que intervêm na capacidade de infiltração


- Efeitos da precipitação: Para um mesmo tipo de solo (Ksat
= constante), quanto maior a intensidade da precipitação, mais
rapidamente se satura a superfície do solo.
i1> i2> i3> i4 - i1 satura mais rapidamente a superfície do
solo.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

Por outro lado ao saturarem a camada próxima à superfície, as


chuvas aumentam a resistência à penetração da água.
As águas das chuvas transportam os materiais finos que, pela
sua sedimentação posterior, tendem a reduzir a porosidade da
superfície.
A ação compactadora das grandes gotas de chuva pode tornar
solos nus parcialmente impermeáveis. Assim, o tamanho da gota tem
influência.

- Tipo de solo – a capacidade de infiltração varia diretamente


com a porosidade, tamanho das partículas e estado de fissuração das
rochas. Quanto mais profundo o extrato impermeável maior o tempo
de saturação. As características presentes em pequena camada
superficial, com espessura da ordem de 1 cm, tem grande influência
sob a capacidade de infiltração (PINTO et al., 1976). Quanto mais
poroso maior a infiltração.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Grau de umidade do solo antes do início da chuva –


quanto mais seco o solo, maior será a capacidade de infiltração
(chuvas antecedentes).
i = umidade inicial do solo.
i1 < i2 < i3

Fonte: Amorim & Reis (IME)

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- Cobertura por vegetação – Uma cobertura vegetal densa


como grama ou floresta tende a favorecer a infiltração e a promover
maiores valores de fc, pois esta dificulta o escoamento superficial da
água (aumenta a oportunidade de infiltração). Esta também promove
a infiltração porque devido ao seu sistema radicular proporciona a
formação de pequenos túneis, e retira umidade do solo através da
transpiração. E ainda a cobertura vegetal previne a compactação do
solo.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Uso da terra pelo homem – o uso da terra pelo homem


altera as condições de vegetação e solo (a impermeabilização, o
pisoteio de homens e animais aumentando a compactação e
diminuindo os vazios, etc), que variam conforme o explicado nos
itens anteriores.

5.3 – Escoamento de água em meios porosos (solos)


saturados ou não – Lei de Darcy

Um meio poroso é homogêneo quando a resistência ao


escoamento é a mesma em qualquer ponto e segundo uma direção. A

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homogeneidade é relativa e depende das dimensões intrínsecas dos


materiais. Um solo com grãos milimétricos será homogêneo em
relação a um valor de escala compatível, como, por exemplo, 1 dm3.
Já um maciço rochoso será homogêneo se considerarmos um valor de
escala muito maior. Quando a resistência ao escoamento é igual em
todas as direções, o meio poroso pode considerar-se isotrópico. A
grande maioria dos meios porosos naturais não são isotrópicos, são
anisotrópicos. Apesar da anisotropia os meios porosos podem
considerar-se homogêneos desde que se estabeleça uma escala de
homogeneidade compatível com as respectivas dimensões.
Foi o francês Henry Darcy quem em 1856 estabeleceu uma lei
relativamente ao fluxo subterrâneo em meio poroso. A sua lei
estabelece que o volume de água que passa através de um
leito de areia ou outro material é diretamente proporcional à
pressão e a um coeficiente que depende da natureza do
material e inversamente proporcional à espessura do leito
atravessado. A lei de Darcy é válida para meios homogêneos com
escoamentos laminares e é muito utilizada no estudo de fenômenos
como a percolação e o adensamento, por exemplo.
Segundo a lei de Darcy:

(Q/A) = -k.(h2 – h1)/dl


Onde:
Q = vazão que atravessa o leito
A = área da seção percolada
k = coeficiente de permeabilidade
h1 e h2 = alturas (cargas) da água nas extremidades do leito

A Lei de Darcy é válida para um número de Reynolds Re < 1,


que é o caso geral dos escoamentos em hidráulica subterrânea. Às

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vezes Re chega a atingir o valor 1 sem que se percam as condições


de regime laminar. É muito usual escrever-se a lei de Darcy como:

V = k.(dh/dl)
Onde:
V = velocidade do fluxo no ponto considerado
dh = diferença de altura entre o ponto considerado e um ponto
tomado arbitrariamente
dl = distância entre dois pontos, ao longo da direção média do
fluxo. Algumas vezes esta aparece com sinal negativo para indicar
que a carga total está diminuindo na direção do escoamento.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Num aquífero livre:


dh/dl = sen ( )
Onde:
= ângulo formado pela linha de escoamento com o plano
horizontal de referência.

a) Determinação da condutividade hidráulica:


A condutividade hidráulica é uma característica do meio e tem
as dimensões da velocidade (m/s ou m/dia). Esta é determinada por
fórmulas empíricas como a expressa a seguir ou através da utilização

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de aparelhos chamados permeâmetros, que podem ser de nível


constante ou de nível variável.

K = (2.g.D502)/(a. )

Onde:
g = gravidade
a = constante característica do meio
v = viscosidade cinemática, e
D50 = diâmetro tal que 50 %, em peso, do material é
constituído por partículas com diâmetro inferior a ele.

- Permeâmetro de nível constante: A condutividade é


calculada por:
K = (Q.l)/(S.H)

Onde:
Q = vazão
l = espessura da amostra
S = seção transversal da amostra
H = sobrepressão de água

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Permeâmetro de nível variável: Neste caso leva-se em


conta a mudança da sobrepressão de água de H1 para H2, no
intervalo de tempo de t1 para t2. A condutividade é calculada por:

Onde:
s = área da bureta que funciona como reservatório de água
S = seção transversal da amostra
Hi = sobrepressões de água nos tempos ti.

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Fonte: Amorim & Reis (IME)

5.4 – Determinação da quantidade de água infiltrada

a) Medição direta da capacidade de infiltração –


Infiltrômetros:

- Infiltrômetros com aplicação de água por inundação:


São constituídos de dois anéis concêntricos de chapa metálica, com
diâmetros variando entre 16 e 40 cm, que são cravados
verticalmente no solo de modo a restar uma pequena altura livre

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sobre este. Aplica-se água em ambos os cilindros mantendo uma


lâmina líquida de 1 a 5 cm, sendo que no cilindro interno mede-se o
volume aplicado a intervalos fixos de tempo. A finalidade do cilindro
externo é manter verticalmente o fluxo de água do cilindro interno,
onde é feita a medição da capacidade de campo.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Infiltrômetros com aplicação de água por aspersão ou


simulador de chuva: São aparelhos nos quais a água é aplicada por
aspersão, com taxa uniforme, superior à capacidade de infiltração no
solo, exceto para um curto período de tempo inicial. Delimitam-se
áreas de aplicação de água, com forma retangular ou quadrada, de
0,10 a 40 m2 de superfície; medem-se a quantidade de água
adicionada e o escoamento superficial resultante, deduzindo-se a
capacidade de infiltração do solo.

b) Medição indireta da capacidade de infiltração:

– Método de Horton: A capacidade de infiltração pode ser


representada por:

f = fc + (fo - fc).e-kt

Onde:

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fo = capacidade de infiltração inicial (t =0 em mm/h)


fc = capacidade de infiltração final (em mm/h)
k = constante para cada curva (em t-1)
f = capacidade de infiltração para o tempo t em mm/h.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Método de Soil Conservation Service (SCS):

Para P ≥ 0,2.S.
Pe = 0 para P < 0,2.S
Onde:
Pe = escoamento superficial direto (em mm)
P = precipitação (em mm)
S = retenção potencial do solo (em mm).

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6 – ESCOAMENTO SUPERFICIAL

Escoamento superficial é a fase ou parte do ciclo hidrológico


que estuda o conjunto das águas que se deslocam na superfície
terrestre. Assim, este engloba desde a simples gota de chuva que cai
sobre o solo saturado, ou impermeável, e escorre superficialmente,
até o grande curso d’água que desemboca no mar.
O escoamento superficial tem origem, fundamentalmente, nas
precipitações.
Inicialmente parte da precipitação é interceptada em obstáculos
(vegetação). Ao chegar ao solo, parte da água se infiltra (solo
permeável), parte é retirada pelas depressões do terreno e parte se
escoa pela superfície (solo impermeável). Inicialmente a água se
infiltra; tão logo a intensidade da chuva exceda a capacidade de
infiltração do terreno, a água é coletada pelas pequenas depressões.
Quando o nível à montante se eleva e superpõe o obstáculo (ou o
destrói), o fluxo se inicia, seguindo as linhas de maior declive,
formando sucessivamente as enxurradas, córregos, ribeirões, rios e
reservatórios de acumulação.
É, possivelmente, das fases básicas do ciclo hidrológico, a de
maior importância para o engenheiro, pois a maioria dos estudos
hidrológicos está ligada ao aproveitamento da água superficial e à
proteção contra os efeitos causados pelo seu deslocamento.

6.1 – Componentes do Escoamento


A água, uma vez precipitada sobre o solo, pode seguir três
caminhos básicos para atingir o curso d’água: o escoamento
superficial, o escoamento sub-superficial (hipodérmico) e o
escoamento subterrâneo, sendo as duas últimas modalidades sob
velocidades mais baixas.

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Observa-se que o deflúvio direto abrange o escoamento


superficial e grande parte do sub-superficial, visto que este último
atinge o curso d’água tão rapidamente que, comumente, é difícil
distingui-lo do verdadeiro escoamento superficial.
O escoamento de base, constituído basicamente do escoamento
subterrâneo, é o responsável pela alimentação do curso d’água
durante o período de estiagem.

4) (44 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) A contribuição total


que produz o escoamento de água em uma seção de um curso
d’água, por uma precipitação ocorrida na bacia hidrográfica,
deve-se a diferentes fatores. Nessa perspectiva, analise os
fatores a seguir.

I – Precipitação recolhida diretamente pela superfície livre da


água.

II – Escoamento superficial propriamente dito.

III – Escoamento subsuperficial.

IV – Contribuição do lençol de água subterrâneo.

Contribuem efetivamente para o escoamento de água os


fatores

(A) I e II, apenas.

(B) II e III, apenas.

(C) I, II e III, apenas.

(D) I, III e IV, apenas.

(E) I, II, III e IV

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6.2 – Características do escoamento superficial

- Vazão (Q): É o volume escoado por unidade de tempo (m3/s


ou L/s). É a principal grandeza característica do escoamento;
- Vazão específica (q): É a razão entre a vazão de uma
determinada seção transversal de um curso d’água e a área da bacia
a ela correspondente (L/s.Km2);
- Coeficiente de escoamento superficial, coeficiente de
deflúvio, ou “run off” (C): É a relação entre o volume d’água
escoado superficialmente e o volume de água precipitado. Quando se
conhece o “run off” de uma chuva de grande intensidade e certa
duração, pode-se determinar o escoamento superficial de outras
precipitações com diferentes intensidades, mas com mesma duração.
Por exemplo, pode-se fazer a previsão da enchente proveniente de
uma chuva intensa.
- Tempo de concentração em uma seção (tc): É o tempo,
contado a partir do início da chuva, que leva para que toda bacia
esteja contribuindo para o escoamento superficial nesta seção;
- Tempo de recorrência ou período de retorno (T): É o
tempo médio em que o evento vazão é igualado ou superado ao
menos uma vez;
- Nível d’água (h): É a altura atingida pela superfície da água
em relação a um nível de referência em uma determinada seção
transversal.

6.3 – Fatores que influenciam o escoamento superficial


Os principais fatores mobilizadores são os climáticos,
relacionados com a precipitação, e os ligados às características físicas
(fisiográficos) e ao uso da bacia.

6.3.1 - Fatores climáticos:

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- Intensidade da chuva: Quanto maior a intensidade da


precipitação mais rapidamente o solo atingirá sua capacidade de
infiltração, o que causará um excesso de precipitação que escoará
superficialmente;
- Duração da chuva: Quanto mais prolongada a duração da
chuva, maior a possibilidade de escoamento superficial;
- Precipitação antecedente: A existência de uma chuva
anterior em um tempo próximo deixa o solo mais úmido e com mais
chance da precipitação atual atingir a capacidade de infiltração e
escoar superficialmente.

6.3.2 - Fatores fisiográficos e de uso da bacia :

- Área da bacia: Quanto maior a área maior a capacidade de


captação de água;
- Permeabilidade do solo: Quanto maior a permeabilidade,
maior a capacidade de infiltração e menores as chances de
escoamento superficial;
- Capacidade de infiltração: Está ligada à permeabilidade do
solo, como explicado no item acima, e à vegetação. A cobertura
vegetal dificulta o escoamento e facilita a infiltração;
- Topografia da bacia: A existência de depressões, represas
naturais e declives influenciam a ocorrência do escoamento
superficial;
- Obras de utilização e controle de água construídas à
montante do ponto de análise (irrigação, drenagem artificial,
canalização e retificação de cursos d’água, detenção por
represamentos): Qualquer uso da água diminui a vazão à jusante;
uma barragem reduz as vazões máximas do escoamento e retarda

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sua propagação; a retificação de um curso d’água aumenta sua


velocidade de escoamento.

6.3.3 - Influência destes fatores sobre as vazões:

A descarga anual cresce de montante para jusante à medida


que cresce a área da bacia.
Em uma dada seção, as variações de vazões instantâneas são
tanto maiores quanto menor a área da bacia.
Para bacias de pequenas áreas, as chuvas causadoras de
vazões máximas têm grandes intensidades e pequena duração. Para
bacias de grandes áreas, as precipitações terão menor intensidade e
maior duração.
As variações das vazões instantâneas, para uma mesma área
de contribuição, serão tanto mais dependentes das chuvas intensas
quanto:
- Maior a declividade do terreno;
- Menores as depressões retentoras;
- Mais retilíneo for o traçado;
- Menor for a cobertura vegetal;
- Menor for a quantidade de água infiltrada;
O Coeficiente de deflúvio de uma dada precipitação será tanto
maior quanto:
- Menor a capacidade de infiltração;
- Menores as depressões retentoras.
O Coeficiente de deflúvio de um longo intervalo de tempo será
tanto maior quanto:
- Menor a capacidade de infiltração;
- Menores as perdas por evaporação e transpiração.

6.4 – Características dos Rios

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6.4.1 - Elementos geométricos da seção transversal de um rio:


Ao se colocar um observador sobre a seção transversal de um
rio se ele olhar na direção do escoamento define-se o estirão de
jusante e às suas costas o de montante. A margem direita do sentido
do escoamento está a sua direita e a margem esquerda a sua
esquerda (figura a seguir).

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Observando o rio desta forma podemos definir os seguintes


elementos geométricos:
- Leito ou calha menor: É a escavação causada pela corrente
líquida onde ela escoa quando não há transbordamento;
- Leito ou calha maior: Inclui também a região marginal que
contém o transbordamento das enchentes;
- Área molhada (m2): Corresponde à área da seção
transversal do rio entre a superfície d'água e o leito sob ela;
- Perímetro molhado (m): É o comprimento do leito ou calha
sob a superfície d'água, não incluindo a largura superficial;
- Largura superficial (m): É o comprimento da superfície
d'água. Os pontos de contato da superfície da água com o perímetro
molhado são denominados batentes, havendo o direito (BD) e o
esquerdo (BE), conforme esteja na margem direita ou esquerda,
respectivamente;
- Profundidade média (m): É a razão entre a área molhada e
a largura superficial;

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- Raio hidráulico (m): É o quociente entre a área molhada e o


perímetro molhado. E uma das mais importantes grandezas a ser
considerada nos cálculos e projetos de obras em rios e/ou canais;
- Ponto de talvegue: É o ponto de cota mais baixa do
perímetro da seção;
- Profundidade (m): É a distância vertical entre a superfície
d'água e um ponto qualquer do fundo da calha da seção. A
profundidade máxima ocorre no talvegue.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

6.4.2 – Gênese dos rios


Vimos anteriormente os vários fatores que influenciam a
formação e o escoamento superficial dos cursos d’água, sendo que
estes são formados principalmente pela ação das precipitações.
Ao se precipitar a chuva provoca, por impacto no solo, a
desagregação de suas camadas ou sedimentos superficiais,
promovendo uma primeira etapa de uma longa cadeia aberta de
erosões e sedimentações, sucessivas no tempo e no espaço. A
retirada e o escoamento destes sedimentos tende a se realizar de
forma uniforme na superfície das encostas e, a seguir, forma certos
percursos preferenciais onde a rocha ou a crosta terrestre apresenta
menor resistência, formando precursores da calha dos rios.

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No processo normal e lento de formação dos cursos d’água a


partir dos sulcos de erosão, a natureza vai se adaptando
gradativamente ao aprofundamento e estabilização dos sulcos, até
que estes alcançam o nível dos lençóis aqüíferos e passam a ser
abastecidos por eles, mantendo sua fluência mesmo depois de
cessada a precipitação.

6.4.3 – Idade dos Rios

Os rios apresentam características ao longo de seu curso que os


identificam. Didaticamente faz-se uma analogia da evolução destas
características, com o ciclo vital dos seres vivos, estabelecendo-se
idades para os rios. A ressaltar que esta idade não se relaciona
necessariamente com sua cronologia ou com a cronologia das regiões
geológicas que o rio atravessa. São três as idades características de
um rio. Um rio dito completo apresenta as três, outros poderão
apresentar duas ou qualquer uma delas.
- Idade Jovem: Caracteriza-se por fortes declividades
longitudinais, ocorrência de corredeiras e quedas d’água (estas
ocorrem em pontos onde os rios deixam à montante rochas
resistentes e passam a escoar sobre rochas friáveis), regime
torrencial, grande capacidade erosiva, e o transporte de sedimentos
de maior granulometria. As suas águas são límpidas e não poluídas,
geralmente. Em alguns casos podem ser feitos aproveitamentos
hidrelétricos de alta queda neste trecho. Ocorre normalmente no
início do rio ou no seu trecho superior.
- Idade madura: Aparece normalmente no curso médio de um
rio, quando este adquire um certo equilíbrio morfológico e
sedimentológico. As declividades são menores, o regime é mais
regular, o transporte de sedimentos é mais estável e em menor

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quantidade. As águas são mais turvas e a poluição começa a


aparecer.
- Idade velha: Ocorre normalmente no trecho inferior do rio,
onde as águas são muito turvas com transporte de sólidos em
suspensão. As velocidades de escoamento são baixas devido a
pequenas declividades em áreas planas. Formam-se grandes curvas
sinuosas (meandros) que se modificam com o tempo. Por vezes o rio
corta o colo de um meandro e forma um lago de meandro
abandonado. As cheias podem depositar sedimentos nas margens dos
rios formando diques marginais. Na região de deságue podem ocorrer
grandes depósitos de sedimentos formando um delta. Pode ainda
haver a influência natural dos remansos de lagos ou de marés
oceânicas na sua embocadura (estuário), o que causa a inversão do
escoamento, e no segundo caso a penetração do prisma de salinidade
(pelas camadas inferiores, pois é mais densa). Este normalmente
também apresenta um alto grau de poluição por causa dos afluentes
que recebeu.

6.4.4 – Regime dos rios

É a sucessão de estágios de seus níveis d’água e vazões ao


longo do tempo. Quanto à continuidade de seu regime, os rios são
classificados em: efêmeros, intermitentes e perenes.
- Rios efêmeros: Ocorrem sobre terrenos de forte declividade
e/ou reduzida permeabilidade, existindo apenas durante ou logo após
as chuvas.
- Rios intermitentes: São aqueles que permanecem escoando
durante algum tempo após o final das chuvas, abastecidos pelos
lençóis e aqüíferos. Com o decorrer do tempo os lençóis baixam os
seus níveis para aquém dos rios que passam a perder água para eles

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até secarem. Vários cursos d’água da região Nordeste são deste tipo,
sendo também chamados de rios cortados:

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Rios perenes: São aqueles que mantém o seu escoamento


independente da ocorrência de chuvas, dispondo sempre da
contribuição dos lençóis tributários ou contribuintes. Durante o
período de chuvas o seu nível d’água aumenta assim como as suas
vazões, ocorrendo o contrário durante as estiagens. No Brasil existem
vários rios perenes como, por exemplo: o Amazonas, o São
Francisco, o Paraíba do Sul, entre outros.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Nem sempre um curso d’água mantém-se dentro de uma


destas três classificações ao longo de toda sua extensão. Ele pode
assumir classes diferentes em posições diferentes, dependendo se o
rio atravesse terrenos mais ou menos permeáveis, lençóis baixos ou
aflorantes, regimes pluviométricos regulares ou longas estiagens.

6.4.5 – Curvas características do regime dos rios

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De forma a se mostrar a variação sazonal e cíclica existente no


regime dos rios, buscou-se acompanhar grandezas características
como a vazão e o nível d’água através do tempo. Isto é feito através
do traçado de curvas, dentre as quais destacamos o cotagrama e o
hidrograma.

a) Cotagramas e Hidrogramas
Define-se o cotagrama como a curva cronológica de variação
dos níveis d’água e a hidrógrafa, hidrograma ou fluviogramacomo a
curva cronológica de variação de vazões. A figura a seguir mostra um
hidrograma e um cotagrama de um curso d’água em uma
determinada seção:

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Da análise da figura podemos verificar os anos de menor


deflúvio ou “anos secos” e os com deflúvio elevados ou “anos úmidos
ou chuvosos”. Observa-se ainda que geralmente eles não ocorrem
isoladamente e sim agrupados em trens. E ainda podemos verificar
que o ano hidrológico definido entre duas estações chuvosas
consecutivas normalmente difere do ano cronológico civil. Nas
regiões centro e sul do Brasil o ano hidrológico se inicia em 1° de
outubro e terminando em 30 de setembro.

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As duas curvas (níveis d’água e vazões) são características


cronológicas do regime do rio. Elas não são paralelas entre si porque,
em geral, a relação entre elas não é linear. A curva que relaciona
níveis d ’água e vazões de um rio em uma determinada seção é
denominada curva-chave e será estudada mais tarde.
Em determinadas situações, como no caso do dimensionamento
de um reservatório, nem sempre estamos interessados nas variações
das medições diárias observadas nos aparelhos, mas queremos as
médias em determinado tempo considerado.
Desta forma, introduz-se os seguintes conceitos:
- Vazão média: É a vazão fictícia se escoando uniformemente
no tempo considerado que produz o mesmo deflúvio fluvial gerado
pelas vazões naturais. O produto da vazão média pelo tempo
considerado deve ser igual ao deflúvio fluvial gerado;
- Nível d’água médio: E a média dos níveis d’água no período
de tempo considerado.
Outras curvas características do regime fluvial são os gráficos
de frequência e as curvas de permanência.

b) Gráficos de frequência

- Gráficos de frequência simples: São curvas apresentadas


sobre a forma de histogramas que relacionam frequências de
determinada medida com os seus respectivos intervalos de
observação. Para o caso do nível d’água, estes são gráficos sobre a
forma de histogramas que relacionam frequência de níveis d’água
com os seus respectivos intervalos, e para o caso de vazões estes são
gráficos sobre a forma de histogramas que relacionam frequência de
vazões com os seus respectivos intervalos. Baseado nos dados do
quadro abaixo, as figuras seguintes mostram gráficos de frequência
simples de nível d’água (NA) e vazão (Q). Os histogramas podem ser

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expressos também em termos de percentagens no lugar das


frequências.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

- Gráficos de frequência acumulada, de permanência ou


de duração: São curvas apresentadas que relacionam frequências
acumuladas de determinada medida com os seus respectivos
intervalos de observação. São construídos a partir dos gráficos de
frequência simples, que podem ser somadas cumulativamente no
sentido crescente ou decrescente das grandezas. Podem ser feitos
também sobre a forma de percentagem.
No caso da permanência de vazões ou níveis d’água a curva
contínua é mais significativa do que o histograma, sendo a parte

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crescente traçada pelos limites superiores dos intervalos e a


decrescente pelos limites inferiores. As curvas são simétricas em
relação à vertical que passa pela abscissa média do intervalo total. A
partir dos dados do quadro abaixo, a figura seguinte nos mostra o
gráfico de permanência de vazões de uma seção de um rio.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Da análise dos gráficos podemos obter as seguintes


informações:
- Ao se entrar na curva decrescente com a vazão de 25 m3/s,
por exemplo, verifica-se que durante 1173 dias ocorreram vazões
superiores a este valor e, na curva crescente, durante 653 dias as

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vazões foram inferiores. Obviamente a soma entre 1173 e 653 dias


deve resultar no valor total de dias observados, ou seja, 1826.
- Podemos obter ainda as vazões mediana, modal e média. A
vazão mediana é aquela que ocorre em metade dos dias (Q50%) ou
913 dias, de vazões superiores e inferiores. Do gráfico observa-se
que a vazão mediana é de 31 m3/s. A vazão média pode ser obtida
pelo quociente entre a área contida pela curva e o tempo total, como
a altura do retângulo de mesma área e mesma base. A vazão modal
é aquela que apresenta a maior frequência simples de
ocorrência(normalmente ocorre na região das vazões médias-baixas
dos rios). Do gráfico de frequências simples verificamos que o
intervalo de 20-30 m3/s apresentou a frequência de 480 dias de
ocorrência. Desta forma tomamos a vazão modal pelo valor médio do
intervalo, isto é, 25 m3/s.
- Outros parâmetros característicos da curva de permanência
de vazões são os quartis, Q25%e Q75%, que definem as vazões
acima (se decrescente) ou abaixo (se crescente) das quais as vazões
dos rios permanecem durante 25% e 75% do tempo.
Com os dados colhidos das curvas de frequência podemos
definir alguns parâmetros que quantificam o regime dos rios quanto a
sua regularidade. Estes parâmetros serão mais representativos
quanto maiores os períodos de observação, normalmente em anos.
No período disponível de observações selecionam-se os valores de
vazão máxima (Qmax), mínima (Qmin) e média (Qmed), e obtemos os
seguintes coeficientes de perenidade:
O coeficiente de perenidade relacionado às chuvas intensas (P)
é a relação entre a vazão máxima e média. Este se aplica aos estudos
de enchentes, obras de controle de inundações e aos cálculos de
vertedores de barragens: P = Q max/Q med

O coeficiente de perenidade relacionado às estiagens (p) é a


relação entre as vazões média e mínima: P = Q med/ Q min

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O coeficiente de amplitude máxima de vazões (m) é o produto


entre estes dois coeficientes P e p: m = P x p = Qmax/Qmin
Quanto mais regulares forem os cursos d’água mais próximos
da unidade serão P, p e m.

- Obtenção da curva de permanência de vazões a partir


da curva de permanência de nível d’água e da curva chave:
Podemos obter graficamente a curva de permanência de vazões
a partir da curva de permanência de nível d’água e da curva chave. O
método gráfico é autoexplicativo e será representado para a curva
decrescente de permanência de níveis d’água, através da figura a
seguir.

Fonte: Amorim & Reis (IME)

Tomando-se um ponto qualquer, por exemplo, NA = 3,25 m,


define-se sobre a curva-chave (Q x NA) e a curva de permanência de
níveis d’água (NA x Sum(freq)) os pontos I e II, que correspondem a
Q = 59 m3/se permanência de 130 dias. Rebate-se a grandeza da
vazão sobre o eixo vertical e, ao traçar-se uma linha horizontal onde

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esta encontrar a vertical que passa pelo ponto II tem-se o ponto IV


que pertence à curva de permanência de vazões (Q x Sum(freq)). Em
vez do rebatimento poderia ser traçada a bissetriz sobre a origem e o
seu encontro com a vertical que passa pelo ponto I forneceria o ponto
III.
A horizontal passando pelo ponto III com a vertical do ponto II
também fornecem o ponto IV da curva de permanência de vazões (Q
x Sum(freq)). Repete-se o processo para outros pontos para se obter
uma boa definição gráfica e ao uni-los obtém-se uma linha contínua
que é a curva de permanência de vazões (Q x Sum(freq)).
Um procedimento análogo ao anterior poderia ser feito usando-
se a curva de permanência de níveis d'água crescente.

7 - QUESTÕES COMENTADAS

1) (50 – DNOCS/2010 – FCC) Considere:

I. Volume de água precipitada por unidade de área horizontal.

II. Soma das áreas das superfícies que, interceptando chuva,


conduzem as águas para determinado ponto da instalação.

III. Número médio de anos em que, para a mesma duração de


precipitação, uma determinada intensidade pluviométrica é
igualada ou ultrapassada apenas uma vez.

IV. Quociente entre a altura pluviométrica precipitada num


intervalo de tempo e este intervalo.

Os itens I a IV correspondem, respectivamente, às definições


de:

(A) volume de precipitação; área molhada; média de chuvas;


quociente de contribuição.

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(B) altura pluviométrica; área de contribuição; período de


retorno; intensidade pluviométrica.

(C) volume de precipitação; condutores horizontais;


intensidade pluviométrica; média de contribuição.

(D) altura pluviométrica; área molhada; intensidade


pluviométrica; quociente de contribuição.

(E) volume de precipitação; condutores horizontais;


intensidade pluviométrica; média de contribuição.

Definições da NBR 10844 – Instalações prediais de águas pluviais:

- Altura pluviométrica: Volume de água precipitada por unidade de


área horizontal.

- Área de contribuição: Soma das áreas das superfícies que,


interceptando chuva,conduzem as águas para determinado ponto da
instalação.

- Período de retorno: Número médio de anos em que, para a


mesma Duração de precipitação, uma determinada intensidade
pluviométrica é igualada ou ultrapassada apenas uma vez.

- Intensidade pluviométrica: Quociente entre a altura


pluviométrica precipitada num intervalo de tempo e este intervalo.

- Condutor horizontal: Canal ou tubulação horizontal destinado a


recolher e conduzir águas pluviais até locais permitidos pelos
dispositivos legais.

- Seção molhada: Área útil de escoamento em uma seção


transversal de um condutor ou calha.

GABARITO: B

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2) (33 – Transpetro/2011 – Cesgranrio) Considere as


seguintes reservas de água doce (Rn) do nosso planeta.

R1 – lagos e rios

R2 – geleiras e gelo polar

R3 – água subterrânea

A ordem DECRESCENTE de volume de água armazenada


nessas reservas é

(A) R1, R2, R3

(B) R1, R3, R2

(C) R2, R1, R3

(D) R2, R3, R1

(E) R3, R2, R1

Amorim & Reis apresentam o seguinte quadro:

Verifica-se que R2 > R3 > R1

Gabarito: D

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3) (63 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) Em uma


determinada bacia hidrográfica, ocorreu uma chuva provocada
pelo desvio ascendente das correntes aéreas do ar quente e
úmido, provenientes de um oceano próximo, que, ao
encontrarem uma cadeia montanhosa em sua rota, sofreram
resfriamento e condensação. Esse tipo de precipitação é
denominado chuva

(A) convencional

(B) convectiva

(C) frontal

(D) orográfica

(E) sazonal

De acordo com Amorim & Reis, as chuvas orográficas ocorrem


quando ventos quentes e úmidos, que sopram dos oceanos para os
continentes, encontram uma barreira montanhosa que forçam
sua elevação, e consequente condensação adiabática, formando
nuvens que crescem e precipitam.

São chuvas de pequena intensidade e grande duração, que


ocorrem em pequenas áreas no sentido do deslocamento e grandes
áreas (definidas pelo comprimento da escarpa de montanha) na
escala de bacias hidrográficas no sentido transversal ao
deslocamento. Estas são frequentes na Serra do Mar. A figura a
seguir mostra o mecanismo de uma chuva orográfica:

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Gabarito: D

4) (65 – Liquigas/2013 – Cesgranrio) No estudo da


evapotranspiração, há uma série de fatores que intervêm na
intensidade de evaporação. Dentre esses fatores, está(ão)

(A) a temperatura, que influi de forma inversamente


proporcional à intensidade de evaporação.

(B) a salinidade da água, pois, quanto maior o teor de sal na


água, menor a evaporação.

(C) a pressão barométrica, pois a evaporação é menor em


altitudes elevadas.

(D) a luz e o calor que atuam nas folhas, reduzindo a


transpiração.

(E) os ventos, que reduzem a intensidade da evaporação.

Amorim & Reis citam os seguintes fatores intervenientes da


evapotranspiração:

- Radiação Solar: O calor radiante fornecido pelo Sol constitui


a energia motora para o próprio ciclo hidrológico.

- Grau de umidade relativa do ar: O grau de umidade


relativa do ar atmosférico é a relação entre a quantidade de vapor de

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água aí presente e a quantidade de vapor de água no mesmo volume


de ar se estivesse saturado de umidade. Essa grandeza é expressa
em porcentagem. Quanto maior for a quantidade de vapor de
água no ar atmosférico, tanto maior o grau de umidade e
menor a intensidade de evaporação.

A intensidade de evaporação é função direta da diferença entre


a pressão de saturação do vapor d’água do ar atmosférico e a
pressão atual de vapor d’água. Esta correlação é conhecida como a
Lei de Dalton:

E = C.(es – e)

Onde:

E = intensidade de evaporação

C = constante que depende dos demais fatores que intervêm na


evaporação

es = pressão de vapor saturante do ar adjacente a superfície


líquida

e = atual pressão de vapor do ar adjacente a superfície líquida

- Temperatura do ar: A elevação da temperatura tem


influência direta na evaporação porque eleva o valor da pressão
de saturação do vapor de água, permitindo que maiores quantidades
de vapor de água possam estar presentes no mesmo volume de ar,
para o estado de saturação. De um modo geral um aumento de 10ºC,
es dobra.

- Vento: O vento atua no fenômeno da evaporação renovando


o ar em contato com as massas de água ou com a vegetação,
afastando do local as massas de ar que já tenham grau de umidade
elevado.

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- Pressão barométrica: A influência da pressão barométrica é


pequena, só sendo apreciada para grandes variações de altitude.
Quanto maior a altitude, menor a pressão barométrica e maior a
intensidade de evaporação.

- Outros fatores: Além desses fatores, pode-se citar as


influências inerentes à superfície evaporante, a saber: tamanho da
superfície evaporante, estado da área vizinha, salinidade da
água (E menor quanto maior), umidade do solo (E maior quanto
maior), cor da água (mais escura absorve mais evapora mais),
composição e textura do solo, etc.

Gabarito: B

5) (44 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) A contribuição total


que produz o escoamento de água em uma seção de um curso
d’água, por uma precipitação ocorrida na bacia hidrográfica,
deve-se a diferentes fatores. Nessa perspectiva, analise os
fatores a seguir.

I – Precipitação recolhida diretamente pela superfície livre da


água.

II – Escoamento superficial propriamente dito.

III – Escoamento subsuperficial.

IV – Contribuição do lençol de água subterrâneo.

Contribuem efetivamente para o escoamento de água os


fatores

(A) I e II, apenas.

(B) II e III, apenas.

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(C) I, II e III, apenas.

(D) I, III e IV, apenas.

(E) I, II, III e IV

De acordo com Amorim & Reis, a água, uma vez precipitada


sobre o solo, pode seguir três caminhos básicos para atingir o curso
d’água: o escoamento superficial, o escoamento sub-superficial
(hipodérmico) e o escoamento subterrâneo, sendo as duas
últimas modalidades sob velocidades mais baixas.
Observa-se que o deflúvio direto abrange o escoamento
superficial e grande parte do sub-superficial, visto que este último
atinge o curso d’água tão rapidamente que, comumente, é difícil
distingui-lo do verdadeiro escoamento superficial.
O escoamento de base, constituído basicamente do escoamento
subterrâneo, é o responsável pela alimentação do curso d’água
durante o período de estiagem.
Obviamente, há também a água precipitada diretamente sobre
a superfície da água.

Gabarito: E

8 - QUESTÕES APRESENTADAS NESSA AULA

1) (50 – DNOCS/2010 – FCC) Considere:

I. Volume de água precipitada por unidade de área horizontal.

II. Soma das áreas das superfícies que, interceptando chuva,


conduzem as águas para determinado ponto da instalação.

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III. Número médio de anos em que, para a mesma duração de


precipitação, uma determinada intensidade pluviométrica é
igualada ou ultrapassada apenas uma vez.

IV. Quociente entre a altura pluviométrica precipitada num


intervalo de tempo e este intervalo.

Os itens I a IV correspondem, respectivamente, às definições


de:

(A) volume de precipitação; área molhada; média de chuvas;


quociente de contribuição.

(B) altura pluviométrica; área de contribuição; período de


retorno; intensidade pluviométrica.

(C) volume de precipitação; condutores horizontais;


intensidade pluviométrica; média de contribuição.

(D) altura pluviométrica; área molhada; intensidade


pluviométrica; quociente de contribuição.

(E) volume de precipitação; condutores horizontais;


intensidade pluviométrica; média de contribuição.

2) (33 – Transpetro/2011 – Cesgranrio) Considere as


seguintes reservas de água doce (Rn) do nosso planeta.

R1 – lagos e rios

R2 – geleiras e gelo polar

R3 – água subterrânea

A ordem DECRESCENTE de volume de água armazenada


nessas reservas é

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(A) R1, R2, R3

(B) R1, R3, R2

(C) R2, R1, R3

(D) R2, R3, R1

(E) R3, R2, R1

3) (63 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) Em uma


determinada bacia hidrográfica, ocorreu uma chuva provocada
pelo desvio ascendente das correntes aéreas do ar quente e
úmido, provenientes de um oceano próximo, que, ao
encontrarem uma cadeia montanhosa em sua rota, sofreram
resfriamento e condensação. Esse tipo de precipitação é
denominado chuva

(A) convencional

(B) convectiva

(C) frontal

(D) orográfica

(E) sazonal

4) (65 – Liquigas/2013 – Cesgranrio) No estudo da


evapotranspiração, há uma série de fatores que intervêm na
intensidade de evaporação. Dentre esses fatores, está(ão)

(A) a temperatura, que influi de forma inversamente


proporcional à intensidade de evaporação.

(B) a salinidade da água, pois, quanto maior o teor de sal na


água, menor a evaporação.

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(C) a pressão barométrica, pois a evaporação é menor em


altitudes elevadas.

(D) a luz e o calor que atuam nas folhas, reduzindo a


transpiração.

(E) os ventos, que reduzem a intensidade da evaporação.

5) (44 – Petrobras/2012 – Cesgranrio) A contribuição total


que produz o escoamento de água em uma seção de um curso
d’água, por uma precipitação ocorrida na bacia hidrográfica,
deve-se a diferentes fatores. Nessa perspectiva, analise os
fatores a seguir.

I – Precipitação recolhida diretamente pela superfície livre da


água.

II – Escoamento superficial propriamente dito.

III – Escoamento subsuperficial.

IV – Contribuição do lençol de água subterrâneo.

Contribuem efetivamente para o escoamento de água os


fatores

(A) I e II, apenas.

(B) II e III, apenas.

(C) I, II e III, apenas.

(D) I, III e IV, apenas.

(E) I, II, III e IV

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9 - GABARITO

3) D 4) B
1) B 2) D

5) E

BIBLIOGRAFIA

- Amorim, José Carlos C. & Reis, Marcelo de Miranda. Curso de


Hidrologia. Engenharia de Fortificação e Construção. Instituto Militar
de Engenharia – IME.

- Gribbin, John E.. Introdução a Hidráulica, Hidrologia e Gestão


de Águas Pluviais. Editora Cengage Learning. São Paulo: 2014.

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