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ÍNDICE

INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1
1. A GLOBALIZAÇÃO E O SISTEMA TRIBUTÁRIO MOÇAMBICANO ............. 2
1.1. OBJECTIVOS DA POLÍTICA TRIBUTÁRIA .................................................... 2
1.2. A GLOBALIZAÇÃO E OS PRINCÍPIOS QUE ENFORMAM O SISTEMA
TRIBUTÁRIO .................................................................................................................. 3
1.3. OS IMPOSTOS NO SISTEMA TRIBUTÁRIO VIGENTE ..................................... 4
1.3.1. IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS COLECTIVAS
(IRPC) ............................................................................................................................... 4
1.3.2. IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS SINGULARES
(IRPS) ............................................................................................................................... 5
1.3.3. O IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO (IVA) .............................. 6
1.3.4. IMPOSTO SIMPLIFICADO PARA PEQUENOS CONTRIBUINTES (ISPC) ... 7
1.3.5. OS DIREITOS ADUANEIROS (DA) ................................................................... 7
1.3.6. O IMPOSTO SOBRE O CONSUMO ESPECÍFICO ............................................ 8
1.4. O PAPEL DA ADMINISTRAÇÃO FISCAL ....................................................... 8
1.5. IMPACTO DO SISTEMA TRIBUTÁRIO ........................................................... 9
1.6. PRINCÍPIOS DO SISTEMA TRIBUTÁRIO ..................................................... 10
1.6.1. EFICIÊNCIA ECONÓMICA. ......................................................................... 10
1.6.2. EQUIDADE. .................................................................................................... 10
1.6.3. EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. ............................................................... 10
1.7. BENEFÍCIOS FISCAIS ...................................................................................... 11
2. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 13
3. BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................... 14
INTRODUÇÃO
Os impostos cumprem uma importante função na nossa sociedade. Com os recursos
arrecadados via tributação, o Estado consegue financiar-se e prover bens públicos à
população. Saúde, educação e segurança pública são alguns dos exemplos que o Estado
na senda do assistencialismo fornece gratuitamente à sociedade em troca do pagamento
do imposto.
O alargamento da base tributária é o objectivo traçado pelo Governo com vista a diminuir
a dependência da ajuda externa e obtenção de maiores receitas internas, bem assim para
enfrentar os desafios da globalização em geral.
Sucede, porém, para um país com cerca de dez milhões de pessoas economicamente
activas , das quais apenas dez por cento pagam impostos (pouco mais de um milhão), o
grau de realização se afigura muito aquém do necessário para o equilíbrio das contas
públicas. O Estado ainda está muito aquém de reunir os fundos suficientes para fazer face
as despesas públicas, pelo que a contribuição de todos para o pagamento dos impostos
seria de grande utilidade, podendo alargar de forma significativa a base tributária, factor
que ajudaria no melhoramento do desempenho do Orçamento do Estado. Urge, pois,
alargar a base tributária.
É assim que, com o presente trabalho, cujo tema é ” A Globalização e o Sistema
Tributário Moçambicano” se vai discutir como qual foi o impacto da globalização para o
sistema tributário actual.
Em conformidade, pretendemos com o presente trabalho perceber como é composto o
sistema tributário vigente em Moçambique.
Por uma questão de metodologia expositiva, o trabalho é apresentado de modo contínuo
observando a enumeração correspondente.

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1. A GLOBALIZAÇÃO E O SISTEMA TRIBUTÁRIO MOÇAMBICANO
1.1. OBJECTIVOS DA POLÍTICA TRIBUTÁRIA
Decorre do artigo 127.º, n.º 1 da CRM que o Sistema Fiscal Moçambicano é
estruturado com vista a satisfazer as necessidades financeiras do Estado e das demais
entidades públicas, realizar os objectivos da política económica do Estado e garantir uma
justa repartição dos rendimentos e da riqueza.
Segundo ACIS (2011:69) deste princípio fundamental advém o entendimento de
que é pelas receitas públicas que o Estado realiza as necessidades públicas. A tributação
tem assim como principal objectivo a operacionalização de um mecanismo que garanta
uma eficaz colecta e redistribuição das receitas públicas em vista a promoção da justiça
social. Eficaz porque deverá garantir a consecução das metas orçamentais no que diz
respeito as receitas públicas e sua sustentabilidade ao longo do tempo, ao mesmo tempo
o sistema proporcionará recursos para o melhoramento dos serviços públicos, sem
sobrecarregar o sector privado e evitando alterações na pauta fiscal.
Concomitantemente, a recolha de receitas também possui funções extrafiscais,
como a utilização para a distribuição da renda e diminuição da desigualdade entre pessoas
e regiões. Serve também para a protecção da economia nacional, estímulo de actividades
de produção e geração de empregos. Deve, em tese, ainda, regular ou restringir o consumo
de produtos não essenciais, nocivos à saúde e de luxo. Pode estimular o desenvolvimento
económico e social promovendo a educação e cultura, fortalecer a economia informal,
facilitar a produção e muitos outros objectivos.
A criação, modificação e extinção de impostos segundo o princípio da legalidade
(artigo 127.º, n.º 2 da CRM) devem garantir um sistema fiscal justo. A carga tributária
imposta a cada agente deve estar de acordo com a sua capacidade de contribuição, isto é,
o sistema deve conceder tratamento igual para situações iguais e desiguais para situações
desiguais .
A doutrina maioritária considera que o sistema fiscal é considerado justo na base
de dois critérios: equidade vertical (requer que os indivíduos com maior capacidade de
pagamento suportem uma carga fiscal maior) e equidade horizontal (a distribuição da
carga fiscal deve efectuar-se de modo a que indivíduos com igual capacidade suportem a
carga), tudo no sentido de minimizar a evasão fiscal e estender a base tributária.

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Ainda assim o sistema fiscal deverá ser simples, evitando complexidades
administrativas e minimizando as diferenças arbitrárias na tributação, concorrendo deste
modo para que o contribuinte se predisponha a pagar o tributo, pois sabe como o imposto
foi calculado.Mais ainda, o sistema deve ser previsível, isto é, deve ser conhecido e ter
por base uma legislação estável e transparente, sem excessiva carga tributária e ainda
flexível para acomodar as mudanças necessárias.
Por fim a eficiência do sistema é aferida pela moderação das distorções do
impacto dos impostos na decisão sobre poupança, investimento, produção, comércio,
trabalho e consumo.

1.2.A GLOBALIZAÇÃO E OS PRINCÍPIOS QUE ENFORMAM O SISTEMA


TRIBUTÁRIO
De acordo com CHUVA (2007:33), diante de uma era completamente
globalizada, o sistema tributário Moçambicano sofreu grandes transformações, porem
note – se que houve uma grande mudança no que concerne ao sistema anterior, assim, o
artigo 100.º da CRM estabelece que “os impostos são criados ou alterados por lei, que os
fixa segundo critérios de justiça social”, sendo esta uma referência do texto constitucional
aos princípios da legalidade e da justiça social. IBRAIMO (2002:63)
O texto constitucional é, a este respeito, complementado pela Lei ordinária,
encontrando-se os princípios que regem a organização e o funcionamento do sistema
tributário nacional e fixam as respectivas bases sistematizados em dois diplomas
complementares, respectivamente:
- Lei nº 15/2002, de 26 de Junho – Lei de Bases do Sistema Tributário;
- Lei nº 2/2006, de 22 de Março – Lei Geral Tributária.
São princípios e conceitos básicos estabelecidos por estes dois diplomas:
Princípios Gerais:
- A tributação visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e de outras
entidades públicas e promove a justiça social, a igualdade de oportunidades e a necessária
redistribuição da riqueza e do rendimento;
- A tributação respeita os princípios da generalidade, da igualdade, da legalidade,
da não retroactividade, da justiça material e da eficiência e simplicidade do sistema
tributário, não havendo lugar à cobrança de impostos que não tenham sido estabelecidos
por lei;

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- Estão sujeitos ao princípio da legalidade tributária a incidência, a taxa, os
benefícios fiscais, as garantias e obrigações dos contribuintes e da administração
tributária e o regime de infracções tributárias.
Princípio da Legalidade Tributária:
- As bases da política de impostos e o sistema fiscal são definidos por Lei, nos
termos da Constituição;
- A Lei de Bases do Sistema Tributário determina a incidência, as taxas e os
benefícios fiscais dos impostos nacionais, as garantias e as obrigações do sujeito passivo
e da administração tributária, bem como os procedimentos básicos de liquidação e
cobrança de impostos;
- A Lei das Finanças Autárquicas determina a incidência, as taxas e os benefícios
fiscais dos impostos autárquicos;
- O exercício da justiça tributária é garantido através dos tribunais das jurisdições
fiscal e aduaneira para tutela plena e efectiva de todos os direitos ou interesses legalmente
protegidos em matéria tributária.

1.3. OS IMPOSTOS NO SISTEMA TRIBUTÁRIO VIGENTE


Com a globalização, o sistema tributário de Moçambique passou a integrar impostos
nacionais e autárquicos.
Os impostos autárquicos passaram a ser definidos em Lei própria.
Para efeitos do presente trabalho, atermo-nos-emos sumariamente a cada uma das seis
categorias de impostos mais importantes, nomeadamente o IRPC, o IRPS, os DA, o IVA,
o ICE e o ISPC. Com efeito, segundo Rogério Ossumane , os cinco primeiros impostos
representaram, em conjunto, 87% do total das receitas fiscais no período de 1999 a 2008,
distribuídos da seguinte maneira: IVA (40%), IRPS (15%), DA (15%), IRPC (11%) e
ICE (5%). Esta apresentação foca no grupo de incidência e na taxa de imposto.

1.3.1. IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS COLECTIVAS


(IRPC)
A Lei n.º nº 34/2007, de 31 de Dezembro, aprovou nova redacção ao Código do
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas, aplicável aos rendimentos do
exercício de 2008 e seguintes, ficando revogados o Decreto n.º 21/2002, de 30 de Julho,
suas alterações e demais a legislação complementar em contrário.
São tributadas em IRPC (sujeitos passivos):

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- As sociedades comerciais e as demais pessoas colectivas de direito público ou
privado com sede ou direcção efectiva em território moçambicano, pela totalidade dos
seus rendimentos, incluindo os obtidos fora do território nacional, sem prejuízo das regras
de prevenção da dupla tributação internacional aplicáveis;
- as entidades, com ou sem personalidade jurídica, que não tenham sede nem
direcção efectiva no território nacional, relativamente apenas à parcela dos respectivos
rendimentos obtidos no País e aqui não sujeitos a Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares (IRPS).
Para efeitos de sujeição a imposto consideram-se obtidos no território nacional
os rendimentos imputáveis a estabelecimento estável aí situado, e bem assim os que, não
se encontrando nessas condições, sejam relativos a imóveis aí situados, ou respeitem a
rendimentos cujo devedor tenha residência, sede ou direcção efectiva em território
nacional, ou cujo pagamento seja imputável a um estabelecimento estável nele situado.
A taxa do IRPC é de 32%, salvo as situações previstas na Lei (artigo 61.º, n.º 1
do CIRPC).

1.3.2. IMPOSTO SOBRE OS RENDIMENTOS DAS PESSOAS SINGULARES


(IRPS)
A Lei nº 33/2007, de 31 de Dezembro, aprovou nova redacção do Código do
Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares, aplicável aos rendimentos do
exercício de 2008 e seguintes, ficando revogados o Decreto n.º 20/2002, de 30 de Julho,
suas alterações e demais a legislação complementar em contrário.
O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS) incide sobre o
valor global anual dos respectivos rendimentos, expressos quer em dinheiro quer em
espécie, seja qual for o local onde se obtenham e a moeda e a forma por que sejam
auferidos, mesmo que provenientes de actos ilícitos, classificados nas seguintes
categorias:
- Primeira Categoria: rendimentos do trabalho dependente;
- Segunda Categoria: rendimentos empresariais e profissionais;
- Terceira Categoria: rendimentos de capitais e das mais-valias;
- Quarta Categoria: rendimentos prediais;
- Quinta Categoria: outros rendimentos.
São sujeitas a IRPS as pessoas singulares que residam no território nacional, pela
totalidade dos respectivos rendimentos, incluindo os produzidos fora desse território, e as
não residentes, pelos rendimentos aqui obtidos.

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O IRPS incide sobre o rendimento do trabalho (independentemente da fonte de
rendimento e contrariamente ao imposto do trabalho substituído) e inclui 5 escalões de
rendimento sujeitos a taxas progressivas de 10%, 15%, 20%, 25% e 32%.
Estas taxas podem variar para cada escalão de rendimento de acordo com outros
critérios como o estado civil e o número de dependentes. Beneficiam de isenção os
rendimentos anuais inferiores a 36 salários mínimos, do salário mínimo mais elevado em
31 de Dezembro do ano a que dizem respeito os rendimentos, ficando o excedente sujeito
ao imposto.
Os incentivos fiscais atribuídos às empresas beneficiam igualmente da segunda
categoria do IRPS que abrange os rendimentos de trabalhadores por conta própria,
profissionais e empresas individuais.

1.3.3. O IMPOSTO SOBRE O VALOR ACRESCENTADO (IVA)


A Lei nº 32/2007, de 31 de Dezembro, aprovou nova redacção do Código do
IVA, ficando revogados o Decreto nº 51/98, de 21 de Setembro, e suas alterações, os
Decretos nºs 78/98 e 79/98, ambos de 29 de Dezembro, os Decretos nºs 34/99, 35/99 e
36/99, todos de 1 de Junho, e a demais legislação complementar em contrário.
O IVA entrou em vigor em 1999 em substituição do imposto de circulação e do
imposto de consumo, visando eliminar o efeito cascata destes impostos. Este imposto
incide sobre o consumo fnal (uma vez que o IVA pago em consumo intermédio é
recuperável) tanto dos produtos produzidos em território nacional bem como sobre os
produtos importados.
O IVA é cobrado a uma taxa de 17% para as empresas com vendas anuais
superiores a 250.000Mt e a uma taxa de 5% sobre as vendas brutas para empresas com
volume de negócios inferiores a 250.000Mt e superiores a 100.000Mt que são abrangidas
pelo regime simplifcado (substituído em 2009 pelo ISPC correspondente a uma taxa de
3% sobre as vendas brutas das empresas com volume de negócios entre 750.000Mt e
2.500.000Mt).
As empresas com vendas inferiores a 100.000Mt (750.000Mt em 2009) estão
isentas.

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1.3.4. IMPOSTO SIMPLIFICADO PARA PEQUENOS CONTRIBUINTES
(ISPC)
Foi aprovado pela Lei nº 5/2009, de 12 de Janeiro, o Imposto Simplificado para
Pequenos Contribuintes com o objectivo de reduzir custos de cumprimento das
obrigações tributária, encargos de fiscalização e controlo através das simplificação dos
procedimentos, bem como incentivar os contribuintes registar-se e pagar imposto.
Refira-se que a tributação dos sujeitos passivos no ISPC é de carácter optativo.
Para os sujeitos passivos que optem pela tributação em ISPC, sobre as transmissões de
bens e prestações de serviços que realizem não há lugar ao IVA e, sobre os rendimentos
obtidos, não incide IRPS ou IRPC.
Os sujeitos passivos de ISPC que aufiram outros rendimentos, para além de
rendimentos classificados como da segunda categoria em sede de IRPC (rendimentos
empresarias e profissionais), são tributados em ISPC apenas relativamente aos
rendimentos desta categoria, devendo os restantes rendimento serem declarados para
efeitos de tributação em IRPS.
As pessoas singulares ou colectivas que desenvolvam actividades agrícolas,
industriais ou comercias, bem como a indústria transformadora e a prestação de serviços
(incluindo exportadores e importadores), podem optar pela tributação em ISPC, desde
que: (i) o volume de negócios do ano anterior seja inferior ou igual a 2.500.000,00MT; e
(ii) não sejam obrigados, para efeitos de IRPS ou IRPC a possuir contabilidade
organizada.
Ficam isentos do ISPC os sujeitos passivos com um volume de negócios
equivalente a 36 salários mínimos do salário mínimo mais elevado em 31 de Dezembro
do ano anterior ao que respeitam os negócios.A taxa anual do ISPC é de 75.000,00MT
ou, alternativamente, a taxa é de 3% sobre o volume de negócios desse ano.

1.3.5. OS DIREITOS ADUANEIROS (DA)


O Decreto n.º 39/2002, de 26 de Dezembro, aprova as Instruções Preliminares e
o texto da Pauta Aduaneira em vigor, com as alterações posteriormente introduzidas pela
Lei n.º 2/2007, de 7 de Fevereiro.
Os direitos aduaneiros dizem respeito às tarifas a que estão sujeitas as
importações do país. As taxas prevalecentes encontram-se discriminadas na pauta
aduaneira do país.

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Esta componente tem tendência decrescente em grande parte devido aos acordos
de liberalização do comércio adoptados pelo país no âmbito da SADC, da OMC e de
outros acordos que conduzem a maior liberalização do comércio. É neste sentido que a
Lei nº 3/2007, de 7 de Fevereiro, reduz de 25% para 20% a taxa geral dos direitos de
importação incidente sobre bens de consumo.

1.3.6. O IMPOSTO SOBRE O CONSUMO ESPECÍFICO


A Lei nº 17/2009, de 10 de Setembro, aprova o actual Código do Imposto sobre
Consumos Específicos.
O ICE incide sobre bens considerados de consumo supérfluo (por exemplo,
jóias), prejudiciais à saúde e ao ambiente (como, por exemplo, bebidas alcoólicas,
cigarros, e motores de veículos) a taxas que vão de 15% a 65%. O CBF não providencia
a lista específica de bens que beneficiam de isenções por via do ICE. Estas podem ser
encontradas nas isenções específicas por produtos e por sectores (por exemplo, a isenção
na importação de veículos motorizados para transporte de bens ou outros bens necessários
para o desenvolvimento das actividades das empresas no caso das empresas em ZFIs e,
no caso do CBF 2009, iates importados pelos sectores de hotelaria e turismo).

1.4.O PAPEL DA ADMINISTRAÇÃO FISCAL


Segundo OSSEMANE (2009:58) em muitos países em desenvolvimento, as
remunerações, a gestão de recursos humanos e a gestão do sector público, criam
condições que tornam difícil, se não impossível, recrutar e manter funcionários altamente
qualificados na área tributária . Se é verdade que este é um problema que afecta, de modo
geral, todo o sector público, pode se perguntar porque dar uma especial atenção à
administração fiscal?
Neste particular, vale considerar o estudo de Bruce Bulnick para quem o
fortalecimento da administração tributária deve ser uma prioridade do Governo tendo em
conta os seguintes aspectos:
- Os impostos são a principal fonte de receitas para financiar as despesas
públicas; assim, maior eficiência na colecta de receitas constitui a chave para a expansão
e melhoria dos todos os serviços públicos e a redução em relação à dependência externa;
- A estruturara do sistema fiscal provocar uma forte influência no crescimento
económico e na redução da pobreza, através do seu efeito no volume e eficiência do
investimento, produção, comércio, criação de emprego e poupança;

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- Diferente de outras rubricas do orçamento, uma maior alocação de recursos à
administração fiscal pode contribuir para a aumento de fundos disponíveis em outras
rubricas ou para reduzir as taxas fiscais (impostos) gerando incentivos para uma maior
expansão económica;
- O sistema fiscal tem um impacto importante na equidade, através da incidência
fiscal entre os diferentes grupos sociais;
- A eficiência da administração fiscal é uma componente essencial da boa
governação e uma fraca administração fiscal torna-se forte numa aliada forte da corrupção
e má gestão da economia.
Este autor, em resumo, considera que o aumento da efectividade, eficiência,
profissionalismo e integridade da administração fiscal, constitui um elemento importante
para a estabilidade macroeconómica, ajustamento estrutural, crescimento e equidade –
afectando todos os sectores da economia, a provisão de serviços públicos e a qualidade
da governação.
A criação da Autoridade Tributária pela Lei n.º 1/2006, de 22 de Março,
constituiu um passo gigantesco rumo à profissionalização dos serviços tributários.
Comparando com os anteriores mecanismos organizacionais na função pública, a AT é
dotada de um alto grau de autonomia de gestão, incluindo a flexibilidade para definir a
remuneração e tomar decisões sobre o recrutamento, promoção e retenção de quadros. A
criação da AT também cria as bases para se obter ganhos importantes em termos de
eficiência através da integração de operações comuns.
Todavia, segundo a USAID , até à data, a integração das alfândegas e dos
serviços tributários nacionais tem sido limitada, envolvendo em grande medida funções
de serviços de retaguarda (back office). Pode ser conseguida uma maior eficiência através
da integração de operações de arrecadação de receitas tais como auditoria, gestão da
dívida, gestão do risco e processamento dos reembolsos, assim como funções de apoio,
tais como gestão de recursos humanos, junção da base de dados dos contribuintes,
desenvolvimento de sistemas de TI e serviços ao cliente.

1.5.IMPACTO DO SISTEMA TRIBUTÁRIO


A consagração do sistema fiscal face as taxas fixadas tem invariavelmente um
impacto em termos gerais no investimento, na poupança e emprego, no desenvolvimento
do sector privado e na justiça e equidade.

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A discussão dos impactos fiscais é, em muitos aspectos, equivalente a uma
revisão dos princípios básicos da tributação. O objectivo fundamental da tributação é,
como se viu, aumentar o volume da receita para financiar o fornecimento de bens e
serviços públicos. O princípio adveniente é, portanto, que o sistema tributário deve ser
eficaz na mobilização e sustentação da receita. Porém, os impostos têm uma influência
subtil nas decisões económicas das pessoas e das empresas e na equidade social. Tendo
em vista estes efeitos, o sistema tributário deve conseguir atingir o nível adequado de
receitas da maneira mais eficiente e justa possível.
1.6.PRINCÍPIOS DO SISTEMA TRIBUTÁRIO
Segundo o estudo da USAID que temos vindo a reportar, um sistema tributário
devidamente desenhado deve também obedecer a outros três princípios:
1.6.1. EFICIÊNCIA ECONÓMICA.
Um sistema tributário eficiente minimiza as distorções do comportamento
económico causadas pelos impostos de modo a incentivar a produtividade e o crescimento
económico. As considerações sobre a eficiência económica são particularmente
importantes para os países de baixa renda, como Moçambique, os quais têm menos
condições de suportar o custo da má afectação dos recursos, que pode ser evitado.
Os efeitos da eficiência também estão relacionados com a previsibilidade. Um
regime fiscal que está sujeito a mudanças inesperadas ou à aplicação arbitrária da lei
constitui um factor de risco importante para os investidores.

1.6.2. EQUIDADE.
Um sistema tributário justo é caracterizado pela equidade vertical (cobrando
proporcionalmente mais aos que possuem mais rendimentos) e pela equidade horizontal
(que concede um tratamento relativamente uniforme e não discriminatório aos
contribuintes em circunstâncias económicas semelhantes). Também minimiza a carga
fiscal nos pobres e evita cargas fiscais excessivas ou imposições arbitrárias. A justiça
constitui um objectivo fundamental em si. Além disso, as percepções de justiça podem
corroer o cumprimento da lei e minar a sustentabilidade do sistema tributário.

1.6.3. EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.


O sistema tributário deve também ser administrado de maneira eficiente, com a
devida consideração quer aos custos directos da cobrança de impostos, quer aos custos
inerentes ao cumprimento suportados pelos contribuintes. Até mesmo a melhor legislação
fiscal produz maus resultados se não for devidamente administrada. Em países com uma

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capacidade institucional limitada e uma fraca capacidade por parte dos contribuintes de
lidarem com as complexidades da gestão financeira, a simplicidade constitui uma virtude.

1.7.BENEFÍCIOS FISCAIS
Nos termos do artigo 9.º da Lei de Bases do Sistema Tributário, os benefícios
fiscais são medidas de carácter excepcional e tendencialmente temporárias que impedem
ou reduzem a tributação, a manifestação da capacidade contributiva e prosseguem
objectivos extrafiscais, nomeadamente de orientação da economia e considerados de
interesse público relevante.
Os benefícios fiscais podem revestir a forma de isenção, redução de taxas,
dedução à matéria colectável e a colecta, amortizações e reintegrações aceleradas e
quaisquer outras formas favoráveis ao sujeito passivo.
Em relação a questão dos benefícios fiscais, situamo-nos como Rogério
Ossemane , é preciso que esteja claro que os benefícios fiscais representam um custo
para o país. O facto de um projecto trazer vários benefícios líquidos para o país não
justifica automaticamente a concessão de benefícios fiscais. Só fará sentido incorrer em
custos fiscais se a obtenção desses benefícios for dependente da concessão dos benefícios
fiscais.
Num país que apresenta défices crónicos nas suas contas públicas, a concessão
de incentivos fiscais não pode ser feita de ânimo leve. Para que o país esteja em condições
de analisar a relevância dos incentivos fiscais, antes da sua concessão é necessário
desenvolver um conhecimento mais profundo da quantidade e qualidade dos recursos que
o país possui, o seu valor de mercado (actual e tendências futuras) e os interesses e
dificuldades dos potenciais investidores.
O mesmo autor acrescenta que este conhecimento do valor, a riqueza do país é,
em si, um factor de atracção do investimento, ao mesmo tempo que permite o aumento
do poder negocial do país.
Quando aliado a uma maior clareza do que o país pretende e pode obter da
exploração das suas riquezas ao longo do tempo, permite simultaneamente expandir os
benefícios da sua exploração (por exemplo, usando a informação sobre as tendências do
valor da produção no mercado para determinar o melhor momento para autorizar a
exploração de determinado recursos) e reduzir os custos fiscais (por exemplo, quanto mais
rentável for o produto no mercado, menos relevante se torna a concessão de incentivos
fiscais).

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Ademais, os incentivos fiscais, mesmo que relevantes na atracção de
investimento, não devem perder o seu foco nos objectivos estratégicos de promoção de
emprego, aumento e diversificação da produção e exportações, formação da mão-de-obra,
desenvolvimento tecnológico, etc. Para tal, não basta tomar a decisão da sua concessão
num determinado momento. É fundamental que o sistema de concessão de incentivos
fiscais esteja ligado a um sistema de monitoria de desempenho determinante para a
continuidade dos incentivos e os moldes da sua concessão. Este sistema não só permitiria
reduzir os custos fiscais para o país como funcionaria como um mecanismo para estimular
impactos mais positivos dos projectos em relação a indicadores estratégicos de
desenvolvimento.
Vale, a propósito ter presente o ensinamento de Martin Brownbridge para quem
“a eficácia dos incentivos fiscais como forma de ultrapassar obstáculos ao investimento
depende das condições e características de investimento do país anfitrião. De uma forma
geral, é melhor identificar os obstáculos efectivos ao investimento e procurar resolvê-los
de forma directa”. Enfrentar obstáculos não fiscais pode ser uma opção mais eficaz para
atrair investimento do que procurar igualar os incentivos fiscais concedidos por outros
países, especialmente se isso resultar numa corrida descendente à medida que os países
competem por investimentos e nenhum deles recolhe daí impostos significativos.

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2. CONCLUSÃO
A guisa da conclusão, nota – se portanto que a estrutura fiscal de um país é o
conjunto de tributos associados às suas respectivas bases de cálculo e de alíquota. As
alterações na estrutura fiscal podem provocar impacto sobre a arrecadação das receitas
tributárias em consequências de extensão ou redução da base tributária.
Variações na base tributária podem ter um efeito positivo sobre a arrecadação se
elas significarem um aumento da base. Um exemplo disso seria o fim de determinados
benefícios fiscais como os concedidos sobretudo aos megaprojectados e as entidades
ligadas a indústria extractiva. O fim dos benefícios fiscais é entendido como um
alargamento da base, pois um número maior de contribuintes passa a ser alcançado pela
norma tributária. Por outro lado, a criação de um benefício fiscal traz efeitos negativos
sobre a arrecadação, já que reduz o número de contribuintes que a norma tributária visa
alcançar.
No que diz respeito à taxa de incidência, ela, no geral, tem um efeito positivo sobre a
arrecadação.
Os países de modo geral têm de ser cautelosos na forma como aumentam a proporção dos
impostos no rendimento nacional, especialmente aqueles onde já há um esforço fiscal
elevado. A solução raramente reside no mero aumento das taxas fiscais. Muitas vezes, é
melhor baixar a carga fiscal enquanto se eliminam as isenções e se amplia a base tributária
a novos contribuintes. Existe um limite, porém, para a quantidade de impostos que a
administração fiscal consegue recolher, mesmo sendo a mais eficaz. Para os países com
um elevado nível de impostos, o principal caminho para alargar a quota fiscal é a
ampliação da base tributária através do desenvolvimento do sector privado. A existência
de uma tributação justa, eficaz e eficiente é uma condição crucial para o desenvolvimento,
mas uma reforma fiscal (não obstante dever ser uma prioridade) não é um substituto para
uma agenda eficaz de desenvolvimento.

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3. BIBLIOGRAFIA
ACIS, O Quadro Legal para Impostos em Moçambique, n.º 1, Maputo, 2011
IBRAIMO, Ibraimo, O Direito e a Fiscalidade: Um Contributo para o Direito Fiscal
Moçambicano, Arte C, Maputo, 2002
CHUVA, António et al., Colectânea de Legislação Aduaneira, CFJJ, Maputo, 2007
MINISTÉRIO DAS FINANÇAS, Boletim de Estatísticas Tributárias, Autoridade
Tributária, Edição Zerv. Séries anuais: 2006-2011
OSSEMANE, Rogério, Desafios de Expansão das Receitas Fiscais em Moçambique,
IESE, Maputo, 2009
SERRA, Carlos, História de Moçambique, Volume 1, Livraria Universitária, Maputo,
2000
USAID, Revisão do PARPA II - Sistema Tributário em Moçambique, Volume I, Nathan
Associates Inc., 2009

LEGISLAÇÃO
Constituição da República de Moçambique
Lei nº 2/2006, de 22 de Março (Lei Geral Tributária)
Lei nº 15/2002, de 26 de Junho (Lei de Bases do Sistema Tributário)
Lei n.º 1/2006, de 22 de Março (Cria a Autoridade Tributária de Moçambique)
Lei nº 33/2007, de 31 de Dezembro (Aprova o Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Singulares)
Lei nº 34/2007, de 31 de Dezembro (Aprova o Imposto sobre o Rendimento das
Pessoas Colectivas)
Lei nº 5/2009, de 12 de Janeiro (Cria o Imposto Simplificado para Pequenos
Contribuintes)
Lei nº 32/2007, de 31 de Dezembro (Aprova o Imposto sobre o Valor
Acrescentado)
Lei nº 17/2009, de 10 de Setembro (Aprova o actual Código do Imposto sobre
Consumos Específicos)

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