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TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO TC 010.

462/2015-5

GRUPO II – CLASSE VII – Plenário


TC 010.462/2015-5
Natureza: Representação.
Unidade Jurisdicionada: Casa da Moeda do Brasil, vinculada
ao Ministério da Fazenda.
Representante: IT Alimentos Ltda. EPP (CNPJ
01.711.147/0001-52).
Advogados constituídos nos autos: José Guilherme Rodrigues
da Costa (OAB/RJ 94.156), Hamilton Pires de Castro Júnior
(OAB/RJ 133.514), Luciana Pereira Diogo (OAB/RJ 122.433),
Márcio Luís Gonçalves Dias (OAB/RJ 93.770), Maria Fernanda
Nascimento Silva Castellani (OAB/RJ 115.366), Rafael Arbex
Barcellos (OAB/RJ 129.490), Rafael Fernandes Marques
Valente (OAB/DF 37.410), Rodrigo Luiz Pessoa de Oliveira
(OAB/RJ 131.041), Rômulo Henriques Lessa (OAB/RJ
145.408) e Soraya Barreto Florim (OAB/RJ 145.278).

SUMÁRIO: REPRESENTAÇÃO. PREGÃO ELETRÔNICO.


SUPOSTA NÃO COMPROVAÇÃO DE CAPACIDADE
TÉCNICA PELA LICITANTE VENCEDORA.
IMPROCEDÊNCIA. OPORTUNIDADE DE MELHORIA,
PARA FUTUROS CERTAMES, RELATIVAMENTE A
OUTRO ASPECTO DA FASE DE HABILITAÇÃO. CIÊNCIA
À REPRESENTANTE E À ENTIDADE INTERESSADA.

RELATÓRIO

Com alguns ajustes de forma e fundamentado no inciso I do § 3º do art. 1º da Lei 8.443,


de 16/7/1992, adoto como Relatório a instrução elaborada no âmbito da Secretaria de Controle
Externo da Administração Indireta no Rio de Janeiro (SecexEstataisRJ) (peça 18), instrução esta
cujo encaminhamento contou com a anuência do Secretário da referida unidade técnica (peça 19):

“INTRODUÇÃO
1. Cuidam os autos de representação, com pedido de medida cautelar, oriunda da empresa IT
Alimentos Ltda. EPP a respeito de possíveis irregularidades verificadas na Casa da Moeda do Brasil – CMB,
durante a realização do Pregão Eletrônico nº 209/2014, no tocante à habilitação da licitante Cook
Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda., cuja proposta, no valor negociado de R$ 47.699.640,00,
foi declarada vencedora do referido certame.
EXAME DE ADMISSIBILIDADE
2. Inicialmente, deve-se registrar que a representação preenche os requisitos de admissibilidade
constantes no art. 235 do Regimento Interno do TCU (RI/TCU), haja vista a matéria ser de competência do
Tribunal, referir-se a responsável sujeito à sua jurisdição, estar redigida em linguagem clara e objetiva,
conter nome legível, qualificação e endereço da representante, bem como encontrar-se acompanhada do
indício concernente à irregularidade ou ilegalidade.
3. Além disso, a empresa IT Alimentos Ltda. EPP, por meio de seu procurador, Sr. Rafael
Fernandes Marques Valente, OAB/DF 37.410, possui legitimidade para representar junto ao Tribunal,

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consoante disposto no inciso VII do art. 237 do RI/TCU c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993.
4. Dessa forma, a representação poderá ser apurada, para fins de comprovar a sua procedência,
nos termos do art. 234, § 2º, segunda parte, do Regimento Interno do TCU (RI/TCU), aplicável às
representações de acordo com o parágrafo único do art. 237 do mesmo RI/TCU.
5. Ressalte-se que, no presente caso, não é aplicável a realização de exame sumário acerca do
risco, para a CMB, da materialidade e relevância dos fatos noticiados, conforme procedimento previsto no
art. 106 da Resolução-TCU 259/2014, por tratar-se de representação formulada com base no art. 113, § 1º, da
Lei 8.666/1993.
EXAME TÉCNICO
6. A CMB promoveu, em 2/2/2015, o Pregão Eletrônico nº 209/2014, visando à contratação de
empresa para a prestação de serviços de preparo e distribuição de refeições em balcões térmicos, no sistema
de autosserviço, em suas instalações localizadas no Distrito Industrial de Santa Cruz, na zona oeste da cidade
do Rio de Janeiro.
7. Após a conclusão do certame, o objeto da licitação foi adjudicado para a segunda colocada na
etapa de lances do pregão eletrônico, a Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda., no valor
negociado de R$ 47.699.640,00, pois a licitante que havia apresentado a melhor proposta fora inabilitada,
por não ter comprovado capacidade técnica para a realização do serviço.
8. Na representação em pauta (peça 1), a IT Alimentos Ltda., terceira colocada no certame,
sustenta que a habilitação da supracitada empresa não obedeceu aos princípios da legalidade e da vinculação
aos termos do edital convocatório da licitação, apresentando uma série de informações e argumentos nesse
sentido, cujos principais pontos serão resumidos nos itens seguintes.
9. Segundo a representante, os três atestados apresentados pela Cook Empreendimentos em
Alimentação Coletiva Ltda. não comprovam que a referida empresa tenha experiência bem sucedida em
fornecimentos similares ao objeto da licitação, pois tais atestados não demonstram a sua capacidade técnica
de preparar e servir, no próprio local, ao menos 80% do total de refeições (almoço e jantar) a serem
consumidas na CMB, conforme estabelece o item 4.1 do anexo II do edital do pregão eletrônico (peça 2, p.
68), levando em conta que:
a) o primeiro atestado, emitido pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais –
FHEMIG, é relativo a um volume de 5.200 refeições transportadas, e não preparadas e servidas no próprio
local, conforme previsto no edital (peça 2, p. 147);
b) o atestado da Telemar/Telecomunicações de Minas Gerais S/A – Telemig é muito antigo
(janeiro de 2001) e refere-se, novamente, a um quantitativo de refeições transportadas (1.330), sem
especificar tratar-se de almoço, jantar, café ou lanche (peça 2, p. 149); e
c) o terceiro atestado, oriundo da Petrobras, aponta a entrega de 461.207 refeições H.A. e
106.553 refeições H.T., sem explicar o significado dos termos ‘H.A.’ e ‘H.T.’ (peça 2, p. 146 e 189);
10. No tocante ao atestado emitido pela FHEMIG, a representante acrescenta ainda que:
a) em outra licitação, realizada pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraobeba –
CISMEP, destinada à aquisição de ‘alimentação pronta acondicionada em embalagem tipo marmitex’, a
empresa Cook valeu-se desse mesmo atestado para lograr êxito no certame, tendo sido confirmado, pela
própria FHEMIG, que as refeições mencionadas no atestado foram transportadas até o seu local (peça 2, p.
368/373);
b) porém, após a realização de diligência promovida pela CMB, a FHEMIC mudou as
informações contidas no supramencionado atestado, passando a afirmar que as refeições foram preparadas e
distribuídas em suas dependências (peça 2, p. 377).
11. Quanto ao atestado fornecido pela Petrobras, além da falta de especificação sobre as
refeições servidas, a IT Alimentos Ltda. ressalta que, no referido atestado, a empresa Cook obteve uma
avaliação final igual a 65, nota que caracteriza o seu desempenho como regular (peça 2, p. 189). Assim,
afirma que tal fato deveria ter sido apurado por parte do pregoeiro e da comissão de licitação, para
verificação das falhas ocorridas, pois essa avaliação baixa pode representar um risco na contratação da
aludida empresa pela CMB.
12. A representante acredita ainda que há fortes indícios de fraude nos atestados de capacidade

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técnica apresentados pela empresa Cook, quanto às informações que comprovam a averbação desses
atestados no Conselho Regional de Nutricionistas – 4ª Região/Rio de Janeiro. Ademais, também questiona se
tal empresa realmente possui no seu quadro de empregados a relação de profissionais informados à CMB, na
fase de habilitação do certame.
13. A IT Alimentos Ltda. afirma, portanto, que os atestados mencionados anteriormente não
contêm informações claras e transparentes, podem ter sido objeto de fraude e, principalmente, não
comprovam a capacidade técnica da empresa Cook de realizar os serviços licitados, razão pela qual faz-se
necessária a reforma do ato administrativo que a considerou habilitada no Pregão Eletrônico nº 209/2014,
sob risco de haver sério vício de legalidade.
14. Assim sendo, e levando ainda em conta que o respectivo contrato administrativo já foi
firmado entre a CMB e a empresa vencedora da licitação, a representante requer ao TCU a adoção das
seguintes medidas (peça 1, p. 11-12):
a) determinar, em sede cautelar, a suspensão do contrato administrativo decorrente do certame
em foco, levando em conta a possibilidade de contratação emergencial para a execução do objeto licitado,
comunicando tal decisão ao pregoeiro da CMB;
b) receber a presente representação, para, no mérito, julgá-la procedente e declarar a nulidade da
decisão que classificou e habilitou, no Pregão Eletrônico nº 209/2014, a empresa Cook Empreendimentos em
Alimentação Coletiva Ltda.;
c) declarar nula a contratação da supramencionada empresa, dando curso à licitação com vistas
à convocação da próxima classificada para a apresentação dos documentos necessários à habilitação no
certame; e
d) admitir a representante na qualidade de interessada no processo, passando a enviar as
comunicações ao seu procurador, Sr. Rafael Fernandes Marques Valente, OAB/DF 37.410.
15. Consoante o art. 276 do RI/TCU, o Relator poderá, em caso de urgência, de fundado receio
de grave lesão ao Erário, ao interesse público, ou de risco de ineficácia da decisão de mérito, de ofício ou
mediante provocação, adotar medida cautelar, determinando a suspensão do procedimento impugnado, até
que o Tribunal julgue o mérito da questão. Tal providência deverá ser adotada quando presentes os
pressupostos do fumus boni iuris e do periculum in mora.
16. Analisando os elementos apresentados pela representante, evidencia-se, de pronto, a
ausência do pressuposto do periculum in mora, uma vez que a CMB e a empresa Cook Empreendimentos
em Alimentação Coletiva Ltda., vencedora da licitação objeto dos presentes autos, já firmaram contrato, cujo
extrato foi publicado no Diário Oficial da União de 17/4/2015, e os serviços contratados já foram iniciados,
conforme informado pela própria representante.
17. Ademais, verifica-se a presença do periculum in mora reverso, pois a concessão da medida
cautelar pleiteada implicaria na interrupção dos serviços que já vêm sendo prestados. Certamente, tal medida
acarretaria imensos transtornos para as atividades da empresa e aos seus servidores, considerando, dentre
outros fatores, que:
a) o restaurante da CMB é o único localizado naquele no parque industrial e não há outra opção
de alimentação próxima para atender os seus cerca de 3.000 empregados; e
b) parte desses funcionários encontram-se lotados nas fábricas da CMB, que funcionam 24
horas, em três turnos.
18. Destarte, não merece acolhimento o pedido de medida cautelar formulado pela empresa IT
Alimentos Ltda., levando em conta a inexistência dos pressupostos necessários para adoção da aludida
medida.
19. Quanto ao mérito da representação, visando concluir, ainda nesta etapa processual, a
formação de juízo sobre as questões suscitadas na representação e a proposição das medidas pertinentes,
encaminhamos mensagem eletrônica à unidade de auditoria interna da CMB, solicitando cópia do processo
administrativo referente à licitação em pauta (Processo nº 3.851/2013) e a eventual manifestação sobre as
informações apresentadas pela representante, caso fosse de interesse das áreas da CMB envolvidas com o
assunto. A CMB encaminhou os documentos solicitados, que compõem as peças 5 a 17 destes autos.
20. Consoante informações contidas na ata da sessão pública do pregão em tela, quatorze
empresas participaram do certame, realizado em 2/2/2015, que teve como proposta vencedora, após a etapa
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de lances, a oferecida pela empresa Provac Serviços Ltda., no valor de R$ 47.650.000,00 (peça 16, p. 159-
168).
21. Contudo, em 4/2/2015, essa empresa foi desclassificada da licitação, na fase de exame da
documentação referente à sua habilitação, uma vez que os atestados de qualificação técnica apresentados não
estavam em conformidade com os itens 4.1 e 4.1.1 do anexo II do edital, segundo avaliação da área gestora
da CMB (peça 13, p. 27-32). Na oportunidade, a licitante desclassificada não se manifestou quanto à
intenção de recorrer de sua inabilitação.
22. O pregoeiro convocou, então, a empresa Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva
Ltda., segunda classificada na etapa de lances com proposta de R$ 47.699.999,00, para a apresentação da
documentação de habilitação. Após a área gestora da CMB examinar e aprovar tal documentação, a referida
empresa foi declarada vencedora do certame, em 11/2/2015, no valor negociado de R$ 47.699.640,00 (peças
13, p. 33-34, e 14, p. 3-12).
23. Contra tal decisão, a IT Alimentos Ltda. e outras duas empresas (Provac Serviços Ltda. e
Convida Refeições Ltda.) apresentaram recurso, com conteúdos similares, que não foram acolhidos pela
autoridade competente, com base na manifestação do pregoeiro e no parecer da área jurídica da CMB,
verificando-se, em seguida, a homologação do resultado do processo licitatório (peças 14, p. 39-11, e 15, p.
151-162).
24. Na presente representação, a IT Alimentos Ltda. questiona a aceitação, por parte do
pregoeiro, dos atestados apresentados pela empresa Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda.
para fins de comprovação de sua qualificação técnica para realização do serviço licitado, principalmente no
tocante ao emitido pela FHEMIC, devido ao fato de o mencionado documento referir-se a refeições
transportadas, e não preparadas e servidas no próprio local, conforme previsto no item 4 Anexo II do edital
(peça 11, p. 118-246), abaixo reproduzido na integra:
‘4 - Qualificação Técnica:
4.1 Atestado(s) de Capacidade Técnica, preenchido(s) conforme modelo do ANEXO IX,
devidamente averbado(s) no CRN (Conselho Regional de Nutricionistas) da jurisdição onde foram
executadas as atividades, bem como CRN4 (4’ Região — Rio de Janeiro), expedido(s) por Pessoa(s)
Jurídica(s) de Direito Público ou Privado, que na condição de cliente(s) final(is), comprove(m) de forma
individualizada, que a licitante tem experiência bem sucedida, em fornecimentos similares ao objeto desta
licitação, demonstrando ter capacidade de preparar e servir refeições no próprio local, no mínimo de 80% do
total de refeições (almoço e jantar)/mês servidas na CMB, conforme previsto no subitem ‘1.20’ do ANEXO
I, parte integrante deste Edital, podendo a CMB diligenciar quanto a veracidade dos Atestados.
4.1.1 No caso de apresentação de mais de um Atestado, será permitido o somatório dos
quantitativos de refeições servidas (almoço e jantar) constantes dos Atestados de Capacidade Técnica, desde
que a quantidade descrita em cada Atestado não seja inferior a 14.000 (quatorze mil) refeições.
4.1.2 Na hipótese da licitante ter fornecido, ou estar fornecendo refeições para uma determinada
empresa, cuja política da mesma seja a emissão de atestado de capacidade técnica com modelo próprio, será
aceito, desde que respeitando os requisitos dos subitens 4.1 e 4.1.1, inclusive padrão de atendimento e a
quantidade mensal exigida (fornecimento de no mínimo 80% do total de refeições (almoço e jantar)/mês
servidas na CMB, no próprio local.’
25. Os três atestados em questão, que foram emitidos pela FHEMIG, Telemar/Telemig e
Petrobras, contêm as seguintes informações sobre o fornecimento de refeições (almoço e jantar) (peça13, p.
87-90 e 100-101):
a) FHEMIG: aproximadamente 5.200 refeições por dia transportadas e finalizadas para
funcionários, pacientes e acompanhantes, desde outubro de 2005;
b) Telemar/Telemig: 1.330 refeições servidas por dia, referente ao período de outubro de 1997; e
c) Petrobras: 461.207 refeições H.A., 106.553 refeições H.T. e 21.248 refeições térmicas, no
período de 22/12/2004 a 16/9/2006.
26. Esses atestados foram analisados pela área gestora do contrato, que identificou a
necessidade da empresa Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. esclarecer, em relação ao
número de refeições mencionadas nos atestados, quantas haviam sido efetivamente preparadas e distribuídas
no próprio local, separando o total informado por tipo de refeição (almoço e jantar).
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27. Assim, com base no disposto item 12.3 do edital, que facultava ao pregoeiro, ou à autoridade
a ele superior, em qualquer fase do certame, a realização de diligências com vistas a esclarecer ou a
complementar a instrução do processo, tais informações foram então solicitadas à licitante (peça 13, p. 145-
148), que forneceu, em relação ao total de refeições indicados nos atestados, as seguintes quantidades de
refeições preparadas e distribuídas no próprio local (peça 13, p. 140):
a) FHEMIG: 3.800 refeições/dia, sendo 3.100 almoços e 700 jantares, no total mensal de 83.600
refeições;
b) Telemar/Telemig: 1.330 refeições/dia, distribuídas por 1.200 almoços e 130 jantares, no total
mensal de 39.900 refeições; e
c) Petrobras: 29.450 refeições/mês.
28. A partir desses dados, e também levando em conta informação recebida da FHEMIG (peça
13, p. 150), atestando que as refeições constantes do contrato de refeições finalizadas haviam sido preparadas
e distribuídas nas suas dependências, a área gestora do contrato considerou que o atestado da FHEMIG
atendia de forma individualizada ao quantitativo mínimo de refeições/mês fixado no subitem 4.1 do anexo II
do edital, ou seja 56.320 refeições/mês (80% do total previsto de 70.400 refeições/mês). Também concluiu
que os outros dois atestados ficavam, isoladamente, abaixo do mínimo exigido, mas, quando somados os
seus quantitativos, o total obtido cumpria tal requisito, em consonância com o subitem 4.1.1 do aludido edital
(peça 14, p. 3-4).
29. Os atestados apresentados pela Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. não
informavam, expressamente, a quantidade de refeições preparadas e distribuídas nos locais das atestantes,
conforme previsto no instrumento convocatório, impossibilitando, dessa forma, a aferição do cumprimento
da condição fixada no edital quanto à qualificação técnica da licitante.
30. Contudo, essa etapa da licitação não deve limitar-se a simples verificação do atendimento
aos aspectos formais relativos aos requisitos fixados no edital, não sendo cabível inabilitar ou desclassificar
empresas em virtude de falhas ou pontos obscuros que possam vir a ser saneados ou elucidados. Ainda mais
no certame em pauta, considerando que os quantitativos informados nos atestados indicavam, pelo menos à
primeira vista, que a empresa já havia fornecido uma quantidade de refeições compatível com o mínimo
exigido.
31. Ocorrendo a situação acima mencionada, deve a comissão de licitação valer-se do previsto
no art. 43, § 3º, da Lei 8.666/1993, que prevê a possibilidade de realização de diligência, destinada a
esclarecer ou a complementar a instrução de processo, vedada a inclusão posterior de documento ou
informação que deveria constar originariamente na proposta.
32. Assim, a providência inicial da comissão de licitação foi, sem dúvida, acertada e revestida
de amparo legal, pois fazia-se necessário obter, via diligência, subsídios adicionais que suprissem as lacunas
de informação, de modo a possibilitar à comprovação, com razoável grau de segurança, da aptidão e da
capacidade de realização do serviço pela licitante, cuja proposta, naquele estágio do certame, era a mais
vantajosa para a administração.
33. Definido esse ponto, cabe examinar se a decisão do pregoeiro de habilitar a proposta da
Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda., com base nos elementos trazidos aos autos em
decorrência das diligências, não contrariou os preceitos legais que norteiam o processo licitatório e nem
afrontou o interesse público.
34. Conforme apontado pela representante, as informações do atestado original apresentado pela
empresa Cook e as contidas nos elementos obtidos por meio das diligências descrevem, de forma distinta, o
modo como o serviço foi prestado à FHEMIG. O atestado refere-se a refeições ‘transportadas e finalizadas
para funcionários, pacientes e acompanhantes’, enquanto as informações posteriores fazem menção a
refeições ‘preparadas e distribuídas’ na FHEMIG.
35. Não obstante essa divergência, o fato é que, após a realização das diligências, a comissão de
licitação dispunha de informações sobre a empresa Cook, atestadas por uma entidade de direito público,
comprovando que o licitante já havia realizado serviços com características e quantidades compatíveis com o
objeto do certame, atendendo, portanto, à condição de qualificação técnica prevista no art. 30, inciso II, da
Lei 8.666/1993.

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36. Assim, se considerasse inaceitável o atestado original da FHEMIG, não levando em conta as
informações oriundas das diligências, a comissão de licitação da CMB teria optado por uma interpretação
mais restritiva e formalista dos requisitos de habilitação técnica contidos no edital, em detrimento de uma
medida mais condizente com o interesse público, uma vez que a proposta da empresa Cook era a mais
vantajosa, além de, em princípio, não apresentar risco à segurança da contratação.
37. Vale lembrar, a propósito, que o art. 4º, parágrafo único, do regulamento da licitação na
modalidade de pregão, Anexo I do Decreto 3.555/2000 prevê que ‘as normas disciplinadoras da licitação
serão sempre interpretadas em favor da ampliação da disputa entre os interessados, desde que não
comprometam o interesse da Administração, a finalidade e a segurança da contratação’.
38. Ademais, mesmo se tal atestado não fosse acolhido pela comissão de licitação da CMB, em
razão da divergência de informações apontada pela representante, a soma dos quantitativos de refeições
contidos nos dois atestados oriundos da Telemar/Telemig e Petrobras atendia à condição alternativa para
comprovação da qualificação técnica da licitante prevista no subitem 4.1.1 do anexo II do edital.
39. Os outros pontos citados pela representante para refutar a habilitação da empresa Cook
Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. são também improcedentes, levando em conta que:
a) apesar do atestado da Telemar/Telemig ser antigo, o art. 30, § 5º, da Lei 8.666/1993 veda a
exigência de comprovação de atividade ou de aptidão com limitações de tempo ou de época;
b) o edital não fixou nota mínima de avaliação dos serviços prestados anteriormente, e nem
seria legal prever nenhuma exigência nesse sentido, como condição de qualificação técnica da licitante, logo,
a informação contida no atestado da Petrobras, no tocante à avaliação dos serviços prestados pela empresa
Cook, não poderia ser levado em consideração na fase de habilitação do certame;
c) não identificamos, nos carimbos e registros das averbações, pelos Conselhos Regionais de
Nutrição, exigidos pelo item 4.1 do anexo II do edital, os sinais de fraude apontados pela representante; e
d) a documentação contida na peça 15. p. 55-109, emitida pelo Ministério do Trabalho e
Emprego, comprova que a empresa Cook possui um quadro de empregados compatível com a relação de
profissionais informados à CMB, na fase de habilitação do certame.
40. Acrescente-se ainda que, segundo informação recebida da CMB, após uma fase de transição
de algumas semanas, a Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. iniciou a execução dos
serviços e, de acordo com as pesquisas de qualidade realizadas pela Ouvidoria daquela empresa pública,
houve melhorias em relação aos serviços prestados pela empresa anterior. A CMB considera então que não
há mais qualquer dúvida quanto à capacidade técnica da contratada (peça 5).
41. Assim sendo, não vislumbramos irregularidade na habilitação da empresa Cook
Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. no Pregão nº 209/2014, uma vez que nessa decisão não
restou configurada qualquer afronta ao interesse público, à finalidade do procedimento licitatório e nem à
segurança da contratação, sagrando-se vencedora do certame a empresa que ofereceu a melhor proposta e
logrou demonstrar a aptidão para ser contratada.
42. Contudo, faz-se necessário registrar que o percentual mínimo de 80% fixado no item 4.1 do
anexo II do edital do pregão em pauta contraria entendimento firmado pelo TCU em diversos julgados, no
sentido de que ‘constitui irregularidade a exigência, em edital de procedimento licitatório, de comprovação
de capacidade técnico-operacional em percentual mínimo superior a 50% dos quantitativos dos itens de
maior relevância da obra ou serviço, salvo em casos excepcionais, cujas justificativas deverão estar
tecnicamente explicitadas no processo administrativo anterior ao lançamento do respectivo edital, ou no
próprio edital e seus anexos, em observância ao inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal; inciso I do §
1º do art. 3º e inciso II do art. 30 da Lei 8.666/93’ (Acórdãos 2.383/2007, 2.898/2012 e 3.104/2013, dentre
outros, todos do Plenário do TCU).
43. Cabe assinalar que a exigência do supracitado percentual mínimo chegou a ser questionada
no âmbito da CMB, quando estava em elaboração o edital da licitação realizada anteriormente com o mesmo
objetivo (Pregão Eletrônico 192/2014), que foi revogada pela administração. Porém, apenas com base em
algumas observações formuladas pelos setores envolvidos, quanto à peculiar situação geográfica da CMB,
que não justificam, tecnicamente, a exigência de comprovação do fornecimento anterior de, no mínimo, 80%
do total de refeições/mês servidas na CMB, adotou-se tal exigência, que foi mantida no edital do Pregão
Eletrônico 209/2014, novamente sem a necessária justificativa técnica (peça 7, p. 140-148 e 248-264).

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44. Por outro lado, uma vez que essa questão não se reveste de gravidade bastante para ensejar
aplicação de multa, consideramos suficiente dar ciência à CMB da ocorrência verificada, nos termos do art.
7º da Resolução TCU 265/2014.
45. Com relação ao pedido da empresa IT Alimentos Ltda. de ingresso nestes autos como
interessada, sugerimos o acolhimento do pleito da representante, uma vez que ela demonstrou em sua
representação elementos que justificam o seu pleno interesse em agir no presente processo.
CONCLUSÃO
46. O documento constante da peça 1 deve ser conhecido como representação, por preencher os
requisitos previstos nos arts. 235 e 237, inciso VII do RI/TCU c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666/1993.
47. No que tange ao pedido de medida cautelar, entende-se que este não deve ser acolhido, por
não estarem presentes nos autos os requisitos do fumus boni iuris e do periculum in mora.
48. Quanto ao mérito, as questões suscitadas pela representante revelaram-se improcedentes,
não obstante seja necessário alertar a CMB que a exigência contida no item 4.1 do anexo II do edital do
Pregão Eletrônico 209/2014 contraria entendimento firmado pelo TCU, conforme assinalado anteriormente
nos itens 42 e 43 desta instrução.
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
49. Ante todo o exposto, sugerimos o encaminhamento dos autos ao Gabinete do Relator, Exmo.
Sr. Ministro Raimundo Carreiro, sugerindo a adoção das seguintes medidas:
a) conhecer do documento de peça 1 como representação, por preencher os requisitos de
admissibilidade previstos nos arts. 235 e 237, inciso VII do Regimento Interno deste Tribunal c/c o art. 113,
§ 1º, da Lei 8.666/1993, para, no mérito, considerá-la improcedente;
b) indeferir o pedido de medida cautelar, formulado pela empresa IT Alimentos Ltda., tendo em
vista a inexistência dos pressupostos necessários para adoção da referida medida;
c) dar ciência à Casa da Moeda do Brasil sobre a irregularidade verificada na condição de
habilitação prevista no item 4.1 do anexo II do edital do Pregão nº 209/2014, uma vez que a exigência, em
edital de procedimento licitatório, de comprovação de capacidade técnico-operacional em percentual mínimo
superior a 50% dos quantitativos dos itens de maior relevância da obra ou serviço, salvo em casos
excepcionais, cujas justificativas deverão estar tecnicamente explicitadas no processo administrativo anterior
ao lançamento do respectivo edital, ou no próprio edital e seus anexos, em observância ao inciso XXI do art.
37 da Constituição Federal; inciso I do § 1º do art. 3º e inciso II do art. 30 da Lei 8.666/93, para que sejam
adotadas medidas internas com vistas à prevenção de ocorrência de outras semelhante;
d) admitir a empresa IT Alimentos Ltda. como interessada nestes autos;
e) comunicar à representante, por meio do seu representante, a decisão que vier a ser adotada
nestes autos; e
f) arquivar o presente processo, com base no art. 169, inciso V, do RI/TCU.”

É o Relatório.

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VOTO

Conforme se extrai do Relatório precedente, trata-se de Representação, com pedido de


Medida Cautelar, formulada pela empresa IT Alimentos Ltda. EPP, CNPJ 01.711.147/0001-52, em
que são suscitadas possíveis irregularidades cometidas pela Casa da Moeda do Brasil na condução
do Pregão Eletrônico 209/2014.
2. O cerne da matéria em discussão nestes autos, a mim redistribuídos após o eminente
Ministro Raimundo Carreiro ter assumido a Presidência desta Casa, diz respeito à habilitação da
licitante Cook Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda., cuja proposta, no valor negociado
de R$ 47.699.640,00, foi declarada vencedora do referido certame.
3. Com as devidas vênias por dissentir da empresa representante, manifesto, desde já,
minha concordância com a análise de mérito empreendida pela Secretaria de Controle Externo da
Administração Indireta no Rio de Janeiro (SecexEstataisRJ), cuja argumentação adoto como razões
de decidir, eis que na instrução autuada como peça 18 restaram abordadas, com a devida
profundidade e abrangência, as questões jurídicas e fáticas necessárias ao adequado deslinde do
presente feito.
4. De fato, não se vislumbra qualquer irregularidade na habilitação da empresa Cook
Empreendimentos em Alimentação Coletiva Ltda. no Pregão 209/2014, uma vez que nessa decisão
não restou configurada qualquer afronta ao interesse público, à finalidade do procedimento
licitatório ou à segurança da contratação, sagrando-se vencedora do certame a empresa que ofereceu
a melhor proposta e logrou demonstrar a aptidão para ser contratada.
5. Conforme ressaltado pela unidade instrutiva, após realizar diligências com fundamento
no art. 43, § 3º, da Lei 8.666, de 21/6/1993, a comissão de licitação passou a dispor de informações
sobre a empresa Cook, atestadas pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG),
entidade de direito público, comprovando que a licitante já havia realizado serviços com
características e quantidades compatíveis com o objeto do certame, atendendo, portanto, à condição
de qualificação técnica prevista no art. 30, inciso II, da Lei 8.666/1993.
6. Ainda segundo a SecexEstataisRJ, mesmo na hipótese de não acolhimento desse
atestado por suposta divergência de informações, a soma dos quantitativos de refeições contidos em
dois outros atestados, oriundos da Telemar/Telecomunicações de Minas Gerais S.A.(Telemig) e da
Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), atendia à condição alternativa para comprovação da
qualificação técnica da licitante nos moldes do subitem 4.1.1 do anexo II do edital.
7. Agiu corretamente, portanto, a pregoeira, abstendo-se de lançar mão de interpretação
demasiadamente restritiva e formalista acerca dos requisitos de habilitação técnica contidos no
edital, preferindo se pautar, dentro da legalidade, de maneira mais condizente com o interesse
público, uma vez que a proposta da empresa Cook era a mais vantajosa, além de, em princípio, não
apresentar risco à segurança da contratação.
8. Nessas circunstâncias, não se sustentam as alegações apresentadas pela empresa IT
Alimentos Ltda. EPP como fundamento para esta representação, a qual deve, por conseguinte, ser
considerada improcedente, indeferindo-se o pedido cautelar e o de mérito formulados ao final da
peça inicial, sem prejuízo, entretanto, ao acolhimento da proposta apresentada pela unidade
instrutiva com vistas a induzir a Casa da Moeda do Brasil a adotar, em seus futuros certames,
cláusulas que se alinhem ao entendimento desta Corte de Contas a respeito da fixação de

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quantitativos mínimos, em termos percentuais, para fins de comprovação de capacidade técnica de


licitantes.
9. Como única divergência em relação ao exame empreendido pela SecexEstataisRJ,
entendo que não cabe reconhecer a representante como parte interessada nos autos, pois não foi
apresentada motivação suficiente como justificativa para tal pedido, havendo apenas a arguição de
possibilidade de “contribuir com o que for necessário para a apuração dos fatos noticiados” (peça 1,
p. 12, in fine), argumento este que perde razão de ser diante dos elementos de convicção já
carreados ao processo.
10. Ademais, a jurisprudência deste Tribunal, a exemplo dos Acórdãos 1.881/2014,
292/2014, 1.944/2013 e 2.219/2012 de Plenário, em consonância com o disposto no art. 6º, § 1º, da
Resolução-TCU 36, de 30/8/1995, exige que a pretensa interessada demonstre haver razão legítima
para intervir no processo ou possibilidade concreta de lesão a direito subjetivo em decorrência de
eventual deliberação que venha a ser adotada pelo Tribunal, o que não se verifica no caso em
estudo.
Com essas considerações, voto por que o Tribunal adote a deliberação que ora submeto
à apreciação deste Colegiado.

TCU, Sala das Sessões Ministro Luciano Brandão Alves de Souza, em 12 de abril de
2017.

AROLDO CEDRAZ
Relator

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ACÓRDÃO Nº 725/2017 – TCU – Plenário

1. Processo TC 010.462/2015-5.
2. Grupo II – Classe de Assunto VII – Representação
3. Interessados/Responsáveis: não há.
4. Órgãos/Entidades: Casa da Moeda do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda.
5. Relator: Ministro Aroldo Cedraz.
6. Representante do Ministério Público: não atuou.
7. Unidade Técnica: Secretaria de Controle Externo da Administração Indireta no Rio de Janeiro
(SecexEstataisRJ).
8. Advogados constituídos nos autos: José Guilherme Rodrigues da Costa (OAB/RJ 94.156), Hamilton
Pires de Castro Júnior (OAB/RJ 133.514), Luciana Pereira Diogo (OAB/RJ 122.433), Márcio Luís
Gonçalves Dias (OAB/RJ 93.770), Maria Fernanda Nascimento Silva Castellani (OAB/RJ 115.366),
Rafael Arbex Barcellos (OAB/RJ 129.490), Rafael Fernandes Marques Valente (OAB/DF 37.410),
Rodrigo Luiz Pessoa de Oliveira (OAB/RJ 131.041), Rômulo Henriques Lessa (OAB/RJ 145.408) e
Soraya Barreto Florim (OAB/RJ 145.278).

9. Acórdão:
VISTOS, relatados e discutidos os autos da presente Representação formulada pela
empresa IT Alimentos Ltda. EPP, que suscita possíveis irregularidades cometidas pela Casa da Moeda
do Brasil na condução do Pregão Eletrônico 209/2014,
ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão do
Plenário, em:
9.1. conhecer da presente Representação, com base no art. 237, inciso VII, do Regimento
Interno-TCU c/c o art. 113, § 1º, da Lei 8.666, de 21/6/1993, para, no mérito, considerá-la
improcedente;
9.2. indeferir, consequentemente, os pedidos de mérito formulados pela empresa
representante, assim como as solicitações por ela feitas com vistas ao seu ingresso nos autos como
parte interessada e à suspensão cautelar do contrato administrativo firmado em decorrência do Pregão
Eletrônico 209/2014;
9.3. dar ciência desta decisão à representante e à Casa da Moeda do Brasil, cientificando
esta entidade de que a condição de habilitação prevista no subitem 4.1 do anexo II do edital do Pregão
209/2014 deverá ser revista em futuros certames, pois está em desacordo com o entendimento deste
Tribunal de Contas acerca do tema (v.g. Acórdãos 2.383/2007, 2.898/2012 e 3.104/2013, todos do
Plenário), entendimento este segundo o qual, em obediência ao art. 37, inciso XXI, da Constituição
Federal de 1988, c/c os arts. 3º, § 1º, inciso I, e 30, inciso II, da Lei 8.666, de 21/6/1993, e em
consonância com o enunciado 263 da Súmula de Jurisprudência do TCU, a capacidade técnico-
operacional das licitantes não deve ser aferida mediante o estabelecimento de percentuais mínimos
superiores a 50% (cinquenta por cento) dos quantitativos dos itens de maior relevância da obra ou
serviço licitado, exceto em casos excepcionais, cujas justificativas deverão estar tecnicamente
explicitadas, o que não se verificou no caso em estudo neste TC 010.462/2015-5;
9.4. arquivar o presente processo, com base no art. 169, inciso V, do Regimento Interno-
TCU.

10. Ata n° 12/2017 – Plenário.


11. Data da Sessão: 12/4/2017 – Extraordinária.
12. Código eletrônico para localização na página do TCU na Internet: AC-0725-12/17-P.

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13. Especificação do quorum:


13.1. Ministros presentes: Raimundo Carreiro (Presidente), Walton Alencar Rodrigues, Augusto
Nardes, Aroldo Cedraz (Relator), José Múcio Monteiro, Ana Arraes, Bruno Dantas e Vital do Rêgo.
13.2. Ministro-Substituto convocado: Augusto Sherman Cavalcanti.
13.3. Ministros-Substitutos presentes: Marcos Bemquerer Costa, André Luís de Carvalho e Weder de
Oliveira.

(Assinado Eletronicamente) (Assinado Eletronicamente)


RAIMUNDO CARREIRO AROLDO CEDRAZ
Presidente Relator

Fui presente:

(Assinado Eletronicamente)
PAULO SOARES BUGARIN
Procurador-Geral

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