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1. O que é filosofia?

Esta é uma questão muito complexa e de resposta muito difícil se levarmos em


conta o larguíssimo escopo de assuntos que a filosofia aborda e já abordou e as muitas
divisões e subdivisões as quais a filosofia sofreu ao longo de 2500 anos de tradição.
Mas, pessoalmente, acredito que filosofar é questionar e a filosofia está
diretamente ligada a um questionamento racional do mundo. O filósofo se indaga e
busca respostas. Formula e analisa conceitos e os expõe à crítica.
Filosofia é também diálogo. Busca conjunta de conhecimento, com um
companheiro de carne e osso ou com um livro. A meu ver, um dos maiores expoentes
acerca daquilo que é filosofar e daquilo que é a filosofia continua sendo Sócrates.
Caminhando por Atenas se indagando e indagando aos outros, fazendo-os indagar, olhar
com outros olhos ou olhar pela primeira vez algo com o que conviviam irrefletidamente.
Filosofia é também iluminar pressupostos, apontar preconceitos, questionar
neutralidades. A filosofia fornece ao interessado nela ferramentas para que possa
desconstruir e reconstruir/modificar a rede de conceitos na qual sempre já vivemos
envoltos. A filosofia afia a espada do intelecto, a arma da crítica, e permite que
horizontes sejam abertos, possibilidades sejam percebidas.
Filosofar é também lidar com o possível e, por isso, em muitos casos, perder o
chão, perder o apoio e começar a tentar andar com as próprias pernas. Quem não tem
um campo de batalha na alma nunca saberá o que é filosofia. Lerá livros, citará autores,
mas nada disso lhe dirá algo, realmente. Para aqueles que sabem, ou julgam saber, o
filósofo não parece mais do que um louco ou uma criança. A filosofia jamais será uma
profissão, filosofia é um modo de ser. Um modo de existir no mundo, um modo de olhar
pro mundo, um modo de amar o mundo, um modo de padecer no mundo.

2. O que é ensino/aprendizagem?

A meu ver, o processo de ensino/aprendizagem é algo contínuo na vida de


qualquer pessoa. Não está restrito a uma sala de aula ou a qualquer ambiente formal ao
qual estes termos podem fazer alusão em um primeiro momento. O ensino
aprendizagem é um processo dialético que sempre já está em andamento na vida de
todas pessoas. Inseri-se dentro do processo de socialização ao qual todos os homens
estão sujeitos desde o nascimento até a morte.
Na sala de aula o ensino se dá numa relação dialética entre aluno e professor e
também aluno e aluno. Ensinar não é uma exclusividade do profissional de educação,
mas, como se diz popularmente, a própria vida ensina. Este “ensino da vida” não deve
ser descartado pelo educador, pelo contrário, o principal ensino que um professor pode
fornecer aos seus alunos é ensinar a aprender melhor, principalmente no que tange ao
professor de filosofia, a meu ver. Assim, o professor deve reconhecer a matéria-prima
que o aluno já traz para a sala, o seu aprendizado prévio. O professor deve ser, mais do
que um mestre que despeja conhecimento sobre o aluno, um companheiro que
possibilita que o processo de aprendizagem no qual o aluno sempre já está inserido se
torne mais consciente, mais crítico e se alargue em horizontes mais ricos. Ensinar é,
assim, ensinar a aprender.