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Atividade minerária e reserva legal florestal

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ATIVIDADE MINERÁRIA E RESERVA LEGAL FLORESTAL:
entre exigibilidade e (in)compatibilidade
Revista dos Tribunais Nordeste | vol. 7/2014 | p. 13 - 34 | Set - Out / 2014
Revista dos Tribunais Nordeste | vol. 8/2014 | p. 13 - 34 | Nov - Dez / 2014
DTR\2014\21270

Daniel Tobias Athias
Pós-Graduado em Direito Econômico pela FGV. Advogado.

Área do Direito: Constitucional; Ambiental
Resumo: O Brasil demonstra uma preocupação crescente com seus recursos naturais e a
preservação da Amazônia. Exemplos disto são: a constitucionalização da proteção
ambiental e a instituição de Reserva Florestal Legal em até 80% em imóvel rural situado
na Amazônia Legal. Não obstante, nesta região encontram-se diversos empreendimentos
minerários em operação, além de várias reservas de recursos minerais ainda não
exploradas (algumas sequer encontradas), apresentando um aparente paradoxo entre
preservação e exploração. A exigência destes limites da forma rígida prevista na
legislação poderá inviabilizar alguns projetos nesta região. Considerando que esta
atividade (mineração) é essencial para a sociedade, os órgãos ambientais, em conjunto
com o setor privado, estão procurando soluções práticas para viabilizar o
desenvolvimento em conjunto com a proteção à floresta. Este trabalho visa expor esta
articulação entre o público e o privado, apontando os custos e benefícios desta solução e
apontar outras soluções para harmonizar a atividade minerária e a Reserva Florestal
Legal.

Palavras-chave: Reserva Florestal Legal - Mineração - Código Florestal - Recursos
minerais - Compatibilização.
Abstract: Brazil has shown growing concern with its natural resources and the
preservation of the Amazon Rain Forest. An example of this is the constitutionalization of
environmental protection and the establishment of a legal forestry reserve of up to 80%
(eighty percent) of any rural property situated in the Legal Amazonian region.
Nonetheless, this region has various mining projects in operation, as well as various
reserves of mineral resources not explored (some of which have yet to be found). One
perceives that the requirement of observing the limits of the legal forestry reserve in the
rigid terms laid out in the legislation could make some projects in this region unfeasible.
Considering the fact that mining activities are essential to society, environmental
protection agencies jointly with the private sector, are searching for practical solutions to
enable both the viability of a project and forest protection. This paper, aims to expose
this articulation by the public and private sectors, pointing out some of the costs and
benefits of these solutions and point out other solutions so that both the mining activity
and the compliance with legal forest reserve limits are observed.

Keywords: Legal forest reserve - Mining - Forestry Code - Mining resources -
Compatibility.
Sumário:

1.Introdução - 2.Meio ambiente e Reserva Florestal Legal – RFL - 3.Mineração e Reserva
Florestal Legal - 4.Articulação entre a Sema/PA e o setor privado na compatibilização de
normas - 5.Soluções legais - 6.Conclusão - 7.Referências bibliográficas

1. Introdução

A preocupação com o meio ambiente vem ganhando cada vez mais espaço na
atualidade, o que se percebe pela inclusão da questão ambiental em inúmeros diplomas
legais, tendo inclusive alcançado nível de proteção constitucional. O desenvolvimento
econômico, a partir de então, ganhou uma conotação de sustentabilidade, onde o
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apontando razões pela qual a imposição de manter a RFL nos moldes rígidos legais poderia tornar alguns empreendimentos inviáveis. Parece ser indiscutível que a mineração é essencial para a sociedade e por mais que seja uma atividade de considerável impacto ambiental. a sociedade e o Estado preocupam-se com o desenvolvimento do país. poder-se-ia alegar uma incompatibilidade entre atividade e obrigação legal. na implantação de projetos e execução de atividades econômicas. atividade que possui diversas peculiaridades. 170 2 da CF. procurando o Estado proteger sua flora mediante a instituição de legislação específica para tanto e o estabelecimento de diversas áreas de proteção ambiental especial. Pela importância natural da floresta Amazônica. com a imposição de obrigações florestais onerosas. será traçado um breve panorama sobre o Código Florestal e seus objetivos. para que o cumprimento das obrigações legais não impossibilite uma atividade essencial para a sociedade. a proteção florestal ganha um status emblemático no Brasil. sendo que uma das atividades principais da economia brasileira – responsável inclusive pelo superávit primário na economia – é a exploração de recursos minerais. e visando proteger a floresta e a biodiversidade. bem como uma vasta extensão de floresta. mantendo um diálogo constante no sentido de construir mecanismos de cumprimento deste requisito sem inviabilizar a atividade. Concomitantemente. o seu desenvolvimento é necessário. deve-se achar modos de compatibilizar a mineração com estas obrigações ambientais. naturalmente. este artigo analisará a forma como os empreendimentos minerários no Estado do Pará (região da Amazônia Legal) estão enfrentando o cumprimento das porcentagens de Reserva Florestal Legal de seus imóveis. Além de uma análise teórica. ou ao menos uma discutível eficácia. nem seja abandonada a variável ambiental na decisão das autoridades ambientais. o qual consolidou a Reserva Florestal Legal de imóvel rural na Amazônia Legal em 80%. Inicialmente. além de uma pontual análise sobre a Reserva Florestal Legal. sendo que o próprio Código estabeleceu atividades em que ela não seria aplicada. no ano de 2012 foi promulgado o novo Código Florestal. Página 2 . vez que pelas características da atividade minerária. Considerando que nem o meio ambiente e nem o desenvolvimento estão sobrepostos 1 um ao outro – tendo em vista que a noção de um impacto ambiental zero é inexistente e o desrespeito a padrões mínimos de preservação do meio ambiente colocará em xeque a própria existência da sociedade – é imperativo que a regulação posta pelo legislador análise esta ponderação de maneira equilibrada. Neste ponto. notadamente a rigidez locacional. o que poderia ser uma medida a ser festejada por aqueles que visam maior preservação. Contudo. ainda mais numa região onde se encontram diversas reservas minerais. o que implica. conforme dispõe o art. Atividade minerária e reserva legal florestal: empreendimento que causar impacto ambiental terá de compensar ou recuperar as áreas afetadas por suas atividades. Partindo deste contexto. será feita uma análise de caso de como os órgãos ambientais do Estado do Pará e os agentes do setor privado com atuação naquele Estado vem se articulando. na tentativa de demonstrar que quando da sua discussão não foram levadas em consideração as especificidades da mineração. unidades de conservação e áreas de preservação permanente. e tão importante quanto. Em seguida analisar-se-á a atividade minerária e algumas de suas características específicas. tais como a Reserva Florestal Legal. Porém esta mudança também trouxe implicações sérias sobre a compatibilização deste instituto com algumas atividades econômicas.

serão expostas algumas conclusões pontuais sobre esta articulação e como esta poderá vir a aperfeiçoar as normas ambientais. sem ponderar as implicações práticas. quando se optou por políticas de desenvolvimento e integração do território brasileiro sem qualquer preocupação ambiental. possibilitando maior diálogo entre o público e o privado na consecução de um fim comum: a construção de um país mais desenvolvido sem a dizimação de seus recursos naturais. o propósito basilar deste trabalho. 2009. Além disso. Além da previsão constitucional. a síntese da ideia de desenvolvimento sustentável. ou que vem sendo adotadas por outros Estados. Ao final. Atividade minerária e reserva legal florestal: Sucessivamente. Página 3 . conforme dispõe o art. tanto a sua exploração quanto a sua preservação deverá ser feita no interesse comum de todos os cidadãos. estabelecendo um diálogo para encontrar soluções. alguns dos principais problemas com esta compatibilização. Serão apontados. Com esta visão é que foi promulgada a MedProv 2. algumas das obrigações ambientais-florestais que vêm sendo instituídas focam numa proteção 6 visando um impacto ambiental (quase) zero. Em decorrência da importância que esta área representa. paralelamente à questão prática posta. O propósito destes dispositivos é impossibilitar um desenvolvimento que busque estritamente o crescimento econômico. serão expostas algumas das soluções legais que já existem no ordenamento jurídico. Esta floresta.651/2012). p. inclusive com a intensificação da proteção aos recursos florestais. entrar-se-á na parte central deste artigo: a articulação entre órgãos ambientais e o setor privado. A luta para compatibilizar a exploração econômica com a proteção ambiental torna essa questão. especialmente no Norte do país – área de especial interesse pela Amazônia Legal. 7 8 Tanto o atual Código Florestal como seu predecessor. 231). na Amazônia. na tentativa de compatibilizar atividade econômica com interesses ambientais. VI. Além de receber capítulo próprio. a questão ambiental foi igualmente incluída como um dos princípios gerais da atividade econômica. 225. onerando ainda mais as atividades econômicas desenvolvidas numa das regiões menos favorecidas do país (tanto no que tange o desenvolvimento econômico quanto na ausência do Estado na consecução de direitos sociais). aumentando as obrigações impostas aos proprietários de imóveis rurais na Amazônia Legal. sendo imposto a todos a responsabilidade pela manutenção de um meio 3 ambiente ecologicamente equilibrado. Os reflexos destas políticas confusas e mal elaboradas são sentidos até hoje 5 nos problemas fundiários e ambientais no Pará (FONSECA. Meio ambiente e Reserva Florestal Legal – RFL A preocupação com o meio ambiente e a sua proteção ganhou contornos constitucionais em 1988. diferentemente do que foi observado no Brasil da década de 70.166-67/2001 e o Código Florestal vigente (Lei 12. cabendo aos empreendedores mitigarem os impactos 4 ambientais de sua atividade (art. classificaram as florestas e demais formas de vegetação nativa como bens de interesse comum. Para além das soluções casuísticas que vêm sendo adotadas pelos órgãos ambientais. neste tópico. é demonstrar um dos modos em que vem sendo enfrentados alguns dos gargalos normativos existentes no nosso ordenamento jurídico. incorporando-se diretamente as questões sociais e ambientais no ato decisório dos órgãos governamentais ambientais licenciadores. da CF). 170. uma das mais importantes do trópico úmido com uma biodiversidade extremamente relevante. merece especial atenção e proteção. o qual a revogou. Há uma transição paradigmática em relação à mentalidade do Estado (e da sociedade civil) e seus agentes responsáveis pelos rumos do desenvolvimento. 2. o legislador vem no decorrer dos anos incorporando a proteção ao meio ambiente de forma mais ampla. Assim. criando estratégias regulatórias para o cumprimento da lei. observados requisitos legais rígidos.

Tomando o estudo como correto em suas conclusões. No próprio art. defensora dos interesses de proprietários rurais. os deputados Sergio Carvalho e Aldo Rebelo. fruticultura. Neste sentido. benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris. de acordo com o estudo realizado. a priori. notadamente aqueles que exercem atividades rurais (agropecuária etc. a atividade minerária ocuparia apenas 0. vez que. os pontos centrais de discórdia do novo código versaram justamente sobre propriedades que utilizavam topos de morros.5% de áreas urbanizadas.08% de áreas agrícolas. uma preocupação (tão) direta com o desmatamento causado pela atividade minerária. 15. claramente. tal como a mineração. levou o Estado brasileiro a sistematicamente tentar minimizar os impactos ambientais às suas florestas. encostas e a margem de rios para plantio e pastoreio. Em junho de 2013 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE divulgou relatório acerca da ocupação do solo do Estado do Pará que corrobora esta alegação. Partindo do embate entre os principais lados da discussão da legislação. pois os dispositivos contidos neste diploma legal não estariam direcionados às atividades que ocupam. Atividade minerária e reserva legal florestal: 2. o que é algo positivo. Percebe-se. tendo ela sido focada/direcionada para outras questões. as quais demonstram um direcionamento da legislação florestal. Assim. na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e 9 internacional de alimentos e bioenergia”. comparado a 7.9% do território (MINERAÇÃO. 2013). percebe-se que a Mineração contribuiu muito pouco para o desmatamento no Estado.2% de área de pastagem e 19. a mudança da mentalidade em relação ao meio ambiente e a previsão constitucional de sua proteção. não havendo. Ressalta-se que na pesquisa realizada não foi constatada uma presença forte do setor minerário nas discussões do novo Código Florestal. estaria explicada uma “despreocupação” da lei com a mineração. no crescimento econômico.) e uma bancada ambientalista. inclusive. cujo objetivo era defender principalmente os interesses ecológicos e garantir o mínimo de degradação ambiental. Por estas razões. por sua vez. sendo permitida exclusivamente a continuidade destas atividades econômicas (além do 11 ecoturismo e turismo rural). Vale lembrar que as discussões legislativas acerca dos termos do novo Código Florestal e a extensão da proteção que seria dada ao solo ocorreu entre a chamada bancada ruralista. O Código Florestal é voltado principalmente para estas atividades de uso extensivo de solo e não de uso restrito-intensivo. comparativamente. Esta questão é constada pelas diversas observações que serão feitas abaixo. ocupam 72.975% da área total do Estado. a proteção às florestas passou a ser direcionada às atividades que utilizam grande extensão de terra – as quais são apontadas de forma geral como as responsáveis pela supressão excessiva e o desmatamento – tais como a agricultura.1 Objetivos e direcionamento do Código Florestal A classificação da vegetação como bem de interesse comum a todos. II. que as preocupações dos legisladores estavam voltadas às atividades ditas rurais. 1. alegações de que tanto o projeto original de lei do novo código (PL 1. Página 4 . As áreas florestais do Estado. um dos pontos mais polêmicos do novo código – o qual provocou debates 10 mais intenso entre as bancadas – era a questão da área rural consolidada. a qual foi definida como aquela com edificações. se comparadas às atividades citadas acima.º-A. pecuária. do Código Florestal consta a “reafirmação da importação da função estratégia da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade. Há. uma área ínfima de terra.876/1999) quanto a sua posterior conversão para projeto de Lei da Câmara 30/2011 foram propostos por membros da bancada ruralista do Congresso.

2. fora a questão de normatizar a possibilidade de mineração (supressão de vegetação) em áreas de preservação permanente. e tampouco foi esmiuçada qualquer especificidade dos institutos florestais e sua harmonização com a mineração. A mineração. por sua vez. um imóvel conter diversas espécies de espaços territoriais especialmente protegidos. conservar biodiversidade e abrigar e proteger a fauna silvestre e flora nativa. Não houve qualquer inovação ou novidade em relação à mineração no Código. um código de defesa da biodiversidade.2 Características da Reserva Florestal Legal A Reserva Florestal Legal – RFL é uma porcentagem-parcela de determinado imóvel rural cuja exploração econômica é vedada. em tese não sendo possível minerar em áreas de reserva florestal e tampouco estabelecer a infraestrutura de um empreendimento minerário nesta parcela. Não sendo permitido o corte raso nesta área. leia-se a possibilidade de dispor da propriedade de forma irrestrita. o que levaria o legislador a instituir alguns instrumentos para harmonizar a atividade com as obrigações. Além desta área de proteção. Na realidade. Não é necessária uma divagação muito ampla para que se chegue à conclusão de que esta obrigação é extremamente onerosa aos proprietários de imóveis rurais nesta região. é mencionada apenas 2 vezes e somente para fins de definição de utilidade pública. sendo aplicado parecer vinculante do Departamento Nacional de Mineração que defende a possibilidade Mineração em Unidades de Conservação de Uso Sustentável e Zonas de Amortecimento (PARECER/PROGE 145 CE JMO. “O novo Código florestal não é. A RFL é uma área a ser preservada com objetivo de reabilitar processos ecológicos. agrícola 7 vezes. além de comunidades tradicionais etc. sendo vedado o corte raso de madeira. é habitual. A extensão da RFL varia de acordo com a região do país. Feitas estas considerações iniciais e pontuais acerca do Código Florestal. servindo a crítica ao texto para sedimentar o direcionamento do código às atividades rurais stricto sensu. os seus dispositivos instituíram diversos instrumentos para tentar coibir um desmatamento acelerado e contribuir para a proteção da vegetação nativa em face das atividades rurais acima descritas. 13 sendo-lhes possível apenas explorar/utilizar 20% de seu imóvel de forma livre. Página 5 . pois não foram analisadas de forma acurada as obrigações florestais em conjunto com as especificidades da mineração e em quais pontos haveria uma difícil compatibilidade. pois no texto o termo agrossilvipastoril é mencionado 11 vezes. 38). conforme expôs Guilherme José Purvin de Figueiredo (2013. só podem os proprietários/possuidores exercerem atividade de manejo sustentável. p. mas de uma simples lei que trata da utilização da vegetação sob a perspectiva agronegocial”. a Reserva Florestal Legal. porém esta possibilidade já era prevista anteriormente. Atividade minerária e reserva legal florestal: Um exemplo simples acerca do direcionamento das preocupações do Código Florestal poderá ser dado por uma análise literal de seu texto e algumas das palavras-chaves utilizadas. A “despreocupação” com a atividade minerária quando do debate legislativo acarretou alguns problemas posteriores. podendo coexistir de forma harmoniosa a Reserva Florestal Legal. O foco deste artigo será um destes institutos de proteção. agropecuária 4 vezes e agricultura 3 vezes. de 2006). cabendo ao proprietário/possuidor manter a composição original da vegetação. na região da Amazônia Legal. salvo algumas atividades com baixo impacto ambiental. áreas de preservação permanente e unidades de conservação (inclusive de proteção integral). sendo que na Amazônia Legal 12 foi imposta uma reserva de 80% de determinada propriedade em área de floresta. explorando qualquer atividade econômica. portanto.

º. é necessário 17 analisar algumas das principais características desta atividade. Atividade minerária e reserva legal florestal: Teoricamente. §§ 4. tal como a exploração de energia hidráulica/elétrica. Por fim. Contudo. as atividades minerárias utilizam uma baixa extensão de solo. e 13). Mineração e Reserva Florestal Legal Igual à questão da proteção ambiental. mas sim temporário. Restringe-se. ao término da exploração minerária (no caso. seria necessária a supressão de vegetação. com alto grau de impacto.º e 5. –. o sítio degradado pela atividade deverá ser 23 recuperado conforme os padrões estabelecidos pelas autoridades ambientais. Aqui. rodovias e ferrovias. visando à obtenção de uma estabilidade do meio ambiente”. 3. tratamento de esgoto. o esgotamento da mina). é imperativo que as obrigações florestais sejam compatibilizadas com ela. tanto pela sua importância econômica quanto por questões de soberania nacional (BERCOVICI. Diferentemente de outras atividades que promovem a conversão da floresta para um uso alternativo do solo. Além disso. determinando a constituinte que a exploração dos recursos minerais do país será sempre feita no interesse nacional (§ 1. é importante ter em mente que o uso desta parcela menor é intensivo. 15 abastecimento público de água. Assim. Em decorrência deste uso intensivo. a instalação de diversos tipos de empreendimentos na região. a qual sempre será realizada em interesse nacional. previu a sua exclusão de algumas atividades que não se coadunariam com este instituto.º do art. vez que os minérios são parte integrante da natureza. Além disso. já que as especificidades da mineração tornam o cumprimento de algumas obrigações dificultosas. no caso da mineração há a recuperação obrigatória. ao contrário das atividades tipicamente rurais (agrossilvipastoris). 12. 42-48 e 207-296). manutenção de linhas de transporte público etc. Considerando que esta atividade é essencial para a sociedade e para o país. não sendo possível a sua extração sem interferência no ecossistema. seria possível que determinada propriedade fosse inexplorável em decorrência de espaços de proteção especial. fato este corroborado pelo estudo do IBGE acima citado. 18 Parece que os recursos minerais (e sua exploração) são essenciais para a sociedade. Na tentativa de amenizar as imposições florestais onerosas paras os proprietários/possuidores de imóveis na Amazônia Legal. O Legislador. p. o uso alternativo não é definitivo. 2011. havendo uma dependência na exploração destes recursos para suprir as necessidades 19 20 presentes. tal como a construção de hospitais. 176 da CF). de certa forma. de acordo com um plano preestabelecido 22 para o uso do solo. o legislador (novo Código Florestal) previu alguns mecanismos para reduzir a extensão das protegidas. tais como a pecuária e agricultura. a atividade minerária também possui status constitucional. não sendo 16 a mineração contemplada por esta exclusão. ou seja. o legislador impôs às mineradoras a necessidade de 21 apresentarem Plano de Recuperação de Área Degradada – PRAD visando “o retorno do sítio degradado a uma forma de utilização. possibilitando maior utilização de determinado imóvel: o computo no cálculo área da RFL 14 as Áreas de Preservação Permanente – APP e a possibilidade de o porcentual da RFL ser reduzido para até 50% nas áreas da Amazônia Legal se estipulado Zoneamento Ecológico-Econômico (arts. e talvez a principal característica intrínseca da atividade minerária é a rigidez locacional dos recursos minerais. tendo noção da incompatibilidade ou discutível eficácia da reserva florestal em algumas situações. existe uma situação peculiar no Código Florestal que merece destaque. vez que a depender de onde for implantado. logo os empreendimentos minerários não poderão Página 6 . para além das compensações ambientais a serem pagas pelas empresas mineradoras e as demais condicionantes ambientais impostas durante a fase de implantação e efetiva exploração – além das obrigações sociais.

sendo possível que áreas de proteção especial sejam criadas em áreas onde possa haver reservas minerais estratégicas. e os conflitos em relação ao uso e ocupação do território. Além disso. Não obstante. o Ministério de Minas e Energia na elaboração do Plano Nacional de Mineração 2030 afirmou que a Amazônia é a: “atual fronteira de expansão da mineração no Brasil. William Freire estimou que 80% de todas as reservas de minério de ferro do mundo estão localizadas em regiões com as características de Área de Preservação Permanente (FREIRE. outro fator que não pode ser desconsiderado é o fato de que. seja no setor de serviços. vista como estratégica para a proteção ambiental e florestal. partindo do interesse público (nacional) da atividade. em sobreposição ao interesse privado de propriedade. 58). comércio etc. tendo o agente privado de lidar com as questões políticas. Para além desta característica. impõe ao proprietário. ambientais. 59 do Código de Mineração). poder-se-ia arguir que sequer seria materialmente possível a empresa mineradora instituir a reserva legal. Além disso. logo se tornam perceptíveis as dificuldades em explorar recursos naturais quando estes se situam numa área como a Amazônia. A questão é paradoxal. a Amazônia requer um tratamento diferenciado” (MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA. mediante indenização prévia. para além das diversas regras de proteção especial em diversos diplomas legais. que poderão deslocar suas unidades produtivas para outros locais. 23 da IN MMA 002/2014. a rigor. pois em tese a maior reserva de minérios no país se encontra Página 7 . econômicas e jurídicas em que é localizada a jazida a ser 24 explorada. 2014). por não possuir ingerência (administração) sobre o imóvel. de tal forma. preocupações dada sua extensão territorial. no decorrer dos anos se percebem criações periódicas de novas Unidades de Conservação e Áreas de Preservação Ambiental sem a realização de qualquer estudo prévio ou consultas públicas necessárias. os grandes empreendimentos minerários não pretendem adquirir grandes parcelas de terra. p. a rigidez locacional da mineração “aprisiona as empresas que quiserem explorar os recursos naturais não renováveis a certa unidade federativa” (SCAFF. A título de exemplo. Assim. que representa 60% da área do Brasil. pois as minas serão lavradas onde a natureza as colocou. cumpre registrar que quando do cálculo da reserva legal as áreas de servidão administrativa serão excluídas do somatório da área total do imóvel 25 rural. 2013. mas sim instituir servidões minerárias para a “utilização” de determinada propriedade tida como essencial para o empreendimento (art. Não poderá ser escolhida a comunidade ou ambiente onde será instalado um empreendimento minerário. 26 Havendo rigidez locacional de minérios e o desconhecimento acerca do subsolo. a criação paulatina de novas regras e áreas de proteção do solo impede maior desenvolvimento de atividades de mineração na Amazônia. Atividade minerária e reserva legal florestal: escolher o local onde será exercida a atividade produtiva. 68). ao contrário das demais atividades econômicas. 3. 2010. A criação contínua de novas áreas de proteção tem implicações contundentes na atividade minerária. sociais. (…) Por suas especificidades geológicas. o que desperta otimismo e. é importante ter em mente que há pouco conhecimento acerca das riquezas minerais do país. Por se tratar da Amazônia. territoriais (difícil acessibilidade) e condição histórica. e do especial interesse do Estado e da sociedade na sua proteção. A rigor. buscando vantagens ou ambientes econômica e politicamente mais estáveis e vantajosos para sua atividade.1 Mineração na Amazônia Tendo em vista esta rigidez locacional. Este instituto. ao mesmo tempo. nos termos do art. a obrigação de permitir a atividade em seu território. p..

A primeira solução que vem sendo ponderada pelo Estado e o setor privado é a inserção da necessidade de manter e averbar a RFL no Plano de Recuperação da Área Degradada – Prad. O propósito deste artigo é apresentar uma abordagem de compatibilização da mineração e as áreas de RFL. Considerando que a atividade minerária parte de um uso intensivo do solo e não extensivo. sendo que esta divisão geralmente se perfaz entre aqueles que tratam do Direito Ambiental. que se pretende responder. Em decorrência da rigidez locacional dos recursos minerais. 4. em relação à Reserva Florestal Legal. ou 2) será imposto aos empreendedores a necessidade de adquirir parcelas de terra de proporções imensas. Atividade minerária e reserva legal florestal: abaixo de área de floresta tropical úmida de proteção especial. percebe-se que há uma divisão na doutrina – em relação àqueles que abordaram o tema – acerca da possibilidade de minerar em áreas de RFL. A questão. De forma geral. a Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema) “procura resolver os casos de reserva legal em comum acordo com as partes (…) buscando soluções compatíveis com cada realidade empresarial”. e aqueles que tratam especificamente do Direito 28 Minerário. onerando demasiadamente a atividade e inviabilizando outras. no decorrer da exploração dos recursos minerais a necessidade de averbar e de manter esta área. não foi instituído qualquer excludente legal de sua aplicação e tampouco qualquer tratamento acerca da 27 possibilidade de mineração na área de reserva. vez que no caso não haveria a dupla necessidade de se manter área de reserva durante a exploração e recompor toda a área mediante a execução do Prad. pois. ou seja. a exploração destes recursos em nome do interesse nacional – tanto do Estado e o superávit econômico. portanto. tendo de observar todas as regulações ambientais presentes nesta região. Página 8 . Esta medida é provavelmente a mais adotada pela Sema/PA e a preferida pelos agentes econômicos. o órgão ambiental não exigiria do empreendimento. Ao analisar projetos minerários. A falta de conhecimento e informações confiáveis leva a uma política ambiental em total dissonância com as políticas econômicas do país. Como os agentes deste setor. estaria sendo aplicada uma espécie de suspensão temporária do cumprimento das obrigações ambientais e florestais desta natureza. No caso. é necessária uma análise da legislação com este enfoque. buscando não apenas soluções compatíveis com a atividade. é imprescindível compatibilizar as obrigações florestais deste instituto com as especificidades da mineração. se aplicada a legislação nos moldes rígidos literais: 1) um empreendimento será inviabilizado se houver minérios em área de reserva. passa de “por que deveria a legislação ser compatibilizada?” para “ como compatibilizar?”. opinando pela impossibilidade. mas também com o tipo de minério que é explorado. Articulação entre a Sema/PA e o setor privado na compatibilização de normas De um lado houve previsão expressa de se permitir a atividade minerária em um espaço territorial especialmente protegido (Áreas de Preservação Permanente). o desconhecimento do subsolo brasileiro. apresentando e discutindo duas propostas que vêm sendo adotadas pelos órgãos ambientais estaduais do Estado do Pará e como elas se compatibilizam com o ordenamento jurídico pátrio. porém houve silêncio quanto à questão da Reserva Florestal Legal. por exemplo. quanto da sociedade e de suas necessidades –. defendendo a mineração nestas áreas. postergando a exigência da RFL para após o exaurimento da exploração mineral. conseguem viabilizar projetos e cumprir a lei? É justamente esta a questão.

contudo. não há uma validade plena. A ausência de expressa previsão legal. é preciso que o legislador municie as partes com uma legislação adequada e atualizada para afastar a insegurança atualmente existente. portanto. devendo ela ser feita imediatamente. que poderá durar um lapso temporal extenso. nestes casos. estas são exigências distintas e que em tese não poderão ser confundidas. O ponto mais grave é o fato que esta recuperação (manutenção da RFL) só será realizada após o término da exploração do minério. As soluções têm sido ad hoc pelas peculiaridades de cada empreendimento. por exemplo. cumprindo as obrigações florestais aos poucos. Em relação à inserção das obrigações da RFL no Prad. minerando uma parcela de cada vez. com corte raso da vegetação. não havendo qualquer incompatibilidade entre ambas – o que se está admitindo abstratamente vez que na realidade as obrigações se confundirão. passa-se para a outra e nesta se inicia o processo de reflorestamento e averbação até que seja atingida a porcentagem prevista. Ambas as alternativas possibilitam ao empreendedor preencher o requisito principal de averbar e manter a área de reserva nas porcentagens previstas em lei mediante uma compatibilização temporária. estas soluções não estão livres de problemas e questionamentos sérios que poderão acarretar consequências drásticas.1 Problemas com a articulação/compatibilização Apesar da consciência dos órgãos ambientais do Pará acerca da necessidade de compatibilizar as regras florestais e a disposição em adotar soluções adequadas para harmonizar as atividades com a proteção ao meio ambiente. para que depois seja averbada e mantida a reserva. gera insegurança jurídica e fragilidade. com validade interna para o órgão que a instituiu. frise-se. a obrigação de manter reserva se faz de imediato. estando sempre presente uma discussão sobre a legalidade das imposições ou eventuais flexibilizações. separa a área a ser minerada de seu empreendimento em parcelas. Atividade minerária e reserva legal florestal: A segunda solução que vem sendo discutida pelos agentes é a possibilidade de se averbar e manter a Reserva Florestal de forma paulatina. Não haverá um cumprimento literal-imediato da legislação. O agente minerador. o seu cumprimento se estenderá ao longo do tempo. Soluções legais Esta insegurança nas medidas expostas não é ideal num país que possui déficits de infraestrutura e muito menos num Estado que depende da atividade minerária para manter um superávit econômico. Há. Apesar de ter respaldo institucional. não podendo haver sua postergação para momento posterior mais “oportuno”. de maneira incremental. não sendo cumprido de pronto quando da aquisição de propriedade/posse de determinada área. Assim. esgotados os recursos minerais em uma das parcelas. 4. e como já mencionado acima. Uma aplicação literal da legislação não atrai margem de dúvida acerca de quando será exigida esta averbação. É perceptível que o posicionamento do Estado e dos órgãos ambientais é no sentido de simplificar e trabalhar com a realidade. o que é louvável e deveria ser encorajado. possibilitando o cumprimento da lei em moldes menos rígidos daqueles previstos mediante uma interpretação e aplicação literal da legislação. uma questão relevante de insegurança jurídica nos procedimentos adotados. Página 9 . não há previsão de possibilidade de exercer atividade econômica qualquer. Sendo adquirido/possuído determinado imóvel. 5. Por mais que ao final seja mantida e averbada a totalidade da área exigida a título de reserva legal. como determina a lei. pois em ambas se trata de manter equilíbrio ecológico.

dentre outras coisas. este item visa (i) apresentar alguns dos esforços sendo adotados pelo setor privado na tentativa de normatizar esta compatibilização. Não obstante. (iii) apresentar alternativa que poderia ser adotada para questões desta natureza. 2014). caso entre em conflito com as áreas de incidência de mineração. estas soluções não possuem segurança. (ii) expor como o Estado de Minas Gerais está enfrentando a questão. 5. um desenvolvimento sustentável. Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). com objetivo de discutir diversos temas relacionados à atividade minerária no Estado do Pará. O intuito deste grupo é propor legislação para legalizar as soluções adotadas de maneira casuística de modo a regularizar as medidas que vêm sendo adotadas em face da necessidade de o regulador harmonizar as obrigações florestais com a atividade minerária. adaptar a exigência da RFL à atividade de mineração e propor instrumentos razoáveis para o seu cumprimento. e. Cientes dos problemas com a falta de segurança jurídica oriunda desta compatibilização. buscando o aperfeiçoamento da regulação com a atividade (PARÁ. Há necessidade. é válido analisar a legislação implantada por Minas Gerais. (ii) o cadastramento de outra área equivalente e excedente à RFL em imóvel da mesma titularidade ou adquirida em imóvel de terceiro. além das discussões regulares do Grupo. Ministério Público Estadual. esta proposta de Decreto. estão no presente momento discutindo proposta de Decreto Estadual para regulamentar a Política Estadual Florestal. estes espaços para debate são essenciais para o alcance de um objetivo comum. ONGs e diversas empresas mineradoras com empreendimentos no Pará. gradualmente ou de uma vez só. além de participar nas demais discussões. Atividade minerária e reserva legal florestal: Por mais que os esforços dos órgãos ambientais de compatibilizar as exigências legais com a atividade sejam louváveis. Fato é que não há uniformidade na condução deste assunto (reserva legal e mineração). com fito de auxiliar o Estado. assim. pelo que se louva a iniciativa do Estado do Pará e o Grupo de Trabalho formado. Votorantim e Mineração Rio do Norte. por fim. por ser Página 10 . aplicando instrumentos com amparo legislativo. As mineradoras e os representantes de seus interesses neste Grupo. DNPM. servem para aperfeiçoar o diálogo entre o setor e o Estado.1 O GTAPLAM No ano de 2012 foi criado o Grupo de Trabalho para Aperfeiçoamento do Processo de Licenciamento Ambiental de Mineração – GTAPLAM no âmbito da Secretaria de Indústria. que visa. frise-se que estas soluções ainda estão em fase de intensos debates e não foram objeto de consenso e tampouco aceitas pelos órgãos ambientais.2 O exemplo de Minas Gerais A título de exemplo. Este grupo de trabalho/estudo conta com representantes do Sindicato das Indústrias Minerais do Pará (Simineral). tratam-se apenas de possíveis soluções. de serem buscadas soluções normatizadas. Algumas das possibilidades de compatibilização cogitadas são: (i) admissão no computo da área de RFL as áreas que serão futuramente recuperadas por meio do Prad. ao invés de uma imposição vertical de exigências legais. Por mais que se trate de uma iniciativa predominantemente do setor privado. O Grupo possibilita uma nivelação de interesses e a participação dos administrados nas regras que lhe serão impostas. 5. contribuindo para uma discussão mais transparente e participativa. Comércio e Mineração do Pará – Seicom. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Seccional do Pará. tais como a Vale. e a (iii) realocação da RFL.

pois incluiria uma obrigação ambiental mais protetiva (pela criação de unidades de proteção integral. “não se cuida. De outro lado. De pronto. esta medida também esbarra nos problemas mencionados anteriormente. 36 da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (9. mas sim por uma incompatibilidade com as especificidades da atividade (principalmente a rigidez Página 11 . partindo da premissa de que a RFL não seria aplicável à mineração. na legislação Mineira. 2009. No que concerne à reserva legal. A compensação prevista neste dispositivo é adicional à RFL e não a exclui. mais adequado seria instituir outra obrigação nos mesmos moldes. suas lições são igualmente válidas. vez que balizará a interpretação da legislação. Este pequeno cotejo serve para demonstrar o abismo legislativo entre dois Estados em que a mineração exerce papel central em sua economia. a legislação dispõe expressamente que a sua implantação deverá 29 compatibilizar a conservação dos recursos com o uso econômico da propriedade. 6. esta questão é regulada pela Lei Estadual 20. a qual dispõe acerca da política florestal e da proteção à biodiversidade do Estado. considerando que esta é a sua principal atividade econômica. atualmente. além do fato de que confundiria duas obrigações diferentes. 36 Além das inovações jurídicas que vêm sendo aplicadas por alguns Estados. havendo previsão direta de compensações florestais a respeito de impactos 32 causados por esta atividade na legislação estatal. Uma das maiores inovações desta lei é a previsão. pois. proteção ambiental com a atividade econômica” (ATHIAS. a qual merece destaque. Conclusão Apesar de tender a achar que as exigências da Reserva Florestal Legal na atividade minerária são descabidas. de privilegiar. podendo os demais Estados-membros construir sua legislação a partir de seus erros e acertos.3 A Lei do SNUC e o art. sendo isto extremamente útil se levarmos em consideração a rigidez locacional dos recursos minerais e o atual estado de conhecimento do subsolo. 213). No caso. Atividade minerária e reserva legal florestal: este. foi apontado pela doutrina solução jurídica que poderia ser aplicada para harmonizar a mineração e as 33 suas obrigações ambientais: a ampliação da aplicação do art. tendo melhores efeitos no que respeita a manutenção de ecossistemas e conservação da biodiversidade).922/2013. o que é interessante. mas compatibilizar o tratamento da matéria a saber. não por uma despreocupação ambiental.985/2000). o maior Estado minerador do país. Ao contrário de requerer das empresas mineradoras a obrigação de manter reserva florestal. da possibilidade 30 de realocar áreas de reserva após a sua averbação. poderia o legislador manter as obrigações da reserva restritas a este artigo. porém com fundamento direto de que este instrumento seria uma alternativa a averbação e manutenção de RFL. 5. p. Este artigo impõe aos empreendimentos que causam impacto ambiental significativo a necessidade de apoiarem a implantação e manutenção de Unidades de Conservação de proteção integral. Apesar de a área de reserva florestal prevista para o Estado de Minas Gerais ser consideravelmente menor do que aquela prevista para a Amazônia Legal. É perceptível. apenas 20%. de forma expressa. é perceptível que este dispositivo é de suma importância. Apesar de concordar com as premissas desta solução. Atualmente. uma preocupação direta com a atividade de 31 mineração. a legislação paraense sequer cita a mineração em sua legislação estadual sobre política florestal.

É fundamental haver segurança e previsibilidade para a promoção da sustentabilidade dos empreendimentos e assegurar investimentos. Curitiba: Juruá.771. permitindo algum grau de compatibilização ou uma evolução da legislação da RFL aplicada à mineração. é defasada. De tal modo. não podendo esta atividade ainda estar a mercê da insegurança jurídica.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651. o setor minerário.428. de 25 de maio de 2012. em conjunto com alguns órgãos governamentais no Pará. que usam grande extensão de terra. Brasília: Senado. O que se depreende. Acesso em: 22. não servindo para harmonizar esta atividade econômica com as obrigações florestais. Atividade minerária e reserva legal florestal: locacional). de 19 de dezembro de 1996. instituíram um grupo de trabalho para discutir a regulação do setor mineral e como esta poderá vir a ser aperfeiçoada. como visto. de 31 de agosto de 1981. BRASIL. 2011. um conflito regulatório entre mineração e floresta. Proteção ambiental & atividade minerária. inclusive com previsão de propor diplomas legais para normatizar as soluções que vem sendo adotadas. Em que pese a utilização de exemplos diretos oriundos do Estado do Pará. Há. DF.planalto. pois. apesar de ao final cumprir os objetivos da lei. São Paulo: Quartier Latin. e 7. BRASIL. Deparando-se com este panorama. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. de 22 de dezembro de 2006. Cientes desta insegurança.2012.htm]. portanto.05.2014. altera as Leis nos 6.754. cientes da realidade do Estado. a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará vem discutindo e implantando formas alternativas de cumprimento da legislação em formas que não levariam a uma inviabilização de um projeto ou de onerá-lo de forma excessiva. não se surpreende que a mineração enfrente de forma cotidiana dificuldades para cumprir algumas das obrigações pela natureza de seu empreendimento. Direito econômico do petróleo e dos recursos minerais. Jacson.01. e a Medida Provisória no 2. 28. de 14 de abril de 1989. é cediço que esta questão vem sendo enfrentada diuturnamente por empresas do setor minerário em qualquer região do país. e dá outras providências. por sua vez. Resta apenas mais um passo a ser dado: disponibilizar instrumentos normativos compatíveis com a ambição e a evolução do setor e de seus agentes. Isto acarreta. Apesar de louvável os esforços do órgão ambiental estadual de abrir a possibilidade de discutir soluções eficientes com o setor privado para promover um desenvolvimento sustentável.938. Lei 12. Constituição da República Federativa do Brasil. 2011. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa. CORREA. de 15 de setembro de 1965. Disponível em: [www. mas para amoldar as obrigações.166-67. de 24 de agosto de 2001. Poder Executivo. 9. Referências bibliográficas BERCOVICI. não cumprem a legislação nos termos em que ela foi instituída. não para conferir tratamento preferencial. e 11. buscam soluções adequadas. Gilberto. 7.393. estas soluções casuísticas. Página 12 . uma grave insegurança jurídica em empreendimentos que necessitam de investimentos vultosos e com longo prazo de maturação. revoga as Leis nos 4. vez que o Código Florestal foi promulgado visando regular atividades tipicamente rurais. podendo os argumentos servir para iniciar um debate nestas outras regiões sobre a compatibilização da atividade com a proteção florestal. 1988. deste quadro fático é que a legislação.651. a legislação vigente impõe a necessidade de cumprir esta obrigação florestal. em relação à mineração.gov. Brasília. Os órgãos ambientais. avançam nesta questão.

Acesso em: 17. Direito ambiental brasileiro.12. Royalties decorrentes da exploração de recursos naturais não renováveis: incidência e rateio federativo.2013.almg.com. Secretaria de Estado de Indústria. Disponível em: [www. Mineração e Transformação Mineral. Acesso em: 22. Acesso em: 08.br/opinioes/prof. Dispõe sobre as Políticas Florestal e de Proteção à Biodiversidade no Estado. Paulo Affonso Leme (coords.com/Informacao/Visao/noticia/2013/05/como-desenterrar-us-75-bi. 2013. William. Tese de Livre-docência.01. A ecologia na legislação brasileira. Acesso em: 18.01. mineração e transformação mineral. Época Negócios.br/2002/07/04/9762]. Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção.11. Mineração ocupa 1% da superfície do Pará. São Paulo. Plano Nacional de Mineração 2030: geologia. MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA.globo.br/noticias/gtaplam-discute-condicionamentos-socioambientais-da-mineracao]. ATHIAS. Dispõe sobre a Política Estadual de Florestas e demais formas de vegetação e dá outras providências. ______.pa. Acesso em: 17. Consulta Pública (10 de novembro a 09 de dezembro de 2010).realeadvogados.html?tipo=LEI&num=20922&ano=2013]. MACHADO.462. Direito minerário. SCAFF.2014. Lei Estadual 6. ATHIAS.2013 Disponível em: [www.01.10. São Paulo: Saraiva. 2011. 2013. 17. Belém.06.2014. Acesso em: 17. Secretaria de Geologia.html]. Jorge Alex (coord.01. Comércio e Mineração.05.01. de 04 de julho de 2002. Disponível em: [www. São Paulo: Ed.) Direito tributário e econômico aplicado ao meio ambiente e à mineração. São Paulo: Malheiros. 03. de 16 de outubro de 2013. USP.asp?sectionsource=s&StoryID=798532517].07.br/?id_pagina=329].pdf]. Paulo Affonso Leme.gov. PARÁ. GANDARA. Curso de direito minerário. REALE.2014.gov.br/sgm/galerias/arquivos/plano_duo_decenal/Plano_Nacional_de_Mineraxo_2030___Co Acesso em: 17. 07. Notícias de Mineração Brasil. MILARÉ. Jorge Alex (coord. Edis. RT. Diário Oficial do Estado do Pará . Lei Estadual 20. 18.pa. Meio ambiente e mineração na constituição brasileira. 2013. Disponível em: [http://epocanegocios. Disponível em: [http://seicom.2014. In: SCAFF. São Paulo: Quartier Latin. Brasília.) Novo Código Florestal. MACHADO. 2009.2013.br/consulte/legislacao/completa/completa. FONSECA. ed.institutowilliamfreire.01.gov. Miguel. Atividade minerária e reserva legal florestal: FEIGELSON.922. 04.gov. 28. Leonardo André et al (coord.com/StoryView. ______. São Paulo.mme. ed. Belo Horizonte: Del Rey. Como desenterrar US$ 75 bi. 2005. Disponível em: [www. Direito ambiental aplicado à mineração.org. Fernando Facury. Luciana Costa da. 2010. FREIRE. Fundamentos de direito minerário brasileiro.). RYDLEWSKI.sema.noticiasdemineracao. Diário do Executivo de Minas Gerais.2013.2014. Belo Horizonte: Mineira. Carlos. ______.2014.) Direito tributário e econômico aplicado ao meio Página 13 . GTAPLAM discute condicionamentos socioambientais da mineração. 2010. Bruno. 2.05. MINAS GERAIS. Belo Horizonte.2013. Acesso em: 22. Disponível em: [www.2002. Disponível em: [www.2013. Fernando Facury.

and intergenerational equity. Essa orientação está em conformidade com a ideia de que as normas constitucionais. 170. Dessa forma. a área em discussão sofre pressão populacional crescente. SINDICATO DAS INDÚSTRIAS MINERAIS DO PARÁ. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.08.” 4 “Art.ª Reg. observados os seguintes princípios: (…) VI – defesa do meio ambiente. legislação e regulação setorial. haverá meios para que. Página 14 .016742-3. São Paulo: Saraiva. VII – redução das desigualdades regionais e sociais. Silvia Helena.” 5 Um bom exemplo disto são os Provimentos 013/2006 e 002/2010 emitidos pela Corregedoria de Justiça das Comarcas do Interior do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação.1998).4. SERRA. observados os seguintes princípios: (…) VI – defesa do meio ambiente. que bloquearam e cancelaram inúmeras matrículas de imóveis rurais no Estado do Pará devido a latente falsificação de títulos. não há ‘poluição zero’. e reforçadas pelo Conselho Nacional de Justiça.09. nesse assunto. conforme os ditames da justiça social. 2009. tem por fim assegurar a todos existência digna. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Marga Inge Barth Tessler. pois. Tokyo: The United Nations University.ª T. Cristina Campos. Por outro lado. common patrimony. no transcorrer da Ação Civil Pública. de forma que a ideia de natureza intocada é um mito moderno. chegue-se a uma solução menos degradadora do meio ambiente. Mineração: doutrina. ESTEVES.. tem o objetivo de preservação de um mínimo de ‘ponderação ecológica’” (TRF. WEISS.” 3 “Art. Atividade minerária e reserva legal florestal: ambiente e à mineração. Edith Brown. 225. Ag 16742 SC 1998. São Paulo: Signus. fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Mineração em área de preservação permanente: intervenção possível e necessária. 1989. 2013. inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. ed. DJU 02. jurisprudência. com o auxílio de profissionais. A ordem econômica. Belém: Sindicato das Indústrias Minerais do Pará. 2012. rel.01. tem por fim assegurar a todos existência digna. 1 “Toda a atividade humana pode causar danos ao meio ambiente. In fairness to future generations: international law. 2 “Art. conforme os ditames da justiça social. 2. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. 170. Anuário Mineral do Pará ..04. não há necessidade de paralisação das atividades. j. 20. SILVESTRE. 2007. 3. Mariel.1998. A ordem econômica. São Paulo: Quartier Latin. e a ocupação desordenada pode ser ainda mais degradante ao meio ambiente.

Não há dúvida que em muitos casos houve abusos condenáveis. de tal modo que o valor ecológico não se sobreponha ao valor da pessoa humana. 2.” 10 “Art. a que se refere expressamente nossa legislação. mas se prevalecessem as exageradas pregações de certos ambientalistas. 1. que acaba pondo em risco o bem-estar dos indivíduos e da coletividade. são bens de interesse comum a todos os habitantes do País. uma vez que a natureza não é tutelada apenas em si e por si. que logramos construir. Não podemos esquecer que a poderosa economia. ou seja. Há necessidade. que tudo deve ser feito para preservar os valores naturais.º As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação nativa. entende-se por: Página 15 . importou contínuo aproveitamento de bens naturais. exagerar até o ponto de nos perdermos no ‘fundamentalismo ecológico’. por conseguinte. 2014. com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. reconhecidas de utilidade às terras que revestem. ao qual todos os demais devam se subordinar. à custa de outros de caráter instrumental. são bens de interesse comum a todos os habitantes do País. mas também para assegurar à pessoa humana os meios essenciais de desenvolvimento de uma vida condigna. como o demonstra o estudo imparcial dos fins últimos que guiam o processo histórico. de estabelecer horizontes dentro dos quais devemos procurar alcançar o ‘valor ecológico equilibrado’. na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do País nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia. que não se devem repetir. 1.º-A.º Para os efeitos desta Lei. (…) Não há dúvida. deverá sempre ser feito ‘um balanceamento de valores’. destaque nosso). (…) Tudo isso demonstra que novos critérios devem nortear as decisões do Ministério Público e da Justiça. merecendo louvor a iniciativa de formar uma consciência pública para sua constante defesa. exercendo-se os direitos de propriedade com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. às exigências vitais do ser humano.º As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação.” 8 “Art. antes de mais nada. mas sobretudo enquanto ela constitui o valor condicionante por excelência da vida humana. (…) II – reafirmação da importância da função estratégica da atividade agropecuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade. sem sequer dobrar as linhas do Tratado de Tordesilhas” (REALE. exercendo-se os direitos de propriedade. Nessa ordem de ideias. o valor ecológico não é considerado um valor absoluto. 7 “Art. segundo suas disposições. em se tratando de proteção do meio ambiente. não é demais salientar que. 3. Atividade minerária e reserva legal florestal: 6 “Lembrando o amplo quadro legal de proteção ao meio ambiente em vigor no Brasil. repetir que não se protege a natureza apenas em si mesma e por si mesma. por conseguinte. todavia. valor-fonte de todos os valores. reconhecidas de utilidade às terras que revestem. Não devemos. o Brasil teria permanecido contemplando as belezas do litoral. o que quer dizer que a ecologia se subordina à antropologia. no crescimento econômico. evitando-se que elas redundem em prejuízo para a coletividade nacional. É preciso.” 9 “Art.

admitida. no imóvel situado em área de cerrado. desde que: I – o benefício previsto neste artigo não implique a conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo. e por todos os outros meios de prova em direito admitidos. exclusivamente. benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris. contratos e documentos bancários relativos à produção.º Os empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto não estão sujeitos à constituição de Reserva Legal. dados agropecuários da atividade.” 15 “Art. com edificações. II – localizado nas demais regiões do País: 20% (vinte por cento)” 13 Vale ainda citar o art. Nas Áreas de Preservação Permanente. 12. é autorizada. c) 20% (vinte por cento).º Os proprietários ou possuidores de imóveis rurais poderão provar essas situações consolidadas por documentos tais como a descrição de fatos históricos de ocupação da região. Atividade minerária e reserva legal florestal: (…) IV – área rural consolidada: área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008. II – a área a ser computada esteja conservada ou em processo de recuperação. § 1. 15. excetuados os casos previstos no art. b) 35% (trinta e cinco por cento). conforme comprovação do proprietário ao órgão estadual integrante do Sisnama. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa. 68 do Código Florestal cujo teor determina que: “Art.” 11 “Art. Será admitido o cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual da Reserva Legal do imóvel. 12 (…) § 6. nos termos desta Lei. a título de Reserva Legal.º Os proprietários ou possuidores de imóveis rurais. 68. 14 “Art. e III – o proprietário ou possuidor tenha requerido inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural – CAR. sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente. registros de comercialização.” 12 “Art. 68 desta Lei: I – localizado na Amazônia Legal: a) 80% (oitenta por cento). Página 16 . Os proprietários ou possuidores de imóveis rurais que realizaram supressão de vegetação nativa respeitando os percentuais de Reserva Legal previstos pela legislação em vigor à época em que ocorreu a supressão são dispensados de promover a recomposição. e seus herdeiros necessários que possuam índice de Reserva Legal maior que 50% (cinquenta por cento) de cobertura florestal e não realizaram a supressão da vegetação nos percentuais previstos pela legislação em vigor à época poderão utilizar a área excedente de Reserva Legal também para fins de constituição de servidão ambiental. no imóvel situado em área de florestas. 61-A. compensação ou regeneração para os percentuais exigidos nesta Lei. observados os seguintes percentuais mínimos em relação à área do imóvel. a adoção do regime de pousio. § 2. a continuidade das atividades agrossilvipastoris. na Amazônia Legal. Cota de Reserva Ambiental – CRA e outros instrumentos congêneres previstos nesta Lei”. no imóvel situado em área de campos gerais. neste último caso. de ecoturismo e de turismo rural em áreas rurais consolidadas até 22 de julho de 2008.

melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. África do Sul. subestações ou sejam instaladas linhas de transmissão e de distribuição de energia elétrica. 20 É interessante notar que de tão importante/essencial é esta sociedade que o legislador previu expressamente a impossibilidade de as atividades de pesquisa e de lavra serem interrompidas por medida judicial. plano de recuperação de área degradada. visando assegurar. 18 “A Mineração. aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana.º A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação. nas quais funcionem empreendimentos de geração de energia elétrica. submeter à aprovação do órgão ambiental competente. No curso de qualquer medida judicial não poderá haver embargo ou sequestro que resulte em interrupção dos trabalhos de lavra”. 3.º do Dec. Não se impedirá por ação judicial de quem quer que seja. para aprofundar neste debate vide Weiss (1989). permissão ou autorização para exploração de potencial de energia hidráulica.º Os empreendimentos que se destinam à exploração de recursos minerais deverão.” Dec. cujo relator é o Min. 87. “Art. 2011).632/1989: “Art. (3) o trabalho com fluxo negativo durante a implantação de projeto (com algumas estimativas de 10-15 anos para retornos financeiros. 97. os minerais e os metais são importantes para o desenvolvimento econômico e social de muitos países” e “os minerais são essenciais para a vida moderna.” 22 Art. a sua Página 17 . 1. 97.º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas por detentor de concessão. 57. quando da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental – EIA e do Relatório do Impacto Ambiental – Rima. 23 O equilíbrio ecológico é “parte integrante do bom projeto de mineração a consideração de todos os impactos sobre o meio ambiente. nos termos dos arts. 19 Outra discussão importantíssima em relação aos recursos naturais é a questão da intergeracionalidade de sua exploração.” Declaração final da Rio +10. Luiz Fux. condições ao desenvolvimento socioeconômico. Atividade minerária e reserva legal florestal: § 7. 2. Para explorar mais estes pontos vide os artigos de Silvia Helena Serra e José Mendo Mizael de Souza em (GANDARA et al.938/1981: “Art. no País. 17 Outras características essenciais para compreender a atividade minerária e o processo decisório empresarial por trás deste setor são (1) a necessidade de um investimento elevado de alto risco e longo prazo de maturação.” 21 Lei 6. físico e atrópico.” 16 Vale ressaltar que este dispositivo está sub judice na ADIn 4. os quais dispõem que: “Art. o prosseguimento da pesquisa ou lavra. Johanesburgo. 2002. (2) número muito baixo de jazidas cuja exploração seja economicamente viável. 57 e 87 do Código de Mineração. § 8.632/1989.º Não será exigido Reserva Legal relativa às áreas adquiridas ou desapropriadas com o objetivo de implantação e ampliação de capacidade de rodovias e ferrovias.901. atendidos os seguintes princípios: (…) VIII – recuperação de áreas degradadas.

o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de Página 18 .651. 23.462/2002. 24. 2012. 27. Quem quiser extraí-lo terá que se deslocar e implantar todo um sistema mínero-extrativo-industrial a partir daquela localidade. de 2012. 24 Fernando Facury Scaff ao abordar o tema expõe que: “Só se extrai minério de onde ele “brotou”. mediante aprovação do órgão ambiental competente. “somente uma parcela de 10% do território foi esmiuçada em uma escala definida como ideal pelos técnicos (o equivalente a 1:50. Contra. auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e da biodiversidade. de medida compensatória florestal que inclua a regularização fundiária e a implantação de Unidade de Conservação de Proteção Integral. ver Machado (2010). chamou de geoanalfabetismo. solicitadas no inciso III dos arts. abrigar a fauna silvestre e proteger a flora nativa. Este é um diferencial enorme em face de outro tipo de indústrias que podem ser desmontadas e remontadas em qualquer lugar do globo. com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural. 36. 33 “Art. desta Instrução Normativa. 29 “Art. os seguintes critérios: I – o cálculo da área de Reserva Legal dos imóveis que apresentem as áreas de servidão administrativa. 75. Vide Feigelson (2013). O proprietário ou o possuidor do imóvel rural poderá alterar a localização da área de Reserva Legal.” 32 Lei Estadual 6. Silvestre (2007). 25 “Art. 457/2010. ESTEVES. 42). Corrêa (2011) Serra e Esteves (2012) e Pareceres/PROGE do Departamento Nacional de Mineração 525/2010. 27 Vale ressaltar que a doutrina já abordou a questão da mineração em áreas de Unidade de Conservação.” 30 “Art. a tomada de medidas para a sua minimização durante a vida do empreendimento e a restauração das áreas lavradas ao fim da vida da mina.” 31 “Art. deverão observar. 2013). p. ou o que Carlos Rydlewski. dentre outras. delimitada nos termos desta Lei. 2013). vez que não há conhecimento concreto acerca do verdadeiro potencial mineral do país. Atividade minerária e reserva legal florestal: avaliação. que num piscar de olhos foi desmontada em Belém e reinstalada no Caribe” (SINDICATO DAS INDÚSTRIAS MINERAIS DO PARÁ. com fundamento em estudo de impacto ambiental e respectivo relatório – EIA/Rima. será o resultado da exclusão dessas do somatório da área total do imóvel rural. A localização e a delimitação sobre imagens georreferenciadas de áreas de Reserva Legal.” 26 Uma das principais dificuldades na mineração é o desconhecimento exacerbado dos recursos minerais presentes no subsolo. pelo empreendedor. porém esta análise nunca foi estendida à RFL. Considera-se Reserva Legal a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. A preservação ambiental é parte intrínseca da atividade de mineração” (SERRA. independentemente das demais compensações previstas em lei. 13 e 14. 28 A favor da mineração na área de RFL ver Freire (2005). 500/2009. O empreendimento minerário que dependa de supressão de vegetação nativa fica condicionado à adoção. 14 e 18 da Lei 12. Certamente os paraense hão de se lembrar de uma fábrica de cigarros. de forma mais contundente.000)” (RYDLEWSKI. além do disposto nos arts. De acordo com a reportagem deste jornalista. assim considerado pelo órgão ambiental competente. Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental. 500/2008 e 145/2006.

” Página 19 . de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei. Atividade minerária e reserva legal florestal: conservação do Grupo de Proteção Integral.