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Drª Rita Maria Faggioni Dr.

João Baptista da Costa Faggioni

OAB 111.949 OAB 49.268

Rua Campos Sales, 2286, centro – fones: (16) 3012-7411 (16) 9320-7123 Franca-SP

EXMO. SR. DR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DA FAMÍLIA E


SUCESSÕES DA COMARCA DE FRANCA-SP

PROCESSO N° 1015233-87.2018.8.26.0196

IAN FAGGIONI SOUZA, já qualificado nos autos em


epígrafe, AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS, por sua advogada,
bastante procurador, que esta subscreve, vem, respeitosamente perante
Vossa Excelência, apresentar CONTESTAÇÃO, nos auto da ação
proposta por ALEXSANDER ROSA DE SOUZA, também já qualificado
nos autos, pelos motivos de fato e de direito a seguir declinados.

1 – SÍNTESE DA INICIAL

Alega o requerente que seus rendimentos mudaram em


muito a sua capacidade econômica financeira, declarando-se
“autônomo”, e não comerciante de veículos.

Afirma que o Requerido reside com sua mãe, a patrona


deste processo, que esta não paga aluguel, além de possuir automóvel da
marca Peugeut, possuindo escritório de advocacia, despachante e
serviços gerais há mais de 30 (trinta) anos nesta Comarca, tendo
adquirido imóvel nesta mesma cidade, estando o Requerido já apto ao
trabalho.

Afirma, concluindo, que diante da maioridade do


Requerido, que torna difícil o pagamento dos alimentos fixados no valor
de 2/3 do salário mínimo em favor de seus filhos, alegando que ao invés
de custear-lhe a subsistência, está a patrocinar os seus caprichos.

Alega que o Requerido não mais estuda, o que improcede.

Em razão disso requer a exoneração do valor dos


alimentos pagos ao requerido.

Nada obstante as arguições lançadas na exordial, o


pedido do requerente não merece guarida do Judiciário, conforme se
demonstrará a seguir.

2- DA VERDADE DOS FATOS


Drª Rita Maria Faggioni Dr. João Baptista da Costa Faggioni

OAB 111.949 OAB 49.268

Rua Campos Sales, 2286, centro – fones: (16) 3012-7411 (16) 9320-7123 Franca-SP

Encontra-se o Requerido dependendo da ajuda de seus


genitores para manter-se, tendo em vista que estuda, pretendendo
ingresso em faculdade.

A genitora, esta patrona, trabalha somente na profissão


de advogada, não trabalhando mais como Despachante, encerrando suas
atividades neste ofício em 2008, conforme faz prova os documentos em
anexo.

Recentemente, fora a genitora contemplada com


premiação do título HIPERSAÚDE, ganhando uma camionete S10, além
da quantia de R$ 25.000,00 (Vinte e cinco mil reais) ocasião em que
vendeu o veículo, e somando com o valor recebido em dinheiro, deu
entrada em financiamento do imóvel sito à Rua Francisco Heitor de
Paula, 2857, Bairro São José.

Alem das despesas com o financiamento no valor de R$


750,00 (Setecentos e cinqüenta reais) mensais aproximadamente, tem a
mãe do Requerido despesas com o aluguel do estabelecimento comercial,
sito à Rua Campos Sales, 2286, centro, no importe de R$ 778,47
(Setecentos e setenta e oito reais), conforme faz prova a documentação
em anexo.

Cujo imóvel adquirido através de financiamento estava


em péssimas condições, tendo a mãe do Requerido que arcar com a
reforma, estando, no momento, endividada, pagando parcelamentos.

O veículo da mãe do Requerido é antigo (2005), estando,


inclusive, penhorado por dívida ativa (ISS) que, até o momento, não teve
condições de acertar.

A vida do Requerido é pautada na simplicidade, não


tendo nenhum luxo, apenas o estritamente necessário para ter
dignidade.

Nunca exigiu de sua genitora roupas de marca,


acessórios, veículo, pois tem o conhecimento que sua mãe não tem
condições de sustentar além do que já provem.

Já o Requerente, que se intitula como “autônomo”, reside


em casa própria, ajudando seu sogro, Sr. Carlos, a adquirir o imóvel que
mora.

Paga sua pensão alimentícia quando judicialmente


provocado, escapando sempre dos oficiais de justiça que vão para citá-lo,
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inclusive, instruindo a família a mentir, dizendo que ele não mais reside
naquele local.

Além do abandono material, abandonou seu filho por


completo desde os 6 (seis) anos de idade, não indo visitá-lo, não sabendo
o dia do seu aniversário, não comparecendo em datas festivas no final do
ano, o que ocasionou um abalo emocional visível no mesmo.

Seu filho se fechou. Não participava de atividades


normais de um adolescente, não vai a festas, não tem amigos, mesmo
com todas as tentativas da mãe para que o mesmo tenha uma vida
normal.

Sua mãe, sua patrona, rege sozinha os afazeres da


família, sendo pai e mãe ao mesmo tempo.

A mãe do Requerido, quando aos escassos encontros com


o Requerente, sempre na ocasião em que o mesmo já havia sido citado
em alguns dos tantos processos de execução de alimentos, sempre
incentivou a aproximação entre pai e filhos, mas isto nunca mais
ocorreu após a separação.

Necessita o Requerido da pouca ajuda financeira que


presta o Requerente, estando o mesmo freqüentando a escola IEETC,
pois a mãe não teve mais condições de mantê-lo em escolares
particulares.

2 – DO DIREITO

Conforme é cediço, a simples maioridade civil do filho não


é causa para a exoneração ou diminuição dos alimentos prestados aos
descendentes, conforme preceitua a Súmula 358 do Superior Tribunal de
Justiça.

A maioridade civil apenas muda o fundamento da


obrigação alimentar, que deixa de ser o dever de sustento e passa a ter
como base a solidariedade decorrente do parentesco.

Atualmente a obrigação alimentar encontra sua principal


pilastra nos princípios da solidariedade familiar, da dignidade da pessoa
humana (art. 1º, III, CF) e da solidariedade social (art. 3º, I, CF).
No Código Civil a obrigação alimentar decorre dos artigos 1.694 e
seguintes.

Assim, o artigo 1.695 do Código Civil estabelece que “São


devidos alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes,
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nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de


quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu
sustento.”

Paulo Lôbo leciona que:

Sob o ponto de vista da Constituição, a obrigação a


alimentos funda-se no princípio da solidariedade (art. 3º,
I), que se impõe à organização da sociedade brasileira. A
família é base da sociedade (art. 226), o que torna seus
efeitos jurídicos, notadamente alimentos vincados no
direito/dever de solidariedade.

Nesta seara, vislumbra-se que a necessidade do filho com


mais de 18 anos deixa de ser presumida, cabendo a este provar que
ainda precisa do auxílio financeiro de seu genitor.

Pois bem.

No caso em tela temos que o requerido é um jovem que


acabou de completar 18 anos e está cursando o 2º grau, pretendendo
ingressar na faculdade de seus sonhos em breve.

Com efeito, como o requerido reside no bairro São José,


necessita de ser levado na escola pela genitora, pois estuda no período
noturno, saindo da escola por volta das 23,00 hs., resultando em um
gasto diário com o combustível. Além disso, tem diversos outros gastos
corriqueiros para qualquer estudante, tais como cadernos, livros,
canetas, xerox, etc.

Além dos gastos provenientes com a escola, tem o


Requerido gastos com aparelho ortodôntico, sendo mantidos pela mãe.

Comprovada a necessidade do alimentando, temos que


averiguar as possibilidades do alimentante.

Assim, no caso em testilha temos que um dos


argumentos do requerente para a redução dos alimentos pagos ao seu
filho é que não é mais vendedor de automóveis, e sim um autônomo, não
apontando qual seria na verdade seu ofício.

Ora Excelência, evidentemente os gastos do Requerente


não foram demonstrados, não podendo, assim, dar causa a diminuição
dos alimentos pagos ao seu filho biológico, mormente porque este ainda
necessita de sua ajuda.
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Enquanto o Autor alega que mudou sua situação


financeira, não anexa qualquer comprovação de tal necessidade,
inexistindo elementos nos autos que permitam concluir que a capacidade
financeira do alimentante não lhe permite o pagamento da pensão nos
moldes fixados.

Nesse sentido:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REVISÃO DE ALIMENTOS.


DESEMPREGO. NECESSIDADE. POSSIBILIDADE. Para que
haja alteração na verba alimentar, se faz necessária a
demonstração inequívoca de mudança na condição financeira
de quem os supre e na de quem a recebe. O valor dos alimentos
deve corresponder à necessidade do alimentando e à
possibilidade do alimentante. Havendo mudança em quaisquer
dos pólos do binômio necessidade do alimentando e
possibilidade do alimentante, que cause desequilíbrio à
equação firmada outrora, mister sua revisão, a fim de
reequilibrar a situação alimentar fática. O desemprego não é
causa, por si só, para a redução dos alimentos. Alimentante
que não logrou comprovar que não tem condições de suportar o
pensionamento que lhe foi imposto. PRECEDENTES
JURISPRUDENCIAIS DO STJ E DESTE TRIBUNAL ECURSO AO
QUAL SE NEGA SEGUIMENTO, NA FORMA DO "CAPUT" DO
ARTIGO 557 DO CPC.

(TJ-RJ - APL: 00068655120118190001 RJ 0006865-


51.2011.8.19.0001, Relator: DES. JORGE LUIZ HABIB, Data de
Julgamento: 28/01/2014, DÉCIMA OITAVA CÂMARA CIVEL,
Data de Publicação: 14/02/2014 16:06)

APELAÇÃO CÍVEL. FAMÍLIA. DIVÓRCIO. ALIMENTOS.


DESEMPREGO. BINÔMIO NECESSIDADE/CAPACIDADE.
INCAPACIDADE DO ALIMENTANTE. AUSÊNCIA DE PROVA.
SENTENÇA MANTIDA. I - Não tendo o pai alimentante se
desincumbido do ônus de comprovar os fatos impeditivos do
direito da filha alimentanda, mormente de que reduzida sua
capacidade financeira de modo que o valor da pensão mensal
devida à filha (cujo dever de sustento decorre do poder familiar)
compromete o seu próprio sustento, impõe-se a manutenção da
sentença que, amparada nas provas coligidas, fixa o valor
devido a título de alimentos em patamar razoável. II - O
desemprego do alimentante não comprova, por si só, e sequer é
motivo justificador da redução de sua capacidade financeira
em arcar com a pensão, mormente quando inexiste empecilho à
realização de trabalhos eventuais ou informais que lhe
proporcionem renda, devendo ser resguardado o direito do
alimentando.
Drª Rita Maria Faggioni Dr. João Baptista da Costa Faggioni

OAB 111.949 OAB 49.268

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(TJ-MG - AC: 10701110210146001 MG, Relator: Peixoto


Henriques, Data de Julgamento: 18/06/2013, Câmaras Cíveis
/ 7ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 21/06/2013)

Ressalte-se ainda que o valor atual pago pelo requerente


R$ 636,00 (Seiscentos e trinta e seis reais) para ambos os filhos, já é
demasiadamente baixo, e uma redução levaria invariavelmente à
impossibilidade do requerido concluir seus estudos e ingressar no
mercado de trabalho.

Sendo assim, conclui-se que não há o que se falar em


exoneração dos alimentos, visto que a atual situação vem atendendo a
possibilidade, necessidade e proporcionalidade, não havendo nenhum
prejuízo o Autor alimentante e podendo haver prejuízo irreparável para o
sustento do Réu alimentado e sua família. Os elementos trazidos aos
autos não demonstram a redução da capacidade econômico-financeira do
autor para arcar com o pensionamento já fixado, nem tampouco a
autossuficiência do réu.

Deste modo, as alegações do requerente não merecem


prosperar, devendo-se manter os alimentos pagos por este ao requerido
no valor fixado anteriormente, por ser medida de Justiça.

3 – DO PEDIDO

Ante todo o exposto, requer a Vossa Excelência:

a) a concessão dos benefícios da Justiça Gratuita ao


requerido, nos termos da Lei 1.060/50, por ser ele pobre na acepção
jurídica do termo, não podendo arcar com as custas processuais e
honorários advocatícios sem prejuízo de seu sustento e de sua família,
conforme declaração em anexo;

b) o recebimento da presente contestação e, ao final, seja


julgado improcedente o requerimento lançado na exordial, mantendo-se o
valor dos alimentos pagos ao requerido, por ser medida de Justiça.

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em


direito admitidos, em especial a prova documental e testemunhal.

Termos em que,

Pede deferimento.

Franca, 16 de agosto de 2018.


P.p. Drª Rita Maria Faggioni
OAB/SP 111.949