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Sociologia 2013.

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Disciplina: Sociologia Clássica I
Profª Elisabete Cristina
Aluno: José Vieira da Cunha Neto

Comunismo
(do latim communis - comum, universal) é uma ideologia política e
socioeconômica, que propõe uma sociedade igualitária, sem classes
sociais e apátrida, baseada na propriedade comum e no controle
dos meios de produção e da propriedade em geral. A causa dos
problemas sociais estaria na propriedade privada e na sua acumulação. A
propriedade privada seria estatizada e o Estado gerido por um Partido
político encarregado de distribuir igualitáriamente a riqueza.
Marxismo
Defende uma sociedade definida por fatores materiais: economia,
biologia, geografia e desenvolvimento científico. Marx se opõe ao
controle do Estado por religiosos, defendendo o poder nas mãos das
classes trabalhadoras. No lugar das ideias os fatos concretos e no lugar
dos grandes heróis, a luta de classes. O núcleo do pensamento de Marx é
sua interpretação do homem, que começa com a necessidade de
sobrevivência humana. A história se inicia com o próprio homem que, na
busca da satisfação de necessidades, trabalha sobre a natureza. Percebe-
se então que "a história é o processo de criação do homem pelo trabalho
humano". A matéria é objetiva. A idéia, subjetiva. A tradição filosófica
idealista (que nasce das idéias) considera normalmente o sujeito e o
objeto, dois seres epistemológicos. No marxismo, esses seres são uma
unidade inseparável. Objeto não existe sem o sujeito e vice-versa.

1) Características do método dialético materialista


Na Grécia antiga dialética = arte do diálogo. Dialética e diálogo possuem a mesma raiz.
Um dos dois elementos principais do marxismo, o materialismo dialético, para o qual a
natureza, a vida e a consciência se constituem de matéria em movimento e evolução
permanente. O materialismo dialético é uma concepção filosófica que defende que o
ambiente, o organismo e fenômenos físicos tanto modelam os animais, os seres
humanos, a sociedade e a cultura, quanto são modelados por eles. Ou seja, a matéria
está em uma relação dialética com o psicológico e com o social. Se opõe ao idealismo e
a sociedade com base no mundo das ideias (criações divinas ou sobrenatural). A análise
dialética (o modo de ver as contradições da sociedade e que dá transparência às
relações, aos processos e as estruturas capitalistas), funda-se nas relações de
antagonismo que ocorreram em todas as épocas históricas e que aparecem em todos os
modos de produção. O princípio da contradição governa o modo de ser e de pensar. O
que torna necessária a análise dialética é que as coisas não são transparentes e muitos
menos quando elas são as relações capitalistas de produção. A autoconsciência somente
é possível no espelho do outro.

2) Argumentos da base materialista de Marx


A matéria ou mundo material precede o conhecimento, a razão, o espírito e a cultura.
Isto significa que o mundo material existe independentemente do conhecimento e o
mundo material é o pressuposto da própria existência do sujeito concreto. O
materialismo é a filosofia do marxismo. Na luta contra o feudalismo, o materialismo foi
à única filosofia consistente, fiel as ciências naturais e hostil as beatice e supertições.
Marx defendeu resolutamente o materialismo filosófico. Este posicionamento é
caracterizado pela inflexão antropológica que Feuerbach imprime a algumas categorias
herdadas de Hegel: “a situação material em que o homem vive é que o cria”. No
materialismo histórico, a partir do trabalho, o homem transforma a natureza e cria uma
vida social, reproduzindo assim, sua existência. No materialismo dialético é pensamento
e realidade a um só tempo, a materialização do pensamento, onde Marx postula que as
leis do pensamento precisam corresponder às leis da realidade.

3) Características do Materialismo Histórico


Para o materialismo histórico o modo de produção é a base originária dos fenômenos
históricos e sociais. Materialismo Histórico explica o processo do desenvolvimento
humano através do trabalho: as pessoas fazem, criam, fabricam, inventam, modificam e
alteram a história e a sociedade. Isso é assim porque o Materialismo Histórico postula
que a humanidade tem necessidades, e a maioria delas não são satisfeitas pela natureza,
desse modo, a humanidade adapta a natureza as suas necessidades biológicas ou sociais
através da história. Ao modificar a natureza, os seres humanos organizam-se o que
repercute em suas consciências. A própria natureza humana é criada por eles mesmos.
Marx utiliza o método dialético para explicar as mudanças importantes ocorridas na
história da humanidade através dos tempos. O materialismo histórico de Marx foi a
maior conquista do pensamento científico. Ao estudar o fato histórico, ele procurava
seus elementos contraditórios, buscando o elemento responsável pela sua transformação
no novo fato que alimenta a continuidade ao processo histórico. Teses do Materialismo
Histórico: 1) O modo de produção da vida material condiciona a vida social, política e
intelectual. Ex: Surgimento da Sociologia no século XIX; Por que não antes? 2) As
relações de produção correspondem a um certo desenvolvimento das forças produtivas
materiais; 3) Em certo estágio do desenvolvimento, as forças produtivas materiais da
sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, se tornam o
entrave e surge a revolução social.

4) Fontes do marxismo (clássica)


Sua doutrina, uma síntese do pensamento alemão, do pensamento inglês e do
pensamento francês, dando continuidade direta e imediata àquelas doutrinas dos mais
eminentes representantes da filosofia alemã, economia política inglesa e do socialismo
francês. A Filosofia clássica alemã de Hegel o conduziu ao materialismo de Feuerbach,
com a dialética e a teoria da evolução. O fim lógico proposto por Marx estendeu-o da
natureza para a sociedade humana. Terminava o caos e a arbitrariedade que reinavam
até então nas concepções de história e de política. A Economia política inglesa clássica
de Adam Smith e David Ricardo o conduziu à consciência que o regime econômico é a
base sobre a qual se ergue a superestrutura política. Onde se via troca de objetos, Marx
viu relações entre homens.
Socialismo utópico francês criticava e condenava a sociedade capitalista, mas não
sabiam explicar a escravatura assalariada. As revoluções junto com a queda do
feudalismo evidenciavam para Marx, que era a luta de classe a base, a força motriz do
desenvolvimento.
5) Relação entre infra e supraestrutura
As relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. A base material
ou econômica constitui a "infraestrutura" da sociedade, que exerce influência direta na
"super-estrutura". A base material é formada por forças produtivas e por relações de
produção. Porém, devem ser interpretados como uma dialética. Não se pode analisar um
separado do outro, no caso, a infraestrutura separada da superestrutura. Por serem uma
relação, um só existe tal como é, por existir o outro. Um no plano material e outro no
plano ideal. Infraestrutura = base econômica da sociedade. Composta pelas forças
produtivas e pelas relações de produção. Superestrutura é composta da estrutura
jurídico-política representada pelo Estado, pelo direito, e pelos aperelhos repressivos. É
a estrutura ideológica, referente às formas de consciência social (religião, educação,
filosofia, ciência, arte e leis).

6) Relevância da luta de classes como motor da história


No socialismo utópico francês ninguém sabia como explicar a natureza da escravatura
assalariada nem descobrir as leis de seu desenvolvimento para encontrar a força social
capaz de criar a nova sociedade. As revoluções geradas pela queda do feudalismo
mostravam que era a luta de classes a força motriz do desenvolvimento social. No
processo histórico, essas contradições geradas pelas lutas entre as diferentes classes
sociais são evidentes nas relações entre proprietário e não-proprietário ou nas relações
entre não-proprietários e os meios e objetos do trabalho.Trabalho humano é o eixo
fundamental da economia para Marx. Colocando o trabalho do homem como
protagonista do desenvolvimento revelava então ao mundo a verdadeira situação do
proletariado no regime capitalista.

7) Significado do modo de produção


O modo de produção é uma forma de organização socioeconômica ligada ao
desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção. Desde a antiguidade
até a Revolução Industrial (Século XVIII), o trabalho sempre foi feito de forma
artesanal, manual, por escravos, trabalhadores servis, ou trabalhadores livres. O modo
de produção nunca mudou. O trabalho sempre foi braçal e as poucas ferramentas usadas
sempre foram às mesmas.
As forças produtivas referem-se à ação dos homens sobre a natureza. Corresponde a
tudo aquilo que é utilizado pelo homem no processo de produção. Principais elementos
constitutivos das forças produtivas que se articulam entre si: Força de trabalho (sujeito
ativo ou trabalhador); Objeto de trabalho (sobre o qual atua a força de trabalho); Meios
de produção (instrumentos empregados pelo trabalhador para transformar o objeto de
trabalho). As relações de produção já dizem respeito às interações entre os homens
estabelecidas no processo de trabalho (durante as atividades produtivas), conforme a
divisão de trabalho. Manifestam-se em três dimensões ou níveis: a) relações de
propriedade; b) relações de distribuição e de troca; c) relações de trabalho.

8) Articulação entre divisão do trabalho, propriedade privada e processo de


alienação
Há uma determinante recíproca entre alienação, antagonismo e revolução. A mercadoria
exprime em última instância, uma relação de alienação entre o operário e o patrão. Na
medida em que apenas a força do trabalho cria valor, é a energia humana que
socialmente se cristaliza em objeto social: a acumulação do capital só é possível pela
expropriação. O segredo da acumulação está na mais valia. A absoluta diz respeito a um
volume de horas além da capacidade natural de trabalho do ser humano para sua
sobrevivência e reprodução. A mais valia relativa refere-se à introdução de
equipamentos e tecnologias no processo industrial para amplificar a produção industrial,
e consequentemente passar a agregar volumes cada vez maiores de mais valia. A mais
valia revela uma relação determinada pela alienação e antagonismo pelo modo de
produção. O conceito de alienação de Marx é o elo que faltava para compreender o
trabalho alienado que se refere às manifestações de estranhamento do homem em
relação à natureza, a si mesmo, ao seu próprio ser e aos outros: a) O homem alienado da
natureza (alienação da coisa); b) O homem alienado de si mesmo (autoalienação); c) O
homem alienado de seu ‘ser genérico’ (como membro da espécie humana); d) O
Homem alienado do homem (dos outros homens).

9) Fetichismo da mercadoria e processo de reificação


A análise dialética ao mesmo tempo constitui e transforma o objeto. Adere
destrutivamente o objeto, na medida em que desvenda e desmascara os seus
fetichismos, as suas contradições e os seus movimentos. Uma mercadoria é algo
misterioso simplesmente porque, nela, o caráter social do trabalho dos homens aparece
como uma característica objetiva, estampada no produto deste trabalho. Seu valor é uma
relação social definida entre os homens. Uma analogia: no mundo religioso o cérebro
humano aparece como um ser independente, dotados de vida própria e entrando em
relações, tanto entre si quanto com a espécie humana. O mesmo acontece no mundo das
mercadorias com os produtos nas mãos dos homens. As pessoas agem como coisas, e
tratam as coisas, como pessoas. Disso resulta que a mercadoria mesma (ou o mercado)
parece determinar a vontade do produtor, e não o contrário. Marx também argumenta
que a economia política clássica não pode sair do fetichismo da mercadoria, pois
considera a produção de mercadorias como um dado natural e não como um modo de
produção histórico e, portanto, transitório. O processo de reificação literalmente
significa ‘transformar uma ideia em uma coisa’. Operação mental que transforma
conceitos abstratos em realidades concretas. No marxismo, o conceito designa uma
forma particular de alienação, característica do modo de produção capitalista. Implica a
coisificação das relações sociais, de modo que a sua natureza é expressa através de
relações entre objetos de troca.

10) Concepção da filosofia da práxis


A crítica de Marx ao materialismo é que este esquece que as circunstâncias são
transformadas precisamente pelos seres humanos; enquanto o idealismo esquece que o
educador precisa, ele próprio, de ser educado. Então, necessariamente, para mudar os
homens, o idealista educador quer introduzir suas ideias de cima para baixo; enquanto o
materialista quer alterar as circunstâncias de fora para dentro, reproduzindo ambos
assim a estrutura da sociedade de classes (a exploração do homem pelo homem). Neste
ponto, Marx introduz o seu conceito de práxis revolucionária: coincidir a transformação
das circunstâncias com a atividade humana. A práxis revolucionária é uma atividade
teórico prática em que a teoria se modifica constantemente com a experiência prática,
que por sua vez se modifica constantemente com a teoria. A práxis é entendida como a
atividade de transformação das circunstâncias, as quais nos determinam a formar ideias,
desejos, vontades e teorias. Simultaneamente, nos determinam a criar na prática novas
circunstâncias, de modo que nem a teoria se cristaliza como um dogma e nem a prática
se cristaliza numa alienação. Pode-se dizer que o conceito de práxis revolucionária é
uma relação entre teoria e prática coerente com a ideia de Marx de uma sociedade sem
exploração, uma livre associação de produtores.