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XXII EXAME DA ORDEM

2ª FASE DIREITO PENAL

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA .. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ...

LARA ALMEIDA, já qualificada nos autos da ação penal nº ..., que lhe move a Justiça Pública, por seu
advogado que esta subscreve, não se conformando com a respeitável sentença condenatória, vem,
respeitosamente, perante Vossa Excelência, dentro do prazo legal, interpor

RECURSO DE APELAÇÃO

com fulcro no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal.

Requer seja recebida e processada a presente apelação e encaminhada, com as inclusas razões,
ao E. Tribunal de Justiça do Estado de ....

Termos em que,

Pede deferimento.

Local, 14 de julho de 2017.

Advogado, OAB

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RAZÕES DE APELAÇÃO

Processo nº ...

Apelante: Lara Almeida

Apelada: Justiça Pública

Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de ...,

Colenda Câmara,

Douto Representante do Ministério Público

Em que pese o indiscutível saber jurídico do MM. Juiz “a quo”, impõe-se a reforma da respeitável
sentença proferida contra a apelante, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

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I – DOS FATOS

Lara Almeida foi denunciada, processada e condenada pelo Juízo de primeiro grau pela prática
do crime tipificado no artigo 168, parágrafo 1º, inciso III, do Código Penal, já que, segundo consta da
denúncia, teria apropriado-se do dinheiro que recebeu do dono da loja em que trabalha como vendedora
para efetuar o pagamento de uma conta da empresa, utilizando-o para comprar uma joia.

II – DO DIREITO

(APRESENTAÇÃO DA TESE) Não merece prosperar a condenação de Lara, em razão da comprovação


da inexistência do fato.

(PREMISSA MAIOR) O crime de apropriação indébita configura-se, nos termos do art. 168 do CP, pela
apropriação de coisa alheia móvel de que o agente já tenha posse ou detenção. Tal delito é qualificado
se o agente recebeu a coisa em razão de ofício, emprego ou profissão, conforme previsão do III do § 1.º
do mencionado dispositivo legal.

(PREMISSA MENOR) No caso, Lara é acusada da prática do crime acima referido, pois teria apropriado-
se do dinheiro que recebeu do dono da loja em que trabalha como vendedora para efetuar o pagamento
de uma conta da empresa.

Ocorre que a apresentou comprovante de que a joia foi paga com um cheque de sua própria conta e,
ainda, juntou os autos o comprovante da efetivação da transação bancária solicitada pelo chefe de Lara.

Ora, uma vez comprovado que a ré não se apropriou da quantia em questão, bem como que não realizou
qualquer compra com o dinheiro pertencente à loja, verifica-se a inocorrência dos fatos narrados na inicial
acusatória em tela.

(CONCLUSÃO) Destarte, de rigor a reforma da sentença de primeiro grau, para que a ré seja absolvida,
nos termos do art. 386, I, do CPP.

(APRESENTAÇÃO DA TESE) Em caso de manutenção da condenação, deve a pena-base imposta a ora


recorrente ser reduzida ao patamar mínimo legal.

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(PREMISSA MAIOR) Segundo dispõe o art. 59 do CP, a pena-base deve ser fixada em atenção “à
culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às
circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima”.

A respeito, prevê a Súmula 444 do STJ que “é vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais
em curso para agravar a pena-base”.

(PREMISSA MENOR) In casu, o Juízo de primeiro grau exasperou a pena de Lara em 1/6 ano, por
entender que o registro de ação criminal em andamento em seu desfavor poderia ser considerado
desfavoravelmente a título de maus antecedentes.

Ocorre que, de acordo com a mencionada Súmula, tal processo em andamento não pode ser utilizado
para a exasperação da pena-base de Lara, eis que ainda não há sentença condenatória transitada em
julgado em seu desfavor. Assim, o fundamento apresentado em primeiro grau não é idôneo para
determinar o aumento da pena.

(CONCLUSÃO) Portanto, a pena-base imposta a Lara deve ser reduzida ao patamar mínimo legal.

III – DO PEDIDO

Ante o exposto, requer seja o presente recurso conhecido e provido, com a absolvição da recorrente, com
fulcro no art. 386, I, do CPP. Subsidiariamente, requer-se a diminuição da pena imposta ao patamar
mínimo legal (art. 59 do CP).

Por fim, requer que seja assegurado o direito de permanecer em liberdade até o trânsito em julgado,
expedindo-se alvará de soltura.

Local, 14 de julho de 2017.

Advogado

OAB

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