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DÊ UTILIDADE AOS CONTROLES FINANCEIROS

Uma empresa, em essência, nada mais é do que um tipo complexo de investimento.


O empreendedor poderia investir em imóveis, ações, renda fixa, gado ou outras
opções, mas preferiu uma modalidade de investimento de maior risco, que exige
dele maior acompanhamento e dedicação, com o intuito de obter mais resultados do
que os que teria com outros ativos.

Para que seu investimento corresponda ao que se espera dele, que é gerar lucros
crescentes, é preciso saber diagnosticar os erros e acertos o quanto antes. É aí que
entra o controle financeiro. Engana-se quem vê a contabilidade como mero
instrumento de quantificação da rotina financeira e cumprimento de normas.
Sabendo usar, ela se torna um importante instrumento de interpretação das
estratégias e da saúde da empresa.

O conjunto de relatórios financeiros para a empresa tem função semelhante à de um


exame de sangue para as pessoas. Não é preciso ser médico para interpretá-lo.
Noções básicas de saúde nos permitem ler um exame e saber se estamos com o
colesterol alto ou com desequilíbrio na taxa de açúcares. Para gerir as finanças da
empresa, também não é preciso se formar contador ou economista. Conhecimentos
financeiros gerenciais, isto é, generalistas, nos permitem perceber se acertamos nos
investimentos, na política de endividamento ou no reinvestimento de lucros.

São frequentes os erros cometidos ao investir na empresa. Quem superdimensiona


suas aquisições, por exemplo, deixa de contar com recursos importantes para o
marketing ou o capital de giro do negócio, o que pode inviabilizar vendas e gerar
estagnação e prejuízos. Uma adequada política de investimentos sugere que
evitemos comprar equipamentos enquanto não temos certeza da estabilidade de
nossas vendas ou produção.

Outro tipo de erro frequente é a confusão entre empréstimos e financiamentos. Não


raro, empresas com dinheiro em caixa compram equipamentos, e lá na frente
pedem dinheiro emprestado para pagar os salários de quem os opera. Para os
credores, quem pede este tipo de recurso está deixando claro que não soube
planejar. Por isso, o crédito sairá mais caro, visando compensar o maior risco de
calote. Seria muito mais sensato usar o dinheiro em caixa como argumento de
solidez, e solicitar um financiamento para os equipamentos, a juros mais baixos e,
às vezes, subsidiados.

Para evitar erros dessa natureza, é fundamental que os líderes da empresa


dominem aspectos da chave da análise financeira. Repare que eu não estou
sugerindo que dominem as finanças, até porque isso é inviável em empresas de
pequeno porte. A análise financeira significa questionar do contador detalhes das
finanças que expliquem eventuais alterações nos indicadores. Cursos que ensinam
análises em nível gerencial não costumam ter mais do que 16 horas de duração.
Não é um assunto tão apaixonante como satisfação do cliente e vendas, mas é um
passo importante para garantir um crescimento saudável. Vale a pena correr atrás.

Gustavo Cerbasi (@gcerbasi no Twitter / @GustavoCerbasi no Instagram) é


consultor financeiro e criador do site www.maisdinheiro.com.br.
Facebook.com/GustavoCerbasiOficial