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CONTESTAÇÃO AO RECURSO DA COMISSÃO ELEITORAL-IGUATU NO PROCESSO

DE ELEIÇÃO PARA O DIRETÓRIO CENTRAL DAS E DOS ESTUDANTES


“CALDEIRÃO”, ENTIDADE REPRESENTATIVA DAS E DOS ESTUDANTES DA
UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI.

“As leis não bastam, os lírios não nascem das leis.”


(Carlos Drummond de Andrade)

1. Após a virada do milênio, iniciou-se um processo de ​interiorização das


universidades brasileiras, quando foram criadas, por exemplo, as ​UDs Iguatu,
Campos Sales e Missão Velha​, que sequer constam no atual Estatuto do DCE
URCA, datado de 2002. Essa interiorização ampliou o acesso da juventude
interiorana ao ensino superior público, não precisando mais deixar sua cidade de
origem para estudar na capital ou na RM do Cariri;

2. O papel de um Diretório Central de Estudantes consiste na construção de


posicionamento político do movimento estudantil nas instituições de ensino
superior, defendendo a educação pública, gratuita e de qualidade através de
processos decisórios coletivos e democráticos​. É salutar, portanto, a
participação de todas as unidades acadêmicas na discussão e deliberação de tais
posicionamentos, especialmente acerca de temas que produzem efeitos no cotidiano
do corpo discente da Universidade;

3. Nesse sentido, o atual estatuto do DCE Caldeirão, em seu artigo 24, reserva uma
diretoria para cada unidade acadêmica da então estrutura administrativa da
Universidade Regional do Cariri (URCA). Entretanto, fazendo menção a uma frase
que certamente todo estudante de Direito já escutou, ​“a sociedade caminha mais
rápido que o direito”. Com efeito, entre o ano de 2002 e Agosto de 2018, correram
16 anos, os quais foram significativos na alteração da estrutura administrativa da
URCA, notadamente a criação das UDs Iguatu, Missão Velha e Campos Sales, bem
como os Centros de Artes e de Educação;

4. O estatuto de 2002 contém diversos dispositivos ​anacrônicos e impraticáveis


perante a realidade universitária contemporânea. Portanto, correm sérios riscos
aqueles que pretendem interpretá-lo meramente à luz da literalidade de seus artigos.
Devemos, em contrapartida, utilizar o que há de melhor na hermenêutica jurídica: a
interpretação teleológica. São cristalinos os objetivos do estatuto, bem como da
própria entidade (DCE Caldeirão), senão vejamos: “Artigo 2º, I - representar o corpo
estudantil da URCA, ​defendendo seus interesses (...)”; assim como: “Artigo 2º, III -
defender e lutar pela ​democracia e autonomia universitária (...)”. Ora, como
pode-se defender os interesses estudantis e lutar por democracia dentro da
Universidade sem a participação das UDs e dos Centros citados no ponto anterior?
Esse seria o resultado de uma interpretação apenas literal do estatuto, tendo em
vista a inexistência das referidas unidades vinculadas à URCA;
5. Não sustentamos, entretanto, que tal descompasso entre o estatuto e a realidade
deve ser ignorado. Ao contrário, é necessária uma ​atualização ​do texto mediante a
convocação de um Congresso de Estudantes (Artigo 11, II), que possui competência
exclusiva para deliberação de alterações estatutárias. Não obstante, é de
conhecimento público os custos, tanto materiais quanto pessoais, para a realização
de tal evento. O próprio estatuto prevê através do parágrafo único do Artigo 10º a
participação do DCE Caldeirão na convocação e organização de um Congresso.
Logo, reativar a entidade é imprescindível para que a referida atualização
ocorra, independente da gestão eleita;

6. É competência do Conselho de Entidades, qual seja a reunião de todos os Centros e


Diretórios Acadêmicos devidamente eleitos e empossados, bem como do DCE
Caldeirão, em havendo gestão devidamente eleita e empossada, ​deliberar sobre a
interpretação do Estatuto (Artigo 21, II)​. A defasagem de tal documento
relacionada à ausência de uma série de unidades acadêmicas da URCA pode ser
caracterizada como um ​caso omisso (Artigo 21, II), ​razão pela qual o Conselho e o
próprio DCE são competentes para interpretar dispositivos específicos do estatuto à
luz dos princípios gerais e costumes - que, assim como a lei, também são fontes do
Direito;

7. O movimento estudantil não pode se limitar ao anacronismo, sob pena de se manter


no atraso e pouco permeável à participação estudantil e construção democrática. A
reabertura do DCE Caldeirão demanda um ​engajamento coletivo para que tão
importante entidade representativa possa retornar a exercer suas funções
institucionais. Nesse sentido, o Conselho de Entidades redigiu o regimento das
eleições, autorizando aqueles estudantes integrantes de Centros ou Diretórios
Acadêmicos a se inscreverem em chapas concorrentes ao Diretório Central dos
Estudantes. Haja vista a longa duração de inatividade do DCE, é imprescindível que
estudantes já integrantes de entidades representativas possam se apresentar ao
pleito geral, notadamente aquelas circunscritas às novas unidades acadêmicas,
gerando agilidade no ​fluxo de informações entre as entidades, bem como
garantindo ​experiência de possíveis diretores do DCE Caldeirão no desempenho de
suas funções estatutárias;

8. Negar a efetiva representação de todos os estudantes da URCA no atual processo


eleitoral é violar frontalmente não apenas os dispositivos específicos do estatuto,
mas sua integralidade principiológica e teleológica. ​A impugnação da eleição ao
DCE Caldeirão preserva as desarmonias existentes entre o estatuto e a
realidade. ​Neste sentido, pugnamos pela manutenção do atual processo eleitoral
com posterior realização de um Congresso de Estudantes para efetuar as alterações
necessárias para o fortalecimento de um movimento estudantil democrático,
participativo, autônomo e cumpridor de suas funções estatutárias.

Hugo Dantas
OAB nº 39.600
RECURSO COMISSÃO ELEITORAL-IGUATU: ANEXO I

Nota de Denúncia e Repúdio à Fraude do processo de eleições para a reativação do DCE.

Me chamo Bruno Leonardo e estou divulgando essa nota por email, redes sociais para que o máximo de
estudantes de Universidade Regional do Cariri possam tomar conhecimento e dar transparência ao processo
fraudulento e criminoso acerca da reativação do DCE.
Sou acadêmico do 8º semestre de direito da UDI Iguatu. Sou membro também do CA do referido curso e em
junho fomos abordados (assim como ocorreu em outras UDI´s) por pessoas que se diziam ser de “uma
comissão eleitoral” que estavam convocando nos CA´s da Urca para compor também tal comissão para a
retomada do antigo DCE há mais de 10 anos desativado.
Logo, como recém-integrante da “comissão eleitoral”, pude comprovar uma grande sequência grave de erros
acerca da construção. A princípio achei que fosse mera desatenção dos envolvidos, ou incapacidade para
executá-la. Infelizmente a primeiro momento não pude comprovar a gravidade de todos os erros (além de novos)
pois houveram grandes ressistências para apresentação de documentos básicos que tirariam minhas dúvidas,
como: ata que instituiu os primeiros intregrantes; atas de reunião; e até mesmo o próprio estatuto do qual
deveria ter sido baseado o edital.
Entre vários fatos que serão comprovados via judicial, exponho ainda em anexo o estatuto e a verificação fácil
do descumprimento do edital nos artigos:
Artigos feridos do Estatuto do DCE: 20 ao 24, 29 ao 31, 41, 47,48, 50 ao 55, 57 ao 59, 61 e 62.
Total de 23 artigos de 63 (36,5%) quase todos do processo eleitoral e da formação da diretoria.
Artigos irregulares do Edital (divergentes do estatuto ou já descumpridos): prefácio, 2 ao 11 (falta o 5), 13,17,
25,26, cronograma de eleição, 30 e até mesmo a assinatura (é de competencia do conselho , art 21, VIII do
estatuto). São 14 artigos de 33 (42,4%).
Também estão erradas completamentes as 2 erratas (que por ironia, deveria corrigir algo) que foram submetidas
de forma unilateral.
O maior absurdo porém é que mesmo com todos esses descumprimentos e erros, foi apresentado a proposta de
refazer o processo de forma correta. A principio todos concordaram com a solução lógica, porém mesmo
concientes de todos os erros, alguns voltaram atrás e decidiram continuar com o processo fraudulento (30/08).
Nesse caso, não me restou muito mais além de dar visibilidade aos fatos. Sendo que também está comprovado
interesses partidários e particulares que querem usar as lutas e bandeiras legitimas do movimento estudantil
para usarem como palanque partidário nas eleições nacional e estadual que se aproxima.
Sabendo disso fica fácil entender porque a quantidade absurda de “erros” é verificada. A maior pena é a
desligitimidade ao movimento que só afeta e afasta cada vez mais o estudantes que teriam interesses legitimos
em processos assim.
Nada mais a tratar, considero e exponho ANULADO, baseado no estatuto e edital (ainda que errado), por tempo
indeterminado o processo eleitoral até que o estatuto seja obedecido. E pra completar deixo claro que o não
cumprimento da anulação irá resultar em processo de: fraude, falsidade ideológica, formação de quadrilha e
afins.

ANEXO II - EDITAL ELEIÇÕES DCE CALDEIRÃO 2018


https://drive.google.com/file/d/1hMVSM9fegC26mpqfUup4P55R8CUYu681/view

ANEXO III - ESTATUTO DO DCE CALDEIRÃO (2002)


https://onedrive.live.com/view.aspx?cid=6A32E57BE14137F6&authKey=%21AFKsYqOpd0o
U8oA&resid=6A32E57BE14137F6%21247&ithint=%2Epdf&open=true&app=WordPdf