You are on page 1of 11

Maristela Stöckl e Luiza Braun 1

OTP- “Pós-operatório”
Referências: Sabiston, Projeto Acerto e Anvisa

1. Qual o tempo de jejum pré-operatório?


 É recomendado pelo Projeto Acerto uma abreviação do jejum pré-operatório da seguinte forma:
 Manter jejum para sólidos por 6 a 8h antes da operação.
 Em consonância com muitos trabalhos e guidelines de sociedades nacionais de anestesia a ingesta de líquidos
claros está liberada até 2 horas antes do procedimento anestésico, os preparados que incluem leite ou outra
fonte de gordura precisam de 6 horas assim como alimentos sólidos.
 Prescrever bebida com carboidrato (maltodextrina) a 12%, 200mL 2 e 6h antes da operação, ou bebida com
maltodextrina e proteínas 6h antes e novamente 2 a 3h antes da operação.
 Faz-se uma exceção para casos de refluxo gastresofágico importante, obstrução intestinal ou esvaziamento
gástrico retardado (p. ex., gastroparesia ou estenose pilórica).

2. Quais as condutas preconizadas no projeto acerto?


 Terapia nutricional perioperatória:
 Pacientes mal nutridos no pré-operatorio têm maior risco de apresentarem complicações pós-operatórias e
de óbito do que os que estavam bem nutridos anteriormente à cirurgia. O estado nutricional diminuído pode
comprometer a função de muitos sistemas orgânicos incluindo coração, pulmão, rim e trato gastrointestinal.
 Os cuidados nutricionais perioperatórios do Projeto ACERTO que compreendem a triagem nutricional, a
avaliação nutricional, a prescrição de dieta imunomoduladora perioperatória e a orientação de alta têm
com objetivo principal acelerar a recuperação do paciente cirúrgico.
 Todo paciente cirúrgico, nas primeiras 24h da internação, deve ser triado e avaliado nutricionalmente.
 Os dados da triagem e da avaliação nutricional devem ser anotados no prontuário do paciente.
 Todo paciente deve ser informado e orientado dos cuidados nutricionais perioperatórios para que haja adesão
e sucesso no tratamento.
 A intervenção nutricional imediata (Internuti), via oral ou enteral, com fórmula hiperproteica com ou sem
imunonutriente, deve ser iniciada cinco a sete dias antes da operação, na quantidade mínima de 500 a
1.000mL para os pacientes de risco nutricional e por até 14 dias para os desnutridos graves em cirurgias de
médio e grande portes.
 A dieta imunomoduladora via oral ou enteral tem por objetivo reduzir as complicações, o tempo de internação
e a mortalidade hospitalar.
 A nutrição parenteral está indicada para os pacientes desnutridos graves que não podem usar a via digestiva.
 No pós-operatório, a dieta deve ser iniciada, independentemente da via de nutrição, nas primeiras 24h da
operação e na presença de estabilidade hemodinâmica.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 2

 Redução de fluídos endovenosos no perioperatório


 Não realizar preparo pré-operatório de cólon rotineiramente. Isso evita a necessidade de maior infusão de
líquidos intravenosos no pré- e no intraoperatório.
 Evitar períodos superiores a 6h de jejum no pré-operatório. Com isso, há diminuição da necessidade de
reposição volêmica pré-anestésica.
 Evitar reposição volêmica excessiva no intra e no pós-operatório. Considerar o uso de coloides no
intraoperatório (reposição volume a volume).
 Iniciar dieta oral ou enteral precoce, com a finalidade de diminuir o volume de fluidos intravenosos no pós-
operatório, oferecendo-os pela via fisiológica.
 Não prescrever hidratação venosa no pós-operatório imediato de operações extraperitoneais não
complicadas.
 Na maioria dos casos, a ingestão oral de líquidos pode ser liberada assim que o paciente se recuperar do ato
anestésico.
 Retirar hidratação venosa em, no máximo, 6h após operações abdominais de médio porte (p. ex.,
colecistectomias), salvo exceções.
 Quando for necessária hidratação venosa no pós-operatório, buscar não ultrapassar o volume de 30mL/kg em
24h, salvo necessidades extras.
 Considerar sempre hidratação oral em vez de intravenosa. Considerar a suspensão do uso de fluidos
intravenosos no primeiro dia de realimentação oral ou enteral. Na maioria dos casos, isso pode ocorrer até o
primeiro dia de pós-operatório.
 Quando da necessidade de uso de cristaloides, dar preferência por soluções mais bem balanceadas do ponto
de vista hidroeletrolítico (p. ex., solução de lactato de Ringer), evitando aquelas com sobrecarga de sódio e
cloro.
 O uso de solução salina 0,9% deve ser reservado a situações mais específicas, em especial quando há
hipocloremia (p.ex., vômitos recorrentes ou drenagem gástrica).

 Analgesia peri-operatória
 Analgesia pós-operatória é um dos pilares do protocolo multimodal de aceleração da recuperação pós-
operatória, sem dor o paciente sente-se mais seguro para obter alta precoce.
 O uso de opiáceos deve ser desestimulado, apesar da ação analgésica estão relacionados com efeitos
colaterais indesejados tais como: depressão respiratória, retenção urinária, náuseas, vômitos e íleo pós-
operatório prolongado. Assim, preconiza-se que o controle álgico no pós-operatório seja realizado
preferencialmente sem o uso de opióides sistêmicos.
 Profilaxia e controle de vômitos pós-operatórios
 Abreviação do jejum pré-operatório
 Não permitir jejum prolongado.
 Manter jejum para sólidos por 6h antes da operação.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 3

 Realimentação precoce no pós-operatório


 Sabe-se que o tempo de insuficiência de motilidade é diferente em cada região do tubo digestivo, o estomago
demora cerca de 24 horas para recuperar sua motilidade, o intestino delgado de 5 a 7 horas, o cólon direito
de 24 a 48 horas e o colón esquerdo de 36 a 60 horas. Por esse motivo, alimentação após 24 horas de
laparotomia pode ser oferecida aos pacientes, sendo bem tolerada e o alimento absorvido.

 Informação pré-operatória

 Evidência para o uso de drenos e sondas em cirurgia


 A sonda nasogástrica não deve ser usada como rotina.

 Deambulação ultraprecoce no pós-operatório


 A movimentação é reconhecida como sendo o componente primário, secundário e terciário na prevenção de
todas as morbidades e mortalidade causada por doenças.
 Imobilização devido a cirurgias e hospitalização levam a diminuição e deficiência da função muscular. Iniciar
exercícios desde a internação até a alta hospitalar e encorajar o paciente a mantê-los na residência faz com
que a perda de massa muscular seja menor.
 Abolição do preparo mecânico de rotina do cólon
 O preparo mecânico do cólon espolia o paciente, principalmente o idoso, com relação a hidratação e
eletrólitos.
 Não há, em estudos randomizados e metanálises, evidências que demonstrem benefícios com a realização
dessa prescrição em cirurgia colônica. Não há benefícios para a prescrição do preparo do cólon para cirurgias
colônicas no pré-operatório. Tal rotina tem fundamentação em operações eletivas para o tratamento de
câncer colorretal, doença diverticular, doença inflamatória intestinal e fechamento de estomas.
 A carga fecal no cólon pode ser diminuída com uma dieta hiperproteica e hipercalórica sem fibras, cinco a sete
dias antes da operação.
 Não há evidências quanto a cirurgias esofágicas com transposição de cólon e, por isso, ainda se preconiza
preparo mecânico de cólon nessas operações.
 Em procedimentos que incluem anastomoses do reto médio ou baixo (4b), o preparo mecânico pode ser
utilizado.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 4

 A critério do cirurgião, o preparo pré-operatório do cólon pode auxiliar na operação videolaparoscópica e na


realização de colonoscopia intraoperatória.

 Uso racional de antibióticos em cirurgia


 Apenas permitir indicação de antibióticos em pacientes cirúrgicos com base em protocolos padronizados pelo
serviço, sob supervisão da CCIH - Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.
 As definições e normas que regem a indicação de antibiótico-profilaxia e antibiótico-terapia deverão seguir os
guidelines validados e aplicados nacionalmente.
 Auditoria mensal ou no máximo a cada 3 meses no serviço quanto aos índices de infecção do sítio cirúrgico e
aplicação das normas de controle recomendadas.

 Auditoria periódica de condutas e resultados em cirurgia

3. Quais as etapas da lista de verificação da segurança cirúrgica ?

CAP 13- PÁG 514 DO SABISTON NO PDF

4. Quais complicações da ferida operatória podemos encontrar pós-operatório?


SEROMA
 O seroma é a coleção de gordura liquefeita, soro e líquido linfático que se forma sob a incisão. O líquido, em geral,
é claro, amarelado e um tanto quanto viscoso e encontra-se na camada subcutânea (SC), logo abaixo da derme.
 Seromas representam as complicações mais benignas após um procedimento cirúrgico e são particularmente
prováveis de ocorrer, como é visto frequentemente com mastectomia, dissecção axilar, dissecção da região
inguinal e grandes hérnias ventrais, ou quando uma tela (politetrafluoretileno) é usada na reparação de uma
hérnia ventral.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 5

 Os seromas geralmente se apresentam como um edema localizado e bem circunscrito, com desconforto à pressão
e ocasional drenagem de líquido claro pela ferida não cicatrizada.
 A prevenção de formação de seroma pode ser obtida com a colocação de drenos de sucção sob os retalhos.
 Sua remoção prematura resulta, com frequência, em grandes seromas que precisarão de aspiração sob condições
estéreis, seguida pela colocação de um curativo compressivo.

HEMATOMA
 O hematoma é uma coleção anormal de sangue, geralmente na camada subcutânea de uma incisão recente ou
em um espaço potencial na cavidade abdominal após exérese de um órgão
 Os hematomas são mais preocupantes do que os seromas, em virtude do seu potencial para infecções secundárias.
 A formação de hematomas está relacionada com hemostasia, depleção dos fatores da coagulação e presença de
coagulopatia.
 As manifestações clínicas de um hematoma podem variar com seu tamanho, localização e presença de infecção.
 Um hematoma pode manifestar-se como uma expansão, tumefação expansiva ou dor na área da incisão cirúrgica.
 Drenar

DEISCÊNCIA DA FERIDA
 Por definição, deiscência é a separação das camadas musculoaponeuróticas no início do curso pós-operatório.
 Está entre as mais temidas complicações enfrentadas pelos cirurgiões, por causa da possibilidade de evisceração,
da necessidade de intervenção imediata e da possibilidade de deiscência repetida, infecção da ferida cirúrgica e
formação de hérnia incisional.
 A deiscência da ferida ocorre em aproximadamente 1% a 3% dos pacientes submetidos a cirurgias abdominais.
 Com mais frequência, a deiscência desenvolve-se em 7 a 10 dias de pós-operatório, mas pode ocorrer a qualquer
momento após a cirurgia, de 1 a mais de 20 dias.
 Uma variedade de fatores pode contribuir para a deiscência como: cirurgia de emergência, erro técnico no
fechamento aponeurótico, infecção intra-abdominal, idade avançada, seroma, hematoma e infecção de ferida,
pressão intra-abadominal elevada, obesidade, desnutrição...
 O tratamento de deiscência depende da extensão da separação da fáscia e da presença de evisceração e/ou
patologia intra-abdominal significativa (p. ex., deiscência intestinal, peritonite). Uma pequena deiscência,
especialmente na porção proximal da incisão na linha média superior 10 a 12 dias após a cirurgia, pode ser tratada
de maneira conservadora com compressas de gaze umedecida com solução salina na ferida e o uso de uma cinta
abdominal. No caso de evisceração, os intestinos eviscerados devem ser cobertos com uma compressa estéril
umedecida com solução salina e preparando o paciente para retornar à sala de cirurgia após um período muito
curto de reanimação volêmica. Da mesma forma, se a sondagem da ferida revelar um segmento grande da ferida
aberta para o omento e intestinos, ou se houver peritonite ou suspeita de vazamento intestinal, são feitos planos
de levar o paciente de volta para a sala de cirurgia.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 6

INFECÇÃO DA FERIDA
 Infecções do sítio cirúrgico (ISCs) ainda continuam a ser um problema significativo para os cirurgiões.
 A despeito da grande melhora observada com os antibióticos, anestésicos e instrumentos de qualidade superior,
do diagnóstico precoce dos problemas cirúrgicos e da criação de melhores técnicas para vigilância pós-operatória,
as infecções na ferida continuam a ocorrer.
 Embora alguns pacientes possam exibir problema meramente estético, essa visão representa uma compreensão
superficial deste problema, que causa sofrimento, morbidade e mesmo mortalidade, além de uma carga financeira
ao sistema de saúde.

INCISIONAL SUPERFICIAL

 Infecção menos de 30 dias após a cirurgia


 Envolve somente a pele e tecido subcutâneo, além de um dos seguintes:
 Drenagem purulenta
 Diagnóstico de infecção de sítio cirúrgico superficial por um cirurgião
 Sintomas de eritema, dor, edema local

INCISIONAL PROFUNDA

 Menos de 30 dias após a cirurgia sem implante e envolvimento de partes moles


 Infecção menos de 1 ano após a cirurgia com um implante; envolve tecidos moles profundos (fáscia e músculo), além de um dos seguintes:
 Drenagem purulenta a partir do espaço profundo, mas sem extensão para o espaço dos órgãos
 Abscesso encontrado no espaço profundo no exame direto ou radiológico ou na reoperação
 Diagnóstico de uma infecção de sítio cirúrgico do espaço profundo pelo cirurgião
 Sintomas de febre, dor e sensibilidade, levando à deiscência ou abertura da ferida por um cirurgião

ESPAÇO DOS ÓRGÃOS


 Infecção menos de 30 dias após a cirurgia sem implante
 Infecção menos de 1 ano após a cirurgia com implante e infecção; envolve qualquer parte da operação aberta ou manipulada, além de um
dos seguintes:
 Drenagem purulenta a partir de um dreno colocado no espaço do órgão
 Organismos cultivados de material aspirado do espaço do órgão
 Abscesso encontrado no exame direto ou radiológico ou durante a reoperação
 Diagnóstico da infecção do espaço dos órgãos por um cirurgião

 Além disso, ISCs representam um fator de risco para o desenvolvimento de hérnia incisional, que requer correção
cirúrgica.
 A ferida cirúrgica inclui as áreas interna e externa do corpo que envolvem todo o local cirúrgico.
 As feridas são categorizadas em três grupos gerais:
I. Superficiais, que inclui a pele e o tecido subcutâneo
II. Profunda, que inclui a aponeurose e o músculo
III. Espaço orgânico, que inclui os órgãos internos do corpo, se a operação incluir esta área.
 Os critérios para definição de infecção no sítio cirúrgico incluem:

 As ISCs desenvolvem-se como resultado de contaminação do local cirúrgico com micro-organismos. A fonte
desses micro-organismos é principalmente a flora dos pacientes (origem endógena) quando a integridade da
pele e/ou da parede de uma víscera oca é violada.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 7

 Ocasionalmente, a fonte é exógena quando ocorre uma quebra na técnica cirúrgica, permitindo, assim, a
contaminação da equipe cirúrgica, equipamento, implante ou luvas ou meio ambiente.
 Os patógenos associados à infecção pós-operatória da ferida refletem a área que permitiu a inoculação da
infecção.
 Bactérias Gram-positivas são responsáveis por metade das infecções (Staphylococcus aureus é a mais comum,
Staphylococcus coagulase-negativo, Enterococcus spp. S. aureus normalmente ocorre em passagens nasais,
membranas mucosas e pele de portadores).
 Uma série de fatores relacionados com pacientes e procedimentos cirúrgicos podem contribuir para o
desenvolvimento de ISCs.
 No Sistema Nacional de Vigilância de Infecção Nosocomialo risco de pacientes é estratificado de acordo com três
fatores importantes:
I. Classificação da ferida (contaminada ou suja);
II. Maior duração da operação, definida como aquela que excede o percentil 75° para um determinado
procedimento;
III. Características clínicas dos pacientes conforme determinado pela ASA no momento da cirurgia.

CLASSIFICAÇÃO FERIDA CRITÉRIOS TAXA DE INFECÇÃO (%)


LIMPA Não penetra víscera oca 1-3
Fechamento primário da ferida
Não há inflamação
Sem quebras de técnicas assépticas
Procedimento eletivo
LIMPA-CONTAMINADA Penetra víscera oca, mas controlada sem inflamação 5-8
Fechamento primário de ferida
Ruptura pequena da técnica asséptica
Uso de dreno mecânico
Preparo intestinal no pré-operatório
CONTAMINADA Derramamento descontrolado de víscera 20-25
Inflamação aparente
Ferida aberta, traumática
Ruptura grande da técnica asséptica
SUJA Não tratada, descontrolado derramamento de víscera 30-40
Pus na ferida operatória
Ferida supurativa aberta
Inflamação grave

5. Quais complicações com a termoregulação no intra-operatório?


HIPOTERMIA
 O funcionamento adequado dos sistemas fisiológicos no corpo ocorre dentro de uma estreita variação das
temperaturas corporais. A queda de 2 °C na temperatura corporal, ou o aumento de 3 °C, significa uma
emergência potencialmente letal que necessita de intervenção imediata.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 8

 A hipotermia pode ser causada por diversos mecanismos no pré-operatório, durante a cirurgia ou no pós-
operatório.
 Um paciente que sofreu trauma com lesões em um ambiente frio pode ter hipotermia significativa; similarmente,
a paralisia leva à hipotermia pela ausência do mecanismo do tremor.
 A hipotermia desenvolve-se em pacientes submetidos à reanimação rápida com líquidos IV frios, transfusões ou
irrigação intracavitária com irrigante frio e, durante a operação, no paciente que tenha uma grande área
exposta onde apresenta significativo resfriamento por evaporação.
 Quase todos os anestésicos prejudicam a termorregulação e tornam o paciente suscetível à hipotermia no
ambiente tipicamente frio da sala de cirurgia.
 Idade avançada e analgesia opioide também reduzem o tremor perioperatório.
 Mais de 80% dos procedimentos cirúrgicos eletivos estão associados a uma queda na temperatura corporal, e 50%
dos pacientes com trauma apresentam hipotermia quando chegam à sala de cirurgia.
 A prevenção da hipotermia engloba a monitoração da temperatura central, especialmente em pacientes
submetidos à cirurgia de cavidade corporal ou cirurgia que dure mais de 1 hora, crianças e idosos e pacientes nos
quais está sendo conduzida a anestesia epidural.
 Se o paciente não necessita de intervenção cirúrgica imediata e está profundamente hipotérmico, a atenção inicial
deve ser direcionada para o aquecimento dele antes da cirurgia. As modalidades incluem:
 Colocação imediata de cobertores, bem como equipamentos que gerem uma corrente forçada de ar
quente.
 Infusão de sangue e líquidos intravenosos através de máquinas aquecedoras
 Aquecimento e umidificação dos gases inalados
 Lavagem peritoneal com líquidos aquecidos
 Equipamentos de infusão com reaquecimento, utilizando um sistema arteriovenoso
 Em casos raros, derivação cardiopulmonar

HIPERTERMIA MALIGNA
 A hipertermia maligna (HM) é uma crise hipermetabólica potencialmente fatal que se manifesta durante ou
após exposição a um anestésico geral deflagrador em indivíduos suscetíveis.
 Calcula-se que ocorra HM em 1 em 30.000 a 50.000 adultos. A suscetibilidade à HM é herdada como uma doença
autossômica dominante com penetrância variável.
 A mutação resulta em regulação alterada de cálcio no músculo esquelético na forma de efluxo aumentado de
cálcio do retículo sarcoplasmático no mioplasma.
 Agentes anestésicos de inalação halogenados (halotano, enflurano, isoflurano, desflurano e sevoflurano) e
relaxantes musculares despolarizantes (succinilcolina e suxametionina) causam uma elevação na concentração do
Ca2+ mioplásmico.
 Quando um indivíduo suscetível à HM é exposto a um anestésico deflagrador, ocorre uma liberação anormal de
Ca2+, que provoca ativação prolongada dos filamentos de músculo, culminando em rigidez e hipermetabolismo.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 9

 A glicólise descontrolada e o metabolismo aeróbico dão origem à hipóxia celular, acidose láctica progressiva e
hipercapnia.
 A ativação muscular contínua com esgotamento da adenosina trifosfato resulta em geração excessiva de calor.
 Se não for tratada, a morte de miócitos e a rabdomiólise resultam em hipercalemia e mioglobulinúria.
 Por fim, desenvolvem-se coagulopatia disseminada, insuficiência cardíaca congestiva (ICC), isquemia intestinal e
síndrome de compartimento.

6. Como identificar a causa da febre-pós-operatória?


 Um dos achados clínicos mais preocupantes em
um paciente no pós-operatório é o aparecimento
de febre. A febre refere-se a um aumento da
temperatura corporal, que é regulada no
hipotálamo anterior. Pode resultar de invasão
bacteriana ou suas toxinas, que estimulam a
produção de citocinas. Trauma (incluindo cirurgia)
e doença crítica também invocam uma resposta
de citocinas.
 A resposta inflamatória resulta na produção de
uma variedade de mediadores que induzem uma
resposta inflamatória febril, também conhecida como síndrome da resposta inflamatória sistêmica.
 Por isso, febre no período pós-operatório pode ser o resultado de uma infecção ou é causada por síndrome da
resposta inflamatória sistêmica. Acontece em até dois terços dos pacientes, e sua causa é infecção em cerca de
um terço dos casos. Muitas entidades clínicas podem induzir febre no período pós-operatório.
 Na avaliação do paciente com febre, deve-se levar em consideração o tipo de cirurgia realizada, o estado imune
do paciente, a doença primária subjacente, a duração da permanência hospitalar e a epidemiologia das
infecções hospitalares.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 10

 As febres altas com grandes flutuações ou persistentes e que ocorrem de 5 a 8 dias após a operação são mais
preocupantes do que aquelas que acontecem logo em seguida à operação.
 Durante as primeiras 48 a 72 horas após uma intervenção cirúrgica no abdome  acredita-se que a maioria dos
tipos de febre seja causada por atelectasias.
 Ocasionalmente, ISCs por clostrídios ou estreptococos podem manifestar-se como febre nas primeiras 72 horas
da cirurgia.
 Temperaturas que permanecem elevadas 5 a 8 dias após a cirurgia exigem atenção imediata e, às vezes,
intervenção.
 A avaliação do paciente geralmente envolve a avaliação dos pulmões, da ferida, do trato urinário, do trato GI
inferior e do uso de medicamentos. Os sintomas do paciente geralmente indicam o sistema orgânico envolvido
com infecção; tosse e escarro produtivo sugerem pneumonia, disúria e polaciúria indicam uma ITU, diarreia
aquosa com odor fétido se desenvolve como resultado de infecção por C. difficile, dor na panturrilha pode ser
causada por trombose venosa profunda (TVP) e dor no flanco pode ser atribuída à pielonefrite.
 Exame físico pode mostrar ISC, flebite, sensibilidade à palpação do abdome, flanco ou panturrilha ou celulite no
local de um cateter venoso central.
 Hemograma completo, urinálise e urinocultura, radiografia do tórax e cultura sanguínea são exames iniciais
essenciais.

7. Quais complicações respiratórias podemos encontrar pós-operatorio?

ATELECTASIA E PNEUMONIA
 A complicação respiratória mais comum no pós-operatório é a atelectasia. Por meio da ação dos anestésicos, da
incisão abdominal e dos narcóticos pós-operatórios, os alvéolos periféricos entram em colapso, podendo ocorrer
uma derivação pulmonar.
 Se não for feita uma agressiva higiene pulmonar assim que os sintomas se apresentem, os alvéolos podem
permanecer em colapso, levando ao acúmulo de secreções que podem-se infectar por bactérias.
 O risco parece ser particularmente alto em pacientes tabagistas, que sejam obesos e apresentem copiosas
secreções pulmonares.
 A pneumonia é a infecção nosocomial mais comum, manifestando-se em pacientes hospitalizados.

Atelectasia  FEBRE NO 1º PO
Causas infecciosas  oensar em 5º PO

PNEUMONITE POR ASPIRAÇÃO E PNEUMONIA POR ASPIRAÇÃO (síndrome de Mendelson)


 A aspiração dos conteúdos orofaríngeos ou gástricos para o trato respiratório é uma complicação grave da
intervenção cirúrgica.
Maristela Stöckl e Luiza Braun 11

 A pneumonite por aspiração (síndrome de Mendelson) descreve a lesão pulmonar aguda que decorre da inalação
de conteúdos gástricos regurgitados, enquanto a pneumonia por aspiração resulta da inalação de secreções
orofaríngeas que são colonizadas por bactéria patogênica.

EDEMA PULMONAR, TRAUMA PULMONAR AGUDO E SÍNDROME DA ANGÚSTIA RESPIRATÓRIA DO ADULTO


 Uma ampla variedade de lesões pulmonares e/ou cardiovasculares pode resultar em insuficiência respiratória
aguda. Três das manifestações mais comuns dessas lesões são edema pulmonar, lesão pulmonar aguda e
síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA).
 A capacidade do clínico de reconhecer e distinguir entre essas condições é de crítica importância, pois o
tratamento dessas três entidades varia de modo significativo.
 O edema pulmonar é uma condição associada ao acúmulo de líquido nos alvéolos. Na presença de líquido nos
alvéolos, a oxigenação não pode ocorrer, desencadeando hipoxemia. Em consequência, o paciente pode aumentar
o esforço respiratório, incluindo elevação da frequência respiratória e uso exagerado dos músculos da respiração.
 O edema pulmonar é causado, em geral, pelo aumento da pressão hidrostática dos pulmões, associado a ICC e
infarto agudo do miocárdio (IAM). Ele também está relacionado com a sobrecarga de líquido secundária a uma
reanimação excessivamente agressiva.

EMBOLIA PULMONAR E TROMBOEMBOLIA VENOSA


 A tromboembolia venosa descreve TVP e embolia pulmonar (EP). A EP é uma complicação pós-operatória séria
que representa uma fonte de morbidade e mortalidade evitáveis nos Estados Unidos e é responsável por 5% a
10% de todas as mortes hospitalares.
 A tromboembolia venosa é causada por uma perturbação do sistema de coagulação homeostático induzida por
lesão da íntima, estase do fluxo sanguíneo e por um estado hipercoagulável.
 Fatores de risco incluem: idade avançada, hospitalização ou lar dos idosos, cateteres venosos, doença neurológica
(plegia e paresia), varizes, cardiomiopatia, DPOC entre outros.
 Sinais e sintomas suspeitos incluem: dor torácica pleurítica, dispneia súbita, taquipneia, hemoptise, taquicardia,
edema de membros inferiores, dor à palpação da perna, hipóxia entre outros.