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FORMAÇÃO PROFISSIONAL PARA O TRABALHO INCERTO: UM ESTUDO COMPARATIVO

BRASIL, MÉXICO E ITÁLIA.

RESIGNIFICAÇÃO DA FORMAÇÃO DOS TRABALHADORES

No que diz respeito a formação profissional precisa-se compreender a ideologia e a visão


do trabalho do ponto de vista desses 3 sujeitos:
ESTADO: O estado é controlador, Neoliberalista (capitalista)
EMPRESA: A formação visa aumentar a produtividade do trabalho, a qualidade e a
competitividade dos produtos, ou seja, gerar riquezas (capital),
TRABALHADORES: Necessidade de sobrevivência e não possui clareza quanto a formação que
irá valorizar sua força de trabalho. (Na Itália um país desenvolvido há clareza no sentido de
negociação sobre condições de trabalho e preservação do emprego).

Há ausência de clareza quanto a formação que o cidadão deveria receber para adaptar-
se as transformações em curso (exemplo a substituição do trabalho realizado por máquinas, do
trabalhador braçal, para aquele que opere a máquina), confundem-se com o modelo taylorista-
fordista (Esses dois sistemas visavam à racionalização extrema da produção e,
consequentemente, à maximização da produção e do lucro), a ressignificação está no sentido
de ressignificar os processos de formações produtivas.
A autora traz a problema da falta de consenso para o termo de formação profissional, e
traz alguns autores para debater o tema, iniciando por:
MACHADO (1996) critica a maioria dos autores por utilizarem “qualificação” sem explicar o
conceito na teoria, e quando o faz, faz dentro da visão Taylorista-fordista, que evidencia uma
visão reduzida e essencialista, não considerando o processo como um todo, dessa forma a noção
de qualificação, desqualificação e requalificação não dão conta das diferenças nos processos
produtivos por serem tratadas de formas parecidas (como se fossem a mesma coisa, formação
inicial para uma formação especifica).
BRAVERMAN (1981) A intensificação do trabalho como substituição da qualificação, a forma
que os trabalhadores mais qualificados são os que fazem com que a empresa lucre mais, ou seja
o trabalhador “sem formação profissional”, mas que execute o trabalho pois está diretamente
vinculado a ele gera lucro para empresa e está apto ao trabalho.
FREISSENT (1992), ZARAFIAN (1992), CORIAT (1994) HIRATA (1994), criticam o “modelo de
competência” , segundo o qual haveria um esquecimento da própria noção de qualificação, e
seria levado em “conta” o saber, carreira salário e a partir desses valores qualitativos há
mobilidade e engajamento , nesse modelo ganha importância a distinção entre a qualificação
profissional e a qualificação não adquirida mas percebida pelo empregador.
FRIGOTTO (1995): Conduz questão do ponto de vista da relação entre as exigências de novas
qualificações e escola básica, buscando superar a ideia de que economia está vinculada ao
conhecimento e que está ao alcance de todos através da educação, pois tal crença traz conduz
a defesa do trabalhador polivalente que apresenta múltiplos valores ou oferece várias
possibilidades de emprego, de função; multifuncional.
DELUIZ (1995) Detém-se na análise de qualificações profissionais e suas implicações para
formação profissional, para ela uma perspectiva de formação para o trabalho que pretende
ultrapassar a visão pragmatísta de adequação da força do trabalho às necessidades modernas
econômicas, deve-se apontar para as dimensões profissionais e políticas, ou seja, superar a
divisão entre o trabalho e a cultura.
A secretaria de Formação e Desenvolvimento Profissional do Ministério do Trabalho
Brasil, elaborou um projeto de “Educação profissional’ que tinha como objetivo resgatar a
qualificação compreendida como não apenas o desempenho técnico, mas também a cidadania.
A autora traz a ideia de que a educação é uma necessidade da empresa e interesse os
trabalhadores, mas a formação técnica profissional tem sido decidida no mercado de trabalho,
assim se reduz a educação as necessidades do mercado de trabalho o qual passa por diversas
mudanças.

MEXICO:
A entrada do México no TLC causou graves danos aos trabalhadores. Muitas demissões
ocorreram decorrentes deste tratado, queda dos salários e etc.

O país, para adequar-se aos moldes estrangeiros e para sua efetiva entrada no TLC teve de abrir
portas para o mercado estrangeiro, fazendo com que os mesmos gozassem dos mesmos direitos
dos investidores locais.

A formação técnica e profissional do México segue a mesma linha dos demais países latinos. Se
viram impulsionados pela industrialização, crescente e a ascensão do capitalismo, assim como
pelas diretrizes da OIT.

No final dos anos 80 um programa Chamado Modernização educativa reforçou as tendências


que já vinham desde os anos 70, e introduziu reformas no sistema educacional, sob a ótica das
políticas neoliberais. Essas práticas tinham como finalidade a busca da qualidade, a avaliação do
ensino e dos professores, a crise de recursos, e a reorganização do ensino tecnológico.

No governo Salinas de Gortari, ocorreram mudanças em artigos da Lei Federal Trabalhista.

Essas mudanças buscaram atender as necessidades industriais de adequação permanente da


força de trabalho a maquinas e equipamentos e a flexibilização das revisões salariais. (Visando
principalmente flexibilidade e participação dos trabalhadores).

OBS: o sistema visava permitir a formação dos trabalhadores dentro ou fora do local, do posto
de trabalho ou da empresa, e aproveitar os sistemas de educação técnica das instituições de
formação públicas e privadas.

Na LFT, prevê que os patrões devem proporcionar capacitação e adestramento aos


trabalhadores. E a secretaria de Trabalho e Provisão Social, deve aprovar estes programas
dentro de projetos estabelecidos em lei. Sendo que estes devem ser de comum acordo junto
com os trabalhadores nas empresas.

No México os programas de formação, capacitação, ocorrem em sua maioria dentro do local de


trabalho.

As políticas que são elaboradas geralmente ocorrem entre trabalhador e empresa, sem
fiscalização. E que não dão conta de uma formação voltada para atual economia. Não levando
o indivíduo a se enxergar como categoria.

Sendo assim, no México, a formação é para colocar o indivíduo no mercado de trabalho, sem a
preocupação de uma formação global, somente empregar quem está ingressando. Cujo objetivo
é formar para trabalhar dentro da empresa, o que faz com que ele só se qualifique para aquele
trabalho.
ITÁLIA

Cultura prevalentemente democrática. (Contraria a do Brasil e México que são


antiautoritaríssimo)

1ª fase na organização profissional na Itália.: Com a reconquista da democracia. Os sindicatos


descobrem a formação profissional como objeto de contratação de trabalho, e entes de
formação profissional.

2ª fase anos 70 e 80: Com a revolução da microeletrônica e transformação dos processos


produtivos, organizacionais e da composição da força de trabalho. Nos anos 90 há o FSE (Fundo
Social Europeu) que atua financiando programas e projetos apresentados pelas instituições civis,
públicas e privadas. Os projetos devem estar voltados para a demanda do mercado.

Neste período dos anos 90, a Itália, mesmo com sendo um pais desenvolvido se comparado ao
Brasil no que diz respeito a educação básica e profissional, passa por um momento de crise.
Crise esta, que pode ter como razoes algumas questões tais como: Redução da taxa de
sindicalizados devido ao desemprego. (o que diminui a capacidade deles de se mobilizarem); os
currículos engessados não dão conta de atender a formação considerando o desenvolvimento
industrial; falta de profissionais para promover as formações; e o fato dos empresário exigirem
que as formações sejam restritas.

Porém muitas foram a conquista dos trabalhadores organizados na Itália. O que evidencia que
quando uma organização sindical detém algum conhecimento sobreo trabalho, pode alcançar
muitos avanços.

Houve também na Itália o programa das 150 horas. Que assegurava ao trabalhador, em
contrato, uma redução na carga horária para se dedicar aos estudos e melhorar sua cultura.

Porém nem a Europa consegue acompanhar a globalização. Com uma crise, a Itália passa por
uma situação seria de desemprego de jovens e adultos.

Com um incentivo a uma escolarização cada vez mais prolongada, que causa insatisfação aos
jovens que anseiam entrar o mais rápido no mercado de trabalho.

Os novos empregos ganham espaço, como assistência a idosos, crianças e deficientes


(cuidadores) e atividades autônomas ou que exijam maior criatividade e imaginação.

Neste contexto, a formação profissional parece tornar-se uma estratégia de interesse comum
dos trabalhadores, das empresas e da sociedade. No entanto, há um intenso processo de
ideologização em torno dos seus benefícios. Não há dúvidas que as transformações econômicas
e culturais em curso exigem novos conhecimento e novas atitudes. Mas esse ajuste supera a
racionalidade econômica que o exige. Ele se confronta com a cultura, com os benefícios sociais
já conquistados, com direitos da cidadania.

O BRASIL: O ANALFABETISMO AO TOYOTISTA


Em linhas gerais esse tópico do texto fala dos modelos de organização de produção como o
Toyotismo, onde um país de “analfabetos”, se em outros países não funciona pela falta de mão
de obra qualificada no Brasil, há emergências a serem sanadas como alimentação, saúde entre
outras prioridades que devem ser pensadas pelo trabalhador.
O Brasil propõe-se gerar um mercado de trabalho dentro dos padrões da globalização e através
da globalização econômica, política e cultural e interesses externos somos integrados ao
mercado internacional onde há a reestruturação do capitalismo e se busca um novo padrão de
desenvolvimento. Segundo Harvey as incertezas da vida social moldada no regime de
acumulação se confrontam com modelo fordista se apoia na flexibilidade dos processos de
trabalho.
A Restruturação produtiva segundo o Toyotismo bem-sucedida segue o modelo de Flexibilidade,
que consiste no uso de máquinas versáteis etc.
O Brasil enfrenta o desafio de começar a “restruturação social” (74 milhões de trabalhadores,
38% menos de 4 anos de estudo, 20% analfabetos, 80% jovens, cerca de 5 milhões de crianças
e adolescentes estão fora da escola).
As políticas do Mercosul são políticas internacionais que orientam a reestruturação produtiva e
abertura econômica unilateral de cada país e de cada região, com graves consequências sociais.
A formação profissional adquiriu visibilidade e relevância a partir do governo neoliberal
Fernando Cardoso, no Brasil o modelo japonês é impraticável por conta da baixa escolaridade
dos trabalhadores, e os baixos salários que não levam os trabalhadores a se identificarem com
a empresa (vestir a camisa da empresa).
Há no Brasil o Sistema de Gestão triparte (Estado, empresários, sem a participação dos
trabalhadores), a participação dos trabalhadores se limita a representação sindical (que não
debatem a formação que será dada nesses cursos, pois não sabem direito qual a sua atribuição),
onde os empresários e o Ministério do Trabalho decidem qual formação o trabalhador terá, a
partir da demanda das empresas e do mercado de trabalho.
No México o desenvolvimento da formação profissional tem por base as necessidades da
industrialização, no Brasil nos anos 40 é que vai sendo separada o modelo da escola profissional
ou escola da trabalho, mas é após a Revolução Industrial com o Governo de Vargas que ganha
força a ideia liberal que introduz o trabalho como princípio educativo. Em 1937 a Constituição
destina formação profissional para as classes menos favorecidas e o ensino intelectual para elite,
esse projeto ganha forma em 1942 com a criação do SENAI e a criação da rede de escolas
Técnicas Federais, a formação técnica e profissional desenvolvida pelo sistema S SENAI, SENAC,
SENAR, SEST, SEBRAE ancoradas no poder burocrático nas diretrizes empresariais juntamente
com aos Ministérios do Trabalho e da Educação e da reestruturação produtiva. Buscando
renovar seus objetivos formativos e metodológicos o SENAI, e demais instituições e os sindicatos
tem em pauta a discussão e implementação de novas políticas e formação profissional: A)
Muitas escolas técnicas evoluíram para se tornar centros federais de Tecnologia. B) No final dos
anos 80 o SENAI realiza uma pesquisa a 132 indústrias buscando mapear as transformações em
curso para reavaliar a sua atuação como agente formativo do trabalhador para o ano 2000. C)
O Ministério do Trabalho conduziu através da Formação e Desenvolvimento Profissional 3
programas Plano Nacional de Educação Profissional, protocolos e acordos de cooperação
técnica financeira. D) Os sindicatos
(exemplo CUT) buscam definir as linhas básicas de atuação sobre a educação dos trabalhadores
diante dos desafios postos pelo presente.

Considerações Finais

 A formação profissional nos anos 90 não é vista de forma geral, devido a incerteza do
trabalho e dos aspectos políticos envolvidos. Pois parte da visão empresarial e das
políticas governamentais;
 No Brasil e no México a formação profissional está voltada para atender as exigências
da preparação de mão de obra para os novos processos produtivos;
 Na Itália é uma estratégia político-social que visa amenizar os efeitos perversos de
desemprego, mediante das diretrizes do Fundo Social Europeu;
 Para os trabalhadores no Brasil e no México, mesmo sendo países dependentes de
países ricos, a formação ainda é uma questão complexa: restrição dos recursos
destinados a redução dos efeitos de globalização e dos processos de reestruturação
produtiva; trabalhadores com níveis insuficientes de escolarização dificultando a
reflexão das transformações em curso e para a tomada de decisão sobre as exigências
do mercado excludente; reprodução de democracia nestes países tornam a ação
sindical mais difícil; as organizações sindicais não disponibilizam com clareza estratégias
de formação adequadas aos objetivos de emancipação dos trabalhadores e ás formas
de negociação, envolvendo cooperação com as empresas;
 A questão da formação profissional, ainda se encontra com sérios problemas par se
chegar a solução mesmo sendo concebida nas linhas gerais do modelo japonês;
 Na Itália já houve evoluções como conquistas laborais significativa, de nível médio de
escolarização generalizado, de níveis altos de qualificação profissional e de bem-estar
social, diminuindo significativamente a visão da situação de classe e as lutas e
reinvindicações buscam encaminhamento nas comissões bilaterais;
 Na Itália teve-se a preocupação de aproximar trabalhadores e patrões, sindicatos e
empresas. Nesse sentido, nos anos 70 e 80, com o novo sistema de produção e o da
especialização flexível, opondo-se ao sistema de produção de massa, mudando o papel
dos sindicatos: os sindicatos passam a operar através da “participação nas decisões” e
não impondo condições de trabalho e salários como no sindicalismo de produção de
massa; em um período de continua inovação tecnológica e organizativa, “ o sindicato
exercita sua influencia modelando e controlando a infra estrutura que torna a inovação
possível”; o sucesso dessas iniciativas “depende da centralidade de um trabalho
altamente qualificado nos sistemas de especialização flexível”;
 Para que haja transformações das relações de trabalho, é necessário mudanças nas
condições laborais e nas condições de vida; ( ideologização)
 No caso do Brasil e do México, há um grande risco de ideologização. Pois esses países
sofrem influências de ideias gerados em outros países desenvolvidos. Sendo difícil
pensar numa nova filosofia de relações de trabalho e de relações sindicais;
 No Brasil, o “sindicato de oposição” como parte de uma cultura política, também como
modelo econômico excludente;
 Na Itália, voltado para o “sindicato de cooperação”, no qual visa as transformações das
relações de trabalho e da política de retribuição de renda.