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Análise técnica de estruturas de edifícios em concreto armado, de 3 a 21 pavimentos,

com variação de resistência à compressão (relação geométrica, em planta, de 1:4)

Technical analysis of building structures of reinforced concrete floor from 3 to 21, with
compressive strength variation (geometric relationship, in plan, 1: 4)
Tamiris Luiza Soares Lanini1, Roberto Vasconcelos Pinheiro2

Resumo: O presente estudo tem por objetivo a análise técnico-econômica de edifícios de 3 a 21 pavimentos, com
aplicação de distintos valores de resistência característica à compressão aos 28 dias (fck), variando entre 25 e 40
MPa, com relação geométrica, em planta, de 1:4. Estima-se que, por meio dos resultados obtidos, seja possível
auxiliar a concepção, o dimensionamento e, principalmente, subsidiar a orçamentação da superestrutura de
edifícios em concreto armado que contemplem tal relação geométrica. A obtenção dos resultados e organização
dos dados fora realizada por meio do software AltoQi Eberick V9 e planilhas eletrônicas, respectivamente. Os
métodos de pesquisa aplicados foram subdivididos em projeto arquitetônico, concepção estrutural, análise da
estabilidade, composição de custos e análise técnico-financeira. De posse dos resultados, conclui-se que: (I) o
aumento do valor do “fck” implica na redução significativa das dimensões dos elementos dos subsistemas verticais
e no consumo de aço; (II) para cada caso analisado (“A” até “F”), as espessuras médias dos pavimentos tipo e o
consumo de fôrmas se mantiveram praticamente constantes independentes do aumento do valor de “fck”; (III) a
composição de custos mostrou que os sistemas dimensionados com concretos de resistência (C-35) geram
menores custos globais.
Palavras-chave: Concepção estrutural; consumo de materiais e insumos; estruturas de concreto armado.

Abstract: This study aimed to technical and economic analysis of buildings 3-21 floors, with application of different
characteristic values compressive strength at 28 days (fck), ranging between 25 and 40 MPa, with geometric relation,
in plant of 1:4. It is estimated that by the results obtained it is possible to assist the design and mainly, subsidize
the budget of the superstructure of buildings in reinforced concrete that include such geometric relation. The
achievement of results and organization of the data was made using the AltoQi Eberick V9 software and
spreadsheets, respectively. The applied research methods were divided into architectural design, structural design,
stability analysis, cost composition, technical and financial analysis, With the results, it follows that: (I) increasing
the value of the "fck" implies a significant reduction of the dimensions of the elements of the vertical subsystems and
steel consumption; (II) for the analyzed case ("A" to "F") , the average thickness of the flooring type and consumption
of molds remained virtually independent of the increase in the value of "f ck" constant; (III) the cost composition
showed that systems dimensioned resistance concrete (C -35) produce lower overall costs.
Keywords: Structural design; consumables and supplies; reinforced concrete structures.

1 Introdução de múltiplos pavimentos (3 a 21 pavimentos tipo), para


quatro distintas classificações de “fck” (25,30,35 e 40
Devido ao aumento da demanda por moradias, o setor MPa). A relação geométrica em planta se manteve na
da construção civil tem como desafio maximizar a ordem de 1:4, considerando-se a inserção de um maior
ocupação das áreas urbanas - por meio da número pórticos na menor dimensão - o que difere esta
verticalização de edifícios - de modo a reduzir o custo pesquisa das demais elaboradas para tal proporção.
final da edificação, garantindo ainda o bom
desempenho estrutural de tais empreendimentos. As análises estruturais – globais e locais – bem como
o quantitativo dos insumos foram obtidos por meio do
Para efeitos de cumprimento de tais requisitos, as software para projetos estruturais AltoQi Eberick V9, e
indústrias apostaram no avanço da tecnologia dos a organização dos resultados - em tabelas e gráficos –
materiais por meio da produção de concretos com foi realizada através de planilhas eletrônicas.
maiores capacidades de resistência. Concretos com
resistências maiores proporcionam à superestrutura a
2 Fundamentação teórica
redução das seções dos elementos estruturais
existentes. 2.1 Normatização
Deste modo, justifica-se o desenvolvimento de um A concepção e considerações relacionadas a projetos
estudo que analise as distintas possibilidades de estruturais devem ser elaboradas em conformidade
desempenho estrutural de um edifício em função do com as indicações propostas, dentre outras, nas
valor da resistência do concreto utilizado de modo a seguintes normativas: ABNT NBR 6118:2014 – Projeto
alcançar seu menor custo global. de Estruturas de Concreto – Procedimento; ABNT NBR
Como parte constituinte da pesquisa existente no curso 6120:1980 - Cargas para o cálculo de estruturas de
de Engenharia Civil – UNEMAT, Campus de Sinop, edificações; ABNT NBR 6123:1988 – Forças devidas
este projeto analisou parâmetros técnicos-financeiros ao vento em edificações; ABNT NBR 7480:1996 –
dos elementos constituintes da superestrutura (vigas, Barras e fios de aço destinados a armaduras para
lajes e pilares) de um edifício concreto armado; ABNT NBR 8681:2003 – Ações e
segurança nas estruturas – Procedimento; ABNT NBR
1
Graduando, Universidade do Estado de Mato Grosso, Sinop- 8953:2015 – Concreto para fins estruturais –
MT, Brasil, E-mail: tamirisluiza_@hotmail.com classificação pela massa específica, por grupos de
2
Professor Doutor, Universidade do Estado de Mato Grosso, resistência e consistência; ABNT NBR 14931-2004 -
Sinop-MT, Brasil, rpinheiro@unemat-net.br Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento.
2.2 Propriedades dos materiais 2.4 Ações na estrutura
2.2.1 Concreto As definições relacionadas às ações atuantes numa
estrutura devem estar em conformidade com as
O concreto simples é um material que apresenta indicações propostas nas normativas ABNT NBR
elevada resistência à compressão e baixa resistência à 8681:2003, ABNT NBR 6120:1980 e ABNT NBR
tração – na ordem de 10% de sua resistência a 6123:1988.
compressão. Desse modo, surge a ideia de uni-lo ao
aço - material este altamente resistente à tração – que Conforme a ABNT NBR 8681:2003, as ações são
somados ao fenômeno da aderência, formam o causas que provocam esforços ou deformações nas
concreto armado (BASTOS, 2006). estruturas e, do ponto de vista prático, as forças e
deformações impostas pelas ações são consideradas
Conforme Pinheiro (2007), esta composição tem como como se fossem as próprias ações. Estas, por sua vez,
principais propriedades mecânicas a resistência à ainda podem ser classificadas segundo sua
compressão, resistência à tração e módulo de variabilidade no tempo em ações permanentes – atuam
elasticidade. Segundo Fusco (2008), a resistência praticamente durante toda vida útil da edificação -,
característica à compressão é a propriedade mecânica ações variáveis – apresentam valores significativos
que apresenta maior relevância e representatividade durante a vida útil da construção -, e ações
do concreto se avaliado quanto à qualidade e excepcionais – com duração extremamente curta e
desempenho funcional. baixa probabilidade de ocorrência.
Araújo (2014) afirma que tal propriedade é Para tanto, a NBR 6118:2014 indica que a análise
intrinsecamente dependente de diversos fatores, tais estrutural deve ser realizada com a consideração da
como: idade do concreto, velocidade de aplicação da influência de todas as ações e suas respectivas
carga, condições de cura, e, essencialmente, sua combinações que possam produzir efeitos
composição – consumo/tipo de cimento e fator água significativos à segurança da estrutura.
cimento.
2.5 Segurança e estados limites
Diante das características expostas, o concreto
armado ainda apresenta diversas vantagens, Os estados limites compreendem os estágios nos quais
destacando-se, dentre outras: economia – devido ao a estrutura se encontra imprópria para uso. Para tanto,
baixo custo dos materiais e manutenção reduzida -, o dimensionamento de um sistema estrutural deve ser
facilidade de execução - devido aos diversos tipos de realizado de modo a apresentar segurança -
fôrmas -, resistência a choques e vibrações, efeitos intimamente condicionada à verificação dos estados
térmicos e desgastes mecânicos. Entretanto, esse limites - satisfatória ao usuário (PINHEIRO, 2007).
composto apresenta limitações como o surgimento de
fissuras e acréscimo de carga devido ao peso próprio Uma estrutura é dita como segura quando é capaz de
elevado (PINHEIRO, 2007). suportar a todas as ações – até mesmo as mais
desfavoráveis – durante sua vida útil, de modo a não
2.2.2 Aço para concreto armado inviabilizar sua utilização ou atingir o estágio de
ruptura. Ainda, esta é condicionada pela verificação
Os aços empregados em estruturas de concreto dos estados limites, atingidos quando uma estrutura
armado são regulamentados segundo a ABNT NBR deixa de atender a uma das seguintes condições:
7480:1996 que, de acordo com o valor característico da segurança, funcionalidade e durabilidade, de ordem
resistência ao escoamento e o processo de fabricação estrutural ou funcional (MESQUITA FILHO, 2006).
empregado, classifica as barras de aço nas categorias
CA-25 e CA-50 – com diâmetros variando de 5 a 40 Em decorrência do exposto, os estados limites se
mm –, e os fios de aço na categoria CA-60 – de 2,4 a dividem em estados limites últimos – sua simples
10 mm de diâmetro. ocorrência determina a paralisação em todo ou em
parte do uso da construção – e estados limites de
2.3 Concepção estrutural serviço – sua ocorrência, repetição ou duração causam
Concepção estrutural é o termo designado à etapa de efeitos estruturais indesejáveis para o uso da estrutura
projeto em que são estabelecidos os elementos (SILVA, 2011).
estruturais – bem como seus posicionamentos – de 2.6 Análise estrutural e estabilidade global de edifícios
modo a formar um sistema estrutural capaz de
absorver esforços decorrentes das ações atuantes e Edifícios em concreto armado sofrem, inevitavelmente,
transmiti-los ao solo de fundação. (CARDOSO, 2013) a ação simultânea de esforços horizontais e verticais,
que provocam deslocamentos laterais dos nós da
Segundo Pinheiro (2007), a solução estrutural adotada estrutura. Esse efeito, denominado não linearidade
em projeto deve atender aos requisitos de qualidade geométrica, implica no aparecimento de esforços
estabelecidos nas normas técnicas quanto à solicitantes adicionais à estrutura (GIONGO, 2007).
capacidade resistente, desempenho em serviço e
durabilidade da estrutura. Ainda, Giongo (2007) afirma Segundo a ABNT NBR 6118:2014, as verificações
que uma boa concepção estrutural deve possuir quanto à estabilidade das estruturas podem ser
elementos estruturais compatíveis às exigências realizadas para efeitos de primeira ordem, cuja
arquitetônicas e demais projetos complementares, estrutura é analisada em sua configuração geométrica
intimamente vinculados às ações presentes no edifício. inicial, e para efeitos de segunda ordem, cuja estrutura
deformada passa a ser considerada na análise do
O pré-dimensionamento dos elementos estruturais equilíbrio estrutural.
pertencentes à superestrutura de um edifício deve
atender às especificações mínimas propostas pelas Ainda, ao se tratar de considerações quanto aos efeitos
ABNT 6118:2014. de segunda ordem, Giongo (2007) afirma que o
comportamento tridimensional da estrutura e a não
linearidade física devem ser analisados, uma vez que
consideram a não linearidade existente entre as ações atendendo as funções estruturais e condições de
e as deformações do concreto. execução – particularmente quanto ao lançamento e
adensamento do concreto, prescritos pela norma
2.6.1 Parâmetro de instabilidade “α” e Coeficiente “γz” (MESQUITA FILHO, 2006).
Conforme Giongo (2007), a rigidez global de uma 2.8 Software para projeto estrutural – AltoQi Eberick V9
estrutura permite a percepção desta quanto à
sensibilidade aos efeitos de segunda ordem. Em Como exposto, a etapa de análise estrutural e os
estruturas de concreto armado, tal sensibilidade é estágios subsequentes à mesma são primordiais para
tradicionalmente medida por meio do parâmetro de realização do projeto estrutural de uma edificação, uma
instabilidade “α”, cuja definição vincula-se à altura total vez que estas determinam os esforços solicitantes e a
da estrutura, somatória das cargas verticais atuantes e capacidade resistente da estrutura.
à somatória dos valores de rigidez dos pilares ou
pórticos na direção considerada. Entretanto, esta etapa pode ser extremamente
complexa e exaustiva para o projetista, uma vez que a
Este parâmetro é considerado como um meio de busca pelo melhor arranjo estrutural engloba diversas
avaliação de estruturas em concreto armado quanto à informações como as propriedades dos materiais,
estabilidade global, considerando-as como um meio geometria da edificação, cargas atuantes na estrutura,
elástico, no qual os estados de fissuração dos orientação dos elementos e demais informes que
elementos não são considerados. Casos em que o juntos compõem inúmeras iterações de tentativa e erro.
valor de “α” é inferior a 0,60 podem ser considerados Dentre estas, o profissional responsável deve optar
indeslocáveis (para efeitos de cálculo), uma vez que os pela que possua melhor relação técnica-econômica.
efeitos globais de segunda ordem são inferiores ao
valor de 10% dos esforços de primeira ordem. Caso De modo a otimizar a elaboração e produtividade de
contrário, as estruturas podem ser notadas como soluções em projetos estruturais, diversas empresas
deslocáveis (para efeitos de cálculo), o qual deve disponibilizam softwares para cálculo e detalhamento
considerar os efeitos de segunda ordem (CARVALHO de projetos estruturais. Assim sendo, optou-se para
E PINHEIRO, 2009). elaboração do projeto proposto pelo uso do software
AltoQi Eberick V9, cujos recursos de dimensionamento
Conforme Ribeiro (2010), o segundo parâmetro capaz e detalhamento dos elementos estruturais estão em
de avaliar a sensibilidade de estruturas de concreto aos conformidade com a ABNT NBR 6118:2014 (ALTOQI
efeitos de segunda ordem é o coeficiente “γz”, [1], S.d.).
regulamentado pelo Item 15.5.3 da ABNT NBR
2.9 Aspectos gerais da análise estrutural técnico-
6118:2014.
econômica
Ainda segundo o autor, este parâmetro avalia
estruturas em concreto armado quanto à estabilidade A respeito da análise estrutural, existem diversos
global. Valores do coeficiente “γz” inferiores ou estudos correlatos ao presente artigo, em fase de
desenvolvimento na UNEMAT, Campus de Sinop, que
equivalentes a 1,10 apresentam estruturas
indeslocáveis. No entanto, este processo é valido avaliam parâmetros técnico-econômicos de edifícios
apenas para casos em que os valores de “γz” não em concreto armado, considerando-se: (i) linhas de
excedam 1,3. pilares existentes no edifício, classificando-o quanto à
rigidez; (ii) variação da resistência à compressão do
2.7 Dimensionamento dos elementos estruturais concreto; (iii) relação geométrica em planta; e (iv)
número de pavimentos da edificação.
Conforme a ABNT NBR 6118:2014, após a análise
estrutural é indispensável a realização de três etapas Ao final, serão realizados 288 projetos – dos quais 120
subsequentes: o dimensionamento, a verificação da já foram feitos – com intuito de estudar o
estrutura e o detalhamento dos elementos estruturais comportamento estrutural, bem como promover maior
componentes, cuja finalidade é garantir a segurança da viabilidade econômica de edifícios em concreto armado
estrutura quanto aos estados limites últimos e de na região de Sinop – MT, baseados nos dados obtidos
serviço, considerando-a como um todo e, ainda, cada pelo requerido estudo.
uma de suas partes.
Quanto às pesquisas concluídas, Silva (2011) estudou
A rigor, a segurança é garantida através da majoração a análise técnico-econômica em edifícios de concreto
dos esforços solicitantes atuantes na estrutura e armado de múltiplos pavimentos através da variação
minoração das resistências dos componentes do fck e da área ocupada em planta pelos pilares.
estruturais, de modo que os esforços solicitantes sejam Constatou-se que para maiores valores de resistência
inferiores às resistências de cálculo (MESQUITA do concreto houve uma redução no custo dos pilares,
FILHO, 2006). bem como ganho de área útil da edificação.
A etapa de dimensionamento consiste na verificação Em relação à análise do consumo de materiais e seus
das dimensões dos elementos estruturais adotadas respectivos custos aplicados às estruturas em concreto
nas fases de anteprojeto – de acordo com as armado, Costa (2012) comparou duas concepções
características arquitetónicas e métodos de pré- estruturas distintas – uma com maiores vãos, na ordem
dimensionamento dos elementos estruturais. Assim, de 6,50 metros, e outra composta por menores vãos,
este estágio define as dimensões finais dos elementos na ordem de 4,00 metros. Conclui-se que a estrutura
estruturais componentes, bem como as armaduras composta por maiores vãos apresentou acréscimo de
empregadas, conforme as indicações propostas na 28% no consumo de aço se comparada à estrutura com
ABNT NBR 6118:2014. menores vãos, que apresentou economia de 12% no
custo dos insumos.
Por fim, tem-se a etapa de detalhamento dos
elementos estruturais, a qual consiste em arranjar de Quanto à análise comparativa em edifícios em concreto
modo conveniente as armaduras a serem utilizadas, armado, Spohr (2008) estudou sistemas estruturais
convencionais comparados aos sistemas de laje
nervurada para um edifício composto por escritórios.
Constatou-se que o emprego de lajes lisas nervuradas
proporciona redução de 18,10% no custo total do
sistema estrutural, se comparado ao sistema
convencional de lajes maciças.

3 Metodologia
3.1 Materiais
A obtenção dos resultados – análises estruturais
globais e locais, dimensionamento, verificação e
quantitativo de insumos -, foi realizada por meio do
software para projetos estruturais AltoQi Eberick V9.
Para organização dos resultados, por meio de tabelas
e gráficos demonstrativos, utilizou-se um software de
planilha eletrônica (Excel).
3.2 Métodos
A pesquisa se desenvolveu em cinco etapas: (I) Figura 2 – Casos propostos em relação ao número de
Definição do projeto arquitetônico; (II) Realização da pavimentos tipo.
concepção estrutural e definição das ações atuantes; Fonte: O autor, 2016.
(III) Análise da estabilidade, dimensionamento e
verificação dos elementos estruturais; (IV) Obtenção 3.2.2 2ª Etapa – Ações e Concepção Estrutural
dos quantitativos dos insumos e composição de custo;
(V) Definição dos parâmetros técnico-econômicos do Para evitar deslocamentos inaceitáveis – provocados,
projeto. principalmente, pelo efeito do vento -, a estrutura foi
disposta de modo a formar pórticos planos nas duas
3.2.1 1ª Etapa – Projeto Arquitetônico direções, considerando-se essencialmente a menor
Utilizou-se um projeto arquitetônico residencial dimensão para análise da influência das “linhas de
hipotético, exibido na figura 1, com relação em planta pilares” nos parâmetros técnicos.
equivalente à 1:4 – dimensões em torno de 15m por A disposição dos pilares iniciou-se pelo contorno da
60m, totalizando uma área de 900,00 m2. edificação, considerando a rigidez máxima destes na
direção mais desfavorável do edifício. Posteriormente,
os demais pilares internos foram posicionados, e as
vigas foram unidas aos pilares por meio de ligações
rígidas, semi-rígidas ou rotuladas, e, em algumas
situações, apoiadas entre si. As lajes foram definidas a
partir do contorno formado pelas vigas, como mostra a
Figura 3, a seguir:
Figura 1 – Planta do projeto arquitetônico do pavimento tipo.
Fonte: O autor, 2016.

Para a geração dos resultados dos parâmetros


propostos no presente artigo, considerou-se edifícios
com 3, 5, 7,10, 15 e 21 pavimentos tipo, de modo a
estudar o comportamento da estrutura em diferentes Figura 3 – Planta de formas do pavimento tipo.
casos e como um todo. Para melhor compreensão e Fonte: O autor, 2016.
exposição dos resultados, estes foram nomeados em
Casos A, B, C, D, E e F respectivamente, como mostra As ações verticais, tanto permanentes quanto
a figura 2. variáveis, foram definidas em conformidade com as
indicações propostas na ABNT NBR 6120:1980.
Quanto às ações permanentes, conforme indicado na
ABNT NBR 6120:1980, têm-se: peso próprio da
estrutura em concreto armado, considerando-se peso
específico de 25 kN/m3; paredes com espessura de 15
cm compostas por tijolos furados com peso específico
de 13 kN/m3; peso próprio do acabamento do piso e
forro (incluindo revestimento cerâmico, argamassa de
assentamento e regularização), equivalente a 0,93
kN/m2.
As ações variáveis, em conformidade com a ABNT
NBR 6120:1980, foram compostas por sobrecargas de
utilização, divididas em: 0,5 kN/m2 - forros sem acesso
a pessoas e terraços inacessíveis a pessoas; 1,5 kN/m2
– dormitórios, salas, cozinhas, banheiros e copa; 2
kN/m2 – área de serviço, despensa, lavanderia; 3 kN/m 2 Ao final, mantiveram-se as seções transversais dos
– escadas e corredores com acesso ao público. elementos horizontais, variando apenas a espessura
das vigas (15cm para os Casos A, B e C, e 20cm para
As ações variáveis horizontais, oriundas das forças do os Casos D, E e F) devido aos esforços gerados pelos
vento, foram definidas com base nas indicações efeitos de 2a ordem. Assim, buscou-se otimizar os
preconizadas pela ABNT NBR 6123:1988. elementos verticais por meio da relação momento
Desse modo, a determinação de tais ações vinculou-se resistente/momento solicitante (Mrd/Msd), próxima de
à definição dos seguintes parâmetros: velocidade 1,0.
básica do vento (V0=30m/s), conforme a região 3.2.4 4ª Etapa – Mapeamento dos quantitativos e
hachurada das isopletas – Figura 4; fator topográfico composição de custo de insumos
S1=1,0 (Item 5.2), considerando terreno plano ou ainda
fracamente acidentado; fator S2 (Item 5.3) – para Posteriormente às etapas de dimensionamento –
combinação de efeitos da rugosidade do terreno, quanto aos estados limites últimos – e verificação –
dimensões da edificação e altura acima do terreno quanto aos estados limites de utilização – dos
(considerando Categoria III e Classe “C”); fator elementos estruturais, foram obtidos os quantitativos
estatístico S3=1,0 (Item 5.4), considerando Grupo 2. Os dos seguintes insumos: concreto (m 3), fôrmas (m2) e
Coeficientes de Arrasto (Ca) foram calculados para aço (kg).
cada pavimento tipo por meio do ábaco da Figura 4 da
ABNT NBR 6123:1988, considerando-se as alturas A composição do custo de tais insumos se deu por
relativas a cada pavimento, bem como as dimensões meio dos valores propostos na tabela SINAPI de
em planta da edificação. janeiro de 2016 de Custo de Composições.
3.2.5 5ª Etapa – Parâmetros técnico-econômicos
De posse do mapeamento e composição de custo dos
insumos, realizou-se a determinação dos seguintes
parâmetros: consumo de aço (kgaço/m3concreto);
consumo de fôrmas (m2fôrma/m3concreto); espessura
média do pavimento, em cm; custo médio da edificação
(R$/m2); e por fim, consumo médio dos insumos, em
porcentagem.
Ainda, tais parâmetros foram analisados por meio de
formulações estatísticas (coeficiente de variação e
desvio padrão) de modo a atestar a viabilidade de
aplicação.
4 Análise e discussão dos resultados

Figura 4 – Isopletas de velocidade básica. 4.1 Casos “A, B e C”


Fonte: ABNT NBR 6123 (1988).
4.1.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
Ainda, em conformidade com a ABNT NBR 6118:2014, Para os Casos “A, B e C”, considerados relativamente
definiu-se: agressividade ambiental – Classe II; baixos se comparados aos demais casos, e portanto,
cobrimento das armaduras (ambientes externos) de 2,5 menos suscetíveis aos efeitos de 2a ordem,
e 3,0 cm para lajes e pilares/vigas respectivamente; mantiveram-se as espessuras das vigas em 15cm e
diâmetro máximo do agregado – 19mm; fck (25, 30, 35 lajes variando entre 8 e 10cm.
e 40 MPa); fyk (CA50 para vigas e lajes, e CA50 e CA60
para pilares). O consumo de aço, para lajes, manteve-se
praticamente constante independente da variação da
3.2.3 3ª Etapa – Análise, dimensionamento e resistência do concreto. O Caso “A” apresentou
verificações dos elementos estruturais consumo médio de aço equivalente a 97,1
Com base nas informações dispostas e com auxílio do kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 2,3%.
software AltoQi Eberick V9, os seguintes itens foram O caso “B” apontou consumo médio de aço de 94,9
localmente verificados: tensões no concreto; kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 0,8%. O
dimensionamento das armaduras; deslocamentos Caso “C” apresentou consumo médio de aço igual a de
verticais (vinculados aos pilares) e deslocamentos 95,7 kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de
horizontais (vinculados às vigas e lajes) dos elementos 2,8%.
estruturais componentes. Quanto à análise global da
estrutura, verificou-se os efeitos de primeira e segunda Ao final, os Casos “A, B e C” apresentaram consumo
ordem, tomados como critério de relevância os médio de aço equivalente a 95,9 kg aço/m3concreto, com
coeficientes “α” (parâmetro de instabilidade) e “γz” coeficiente de variação de 2,0%. Foram considerados
(majoração dos esforços globais finais de 1ª ordem tolerantes valores com coeficiente de variação
para os de 2ª ordem), bem como o deslocamento inferiores a 5,0%.
global da estrutura.
4.1.2 Consumo de Aço – Elemento Viga
Quanto às seções transversais dos elementos
estruturais, têm-se: vigas variando entre 15x40 a Os Casos “A, B e C” tiveram as seções transversais
15x60cm para os Casos A, B e C, e 20x40 a 20x60 para das vigas mantidas e, portanto, o consumo de aço
os casos D, E e F; pilares variando entre 15x30cm a médio se manteve praticamente constante ao longo da
15X80 para os Casos A, B e C, e 20x30 a 25x120 para variação dos pavimentos, reduzindo gradativamente
os Casos D, E e F; as lajes limitaram-se a variação com o aumento da resistência à compressão.
entre 8 e 10cm para todos os Casos.
O Caso “A” apresentou consumo médio de aço Essa variação, de modo geral, ocorre devido às
equivalente a 89,0 kgaço/m3concreto, com coeficiente de pequenas modificações realizadas aos elementos da
variação de 2,9%. Para o Caso “B”, o consumo médio superestrutura, impostas pelas limitações dos
de aço se manteve em 93,0 kgaço/m3concreto, com deslocamentos totais do pórtico. Por essa razão, pode-
coeficiente de variação de 3,4%. se fixar o consumo médio de fôrmas equivalente a
13,20 m²fôrmas/m³concreto.
O Caso “C” apontou consumo médio de aço
equivalente a 96,3 kgaço/m3concreto, com coeficiente de 4.1.5 Espessura média do pavimento
variação de 3,7%. Observa-se que o aumento no
número de pavimentos da edificação influencia no Um importante parâmetro utilizado na área de
aumento do consumo de aço nas vigas, devido ao estruturas em concreto armado é a espessura média
aumento dos esforços horizontais atuantes na do pavimento, que considera o volume total de
estrutura – vento. concreto (inclusive dos elementos da superestrutura
dimensionados pelo projetista) distribuído pela área
Por fim, os Casos “A, B e C”, mantiveram consumo total do pavimento. Esse parâmetro permite a
médio de aço equivalente a 92,8kgaço/m3concreto, com elaboração de uma estimativa do volume total de
coeficiente de variação de 4,5%. concreto a ser utilizado na execução do edifício em
questão.
4.1.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar
Para os casos propostos, a espessura média dos
O gráfico exposto na Figura 5 mostra o consumo médio pavimentos tipo manteve-se praticamente constante,
de aço dos pilares para os casos propostos independente do aumento da resistência do concreto,
relacionados à resistência à compressão adotada: caracterizando coeficiente de variação de 0,40%.
Assim, pode-se fixar a espessura média do pavimento
tipo equivalente a 13,6 cm.
4.1.6 Custo médio da edificação
Com base nos quantitativos obtidos por meio do
software AltoQi Eberick V9 aliados aos preços de custo
de composições extraídos da tabela SINAPI, calculou-
se um valor estimado do custo total por metro
quadrado, em R$/m2, para execução da superestrutura
dos edifícios nos casos propostos, listados na Tabela
1, seguinte.

CASO FCK 25 FCK 30 FCK 35 FCK 40 Média


COMP. Mpa MPa Mpa MPa (R$/m2)
A 197,21 193,98 193,16 197,9 195,56
B 203,92 202,95 200,93 205,6 203,35
Figura 5 – Consumo de aço dos pilares Casos “A, B e C”. C 211,37 207,41 205,6 210,56 208,73
Fonte: O autor, 2016. Tabela 1 – Custo total por m2 para os Casos “A, B e C”.
Fonte: O autor, 2016
Uma vez que os Casos “A, B e C” foram compostos por
vigas com seções transversais constantes, os pilares Tem-se que, em todos os casos, a edificação mais
foram dimensionados de modo a manter a relação econômica é composta pelo concreto C-35. Se
entre momento resistente e momento solicitante comparados ao concreto C-25, os Casos “A, B e C”
próxima a 1. apresentam redução de 2,03%, 1,47% e 2,74%,
respectivamente, do custo total da estrutura. Tal fato se
Desse modo, a medida que a resistência à compressão
do concreto da estrutura foi aumentada, o consumo justifica pelo elevado custo do concreto C-40 na região,
médio de aço teve redução gradativa. Ainda, o que se sobrepõe ao custo de aço, ainda que o consumo
aumento no número de pavimentos da edificação deste tenha sido reduzido em tais casos.
acarretou na redução do consumo médio de aço dos 4.2 Casos “D e E”
pilares devido à otimização da taxa de armadura em
relação à seção de concreto adotada. 4.2.1 Consumo de Aço – Elemento Laje

Nos três casos, a relação que manteve menor consumo Os casos propostos, se comparados aos Casos “A, B
de aço foi a composta por concreto com resistência à e C” apresentados, são relativamente altos, e portanto,
compressão de 40 MPa. O Caso “A” apresentou mais suscetíveis aos efeitos de 2a ordem. Com o intuito
redução de 17,84% no consumo de aço dos pilares de aumentar a rigidez do pórtico, as vigas tiveram suas
relacionado ao C-25.Por sua vez, os casos “B e C” espessuras aumentadas para 20cm. As lajes
apresentaram redução de 17,55% e 17,75%, mantiveram-se variando entre 8 e 10cm.
respectivamente. Análogo aos casos anteriores, o consumo de aço para
4.1.4 Consumo de Fôrmas lajes manteve-se praticamente constante
independente da variação da resistência do concreto.
O consumo de fôrmas para os casos propostos se O Caso “D” apresentou consumo médio de aço
manteve praticamente constante ao longo da variação equivalente a 97,8 kgaço/m3concreto, com coeficiente de
do número de pavimentos e resistência à compressão variação de 1,8%.
do concreto adotada, apresentando coeficiente de
variação equivalente a 0,14%. O caso “E” apontou consumo médio de aço de 95,5
kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 1,6%.
Por fim, os casos propostos apresentaram consumo no consumo médio de aço dos pilares devido à
médio de aço equivalente a 96,6 kgaço/m3concreto, com otimização da armadura em relação a seção de
coeficiente de variação de 1,7%. concreto adotada para o elemento.
4.2.2 Consumo de Aço – Elemento Viga Em todos os casos apresentados, a relação que
manteve menor consumo de aço foi a composta por C-
Os Casos “D e E” tiveram as seções transversais das 40. O Caso “D” apresentou redução de 24,29% no
vigas mantidas (20cm) e, portanto, o consumo de aço consumo de aço dos pilares relacionado ao C-25. O
médio se manteve praticamente constante ao longo da Caso “E”, por sua vez, apresentou redução de 25,67%
variação dos pavimentos, reduzindo gradativamente
com o aumento da resistência à compressão. 4.2.4 Consumo de Fôrmas
O Caso “D” apresentou consumo médio de aço De maneira análoga à anterior, o consumo de fôrmas
equivalente a 87,0 kgaço/m3concreto, com coeficiente de para os casos propostos se manteve praticamente
variação de 3,5%. Para o Caso “E”, o consumo médio constante ao longo da variação do número de
de aço se manteve em 92,2 kgaço/m3concreto, com pavimentos e resistência à compressão do concreto
coeficiente de variação de 2,6%. adotada, apresentando coeficiente de variação
equivalente a 0,26%.
Ao final, os Casos “D e E”, mantiveram consumo médio
de aço equivalente a 89,6 kgaço/m3concreto, com Deste modo, pode-se fixar o consumo médio de fôrmas
coeficiente de variação de 4,2%. equivalente a 11,90m²fôrmas/m³concreto.
Observa-se que, de maneira similar aos casos 4.2.5 Espessura média do pavimento
anteriores o aumento no número de pavimentos da
edificação (de 10 para 15) influencia no aumento do Para os Casos “D e E”, a espessura média dos
consumo de aço nas vigas, devido ao aumento dos pavimentos tipo manteve-se praticamente constante,
esforços horizontais atuantes na estrutura – vento. independente do aumento da resistência do concreto,
caracterizando coeficiente de variação de 1,3%. Assim,
Entretanto, se comparados os Casos “A, B e C” aos pode-se fixar a espessura média do pavimento tipo
Casos “D e E”, observa-se uma redução no consumo equivalente a 15,5cm.
de aço das vigas. Isso ocorre devido ao aumento da
espessura destes elementos, que promove o aumento 4.2.6 Custo médio da edificação
do volume de concreto existente e, consequentemente, A partir dos quantitativos obtidos por meio do software
uma redução do consumo de aço. AltoQi Eberick V9 e dos preços de custo de
4.2.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar composições extraídos da tabela SINAPI, calculou-se
um valor estimado do custo total de execução da
O gráfico exposto na Figura 6 mostra o consumo médio superestrutura, em R$/m2, para os casos propostos,
de aço dos pilares para os casos propostos conforme mostra a Tabela 2 a seguir.
relacionados à resistência à compressão adotada:
CASO FCK 25 FCK 30 FCK 35 FCK 40 Média
COMP. Mpa MPa Mpa MPa (R$/m2)
D 226,01 220,56 217,45 220,26 221,07
E 241,52 234,85 226,19 231,02 233,4
Tabela 2 – Custo total por m2 para os Casos “D e E”.
Fonte: O autor, 2016

Tem-se que, para todos os casos propostos, a


edificação mais econômica é composta pelo concreto
C-35. Se comparados ao concreto C-25, os Casos “D
e E” apresentam redução de 3,8%, e 6,34%,
respectivamente, do custo total da estrutura. Tal fato se
justifica pelo elevado custo do concreto C-40 na região,
que se sobrepõe ao custo de aço, ainda que o consumo
Figura 6 – Consumo de aço dos pilares Casos “D e E”. deste tenha sido reduzido em tais casos.
Fonte: O autor, 2016.
4.3 Caso “F”
Nos casos propostos, as vigas mantiveram seções
transversais constantes proporcionando um 4.3.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
dimensionamento otimizado dos pilares, mantendo O Caso “F”, se comparado aos demais casos
novamente a relação entre momento resistente e propostos, é considerado relativamente alto, e
momento solicitante próxima de 1. portanto, mais suscetível aos efeitos de 2a ordem.
Os Casos “D e E”, compostos por vigas com Entretanto, as vigas tiveram suas seções transversais
espessuras de 20cm, contêm pórticos com maior mantidas com espessura de 20cm e lajes variando
rigidez se comparados aos casos apresentados entre 8 e 10 cm. Deste modo, pode-se verificar
anteriormente. Uma vez que o edifício possui rigidez essencialmente a sensibilidade dos efeitos de 2a ordem
elevada, as seções transversais dos pilares podem ser aplicada aos pilares.
reduzidas, ocasionando a redução do consumo de aço Ainda que sujeita a maiores esforços horizontais
desses elementos. atuantes, a estrutura, de modo semelhante aos demais
Assim, a medida que a resistência à compressão do casos, apresentou consumo de aço para lajes
concreto aumenta, o consumo médio de aço sofre praticamente constante independente da variação da
redução gradativa. Ainda, o aumento no número de resistência do concreto. O consumo médio de aço se
pavimentos (10 para 15) da edificação provoca redução
manteve a 92,7 kgaço/m3concreto, com coeficiente de O consumo de fôrmas para o caso proposto se
variação de 2,5%. manteve praticamente constante ao longo da variação
da resistência à compressão do concreto adotada,
4.3.2 Consumo de Aço – Elemento Viga apresentando coeficiente de variação equivalente a
O Caso “F” apresentou consumo médio de aço 1,65%.
equivalente a 102,4 kgaço/m3concreto, com coeficiente de Desse modo, pode-se fixar o consumo médio de
variação de 2,8%. fôrmas equivalente a 11,30m²fôrmas/m³concreto.
Observa-se que, comparado aos demais casos 4.3.5 Espessura média do pavimento
propostos, o Caso “F” apresenta o maior consumo de
aço em kgaço/m3concreto. Tal fato se justifica pela altura do Para o Caso “F”, a espessura média dos pavimentos
edifício (21 pavimentos), que o torna mais suscetível tipo manteve-se praticamente constante, independente
aos efeitos de 2a ordem. do aumento da resistência do concreto, caracterizando
coeficiente de variação de 0,5%. Assim, pode-se fixar
Sendo assim, a estrutura sofre maiores deformações a espessura média do pavimento tipo equivalente a
decorrentes dos esforços horizontais, que são 18,0cm.
amenizadas por meio do aumento da taxa de armadura
nas vigas – uma vez que o volume de concreto destas 4.3.6 Custo médio da edificação
permanece o mesmo dos Casos “D e E”. Em resumo,
a estrutura, na busca pela posição indeformada, Baseado nos quantitativos obtidos através do software
AltoQi Eberick V9 e dos preços de custo de
combate os esforços oriundos dos efeitos de 2a ordem
por meio do aço presente nos elementos estruturais – composições extraídos da tabela SINAPI, calculou-se
neste caso, nas vigas. um valor estimado do custo total de execução da
superestrutura para o caso proposto, em R$/m2,
4.3.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar conforme mostra a Tabela 3 a seguinte.
O gráfico exposto na Figura 7 apresenta o consumo CASO FCK 25 FCK 30 FCK 35 FCK 40 Média
médio de aço dos pilares para os casos propostos COMP. MPa MPa MPa MPa (R$/m2)
relacionados à resistência à compressão adotada:
F 263,04 255,58 251,96 255,34 256,48
Tabela 3 – Custo total por m2 para o Caso “F”.
Fonte: O autor, 2016

Tem-se que, para o caso proposto, a edificação mais


econômica é composta pelo concreto C-35. Se
comparado ao concreto C-25, o Caso “F” apresenta
redução de 4,18%, do custo total da estrutura. Tal fato
se justifica pelo elevado custo do concreto C-40 na
região, que se sobrepõe ao custo de aço, ainda que o
consumo deste tenha sido reduzido em tais casos.
4.4 Relações entre casos propostos

Figura 7 – Consumo de aço dos pilares Caso “F”. 4.4.1 Consumo de Aço – Elemento Laje
Fonte: O autor, 2016.
Em todos os casos propostos, o consumo de aço, para
Quanto às vigas, o Caso “F” manteve constante as as lajes, manteve-se praticamente constante
seções transversais utilizadas nos Casos “D e E”, independente da variação do número de pavimentos
implicando na necessidade de um dimensionamento existentes e da resistência do concreto utilizado – com
otimizado para os pilares componentes da estrutura. coeficiente de variação dos Casos “A até F” equivalente
a 2,5%.
Nesse sentido, buscou-se manter ao máximo, a relação
entre momento resistente e momento solicitante Desse modo, pode-se fixar o consumo médio de aço
próxima de 1, formando quatro (4) conjunto de fôrmas equivalente a 95,6 kgaço/m3concreto para os Casos “A a
– pavimentos 1 ao 5; pavimentos 6 ao 11; pavimentos F”.
11 ao 20; e por fim, pavimento 21.
4.4.2 Consumo de Aço – Elemento Viga
Assim, a medida que os pilares se aproximam do topo
Quanto às vigas, os Casos “A a F” englobam duas
da edificação, suas seções transversais são reduzidas
composições distintas: vigas com espessura de 15cm
(devido à redução dos esforços verticais atuantes),
para os Casos “A, B e C”, e vigas com 20cm de
resultando na otimização destes e consequente
espessura para os Casos “D, E e F”.
redução do consumo de aço.
Tal fato ocorre em razão da necessidade de
Ainda, tem-se que, o aumento da resistência à
dimensionar pilares com espessuras de 15 cm - para
compressão do concreto proporcionou a redução da
as composições de menores alturas – de modo a
seção transversal dos pilares, e consequente redução
otimizar os componentes do elemento estrutural -, ou
no consumo de aço.
ainda, devido a necessidade de aumentar a rigidez do
A relação que manteve menor consumo de aço foi a pórtico – para as composições com maiores alturas.
composta por C-40, com redução de 34,64% no
Assim sendo, com base nas composições realizadas e
consumo de aço dos pilares relacionado ao C-25, e
na análise estatística elaborada a partir dos dados
coeficiente de variação de 20,5%.
obtidos, têm-se que de 3 a 7 pavimentos (“A até C”), o
4.3.4 Consumo de Fôrmas consumo médio de aço equivale a 92,8 kgaço/m3concreto,
com coeficiente de variação de 4,5%.
Por meio de interpolações, tem-se que o consumo A espessura média dos pavimentos tipo manteve-se
médio de aço das vigas para 8 e 9 pavimentos equivale praticamente constante, independente do número de
a 86,0 kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de pavimentos existentes e do aumento da resistência do
0,9%. concreto, caracterizando coeficiente de variação
máximo de 0,5%.
Para edifícios de 10 a 15 pavimentos, o consumo
médio de aço equivale a 89,6 kgaço/m3concreto, com Assim, pode-se fixar a espessura média de edifícios até
coeficiente de variação de 4,2%. Através de três (3) pavimentos equivalente a 13cm; de quatro (4)
interpolações, tem-se que o consumo de aço para a sete (7) pavimentos igual a 14cm; de oito (8) a 10
estruturas de 16 a 20 pavimentos equivale a 88,0 pavimentos, 15 cm; de 11 a 15 pavimentos, 16cm; de
kgaço/m3concreto, com coeficiente de variação de 1,0%. 16 a 20 pavimentos, 17cm; e ainda, com 21
pavimentos, 18cm.
Ao final, edifícios com 21 pavimentos apontam
consumo médio de aço de 102,4 kgaço/m3concreto, com 4.4.6 Custo médio da edificação
coeficiente de variação de 2,8%, que têm seu aumento
justificado pela ação dos efeitos de 2 a ordem – Quanto ao custo global final da edificação, todas as
amenizados por meio do aço existente nos elementos composições obtiveram melhor viabilidade econômica
estruturais. composta pelo concreto C-35. A tabela 4 a seguir
apresenta os casos compostos e seus respectivos
4.4.3 Consumo de Aço – Elemento Pilar custos globais, em R$/m2.
O gráfico exposto na Figura 8 apresenta o consumo CASO FCK 25 FCK 30 FCK 35 FCK 40 Média
médio de aço dos pilares para os casos propostos COMP. MPa MPa MPa MPa (R$/m2)
relacionados ao número de pavimentos existentes:
A 197,21 193,98 193,16 197,90 195,56
B 203,92 202,95 200,93 205,60 203,35
C 211,37 207,41 205,60 210,56 208,73
D 226,01 220,56 217,45 220,26 221,07
E 241,52 234,85 226,19 231,02 233,40
F 263,04 255,58 251,96 255,34 256,48
Média
223,84 219,22 215,88 220,11
(R$/m2)
Tabela 4 – Custo total por m2 para os Casos “A até F”.
Fonte: O autor, 2016

Com base em tais resultados, verificou-se que o


Figura 8 – Consumo de aço dos pilares Casos “A até F”. coeficiente de variação para os Casos “A, B, C, D, E e
Fonte: O autor, 2016. F” propostos se mantiveram em 1,2%, 1,0%, 1,3%,
1,6%, 2,8%, e 1,8%, respectivamente.
Observa-se que o maior consumo de aço para pilares
em kgaço/m3concreto acontece para a composição média Visto que, tal relação é considerada relativamente
do Caso “A”, com subsequente decréscimo gradual nos pequena, pode-se adotar, para fins práticos, os
Casos “B e C”. Tal fato, como disposto anteriormente, seguintes valores médios de custo por metro quadrado:
se justifica pelo aumento da seção transversal de tais Caso “A” – 195,56 R$/m2; Caso “B” – 203, 35
elementos a medida que o número de pavimentos R$/m2;Caso “C” – 208,73 R$/m2;Caso “D” – 221,07
aumenta, proporcionando menor taxa de armadura R$/m2;Caso “E” – 233,40 R$/m2;e Caso “F” – 256,48
constituinte. R$/m2.

Posteriormente, há um acréscimo no consumo de aço Em casos de subsídio de uma edificação com número
para o Caso “D”, e novamente uma redução gradual, de pavimentos diferente dos casos propostos, poder-
justificada pelo aumento da espessura das vigas - que se-á interpolar, com base nestes resultados, obtendo o
consequentemente aumentam a rigidez do pórtico – e custo médio por metro quadrado para o caso desejado.
posterior aumento do volume de concreto das seções 5 Conclusões
dos pilares que implicam na redução do consumo de
aço. Por meio dos resultados obtidos, através do presente
estudo, verificou-se a importância existente na escolha
4.4.4 Consumo de Fôrmas correta do concreto – e sua capacidade resistente – a
O consumo de fôrmas para os casos propostos se ser utilizado na elaboração de projetos estruturais, uma
manteve praticamente constante ao longo da variação vez que, este contribui significativamente na redução
do número de pavimentos e resistência à compressão do custo global da edificação.
do concreto adotada. Visto que este estudo se manteve focado na otimização
Para composições com até oito (8) pavimentos, tem-se dos elementos verticais (pilares), observou-se que para
consumo médio de fôrmas equivalente a 13,5 elementos horizontais o consumo de aço se manteve
m²fôrmas/m³concreto, com coeficiente de variação praticamente constante, independente do aumento da
equivalente a 1,0%. Composições com nove (9) a 21 resistência do concreto adotado, com coeficientes de
pavimentos possuem consumo médio de fôrmas variação equivalentes a 2,5% e 6,2% para lajes e vigas,
equivalente a 12,0 m²fôrmas/m³concreto, com coeficiente de respectivamente. Quanto aos pilares, verificou-se
variação equivalente a 2,3%. variação significativa no consumo de aço, reduzida
gradualmente à medida que houve aumento na
4.4.5 Espessura média do pavimento
resistência à compressão do concreto – caracterizando ______. NBR 7480 – Barras e fios de aço destinados a
coeficiente de variação médio equivalente a 19,8%. armaduras para concreto armado . Rio de janeiro,
fev. 1996.
Em relação as espessuras médias dos pavimentos tipo
e ao consumo de fôrmas, constatou-se pequenas ______. NBR 8681 – Ações e segurança nas estruturas
variações com o aumento da resistência do concreto, – Procedimento. Rio de Janeiro, mar. 2003.
consideradas irrelevantes – com coeficiente de
variação médio inferior a 1,0%. Entretanto, analisando ______. NBR 8953 – Concreto para fins estruturais –
a estrutura como um todo por meio da comparação das classificação pela massa específica, por grupos de
composições “A e F”, tem-se que a espessura média resistência e consistência. Rio de Janeiro, mar. 2015.
do pavimento tipo apresentou aumento de 27,22%, e o ______. NBR 14931. Execução de estruturas de
consumo de fôrmas uma redução de 12,0%. concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, maio 2004.
Ainda, a partir dos casos propostos, observou-se uma Bastos, P. S. S. FUNDAMENTOS DO CONCRETO
importante redução dos insumos por meio do aumento ARMADO: NOTAS DE AULA. Bauru, 2006.
da resistência do concreto, de modo a somar na
economia global das estruturas propostas. Assim, Cardoso, R. F. P. PROJETO ESTRUTURAL EM
verificou-se que todos os casos propostos CONCRETO ARMADO. Trabalho de Conclusão de
apresentaram melhor viabilidade técnico-econômica Curso, Graduação em Engenharia Civil, Departamento
por meio do uso do concreto C-35. Tal fato se justifica de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa
pelo elevado custo do concreto C-40 na região, o qual Catarina. Florianópolis, 2013.
se sobrepõe ao custo de aço, ainda que o consumo Carvalho, R. C.; Pinheiro, L. M. CÁLCULO DE
deste tenha sido reduzido em tais casos. DETALHAMENTO DE ESTRUTURAS USUAIS DE
Ao final, o presente estudo estabeleceu um intervalo de CONCRETO ARMADO. São Paulo: Pini, 2009. 2 v.
combinações técnicas que visam facilitar o estudo da Costa, L. (2012). ESTUDO COMPARATIVO ENTRE
viabilidade de um empreendimento similar na região de DUAS CONCEPÇÕES ESTRUTURAIS DE UM
Sinop – MT, de modo a garantir máxima economia MESMO EDIFÍCIO. Trabalho de Conclusão de Curso,
quanto aos elementos da superestrutura. Como no Graduação em Engenharia Civil, Departamento de
ramo da construção civil não é possível generalizar as Engenharia Civil, Universidade do Estado de Santa
quantificações dos empreendimentos – devido à Catarina. Joinville/SC.
distinção existente entre projetos -, sugere-se a
continuidade de pesquisas no assunto abordado. Fusco, P. B. TECNOLOGIA DO CONCRETO
ESTRUTURAL. São Paulo: Pini, 2008.
Agradecimentos
Giongo, J. S. (fev. de 2007). CONCRETO ARMADO:
Agradeço primeiramente a Deus, pois sem Ele nada PROJETO ESTRUTURAL DE EDIFÍCIOS. São
seria possível. A minha família: meus pais, Marlene Carlos/SP.
Adelaide Soares e Otavio Lanini; meus irmãos, Núbia
Taísa Soares Lanini e Diogo Cristiano Soares Link; ao Mesquita Filho, J. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO
meu cunhado e meu afilhado, João Felipe Alves da CONCRETO ARMADO.
Cruz e João Pedro Lanini da Cruz, por todo suporte e
Pinheiro, L. M. (maio de 2007). FUNDAMENTOS DO
incentivo. Ao meu namorado, amigo e companheiro,
CONCRETO E PROJETO DE EDIFÍCIOS. São
Luis Felipe Isoton Novelli, pelo apoio, paciência e
Carlos/SP.
suporte. Aos professores que contribuíram em minha
trajetória acadêmica, e em particular ao meu professor, Ribeiro, J. F. (dez. de 2010). ESTABILIDADE GLOBAL
orientador e amigo Dro Roberto Vasconcelos Pinheiro EM EDIFÍCIOS: ANÁLISE DOS EFEITOS DE
pelo esforço e incentivo, a fim de garantir o SEGUNDA ORDEM NAS ESTRUTURAS DE
aprendizado e futuro sucesso profissional. E CONCRETO. Trabalho de diplomação (Graduação em
finalmente, a Universidade do Estado do Mato Grosso Engenharia Civil) – Departamento de Engenharia Civil,
pela oportunidade acadêmica de conquistar, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
orgulhosamente, o diploma de Engenharia Civil. Alegre/RS.
Referências Silva, R. L. (dez. de 2011). PROJETO
ESTRUTURAL DE EDIFÍCIOS COM CONCRETOS DE
ALTOQI. [1]. (S.d.). Sobre o ALTOQI Eberick V9.
DIFERENTES RESISTÊNCIAS À COMPRESSÃO:
Acesso em: 10 de agosto de 2015. Disponível em:
COMPARATIVO DE CUSTOS. Trabalho de
<http://www.altoqi.com.br/software/projeto-
diplomação, Graduação em Engenharia Civil –
estrutural/eberickv9#sobre-o-eberick>.
Departamento de Engenharia Civil, Universidade
Araújo, J. M. (maio de 2010). CURSO DE CONCRETO Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS.
ARMADO. Rio grande: Dunas. v.2, 4.ed.
Spohr, V. H. (2008). ANÁLISE COMPARATIVA:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS SISTEMAS ESTRUTURAIS CONVENCIONAIS E
TÉCNICAS. NBR 6118 – Projeto de estruturas de ESTRUTURAS DE LAJES NERVURADAS.
concreto – Procedimento . Rio de Janeiro, maio 2014. Dissertação de Mestrado, Centro de tecnologia,
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil,
______. NBR 6120 – Cargas para o cálculo de Universidade Federal de Santa Maria. Santa Maria/RS.
estruturas de edificações. Rio de Janeiro, nov. 1980.
______. NBR 6123 – Forças devidas ao vento em
edificações. Rio de Janeiro, jun. 1988.