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PSICOLOGIA

DA
PERSONALIDADE

- REPRODUÇÃO PROIBIDA –
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Índice

1. Unidade I: A Obra de Sigmund Freud-----------------------------------------------Página 03


1.1 Primeiras palavras------------------------------------------------------------------------ Página 03
1.2 Texto Base---------------------------------------------------------------------------------- Página 04
1.2.1 Introdução-------------------------------------------------------------------------------- Página 04
1.2.2 Primeira Tópica------------------------------------------------------------------------- Página 05
1.2.3 Segunda Tópica------------------------------------------------------------------------ Página 08
1.3 Atividades--------------------------------------------------------------------------------- Página 11

2. Unidade II: Continuação – Conceitos Psicanalíticos de Sigmund Freud e


Conceitos Principais de Jaques Lacan ---------------------------------------------- Página 12
2.1 Primeiras palavras------------------------------------------------------------------------ Página 12
2.2 Texto Base---------------------------------------------------------------------------------- Página 12
2.2.1 Sigmund Freud-------------------------------------------------------------------------- Página 12
2.2.2 Jaques Lacan---------------------------------------------------------------------------- Página 17
2.3 Atividades--------------------------------------------------------------------------------- Página 21

3. Unidade III: Introdução à Teoria de Reich e Jung------------------------------ Página 22


3.1 Primeiras palavras------------------------------------------------------------------------ Página 22
3.2.Texto Base---------------------------------------------------------------------------------- Página 22
3.2.1 Integrando o Biológico e o Espiritual---------------------------------------------- Página 22
3.2.2 Inconsciente Coletivo------------------------------------------------------------------ Página 24
3.2.3 Processo de Individuação e os Arquétipos --------------------------------------Página 24
3.2.4 Introversão e Extroversão-------------------------------------------------------------Página 26
3.2.5 Pensamento; Intuição; Sensação e Sentimento------------------------------- Página 27
3.2.6 Símbolos ----------------------------------------------------------------------------------Página 28
3.2.7 Sonhos ------------------------------------------------------------------------------------Página 28
3.2.8 Psicologia Corporal:o histórico de sua formação------------------------------Página 28
3.2.9 Desenvolvimento da Psicologia Corporal----------------------------------------Página 30
3.2.10 Estágios do Desenvolvimento Psicossexual ----------------------------------Página 31
3.2.11 A Função do Orgasmo -------------------------------------------------------------Página 34

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3.2.12 Caráter Genital -----------------------------------------------------------------------Página 36


3.3 Atividades ----------------------------------------------------------------------------------Página 36

4. Unidade IV: Carl Rogers e a Abordagem Centrada na Pessoa--------------- Página 37


4.1 Primeiras palavras----------------------------------------------------------------------- Página 37
4.2 Texto Base--------------------------------------------------------------------------------- Página 37
4.2.1 Contexto Histórico--------------------------------------------------------------------- Página 37
4.2.2 Carl Rogers----------------------------------------------------------------------------- Página 38
4.2.3 Teoria da Personalidade e da Conduta----------------------------------------- Página 40
4.2 .4 Ati tude s Bás icas, E quação Básica e a Aprendi zage m S ign if ica tiva- --- -
--- -- -- -- --- ---- -- --- -- ---- --- -- -- -- -- --- ---- -- --- -- ---- --- -- -- -- -- --- -- -- -- --- -- --Pág in a 42
4.2.5 Abordagem Centrada na Pessoa-------------------------------------------------- Página 43
4.2.6 Considerações Finais----------------------------------------------------------------- Página 43

5. Testes-----------------------------------------------------------------------------------------Página 44
6. Referências Bibliográficas -------------------------------------------------------------- Página 48

TEORIAS DA PERSONALIDADE

Ana Carolina Naves Magalhães1


Fernanda Gonçalves2
Paulo Keish Kohara3
1. UNIDADE I: A OBRA DE SIGMUND FREUD.

1.1 Primeiras palavras: Nesta unidade faremos um resgate dos conceitos


fundamentais postulados por Freud, que serão a base para toda a compreensão dos

1
Psicóloga formada pela UNESP/Bauru. Mestranda pelo Programa de Pós Graduação em Psiquiatria: Hospital
das Clínicas – Faculdade de Medicina da USP- São Paulo.
2
Psicóloga pe la UNESP. Possui espe cialização pelo Centro Re ichiano Cochicho das Águas (SP).
3
Psicólogo e mestrando em Psicologia Escolar e do Desenv olvime nto Humano pela USP. Psicólogo do CREAS
de Osasco e supervisor clínico do Plantão Psicológico do Curso Pré-Vestibular Psico-USP.

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aspectos psicodinâmicos da personalidade abordados posteriormente também por


Carl Gustav Jung, Wilhelm Reich, Jaques Lacan, entre outros.

1.2 Texto Base

"Se é verdade que a causação das enfermidades histéricas se


encontra nas intimidades da vida psicossexual dos pacientes, e
que os sintomas histéricos são a expressão de seus mais
secretos desejos recalcados, a elucidação completa de um
caso de histeria estará fadada a revelar essas intimidades e
denunciar esses segredos." Trecho de "Fragmento da Análise
de Um Caso de Histeria" (1905[1901])

1.2.1 Introdução

Sigmund Freud nasceu em Viena, na Áustria em 1856.

Forma-se em medicina, interessa-se por neurologia. Vai estudar em Paris,


onde conhece o médico Charcot que já pesquisava o tratamento da histeria através de
técnicas com o uso de hipnose e sugestão através da palavra.

Retorna à Viena em 1886 com suas observações e é ironizado, no círculo


médico, a respeito de suas idéias. Conhece Breuer, renomado médico vienense e
junto a este passa observar e estudar atendimentos clínicos com o uso de hipnose.

O denominado método catártico se refere à técnica em que a paciente, sob


hipnose, fala sobre lembranças traumáticas retidas num suposto núcleo isolado da
consciência.

Freud passa então a aprofundar os seus estudos sobre a histeria e descobre o


método da livre associação que consiste em convidar os pacientes a relatarem
continuamente qualquer coisa que lhes vier à mente, sem levar em consideração quão
sem importância ou possivelmente embaraçadora esta situação possa parecer.
Abandona assim o método da hipnose e da sugestão. Ele percebe que a partir do
mo mento em que ele se cala as pacientes começavam a associar livremente e elas
começam a contar-lhe os sonhos. É a partir da análise do conteúdo desses relatos
que ele percebe o papel da sexualidade na formação da personalidade. Em 1900,
Freud escreve então “ Interpretação dos Sonhos” e em 1905 publica os seus “Três
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Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade”.Toda a teoria de Freud está baseada no


pressuposto de que o corpo é a fonte básica de toda a experiência mental. E afirmou
que não há descontinuidade nos eventos mentais, isto é, estes, conscientes ou não,
são influenciados por fatos que os precederam no passado, são ligados uns aos
outros. A esse pressuposto foi denominado o termo Determinismo Psíquico.

Em sua primeira explanação (Primeira Tópica) sobre o estado da consciência,


Freud interessou-se também em suas áreas menos expostas, as quais ele chamou de
inconsciente e pré-consciente.

1.2.2 Primeira Tópica

Inconsciente: parte do funcionamento mental que deposita os desejos instintivos e


necessidades e ações fisiológicas. Para Freud, ao longo da vida do sujeito, o
inconsciente torna-se um depósito para idéias sociais inaceitáveis, memórias
traumáticas e emoções dolorosas colocadas fora da mente pelo mecanismo da
repressão psicológica. Na visão psicanalítica, o inconsciente se expressa no sintoma.
Pensamentos inconscientes não são diretamente acessíveis por uma ordinária
introspecção, mas podem ser interpretados por métodos especiais e técnicas como a
livre-associação, análise de sonhos e atos falhos presentes na fala, examinados e
conduzidos durante o processo analítico.

Consciente: é através dele que se dá o contato com o mundo exterior. Inclui


sensações e experiências das quais há a percepção a cada momento. Freud não
considerava este aspecto da vida mental o mais importante uma vez que há uma
pequena parte de nossos pensamentos, sensações e lembranças perceptíveis todo o
tempo.

Pré-consciente: é a parte situada entre o consciente e o inconsciente. Parte do


inconsciente que pode se tornar consciente com facilidade, na medida em que a
consciência precisa de lembranças para desempenhar suas funções. (P. ex: nome de
pessoas, datas importantes, endereços, entre outros).

Pulsões (trieb) ou instintos (instinkt)

Pulsão (em alemão: trieb): “processo dinâmico que consiste numa pressão ou
força (carga energética, fator de motricidade) que faz tender o organismo para um

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alvo.” Instinto (em alemão: instinkt): “esquema de comportamento herdado, próprio de


uma espécie animal, que pouco varia de um indivíduo para outro, que se desenrola
segundo uma seqüência temporal pouco suscetível de alterações, e que parece
corresponder a uma finalidade” (LaPlanche e Pontalis, 1975).

Os instintos básicos foram divididos por Freud em duas forças antagônicas,


representadas pelos instintos de vida (responsáveis pela sobrevivência do indivíduo e
da espécie) e pelos instintos de morte (agressivos e destrutivos).

Por estes instintos, uma energia pode fluir, fazendo com que uma satisfação
instintual possa ser substituída por outra e se submeter a adiamentos. O mecanismo
instintual é complexo. Segundo Freud: “Os instintos sexuais fazem-se notar por sua
plasticidade, sua capacidade de alterar suas finalidades, sua capacidade de se
substituírem, que permite uma satisfação instintual ser substituída por outra, e por sua
possibilidade de se submeterem a adiamentos...” ( 1933, livro 28, Ed. Bras.)

Impulso: Energia que possui uma origem interna, situada entre o corpo (somático),
isto é, em uma região deste corpo onde nasce uma excitação e o psíquico.

Libido: impulsos sexuais e impulsos de autoconservação. Os primeiros são os


responsáveis pela manutenção da vida da espécie e estão relacionados à reprodução,
já os segundos são os responsáveis pela manutenção da vida do indivíduo (comer,
beber, dormir, etc).

Catexia do objeto: processo de investimento da energia libidinal, em idéias, pessoas,


objetos. A mobilidade original da libido é perdida quando há a catexia voltada para um
determinado objeto. A catexia está relacionada aos sentimentos de amor, ódio, raiva,
que podem ser relacionados aos objetos. O luto, no qual pode haver um desinteresse
por parte do indivíduo pelas ocupações normais e a preocupação com o recente finado
pode ser interpretado neste sentido, como uma retirada de libido dos relacionamentos
habituais e cotidianos e uma extrema catexia da pessoa perdida.

Princípio do Prazer / Processo primário:

Explicado pelo mecanismo psíquico em que os impulsos agem no sentido de busca de


prazer e evita o desprazer (prazer causado pela redução da tensão, desprazer
causado pelo acúmulo de tensão produzida no interior do aparelho psíquico). Este
princípio rege as primeiras experiências da vida de um bebê recém-nascido, tendo
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como característica central a ausência de contradição, não leva em conta a realidade.


Freud nominou este funcionamento de processos mentais primários. Há satisfações
alucinatórias neste período, em que o bebê na ausência do objeto de satisfação tem
uma revivescência perceptiva de algo que proporcionou prazer no passado.

Princípio de Realidade / Processo secundário: As experiências pelas quais o bebê


vai passando, fazem com que esse sujeito passe a considerar a realidade para que
suas satisfações sejam obtidas sem que a alucinação seja o meio de alcançá-las. A
satisfação passa a considerar adiamentos e atrasos, porém desta maneira se mostra
mais segura e provoca menor risco para a integridade do indivíduo. Este mecanismo
foi denominado processo secundário e co-existe ao lado dos processos primários, isto
é, um processo não substitui o outro, os dois formam um complexo mecanismo de
funcionamento psíquico.

Fantasia: Modo de pensar inconsciente que não leva em conta a realidade. Está
presente nas brincadeiras infantis, sonhos, sintomas neuróticos. É regida pelo
processo primário.

Pulsão de Vida: Freud reformulou sua teoria sobre os impulsos. Aglutina todos eles
em Pulsão de Vida (Eros) e Pulsão de Morte (Thânatos). Os impulsos de
autoconservação e os impulsos sexuais, responsáveis pela preservação da vida e da
espécie, passam a fazer parte da pulsão de vida, porém esta não se resume à
atividades vitais mas também à atividades que levam o sujeito a construir (p.ex.: união
com outros indivíduos, estudo, trabalho, etc).

Pulsão de Morte – compulsão à repetição: Freud ao analisar sonhos, percebeu que


eventos desagradáveis, como lembranças de guerra, poderiam ser constantemente
repetidos. Freud irá então reformular sua teoria das pulsões, antes dividida em
impulsos de autoconservação e impulsos sexuais. Explica que repetições, em sonhos
ou mesmo em atos, pudessem ser fruto do que ele chamou de pulsão de morte e
estas estariam em contradição com o princípio do prazer que rege as pulsões de vida.
O impulso de morte estaria presente no interior da vida psíquica dos indivíduos (sob a
forma de autodestruição, masoquismo, etc.), podendo ser projetado para o mundo
externo sob a forma de agressividade, destruição, sadismo, entre outras.

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1.2.3 Segunda Tópica

Freud a fim de apreender a complexidade do dinamismo do aparelho psíquico


reelaborou a sua concepção sobre a estrutura da personalidade. Entretanto, a primeira
concepção (aparelho dividido em cs, ics e pré-cs) não foi abandonada, ela foi
integrada à nova concepção. Tal concepção foi denominada 2ª tópica. Nesta, a
personalidade é dividida em três partes que mantém relações mútuas entre si. São
elas o ID, o EGO e o SUPEREGO.

Id: (“es” em alemão, é a forma latina do pronome neutro “isto”). Refere-se à parte
inacessível da personalidade. Corresponde ao conceito inicial de inconsciente, apesar
de também o ego e o superego possuírem aspectos inconscientes. Além disso, o ID é
o reservatório dos instintos (tanto de vida quanto de morte) e da energia libidinal e é
ele que fornece e satisfaz as exigências do Ego e do Superego, fornecendo toda a
energia para eles. Apesar de seus conteúdos serem quase todos inconscientes, o Id
tem o poder de agir na vida mental de um indivíduo.

Características do Id

• Caótico e Desorganizado. As leis lógicas do pensamento não se aplicam a ele.


Impulsos contraditórios coexistem lado a lado, sem que um anule ou diminua o
outro.

• Atemporal: Fatos que ocorreram no passado convivem paralelamente e sem


desvantagem de intensidade, com relação a fatos que ocorreram
recentemente.

• É orientado pelo princípio do prazer, isto é, seu objetivo é reduzir a tensão sem
levar em consideração os atrasos, adiamentos e o outro. Não leva em conta a
realidade. Assim é regido pelo processo primário, em que as satisfações são
obtidas por meio de atos reflexos e fantasias.

Ego: Segundo Freud, o Ego é desenvolvido com o passar da vida do indivíduo. Parte
do ID que passa a ser influenciada pelo mundo externo, e que passa a funcionar como
uma defesa protetora contra o que ameaça a vida psíquica. É regido segundo o
processo secundário, onde predominam a realidade e a razão. Tem por objetivo ajudar

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o Id a satisfazer suas pulsões, porém de forma racional, planejada, escolhendo


lugares, objetos e momentos socialmente aceitos.

É receptivo tanto às excitações internas quanto externas ao indivíduo. Os


investimentos libidinais, embora oriundos do Id passam necessariamente pelo Ego.

Embora muitas características do Ego coincidam com o consciente muitos conteúdos


inconscientes também o compõe. É o caso dos mecanismos de defesa, instrumentos
do Ego para lidar com a tensão emanada pelo Id. O ego portanto exerce função de
síntese, contato e defesa.

Superego (Ideal do Ego e Ego-Ideal): Forma-se a partir do Ego. Exerce função


crítica e normativa e também de formação de ideais. Forma-se a partir do declínio do
Complexo de Édipo, a partir da interiorização das imagens idealizadas dos pais. Age
conscientemente e também inconscientemente. Restrições inconscientes são indiretas
podendo aparecer sob a forma de compulsões e proibições. É o responsável pela
auto-estima, consciência moral e sentimentos de culpa. Em relação ao Ego pode-se
dizer que o superego age como modelo e obstáculo. Modelo com relação ao ideal,
obstáculo, com relação ao proibido.

Ansiedade: Provocada por um aumento de tensão ou desprazer desencadeado por


um evento real ou imaginário. Traz uma a meaça para o Ego. Exemplo de estressores
que podem levar à ansiedade: perda de um objeto desejado, perda de amor (rejeição),
perda de identidade (prestígio), perda da auto-estima (desaprovação do superego que
resultam em culpa ou ódio em relação a si mesmo).

Mecanismos de defesa: O ego muitas vezes não consegue lidar com as demandas
do Id e com a cobranças do superego. Quando isto acontece, provocando ansiedade,
alguns mecanismos de defesa aparecem.

Vejamos agora alguns mecanismos de defesa:

Sublimação: Defesa bem sucedida contra a ansiedade, pois ele diminui a tensão. O
aumento de tensão ou desprazer é desviado para outros canais de expressão
socialmente aceitáveis como, por exemplo, a criação artística.

Mecanismos de defesa patogênicos: Defesas que não eliminam a tensão apenas a


encobrem. O ego protege o indivíduo inconscientemente, através de distorções da

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realidade. Por outro lado não possibilitam um conhecimento real sobre os desejos,
medos e necessidades. São eles:

Recalcamento: Por força de um contra-investimento, um ato psíquico ou uma idéia é


excluído da consciência e jogado para o inconsciente. Por exemplo, esquecimento de
fatos traumáticos acontecidos na infância (ato violência, acidente, entre outros). Fatos
que só são acessados através da análise ou sonhos.

Repressão: Mecanismo consciente, que atua como censura. A moral do sujeito está
ligada a este mecanismo. Envolve a não-percepção, a consciência de algo que traz
constrangimento ou sofrimento. Pode atuar nas lembranças, na percepção do
presente (p. ex. não percebendo algo da realidade: no caso da morte de alguém pelo
qual um sujeito tinha sentimentos de amor e ódio. Na ocasião de seu falecimento os
sentimentos tanto de hostilidade quanto de perda podem não ser percebidos e este
sujeito pode mostrar-se indiferente.) e até mesmo no funcionamento do corpo ( p. ex.:
Uma mulher pode reprimir tanto um desejo sexual que pode chagar a tornar-se
frígida).

Negação: Está relacionado à repressão. O sujeito nega a existência de alguma


ameaça ou evento traumático ocorrido. Por exemplo: negação de um diagnóstico
grave, negação da iminência de morte de um ente querido, negação de algo que
aconteceu no passado, fantasia de que alguns fatos não ocorreram ou não “foi bem
assim”.

Racionalização: Redefinição da realidade. Processo de colocar motivos aceitáveis


para atos ou idéias inaceitáveis. Culpar um objeto por falhas pessoais ao invés de
culpar-se a si mesmo. Por exemplo: dar explicações racionais para a perda de um
emprego ou relacionamento convencendo-se de que estes objetos perdidos possuíam
defeitos.

Formação Reativa: Inversão da realidade. O impulso é cada vez mais ocultado. Um


sentimento contrário é colocado no lugar de outro para disfarçá-lo. Por exemplo,
atribuir repugnância e nojo ao sexo, quando os impulsos sexuais não podem ser
satisfeitos. Impulsos agressivos podem dar lugar a comportamentos solícitos e
amigáveis.

Isolamento: Uma idéia ou ato sofre o rompimento de suas conexões com outras
idéias e pensamentos. O fato isolado passa a receber pouca ou nenhuma reação

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emocional, como se eles tivessem relacionados a outro sujeito. Fatos podem ser
relatados sem sentimento quando um sujeito fala de conteúdos que foram isolados de
sua personalidade. P. ex.: um sujeito fala sobre traição conjugal, demonstrando
compreensão e indiferença ao assunto, enquanto no passado este sujeito já passou
por uma situação de traição conjugal, na qual houve sofrimento.

Projeção: Colocar algo do mundo interno no mundo externo. Desejos, intenções e


sentimentos que são ignorados em si mesmo são atribuídos a outras pessoas, objetos
ou animais. P. ex.: Um pai pode dizer ao seu filho que este não cumpre suas tarefas,
que este não será bem-sucedido, que este não tem aprovação dos outros, quando na
verdade este sentimento é para com ele mesmo.

Regressão: Escapar da realidade. Retorno do sujeito a etapas de desenvolvimento


anterior, que foram mais agradáveis, com menos frustração e ansiedade. Exemplo:
falar como criança, destruir propriedades, roer unhas, por o dedo no nariz, vestir-se
como criança, dirigir rápida e imprudentemente, entre outros.

Deslocamento: Acontece quando o objeto que satisfazia um impulso do Id não está


presente. A pessoa então desloca este impulso para outro objeto. Por exemplo: gritar
com um cachorro, quando a tensão foi provocada por um outro estressor, ou bater
numa criança quando uma agressividade não pode ser expressada em direção ao
fator desencadeante.

Neurose: Os mecanismos de defesa contra a ansiedade podem ser encontrados em


indivíduos saudáveis, porém quando estão fortemente associados e trazem
dificuldades sociais caracterizam-se enquanto neuroses. Por exemplo: fobias,
transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), histeria, entre outros.

1.3 Ativ idades desta unidade:


1.3.1 Diferencie a 1ª Tópica e 2ª Tópica.
1.3.2 Quais foram os métodos de tratamento utilizados por Freud e em que consiste
cada um deles?
1.3.3 Diferencie os instintos sexuais dos de autoconservação.
1.3.4 Qual a importância do processo secundário frente ao processo primário?
1.3.5 A fantasia é regida por qual princípio?
1.3.6 Qual o papel do Ego frente ao Superego e frente ao Id.

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1.3.7 Qual é a definição de ansiedade para Freud e qual sua relação com os
mecanismos de defesa?
1.3.8 Cite e explique 3 tipos de mecanismos de defesa do Ego.

2. UNIDADE II: CONT. – CONCEITOS PSICANALÍTICOS DE SIGMUND FREUD E


CONCEITOS PRINCIPAIS DE JAQUES LACAN.

2.1 Primeiras palavras: Nesta unidade terminaremos a explanação sobre os


conceitos principais postulados por Sigmund Freud e entraremos nos conceitos
postulados pelo psicanalista francês, Jaques Lacan.

2.2 Texto Base:

2.2.1 SIGMUND FREUD.

Freud revelou a presença de uma sexualidade infantil. Seria esta a responsável


pela compreensão de toda a vida psíquica posterior na fase adulta. Através de suas
observações ele categorizou o desenvolvimento infantil em fases psicossexuais do
desenvolvimento.

O corpo é cercado de regiões (zonas) erógenas que sob estimulação provocam


sensações prazerosas. Ao nascer o bebê vai descobrindo tais áreas através da
estimulação. Freud associou a satisfação através desta estimulação à fases de
desenvolvimento infantil. São elas: fase oral, fase anal, fase fálica, fase genital,
período de latência e fase genital.

O termo fixação foi designado para descrever um estado em que parte da


libido permanece investida em uma das fases psicossexuais, devido à uma frustração
na fase atual ou satisfação excessiva na fase anterior.

Fase Oral: A primeira zona erógena é a boca, língua e mais tarde dentes, estimulada
através da amamentação e do seio materno. Além disso, ao ser amamentada, a
criança é também confortada, acalentada e acariciada. A boca neste momento é a
única parte do corpo que a criança pode controlar. A fase oral desenvolvida
tardiamente pode incluir a gratificação de instintos agressivos com o uso dos dentes
para morder o seio.

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Fase Anal: Por volta dos dois anos de idade a criança aprende a controlar os
esfíncteres anais e a bexiga. A obtenção deste controle fisiológico provoca sensações
de prazer. Além disso, as crianças vão percebendo que este controle pode ser alvo de
elogios e atenção por parte dos pais. Acontece, porém, que a criança pode perceber
que ir ao banheiro é algo “sujo” e traz repugnância, uma vez que hábitos de higiene
são treinados cercando esta zona erógena de tabus e proibições.

Fase Fálica: Acontece quando as crianças se dão conta da diferença sexual. As


meninas se dão conta da falta de um pênis, enquanto os meninos se dão conta da
presença de um. O foco do prazer deixa de ser o ânus e passa a ser o genital. As
crianças demonstram interesse em explorar e manipular esses genitais. Dúvidas e
fantasias aparecem, como por exemplo, por que as meninas não tem pênis, se elas
conseguem urinar, etc. O pai e a mãe passam a ser objetos de curiosidade e interesse
também. Podem manifestar ciúmes da atenção dada um pelo outro no casal, é comum
que brinquem ou perguntar se podem se casar com os pais. Neste momento, frente
aos desejos incestuosos e à masturbação, a realidade e a moral colocada pelos pais
entram em conflito com os impulsos do Id. Nesta fase aparece o conflito de substituir
os pais e a rivalidade contra aquele que “está tomando o seu lugar”. Este conflito foi
denominado por Freud de Complexo de Édipo, inspirado no mito grego do Édipo Rei,
de Sófocles no séc. V antes de Cristo. O jovem Édipo, sem saber de quem era filho
realmente, mata o pai e se casa com a mãe, mais tarde quando descobre a verdade,
ele próprio arranca seus dois olhos.

Complexo de Édipo – A Lei, a Castração:

O Complexo de Édipo acontece diferentemente para as meninas e meninos.


Freud explicou o Complexo de Édipo masculino mais detalhadamente, de forma
parecida com o que acontece no mito do Édipo rei. Para o menino, que deseja estar
próximo de sua mãe, o pai aparece como um rival. Ao mesmo tempo ele também
deseja o amor e afeição de seu pai e desta forma ele vive um conflito de desejar o
amor dos pais e ao mesmo tempo temê-los. Junto com o desejo de tomar o lugar do
pai está o medo de ser machucado. Ele interpreta este anseio como um temor de que
seu pênis seja cortado, que é nesta época o órgão de sua satisfação de prazer. Este é
o chamado temor de castração. Esse complexo acaba sendo reprimido, permanece
inconsciente. É tarefa do superego (que está em desenvolvimento) impedi-lo de
aparecer ou até mesmo que haja uma reflexão sobre ele.

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Para as meninas o complexo foi chamado de Complexo de Electra. Assim


como para os meninos, para as meninas o primeiro objeto de amor é a mãe, uma vez
que ela é a fonte de alimento, afeto e segurança. Mas ela perceberá que a mãe não
pode lhe dar aquilo que lhe falta: um pênis. Surge aí uma hostilidade frente à mãe e
seu interesse será destinado ao pai, aquele que pode lhe dar um pênis ou um
substituto deste. No conflito das meninas, parece haver uma menor repressão e o que
foi observado é que elas permanecem nesta situação edipiana por mais tempo e até
mesmo a resolução pode ser incompleta.

Para os meninos é a castração que os faz superar o complexo de Édipo. É


instaurada a lei da proibição, a interdição paterna. Para as meninas é justamente a
castração que faz iniciar Complexo de Édipo.

A resolução do Complexo: a ansiedade de castração nos meninos fará com


que eles abandonem seus desejos incestuosos pela mãe e superem o complexo
identificando-se ao pai. As meninas também passam a identificar-se com a mãe e
assumem uma identidade feminina. Passa a buscar nos homens similaridades do pai.

Período de latência: Independentemente de como se dará a resolução deste conflito


com os pais, a maioria das crianças por volta dos 5 anos de idade passam a
demonstrar interesse em outros relacionamentos, como nas amizades, esportes, entre
outros. A repressão feita pelo superego neste momento é bem sucedida e os desejos
não resolvidos da fase fálica não perturbam mais. A sexualidade não avança mais e os
anseios sexuais até diminuem.

Fase Genital: Nesta fase final do desenvolvimento psicossexual meninos e meninas,


conscientes de suas identidades sexuais distintas começam a buscar formas de
satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais. Os impulsos sexuais pré-
genitais que acabem não tendo êxito na sexualidade genital podem então ser
recalcados ou sublimados, isto é, transformados em atividades socialmente
produtivas.

Narcisismo:
Narcisismo primário:
Foi explicado por Freud como auto-erotismo. Durante as primeiras experiências
do bebê o ego ainda não está formado, e o auto-erotismo (satisfação pelo e no próprio
corpo: chupar o dedo, morder o pé...) vem como uma forma de satisfação libidinal.

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Depois, na impossibilidade de manter-se como seu próprio objeto de amor, este


indivíduo volta-se finalmente para um objeto externo, desenvolvendo o que Freud
chamou de amor objetal. Neste amor objetal o sujeito deve fazer escolhas e para que
isto ocorra o indivíduo deve ter percorrido os estágios psicossexuais do
desenvolvimento e até mesmo elaborado o complexo de Édipo. O narcisismo primário
termina quando o desenvolvimento psicossexual se completa.
Narcisismo secundário:
A escolha objetal pode dar-se de duas maneiras. Existe a escolha anaclítica e
a escolha narcisista. Na escolha anaclítica, o indivíduo busca no objeto de amor por
exemplo, a mulher ou o homem que uma vez o protegeu, há portanto uma renúncia ao
próprio narcisismo que ele já viveu. Já na escolha narcisista, o indivíduo busca no
amor objetal por exemplo a sua própria imagem, ele ama alguém que apresenta
características bem semelhantes às que ele próprio possui ou possuiu, ou gostaria de
possuir.
Manifestações do Inconsciente: Freud percebeu, através do método da associação-
livre e a partir dos relatos de sonhos de seus pacientes que o inconsciente não se
revela diretamente, através da consciência e sim de forma encoberta. O inconsciente
aparece então nos sonhos, aparentemente sem nexo e sentido, nas chistes e atos-
falhos.

Sonhos e elaboração onírica: Forma de satisfação de desejos que não foram ou não
puderam ser realizados. Os conteúdos do sonho são conteúdos manifestos, isto é,
são manifestados, diferentemente de conteúdos latentes, que não conseguem
aparecer. Nos sonhos, embora apareçam de maneira não clara, os conteúdos
aparecem disfarçados, distorcidos pelos mecanismos de deslocamento e da
condensação. Esta distorção permite que o desejo seja aceitável ao ego, uma vez
que no estado de vigília muitas ações são inaceitáveis devido à repressão e moral,
não temendo punições.

Fisiologicamente a função do sonho é manter o sono, proporcionar um


mo mento de satisfação para que o indivíduo não desperte. Assim, durante o sonho há
uma satisfação adicional ou uma redução da tensão, pois energias acumuladas são
descarregadas, mesmo que não tenha havido uma realização na realidade físico-
sensorial dos desejos.

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Nos sonhos traumáticos, nos pesadelos, também há redução de tensão e


produção de prazer. Muitos sonhos traumáticos de guerra que aconteciam
repetidamente durante o sono de alguns indivíduos que viveram situações de guerra,
foram interpretados por Freud como uma necessidade de elaboração da situação
traumática. Essas repetições podem ajudar o indivíduo de alguma forma a elaborar
suas angústias, temores e ódio.

A interpretação de um sonho para Freud só terá sentido no próprio discurso do


indivíduo. Regras gerais podem não ser válidas. É trabalho do analista ajudar o
paciente a interpretar o sonho.

O livro de Freud publicado em 1900, “A interpretação dos Sonhos” é


considerado dentro de sua obra, um dos livros mais importantes.

Chistes, ato falhos: assim como nos sonhos o inconsciente se manifesta nos chistes
(brincadeiras, piadas) e atos falhos (troca de nome aparentemente acidental, erro de
endereço, entre outros). Esta aparição do inconsciente é dada através dos
mecanismos de condensação e deslocamento.

No decorrer de seus atendimentos e a partir de alguns casos de abandono de


tratamento, Freud percebeu a importância de analisar e perceber a expectativa
projetada e sentimentos, tanto negativos quanto positivos, do paciente para com seu
analista e do analista para com seu paciente. Tais sentimentos estariam contribuindo
para o sucesso do tratamento ou fracasso, dependendo de como fossem manejados.
A partir daí, ele criou o conceito de transferência e contra-transferência.

Transferência: Transferência é um fenômeno na psicologia, caracterizado pelo


direcionamento inconsciente de sentimentos de uma pessoa para outra. Foi
primeiramente descrita por Freud, quem reconheceu sua importância para a
psicanálise para uma melhor compreensão dos sentimentos dos pacientes. A relação
paciente-terapeuta sob o contexto da livre-associação, sem risco de juízos alheios,
permite a construção de um relacionamento inédito para o paciente. A transferência
que surge nesta relação torna-se, então, o instrumento terapêutico principal, na
medida em que permite a atualização dos conteúdos inconscientes que permeiam as
relações interpessoais do paciente.

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Contra-transferência: O analista deve tomar cuidado com a contra-transferência, isto


é, com o processo contrário em que afetos do analista são transferidos para o
paciente, o que pode dificultar a relação terapêutica.

2.2.2 JAQUES LACAN

“Sou onde não penso, penso onde não sou”

Lacan

Marie Émile Lacan (1901-1981), foi um psicanalista francês. Formou-se em


Medicina e especializou-se em Psiquiatria. Trabalha como interno da Enfermaria
Especial para alienados da Chefatura de Polícia. Interesse-se pelo estudo das
psicoses e em toda sua obra haverá um aprofundamento sobre tratamento de
psicóticos. Estuda literatura e filosofia e aproxima-se dos surrealistas. Num primeiro
mo mento faz parte da IPA (International Psicoanalises Association) mas depois acaba
saindo e afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado da proposta Freudiana.
Propõe então um “Retorno a Freud” . Estuda lingüística e antropologia estrutural
(Levi-Strauss) e incorpora esses conhecimentos em sua teoria. Fica assim sendo
representante importante do Estruturalismo. Para Lacan há três registros psíquicos: o
registro no Campo Imaginário, o registro no Campo Simbólico e o Registro no Campo
do Real. É a partir do campo simbólico, através da fala, da linguagem é possível que
haja o acesso ao inconsciente, que foi definido pelo autor como “estruturado como
uma linguagem”. Seu ensino deu-se primordialmente através de seminários e
conferências.

REGISTROS

IMAGINÁRIO
Forma-se a partir do Estádio do Espelho:

• Descrito como o momento em que a criança descobre, constrói uma imagem


de si. Pode prescindir de um espelho, onde uma imagem é projetada ou não
necessariamente, pois o outro também faz a função de espelho. No caso de
uma pessoa cega, por exemplo.
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• Ponto decisivo na origem do ser, momento de constituição do ser. Antes há a


noção de um corpo despedaçado. No estádio do espelho este corpo dá lugar a
uma imagem totalizada do corpo. Passa a haver uma divisão entre um mundo
interno e externo. Não há um eu antes do estádio do espelho. A brecha, a
hiância que havia antes entre o corpo e sua imagem é então preenchida.
• Uma unidade e uma subjetivação e também alienação, subjugação da criança
à sua imagem, aos seus semelhantes, ao desejo de sua mãe.
• Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria
imagem e a qualifica de imaginária, uma vez que a criança identifica-se com
algo que não é ela própria mas que lhe permite reconhecer-se.

Estádio do espelho: descrito como o momento em que a criança descobre, constrói


uma imagem de si. Pode prescindir de um espelho, onde uma imagem é projetada ou
não necessariamente, pois o outro também faz a função de espelho. No caso de uma
pessoa cega, por exemplo.
Ponto decisivo na origem do ser, momento de constituição do ser. Antes há a noção
de um corpo despedaçado. No estádio do espelho este corpo dá lugar a uma imagem
totalizada do corpo. Passa a haver uma divisão entre um mundo interno e externo.
Não há um eu antes do estádio do espelho. A brecha, a hiância que havia antes entre
o corpo e sua imagem é então preenchida.
Uma unidade e uma subjetivação e também alienação, subjugação da criança à sua
imagem, aos seus semelhantes, ao desejo de sua mãe.
Lacan descreve uma identificação primária da criança com a sua própria imagem e a
qualifica de imaginária, uma vez que a criança identifica-se com algo que não é ela
própria mas que lhe permite reconhecer-se.

1ª etapa: a criança reconhece na imagem do espelho uma realidade ou pelo menos a


imagem de um outro.
2ª etapa: A criança não mais tenta pegar este objeto real, este outro que estaria
detrás do espelho.
3ª etapa: A criança reconhece este outro como sendo sua própria imagem.

• Esta relação com o espelho, ou relação especular, tem traços em comum com
a relação da criança com sua mãe. Traços imaginários, cujas características
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são: relação imediata, indistinção, identificação narcísica, alienação. A criança


deseja não só receber os cuidados e afeto de sua mãe, mas também que seja
o que falta a essa mãe, deseja ser um todo, um comple mento. Há uma
indistinção da criança com a mãe. Em termos lacanianos esta criança deseja
ser o Falo desta mãe, aquele que detém o poder de possuir o que falta ao
outro. Falo não deve se confundido, portanto, com o órgão sexual, com o
pênis.
• O indivíduo tem por desejo ser o desejo de sua mãe. E é por isto que a
definição de desejo na teoria lacaniana é: “o desejo é o desejo do outro”.

SIMBÓLICO
Acesso à ordem simbólica: a partir do Complexo de Édipo.
1º tempo do Édipo: Coincide com a 3ª etapa do Estádio do espelho.
A criança que queria ser o falo da mãe, onde havia uma indistinção dela com esta
própria mãe, é privada disto pelo pai. Este priva a mãe de um Falo, uma vez que a
criança percebe que este pai é desejo da mãe. O pai portanto, é quem tem o falo.
Acontece aí o encontro com a Lei do Pai.
2º tempo do Édipo: interdição do pai; castração (ser castrado significando não ter o
Falo).
Esta castração mostra ao sujeito que há uma FALTA , uma falta de ser.
Passagem do ser ao ter.

Se a mãe aceita a lei do paterna, a função paterna a criança então se


identificará ao pai, aquele quem tem o falo e haverá a entrada na ordem simbólica. A
criança sai da relação dual com a mãe para entrar então em na tríade familiar. O
simbólico traz consigo a cultura, a linguagem e a civilização.
3º tempo do Édipo: acesso ao Nome-do-Pai e à ordem simbólica.

O inconsciente é estruturado como linguagem: ao aceder à linguagem o sujeito é


dominado e constituído pela ordem simbólica. O sujeito entra na trama da linguagem.

Lacan enquanto pesquisador no campo da lingüística, traz a contribuição de F. de


Saussure sobre significantes e significados, inerentes a esta trama da linguagem.
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A língua, o código, refere-se aos significantes. Significantes são desde oposições


fonemáticas até locuções compostas (frases...) –( Semiologia)
O discurso pronunciado refere-se aos significados. – (Semântica).
Supremacia do significante: “Os significados são apenas variações individuais e só
ganham coerência dentro da coerência da rede significante.”

Rede ou cadeia significante: significantes expressos possuem outros significantes


associados, muitos inconscientes. Por exemplo: as inscrições : Homem / Mulher nas
portas de banheiros públicos, tem por traz destes significantes muitos outros relativos
à cultura da segregação dos sexos.

Há leis que regem a linguage m e o inconsciente: a metáfora e a metonímia.

Metáfora : correspondente do termo Freudiano de condensação. Parte pelo todo. Há


uma substituição. Sincronia. Por exemplo, dizer a um homem: “ Você é um touro”. O
significante Touro engloba outros: força, resistência , braveza ....”
Metonímia: correspondente do termo Freudiano de deslocamento. Todo pela parte.
Há uma combinação. Diacronia. Exemplo: “Sou Estagiário”. Este significante esconde
outros tantos como, “ainda não possuo um título”, “minha responsabilidade ainda não
é a de um profissional”, “Estou numa fase de transição, um estágio pelo qual devo
passar para alcançar algo” .

Estruturas clínicas: Neurose, Psicose, Perversão.


Dependem principalmente do que se passou durante as fases inicias: Estádio do
Espelho e vivência do Édipo.

Perversão: No Édipo só aceitará a castração se houver a possibilidade de transgredi-


la. Frente à angústia de castração há a mobilização de recursos defensivos para
contorná-la. Defesas: fixação e a regressão, e denegação da realidade. Dificuldade de
perceber a ausência do pênis na mãe. Mecanismos constitutivos da
homossexualidade e do fetichismo. Perversão feminina traz uma discussão
problemática. Perversão descrita e percebida nos homens.
Traços: desafio e transgressão. Não consegue assumir a sua parte perdedora.
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Desejo: orientado pela questão da castração. Não há o desejo do desejo do outro. Não
há a renúncia ao objeto primordial. A única lei do desejo é a sua e não do outro.

Neurose: Aceita a obrigatoriedade da castração, se submetendo a ela de bom ou mal


grado, mas desenvolve uma nostalgia sintomática diante da perda sofrida.

Neurose Obsessiva: Nostálgicos do ser. Sentem-se amados demais pela mãe. A


mãe poderia encontrar nesta criança o que supostamente espera do pai. Criança se
coloca numa posição de suplência à satisfação do desejo materno. Como se esta
satisfação lhe tivesse sido uma falha. Quer assegurar o controle onipotente do objeto.
Ocupa o lugar de gozo do outro. Competição e rivalidade.
Traços: economia obsessiva do desejo. Caráter imperioso da necessidade e do dever.
Obstinação. Organização obcecante do prazer. Ambivalência. Isolamento, Anulação
Retroativa.

Neurose Histérica: Questão do passo a dar na assunção da conquista do falo, que se


dá no declínio do Complexo de Édipo. O pai tem direito ao falo e é por isso que a mãe
o deseja. Mas acredita que o pai só o tem porque tirou da mãe, que é quem o possuía
anteriormente. Há assim uma reivindicação permanente pelo fato de a mãe também
poder tê-lo e o próprio sujeito também poder tê-lo. Implicitamente há uma sensação no
histérico de que ele não pode ter o falo.
Traços: reivindicação do ter. Sedução: mais colocada a serviço do falo do que de seu
desejo. Evita o encontro com a falta. Indecisão permanente. No desejo histérico há
uma constante: permanecer insatisfeita.

Psicose:
A psicose está relacionada com uma passagem mal sucedida pelo estádio do espelho.
Os psicóticos estariam presos ao corpo despedaçado, que existe antes da
identificação do corpo à imagem especular.

2.3 Ativ idades desta unidade:

2.3.1 Faça uma relação do complexo de Édipo com as fases psicossexuais do


desenvolvimento.
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2.3.2 Com relação a resolução do Complexo de Édipo segundo Freud qual parece
ser a diferença entre meninos e meninas>

2.3.3 De que forma pode haver uma redução da tensão através de sonhos, atos
falhos e chistes?

2.3.4 Por que o estádio do espelho é essencial para que haja o surgimento do
sujeito?

2.3.5 Em que momento é instaurada a ordem simbólica no desenvolvimento do


sujeito? Como isto se dá?

2.3.6 Segundo Lacan o inconsciente é estruturado como linguagem. Esta linguagem


segue certas leis. Quais são elas e como funcionam?

2.3.7 O que diferencia os traços estruturais do histérico, do obsessivo e do perverso


no que diz respeito ao falo, ao desejo da mãe e à lei do pai?

3. UNIDADE III: INTRODUÇÃO A TEORIA DE REICH E JUNG

3.1 Primeiras palavras: Nesta unidade definiremos como se constituiu a Psicologia


Corporal, desenvolvendo a trajetória de seu fundador Wilhelm Reich, sua forma de
integrar corpo e mente através das couraças. Também definiremos como se constituiu
a Teoria de Jung, a junção das questões biológicas com o mítico e o espiritual.

3.2 Texto Base


3.2.1 Integrando o Biológico e o Espiritual

“Somente nela poderiam confluir os dois rios do meu interesse,


cavando seu leito num único percurso. Lá estava o campo
comum da experiência dos dados biológicos e dos dados
espirituais” (JUNG, 1981, p.104)

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Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça, cursou Medicina e especializou-


se em Psiquiatria. Ingressou nas Universidades de Basiléia e Zurique para estudar
medicina, já tinha noções de Kant e Goethe. Depois teve interesse pelas idéias de
Schopenhauer e Nietzsche, idéias que influenciaram a construção de sua Psicologia
Analítica. Então, com tal interesse pelo homem, tanto biológica como espiritualmente,
a Psicologia entra na sua vida.
Em 1900, Jung conclui a faculdade de medicina e saiu da Basiléia para ser o
segundo assistente no Hospital Psiquiátrico Burgholzli em Zurique. O hospital era
dirigido por Eugen Bleuler, que utilizava a teoria do associacionismo, que tem como
base experiências de associação verbal. Bleuler também trazia à Psiquiatria uma base
psicológica. Os estudos de Bleuler e seus colaboradores, como Jung, voltam-se à
esquizofrenia.
Neste modelo havia uma pessoa, o experimentador, que dizia palavras
isoladas, chamadas palavras indutoras. Este pedia que o sujeito do experimento
respondesse com a primeira palavra que viesse a sua mente, a chamada palavra
induzida, a cada palavra indutora. Era medido o tempo de resposta entre dizer a
palavra indutora e responder a palavra induzida.
Com sua experiência, Jung observou as diferentes reações nos sujeitos, e com
isso veio a hipótese de que essas palavras deveriam atingir conteúdos emocionais das
pessoas, ou ainda áreas de bloqueio afetivo de que os sujeito não tinham consciência.
Jung se interessava pelos estudos feitos por Freud. Notando uma proximidade
entre seus estudos e aqueles feitos por Freud. Dessa maneira, aproxima-se da
Psicanálise.
Desde então, essas experiências tornaram-se uma forma de explorar o
inconsciente. Buscava com palavras indutoras descobrir os conteúdos inconscientes
que estavam sendo alcançados e denominou-os “complexo psíquico”, ou seja, idéias
ou representações afetivamente carregadas e autônomas da psique consciente.
A origem do complexo é uma situação psíquica considerada incompatível tanto
com a atitude como com a atmosfera consciente de costume, pois, há um núcleo que
possui alta carga afetiva. Este passa a estabelecer associações com outros
elementos, formando assim a chamada “psique parcelada”.
A afinidade entre as idéias de Freud e Jung deteriorou-se com a publicação da
Psicologia do Inconsciente, em 1912 (revista em 1916), em que Jung apresenta
noções parecidas entre as fantasias psicóticas e os mitos antigos. Nisso, incentivado
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por colegas, amigos e pacientes cria sua Escola. Para o desenvolvimento de suas
teorias Jung utilizou conhecimento de mitologia (trabalhos em colaboração com
Kerensky) e História e culturas de países como México, Índia e Quênia
Jung adoeceu e faleceu em 06 de junho de 1961, em Kusnacht. Criou a
Psicologia Analítica e é visto como um dos grandes expoentes do século XX. Deixa
contribuições científicas importantes para o estudo e compreensão da alma humana.
Em sua obra constam as questões espirituais, enquanto fenômenos psíquicos.

3.2.2 Inconsciente Coletivo.


O inconsciente coletivo são sensações, pensamentos e memórias
compartilhadas por todos os seres humanos, independente das diferenças de raça,
cultura e individuais. O inconsciente coletivo se compõe do que ele chamou de
arquétipos, ou imagens primordiais, ou seja, são experiências comuns a toda
humanidade, tais como: enfrentar a morte de um ente e cuja manifestação simbólica
encontra-se nos mitos, nas grandes religiões, nas fantasias, na Alquimia, nos contos
de fadas e outros.
O arquétipo traduz-se, então, em imagens formadas a partir da interação com
ambiente, sendo assim, preenchidas por materiais da realidade.

“A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base


psíquica comum a todos os humanos, permite compreender por
que em lugares e épocas distantes aparecem temas idênticos,
nos contos de fadas, nos mitos nos dogmas e ritos das religiões,
nas artes, na filosofia, nas produções do inconsciente de modo
geral- seja nos sonhos de pessoas normais, sejam em delírios
dos loucos” (SILVEIRA, 1971).

Para Jung os arquétipos são elementos necessários para a auto-regulação da


psique.

3.2.3 Processo de Individuação e os Arquétipos.


Através do processo de individuação o homem realiza sua potencialidade ou
auto desenvolvimento, ou seja, tornar-se um ser único. Os principais arquétipos
descritos no processo de individuação são: a Persona, a Sombra, a Anima, o Animus e
o Self. Abaixo descrevemos cada um desses arquétipos.

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- Persona: é a forma que nos apresentamos ao mundo. É o nosso caráter; através


dela nos relacionamos com as outras pessoas.

A Persona inclui nossos papéis familiares, profissionais e nossa expressão


pessoal. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente à máscara. Então,
para se adaptar ao ambiente em que vive, o indivíduo assume os papéis que lhe
cabem nas diferentes situações em que se encontra, tentando preenchê-los e
corresponder às expectativas.
O Ego identifica-se com a Persona em maior ou menor grau, isto se torna,
então, uma fonte de neuroses, pois, ninguém vive inteiramente dentro dos moldes que
são determinados pela consciência coletiva.

- Sombra: é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material que foi reprimido


da consciência. À medida que o Ego rejeita a imagem ideal que tem de si, o indivíduo
passa a se defrontar com um outro lado, dos seus defeitos e impulsos contrários aos
padrões e ideais sociais. Este outro lado foi chamado de Sombra, ou seja, a Sombra é
aquilo que consideramos inferior em nossa personalidade, aquilo que descuidamos e
nunca desenvolvemos em nós mesmos.

- Anima e Animus: são os arquétipos feminino e masculino. São componentes contra-


sexuais inconscientes, ou seja, à medida que a consciência do homem é masculina,
haverá uma outra parte feminina em seu inconsciente e vice-versa para a mulher.
A Anima geralmente é representada por princesa, fada, sereia etc. Já o Animus
é representado como príncipe, herói, feiticeiro etc. Para Jung, a Anima é a
personificação das tendências psicológicas femininas na psique do homem, tais como:
sentimentos, estados de humor, sensibilidade e outros Já na mulher o Animus
personifica as características masculinas, como pensamentos rígidos. Estes são
arquétipos que determinam o encontro do eu com o outro.

- Self: é chamado por Jung de arquétipo central, ou seja, o arquétipo da ordem, da


totalidade da personalidade, é organizador e determina o desenvolvimento psíquico. O
processo de individuação tem como meta o Self.

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Como o processo de individuação é uma aproximação entre consciente e


inconsciente, ou seja, eles se complementam, o Ego não será mais o centro. Este
centro se constituirá num ponto de equilíbrio que garante uma base sólida para a
personalidade.
O Self é simbolizado em sonhos ou imagens de forma impessoal, como um
círculo ou quadrado, ou de forma pessoal como um velho ou uma velha sábia, uma
criança divina, ou na forma de outro símbolo de divindade. Todos estes são símbolos
da totalidade, unificação, ou equilíbrio dinâmico, os objetivos do processo de
individuação.

3.2.4 Introversão e Extroversão.


.
Para Jung cada indivíduo se caracteriza de acordo com como é voltado para
seu interior ou para o exterior. A energia daqueles que são introvertidos se direciona
para seu mundo interno, enquanto a energia do extrovertido se direciona mais para
seu mundo externo.
Mas, nenhum indivíduo é apenas introvertido ou extrovertido, muda de acordo
com a ocasião em que algumas vezes a introversão é mais apropriada e, em outras
situações a extroversão é mais adequada. Uma exclui a outra, portanto não se pode
manter ambas ao mesmo tempo e uma não é melhor do que a outra.
Os dois tipos de pessoas são necessários no mundo. Mas, o ideal é que cada
indivíduo seja flexível e possa adotar uma das duas de acordo com o que for
necessário, e que haja um equilíbrio.

a) Introvertidos

Os introvertidos estão ligados em seus próprios pensamentos e sentimentos,


em seu mundo interior, com tendência à introspecção. Mas, tem que se tomar cuidado
para que estas pessoas não mergulhem de forma excessiva em seu mundo interior,
tornando raro seu contato com o ambiente externo.

b) Extrovertidos

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Já os extrovertidos estão ligados ao mundo externo das pessoas e dos objetos.


São pessoas sociáveis e conscientes do que acontece à sua volta. São pessoas que
têm como base as idéias de outros, e acabam não desenvolvendo suas próprias idéias
e opiniões. Têm que se proteger para que não sejam englobados pelo mundo externo.

3.2.5 Pensamento; Intuição; Sensação e Sentimento

Para Jung, confrontando-se o inconsciente pessoal e integrando-o com o


inconsciente coletivo, representado no arquétipo da sombra coletiva, um paciente
pode alcançar um estado de individuação, ou a integridade, através da reconciliação
dos diversos estados da personalidade, que é dividido também nas subvariáveis, tais
como, pensamento, intuição, sensação e percepção.

- Pensamento: é uma maneira diferente de preparar julga mentos e tomar decisões.


As pessoas em que predomina o pensamento são consideradas reflexivas e, têm
como característica fazer grandes planos. O pensamento está relacionado com a
verdade e com julgamentos.

- Intuição: é uma forma de acionar informações das experiências passadas, objetivos


futuros e processos inconscientes. Os intuitivos dão mais importância ao que poderia
vir a acontecer, ou que seria possível, que às vivências. Eles relacionam prontamente
as experiências passadas complacentes e as experiências relevantes atuais.

- Sensação: é classificada junto com a intuição, pois, são formas de adquirir


informações e não formas de tomar decisões. A Sensação está ligada à experiência
direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos, ou seja, o que se pode ver,
tocar.

Os sensitivos respondem ao presente, têm facilidade de lidar com crises e


emergências cotidianas.

- Sentimento: uma maneira alternativa de preparar julgamentos e tomar decisões. Os


sentimentais são voltados para o lado emocional da experiência, de preferência
emoções fortes. Dão valor à consistência e princípios abstratos. Suas decisões são
tomadas de acordo com seus valores.

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3.2.6 Símbolos

Para Jung, a priori o inconsciente se expressa através de símbolos. Ele se


interessa por símbolos naturais, que são produções espontâneas da psique individual.
Os símbolos coletivos também são importantes e geralmente são imagens religiosas.
Para ele um símbolo é alguma coisa em si mesma, algo dinâmico, que representa uma
dada situação psíquica do indivíduo. Pode ser um termo, um nome ou uma imagem
familiar na vida diária, mas possui significados além do convencional e óbvio.

3.2.7 Sonhos

Os sonhos possuem mais emoções intensas e imagens simbólicas que nosso


pensamento consciente. Trabalham como pontes entre consciente e inconsciente.
Para Jung, a função dos sonhos é tentar equilibrar o nosso psicológico através da
produção de um material do sonho que refaz o equilíbrio psíquico total.

3.2.8 Psicologia Corporal:o histórico de sua formação


Wilhelm Reich nasceu em 24 de março de 1897 na Galícia ucraniana, no
Império Austro-Húngaro. Em 1915 serviu ao exército; em 1918 ingressou na
Faculdade de Medicina de Viena. Visitou Freud pela primeira vez com o intuito de
buscar ajuda para organizar um seminário de sexologia na escola de Medicina que ele
freqüentava em 1919. A partir de então, ressaltamos três momentos da sua vida e
obra:
1)1919 a 1926: É o momento que se dedica à Psicanálise, voltando sua atenção à
miséria sexual dos operários e a relação desses com suas neuroses.
Reich ingressa na Sociedade Vienense de Psicanálise, tornando-se assim
discípulo de Freud. Especializa-se em neuropsiquiatria e passa a trabalhar como
psicanalista em consultório. Em 1922, funda a Policlínica Psicanalítica, uma clínica
gratuita em Viena. Neste trabalho mostra interesse pela miséria sexual dos operários,
pois, o aborto era proibido e os anticoncepcionais controlados. Estabelece uma ligação
entre a ansiedade, que está ligada à procriação e a origem das neuroses. Publica seus
primeiros trabalhos, realiza conferências em congressos psicanalíticos, já com alguma
resistência dos psicanalistas com as questões da potência orgástica e da couraça
caracterológica.

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Após a morte de dois operários numa reunião do partido socialista e o fato dos
assassinos serem julgados e absolvidos, os operários se revoltam e fazem uma
manifestação de repúdio da qual Reich participa. Nesta houve choque com a polícia,
onde vários operários foram massacrados.
Neste dia, Reich inscreve-se no Partido Comunista e intensifica seus estudos
sobre Marx a fim de aproximar-se do Materialismo Dialético e Psicanálise.
2)1927 a 1935: É o momento de crítica à Psicanálise ortodoxa, propõe a prática
revolucionária da Psicanálise, devido a aproximação com o ideal de Marx.
Em 1928, funda a Associação Socialista para a Investigação e Ajuda Sexual.
Em 1929, criou seis centros de Higiene Sexual nos subúrbios de Viena, com a
intenção de conquistar a legalização do aborto, a eliminação de doenças venéreas e a
prevenção dos problemas sexuais através de uma educação sexual e distribuição de
anticoncepcionais. Reich busca uma revolução sexual que elimine a repressão
imposta pela moral conservadora, que seriam para ele, a geradora das patologias.
Luta pelo fim da proibição do aborto, pelo divórcio e sugere tratamento para as
agressões sexuais e não punição. Em 1930, vincula-se ao Partido Comunista alemão,
estabelecendo-se em Berlim.
Em 1931 funda a SEXPOL (Associação para uma Política Sexual Proletária),
em que em um ano teve 20 mil membros.
Em 1933, é expulso do Partido Comunista, pois, seus dirigentes se assustam
com dimensão da SEXPOL e, é perseguido pelos nazistas.
Em 1934, é expulso da Associação Psicanalítica Internacional. (IPA). Com tudo
isto, vai deixando o Materialismo Dialético e se aproximando da Fisiologia e da
Biofísica.
3)1936 a 1957: Neste momento começa a deixar a prática político-psicanalítica, pois,
entra em contato com a Fisiologia e com a Biologia até chegar à Cosmogonia.
Começa suas pesquisas sobre bions e orgone cósmico.
Em 1939, vai para os Estados Unidos, onde funda uma editora, monta um
laboratório e lança um jornal, mas, é perseguido pelo FBI que considera que suas
pesquisas referentes à energia orgônica são para espionagem nazista ou comunista.
Em 1944, desenvolve aparelhos, que acumulam energia orgone, para serem
utilizados na prevenção e cura das doenças mentais e físicas.
Em 1954, é condenado por vender aparelhos terapêuticos ilegalmente.
Em 1957, é preso e morre na prisão.
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À priori Reich se aprofunda no estudo psicanalítico, posteriormente


compreende a neurose como resultante de energia sexual, a libido, submetida à
repressão moral.
Então, com esta visão das neuroses ele se aproxima do Marxismo e da
Biologia. Pensava em uma política sexual libertadora, voltada à juventude e ao
proletariado.

3.2.9 Desenvolvimento da Psicologia Corporal.


Em 1915, Freud desenvolve a classificação das neuroses, dividindo-as em
duas, as psiconeuroses, que são neuroses com causas psíquicas, que têm como
sintomas uma expressão simbólica dos conflitos de infância e, as neuroses atuais, que
são causadas por uma disfunção somática, cuja origem é a insatisfação sexual, nesta
os sintomas somáticos não passam por intermédio psíquico.
Nesse momento, Reich defronta-se com os conceitos freudianos, tendo como
principal causa as neuroses atuais. Reich passa a estudar a intensidade da energia e
o grau de excitação somática do indivíduo dedicando-se à análise de seus dois casos
clínicos.
A proposta da análise do caráter de Reich inclui a noção de desenvolvimento
da couraça caracterológica, que são emoções não expressas bloqueadas na
musculatura que geram uma tensão crônica e inconsciente.
Para este autor, a origem do caráter tem por base o conflito entre as demandas
pulsionais e o meio exterior, é uma defesa do ego contra as dificuldades impostas ao
organismo, pelo mundo externo e interno, que impedem que o organismo tenha um
fluxo vital saudável. Esta é uma defesa contra a ansiedade, originada pelos
sentimentos sexuais impetuosos da criança e seu medo da punição. O caráter se dá
de acordo atitudes habituais de uma pessoa e de seu padrão de respostas para
diversas situações.
Durante sua vida, o indivíduo passa pelos conflitos entre o desejo libidinal e as
pressões da sociedade. O Ego, que faz o intermédio entre as demandas do Id e do
Superego, estrutura o caráter. Os traços de caráter são como parte integrante da
personalidade.
Para Reich, o desenvolvimento de um traço neurótico de caráter pode ser a
resolução de um conflito reprimido ou, se torna o processo de repressão não

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necessário ou ainda transforma a repressão numa formação rígida, a qual é aceita


pelo ego.
“Tal couraça serve, por um lado, de proteção contra os
estímulos externos e, por outro lado, consegue ser um meio de
obter controle sobre a libido, que está continuamente
pressionando a partir do Id”. (REICH,1933).

A energia acumulada adquire força. Uma parte da energia do Id é utilizada pelo


Ego, como formação reativa, ou seja, o Ego utiliza a mesma energia para reprimi-la.
Isto se torna repetitivo, a energia se concentra ainda mais, o Ego aumenta suas
defesas, então, a couraça torna-se cada vez mais crônica. As defesas de caráter são
difíceis de extirparem, pois, são racionalizadas pelo indivíduo que tem um estilo de
comportamento e de atitudes físicas. A cada atitude do caráter há uma atitude física
correspondente, portanto, o caráter do indivíduo se expressa de forma corporal como
couraça muscular.
A couraça não permite que o indivíduo vivencie fortes emoções e, assim, limita
e muda o sentido da expressão dos sentimentos. Desta forma, as emoções
bloqueadas não são liberadas, pois, nunca serão expressas completamente.
Reich começa a observar as expressões corporais dos seus pacientes, seu
trabalho trazia a libertação das emoções através do trabalho com o corpo, no
relaxamento da couraça muscular. Ele descobre que, só após a expressão da
emoção, a tensão crônica pode ser aliviada, pois, a perda da couraça muscular
libertava energia libidinal. Reich analisava a postura e hábitos físicos de seus
pacientes para torná-los consciente de como reprimia m seus sentimentos em diversas
partes do corpo. A couraça caracterológica equivale à hipertonia (enrijecimento)
muscular. Reich considerava corpo e mente de forma integral, ou seja, uma só
unidade.

3.2.10 Estágios do Desenvolvimento Psicossexual


Reich utiliza-se da mesma teoria de desenvolvimento psicossexual da
Psicanálise freudiana.
Durante seu desenvolvimento psicossexual, o bebê encontra diferentes tipos
de dificuldades, o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo, então, o bebê
sofre pelo excesso e pela falta, pela rejeição, pelo abandono, pela traição pelo controle

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exacerbado, pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da infância que a
estrutura de ego do bebê não consegue executar.
Segundo Baker,orgonomista, temos quatro zonas erógenas principais: olhos,
boca, ânus, genitais. Durante os cinco primeiros anos de vida, o desenvolvimento
psicossexual atravessa quatro fases: estágio ocular, estágio oral, estágio anal e
estágio fálico. Em cada fase do desenvolvimento psicossexual pode se desenvolver
um bloqueio por dois tipos de “trauma”: um por insatisfação (hipotonia muscular), outro
por repressão (hipertonia muscular).
É de acordo com tais traumas que criamos as defesas que definem nossas
couraças e caráter. Ou seja, o caráter se dá de acordo com o estágio de fixação da
libido que causou conflitos mais intensos na história de seu relacionamento com o
ambiente externo. Durante seu desenvolvimento psicossexual, encontram-se
diferentes tipos de dificuldades, o ego frágil não sustenta as “agressões” do mundo,
então, o bebê sofre pelo excesso e pela falta, pela rejeição, pelo abandono, pela
traição pelo controle exacerbado, pelo muito e pelo pouco e estas são as marcas da
infância que a estrutura de ego do bebê não consegue executar.
As couraças estão centradas nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma,
abdome e pelve.
Reich coloca-nos os tipos de caráter, segundo a fase de fixação que provocou
maior intensidade de conflitos, afetando a formação da couraça caracterológica.
São eles:
ESTÁGIO ANEL EMOÇÃO BLOQUEADA

OCULAR OCULAR ALARME/ MEDO

ORAL ORAL ABANDONO/ RAIVA


CERVICAL MEDO DE PERDER O CONTROLE

ANAL TORÁCICO MÁGOA/ TRISTEZA


DIAFRAGMA ANGÚSTIA/ ANSIEDADE

FÁLICO ABDOMINAL TRISTEZA/ ALEGRIA


PÉLVICO EXCITAÇÃO

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- Esquizóide: tensão no anel ocular. Couraça ocular, defesa contra a ansiedade de


não ser acolhido pela mãe.
A criança sente-se rejeitada, não bem-vinda. A mãe pode odiar a criança ou
pode ter sido um nascimento traumático que não foi seguido pelo amor materno. Mãe
fria ou odiosa. No contato ocular entre a mãe e o bebê houve trauma, gerou
ansiedade. A criança é bastante sensível, seu desenvolvimento é difícil.
Tem corpo desarticulado, são altos, dedos grandes e finos, por mais que
comam não engordam. A criança bloqueia a energia vital se encolhendo para dentro.
A criança segura-se contra a ameaça de desintegração; lida com seu self
mecanicamente; pode ter tendências autistas; perde o contato com a realidade
externa; tem comportamentos ilegítimos com explosões ocasionais, agressões breves;
não sustenta a agressão, então, foge ou chora. Superfocado em si mesmo; fora de
contato com o self e com o mundo.
Sente terror; nunca está totalmente a par dos seus sentimentos; o sentimento
de ódio em relação à mãe leva-o ao terror de ser destruído; inseguro; confuso; sente-
se isolado. Mas, são pessoas sensíveis, perceptivas, criativas etc.

- Oral: ocorre nos primeiros dois anos de vida, pois, o sentimento de precisar da mãe
é reprimido antes que suas necessidades sejam satisfeitas.
a) Privação (quando a criança recebe da mãe nutrição insuficiente).
Criança sente-se privada, a mãe não ofereceu “boa” amamentação. A mãe não
está disponível por alguma razão, não pode ir ao encontro das necessidades da
criança. A criança é privada de contato físico, atenção, talvez comida e nutrição. A
criança não desenvolve confiança. Há também uma sensação interna de vazio e
incapacidade de ficar sozinha. Tendência à dependência, almeja que os outros cuidem
dela. Tem problemas para estar no mundo adulto, desiste quando encontra alguma
dificuldade, sente-se cansada. A privação leva a sentimentos de fraqueza, medo de
ser abandonada, deixada sozinha. Persecutório, tendência à bulimia e anorexia.
Contudo, são pessoas interessadas nas outras, fácil de confiar, de conversar. São
afetuosas, de relacionamento fácil.
b) Compensado (quando a criança recebe da mãe nutrição exagerada).
Mãe muito ansiosa. Pessoa que considera que não precisa de ninguém, tem
medo de deixar os outros tomarem conta dela; tenta ser forte em termos de força física
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para tentar dar conta de si mesma. Corpo parece infantil, são gordinhos, rosto com
jeito de bebê. Dificuldade de ouvir.

- Psicopata: mãe exibe o filho, que para ela é o máximo, ou coloca-a para baixo.
Ocorre antes do quatro anos de idade; a criança está desenvolv endo autonomia, mas
ainda quer ajuda. Criança sente-se impotente, não tem poder.Toda energia está no
peito. Pessoa nunca descansa, sempre tenta agradar a mãe.
a) Transição entre oralidade e psicopatia: mais agressivo, duro, menos elaborado.
b) Anal expulsivo: sedutor, meigo, educado e sensível.

- Masoquista: Ocorre na idade em que a criança está preparando-se para andar,


mover-se livremente, afirmar-se. A criança sente-se pressionada; a mãe é dominante,
o pai é submisso. O amor é condicionado à obediência. Foco no comer e defecar.
Pessoa tem dificuldade na expressão das emoções e afirmação do self, em
descarregar, liberar. Voltas os impulsos para dentro. Sentimentos de ressentimento e
perda. Sente culpa.

- Histérico: Ocorre quando a criança é suficientemente ciente das diferenças sexuais.


Os pais não trataram a criança com direitos próprios, não prestaram atenção à
criança. O pai era amoroso nos primeiros anos, mas congelou-se frente à sexualidade
desta. Agarra-se em ser criança e ter proteção dos pais, entristece facilmente. É
nervosa, dramática e teatral. Tende a ser dispersiva, focada no problema.

- Fálico-narcisista: Ocorre quando a criança é suficientemente consciente das


diferenças sexuais. O principal problema é o pai que rejeita a criança, que luta pelo
seu status de adulto. É frustrada em suas tentativas de conseguir prazer. Cresce
rapidamente, lhe é dada responsabilidade prematuramente. Não lhe é permitido ser
criança. Esforça-se para ser perfeita, competitiva. Tenta ganhar a aprovação do pai.
Reprime as emoções.

3.2.11 A Função do Orgasmo

“... a capacidade de descarregar completamente a excitação


sexual reprimida, por meio de involuntárias e agradáveis convulsões

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do corpo.” (REICH, 1942)

Reich descobriu que a movimentação e a descarga de bioenergia são


essenciais no processo de excitação sexual e orgasmo. Este é o processo da Função
do Orgasmo, o qual tem quatro partes que Reich acreditava existir em todos os seres
vivos. As partes são: tensão mecânica; carga bioenergética; descarga bioenergética e
relaxamento mecânico.
O orgasmo é um mecanismo de descarga energética, pois, após o contato
físico, a energia se acumula nos corpos e, então, é descarregada no orgasmo.
A seqüência do ato sexual é constituída do intumescimento dos órgãos sexuais
(tensão mecânica) que produz grande excitação (carga bioenergética). Devido às
contrações musculares essa excitação sexual é descarregada (descarga
bioenergética) e finalmente há o relaxamento físico, ou seja, relaxamento mecânico.
Portanto, a função do orgasmo é essencial para o problema da fonte de
energia na neurose. As neuroses são resultados de um acúmulo da energia sexual.
Essa estase é causada por um distúrbio na descarga de grande excitação sexual no
organismo, percebida ou não pelo ego. Ou seja, o neurótico tem sua potência
orgástica limitada.
Este processo tem como característica uma intensa excitação biológica,
expansão e contração repetidas, ou seja, movimentos pulsionais, ejaculação de
substâncias corporais e uma rápida diminuição da excitação biológica.
Quando a tensão e a carga bioenergéticas chegam numa certa intensidade,
acontecem convulsões, ou seja, em todo o sistema biológico acontece contrações.
Libera-se grande tensão de energia e com isto há uma abrupta queda do potencial
energético da pele e, assim, uma rápida diminuição da excitação.
Após esta descarga energética, há o relaxamento mecânico dos tecidos,
resultante do reflexo das substâncias do corpo. Essa descarga acontece quando o
organismo não consegue repetir sua excitação sexual logo em seguida. De acordo
com a Psicologia, este é o estado de “gratificação” do organismo, ou, de liberar o
excesso de energia junto a outro organismo que se repete em intervalos de períodos
regulares, de acordo com termos biofísicos.
A função do orgasmo acontece em quatro momentos: tensão mecânica →
carga bioenergética → descarga bioenergética → relaxamento mecânico. A função do

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orgasmo tem, então, o objetivo de atingir a auto-regulação destes indivíduos, aliviando


suas couraças musculares e caracterológicas.

3.2.12 Caráter Genital


Este termo foi utilizado por Freud para denominar o último estágio do
desenvolvimento psicossexual. Já Reich utilizou-o para definir a pessoa que adquiriu
potência orgástica, ou seja, pessoa com capacidade de ver-se livre das inibições e
chegar ao fluxo de energia biológica, de descarregar completamente a excitação
sexual reprimida através de convulsões do corpo. Com isso o indivíduo adquire a
capacidade de auto-regulação, ao invés de rígidos controles neuróticos.

3.3 Ativ idades


3.3.1 Defina a formação da couraça muscular.

3.3.2 Quais são os tipos de caráter e suas principais características?

3.3.3 Como se dá a função do orgasmo no neurótico?

3.3.4 Qual a diferença entre o caráter neurótico e o caráter genital?

3.3.5 Descreva e caracterize os arquétipos.

3.3.6 Quais são as características dos introvertidos e extrovertidos?

3.3.7 Qual a função dos sonhos?

3.3.8 O que são símbolos?

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4. UNIDADE IV: CARL ROGERS E A ABORDAGEM CENTRADA NA PESSOA


4.1 Primeiras Palavras: nesta unidade serão abordadas as principais contribuições
de Carl Rogers para a Psicologia.

4.2 Texto Base

A Abordagem Centrada na Pessoa, formulada por Carl Rogers, classifica-se


como uma teoria e prática humanista, identificada em meados do século XX com a
chamada Terceira Força (abordagens influenciadas pela filosofia fenomenológica
existencial).
As abordagens humanistas enfatizam a psicoterapia como processo de auto-
conhecimento. Relativizam dessa forma o lugar da psicoterapia, tradicionalmente
relacionada ao tratamento e à doença. A principal aspiração das teorias humanistas é
a mudança, que experimentada na conduta e nos modos de ser, implica uma
reorganização de percepções, sensações e valores.

4.2 .1 Co n texto H is tórico


Para que possamos compreender o sentido da obra de Rogers é importante
conhecer em que contexto ele desenvolve sua teoria. Na esfera da Psicologia Rogers
inicia sua prática no campo do Aconselhamento Psicológico. Denomina-se
aconselhamento “o auxílio ou orientação que um profissional [...] presta ao paciente
nas decisões que este deve tomar quanto à escolha de profissão, cursos etc, ou
quanto à solução de pequenos desajustamentos de conduta” (Houaiss apud Schmidt).
O ponto inicial da afirmação do campo do Aconselhamento Psicológico como
área de atuação e conhecimento de Psicologia, se dá pela teoria Traço e Fator. Esta
teoria nasce estreitamente vinculada à orientação vocacional e a psicometria. Suas
concepções centrais são:
- cada indivíduo é portador de um conjunto de capacidades e potencialidades,
mensuráveis objetivamente, que podem ser correlacionado com habilidades e
características exigidos por cada profissão.
- há uma unidade entre organismo e ambiente, com o reconhecimento da
influência do ambiente e do social no indivíduo, sendo a função do aconselhamento o
ajustamento.

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Uma etapa muito importante do Aconselhamento Psicológico é o diagnóstico.


Além de direcionar o aconselhamento no sentido das “boas” condutas, o mesmo servia
para diferenciar aqueles que se beneficiariam do aconselhamento (os casos mais
leves) e os que deveriam ser encaminhados a psicoterapia psicanalítica (distúrbios
mais graves). No caso americano, os psicanalistas eram predominantemente médicos.
A teoria do Traço e fator articulou o experimentalismo das vertentes
psicométricas com a prática enraizada no senso comum do conselho, atribuindo-lhe
uma aura de cientificidade. Afastou-se assim do domínio médico e criou um espaço
onde o psicólogo pode então se instalar.

4.2 .2 Ca rl Rogers
Carl Rogers, fundador da Abordagem Centrada na Pessoa, antes de
aproximar-se da Psicologia, formou-se em agronomia e iniciou estudos teológicos para
se tornar pastor evangélico, abandonando-os, porém, devido à discordância com as
ortodoxias. Doutorou-se em Psicologia em 1931 pela Universidade de Columbia. Entre
1928 e 1940, trabalhou como psicólogo no Rochester Guidance Center, em Nova
Iorque, no Departamento de Prevenção de Violência contra a Criança (SCHIMDT,
2005, p.50).
O início de sua atuação profissional foi segundo o modelo da teoria traço e
fator. Somente em 1942, com a publicação do livro Counseling and psychoterapy,
Rogers deu visibilidade aos primeiros passos da teoria centrada no cliente. A
insatisfação com os procedimentos e resultados obtidos pelo aconselhamento,
associado aos efeitos positivos de uma presença mais acolhedora e respeitosa em
relação à demanda, dos pais de crianças atendidas, de falar, fizeram com que Rogers
mudasse o foco de sua atuação. Sua proposta mudava substancialmente o foco dos
atendimentos psicológicos e do aconselhamento. Como aponta Schimdt,

“A prioridade conferida pela abordagem psicométrica ao


problema, ao instrumental de avaliação e aos resultados foi
substituída pela focalização da pessoa do cliente, da relação
cliente-conselheiro e do processo” (Schimdt, 2005, p. 51)
O primeiro período de elaboração de suas idéias é o da “psicoterapia não
diretiva”. Este período é marcado por dois movimentos:
- reativo: que vem de encontro ao modelo hegemônico de uma postura
bastante autoritária do psicólogo.

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- afirmativo: o psicoterapeuta ou conselheiro visto como um ouvinte interessado


e compreensivo que por meio da técnica da reflexão, procura deixar o aconselhando o
mais próximo possível de suas percepções atuais e conscientes.
Ainda a partir de uma tradição positivista, e não fenomenológica, Rogers, neste
período, procurou identificar que ações do psicólogo favoreciam um melhor
atendimento. As sessões eram registradas em áudio e analisadas quanto à melhora
na qualidade de verbalizações do cliente. Rogers chegou então à elaboração da
técnica da reflexão, que tinha como foco permitir que o cliente se sentisse escutado
e, conseqüentemente, possibilitasse que se sentisse cada vez mais à vontade no
ambiente criado pelo psicólogo. Esta técnica consistia na disposição do psicólogo em
se centrar apenas no discurso de seu cliente, não opondo a ele nenhuma
interpretação ou conselho, favorecendo assim cada vez mais sua riqueza e
complexidade. Um dos principais expedientes dessa técnica consistia no psicólogo
devolver ao cliente a maneira como compreendia sua fala, favorecendo com que ele
percebesse que estava sendo compreendido e continuasse a desenvolver sua fala.
A “behaviorização” da técnica da reflexão, no entanto, fez com que Rogers se
afastasse dela,4 iniciando um segundo período de seus trabalhos teóricos. A crítica
que Rogers desenvolvera sobre a técnica que ele próprio criara se pautava em seu
esvaziamento de sentido enquanto relação, que era o que ele procurara superar em
relação ao aconselhamento baseado na teoria do traço. Discutindo a presença pessoal
do psicoterapeuta por meio da noção de autenticidade ou congruência, Rogers iniciou
um novo período em seus estudos. O antídoto da objetivação do uso da reflexão
estaria nas condições subjetivas do conselheiro.
A partir de 1957, com a crítica da técnica e da tematização da congruência,
Rogers passa a elaborar um dos pilares de sua formulação teórica: as atitudes
básicas e sua relação com a criação de um clima ou atmosfera facilitadores do
crescimento e do desenvolvimento humano. Origina-se então a psicoterapia
centrada no cliente e uma teoria da personalidade.

4
A técnica rogeriana era alvo de anedotas por parte de críticos que associavam sua não diretividade à
mera repetição, pelo terapeuta, das palavras do paciente e aos acenos de cabeça acompanhados do “hum-
hum”

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4.2 .3 Teoria da personalidade e da c onduta

Em “Uma Teoria da personalidade e da conduta” (1951, em Terapia


Centrada no Paciente) Rogers organiza as bases de sua concepção sobre a
personalidade humana e sobre as motivações da conduta. Elencamos aqui os
principais tópicos de sua proposta.
- o indivíduo é centro de um mundo de experiência em permanente mudança,
mundo este que poderíamos denominar como campo fenomenal, experencial ou
perceptivo.
- o campo perceptivo tal como apreendido pelo indivíduo é para ele realidade
(subjaz ainda nesta proposição um conceito de verdadeira realidade para além da
psicologia, e ainda uma realidade social, que consistiria nas percepções que são
comuns a vários indivíduos num alto grau). Rogers nesta concepção expressa um
pouco da influência da filosofia fenomenológica. Ao dar o estatuto de realidade para a
experiência psicológica o autor destaca importância da experiência subjetiva em jogo
nas relações humanas. Se a experiência do outro tem o estatuto de uma realidade o
psicólogo não pode simplesmente corrigi-la a partir de sua própria realidade nem
considerar que seja esta mudança tarefa meramente racionalizável.
- a percepção refere-se ao organismo, que reage ao que percebe. A
consciência por sua vez refere-se à simbolização das experiências viscerais e
sensoriais do organismo. Trata-se de uma diferença importante: o campo fenomenal a
que se refere Rogers está vinculado às percepções do organismo em relação ao seu
meio e não a consciência destas percepções. A realidade própria a que cada indivíduo
está submetido, portanto, extrapola o que a pessoa pensa e nomeia de si. O campo
fenomenal é fruto da interação entre organismo e meio, e não da consciência com seu
meio.
- os seres-vivos têm a tendência para realização ou atualização de suas
potencialidades em níveis cada vez maiores de integração e complexidade, que
podemos nomear de tendência atualizante ou tendência de auto-atualização.
Trata-se da tradução na teoria rogeriana de uma pressuposição que encontrávamos
na teoria traço e fator sobre as potencialidades naturais do homem, porém não
vinculada a uma idéia de “boa socialização”. É importante ressaltar mais uma vez a
diferença entre consciência e organismo: esta tendência refere-se ao organismo. Isto
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significa que esse conceito não implica em nenhuma tendência do homem ao


moralmente correto, algo que é da esfera de sua consciência. O fato de uma pessoa
escolher realizar atos contrários a saúde de seu corpo ou a integridade de sua
sociedade está vinculada a sua consciência e não se refere a essa tendência. Sendo
vinculada ao organismo a tendência atualizante está relacionada apenas à disposição
humana em se associar em níveis cada vez mais complexos de organização e em sua
disposição para o crescimento, para a ampliação de suas capacidades. Esta tendência
pode ser favorecida ou não pelo meio e/ou pela consciência.
- a motivação da conduta é sempre atual e emana da percepção de tensões e
necessidades do organismo. Mesmo quando uma conduta refere-se a um evento do
passado, esta só ocorre se este evento passado estiver presente como tensão e
necessidade do organismo.
- a parte do campo perceptual que se diferencia, pela interação com o
ambiente e com os outros, em modelo conceitual e valorativo do eu ou do “mim
mesmo” denomina-se self. O self significa a consciência de ser e de agir que não se
confunde com o organismo (Schmidt, 2005, p.112) – trata-se justamente da
consciência que diferenciamos da idéia de organismo nos tópicos anteriores. O self
tem mais a ver com o controle das percepções do que com interno ou externo. Um
estímulo do organismo pode ser vivido como não sendo nós mesmos se estiver fora
de nosso controle. Os valores que constituem o self são de duas fontes: 1.
experiências diretas com o meio e 2. valores introjetados de pessoas a que estamos
vinculados. É na incompatibilidade entre estas duas fontes que repousa o divórcio
entre self e organismo, na diferença que podemos perceber entre o julgamento das
pessoas a que estamos vinculados e as percepções de nosso organismo, que nasce o
self 5. As experiências podem ser integradas ao self, passarem desapercebidas, ou
serem rejeitadas. A desadaptação psicológica consiste na discrepância entre
organismo (fonte de experiências novas) e self.

5
Durante todo nosso desenvolvimento recebemos estímulos discrepantes do organismo e do meio, e
neste, estímulos diferentes entre ambiente e pessoas importantes. São essas diferenças que produzem o
self como algo singular dentro do campo fenomenal do indivíduo, diferenc iação que é responsável por
essa instância de controle em relação aos estímulos discrepantes.

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- o saber pré-simbólico que impede a simbolização de estímulos ameaçadores


é chamado de subcepção. Através dela, o organismo identifica uma ameaça para
e/ou para o self e reage sem que exista uma simbolização, uma consciência6.

4.2 .4 At itudes Básicas, Equação Básica e a Apren dizag em S ign ificativa


Da teoria da personalidade e da conduta de Rogers destaca-se a idéia de um
ambiente facilitador para o pleno desenvolvimento da personalidade. A caracterização
e conceituação desse ambiente facilitador passam pelos seguintes conceitos
rogerianos:
Atitudes básicas: são as condições necessárias e suficientes presentes no meio
psicossocial, para que a tendência atualizante ocorra. No caso dos atendimentos
psicológicos, trata-se das atitudes que são esperadas do psicólogo. São elas:
• Empatia: possibilidade de sentir como se fosse o outro, compreendendo sua
realidade e suas emoções. É o que poderíamos definir como olhar o mundo
pelos olhos do outro.
• Congruência: possibilidade de ser o que se é, de estar coerente com as
reações de seu organismo, percebendo-se sem máscaras. Nos atendimentos,
refere-se à possibilidade do terapeuta estar ciente das reações que o cliente
lhe causa, de modo a fazer uso dessa percepção para potencializar sua
comunicação com esta outra pessoa.
• Aceitação positiva e incondicional: possibilidade de aceitar
incondicionalmente a manifestação do outro evitando julgamentos de qualquer
espécie. Trata-se da disposição em compreender a experiência do outro dentro
de seu próprio quadro de referência, sem os juízos de nossa própria história.
• Equação Básica: é como Rogers nomeou a relação necessária entre um meio
onde se contemplem as atitudes básicas e o sujeito que se desenvolve
segundo sua tendência atualizante.
• Aprendizagem significativa: aprendizagem que integra dimensões afetivas e
cognitivas, promovendo experiências profundas e não cumulativas que
ensejam mudanças. Este conceito reconfigura o campo da psicoterapia como
lugar de aprendizagem e rompe também com os limites disciplinares, que levou
Rogers a seus próximos passos.

6
As fobias podem ser consideradas como uma reação exagerada a uma subcepção que ameaça ao self.

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4.2 .5 A Aborda gem Centrada na Pessoa


A partir dos anos 70, a equação básica, construída no contexto dos
atendimentos individuais, é transposta por Rogers para esferas educacionais, dos
pequenos grupos, das comunidades de aprendizagem, da intervenção institucional e
das experiências com grandes grupos transculturais. Rogers interessa-se cada vez
mais pelos fenômenos coletivos reconhecendo os limites da psicoterapia individual
como depositária da transformação social. Um de seus principais instrumentos passa
a ser os grupos de encontro, nos quais Rogers extrapola os conceitos da terapia
centrada no cliente para a condição grupal, propiciando um ambiente acolhedor e
facilitando as relações humanas entre seus componentes e suas tendências
atualizantes. Passa então para a fase da abordagem centrada na pessoa.
A proposta rogeriana “não busca nem ensinar, nem curar, mas propiciar uma
experiência de aprendizagem auto-reveladora e produtora de mudanças na
consciência e na conduta.” (Schimdt, p.56-7). O foco de Rogers centra-se de vez nas
relações interpessoais, sendo a psicoterapia apenas uma delas. Evidencia a
abrangência da aprendizagem significativa, e, focalizando as dimensões
comunicacionais e os processos de mudança, extrapola a prática psicoterápica.
Rogers elabora, nesse contexto, seu pensamento político a partir da crítica ao
poder do especialista. O principal desdobramento dessa crítica é consolidação de sua
visão sobre o papel do psicólogo, que deixa de ser um especialista para se tornar um
facilitador. Esse facilitador define-se, politicamente, pela busca em compartilhar ou
abandonar o poder de controle e tomada de decisão. Sua função está na capacidade
de viver e traduzir em palavras e gestos (pela sua presença pessoal) as atitudes
básicas. É intercambiável e questiona as relações de poder.

4.2 .6 Co ns iderações Fina is


Os principais conceitos da obra de Rogers foram explorados nesse texto
introdutório. A obra de Rogers aponta para a valorização da qualidade nas relações
interpessoais e para a relativização do conhecimento dos especialistas. Uma
compreensão mais profunda de sua obra e teoria exigem um estudo direto de seus
textos, bem como uma experiência prática inspirada em suas idéias. Estão indicados
nas referências bibliográficas textos para o início desse estudo.

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5. TESTES

1- O sonho é uma experiência subjetiva que, segundo a Psicanálise, aparece na


consciência durante o sono, sendo o resultado de uma atividade mental inconsciente
durante este processo fisiológico, possuindo conteúdos conscientes e inconscientes
que podem ser denominados respectivamente de:
a) compreensível / incompreensível
b) primário / secundário
c) corrente / recorrente
d) normal / patológico
e) manifesto / latente

2- O conceito que se define como o investimento libidinal da imagem do eu, sendo


esta imagem constituída pelas identificações do eu com as imagens do objeto, é:
a) complexo de castração
b) narcisismo secundário
c) narcisismo primário
d) falo imaginário
e) amor objetal

3- O eu é uma instância do aparelho psíquico que objetiva a manutenção do estado de


satisfação para o indivíduo. Diante de situações que possam causar desprazer, o eu
se defende. Segundo Otto Fenichel, as defesas bem-sucedidas podem ser agrupadas
sob o nome de:
a) projeção
b) introjeção
c) negação
d) sublimação
e) formação reativa

4- Leia com atenção:


1- compreende a representação psíquica dos impulsos;
2- consiste naquelas funções ligadas às relações do indivíduo com seu ambiente
3- abrange os preceitos morais de nossas mentes, bem como nossas aspirações
ideais
4- compreendia a totalidade do aparelho psíquico
5- considera que seja o precursor e, em certo sentido o psi dos outros dois.

E identifique o modelo da teoria estrutural, que Freud desenvolveu e que estabeleceu


como topografia da mente:

a) ego, id, id, superego, id


b) ego, id, superego, id, id
c) id, superego, ego, id, id
d) ego, supergo, id, id, id
e) id, ego, superego, id, id

5 - Em “Além do princípio do prazer” Freud afirma que “o curso tomado pelos eventos
mentais está automaticamente regulado pelo princípio de prazer, ou seja, acreditamos
que o curso desses eventos é invariavelmente colocado em movimento por uma

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tensão desagradável e que toma uma direção tal, que seu resultado final coincide com
uma redução dessa tensão (...)” . Isto quer dizer que o sujeito procura uma:
a) submissão total da direção apontada pelo princípio da realidade
b) regulagem do resíduo da tensão através da ação do superego
c) evitação de desprazer e uma procura de prazer
d) produção de desprazer e redução de prazer

6- O conceito psicanalítico que designa uma experiência psíquica completa,


inconscientemente vivida pela criança por volta dos 5 anos de idade e
essencial para sua futura identidade sexual é:
a) libido
b) castração
c) sublimação
d) narcisismo
e) identificação

7- Em psicanálise, a operação que consiste na separação da representação e da


carga de afeto de uma idéia é chamada:
a) recusa
b) repúdio
c) negação
d) repressão
e) condensação

8- A fase de organização infantil da libido caracterizada pela unificação das


pulsões parciais sob o primado do órgão genital masculino é chamada:
a) oral
b) fálica
c) oral-fálica
d) de latência
e) anal-sádica

9- O processo pelo qual desejos inconscientes se atualizam sobre determinados


objetos no quadro de um certo tipo de relação estabelecidas com eles, e
eminentemente, no quadro de relação analítica é denominado:
a) introjeção
b) acting out
c) transferência
d) identificação
e) deslocamento

10- Segundo Joel Dor, os traços estruturais de necessidade e do dever,


organização obcecante do prazer, são estruturas caracterizadas como:
a) depressivas
b) obsessivas
c) histéricas
d) maníacas

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11– Lançando mão de uma referência lingüística para tratar os mecanismos


inconscientes presentes na formação dos sonhos, Lacan usa os conceitos de
metáfora e metonímia, correspondendo as noções freudianas de:
a) projeção e identificação
b) condensação e deslocamento
c) significante e significado
d) neurose e psicose
e) simbólico e imaginário

12- Numere as alternativas de acordo com a legenda:


1 - neurose
2- psicose
3- perversão
4- causalidade psíquica

Definições extraídas do vocabulário de psicanálise Laplanche.

( ) afecção psicogênica em que os sintomas são a expressão simbólica de um conflito


psíquico que tem suas raízes na história infantil do indivíduo e constitui compromissos
entre o desejo e a defesa.
( ) caracteriza-se por alterações globais da pessoa por uma perturbação na estrutura
e no fluxo do pensamento, da vontade e uma perda de contato afetivo, além de uma
ausência de juízo crítico.
( ) no séc. XIX designava-se “Doença da alma”, o erro era o pecado
( ) desvio com relação ao ato sexual “normal”, definido este como coito que visa a
obtenção do orgasmo, por penetração genital, com uma pessoa do sexo oposto.
( ) na mente, assim como na natureza física que nos cerca, nada acontece por acaso
ou de modo fortuito. Cada evento psíquico é determinado por aqueles que o
precederam.

a) 2,4,3,1,2
b) 2,1,3,2,4
c) 1,2,2,3,4
d) 1,2,3,2,4
e) 2,1,4,3,2

13) Na teoria reichiana a origem do caráter é devido a:


a) uma defesa do Id.
b) uma defesa do Superego.
c) uma função do Id.
d) uma defesa do Ego.

14) A função do orgasmo acontece em quatro momentos:


a) carga bioenergética → tensão mecânica → relaxamento mecânico → descarga
bioenergética.
b) descarga bioenergética → carga bioenergética → tensão mecânica → relaxamento
mecânico.
c) tensão mecânica → carga bioenergética → descarga bioenergética → relaxamento
mecânico.

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d) tensão mecânica → descarga bioenergética → carga bioenergética → relaxamento


mecânico.

15) (JF-2003) Segundo Carl Gustav Jung, o processo de individuação caracteriza-se


por
(A) um fortalecimento do ego individual contra a invasão de conteúdos inconscientes.
(B) um desenvolvimento da persona, que determina a identidade do indivíduo frente ao
grupo social.
(C) uma rejeição, por parte do indivíduo, de valores sociais admitidos como verdades
absolutas.
(D) uma ampliação da consciência, no sentido de restabelecer a integração entre o
ego e o self.
(E) uma superação de conflitos inconscientes através da catarse.

16) (JF-2003) Um homem relata um sonho no qual se vê diante de uma bruxa que
aponta acusadoramente o dedo contra ele. Sob a perspectiva de Jung, a bruxa
representaria o arquétipo de:
(A) mãe.
(B) self.
(C) anima.
(D) sonho.
(E) persona.

17) (MACAÉ-1994) A idéia de que cada homem é o artesão de sua própria essência e
que, portanto,existe na medida em que cumpre essa essência , é característica do
seguinte pensamento:
a) empirista
b) behaviorista
c) psicanalítico
d) existencialista

18) (FMSP-1999) Na medida em que as técnicas de aconselhamento foram se


desenvolvendo, maior importãncia passou a ser dada à relação orientador-
orientando. Para tal, em muito contribuiu a orientação não-diretiva proposta por:
a) Garret
b) Erickson
c) Ruth Scheeffer
e) Carl Rogers

19) (TJSP-1999) A percepção das constantes mudanças ocorridas no corpo e


responsável pela:

a) contraposição e tendência simbolizante


b) perversão do raciocício
c) processo de discriminação gradativa
d) frequencia com que ocorrem os sentimentos de estranheza do próprio self na
adolescência
e) nda

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GABARITO

1-E; 2-B; 3-D; 4-E; 5-C; 6-B; 7-D; 8-B; 9-C; 10-B; 11-B; 12-C; 13-D; 14-C; 15-D; 16-C;
17-D; 18-E; 19-D.

6. Referências Bibliográficas
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obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. XVIII. Rio de Janeiro: Imago,
1969.

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