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PROCESSO ADMINISTRATIVO PREVIDENCIÁRIO:


TEORIA E PRÁTICA

Professor Veyzon Campos Muniz

01. Conceitos fundamentais

Processo é “fenômeno em desenvolvimento”1;


É “sempre forma, instrumento, modo de proceder” 2.

Processos estatais são “uma série de atos coordenados para a realização dos fins estatais”3.
Processo legislativo: instrumento estatal voltado à elaboração da lei;
Processos administrativo e judicial: instrumentos estatais voltados à aplicação da lei.

Os processos são concebidos como mecanismos jurídicos de exercício de poder estatal


(concepção finalística) que objetivam a realização concreta de valores constitucionais e
preceitos normativos, correspondentes a uma “sucessão de atos preparatórios que devem
obrigatoriamente preceder a prática do ato final”4.

Processo é o conjunto de atos coordenados e relativamente autônomos entre si, praticados de


forma sequencial, e com a finalidade de obtenção de uma decisão administrativa final sobre
objeto determinado.
Procedimento, por sua vez, é o conjunto de formalidades, normativamente estabelecidas, a ser
observado para a prática de certos atos jurídicos.

Fundamento processual: solução de controvérsias ou reconhecimento de direitos;


Objetivo processual: alguma decisão por parte da Administração Pública.

                                                                                                                       
1
MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 1980, p. 72.
2
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 791.
3
DI PIETRO, Ibidem.
4
Idem.
2
 

“Entre a lei e o ato administrativo existe um intervalo, pois o ato não surge como um passe
de mágica. Ele é produto de um processo ou procedimento através do qual a possibilidade ou
a exigência supostas na lei em abstrato passam para o plano da concreção. No procedimento,
o processo se estrutura, se compõe, se canaliza e afinal se estampa à ‘vontade’
administrativa. Evidentemente, existe sempre um modus operandi para chegar-se a um ato
administrativo final” 5. Esse modus corresponde ao desenvolvimento processual.

02. Modalidades processuais

Quanto à forma
Gracioso: processo desenvolvido perante órgão da própria Administração, com competência
específica para concretizar os fins estatais a partir da edição de ato administrativo (passível de
revisão judicial);
Contencioso: processo desenvolvido perante órgão independente e imparcial, com
competência para proferir decisões definitivas (coisa julgada) sobre lides entre Administração
e administrado.

Quanto à matéria
Técnico: processo instaurado por iniciativa da própria Administração Pública, em que
somente há interesse público posto em causa;
Jurídico: processo provocado por iniciativa do administrado, em que prepondera o interesse
particular como fundamento.

Quanto à finalidade
Processo administrativo propriamente dito: objetiva a solução de controvérsia entre
Administração e administrado;
Processo de expediente: objetiva o reconhecimento de direitos do administrado pela
Administração.

O processo administrativo previdenciário brasileiro é gracioso, jurídico e de expediente.

                                                                                                                       
5
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 2013, p.
496.  
3
 

Processo Administrativo
Incidente sobre em uma relação jurídico-administrativa (propriamente dita);
Interesse público: interesse da Administração Pública.

Processo Administrativo Previdenciário


Incidente sobre uma relação jurídico-previdenciária;
Interesse público: proteção social frente a um estado de necessidade ou de risco.

03. Princípios processuais


Normas presentes, legal e constitucionalmente, no sistema jurídico que devem ser observadas
no âmbito do processo administrativo previdenciário.

Princípio da ampla defesa e do contraditório6: previsto expressamente no artigo 5º, LV, da


Constituição Federal, determina que aos litigantes, em processo administrativo, são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O
princípio da ampla defesa, nos termos do artigo 2º, parágrafo único, X, da Lei 9.784/1999,
impõe, nos expedientes administrativos, os direitos à comunicação, à apresentação de
alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos. O princípio do
contraditório, por sua vez, exige a notificação dos atos processuais à parte interessada, a
possibilidade de exame de provas constantes do processo, o direito de assistir à inquirição de
testemunhas e o direito de apresentar defesa escrita.7

Princípio da economia processual8: estabelece o aproveitamento dos atos processuais,


admitindo-se o saneamento do processo quando se constatar nulidade sanável, cuja
inobservância não prejudique a Administração ou o administrado. Atenta-se que devem ser
evitados os formalismos excessivos, não essenciais à legalidade do procedimento que onerem
inutilmente o deslinde processual, emperrando a máquina administrativa. Frente ao
indeferimento de requerimento administrativo, por exemplo, o administrado, em novo pedido,
pode se valer da mesma documentação acostada no processo anterior.

                                                                                                                       
6
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 803.
7
Diante de indícios de irregularidades, o administrado é notificado para apresentar defesa escrita (a ser
remetida por via postal com aviso de recebimento, quando não possível a remessa eletrônica).
8
DI PIETRO, Op. cit., p. 807.
4
 

Princípio da eficiência9: introduzido no texto constitucional pela Emenda 19/1998 (Reforma


Administrativa), impõe à Administração e a seus agentes a persecução do bem comum. Essa
busca deve dar-se por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra,
transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade, primando
pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos
recursos públicos, de maneira a garantir-se maior rentabilidade social na seara administrativa.

Princípio da fundamentação10: refere-se à motivação e importa na declaração das condições


de fato e de direito e do nexo de causalidade entre elas e o conteúdo do ato; ela deve ser
prévia ou contemporânea à expedição do ato final. A fundamentação possibilita que os
administrados saibam as razões das decisões tomadas pela Administração, devendo ser: clara,
demonstrando o processo lógico e jurídico que conduziu ao ato exarado ou à decisão
proferida; suficiente, apresentando a conexão entre as razões fáticas e jurídicas e o nexo que
liga os motivos e o conteúdo decisório; e simples, atentando à necessidade de pleno
entendimento pelas partes, vedando-se, contudo, a exposição de conclusões diretas (apenas a
mera remissão à legislação).1112 Sua inobservância, conforme o caso concreto, importa desvio
de poder (infração administrativa) ou de finalidade (nulidade processual insanável).

                                                                                                                       
9
MORAES, Alexandre. Reforma administrativa: Emenda Constitucional nº 19/1998. São Paulo: Atlas,
1999, p. 30.  
10
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 2013, p.
102-4.
11
V. Portaria MDAS 116/2017. Art. 52. As decisões das composições julgadoras serão lavradas pelo
relator do processo, redigidas na forma de acórdão, deverão ser expressas em linguagem discursiva,
simples, precisa e objetiva, evitando-se o uso de expressões vagas, de códigos, de siglas e de
referências a instruções internar que dificultem a compreensão do julgamento.
12
V. Lei 9.784/1999. Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos
e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II -
imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III - decidam processos administrativos de
concurso ou seleção pública; IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V -
decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de ofício; VII - deixem de aplicar
jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios
oficiais; VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1º
A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância
com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão
parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio
mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia
dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais
constará da respectiva ata ou de termo escrito.
5
 

Princípio da gratuidade13: regra expressa no artigo 2º, parágrafo único, XI, da Lei
9.784/1999, que proíbe a cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas
legalmente. Súmula STJ 373: é ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade
de recurso administrativo. Súmula Vinculante 21: é inconstitucional a exigência de depósito
ou arrolamento prévios de dinheiros ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

Princípio da impessoalidade14: relaciona-se diretamente com o postulado constitucional de


igualdade ou isonomia, vinculando tanto os administrados quanto a própria Administração à
apresentação de uma conduta impessoal. Vedam-se, assim, atos processuais que objetivam o
favorecimento próprio da autoridade processante ou o beneficiamento de determinada parte,
sob pena de nulidade integral ou parcial do respectivo expediente administrativo. Nesses
termos, entende-se que o agente previdenciário, seja administrador seja legislador, deve
sempre pautar sua atuação de modo isento, norteando o seu comportamento pelo interesse
público e nunca se desviando do princípio contingente da finalidade.

Princípio da isonomia15: trata-se de norma constitucional que estabelece que as regras


processuais devem guardar isonomia formal e material, sendo vedadas discriminações que
rebaixem os administrados diante da Administração. Assim, na mais objetiva expressão do
grau de solidariedade social que vigora no interior do sistema previdenciário brasileiro a todos
incumbe a obrigação jurídica de proporcionar quantidade de proteção social suficiente a quem
dela necessitar. Possibilita, especialmente nos termos da Lei 8.213/1991, a gratuidade do
direito de petição e o serviço de assistência complementar de natureza jurídica. E, ainda, o
acesso à informação e a garantia a um sistema recursal.

Princípio da legalidade16: impõe o atendimento à lei, como definidora de direitos individuais


e sociais e como limite da atuação administrativa que pretenda restringir tais direitos em prol
da coletividade. A partir dele, entende-se que: de um lado, as normas administrativas (como,
por exemplo, instruções normativas da presidência do INSS e ordens de serviço
previdenciárias) são atos que não podem criar, modificar, restringir ou extinguir direitos do

                                                                                                                       
13
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 802.
14
FREIRE E SILVA, Patricia Vianna Meirelles. Princípios no processo administrativo previdenciário.
São Paulo: PUC-SP, 2007, p. 114-9.
15
BALERA, Wagner. Processo administrativo previdenciário: benefícios. São Paulo: LTr, 1999, p. 109-
10.
16
FREIRE E SILVA, Op. cit., p. 89-98.
6
 

administrado; e, de outro, que tais normas administrativas vinculam à Administração, que não
pode descumpri-las, nos termos do Decreto 3.048/199917, sob a falácia de que não se tratariam
de “lei” (em sentido estrito). Tem-se estabelecido, assim, a concepção de autotutela no sentido
de se permitir a revisão, de ofício ou mediante requerimento, de atos contrários à lei, bem
como de se garantir o reconhecimento de direitos previdenciários a qualquer tempo, como
bem dispõe a Portaria MDAS 116/201718.

Princípio da moralidade19: é norma pela qual o Estado define o desempenho da função


administrativa segundo uma ordem ética ancorada em valores sociais prevalentes e voltada à
realização de seus fins. Relaciona-se, nesse sentir, a atuação da Administração não apenas à
legalidade, mas também ao dever normativo de probidade administrativa. Com efeito,
asseguram-se parâmetros éticos à relação jurídica previdenciária tanto na perspectiva
prestacional (pela qual a Administração, verificado a necessidade ou risco social, obriga-se a
conceder serviço ou benefício) quanto na perspectiva contributiva (pelo qual a pessoa, física
ou jurídica, obriga-se a contribuir para o custeio do sistema). No processo administrativo
previdenciário, não se deve colocar as partes em posições antagônicas: em tese, ambos
querem estender o direito a quem dele é detentor (interesse comum). Assim, diante da
dificuldade do segurado ou beneficiário em produzir provas do seu direito, por exemplo, a
Administração deve se valer de todos os mecanismos a sua disposição para efetivar o
atendimento (como, por exemplo, a manutenção do CNIS).

                                                                                                                       
17
V. Art. 324. Os atos normativos ministeriais obrigam a todos os órgãos e entidades integrantes do
Ministério da Previdência e Assistência Social, inclusive da administração indireta a ele vinculados.
18
V. Art. 34. O INSS pode, enquanto não tiver ocorrido a decadência, reconhecer expressamente o
direito do interessado e reformar sua decisão, observado o seguinte procedimento: I - quando o
reconhecimento ocorrer na fase de instrução do Recurso Ordinário o INSS deixará de encaminhar o
recurso ao órgão julgador competente; II - quando o reconhecimento ocorrer após a chegada do
recurso no CRSS, mas antes de qualquer decisão colegiada, o INSS deverá encaminhar os autos ao
respectivo órgão julgador, devidamente instruído com a comprovação da reforma de sua decisão e do
reconhecimento do direito do interessado, para julgamento do mérito. III - quando o reconhecimento
ocorrer após o julgamento da Junta de Recurso ou da Câmara de Julgamento, o INSS deverá
encaminhar os autos ao órgão julgador que proferiu a última decisão, devidamente instruído com a
comprovação da reforma de sua decisão e do reconhecimento do direito do interessado, para que, se
for o caso, seja proferida nova decisão. Parágrafo Único. Na hipótese de reforma parcial de decisão do
INSS, o processo terá seguimento em relação à questão objeto da controvérsia remanescente.
19
ROCHA, Cármem Lúcia Antunes. Princípios constitucionais da administração pública. Belo
Horizonte: Del Rey, 1994, p. 192.
7
 

Princípio da obediência à forma e aos procedimentos20: em que pese se fale em um


princípio do informalismo no âmbito administrativo, isso não corresponde à ausência de
forma. Pelo contrário, quando existem normas legais estabelecendo o procedimento a ser
adotado nos expedientes administrativos elas devem ser seguidas. A necessidade de maior
formalismo existe em processos que envolvem interesses dos particulares, como é o caso dos
processos de concessão de serviços e benefícios previdenciários. Nesses casos, tem-se, de um
lado, o interesse público a exigir formas mais simples para a resolução processual e, de outro,
o interesse particular a pugnar por procedimentos que assegurem direitos individuais.

Princípio da oficialidade21: assegura tanto a possibilidade de instauração processual por


iniciativa da Administração quanto à possibilidade de ela impulsionar o processo, adotando
todas as medidas necessárias a sua adequada instrução. O aludido princípio também autoriza a
autoridade administrativa a requerer diligências, investigar fatos de que toma conhecimento
no curso do processo, solicitar pareceres, perícias, laudos, informações, rever os próprios atos
e praticar tudo o que for necessário à consecução do interesse público.

Princípio da pluralidade de instâncias22: decorre do poder de autotutela de que dispõe a


Administração e que lhe permite rever os próprios atos, quando ilegais, inconvenientes ou
inoportunos. Estabelece que o administrado que se sentir lesado em decorrência de decisão
administrativa, pode ir propondo recursos hierárquicos até chegar à autoridade máxima da
organização administrativa. Atenta-se que, no processo administrativo previdenciário, é
possível alegar em instância superior o que não foi arguido de início, reexaminar a matéria de
fato e produzir novas provas.

Princípio da publicidade23: previsto expressamente no artigo 37, caput, da Constituição


Federal, determina que os processos administrativos devam estar abertos ao acesso dos
interessados. O direito de acesso (interesse individual) é amplo (mais do que em processos
judiciais), contudo, não pode ser exercido abusivamente, sob pena de tumultuar o andamento
dos serviços públicos administrativos (interesse coletivo). Tal direito pode, assim, ser
restringido por razões de segurança ou intimidade, e não se confunde com o direito de “vista”
– que somente é assegurado às pessoas diretamente atingidas pelos atos administrativos.
                                                                                                                       
20
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2017, 801-2.
21
DI PIETRO, Op. cit., p. 800-1.
22
Ibidem, p. 806-7.
23
Idem, p. 799-800.
8
 

Princípio da transparência: tendo em vista que, em regra, nenhum ato administrativo é


sigiloso, o princípio configura o dever atribuído à Administração de dar ampla publicidade
aos atos que praticar e aos procedimentos que adotar. Nos termos do Decreto 3.048/1999, em
seu artigo 318, a divulgação dos atos e decisões das autoridades previdenciárias sobre
benefícios tem como objetivo dar inequívoco conhecimento deles aos interessados (inclusive
para efeito recursal), possibilitar o seu conhecimento público e produzir efeitos legais quanto
aos direitos e obrigações deles derivados. Destarte, o MDAS divulga online o andamento dos
processos julgados pelas Juntas e Câmaras do CRSS, bem como publica os resultados de seus
julgamentos, no controle jurisdicional das decisões do INSS, em matéria de interesse de
segurados e beneficiários.

Princípio do devido processo legal24: de modo substancial, abrange a proporcionalidade e a


razoabilidade que devem ser observadas na relação estabelecida entre a atuação administrativa
e o ato administrativo editado. Atenta-se que a proporcionalidade se constitui como um
parâmetro de valoração dos atos da Administração, verificando se eles atendem às normas do
ordenamento jurídico-previdenciário, bem como se representam uma relação racional entre
motivação, execução e finalidade. A razoabilidade, ao seu turno, se constitui como
instrumento de verificação da relação custo-benefício dos atos e procedimentos realizados.

04. Postulados sistêmicos


Normas estruturais do sistema jurídico previdenciário que impactam no âmbito dos processos
administrativos de natureza previdenciária.

In dubio pro segurado: diante de uma situação fática de difícil resolução (em regra, casos em
que se considera um longo tempo de contribuição ou uma prestação sucessiva prolongada), o
administrado e a autoridade administrativa devem fazer todos os esforços para esclarecer a
questão, valendo-se como regra de interpretações a favor da parte vulnerável, isto é, o
segurado ou beneficiário. Expressa concepção de segurança jurídica, afirmando-se, assim, o
caráter alimentar dos benefícios, o que demanda ações céleres, observáveis na concessão de
medidas liminares, no reconhecimento da boa-fé do requerente e na compatibilização dos
prazos com a urgência das demandas.
                                                                                                                       
24
PORTA, Marcos. Processo administrativo e o devido processo legal. São Paulo: Quartier Latin, 2003,
p. 113-4.
9
 

Indisponibilidade do interesse público: ciente de que a Administração não age em nome


próprio, mas representando o interesse de todos os cidadãos, impõe-se a indisponibilidade de
sua atuação correta e adequada. No âmbito previdenciário, corresponde ao atendimento do
interesse social de superação de um estado de necessidade ou risco individuais, por meio do
esforço (contributo) coletivo e administrado pela autoridade competente. A finalidade do
processo administrativo previdenciário é compatibilizar o atendimento ao interesse da
Administração (prestação social) e a garantia dos direitos subjetivos de segurados,
beneficiários e dependentes.

Prevalência da regra mais favorável: a autoridade administrativa previdenciária, ao formar


sua convicção sobre ato a ser praticado ou decisão a ser proferida, deve valer-se da
interpretação legal e da aplicação normativa que melhor atenda à necessidade do
administrado.

05. Critérios de observação obrigatória


O processo administrativo deve ser instaurado e conduzido com base na lei. Atos internos
devem se limitar a dispor a respeito da forma pela qual serão operacionalizados, pelos agentes
públicos, os procedimentos constantes do processo administrativo previdenciário. A Lei
9.784/1999, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal
apresenta critérios de observação obrigatória por parte do INSS.

Atendimento a princípios (artigo 2º): a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos
princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade,
ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.

Rol exemplificativo de critérios obrigatórios (artigo 2º, parágrafo único): nos processos
administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I - atuação conforme a lei e o
Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de
poderes ou competências, salvo autorização em lei; III - objetividade no atendimento do
interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV - atuação
segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; V - divulgação oficial dos atos
administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI - adequação
entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
10
 

superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação


dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII - observância das
formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX - adoção de formas
simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos
dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações
finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam
resultar sanções e nas situações de litígio; XI - proibição de cobrança de despesas processuais,
ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem
prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma
que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa
de nova interpretação.

Rol exemplificativo de direitos (artigo 3º):


I – Ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício
de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações;
II – Ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de
interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as
decisões proferidas;
III – Formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de
consideração pelo órgão competente;
IV – Fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a
representação, por força de lei.

Rol exemplificativo de deveres (artigo 4º):


I – Expor os fatos conforme a verdade;
II – Proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé;
III – Não agir de modo temerário;
IV – Prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos
fatos.
11
 

06. Fases processuais

Reporta-se à Instrução Normativa 77/2015 que estabelece rotinas para agilizar e uniformizar o
reconhecimento de direitos dos segurados e beneficiários da Previdência Social, com
observância dos princípios estabelecidos no artigo 37 da Constituição Federal.

Conceito fundamental (artigo 658): considera-se processo administrativo previdenciário o


conjunto de atos administrativos praticados nos Canais de Atendimento da Previdência
Social, iniciado em razão de requerimento formulado pelo interessado, de ofício pela
Administração ou por terceiro legitimado, e concluído com a decisão definitiva no âmbito
administrativo. O processo administrativo previdenciário contemplará as fases inicial,
instrutória, decisória e recursal.

06.1. Fase inicial


É a fase de instauração em que o processo administrativo previdenciário se inicia e se define a
pretensão do postulante (objeto processual). O processo é deflagrado mediante pedido
formulado pelo segurado, beneficiário, dependente ou terceiro legitimado2526 (regra geral).
Em algumas situações específicas, inicia-se de ofício ou pelo empregador.27

Entrevista de Anamnese
Em caso de representação, recomenda-se a realização de uma entrevista diagnóstica em que o
profissional juridicamente habilitado possa coletar dados de relevância para a abertura de
processo administrativo em nome de terceiro. Nesse momento é importante verificar a
pretensão do requerente e os meios probatórios (sobretudo documentais) que ele dispõe, e
cientificá-lo dos procedimentos processuais posteriores, elucidando eventuais dúvidas.

                                                                                                                       
25
P.ex. procurador legalmente constituído, represente legal, curador ou administrador provisório de
espólio.
26
O procurador deve firmar termo de responsabilidade em que se compromete a comunicar a
Administração sobre qualquer fato que possa anular a procuração.
27
V. Lei 8.213/1991. Art. 117. A empresa, o sindicato ou a entidade de aposentados devidamente
legalizada poderá, mediante convênio com a Previdência Social, encarregar-se, relativamente a seu
empregado ou associado e respectivos dependentes, de: I - processar requerimento de benefício,
preparando-o e instruindo-o de maneira a ser despachado pela Previdência Social; II - submeter o
requerente a exame médico, inclusive complementar, encaminhando à Previdência Social o respectivo
laudo, para efeito de homologação e posterior concessão de benefício que depender de avaliação de
incapacidade; III - pagar benefício.  
12
 

Agendamento e Requerimento
O requerimento administrativo, indispensavelmente, será protocolado, acompanhado dos
documentos obrigatórios.

Canais de Atendimento da Previdência Social: Portal da Previdência Social (sítio virtual que
disponibiliza ao cidadão diversos serviços online que dispensam o atendimento presencial)28;
Atendimento 135 (atendimento telefônico gratuito que funciona de segunda à sábado, das 07h
às 22h); Agências da Previdência Social (unidades fixas espalhadas por todo território
nacional); Agências da Previdência Social de Acordos Internacionais (unidades físicas que
trabalham exclusivamente com requerimentos de benefícios de cidadãos estrangeiros, que
trabalham no Brasil, ou brasileiros, que trabalham no exterior, e que estão amparados por
acordo internacional de reconhecimento de contribuições previdenciárias); PREVCidade,
PREVBarco e PREVMovel (unidades físicas que prestam serviços previdenciários nas
localidades onde não existe uma agência da previdência social).

Documentos obrigatórios: documento de identificação com foto em que conste nome


completo, data de nascimento e nome da mãe, CPF, NIT - Número de Inscrição do
Trabalhador, NB - Número de Benefício (excluído o caso de pleito concessório).

Protocolo: efetuado pela Administração, com a respectiva comunicação direta ao


administrado, é procedimento obrigatório (mesmo em caso de indeferimento de plano).

Direito de petição
Trata-se de direito processual fundamental. A apresentação da documentação incompleta não
é motivo suficiente para a recusa ao processamento do pedido, devendo o requerimento ser
recebido.29 Em caso de insuficiência documental, a Administração deve comunicar o
administrado para que proceda na complementação das informações prestadas.30

                                                                                                                       
28
Disponível em: [www.previdencia.gov.br].
29
V. Art. 678. A apresentação de documentação incompleta não constitui motivo para recusa do
requerimento de benefício, ainda que, de plano, se possa constatar que o segurado não faz jus ao
benefício ou serviço que pretende requerer, sendo obrigatória a protocolização de todos os pedidos
administrativos.
30
A satisfação posterior dos requisitos de concessão de benefício enseja a afirmação da data da entrada
do requerimento (DER).
13
 

Problema 0131: João, com procuração de José, marido de Maria, mulher civilmente capaz,
dirige-se a uma Agência da Previdência Social para entregar um requerimento, assinado por
ele, referente a pedido de concessão de benefício previdenciário em nome de Maria. O
funcionário do INSS recusa-se a receber o requerimento de João. Questiona-se: o
procedimento do servidor está correto? Sim, está correto. José, marido de Maria, não pode
postular, através de terceiro (João), direito da esposa, sem sua devida autorização (isto é,
mediante procuração, com poderes específicos, de Maria a José). No caso não se avalia a
ausência (ou não) dos requisitos à concessão ou questões relativas à legitimidade de Maria
para o requerimento, tratando-se de nítida hipótese de defeito de representação da
beneficiária.

Problema 0232: a Instrução Normativa 45/201033, ao dispor sobre a administração de


informações dos segurados, o reconhecimento, a manutenção e a revisão de direitos dos
beneficiários da Previdência Social e ao disciplinar o processo administrativo previdenciário
no âmbito do INSS, estabelece, em seu artigo 565, que são legitimados como interessados no
processo administrativo os usuários da Previdência Social, podendo o requerimento do
benefício ou serviço ser realizado pelo próprio segurado, dependente ou beneficiário. Ciente
disso José, companheiro e dependente de Maria, nos termos da Lei 8.213/199134, mulher
civilmente capaz, dirige-se a uma Agência da Previdência Social para formular requerimento
de concessão de benefício previdenciário em nome de Maria. O funcionário do INSS informa-
o que não é possível receber o seu requerimento. Questiona-se: o procedimento do servidor
está correto? Sim, está correto. José, companheiro de Maria, não pode postular direito da
esposa, sem sua devida autorização (isto é, mediante procuração, com poderes específicos
para tanto). Não se pode pleitear, ainda, em nome próprio, o direito alheio (benefício), nos
termos do artigo 18 do Código de Processo Civil. Quando a Lei 8.213/1991 resguarda o
direito dos dependentes se refere aos benefícios devidos a eles próprios.

                                                                                                                       
31
Cf. KEMMERICH, Clóvis Juarez. O processo administrativo na previdência social: curso e
legislação. São Paulo: Atlas, 2012, p. 26 e 144.
32
Cf. KEMMERICH, Op. cit., p. 27 e 144.
33
Origem: Presidência do INSS. Alterada pelas IN 51 (04/02/2011), 56 (11/11/2011), 59 (17/04/2012),
63 (12/12/2012) e 68 (21/06/2013).
34
V. Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do
segurado: (Alterado pela Lei 13.146/ 2015.) I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não
emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; II - os pais; III - o irmão de qualquer condição
menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou
deficiência grave, nos termos do regulamento; [...]
14
 

Deveres da Administração frente ao requerimento


I – Receber e protocolar o pedido;
II – Receber os documentos que instruem o pedido;
III – Agendar novo atendimento;
IV – Informar o melhor direito ao segurado;
V – Conceder o melhor benefício a que o segurado fizer jus, cabendo ao servidor orientá-lo
nesse sentido.35

Negativa frente ao requerimento


A negativa de protocolo do requerimento pelo não cumprimento de obrigações pelo segurado
ou beneficiário não é o bastante para ensejar o litígio – o administrado deve atender aos
procedimentos legais para a instauração processual. A resistência no recebimento do pleito
administrativo, atendidas tais obrigações, entretanto, constitui fundamento para que se
configure a lide previdenciária (processo judicial). O requerimento administrativo é
dispensável nas demandas (judiciais) em que se pode presumir o indeferimento do benefício
em razão da “notória resistência” ou “negativa tácita” do INSS.36

Observação 01: em caso de pedido de restabelecimento de benefício, havendo a comunicação


da cessação do benefício surge interesse processual dúplice (administrativo e judicial).

Observação 02: em caso de pedido de revisão de benefício, não há necessidade de


requerimento administrativo prévio, uma vez que há impulso oficial e a Administração deve
conceder o benefício mais vantajoso.

                                                                                                                       
35
V. Enunciado JR/CRPS 5 (do atual CRSS): A Previdência Social deve conceder o melhor benefício a
que o segurado fizer jus, cabendo ao servidor orientá-lo nesse sentido.  
36
V. RE 631240, STF, Relator: Min. Luís Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 03/09/2014,
publicado em 10/11/2014. Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL.
PRÉVIO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO E INTERESSE EM AGIR. 1. A instituição de
condições para o regular exercício do direito de ação é compatível com o art. 5º, XXXV, da
Constituição. Para se caracterizar a presença de interesse em agir, é preciso haver necessidade de ir
a juízo. 2. A concessão de benefícios previdenciários depende de requerimento do interessado, não se
caracterizando ameaça ou lesão a direito antes de sua apreciação e indeferimento pelo INSS, ou se
excedido o prazo legal para sua análise. É bem de ver, no entanto, que a exigência de prévio
requerimento não se confunde com o exaurimento das vias administrativas. 3. A exigência de prévio
requerimento administrativo não deve prevalecer quando o entendimento da Administração for
notória e reiteradamente contrário à postulação do segurado. [...]
15
 

Problema 0337: O pai de José protocolou seu requerimento de aposentadoria na Agência da


Previdência Social em que o pai da esposa de José é funcionário. O sogro de José deferiu o
requerimento apresentado. Questiona-se: o deferimento do servidor é legal? Sim, a decisão
administrativa é legal. O servidor, sogro de José, não possui qualquer parentesco com o
requerente. Em princípio somente se constataria ilegalidade se, no caso concreto, incidisse
causa de impedimento, nos termos da Lei 9.784/199938 ou da Instrução Normativa 77/201539,
ou de suspeição (como, por exemplo, se entre eles houvesse amizade íntima ou inimizade
notória).

06.2. Fase instrutória


É a fase de instrução dos procedimentos que compreendem o processo administrativo
previdenciário, destinada a averiguar e a comprovar os requisitos legais para a concessão de
benefícios, atualização de cadastro previdenciário ou revisão de atos administrativos,
garantindo-se às partes o direito de produção de provas. O processo deve ser instruído pelo
servidor (obrigação legal) e pelo requerente (interesse probatório), atentando-se que o não
cumprimento de requisitos específicos não afasta o dever de se instruir o processo com
relação aos demais atos.

Prova documental40: principal meio de prova utilizado pelos interessados para a


comprovação de direitos previdenciários, quando do requerimento administrativo ou
posteriormente. Os documentos cujas informações constam em base de dados oficial da
Administração não devem ter sua apresentação exigida do administrado, devendo a autoridade
obtê-los diretamente do respectivo órgão ou entidade detentora das informações, nos termos
                                                                                                                       
37
Cf. KEMMERICH, Clóvis Juarez. O processo administrativo na previdência social: curso e
legislação. São Paulo: Atlas, 2012, p. 31 e 144.
38
V. Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I - tenha
interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha participado ou venha a participar como perito,
testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente
e afins até o terceiro grau; III - esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou
respectivo cônjuge ou companheiro.
39
V. Art. 662. É impedido de atuar no processo administrativo o servidor: I - que tenha interesse direto
ou indireto na matéria; II - que tenha participado ou venha a participar como interessado, perito,
testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrerem quanto ao cônjuge, companheiro ou
parente e afins até o terceiro grau; III - que esteja litigando judicial ou administrativamente com o
interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro; e IV - cujo cônjuge, companheiro ou parente e
afins até o terceiro grau tenha atuado como intermediário.
40
BARROS, Allan Luiz Oliveira. Linhas gerais sobre o processo administrativo previdenciário.
Brasília: AGU, 2010, p. 9.
16
 

do artigo 2º do Decreto 9.094/2017. Os dados constantes do CNIS relativos a vínculos,


remunerações e contribuições valem como prova de filiação à previdência social, tempo de
contribuição e salários de contribuição.

Espécies recorrentes de prova documental: documentos de identificação pessoal (certidões de


nascimento, casamento, óbito, escritura pública de união estável); documentos para a
comprovação do exercício de atividade laboral (anotações na CTPS, comprovantes de
pagamento, formulários de rescisão contratual e comprovante do recolhimento de
contribuições); documentos que indicam o exercício de atividade rural (contrato de
arrendamento, parceria ou comodato rural, declaração do sindicato ou colônia de pescadores,
comprovante de cadastro no INCRA, bloco de notas do produtor rural, notas fiscais de entrada
de mercadorias); documentos médicos que auxiliam na verificação da incapacidade laboral
(atestados, exames, laudos periciais); relatórios e laudos das condições ambientais do
trabalho (aposentadorias especiais); declaração do recolhimento do segurado à prisão
(auxílio-reclusão).

A saber, a Lei 13.460/201741, que estabelece sobre a participação, proteção e defesa dos
direitos do usuário dos serviços públicos da Administração Pública, e o Decreto 9.094/201742,
que dispõe sobre a simplificação do atendimento prestado aos usuários dos serviços públicos,
ratificam a dispensa do reconhecimento de firma e da autenticação em documentos
produzidos no país. Tem-se, assim, a possibilidade de dispensa do reconhecimento de firmas e
autenticações, mediante a fiscalização do administrado quando da apresentação da prova
documental.
                                                                                                                       
41
V. Art. 5º. O usuário de serviço público tem direito à adequada prestação dos serviços, devendo os
agentes públicos e prestadores de serviços públicos observar as seguintes diretrizes: [...] IX -
autenticação de documentos pelo próprio agente público, à vista dos originais apresentados pelo
usuário, vedada a exigência de reconhecimento de firma, salvo em caso de dúvida de autenticidade;
[...]
42
V. Art. 1º. Os órgãos e as entidades do Poder Executivo federal observarão as seguintes diretrizes
nas relações entre si e com os usuários dos serviços públicos: I - presunção de boa-fé; II -
compartilhamento de informações, nos termos da lei; III - atuação integrada e sistêmica na expedição
de atestados, certidões e documentos comprobatórios de regularidade; IV - racionalização de métodos
e procedimentos de controle; V - eliminação de formalidades e exigências cujo custo econômico ou
social seja superior ao risco envolvido; VI - aplicação de soluções tecnológicas que visem a
simplificar processos e procedimentos de atendimento aos usuários dos serviços públicos e a propiciar
melhores condições para o compartilhamento das informações; VII - utilização de linguagem clara,
que evite o uso de siglas, jargões e estrangeirismos; e VIII - articulação com os Estados, o Distrito
Federal, os Municípios e os outros Poderes para a integração, racionalização, disponibilização e
simplificação de serviços públicos. Parágrafo único. Usuários dos serviços públicos são as pessoas
físicas e jurídicas, de direito público ou privado, diretamente atendidas por serviço público.
17
 

Carta de exigência: caso o documento apresentado não seja hábil para identificar o
administrado, o servidor deve emitir carta de exigência para que o interessado apresente outro
documento que o identifique, nos termos da Instrução Normativa 77/2015.43

Comprovação do período de atividade laboral: a comprovação do tempo de serviço só produz


efeito quando baseada em início de prova material (documental), não sendo admitida prova
exclusivamente testemunhal, salvo em casos de força maior ou caso fortuito, nos termos da
Lei 8.213/1991 (artigo 55, §3º).44

Prova testemunhal: meio de prova acessório utilizado para complementar o valor probatório
de documentos, observando as prescrições do Código Civil45. A prova testemunhal, por si só,
não é suficiente para a comprovação do tempo de serviço, devendo sempre estar vinculada a
provas documentais que afirmem a existência do exercício da atividade laboral ou a relação
de dependência.

Prova pericial: é utilizada, em regra, para a aferição de condição pessoal do administrado


(incapacidade laboral, invalidez, miserabilidade, etc.), sendo executada por perito designado
pela Administração.

                                                                                                                       
43
V. Art. 672. Todo atendimento presencial deverá ser realizado mediante apresentação de pelo menos um dos
seguintes documentos de identificação: I – Carteira de Identidade; II – Carteira Nacional de Habilitação; III –
Carteira de Trabalho; IV – Carteira Profissional; V – Passaporte; VI – Carteira de Identificação Funcional; ou
VII – outro documento dotado de fé pública que permita a identificação do cidadão. 1º O documento de
identificação apresentado deverá conter fotografia que permita o reconhecimento do requerente. 2º Caso o
documento apresentado não seja hábil para identificar o interessado, o servidor deverá emitir carta de exigência
para que o interessado apresente algum outro documento que o identifique, observado o art. 678. 3º Verificada, a
qualquer tempo, indício de fraude em relação a qualquer documento apresentado, o servidor considerará não
satisfeita a exigência e deverá: I – registrar a ocorrência no processo; e II – dar ciência à chefia imediata que, no
prazo máximo de cinco dias, remeterá o processo à autoridade competente para adoção das providências
cabíveis.
44
V. Art. 55. [...] § 3º A comprovação do tempo de serviço para os efeitos desta Lei, inclusive mediante
justificação administrativa ou judicial, conforme o disposto no art. 108, só produzirá efeito quando baseada em
início de prova material, não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal, salvo na ocorrência de motivo
de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no Regulamento.
45
V. Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas: I - os menores de dezesseis anos; IV - o
interessado no litígio, o amigo íntimo ou o inimigo capital das partes; V - os cônjuges, os ascendentes,
os descendentes e os colaterais, até o terceiro grau de alguma das partes, por consanguinidade, ou
afinidade. § 1º Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o depoimento das
pessoas a que se refere este artigo. § 2º A pessoa com deficiência poderá testemunhar em igualdade de
condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva.
18
 

Entrevista: refere-se a procedimento interno utilizado pelo INSS, sobretudo, nos processos de
benefícios rurais, consistente na oitiva do requerente (o equivalente ao depoimento pessoal no
processo judicial), cuja finalidade é a comprovação do exercício de atividade rural, possuindo
o caráter acessório à prova documental. Pode ser realizada, ainda, a oitiva de terceiros (como,
por exemplo, vizinhos confrontantes do imóvel rural) para o reconhecimento da atividade.
Perícia médica: refere-se a procedimento destinado a verificar a condição específica e pessoal
do administrado com a finalidade de caracterizar ou não o direito pleiteado, consoante o
Manual de Perícias Médicas da Previdência Social atualizado. Opera-se por responsabilidade
e competência exclusiva de médico concursado e treinado internamente pelo MDAS.46 O
encaminhamento e o agendamento da perícia presencial são feitos pela Administração,
ressalvados os casos de convênio. Compreende diligências específicas como visita ao
administrado em sua residência, quando impossível seu deslocamento a uma Agência da
Previdência Social ou a um hospital para realizar o exame médico e vistoria as empresas para
a confirmação do nexo técnico indispensável ao reconhecimento do direito. Quando o
segurado, beneficiário ou dependente deslocar-se por determinação do INSS para perícia
médica a local diverso de onde reside faz jus ao recebimento de diária.47

Pesquisa externa: refere-se a procedimento que envolve serviços externos, com deslocamento
de servidor do INSS, cuja finalidade é a elucidação de dúvidas, complementação de
informações ou apuração de denúncias junto a empresas, órgãos públicos, entidades
representativas de classe, cartórios, contribuintes e beneficiários. Verificam-se os documentos
apresentados pelo administrado e realizam-se vistorias necessárias ao desempenho das
atividades de perícias específicas.48 O servidor competente pode examinar folhas de
pagamento, livros, fichas de registro de empregados e outros documentos, bem como

                                                                                                                       
46
A Lei 13.457/2017 dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social, a reestruturação da
composição remuneratória da Carreira de Perito Médico Previdenciário e da Carreira de Supervisor
Médico-Pericial e a instituição do Bônus Especial de Desempenho Institucional por Perícia Médica em
Benefícios por Incapacidade.  
47
A percepção das passagens dá-se por concessão de ofício de iniciativa do setor que solicitar a perícia
médica. Opera-se incidente processual de instrução sumaríssima que se limita às providências
indicadas no ato, devendo ser encaminhado para análise do setor de gerenciamento competente. O
valor da diária corresponde ao valor das despesas de transporte e há tantos dias quantos forem os
prováveis de permanência do administrado fora de sua residência; é variável de acordo com previsão
administrativa, sendo reduzido à metade quando não houver necessidade de pernoite. O não
comparecimento ao exame pericial, no prazo definido, pode acarretar encerramento do processo e
suspensão liminar do benefício.
48
BARROS, Allan Luiz Oliveira. Linhas gerais sobre o processo administrativo previdenciário.
Brasília: AGU, 2010, p. 10.  
19
 

documentos que a lei não assegure sigilo, verificando-se a contemporaneidade da


documentação, a ordem cronológica de sua emissão e demais elementos que atestem a sua
autenticidade.

Cadastro Nacional de Informações Social (CNIS): a utilização de informações existentes


na base de dados dos sistemas informatizados da Previdência Social é de extrema
importância. O CNIS é um banco de dados com informações dos trabalhadores e
empregadores, onde constam dados pessoais, vínculos empregatícios, contribuições
previdenciárias vertidas, benefícios requeridos, remunerações percebidas. Os dados existentes
no CNIS e nos demais sistemas da Administração valem como prova para todos os efeitos. A
comprovação de dados constantes no CNIS é de responsabilidade da autoridade
administrativa; já os dados não constantes da base ou questionados fundamentadamente são
de responsabilidade do requerente.49

Requerimento de dados: quando o administrado declarar que fatos e dados estão registrados
em documentos existentes na própria Administração, o servidor responsável pela instrução
processual, de ofício, deve diligenciar na obtenção dos documentos ou de suas cópias.

Justificação Administrativa: procedimento administrativo realizado pela Administração, de


ofício ou mediante requerimento, destinado: a suprir a falta ou insuficiência de documento, a
produzir prova de fato, ou a comprovar interesse do beneficiário ou da empresa, desde que a
lei não exija documento público ou ato jurídico para o qual se prescreva prova especial.
Quando se trata de comprovação de tempo de serviço, dependência econômica, identidade ou
relação de parentesco o procedimento deve estar lastreado em início de prova material
(documental). O interessado poderá solicitar a sua realização arrolando de três a seis
testemunhas, a fim de confirmar os fatos que se pretenda comprovar.

Fundamentação fática: evento que a atinge a documentação necessária ao reconhecimento do


direito. Comprova-se por registro de ocorrência policial, certidão do Corpo de Bombeiros, da
Defesa Civil ou de outro órgão público competente para certificar o sinistro, constando a
identificação do local atingido, o endereço, a documentação destruída e os danos causados.

                                                                                                                       
49
As informações válidas para fim de cálculos são as constantes no CNIS, sendo possível inserir,
excluir ou alterar dados do sistema mediante prova material ou em decorrência de reclamatória
trabalhista.
20
 

Homologação: ato procedimental de cotejo entre a prova documental e a testemunhal, de


modo a verificar se o conjunto probatório permite ou não o deferimento do requerimento. Não
é cabível questionar a decisão de homologação da autoridade administrativa, nos termos do
Decreto 3.048/1999.5051

06.3. Fase decisória


É a fase de conclusão do processo administrativo previdenciário em que a Administração
analisa o requerimento e o conjunto probatório produzido, decidindo se o administrado possui
ou não o direito pretendido. A autoridade administrativa tem o dever de emitir explicitamente
decisão na integralidade dos procedimentos e sobre quaisquer solicitações de sua
competência, bem como possui obrigação de fazê-lo em um prazo que atenda ao direito
fundamental à duração razoável do processo, nos termos da Lei 9.784/1999.52

Decisão Administrativa
Ato administrativo constituído por despacho sucinto em que deve constar: o objeto do
requerimento administrativo, a fundamentação analítica das provas constantes nos autos e a
conclusão de deferimento ou indeferimento do pedido formulado.

Verificação procedimental: etapa preliminar em que se verifica se os aspectos procedimentais


formais (como, por exemplo, a organização em ordem cronológica e crescente e a numeração
de todas as folhas).

                                                                                                                       
50
V. Art. 147. Não caberá recurso da decisão da autoridade competente do Instituto Nacional do
Seguro Social que considerar eficaz ou ineficaz a justificação administrativa.
51
Entende-se possível a aplicação da Lei 8.213/1991. Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do
Seguro Social - INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade
Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o
Regulamento.
52
V. Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos
administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. Art. 49.
Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para
decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada.  
21
 

Negativa tácita: decorrido o prazo de decidir, após a fase de instrução, sem manifestação da
Administração ou diante de defesa julgada improcedente entende-se operar negativa tácita
frente ao direito postulado.

Despacho Sucinto
Materializa-se por escrito, compreendendo relatório, fundamentação e conclusão.

Relatório: é a parte da decisão na qual se expõem os fatos relevantes, o objeto do pedido e


outros dados pertinentes.

Fundamentação: é a parte da decisão na qual se explicita, de forma clara e objetiva, com


linguagem acessível, quais os requisitos legais foram (ou não) preenchidos, bem como se
apresenta as razões da decisão. Deve ser amparada em lei ou decreto (atos normativos
internos não se prestam a esse fim).

Conclusão: é a parte da decisão na qual se registra expressamente o deferimento ou o


indeferimento do pedido.53

Encaminhamento
Procedimento de indicação do que será feito com o processo administrativo previdenciário,
após a decisão.

Atendimento: reconhecimento do pedido (decisão concessória).

Cumprimento: efetivação do pedido concedido. O benefício, em regra, é pago diretamente ao


administrado, ressalvada as hipóteses de ausência, moléstia contagiosa ou impossibilidade de
locomoção, casos em que o cumprimento pode se efetivar através de procurador.54

Revisibilidade: o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDAS) mantém


programa permanente de revisão da concessão e da manutenção de benefícios previdenciários,
para apurar irregularidades e falhas de atendimento.

                                                                                                                       
53
Quando o deferimento gerar efeitos a terceiros estes devem ser comunicados pela Administração
sobre essa situação.
54
O valor não recebido em vida pode ser percebido pelos dependentes habilitados à pensão.  
22
 

06.4. Fase recursal


É a fase de reavaliação da decisão administrativa. Caso o administrado não concorde com o
resultado da decisão sobre sua pretensão, pode postular uma reanálise do seu requerimento,
mediante recurso administrativo ordinário. Não havendo reconsideração por parte da
autoridade administrativa originária (INSS)55, o recurso ingressa no âmbito do CRSS.

Interposição recursal: ao administrado se garante a possibilidade de apresentar a sua


irresignação frente à decisão administrativa perante o órgão do INSS que a proferiu (p.ex. o
recurso pode ser protocolado na Agência da Previdência Social local); a Administração, por
sua vez, é responsável pelo encaminhamento do recurso à instância de julgamento. A
admissibilidade recursal representa prerrogativa do CRSS, sendo vedado a qualquer órgão do
INSS recusar o recebimento de recurso ou sustar-lhe o andamento.

Conselho de Recursos do Seguro Social (CRSS)


Órgão colegiado integrante da estrutura do MDAS, com atribuição de exercer o controle
jurisdicional das decisões do INSS, com sede em Brasília/DF e jurisdição em todo o território
nacional. Para realizar a revisão e assegurar a legalidade dos atos do INSS, o CRSS possui
uma estrutura administrativa e três instâncias de julgamento, quais sejam:

(01) Conselho Pleno (3ª instância);


(04) Câmaras de Julgamento (2ª instância);
(29) Juntas de Recursos (1ª instância).

Fundamento constitucional: a Constituição Federal, em seu artigo 5º, LV, estabelece que aos
litigantes, em processo administrativo, são assegurados o contraditório e a ampla defesa,
com os meios e recursos a ela inerentes. Assim, a pluralidade de instâncias possibilita, no
âmbito do processo administrativo previdenciário, a alegação em ambiente colegiado do que
não foi arguido quando do requerimento administrativo, seja para o reexame da matéria de
fato seja para a produção de novas provas.

                                                                                                                       
55
A semelhança do que ocorre no processo judicial, possibilita-se a autoridade julgadora a emissão de
juízo de retratação.
23
 

Competência especializada: trata-se de competência restritiva, nos termos do Decreto


3.048/199956, para processar e julgar os recursos relativos a benefícios e serviços ou à
situação jurídica de segurados e dependentes, como, por exemplo, questões referentes à
qualidade ou ao tempo de contribuição.

Composição: o CRSS é composto por representantes do governo57 e por representantes


classistas58. O órgão é presidido por um conselheiro representante do governo com notório
conhecimento da legislação previdenciária e assistencial, nomeado pelo Ministro de Estado.
Os conselheiros que presidem as Juntas de Recursos e as Câmaras de Julgamento, igualmente,
são escolhidos dentre os representantes do governo.

Problema 0459: O Conselho Pleno, última instância de julgamento do CRSS, julgou pedido de
uniformização de jurisprudência que resultou no indeferimento do benefício pretendido por
João. O administrado considera a decisão inconstitucional e pretende recorrer ao “Chefe da
Previdência Social”. Você, advogado previdenciarista, após anamnese do caso, entende ser
viável o pleito recursal administrativo de seu potencial cliente? Não, uma vez que não há
previsão normativa de recurso administrativo de segurado dirigido ao Ministro do
Desenvolvimento Social e Agrário. A Portaria MDAS 116/2017, ao estabelecer o Regimento
Interno do CRSS, prevê uma sistemática recursal em que não se compreende o Ministro de
Estado como instância de julgamento.

                                                                                                                       
56
V. Art. 305. Das decisões do INSS nos processos de interesse dos beneficiários caberá recurso para o
CRPS (atual CRSS), conforme o disposto neste Regulamento e no regimento interno do CRPS.
(Redação dada pelo Decreto 7.126/2010.)
57
Escolhidos entre servidores públicos federais ativos ou inativos, preferencialmente do MDAS ou do
INSS, com curso superior em nível de graduação concluído, notório conhecimento de legislação
previdenciária e assistencial comprovado, submetidos à avaliação técnica, que exercerão as atividades
pertinentes à função em caráter de exclusividade.
58
Portadores de diploma de nível superior, preferencialmente, com formação jurídica para as Juntas de
Recursos e, necessariamente, para as Câmaras de Julgamento, com conhecimentos da legislação
previdenciária e assistencial, salvo os representantes de trabalhadores rurais, que deverão ter concluído
o nível médio, escolhidos dentre os indicados, em lista tríplice, pelas entidades de classe ou centrais
sindicais das respectivas jurisdições.  
59
Cf. KEMMERICH, Clóvis Juarez. O processo administrativo na previdência social: curso e
legislação. São Paulo: Atlas, 2012, p. 22 e 144.
24
 

(I) Juntas de Recursos


As 29 Juntas correspondem à primeira instância de julgamento no CRSS; a elas competem
julgar os recursos ordinários60 interpostos contra as decisões do INSS, em seus órgãos
regionalizados, nos processos de interesse dos beneficiários ou segurados do Regime Geral de
Previdência Social e das empresas, nos processos referentes aos benefícios assistenciais de
prestação continuada e nos processos de revisão de valor de benefícios em consonância com
os índices estabelecidos legalmente.

Matéria de fato: constatada a incidência de questão de fato ou de matéria médica no caso


apreciado, a Junta de Recursos encaminha o processo à Assessoria Técnica (como p.ex. a
Assessoria Técnico-Médica), que solicita diligência ou emite pronunciamento. No caso de
diligência, devolve-se o expediente ao INSS para a sua realização; na hipótese de
pronunciamento, emite-se parecer técnico e, posteriormente, distribui-se o feito a um
conselheiro.

Processamento: completa a instrução do recurso ordinário, o expediente é distribuído a um


conselheiro, responsável por elaborar relatório (propositivo) e fazer o pedido de inclusão do
processo em pauta. Em sessão de julgamento colegiado, delibera-se sobre o caso, ficando o
relator responsável por redigir o acórdão. O acórdão resultante é disponibilizado no sítio
virtual do CRSS e o processo retorna ao INSS para fins de ciência das partes da decisão,
intimação do recorrente e cumprimento do julgado. Sem considerações, o cumprimento é
efetivado pelo INSS. Irresignado, o administrado pode apresentar recurso especial.

Hipóteses de recurso obrigatório pelo INSS: a autoridade administrativa recorrerá das


decisões das Juntas quando: I - violarem disposição de lei, de decreto ou de portaria
ministerial; I - divergirem de Súmula ou de Parecer do Advogado-Geral da União; III -
divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério ou da Procuradoria Federal
Especializada do INSS; IV - divergirem de enunciados editados pelo Conselho Pleno do
CRSS; V - tiverem sido fundamentadas em laudos ou pareceres médicos divergentes emitidos
                                                                                                                       
60
V. Portaria MDAS 116/2017. Art. 29. Denomina-se Recurso Ordinário aquele interposto pelo
interessado, segurado ou beneficiário da Seguridade Social, em face de decisão proferida pelo INSS,
dirigido às Juntas de Recursos do CRSS, observada a competência regimental. Parágrafo Único.
Considera-se decisão de primeira instância recursal os acórdãos proferidos pelas Juntas de Recursos,
exceto em matéria de alçada (questão exclusivamente médica, auxílio-doença, benefício da LOAS e
reajustamento de valor mensal do benefício), na forma definida pelo neste Regimento, hipótese em
que a decisão será de única instância.
25
 

pela Assessoria Técnico-Médica no âmbito do CRSS e pelos Médicos Peritos do INSS; VI -


contiverem vício insanável.

“Negativa tácita” recursal: no caso de não apresentação de contrarrazões pelo INSS, os


motivos expostos para o indeferimento do requerimento inicial subsistem.

(II) Câmaras de Julgamento


As 04 Câmaras correspondem à segunda instância de julgamento no CRSS; a elas compete
julgar os recursos especiais interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de Recursos.
A interposição tempestiva dos aludidos recursos suspende os efeitos da decisão de primeira
instância.

Matéria de fato: constatada a incidência de questão de fato ou de matéria médica no caso


apreciado, seja por fato novo ou mesmo tratando-se questão já suscitada frente à Junta, a
Câmara de Julgamento encaminha o processo à Assessoria Técnica (como p.ex. a Assessoria
Técnico-Médica), que solicita diligência ou emite pronunciamento. No caso de diligência,
devolve-se o expediente ao INSS para a sua realização; na hipótese de pronunciamento, é
emitido parecer técnico e, posteriormente, distribui-se o feito a um conselheiro.

Processamento: finda a instrução do recurso especial, o expediente é distribuído a um


conselheiro, responsável por elaborar relatório (propositivo) e fazer o pedido de inclusão do
processo em pauta. Em sessão de julgamento colegiado, delibera-se sobre o caso, ficando o
relator responsável por redigir o acórdão. O acórdão resultante é disponibilizado no sítio
virtual do CRSS e o processo retorna ao INSS para fins de ciência das partes da decisão,
intimação do recorrente e cumprimento do julgado. Sem considerações, o cumprimento é
efetivado pelo INSS. Irresignado, o administrado pode apresentar pedido de uniformização de
jurisprudência, devolvendo-se o feito à Câmara de Julgamento.

Prazo Recursal Comum


A Portaria MDAS 116/2017, em seu artigo 31, prevê que é de 30 dias o prazo para a
interposição de recurso (contado da data da ciência da decisão) e para o oferecimento de
contrarrazões (contado da data da intimação da interposição do recurso).
26
 

Modalidades de decisões colegiadas


I – Conversão do julgamento em diligência;
II – Não conhecimento do recurso;
III – Conhecimento e não provimento;
IV – Conhecimento e provimento parcial;
V – Conhecimento e provimento;
VI – Anulação da decisão recorrida;
VII – Extinção com resolução de mérito por reconhecimento do pedido.

Procedimentos de julgamento recursal


Apregoado o processo, em sessão pública61, o conselheiro presidente dá a palavra ao relator,
sendo facultada ao recorrente e ao recorrido, sucessivamente, a oportunidade de sustentação
oral de suas razões, pelo tempo de até quinze minutos; após, o relator emite seu voto.

Embargos
São cabíveis quando houver no acórdão das Juntas de Recursos ou das Câmaras de
Julgamento obscuridade, ambiguidade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos
ou sobre ponto pendente de apreciação. Sua apresentação interrompe o prazo para
cumprimento do acórdão, sendo restituído todo o prazo após a sua resolução. Em regra, não se
oportuniza a manifestação da parte contrária.

(III) Conselho Pleno


O Conselho corresponde à terceira instância de julgamento no CRSS, é composto pelo
Presidente do CRSS, que o preside e pelos presidentes e conselheiros titulares das Câmaras de
Julgamento; a ele compete julgar: incidentes de uniformização de jurisprudência,
uniformizando, em tese, a jurisprudência administrativa previdenciária e assistencial,
mediante emissão de enunciados; pedidos de uniformização de jurisprudência, uniformizando,
no caso concreto, as divergências jurisprudenciais entre as Juntas ou entre as Câmaras, em
sede de recurso especial, mediante a emissão de resolução; reclamações, decidindo, no caso
concreto, a inconsistência jurisdicional suscitada, mediante a emissão de resolução.

                                                                                                                       
61
Ressalva-se situação em que se discute matéria protegida por sigilo, em que será admitida apenas a
presença das partes e de seus procuradores.
27
 

Incidente de uniformização de jurisprudência: procedimento provocado pelo Presidente do


CRSS, pela Coordenação de Gestão Técnica, pela Divisão de Assuntos Jurídicos, pelos
Presidentes das Câmaras de Julgamento ou, exclusivamente em matéria de sua competência,
por solicitação de Presidente de Junta ou pela Diretoria de Benefícios do INSS, mediante a
apresentação de estudo fundamentado sobre a questão a ser uniformizada, no qual se
demonstra a existência de relevante divergência jurisprudencial ou de jurisprudência
convergente reiterada. Produto final: enunciado.

Pedido de uniformização de jurisprudência: procedimento requerido pelo administrado


quando houver divergência na interpretação em matéria de direito: (1) entre acórdãos de
Câmaras distintas, em sede de recurso especial, ou entre estes e resoluções do Conselho
Pleno, ou (2) entre acórdãos de Juntas, sobre questões médicas ou referentes a valores de
benefícios, ou entre estes e resoluções do Conselho Pleno. Fundamento necessário: acórdão
divergente proferido nos últimos cinco anos. Prazo: 30 dias, para o requerimento e para
contrarrazões. Do não recebimento do pedido, cabe recurso (inominado) ao Presidente do
CRSS, no prazo de 30 dias. Produto final: resolução.

Reclamação ao Conselho Pleno: procedimento requerido pelas partes ao Presidente do CRSS,


quando os acórdãos das Juntas, nas matérias de sua competência, ou das Câmaras, em recurso
especial, infringirem pareceres da Consultoria Jurídica do MDAS (aprovados pelo Ministro de
Estado), súmulas e pareceres do Advogado-Geral da União, pareceres vigentes da Consultoria
Jurídica de ministérios extintos e do MTE, e enunciados editados pelo Conselho Pleno. Prazo:
30 dias. Juízo de admissibilidade: o Presidente do CRSS pode indeferir por decisão
monocrática irrecorrível a reclamação (na ausência dos pressupostos de admissibilidade),
distribuir o processo ao relator da matéria no Conselho Pleno ou devolver ao órgão julgador
que prolatou o acórdão (oportunizando revisão de ofício). Produto final: resolução.

Conclusão
Conclui-se o processo administrativo previdenciário com a decisão administrativa não mais
passível de recurso, ressalvado o direito de o administrado apresentar requerimento de revisão
da decisão.
28
 

Súmula TNU 8162: não incide o prazo decadencial previsto no artigo 103, caput, da Lei
8.213/199163, nos casos de indeferimento e cessação de benefícios, bem como em relação às
questões não apreciadas pela Administração no ato de concessão.

07. Renúncia à jurisdição administrativa

Problema 05: José, após o requerimento administrativo do benefício pretendido, considera o


que o processo administrativo está muito lento. Maria, sua esposa, que aguarda o julgamento
de recurso ordinário em Junta de Recurso, igualmente, está impaciente com a demora no
reconhecimento de seu direito. O casal de administrados considera que o ajuizamento de
ações judiciais, pleiteando os respectivos benefícios, em concomitância com a análise
administrativa em andamento corresponderia a uma “via mais rápida” para o atendimento.
Você, advogado previdenciarista, após anamnese, entende ser viável o pleito de seus
potenciais clientes? Não, uma vez que a propositura de ação judicial durante o curso do
processo administrativo previdenciário, seja na fase de instrução seja na etapa recursal,
importa em renúncia à jurisdição administrativa. A Lei 8.213/1991, em seu artigo 126, § 3º,
determina que a propositura, pelo administrado, de ação judicial que tenha por objeto idêntico
pedido sobre o qual versa o processo administrativo previdenciário importa em renunciar ao
direito de recorrer na esfera administrativa e desistir de eventual recurso interposto.

Desistência voluntária: em qualquer fase do processo, desde que antes do julgamento do


recurso pelo órgão competente, o administrado pode, voluntariamente, desistir do recurso
interposto, manifestando-se, expressamente, por petição ou termo firmado nos autos.

Renúncia expressa à reavaliação administrativa: o ajuizamento imediato de medida judicial


pelo administrado, após a intimação da decisão administrativa corresponde à perda do direito
de recorrer na esfera administrativa.

                                                                                                                       
62
Origem: Turma Nacional de Uniformização (TNU) de Jurisprudência dos Juizados Especiais
Federais. Consolidada em 18/06/2015.
63
V. Art. 103. É de dez anos o prazo de decadência de todo e qualquer direito ou ação do segurado ou
beneficiário para a revisão do ato de concessão de benefício, a contar do dia primeiro do mês seguinte
ao do recebimento da primeira prestação ou, quando for o caso, do dia em que tomar conhecimento da
decisão indeferitória definitiva no âmbito administrativo. (Redação dada pela Lei 10.839/2004.)  
29
 

Renúncia tácita à apreciação administrativa: a propositura de ação judicial pelo administrado,


no curso da instrução processual, que tenha pretensão ou objeto igual ao requerido
administrativamente representa a sua opção pela via contenciosa de solução da controvérsia
ou reconhecimento de direitos.

08. Análise Custo-Benefício (ACB) do processo administrativo previdenciário

“Custos”:
Relação desigual entre as partes;
Dificuldade do exercício de defesa pelo próprio administrado;
Desrespeito à legislação, aos princípios e aos procedimentos normativos;
Quantidade excessiva de imposições normativas;
Sistema excessivamente dinâmico;
Interpretações diversas e inconstantes dos órgãos;
Dificuldades de acesso à informação inteligível;
Tendência prática de negativa do direito postulado.

“Benefícios”:
Impulsão obrigatória;
Baixo custo operacional;
Autonomia do administrado;
Menos formalidade e maior possibilidade de exercícios probatórios.

Perspectivas:
Mudança da visão institucional de negativas a priori;
Aproximação com as garantias do processo judicial;
Racionalização de processos e procedimentos;
Processos e recursos integralmente eletrônicos.
30
 

09. Noções gerais sobre o processo administrativo eletrônico

O Decreto 8.539/2015 dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo
administrativo no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta,
autárquica e fundacional.64

Definições relevantes (artigo 2º)


I – Documento: unidade de registro de informações, independentemente do formato, do
suporte ou da natureza;
II – Documento digital: informação registrada, codificada em dígitos binários, acessível e
interpretável por meio de sistema computacional, podendo ser: a) nato-digital: documento
criado originariamente em meio eletrônico; ou b) digitalizado: documento criado a partir da
conversão de um documento não digital, gerando uma fiel representação em código digital;
III – Processo administrativo eletrônico: aquele em que os atos processuais são registrados e
disponibilizados em meio eletrônico.

Objetivos (artigo 3º)


I – Assegurar a eficiência, a eficácia e a efetividade da ação governamental e promover a
adequação entre meios, ações, impactos e resultados;
II – Promover a utilização de meios eletrônicos para a realização dos processos
administrativos com segurança, transparência e economicidade;
III – Ampliar a sustentabilidade ambiental com o uso da tecnologia da informação e da
comunicação;
IV – Facilitar o acesso do cidadão às instâncias administrativas.

Obrigatoriedade (artigo 5º): nos processos administrativos eletrônicos, os atos processuais


deverão ser realizados em meio eletrônico, exceto nas situações em que este procedimento for
inviável ou em caso de indisponibilidade do meio eletrônico cujo prolongamento cause dano
relevante à celeridade do processo. Nas exceções, os atos processuais poderão ser praticados
segundo as regras aplicáveis aos processos em papel, desde que posteriormente o documento-
base correspondente seja digitalizado.

                                                                                                                       
64
Estados e Municípios podem adotar o modelo a partir de normas próprias.
31
 

Conprovação de autenticidade (artigo 6º): a autoria, a autenticidade e a integridade dos


documentos e da assinatura, nos processos administrativos eletrônicos, poderão ser obtidas
por meio de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas
Brasileira - ICP-Brasil, observados os padrões definidos por essa Infraestrutura.

Realização dos atos processuais (artigo 7º): os atos processuais em meio eletrônico
consideram-se realizados no dia e na hora do recebimento pelo sistema informatizado de
gestão de processo administrativo eletrônico do órgão ou da entidade, o qual deverá fornecer
recibo eletrônico de protocolo que os identifique. Quando o ato processual tiver que ser
praticado em determinado prazo, por meio eletrônico, serão considerados tempestivos os
efetivados, salvo disposição em contrário, até as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos
do último dia do prazo, no horário oficial de Brasília. Se o sistema informatizado de gestão de
processo administrativo eletrônico do órgão se tornar indisponível por motivo técnico, o prazo
fica automaticamente prorrogado até as vinte e três horas e cinquenta e nove minutos do
primeiro dia útil seguinte ao da resolução do problema.

Direito de vista (artigo 8º): o acesso à íntegra do processo para vista pessoal do interessado
pode ocorrer por intermédio da disponibilização de sistema informatizado de gestão ou por
acesso à cópia do documento, preferencialmente, em meio eletrônico.

Exibição de documento original (artigo 14): a administração poderá exigir, a seu critério, até
que decaia o seu direito de rever os atos praticados no processo, a exibição do original de
documento digitalizado no âmbito dos órgãos ou das entidades ou enviado eletronicamente
pelo interessado.

Manifestações processuais (artigo 20): para os processos administrativos eletrônicos, deverá


ser observado o prazo definido em lei (ou instrução normativa) para a manifestação dos
interessados e para a decisão do administrador.
32
 

10. Breves noções sobre o processo administrativo previdenciário no IPERGS

Como é sabido, o sistema previdenciário brasileiro é organizado sob três formas: Regime
Geral de Previdência Social (RGPS), Regime Próprio de Previdência (RPPS) e Regime
Complementar de Previdência (RCPS). No Estado do Rio Grande do Sul, tem-se um RPPS
gerido pelo Poder Executivo estadual, consoante com as disposições da Constituição Federal65
e da Lei 9.717/199866, através do IPE-Previdência.

Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul - IPERGS: trata-se de autarquia


estadual de previdência e assistência, regulada pela Lei Estadual 7.672/1982, dotada de
autonomia administrativa e financeira, com funções de conceder e manter os benefícios e
serviços previdenciários aos servidores públicos estaduais, da Administração direta e indireta,
mediante a prática de operações previstas ou autorizadas em lei. Abriga o IPE-Previdência e o
IPE-Saúde.

Competência do IPERGS como gestor único do RPPS/RS67


I – A administração, o gerenciamento, a concessão, o pagamento e a manutenção dos
benefícios previdenciários de aposentadoria e pensão;
II – A arrecadação, a cobrança e a gestão dos recursos e das contribuições necessárias ao
custeio do regime próprio;
III – A manutenção do cadastro previdenciário individualizado.

                                                                                                                       
65
V. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter
contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e
inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o
disposto neste artigo.
66
V. Art. 9º. Compete à União, por intermédio do Ministério da Previdência e Assistência Social: I - a
orientação, supervisão e o acompanhamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores
públicos e dos militares da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e dos fundos a
que se refere o art. 6º, para o fiel cumprimento dos dispositivos desta Lei; [...] Parágrafo único. A
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios prestarão ao Ministério da Previdência e
Assistência Social, quando solicitados, informações sobre regime próprio de previdência social e
fundo previdenciário previsto no art. 6º desta Lei.  
67
Cf. artigo 2° da Lei Estadual 12.909/2008, que dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência dos
Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do Sul.
33
 

Aplicação da Lei 9.784/1999: a legislação federal que versa sobre normas básicas dos
processos administrativos é aplicada subsidiariamente quando não houver regramento próprio
no âmbito estadual. A Lei 9.784/1999, ao estabelecer regras e princípios para a realização de
um processo administrativo regula, em sentido amplo, todo o processo decisório realizado
pela Administração Pública, na seara federal. O STJ possui entendimento que a aludida lei se
aplica a Estados e Municípios que não tenham regulamentação própria sobre processo
administrativo – como é o caso do Rio Grande do Sul, que não possui lei específica.68

Cadastro (procedimento prévio)


Cadastramento automático quando da admissão do servidor;
Implementação virtual do histórico funcional;
Apresentação dos documentos obrigatórios;
Apresentação da Certidão de Tempo de Contribuição (CTC);
Conferência de Autenticidade da CTC.

Iter procedimental do processo administrativo previdenciário


Requerimento obrigatório;
Deliberação liminar;
Atendimento de exigências;
Encaminhamento a diligências (perícias técnicas);69
Conclusão administrativa;
Comunicação ao requerente;
Assentamento funcional;
Há possibilidade de recurso administrativo ao Diretor do IPE-Previdência.

                                                                                                                       
68
V. REsp 655551/RS, STJ, Relatora: Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em
17/10/2006, publicado em 30/10/2006. Ementa: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO.
FILHA SOLTEIRA DE EX-SERVIDOR DO IPERGS. PENSÃO POR MORTE.
CANCELAMENTO. DECADÊNCIA AFASTADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº
9.784/99. PRECEDENTES. 1. De acordo com a jurisprudência firmada nesta Corte Superior de
Justiça, na ausência de lei estadual específica, pode a Administração Estadual rever seus próprios
atos no prazo decadencial previsto na Lei Federal nº 9.784, de 1º/2/99. 2. A colenda Corte Especial,
no julgamento do MS 9.112/DF, firmou entendimento no sentido de que os atos administrativos
praticados anteriormente ao advento da mencionada Lei estão sujeitos ao prazo decadencial
quinquenal contado da sua entrada em vigor. In casu, cancelada a pensão da autora em 2002, resta
afastada a decadência. 3. Recurso especial provido.  
69
A perícia médica é realizada pelo IPE-Saúde, estrutura do IPERGS que corresponde a um sistema de
assistência à saúde dos servidores públicos estaduais.
34
 

Registro (procedimento de controle externo)


A Constituição Estadual, em seu artigo 71, prevê que o controle externo, a cargo da
Assembleia Legislativa, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas, ao qual compete,
consoante ao artigo 71, III, da Constituição Federal, adaptado ao Estado: apreciar, para fins de
registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração
direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, bem como
a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores
que não alterem o fundamento legal do ato concessório.

Atos passíveis de registro pelo TCE/RS: I - aposentadoria, II - reforma, III - transferência para
a reserva, IV - diferença de proventos, V - pensão, VI - complementação de pensão, VII –
revisão de benefício; VIII - retificação de benefício.

Processamento: finda a instrução do processo administrativo previdenciário, com o


reconhecimento do direito postulado, o expediente é encaminhado ao TCE/RS, para análise da
correção (legal e constitucional) do ato concessório e da documentação acostada. Em sessão
de julgamento colegiado, delibera-se sobre o caso, ficando o relator responsável por emitir
parecer propositivo. O acórdão resultante, em regra, ou apresenta confirmação do ato ou
denegação da decisão concessória. Intima-se a autoridade administrativa. Frente a não
confirmação, é cabível recurso de embargos, com efeito suspensivo, de legitimidade do
segurado, da Administração, de terceiro prejudicado e do Ministério Público junto ao
TCE/RS. Considerado o processo administrativo impassível de registro, cientifica-se o Poder
Legislativo acerca do reconhecimento da despesa ilegal, para desfazimento. A Administração,
assim, deve comprovar o status quo ante, com a emissão de novo ato.
35
 

ÍNDICE

01. Conceitos fundamentais..............................................................................................01


02. Modalidades processuais............................................................................................02
03. Princípios processuais.................................................................................................03
04. Postulados sistêmicos..................................................................................................08
05. Critérios de observação obrigatória..........................................................................09
06. Fases processuais.........................................................................................................11
06.1. Fase inicial....................................................................................................................11
06.2. Fase instrutória............................................................................................................15
06.3. Fase decisória...............................................................................................................20
06.4. Fase recursal................................................................................................................22
07. Renúncia à jurisdição administrativa.......................................................................28
08. Análise Custo-Benefício (ACB) do processo administrativo previdenciário.........29
09. Noções gerais sobre o processo administrativo eletrônico.......................................30
10. Breves noções sobre o processo administrativo previdenciário no IPERGS.........32
LISTA DE NORMAS DE INTERESSE...............................................................................36
LISTA DE OBRAS CONSULTADAS..................................................................................38

Problema 01..............................................................................................................................13
Problema 02..............................................................................................................................13
Problema 03..............................................................................................................................15
Problema 04..............................................................................................................................23
Problema 05..............................................................................................................................28

Material didático desenvolvido por Veyzon Campos Muniz,


Professor Convidado do Curso de Especialização em Direito Previdenciário e Trabalhista do
Centro Universitário Cinecista de Osório – UNICNEC.
*
A reprodução parcial ou total do presente material didático requer a autorização expressa do
autor, titular dos direitos autorais, nos termos do inciso I do artigo 29 da Lei 9.610/1998.
36
 

LISTA DE NORMAS DE INTERESSE

Constituição da República Federativa do Brasil


Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm]

Constituição do Estado do Rio Grande do Sul


Link: [http://www2.al.rs.gov.br/dal/LegislaCAo/ConstituiCAoEstadual/tabid/3683/Default.aspx]

Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999.


Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras providências.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm]

Decreto nº 7.126, de 03 de março de 2010.


Altera o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999,
no tocante ao procedimento de contestação do Fator Acidentário de Prevenção.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Decreto/D7126.htm]

Decreto nº 8.539, de 08 de outubro de 2015.


Dispõe sobre o uso do meio eletrônico para a realização do processo administrativo no âmbito dos
órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Decreto/D8539.htm]

Decreto nº 9.094, de 17 de julho de 2017.


Dispõe sobre a simplificação do atendimento prestado aos usuários dos serviços públicos, ratifica a
dispensa do reconhecimento de firma e da autenticação em documentos produzidos no País e institui
a Carta de Serviços ao Usuário.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Decreto/D9094.htm#art25]

Enunciado JR/CRPS nº 05, de 02 de dezembro de 1993.


Editado pela Resolução nº 2/1993 do Conselho de Recursos da Previdência Social.
Link: [http://sislex.previdencia.gov.br/paginas/32/crps/5.htm]

Instrução Normativa INSS/PRES nº 45, de 06 de agosto de 2010.


Dispõe sobre a administração de informações dos segurados, o reconhecimento, a manutenção e a
revisão de direitos dos beneficiários da Previdência Social e disciplina o processo administrativo
previdenciário no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
Link: [http://sislex.previdencia.gov.br/paginas/38/inss-pres/2010/45_1.htm]

Instrução Normativa INSS/PRES nº 77,de 21 de janeiro de 2015.


Estabelece rotinas para agilizar e uniformizar o reconhecimento de direitos dos segurados e
beneficiários da Previdência Social, com observância dos princípios estabelecidos no art. 37 da
Constituição Federal de 1988.
Link: [http://sislex.previdencia.gov.br/paginas/38/inss-pres/2015/77.htm]

Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.


Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e dá outras providências.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8213cons.htm]

Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998.


Dispõe sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de
previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal e dá outras providências.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9717.htm]
37
 

Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.


Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9784.htm]

Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002.


Institui o Código Civil.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm]

Lei no 13.146, de 06 de julho de 2015.


Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm]

Lei no 13.457, de 26 de junho de 2017.


Altera as Leis nºs 8.213, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da
Previdência Social, e 11.907, de 2 de fevereiro de 2009, que dispõe sobre a reestruturação da
composição remuneratória da Carreira de Perito Médico Previdenciário e da Carreira de Supervisor
Médico-Pericial; e institui o Bônus Especial de Desempenho Institucional por Perícia Médica em
Benefícios por Incapacidade.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/L13457.htm]

Lei no 13.460, de 26 de junho de 2017.


Dispõe sobre participação, proteção e defesa dos direitos do usuário dos serviços públicos da
administração pública.
Link: [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/L13460.htm]

Lei Estadual nº 7.672, de 18 de junho de 1982.


Dispõe sobre o Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul.
Link: [http://www.ipe.rs.gov.br/upload/1334337640_LEI%20N%207672_IPE_ATUALIZADA.pdf]

Lei Estadual nº 12.909, de 03 de março de 2008.


Dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência dos Servidores Públicos do Estado do Rio Grande do
Sul - RPPS/RS - e dá outras providências.
Link: [http://www.ipe.rs.gov.br/upload/1332268165_Lei%2012.909.pdf]

Portaria MDAS nº 116, de 20 de março de 2017.


Regimento Interno do Conselho de Recursos do Seguro Social - CRSS do Ministério do
Desenvolvimento Social e Agrário.
Link: [http://sislex.previdencia.gov.br/paginas/63/MDSA/2017/116.htm]

Súmula STJ nº 373, de 11 de março de 2009.


Enunciado do Superior Tribunal de Justiça.
Link: [http://www.stj.jus.br/docs_internet/SumulasSTJ.pdf]

Súmula TNU nº 81, de 18 de junho de 2015.


Enunciado da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais.
Link: [http://www.jf.jus.br/phpdoc/virtus/sumula.php?nsul=81&PHPSESSID=t0k40mnnr4j5mkvq3mmqhrpjp0]

Súmula Vinculante nº 21, de 10 de novembro de 2009.


Enunciado do Supremo Tribunal Federal.
Link: [http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumario.asp?sumula=1255]
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LISTA DE OBRAS CONSULTADAS

1. BALERA, Wagner. Processo administrativo previdenciário: benefícios. São Paulo: LTr,


1999.

2. BARROS, Allan Luiz Oliveira. Linhas gerais sobre o processo administrativo


previdenciário. Brasília: AGU, 2010.

3. DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. Rio de Janeiro: Forense, 2017.

4. FREIRE E SILVA, Patricia Vianna Meirelles. Princípios no processo administrativo


previdenciário. São Paulo: PUC-SP, 2007.

5. KEMMERICH, Clóvis Juarez. O processo administrativo na previdência social: curso e


legislação. São Paulo: Atlas, 2012.

6. MARQUES, José Frederico. Manual de direito processual civil. São Paulo: Saraiva,
1980.

7. MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo:
Malheiros, 2013.

8. MORAES, Alexandre. Reforma administrativa: Emenda Constitucional nº 19/1998. São


Paulo: Atlas, 1999.

9. PORTA, Marcos. Processo administrativo e o devido processo legal. São Paulo: Quartier
Latin, 2003.

10. ROCHA, Cármem Lúcia Antunes. Princípios constitucionais da administração pública.


Belo Horizonte: Del Rey, 1994.