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A Batalha da Alemanha

Caem os últimos redutos alemães

Luta final na Alemanha


Batalha de Viena
Luta nos Cárpatos
Queda de Praga
Fim de luta na Grécia e na Iugoslávia
A morte de Mussolini

Nos primeiros dias de abril de 1945, os efetivos do General Hodges que atuavam em território alemão
operavam de acordo com as seguintes diretrizes: a ala esquerda, depois de envolver os contrafortes do Harz,
tomaria Nordhausen no dia 10 do mesmo mês; em seguida, depois de tomar a direção nordeste, passaria pelo
Saale em Konnern e chegaria a 14 de abril diante de Dessau. A cidade, sob o assédio das formações
americanas se renderia posteriormente a 22, juntamente com Bitterfeld. Por fim, a 25, os efetivos de Hodges
atingiram o Elba, a nordeste de Dessau, entre Vittenberg e Coswig.

A cidade de Leipzig, por sua vez, ficou sob fogo de artilharia no dia 16 de abril. O ataque final, programado
para o dia 17, foi executado a 18 e, na noite de 19 para 20, os blindados americanos penetraram na cidade.
Durante as operações preparatórias contra Leipzig, os carros médios americanos tinham alcançado, no dia
16, Wurzen, sobre o rio Mulde, 20 km a leste. A 25 de abril aconteceu um episódio que teria repercussão
mundial. De fato, às 01h:40min desse dia, uma patrulha americana da 69 a Divisão de Infantaria, composta
pelo Tenente William Robertson e três soldados, fez contato com uma patrulha soviética, que estava sob o
comando do Tenente Selvashko. O encontro deu-se sobre a ponte destruída de Torgau. Os soviéticos
integravam a 58a Divisão de Infantaria da Guarda. No mesmo dia, foi feito mais um contato. Esse contato se
deu em Riesa, também sobre o Elba, a 60 km a leste de Leipzig.

A 26 de abril, em Torgau, o General Reinhart, comandante da 69 a Divisão americana, entrevistou-se com o


Major-General Russakov, comandante da 58a Divisão de Infantaria da Guarda.

A 27 de abril de 1945, finalmente, Stalin, Churchill e Truman anunciavam ao mundo que a Alemanha
acabava de ser dividida. Já não existiam, como conseqüência disso, as frentes do Leste e do Oeste.

Agora começava o momento decisivo da batalha final, a investida para eliminar os gigantescos bolsões
criados pela junção das tropas.

Durante esse mesmo período, o exército de Patton não tinha ficado inativo. Desde o dia 11 até o dia 18 tinha
mantido a sua penetração na direção leste, avançando 130 km em seis dias, dos arredores de Efurt até aos de
Chemnitz, com uma marcha balizada pela conquista de Efurt, Weimar e o campo da morte de Buchenwald
no entroncamento de Saole, feito no dia 12, entre Jena e Naumburg. Penetrando pela rodovia Frankfurt-
Dresden, os Sherman chegaram no dia 14 ao norte de Chemnitz, cidade que cairia em mãos dos americanos a
19. Jena, por sua vez, seria ocupada a 13, Zeitz, sobre o Elster, a 14, Gera a 15, Greiz e Plauen a 17 e
Zwickau a 18. A partir desse momento, a ala esquerda do 3 o Exército não avançou mais. E foi justamente na
ala direita que Patton jogou o peso das suas doze divisões de infantaria e seis blindadas.

A 19 de abril, Patton iniciou, ao sul dos montes de Franconia, a operação que o conduziria até Linz. Partindo
de Coburgo, que caiu em suas mãos a 11, Patton dilatara suas linhas até ficar em condições de se lançar sobre
a Bohemia.

A 14 de abril, a 11a Divisão Blindada entrava em Bayreuth e as divisões de infantaria avançaram


penosamente em Frankenwald, apoderando-se a 16 de Hof, cruzando a fronteira checa em Gottmannsgrun, a
10 km de Hof, a 18 de abril às 9h:55min. A pequena cidade checa de Ash, a 20 km a noroeste de Eger caiu a
26. Entretanto, tão logo a rodovia de Berlim a Nuremberg foi liberada para o trânsito, o general americano
transferiu a maior parte das suas forças para o sul de Frankenwald.

A partir do dia 27 de abril, Patton iniciou um vasto movimento para o sul, na direção do Danúbio. Descendo
pelo Vale do Naab; apoderou-se, a 22, de Welden, Tiscenreuth, Nabburg e Schwarzenfeld, chegando a
Ratisbona. A 23 ocupava Amberg e a 25 chegava a Altmühl. No mesmo dia tomava Cham e Regen, e a 26,
encontrava-se em Tittburg, a 16 km a noroeste de Passau, começando a campanha do Danúbio.

Os exércitos do Norte

De 11 até 26 de abril, os dois exércitos britânico e canadense continuaram o seu avanço para o Mar do Norte
e para os redutos holandeses, encontrando em sua marcha uma resistência muito mais tenaz do que os seus
camaradas dos exércitos do centro.

Na Baixa Holanda, os canadenses, que tinham forçado a 13 de abril a passagem de Ijssel em sua confluência
com o Nieder Rhein, apoderaram-se, no mesmo dia, de Arnhem, e partindo da cabeça-de-ponte de Deventer
tomaram, a 17, Apeldoorn.

Os alemães, entretanto, depois de inundarem os arredores de Utrecht, destruindo os diques entre Hilversum e
Amersroort, retiraram-se para a linha de defesa de Grebbe, construída pelos holandeses antes da guerra, ao
longo do rio Eem, para proteger os grandes portos do oeste. Os canadenses, finalmente, atingiram a linha a
21 de abril, mas detiveram-se ante a região inundada.

No norte da Holanda, depois de se terem reunido aos batalhões de pára-quedistas franceses lançados em
Assen, os canadenses alcançaram, a 15 de abril, o Mar do Norte em Ternaar, entre Leuwaarden e Groninga.
Leuwaarden foi abandonado pelos nazistas no mesmo dia, e a 16, depois de três dias de duros combates, a
guarnição de Groninga se rendeu. No dia anterior à queda de Groninga, os efetivos aliados tinham ocupado
Meppen, ao norte de Zwolle, atingindo, assim, o Zuyder Zee, junto ao estuário do Ems.

A 17, foi ocupado o porto de Harlingen. A esta altura dos acontecimentos, além da região ocidental do país,
não ficavam em mãos dos alemães mais do que bolsões isolados que iam sendo eliminados um a um.

Entretanto, enquanto o 2o Exército britânico avançava para Bremen e Hamburgo, uma parte das forças
canadenses conquistava o setor compreendido entre as baías de Jade e Dollart. Seguindo logo para o rio Ems,
os canadenses esbarraram com uma fortíssima resistência inimiga sobre o canal Kusten, que une Ems com
Oldemburgo. A cabeça-de-ponte que estabeleceram a 17 foi alvo de numerosos contra-ataques alemães nos
dias subseqüentes. Papenburg foi conquistada a 22, mas a 25 os alemães se defendiam obstinadamente em
torno de Leer e Oldemburgo.

Por último, o General Dempsey, marchando para o nordeste, continuou o ataque a Bremen e Hamburgo.
Depois da chegada dos ingleses a Vegesack, a 15, e a Rotenburg, a 19, o porto de Bremen tinha ficado
definitivamente sitiado. Delmenhorts foi ocupada a 20 e, de 21 em diante, os preparativos para atacar a
cidade e o porto de Bremen tiveram início. O ataque foi, finalmente, desencadeado na noite de 23 para 24 e,
dois dias mais tarde, a guarnição alemã se rendeu. A luta no setor do porto continuou durante todo o dia
seguinte. Nos molhes e oficinas de reparações foram capturados 17 submarinos alemães.

A marcha sobre Hamburgo foi, também, muito rápida. A 12 de abril, os elementos blindados lançaram-se
para o Elba sem encontrar resistência, através das planícies desoladas de Lüneburg. No dia 17, os "ratos do
deserto" da 7a Divisão Blindada americana atingiram Soltau e, dirigindo-se para o norte, chegaram a 19 a
Buchholtz, a 6 km de Harburg, cidade situada na margem esquerda do Elba, em frente a Hamburgo. Seus
camaradas da 11a Divisão Blindada, acompanhando a estrada Celle-Lüneburg, passavam, a 17, por Uelzen,
onde o guarnição local se defendeu até o dia 21, e tomavam, a 19, Lüneburg, preparando a travessia do Elba,
na direção de Lübeck.

Em 25 de abril, a cidade de Buxtehude foi conquistada e sitiada Harburg, enquanto o Elba era atingido ao
norte de Horneburg. Entre Bremen e Hamburgo, por outro lado, era ocupado Zeven. O assalto a Hamburgo
estava próximo.
Os exércitos do Sul

De 11 até 25 de abril, o 6o Grupo de Exércitos do General Devers empenhou-se na batalha do Danúbio. Na


Selva Negra, o General de Lattre apoderou-se de Rastatt e Baden-Baden a 12, Offenburg a 17, Stuttgart a 22,
Ulm a 23 e alcançou a margem do Lago Constanza.

A sua esquerda, o General Patch encontrou um obstáculo muito difícil de ser superado. Descendo para o sul,
entre o Necker e o Rednitz, numa frente de 145 km, tinha que transpor os Alpes. Procedendo como seus
camaradas, na base de rápidas penetrações de blindados que deixavam atrás de si numerosos contingentes
alemães cercados, o General Patch lançou-se pela direita de Heilbronn, que caiu a 12 de abril, até Stuttgart e
Ulm, enquanto sua ala esquerda, que tinha partido de Bamberg, onde havia chegado a 15, desceu para Fürth
e Nuremberg.

A grande cidade bávara, uma das cidades sagradas do nazismo, foi completamente ocupada a 20 de abril,
depois de violenta luta com os efetivos da 17a Panzergrenadier e vários milhares de SS.

Guüzenhausen foi tomada a 22 e o 105° Batalhão de Cavalaria americano dirigiu-se imediatamente para o
sul, em direção a Donauwörth.

A ala direita da 12a Divisão Blindada alcançou o Danúbio em Dallingen a 21 de abril, apoderando-se de um
porto que se encontrava ainda intacto e estabelecendo uma cabeça-de-ponte sobre a margem direita do rio.

Ulm caiu em mãos americanas a 23, colaborando na batalha tropas francesas. Nos dias seguintes uma dura
luta foi travada no Canal de IIIer, na direção de Augsburgo.

Assim, no momento que os Aliados do leste e do oeste cortavam em dois o território da Alemanha, as últimas
forças da Wehrmacht, esgotadas e no limite da sua resistência, não ofereciam mais do que combates
esporádicos no norte e no sul do país. Desde 1 o até 22 de abril, os anglo-americanos tinham aprisionado
992.578 alemães. O exército alemão ainda possuía na frente ocidental vinte divisões organizadas.
Finalmente, tinha chegado a hora da batalha para eliminação dos bolsões que restavam: na Holanda, no Mar
do Norte, no triângulo Hamburgo-Torgau-Stettin e, principalmente, no setor meridional (Bohemia, Baviera
do sul, Áustria e norte da Itália).

Os últimos bolsões

Entre o dia 26 de abril e os primeiros dias de maio, as operações efetuadas pelos Aliados no Ocidente foram
essencialmente dirigidas no sentido de reduzir os bolsões do norte e do sul. No setor central, os 1 o, 3o e 9o
Exércitos mantiveram-se em suas posições, esperando a chegada dos efetivos soviéticos.

No setor canadense, as últimas batalhas tiveram como cenário os bolsões de Delfzijl, que foi eliminado a 2
de maio, e o de Oldemburgo, que caiu no dia seguinte.

Dempsey, por sua vez, mostrou-se mais ativo. Seus efetivos atravessaram o Elba em Lauenburg, no dia 29,
dirigindo-se de imediato para Lubeck e Wismar. No dia seguinte, uma nova travessia foi feita em Blecked, a
leste de Lüneburg. Na emergência, enquanto a infantaria se entrincheirava nas cabeças-de-ponte, apesar da
ação da Luftwaffe, das embarcações alemães que patrulhavam o rio e dos homens-rãs sabotadores, os
efetivos blindados dirigiram-se velozmente para o sul.

A 2 de maio, finalmente, a 11 a Divisão Blindada britânica ocupou Lubeck, enquanto a 6 a Aero-transportada


alcançava o Báltico em Wismar. Mais atrás, entretanto, a infantaria abria uma brecha em Schwerin e Mölln.
A Dinamarca ficava, assim, isolada do resto da Alemanha.

O fim da resistência alemã encontrava-se, minuto após minuto, mais próximo. Num só dia, 2 de maio,
Dempsey tinha aprisionado 100.000 alemães no setor determinado por Lubeck-Wismar-Schwerin. A 3 de
maio, por último, o general alemão Wolz ofereceu à 7 a Divisão Blindada britânica a rendição de Hamburgo,
declarada cidade aberta.
No setor do Báltico, entretanto, a 11 a Divisão Blindada ocupava Travemünde. Os efetivos alemães dos 1 o e 2o
Exércitos Panzer, que se retiravam ante a pressão soviética, procuraram render-se ao Marechal Montgomery
que recusou a oferta, declarando que só aceitaria a rendição dos generais alemães von Manteuffel e von
Tippelskirch.

No mesmo dia, paralelamente, os efetivos soviéticos e ingleses estabeleciam um primeiro contato no setor de
Wismar. Os soldados soviéticos pertenciam à Segunda Frente da Rússia Branca.

Os alemães, finalmente, tentaram efetuar um supremo esforço para se dirigirem à Dinamarca e Noruega. De
fato, mais de trezentos navios se dirigiram para o norte, mas os repetidos ataques dos Typhoon, Tempest e
Spitfire da 2a Força Aérea Tática ocasionaram-lhes graves perdas.

Por último, a 4 de maio, todas as forças alemães do noroeste da Alemanha se renderam incondicionalmente a
Montgomery. Até o dia 7, como conseqüência disso, os efetivos poloneses ocuparam Wilhemshaven e os
canadenses, Emden.

No mesmo dia, 7 de maio, em Wismar, os Marechais Montgomery e Rokossovsky mantiveram uma


entrevista.

No dia 9 do mesmo mês, uma formação naval britânica ancorou frente a Copenhague, e a 10, por último,
tropas inglesas e norueguesas entravam triunfalmente em Oslo.

No setor central devem ser destacados os contatos com os soviéticos em Tangermunde, sobre o Elba, a 28 de
abril, em Apollensdorf a 29, em Ballox, ao norte de Arneburg, a 2 de maio, e em Grabow no dia seguinte. A 4
de maio, os restos dos 9o e 12o Exércitos alemães renderam-se ao 9 o Exército americano, que, a partir de 7 de
maio, de acordo com os pactos militares, abandonou suas cabeças-de-ponte no Elba, ao sul de Magdeburgo,
para deixar em seu lugar os efetivos soviéticos.

Foi no setor meridional, em compensação, que a luta se manteve tenazmente até o último minuto.

O General Patton ocupou a 27 Ingolstadt e Ratisbona. Ordenou, em seguida, uma conversão na sua marcha,
colocando os seus blindados no rumo sudeste, deixando Munique para Patch e tomando a direção geral Linz-
Salzburgo. No dia 30 de abril, depois de tomar Landshut e Freising, Patton forçou a passagem por Isar; como
conseqüência, 17.000 prisioneiros caíram em mãos aliadas. No dia seguinte o Inn foi alcançado, em Braunau,
cidade natal de Adolfo Hitler: No dia 3 de maio, os efetivos americanos estavam dispostos praticamente ao
longo de 160 km do rio, desde Rosenheim até Passau. No dia seguinte caíram Weis e Linz, e a 5 de maio
Steyr era alcançada, nas margens do Ems. Na linha Steyr-Mouthausen os americanos se uniram às tropas
soviéticas do Marechal Tolbuchin.

Na sua marcha pela Bohemia, Patton tinha atingido Pilsen, Praga e Budejovice.

Patch, por sua vez, forçando a passagem do Danúbio, entre o Ulm e Ingolstadt, apoderou-se desta última a 28
de abril e entrou em Munique no dia seguinte. Sua ala direita desceu, então, para o sul, ao longo do Lech,
atingindo a fronteira austríaca em Füssen, a 29, entrando a 30 em Garmisch-Partenkirchen e Oberammergau,
chegando a Innsbruck a 2 de maio e estabelecendo contato com o 5 o Exército americano no dia 4 de maio,
depois de ter cruzado o Brennero.

Sua ala esquerda, depois de ter conquistado Munique, dirigiu-se para leste, acompanhando a rodovia
Munique-Viena e alcançando Salisburgo no dia 4 de maio. No mesmo dia, os tanques da 2 a Divisão Blindada
francesa que operavam em conjunto com o exército de Patch, entraram em Berchtesgaden, o "ninho da
águia" do Führer.

O 1o Exército francês, depois de completar o cerco da Floresta Negra e tomar Constanza a 26 de abril, entrou
a 1o de maio na Áustria, ocupando, no decorrer do seu avanço, Friedrichshafen, Lindau e Bregenz.

A batalha de Viena

Depois do total fracasso da ofensiva alemã lançada na direção do Danúbio, Malinovsky e Tolbuchin
passaram, por sua vez, à ofensiva. O objetivo principal era, neste caso, Viena.
O Führer tinha projetado impedir a união dos efetivos inimigos do leste e do oeste, e continuar, assim, a
resistência nas montanhas da zona meridional do país. Bohemia, Baviera e Tirol foram convertidos desta
forma no seu principal e último reduto. Por outro lado, a Bohemia e a Áustria eram consideradas as regiões
mais ricas e úteis da economia de guerra alemã. As grandes fábricas Skoda produziam 22% dos veículos
alemães e grande parte de seus canhões (Flak 40, de 128 m, SFH de 150 mm e peças de 88 mm). As fábricas
BATA, por sua vez, especializaram-se em canhões antiaéreos e a CKD produzia tanques. Além disso, nessa
área estavam instaladas numerosas fábricas de armas de menor porte, munições e instrumentos ópticos. Tudo
isso contribuía para transformar a Bohemia no último arsenal do Reich.

Por outro lado a Hungria e a Áustria representavam para a Alemanha suas últimas reservas de petróleo
natural. A zona de Viena tinha sido, depois dos grandes bombardeios aliados sobre a Alemanha, convertida
numa região fortemente industrializada. As maiores fábricas de aviões estavam em Wiener-Neustadt
(Messerschmitt), em Viena e em Steyr (Junkers) e em Schwechat (Heinkel).

As fábricas de locomotivas de Henschel foram transferidos, por sua vez, de Cassel para Viena. A I.G. Farben
se instalara em Woofsegg-Trauental, a Krupp em Viena e as fundições Hermann Goering em Linz. Além
disso, desde há muito tempo, em Viena estavam em atividade cinco refinarias de petróleo e grandes
indústrias metalúrgicas (Simmering, Siemens, Daimler e Puch).

A partir de 1943 a Áustria tinha produzido seis milhões de toneladas de ferro, um milhão e meio de toneladas
de aço e um milhão e meio de toneladas de petróleo.

Por todas estas razões, em fins de 1944 foi construída uma linha de defesa, constituída principalmente por
fortificações de campanha para proteger a linha ferroviária de Udine a Viena, que passava por Graz e
Maribor e que encerrava a última via de comunicações com a Itália.

O ponto fraco deste sistema defensivo, contudo, estava situado no centro do dispositivo, no Vale do Danúbio.
Os alemães procuravam salvar a situação deslocando o 6 o Exército Panzer, mas a manobra fracassou quando
os soviéticos dirigiram o grosso de suas forças mais para o sul, na direção geral Wiener-Neustadt.

A operação foi iniciada no dia 23 de março e foi dirigida, inicialmente, por Tolbuchin, que avançou 65 km
sobre uma frente de 100, apoderando-se de Szekesfehervar, Vesprzem, Mor e Zirc. Ao terminar o primeiro
dia de luta os soviéticos já tinham feito 6.000 prisioneiros, destruído 745 carros blindados e 800 viaturas de
transporte.

No dia seguinte, Malinovsky entrou em ação entre o Lago Velenczei e Esztergom. Superando as resistências
alemães o marechal soviético forçou as defesas inimigas sobre os montes Vertes, reconquistou Felsoegalla e
Esztergom, avançando para Tata e Neszmely, enquanto Tolbuchin, continuando a sua penetração, ocupou
Varoslod.

No dia 25, o sistema defensivo alemão foi totalmente desarticulado. Tolbuchin avançou pela planície,
conquistou Papa e Devecses, atacando a linha do Raab debaixo de uma poderosa proteção aérea.

O dia 28 foi trágico para os alemães. Malinovsky, avançando ao longo da margem norte do Danúbio,
conquistou Komaron e Gyor, na confluência do Raab, que foi transposto no mesmo dia por Tolbuchin, em
Sarvar. As forças blindadas soviéticas avançaram até Csorna, sobre a linha Gyor-Wiener-Neustadt. Os
alemães tinham perdido o controle do entroncamento ferroviário Gyor-Szombathely e foram obrigados a
estabelecer sua nova linha defensiva sobre o Lago Neusiedl, última proteção de Wiener-Neustadt e de Viena.
A pressão soviética, contudo, não diminuía. No dia 29, a conquista de Koszeg e Kapuvar assinalava o início
do cerco do Lago Neusiedl, enquanto a ocupação de Szombathely concluía a conquista do território húngaro.

No dia 30 de março, enquanto a ala direita de Tolbuchin consolidava suas posições, a esquerda, com o
exército búlgaro, passava ao ataque no norte e no sul do extremo ocidental do Lago Bolaton, destroçando as
defesas inimigas, avançava 30 km na direção de Graz e ocupava a cidade de Zalaegerszeg.

Ao norte do Danúbio, por seu lado, a ala direita de Malinovsky movimentou-se para Bratislava. O avanço se
desenvolveu com grande velocidade, progredindo de 35 a 40 km por dia.
Ao norte do Danúbio, também, o exército do General Shumilov e a cavalaria do General Pliev atravessaram
o Vah a 31 de março e conquistaram Bratislava a 4 de abril.

Ao sul do Lago Neusiedl, a grande cidade industrial Wiener-Neustadt caiu em mãos de Tolbuchin no dia 3 e,
a partir deste momento, começou a preparação do ataque direto contra Viena, onde "Sepp" Dietrich tinha
assumido o comando. A 5, os subúrbios de Modling caíram e, a 8, o Danúbio foi alcançado pelo oeste da
cidade, na região de Tulln.

No dia 7 de abril os soldados de Malinovsky e Tolbuchin uniram-se nos subúrbios sudeste da capital
austríaca e o cerco se fechou sobre Viena. A 8 de abril os arsenais e as estações do oeste da cidade foram
ocupados, bem como os do sul e do leste. Enquanto isso, os Stormoviks e a artilharia soviética
bombardeavam a cidade. A 9 tinham sido conquistados o Parlamento, a Prefeitura e a Ópera. Os tanques
soviéticos combatiam no parque Schoenbrunn, enquanto eram ocupadas as colinas de Leopoldsberg e
Kahlenberg, que dominavam a cidade pelo noroeste.

Paralelamente, Malinovsky avançava pela planície de Marschfeld, entre Morávia e Viena, e conquistava
Wagram a 10 de abril e Asfern e Essling a 11. No dia 13 de abril, Stalin anunciou ao mundo a queda de
Viena, capital da Áustria. Os prisioneiros capturados entre 16 de março e 13 de abril totalizavam 130.000,
enquanto onze divisões blindadas, entre as quais se encontrava a 6 a Panzer SS, tinham sido destruídas. Os
tanques alemães, postos fora de combate no decorrer do luta, somavam 1.345.

Depois da conquista de Viena, os operações diminuíram em intensidade na Áustria. As vanguardas soviéticas


se detiveram em Saint Polten, sobre o Danúbio, a 50 km a oeste de Viena, enquanto a luta se intensificava na
Checoslováquia.

Depois da queda de Viena, o próximo grande objetivo era Praga.

As operações nos Cárpatos

A 25 de março a penetração soviética detivera-se às portas da Morávia, onde Rotibor e Rybnik resistiam aos
ataques de Koniev. Nos Cárpatos centrais, ao longo do Vale do Voh e do Hron, as vanguardas soviéticas
encontravam-se diante de Ruzomberok e sobre a linha Bonska-Bystrico-Zvolen-Leva.

O objetivo final era Praga, contudo o quadrilátero da Bohemia se encontrava bem defendido; ao norte e ap
oeste pelas montanhas e as fortificações permanentes, a leste pelos Cárpatos, e ao sul pelo Danúbio.

Os soviéticos pressionavam por todos os lados. Jeremenko forçou finalmente a barreira defensiva, depois de
atravessar os Cárpatos brancos. No norte, sua ala direita conquistou Moravska-Ostrova e abriu caminho para
o sul. A Bohemia foi completamente cercada no dia 6 de maio, no momento em que Malinovsky e
Jeremenko uniram as suas forças em Olomuc. As divisões de Schoerner, entretanto, lutaram até o fim, até
caírem sob o fogo dos tanques soviéticos, vindos de Dresden. Foram os tanques de Koniev que entraram em
Praga a 10 de maio.

As forças de Schoerner foram obrigadas a ceder suas posições; perdendo 672.000 prisioneiros, 1.000 aviões,
1.200 tanques e 4.500 caminhões.

As últimas operações na Iugoslávia

Depois da evacuação de Atenas, a 12 de outubro, e da Salonica, a 30, o Grupo de Exércitos F, que


compreendia 21 divisões, tinha-se retirado para a Sérvia, deixando perto de 21.000 soldados nas ilhas gregas
(Creta, Milo e Dodecaneso). Durante cinco meses, os alemães retiraram-se lentamente para a Croácia,
defendendo-se o leste das divisões búlgaras e lutando contra os guerrilheiros de Tito.

Em fevereiro de 1945 tinham, contudo, doze divisões na Iugoslávia, de onde controlavam Mostar, Sarajevo,
os Vales do Bosna e do Sava. Quatro divisões foram enviadas para a Hungria, uma estava sediada em Creta e
outras quatro estavam dispersas. No setor ocidental do país a situação era confusa. As ilhas estavam em mãos
dos comandos britânicos, enquanto que os guerrilheiros de Tito controlavam a costa dálmata até Zara.
Desde fevereiro os alemães concentraram suas forças na Croácia. Não puderam impedir, contudo, a queda de
Sarajevo, que foi libertada a 7 de abril. Os iugoslavos, por sua vez, atacaram no dia 15, em direção a Fiume,
tomando a 20 de abril o porto de Bakar, a 6 km ao sul da cidade. A 21, além disso, efetuou-se um
desembarque na ilha de Cherso. A 1o de maio, finalmente, os efetivos de Tito uniram-se, em Monfalcone,
com os do General Mac Creery, que vinham do leste. No mesmo dia entraram em Trieste. Lubiana foi
libertada a 7, Klagenfurt e Zagabria a 8.

Os efetivos alemães na Iugoslávia, nessa época, subiam a 230.000 homens, dos quais 100.000 eram alemães,
25.000 húngaros, 35.000 croatas e 70.000 soldados do general russo Vlossov.

Anexo
A derrocada completa
O general alemão Franz Halder, ex-chefe do Estado-Maior alemão enunciou desta maneira o conceito apropriado para o
Führer como dirigente: "Os problemas de direção da guerra que era necessário resolver após a penetração do inimigo
escapavam na maioria das vezes à arte militar de Hitler.
"Grupamentos de tropas em luta desesperada, cujos comandos locais não mais dispunham de reservas nem de meios de
comunicação, fizeram o impossível na esperança de poder defender a pátria diante da comprovada superioridade do
inimigo, dotado prodigamente de todos os meios para a luta.
"Hitler já não contava com a sua poderosa influência. Vez por outra, carente como estava de conselheiros aos quais
pudesse seriamente considerar como tais, conseguia estabelecer uma comunicação com o exterior, de sua secretaria em
Berlim. Então dava ordens insensatas, que demonstravam um completo desconhecimento da situação.
"Desta forma, algumas vezes intentava arremeter contra o inimigo, que avançava para o Elba, um 'exército' cuja
organização no Hartz estava prevista, porém que nunca chegou a constituir um verdadeiro exército; outras pretendia
empregá-lo na direção de Berlim, e assim, depois que russos e americanos se encontraram em Cottbus, transmitiu a um
grupo de exércitos que combatia em condições difíceis a grande distância, entre Saxônia e Silésia, a ordem de atacar
imediatamente, com todos os seus tanques, sobre Berlim, a fim de concluir vitoriosamente a batalha da capital. Este
grupo de exércitos estava comprometido até o último homem pelo ataque de um inimigo muito superior e, além disso,
não possuía, àquela altura, nenhuma unidade de veículos blindados, nem combustível e nem munições. Tudo isto se fez
saber a Hitler através de uma linha telefônica subterrânea. Contestação: 'O grupo de exércitos pode muito bem fazê-lo,
porém não quer.'
"É neste ato que terminam as suas 'vocações de comando', apregoadas com fanfarras para todo o mundo. Em seus
últimos estertores procura escudar-se atrás da desculpa que a propaganda fizera circular, em forma de rumores, a partir
de Stalingrado: 'O que desejava o dirigente era o acertado, todavia os generais fizeram fracassar suas idéias.' O fracasso
devido à própria culpa oculta-se na suspeita de sabotagem.
"Duas idéias deste dirigente continuaram gravitando mesmo quando a sua influência nos destinos da condução militar
era praticamente nula.
"Uma delas constituía o chamado 'reduto dos Alpes'. Muitas unidades alemães comandadas por oficiais criteriosos
acreditavam nesses redutos, e lutaram em situações difíceis para abrir caminho e colocar a salvo suas tropas.
Que vinha, afinal, a ser este reduto? Uma quimera de Hitler e nada mais. Isto pode ser comprovado por qualquer um
que conheça a região dos Alpes alemães. Hitler imaginara que todas as unidades alemães, que não mais eram capazes de
sustentar-se em campo aberto, poderiam ser ali reunidas, numa região que oferecia potencial natural, especialmente
contra os tanques e a aviação,
"Se nos Alpes germano-austríacos houvesse existido bases capazes de assegurar a alimentação das tropas e a produção
bélica, com possibilidades para completar as unidades alemães, fortemente castigadas, ou se ao menos tivessem sido
acumulados meios suficientes para o prazo de um ano, compreender-se-ia que existissem pessoas capazes de acreditar
nesta idéia.
"Não se dispunha de nada, absolutamente de nada... salvo as superabundantes provisões de todos os tipos acumuladas
no castelo de Hitler, em Obersalzberg.
"Porém, mesmo quando ainda existia o necessário, não tinha sido possível retirar o exército alemão para os Alpes. E
teria ele podido ocultar-se ali para reaparecer como fator decisivo, ou, ao menos, como substancial ajuda no momento
em que os Aliados do este e do oeste conseguiram apertar-se as mãos?
"Não se trata de uma ironia barata o objetivo desta pergunta. São idéias saídas da mente de Hitler e que tiveram
aceitação até por pessoas que, por sua experiência militar, deveriam ficar apartadas desses delírios. Constituem uma
prova terrível da nefasta ação que as idéias de Hitler como 'dirigente' supremo produziram nos conceitos de comando
militar e nos círculos das forças armadas.
"A outra idéia foi a ordem de Hitler de destruir a Alemanha. Este país que não foi capaz de levá-lo à vitória demonstrara
não ser digno de sua grandeza e, portanto devia acabar. Estas não constituem idéias isoladas ou desesperadas, não é a
impotente frustração do ocaso. São idéias que o Führer já havia expressado anteriormente com calma e clarividência
completas, quando do início da campanha da Rússia.
"Uma Alemanha que não soubesse vencer deveria ser aniquilada, não pelo poder do vencedor, mas sim pela vontade do
Comandante Supremo e ditador.
"Esta concepção só 'pode ser compreendida por quem tenha convivido pessoalmente com Hitler. Para ele, quando se
encontrava no auge do poder, não existia a Alemanha apesar de, com tanta freqüência, a ter nos lábios; para ele não
existiam tropas alemães de cujo bem-estar e de cujos sacrifícios se sentisse responsável; para ele - no início
inconscientemente e nos últimos anos com plena consciência - só existia uma coisa que dominasse sua vida, a que tudo
sacrificou: sua força demoníaca, sua própria personalidade, a qual colocou em lugar dos interesses do povo, daquele
povo a que tanto dizia servir."

O esforço comum
"Ao Marechal Stalin, do Presidente Truman.
"Pessoal e reservado.
"Confirmo haver recebido vossa mensagem de 23 de abril, pelo que sou agradecido. O texto da declaração que
proponho dar a público no dia e hora a serem indicados pelo General Eisenhower é o seguinte:
"Os exércitos anglo-americanos, sob o comando supremo do General Eisenhower, fizeram junção com as forças
soviéticas no lugar fixado de comum acordo: o coração da Alemanha nazista. As forças inimigas viram-se cortadas ao
meio. Não é esta, todavia, a hora da vitória decisiva na Europa, que, no entanto, está próxima. Será a hora pela qual o
povo americano e os povos da Inglaterra e da União Soviética têm lutado tanto. A reunião dos nossos exércitos no
coração da Alemanha tem uma importância que o mundo não pode ignorar. Constitui a prova que foi por terra a última
esperança de Hitler e de seu governo criminoso. A frente comum e a causa também comum de nossas potências, que se
uniram nesta guerra contra a tirania e a crueldade, encontram agora sua confirmação nos fatos, assim como de há muito
tempo a encontraram em suas decisões. Nada mais pode impedir nossos exércitos, escolados que estão na luta, de
prosseguir no avanço vitorioso até o definitivo triunfo dos Aliados na Alemanha; nada pode paralisar seus esforços. Em
segundo lugar, a reunião de nossas forças armadas oferece, a nós e ao mundo, a prova de que a colaboração de nossos
povos para a paz e para a liberdade é uma colaboração efetiva, que supera as dificuldades desta manobra de
envolvimento, a maior que a História registra. "Esses povos que unidos projetam planos de ação e lutam ombro a ombro
podem, inclusive, viver juntos, e juntos colaborarem no esforço comum de dar a paz ao mundo, da mesma forma como
sabem superar a distância, as diferenças lingüísticas e as dificuldades das comunicações. Mais do que qualquer palavra,
este grandioso triunfo das armas aliadas testemunha a coragem e a decisão de Franklin Roosevelt, e pôde ser alcançado
graças à perseverança e à coragem dos soldados da frente e dos marinheiros das nações irmãs.
"Porém, até que os nossos inimigos na Europa e na zona do Pacífico não sejam definitivamente batidos, os esforços da
frente interna não devem sofrer solução de continuidade, a fim de prover os nossos heróicos soldados e marinheiros,
porque sabemos que nos campos de batalha não se conhece um minuto de trégua."

"Completar o aniquilamento..."
Telegrama pessoal enviado por Eisenhower ao Marechal Stalin, a 28 de março de 1945:
"Minhas próximas operações tendem a envolver as forças inimigas que defendem o território do Ruhr e aniquilá-las, a
fim de isolar esse território do restante da Alemanha. Por este motivo, deve ser organizada uma linha ao norte do Ruhr e
de Frankfurt a Kassel, até que o anel seja fechado. O inimigo, então, cercado, será desarmado.
"Estimo que esta fase das operações termine em fins de abril ou talvez antes, consistindo meu objetivo depois em
dividir as restantes forças inimigas, ao mesmo tempo em que estabeleço a união com vossas tropas.
"A melhor zona para conseguir essa união seria, para minhas tropas, a linha Erfurt-Leipzig-Dresden... Logo após me
proponho lançar desde essa linha a ofensiva principal. Mais tarde, tão, logo a situação o permita, empreenderei um
segundo avanço a fim de estabelecer a união com vossas forças que combatem na zona Regensburg-Linz, para impedir
a construção de uma frente de resistência na Alemanha meridional.
"Antes de concluir definitivamente meus planos, acho importante coordená-los o mais estreitamente possível com os
vossos. Desejo conhecer, portanto, suas intenções e saber, igualmente, dos projetos relacionados a prováveis operações.
"Torna-se de máxima importância, se quisermos completar o aniquilamento das forças combatentes alemães, que nossas
operações se coordenem, para realizar a união entre nossas tropas mais avançadas. Com este propósito, estou pronto
para enviar oficiais de comunicações."

De Churchill a Eisenhower
"Acredito que seja de extrema importância o avanço para o Leste o mais depressa possível. Sou da opinião que,
deixando Berlim aos russos, cometeremos um erro imperdoável."

"... não como opressores..."


"Ao povo alemão:
"Eu, General Dwight D. Eisenhower, comandante supremo das forças militares aliadas, faço saber o seguinte:
"1) As forças militares sob meu comando entraram em território alemão. Viemos como um exército vencedor e não
como opressores. No território que foi ocupado por minhas forças armadas, aniquilaremos o nacional-socialismo e o
militarismo alemão, aboliremos o poder do partido nacional-socialista... e eliminaremos as cruéis, duras e injustas
regras e disposições ditadas por esse partido. Eliminaremos de forma definitiva o militarismo alemão, que tanto tem
perturbado a paz do mundo. Os chefes da Wehrmacht e do partido nacional-socialista, bem como os membros da polícia
secreta e outras pessoas suspeitas de haverem perpetrado crimes e crueldades, serão submetidos a julgamento e ao justo
castigo.
"2) Em torno da minha pessoa, como comandante supremo das forças militares aliadas e governador militar, se reúne a
suprema autoridade legislativa, judicial e executiva do território ocupado. A fim de exercer estes poderes, instituo um
governo militar sob as minhas ordens. Todas as pessoas do território ocupado devem obedecer, sem restrições, as ordens
emanadas do governo militar. Os implicados serão julgados por tribunais instituídos pelo governo militar. Toda
oposição às forças militares aliadas será duramente repelida.
"3) Até segunda ordem, no território ocupado, os tribunais e as escolas permanecerão fechados. No território alemão
perdem a competência judicial os tribunais do povo, os tribunais especiais, os tribunais de polícia da SS e todos os
tribunais especiais. Os tribunais penais e civis e os institutos de educação retornarão às suas atividades normais tão logo
a situação o permita.
(a) Dwight D. Eisenhower"

A morte de Mussolini
- Duce, esta é a sua última oportunidade de fugir e salvar-se. Os guerrilheiros divisaram a coluna e só deixam passar a
nós, os alemães. Não há outra maneira de escapar. Vista este capote e um capacete dos nossos. Suba a um caminhão e
tente, pois esta é a única esperança de furar o bloqueio preparado para você...
Era o dia 27 de abril de 1945. O Subtenente Fritz Birger; do Exército alemão, tinha diante de si um Mussolini cansado,
vencido, abandonado por todos.
Um sargento alemão aproximou-se com um capote e um capacete. Birger repetiu uma vez mais:
- Duce, escute-me. Esta é a sua última oportunidade. Vista esta roupa e suba a um caminhão, eu lhe peço. Não há mais
tempo a perder... Mussolini, em silêncio, fez o que Birger pedia. Depois, sem dizer palavra, subiu para o caminhão da
coluna alemã.
Os efetivos sob o comando de Birger somavam vinte soldados alemães e onze efetivos da gendarmeria, agregados no
último instante. Dispunham de fuzis, duas metralhadoras, uma caixa de granadas de mão, três mil projéteis para suas
armas e três "panzerfaust". Ao grupo de Birger se juntaram duzentos homens da Luftwaffe, sob o comando do Tenente
Fallmeyer.
O Subtenente Birger, mais tarde, narrou assim o sucedido: "Mussolini tinha a barba crescida e o rosto pálido. Parecia
cansado. Demonstrava algum temor, porém isso me pareceu natural. Quando o viram subir no caminhão e
compreenderam que os abandonava, os ministros que o acompanhavam e que com ele tentavam salvar-se protestaram
energicamente. Ouviu-se gritos ameaçadores. A única valente, a única desesperadamente a ele unida, foi a Petacci. Os
ministros lançavam imprecações enquanto ela chorava ao deixa-lo.
"Mussolini sentou-se sobre algumas mantas. No bolso do capote, todavia, estavam os documentos do suboficial que lhe
havia auxiliado. Ajustou o capacete e muniu-se de um revólver e de uma metralhadora portátil. Usava óculos escuros.
Alguns soldados alemães sentaram-se à sua volta para ocultá-lo melhor.
"Entretanto, ainda hoje se discute se a escolta deveria defendê-lo, e por que não o fez. O Tenente Fallmeyer, da
Luftwaffe, que parlamentou com os guerrilheiros, disse-me que a situação era tão grave que decidira render-se. Quanto
a mim, poderia fazer o que julgasse conveniente, porém no tocante a ele já estava decidido. Compreendi que nos
encontrávamos completamente cercados; à direita tínhamos o lago e à esquerda a montanha; o único caminho conduzia
a pontos minados, bloqueados por guerrilheiros prontos para abrir fogo.
"Pensei que, se os duzentos homens de Fallmeyer se rendiam, pouco me restava a fazer com os trinta que tinha à minha
disposição. Por um momento, pensei em ordenar o início do fogo. Porém, para quê? Se assim tivesse feito, os
guerrilheiros nos teriam matado a todos, inclusive Mussolini.
"O caminhão em que eu me encontrava com meus homens passou pela fiscalização dos guerrilheiros sem dificuldade. O
exame foi minucioso, porém correto. Passaram depois alguns automóveis e, por último, o caminhão do Duce. Retive-me
para ver melhor. Mussolini havia retirado os óculos negros. Eu via, através da abertura da lona do caminhão, seus olhos
penetrantes observando a cena. Disse para mim mesmo: 'Não há esperanças. Reconheceriam-no entre mil. Bastariam
seus olhos, esse rosto...' Logo depois o caminhão desapareceu de minha vista. Alguns segundos mais tarde ouvi gritos,
exclamações. Quando olhei, Mussolini estava descendo do caminhão. "Quando em terra, Mussolini arremessou longe o
capacete alemão com um gesto indignado. A seguir, introduziu a mão no bolso do paletó. Eu estava seguro que sacaria a
arma e se suicidaria ali mesmo. Em troca, puxou seu gorro e o colocou na cabeça. Era já um homem totalmente privado
de sua força de vontade e decisão.
"Os guerrilheiros mantiveram sua palavra. Tinham prometido deixar nossas armas até a fronteira com a Suíça, e assim
fizeram. As quatro da tarde, chegamos a Chiavenna. Depois transpomos a fronteira..."
As últimas palavras proferidas por Mussolini que o subtenente Fritz Birger escutou foram: "Ninguém me defende... "
Pier Luigi Bellini ("Pedro"), comandante guerrilheiro da 52a Brigada Garibaldi, narrou com as palavras que se seguem o
sucedido posteriormente à captura de Mussolini: "Decidimos partir o mais rápido possível... Utilizaríamos dois
automóveis... Na frente iria Neri,. por ser conhecido em todos os destacamentos guerrilheiros... Eu e Mussolini iríamos
atrás, em outro carro... Neri diria que levávamos um companheiro ferido gravemente, e que deveria ser conduzido a
Como rapidamente...
"Depois de identificar-me aos homens que vigiavam Mussolini, falei com Buffelli. Ele me disse: 'Entregaste-me uma
grande responsabilidade. Confesso-te que não estou tranqüilo.' Respondi-lhe: 'Trago-te a tranqüilidade. Venho para levar
Mussolini... ' Buffelli mostrou-me um papel em que se lia, com a inconfundível caligrafia do Duce: 'A 52 a Brigada
Garibaldina me capturou hoje, sexta-feira 27 de abril, na Praça de Donga. O tratamento que me dispensaram durante e
depois da captura foi correto. Mussolini.'
"Ao ser chamado, Mussolini disse a 'Pedro': 'Eu o esperava.' Buffelli ofereceu-lhe então o capote alemão que havia
vestido até o momento da captura. 'Não, não, não o quero mais. Terminei com os alemães que me traíram três vezes...
Prefiro qualquer outra coisa.'
"Chovia intensamente quando os automóveis iniciaram a marcha... " Depois, como em uma passarela, os
acontecimentos se sucederam vertiginosamente. Juntamente com Clara Petacci, Mussolini passou a noite de 27 de abril
em uma casa de Bonzanigo di Giulino. Também ali passaram as horas da manhã do dia 28, assim como parte da tarde.
Depois, às 16 horas, chegou ao local o "Coronel Valerio" (Walter Audisio). Minutos mais tarde, às 16h:10min,
Mussolini tombava fuzilado. Com ele, as balas roubavam também a vida de sua amiga mais fiel, Clara Petacci.
Seus cadáveres, mais tarde, sob o escárnio da multidão, foram expostos em Milão, pendurados que foram em uma
estação de serviço.