CONTRATOS EM ESPÉCIE

POR: CAROLINA SARDENBERG SUSSEKIND CRISTIANO CHAVES DE MELO LAURA FRAGOMENI

2ª EDIÇÃO

ROTEIRO DE CURSO 2010.1

Contratos em Espécie
introdução .................................................................................................................................................. 03 1.1. AulA 1: clAssificAção dos contrAtos. elementos essenciAis. ........................................................................... 06 1.2. AulA 2: contrAto de comprA e VendA ............................................................................................................. 10 1.3. AulA 3: contrAto de comprA e VendA (cont.)- cláusulAs especiAis dA comprA e VendA .......................................... 26 1.4. AulA 4: trocA ou permutA. contrAto estimAtório........................................................................................... 31 1.5. AulA 5: doAção .......................................................................................................................................... 33 1.6. AulA 6: contrAto de locAção. locAção de coisAs. ............................................................................................ 38 1.7. AulA 7: contrAto de locAção (locAção de prédios urbAnos –– locAção residenciAl) ........................................... 43 1.8. AulA 8: contrAto de locAção ....................................................................................................................... 48 1.9. AulA 9: empréstimo (comodAto) ................................................................................................................... 52 1.10. AulA 10: empréstimo (mútuo)..................................................................................................................... 57 1.11. AulA 11: prestAção de serViços. empreitAdA ................................................................................................ 61 1.12. AulA 12: depósito ..................................................................................................................................... 64 1.13. AulA 13: mAndAto ..................................................................................................................................... 67 1.14. AulAs 14 e 15: comissão. AgênciA e distribuição (representAção comerciAl)..................................................... 71 1.15. AulA 16: Análise de contrAtos ................................................................................................................... 92 1.16. AulA 17: licençA e cessão de mArcAs............................................................................................................ 93 1.17. AulAs 18 e 19: Jogo e ApostA. seguro.......................................................................................................... 120 1.18. AulAs 20 e 21: fiAnçA. .............................................................................................................................. 125 1.19. AulA 22: trAnsAção. compromisso. ........................................................................................................... 129 1.20. AulAs 23 e 24: leAsing.............................................................................................................................. 137 1.21. AulA 25: resultAdo dA diligênciA.............................................................................................................. 144 1.22. AulA 26: closing! .................................................................................................................................... 147

sumário

CONTRATOs Em EsPÉCIE

INTROduçãO

1.1 Visão Geral Bem-vindo ao Curso de Contratos em Espécie! Esta disciplina é de suma relevância, pois qualquer que seja o ramo do direito que venha a ser escolhido pelo aluno no futuro, seja público ou privado, uma boa base em direito civil, incluindo contratos em espécie, será sempre exigida. Aliás, independentemente do ramo de atividade escolhido, o conhecimento de contratos em espécie é fundamental, tendo em vista que diariamente nos deparamos com inúmeros contratos, seja, no aluguel de um imóvel, em um empréstimo no banco, ou mesmo na simples compra de uma passagem de ônibus. Veremos que o novo Código Civil (Lei nº 10.406/2002) incluiu, no rol de contratos em espécie, contratos que anteriormente eram tratados apenas pelo Código Comercial, como o contrato de comissão, agência e distribuição. Em nossas aulas estudaremos boa parte dos contratos nominados ou típicos, ou seja, aqueles disciplinados no Código Civil, assim como alguns contratos inominados ou atípicos, que, embora não sejam previstos e disciplinados expressamente pela lei, são lícitos e parte do dia-a-dia do intérprete do Direito, como o contrato de leasing e o contrato de cessão de marca.

1.2 objetiVos Gerais O mercado exige, cada vez mais, a participação do advogado como viabilizador do negócio, auxiliando o executivo a negociar o contrato e atuando sempre na advocacia preventiva. Desta forma, nosso objetivo, além de ensinar (é claro), será o de fazer com que o aluno conheça os diversos tipos de contrato e saiba identificar seus requisitos necessários e seus vícios para a conclusão do negócio. Queremos preparar o aluno não apenas para a prova, mas principalmente, provê-lo com as ferramentas (objetivo do curso) que o habilite a identificar as características dos principais contratos do nosso ordenamento jurídico, não só com a abrangência que a matéria requer, mas também com a profundidade necessária de um bom enfoque acadêmico e prático, para que, com isso, ele possa ter um diferencial na sua vida profissional.

1.3 MetodoloGia A metodologia do curso será participativa com exposição dialogada e debates sobre casos propostos. Na próxima aula apresentaremos o caso mestre, que será o fio condutor da disciplina. Por meio dele, os alunos serão convidados a integrar a equipe responsável pela análise de contratos em uma due diligence fictícia. Dessa forma, os alunos terão contato com as diversas espécies de contratos e com os possíveis problemas enfrentados no dia-a-dia de um advogado. Adicionalmente, em todas as aulas serão apresentadas questões, relacionadas ao tema exposto para que sejam debatidas em aula. Para tanto, vale lembrar que: – como todas as aulas serão participativas, a leitura prévia do material didático e da leitura obrigatória é indispensável. – a indicação da bibliografia obrigatória e da bibliografia complementar deve servir de base para o aluno. Espera-se, porém, que o aluno pesquise textos adicionais que possam dar enfoques diferentes ou mais profundos sobre o mesmo tema.
FGV DIREITO RIO 3

0) + trabalho (5. FGV DIREITO RIO 4 . Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data das provas.0 (oito) pontos. salvo orientação distinta por parte do professor. sem comentários ou anotações. somente com remissões a artigos e súmulas dos tribunais superiores. A participação do aluno em aula valerá até 2. adquirido a partir do estudo e de pesquisa. A princípio. um dos principais desafios a serem enfrentados pelos alunos nesta disciplina. (ii) uma prova escrita a ser realizada na última aula do curso.0 (dois) pontos. O aluno que obtiver média inferior a 4.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.0 (quatro) pontos. deverá fazer uma prova final. em casos práticos. A segunda prova valerá de 0 (zero) a 8. A média do aluno será obtida da seguinte forma: Média final = primeira prova (5. e (iv) participação em sala de aula.0 (cinco) pontos e será somada ao trabalho que também valerá de 0 (zero) a 5. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos.0) 2 O aluno que obtiver média inferior a 7.0 pontos na nota da segunda prova. leitura do material indicado. A primeira prova valerá de 0 (zero) a 5.5 Métodos de aValiação O desempenho do aluno na disciplina Contratos em Espécie será avaliado por meio das seguintes atividades: (i) uma prova escrita a ser realizada no início de outubro. conhecimento e discussão dos casos apresentados. a qual será obtida conforme fórmula constante no Manual do Aluno . para elaborar as respostas.Manual do Professor.0 (cinco) pontos.0) + participação (2. Poderá ser atribuído até 2. (iii) um trabalho a ser entregue individualmente pelos alunos. nas quais o aluno deverá demonstrar o domínio da matéria em casos teóricos e práticos. A avaliação por participação será feita com base no interesse demonstrado pelo aluno. 1. conforme a participação do aluno durante o curso.. presença e pontualidade nas aulas.0) + Segunda prova (8. a média de aprovação a ser alcançada é de 6. Participação em aula: Os alunos deverão participar ativamente das aulas. e. Prova escrita: Para ambas as provas o aluno poderá consultar a legislação pertinente. A discussão de casos em todas as aulas servirá justamente para estimular o aluno a pensar a teoria na prática. As provas serão compostas de até cinco questões.0 (seis) pontos.0 (quatro) estará automaticamente reprovado na disciplina. Para os alunos que fizerem a prova final.0 (sete) e superior ou igual a 4. a primeira prova será realizada na primeira semana de outubro e a segunda prova será realizada na semana de 21/11 a 24/11.4 desafios Tendo em vista o grande número de contratos no Código Civil e a abrangência da matéria. é saber aplicar o conhecimento teórico. que será somado na segunda prova.

conforme os casos apresentados durante as aulas. FGV DIREITO RIO 5 . Os pontos adicionais serão somados à nota da segunda prova. o professor poderá propor atividades adicionais que valerão 0. Caso haja modificação no cronograma que implique em alteração na data da entrega do trabalho.5 (meio ponto) cada uma.CONTRATOs Em EsPÉCIE trabalho: Na segunda semana de novembro. as formas de solucioná-los. 1. cada aluno deverá apresentar relatório apontando os problemas encontrados na diligência legal. nova data e horário serão divulgados com antecedência para os alunos. seus riscos e.6 atiVidades CoMPleMentares Dependendo do andamento das aulas. Ao longo do curso serão fornecidas mais informações sobre como elaborar o trabalho. quando possível.

b) existência e validade do contrato Sendo o contrato um negócio jurídico. Aspectos Controvertidos do Novo Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Saraiva. 27 a 48. 1 Rever aula 2 do curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. 2005. 2003. Arnoldo. 1. Direito Civil. Saraiva. Existência e validade do contrato. 1. Rio de Janeiro: Forense.1. biblioGrafia CoMPleMentar: • WALD. analisaremos os elementos e requisitos para existência e validade do contrato e a classificação dos contratos. 30 a 35. 1. Nosso curso será voltado ao estudo dos contratos em espécie.1. (iv) revisão dos contratos. AulA 1: ClASSIfICAçãO dOS CONTRATOS. São Paulo: Ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Caio Mário da Silva. ElEmENTOS ESSENCIAIS.1. A evolução do contrato no terceiro milênio e o novo Código Civil. Hoje. (ii) interpretação dos contratos. – forma. Instituições de Direito Civil. In ARRUDA Alvim.1. – idoneidade do objeto. (iii) formação dos contratos. 1. porém. • PEREIRA.3. vol. quando da substância do ato. biblioGrafia obriGatória: • RODRIGUES. Classificação dos contratos. • AZEVEDO.1. vol. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.1. Silvio. aprenderam os seguintes tópicos: (i) princípios da nova teoria contratual.2. roteiro de aula a) introdução No semestre passado. págs 59 a 77. e (v) extinção dos contratos. 3. 2002..4. Antonio Junqueira de. págs. os alunos tiveram oportunidade de fazer o curso de Teoria Geral das Obrigações e dos Contratos. FGV DIREITO RIO 6 . eMentário de teMas: Introdução. a ele são aplicáveis os mesmos elementos constitutivos e os pressupostos de validade do negócio jurídico1. 2002. São elementos constitutivos: – vontade manifestada por meio de declaração. Validade e Eficácia. Dentre outros. Negócio Jurídico – Existência. págs. Joaquim Portes de Cerqueira César e Roberto Rosas (coord). III.

Qual é a importância de distinguir o contrato comutativo do aleatório? [ii – classificação dos contratos quanto ao seu aperfeiçoamento:] – Consensuais e reais O contrato consensual não requer a entrega do bem para aperfeiçoamento do contrato. – objeto lícito. Exemplo: contrato de compra e venda de bem móvel. Já os contratos gratuitos envolvem sacríficio econômico para apenas uma das partes e consequentemente vantagem patrimonial a apenas uma delas. Qual é a importância de distinguir o contrato gratuito do oneroso?– Comutativos e aleatórios Essa distinção aplica-se apenas aos contratos bilaterais e onerosos. mas recomendamos que o livro de Caio Mario da Silva Pereira2 também seja estudado. possível. determinado ou determinável. FGV DIREITO RIO 7 .CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso um desses elementos não esteja presente. Nesta aula usaremos por base a metodologia de Silvio Rodrigues. C) Classificação dos contratos Qual é o objetivo de classificar os contratos? Embora haja consenso na doutrina sobre boa parte da classificação dos contratos. Os requisitos de validade estão previstos no art. Já no contrato real. o contrato em si é um ato bilateral. 2 Conforme bibliografia complementar. conforme o ponto de observação do estudo. exige apenas o consentimento das partes. O donátario recebe algo do doador e nada lhe dá em retorno. Relacionamos abaixo alguns exemplos: [i – classificação dos contratos quanto a sua natureza:] – Unilaterais e bilaterais Afinal. Estando ausente algum desses requisitos. o mero acordo entre as partes não é suficiente para constituir o contrato. cada autor tem um enfoque diferente ao tratar dessa matéria. certo? Como podemos dizer que um contrato é unilateral? Qual é a importância de distinguir o contrato unilateral do bilateral? – Onerosos e gratuitos Os contratos onerosos envolvem sacrifícios e vantagens patrimoniais a ambas as partes. O exemplo tradicional de contrato gratuito é a doação sem encargo. o contrato será nulo ou anulável O elemento novo e inerente ao contrato é o acordo entre duas partes sobre determinado assunto. Uma mesma espécie de contrato pode ser classificada de inúmeras maneiras. no máximo. 104 do Código Civil: – agente capaz. o negócio jurídico nem mesmo existirá. – forma prescrita ou não defesa em lei. o que ocorre é uma promessa de contratar.

Inominados ou atípicos são os contratos que. 462 a 644 da Lei nº 10. no mútuo. As peculiaridades do contrato preliminar estão previstas nos arts. nulo será o contrato acessório. O contrato definitivo pode ter vários objetos.406/2002). 425 da Lei nº 10. são permitidos quando lícitos. apesar de não estarem disciplinados em lei. por sua vez. não há forma prescrita em lei para que sejam válidos. se o contrato principal é nulo. [iv – classificação dos contratos quanto ao seu relacionamento com os demais contratos:] – Principais e acessórios O contrato que independe de outro para existir é o contrato principal. existe em função de outro contrato. 108 da Lei nº 10. trata-se do contrato que trata do assunto definitivamente. por exemplo.406/2002). o contrato não se aperfeiçoa por mais que haja um contrato entre mutuante e mutuário.406/2002. Qual é a importância de distinguir o contrato solene do não solene? [iii – classificação dos contratos quanto a sua sistematização:] – Nominados e inominados Nominados são os contratos previstos e regulados por lei. Como pela regra geral.CONTRATOs Em EsPÉCIE Isso ocorre. Como diz o próprio nome. não é verdadeira. O contrato acessório. A fiança é um bom exemplo de contrato acessório ao contrato de locação. [v – classificação dos contratos quanto ao momento de sua execução] – Execução instantânea e de execução diferida no futuro Qual é a importância de distinguir o contrato de execução instantânea do contrato de execução diferida no futuro? [vi – classificação dos contratos quanto ao seu objeto] – Definitivo e preliminar O contrato preliminar tem sempre como objeto a realização de um contrato definitivo. ou seja. já que o contrato principal sobrevive sem o contrato acessório. FGV DIREITO RIO 8 . A recíproca. alguns casos em que o legislador achou por bem determinar forma para a validade do ato. Há. o acessório segue o principal. porém. É o caso do contrato de compra e venda de imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país e que tem que ser feito por escritura pública (art. – Solenes e não solenes Geralmente os contratos são não solenes. se o mutuante não empresta o dinheiro ao mutuário. em razão do princípio da autonomia da vontade (art. conforme a espécie de contrato. no entanto.

d. Efetivamente existente.CONTRATOs Em EsPÉCIE [vii – classificação dos contratos quanto à maneira como são formados] – Paritários e de adesão Ao contrário do contrato paritário. 1.6.1. ou seja. Que tem por objeto coisas corpóreas. Os artigos 423 e 424 mostram a preocupação do legislador em tentar preservar o aderente. b. aquele que não pôde negociar as cláusulas do contrato.5. As regras foram previamente estipuladas por uma das partes. cabendo a outra parte aceitá-las ou rejeitá-las em sua totalidade. no contrato de adesão não há espaço para negociação. Em que a entrega da res é pressuposto da sua existência.1ª fase) o contrato real é um contrato: a. questões de ConCurso (Prova: 10º exame de ordem . c. joGo – disCussão eM sala de aula Contrato/ Classificação Unilateral Bilateral Oneroso Gratuito Comutativo Aleatório Consensual Real Solene Não solene Nominado Inominado Principal Acessório Execução Instantânea Execução diferida no futuro Definitivo Preliminar Paritário De adesão Compra e Venda locação doação Empréstimo fiança mandato fornecimento de energia FGV DIREITO RIO 9 .1. Formal. no qual as partes discutem os termos do negócio. 1.

99-121. São Paulo: Quartier Latin. a pequena empresa de Eduardo e Mônica foi experimentando um contínuo sucesso e o negócio foi crescendo junto com seus filhos gêmeos. São Paulo: Ed.4. conseguiu convencê-los de que se tratava de uma chance de ouro para a família. Fusões e aquisições: aspectos jurídicos e econômicos. AulA 2: CONTRATO dE COmPRA E VENdA 1. In SADDI. Cerca de dez anos após o começo das atividades. com três lojas e um armazém. • ABLA. Um velho comerciante de Brasília resolveu aposentar-se e voltar a morar com a filha.2..2.3. vol. de uma maneira geral. rapidamente ocupou um lugar cativo na vizinhança e a freguesia se tornou cada vez mais fiel. Rodrigo R. Silvio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Jairo (org. em Brasília. Reorganização societária. Sérgio Varella. Com o passar dos anos.). Com o passar do tempo. Sucessão Empresarial – Declarações e Garantias – O Papel da Legal Due Diligence. e sempre foi capaz de enxergar uma boa oportunidade. 2002. 2002. 481 a 504 da Lei nº 10. Maria Lúcia sempre teve tino para os negócios. O que começou com uma loja de conveniência. Leandro Santos de (coords. In CASTRO. foi brindada com uma oportunidade de expansão dos seus negócios. BRUNA. na década de 80. Direito Civil. Edmundo. 137 a 169. Due diligence – identificando contingências para prever riscos futuros. o senhor Eduardo ampliou seus negócios e hoje é sócio majoritário de uma sociedade que possui uma modesta rede de supermercados. dona Mônica.2. a Pechincha Comércio Varejista Ltda. transferindo o fundo de comércio para a Pechincha Ltda. 3. no interior de São Paulo.2. vendendo-lhes algumas posses. que visava atender apenas a região. Saraiva.). 2005.406/2002. São Paulo: IOB. • RODRIGUES. abriram o primeiro mercadinho. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. ARAGÃO. págs. Caso Gerador O Sr.2. FGV DIREITO RIO 10 . eMentário de teMas: Introdução – Natureza Jurídica – Elementos – Despesas do Contrato e Garantia – Riscos da Coisa – Limitações à Compra e Venda – Regras Especiais 1. Monteiro de. porém.2. alugando outras e. págs. e recebeu autorização deles para iniciar as conversas com o interessado. 1. sendo que antes decidiu conferir a Eduardo e Mônica a condução dos seus negócios. Jeremias e Maria Lúcia. biblioGrafia obriGatória: • Arts. o senhor Eduardo foi paulatinamente transferindo a administração de seus negócios para seus filhos. biblioGrafia CoMPleMentar: • NEJM.1. A partir de então. págs. 1. 205-219. Eduardo e sua mulher. Maristela Sabbag. Dessa forma. mesmo diante da resistência inicial de seus pais e seu irmão. quando nosso cliente a procurou para lhe fazer uma proposta de compra da Pechincha Ltda.

quais são os riscos a que estaria submetido. motivo que o levou a se interessar pela Pechincha Ltda. muitas vezes é elaborado um relatório descrevendo a situação da empresa. a transferência do domínio só ocorre com a tradição (entrega) do bem. O resultado de uma diligência legal pode determinar o sucesso ou não da operação e geralmente influi no preço a ser pago. presidida pelo senhor Odin Heiro. Isso normalmente se dá por meio de uma análise de todas as operações da empresa.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nosso cliente. e a escassez de bons supermercados na região. na qualidade de advogado da Grana Certa S/A. compramos um chiclete na barraquinha. bem como de uma tentativa de identificação de suas dívidas ou passivos mais relevantes.? Quais os riscos que. chamado de critério de materialidade. trabalhistas. por si só. se o fizer. considerando o negócio por ela desenvolvido. destacando todos os pontos e questões identificados durante o processo de diligência legal e que podem afetar a situação financeira e legal da companhia.2. Como você. quando saímos para jantar. você concentraria mais sua atenção? Que problemas você vislumbra que ela pode ter nos contratos existentes? 1. são regulados também pelas disposições do contrato de compra e venda. ambientais etc. Para tanto. no caso de 3 Dependendo do tamanho da empresa. o domínio do bem alienado. Coube a nós.5. nosso primeiro trabalho será realizar uma due diligence ou diligência legal ou auditoria jurídica na companhia Pechincha Ltda. sendo que outros contratos. deveremos solicitar todos3 os contratos da empresa a ser adquirida. a obrigação de pagar o preço ajustado. cíveis. Além disso. Em nosso dia-a-dia realizamos inúmeras operações de compra e venda. contratos e demais áreas que envolvam valor igual ou superior ao critério de materialidade. começaria o processo de diligência? Quais seriam os primeiros contratos que você solicitaria ao advogado da Pechincha Ltda. A diligência legal tem por objetivo conhecer os aspectos jurídicos da empresa. a obrigação de transferir a coisa vendida. muitas vezes sem prestar atenção. vamos ao supermercado. sejam eles tributários. com negócios na área atacadista pretende começar a atuar no segmento de distribuição alimentícia. então. a diligência é feita apenas nos processos judiciais ou administrativos. estamos realizando pequenas operações de compra e venda. com o exame criterioso de seus contratos. vislumbrou a possibilidade de expandir ainda mais os negócios. Esse relatório serve de instrumento para que o potencial comprador pondere se deve prosseguir com a aquisição do negócio. não transfere. Porém. Ao fim do processo de diligência legal. ou seja. a tarefa de fazer a diligência legal na área de contratos da Pechincha Ltda. como permuta. e. de forma que os potenciais compradores saibam o que realmente estão comprando. roteiro de aula a) introdução O contrato de compra e venda. verbal ou escrito. O contrato de compra e venda gera: para o vendedor. dada a fidelização da clientela do senhor Eduardo. é a espécie mais comum dos contratos. a companhia Grana Certa Empreendimentos S/A. Nesses casos. os compradores estabelecem um valor base para análise dos aspectos jurídicos. FGV DIREITO RIO 11 . para o comprador. Como de costume em negócios deste gênero. O contrato de compra e venda não gera efeitos reais. Por exemplo. Não é à toa que essa é a primeira espécie a ser tratada pelo Código Civil. que é um investidor profissional.

que envolvem transferência de seu patrimônio. C) elementos: Os elementos do contrato de compra e venda encontram-se destacados em negrito no artigo 482 acima. 1. é necessária a realização de contrato escrito mediante escritura pública e seu registro no RGI para que gere efeitos perante terceiros. quando pura. Existem outros contratos que. formalidade específica para o contrato de compra e venda. Pode-se dizer. em regra. inclusive perante terceiros. Estando ambas de acordo com o objeto e o preço. a observância de determinadas formalidades poderão alterar os efeitos do contrato. sem medo de errar. 481. “Art. e com o registro do título de compra no Registro de Imóveis na hipótese de bem imóvel.406/2002) Os artigos 481 e 482 da Lei 10. um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. embora não formalizada em contrato escrito. não se pode esquecer que. O comprador deve entregar o preço enquanto o vendedor deve entregar a coisa.245 da Lei n° 10.406/2002 dispõem: “Art. [sinalagmático (ou bilateral)] Envolve prestações recíprocas de ambas as partes. desde que as partes acordarem no objeto e no preço”. podemos extrair a natureza jurídica e os elementos do contrato de compra e venda.267 e 1. Importante: o contrato de compra e venda de imóvel realizado por meio de instrumento particular é negócio jurídico existente. válido e plenamente eficaz. Tanto é assim que a compra de um chiclete no baleiro da esquina perfaz uma compra e venda perfeita.CONTRATOs Em EsPÉCIE bem móvel. A compra e venda. A gratuidade da compra e venda. e o outro. Na venda de bem imóvel de valor superior a 30 (trinta) vezes o maior salário mínimo vigente no país. b) natureza jurídica: [consensual e (em regra) não solene] Depende apenas da vontade das partes. necessitam de um determinado registro para que a tradição do bem – apesar de móvel – tenha sua eficácia plena. para algumas espécies de compra e venda. A partir da leitura desses dois artigos. considerar-se-á obrigatória e perfeita. 482. embora não necessitem de formalidades especiais para seu aperfeiçoamento. quais sejam: FGV DIREITO RIO 12 . a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. que só será obrigatória quando prevista especificamente em lei. Cite um exemplo. que a maioria esmagadora das operações de venda é feita sem formalidades específicas previstas em lei. Pelo contrato de compra e venda. expressa na desproporção manifesta entre o valor da coisa transferida e o preço acordado. (arts. desfigura o contrato. o contrato é realizado. mas somente entre as partes. O correspondente gratuito da compra e venda é a doação. [oneroso] Tanto o comprador quanto o vendedor tem prestações a cumprir. Não se exige. Todavia.

mesmo após a tradição do objeto o preço pode estar sujeito a ajustes posteriores. – É possível alienar algo que não existe? Nada impede que seja contratada a alienação de um bem que ainda não existe. Imagine que Eduardo inovou desta vez: comprou-lhe a constelação das Três Marias!!! Ela lhe pergunta quanto vale esse presente. o contrato de compra e venda não transfere o domínio do bem. Por quê? Além disso. todas as coisas que não estejam fora do comércio podem ser objetos do contrato de compra e venda. o preço deve ser pago em dinheiro. ou intangíveis. Tanto é assim.406/2002. A fixação do preço em regra segue o livre consentimento das partes. desde que possam ser determinados objetivamente. as despesas de escritura e registro ficam a cargo do comprador e as despesas com a tradição ficam sob responsabilidade do vendedor. deve haver uma proporcionalidade entre o valor da coisa e seu preço. em certo e determinado dia e local. E agora? Não é possível. Como visto acima. [coisa] Em teoria. Sua amiga. pois senão pode ser considerado uma doação e não uma compra e venda. que só podem ser objetos de venda os bens tangíveis. porém. vedada pela Lei n° 10. ou (iii) índices ou parâmetros. estabelecer que o preço será fixado de acordo com a vontade de apenas uma das partes. Pode o preço. Ou seja. conta que está super empolgada com o presente que ganhou do namorado. ou (ii) taxa do mercado ou da bolsa. a lei permite que o preço não esteja determinado no contrato e que as partes indiquem: (i) terceiro para fixá-lo. 4 Relembrando: Condição potestativa é aquela que é sujeita ao puro arbítrio de uma das partes. o preço não deve ser irrisório. estabelecer regra diversa. As partes podem. O preço deve ser determinado ou determinável. Sendo assim. que é possível alienar um empreendimento imobiliário. entretanto. FGV DIREITO RIO 13 . Os bens imateriais. embora possa ter muito valor sentimental. Como vimos anteriormente. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE [consentimento ] Comprador e vendedor têm que chegar a acordo quanto ao objeto e o preço. de acordo com a combinação das partes. inclusive. no direito brasileiro. mesmo antes da construção dos prédios. não tem qualquer valor econômico. como as marcas e o fundo de comércio. Um pouco constrangido (a) com a situação. [preço] Conforme artigo 481 da Lei n° 10. pois nesse caso seria uma hipótese de condição potestativa4. Mônica. ser ajustado no tempo. também podem ser alienados. você explica que esse presente. Ele representa a obrigação de transferir um bem no presente ou no futuro. Marvin (comprador) e Vital (vendedor) firmaram contrato de compra e venda no qual deixaram de definir o preço. Qual seria um outro exemplo de venda de coisa futura? d) despesas do contrato e garantia Em regra. qualquer fórmula estipulada para fixação do preço é permitida. Por quê? Isso não quer dizer.406/2002. porém.

f) limitações à compra e venda A lei veda que determinadas pessoas participem de compra e venda. Não seria justo. a coisa se deteriora. 5 FGV DIREITO RIO 14 . os bens ou direitos da pessoa jurídica a que servirem. depois de concluído o contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE No contrato de compra e venda à vista. Porém. que o vendedor arcasse com os riscos da coisa. a coisa continua a pertencer ao alienante. até que o comprador lhe dê garantia de que efetuará os pagamentos no prazo ajustado. Qual é? e) riscos da coisa Res perit domino – princípio segundo o qual a coisa perece em poder de seu dono. até o momento de sua efetiva entrega ou registro. o vendedor pode deixar de entregar a coisa. os riscos da coisa correm por conta do vendedor. direta ou indireta. que “até o momento da tradição. no art. Tendo em vista que a celebração do contrato de compra e venda não é suficiente para transferir o domínio da coisa até o momento da tradição (para bens móveis) e do registro (para bens imóveis). Por isso. – juízes. 492. se o comprador torna-se insolvente. até que aquela satisfaça a que lhe comete ou dê garantia bastante de satisfazê-la”. eles não têm legitimidade para realizar determinadas operações. entretanto. Esse princípio foi utilizado pelo legislador ao determinar. tempo e modo acertado. secretários de tribunais. quem tem que cumprir primeiro com sua obrigação: o vendedor ou o comprador? Além disso. Esta hipótese é uma exceção ao princípio da Res perit domino.406/2002: “se. ainda que em hasta pública. No caso. ainda que em hasta pública. arbitradores. os riscos com a coisa correm por conta do comprador quando: – a coisa encontra-se à disposição do comprador para que ele possa contar. juízo ou conselho. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. Essa vedação não resulta da incapacidade das pessoas para realizar essa operação. 477 da Lei nº 10. no caso de venda a termo. – o comprador está em mora de receber a coisa. Isto ocorre nas seguintes situações: – tutores. que foi posta à disposição pelo vendedor no local. os riscos com a coisa são do vendedor. pois neste caso não houve a tradição da coisa. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. Art. marcar ou assinalar a coisa e. Há uma diferença entre elas. peritos e outros serventuários ou auxiliares da Justiça não podem comprar. Essa regra do art. os bens ou direitos sobre que se litigar em tribunal. – houver mútuo acordo entre as partes. testamenteiros e administradores não podem comprar. curadores. sofrendo este os prejuízos. – servidores públicos não podem comprar. mas sim da posição na relação jurídica. em razão de caso fortuito ou força maior. os bens confiados à sua guarda ou administração. uma vez que cumpriu sua parte do contrato. ou que estejam sob sua administração. no lugar onde servirem. ou a que se estender a sua autoridade. e os do preço por conta do comprador”. 495 está em consonância com a previsão da exceção de contrato não cumprido5 estudada anteriormente. – o comprador solicita que a coisa seja entregue em local diverso daquele que deveria ser entregue. ainda que em hasta pública.

ou seja. Venda ad corpus – as partes estão interessadas em comprar coisa certa e determinada. bilateral. entende-se que a referência à medida do terreno é meramente enunciativa.2. ele precisa oferecer aos demais condôminos sua parte pelo mesmo preço e condições pelos quais pretende vender a terceiros. – descendentes não podem adquirir bens do ascendente. oneroso e solene. o comprador não teria esse direito. FGV DIREITO RIO 15 . independentemente da extensão. Oneroso. Consensual. não formal e consensual. No caso de venda ad mensuram. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . O que ocorre se houver mais de um condômino interessado em adquirir a quota parte a ser alienada? G) regras especiais [venda por amostra] Ocorre quando a venda ocorre com base em amostra exibida ao comprador. os bens de cuja venda estejam encarregados. o contrato de compra e venda de imóveis se apresenta da seguinte forma: a.6. o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas”. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir a Fazenda Boa Esperança. desde que dê direito de preferência aos demais condôminos. por vezes essa distinção se faz necessária em razão das regras peculiares a cada uma. ou caso isso não seja possível. [venda ad corpus e venda ad mensuram] Venda ad mensuram – as partes estão interessadas em uma determinada área. sem consentimento expresso dos demais descendentes e do cônjuge do alienante. oneroso. o comprador tem o direito de exigir que a coisa vendida tenha as medidas acertadas e não o tendo pode pedir a complementação da área. c. 503. [defeito oculto nas vendas conjuntas] “Art. caso verifique que as medidas do imóvel adquirido não correspondem exatamente as medidas que constaram do contrato. Embora em alguns casos seja difícil determinar se a venda foi feita ad mensuram ou ad corpus. Esse artigo sofre críticas de importantes autores. Bilateral. Exemplo: Fazendeiro tem interesse em adquirir mil hectares para poder plantar. Consensual. O objetivo do adquirente é comprar uma coisa com determinado comprimento necessário para desenvolver uma finalidade. bilateral. formal e aleatório.1ª fase) Quanto à classificação. oneroso e não solene. Já no caso de venda ad corpus. O comprador tem direito de receber coisa igual à amostra. Nestes casos. ainda que em hasta pública. bilateral. Quais são elas e como esse artigo deve ser interpretado para atenuar as críticas? 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE – leiloeiros e seus prepostos não podem adquirir. b. d. Quais são os motivos pelos quais o legislador resolveu restringir a aquisição pelas pessoas elencadas acima? O condômino de coisa indivisível pode alienar sua parte a terceiros. Nas coisas vendidas conjuntamente. rescindir o contrato de compra e venda.

1ª fase) Com relação ao contrato de compra e venda. antes de vendê-la a um estranho. Ao vendedor. Transfere-se o domínio dos bens móveis. Formal. É válida a venda de ascendente solteiro a descendente. Falta de legitimação. d. NÃO É CORRETO afirmar: a. b. Falta de aptidão intrínseca do agente.1ª fase) A compra e venda de bens móveis é contrato: a. d.2. ainda que haja capacidade. falta de capacidade.1ª fase) A proibição de venda do ascendente aos descendentes sem a concordância dos demais. bastará que a sociedade formule declaração por escrito nesse sentido. que obtém o consentimento dos demais descendentes. dar direito de preferência na aquisição. (Prova: 05º Exame de Ordem . ao desejar vender a sua parte no bem. c. Necessariamente ao comprador b. configura: a. Não se transfere o domínio dos bens móveis. É nula a pactuação firmada que deixa ao exclusivo arbítrio de uma das partes a fixação do preço b. (Prova: 03º Exame de Ordem . O condômino em coisa indivisível. Transfere-se o domínio de qualquer bem imóvel. referentes à sociedade limitada a ser adquirida e. Neste caso. b. 1. Executam-se as obrigações assumidas verbalmente.1ª fase) Considerando-se o instituto da tradição no direito civil. Falta de legitimação.7. a suas controladas e coligadas. Modelo de lista de due diliGenCe DILIGÊNCIA LEGAL Durante a diligência legal serão analisadas cópias dos documentos abaixo discriminados. tanto por tanto. podendo haver disposição em contrário d. podemos afirmar que: a. podendo haver disposição em contrário (Prova: 05º Exame de Ordem . d. b. incapacidade de fato. se for o caso. A título gratuito. FGV DIREITO RIO 16 . Desde que haja capacidade. c. quando da realização de avença c. deve. Na venda “ad mensuram” as referências às dimensões do imóvel são meramente enunciativas. não cabendo demanda quanto a uma eventual diferença nas medições d.1ª fase) A quem cabem as despesas com a escritura de compra e venda de imóvel residencial? a. Comutativo. não existe proibição.NOTA INTRODUTÓRIA: Alguns dos documentos solicitados podem não existir ou não ser aplicáveis à sociedade objeto da diligência legal e. se for o caso. Ao comprador. a todas as suas controladas e coligadas. Necessariamente ao vendedor c.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 27º Exame de Ordem . aos demais condôminos (Prova: 26º Exame de Ordem . c. Unilateral. I .

). acompanhados dos respectivos certificados de averbação no INPI e de registro no Banco Central. incorporação e fusão em que tenha sido parte a sociedade ou tendo por objeto suas quotas. especialmente o de Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. 12. cauções e outros gravames. situação (adimplemento ou inadimplemento). subsidiárias. vencimentos. 5. garantias. Convenção de grupo de sociedades de que a sociedade participe. membros da administração da sociedade que ocupam e/ou ocuparam tais cargos durante os últimos 02 (dois) anos. direito autoral. cópia das publicações exigidas em lei. 20. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de distribuição.ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DA SOCIEDADE: 1. 16. contratos de assistência técnica e/ou contratos de franquia ou outros contratos envolvendo bens de propriedade intelectual eventualmente firmados pela sociedade. Relatório indicando todas as procurações outorgadas pela sociedade (ad judicia e ad negotia).CONTRATOS: 17. depósitos e quaisquer outras operações da sociedade. Opções. 7. 14. prazo e com o fornecimento das respectivas cópias. Todos os Livros Societários da sociedade. bem como as suas respectivas publicações. 19. Lista de endereços completos de todos os escritórios. associação ou “joint venture”. Fornecer lista elaborada pela administração da sociedade contemplando todos os contratos em vigor dos quais a sociedade seja parte signatária ou interveniente. 18. Em caso de cisão ou redução do capital social da sociedade. Contratos de consórcio. bem como respectivas cópias. coligadas. Registro das ações ou quotas de outras sociedades de que participa a sociedade. III . cláusulas estabelecendo proibição de ultrapassar determinado limite entre capital próprio e capital de terceiros (“debt/ equity”) e etc. 6. patentes. desenhos industriais. valor. FGV DIREITO RIO 17 . Planos de Opção de Compra de Ações/Quotas oferecidos aos seus administradores e/ou empregados. se existentes. Organograma societário da sociedade. 4. Contrato constitutivo da sociedade e respectivas alterações contratuais posteriores. incluindo suas funções e responsabilidades. informando objeto. 2. contratos de transferência de tecnologia. Solicitamos que os documentos sejam ordenados e/ou relacionados seguindo a ordem e numeração constante deste check list. 11. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de licença e/ou cessão envolvendo marcas. Certidão de Breve Relatório da Junta Comercial competente. com identificação de seus sócios. 15. 3.CONTRATOs Em EsPÉCIE Se a sociedade mantiver filiais. controladas e demais sociedades nas quais participe. Lista dos nomes dos sócios. 21. bem como Atas de Assembléias ou Reuniões de Sócios. arquivados ou não na sede da sociedade. a fim de agilizar o procedimento de sua identificação e análise. Fornecer cópias dos modelos de contratos-padrão utilizados pela sociedade. representação comercial e de fornecimento (ativo ou passivo) envolvendo a sociedade. 13. II . tendo por objeto as quotas da sociedade. 9. Protocolos de cisão. as certidões a serem providenciadas deverão abranger a matriz e todas as filiais. Informar sobre a eventual existência de inadimplemento de cláusulas contratuais contendo obrigações de caráter econômico-financeiro (tais como cláusulas limitando o futuro endividamento da sociedade. Acordo de Sócios e Aditivos. 8. 10. com comprovantes de arquivamento na Junta Comercial e respectivas publicações. filiais (com os respectivos números de inscrição no CNPJ). Demonstrações financeiras da sociedade. promessas de compra e venda.

40. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de locação. tais como: 31. bem como comprovação de poderes de representação do signatário do garantidor. finalmente. Informar sobre e fornecer cópia dos contratos de empréstimo ou financiamento (inclusive por meio de emissão de valores mobiliários). 31. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária de bem da sociedade ou compra e venda com reserva de domínio.CONTRATOs Em EsPÉCIE 22. Todos os softwares utilizados pela sociedade. 25. 29. cujas cópias deverão ser igualmente fornecidas. Manutenção de software. ou modifiquem seus termos. assistência técnica ou serviços de qualquer outra natureza. Locação de hardware. penhor. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de serviços de publicidade e propaganda. Informação acerca de segredos de negócio de propriedade da sociedade. 37. Informar sobre e fornecer cópia de Notas Promissórias emitidas pela sociedade. 42. 34. Manutenção de hardware. Informamos. Fornecer todas as apólices de seguros contratados. 31.3. Todos os softwares criados pela sociedade. se de conhecimento da mesma. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e.5. caução) em favor da sociedade e respectivas certidões ou. Nomes de domínio registrados pela sociedade. 31.PROPRIEDADE INTELECTUAL: Solicitamos informações e cópias de todos os bens e documentos referentes à propriedade intelectual da sociedade no Brasil e em outros países. que qualquer referência a contratos inclui seus aditivos e anexos. 38. aval) em favor da sociedade. aval) concedidas pela sociedade em favor de terceiros. 41. FGV DIREITO RIO 18 . 23.g. Informar sobre e fornecer cópia de Cartas de Conforto (comfort letters) ou quaisquer instrumentos. que definam o modo de cumprimento de cláusulas contratuais. 30. patentes e/ou desenhos industriais depositados/registrados.g hipoteca. arrendamento mercantil ou comodato de bens imóveis ou móveis. da eventual cessão pelo beneficiário das referidas notas. Processos administrativos e/ou judiciais envolvendo os bens de propriedade intelectual da sociedade. 31.4. Informar sobre e fornecer cópia de compromissos. 31. 28. 24. Informar sobre e fornecer cópia de documento de constituição de garantias pessoais (e. ainda. instrumentos tendo por objeto alienação fiduciária e compra e venda com reserva de domínio. incluindo. com a informação.6. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantia pessoal (e. Marcas. hipoteca. 39. 27. e/ou outros instrumentos de natureza financeira. 33. Obras intelectuais de titularidade da sociedade. Informar sobre e fornecer cópia de contratos de prestação de consultoria.1. Informar sobre e fornecer cópia de documentos de constituição de garantias reais (e. 26. 36. que não tenham sido previstos na presente lista.. acordos laterais etc.g fiança. 31. ainda. Licenciamento de software. 32. Processos administrativos apresentados contra marcas de terceiros no Brasil e/ou no exterior.2. Serviços técnicos. penhor. IV . caução) concedidas pela sociedade em favor de terceiros ou. mas não se limitando a: 35. Desenvolvimento de software. Informar sobre e fornecer cópia de contratos na área de tecnologia da informação. cartas de intenção ou entendimentos com terceiros em que a sociedade figure como parte.g fiança. correspondências.

Relatório atualizado discriminando parcelamentos de tributos da sociedade e/ou participação em programas de recuperação fiscal (“REFIS” ou “PAES” . (vi) documentação apresentada à autoridade fiscal competente discriminando os débitos fiscais incluídos no REFIS e/ou PAES e (vii) prova de quitação de todos os pagamentos até a presente data. já utilizados e a utilizar. a existência de eventuais requerimentos ou questionamentos pendentes quanto aos mesmos.. (ii) início do parcelamento. 49. Certidões negativas relativas ao IPTU. Relatório atualizado identificando todos os eventuais benefícios fiscais e/ou tratamentos fiscais (federais. formalmente protocoladas perante os órgãos da administração tributária. Prova da propriedade dos bens imóveis da sociedade. 54. Caso a sociedade possua bens imóveis: 45. Prova da propriedade dos bens móveis de valor individual acima de R$10. Disponibilizar o LALUR referente ao último ano. declarações. VI – ASPECTOS FISCAIS: 48. Informações sobre aproveitamento de créditos tributários. 51. Certidões negativas do INSS relativas aos bens imóveis da sociedade. (iii) existência ou não de medida judicial que permita a utilização dos créditos. indicando (i) forma do aproveitamento: compensação com outros tributos. tendo por objeto matéria tributária. 52. estadual ou municipal). expedidas pelos Municípios onde se encontram os imóveis da sociedade. acompanhados dos receptivos termos. Qualquer outra documentação que seja relevante e/ou que afete os bens de propriedade intelectual da sociedade. FGV DIREITO RIO 19 . estaduais ou municipais) concedidos à sociedade. estadual ou municipal.CONTRATOs Em EsPÉCIE 43. nos níveis federal.00 (dez mil reais) integrados ao ativo da sociedade. (iv) quantidade de parcelas pagas. cujas decisões foram proferidas nos últimos 5(cinco) anos. (ii) valores envolvidos. com a mesma data do último Balancete que será disponibilizado. com negativa de ônus/servidões/alienações. indicando: (i) tributo parcelado. 55. 46. cartas de representação e/ou outras informações formais prestadas pelos administradores aos auditores. repetição do indébito. As 3 (três) últimas demonstrações financeiras e os 3 (três) últimos Balancetes consolidados da sociedade. Pareceres dos auditores independentes. 50. já em reais. referente aos últimos 05 (cinco) anos. garantias. 53. etc. V . de todos os valores pendentes de tributação eventualmente registrados na parte B e demonstrativo do prejuízo fiscal acumulado e da base negativa da Contribuição Social. 47. (iii) número de parcelas.no âmbito federal.PROPRIEDADES E ATIVOS: 44. Portarias. bem como da ausência de aforamento (enfiteuse). Toda e qualquer documentação relativa a penhores. inclusive certidões atualizadas com filiação vintenária. Consultas fiscais.000. (v) garantia oferecida. para fins de auditoria. direitos de retenção ou qualquer outra forma de restrição de qualquer natureza sobre qualquer ativo da sociedade listando tais ativos e os relacionando aos respectivos processos judiciais ou administrativos. dos registros de imóveis competentes.) relacionada ao regime especial e/ou benefício fiscal concedido à sociedade até a presente data. etc. com a indicação. utilização de créditos extemporâneos. envolvendo a sociedade. ainda. Fornecer toda documentação (Instruções Normativas. Informar.

contestação. com a indicação de: (i) tributo envolvido. sentenças. expedidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Certidão de Quitação do FgTs. 59. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais intimações. inspeções ou investigações realizadas. Composição analítica das principais contas que compõem depósitos judiciais e provisões para contingências fiscais e suas correlações com os processos fiscais administrativos e judiciais em andamento. 65. Secretaria Estadual de Fazenda e Secretaria Municipal de Fazenda indicando os processos administrativos. relativamente a tributos federais. 60. (v) valores envolvidos (atualizados ou em UFIR). FGV DIREITO RIO 20 . Estadual e municipal. recursos e acórdãos. favor solicitar as certidões aplicáveis também em relação ao(s) antigo(s) endereço(s). Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais processos de desapropriação em que a sociedade figure como autora. abrangendo feitos Cíveis. Fornecer originais de Certidões atualizadas passadas por todos os Cartórios de Protestos das comarcas onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Fornecer originais de Certidões atualizadas do INss (CND). IPI. Relatórios: 62. CSLL. as duas últimas para cada estado ou município onde a sociedade possui estabelecimentos.e. ainda não inscritos em dívida ativa. Criminais e Fiscais. 63. passadas em nome da sociedade. execução ou cumprimento. (iv) andamento (status) atualizado.. 64. Fornecer originais de Certidões atualizadas dos cartórios distribuidores de ações da Justiça Federal. Certidões dos Cartórios de Protestos de Letras e Títulos). Caso tenha havido alteração de sede nos últimos 05 (cinco) anos. inicial. despachos. em nome da sociedade. Falências e Concordatas (i. bem como de relatório emitido pela Secretaria da Receita Federal. Criminais e Fiscais e Certidões da Justiça Estadual dos Distribuidores Cíveis e Fiscais e Certidões dos Distribuidores da Justiça do Trabalho).. ainda. tais como. 58. pendentes de julgamento. judiciais e administrativos. judiciais e administrativos em que a sociedade seja parte ou tenha interesse. (iii) objeto e fundamentos do pedido. PIS). Justiça Estadual e Justiça do Trabalho das comarcas da matriz e onde a sociedade mantém estabelecimentos ou filiais. Fornecer originais de Certidões de quitação de Tributos e Contribuições Federais – “CQTF” (IR. notificações. Fornecer originais de Certidões de Dívida Ativa – (CDA) em nome da sociedade. 57. Disponibilizar cópias das peças fundamentais dos processos fiscais. em curso em nome da sociedade. e.e. inclusive parcelamentos em andamento. Certidões de quitação de Tributos Estaduais (ICms) (Certidão de quitação de Tributos Estaduais) e Certidões de quitação de Tributos municipais (ISS) (Certidão de quitação de Tributos Municipais). (vi) valor da causa. identificando todos os eventuais processos fiscais.LITígIOs JUDICIAIs OU ADmINIsTRATIVOs: Certidões: 56. cobrindo o período de 10 (dez) anos (i. estaduais e municipais. ré ou terceira interessada) ou em vias de ser iniciados. abrangendo todas as suas filiais. (viii) provisões e/ou depósitos judiciais e (ix) quaisquer informações relevantes com respeito a tais processos. pendentes (nos quais a sociedade figure como autora.CONTRATOs Em EsPÉCIE VII . 66. Interdições e Tutelas. e referentes a processos administrativos. Certidões da Justiça Federal dos Distribuidores de Ações e Execuções Cíveis. com a estimativa de valores envolvidos. Fornecer Relatório elaborado pelos advogados responsáveis pelos respectivos casos. com relação a cada um de seus estabelecimentos ou filiais. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. bem como Trabalhistas. (vii) chances de êxito e respectivo critério utilizado. (ii) foro. 61. COFINS.

A alimentação é fornecida pela própria sociedade ou são concedidos vales-refeição? Há desconto no salário ou é fornecida gratuitamente? 75. Informar o saldo atual de horas trabalhadas e ainda não compensadas pelo “banco de horas”.2.3. 68. ficando à disposição da sociedade. Relatório identificando todos os empregados. (ii) existem empregados que optaram pelo não recebimento. Fornecer Documentos e relatórios (inclusive os Termos de início e encerramento de fiscalização tributária) contendo informações sobre eventuais intimações. Quais as verbas percebidas além do salário fixo e horas extras? Há empregados recebendo comissões. previdência privada. Caso afirmativo. (vi) o benefício integra o salário para efeito de cálculo do FGTS. Fornecer Relatório contendo informações sobre processos administrativos que envolvam as sociedades controladas ou coligadas. Horário de trabalho. inspeções ou investigações realizadas.1. Acordos de compensação e de prorrogação da jornada de trabalho. 69. Fornecer Relatório contendo informações sobre eventuais reclamações baseadas em defeitos constatados nos produtos fabricados pela sociedade (“product liability”) ou em garantias concedidas pela sociedade na venda dos produtos. Imposto de Renda. 74. (ii) local de trabalho. 72. e (iv) salário atual (partes fixas e variáveis). contendo (i) data de admissão.? Qual o critério de pagamento de cada benefício? É efetuado desconto no salário? Caso haja desconto.2. 73. notificações. Relativamente à jornada de trabalho. Há empregados recebendo benefícios tais como. instauradas por órgãos governamentais ou terceiros. Relação dos empregados que utilizam telefone celular ou equipamento similar. férias e décimo terceiro salário. 73. FGV DIREITO RIO 21 . Relação dos empregados não subordinados a controle de horário. apresentar cópia dos comprovantes anuais de inscrição. bonificações ou ajudas de custo? Quais funções recebem as ditas parcelas? Qual o critério de pagamento? 74.) e do regulamento interno ou regulamento de pessoal da sociedade. despesas de representação. horário de intervalo e dia de folga semanal dos empregados. informar se: (i) os empregados podem optar por tais benefícios. 73. relatório informando: 74. relatório informando: 73. auxílio alimentação etc. 76. (iii) existe autorização dos empregados para o desconto. Fornecer Cartas encaminhadas pelos advogados externos aos auditores independentes sobre processos judiciais e administrativos.4. prêmios. se existente. Informar a forma de remuneração das horas à disposição. relatório informando: 75. Relativamente à remuneração. Relativamente à alimentação. Previdência Social. (iii) cargo ou função. uso de automóvel. A sociedade participa do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador? Caso positivo.1. se houver.1. contrato por prazo determinado etc. VIII – AsPECTOs TRABALHIsTAs: 71. cópia do modelo de autorização de desconto salarial relativo aos benefícios concedidos. auxílio moradia.CONTRATOs Em EsPÉCIE 67. 70.2. Cópia dos modelos de contrato de trabalho (contrato de experiência. Indicar se houve homologação do plano pelo Ministério do Trabalho. Como é feito o controle de horário? A anotação é feita pelo próprio empregado ou por pessoa específica? Onde são feitas tais anotações? Os empregados assinam tal registro? 73. gratificações. planos de saúde. inclusive banco de horas. Cópia do plano de cargos e salários. 75. auxílio educação. Conselho Nacional de Política Salarial ou norma coletiva. Informar eventuais horários de trabalho diferenciados por setor ou sistemas de revezamento. com indicação das respectivas funções e salários.

ISS. e (v) situação atual. nos últimos 05 (cinco) anos. inquéritos administrativos. Cópia das convenções coletivas. Relatório identificando todas as reclamações trabalhistas e procedimentos administrativos (DRT e MPT) em curso contra a sociedade. empregadas grávidas. 90. IX .). cálculos de liquidação. (v) período dos serviços. (vi) estimativa dos valores envolvidos. ações civis públicas ou outras ações de natureza trabalhista. tais como petição inicial. Há serviços terceirizados na sociedade? Apresentar cópia dos contratos de prestação de serviços firmados com empresas prestadoras de serviços. explicitando os critérios de tal provisão. 79. telefonistas. Licenças Ambientais: Licenças Prévias. Foram ajuizadas reclamações trabalhistas em razão do plano de demissão? 83.CONTRATOs Em EsPÉCIE 77. Cópia do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA). 88. inclusive termos aditivos. 81. Cópia de Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados. 91. cooperativas. FGV DIREITO RIO 22 . apresentar relação dos atuais integrantes e cópias das atas de reunião dos últimos 02 (dois) anos. (vi) número de trabalhadores envolvido. por amostragem. das respectivas rescisões do contrato de trabalho e homologação pelo Sindicato ou pela DRT. 84. Cópia dos termos de ajustamento de conduta. Informar o valor despendido pela sociedade com o pagamento de tal participação. A sociedade instituiu. INSS. decisões judiciais proferidas em dissídio coletivo. empregados acidentados. Informar se são observadas convenções. 82. Cópia do plano de opção de compra de ações. 80. Relatório identificando todos os empregados com estabilidade permanente ou temporária (CIPA. (iii) pedidos. se houver. Relação dos empregados desligados da sociedade nos últimos 02 (dois) anos. autos de infração. estaduais e municipais (tais como CNPJ. bem como cópias. (ii) se trabalham diariamente nas dependências da sociedade. Cópia das principais peças de todas as ações trabalhistas em curso contra a sociedade. (vii) estimativa de êxito. Registros e inscrições da sociedade junto às autoridades fiscais federais. empregados com cargo de direção em sindicatos ou associações profissionais. do programa de opção de compra de ações e a relação dos empregados e executivos elegíveis a tal plano. cálculos homologados e depósitos efetuados. contendo (i) partes envolvidas. (ii) foro. acordos coletivos. plano de demissão incentivada? Caso afirmativo. motoristas e profissionais liberais). Informar o valor da provisão com relação aos processos judiciais e administrativos em andamento. Cópia do Livro de Inspeção do Trabalho de todos os estabelecimentos da sociedade. 78. acaso existentes. A sociedade tem organizada a CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes? Caso positivo. decisões proferidas em todas as instâncias. 87. (vi) valores mensais pagos e se a sociedade exige mensalmente os comprovantes de recolhimento previdenciário e do FGTS. ou dissídios próprios para categorias diferenciadas (secretárias. empresas de mão-de-obra temporária ou trabalhadores autônomos e relatório informando: (i) se os empregados alocados para atender a sociedade são sempre os mesmos. (iii) quem controla os serviços de tais empregados (a sociedade ou a prestadora de serviços). 86. Cópia dos Autos de Infração lavrados contra a sociedade nos últimos 02 (dois) anos e respectiva defesa/decisão administrativa/recurso ou guia comprovando pagamento da multa administrativa.APROVAÇÕEs gOVERNAmENTAIs E LICENÇAs: 92. 85.). acordos. de Instalação e Funcionamento emitidas pelo órgão ambiental competente. alvará da prefeitura etc. (iv) a quem estão subordinados. etc. bem como fornecer respectivos documentos. X – AsPECTOs AmBIENTAIs: 93. esclarecer os critérios do plano. 89.

106. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas.8. 1. 95. Comprovante de pagamento do TCFA . que deve ser arquivada no registro competente. 104. Licença de Funcionamento emitida pela Vigilância Sanitária. 101. Licença de substâncias sujeitas a controle especial emitida pelo Departamento de Polícia Federal. encargos. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito.1. neste ato. Licença do órgão sanitário competente para ambulatórios e refeitórios. e que o Comprador deseja adquiri-las. FGV DIREITO RIO 23 . Habite-se. entre si. 98. conforme modelo abaixo.1 abaixo. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA . Alvará de Licença e Localização emitido pela Prefeitura. 103. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. e. 1. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”). 100. 99. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de 15. na qualidade de interveniente-anuente: [NOmE E QUALIFICAÇÃO DA sOCIEDADE CUJAs QUOTAs EsTÃO sENDO ALIENADAs]. Inscrição no Cadastro Técnico Federal das Atividades Potencialmente Poluidoras. 105. Certificado de Licença de Funcionamento emitido pelo Ministério da Justiça. doravante denominada simplesmente “sociedade”. ainda.2. 97. Alvará do Corpo de Bombeiros. O Vendedor e o Comprador (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.CONTRATOs Em EsPÉCIE 94. nos termos ajustados pelo presente instrumento. Listagem das ações judiciais e processos administrativos de cunho ambiental e seus respectivos andamentos.2. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da sociedade ao Comprador. Modelo de Contrato de CoMPra e Venda de quotas Além da alteração do contrato social necessária para transferir quotas.Taxa de Controle de Fiscalização Ambiental. doravante denominado simplesmente “Comprador”. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus. com todos os respectivos direitos e obrigações. o Vendedor cede e transfere. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. gravames. e [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. turbações. e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas. as partes podem celebrar adicionalmente um contrato de compra e venda de quotas.000 (quinze mil) quotas representativas de 50% (cinqüenta por cento) do capital social da sociedade (“Quotas”). 96.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1. O Vendedor. 102. Outorgas do Uso da Água. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS [NOmE E QUALIFICAÇÃO]. Certidão de Uso do Solo. Relatório informando a respeito de atividades passadas desenvolvidas nos imóveis onde a sociedade desenvolve suas atividades.

a ser pago pelo Comprador ao Vendedor da seguinte forma: a) R$ 25.00 (setenta e cinco mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data.00 (vinte e cinco mil reais) pagos neste ato. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito.8. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da sociedade. constantes do item 2.. entendimentos e declarações anteriores. CLÁUSULA QUARTA .. a qualquer tempo. orais ou escritos. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3.1.4. cessionários e representantes legais. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes. Entretanto.]. constitui título executivo extrajudicial..1 acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE CLÁUSULA SEGUNDA .8. mediante depósito na conta-corrente nº [. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas.] da agência [.1. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. conforme o caso. substituindo todos os acordos. 4. 4. por qualquer motivo. (ii) através de carta registrada. 4. e somente produzirá efeitos.] do Banco [. a qualquer título.1. 4.. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade..] da conta-corrente nº [. o Vendedor outorgará ao Comprador. mediante comunicação dada na forma prevista acima.3. 4.].] do Banco [. nos termos do artigo 585. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3.. a esse respeito. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da sociedade. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da sociedade. O presente Contrato constitui o acordo final.. herdeiros. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato.. 2.FORMA DE PAGAMENTO 2.1. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornar-se-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela sociedade.1. anulada ou inexeqüível.2.. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula. 4. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à sociedade. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. assinado por 02 (duas) testemunhas.000.1.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade do Comprador.6.. por meio da entrega pelo Vendedor ao Comprador do cheque administrativo nº [...7. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.000. O preço certo. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela sociedade. mencionado na Cláusula Segunda.00 (cem mil reais) (“Preço”).. 4. 4.9. seus sucessores. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pelo Comprador. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. sendo considerada como mero ato de liberalidade. 4. inciso II.. assim FGV DIREITO RIO 24 . e b) R$ 75.] da agência [.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. do Código de Processo Civil.000. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 100. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. plena.5. rasa e geral quitação com relação ao valor pago.

639 e seguintes do Código de Processo Civil. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato.CONTRATOs Em EsPÉCIE como as obrigações de fazer aqui contidas comportam execução específica. por mais privilegiado que possa ser. Assinatura das Partes e da Sociedade Testemunhas: 1. à exclusão de qualquer outro. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. Nome: CPF/MF: 2.10. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 25 . Rio de Janeiro. na presença de 02 (duas) testemunhas. [dia] de [mês] de [ano]. E por estarem certas e ajustadas. 4. nos termos dos artigos 461. 632.

174 a 182 e 183 a 194. Jeremias deve devolvê-lo.3.3. São Paulo: Ed. • RODRIGUES. Ele diz que está surpreso porque agora recebeu uma notificação de um tal de Olavo Evolto. 2003.vol. ele diz que pelo menos uma vez por ano vai ao Rio e que há alguns anos atrás decidiu parar de se hospedar em hotéis e comprou um loft na Barra da senhora Ermelinda Silva. Comentários ao Código Civil.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.3. Rio de Janeiro: Forense. e que. Silvio. 2005 .. Embora não seja advogado do senhor Jeremias. vol. 2002.Venda com reserva de domínio – Da venda sobre documentos 1. Saraiva. AulA 3: CONTRATO dE COmPRA E VENdA (CONT.4. 215 a 225. • LÔBO. • PEREIRA. 505 a 532 da Lei nº 10.3. 6. biblioGrafia CoMPleMentar: • Parecer Jurídico DNRC/ COJUR/ n° 217/03 – direito de preferência na cessão de quotas. 223 a 225. Paulo Luiz Netto. quais são as duas principais perguntas que você deve fazer a ele para poder dar uma orientação inicial sobre o caso? 1.). Ele conta que. 1. eMentário de teMas: Retrovenda . In: AZEVEDO. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. FGV DIREITO RIO 26 .). III. 1. (coord. São Paulo: Saraiva.3.5. págs.1. apesar de morar em Brasília.Contratos.3.CláuSulAS ESPECIAIS dA COmPRA E VENdA 1. vol.Da Venda a Contento e da Sujeita a Prova – Preempção ou Preferência .. Caio Mário da Silva. págs. 3. portanto. págs. Caso Gerador: Jeremias encontra você trabalhando na diligência legal e aproveita para lhe fazer uma consulta “informal”. Parte Especial. Instituições de Direito Civil .3. Ele diz que nunca ouviu falar em retrovenda e lhe pergunta o que fazer.406/2002. Direito Civil.2. roteiro de aula a) retrovenda Direito de recobrar = Direito de retrato = direito de resgate = vendedor tem direito de exigir que o comprador lhe revenda o imóvel. Antônio Junqueira de. Das várias espécies de contratos. informando que exerceu o direito de retrovenda do imóvel em face da senhora Ermelinda. Após alguns minutos enaltecendo a beleza da cidade. biblioGrafia obriGatória: • Arts. sempre gostou muito do Rio de Janeiro e que os cariocas têm muita sorte de conviver com uma paisagem tão privilegiada..

pág. FGV DIREITO RIO 27 . Está demorando mais do que o normal para ela se manifestar. ela manda para a casa da senhora Russo as novas peças para que ela possa experimentar e decidir se vai comprá-las ou não. o vendedor pode vir a resguardar seu direito de preempção ou direito de preferência. o papel que durante algum tempo a retrovenda desempenhou. Dona Mônica. são Paulo: Ed. Daí ser ela. 7 8 Oponível a terceiros. a difusão dos preços fixos. Quais são eles? “Art. que se pagar o mesmo valor oferecido pelo terceiro. Ela sempre é atendida pela dona Marli. Esse exemplo nos mostra que. saraiva. uma condição suspensiva para a alienação. o domínio é transferido. inclusive as que. se efetuarem com a sua autorização escrita. 505. Assim. quais são as conseqüências do domínio não ser transferido pela tradição da coisa móvel? Duas semanas se passaram e dona Mônica ainda não deu retorno a dona Marli sobre as roupas.o compromisso de venda e compra preenche. por exemplo.406/2002. a despersonalização das relações entre as partes. vol. Assim. terá preferência sobre ele. Para que tenha efeito erga omnes7. caso o comprador queira vender esse bem a terceiros. com muito mais eficácia e maior economia. o direito de retrovenda deve ser registrado no registro de imóveis. juntamente com a escritura pública de compra e venda.CONTRATOs Em EsPÉCIE Muitos entendem que a retrovenda caiu em desuso em razão do compromisso de compra e venda. vol. Somente com a concordância do comprador. quais são as conseqüências de ser um prazo decadencial e não prescricional? b) da Venda a Contento e da sujeita a Prova A venda a contento é cada vez mais rara atualmente em razão da “padronização de mercadorias. 6 RODRIGUEs.. podemos extrair alguns requisitos da retrovenda. Dona Marli acompanhou em todos esses anos a vida da família Russo. embora haja a tradição do bem móvel. no caso da venda a contento. Dona Mônica é uma cliente muito querida e conhecida por todas as vendedoras da loja. RODRIGUEs. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador. são Paulo: Ed. Apesar de ser mais rara. O vendedor de coisa imóvel pode reservar-se o direito de recobrá-la no prazo máximo de decadência de três anos.. Direito Civil. 3. o domínio do bem não é transferido. durante o período de resgate. compra roupas da boutique Charmosa há mais de dez anos. instituto superado”6. hoje. saraiva. 187. ou para a realização de benfeitorias necessárias”. “.. sempre que chegam novas peças que Marli acha que são do gosto de Mônica. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Direito Civil. silvio. 189. silvio. E agora? O que dona Marli deve fazer? C) Preempção ou preferência Ao vender um bem. A gerente da loja já está pressionando Marli. Por que você acha que o legislador restringiu o instituto da retrovenda apenas aos bens imóveis? O prazo para recobrar o imóvel é decadencial.. Tendo em vista o que aprendemos nas aulas anteriores. 3. pois vai querer vender as peças a outras clientes. Analisando o artigo 505 da Lei 10. Relembrando. ela ainda pode ocorrer. portanto. A concordância do comprador é.”8. ele estará obrigado a oferecer o bem ao vendedor. pág.

Direito societário – 7 ed. se não há previsão expressa da reserva de domínio. por exemplo. assim como na venda a contento. rev. geralmente vinculado à compra e venda. Deste modo. Se o prazo não for estipulado. FGV DIREITO RIO 28 . – o vendedor tem que exercer o direito no prazo. para que seja oponível a terceiros. aplica-se a regra geral de que a propriedade do bem móvel transfere-se com a tradição do bem. José Edwaldo Tavares. A venda com reserva de domínio pode trazer insegurança jurídica uma vez que. – Rio de Janeiro: Renovar. vinha sendo celebrado no período anterior à atual lei das sociedades anônimas” (Borba. o senhor Eduardo se comprometia a oferecer direito de preferência a esse outro sócio no caso de alienação de suas quotas. Tendo em vista que esse acordo de quotistas nunca foi divulgado e nem sequer mencionado na diligência legal. após a realização da diligência legal e da celebração do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Ltda. como instrumento de composição de grupos. reconheceu que o direito de preferência é um dos tópicos que pode ser tratado em acordo de acionistas.CONTRATOs Em EsPÉCIE Para que esse direito exista são necessários os seguintes requisitos: – o comprador tem que querer vender o bem adquirido. Além disso. exercício do direito a voto. e atual. os contratantes podem convencionar que se um deles desejar vender sua participação a terceiro será obrigado a oferecer as suas ações primeiro aos demais acionistas. que lhe afirma que a venda das quotas não foi válida. se o bem for imóvel. Vamos supor que. como se resolveria esta situação utilizando-se apenas as regras previstas no Código Civil? d) Venda com reserva de domínio A venda com reserva de domínio popularizou-se com o aumento das vendas com pagamento em prestações. Os acordos de acionistas. A venda com reserva de domínio restringe-se aos bens móveis e exige forma escrita. basicamente. ou a 2 (dois) anos. 118. no qual. no caso de bem imóvel.. O prazo para exercer o direito de preferência não poderá ser superior a 180 dias se o bem for móvel. Quais são as diferenças entre a preempção e o direito de retrovenda? O direito de preferência é um negócio acessório. sócio detentor de apenas 1% das quotas da Pechincha Ltda. por meio de acordo de acionistas. 9 10 “Art. preferência para adquiri-las. concernentes a essa categoria jurídica. a ele se aplicam os preceitos gerais. sobre compra e venda de suas ações. que dispõe sobre as sociedades por ações. – o vendedor tem que querer recomprar o bem.404/197610. 2001. No caso de venda com reserva de domínio. o contrato deve ser registrado no Registro de Títulos e Documentos. A venda com reserva de domínio é uma venda condicional que se aperfeiçoa na ocorrência de um evento futuro e incerto: o pagamento do preço. uma vez que há três anos atrás fez um acordo de quotistas com o senhor Eduardo. que poderão comprá-las pelo mesmo preço e condições oferecidos ao terceiro. em acordos de acionistas9. o direito de preferência caducará em 3 (três) dias. o domínio permanece com o vendedor até que a última prestação seja paga pelo comprador. pág. funcionando. Silvio Rodrigues comenta: “Destina-se o acordo de acionistas a regrar o comportamento dos contratantes em relação à sociedade de que participam.. embora o bem seja entregue ao potencial comprador. Tanto é assim que a Lei nº 6. aum. A cláusula de direito de preferência é muito comum. não é raro vermos a estipulação de direito de preferência em outros contratos. ao contrário do que ocorre com os bens imóveis que exigem solenidade para sua transferência. é comum que pessoas realizem operações de venda de bem móvel sem consultar registros ou sem exigir a prova da propriedade do vendedor. O prazo começa a contar a partir da notificação do proprietário (comprador) ao vendedor informando sobre seu interesse em vender o bem. nosso cliente seja procurado pelo senhor Oportunista. Assim. no caso de bem móvel. estando disposto a pagar ao comprador o preço que ele tiver conseguido com terceiros. e em 60 (sessenta) dias. Porém. ou do poder de controle deverão ser observados pela companhia quando arquivados na sua sede”. 322). sendo um contrato. Afinal. e como contrato atípico. entre outros acertos.

11 RODRIGUEs. silvio. nos termos deste Acordo. são Paulo: saraiva. Pacto comissório. questões de ConCurso (Prova: 18º Exame de Ordem .3. As comunicações a que se refere o item anterior indicarão o potencial adquirente. Das várias espécies de contratos. vol. para que estas possam exercer o seu direito de preferência. no todo ou em parte. para que seja exigível o pagamento do preço. Antônio Junqueira de. Por sua natureza. b. neste ato. O vendedor se libera da obrigação de entregar a coisa remetendo ou entregando ao comprador o título representativo da mercadoria”12. d. às demais Partes (a seguir. senão mediante venda. Parte Especial. apenas pode ter por objeto coisa móvel. “A venda sobre (ou contra) documentos tem por finalidade dar mais agilidade às transações mercantis que envolvam venda de mercadorias. com reserva de domínio”11. Paulo Luiz Netto. c.3. Cada uma das Partes se obriga. (coord. permutar. Se o comprador está em mora. as ações de sua titularidade. 1.2. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. bem como a especificação da quantidade e espécie das ações a serem alienadas (as “Ações Ofertadas”). 216 FGV DIREITO RIO 29 . pág. 1. Direito Civil. são Paulo: Ed. observado o disposto nesta Cláusula 6ª. desfazer o contrato ou pedir o preço. diariamente. vol. ou por qualquer outra forma alienar ou transferir. Apenas ele não funciona na prática. o preço e condições de pagamento. 3. a não vender. obrigada a primeiramente oferecê-las. não pago. as “Demais Partes”). Retrovenda. 6. fornecendo inclusive as informações previstas no item 6. por escrito. Essa cláusula especial à compra e venda é denominada: a. comentários ao código civil. 12 LÔBO. Preempção. prometer vender. saraiva.).. a “Parte Cedente”).1. para pagamento em moeda corrente nacional.7. Venda a contento. 2003. In: AZEVEDO.CONTRATOs Em EsPÉCIE “Teoricamente tal sistema é perfeito. poderá o vendedor. em caráter irrevogável e irretratável. ficando a Parte que desejar alienar. o vendedor tem duas opções: mover ação de cobrança das prestações vencidas e vincendas e o que mais lhe for devido ou reaver a posse da coisa vendida.2. a qualquer título.6. Modelo Exemplo de cláusula de direito de preferência em Acordo de Acionistas: “VI – ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DE AÇÕEs 6.1ª fase) Ajustado que se desfaça a venda. A obrigatoriedade da tradição da coisa é satisfeita com a entrega ao comprador de documento representativo. suas ações da COMPANHIA (a seguir.1 abaixo (a seguir o “Potencial Adquirente”). pág. e) da venda sobre documentos O Código Civil de 1916 não previa essa modalidade de venda. doar. principalmente nos grandes centros e tendo em vista a quantidade fantástica de bens móveis duráveis vendidos. 176. 6. não se pagando o preço até certo dia.

Caso o Potencial Adquirente seja uma sociedade. desde que observado o procedimento previsto no item 6.4. contudo.1 abaixo. a comunicação do item 6. (c) caso sejam recebidas manifestações de exercício de preferência que totalizem quantidade de ações superior a das Ações Ofertadas. como condição para sua validade e eficácia. 6. desde que se manifestem nesse sentido no prazo de 60 (sessenta) dias fixado na letra (a) deste item. Na proporção do número de ações que possuírem. 6. proporcionalmente às Ações que possuírem. ainda. FGV DIREITO RIO 30 .CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. o seguinte: (a) a preferência deverá ser exercida no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da data do recebimento da comunicação referida no item 6.3.4. ficando obrigadas as Demais Partes. proceder-se-á ao respectivo rateio entre as Partes interessadas. Na hipótese do item 6. como intervenientes anuentes. a assinar o citado instrumento. 6. desde que tenham sido observadas as formalidades previstas nesta Cláusula 6ª”.2.1. nos 60 (sessenta) dias seguintes.1 supra e abranger todas e não menos do que todas as Ações Ofertadas. (b) será facultado às Demais Partes estenderem seu direito de preferência à aquisição de sobras. deverá identificar também as respectivas Partes ou sócios que detenham o controle do Potencial Adquirente e/ou participações societárias que representem 10% (dez por cento) ou mais de seu capital votante e/ou de seu capital total e assim sucessivamente. se houver.4. devendo as Demais Partes igualmente subscrever o instrumento. e (d) exercida a preferência. observando-se. com os mesmos direitos e obrigações da Parte Cedente. Não havendo manifestação das Demais Partes. a Parte Cedente poderá. o instrumento contratual de compra e venda das ações deverá conter cláusula pela qual o adquirente manifeste sua adesão incondicional ao presente Acordo. até atingir as pessoas físicas.1 supra.4. alienar todas.1 supra. mas não menos do que todas as Ações Ofertadas ao Potencial Adquirente indicado e ao mesmo preço e nas mesmas condições constantes das comunicações referidas no item 6. pelo mesmo preço e condições oferecidos pelo Potencial Adquirente. a aquisição deverá ser efetuada nos 30 (trinta) dias seguintes ao decurso do prazo referido nas alíneas anteriores.1. as Demais Partes terão preferência para adquirir as Ações Ofertadas.

Há muitos anos era grande amigo do senhor Nicanor Tício. • DINIZ. eles resolveram unir o útil ao agradável e celebraram um contrato de permuta. 6. tivemos a oportunidade de visitar o supermercado Pechincha por diversas vezes.. Ocorre que. um pouco sem graça. pois não estava contando com um número tão grande de cestas de Natal. Consiste na entrega de uma coisa para recebimento de outra. o senhor Eduardo está um pouco preocupado.406. 205 a 209. Caio Mário da Silva. 226 a 272. E agora? O contrato continua válido? O que recomendar? 1. o senhor Nicanor vendeu seu jornalzinho a uma grande editora que quer transformá-lo em um jornal de grande circulação em Brasília.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. dono de um jornal de bairro. Parte Especial. que não seja dinheiro. Rio de Janeiro: Forense. de 10. In: AZEVEDO. segundo o qual todo domingo o jornal do Nicanor publicaria anúncio do Supermercado Pechincha e em troca ao final do ano o Supermercado Pechincha forneceria aos funcionários do jornal uma cesta de Natal.406/2002. Das várias espécies de contratos. Sabendo disso. vol. Maria Helena. Antônio Junqueira de. 199 a 203/ págs. com produtos fartos e de alta qualidade. cansado e já querendo se aposentar.A. págs. Paulo Luiz Netto. 2003.2. III.2002). (coord. inclusive. que por ter sido celebrado entre grandes amigos. Tratado teórico e prático dos contratos. Contrato Estimatório. o senhor Eduardo Russo nos contou a seguinte história. o contrato não era muito detalhado. 233 a 237. São Paulo: Saraiva. Em uma de nossas visitas.4.5. biblioGrafia obriGatória: • Arts. nós.). o número exato de cestas de Natal a serem trocadas. não contendo. completa.. na qualidade de advogados da Grana Certa S.4.01. 1.1. quando os bens passaram a ser trocados por moeda. roteiro de aula a) Permuta A troca ou permuta é o contrato mais antigo. São Paulo: Saraiva..4.4. ampl. CONTRATO ESTImATóRIO 1. Caso Gerador Durante o processo de diligência legal. AulA 4: TROCA Ou PERmuTA.4. 533 a 537 da Lei nº 10. págs. Ele explica. de acordo com o novo Código Civil (Lei 10.4. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. por exemplo. 1. eMentário de teMas: Permuta. já tendo contratado. o dobro de funcionários. Há algum tempo atrás. Ela deu origem ao contrato de compra e venda. 17ª ed. Instituições de Direito Civil . 1. 2005 .3.4. e atual. Comentários ao Código Civil.vol. págs. FGV DIREITO RIO 31 . • PEREIRA.Contratos. 2002.

esse contrato só veio a ser regulado como contrato típico no novo Código Civil (Lei nº 10. Para retribuir a um favor seu. não sendo necessário que os bens sejam da mesma espécie ou valor. O uso da torna no contrato de permuta divide os doutrinadores sobre a natureza do contrato: seria ele uma compra e venda ou uma permuta? Muitos entendem que a existência da torna não descaracteriza a permuta. mas a permuta mantém seu espaço no ordenamento jurídico. você pergunta o que o conjunto está fazendo na loja e ela lhe explica que celebrou um contrato estimatório com o dono da loja. neste caso? FGV DIREITO RIO 32 . você vai ao Código Civil para consultar esse tipo de contrato e fica um pouco desapontado. sua amiga. conhecido neste caso como torna. Ana Maria nota que além de faltar uma das peças. Você vai junto com Ana Maria para buscá-lo. Ana Maria fica muito triste. ficando as demais apenas rachadas. Ana Maria. legal ou convencional podem ser permutadas. ficando o consignatário obrigado a devolver o bem ou entregar ao consignatário o preço previamente ajustado pela coisa dentro do prazo determinado. você agradece e pergunta quando pode buscá-lo. porém. O que você acha? A caracterização como compra e venda ou permuta leva a conseqüências práticas em razão dos itens que foram especificamente diferenciados no art. A parte que recebe o bem pode vendê-lo a terceiro por qualquer valor. muitas outras estão rachadas. Como você aconselharia Ana Maria. mas sim a obrigação de transferir ao outro o domínio da coisa objeto de permuta. Todas as coisas que não sofram indisponibilidade natural. Ao chegarem à loja.406/2002. Ana Maria então lhe explica que o conjunto está na loja Brechó da Vovó. a não ser que o valor da torna seja de tal modo superior. Por serem tão parecidos. cedendo-lhe o poder de dispor da coisa. Quais são elas? Quando os bens a serem permutados têm valores desiguais. As partes estimam um preço pelo bem. Intrigado. Apenas os bens móveis e que estão no comércio podem ser objeto do contrato estimatório. O dono da loja explica a Ana Maria que um de seus funcionários estava arrumando a loja e que sem querer esbarrou no conjunto. desde que pague a parte que lhe entregou o bem o preço que entre elas foi estimado. 533 da Lei n° 10.406/2002). O Código Civil fez apenas duas distinções no que diz respeito à aplicação das regras da compra e venda. que nada mais é do que a venda em consignação. Curioso. deixando o cair.CONTRATOs Em EsPÉCIE Atualmente a compra e venda é muito mais utilizada. pois percebe que seu conjunto de chá não poderá mais ser utilizado. não gera efeitos reais. b) Contrato estimatório Embora já fosse realizado na prática. Sendo assim. O contrato de permuta tem a mesma natureza jurídica da compra e venda: é bilateral. mas que felizmente apenas uma das peças havia se quebrado. a loja Brechó da Vovó procura Ana Maria para devolver o conjunto de xícaras que não foi vendido. por que você acha que o legislador chamou de contrato? Contrato estimatório é o contrato pelo qual o proprietário (consignante) entrega a posse da coisa à outra pessoa (consignatário). Mesmo sem ver muita utilidade para tal presente. completa sua prestação com dinheiro. Assim como o contrato de compra e venda. lhe oferece um conjunto de xícaras de porcelanas chinesas. oneroso e consensual. a parte cujo bem tem valor inferior ao outro. que seja na verdade o objeto da prestação principal. Por quê? Estando para terminar o prazo do contrato estimatório. dentro de prazo determinado. aplicam-se à permuta as regras da compra e venda.

(iii) O DOADOR deseja doar.Restrições à liberdade de doar .. eMentário de teMas: Características do contrato de doação – Aceitação . 1. Saraiva. (coord. empresário. (iv) O DOADOR sujeita tal doação à execução integral e tempestiva.5. 3. residente e domiciliado em Brasília. 2002. Silvio. 1. In: AZEVEDO. 1. Direito Civil.406/2002.000 (cinqüenta mil) quotas (“Quotas”). você notou o contrato abaixo: INSTRUMENTO PARTICULAR DE DOAÇÃO EDUARDO RUSSO. biblioGrafia CoMPleMentar: • LÔBO. Parte Especial. Distrito Federal. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. para iniciar a transferência dos negócios da família e fomentar negócios das futuras gerações da sua família.5. São Paulo: Saraiva.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.4.5..3. de determinados encargos.000 (noventa e nove mil) quotas representativas de 99% do capital social da sociedade limitada denominada Pechincha Comércio Varejista Ltda. abaixo estabelecidos. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. Paulo Luiz Netto. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101.2. por parte do Donatário. residente e domiciliado em Brasília. empresário. em conjunto. Antônio Junqueira de. págs. • RODRIGUES. Caso Gerador: Dentre os contratos recebidos. biblioGrafia obriGatória: • Arts. com sede em Brasília.Doação de ascendente para descendente . inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. 272 a 385.5. simplesmente como Partes. 6. AulA 5: dOAçãO 1. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. doravante denominada “Sociedade”. doravante denominado simplesmente “DONATÁRIO”. São Paulo: Ed.1.). 50. vol. (ii) O DONATÁRIO é herdeiro necessário do DOADOR. solteiro. DOADOR e DONATÁRIO doravante denominados. casado. brasileiro. págs. todos relacionados com a finalidade de manter a tradição da família preoFGV DIREITO RIO 33 . CONSIDERANDO QUE: (i) O DOADOR é titular de 99. Distrito Federal. em vida. JEREMIAS RUSSO.5. doravante denominado simplesmente “DOADOR”. brasileiro. 538 a 564 da Lei nº 10. 197 a 216. Distrito Federal. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Das várias espécies de contratos. 2003. vol.Resolução e revogação da doação. ao DONATÁRIO.Espécies de doação . Comentários ao Código Civil.

(c) O clube deverá empregar pelo menos 20 funcionários para segurança. 2. (v) um play para crianças. balanço e. outros dois brinquedos do gênero. O clube deverá atender aos seguintes requisitos: (a) O clube deverá ter no mínimo: (i) duas quadras polivalentes para a prática de esportes em grupo. conforme autoriza o artigo 553 do Código Civil Brasileiro. comprar ou arrendar um terreno para que o clube seja instalado. contados da data de assinatura deste Instrumento. como na verdade efetivamente doa. mediante o DARJ cuja cópia constitui o Anexo I ao presente Instrumento. para dirimir as questões decorrentes do presente Instrumento. (iv) um bar. ficando. que representam 50% do capital social da Sociedade.1 O DONATÁRIO deverá providenciar um clube para que os funcionários possam desfrutá-lo nos dias de folga. ônus ou encargos de qualquer natureza. com pelo menos as seguintes medidas. limpeza e bom funcionamento do clube.. as Quotas.. Fica eleito o foro Central da Comarca de Capital do Estado do Rio de Janeiro. (b) O clube deverá funcionar todos os fins de semana e feriados.. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) meses. as partes firmam o presente Instrumento em 02 (duas) vias de igual forma e teor. (e) O clube será aberto apenas aos Funcionários e seus familiares. Brasília. decide doar. Nome: CPF/MF: FGV DIREITO RIO 34 . O DONATÁRIO poderá alugar.CONTRATOs Em EsPÉCIE cupada com o bem estar da comunidade em que vive. com auxílio jurídico. não sendo mais permitido o seu acesso em caso de demissão ou desligamento. e (v) as quotas representativas do capital social da Sociedade. objeto da presente doação. (ii) uma piscina rasa para crianças até 5 anos. na presença das 02 (duas) testemunhas abaixo assinadas. 3. O DONATÁRIO deverá. descendentes e ascendentes terão direito de desfrutar do clube mediante pagamento de mensalidade em valor simbólico. Fica registrado que o imposto de doação incidente sobre a presente operação foi recolhido. resolvem as Partes de comum acordo e na melhor forma de direito celebrar o presente Instrumento Particular de Doação (“Instrumento”). portanto. o Donatário. que vigerá de acordo com as seguintes cláusulas e condições. Eduardo Russo Testemunhas: 1. sem qualquer induzimento ou coação. 24 de abril de 2004. pelo menos. providenciar a constituição legal do clube e a contratação da mão de obra necessária para o funcionamento do clube. A doação ora feita é obrigatória para as partes contratantes. E por estarem assim justas e contratadas. 2. as seguintes obrigações: 2. Nome: CPF/MF: Jeremias Russo 2.2. O DOADOR. de livre e espontânea vontade. herdeiros e sucessores. (iii) uma piscina profunda. 5. (d) Os funcionários e seus cônjuges. obrigado a cumprir. 2. por mais privilegiado que venha a ser. ao Donatário.3. 4. com a renúncia expressa de qualquer outro. incluindo dos funcionários do Supermercado Pechincha (“Funcionários”). encontram-se livres e desembaraçadas de quaisquer dívidas. com escorrega. Esta doação fica sujeita ao cumprimento dos encargos abaixo estabelecidos. nunca superior a 5% de seu salário. observados os artigos 538 e seguintes do Código Civil Brasileiro: 1.

Lucy conta. havendo a tradição imediatamente depois.CONTRATOs Em EsPÉCIE Esse contrato deixou nossa equipe de diligência apreensiva.5. pois. Curioso (a) você pede para ver a coleção. Lucy já pode se considerar proprietária da coleção? O sorteio da Mega Sena estava acumulado e o prêmio estimado em vinte milhões de reais. Analisando. O doador não espera do donatário qualquer ato ou prestação por parte do donatário. Doação com encargo – nessa espécie de doação. você teria alguma sugestão? 1. que sempre demonstrou ser contra a realização do negócio entre o senhor Eduardo e o nosso cliente. o senhor Eduardo Russo não seria mais o proprietário de 99% das quotas. – Solene – a lei impõe forma escrita para doação. inviabilizar a compra do negócio. – presumida pela lei – nos casos previstos nos arts. mas que não podia ser exigido pagamento pelo doador. grande fã dos Beatles. ficou muito triste porque não conseguiria jogar. você consideraria que foi uma doação de pequeno valor? b) aceitação A aceitação pelo donatário é elemento indispensável para a doação e pode ser: – expressa – quando é manifestada de forma verbal. como havíamos sido informados no início da diligência legal. Exemplo: Doador doa recursos ao donatário. Doação remuneratória – tem o objetivo de pagar um serviço prestado pelo donatário. do ponto de vista legal. Jeremias. mas o donatário fica obrigado a pagar uma mesada a um parente do doador. porém. É uma liberalidade do doador. E agora? Que pontos devem ser levados em consideração? A doação é válida? Tem alguma medida que possa ser tomada para anular essa doação? Supondo que você fosse o advogado do senhor Eduardo Russo e tivesse sido consultado antes do contrato ser assinado. – tácita – quando resulta de comportamento do donatário incompatível com sua recusa à doação.. o doador impõe ao doador uma contraprestação que resulta em vantagem para o próprio doador ou para terceiro.5. 539. de acordo com ele. Ocorre que a família era pé quente e os números escolhidos por José foram sorteados! Analisando esta situação. podendo. roteiro de aula a) Características do contrato de doação O contrato de doação é: – Unilateral – envolve prestação de apenas uma das partes. Chegando a casa. que se encontrava doente e com dificuldade para se movimentar. 543 e 546 da Lei nº 10. aparentemente detém 50% das quotas da Pechincha Ltda. ele contou a sua avó que havia jogado na Mega Sena. C) espécies de doação Doação pura – é pura liberalidade. Seu filho. exceto nos casos de bens móveis de pequeno valor. Seu amigo José resolveu fazer uma aposta. – Gratuito – em regra. (art. A doação remuneratória e a doação com encargo perdem a característica da gratuidade? FGV DIREITO RIO 35 . o doador não espera qualquer prestação do donatário. Por exemplo. prêmio pago a alguém que encontrou seu cachorro desaparecido. Percebendo que ela. escrita ou por gestos. portanto. que ainda não recebeu os discos porque eles estão guardados na casa de veraneio de sua tia. conta que ganhou de sua prima a coleção de discos desse famoso grupo inglês. José deu para a avó o bilhete da Mega Sena. 541) Lucy.406/2002.

Se você fosse o juiz. o legislador preocupou-se em tentar evitar que um dos filhos seja beneficiado pelos pais em detrimento do outro. (art. tendo em vista que a outra metade constitui a legítima. 14 Credor Quirografário ou simples: “aquele que não tem título que lhe dê preferência. 158 do Código Civil. ele terá ampla liberdade de doar seus bens. Ruth e Raquel abriram o inventário. se o doador tem herdeiros necessários. no caso da compra e venda. Para proteger os credores quirografários14 do doador. 549 da Lei nº 10. De acordo com o art. são Paulo: Rideel. que trata da fraude contra credores.406/2002).406/2002 Embora esta restrição não esteja expressa no capítulo sobre doação do Código Civil. Sendo assim. coordenação Luiz Eduardo Alves de siqueira – 3 ed. 1. 1. ele só pode doar metade de seus bens. e é assegurada aos herdeiros necessários. Dessa forma. aplicam-se as regras gerais a todos os contratos.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) restrições à liberdade de doar – Doação de todos os bens do doador – art. por sua vez. pertence aos herdeiros necessários13 a metade dos bens da herança. (Dicionário Técnico Jurídico/ organização Deocleciano Torrieri Guimarães. 548 da Lei nº 10.406/2002 Essa restrição visa proteger o patrimônio dos herdeiros. observando-se apenas as demais restrições previstas no Código Civil. 158 da Lei nº 10. todas as despesas que os pais tiveram para pagamento do doutorado de Raquel em Paris. rev. Qual foi o mecanismo adotado no caso da doação? E se o pai realmente quiser doar algo para um dos filhos em detrimento dos outros? Com a morte de seus pais. sendo pago em rateio do saldo que houver. os ascendentes e o cônjuge. Por outro lado. o que você faria? f) resolução e revogação da doação A doação pode ser desfeita: – por motivos comuns a todos os contratos – embora não esteja prevista no capítulo específico sobre doações. possui os mesmos direitos que os credores comuns. – Doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice – art. sem consentimento dos outros descendentes.406/2002 Essa restrição tem como propósito proteger o cônjuge e os herdeiros necessários. solicita que o juiz considere como adiantamento de legítima a Raquel. Na permuta entre descendente e ascendente. – Doação de parte que caberia à legítima – art. – Doação que prejudique os credores do doador – art. No momento da doação deve ser aferido se o bem a ser doado é superior à metade dos bens do doador. o código prevê que eles podem anular a doação quando o doador estiver insolvente com eles ou ficar insolvente com os credores por ter doado bens a terceiros.406/2002 O objetivo dessa restrição é proteger o doador e também a sociedade.846.) FGV DIREITO RIO 36 . os 13 Os herdeiros necessários são os descendentes. ou seja. Ruth. 550 da Lei nº 10. e atual. depois de ressarcidos os privilegiados”. é anulável a troca de valores desiguais. ela está prevista no art. vimos que é anulável a venda de ascendente a descendente. como visto anteriormente.845 da Lei nº 10. se o doador não tiver herdeiros necessários. Raquel pede que o juiz considere como adiantamento de legítima à Ruth os gastos que os pais tiveram com a festa de casamento de Ruth. evitando que o doador passe a ficar totalmente desamparado e tenha que ser assistido pelo Estado. exceto se os outros descendentes expressamente consentirem. 2001. e) doação de ascendente para descendente Como já vimos anteriormente.

d. que é também irmão de Rita. no qual o doador sobrevive ao donatário e o domínio do bem volta ao patrimônio do doador. o doador pode desfazer a doação. Rita foi visitar sua mãe na casa de veraneio e aproveitou para buscar a coleção de discos dos Beatles e entregá-la a Lucy. A doação dos pais aos filhos importa adiantamento da legítima. c. 158 a 165 (fraude) e 167 (simulação). Depois que fez a doação descobriu que Alfredo não era seu filho e então pretende anular a doação. Prova: 22º Exame de Ordem . chamou de irresponsável e outros adjetivos de baixo calão que não convém replicar para nosso leitor. acabou por bater no carro de Lucy que estava estacionado na garagem do prédio. se o donatário não cumprir o encargo no prazo assinalado pelo doador. Essa foi a gota d’água para Lucy que. indicando em caso positivo qual o seu fundamento. 138 a 155 (erro. Esclareça se existe algum vício na manifestação de vontade. FGV DIREITO RIO 37 . A doação poderá conter cláusula de retorno do bem ao doador. mas restringiu a possibilidade de revogar a doação por ingratidão a determinadas causas e regulou seus efeitos. Paul é um péssimo vizinho. como erro. uma noite.5. 547.6. resolveu fazer uma doação de um apartamento para ele. 15 Rever arts.2ª fase PROVA DIsCURsIVA João acreditando que Alfredo era seu filho natural (filho biológico não registrado) do namoro que manteve com mãe do Alfredo. no dia seguinte.1ª fase) Não constitui regra aplicável às doações a que abaixo se destaca: a. Paul se disse muito ofendido por Lucy. se sobreviver ao donatário. Lucy ficou muito satisfeita com a prima. encontrando-o na entrada do prédio. que. A doação deverá ser feita por escrito. mas isso não foi suficiente para apagar a velha briga que tem com o seu vizinho Paul. acabou perdendo a paciência e.É anulável a doação do Cônjuge adúltero ao seu cúmplice. coação. Lucy tem razão de ficar preocupada? E se Lucy tiver alugado a coleção para um amigo? 1. não paga em dia as cotas do condomínio do prédio onde vivem. – por ingratidão do donatário – o legislador visou punir o donatário. além de fazer barulho até altas horas da madrugada. A doação pode ser revogada: – por descumprimento do encargo – no caso de doação com encargo. na frente dos porteiros e de alguns moradores que aguardavam o elevador. por exemplo. ainda que se trate de bem móvel de pequeno valor. no caso previsto no art. dolo. são motivos para anular a doação.CONTRATOs Em EsPÉCIE defeitos15 que podem macular o ato jurídico. b. Para completar. ao chegar bêbado. Lucy diz que Rita é muito ligada a seu irmão e diz que teme que esse incidente com Paul possa ter impacto na doação de Lucy. – por ser resolúvel o negócio – ocorre. dolo e coação) e arts. simulação e fraude. questões de ConCurso (Prova: 10º Exame de Ordem .

Trata-se de contrato: FGV DIREITO RIO 38 . págs. São Paulo: Ed.6.6. Direito Civil.1.6.6. por tempo determinado ou não.3. 1. ter-se-á sempre em mente a idéia de locação de coisas (locatio rei). que são regidos por legislação especial. [conceito do contrato de locação] O núcleo do contrato de locação é a cessão de uma coisa não fungível entre o seu proprietário – o locador – e aquele que se utilizará da coisa – o locatário. comerciais e de temporada). lOCAçãO dE COISAS. biblioGrafia obriGatória: • Arts. o uso e gozo de uma coisa não fungível. 565. A locação de serviços e de obras. ao se falar em locações. 217 a 227.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.4. 565 a 578 da Lei nº 10. conforme diretiva do próprio código (art. 2. se fala sempre em locação de coisas. quando há vínculo empregatício) e para a empreitada. roteiro de aula a) introdução Modernamente. quando se fala em locação. eMentário de teMas: Introdução – Elementos do contrato de locação – Obrigações do locador – Obrigações do locatário 1.036 do código e Lei nº 8. respectivamente. 267 a 301 1. biblioGrafia CoMPleMentar: • PEREIRA. págs. mediante certa retribuição. Todavia. Silvio. Saraiva.245/1991). Portanto. AulA 6: CONTRATO dE lOCAçãO.2.. • RODRIGUES. pode-se extrair as características principais do contrato: a cessão da coisa (“ceder à outra. uso e gozo de uma coisa não fungível”). preço (“certa retribuição”). ainda hoje existe uma diferenciação no ordenamento quanto às diversas espécies de locação. Na locação de coisas.. vol. no âmbito destas aulas. algumas são consideradas tão especiais pela mens legis. consentimento (“se obriga a”) e prazo (“por tempo determinado ou não”). evoluiu para a prestação de serviços (e para o Direito do Trabalho.406/2002. que merecem um regramento especial próprio. Do claro conceito legal. 2005. III. Instituições de Direito Civil. Código Civil Art. 3. 1. Caio Mário da Silva.. Rio de Janeiro: Forense. tratadas no direito romano como espécies de locação. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. e o maior exemplo disto é a locação de prédios urbanos (residenciais. vol. 2002.6. uma das partes se obriga a ceder à outra.

o contrato de locação é de execução continuada ou de trato sucessivo.245) um tratamento especial às locações reduzidas a contrato escrito. 17 Caio mário. e. pois a lei não exige forma específica para sua validade. como bens fora do comércio ou bens públicos. o contrato de locação não é personalíssimo. portanto. havendo um grande avanço jurisprudencial na matéria. ao contrário da compra e venda. no caso de locações prediais urbanas. do Código Civil. Disso decorrem algumas conseqüências: (i) segundo o art. o pagamento de uma prestação não exaure o contrato. embora a Lei do Inquilinato tenha tomado para si a normatização de boa parte dos imóveis urbanos. FGV DIREITO RIO 39 . embora possa se tornar mediante consentimento das partes. contanto que sejam infungíveis. sem que ela perca a sua infungibilidade (ex. pág. por exemplo. mas seu uso e gozo por alguém que não o seu proprietário. (ii) oneroso. 276. normalmente mensal. Em regra. que continuam sendo tratados pelo código (ou por legislação especial. todavia. pois se forma só pelo acordo de vontades. e (iii) por outro lado. as vagas autônomas de garagem.CONTRATOs Em EsPÉCIE (i) bilateral. 576). pode ser objeto da locação se algum acessório da coisa for consumido. Ressalte-se que. já diz respeito à fase da execução do contrato. O fato de um bem ser inalienável não impede o seu uso em locação. e (v) não solene. como se verá no ponto específico. Além disso. porque confere obrigações e direitos recíprocos às duas partes. como o dinheiro. pois envolve prestações seguidas no tempo. seu art. não se trata de contrato real. em regra. [i) a cessão da coisa – o objeto do contrato de locação] Embora seja uma confusão bastante comum. Pode ser objeto da locação bens móveis ou imóveis. porque as partes já tem conhecimento de suas respectivas prestações. em caso de alienação do bem. 569. como. (iii) consensual. tal contrato possui peculiaridades específicas com relação à locação comum de coisas regulada pelo Código Civil (como. a lei dá (art. b) elementos do contrato de locação Os elementos do contrato são. o objeto do contrato de locação não é a coisa em si. o preço e o objeto do negócio. isto é. como na compra e venda. na celebração da avença. o tempo. O principal atributo da coisa que será objeto de locação é a sua infungibilidade. por exemplo. É muito comum considerar o contrato de leasing ou arrendamento mercantil como uma locação de coisas móveis. é maior se houver registro (art. (iv) comutativo. O aluguel de lojas em shoppings centers também possui toda uma sistemática própria. como se vê do próprio conceito legal. salvo as deteriorações do seu uso regular. os efeitos do contrato podem ser diferentes conforme houver registro ou não.: corte de árvores em casa de campo). Todavia. sem exigir forma específica16. parágrafo único. IV. a lei privilegia a não-fungibilidade do bem. 1º. embora alguns autores17 enxerguem também o consentimento e a forma como seus elementos. (ii) não se destinam à locação as coisas consumíveis no seu primeiro uso. mas tão somente é considerado como contrapartida pelo uso em um determinado período. com ele não se confunde. 16 Note-se que. pois é da natureza do contrato a retribuição econômica por parte do locatário. a tradição da coisa. 46 da lei 8. a opção de compra ao final do prazo contratual). se houver). incentivando sua utilização. o locatário é obrigado a restituir a coisa no estado em que a recebeu. a coisa. simplificadamente. ou seja. A proteção do locatário. transferidos por meio de manifestação de vontade. exclui diversos tipos de imóveis.

do instituto extinto da enfiteuse. todavia. Por exemplo: o locador não pode alugar uma televisão com o tubo de imagem queimado. sem necessidade de notificação ou aviso. salvo se em contrário dispuser o contrato. do Código Civil. por exemplo. dá efeitos diferentes (mais sensíveis ainda no caso da locação de prédios urbanos sujeitos à Lei nº 8. A entrega é o ato por meio do qual a coisa locada muda de possuidor. Essa presunção legal admite prova em contrário? C) obrigações do locador As obrigações do locador estão dispostas no art. Entrega – A entrega da coisa. basicamente. junto com os seus acessórios e pertenças. Numa interpretação a contrario sensu. a qual pode ser desdobrada. e presume-se que deve ser feita imediatamente. conforme art. embora não caiba a retenção do aluguel como contrapartida a ausência do cumprimento deste dever. II. pois o locatário não poderá fazer o uso esperado dela. permaneça com a posse da coisa. salvo se houver previsão contratual específica em contrário. extingue-se a locação pelo mero decurso do tempo. 566. deve ser feita em estado de servir ao fim a que se destina. Sendo o contrato por prazo determinado (arts. presume-se prorrogada a locação por prazo indeterminado. qualquer das partes pode resilir o contrato sem o pagamento de penalidades. se deteriorar-se a coisa durante a vigência do contrato. Podem as partes estipular aluguel que não seja em dinheiro? Por quê? No âmbito da discricionariedade das partes. Manutenção – Não basta isso. em que a transferência da posse é perpétua. uma certa proporcionalidade entre o valor do bem e o aluguel cobrado. contudo. sem oposição do locador. pode este pedir a redução proporcional do aluguel. FGV DIREITO RIO 40 . sob pena de invalidação do contrato ou de sua configuração em empréstimo disfarçado ou até mesmo comodato. O art. Dentre todas. todavia. já que o mesmo artigo fala que o locador deve mantê-la neste estado (dever de manutenção).CONTRATOs Em EsPÉCIE Em regra. embora a sua temporariedade o diferencie. 571 estabelece que. a celebração da locação transfere a posse do bem. a não ser que pague as perdas e danos correspondentes. o tratamento jurídico da conservação e reparação do bem. 566. ou até mesmo a resolução do contrato. prolonga-se durante o prazo da locação. o locatário. [iii) prazo – o tempo da locação] A definição legal do contrato de locação já permite que ela seja celebrada tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado. assim como o de garantia. sendo o contrato sem prazo determinado. A lei. na locação por prazo determinado. manutenção e garantia da coisa locada. podem ser deduzidos do aluguel as obras e benfeitorias feitas pelo locatário. O art. se não houver culpa do locatário. O art. 573 e 574).245/1991) ao contrato de locação conforme o seu prazo. por outro. por um lado o locador não pode exigir a devolução da coisa antes do término do contrato. I. a fundamental é a de proporcionar ao locatário o uso e gozo da coisa locado. 566 e seguintes do Código Civil. naturalmente. Esse dever. o locatário também não poderá devolver a coisa sem o pagamento proporcional da multa contratual. Há de haver. mas. 567 do Código Civil reza que. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa durante o tempo do contrato. A questão da manutenção da coisa envolve. em razão de sua natural deterioração. Caso. o pagamento do aluguel é o que diferencia a locação do comodato. [ii) preço – o aluguel] Como dito anteriormente. nos deveres de entrega. portanto.

(iv) Evicção. o locatário deve ser indenizado dos frutos que tiver que restituir. 568. II do código. todavia. respondendo pelas perdas e danos (graduados pelo seu grau de culpa. sem. Isso vale somente para os vícios ocultos ou também para os vícios aparentes? (ii) incômodos ou turbações de terceiros. II. responde pela indenização. o locador indenizará o locatário pelas benfeitorias e os aluguéis são devidos até que o ente público seja imitido na posse da coisa. 289. caso em que pode o locador solicitar as perdas e danos sofridas. Garantia – o já mencionado art. especialmente nos imóveis urbanos. na forma ajustada no contrato. reparos etc. (iii) Abstenção de incômodos. §1º)”18.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como proprietário da coisa. conforme sistematiza Caio Mário da Silva Pereira. Deve também o locatário usar a coisa para os usos convencionados ou presumidos. porém. além da resolução do contrato decorrente da própria evicção. Se. portanto. as despesas dela oriundas. O aluguel está para a locação assim como o preço está para a compra e venda. e. A desapropriação tem um regramento próprio. consertos. (v) Atos da administração pública – não só a desapropriação. Se o locador tinha conhecimento do decreto expropriatório. principal interessado na manutenção do seu valor econômico. ela sobrevier na vigência do contrato. não permite 18 Caio mário. sob pena de resolução do contrato e pagamento das perdas e danos correspondentes. é que o contrato de locação estabeleça exatamente que tipo de despesas caberá o locatário e ao locador. contudo. Se for total. mas também os chamados fatos do príncipe que desnaturem a coisa ou o uso a que ela se destina. in fine. em regra. sobretudo para os vícios ou defeitos posteriores ao contrato) e sujeitando-se à resolução do contrato. conforme o art. com muito mais razão não pode ele praticar atos que venham a prejudicar esta utilização pacífica.467. A mais importante delas é a de pagar pontualmente o aluguel. A prática. art. embora seja normal que o locatário responda pelas despesas de conservação de pequeno porte. tb. tratando-a como se sua fosse (art. 569. além das perdas e danos. Esse dever é imposto mesmo no caso de turbações feitas por colocatários. em regra se atribui ao locador o dever de promover as obras necessárias à sua conservação. 569 do Código Civil. determina ser obrigação do locador garantir ao locatário o uso pacífico da coisa. Isso quer dizer. exceto se causadas pelo próprio locatário (ex. FGV DIREITO RIO 41 . Art. 568. embora caiba ao locatário “o desforço que a lei lhe assegura (Código Civil. Caberia ao locatário o pedido de restituição dos aluguéis pagos? Se parcial a evicção. que o locador deve garantir o locatário quanto a: (i) vícios da coisa. na medida em que em regra o contrato não pode ter sobrevida pelo interesse público subjacente. Art. A lei estabelece inclusive um penhor legal sobre os móveis que guarnecem o imóvel locado como garantia de pagamento. para o fim a que se destina. o locatário pode pedir a resolução do contrato ou abatimento proporcional no aluguel. ou à redução proporcional do aluguel. conforme a escolha do locatário (v. pág. ou defeitos que possam prejudicar o seu uso. mudar a destinação da coisa alugada. 1.: fechamento de estabelecimento comercial pela vigilância sanitária). I). 567). sob esse pretexto. A eventual tolerância do locador. conforme o mesmo art. 566. d) obrigações do locatário: Estão dispostas fundamentalmente no art. 1. Se o locador deve garantir ao locatário o uso pacífico da coisa com relação a terceiros. sendo esse assunto inclusive objeto de regramento próprio na Lei do Inquilinato.210.

Caso o locatário descumpra esse dever. 578). O locatário é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros. 96. deve o locatário restituir a coisa no estado em que a recebeu. salvo por sua deterioração natural. e responderá pelos danos a ela. do local em que ele é celebrado e o princípio da boa-fé objetiva. para que ele. [alienação do bem durante o prazo locatício] A questão está regulada no art.CONTRATOs Em EsPÉCIE afastamento desta regra. possa entrar com as medidas judiciais cabíveis para a proteção de sua propriedade e da posse do locador. O desvio de finalidade é analisado no caso concreto. Tratandose de norma dispositiva. isto é. [direito de retenção] É um poder. O locatário deve ter a diligência esperada para o cuidado com a coisa. Pode-se dizer até que é um dos poucos casos de “Justiça privada” aceita pelo Direito brasileiro. tão logo o locatário tome conhecimento da turbação.245. Esse dever de informação deve ser exercido de modo a permitir a que o locador possa tomar todas as providências para o exercício do seu próprio dever. 19 Art. Art. O adquirente do bem somente estará obrigado a respeitar a locação se o contrato contiver cláusula expressa e tiver sido submetido ao registro próprio. 96. mesmo depois de findo o prazo contratual. como se verá a seguir. As únicas exceções permitidas por lei são as em é conferido ao locatário direito de retenção. por exemplo. parágrafo 3º da Lei nº 10. findo o contrato de locação. de maneira. 20 FGV DIREITO RIO 42 . e também pelas úteis20. podem as partes dispor em contrário no contrato. sem prejuízo das regras específicas da Lei nº 8. deve notificar o locador. contudo. a impedir a deterioração do bem se ela é evidente. ainda que proveniente de caso fortuito. sem prejuízo de seu dever de pequenos reparos e consertos já mencionado. A lei confere direito de retenção ao locatário pelas benfeitorias necessárias19. parágrafo 2º da Lei nº 10. uma defesa que a lei dá ao locatário de conservar em sua posse a coisa alheia locada.406/2002: “são necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore”. por exemplo.406/2002: “são úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem”. 576 do código. enquanto não lhe forem indenizadas as despesas ou perdas sofridas em razão da coisa. caso tenham sido feitas com o consentimento do locador (art. 575: ficará responsável pelos aluguéis enquanto mantiver a coisa em seu poder. no valor arbitrado pelo locador. conforme as circunstâncias do contrato. Por fim. Isso é contrapartida do dever do locador de garantir a coisa locada. a lei provê a solução no art.

eMentário de teMas: Introdução – Âmbito de aplicação – Obrigações das partes – Garantias Locatícias – Prazo e forma – Alienação do imóvel – Locação residencial 1. 301 a 312.4. págs. Instituições de Direito Civil.7. Caio Mário da Silva. • PEREIRA.245. III. e o crescente déficit na oferta de casas tem gerado uma verdadeira sucessão de regras jurídicas sobre o tema. 2005. Pode-se até dizer que a atividade legislativa. FGV DIREITO RIO 43 .7. que o profissional do Direito é levado a lidar. que. como não possui imóvel próprio. decide morar sozinha e. pede ao pai que lhe ceda esse apartamento que se encontra alugado. AulA 7: CONTRATO dE lOCAçãO (lOCAçãO dE PRÉdIOS uRbANOS –– lOCAçãO RESIdENCIAl) 1. a questão habitacional vem sendo uma das maiores preocupações legislativas em todo mundo a partir do Século XX.. 1. 481-573. Pergunta-se: cabe a denúncia “cheia” nos contratos por igual a 30 meses? E se. envolvendo o contrato de locação. sua filha.245/1991. pelo menos no Brasil.1. ora protegendo mais o inquilino. vol. 2006.5. para ela morar. Rio de Janeiro: Forense. ed. é o de locação de prédios urbanos. Rio de Janeiro: Forense. fosse o seu sobrinho? E se o imóvel estivesse sendo vendido? 1. de 18 de outubro de 1991.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Todavia. 6. indubitavelmente o maior número de casos. ao invés da filha.7. 1. todavia. separada do Código Civil.7.3.7. No 17º mês de vigência. Contratos. O regime da locação de imóveis urbanos é de tal importância para o Direito que mereceu uma disciplina própria. Maria Lúcia. roteiro de aula a) introdução Vimos na aula passada o regime geral das locações de coisas no Código Civil. Arnaldo. não foi a primeira legislação específica sobre o tema no Direito brasileiro. com as normas ora protegendo mais o proprietário. Caso Gerador Imagine que o senhor Eduardo Russo tenha alugado um de seus apartamentos em Brasília por 30 meses.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei nº 8. que hoje encontra abrigo na Lei nº 8. em grande parte devido ao fato de que mais de 80% da população brasileira vive em centros urbanos. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. tem-se mostrado até certo ponto pendular. Com efeito. pág.7.

expostas já no parágrafo único do seu art. A própria lei (em seu art. sendo que as duas últimas serão tratadas na próxima aula. embora o contrato possa contemplar cláusula de reajuste (arts. podemos inferir. 79) determina a aplicação subsidiária da legislação geral nos casos omissos. O legislador entendeu que. 54 da lei determina que. por exemplo. 17 e 18). solução que parece mais simples em face do direito constitucional de moradia. no que tange às despesas condominiais. possui caracteres específicos. Isto é. incluem. porém. garantindo o seu uso pacífico inclusive perante terceiros. 22 e 23 da lei. em virtude de exceção expressa no texto legal. O art. imóveis de propriedade de entes públicos.245/1991 todos os imóveis urbanos não incluídos nas exceções legais expressas.504/1964).CONTRATOs Em EsPÉCIE A relativa longevidade da legislação vigente deve-se. como. Uma situação especial diz respeito aos espaços comerciais em shopping centers. como o da boa-fé objetiva e do equilíbrio contratual. sujeitos à aplicação da Lei nº 8. por exemplo. é livre a pactuação das cláusulas do contrato entre locador e locatário. como é o espírito da lei. nos casos limítrofes. O aluguel deve ser fixado em dinheiro. neste caso. vagas autônomas de garagem. a disciplina do Código Civil não é totalmente afastada nas locações de imóveis urbanos. as regras para o uso do estacionamento. obedece mais a um critério funcional/eco/econômico do que um geográfico. É legal esta estipulação? No que tange ao locatário. A experiência mostrou que a proteção demasiada ao locatário. que o contrato transfira para o locatário tais despesas. exceto por algumas questões referentes a despesas condominiais tratadas no próprio artigo. portanto. nestes casos. num patamar imediatamente inferior. É muito comum. apart-hotéis etc. da sua localização dentro do shopping. a submissão a promoções do shopping etc. aplicam-se a este tipo de locação. C) obrigações das partes Estão listadas fundamentalmente nos art. Todos os princípios contratuais expostos no código. b) Âmbito de aplicação Nem todos os imóveis em áreas urbanas estão sujeitos ao tratamento jurídico da Lei do Inquilinato. As exceções ao âmbito de aplicação da lei. Além disso. Como visto na aula anterior. FGV DIREITO RIO 44 . restituindo-o ao locador ao fim do prazo estipulado. A configuração de imóvel urbano. A Lei do Inquilinato regula três tipos de locação: a residencial. Também não se aplica a lei no caso de leasing de imóveis. o impacto social não é tão relevante. Estão. não se verifica um desnível econômico significativo entre as partes que enseje a atuação do legislador. sua obrigação primordial é a de pagar pontualmente o aluguel. as principais obrigações do locador se referem à entrega. Por outro lado. todavia. a não residencial (ou comercial) e a por temporada. 1º. que chegam a extrapolar a mera relação locatícia de transferência da posse. de locadores e locatários. gerava um aumento no preço dos aluguéis. aumentando o déficit habitacional. e não ao contrário. em regra. o intérprete decidirá preponderantemente de acordo com a atividade econômica praticada ou desenvolvida naquele imóvel. ou seja. nem tampouco uma necessidade social tutelável. a variação do aluguel a ser pago em função do faturamento da loja. está o dever de cuidar do imóvel e servir-se dele para o fim acordado no contrato. Esse tipo de locação. manutenção e garantia da posse do locatário. Os imóveis rurais são regulados pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4. ao fato de que procura equilibrar os interesses. normalmente contrapostos. permitir o uso e gozo pleno do imóvel pelo locatário.

Resumidamente. o direito de vender o bem continua com o proprietário. em regra. o adquirente pode denunciar o contrato de locação.CONTRATOs Em EsPÉCIE d) Garantias locatícias A lei estabelece que o locador pode exigir do locatário uma das seguintes garantias: (i) caução. Não lhe é permitido. o direito de uso e gozo. não estará obrigado a respeitar o prazo da avença. 37. não depende de forma específica. o contrato de locação transfere ao locatário a posse do bem. FGV DIREITO RIO 45 . recebe um tempero especial quando se trata de locação residencial. o art. gozar e dispor de seus bens. Além disso. Todavia. consensual e não solene. no prazo de 30 dias contados do conhecimento da proposta. Por isso. desde que. Primeiramente. ou (ii) manter-se na posse do imóvel. então. a mais importante no regime da lei. cumulativamente. Este requisito é indispensável para possibilitar a manutenção do contrato em caso de alienação do imóvel. necessariamente excludentes entre si: (i) exercer a preferência para compra do imóvel em igualdade de condições com o terceiro. se for superior a dez anos. de adquirir o imóvel em condições de igualdade de condições com o terceiro. o contrato contenha cláusula de vigência e esteja averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. 27. consolidar novamente posse e propriedade em suas mãos. não pode o locador reaver o imóvel locado. porém. 1. 3º da lei determina que o contrato pode ser ajustado por qualquer prazo. A questão do prazo é. e o locatário somente poderá devolvê-lo mediante pagamento proporcional da multa estipulada no acordo. todavia. apesar de o contrato de locação ser. mas. mas a lei regula – e confere alguns direitos ao locatário nestas hipóteses – a forma e o procedimento que deve ser respeitado pelo proprietário e pelo adquirente no caso de venda do imóvel alugado. isto é. a regra geral é que se resolve o contrato de locação. já que a depender do que as partes acordarem os efeitos serão bem distintos. e o contrato foi averbado na matrícula do imóvel no Registro de Imóveis. a lei faculta ao proprietário o direito de exigir um reforço – ou até mesmo uma troca – da garantia nas hipóteses previstas no art. a diversidade de efeitos do registro no caso da alienação do imóvel é um grande incentivo não só a reduzir o contrato por escrito como também averbá-lo na matrícula do imóvel. na forma do art. durante a vigência do contrato. se não obtido. o art. ou (iii) seguro de fiança locatícia. Quanto à forma. em regra. isto é. e) Prazo e forma O art. Como já vimos anteriormente. a lei confere ao locatário dois direitos. para o locatário. conforme dispõe o art.228) confere ao proprietário o direito de usar. como já dito anteriormente. que. Por outro lado. permanecendo o contrato em vigência. Tal regra. se o proprietário vender o imóvel. como se verá adiante. A regra geral é a de que. 8º da lei estabelece que quando o contrato contém a chamada “cláusula de vigência”. 40 da lei. a lei determina que o contrato é consensual. que a proteção jurídica do locatário independe da forma escrita do contrato? f) alienação do imóvel O sistema de propriedade adotado pelo nosso código (art. Pode-se dizer. o adquirente não poderá denunciar o contrato. 27 cria um direito de preferência. solicitar o acúmulo de garantias para um mesmo contrato. talvez. Sendo assim. depende do consentimento do cônjuge do proprietário. Entretanto. (ii) fiança.

• Só cabe a denúncia “cheia” – nos casos previstos no art. 47) Igual ou superior a 30 meses (art. FGV DIREITO RIO 46 . a locação prorroga-se imediatamente por prazo indeterminado. Seu elemento essencial é a habitualidade”. O principal traço da locação residencial diz respeito ao prazo. mesmo se para os seus administradores (art. ainda que sem a intenção de nele permanecer sempre. Findo o prazo. 55). 21 RIZZARDO. onde ela se estabelece com ânimo definitivo. pág. 486. Pessoa jurídica não pode ser parte em contrato de locação residencial. Esse é o lugar da “atividade jurídica da pessoa”. foi surpreendido com uma notificação para desocupar o imóvel no prazo de doze meses. A hipótese importa para o locatário: a. com prorrogação automática se não houver oposição do locador. 46) Efeito • o locador pode denunciar o contrato a qualquer tempo. devolvendo-o nas mesmas condições que o recebeu. “Residência é o lugar onde alguém fica habitualmente. proceder a desocupação do imóvel.CONTRATOs Em EsPÉCIE G) locação residencial Locação residencial é aquela destinada à habitação de pessoas. O direito a uma indenização proporcional ao número de anos em razão do rompimento imotivado do contrato. b. Rio de Janeiro: Forense. que pode ou não ser o mesmo local do domicílio. e cabe o locatário desocupar o imóvel em trinta dias. fixa o parâmetro dos 30 (trinta) meses como razoável para o prazo locatício. 47 não podem ser afastadas pelas partes. no qual o legislador fixou uma referência (30 meses) em torno da qual os efeitos do contrato e os direitos e obrigações das partes serão modificados. tem um prazo de trinta dias para desocupação do imóvel (art.Poderá ficar ainda mais três meses além do prazo estabelecido. portanto. ed.6. onde pratica em regra os seus atos jurídicos. sob pena de nulidade do contrato (art. após os trinta meses cabe a “denúncia vazia”. Destinam-se à habitação da pessoa natural. 6. 46. O direito de não pagar os locativos no período estipulado na notificação. §2º) • Findo o prazo estabelecido. Arnaldo. 2006. imotivada. A lei. exercida a denúncia. 45). As prorrogações previstas no art. c. • A resolução do contrato ocorre no fim do prazo estipulado. Para melhor entendimento da matéria. 47. • o locatário. 1. aquela. questões de ConCurso (Prova: 09º Exame de Ordem . Contratos. isto é. especialmente no que tange à denúncia do contrato.21 Não devem ser confundidas as noções jurídicas de residência e de domicílio. d.7. sempre. • Nesse tipo de prorrogação. estudemos a tabela abaixo: Prazo Contratual Indeterminado Inferior a 30 meses (art. tendo sempre cumprido rigorosamente todas as condições do contrato.1ª fase) Arnaldo reside há dez anos consecutivos em um imóvel locado através de instrumento escrito e atualmente vigorando por prazo indeterminado. a morada habitual da pessoa.

O adquirente não poderá denunciar o contrato se este vigorar por prazo indeterminado. presumindo-se. a concordância na manutenção da locação.1ª fase) sendo alienado o imóvel durante a vigência de contrato de locação: a. salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel. independentemente de cláusula de vigência em razão do princípio “venda rompe a locação”. após esse prazo. O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de sessenta dias para desocupação.A denúncia deverá ser exercitada no prazo de 30 dias contados do registro da venda ou do compromisso. d. c. FGV DIREITO RIO 47 . O adquirente poderá denunciar o contrato com prazo de noventa dias para desocupação.CONTRATOs Em EsPÉCIE (Prova: 02º Exame de Ordem . b.

CONTRATOs Em EsPÉCIE

1.8. AulA 8: CONTRATO dE lOCAçãO

1.8.1. eMentário de teMas: Introdução - Locação para temporada - Locação não residencial - Ações locatícias. 1.8.2. biblioGrafia obriGatória: • Lei 8.245/1991. • RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. Saraiva, 2002, vol. 3, págs. 227 a 239. 1.8.3. biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO, Arnaldo. Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2006. págs. 481-573. • VENOSA, Silvio de Salvo. Lei do inquilinato comentada. São Paulo: Atlas, 1997. Comentários aos artigos 48 a 57. • FUX, Luiz. Locações - Processo e Procedimento. Rio de Janeiro: Destaque, 1999. 1.8.4. Caso Gerador Durante o curso da diligência legal, recebemos uma cópia de um contrato de locação não residencial de uma das lojas dos Supermercados Pechincha, celebrado inicialmente em 1º de janeiro de 2000 com prazo de vigência até 31 de dezembro de 2005. Questionada sobre o vencimento do contrato, a senhora Maria Lúcia Russo alegou que o advogado da Pechincha Comércio Varejista Ltda. a orientou a escudar-se no parágrafo único do art. 56, que garante a permanência do locatário se não houver oposição do locador no prazo de 30 dias. Sendo assim, ela argumenta que, passados vários meses do prazo legal, o contrato deve ser considerado como renovado. Como advogado da Grana Certa S/A, quais são os riscos para o seu cliente dessa situação? Seu chefe no escritório, preocupado com isso, pede a você uma pesquisa para verificar se é possível a propositura de ação renovatória. O que você responde a ele? Paralelamente, o senhor Odin Heiro pretende contratar um administrador profissional para assumir a administração da Pechincha Ltda. quando o negócio for fechado. Dentro do pacote oferecido para os candidatos à vaga, inclui-se o pagamento de aluguel de uma mansão no Lago Sul, em Brasília, onde serão sediadas as operações da Grana Certa S/A no ramo de distribuição alimentícia. Neste cenário, o seu cliente lhe pergunta qual seria o prazo recomendável para a vigência do contrato. O que você diz a ele? 1.8.5. roteiro de aula a) introdução A Lei nº 8.245/1991, além das locações residenciais, estabelece ainda o regime das locações não-residenciais (ou comerciais) e por temporada, cada qual com uma finalidade econômica específica. Assim, a Lei do Inquilinato divide em três grandes sistemáticas o regramento das locações prediais urbanas, atendendo aos bens jurídicos respectivamente tutelados – a locação residencial protege o direito à habitação, a
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locação não residencial protege o fundo de comércio e a locação por temporada, por não ser nem habitacional nem parte de atividade econômica, merece regulamento próprio. b) locação para temporada O conceito de locação para temporada está disposto no art. 48 da Lei do Inquilinato, segundo o qual são requisitos para a caracterização da locação para temporada o fim ao qual é destinado o imóvel (recreativo ou na necessidade do locatário de celebrar o contrato, seja por realização de curso, seja por tratamento de saúde ou obras em seu imóvel), e o prazo de sua vigência (que não pode ser superior a 90 (noventa) dias). O prazo superior a 90 (noventa) dias descaracteriza a locação como para temporada. O art. 50 mostra que, se permanecer o locatário no imóvel para além do prazo máximo estipulado, não é possível mais se exigir o pagamento antecipado do aluguel, descaracterizando a temporada. Assim, o artigo equipara à locação residencial, só podendo ser denunciado nas hipóteses do art. 47. Parte da doutrina entende que é necessário contrato escrito. Embora contivesse do projeto original uma disposição específica neste sentido, há quem entenda que o prazo exíguo a torna incompatível com o contrato verbal, sobretudo porque o contrato não escrito, como pode não deixar claro o prazo contratado, pode ser confundido com uma locação residencial comum. E você, acha necessária, conceitualmente, a forma escrita para a locação por temporada? Em todo caso, se o imóvel estiver mobiliado, o parágrafo único determina que deva constar do contrato o rol dos móveis e utensílios que o guarnecem, bem como o estado em que se encontra. E se as partes não procederem assim, qual a sanção jurídica? Torna-se inválido o contrato? Outro grande traço da locação para temporada é a possibilidade de exigência, por parte do locador, de recebimento dos aluguéis antecipadamente, o que é vedado para os demais tipos de locação segundo o art. 20. Se, todavia, o contrato for resolvido, por algumas das hipóteses estabelecidas no art. 9º, o locador será obrigado a devolver, proporcionalmente, o valor recebido antecipadamente, sob pena de seu enriquecimento sem causa. C) locação não residencial Considera-se locação não residencial, naturalmente, aquela que não é destinada à habitação de pessoas. Sempre que a destinação do imóvel não for a moradia de alguém, será para fins não residenciais. O contrato de locação não residencial ganha uma importância maior na medida em que pode ser – e quase sempre é – parte integrante do fundo de comércio (ou fundo de empresa) do empresário. O ponto, o estabelecimento, a loja, são partes fundamentais da atividade empresarial, apesar de ser um bem imaterial, e, desta forma, não pode o legislador – que sempre procura preservar a atividade empresarial, em prol do crescimento econômico (que gera empregos e tributos) – tratar esse tipo de locação da mesma forma que trata a locação residencial. Como o legislador se utilizou da expressão “não residencial”, e não de “empresa”, “empresário” etc., é irrelevante para a lei se a atividade desenvolvida no local é empresarial, civil, industrial, ou qualquer outra. O critério da lei é residual – todas as locações que não sejam destinadas à moradia de pessoas naturais são “não residenciais” e sua disciplina então é a aplicável. Há também a locação não residencial por força de lei, estabelecida no art. 55 da lei. De modo a proteger, então, a atividade econômica, o legislador, ao contrário do que ocorre na locação residencial, outorgou ao locatário, nestes casos, um direito à renovação compulsória, ao qual corresponde uma ação – a ação renovatória. Note-se que a possibilidade de renovação compulsória do contrato encerra uma revolução paradigmática no direito dos contratos: a vigência do contrato independe da vontade de uma das partes. Em outras palavras: o locador pode inclusive ter manifestado sua intenção de não renovar
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o contrato, mas se o locatário cumprir os requisitos legais, o juiz deverá autorizar a manutenção da vigência do contrato. A rescisão do contrato, em regra, nesses casos, se dá ao fim de seu prazo, conforme estabelecido no art. 56 da lei, que dá um tratamento semelhante ao que ocorre na locação residencial. Para que o locador possa fazer jus ao direito à renovação compulsória, a lei exige determinados requisitos que devem constar do contrato, necessariamente. Tais requisitos estão expostos nos três incisos do art. 51, que são cumulativos, ou seja, é necessária a presença das três condições para a possibilidade da renovação compulsória. Vale ressaltar que, neste caso, a lei é cogente; significa dizer que o contrato não pode afastar a possibilidade de renovação, estando presentes os requisitos legais. Note que (i) a lei obriga que o contrato seja por escrito – volta-se aquela definição vista anteriormente: o contrato é consensual, mas dependendo de sua finalidade, a forma escrita garantirá uma determinada sorte de efeitos; e (ii) o legislador realmente privilegia a formação do “fundo de empresa” quando estabelece prazos mínimos e requer que seja o mesmo ramo de atividade. No que tange ao inciso II, ressalte-se que se o contrato for estipulado por menos de cinco anos e houver um lapso temporal entre o seu vencimento e a sua efetiva renovação, a jurisprudência entende que se computa este tempo, valendo o tempo que o inquilino está no imóvel. Um outro requisito fundamental de validade da ação renovatória está previsto no §5º do referido artigo, que estabelece um prazo decadencial para a propositura da ação, de seis meses, entre um ano e seis meses antes do vencimento previsto do contrato vigente. Portanto, quando você estiver estagiando em um escritório e tiver que protocolar um prazo de ação renovatória, muita atenção: NÃO PERCA O PRAZO; seu cliente pode sofrer gravíssimos prejuízos. Dê uma olhada atenta nos arts. 52 e 53 da lei – lá estão estabelecidas algumas exceções à regra da renovação compulsória, por matéria de política legislativa. Luvas: é uma quantia paga pelo locatário, além dos aluguéis, para o locador, como adiantamento ou para a renovação do contrato. No regime anterior da locação não residencial, sua cobrança era permitida. No atual sistema legislativo, parte da doutrina acha que a lei atual não veda a cobrança, que ocorria, na prática, mesmo com a existência de vedação expressa do decreto anterior (lei de luvas). Mas não é matéria pacificada; alguns entendem que o Art. 45 proíbe a cobrança de luvas. d) ações locatícias Por fim, e sem querer entrar na aula do professor de Processo Civil, a Lei do Inquilinato possui regras processuais específicas para o caso de locação de imóvel urbano, criando alguns remédios para locadores e locatários sujeitos ao âmbito da lei. 1) Ação de despejo (art. 59) – é a ação utilizada pelo locador para retomar o imóvel, por qualquer que seja o motivo (e não somente por falta de pagamento). Assim, sempre que o locatário se mantiver na posse do imóvel e a lei conferir ao locador o direito de retomada, ele poderá propor a ação de despejo e poderá, inclusive, pedir liminar ao juiz para desocupação em 15 (quinze) dias, nos casos previstos no art. 59. Se a ação de despejo for proposta com fundamento na falta do pagamento pontual do aluguel, o objeto da ação incluirá também a cobrança dos valores devidos, não sendo necessária, até mesmo por um primado de economia processual, a propositura de ação de cobrança. O locatário poderá, nesse caso, impedir a resolução do contrato mediante a “purga da mora”, isto é, o depósito judicial do valor do débito atualizado, com multa, juros e encargos. 2) Ação de consignação de aluguel (art. 67) – é a ação do locatário quando o locador se nega a receber os valores do aluguel, e por meio da qual ele irá depositar em juízo a importância que acha devida, indicada na petição inicial.
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por prazo determinado de 5 (cinco) anos. que também será discutido na ação (art. na locação não residencial. 3) Ação revisional de aluguel (art. Prova: 24º Exame de Ordem . a retribuição a ser paga pelo locatário. iniciou tratativas com o locador. levantar o depósito sobre o valor que não está sendo mais objeto da disputa. existe. ajustando-se. na data de hoje.PROVA DIsCURsIVA Padaria Alvino.8. Vale ressaltar que. questões de ConCurso (Prova: 21º Exame de Ordem . A necessidade de realização de obras urgentes. expondo todo o caso concreto e desejando sua opinião sobre a possibilidade de compelir a realização da renovação contratual. IV). gerando um enriquecimento sem causa do locatário. lhe procura como advogado. 4) Ação renovatória (art. ou não. 1. 68) – serve para qualquer tipo de locação prevista no ordenamento. c. alguma solução judicial para a questão? Qual? Explique e fundamente a sua resposta FGV DIREITO RIO 51 . Tinha muita relevância na época da escalada inflacionária.CONTRATOs Em EsPÉCIE Caso o locador levante o depósito ou não oferecer contestação. desta forma. 73). A intenção de se instalar no imóvel com comércio no mesmo ramo que o inquilino. pretendendo renovar a relação. d. as quais restaram infrutíferas. o legislador limitou as matérias de fato que podem ser objeto da contestação do locador. o juiz acolherá o pedido (art.6. Não preenchimento dos requisitos legais para a renovação. b. a locatária. de radical transformação no imóvel. conforme visto acima. poderá ser cobrada a diferença aferida no valor dos aluguéis. face à resistência do locador. no art. basicamente o que se busca é uma perícia judicial para que seja arbitrado o valor de mercado justo do imóvel. em contrato de locação não residencial.2ª fase . que não deseja renovar o contrato. na maioria das vezes o autor da ação era o locador.1ª fase) Não é defesa possível ao locador na ação renovatória: a. Neste caso. Assim. em que muitas vezes o locador era prejudicado por um índice defasado no contrato. Pergunta-se: no caso concreto. Nessa ação. também por medida de economia processual. 67. 72. celebrado em 01/12/1999. 71) – é aquela usada para a renovação compulsória da locação. Por outro lado. o locatário poderá. Sendo assim. na qualidade de locatária. Proposta de terceiro para a locação em condições melhores. no intuito de preservar o fundo de empresa. determinadas pelo poder público. a qualquer tempo.

Direito Civil. Obrigações do comodatário. com seus atos constitutivos registrados na Junta Comercial de Brasília sob o número 11111111. com sede em Brasília. e pelas seguintes cláusulas e condições: FGV DIREITO RIO 52 . biblioGrafia obriGatória: • Arts.4.. págs. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. vol.). Quadra ABC (o “Imóvel”). (coord. REsOLVEm. matrícula 555 do Cartório de Registro de Imóveis do Distrito Federal.9. 1. doravante denominada simplesmente “Comodante”. individualmente. Saraiva. 1.9. Tendo em vista a importância desse imóvel para a rede de supermercados e. CONSIDERANDO QUE: a Comodante é proprietária e legítima possuidora do imóvel localizado no Lago Sul.9. potencial adquirente do negócio. Comodante e Comodatária são doravante. Silvio. que será regido pelo artigo 579 e seguintes do Código Civil.9. Características. São Paulo: Ed. que comentários você teria a fazer com relação ao contrato abaixo? CONTRATO DE COmODATO XYZ LTDA.406/2002.1. 255 a 261.. 1. págs. Comodante e Comodatária. Caso Gerador: Recebemos na diligência o contrato de comodato de um dos imóveis utilizados pela rede de Supermercados Pechincha. 3. conjuntamente. celebrar o presente Contrato. Sr. Parte Especial. vol. neste ato representada por seu representante legal. São Paulo: Saraiva. AulA 9: EmPRÉSTImO (COmOdATO) 1. Antônio Junqueira de. Extinção do comodato.9. 2003.2. Distrito Federal. In: AZEVEDO. eMentário de teMas: Introdução. Teresa Ancona. biblioGrafia CoMPleMentar: • LOPEZ. doravante denominada simplesmente “Comodatária”. para o nosso cliente. conseqüentemente. neste ato representada por seu representante legal.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. denominadas “Partes” e. • RODRIGUES. 7. 579 a 585 da Lei nº 10. São Paulo-SP. 82 a 130. 2002. a Comodatária tem interesse na utilização do Imóvel e que a Comodante deseja dar em comodato à Comodatária parte do Imóvel. Eduardo Russo.3. e PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA. Das várias espécies de contratos. sociedade limitada com sede na Rua dos Oitis. inscrita no CNPJ/MF sob nº 00000000. “Parte”. Comentários ao Código Civil.

5. bem como a cessão ou transferência dos direitos e obrigações oriundos deste Contrato. na ocorrência de qualquer uma das seguintes hipóteses: (a) protesto de títulos de responsabilidade da Comodatária. a defendê-la contra ameaças. A Comodante reserva-se o direito de rescindir este Contrato. vedada sua utilização para qualquer outra finalidade sem o prévio e expresso consentimento da Comodante. Do Objeto. ressalvado o desgaste natural decorrente do uso regular do Imóvel. 1.1. Fica desde já ajustado entre as Partes que as benfeitorias realizadas pela Comodatária no Imóvel não criarão para a Comodatária direito a qualquer indenização. pessoais ou fiscais. luz. vedado à Comodatária o aluguel ou comodato do Imóvel. A Comodante declara. 4. 5. Da Imissão na Posse. 5.2.1. sem prejuízo das sanções aplicáveis. 4. ou ainda restrições de qualquer natureza.1.2. em conformidade com o seu Contrato Social e respectivas alterações. comprometendo-se a não lhe causar danos ou avarias e a conservá-lo no mesmo estado em que o recebeu. sem o expresso e inequívoco consentimento da Comodante. A Comodatária declara que utilizará o Imóvel ora dado em comodato exclusivamente para a consecução de seus objetivos sociais. se realizadas pela Comodatária. Da Utilização da Área. 2. A Comodatária será exclusivamente responsável pelo pagamento de todas as despesas ordinárias tais como. A Comodatária será a responsável exclusiva pelo custeio de todas e quaisquer despesas decorrentes de adaptações e reformas eventualmente realizadas a fim de permitir a instalação e o funcionamento das atividades da Comodatária no Imóvel. a partir da posse. Neste ato. gás. FGV DIREITO RIO 53 . não podendo a Comodatária reter o Imóvel nos termos deste Contrato pelas benfeitorias nele realizadas. na forma do artigo 582 do Código Civil. 1. 5. ou (c) utilização do Imóvel para outros fins além daqueles descritos neste Contrato. ou (b) pedido de concordata ou falência da Comodatária. 3.2. O presente Contrato poderá ser rescindido por qualquer uma das Partes. mediante notificação com efeitos imediatos. serão consideradas despesas necessárias para o uso e gozo do Imóvel. de qualquer de suas cláusulas e/ou condições. obrigando-se.3. Da Vigência e da Rescisão. que o Imóvel se encontra livre e desembaraçado de quaisquer ônus reais. Tais adaptações e reformas. 2.1. Das Despesas. para todos os fins de direito. na melhor forma de direito. Fica. sob pena de responder por perdas e danos. 2. turbações ou esbulhos e a preservar o Imóvel como se seu fosse. desde já. pela outra Parte. impostos e demais encargos que recaiam sobre o Imóvel. a Comodante cede em comodato à Comodatária o Imóvel. O presente Contrato é celebrado por prazo indeterminado. a preservar e manter em perfeito estado de conservação e limpeza o Imóvel cedido. ficando. Durante a vigência do presente Contrato.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. taxas. a Comodatária é imitida na posse do Imóvel. água. e as benfeitorias delas decorrentes a ele se incorporarão. ainda.3. em caso de inobservância. 1. 2. caso tais irregularidades não sejam sanadas dentro de 02 (dois) dias contados a partir da data do recebimento de aviso escrito enviado pela Parte prejudicada.2.1. 3. bem como sobre o exercício de suas atividades. a Comodatária se obriga. Pelo presente Contrato. podendo ser rescindido por qualquer das Partes mediante aviso prévio de 30 (trinta) dias. desde já.

2002. pág. na vigência deste instrumento. por qualquer das Partes à outra. avisos ou comunicações exigidas.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. e-mail com comprovação de recebimento. com renúncia expressa de qualquer outro.9. 8. Testemunhas: Nome: RG: Nome: RG: 1. silvio. As Partes elegem o foro da comarca da capital do Estado de São Paulo como competente para solucionar qualquer conflito decorrente do presente Contrato. a qualquer tempo. Das Notificações. ao termo do negócio”23. vol.406/2002: “são fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Existem duas espécies de empréstimo: comodato e mútuo.1. no qual o comodatário recebe a coisa emprestada para uso. por mais privilegiado que seja. permitidas ou decorrentes deste Contrato. 6. eminentemente gratuito. dirigidos e/ou entregues às Partes nos endereços constantes do preâmbulo deste Contrato ou em outro endereço que uma das Partes venha a comunicar à outra. 7. Das Penalidades. qualidade e quantidade”. as Partes assinam o presente Contrato de Comodato em três vias de igual teor e forma na presença de duas testemunhas abaixo assinadas.1. 3. 255. 22 RODRIGUEs. Do Foro. 23 FGV DIREITO RIO 54 . Relembrando: art. para ser devolvido em espécie ou gênero. roteiro de aula a) introdução Empréstimo é o contrato pelo qual uma das partes entrega um bem à outra. deverão ser feitas por carta com aviso ou protocolo de recebimento ou. A Parte que infringir qualquer das cláusulas ou condições do presente Contrato ficará sujeita ao pagamento.1. saraiva. são Paulo: Ed. 8. ainda. fax.5. 7. devendo devolver a mesma coisa. Nesta aula. 85 da Lei nº 10. dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. “O comodato é o empréstimo de coisa não fungível22. 10 de novembro de 1995. veremos as características do comodato e na próxima aula estudaremos as diferenças entre comodato e mútuo e as regras específicas do mútuo. à Parte inocente. Direito Civil. Brasília. Pechincha Comércio Varejista Ltda. das perdas e danos a que tiver dado causa. Todas as notificações. por notificação judicial ou extrajudicial. POR EsTAREm AssIm JUsTAs E CONTRATADAs.

mesmo em caso de força maior. já analisada neste curso. Vale notar que no comodato. exceto se ele comprovar necessidade urgente e imprevista para exigi-lo antes. – Restituir a coisa emprestada no momento devido – O comodatário deve restituir o bem no prazo acordado. C) obrigações do comodatário – Velar pela conservação da coisa – O comodatário deve zelar pela coisa como se própria fosse. 579 da Lei nº 10. onde os clientes podem tomar um gostoso cafezinho. incumbem obrigações apenas ao comodatário. portanto. portanto. Não havendo prazo expressamente pactuado. embora as máquinas permaneçam no supermercado. Se o contrato for omisso quanto à finalidade. o domínio não é transferido ao comodatário. Perfaz-se com a tradição do objeto”. o comodante não pode exigir o bem antes do termo do contrato. embora haja transferência do bem. FGV DIREITO RIO 55 . 394 a 401 da Lei nº 10. – Unilateral – após a entrega do bem. que descumpra a obrigação de devolver o bem no prazo. Não basta a mera troca de consentimentos. – Usar a coisa de forma adequada – O bem em comodato só poderá ser usado. Assim. que cedeu duas máquinas em comodato ao supermercado para que os clientes comprem os produtos e coloquem nas máquinas que ficam ali à disposição. o prazo do contrato já terminou. – Não solene – a lei não prescreve qualquer forma. o Supermercado Pechincha entrou em acordo com uma renomada empresa de café expresso. o comodatário privilegiar a segurança de seus bens próprios. poderia ser confundido com a locação. Um dos diferenciais do Supermercado Pechincha é o atendimento aos clientes.406/2002. Para tanto. o comodatário responde pelo dano que venha a ser sofrido pelo comodante. deve ser restituído findo o prazo necessário para a finalidade para a qual ele foi emprestado. A princípio. O comodatário. Pela análise do artigo acima. abandonando os bens do comodante. é possível extrair três elementos desse contrato: a gratuidade. é: – Gratuito – caso fosse oneroso. deve ser entendido que a coisa foi emprestada para ser utilizada de acordo com sua natureza. se em caso de risco.406/2002: “O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. a não-fungibilidade do objeto e a necessidade de sua tradição para o aperfeiçoamento do negócio. fica em mora e. pelo comodatário. uma área perto da seção de confeitaria. sujeito aos efeitos da mora24. Há. Que conseqüências podem resultar desse fato? d) extinção do Comodato O contrato de comodato se extingue: 24 Rever arts. A natureza jurídica do contrato de comodato. por exemplo. para a finalidade e de acordo com os termos do contrato de comodato. Recebemos o contrato celebrado entre o Supermercado Pechincha e a empresa de café e notamos que. – Real – é necessário que o bem seja transferido ao comodatário para que o contrato exista.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Características Art.

CONTRATOs Em EsPÉCIE – pelo decurso do prazo pactuado ou. alegaram que o contrato de comodato ainda estaria em vigor e que a moto era responsável por uma boa parte da renda do restaurante uma vez que viabilizava o serviço de entrega em domicílio. de acordo com os herdeiros. caso não haja termo ajustado. embora o contrato de comodato tivesse sido celebrado com Irene. por sua vez. caso prove a superveniência de necessidade imprevista e urgente. Sabendo que Irene tinha acabado de abrir um restaurante e que queria implementar um serviço de entrega em domicílio. Os herdeiros de Irene. Irene e Vital eram amigos desde a época do colégio. após o uso pelo comodatário de acordo com a finalidade para que foi emprestada. alegando que somente tinha feito aquele contrato porque conhecia muito bem Irene e que agora não fazia sentido manter o contrato de comodato. a rescisão decorrerá de sentença judicial que reconheça o advento de necessidade urgente e imprevisível à época do negócio. o comodante estava ciente de que não era ela quem dirigia a moto. Se você fosse o juiz. como julgaria a questão? FGV DIREITO RIO 56 . Nesse caso. Ocorre que. Irene veio a falecer poucos dias depois. infelizmente. se o comodatário descumpre qualquer de suas obrigações. Além disso. Apesar de estar muito chateado. Vital deu sua moto em comodato a Irene. Vital pleiteou em juízo a resolução do contrato de comodato. – pelo comodante. – pelo comodante.

o comodatário recebe coisa não fungível. Parte Especial.. Comentários ao Código Civil. apresentam algumas diferenças. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.. 53 a 77. Revista de Direito Bancário.). do Mercado de Capitais e da Arbitragem 26. 7. • RODRIGUES.169 a 187. São Paulo: RT. 1. AulA 10: EmPRÉSTImO (múTuO) 1. o mutuário tem que entregar ao mutuante. In: AZEVEDO. (coord. 586 da Lei nº 10. págs. São Paulo: RT. – Transferência de domínio – Enquanto no comodato. roteiro de aula a) diferenças entre mútuo e comodato Embora ambos sejam espécie do gênero empréstimo. Juros no Código Civil de 2002. • LOPEZ.406/2002. Saraiva. Silvio.Mútuo oneroso ou feneratício . Ao explicar a situação. FGV DIREITO RIO 57 . Caso Gerador: Nosso cliente. Juros e o novo Código Civil. mas não necessariamente o mesmo recebido. no mútuo.-dez. é o “empréstimo de coisas fungíveis”. tais como: – Objeto – Como vimos na aula anterior. tendo que devolvê-la ao comodante ao final do comodato. Das várias espécies de contratos.Mudança na situação econômica do devedor . biblioGrafia CoMPleMentar: • RIZZARDO. 2004.10. São Paulo: Ed. São Paulo: Saraiva. Ele comenta que soube que houve muita discussão a respeito da cobrança de juros com a edição do novo Código Civil e lhe consulta sobre esta questão. biblioGrafia obriGatória: • Arts.1. do Mercado de Capitais e da Arbitragem 22. eMentário de teMas: Diferenças entre mútuo e comodato – Características . conforme art. 3. diferentemente do que ocorre no comodato. Grana Certa Empreendimentos S.A.406/2002.3. Revista de Direito Bancário. 10. Dessa diferença decorre a segunda distinção entre comodato e mútuo. pretende obter recursos.10.10. As coisas fungíveis são substituíveis por outras.10. não deixe de apontar as diferenças entre o regime geral do mútuo no Código Civil e o mútuo bancário. no mútuo. out. 2002.10. 261 a 268. Já o mútuo. 586 a 592 da Lei nº. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. um bem que tenha as mesmas características do que o recebido. o domínio do bem é transferido pelo mutuante ao mutuário.4. 2003. Direito Civil. 67 a 110. out. 2003. Arnaldo.-dez. no prazo pactuado. para viabilizar a compra da participação na Pechincha Comércio Varejista Ltda. vol. Antônio Junqueira de.Prazos no mútuo. págs. Desta forma. • FONSECA. o comodato é o empréstimo de coisas não fungíveis. 1. vol. como o bem emprestado é fungível..2.10. 1. por meio de mútuo. págs. Rodrigo Garcia da. págs.5. Teresa Ancona.

– Unilateral – Como o contrato somente se concretiza com a entrega do bem pelo mutuante ao mutuário. 227 da Lei nº 10. o legislador prevê no art. d) Mútuo oneroso ou feneratício O caso mais usual de mútuo é o empréstimo de dinheiro.00 a João Alberto. que no caso de notória mudança na situação econômica.00. sendo conveniente. – Não solene – A lei não determina uma forma obrigatória para a celebração do mútuo. prevista no art. 25 FGV DIREITO RIO 58 . no caso de ajuda a um amigo. Curioso e atraído pela conversa de seu amigo.406/2002. sem ter a obrigação de consertá-la ou pagar pelo seu conserto. assim como o supermercado pôde entregar apenas a máquina quebrada. Atualmente. Como não tinha recursos para fazê-lo. para devolvê-lo no prazo de seis meses.000. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados”. O que você responde? Quais são as principais diferenças entre a locação e o comodato e a locação e o mútuo? b) Características O mútuo é contrato: – Real – Só se aperfeiçoa com a entrega da coisa. tendo em vista que agora ele só tem metade desse valor. contudo. Jeremias lhe procura e pergunta se tem obrigação de devolver a João Alberto os R$ 500. não é admitida apenas a prova testemunhal. 227 da Lei nº 10. é possível dizer que a partir desse momento apenas o mutuário tem obrigações para com o mutuante. com a previsão de juros sobre o valor emprestado. como também oneroso. no caso de negócios jurídicos de valor superior a dez salários mínimos. assim como o valor das ações que foram adquiridas pelo amigo de Jeremias.406/2002: “salvo os casos expressos. celebrar esse tipo de contrato por escrito.CONTRATOs Em EsPÉCIE Jeremias vinha conversando muito com um amigo que se dizia entendido de investimentos na bolsa de valores. Vale lembrar que o art. uma vez que a única obrigação do mutuante seria a entrega da coisa. Dessa forma. 333 da Lei nº 10.406/2002 e 401 do Código de Processo Civil. Caput do art. que é a remuneração pelo uso do capital. 402 do Código de Processo Civil prevê exceções a regra do arts. por exemplo. Jeremias entregou o dinheiro ao amigo para que ele fizesse o investimento na bolsa. No dia fixado para pagamento do mútuo. aplica-se a regra geral25 de que. Ocorre que a bolsa de valores despencou. C) Mudança na situação econômica do devedor Seguindo a orientação de proteção ao credor. – Gratuito ou oneroso – O contrato de mútuo tanto pode ser gratuito. Jeremias pediu R$ 500. Ele lembra que certa vez uma das máquinas de café expresso emprestadas para uma das filiais do supermercado quebrou e que o supermercado teve apenas que devolvê-la a empresa proprietária das máquinas. mas essa é necessária para que o contrato exista. Jeremias decidiu investir em ações. acrescido de juros. No mútuo oneroso ou feneratício. Para provar a existência do mútuo.000. tem sido cada vez mais comum a pactuação de mútuos onerosos. o mutuante pode exigir do mutuário garantia de que poderá cumprir sua obrigação de pagar o mútuo. não bastando o acordo entre as partes. 590 da mesma lei. o mutuário deve devolver ao mutuante valor equivalente ao recebido. portanto. ele também pagaria ao João Alberto apenas o que havia sobrado.

as partes são livres para pactuar a taxa de juros. 10. 29 Lei nº 9. são Paulo: saraiva. 406 da mesma lei para fixar teto para a taxa de juros: Art. e) Prazos no mútuo Caso as partes não convencionem o prazo para o término do mútuo. 406.065/95 FGV DIREITO RIO 59 . resultantes da utilização permitida desse capital”27. 406 da Lei nº. 10. 28 “Comentários ao Código Civil. pois esses bens têm disciplina específica prevista nos incisos anteriores. os frutos produzidos pelo dinheiro. por sua vez. 27 “Comentários ao Código Civil. 175. “Os juros. inclusive.406/2002 remete ao art. pg. A princípio. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. Atualmente. a cobrança de juros não só é aceitável. pág.406/2002 não faz referência a um tipo específico de juros. Parte Especial. 2003. da mesma forma que o aluguel é o rendimento produzido pela coisa cedida em locação. No Código Civil de 1916. Já no Código Civil de 2002. a indenização por descumprimento de uma obrigação pecuniária. do ponto de vista moral e religioso.CONTRATOs Em EsPÉCIE A cobrança de juros vem sendo discutida durante a história. 2003. 26 “Comentários ao Código Civil. são Paulo: saraiva. portanto. ou quando provierem de determinação de lei. É bem acessório e depende do principal”26. Vol. Os juros são classificados em juros remuneratórios e juros moratórios.406/2002: “Quando os juros moratórios não forem convencionados. Aplicam-se quando o devedor deixar de cumprir sua obrigação no tempo acordado como credor”28. Vol. Teresa Ancona Lopez. O art. Esse prazo deve ser razoável para que o mutuário possa usar e gozar do bem mutuado. Das várias espécies de contratos”. Vale ressaltar o prazo previsto no inciso III do referido artigo: “do espaço de tempo que declarar o mutuante. Parte Especial. “Os juros remuneratórios podem ser definidos como os frutos de um capital emprestado. desde que seja observado o limite máximo estabelecido no referido art. Dessa forma. 7. a fixação dos juros tinha que ser expressa. são definidos como o rendimento do capital. 7. 591 da Lei nº. ou o forem sem taxa estipulada. Essa regra não se aplica ao mútuo de dinheiro ou de produtos agrícolas. 591 da Lei nº. 175. “Os juros moratórios. Vol. 10. 2003. pág. Teresa Ancona Lopez. mesmo que não haja previsão expressa de cobrança de juros. Teresa Ancona Lopez. são Paulo: saraiva. se for de qualquer outra coisa fungível”. são definidos como a compensação. 7. o Código Civil estabeleceu prazos em seu artigo 592. Das várias espécies de contratos”. Parte Especial. eles são presumidamente devidos no caso de mútuo para fins econômicos. como também é muito comum. podemos afirmar que ele refere-se aos dois tipos: remuneratórios e moratórios. 174. (coord) Antônio Junqueira de Azevedo. serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional”. Das várias espécies de contratos”. Como o art. de um modo geral. Os juros legais decorrem de imposição legal e os juros convencionais decorrem da vontade das partes. o mutuante poderá intimar o mutuário para restituir o bem no prazo que fixar. A taxa em vigor para pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)29. Os juros também podem ser legais ou convencionais.

CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. c. diante do constrangimento decorrente da relação de parentesco. Diante desta hipótese João poderá: a.6. não cuidou de obter sua assinatura em documento que tornasse hábil a futura cobrança. FGV DIREITO RIO 60 . Nada poderá fazer.1ª fase) João tendo emprestado certa importância a seu primo José. Poderá se valer de prova testemunhal. pois dívida não se comprova com testemunha. Só poderá se valer de testemunhas se estas forem em número de quatro ou mais. sendo certo que tais tratativas verbais ocorreram na presença de manoel e Joaquim. d. questões de ConCurso (Prova: 12º Exame de Ordem .10. independentemente do valor contratado. face ao impedimento moral existente. b. Não existe previsão legal para esta hipótese.

000. agência e distribuição. Empreitada – Introdução.introdução No Código Civil anterior.11. vol 3. RODRIGUES. o termo “locação” é utilizado apenas para coisas e não mais para pessoas. Riscos com aumento ou redução de preços. Características da Empreitada. Modernamente. Pedro acaba de avisar à Maria Lúcia. Obrigações do Empreiteiro. roteiro de aula a) Prestação de serviços . há mais de cinco meses. como executor de uma obra para ampliação do estacionamento da loja. 593 a 626 da Lei n° 10. que está completamente irada. para análise de contratos que ali estavam.11. Perguntado sobre o descumprimento do prazo e do orçamento previstos.11. Há serviços específicos que são tratados em seção específica do Código Civil. que ele não tinha como prever quando foi contratado. que em razão de um acidente ocorrido no dia anterior. III. FGV DIREITO RIO 61 . eMentário de teMas Prestação de Serviços – Introdução.406/2002. EmPREITAdA.2. o material que iria ser utilizado para revestir as paredes do estacionamento deteriorou-se e que será necessário repor boa parte do material. Ocorre que a obra já ultrapassou tanto a previsão de tempo quanto a de custo e Pedro ainda está cobrando de Maria Lúcia valores adicionais pela obra. como orientaríamos Maria Lúcia? E se. um rapaz conhecido por ser um bom empreiteiro. págs. como transporte.1.11. Rio de Janeiro: Forense. AulA 11: PRESTAçãO dE SERVIçOS. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. Caio Mário da Silva. Características da Prestação de Serviços. encontramos Maria Lúcia. O Código Civil regula a prestação de serviços residual. A previsão inicial era de que a obra duraria três meses e custaria R$ 20. Silvio. São Paulo: Ed. Pedro alega que alguns materiais necessários para a obra tiveram seus preços reajustados e que o projeto original sofreu modificações durante a obra. Se fôssemos advogados do Supermercado Pechincha. a prestação de serviços era tratada como “locação de serviços”. filha do senhor Eduardo Russo e administradora das lojas. o “trabalho avulso feito por pessoa física ou jurídica (geralmente microempresa) e o trabalho dos profissionais liberais”. 1. Obrigações do dono da obra. Ela conta que contratou. ou seja.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. corretagem. Para piorar. o que poderíamos alegar? 1. vol. 375 a 384. O trabalho com vínculo empregatício é regulado pelo Direito do Trabalho. Espécies de Empreitada.4. biblioGrafia obriGatória Arts.3. ou até mesmo em lei específica. 1. ao contrário. fôssemos advogados do empreiteiro.00. 1. págs. 243 a 253. Caso Gerador Em visita a uma das filiais do supermercado Pechincha. 2005. como os serviços de telefonia e bancário. 2002. Saraiva. Instituições de Direito Civil. Pedro.11. PEREIRA. Direito Civil.

objeto lícito e forma. Não solene – a lei não impõe forma específica para sua execução. Pode ser ajustado verbalmente.introdução Empreitada é o contrato por meio do qual o empreiteiro “se compromete a executar determinada obra. como poderíamos classificar o contrato de prestação de serviços? Tendo atuado muitos anos no comércio varejista.406/2002). 2 RODRIGUEs. 2002. O empreiteiro só pode exigir acréscimo no preço do dono da obra se forem feitas modificações no projeto a ser implementado. FGV DIREITO RIO 62 . vol 3. Direito Civil. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. (art. Silvio. O empreiteiro entrega a obra e o dono da obra entrega o preço. Consensual – se aperfeiçoa com a mera vontade das partes. nos pergunta se há alguma providência que possa ser tomada caso o senhor Eugênio resolva parar de trabalhar para o Supermercado Pechincha. tivemos conhecimento de que Jeremias Russo vinha mantendo conversas e negociações com o senhor Eugênio para que ele parasse de prestar serviços ao supermercado e passasse a trabalhar para o seu sócio em um novo negócio que Jeremias estava pensando em abrir.CONTRATOs Em EsPÉCIE Desde que respeitados os pressupostos e requisitos1 para os negócios jurídicos. e) riscos com aumento ou redução de preços Em regra. Saraiva. qualquer espécie de serviço pode ser objeto do contrato de prestação de serviço. Ao saber disso. C) empreitada . b) Características da Prestação de serviços Relembrando nossa primeira aula. o senhor Eugênio foi contratado com exclusividade pelo Supermercado Pechincha para prestar serviços de pesquisa de técnicas de atração ao consumidor. se esse presente às obras verificou a alteração no projeto e não protestou. de acordo com instruções deste e sem relação de subordinação”2. Oneroso – envolve um “sacrifício” patrimonial para ambas as partes. salvo estipulação em contrário. em troca de certa remuneração fixa a ser paga pelo outro contraente – dono da obra -. pessoalmente ou por terceiros. São Paulo: Ed. nosso cliente. como ocorre no mútuo. o senhor Odin Heiro. os riscos da alta ou baixa do preço dos materiais e do salário são assumidos pelo empreiteiro. por meio de instruções por escrito do dono da obra e. no caso de não haver autorização escrita do dono da obra. Quais são as diferenças entre o contrato de empreitada e o de prestação de serviços? d) Características da empreitada O contrato de empreitada é: Bilateral ou sinalagmático – envolve prestação de ambas as partes. sem que seja necessária a entrega da coisa. 1 Relembrando: capacidade das partes. pág. sendo a ausência de protesto considerada uma aceitação tácita do dono da obra. Durante a diligência. preocupado. 619 da Lei n° 10.243.

que não observou. corretamente a obrigaçao.Ajuizando ação com fundamento na exceptio non rite adimpleti contractus.406/2002. responde o devedor por perdas e danos. devido a isso pensa em extinguir o contrato que mantém com ele.5. ele será tido como em mora.11. 441 e seguintes da Lei n° 10. d. rigorosamente. Embora não haja previsão legal. o dono da obra tem duas alternativas: rejeitar a coisa ou recebê-la com abatimento do preço. Por sua vez. conforme regra geral4.406/2002: “Não cumprida a obrigação. Caso o dono da obra recuse o recebimento da coisa sem motivo. A lei prevê ainda uma regra específica no caso de empreitada de edifícios e outras construções consideráveis. 4 Art. fica sujeito à obrigação de reparar o prejuízo. O dono da obra tem obrigação de receber a coisa. Para os vícios ocultos. Ela lhe procura com a seguinte pergunta: qual é a regra geral para suspensão dos serviços no caso de empreitada? 1. se o empreiteiro não atende as especificações contratadas. em razão dos materiais como do solo. 5 FGV DIREITO RIO 63 . mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos.CONTRATOs Em EsPÉCIE f) espécies de empreitada Empreitada de lavor – aquela em que o empreiteiro contribui apenas com seu trabalho. Arts. Ao ser entregue.1ª fase) “A” obrigou-se a construir para “B” um edifício. questões de ConCurso (Prova: 29º Exame de Ordem . aplicam-se as regras de vício redibitório5. Aguardando que este cumpra. segundo a qual o empreiteiro de materiais e execução responderá pela solidez e segurança do trabalho. Para os defeitos aparentes. a doutrina entende que o empreiteiro tem direito de retenção. 389 da Lei nº 10. a obra pode ter defeitos aparentes ou ocultos. Caso o empreiteiro não cumpra as obrigações do contrato. Ajuizando ação com fundamento na cláusula rebus sic stantibus. ficando responsável pelos efeitos decorrentes da mora. durante o prazo de cinco anos. H) obrigações do dono da obra A principal obrigação do dona da obra é efetuar o pagamento do preço. “B” alega que houve cumprimento insatisfatório e inadequado da obrigação por parte de “A”. a lei criou as alternativas referidas acima. cuja obra foi concluída segundo afirmativa categórica de “A” no prazo estabelecido pelo contrato. de 10 andares. Além disso. como garantia do pagamento do preço. a qualidade dos materias especificados no memorial de incorporação. c. e honorários de advogado”. não podendo recusar injustificadamente o seu recebimento. Empreitada mista – aquela em que o empreiteiro contribui com mão-de-obra e materiais. Assim “B” suspende os últimos pagamentos devidos a “A”: a. Ajuizando ação com fundamento na exceptio non adimpleti contractus. Por que é importante distinguir entre a empreitada de lavor e a empreitada mista? G) obrigações do empreiteiro A principal obrigação do empreiteiro é entregar a coisa no tempo e na forma acertados. b. Maria Lúcia está muito insatisfeita com o trabalho do senhor Pedro.

ficamos hospedados no Hotel Descanse em Paz. Silvio. Caso Gerador Os Supermercados Pechincha ficam em Brasília. 2002.12. fomos conversar com o gerente do hotel. para nossa surpresa. 1. ele nos mostrou uma placa afixada na recepção que assim dizia: “O HOTEL NÃO sE REsPONsABILIZA PELOs OBJETOs DEIXADOs NO INTERIOR DOs APARTAmENTOs”.12. 627 a 652 da Lei nº 10. AulA 12: dEPóSITO 1. Um dia. págs. Depósito Voluntário.1. O contrato de depósito voluntário é classificado como: – Real – o contrato de depósito só se aperfeiçoa com a entrega do bem. RODRIGUES. O depósito tem por objeto apenas bens móveis. por isso. eMentário de teMas Introdução. encontramos nossos quartos revirados e percebemos que alguns itens pessoais. Como argumento final. São Paulo: Ed. até que o depositante o reclame”. não basta apenas a celebração do contrato. Depósito Necessário.4. Em nossa última viagem. como relógios e aparelhos de celular.12.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. por não terem utilizados os cofres eletrônicos de segurança postos à disposição nos apartamentos em que nos hospedamos. Saraiva. Qual é a principal diferença entre o contrato de depósito e o contrato de comodato? O depositário não pode utilizar a coisa depositada. Direito Civil.12.406/2002. FGV DIREITO RIO 64 . E agora? O gerente tem razão? 1. roteiro de aula a) introdução Conforme dispõe o artigo 627 da Lei nº 10. haviam sido furtados.3.2. para guardar. no entanto. biblioGrafia obriGatória Arts. 640 da Lei nº 10. (art. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.406/2002. 269 a 282. Este. durante a diligência. Há duas espécies de depósito reguladas pelo Código Civil: o voluntário e o necessário. Aborrecidos com o acontecimento. ao voltarmos do trabalho para o hotel. a não ser que tenha expressa autorização do depositante. tivemos que fazer algumas visitas ao supermercado.406/2002). vol 3. nos disse que o hotel nada tinha a fazer e que um eventual prejuízo deveria ser imputado à própria omissão dos hóspedes. 1. b) depósito voluntário É aquele ajustado única e exclusivamente em razão da vontade das partes.12. o contrato de depósito é aquele segundo o qual “recebe o depositário um bem móvel.

mas descobriu que o mesmo foi deteriorado em um recente LOPEZ. vendendo-os a terceiros. 7. comentários ao código civil. Antônio Junqueira de. se exceder ao décuplo do salário mínimo vigente. necessitará de prova outra. Nesse sentido. apenas para sua prova. Teresa Ancona. provar a ocorrência de força maior (art. o contrato de depósito é gratuito. entende-se que ele é um contrato intuitu personae. deverá reparar o prejuízo do depositante. independentemente do debate a respeito das duas espécies de forma. São Paulo: Saraiva. para a sua prova. Art. A Lei prevê que o depositário poderá devolver a coisa ou depositá-la judicialmente. (coord. 642 da Lei nº 10. já falecido. p. – Obrigação de restituir a coisa – O depositário deve devolver o bem ao depositante quando solicitado. A coisa deve ser restituída no estado em que foi recebida pelo depositário. qualquer começo de prova escrita (cf. O depositário não responde pela deterioração ou perda do bem em caso de força maior. 635 da Lei nº 10. era depositário dos seguintes bens: um baú de madeira. cabendo a ele. muitos sustentam que não há o caráter intuitu personae. Entretanto. Caso o depositário não cumpra essa obrigação. “Assim.406/2002 disponha que o “depósito voluntário provar-se-á por escrito”. Conforme artigo 629. Quanto ao carro. não puder continuar a guardá-la (art. se o depositante se recusar a recebê-la. Nada impede. Já no depósito oneroso. – Unilateral ou bilateral – após o aperfeiçoamento do contrato. independentemente do prazo inicialmente ajustado entre as partes. Quando o depósito é gratuito. o depositário que não restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano. É necessário. cabem obrigações apenas para o depositário. admitindo-se. 227 do CC de 2002)”6. Nosso cliente. Uma das sanções previstas para o descumprimento da obrigação de restituir o bem depositado é a prisão civil. por motivo plausível. porém.406/2002). acompanhada dos frutos e acrescidos. e ressarcir os prejuízos”.). Das várias espécies de contratos. porém. pois tem por base a confiança que o depositante tem no depositário. Obrigações do depositário: – Obrigação de guardar a coisa alheia – é a obrigação inerente e principal do contrato de depósito. um conjunto de xícaras de porcelana e um automóvel. que pode ser pactuado sem qualquer formalidade pelas partes e mesmo assim existirá e será válido. podemos concluir que esta não é da essência do contrato de depósito. No caso de depósito oneroso. o depositário é obrigado a conservar a coisa como se sua fosse. em regra. que não a testemunhal. 646 da Lei nº 10. muitos autores entendem que não há forma prevista para a validade do ato.406/2002 dispõe: “Seja o depósito voluntário ou necessário. porém. 414. Parte Especial. sendo assim uma das exceções ao princípio de que ninguém pode ser preso em razão de dívidas. para tanto. quando. analisar o caso específico para classificar o depósito como gratuito ou oneroso e unilateral ou bilateral. ele manteve o mesmo na garagem do pai. nos procura para falar sobre um assunto pessoal. ele se desfez do baú de madeira e do conjunto de xícaras. – Gratuito ou oneroso – De acordo com o Código Civil. Ele desabafa que está com problemas porque descobriu que seu pai. senhor Odin Heiro. Desconhecendo a existência desse contrato de depósito.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Não solene – embora o art. – Obrigação de conservar a coisa alheia – essa obrigação é uma conseqüência da obrigação de guardar. que as partes convencionem uma retribuição ao depositário. In: AZEVEDO.406/2002). com a entrega do bem pelo depositante ao depositário. o art. portanto. 2003. 652 da Lei n° 10. cabe ao depositante a obrigação de pagar ao depositário. 6 FGV DIREITO RIO 65 . vol.

8 FGV DIREITO RIO 66 . e pediu a devolução dos bens.). mas sim empréstimos”8. O legislador entendeu que nesses casos deveriam ser aplicadas as regras referentes ao mútuo. 7 LOPEZ. Alguns dias depois.). não há um depósito. Teresa Ancona. 411.CONTRATOs Em EsPÉCIE incêndio ocorrido no prédio. mas um genuíno empréstimo por força da intenção das partes”7. feitos como meio de guardar valores e perceber rendimentos e juros. C) depósito necessário O depósito necessário ocorre nas seguintes hipóteses: – depósito para desempenho de obrigação legal. vol. Como ajudar Marvim nessa situação? É possível enquadrar o vizinho como depositário infiel mesmo sem a existência de um contrato entre eles? Cabe a prisão civil nesse caso? LOPEZ.. como a de reembolsar as despesas feitas pelo depositário na guarda da coisa e de indenizá-lo pelos prejuízos que venha a ter em razão do depósito. a senhora Juracema deveria ter pago ao seu pai uma quantia semestral como pagamento pelo depósito e que sabia que ela não havia efetuado o pagamento de. pelo menos. Parte Especial. Ao contrário do depósito voluntário que se presume gratuito. 7. A autora conclui: “em conclusão. depositante dos bens. Teresa Ancona. os chamados depósitos bancários não são depósitos. comentários ao código civil. vol. 2003. (coord. Marvim retirou apressadamente alguns objetos. Odin Heiro. procurou nosso cliente. como a televisão e o computador. 412. Mesmo nos casos em que o contrato é unilateral. cabem ao depositante algumas obrigações que não decorrem da natureza do contrato de depósito em si. Há discussão na doutrina quanto à natureza do depósito bancário. Em um dia de chuvas torrenciais. Parte Especial. Das várias espécies de contratos. Alguma providência a tomar quanto a esse caso? Obrigações do depositante: Como vimos. quando foi buscar a televisão e o computador. de acordo com o contrato. ocorre quando o bem depositado é dinheiro. Antônio Junqueira de. foi surpreendido com a alegação do vizinho de que não devolveria aqueles bens. nos depósitos bancários. o depósito necessário presume-se oneroso. comentários ao código civil. mostrou o contrato que foi celebrado entre eles. duas últimas contribuições. p. sabendo do falecimento do pai do senhor. o contrato de depósito é unilateral quando o contrato é gratuito e bilateral quando o contrato é oneroso. Das várias espécies de contratos. 2003. São Paulo: Saraiva. a senhora Juracema. pois de acordo com Teresa Ancona Lopez: “. teve melhor sorte com a chuva. In: AZEVEDO. São Paulo: Saraiva. Em regra. por morar em uma área de ladeira. 7. Antônio Junqueira de.. mas sim de obrigações subsidiárias. p. ele nos pergunta: O contrato de depósito se extingue com a morte do depositário? O herdeiro tem alguma responsabilidade quanto aos bens depositados? O que fazer tendo em vista que alguns bens foram vendidos e outro foi deteriorado? Ele reparou que. Dias atrás. ao ver sua casa inundando. In: AZEVEDO. e – depósito que se faz em situação de calamidade. Depósito de coisas fungíveis É o chamado depósito irregular. e os deixou na casa de um vizinho que. Estes são equiparados ao depósito necessário e ao depósito de bagagens em hospedarias. Diante dessa situação. (coord.

13. – Não solene – embora a lei determine que a procuração é o instrumento do mandato. Qual a diferença entre o mandato e a comissão? b) Classificação O mandato é contrato: – Consensual – para que se aperfeiçoe basta a vontade das partes. 1.3. Obrigações do Mandatário. o senhor Odin Heiro. 653 a 692 da Lei nº 10. Revogação e Extinção do Mandato. Obrigações do Mandante. outorgou uma procuração a um dos funcionários de sua confiança. págs.1.13. 656 da Lei n° 10. ou seja. o senhor Justin Case.406/2002) FGV DIREITO RIO 67 . é possível o mandato tácito e o verbal (art. para adquirir a participação na Pechincha Ltda.. 1. 1.406/2002.13.13.A. O mandatário age em nome do mandante. Classificação. AulA 13: mANdATO. Caso Gerador Sabendo que estaria fora do país na provável época da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. biblioGrafia obriGatória Arts. ele poderia outorgar a um amigo uma procuração para se casar em seu lugar? Ele poderia substabelecer a outro funcionário da companhia os poderes que lhe foram outorgados na procuração para assinar o contrato de compra e venda? 1. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. 283 a 305. o senhor Justin Case lhe pergunta: ele poderia casar por procuração. o mandante se faz representar pelo mandatário. roteiro de aula a) introdução Por meio do mandato.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. São Paulo: Ed.13. na qualidade de diretor e representante da Grana Certa Empreendimentos S. eMentário de teMas Introdução.. Direito Civil. Sem querer desapontar o senhor Odin Heiro e muito menos a sua noiva.2. Saraiva. Ao ser comunicado desse fato. vol 3. Silvio.4. Procuração e Substabelecimento. RODRIGUES. o senhor Justin Case nos contou que o senhor Odin Heiro se esqueceu apenas de um pequeno detalhe: há uma boa probabilidade de a assinatura do contrato ocorrer justamente no período no qual Justin Case ia tirar férias para se casar com sua noiva no Paraná. 2002.

por exemplo.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Gratuito – não havendo estipulação de remuneração. exceto para aqueles que exigem instrumento particular ou público. A procuração pode ser outorgada por instrumento público ou particular. pois ele é um instrumento para que o advogado possa defender os interesses de seu cliente e exercer seu ofício. a procuração não é indispensável para conclusão de negócios. Sendo o mandato outorgado por instrumento público. Tendo em vista que a lei admite mandato tácito. é indispensável conferir a procuração e os poderes que foram outorgados para não correr o risco de que o contrato seja ineficaz em relação ao mandante. hipotecar. Saraiva. uma vez que o mandante confere poderes a alguém de sua confiança. não se presume gratuito. salvo se este os ratificar”. Assim. ou o tenha sem poderes suficientes. tendo em vista que o artigo 662 da Lei n° 10. salvo raras exceções que serão vistas adiante. O mandato outorgado a advogado. Pode um advogado prestar serviço advocatícios sem mandato e vice-versa? C) Procuração e substabelecimento A procuração é o instrumento do mandato. 9 RODRIGUEs. – Agir com o zelo necessário e diligência habitual na defesa dos interesses do mandante (art.406/2002 dispõe que: “os atos praticados por quem não tenha mandato. Se o mandatário agir extrapolando os poderes que lhe foram conferidos. são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados. Cabe ao mandatário provar que não houve culpa sua para se livrar de ser responsabilizado pelo prejuízo que venha a ser sofrido pelo mandante. transigir. 289. Dessa forma. naturalmente o substabelecimento deverá ser outorgado também por instrumento público. Havendo remuneração prevista.406/2002) – O mandatário deve atuar respeitando os poderes outorgados na procuração. – Unilateral – sendo o mandato gratuito. pois implicará obrigações para ambas as partes. o Código Civil exige que a procuração contenha poderes expressos. exceto quando tem por objeto a realização de atos que o mandatário realiza profissionalmente. o ato é inválido para o mandante. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. vol 3. o mandato será extinto. pág.406/2002) – o mandatário é responsável pelos prejuízos causados ao mandante. Antes de contratar com alguém que se apresente como mandatário do outro contratante. Silvio. certo? Para efetuar determinados atos como alienar. um mandato com poderes de administração em geral não bastaria para que o mandatário assinasse escritura de hipoteca em nome do mandante. presume-se que o mandato é gratuito. 2002. sendo oneroso. ele será unilateral. Direito Civil. será bilateral. Substabelecimento “é o ato pelo qual o mandatário transfere ao substabelecido. quando eles resultarem de culpa do mandatário. FGV DIREITO RIO 68 . O mandato é intuitu personae. a não ser que este venha a ratificar o ato posteriormente. os poderes que lhe foram conferidos pelo mandante”9. ou seja. d) obrigações do Mandatário As obrigações do mandatário são: – Agir em nome do mandante (art. 667 da Lei n° 10. havendo morte de uma das partes. 653 da Lei n° 10. São Paulo: Ed.

inclusive fazer entrevistas e ajustar salários. Meses depois. desde que não resultem de culpa do mandatário ou de excesso de poderes (art. com poderes idênticos. mas não exceder os limites do mandato. deixando a família de seu amigo “na mão”. 647 da Lei n° 10.406/2002) – Prosseguir no exercício do mandato mesmo após extinção do mandato por morte. 668 da Lei n° 10. antes mesmo que ele houvesse efetuado a transferência do imóvel para seu nome. Ocorre que. ele diz que acha que não há nada mais a ser feito. o tal conhecido acabou adquirindo a casa para si próprio.406/2002) – O mandante.406/2002). Mesmo tendo conhecimento da nova procuração. tendo. Muito chateado com a situação. o senhor Eduardo Russo resolveu outorgar procuração. 678 da Lei n° 10. interdição ou mudança de estado do mandante. um pouco decepcionado pelo andamento dos trabalhos do filho.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Prestar contas de sua gerência ao mandante e transferir ao mandante todas as vantagens obtidas nos negócios – (art. ele havia sido constituído mandatário de sua tia Gertrudes para transferir a ele próprio um imóvel que era de propriedade da referida tia. Jeremias continuou a utilizar a procuração que havia recebido e a fazer entrevistas. somente se vincula dentro dos termos previstos na procuração. podendo. a sua filha. Como você orienta o seu amigo? e) obrigações do Mandante – Cumprir os compromissos assumidos pelo mandatário em seu nome (arts. contratado alguns empregados. Jeremias. – Indenizar o mandatário pelos prejuízos que venha a sofrer em cumprimento ao mandato. 675 e 676 da Lei n° 10. É verdade? FGV DIREITO RIO 69 . 675 e 679 da Lei n° 10. Maria Lúcia. preocupado. ambos são mandatários do pai? Jeremias pode continuar a desempenhar os poderes que a ele foram outorgados? A contratação dos empregados é válida? O senhor Odin Heiro lhe procura. para concluir negócio já iniciado ou até ser substituído quando for para impedir que o mandante ou seus herdeiros sofram prejuízo (art. porém. até porque o tal conhecido já até devolveu ao pai dele a quantia que havia recebido para pagar o sinal do imóvel.406/2002). Maria Lúcia lhe pergunta: afinal.406/2002). – Pagar ao mandatário a remuneração ajustada. tia Gertrudes faleceu inesperadamente. – Adiantar ao mandatário os valores necessários ou reembolsá-lo pelas despesas efetuadas em razão do cumprimento do mandato (arts. inclusive. caso o mandato seja oneroso (art. Um amigo seu lhe conta que o pai dele havia nomeado um conhecido como procurador dele para adquirir uma bela casa em Itaipava. em razão de alguns acordos familiares. pois. infelizmente. neste caso. se o mandatário contrariar as instruções do mandante. Aproveitando-se das ótimas condições do negócio.406/2002). 676 da Lei n° 10. tendo apenas ação de perdas e danos contra o mandatário pela inobservância das instruções. Vale notar que. o mandante ficará obrigado a cumprir as obrigações perante terceiros. para contratar pessoas para trabalharem em sua fazenda. E agora? Ele ouviu dizer que o mandato se extingue com a morte de uma das partes. f) revogação e extinção do mandato O senhor Eduardo Russo outorgou uma procuração ao seu filho.

diga qual não está adequada à procuração em causa própria: a. outorgou escritura definitiva de imóvel prometido vender a Estela. caracteriza: a. Posteriormente. na qualidade de procuradora de Pedro.1ª fase) A procuração outorgada a vários procuradores com esfera de atuação devidamente delimitada. com a morte. veio a saber que Pedro falecera dias antes.13.Ato é perfeitamente válido uma vez que visava a ultimação de negócio já iniciado. outorgando-lhe procuração para que Caio assine por Tício a escritura definitiva quando Caio tiver quitado integralmente o preço. representando Tício quando tiver quitado o preço? FGV DIREITO RIO 70 . b. cessou o valor da procuração. Mandato plural conjunto. Ato é anulável. Mandato plural solidário. b. Ato é tido como inexistente ou insubsistente. É válida a revogação ou poderá Caio assinar a escritura de compra e venda. Diante do ocorrido. vítima de um acidente automobilístico. Ato praticado é nulo de pleno direito.5.Subsiste mesmo após a morte do mandante (Prova: 13º Exame de Ordem . d.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. questões de ConCurso (Prova: 28º Exame de Ordem .1ª fase) maria José. Prova: 26º Exame de Ordem .Tício prometeu vender a Caio um imóvel. conseqüentemente. vez que. c. (Prova: 26º Exame de Ordem .Mandato plural substitutivo. d. Tício revogou a procuração. utilizando-se dos poderes especiais constantes da procuração. É irrevogável b. c. fica isento de prestar contas ao mandante c.1ª fase) Dentre as características abaixo arroladas. É essencial para o advogado que postula em Juízo em causa própria d. mas dependerá da iniciativa dos interessados. vez que o preço já se achava quitado. Posteriormente.2ª fase PROVA DIsCURsIVA 4 . É outorgada no interesse exclusivo do mandatário que. Mandato plural fracionário. podemos dizer que: a. cabendo a cada um agir apenas em seu setor.

1. Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua. Francisco Wanderson Pinho. Tendo em vista os novos entendimentos e analisando as regras específicas de cada um desses tipos jurídicos. BERGER. do ponto de vista do supermercado? Utilizando a planilha abaixo como base.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Instituições de Direito Civil . Teresina. Jus Navigandi.2006.uol. Antonio Felix de Araujo.2. 2003. págs. jun. compare as vantagens e desvantagens que cada uma dessas figuras jurídicas poderia trazer ao supermercado. Acesso em 03. que o novo Código Civil gerou algumas discussões acerca dos contratos de agência.societario.14. br/demarest/svrepresentacao.ago. mundo Jurídico. Silvio de Salvo.3. n.ago. distribuição e representação.ago. ano 7.com.1. 1.4. Caso Gerador É possível perceber. com as alterações da Lei nº 8.Contratos. 66. AgêNCIA E dISTRIbuIçãO (REPRESENTAçãO COmERCIAl). Acesso em: 04 ago. Rio de Janeiro: Forense. agência e distribuição.org.vol. Disponível em: <http://jus2. já pensando no futuro. Caio Mário da Silva. Agência e Distribuição x Representação Comercial. 2006.14. Disponível em www. Disponível em: http://cacbufc.420/1992. Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil.br/artigos/verartigo. É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil . eMentário de teMas Análise e comparação das características da comissão.com.886/1965. como você orientaria o senhor Odin Heiro que. (em anexo) 1.2006 (em anexo) VENOSA.adv. BiBliografia oBrigatória Arts.asp?id=215.14. Lei nº 4. AulAS 14 E 15: COmISSãO. por meio da leitura dos textos obrigatórios e dos recomendados. Aspecto responsabilidade perante terceiros responsabilidade pela solvência das pessoas com quem contratar exclusividade dever de obediência às instruções do comitente/ proponente remuneração demissão sem justa causa demissão por justa causa Morte do comissário/ agente direito de retenção demais regras aplicáveis especificidades Comissão Agência/ distribuição FGV DIREITO RIO 71 .406/2002. A representação no novo Código Civil. 2005 .14.mundojuridico. JÚNIOR.br. br/doutrina/texto. Acesso em: 03. Disponível em: www.2006. 693 a 721 da Lei nº 10.14. pensa em contratar terceiros para fazer a revenda dos produtos do Supermercado Pechincha? Qual seria o contrato mais seguro.html Acesso em: 03. 1. Humberto Theodoro. III. (em anexo) PEREIRA. biblioGrafia CoMPleMentar CINTRA. (em anexo) DANTAS. 389 a 393.asp?id=4148>. Renato.

3. foi revogada pela lei n° 10. contratando o serviço de empregados. A nomenclatura legal . Outros empresários adquirem do fabricante esses produtos. o empresário sente a necessidade de atuar além dos limites físicos do estabelecimento. aceito por grande parte da doutrina. Presta serviço tendente a promover a compra e venda. Os elementos essenciais do contrato de agência. então. leitura obriGatória: Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil autor: Humberto theodoro júnior Publicado em: 29/9/2005 SUMÁRIO: 1.406/2002? 1. ele mesmo.1. O contrato de agência no direito brasileiro. Recorre à mão de obra alheia. alguns empregados de sair do estabelecimento para ir em busca de clientes na praça da empresa ou em outras praças. Os empregados que captam clientela nestas circunstâncias são os viajantes e pracistas. o vende ao consumidor. 5. Todos. o produtor não tem condições de explorar individualmente seu negócio.2. Direito comparado. Contratos afins. FGV DIREITO RIO 72 . 4. também com o mesmo propósito de revendê-los no mercado. Agência e distribuição por conta própria (revenda). que fazem do agenciamento de clientela o objeto de suas empresas. 2. que regulava especificamente as atividades dos representantes comerciais. Conforme o volume da produção e da comercialização. atuam dentro do estabelecimento sob o comando direto do empresário. o artesão cria o produto. 3. 5. pois o agente é um representante autônomo. 4. o empresário pode contratar esse serviço junto a outros empresários. ou concessão comercial. 8. O fabricante cria os produtos com o fim de colocá-los no mercado. por meio do contrato de trabalho. Noções introdutórias. Encarrega. O agente faz da intermediação de negócios sua profissão.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. para melhor colocação de suas mercadorias. contratos de colaboração empresarial. que organiza sua própria empresa e a dirige. que será concluída pelo preponente.4. Sujeitos do contrato de agência. Num estágio primário da exploração do mercado.14. Já então o fornecedor não terá comando do processo. expõe-no à venda e.886/1965. sem interferência dos empresários que utilizam seus serviços. nessa cadeia. Nesse momento surge o fenômeno da representação comercial ou agência. 9. 8. O instrumento jurídico básico de que se valem os empresários. você entende que a lei n° 4. 5. que se integram à estrutura operacional da empresa. seja na produção seja na comercialização. Em lugar de usar empregados para angariar clientes fora do estabelecimento. Natureza jurídica. porém. 5.as partes no contato de agência. 6. Numa escala mais desenvolvida do processo industrial. Agência e comissão. 7. 5. A representação comercial. noções introdutórias A atividade comercial realiza a circulação de produtos na cadeia econômica entre a produção e o consumo. Embora atuando fora do recinto do estabelecimento do empresário.6. O objeto do contrato de agência.1. Agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho). 1.14. é o contrato de compra e venda. Agência e mandato. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado.1. Conceito de contrato de agência. roteiro de aula a) qual é a principal diferença entre o contrato de comissão e o de agência? b) Partindo do pressuposto. de que agência e representação comercial são o mesmo contrato. que integra a categoria dos chamados.5. continuam vinculados à estrutura organizacional permanente da empresa.

confundir-se com a concessão comercial. nos moldes de sua configuração legal. por ele consumados.65). atribui à atividade tradicional da representação comercial o nomen iuris de agência. Pode. fornecimento. cuja função econômica e jurídica se localiza no terreno da captação de clientela. de maneira que. único. mas o faz em nome e por conta da empresa que representa. mas o mesmo contrato de agência no qual se pode atribuir maior ou menor soma de funções ao preposto. dois contratos distintos. além de suas regras próprias. Nos termos da Lei nº 4. ou não. substituindo-o por “agente”. e 721). e. amparado por contrato com uma ou várias empresas. etc. ainda faz parte da prestação de serviços. Aí se pensa em contratos de distribuição como um gênero a que pertencem os mais variados negócios jurídicos. 710. Mas. franquia comercial. a exemplo do direito europeu. conferir poderes especiais ao agente. de 09 de dezembro de 1965 que cuidou de regulamentar a representação comercial. Já então. a mesma atividade empresarial passa a denominar-se distribuição. agenciando propostas ou pedidos.” O seu segundo elemento caracterizador é. É ele sempre um prestador de serviços. revenda ou concessão comercial. se sujeitará também às do mandato mercantil (Código Civil. o Código fala também em “contrato de agência e distribuição”. além de falar em “contrato de agência”. “exerce a representação comercial autônoma a pessoa. A palavra “distribuição” é daquelas que o direito utiliza com vários sentidos. a exemplo do direito europeu. representação comercial. abandonou o nomem iuris de “representante comercial”. 710 do Código Civil. continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. pois a habitualidade (o caráter não eventual) da prestação de serviços realizada pelo agente em prol do representado. este. ao concluir a compra e venda e promover a entrega de produtos ao comprador. Há uma idéia genérica de distribuição como processo de colocação dos produtos no mercado.886. porque afinal os negócios agenciados são retransmitidos ao comitente e são por este aceitos.886. correspondente à atividade daquele que. 1º). sim. porém. arts. por conta de uma ou mais pessoas. um sentido mais restrito. não age em nome próprio. Esse nunca compra a mercadoria do preponente. 710 – contrato de agência e distribuição – com o contrato de concessão comercial. Embora já praticada. Foi a Lei nº 4. praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios (art. porém. mandato mercantil. eventualmente. para transmiti-los aos representados. se dedica a angariar negócios em proveito destas. sem entretanto. há um bom tempo nos meios empresariais. porém. 2. só em 1965 mereceu disciplina legal específica no Brasil. O novo Código Civil. porém. física ou jurídica. a representação comercial O novo Código Civil. na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4.12. Ele age como depositário apenas da mercadoria do preponente. Em determinadas circunstâncias. Essas noções são muito importantes para que não se venha a confundir o contrato regulado pelo art. parág. a figura do representante comercial. um mandatário. que desempenha em caráter não eventual. visto que se conserva o caráter de preposição. em caso positivo. Não é. No teor do art. lhe pode ser delegada. que inexiste nessa última modalidade. Sua função. Ao invés de atuar como vendedor atua como mandatário do vendedor. A distribuição que eventualmente. é a autonomia com que age na intermediação: o representante não é um empregado da empresa a que serve.886. a distribuição não é a revenda feita pelo agente. FGV DIREITO RIO 73 . Há. Não são. ora apelidado agente. todos voltados para o objetivo final de alcançar e ampliar a clientela (comissão mercantil. de 09.CONTRATOs Em EsPÉCIE Por isso. a mediação para a realização de negócios mercantis. que é aquele com que a lei qualifica o contrato de agência. a representação será negócio complexo e que. baseado na revenda de mercadorias e sujeito a princípios que nem sequer foram reduzidos a contrato típico pelo Código Civil. para que este pratique atos próprios do mandatário.). sem relação de emprego. A primeira característica do representante comercial. a representação ajustada.

criando-se um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais. na vida empresarial brasileira.886 traçou para disciplinar a profissão e os direitos e deveres do representante comercial.886. Tal como se passava na Europa. Podem inscrever-se no respectivo Conselho. o requerimento haverá de ser instruído com a prova de identidade. realizada em Araxá. É comum a existência de estabelecimentos dedicados exclusivamente à representação comercial. estelionato. que uma empresa comercial. de estar em dia com as exigências da legislação eleitoral. com a folha-corrida de antecedentes. contudo. em princípio. art. outrossim. um anteprojeto que. lenocínio ou crimes também punidos com a perda de cargo público. Muito fraca. expedida pelos cartórios criminais das comarcas em que o registrante houver tido domicílio nos últimos dez anos. art.886 é que terá ocorrido derrogação parcial desta. 3. A lei interdita o exercício da representação comercial a todo aquele que não possa ser comerciante. ao falido não reabilitado. no art. por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei nº 4. o contrato de agência no direito brasileiro Desde que. De tal sorte.886. tomou o nº 1. pessoas físicas ou jurídicas. 2º. sem. furto. Em se tratando de pessoa física. Em 1949. Surgiu. foi. porém. estabelecendo-se as necessárias garantias da profissão. art. aliás. Na mesma ocasião. 4º). deverá ser feita a prova de sua existência legal.171/49 e que. Nada impede. contrabando. ou agência. na espécie. a reivindicação de um regulamento legal para a profissão do representante comercial autônomo tornou-se a maior aspiração dos órgãos representativos da categoria. No caso de pessoa jurídica. diversamente do que se passa com o empregado. funciona apenas como um acessório ou complemento da atividade principal da empresa. na espécie. contrate com outra uma representação comercial para explorar negócio de intermediação conexo. Todas as regras especiais. o que se acha ressalvado. a grande preocupação jurídica foi a de distingui-la da relação empregatícia.CONTRATOs Em EsPÉCIE Com a Lei nº 4. ou não. quando exigível.886/65. foi reapresentado sem sucesso algum. levado ao Congresso Nacional. construir uma estrutura dogmática que pudesse fixar a natureza jurídica do contrato que vinculava a empresa e os agentes comerciais. expressamente. 721 do novo Código. que a Lei nº 4. em várias legislaturas. continuam em vigor. 3º. a contribuição pretoriana. para atribuir-lhe uma função autônoma e independente em relação à empresa a que serve. a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada. § 2º). a atividade do representante comercial foi desempenhada sem contar com o apoio de lei que lhe desse tipicidade. ao condenado por infração penal de natureza infamante. também no Brasil. Durante longos anos. e ao que estiver o seu registro comercial cancelado como penalidade (Lei nº 4. com objeto distinto da agência. já que a jurisprudência limitava-se a negar enquadramento na legislação trabalhista. apropriação indébita. para legitimar-se ao exercício da representação comercial. se introduziu a figura do representante comercial. e com a quitação com o imposto sindical (Lei nº 4. tais como falsidade. A agência. com o seu ramo. aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. apenas quando alguma norma do Código estiver conflitando com preceito da Lei nº 4. todavia. § 2º). É.886. FGV DIREITO RIO 74 . porque o Código Civil traçou apenas normas gerais acerca do contrato de agência (Lei de Introdução. 3º). no Ministério da Justiça. roubo. cujo objetivo principal era o de dar curso à reivindicação antes aprovada pela Conferência de Araxá. na II Conferência Nacional das Classes Produtoras. de quitação com o serviço militar. realizou-se em São Paulo o 1º Congresso Nacional de Representantes Comerciais. art. então. foi aprovada a reivindicação classista de enviar-se o pleito à comissão então encarregada de elaborar o Projeto de novo Código Comercial. de que fosse nele definida e caracterizada a figura jurídica do representante comercial.

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Somente viria a ter maior repressão o Projeto nº 2.794/61, de autoria do deputado Barbosa Lima Sobrinho, que, no Senado provocou o surgimento do Substitutivo nº 38/63, elaborado pelo Senador Eurico Resende, o qual mereceu aprovação de ambas as casas do Congresso. No entanto, não chegou a transformar-se em lei, porquanto recebeu veto total da Presidência da República, ao fundamento de que, nos termos em que se intentou regulamentar a profissão, ao representante apenas se estendiam “as vantagens e garantias que a legislação do trabalho assegura ao trabalho assalariado”. Tal equiparação foi considerada incabível, entre outros motivos pela ausência de subordinação hierárquica e pela possibilidade de a representação comercial ser exercida por pessoas jurídicas. O então Presidente, General Castelo Branco, ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, encarregou o Ministério da Indústria e Comércio de reexaminar o assunto. Daí surgiu novo Projeto que, após tramitação parlamentar, se tornou a Lei nº 4.886, de 09.12.1965, ainda em vigor, com as alterações da Lei nº 8.420, de 08.05.1992. Tal como o direito europeu, a lei brasileira previu uma representação comercial, simples, em que ao representante cabia apenas intermediar negócios, captando pedidos ou propostas da clientela, para encaminhá-los à deliberação do preponente; e também uma representação complexa, em que ao agente se conferiam poderes de conclusão dos negócios angariados, mas sempre em nome e por conta do preponente (Lei nº 4.886/1965, art. 1º, parágrafo único). Sobreveio, finalmente, o novo Código Civil, sancionado em janeiro de 2.002, que insere o contrato de agência e distribuição entre os contratos típicos, mas sem revogar a legislação especial em vigor, como se ressalva no art. 721, especialmente, no tocante às indenizações asseguradas pelas Leis nºs 4.886 e 8.420 (art. 718). A maior novidade, no texto codificado é o nomen iuris do contrato que passou a ser contrato de agência. Explica RUBENS REQUIÃO, que o contrato de agência, a que alude o Código Civil “nada mais é do que o atual contrato de representação comercial, objeto da legislação especial, contida na Lei nº 4.886, de 09.12.1965. Constitui importante contrato no moderno mundo comercial, e é exercido por centenas de milhares de profissionais, distribuídos por todas as praças do país. A denominação do instituto foi tirada do Código italiano, que o regula”. Para o Prof. REQUIÃO, todavia, a linguagem do Código “não deslocará o uso correntio da expressão representante comercial. Que podia ser perfeitamente mantida... Não seria criticável se mantivesse a denominação representação comercial, já consagrada nos costumes do país, e em nosso direito”. É de se ponderar, no entanto, que o direito comparado, de onde emergiu o instituto jurídico, prestigia, de fato, o nomen iuris agora adotado por nosso Código Civil, razão pela qual este não merece censura pela nomenclatura inovada. É de evidente conveniência procurar identificar a figura jurídica por denominação que seja de universal acolhida, evitando-se terminologia regional, que não tenha, por si só, capacidade de revelar a identidade da figura local com aquela que já amadureceu e se consolidou na experiência do direito comparado. 4. Conceito de contrato de agência Como o Código Civil determina que ao contrato de agência devem ser aplicadas, no que couber, as regras constantes de lei especial, é necessário cotejar-se a definição codificada (art. 710) com a constante da Lei nº 4.886/65 e das alterações da Lei nº 8.420/92. Em primeiro lugar, é bom ressaltar que a lei especial define diretamente o representante comercial (isto é, o agente) (art. 1º). Já o Código Civil enfoca o contrato típico que vincula o representante e o representado (art. 710). Assim, na definição do Código, o contrato de agência (ou de representação comercial autônoma) é aquele pelo qual uma pessoa – o agente – assume, em caráter não eventual, e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover à conta de outra – o preponente ou fornecedor – mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada.
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Dessa conceituação legal, deduz-se que o contrato de agência envolve: a) relação entre empresários, dentro da circulação mercadológica de bens e serviços; b) a relação, contudo, não é de dependência hierárquica entre representante e representado, pois aquele age com autonomia na organização de seu negócio e na condução da intermediação dos negócios do último (embora tenha de cumprir programas e instruções do preponente); c) o objetivo do contrato não é um negócio determinado, mas uma prática habitual, de sorte que entre as partes se estabelece um vínculo duradouro (não eventual); d) a representação importa atos promovidos por uma das partes à conta da outra, configurando, portanto, um negócio de intermediação na prática mercantil de interesse do representado; e) à prestação do serviço de intermediação do agente corresponde o direito a uma remuneração ou retribuição, de maneira que o contrato é bilateral, oneroso e comutativo; f ) a representação, finalmente, deve ser exercitada nos limites de uma zona determinada, ou seja, cabe ao agente praticar a intermediação dentro de um território estipulado pelo contrato, ou algo que a isso corresponda. A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmiti-los ao representado. Eventualmente, o representado pode confiar ao agente os bens a serem colocados junto à clientela, caso que o Código trata como distribuição, mas não como revenda, visto que os atos de negociação se realizam em nome e por conta do comitente. Nessas hipóteses especiais, o contrato, além das normas próprias da agência, rege-se complementarmente, pela disciplina do mandato e da comissão (arts. 710, in fine, e 721). O art. 1º da Lei n.º 4.886/65 cuidou de definir o representante comercial e não o contrato de representação comercial. Segundo tal dispositivo, é representante comercial autônomo a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que “desempenha, em caráter não eventual, por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmiti-los aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios”. O parágrafo único do questionado dispositivo legal, aduz que, na eventualidade de “a representação comercial incluir poderes atinentes ao mandato mercantil” – isto é, quando ao representante comercial forem conferidos poderes relacionados com a execução dos negócios intermediados – “serão aplicáveis, quanto ao exercício deste, os preceitos próprios da legislação comercial”. Em outros termos: se o agente for autorizado pelo preponente a realizar negócios jurídicos em seu nome, tais atos que ultrapassam o conteúdo normal do contrato de agência, serão submetidos ao regime legal do mandato, como, aliás, prevê o art. 721 do novo Código Civil. Da definição dada pela lei especial ao representante comercial autônomo (isto é, ao agente), extraem-se as seguintes características: a) o agente não mantém relação de emprego com o representado, gozando, portanto, de autonomia laboral para organizar e desempenhar sua atividade; b) a atividade contratada é não-eventual; deve ser exercida em caráter permanente e profissional; c) a função do agente, embora organizada e dirigida com autonomia, é concluída por conta de outra pessoa (o representado), de modo que fica claro o “caráter de uma intermediação”, ou de uma “preposição”. O agente, como prestador autônomo de serviço, atua fora da estrutura interna da empresa a que serve, permitindo a esta colocar seus produtos e serviços juntos à clientela que o representante angaria, nos mais variados lugares. Os negócios, porém, são sempre promovidos em nome e por conta do representado; d) a mediação é, pois, uma função típica do agente comercial, que se presta à difusão dos produtos ou serviços do representado no comércio;
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e) a intermediação se dá na realização de negócios mercantis: o que a lei especial atribuiu ao agente comercial não é qualquer representação, mas aquela que se volta para a promoção de negócios mercantis (vendas de produtos ou prestação de serviços); f ) o modus faciendi da intermediação consiste em agenciar propostas ou pedidos relativos a operações comerciais do representado, ou seja, relacionadas a bens ou serviços a serem vendidos ou prestados pela empresa em cujo nome atua o agente; g) cabe, em princípio, ao representante transmitir as propostas ou pedidos ao representado. Eventualmente, o agente pode receber poderes que ultrapassem a simples intermediação de pedidos, caso em que realizará, sempre em nome do preponente, atos de consumação ou execução dos negócios agenciados. Quanto a esses atos de consumação da venda dos produtos do representado, a atividade do representante será regida pelas regras do mandado mercantil. Diante do cotejo entre o conceito legal, mais sintético, que o Código faz do contrato de agência, e aquele que a Lei nº 4.886/95 faz do representante comercial autônomo (isto é, do agente), não se encontra contradição maior que possa incompatibilizar um com o outro. A circunstância de o Código não usar as expressões “representante comercial” ou “negócios mercantis” prende-se à circunstância de ter sido unificado o direito das obrigações, de maneira que os contratos nele disciplinados, em princípio, tanto servem para as atividades civis como para as mercantis. No entanto, muito difícil será imaginar o caso em que um contrato de agência se configurará fora das relações mercantis. Ademais, se isto eventualmente acontecer, ficará o negócio fora do alcance da Lei nº 4.886/95, visto que esta se aplica especificamente aos agentes que servem, profissionalmente, à intermediação de negócios mercantis. Harmonizando-se, de tal sorte, a disciplina do contrato de agência instituída pelo Código Civil com a do representante comercial, constante das Leis nºs 4.886/65 e 8.420/92, ter-se-á um negócio jurídico vocacionado naturalmente para as atividades mercantis. 4.1. direito comparado A definição brasileira de representante ou agente comercial muito se aproxima da que consta do Código Comercial da Alemanha, que o qualifica como “toda pessoa que, a título de exercício de uma profissão independente, seja encarregada permanente de servir de intermediária em operações negociadas por conta de um empresário ou de os concluir em nome deste último. É independente quem pode organizar o essencial de sua atividade e determinar seu tempo de trabalho” (art. 84). Na França, também, o agente comercial é definido em termos que se aproximam do novo Código Civil brasileiro, por Dec. de 23.12.58: “Est agent commercial le mandataire qui, à titre de profession habituelle et indépendant, sans être lié par un contrat de louage de services, négocie et, eventuellement, conclut des achats, des ventes, de locations ou de prestations de service, au nom et pour le compte de producteurs, d’industriels ou de commerçants”. O Conselho da Comunidade Econômica Européia (CEE) em 18.12.1986 adotou uma Diretiva relativa aos agentes comerciais independentes, na qual se conceituou como agente comercial “celui qui, en tant qu’ intermédiaire indépendant, est chargé de façon permanente, soit de négocier la vente ou l’achat de marchandises pour une autre personne, ci-après dénominée commettant, soit de négocier et de conclure ces opérations au nom et pour le compte du commettant”. Em todos esses exemplos, tal como entre nós, a função normal do contrato de agência é conferir ao representante poderes de intermediação para angariar negócios para o representado. Só excepcionalmente, e mediante poderes adicionais explícitos, ocorre a atribuição de mandato para que o próprio representante conclua o negócio em nome do representado, seja firmando os contratos, seja mesmo entregando as mercadorias negociadas ao comprador.
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freqüentes são as dúvidas e confusões que se instalam entre essa novel modalidade contratual e o mandato. a outorga de mandato é em regra. limita-se a aproximar FGV DIREITO RIO 78 . Perante a representação comercial. não se confunde com a concessão mercantil. ou seja. Esse quadro classificatório muito contribuirá para obter-se a distinção entre o contrato de agência e outras figuras afins. De duas maneiras básicas se processa a colaboração empresarial (externa) no escoamento dos produtos de uma empresa: a) pela distribuição propriamente dita (revenda) e b) pela busca de empresários interessados na aquisição dos produtos do fornecedor (intermediação. Como ponto de partida é importante classificar os contratos de que se vale o empresário para obter colaboração de outros agentes no escoamento de seus produtos. malgrado a posse e disponibilidade da mercadoria pelo agente. O simples representante. O contrato de agência e distribuição. que são empresários que se inserem na cadeia de comercialização sem vínculo empregatício. nem a revestir-se da natureza jurídica de alguma das figuras com que mantém inegável afinidade. já que esta só ocorre quando há revenda. comissão mercantil e agência). como tal. porque os poderes de que dispõe o agente nem sempre são aqueles que se conferem ao mandatário. mantendo com a empresa vínculo empregatício permanente. No primeiro caso. continua sendo. no caso de agência comercial. como a do mandato. com nitidez. É certo. existe a possibilidade de utilização de auxiliares internos. sem que a doutrina tivesse tempo para digerir as inovações. não o leva a confundir-se com nenhum deles. 5. o contrato de agência dessas figuras afins. Dessa maneira. conquistando. novas figuras contratuais surgiram para atuar no mesmo segmento da mercancia. e. o colaborador procura outros empresários potencialmente interessados em negociar com o fornecedor”. ou seja. todavia. um contrato nominado (típico) e. contudo. O mandatário detém poderes. a comissão mercantil. captando-lhes com precisão a natureza e os contornos. agência e mandato O contrato de agência não se confunde com o de mandato mercantil. o colaborador ocupa um dos elos da cadeia de circulação. prestando serviços. 710 do nosso Código. 5. 710). um contrato de intermediação. o viajante ou pracista. No segundo. Daí a necessidade de tentar-se uma diferenciação que separe. Para individuá-lo e determinar a respectiva natureza. colocam-se os colaboradores externos. que lhe permitem deliberar sobre o negócio e o realizar em nome deste. mais ultimamente. no direito moderno. tem fisionomia e disciplina próprias. de variada natureza. a locação de serviços. A agência refere-se a um relacionamento negocial permanente envolvendo operações reiteradas e indeterminadas. a concessão mercantil e a franquia empresarial. De outro lado. Em primeiro lugar. outorgados pelo mandante.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesta última hipótese. a que alude o art. Essa distribuição. em nome e por conta do preponente).1. ao escoamento da produção. que o fato de o contrato de agência conter traços comuns a outros contratos mercantis tradicionais. ou agência. comprando o produto do fornecedor para revendê-lo. não há necessidade de subsumi-lo à tipicidade de outros contratos: a agência é. conservando e ampliando o mercado para o produto de outro empresário. que o distribuidor conclui como preposto ou mandatário do representado (ou seja. Em primeiro lugar. Contratos afins Com o incremento na economia moderna dos meios de distribuição da produção de bens e serviços. quando o concessionário adquire o produto do concedente e o comercia em nome próprio e por conta própria. a distribuição é feita por meio de empregados que atuam na captação dos compradores. destinada a realização de negócios determinados. “a colaboração empresarial no escoamento de mercadorias pode ser feita por intermediação ou aproximação. o Código Civil brasileiro denomina o negócio jurídico de contrato de agência e distribuição (art.

dispõe o art. ainda que se confiram poderes ao agente para concluir e executar a venda. o comprador). 693). eventualmente. muito embora o tenha realizado por conta e no interesse do comitente”. portanto. então o contrato de agência não será mais simples. Tem sua sede própria. A presença do comissário cria uma certa barreira entre o comitente e os terceiros que negociam com o comissário. o comissário age em seu próprio nome. Ademais. parágrafo único. porque só o comissionário trava relações jurídicas com os clientes. terá se tornado complexo. se incluem nas cláusulas da agência. por meio de uma consignação. Pode. que o credencia a vendê-los aos consumidores em nome próprio. O comissário. Isto porque o mandato mercantil implica necessariamente a representação para realizar negócios comerciais em nome do mandante. não é atingido pelos atos que pratica. O agente comercial. na linguagem antiga do Código Comercial. do contrato. Como ressalta RUBENS REQUIÃO. não aparece no negócio que ele agenciou e que finalmente será concretizado diretamente pelo preponente. porque não negocia o fornecimento em nome próprio e opera sempre em nome e por conta do representado. quem se vincula é o comissário e não o comitente. mas ao contrário do mandato. portanto.2. que organiza e dirige com liberdade e autonomia. sendo em face do terceiro o responsável pelo ato praticado. dentro dos poderes que recebeu. E. Os produtos do comitente são postos à disposição do comissário. Com o outro contratante (isto é. 721 manda aplicar. enquanto o comissário não age em nome. o vendedor é sempre o preponente. 5. presta serviços à empresa sem estabelecer com ela um vínculo empregatício. na conceituação ou configuração. o art. e sim por conta do comitente. 5. agindo em nome e no interesse do representado. Nesse sentido. por sua vez. por isso. embora preposto. “o representante comercial. o negócio. as regras concernentes ao mandato. o que não depende de poderes inerentes ao mandato. não delibera.CONTRATOs Em EsPÉCIE comprador e fornecedor. eventualmente. absorvendo em suas cláusulas também o contrato de mandato. embora do ponto de vista prático realize atividade econômica igual à do agente – pois angariam ambos clientela para a empresa – liga-se ao preponente de maneira diversa. agência e comissão A comissão é um contrato de colaboração empresarial. por sua própria definição legal. o vendedor é o comissário e não o comitente. o comissário não representa. que “o preponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos”. evitando ao principal interessado nas operações suportar ações da parte da clientela. o essencial ao contrato de agência é a mediação de negócios em favor do preponente. representam apenas elemento acessório. por isso mesmo. ao contrato de agência e distribuição. Suas tarefas são comandas hierarquicamente pelo empregador. propriamente dita. mas contrata em nome próprio. o único responsável perante o cliente é o comitente. É um empregado dele. A comissão. mas. 710. O agente. garantindo o anonimato para o comitente. secundário ou acidental. FGV DIREITO RIO 79 . No contrato de agência. seria um mandato sem representação. em função do encargo contratual. Perante estes. nem tampouco na definição de sua natureza jurídica. sua empresa de representação. Na comissão mercantil. O comissário adquire ou vende bens à conta do comitente. não interferindo. O viajante ou pracista. seu escritório. nos negócios que pratica. A atuação é de um representante (mandatário) do vendedor. no que couber. Na agência. agente e viajante ou pracista (contrato de agência e contrato de trabalho) O agente. Não dispõe de autonomia alguma para organizar seu serviço. conferelhe maior segurança. e não de um vendedor propriamente dito. Quando estes poderes. e não em nome da empresa a que presta colaboração (art. age contudo como empresário e não como empregado.3. o comitente. concluir negócio por conta do preponente.

O revendedor. com habitualidade e sob certas condições. em suma. Se a articulação entre produtores e revendedores assume o feitio de uma convenção duradoura. e) O viajante ou pracista não pode contratar sub-representantes. podendo estabelecer-se sinônima entre os dois. da maneira que melhor lhe convier. Já o agente comercial é um empresário. e o revendedor se obriga a adquiri-lo. Entre os contratos de concessão comercial assumiram grandes relevos os chamados contratos de franquia.. contudo. não exerce interferência alguma na gestão do negócio do revendedor. com interferência econômica do fornecedor sobre o negócio do revendedor configura o que modernamente se denomina contrato de concessão comercial.4. que em seguida são vendidos aos atacadistas. No entanto. Na sua manifestação mais simples. no entanto. Sujeitar-se-á. de maneira que o produtor exerça certa interferência na atividade do revendedor. Não faz jus. é hierarquicamente subordinado ao comando do empregador. este a transforma em manufaturados. por isso. por negociação direta entre produtos e consumidor. que não raro envolve outros negócios entre as partes. traçadas pelo fornecedor. Não há uma remuneração direta entre fornecedor e revendedor. d) O viajante ou pracista somente pode ser pessoa física. os revendem ao consumidor final. A ingerência do fornecedor no empreendimento do revendedor produz uma subordinação econômica. como se demonstrará no tópico seguinte. o mesmo não se passa na organização econômica da revenda. agência e distribuição por conta própria (revenda). que pode ser simples ou complexo. Quase sempre se estabelece uma intermediação entre empresários. assegura ao agente a faculdade de contratar sub-agentes. um profissional independente. às indenizações legais devidas ao agente autônomo. formando-se uma cadeia de negócios. c) O viajante ou pracista não pode aceitar representação de outras empresas. b) O viajante ou pracista não tem iniciativa pessoal. a franquia comercial não é um contrato distinto da concessão comercial. naturalmente.CONTRATOs Em EsPÉCIE É. porém. tem-se o contrato de distribuição. os vendem aos varejistas que. Este se remunera com o lucro que a revenda dos produtos lhe proporciona. O fornecedor. 5. a doutrina majoritária aponta traços da franquia que lhe outorgariam uma identidade jurídica capaz de separá-la dos comuns casos de concessão comercial. por sua vez. pode ser mais ampla. como uso de marca. Se há entre eles uma independência jurídica. que envolve sucessivas compras-e-vendas: uma empresa vende a matéria prima ao fabricante. ou concessão comercial A colocação da produção industrial no mercado raramente se faz. como contratos eventuais e isolados. O viajante não é mandatário e não capitaliza clientela. assistência técnica etc. no fecho da cadeia econômica. Essa modalidade de contrato de colaboração. Para RUBENS REQUIÃO. a distribuição se exterioriza como contrato de fornecimento: o produtor se obriga a fornecer certo volume de determinado produto. enquanto o agente pode ser indiferentemente pessoa física ou jurídica. Essa colaboração entre os elos da cadeia econômica pode acontecer de maneira avulsa. por sua vez. no mundo atual. periodicamente. A colaboração empresarial. estes. ou pode se envolver numa relação contratual duradoura que gere a obrigação entre os empresários de comprar e vender. a ausência de um contrato de trabalho que caracteriza o agente comercial e o distingue do viajante ou pracista. que pode livremente organizar sua empresa. a não ser mediante autorização do empregador. Costumam-se arrolar as seguintes e principais distinções entre agente e representante assalariado: a) O viajante ou pracista não pode contratar pessoal para desempenhar a representação que lhe cabe. continuará negociando os produtos por conta própria e em nome próprio. FGV DIREITO RIO 80 . a algumas regras. criando um sistema racional de conjugação de esforços até a colocação do produto junto ao consumidor final. na tarefa da conquista de clientela para a empresa a que servem uns e outros. os produtos de um deles (contratos-quadros). de orientação geral. A lei.

Em suma não é a operação econômica da distribuição que distingue a agência da concessão comercial. E.886/65. eventualmente. mas tudo se faz em nome e por conta do representado. Já o concessionário ou revendedor. entra-se no âmbito da concessão comercial. no sentido de ter sido nele disciplinado tanto a representação comercial como a concessão comercial. em nome do representante (art. se há. a Lei nº 4. pode realizar-se por conta do fornecedor ou por conta do próprio distribuidor. porém. ou concessão comercial). Aliás. de modo que a venda para o consumidor não assume a natureza de uma revenda. pelo fornecedor (o representado). torna-se dono da mercadoria que o fornecedor lhe transfere. e sempre como simples ato complementar do agenciamento. as mercadorias de propriedade do comitente são postas à disposição do agente-distribuidor para entrega aos compradores. a inteligência que alguns apressadamente estão dando ao artigo 710 do Código Civil. nos comentários relativos aos ressarcimentos cabíveis na ruptura ou cessação do contrato (art. O agente (representante comercial) não pratica o negócio de colocação dos produtos do representado em nome próprio. assim. sem que isso desnaturasse a representação comercial em sua essência e a transformasse em concessão comercial. sem independência jurídica do agente) da distribuição por conta própria (concessão comercial). já previa a possibilidade de ser ele encarregado da execução da venda. Há distribuição (ou pode haver distribuição) tanto por meio do contrato de agência como do contrato de concessão comercial. e a negocia com o consumidor em nome próprio e por sua própria conta. Outra distinção que se fez com nitidez entre o contrato de agência e o contrato de revenda (distribuição por conta própria. atua apenas em nome e por conta do representado. como negócio que anteriormente se denominava contrato de representação comercial. o contrato fica no plano da agência. mesmo porque a infinita variedade de convenções que os comerciantes criam no âmbito da revenda autônoma torna quase impossível sua redução ao padrão de um contrato típico.CONTRATOs Em EsPÉCIE Todas as formas de contrato de distribuição – fornecimento ou concessão – distinguem-se do contrato de agência em dois aspectos básicos: a autonomia e a remuneração da intermediação. pelas características e relevância do negócio. 710 é aquela que. pode ser autorizada ao agente mas nunca como revenda. Juridicamente quem vende é o fornecedor e não o agente-distribuidor. O dispositivo cuidou exclusivamente do contrato de agência. distingue-se a distribuição por conta alheia (mera preposição. Não é correta. O concessionário nada recebe do fornecedor pela colaboração exercida na colocação de seus produtos. A remuneração que alcança se traduz nos lucros que a revenda lhe proporciona. Voltaremos ao tema da concessão comercial. 1º e seu parágrafo único). É que a mercadoria que o fornecedor coloca em poder do agente-distribuidor é objeto apenas de depósito ou consignação. o legislador houve por bem tipificar o contrato de concessão comercial (Lei nº 6. A interferência deste na pactuação e execução do negócio final é de um mandatário e não de um revendedor. O contrato de distribuição em nome próprio (a concessão comercial) continua sendo atípico. situa-se na remuneração do intermediário do processo de circulação dos produtos. A distribuição de que cogita o art. 721). segundo o volume e o preço das operações agenciadas. portanto. Apenas para o caso dos revendedores de veículos é que. FGV DIREITO RIO 81 . O agente (mesmo quando exerce a distribuição) é remunerado. Dentro da sistemática da preposição que é inerente ao contrato de agência. Se não há venda e revenda de produtos. quanto ao serviço de intermediação. Mesmo quando a lei admite que o agente atue também como distribuidor (art. ele não se transforma num concessionário comercial. quando regulamentou a atividade do representante comercial.729/79). A distribuição. O representante não a adquire do representado. Distribuição é um gênero que corresponde aos vários tipos de contrato de colaboração empresarial. 710 do Código Civil).

podia-se divisar “o interesse comum como qualificativo do mandato contido no contrato de agência comercial”. de maneira que esta. De tal sorte. Assim. profissional e empresário. para configurar-se contrato de agência. sempre por conta da outra parte (o preponente) e dentro de uma determinada zona. nos quais o agente desenvolve um papel importante na colocação no mercado dos produtos gerados ou comercializados pela empresa preponente. a representação comercial. Eventualmente os contratos agenciados podem ser concluídos e executados pelo próprio agente. tais como a comissão mercantil. em última análise. Nessa ordem de idéias. o objetivo perseguido é um só . “um mandatário que aja a título oneroso e em seu próprio benefício”. sua estrutura fundamental envolve a combinação de quatro elementos essenciais: a) o desenvolvimento de uma atividade de promoção de vendas ou serviços por parte do agente. porque é na medida da consumação dos negócios pelo preponente que o agente adquire direito à remuneração pelos serviços de intermediação empresarial levados a efeito. mas apenas um interesse econômico.CONTRATOs Em EsPÉCIE 6. d) a retribuição dos serviços do agente em proporção aos negócios agenciados. A construção da teoria do contrato de agência se fez por influência do direito francês a partir do mandato que. natureza jurídica O contrato de agência integra a classe dos contratos de distribuição comercial. qualquer que seja a dimensão dos poderes do agente. c) a determinação de uma zona sobre a qual deverá operar o agente. pode-se afirmar que. Visto que tanto do lado do comitente como do agente. mas sempre em nome e por conta do preponente. de uma atividade profissional dirigida à promoção e conclusão de contratos entre o preponente e os terceiros arrebanhados pelo preposto. De forma alguma se pode ver no conteúdo do contrato de agência uma forma de compra e venda operada pelo agente. em favor da empresa do comitente. a concessão do uso de marca etc. Configuram um gênero no qual se inserem vários tipos negociais todos voltados para a chamada colaboração empresarial. não porém em nome próprio. a corretagem. Na conclusão do negócio intermediado o agente não é parte. a formação de negócios. caracterizada pelo chamado mandato de interesse comum. 7. e eventualmente de concluí-los e executá-los. em uma zona determinada. na espécie. realizou-se a evolução do tratamento jurídico do agente da categoria de mandatário para a figura do “mandatário independente”. todavia. Com isso. entendia-se que este desempenhava um mandato que não dizia respeito apenas ao interesse do mandante. Contratos de distribuição. em seu próprio nome. se beneficia da contínua obra promocional levada a efeito pelo agente junto à clientela. a franquia. seria uma modalidade excepcional daquele negócio. não são sinônimos de contratos de revenda de mercadorias.formação e ampliação de clientela -. de sorte que nele não se acha em jogo um interesse jurídico seu. A lei francesa ainda hoje identifica o agente comercial como um mandatário que como FGV DIREITO RIO 82 . a concessão comercial. os negócios por ele intermediados ou concluídos se aperfeiçoam diretamente na esfera jurídica do preponente e do terceiro adquirente. na concepção legal. é necessário que uma parte (o agente) assuma de forma duradoura a função de promover. contida no art. O que traça a tipicidade do contrato de agência é que a atividade de colaboração empresarial na espécie se dá por meio de prestação do agente que têm por objeto o desempenho. os elementos essenciais do contrato de agência Segundo a definição legal do contrato de agência. 710 do Código Civil. b) o caráter duradouro da atividade desempenhada pelo agente (habitualidade ou profissionalidade dessa prestação). mediante remuneração. mas que igualmente se relacionava com seus próprios interesses.

nessa ordem de idéias. “o agente comercial continua um mandatário. Assim. De tal sorte. Além do mais.06.CONTRATOs Em EsPÉCIE profissional independente. reconhecido como profissional independente e ainda em face do estabelecimento de um regime de direito social de proteção ao agente. sua afinidade será maior com o contrato de prestação de serviços do que com o de mandato. seja do fato de uma abordagem econômica da agência que se desenvolveu recentemente”. não se pode continuar a insistir na conceituação do contrato de agência como forma de mandato. por meio de “uma evolução das regras do mandato clássico”. O que efetivamente se tem. Dentro da consagração da autonomia do agente. A prática da agência comercial. mas sempre com plena liberdade de organizar seu trabalho e com assunção do risco de seu negócio de intermediação. preponente e agente. em função da qual o agente promove e às vezes conclui negócios em favor do preponente. mesmo. Um realiza a comercialização de suas mercadorias ou serviços (preponente) e outro exerce uma especial atividade profissional (o agente). e de outro. 91-593 de 25. depois que se estabeleceu um regime legal particular para a agência. é inegável que o contrato de agência estabelece uma relação jurídica entre empresários. cuja atividade específica “consiste na realização de atos materiais que visam à criação de uma corrente de negócios para a difusão dos produtos e serviços de outra empresa. seja sobre influência dos usos e regulamentos. FGV DIREITO RIO 83 . sujeitos do contrato de agência De um lado coloca-se o preponente que tem bens e serviços a colocar no mercado. Dessa maneira. desempenha uma atividade de mercado cujo requisito fundamental é a liberdade de iniciativa na prestação do serviço de agenciamento. sem estabelecer vínculo de subordinação a este e que deve ser remunerado em função do volume de operações promovidas. são empresários. é um mandatário remunerado e profissional. em defesa de interesses do agente (duração indeterminada do contrato. cada um dedicando-se a um ramo próprio de negócios. Se se pretender comparar a agência atual com outros contratos típicos. entretanto. A independência que a lei confere ao agente comercial no exercício de sua atividade profissional faz dele um empresário que se encarrega de uma função com autonomia de objeto dentro da circulação do mercado. 8. se encarrega de negociar contratos por ordem e conta de outros empresários (Lei n. Ambos. só por insistência histórica se mantém entre os franceses a doutrina da agência como modalidade de mandato. Daí reconhecer-se sua posição de titular da própria empresa. “o agente se beneficia de um estatuto originado de modificação de regras civis do mandato. que é a de angariar clientela para adquirir os produtos do primeiro. A natureza jurídica do contrato de agência é hoje a de um contrato típico. o que também não é adaptável à figura do mandato. na circulação de bens do mercado. nos moldes atuais da figura jurídica se afasta das concepções primitivas. etc). não tem mais sentido atrelá-la à natureza jurídica do mandato. que se formou a partir da idéia de profissionalização do mandato e. pois apenas excepcionalmente o agente se encarrega de tarefas que são próprias do mandatário. que melhor se qualifica como um profissional do comércio. registra-se uma aproximação do regime legal da agência com o direito social. em cuja organização e administração não interfere a empresa do preponente. indenizações tarifadas. No entanto.1991. Na verdade. que o agente se apresenta como autêntico empresário porque seu serviço é desempenhado de forma autônoma e constitui um tipo de negócio de evidente valor econômico e jurídico. remuneração mínima. apagando os liames com o mandato e consagrando uma liberdade de iniciativa muito acentuada. Vê-se. pois. mas deve ser apreciado enquanto profissional do comércio”. O agente comercial. que se adaptou à Diretiva Comunitária de 1986). o agente (um preposto) que é um profissional que se encarrega de colaborar na promoção dos negócios do preponente.

antes da legislação atual. visto que o agente não revende os produtos que o preponente apenas coloca à sua disposição. Integra o contrato. Quando esses poderes adicionais são incluídos no ajuste. Não há. a nomenclatura legal – as partes no contato de agência A legislação italiana adota as expressões agente e preponente para indicar as duas partes do contrato de agência ou representação comercial (Código Civil italiano. para compreender a conclusão do contrato de venda e entrega das mercadorias. revenda. que é um contrato típico e de execução continuada. operada entre o preponente e o consumidor. censure a opção do Dec-Lei nº 178/76. Ademais.742 e 1. melhor teria andado o legislador brasileiro se. Dessa forma. os léxicos nacionais não registram proponente com o sentido de denominar quem delega poderes de gestão a outrem. A operação é toda ela desenvolvida e consumada em nome e por conta do preponente. É. mas isto não corresponde a um preço fixo. pode-se afirmar. o contrato é denominado de “agência e distribuição”. consistente na busca e visita da clientela. repita-se. todavia. O agente organiza com autonomia seu negócio e. mas apenas venda. todavia. por sua conta e sob sua dependência”. muito embora nos contratos de prestação de serviços com subordinação jurídica a tradição. é uma atividade de promoção de negócios individuais. seja a de identificar o representado como preponente e não como proponente. que. porquanto já era esta a palavra utilizada pelo direito português para nomear a contraparte dos “representantes comerciais não autônomos” . 9. e sim a um percentual sobre as operações úteis captadas pelo agente em benefício do representado. Objeto.1. continua sendo uma prestação de serviços profissionais na área da intermediação de negócios. Há quem. arts. tivesse nomeado de preponente o empresário que contrata a intermediação do agente. em posições jurídicas diversas teriam titulação igual dentro do mesmo negócio. pelos expedientes que livremente engendrar. mediante remuneração. No Brasil. em síntese. esse objeto pode ser ampliado. não estará incorrendo em censura alguma quem empregar o termo preponente em lugar de proponente. a exemplo do Código italiano. Malgrado a opção da lei. para coletar propostas ou encomendas a serem repassadas à empresa representada. de contratos por conta do preponente. sob influência da terminologia com que common law se identifica a agency. proponente e agente. ou seja. A lei portuguesa que regula o mesmo contrato. o novo Código Civil escolheu a nomenclatura recomendada pela antiga doutrina portuguesa. da parte do preponente. portanto. e preferiria que. de negócios que venham a ser concluídos entre os terceiros e o preponente. a obrigação de remunerar o serviço prestado pelo agente. portanto.CONTRATOs Em EsPÉCIE 8. ao formular propostas endereçadas a este também deverá ser identificado como proponente. ou seja. praticamente. ou que se concluam junto ao preposto. tem como objeto uma prestação de serviço entre empresários: a promoção de negócios constitui a obrigação fundamental que o agente contrai em favor do preponente. em sua feição típica. o objeto do contrato de agência O contrato de agência. Dessa forma. já há o cliente que. O agente-distribuidor apenas representa o fornecedor.753). afinal é o vendedor das mercadorias consignadas ao preposto e negociadas com a clientela. entre nós. por ser lexicamente correto e. denomina de agente e principal os respectivos sujeitos. mas como aquele que “propõe algo”. que característica essencial do contrato de agência é a promoção. Na relação econômica desenvolvida pelo agente em prol do fornecedor. De fato. em Portugal fosse prestigiada a denominação de proponente (em lugar de principal). Com FGV DIREITO RIO 84 . outrossim. mas em nome do representado. O objeto do contrato. Eventualmente. o designativo preponente que identifica “aquele que constitui um auxiliar direto para ocupar-se dos seus negócios. em seu nome. 1. há um inconveniente de ordem prática. do contrato de agência. As confusões serão inevitáveis o que recomendaria o uso da designação preponente para o fornecedor. dará cumprimento à obrigação contraída de angariar clientela para quem contratou seus especiais serviços. mais expressivo. Duas partes.

a melhor interpretação indica que os contratos de agência e os de representação comercial constituem a mesma figura jurídica. Outra grande característica do objeto da obrigação veiculada pelo contrato de agência é o caráter duradouro da prestação a cargo do agente. abril de 2003 (Artigo publicado no Mundo Jurídico (www. teixeira e silva advogados O capítulo sobre agência e distribuição no Código Civil tem causado muita discussão. posto que a relação negocial implica agenciamento de pedidos. o que interessa na definição da natureza jurídica do instituto é o seu conteúdo e não a embalagem. pelo que o agente se obriga a exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente enquanto permanecer em vigor o ajuste. a questão da nomenclatura. para cuja consecução empenhará múltiplas atividades. Vários autores apontavam. o agenciamento sempre ocorreria por força da natureza do contrato.5. dentro de uma zona determinada. freire. Antes de qualquer coisa. Afinal. As principais dúvidas referem-se ao impacto do Código Civil sobre as conhecidas relações de representação comercial e distribuição. que em hipótese alguma se podem confundir com a figura delineada no art. de impulso e de agilização. que são objeto de outros contratos de colaboração empresarial. tudo em busca de conquistar. sócio de tozzini. Belo Horizonte. Analisando o Código Civil e a Lei do Representante Comercial.2003) biblioGrafia CoMPleMentar: É hora de definir agência e distribuição no novo Código Civil antonio felix de araújo Cintra advogado. que o termo mais adequado seria agência. como os de fornecimento ou de concessão comercial. voltada para a promoção. dependendo de serem ou não conferidos poderes para que o agente representasse o proponente na contratação dos negócios. em caso positivo.CONTRATOs Em EsPÉCIE essa noção do objeto contratual. teixeira e silva advogados renato berger consultor de tozzini. 710 do novo Código Civil. E de fato a nomenclatura não deve ser considerada tão relevante. freire. nessa ordem de idéias. Diante dessa situação. conforme posteriormente alterada) e. A representação poderia ou não ocorrer. O nome representação comercial foi muitas vezes criticado por não traduzir corretamente a noção do contrato.br) em 02. é fácil entender que os legisladores do Código Civil apenas utilizaram o nome que lhes pareceu refletir de maneira correta a natureza do contrato. tem como objeto a atividade do agente. é necessário definir: (a) se o contrato de agência previsto no Código Civil é o mesmo contrato previsto na Lei do Representante Comercial (Lei 4. manter e incrementar a demanda dos produtos do preponente. Trata-se de um contrato de duração. São vários os motivos para tanto. de contratos que serão concluídos pelo preponente. de que maneira devem ser interpretadas as normas desses dois diplomas legais sobre a matéria e (b) se a distribuição prevista no Código Civil é a mesma relação contratual que tradicionalmente não era objeto de legislação específica e que era conhecida por distribuição.886/65. excluem-se do campo da agência as vendas em nome próprio. Ou seja.mundojuridico. Algumas dúvidas fundamentais precisam ser eliminadas para que se tenha razoável segurança jurídica na utilização desses contratos. com caráter de estabilidade. além de agenciar os pedidos em favor do proponente. o agente tivesse poderes para representá-lo nas respectivas relações de compra e venda dos produtos agenciados. O contrato de agência.adv. Mais especificamente. sendo que a representação apenas existira se. inclusive citando leis estrangeiras. Passando então para o exame do negócio em FGV DIREITO RIO 85 .

com a particularidade de que os bens objeto do agenciamento FGV DIREITO RIO 86 . que conforme será visto aparece dentro da definição de agência e como um desdobramento desta última. Nessa linha de raciocínio.CONTRATOs Em EsPÉCIE si. A distribuição do Código Civil é contrato de agenciamento de negócios em favor do proponente. o aviso prévio para encerramento de contratos por prazo indeterminado não será simplesmente de 30 dias como previsto na Lei do Representante Comercial. Ora. verifica-se que o capítulo de agência ressalva expressamente a aplicação de lei especial sobre a matéria. datada de 1965. Vale frisar novamente que o Código Civil apenas deu outro nome para a mesma relação conhecida tradicionalmente como representação comercial. Infelizmente. que a Lei do Representante Comercial utiliza a expressão “agenciando propostas ou pedidos” exatamente na definição da atividade do representante. A resposta é razoavelmente simples. Isso decorre não apenas da definição equivalente do contrato. que nada mais é do que um desdobramento da relação de agência. devem ser considerados revogados apenas os dispositivos da Lei do Representante Comercial cuja matéria tenha sido regulada de forma diferente no Código Civil. Tal distribuição era e continua sendo contrato atípico. E naquela que deve ser a maior diferença. mas a exclusão é absolutamente coerente com o desaparecimento da diferenciação entre negócios civis e mercantis na lei brasileira. que é contratado para encontrar compradores para os produtos do proponente. posto que não regulado expressamente na lei. Dado que o Código Civil não pretendeu esgotar a regulamentação da matéria. Ao contrário da agência. O lucro do distribuidor deriva então da diferença entre o preço de compra e venda dos produtos distribuídos. curiosamente. cessação de atendimento de propostas. mas a distribuição ali prevista não se confunde com a relação chamada distribuição a que todos se acostumaram no Brasil. vale agora a presunção de exclusividade do Código Civil tanto para a zona de atuação do agente (exclusividade em favor do agente) como para o agenciamento (exclusividade em favor do proponente). portanto. A antiga distribuição é caracterizada pela compra dos produtos do fornecedor para posterior revenda.729/79). tanto na parte específica de indenizações (art. Por exemplo. dizendo que serviria para agenciamento de artistas. negócio realizado. Por fim. Ou seja. Note-se ainda. percebe-se que a definição de agência no Código Civil é equivalente à definição de representação comercial na Lei do Representante Comercial. a terminologia empregada no Código Civil pode gerar grande confusão. não há que se falar em remuneração paga pelo fornecedor. Toda a linguagem e toda a lógica desses dispositivos apontam para o agenciamento na compra e venda de mercadorias. acima mencionada. direito à remuneração pelos negócios concluídos dentro da zona de atuação e assim por diante. Resta. o Código Civil contempla uma nova e diferente figura contratual. estabelecer como deve ser compatibilizada a Lei do Representante Comercial com o capítulo de agência do Código Civil. mas também da própria regulamentação encontrada nos artigos 710 e seguintes do Código Civil. portanto. mas deverá ter no mínimo 90 dias e. objeto da Lei Ferrari (Lei 6. realizada pelo agente. por exemplo. é evidente que a lei especial contemplada no Código Civil. em nome próprio e por conta e risco do distribuidor. 718) como na utilização da lei especial sempre que couber (art. 721). tendo inclusive ressalvado a aplicação de lei especial. Em ambos os casos. não se justifica a amplitude que alguns querem dar ao contrato de agência no Código Civil. quando se fala em zona de atuação do agente. permanecendo em vigor os demais. ainda assim. menciona claramente “coisa a ser negociada”. caracteriza-se a figura clássica de aproximação do comprador e vendedor. Até a definição de distribuição. é a Lei do Representante Comercial. ou aquela que viesse a substituí-la. Ainda para demonstrar que o Código Civil tratou agência da mesma forma que a chamada representação comercial. A única diferença no Código Civil é a exclusão da expressão “negócios mercantis” que aparece na Lei do Representante Comercial. cujo projeto foi elaborado em 1972. exceto com relação à distribuição de veículos automotores. desde que já tenha transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos exigidos do agente. na ausência de cláusula contratual. Utilizando o nome distribuição. atletas e outras atividades que não fossem relacionadas à compra e venda de mercadorias. uma nota sobre a distribuição. trata-se do agenciamento de pedidos em favor do proponente e do recebimento de remuneração pelos negócios concluídos.

a disponibilidade da coisa em mãos do sujeito caracteriza a diferença entre a agência e a distribuição. conseqüentemente. Nesses contratos há inúmeros pontos de contato com a representação comercial. como por exemplo. 714) e direito à indenização no caso de diminuição no atendimento de propostas (art. à conta de outra. Isso inclui os conceitos e princípios de boa fé contratual e função social dos contratos. conforme a nova lei. A nova posição legal mais serve para baralhar a questão. e realiza negócios em razão dessa profissão habitual. caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.886/65. não há de se ter preocupação FGV DIREITO RIO 87 . Quanto ao representante comercial. o novo código dispõe no artigo 710: “Pelo contrato de agência. que passa a ser chamado também de distribuidor. a necessidade de ter transcorrido prazo compatível com o investimento realizado pela outra parte quando da denúncia unilateral de contrato (art. no artigo 721. Todo o capítulo de agência e distribuição corrobora tal constatação. da mesma forma que ocorre em qualquer contrato atípico. naquilo que o contrato e a lei protetiva forem omissos. aplicam-se ao representante comercial. contudo. 715). procura a lei unificar os direitos de ambos e.asp?id=4148) A representação no novo Código Civil Por sílvio de salvo Venosa O novo Código Civil introduz no mesmo capítulo. A harmonização dessa nova lei com os novos dispositivos é complexa. Assim. um microssistema jurídico. mediante retribuição.com. a qual. porém. Naturalmente serão aplicáveis à distribuição clássica as normas gerais do Código Civil sobre obrigações e contratos. em zona determinada. já que não tratam de tal figura. (http://jus2. subordinados estes ao Conselho Federal. que essa lei atribui os direitos básicos do representante. Leve-se em conta que os dispositivos contratuais do código são de direito dispositivo. Pouco importa que pratique ele negócios de agência ou de representação segundo o novo código. uma pessoa assume. aplica-se essa lei. em caráter não eventual e sem vínculos de dependência.886/65). nos termos do artigo 5º da Lei nº 4. embora se reporte. que lhe é protetiva e cria. a principal delas protege e regula o representante comercial (Lei nº 4. no que couber. Subsidiariamente poderá ser aplicado o novo código. No mais. 710) até as disposições sobre o direito do distribuidor à remuneração por negócios concluídos em sua zona sem sua interferência (art. se a pessoa tem a coisa que comercializa consigo será distribuidor. Parágrafo único. estando o sujeito inscrito nos Conselhos Regionais dos Representantes Comerciais. pois o contrato de representação comercial costuma ser identificado pela doutrina e pela jurisprudência com o de agência e distribuição. A primeira conclusão inafastável é no sentido da aplicação da lei do representante comercial sempre que este for devidamente registrado.br/doutrina/texto. caso contrário. a obrigação de promover. será agente. os dispositivos sobre os contratos de agência e distribuição. desde a definição da distribuição como um derivado da agência (art. além de importantes dispositivos específicos.uol.” Portanto. O proponente pode conferir poderes ao agente para que este o represente na conclusão dos contratos. preponderarão as disposições do novo código. 473). Assim. na verdade. que doravante devem ser harmonizados com os dispositivos do novo Código Civil. Os dispositivos do capítulo de agência e distribuição. todas referentes apenas a contratos de aproximação entre comprador e vendedor e nunca à aquisição de produtos para revenda por conta própria. à aplicação de legislação especial. Tratando-se de profissão regulamentada. O legislador do novo código deveria ter sido mais claro. a realização de certos negócios. não serão aplicáveis às relações de distribuição na sua forma tradicional de aquisição para revenda.CONTRATOs Em EsPÉCIE encontram-se na posse do agente. Há que se levar em conta. no caso. Pela lei.

diretamente. a concessão. Desse modo. atendendo a cláusulas de exclusividade e de área geográfica. excluindo-se a possibilidade de ser considerado representante. referindo-se aí expressamente ao contrato de distribuição. fará jus o sujeito aos direitos respectivos conforme os artigos 31 e seguintes da lei específica. de caráter geral. Sob essa égide. por natureza. há um conceito restrito. pressupõem a existência de empresas e sujeitos independentes que desempenham atividade em favor dela. Por outro lado. mandatários. o sujeito fará jus aos benefícios da lei respectiva. mormente quando as partes não definem claramente suas obrigações. sem a compreensão de representante. a representação. Sempre que se examina a comercialização de produtos ou serviços por terceiros. Essa tendência. a empresa concentra sua atividade principalmente na produção. Assim. sob o prisma de direito cogente. é afastar-se contratualmente sua aplicação. que diz respeito à relação jurídica que vincula o produtor e o sujeito que coloca seus produtos no mercado. para o representante é irrelevante ter ou não a posse dos bens comercializados. que as próprias partes indiquem no contrato como aplicável essa lei do representante comercial autônomo. os corretores. Não há que se entender que somente os representantes comerciais devidamente inscritos em sua corporação de ofício tenham direito à aplicação da lei específica.886/65. os quais se aplicam.CONTRATOs Em EsPÉCIE se sua atividade é de agência ou representação de acordo com o novo código. pois o fornecedor de produtos e serviços sempre atribuirá a outrem essa função. técnicos ou não. São contratos. como a franquia. que se lastreia em princípios constitucionais sobre a liberdade do trabalho. Nessa introdução à nova problemática é importante estabelecer que os contratos de agência e distribuição podem. As gradações entre um extremo e outro deverão ser definidas no caso concreto. deverá persistir. também. alude-se à distribuição como referência genérica a vários fenômenos. Nada impede. O que será ineficaz. com várias pessoas. Eventual transgressão administrativa é irrelevante para a definição dos direitos e a respectiva natureza jurídica dos contratos. há possibilidade de que a empresa celebre muitos contratos da mesma natureza. no que não conflitar com seu estatuto específico. O distribuidor. O novo universo da empresa cria novas formas de comercialização. que é aquele doravante presente no Código Civil. qual seja. se o sujeito adquire os bens do produtor ou fornecedor e os revende. pois. pretenderem os mesmos direitos expostos na Lei nº 4. absorvendo vários significados. Esses contratos possuem características comuns. existirão sempre duas partes. Desempenhando a função de representante. Caberá à jurisprudência definir. se adotada a caracterização de representante para a relação jurídica. De qualquer modo. que não foi aclarada pelo legislador. os comissionistas e os agentes de comércio. em princípio. atribuindo a intermediários a atividade de promover e vender. de duração. agência e distribuição. representantes etc. Como já de início apontamos. No conceito há um sentido amplo. Questão maior vai se colocar quando o agente e o distribuidor em sentido amplo. há confusão terminológica entre os contratos de representação mercantil. como já não estava clara no sistema anterior e qualquer das soluções apresenta dificuldades. contudo. para a confusão terminológica. em princípio. disciplinava os auxiliares de comércio. naturais ou jurídicas. que inclui todas as formas que uma empresa se utiliza para colocar bens e serviços no mercado. Nesse sentido. agentes. com prazo mais ou menos longo. aos representantes comerciais oficiais. para desenvolvimento de uma antiga função econômica. a palavra “distribuição” é equívoca. conforme os princípios da lei específica. que já vinha sendo adotada. consagrada pelo nosso velho Código Comercial. porque. sua situação será de distribuidor. o que contribui. quando ela não o faz por si mesma. a de colocar no mercado os bens ou serviços de uma empresa produtora. segundo remansosa jurisprudência. Nesse sentido. Nesses contratos há um forte aspecto de colaboração entre as partes e a possibilidade de exclusividade dentro de determinada área geográfica. agente ou representante deve se submeter a uma séria de diretrizes impostas FGV DIREITO RIO 88 . por vezes. ou por meio de terceiros. o qual garante direitos básicos a esses profissionais. com a intervenção de terceiros. a própria legislação comercial. Como regra geral. ser firmados com qualquer pessoa e a esta situação se dirigem os dispositivos do novo Código Civil. A situação não fica clara. surge assim uma nova família de contratos.

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pelo produtor em prol do bom andamento do negócio. A regra de exclusividade é importante nesses contratos, embora possa não se fazer presente. Caberá às partes mantê-la ou não. Por seu lado, o distribuidor ou qualquer nome ou natureza jurídica que se lhe dê, não importando qual a modalidade de contrato que lhe permite comercializar bens de terceiros (distribuição, representação, agência, franquia), obtém uma posição vantajosa no mercado, pois, em princípio, terá exclusividade sobre determinada região ou goza de benefícios e vantagens para adquirir bens da empresa produtora. Geralmente, o nome do produtor já outorga aos intermediários um patamar de ganhos superior. Sob esse prisma, a moderna empresa cria uma rede de distribuição, nem sempre juridicamente homogênea, cuja finalidade é cobrir uma cidade, uma região, um Estado ou Província, um país ou o exterior. Essa distribuição mais ou menos ampla seria muito custosa e difícil para que o produtor a encetasse com recursos próprios, além de esbarrar em leis de proteção econômica, que proíbem a cartelização ou o truste. Inúmeros outros aspectos devem ser estudados em função desses novos contratos que ora se tipificam no novo Código Civil. http://www.societario.com.br/demarest/svrepresentacao.html

Agência e Distribuição x Representação Comercial francisco Wanderson Pinho dantas data: 09/09/2004 1. Contratos iguais com nomes diferentes ou contratos diferentes com leis aplicáveis diferentes? O novo código civil trouxe algumas inovações ao tratar do contrato de agência e distribuição em suas disposições. Isso causou uma divergência na doutrina, sendo que a maior parte dela acredita ser esse contrato, não mencionado no C.C. anterior, o mesmo contrato de representação comercial, disciplinado pela lei 4886/65, enquanto uma minoria defende que se trata de um novo contrato. Nesta minoria estão Fábio Ulhoa e Venosa, defendendo este último que ao representante, diferentemente do agente, poderia ser dado o poder de concluir os negócios que ele prepara, sendo aplicado, ao ato de conclusão, a legislação referente ao contrato de mandato. Contudo, não haveria essa possibilidade para o agente, alertando o autor que se, no contrato de agência, houvesse a incumbência de concluir o negócio, o contrato estaria desnaturado. Entretanto, esses argumentos não são fortes o suficiente para rebater a outra posição doutrinária, de que o contrato de agência e o de representação são o mesmo contrato com nomes diferentes. Esse raciocínio, defendido por Humberto Theodoro Jr, Rubens Requião e Felix de Araújo Cintra tem como base o fato de que a definição de representante, dada pela lei 4886/65, lei da representação comercial, é totalmente compatível com a definição de contrato de agência dada pelo código civil. De acordo com as duas legislações, tanto o agente quanto o representante atuam agenciando propostas e pedidos, à conta de outrem, sem vínculo de dependência e em caráter não eventual. A única diferença que existe entre as duas referidas legislações é que, na definição de contrato de agência, dada pelo C.C., não há a expressão “negócios mercantis”, existente na definição de representante, dada pela lei de representação comercial. Entretanto, isso se explica pela igualdade que o novo C.C. atribuiu ao negócio civil e ao negócio comercial. Além disso, outro argumento que é favorável à identidade dos dois contratos baseia-se nas reclamações doutrinárias feitas em relação ao nome antigo do contrato, “representação comercial”, atribuído pela lei 4886/65. Tal nome não reflete o objeto do contrato, que é o agenciamento de propostas, mas a possibilidade de o terceiro representar quem o contratou na conclusão dos negócios, ou seja, a representação.
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Internacionalmente, o nome “agência” já é consagrado para referir-se ao contrato da lei 4886/65, o que permite visualizar a possibilidade de o legislador do C.C. ter utilizado esse nome para adequar o contrato às influências internacionais. Destarte, o próprio artigo 721 do C.C. prevê a aplicação no que couber da lei especial para o contrato de agência e distribuição, o que reforça a afirmativa de tratarem as duas leis, a 4886/65 e a 10.406/02 (C.C.), do mesmo contrato. 2. qual é a lei predominante, se for o mesmo contrato? Apesar de o critério cronológico ter aplicação subsidiária em relação ao da especialidade, o C.C., que traz uma legislação mais nova, porém mais geral, deve ser aplicável de forma predominante, pois ele amplia as garantias do agente, permitindo que a lei 4886/65, nos aspectos mais detalhados, seja também aplicada. O C.C. já traz disposto no artigo 718 o seu papel de regra geral em relação à lei 4886/65, estabelecendo, para o caso de dispensa sem culpa do agente, a remuneração até então devida, além das indenizações previstas em lei especial. Em regra, considera-se o C.C. como um microssistema constitucional para o direito privado, tendo as outras leis uma aplicação subsidiária em relação a ele. 3. quais os artigos conflitantes e quais as novidades que o C.C. trouxe para o agente? O artigo 31 da lei 4886/65 entra em conflito com o artigo 711 do C.C., pois os dois falam a respeito de exclusividade nas zonas, tanto para o agente quanto para o proponente, de modo diverso. O artigo 31 da lei 4886/65 diz, a princípio, que o representante fará jus à comissão pelos negócios realizados em sua zona, ainda que diretamente pelo representado ou por intermédio de terceiros, quando prevista no contrato a exclusividade de zona ou mesmo quando o contrato for omisso a esse respeito (até este ponto, a previsão é a mesma no C.C.). Entretanto, em seu parágrafo único, ele estabelece que na ausência de ajustes expressos, a exclusividade do representante para o representado não se presume. Assim, pode o representante, se não houver proibição contratual, prestar serviços para mais de uma empresa (art. 41), não havendo restrição na lei para as empresas de mesmo gênero. O C.C., em seu artigo 711, presume, no caso da omissão do contrato, a exclusividade tanto para o agente quanto para o proponente, não podendo o agente prestar serviços a empresas concorrentes. Tal norma veio beneficiar o proponente. Outra diferença entre a lei 4886/65 e o C.C. diz respeito ao prazo do aviso prévio no caso de denunciação unilateral e injustificada do contrato de agência por tempo indeterminado. A lei de representação comercial estabeleceu no seu artigo 34 a antecedência mínima de 30 dias para o aviso prévio. Entretanto, o novo C.C. veio estabelecendo um prazo maior, de 90 dias, estabelecendo como condição para ocorrer a denúncia o transcurso de um prazo compatível com a natureza e o vulto do investimento exigido do agente, enquanto a lei de representação especifica um prazo de 6 meses de vigência do contrato para poder haver a denúncia dele. Tal norma veio em benefício do representante. 4. diferença entre agência e distribuição A polêmica que surgiu devido ao nome “distribuição” ao lado de “agência”, no novo código, deu-se porque aquele nome já era culturalmente usado para fazer referência a um outro tipo de contrato muito diferente do de agência.
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O contrato de distribuição, que já era conhecido, é uma espécie de contrato de colaboração por intermediação, através do qual o distribuidor adquire os bens do distribuído e os revende a consumidores, atacadistas ou a qualquer outro. A distribuição referida no código é tão somente um desdobramento do contrato de agência. Trata-se de uma figura contratual nova, mas não muito diferente do contrato de agência, pois também tem como objeto o agenciamento de propostas para o preponente, mas tem como acréscimo o fato de a coisa a ser vendida para o consumidor estar com o agente. O agente, nesse caso, não adquire a coisa. Ele simplesmente a detém ou a tem a sua disposição para ser entregue àquele que a adquirir, quando concluído o negócio do preponente. Desta forma, o contrato de distribuição referido pelo código não é o mesmo contrato de distribuição, espécie de contrato de colaboração por intermediação. Este contrato continua atípico, sendo regido pelas normas gerais dos contratos, e nele o colaborador revende o produto do distribuído, ganhando os lucros sobre a revenda. Na distribuição do C.C., em suma um contrato de agência, o distribuidor ganha uma remuneração do distribuído, agindo em nome e no interesse deste. http://cacbufc.org.br/artigos/verartigo.asp?id=215

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incluímos um quadro com os pontos fundamentais a serem observados em cada contrato. mas que não poderemos tirar cópia e nem levá-los para nosso Escritório.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.15.1. Abaixo. nome do contrato Contratante Contratado data de assinatura objeto valor/ Forma de pagamento Cessão de direitos vigência do Contrato Formalidades garantias rescisão Contratual por transferência de Controle e/ou reorganização Societária demais hipóteses de rescisão Foro e lei aplicável outras observações (É possível?) (ainda está em vigor? Qual é o prazo de vigência?) (obs: está assinado? tem assinatura de duas testemunhas?) (o contrato pode ser rescindido em razão de transferência de controle do contratante? há multa prevista?) FGV DIREITO RIO 92 . mas não são suficientes por si só. roteiro de aula Esta aula será diferente das anteriores. Vale lembrar que esses pontos devem orientar a análise dos contratos. AulA 16: ANálISE dE CONTRATOS 1. nos dividiremos em grupos e cada grupo será responsável pela análise de alguns contratos. Maria Lúcia nos informa que há uma caixa de contratos que será disponibilizada hoje. seremos obrigados a analisar os contratos durante a aula. É necessário analisar o contrato como um todo e qualquer outro aspecto que pareça relevante deve ser informado no campo “observações”. Para agilizar nosso trabalho. Assim.15.

SANTA ROSA. Contrato de Licença de Marcas.. AulA 17: lICENçA E CESSãO dE mARCAS. Lumen Juris. 1. 1.279/1996. o que fazer nessa situação? A simples aquisição das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda.2. 2006. págs. deparamo-nos com um contrato de licença de marcas. sendo pessoa física. o que poderíamos recomendar ao nosso cliente? Conversamos com a equipe de due diligence responsável pela área de propriedade intelectual sobre o contrato de licença que encontramos. segundo o qual o senhor Eduardo Russo permitia que um comerciante do Rio de Janeiro utilizasse a marca do Supermercado Pechincha em suas lojas na cidade maravilhosa. 2002.058.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Jus Navigandi. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Denis Borges. para o Rio de Janeiro. 58. págs.16. (ii) os registros das marcas e os pedidos de registros foram feitos em nome do senhor Eduardo Russo e não em nome da sociedade Pechincha Comércio Varejista Ltda. Rio de Janeiro: Ed. Lumen Juris.1. eMentário de teMas Marcas.4. resultaria na transferência da marca para o nosso cliente? Considerando que é o supermercado que efetivamente exerce as atividades relacionadas às marcas.3. poderia ter as marcas do Supermercado Pechincha registradas em seu nome? O que fazer quanto aos registros das marcas e os pedidos de registro? FGV DIREITO RIO 93 . inclusive. A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos). 797 a 963. 1. n. ago.16. Teresina. Contrato de Cessão de Marcas.041 a 1. 2003. ano 6.16. 2003.uol. Considerando que nosso cliente pretende expandir seus negócios. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. Rio de Janeiro: Ed. Denis Borges. o senhor Renato Russo. de. Disponível em: <http://jus2. Caso Gerador Ao analisarmos os contratos que nos foram disponibilizados na aula anterior. BARBOSA. e fomos alertados pela equipe sobre os seguintes aspectos: (i) metade das marcas do Supermercado Pechincha estão registradas no INPI e a outra metade ainda está com pedido de registro.16. (em anexo). 1.16. Dirceu P. biblioGrafia obriGatória Lei n° 9. biblioGrafia CoMPleMentar BARBOSA.asp?id=3006>. Acesso em: 04 ago. Tendo em vista que a marca desempenha papel fundamental no negócio.br/doutrina/texto.com. 1.

foi promulgada a Lei nº 9. que pode ser bem demorado. não compreendidos nas proibições legais. Denis Borges. Compreendendo a importância do registro das marcas para o supermercado. desenhos industriais e concorrência desleal. como Rio de Janeiro e São Paulo. ou combinação de sinais. FGV DIREITO RIO 94 . suscetível de proteção. que visa a regular os direitos e obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil. em face do objeto simbolizado”10. 2003. 11 BARBOsA. Denis Borges Barbosa11 comenta o que se segue: 10 BARBOSA. De acordo com o artigo 15. Rio de Janeiro. p. O senhor Odin Heiro nos pergunta se terceiros poderiam registrar as marcas (já registradas) do Supermercado Pechincha em outros Estados.05. tais como a Convenção de Paris e o TRIPS. Considerada por muitos como uma das mais importantes modalidades da propriedade intelectual. Os direitos de propriedade intelectual.1997.279 de 1996 (Lei de Propriedade Industrial). sua existência fáctica depende da presença destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. inciso XXIX. em vigor desde 15. 803. patentes. Rio de Janeiro: Ed. regulando as normas referentes às marcas. a marca “é o sinal visualmente representado. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. Uma introdução à propriedade intelectual – Lúmen Júris.16. Com relação à definição de marca. são bens móveis. Neste sentido. “poderá constituir marca qualquer sinal. 2003. roteiro de aula a) Marcas Antes de estudarmos os contratos de licença e de cessão de marcas propriamente ditos. pág. imóveis ou semoventes? Para ter proteção jurídica. bem como proteção às criações industriais. ou legalmente unívoco. marcas são todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis. alguns entendem que a partir do depósito da marca no INPI haveria uma expectativa de direito. Símbolo voltado a um fim. ou seja. tendo em vista que a sede do supermercado é em Brasília. da Constituição da República Federativa Brasileira de 1998 dispõe que a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. Entretanto. Denis Borges. Esta definição segue os conceitos e princípios previstos nas convenções internacionais. e capacidade de indicar uma origem específica.5. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Conforme o artigo 122 da Lei de Propriedade Industrial. capaz de distinguir bens e serviços de um empreendimento daqueles de outro empreendimento”.1 do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS). b) Marcas – Conceito O artigo 5º. Lumen Juris. à propriedade e ao direito de uso exclusivo de marcas e outros signos distintivos. Uma Introdução à Propriedade Intelectual. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo. antes mesmo do registro. vale analisar brevemente o seu objeto: a marca. 803. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. como a marca. o senhor Odin Heiro nos pergunta se há prazo para o registro das marcas e se o registro pode ser extinto. o proprietário da marca deve registrá-la no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

Freitas Basto. sua existência fática depende da existência destes dois requisitos: capacidade de simbolizar. marca distintiva da mercadoria quanto à origem. salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo. Com relação às proibições legais a que se refere o artigo 122. e capacidade de indicar uma origem específica. VII – sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda. estrangeiros ou internacionais. mENDONÇA. V – reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros. nacionalidade. Tratado de propriedade industrial. 365 – 366. marca é todo sinal distintivo aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e diferenciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa12. propriamente falando. quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir. t. natureza. a possibilidade de se tornar um símbolo exclusivo.. 13 FGV DIREITO RIO 95 . ou seja. pp. como a de indústria ou de comércio. Embora Carvalho de Mendonça não a defina especificamente. quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Símbolo voltado a um fim. a Lei de Propriedade Industrial elenca. algarismo e data. IV – designação ou sigla de entidade ou órgão público. desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência. bem como a respectiva designação. Para João da Gama Cerqueira. é uma marca representativa da atividade mediadora do comerciante e. suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos. comum. culto religioso ou idéia e sentimento dignos de respeito e veneração. em face do objeto simbolizado.) marca é o sinal visualmente representado. João da Gama. figura. Carvalho de. VI – sinal de caráter genérico. 12 CERQUEIRA. emblema. ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço. armas. públicos. uma série de situações em que o sinal que não poderá ser registrado marca: I – brasão. peso. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica. valor. no artigo 124. sem confundir o destinatário do processo de comunicação em que se insere: o consumidor. 1963. salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva. figura ou imitação. medalha. o referido autor entende que “a marca de comércio não é. qualidade e época de produção ou de prestação do serviço. crença. ou legalmente unívoco. X – sinal que induza a falsa indicação quanto à origem. Tratado de Direito Comercial Brasileiro. da capacidade e da probidade de seu titular”13. necessário. também reveladora do trabalho. II – letra. Sua proteção jurídica depende de um fator a mais: a apropriabilidade. I. procedência. bandeira. distintivo e monumento oficiais.. vulgar ou simplesmente descritivo. qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina. quanto à natureza. regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza. isoladamente. nacionais. III – expressão. XI – reprodução ou imitação de cunho oficial. que é configurado para o fim específico de distinguir a origem dos produtos e serviços.CONTRATOs Em EsPÉCIE (. VIII – cores e suas denominações. IX – indicação geográfica.

diferencia as marcas em três tipos. equivalente à proteção que se dá aos direitos da personalidade de qualquer pessoa. se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico. XXII – objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro. no todo ou em parte. salvo com consentimento do titular. quais sejam: (i) marcas de produto ou serviço. nome de família ou patronímico e imagem de terceiros. Há. dos Municípios. Alguns afirmam se tratar de um direito pessoal. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. XV – nome civil ou sua assinatura. dos Territórios. do Distrito Federal. XXI – a forma necessária. por sua vez. oficial ou oficialmente reconhecido. se revestirem de suficiente forma distintiva. comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento. no caso de marcas de mesma natureza. herdeiros ou sucessores. incluindo a natureza jurídica das marcas. moeda e cédula da União. de marca alheia registrada. XIV – reprodução ou imitação de título. dos Estados. nome artístico singular ou coletivo. 154. salvo quando. XX – dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço. natureza. assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação. salvo com consentimento do autor ou titular. (ii) marca de certificação e (iii) marca coletiva. artística ou científica. XVII – obra literária. social. apólice. marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade. na ciência e na arte. – Marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas. no todo ou em parte. XVI – pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos. herdeiros ou sucessores. ou de país. Outros alegam se tratar de bem imaterial. ainda que com acréscimo. d) natureza jurídica Há muita discussão acerca da natureza jurídica dos direito da propriedade industrial. XVIII – termo técnico usado na indústria. salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento. ainda. cultural. material utilizado e metodologia empregada. semelhante ou afim. e – Marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. definindo-as da forma que se segue: – Marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico. artístico. semelhante ou afim. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico.CONTRATOs Em EsPÉCIE XII – reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro. notadamente quanto à qualidade. que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir. salvo com consentimento do titular. cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento. C) tipos de Marcas O artigo 123. ou. econômico ou técnico. político. XIX – reprodução ou imitação. e XXIII – sinal que imite ou reproduza. de origem diversa. semelhante ou afim. suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. bem como a imitação suscetível de criar confusão. observado o disposto no art. FGV DIREITO RIO 96 . prêmio ou símbolo de evento esportivo. XIII – nome. de caráter patrimonial. aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico.

FGV DIREITO RIO 97 . No Brasil. entende-se que a marca é definida como direito de propriedade e tal conceito está expresso na Lei de Propriedade Industrial. 5º. Embora se tratando de objetos de criação não corpórea. ou seja. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. constituindo num feixe de direitos consubstanciados nas faculdades de usar. se bem que unitário. Sobre o assunto. não se lhe podem mencionar elementos característicos.. marcas que são vulgaridades notórias. Além da função distintiva da marca. parte I. 16 17 mIRANDA. parte especial. de cunho incorpóreo. p. Forense. “Tratado de Propriedade Industrial”. e em si mesma. vol. ou apenas em uso. bem como pela legislação atual. e de reavê-los de quem injustamente o possua. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. 85. p. p. o Código Civil emprega a palavra bens. a função distintiva é considerada a mais relevante pela maioria dos autores. como as incorpóreas”. conforma as disposições desta lei.17 14 GOmEs. tais como a função de identificação de origem. nota-se que há outras funções que a marca tem por finalidade. são Paulo: Editora revista dos Tribunais. uma outra corrente que entende ter a propriedade industrial um caráter dualista. faz-se necessário ressaltar que a Lei de Propriedade Industrial. 147. A distinção da marca há de ser em relação às marcas registradas ou em uso.Tratado de Direito Privado. também patrimoniais. à propriedade das marcas. 1956. De acordo com a autora Maitê Cecília Fabbri Moro16. há o entendimento de que se trata de uma propriedade imaterial. a função econômica e a função de propaganda. Direito das marcas. privilégio temporário para sua utilização. antes ou após ela. A propriedade da marca adquire-se com o registro validamente expedido. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional (. mORO. bem como proteção às criações industriais. em seu artigo 5º. 129. em seu artigo 129: Art.15 e) função das Marcas (i) Função Distintiva: No que tange à função das marcas. para efeitos legais.CONTRATOs Em EsPÉCIE ainda. se não o faz. de outros produtos ou serviços idênticos.. cuja significação é mais lata do que a expressão coisa compreendendo não só as coisas corpóreas. Ed. gozar e dispor dos bens. A Constituição Federal de 1988. a maioria dos autores afirma que as marcas são consideradas como um direito de propriedade. Direitos Reais. não é sinal distintivo. Pontes de Miranda comenta o que se segue: A marca tem de distinguir. Além disso. porque há marcas a que falta qualquer elemento característico. gozar. a função de garantia da qualidade. dispor e reivindicar a coisa que lhe serve de objeto”14. assegurou aos autores de inventos industriais. 15 CERQUEIRA Gama. com elementos pessoais e. estas se caracterizam por preencher a função precípua de distinguir os produtos e serviços aos quais se opõem. I. em seu art. Pontes de . Orlando. não assinala o produto. fruto da atividade intelectual do homem. “É um direito complexo. considerou os direitos da propriedade industrial como bens móveis. matiê Cecília Fabbri. Borsoi. 36. Confundir-se-ia com as outras marcas registradas. 10° edição. Desta forma. 7. Gama Cerqueira acrescenta que “definindo a propriedade como o direito de usar.) O direito de propriedade é o mais amplo dos direitos reais. pg.

O dono da marca explora esta propensão humana fazendo todo esforço para impregnar a atmosfera do mercado com o poder atrativo de um símbolo congenial18. permitindo ao titular destes distinguir suas mercadorias ou seus produtos/serviços de outros. e outros que exigem determinadas formalidades de registro para fins de obter o direito sobre uma marca. pelo qual o produto é conhecido e distinguido no mercado consumidor. matiê Cecília Fabbri. p. Com relação a este sistema misto. Se é verdade que vivemos por símbolos. vol. possuindo uma qualidade constante. 18 ROBIN Albert. pois os consumidores. Por meio da compra dos produtos e satisfazendo os consumidores. marca. a proteção no sentido de se evitar o enfraquecimento do seu caráter distintivo. 19 FGV DIREITO RIO 98 . uma vez que há países que atribuem direitos sobre a marca pelo seu simples uso. I da Lei nº 9279/1996. Comparative Advertising: A Skeptical View. por conseguinte.CONTRATOs Em EsPÉCIE (ii) Função de identificação de origem: A função de identificação de origem tem o intuito de indicar a origem dos produtos. que os produtos têm a mesma origem. idênticos ou semelhantes. também. 69. com isso. não é menos verdadeiro que por eles compramos mercadorias. Segundo Albert Robin. manter e aumentar a clientela. Esta força atrativa é utilizada para obter. mORO. a função de garantia da qualidade dos produtos. verifica-se a predominância de um ou do outro sistema puro. exercendo.cit. agosto de 1997. Já o sistema em que o direito sobre uma marca somente é reconhecido por meio de registro é o sistema atributivo de direitos. A doutrina reconhece esta importância da função econômica. por meio da identificação da marca de uma empresa. conforme artigo 123. O sistema que atribui direito sobre a marca pelo seu simples uso. Esta função de propaganda ou publicidade decorre do fato de ser a marca um dos principais veículos de propaganda dos produtos por ela cobertos. pg 364. 2003. visto que é o registro que atribui a propriedade de uma marca ao interessado. de fato. de procedência diversa. símbolo ou palavras. A marca é um atrativo de comercialização que induz um comprador a escolher o que quer.53. (iii) Função de garantia de qualidade: Observamos. que não prejudica a divisão teórica mencionada acima (sistema atributivo e sistema declarativo). sendo ela imprescindível para o funcionamento do mercado e das empresas em geral. do sistema atributivo. O sistema misto é o sistema que tem características do sistema declarativo e. in Trademark Reporter. n° 4. a proteção das marcas é o reconhecimento legal da função psicológica dos símbolos. presume-se que estes voltem a comprá-los devido ao conhecimento da marca. ob. O poder sugestivo da marca representa indubitavelmente a sua principal função do ponto de vista econômico. servindo para recomendá-lo e para atrair a atenção dos consumidores. A publicidade é o meio pelo qual o público toma conhecimento de uma marca. concluirão. (iv) Função de Propaganda: Cabe entender que a marca pode ser considerada como qualquer sinal. f) aquisição de direitos A aquisição do direito sobre uma marca depende da legislação de cada país. Maitê Cecília Fabbri Moro19 comenta que. é considerado como sistema declarativo. na prática.

pode-se dizer então que.. um sistema misto com predominância do sistema atributivo.) § 1º Toda pessoa que. eventualmente com valor patrimonial. Ricardo Luiz.CONTRATOs Em EsPÉCIE No Brasil. a existência dessa precedência vicia um registro mORO. que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido.Anais do XXI seminário Nacional da Propriedade Intelectual. 54. ob. há pelo menos 6 (seis) meses. cit. para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico. a aquisição do direito sobre uma marca se faz pelo registro. matiê Cecília Fabbri. terá direito de precedência ao registro. com isso. Ricardo Luiz21 comenta o que se segue: A marca continua sendo adquirida através de um competente registro. no Brasil. que assinale produto ou serviço idêntico ou afim. por alienação ou arrendamento. não impondo outras obrigações. usava no País. de uma marca. que tenha direta relação com o uso da marca. desprovida do necessário registro. em face de um pedido em trâmite. previsto o artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. observa-se um sistema misto. este princípio atributivo é excepcionado pelo direito de precedência que será estudado no item a seguir. pertencente a um determinado titular. É. um processo administrativo de nulidade. são idênticas àquelas utilizadas quando do conflito entre uma marca registrada e um registro anterior. No entanto. Sobre o assunto. A esse utente. Palestra: “Direito De Precedência”. marca idêntica ou semelhante. decorrente do uso. sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional. tão-somente vedando o registro de uma marca que lhe seja similar e que assinale o produto ou serviço idêntico ou afim. uma vez que a lei é silente sobre o assunto. Nota-se que este é o sistema atributivo de direitos. Para o autor Ricardo Luiz Sichel.20 G) direito de Precedência O registro de uma marca é concedido àquele que primeiro solicitar o seu registro.. É importante mencionar a questão referente ao momento para argüição desse direito de precedência. pode ser oposto um direito. mas. Muitos indagam sobre a possibilidade de restringir a alegação desse direito de precedência tão somente na fase de oposição ou mesmo após o registro da marca em face do terceiro. ou parte deste. p. 20 sICHEL. conforme mencionado acima. Em regra. No entanto. a prova anterior do uso é suficiente (direito de precedência). argüindo.INPI. 129 (. estabelecendo a possibilidade de impedir o pedido de registro de marca similar. Entretanto. § 2º O direito de precedência somente poderá ser cedido juntamente com o negócio da empresa. Diz o referido artigo: Art. em seu artigo 129. para que uma pessoa física ou jurídica seja titular de uma marca. O artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial estabelece. semelhante ou afim. de forma regular e de boa-fé. deve-se fazer o registro da mesma junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial . onde o registro atribui propriedade sob uma marca. entretanto. conforme as disposições desta Lei. excepcionalmente. As regras de colidência. 21 FGV DIREITO RIO 99 . esta regra é limitada e excepcionada pelo direito de precedência. com base no direito de precedência. na data da prioridade ou depósito. Esta é uma regra característica do princípio atributivo para a aquisição do direito marcário. no caso em espécie. procurou a lei proteger. 2001. por exemplo. portanto. Desta forma. de boa fé.

Conforme argumenta Mariana Barbosa.CONTRATOs Em EsPÉCIE eventualmente concedido. Com relação ao registro da marca de certificação. a marca é uma das poucas armas que restam às empresas para garantir a lucratividade. as normas que regulam a propriedade 22 23 sICHEL. A marca é tida como uma “característica marcante no processo de conquista de mercados e clientes das economias globalizadas”24. a teor do artigo 168 da Lei nº 9. o direito de uso da marca a um terceiro (contratado ou cessionário).2001.22. O registro de uma marca é muito importante para a sua proteção.2001. trata-se. o qual prevê que a propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido. gratuitamente ou onerosamente. conforme já estudado nesta apostila. Desta forma. Ela é incorporada no patrimônio de seus titulares. Leonardo. que tem por função executar. estar-se-ia aventando as figuras do contrato de compra e venda.279/96. é necessário que exista perfeita compatibilização entre o ramo de atividade do depositante e os produtos ou serviços reivindicados no pedido de registro. onde praticamente qualquer categoria de produto. especificamente na parte relacionada a contratos. evidentemente. ob. somente estabelecendo que a mesma dar-se-á concomitantemente com o negócio da empresa. Quanto Custa o Nome?. de modo direto ou através de empresas que controlem direta ou indiretamente. Para o autor. Este registro é realizado por intermédio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial. em virtude do explicitado no artigo 129 da Lei de Propriedade Industrial. No entanto. mariana. este somente poderá ser requerido por pessoa sem interesse comercial ou industrial direto no produto ou serviço atestado. fato esse ensejador do processo administrativo de nulidade. FGV DIREITO RIO 100 .05. Ricardo Luiz. Cultura e Investimento Social. 24 BRANT. no âmbito nacional. Segundo este artigo. org.05. o parágrafo único do artigo 128 estabelece uma limitação ao registro por parte das pessoas jurídicas de direito privado. site rits. Valorizá-la é cada vez mais essencial”23. a Lei de Propriedade Industrial é silente no tocante à natureza dessa cessão. atraindo consumidores não pelos seus produtos em si. sendo um fator de identificação e valorização no mercado. Com relação à cessão mencionada no parágrafo segundo do artigo 129. 16. podem requerer registro de marca as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou de direito privado. da doação ou da transmissão hereditária. Assim. i) registro e o Princípio da especialidade Nota-se que a marca é imprescindível para o sucesso de uma empresa. Uma marca pode ser tão valiosa quanto o resultado financeiro que ela pode gerar. funciona com a mesma eficiência. “num mundo altamente competitivo. Jornal Valor.22 H) requerentes do registro O artigo 128 da Lei de Propriedade Industrial dispõe sobre as pessoas aptas a requerer o registro de uma marca. No que se refere ao registro de marca coletiva. BARBOsA. a partir de um certo nível de preço. de uma modalidade de cessão de direitos cujos parâmetros encontram-se estabelecidos pelo Código Civil. cit. mas pelo seu grau de identificação no mercado.br. chegando a ser o bem mais valioso do patrimônio de uma empresa. na medida que uma parte – a cessionária – cede. a qual poderá exercer atividade distinta da de seus membros. segundo Ricardo Luiz Sichel. este somente poderá ser requerido por pessoa jurídica representativa de coletividade. prevendo que as pessoas de direito privado só podem requerer registro de marca relativo à atividade que exerçam efetiva e licitamente.

No entanto. para Gama Cerqueira. no que se analisa a possibilidade de confusão ou associação de marcas. uma marca não consiste num signo apropriado em si mesmo. mas num signo apropriado em função da aplicação a um objeto ou serviço específico. como se verá a seguir. ob. modelos de utilidade e desenho industrial no Brasil. no todo ou em parte. a questão da coexistência das marcas idênticas ou semelhantes facilmente se resolve28. de acordo com definição abaixo29: 25 mATHÉLY. de acordo com o artigo 125 e 126 respectivamente. da natureza e função da marca. para distinguir ou certificar produtos ou serviço idêntico. direta e necessariamente. no artigo 124. 37. as quais serão objetos de estudo nas próximas aulas. pg 171. mista.25 O Supremo Tribunal de Justiça pronunciou-se afirmando que “a marca deve distinguir-se suficientemente das já existentes. presente a função primordial de distinguir.279 de 1996. pois depende de uma análise caso a caso. O princípio básico que norteia o sistema de concessão de marcas em nosso país é o princípio da especialidade. vol. Esta forma de limitação. é a mais justa. ob. É importante mencionar que o princípio da especialidade sofre algumas exceções no que tange às marcas de alto renome e às marcas notoriamente conhecidas. Recurso Especial n° 9. p. conclui-se que é possível a convivência de marcas semelhantes no mercado. Quando se trata de indústrias ou gêneros de comércio inteiramente diversos. semelhante ou afim. tendo em vista a sua função social. o princípio da especialidade não é absoluto. econômica.1991. O INPI é uma autarquia federal criada pela Lei n° 5648. À luz deste princípio. a regra da especialidade como princípio do direito marcário. sendo o órgão responsável pela concessão dos registros de marcas. quando o legislador fala em “produto ou serviço idêntico.06. pode-se dizer.br FGV DIREITO RIO 101 .26 De acordo com Maitê Cecília Fabbri Moro27. 1994. figurativa ou tridimensional. De fato.inpi. patentes. mas tratando-se de produtos ou indústria diversa. p. visando limitar o campo de extensão da proteção marcária de acordo com o segmento mercadológico no qual a mesma se insere. estando nesta relação identificador/identificado. inciso XIX. em que se impede “ a reprodução ou imitação. Segundo a autora. José da Gama. e até idênticas. 26 mORO. 29 Fonte: www. Le Noveau Droit Français de Marques. influi em toda a sua regulamentação. por parte de empresas diferentes. uma vez que advém. suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia. da Lei 9. de marca alheia registrada. semelhante ou afim”. nem neste assunto podem firmar-se regras absolutas.380/ sP. I. 10. 27 28 CERQUEIRA. j) formas de registro das marcas As marcas podem ser registradas sob a forma nominativa. dentre outros artigos. mas é ressaltada. ainda que com acréscimo. cit. pois se trata sempre de questões de fato. Com relação ao princípio da especialidade das marcas. jurídica e técnica. Este princípio é fundamental para a distinção das marcas e dos nomes de domínio.gov. inclusive as normas relativas ao registro de marcas. Paul. Paul Mathély ensina que: A regra da especialidade é substancial. cit. não importa que ela seja idêntica a outra já em uso”.CONTRATOs Em EsPÉCIE industrial. cujas circunstâncias não podem ser desatendidas quando se tem de decidir sobre a novidade das marcas e as possibilidades de confusão. está limitando o direito de marca no campo de sua especialidade. de 11 de Dezembro de 1970. maitê Cecília Fabbri. sem qualquer vinculação entre si.71.

(Exemplos: compreensível por uma parcela significativa do público consumidor. requerimento a ideogramas o línguas tais como o japonês. cuja grafia se apresente de forma estilizada. e não sobre a palavra ou termo caso ressalvada a hipótese de o requerente indicar no requerimento a palavra ou o termo que o ideograma represenem que se interpretará parcela significativa do ta. cuja grafia se apresente de forma estilizada. cuja grafia se • Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e nominativos. figura ou qualquer forma estilizada de letra e número. que ele representa. compreensível por uma ideograma em si. Exemplos: Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. caso em que se interpretará como marca mista. imagem. desde que compreensível por uma como marca mista. Exemplos: Exemplos: Mista: É constituída pela combinação de elementos nominativos e elementos figurativos ou de elementos nominativos. a proteção legal recai sobre o parcela significativa do público consumidor.CONTRATOs Em EsPÉCIE • Nominativa: É constituída por uma ou mais palavras no sentido amplo do desde que requerimento a palavra ou o termo que o ideograma representa. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma dissociada de qualquer efeito técnico. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. hebraico etc. bem como dos palavra ou determo que o ideograma representa. compreendendo. os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos. também. elementos figurativos ou de elementos nominativos. a configuração ou a conformação física) de produto ou de embalagem. caso FGV e Coca-Cola) • Figurativa: É interpretará como marca mista. público consumidor. ao pedido de . cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. apresente de forma estilizada. em que se constituída por desenho. cuja forma tenha capacidade distintiva em si mesma e esteja dissociada de qualquer efeito técnico. desde que Nesta última Exemplos: hipótese. plástica. alfabeto romano. • Tridimensional: É constituída pela forma plástica (estende-se por forma plástica. FGV DIREITO RIO 102 Exemplos: L) Direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. isoladamente. chinês.

contendo o número. como segue abaixo: A (1) Aquele que tiver devidamente apresentado pedido de patente de invenção. desde que sem conotação comercial e sem prejuízo para seu caráter distintivo. Segundo a Lei de Propriedade Industrial. obra científica ou literária ou qualquer outra publicação. do s direito de prioridade durante os prazos adiante fixados. em seu artigo 4 (C) dispõe da forma abaixo: (1) Os prazos de prioridade acima mencionados serão de doze meses para invenções e modelos de utilidade e de seis meses para os desenhos ou modelos industriais e para as marcas de fábrica ou de comércio Cumpre destacar que. na sua promoção e comercialização. o qual discrimina que o titular da marca não poderá: • impedir que comerciantes ou distribuidores utilizem sinais distintivos que lhes são próprios. FGV DIREITO RIO 103 . M) limitações e Perda de direitos As limitações aos direito de propriedade das marcas encontram-se discriminadas no artigo 132 da Lei de Propriedade Industrial. para apresentar o pedido nos outros países. por si ou por outrem com seu consentimento. a Convenção de Paris. sob pena de perda da prioridade. • impedir que fabricantes de acessórios utilizem a marca para indicar a destinação do produto. nos prazos previstos na referida Convenção de Paris. • impedir a livre circulação de produto colocado no mercado interno. ou • impedir a citação da marca em discurso. não sendo o depósito invalidado nem prejudicado por fatos ocorridos nesses prazos. • pela renúncia. de depósito de modelo de utilidade. juntamente com a marca do produto. devendo ser comprovada por documento hábil da origem. da qual o Brasil é signatário. a reivindicação da prioridade deverá feita no ato de depósito. será assegurado direito de prioridade. de registro de marca de fábrica ou de comércio num dos países da União. desde que obedecidas as práticas leais de concorrência. Tratando-se de prioridade obtida por cessão. Com relação à perda dos direitos marcários. contados do depósito. de desenho ou modelo industrial.CONTRATOs Em EsPÉCIE l) direito de Prioridade O artigo 127 da Lei de Propriedade Industrial estabelece que. gozará. ou o seu sucessor. a comprovação da prioridade deverá ocorrer em até 4 (quatro) meses. 68. cujo teor será de inteira responsabilidade do depositante. Sobre o prazo para apresentação da reivindicação de prioridade. o artigo 142 preceitua que o registro da marca extingue-se: • pela expiração do prazo de vigência. que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca. a data e a reprodução do pedido ou do registro. podendo ser suplementada dentro de 60 (sessenta) dias. acompanhado de tradução simples. por outras prioridades anteriores à data do depósito no Brasil. o documento correspondente deverá ser apresentado junto com o próprio documento de prioridade. se não efetuada por ocasião do depósito. Este princípio do direito da prioridade é previsto no artigo 4º da Convenção da União de Paris. ressalvado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. ao pedido de registro de marca depositado em país que mantenha acordo com o Brasil ou em organização internacional. que produza efeito de depósito nacional.

ainda. No tocante à renúncia dos direitos. Pontes de Miranda explica sobre as formalidades da renúncia: Pode dar-se a renúncia à propriedade industrial. que a caducidade seja concedida apenas parcialmente. Da decisão que declarar ou denegar a caducidade caberá recurso. 1983. são Paulo: Editora Revista dos Tribunais. contados da data da concessão do registro. será extinto o registro e a marca estará. por períodos iguais e sucessivos. O prazo para início de uso é de 05 (cinco) anos.90330. expressa em documento hábil ou o não uso. FGV DIREITO RIO 104 . O uso da marca deverá compreender produtos ou serviços constantes do certificado. o titular do registro de uma marca deve utilizá-la para mantê-la em vigor. relativas a 30 mIRANDA. 15-16. decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. Com relação à comprovação de uso. Tomo XVII. No que tange à caducidade da marca. considerado abandono.CONTRATOs Em EsPÉCIE • pela caducidade. desde que o cessionário atenda aos requisitos legais para requerer tal registro. sob pena de caducar parcialmente o registro em relação aos não semelhantes ou afins daqueles para os quais a marca foi comprovadamente usada. Desta forma. o artigo 145 da Lei de Propriedade Industrial dispõe que não se conhecerá do requerimento de caducidade se o uso da marca tiver sido comprovado ou justificado seu desuso em processo anterior. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. É possível. no mesmo prazo. Pontes de. a questão da cessão dos pedidos de registro ou dos registros de marcas como caso de perda de direitos sobre as mesas. em nome do cedente. Em caso contrário. Uma vez requerida a caducidade da marca. na data do requerimento: I – o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. 4ª ed. pp. O artigo 134 estabelece que o pedido de registro e o registro poderão ser cedidos. o artigo 135 da Lei de Propriedade Industrial prevê que a cessão deverá compreender todos os registros ou pedidos. o artigo 143 da Lei de Propriedade Industrial dispõe o que se segue: Art. que dispõe sobre a falta de constituição de procurador no país pela pessoa domiciliada no exterior. ou • pela inobservância do disposto no art. Contudo. sob pena de extinção do registro. caberá ao detentor do registro provar a sua utilização. 217 da referida Lei. no entanto. requerido há menos de 5 (cinco) anos. com a declaração da caducidade de que cogitam os arts 152-155 do Decreto – Lei 7. ou se.Caducará o registro. em princípio. O prazo de validade de registro de uma marca é de dez anos. 144. Vale ressaltar. sendo prorrogável.Parte Especial. de acordo com o artigo 144 da Lei de Propriedade Industrial: Art. de marcas iguais ou semelhantes. tal como constante do certificado de registro. ou II – o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos.. 143 . a pedido do titular. Tratado de direito privado . disponível. a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. contados a partir da data de concessão.

se tornou tópico de grande importância no noticiário político nacional. questões legislativas e judiciais envolvendo aspectos de propriedade intelectual vem se destacando cada vez mais. mas permaneceria com os registros das outras marcas. Você teria algum comentário a essa proposta? leitura CoMPleMentar: A importância da “due diligence” de propriedade intelectual nas fusões e aquisições (Debaixo dos caracóis dos seus cabelos) dirceu P. Diante do exposto. sorrindo vai chorar. ganhando considerável espaço no mundo dos negócios e até mesmo nas manchetes dos principais jornais do país. FGV DIREITO RIO 105 . leva. No setor farmacêutico. Um dia a areia branca / seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos / a água azul do mar Janelas e portas vão se abrir / prá ver você chegar e ao se sentir em casa. o senhor Eduardo Russo fez a seguinte proposta: cederia os pedidos de registro de marcas para a Pechincha Comércio Varejista Ltda. Debaixo dos caracóis dos seus cabelos uma história prá contar / de um mundo tão distante debaixo dos caracóis dos seus cabelos um soluço e a vontade / de ficar mais um instante.CONTRATOs Em EsPÉCIE produto ou serviço idêntico. n) Contrato de licença de Marcas O registro da marca como o pedido. nota-se que a hipótese de cessão parcial de marcas iguais ou semelhantes relativas a produtos ou serviços idênticos. mestre em direito pela the George Washington university (eua). semelhantes ou afins. também. os pesquisadores brasileiros cada dia mais buscam uma recompensa justa para suas pesquisas. Embora não seja necessária para comprovar a exploração da marca. conseqüentemente o contrato de licença perde seu objeto. Na biotecnologia e na área científica. sob pena de cancelamento dos registros ou arquivamento dos pedidos não cedidos. à perda dos pedidos de registros ou registros que não foram transferidos do cedente ao cessionário. a averbação no INPI é necessária para produzir efeitos perante terceiros. semelhante ou afim. por exemplo. dimensionando-as para a concessão de patentes. Roberto Carlos/Erasmo Carlos De alguns anos para cá.. Se o registro da marca é extinto. a disputa entre os Estados Unidos e o Brasil envolvendo as licenças compulsórias e a exigência de fabricação de certos produtos farmacêuticos no território nacional. podem ser objeto de licença. após publicado e requerido o exame. de santa rosa advogado no rio de janeiro (rj). Vale notar que a licença só poderá vigorar enquanto o registro da marca estiver em vigor. o) Contrato de Cessão de Marcas Qual é a diferença entre o contrato de licença de marcas e o contrato de cessão de marcas? Ao ser consultado pelo nosso cliente quanto à cessão das marcas. ao invés apenas do reconhecimento acadêmico.

alguns diretamente relacionados à propriedade intelectual tiveram destaque: – O fato da produtora de cinema 20th Century Fox não ter se interessado em reter os direitos de licenciamento e merchandising de produtos associados ao filme “Guerra nas Estrelas”. como nos de telecomunicações. decidiu não conceder licenças aos possíveis concorrentes que desejavam fabricar computadores compatíveis. desenvolvida pela IBM e licenciada para FGV DIREITO RIO 106 . acreditando poder lucrar mais com a exclusividade. que consideram como os principais. a nosso ver errônea. o crescimento de setores da chamada “nova economia” e o desenvolvimento da internet e do e-commerce valorizou os ativos intangíveis das empresas. Neste cenário globalizado. e alertou muitas delas para o desenvolvimento de políticas de gerenciamento de propriedade intelectual. Hoje em dia. onde se nota cada vez mais que proteger. direcionada para estudantes e profissionais de administração. capitaneada por companhias estrangeiras que desejam se fixar em nosso promissor mercado. tanto que um descuido na análise de seus aspectos relevantes pode trazer conseqüências desastrosas. e despertam o interesse de empresários que pretendem estender suas atividades ao Brasil por meio de joint ventures. Acabou vitima de sua própria ganância. e as bancas de advocacia que prestam este serviço geralmente dão ênfase à análise dos aspectos societários. pois enquanto os consumidores adquiriam a preços competitivos computadores baseados na arquitetura dos PCs. Nunca o meio empresarial esteve tão antenado com a necessidade de se proteger devidamente as criações intelectuais e obter lucro destes ativos. desenvolver ou adquirir inovações tecnológicas podem fazer a diferença num mercado globalizado e altamente competitivo. Tais procedimentos são conhecidos como “due diligence”. i – a importância da Propriedade intelectual no mundo dos negócios Os profissionais de propriedade intelectual estão vivendo um momento sui generis. aquisições ou financiamentos são geralmente precedidas de uma criteriosa avaliação da instituição prospectada. após criar o computador pessoal Macintosh (2). preferiu não adquirir a licença exclusiva do sistema operacional MS-DOS. distante do Direito Empresarial moderno. visando evitar que passivos ocultos comprometam o negócio. a publicação norte-americana MBA Jungle. de que a propriedade intelectual é matéria acessória. esporte e energia. recentemente promoveu uma interessante pesquisa entre diversos professores de cursos de MBA. O gerenciamento de propriedade intelectual deixou de ser um assunto limitado à seara do especialista. Sem exclusividade. – Em 1984. ao produtor do filme. a Apple Computers. e o declínio da IBM no desenvolvimento de software para computadores pessoais. Operações de fusões. e ganhou destaque em setores como a administração de empresas e a gestão estratégica de negócios.CONTRATOs Em EsPÉCIE Situação semelhante ocorre em outros setores da economia. George Lucas. a IBM. seu estudo ganha importância na maior parte das operações de fusão ou aquisição. Esta tendência do mundo empresarial também se reflete na economia brasileira. Aceitou repassar os mesmos. Surpreendentemente. as empresas nacionais se transformaram também em mercadorias. trabalhistas e fiscais. E falando em economia globalizada. o que possibilitou as bases do seu crescimento. tendo em vista uma “avalanche” de fusões e aquisições de empresas brasileira. dentre os principais erros abordados nesta pesquisa. investimentos e operações de compra envolvendo empresas locais. gratuitamente. relegando outras áreas a um segundo plano. administradores e diretores das maiores empresas dos EUA para identificar quais foram os “25 maiores erros corporativos do mundo” (1). – Em 1981. preocupada com acusações de formação de monopólio no setor de computadores. a Microsoft ofereceu o referido sistema às concorrentes da IBM. bem como de suas possíveis seqüências. Diversos setores estão sendo totalmente reformulados. Pelo contrário. em se tratando de fusões e aquisições de empresas. Apenas para melhor ilustrar a afirmação acima. O objetivo principal deste artigo é desmistificar a idéia. oferecida por um jovem Bill Gates e desenvolvida por uma pequena empresa chamada Microsoft. não é mais possível enxergar o Direito da Propriedade Intelectual como uma área subsidiária.

Uma conseqüência da autonomia da vontade das partes que. mas que se tornaram muitíssimo lucrativas no futuro. concentrando seus esforços nas fotocopiadoras que. processos de privatização de empresas estatais. Porém. uma vantagem competitiva para qualquer empresa. que a propriedade intelectual assume papel de destaque nos modernos métodos de gestão empresarial. foram conhecer as tecnologias desenvolvidas pelos pesquisadores da Xerox. ser tratada como um ativo estratégico. e Bill Gates. que as apresentaram sem qualquer cuidado com confidencialidade ou patenteamento. executivos da Xerox preferiram ignorar tais criações. e a instituição de regras sobre a responsabilidade de compradores e vendedores na prestação de informações. Outros autores como LAJOUX e ELSON (7) remontam a origem das “due diligences” a tempos mais antigos: Teria sido desenvolvida a partir de um conceito do Direito Romano: “diligentia quam suis rebus” (diligencia de um cidadão em gerenciar suas coisas) que foi trazido para a Common Law e já era adotado em decisões judiciais antigas.a due diligence no meio empresarial Apesar de muitos profissionais associarem o termo “due diligence” a procedimentos de auditoria legal e financeira que envolvem fusões. operações financeiras complexas. o desenvolvimento de políticas de gestão de patentes é tema de muitos estudos e livros de negócios (5) que concluem. a impressora laser e alguns conceitos básicos sobre redes de computadores (4). tanto em operações envolvendo fusões e aquisições de negócios como no planejamento de reestruturações societárias. foi mesmo na prática empresarial que a “due diligence” ganhou forma e se tornou um procedimento comum no mundo inteiro. aquisições. Em pouco mais de uma década. não se importaram quando os jovens Steve Jobs. – A Xerox Corporation. e investimentos. da Apple. nada mais atual que discutir a propriedade intelectual sob um ponto de vista tanto negocial como jurídico. manteve um centro de pesquisas em Palo Alto. geravam mais lucro para a empresa. pouco se comenta sobre o surgimento desta atividade e os motivos que a tornaram essencial na prática empresarial moderna. Por isso mesmo. Independente de suas origens. fixando livremente certas práticas. da Microsoft. uma “cópia” do mesmo acabou sendo desenvolvida também para os PCs por uma outra empresa. Portanto. enquanto só restou para a Apple um nicho do mercado de computadores pessoais (3). a única opção para comprar um Macintosh era por meio da Apple. mas também o mouse. Alguns remontam sua origem nos Estados Unidos. especialmente quando analisamos ramos de negócio cuja atividade principal está baseada na exploração do conhecimento tecnológico e em ativos intangíveis tais como patentes e marcas. à época. a dominância dos PCs consolidou-se. pesquisadores deste centro desenvolveram não apenas a interface gráfica para sistemas operacionais (precursora tanto do sistema Windows como do Macintosh). se tornando então aceito no ordenamento jurídico-comercial norte americano. A importância que hoje é dada pelos renomados professores de administração de empresas aos fatos acima não é fruto do acaso. Afinal. Nos anos 70. reorganizações societárias. durante anos. em um quase uníssono. Invenções deixadas de lado por não serem lucrativas. é utilizada nas mais diversas circunstâncias. ii. dentre outros (doravante denominadas de “transação” ou “transações”). na Califórnia. e levou o nome de “Windows”. cujos preços eram bem mais caros. Trata-se do reconhecimento de que a proteção da propriedade intelectual precisa. Por não terem uma estratégia de pesquisa e desenvolvimento de produtos atrelada à propriedade intelectual.CONTRATOs Em EsPÉCIE uma miríade de empresas. o conceito foi melhor depurado após decisões de Cortes norte-americanas. cada vez mais. Sendo assim. criaram este mecanismo que garante ao adquirente ou investidor a possibilidade de realizar uma investigação prévia sobre a empresa a ser adquirida ou que receberá investimentos (e que doravante será denominada “empresa-alvo”). FGV DIREITO RIO 107 . mais precisamente após a promulgação do Securities Exchange Act de 1933. em procedimentos de aquisição de empresas (6). E como a arquitetura do sistema operacional gráfico dos Macintosh era realmente inovadora. nas mãos destas outras empresas para quem eles gentilmente as apresentaram.

Esta fase inicial envolve a celebração de um acordo preliminar de compra (conhecido como “Engagement Letter”) ou uma Carta de Intenções preliminar. Porém.Declaração de intenção do comprador. É onde são determinadas as regras da “due diligence”. visando à verificação . e não uma obrigação legal. bem como para garantir. seu ponto de partida é o período de entendimentos iniciais entre as partes e. II-b) Os Procedimentos de “due diligence” A realização de uma “due diligence” é uma opção das partes. especialistas como o português CORREA DE SAMPAIO a reconhecem como uma medida de caráter preventivo: “A due diligence é um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transaccionar. numa óptica jurídica. fundos de comércio ou de parte significativa dos ativos que os compõem” (9) Embora a “due diligence” tenha surgido para resguardar as partes em litígios pós-compra ou fusão. interpretada no contexto jurídico brasileiro: “Atualmente. antes de tudo. tanto quanto possível. Geralmente uma “Engagement Letter” vem acompanhada da prestação de diversos “Representations and Warranties” por parte do vendedor. O bom senso das partes é o que prevalece. verificação do funcionamento da empresa e do cumprimento das regras legais. direitos de preferência no negócio (12). e geralmente é entregue aos diretores da empresa-alvo pouco depois da assinatura da “Engagement Letter”. por meio de um documento que indica normas e temas estratégicos importantes. Um “check list” pode até mesmo incluir perguntas diretas. a quem cabe acordar os termos e condições nas quais a “due diligence” será desenvolvida. Algumas das práticas elencadas abaixo são características nos mais diversos procedimentos de “due diligence”: 1.sob um escopo predefinindo . Via de regra. garantias a prestar. não existe como enumerar com precisão o que deve constar neste documento. uma “due diligence” ? Expressão de origem anglo-saxônica.da situação de sociedades. “due diligence”. afinal. O processo de “due diligence” não existe como figura jurídica autônoma na legislação pátria. Assim. Quanto às conseqüências que decorrerão de seus resultados. dentre outros. visto que seu escopo depende inteiramente da transação comercial que a motiva. determinação de responsabilidades ou outras. Em poucas palavras. uma parte importante de seu conteúdo (13). Porém. pode ser demorada. tanto para o potencial vendedor como para o comprador. estabelecimentos. avaliação dos riscos inerentes. Sendo um acordo que formata uma negociação que se dará entre as partes. FGV DIREITO RIO 108 . Mesmo assim. o regular cumprimento de obrigações legais ou contratualmente assumidas. significaria “devida cautela ou diligência” (8). tais dados geralmente são de conhecimento das partes. dependendo do tamanho da transação e das contingências encontradas.Envio de “Check List”. geralmente dependem dos interesses da empresa encomendante do serviço. o excelente trabalho de MORI nos traz uma boa definição de “due diligence”. é melhor entendê-la como uma metodologia que. seja para determinação do real valor das empresas e seus activos. usa-se a expressão due diligence para definir o que. definir garantias e evitar eventuais situações de incumprimento” (10). e pode ser útil em diversos níveis e momentos de uma negociação ou transação. consoante cada caso concreto. uma “due diligence” é a prova incontestável de que a velha máxima popular “mais vale prevenir que remediar” é verdadeira.CONTRATOs Em EsPÉCIE II-a) O que é. Due diligence significa. se traduzida literalmente. listando as informações que deverão ser disponibilizadas pela empresa-alvo. bem como aborda aspectos como confidencialidade (11). Documento que geralmente é preparado pelos advogados contratados para realizar a “due diligence”. o que fazer para verificar que o objecto da operação pode ser transacionado legitima e livremente e apresenta as características e tem o valor que o vendedor lhe atribui. envolver prazos exíguos e um custo altíssimo para a parte que solicita o serviço (doravante denominada de “encomendante”). consiste no procedimento sistemático de revisão e análise de informações e documentos. é fruto da prudência e do bom senso das partes. é difícil trazer uma definição precisa que possa abarcar a amplitude de uma “due diligence” jurídica. resumidamente. 2. prever riscos e definir a sua partilha pelas partes.

se as condições e o preço sugeridos pela empresa-alvo são realmente justos. (17) A abrangência dos seus resultados também é um assunto polêmico. bem como a pesquisa e coleta de dados complementares. O “timing” de uma “due diligence” também é muito importante. ele utilizará a “due diligence” até mesmo para ganhar tempo e decidir sobre o negócio. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. e tentará iniciar os trabalhos antes mesmo de assinar uma eventual carta de intenções (16). 4. A partir dai. visto que o advogado avalia aspectos de um negócio do qual jamais participou diretamente.Fornecimento e/ou obtenção das informações. o bom relatório de “due diligence” deve destacar não só os aspectos relevantes da prática do escritório contratado. nos moldes solicitados pela contratante do serviço e seguindo os padrões adotados pelos advogados responsáveis. Afinal. De outro. E as vantagens deste “retrato” superam em muito qualquer prestação de garantias por parte da empresa-alvo. a identificação e análise de contingências por uma empresa independente. Assim. todas as pendências legais em uma reorganização societária devem ser observadas com a mesma atenção e detalhe. o encomendante da “due diligence” quer se precaver o máximo possível. incluindo a análise de todos os ativos importantes da empresa. bem como examinar as operações financeiras realizadas. Desenvolver. existe o dever e o interesse em proteger o maior número de invenções. ou mesmo exigir maiores garantias por parte do vendedor. pode avaliar. Alguns especialistas entendem que relatórios de “due diligence” devem destacar. ou ser criteriosamente analisado pelo mesmo ao avaliar a viabilidade da transação. a empresa-alvo fará o máximo para que o procedimento seja encerrado com a máxima brevidade. avaliando todos os riscos legais inerentes ao seu negócio. iii – a due diligence de propriedade intelectual Num mercado dominado pela informação e tecnologia. Este relatório poderá ser utilizado pelo encomendante diretamente na mesa de negociações. um extenso relatório é preparado.CONTRATOs Em EsPÉCIE 3. geralmente. mais que nunca. Porém. uma avaliação de seu passivo processual (inclusive reclamações trabalhistas e processos administrativos). O objetivo de grande parte das “due diligences” jurídicas pode ser resumido de maneira simples: É como se a missão do advogado fosse “tirar um retrato” da empresa-alvo. Do outro lado. Pode ser efetuado por meio da consulta em bases de dados públicas (como o site do INPI (14)). que envolve a revisão das informações passadas pela empresa-alvo. até mesmo os bens de propriedade intelectual. uma opção que garante maiores cuidados quanto ao sigilo e segurança dos documentos (15). mas os da empresa-alvo e de sua indústria. inicia-se a fase mais árdua da “due diligence”. Os documentos podem ser disponibilizados em local determinado. e num momento anterior à conclusão de qualquer transação. as atenções do meio empresarial estão se voltando para a propriedade intelectual como ferramenta estratégica para garantir a melhor utilização destes bens intelectuais. no momento certo. Após o recebimento do “check list”. a análise da situação fiscal e tributária da empresa. é conhecido como “data room”. não se importando com a eventual pressa da empresa-alvo. de modo que não implique em um atraso no fechamento do negócio (uma fase também conhecida como “closing”). dentre outros. a preocupação dos empresários e investidores com a propriedade intelectual passa. Assim. impreterivelmente. a preocupação em não infringir os direitos de terceiros. da análise dos documentos entregues pela empresa-alvo.Entrega do relatório final de “due diligence”. caberá a ambas as partes continuar as negociações até a assinatura de um acordo final. permitindo renegociar o preço final. que no jargão negocial. por apenas duas abordagens: Por um lado.Consolidação das informações Após a análise dos dados coletados pelas equipes de advogados. gerenciar e utilizar estrategicamente estes ativos se tornou matéria fundamental para as empresas verdadeiramente antenadas com o futuro e. e poder FGV DIREITO RIO 109 . a importância de uma companhia está cada vez mais baseada no valor que seus ativos intangíveis podem atingir. favorecem a empresa interessada. A nosso ver. Em alguns casos. 5. marcas e outros ativos incorpóreos. Geralmente.

avaliando sua situação atual. e na celebração de acordos preliminares. (18). a “due diligence” de propriedade intelectual não deve ser vista como algo inusitado em diversos procedimentos de fusão ou aquisição. Afinal. Os métodos para a obtenção destas informações também envolvem a compilação e análise de documentos complexos. É possível identificar se a empresa-alvo tem uma política de proteção dos seus ativos intangíveis? A empresa-alvo protege devidamente seus ativos intelectuais? 4. Alguns meses atrás. – Obtenção de informações sobre registros declaratórios de direito autoral e de programas de computador.CONTRATOs Em EsPÉCIE identificar quem está infringindo os seus. no Brasil e no exterior. bem como o uso de todos os métodos lícitos e acordados pelas partes para a obtenção de dados. marcas e/ou programas de computador licenciados de terceiros? Em que situação legal encontra-se tais licenças? São elas fundamentais para o desenvolvimento do negócio? Dependendo do cliente e de seus objetivos. tão somente identificando os bens intelectuais existentes e. pois não é interessante que as regras de uma “due diligence” criem entraves complexos que impeçam a realização do trabalho. Os compradores até efetuaram uma cuidadosa análise da situação das principais marcas da empresa-alvo junto ao INPI. inclusive quanto à penhora das mesmas. no Brasil e no exterior. e as auditorias preventivas oferecidas no mercado são. A empresa-alvo utiliza tecnologias. Dentre estes possíveis recursos. não é mais incomum que o principal interesse da empresa compradora possa ser adquirir marcas que lhe garantam uma fatia do “market share”. Portanto. bem como cópias de pedidos de registro de marca. tanto para o bom andamento do negócio como para o comprador? 3. prestadas por profissionais sem formação técnica e. os aspectos de propriedade intelectual são abordados de modo raso. na maior parte das “due diligence” jurídicas preparadas por bancas de advocacia empresarial. Assim. é claro que uma “due diligence” pode enfatizar alguns aspectos específicos: Porém. destacamos: – Solicitação direta à empresa-alvo de cópias de documentos de patentes. se possível. tal procedimento tem como base quatro questões-chaves: 1. é crucial ter em mente os pontos acima. E no âmbito da propriedade intelectual. ao noticiar a compra de um tradicional periódico carioca. – Solicitação de cópias de certificados de registro de marca. O uso de procedimentos mais detalhados para analisar aspectos de propriedade intelectual nas “due diligences” não é muito difundido no Brasil. ou invenções patenteadas que lhe possibilitariam fabricar um produto ou melhor desenvolver determinada tecnologia. a mídia especializada em finanças e negócios alardeou com grande surpresa que a maior preocupação do grupo comprador era adquirir apenas a marca do jornal. além de muito raras. Quais são as possíveis contingências envolvendo este portfolio que podem gerar riscos. Poucas bancas nacionais estão realmente capacitadas para fazer análises mais criteriosas sobre o assunto. uma “due diligence” envolve a identificação e análise dos ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo de uma fusão. Qual o tamanho e a força do portfolio de propriedade intelectual da empresa-alvo? 2. até sem o necessário cuidado ético. III-b) Identificando ativos de propriedade intelectual Numa “due diligence” de propriedade intelectual. em alguns casos. antes mesmo de iniciar qualquer negociação com os donos do periódico. FGV DIREITO RIO 110 . III-a) Fundamentos das “due diligences” de propriedade intelectual Como já vimos anteriormente. o processo de identificação de ativos e análise de sua situação legal (que se inicia a partir da preparação e do envio do “check list” ou da abertura do “data room”) não é diferente do que ocorre em quaisquer outras “due diligences” legais. na fase de Declaração de Intenções do comprador. aquisição ou outro tipo de negociação. e que o resto do patrimônio da empresa seria apenas uma “contingência a ser absorvida”.

são essenciais em qualquer “due diligence” de propriedade intelectual (22). técnicos e especialistas da própria empresa-alvo. Uma consulta formal aos agentes de propriedade industrial da empresa-alvo. dados vitais sobre a existência de problemas envolvendo seu patrimônio intelectual. convém deixar a cargo do advogado a preparação das listagens dos dados a serem solicitados e analisados. os pontos abaixo foram divididos e abordados de maneira resumida e modo exemplificativo. muitas vezes descobrimos empresas que nunca organizaram ou gerenciaram de modo sistemático seus ativos de propriedade intelectual. O mesmo procedimento preventivo deve ser adotado na coleta de quaisquer informações subjetivas. tais como a do INPI (19). se autorizada. Para efeito de metodologia. em alguns casos até propondo soluções emergenciais. pois a empresa-alvo pode acabar omitindo. O diferencial é saber analisar os dados disponíveis e identificar quais devem figurar no relatório final e com que ênfase. (20) Quase sempre cabe aos advogados mais experientes. em algumas situações a empresa-alvo sequer obteve registros de marca ou patente. Em nossa prática. sempre que possível. Assim. reconhecemos que é nesta fase onde aparecem alguns dos entraves mais complexos de uma “due diligence”. Nesta fase. o relatório final é a fase em que as informações compiladas são analisadas. e utiliza indiscriminadamente seus ativos intelectuais sem o mínimo cuidado com a proteção dos mesmos. FGV DIREITO RIO 111 . A identificação de ativos também pode ser realizada mediante entrevistas a diretores. Este recurso complementar pode ser muito eficiente para identificar práticas e procedimentos utilizados pela empresa-alvo para a proteção de seu patrimônio intelectual. na obtenção e compilação de dados. III-c) Elaborando o relatório final Considerada por muitos como a fase mais interessante de uma “due diligence”. onde o resultado das pesquisas de ativos é devidamente analisado. Ademais. em vista do interesse do encomendante e das contingências encontradas. e os dados disponibilizados no “data room” ou fornecidos pela empresa-alvo sobre cada ativo intelectual devem ser revisados e confirmados. e como “cada caso é um caso”. também pode significar uma redução do tempo a ser dispensado na coleta de dados e informações. já não é imprescindível um entendimento genérico da transação que motivou a “due diligence”. e envolve as questões eminentemente jurídicas do trabalho. não menos importante é tecer as necessárias considerações sobre todas as contingências identificadas na análise do relatório. Ademais. – Compilação e obtenção de informações subjetivas sobre políticas de proteção dos ativos intelectuais da empresa-alvo. levando em conta a importância que o encomendante do relatório dará para cada aspecto de propriedade intelectual da transação (21). é importante que a fase de reconhecimento dos ativos seja conduzida. Procuraremos nos fixar a seguir nos tópicos que. iV – analisando tópicos específicos em uma due diligence de propriedade industrial Como vimos acima. Isto porque. após a fase investigativa inicia-se a elaboração do relatório final.CONTRATOs Em EsPÉCIE – Obtenção de cópias de contratos envolvendo licenças de uso de software e quaisquer outros bens intelectuais. e que nem sempre são facilmente identificáveis. com bastante conhecimento específico da área. – Consultas nas bases de dados (nacionais e internacionais) de propriedade intelectual. por má-fé ou puro desconhecimento. Nas “due diligences” em que existe a possibilidade de se requerer documentos diretamente à empresa-alvo. As informações obtidas devem ser organizadas e separadas pelo seu nível de importância para o encomendante do relatório final. a nosso ver. do modo mais direto e com o apoio irrestrito da empresa-alvo.

e capaz de um parecer técnico sobre a possibilidade de utilizar dita patente contra um concorrente. com sólida formação técnica na área de atuação da empresa-alvo. com base no relatório descritivo. então. ou mesmo verificar sua forca perante tecnologias já existentes e/ou patenteadas. um dos aspectos mais importantes da “due diligence” é realizar uma análise integral do seu portfolio de marcas. semelhantes ou afins. A “due diligence” jurídica de patentes deve. bem como analisar se o pagamento das anuidades e outras taxas para a manutenção de cada patente está ocorrendo dentro dos prazos legais (26). conhecido ou que venha a ser inventado. deve ser examinado por um especialista na área. Porém. o direito autoral é um exemplo típico de propriedade imaterial. Astros como David Bowie e James Brown já utilizaram seu repertório com esta finalidade. tangível ou intangível. A patente é. numa definição breve. IV-b) Patentes Quando a empresa-alvo tem entre suas atividades a pesquisa e o uso de tecnologia em seus principais produtos e serviços. E este tipo de avaliação só pode ser realizado por meio do exame técnico do teor das reivindicações. dispõe que é registrável como marca todo e qualquer sinal distintivo visualmente perceptível.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-a) Marcas e nomes comerciais Nos termos do artigo 122 da Lei nº 9. Quando a empresa-alvo é titular de signos altamente reconhecidos no mercado. uma parcela significativa do relatório final deve cuidar do portfolio de patentes. sem sua prévia autorização (25). Análises semelhantes também podem ser efetuadas com relação a modelos de utilidade e desenhos industriais. Este instituto visa proteger todo tipo de criações intelectuais do espírito humano. A existência de oposições. para que o encomendante possa não apenas se precaver. é habitual a utilização de obras autorais como objeto de negociação ou garantia colateral para pagamento de dívidas e captação de fundos. O escopo de uma patente importante na área química. ou obteve. a um inventor. enfatizar a verificação da situação atual de cada uma das patentes depositadas e/ou concedidas à empresa-alvo. e as disputas envolvendo Michael Jackson e a Sony FGV DIREITO RIO 112 . por exemplo. por força de lei e em caráter temporário. tais como fabricação. tem filiais ou realiza negócios. é altamente recomendável. Para tanto. uma análise de pesquisas na Junta Comercial dos estados onde a empresa-alvo está estabelecida. dados sobre o real valor de mercado dos signos principais da empresa (uma avaliação que é geralmente efetuada por especialistas no assunto (24)). que permita distinguir produtos ou serviços de outros idênticos. que regula a propriedade industrial no Brasil. Tópicos adicionais que podem fazer parte de um relatório detalhado incluem ainda uma avaliação dos procedimentos adotados pela empresa-alvo para evitar o uso indevido de suas marcas por terceiros. Em países que adotam o sistema de “copyright” (27).279/1996. no Brasil e no exterior. para que este possa excluir terceiros de certos atos relativos à matéria protegida. sempre que necessário. IV-c) Bens sujeitos à proteção autoral Tema altamente complexo em qualquer “due diligence”. é o passo inicial. expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. um título de propriedade outorgado pelo Estado. Quanto ao nome comercial. é importante estudarmos o momento no qual uma análise técnica deve complementar o trabalho do advogado. comercialização ou importação. habilitado em propriedade intelectual. Outro tópico importante é verificar. por meio de terceiros. um exame detalhado da situação atual de cada registro e/ou pedido de registro em nome da empresa-alvo. direitos de uso sobre os mesmos. Outros tópicos podem incluir a titularidade dos direitos patentários e os termos de cessão de cada patente por seus respectivos inventores. se as marcas registradas estão em uso regular no seu território de validade (o que evita riscos de caducidade (23)) e se as taxas de registro e prorrogação estão sendo pagas tempestivamente. pedidos indeferidos e recursos também deve ser pesquisada e abordada. mas até mesmo definir quais marcas serão mantidas ou abandonadas. de origem diversa. se possível. admitimos que estes temas são mais pertinentes numa auditoria de propriedade intelectual. Um exame mais detalhado de um portfolio de patentes deve ser realizado por profissionais especializados. Porém.

ou para terceiros. como nas empresas de desenvolvimento de software. Existe sempre um risco de contaminação tecnológica que nem todos preferem correr e que. III-e) Analisando contratos de licença e outros acordos Juntamente com a análise do patrimônio intelectual pertencente à empresa-alvo. Se não é possível identificá-los. processos de fabricação. é a proteção de certos tipos de informações e práticas comerciais que. por exemplo). a verificação minuciosa deste assunto é imprescindível. Daí a importância da abordagem especializada de questões autorais em “due diligence” de propriedade intelectual. em vista de seu escopo de atividades. em vista da caracterização dos programas de computador como obras autorais perante a legislação brasileira (29). listas e informações de clientes. em vista de quaisquer riscos de vazamento da informação. o relatório final deve abordar se os segredos comerciais estão devidamente protegidos e se não existe risco de que sejam divulgados ou perdidos caso a empresa-alvo sofra mudanças. São poucas as companhias que solicitam a todos os seus funcionários criadores de obras intelectuais que assinem termos específicos de cessão. é importante também examinar a existência de contingências envolvendo ativos intelectuais licenciados de terceiros. A rigor. ou que seus funcionários-chave a abandonem. envolvem milhões de dólares. e este risco deve ser bem avaliado (31). Tendo em vista a natureza incorpórea do direito autoral e que praticamente qualquer trabalho intelectual pode ser objeto de sua proteção. Mas autores como SILVEIRA o especificam com precisão: “O segredo de negócio consiste em conhecimentos técnicos. quais obras autorais são importantes para a natureza do negócio da empresa-alvo. técnicas de comercialização. e como é protegido pela empresa-alvo. celebrar termos de cessão de direitos patrimoniais com os autores. motivo pelo qual devem ser adotadas medidas protetivas contra a sua revelação” (32) Em uma “due diligence” de propriedade intelectual. o fato do profissional de “due diligence” não ter acesso ao segredo de negocio não deve ser um óbice para que ele analise se o mesmo existe. não existe uma definição na lei brasileira do que seja um “segredo de negócio”. A interrupção de um importante contrato de licenciamento de patente ou tecnologia em vista de uma reorganização FGV DIREITO RIO 113 . fórmulas. experiências. O ideal é verificar. Em alguns casos. é quase impossível que a empresa-alvo consiga. Em todos os casos. mesmo que os mais rígidos acordos de confidencialidade sejam celebrados entre as partes. bem como do material disponibilizado pela empresa-alvo. o relatório deve indicar se a empresa-alvo tem como prática identificar devidamente os autores de obras intelectuais (e se guarda em seus arquivos estas informações). como advogados. métodos. sobre os direitos de edição do repertório do grupo The Beatles (que dispensa qualquer apresentação). É importante lembrar ainda que. E partindo destas informações. marketing. especialmente nas empresas que lidam com desenvolvimento de tecnologia. Porém. são tão críticas para o negócio da empresa-alvo que é necessário mantê-las em rigoroso sigilo. tratar-se-á de um elemento incorpóreo sigiloso suscetível de aplicação prática que confere uma vantagem competitiva a seu detentor enquanto de conhecimento restrito. para uma “due diligence”. passíveis ou não de proteção por meio de direitos de propriedade intelectual. formação de preços e outras espécies de dados confidenciais relativos ao desempenho de atividades empresariais. listar todos os textos e obras de natureza intelectual que esteja autorizada a utilizar em vista das circunstâncias específicas de seu negócio. devemos respeitar. inicia-se o relatório analisando se as obras mais importantes estão devidamente resguardadas. O relatório pode também enfatizar se vale ou não a pena buscar uma proteção mais segura para esta tecnologia (por meio do seu patenteamento. um valioso investimento para qualquer empresa (28). nossa experiência mostra que informações tratadas pela empresa-alvo como segredos de negócio dificilmente são fornecidas aos advogados da encomendante. mesmo que o registro da obra intelectual não seja pré-requisito para garantir sua proteção. bem como auxiliar no registro das obras intelectuais mais relevantes junto aos órgãos competentes (30). custos. IV-d) Segredos de negócio e “know-how” Outra preocupação que afeta muitos procedimentos de “due diligence”. se possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE Music.

– Identificar riscos negociais. É claro que a profundidade da análise dos contratos que envolvem bens intelectuais depende do interesse da encomendante e. mas sim verificar e destacar as disposições contratuais que possam afetar a transação. Lembrando que nem todos os contratos que envolvem a exploração de ativos intelectuais precisam de averbação. e se é necessária aprovação da outra parte para que isto ocorra. é preciso investigar se. muito freqüentemente. Contratos de maior importância contêm. se possível. e nos termos da Lei nº 4. nos quais a empresa-alvo seja a licenciadora. – Contratos que envolvam transferência de tecnologia. é imperativo examinar se a remessa das respectivas divisas está sendo realizada de modo legítimo. nos quais a empresa-alvo seja a licenciada. cláusulas de exclusividade e direitos de preferência até mesmo opções de renegociação ou rescisão do contrato. por exemplo. e alguns dos contratos que geralmente são examinados incluem: – Todos os acordos de licenciamento de marcas. da boa vontade da empresa-alvo em ceder tais documentos. patentes. tais como: – Confirmar se todos os acordos examinados permanecem em vigor e. depositados ou concedidos no Brasil. quer como licenciado ou licenciante. em alguns casos. com especial atenção aos casos nos quais esteja licenciando tecnologias que também utiliza em seus produtos ou serviços para empresas que atuam no mesmo mercado. com atenção aos casos nos quais a empresa-alvo esteja obtendo licenças cujo objeto é essencial para a continuidade de seu negócio. (35) mas. por exemplo. indicar se os procedimentos necessários para fazê-lo ainda podem ser devidamente efetuados pela empresa-alvo (34). em circunstâncias totalmente diferentes das que norteiam a análise encomendada. – Verificar se as obrigações de ambas as partes podem ser transferidas para outra empresa ou serem sublicenciadas. é sempre importante lembrar que o objetivo de uma “due diligence” não deve ser avaliar a qualidade técnica das cláusulas de cada acordo ou criticar o trabalho de algum colega. No curso da revisão de todos estes acordos. o licenciante garantiu contratualmente desde a atualização da tecnologia licenciada até que o fornecimento da mesma não será encerrado caso a empresa-alvo sofra alguma reorganização societária. com especial atenção a quaisquer limitações de responsabilidade ou garantias excessivas estabelecidas contratualmente. se tal averbação não ocorreu. um tópico específico de qualquer “due diligence” de propriedade intelectual deve abordar este tema. Em outros. Assim. quando envolvem o licenciamento de ativos intelectuais do exterior e prevêem o pagamento de royalties. é necessário identificar qualquer contrato que gere perdas significativas. por intermédio do Banco Central. pode deixá-la em situação desfavorável e. nos contratos com fornecedores de tecnologia. Considerando que os contratos a serem destacados no relatório final serão aqueles mais pertinentes ao negócio da empresa-alvo.CONTRATOs Em EsPÉCIE societária da empresa-alvo. é necessária atenção redobrada ao interpretar cláusulas duvidosas e ambíguas de contratos cujo objeto é vital para o negócio da empresa-alvo (33). que nenhuma das partes está em flagrante violação dos termos e condições de cada um dos mesmos. ser crucial para que uma transação não se concretize. Tendo em vista que a negociação de cada contrato analisado certamente teve suas particularidades. Em alguns casos. muitas vezes. desde compromissos mínimos de produção. ou cujas obrigações não estejam sendo cumpridas pela empresa-alvo.131/1962. demandas que precisam ser atendidas mesmo em caso de transferência de controle acionário. nomes comerciais e/ou obras intelectuais de natureza autoral em que a empresa-alvo tenha participado. – Contratos que objetivam a aquisição de conhecimentos e de técnicas não amparadas por direitos de propriedade industrial. – Acordos que envolvam transferência de tecnologia. o trabalho do profissional de “due diligence” acaba ensejando a leitura de inúmeros contratos preparados por outros advogados. Também entendemos ser necessário identificar quais destes contratos necessitam de averbação junto ao INPI e. FGV DIREITO RIO 114 .

identificando o tipo de ação. fusão ou incorporação. conseguiu que sua criação se tornasse o padrão do mercado de aparelhos de videocassete. o MS-DOS. com esta tática. ou mesmo avaliar como está sendo feito o gerenciamento de sua propriedade intelectual. Debaixo dos caracóis dos cabelos das “due diligences”. pode valorizar em muito o trabalho dos profissionais de propriedade intelectual no meio empresarial. Cujo sistema operacional gráfico era altamente inovador e eficiente se comparado à concorrência da época.Conclusão No mercado de fusões e aquisições. The 25 Dumbest Business Decisions of All Time. As fontes principais para a coleta destes dados são as certidões forenses e de protestos emitidas em nome do negócio (e de suas filiais). MBA Jungle. notas 1. bem como informações prestadas por seus próprios advogados a respeito de litígios nos quais a empresa participa e emitidas por todos os distribuidores que a jurisdicionam. Convêm lembrar que a ocorrência reiterada de processos semelhantes envolvendo a empresa-alvo. antes de se fechar qualquer negócio. patentes e quaisquer outros ativos de propriedade intelectual da empresa-alvo. E na propriedade intelectual. por isso mesmo. o foro competente. dita verificação seria provavelmente feita pelos advogados que analisam os aspectos do contencioso da empresa-alvo. isto não é diferente. mas também é necessário que. provavelmente pode indicar algum procedimento de risco adotado pela mesma e. Ao mesmo tempo a Japan Victor Company – JVC licenciava gratuitamente a tecnologia para o sistema VHS e. 3. como autora ou ré. ou PARC. Porém. 2. se bem adaptada. mas também um caminho quase inexplorado no estudo do planejamento e gerenciamento de propriedade intelectual. é necessária uma conscientização. citado acima.CONTRATOs Em EsPÉCIE IV-f ) Analisando pendências judiciais de propriedade industrial Um outro assunto que pode ser abordado é a situação das pendências judiciais envolvendo marcas. é sempre recomendável uma profunda investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. é o método mais eficiente não somente para identificar contingências. Mostramos que a metodologia das “due diligences” jurídicas é uma ferramenta que. Os dados coletados por meio deste exame podem ser úteis até para fixar o valor patrimonial de marcas e patentes de uma empresa. nosso estudo encontrou não apenas os subsídios que confirmam uma nova realidade da propriedade intelectual nas fusões e aquisições. a Sony Corporation se recusou a licenciar para terceiros as patentes para a fabricação de aparelhos de videocassete com o sistema Betamax. mostrando as ações judiciais nas quais a empresa-alvo está envolvida. 4. não apenas desenvolveram o embrião do computador de hoje como auxiliaram em estudos que levariam a nossa concepção atual de internet e a interligação de computadores por rede. para alcançar este objetivo. A prática internacional tem demonstrado que adotar uma metodologia para a pesquisa e análise dos ativos intelectuais de uma empresa. sua situação atual e se existe risco de pagamento de indenização pela empresa-alvo. Numa “due diligence” jurídica mais ampla. passível de uma revisão ainda mais detalhada. mas merece nossa ressalva. Uma “due diligence” bem feita proporciona ao encomendante um valioso panorama de todos os aspectos legais da empresa-alvo. Eles avaliariam de forma genérica cada litígio. FGV DIREITO RIO 115 . Em situação semelhante que não foi listada no artigo ora citado. com o objetivo de demonstrar à empresa interessada quais as contingências legais existentes e avaliar os riscos da transação. Vi. mas também buscar soluções que evitem ou minimizem quaisquer riscos para o ativo intelectual da empresa. a área atue em harmonia com outros setores. Não seria tolice afirmar que os pesquisadores do Palo Alto Research Center. May 2001. nos grandes escritórios de advocacia empresarial.

uma sala contendo todos os dados que se quer mostrar aos possíveis adquirentes.br – A sigla INPI significa Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Para assegurar o acesso de todos os interessados a um mesmo volume de informações. por vezes. 7. www. A confidencialidade destes “data rooms” é. Consiste nas afirmações expressas em contrato pelas partes. por exemplo). o Autor e todos os advogados que estavam no data room passaram pelo constrangimento de serem colocados em cárcere privado e brutalmente revistados por seguranças de uma empresa. o comprador e os advogados que realizam o serviço deve ser cercado de todo cuidado ético e profissional. LAJOUX. as declarações e garantias podem ser vistas como um retrato do negócio a ser concretizado. 1a. antes do início de qualquer “due diligence”.cit. 6. dentro do processo de venda de uma empresa. em vista da perda de um documento importante. Assim. A celebração de extensos acordos de confidencialidade na fase das “Engagement Letter” ou “Representations and warranties”. e muitas vezes apresentavam documentação falsa ou incorreta. Ed. Por isso. A execução de um acordo de confidencialidade específico é também um dos primeiros passos que pode ser tomado no início de qualquer procedimento de “due diligence”. disponibilizado em www. empresários espertalhões deliberadamente não informavam os possíveis compradores sobre a existência de dívidas. define bem o papel dos “representations and warranties” : “Na área jurídica. ed. estas geralmente prestam o que se costuma chamar de representations and warranlies ou declarações e garantias .inpi. corrigindo-se assertivas incorretas. reasonable ground to believe and did believe” that the offering materials were accurate and were free of material omissions” em SAVAGE. Dentre os livros importantes sobre o assunto. passou a constar na Section 11(b)(3) do Securities Act de 1933 “participants had. Como reduzir os riscos de uma aquisição. 13. que solicitaram até mesmo que alguns advogados FGV DIREITO RIO 116 . é preciso lembrar que o relacionamento entre a empresa-alvo. fusão ou financiamento de uma empresa através de uma Due Diligence. after reasonable investigation. destacamos: SULLIVAN. em português) e diligence (diligência. seja ela de compra ou de venda. Charles. CORRÊA DE SAMPAIO. no que diz respeito à situação legal do negócio. sempre que o due diligence for provocado por uma transação entre partes não-relacionadas (aquisição ou joint aventure por exemplo). The Art of M&A Due Diligence. penhora de bens ou outras obrigações. Mc. que incluem garantias como a de que as partes comprometem-se a não aceitar nenhuma outra oferta. bem como a definição das conseqüências que decorrerão dos resultados que vierem a ser apurados. Assim. cautela). Deste princípio resulta que é às partes que cabe acordar os termos em que a due diligence será desenvolvida. 11.” 14. John Wiley & Sons. uma das finalidades das informações obtidas no due diligence na área jurídica é revisar as representations and warranlies. Deste modo. 9. Diane. 12.. ou seja. em especial se ambas são competidoras. e motivo de situações inusitadas. Certa vez.pacsa. MORI. MORI. op. e no que mais for pertinente à transação que pretendem fechar.gov. Juntamente com as cláusulas contratuais que disciplinam as indenizações a serem efetuadas por uma parte à outra (por passivos ocultos. todo comprador sempre corria o risco de adquirir “gato por lebre”. Alexandra & ELSON. 10. disponível em http://www. em se tratando de propriedade intelectual merecem destaque.fenwick. voltados para administradores. 2000.Graw Hill. para prepararem suas respectivas propostas de preço. 1998. 15. é um exemplo destes cuidados que.Outubro 2001. não é recomendável ir adiante sem que esta questão esteja devidamente acordada entre as partes.CONTRATOs Em EsPÉCIE 5. a empresa-alvo pode abrir um “data room”. Patrick.htm (visitado em 01 de abril de 2002). Após a fase de discussões e negociações preliminares. Algumas destas regras surgiram para por ordem em uma situação que se tornou comum nos tempos da depressão norte-americana e da quebra da Bolsa de Nova Iorque: Como lembra SAVAGE. Profiting from Intellectual Capital. na sua própria situação. 8. Nossa conclusão parte da tradução simples das palavras da língua inglesa due (devida. Alberto. Intellectual Property Due Diligence In Acquisitions of Technology Companies.pt/main_4. 15. Afinal o que é o due diligence? Disclosure Das Transações Financeiras . José Maria.com (visitado em 18 de novembro de 2001).como se costumou traduzir estas expressões.

Christopher T “Intellectual Property Due Diligences”. While letters of intent are relatively common. Nevertheless. or even halt. or copyrights in the field and recommend what action needs to be taken -. 2001. For example. Gesmer & Updegrove. In some situations.” DAHL.in terms of re-negotiating the deal. Conversely. Lucash. certain problems may never be discovered during due diligence and can only be addressed through adequate representations and warranties (e. any issues of validity which have arisen. Maryann A. lembre-se que as contingências descobertas pelo encomendante no decorrer do procedimento nem sempre poderão ser utilizadas como justificativa para a recusa ou cancelamento do negócio. 2000. a court may find that provisions of a letter of intent that one of the parties considered to be non-binding are binding. 21.CONTRATOs Em EsPÉCIE tirassem a roupa e se perfilassem contra a parede.. many buyers and sellers prefer a letter of intent as a method of “testing the waters” for the likelihood that a definitive agreement can be reached. O site do INPI é a principal fonte para consultas sobre a situação de marcas e patentes no Brasil.g. Pedidos de registro recém depositados geralmente não estão incluídos nesta base de dados. agreeing to a license with a third party or threatening litigation. too: if significant issues are omitted through counsel’s negligence. or before allowing a detailed due diligence investigation to begin. com base nos mais diversos critérios . The report will also (normally in a separate section) identify significant other patents. trademarks. a claim of patent infringement that is brought six months after the closing)”. muitas vezes. the firm could face a malpractice suit. Se a conclusão da “due diligence” não for uma condição para o fechamento do negócio. 17. For many acquiring companies. Sobre o uso da carta de intenções na fase iniciai de uma due diligence. dispensar a análise de determinadas áreas por achá-las irrelevantes. não é uma base de dados totalmente atualizada e 100% confiável. Practising Law Institute. Alguns aspectos importantes na elaboração de um relatório final são também abordados por DAHL : “The due diligence report summarizes the findings regarding the intellectual property rights. applications. Por razões éticas. Waryjas. ownership. 16. the scope of protection. negotiating and revising a letter of intent can be substantial in comparison to the size of the deal and the overall transaction costs. é FGV DIREITO RIO 117 . 20. e suas vantagens sobre a Engagement Letter. Porém. and any other questions regarding litigation or prior art. Soube-se depois que o documento havia sido roubado por um estagiário de um escritório de advocacia. Apesar de ser sempre recomendável efetuar uma “due diligence completa” dos aspectos de propriedade intelectual. and (ii) resolution of the principal terms of the transaction at an early stage can make the negotiation of the definitive agreement more focused and straightforward.and at what price. before proceeding with the time commitments and costs of negotiating a definitive agreement. marcas e afins. Corporate Law and Practice Course Handbook Series. a não ser caso esta contingência tenha sido prevista nas Declarações de Intenção. a deal’s momentum. LLP. In the case of a smaller deal. é importante lembrar que o trabalho do profissional do Direito numa “due diligence” deve estar focalizado na coleta das informações fornecidas pela empresa que está sendo analisada. 19.às vezes puramente subjetivos. the costs of preparing. The report allows the best-quality information to be factored-in and if necessary enables the acquirer to use a discount rate reflecting the risk. And it can be important for the adviser. merece destaque o comentário de WARVIAS: “The main advantages of a letter or intent are that (i) issues that could be “deal breakers” can be identified early in the negotiation process before substantial expenses are incurred in a due diligence review and the drafting of a definitive agreement. 18. o que nos leva a crer que as buscas eletrônicas no Brasil são limitadas e não devem ser utilizadas em substituição da inspeção física dos documentos de patentes. attorneys may often disagree regarding the desirability of a letter of intent in a particular situation. September 2001. LETTERS OF INTENT IN THE ACQUISITION OR SALE OF THE PRIVATELY HELD COMPANY. Tal decisão. it can be the crucial document determining whether the deal goes ahead -. many attorneys believe that a letter of intent is generally more advantageous to a buyer than a seller. ou nos dados obtidos em bases públicas de dados. lembramos que a própria parte interessada pode. A letter of intent may burden the parties’ negotiations with too may difficult issues too early in the process and may impair.

. pediu que a Sony fosse avalista de um empréstimo de US$ 200 milhões que levantou dando como garantia os 50% restantes. parágrafos 1º e 2º da Lei nº 5. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Marcas e expressões de propaganda. que demanda o pagamento de retribuição anual. O Art. no mesmo prazo.279. José O. Sobre o assunto ver ASCENSAO. v. Lei nº 9609/1998: “Art. A previsão de pagamento das anuidades pelo depositante do pedido ou o titular da patente estão previstas pelo Art. 31. na data do requerimento: I . São Paulo: Revista dos Tribunais. PARENTE & SORENSEN GARCIA. tal como constante do certificado de registro. 1998. esboços e obras plásticas concernentes à engenharia e arquitetura) Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (programas de computador). decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão. cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. que prevê a existência e o reconhecimento dos direitos morais do autor. 25.produto objeto de patente. nº 3118/1992. DI BLASI. Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (composições musicais.Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. o registro das obras intelectuais é regulamentado pelo artigo 17. Parágrafo 2º . 143 . 1946.Caducará o registro. fotográficas). O Brasil adota sistema baseado no “Droit d’auteur”. incluem: CERQUEIRA. Civ. usar. A batalha judicial entre a Sony Music e o pop star Michael Jackson envolve a retenção de 50% dos direitos de exploração das musicas dos Beatles.” 30. 27. não iremos detalhar aspectos gerais do direito patentário. 42 da Lei nº 9. Rio de Janeiro: Forense. Tratado Da Propriedade Industrial. conferido pelo Art. 1983. João de Gama. 1997. colocar à venda.988/1973. Propriedade Industrial. dentre outros. 29. A Propriedade Industrial.610/1998: São incumbidos para procederem ao registro das obras intelectuais os seguintes órgãos ainda existentes: Fundação Biblioteca Nacional (obras literárias em geral). Na AP. 17. dentre outros. Tendo em vista que este artigo é voltado eminentemente para os profissionais que atuam na propriedade intelectual.143 da Lei nº 9279/1996 prevê as hipóteses em que pode ocorrer a caducidade de um registro de marca: “Art. Direito Autoral. 84 da mesma Lei nº 9. ou II . Âmbito de proteção à marca registrada. com ou sem letras).processo ou produto obtido diretamente por processo patenteado. O prazo de validade de uma patente é de 20 anos da data do depósito. Parágrafo 1º . Sobre o assunto.O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. a partir do início do terceiro ano da data do depósito da patente.” 24. Rio de Janeiro: Forense. Douglas Gabriel. de produzir. observado o disposto nesta Lei. 2º. a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original. ou se. 28.o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos. op. Renovar. 22. A gravadora quer se responsabilizar pelo pagamento do empréstimo e pretende que Jackson transfira sua parte dos direitos. 40 da Lei nº 9279/1996. O cantor comprou os direitos em 1985 e vendeu 50% a gravadora por US$ 100 milhões. sem o seu consentimento. OLIVEIRA.o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil. Cit. prazos legais que envolvem o registro de marca. Rio de Janeiro: Forense. Conselho Federal de Engenharia. recomendamos MARTINS. Alguns livros que podem proporcionar uma visão mais detalhada sobre estes assuntos. 1984 PONTES DE MIRANDA. L. Tratado de Direito Privado.CONTRATOs Em EsPÉCIE claro. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou a Cia Cervejaria Brahma a pagar vultuosa indenização aos herdeiros do criador de seu logotipo. Arquitetura e Agronomia (projetos. 4ª ed. Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (obras de desenho. O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País. e cabe ao advogado apenas alertar no relatório que a “due diligence” só abordou alguns assuntos. Ed. 2000. vender ou importar com estes propósitos: I . a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se. 23. em vigor por força da Lei nº 9. DOMINGUEZ. deve ser respeitada. Na época. O catálogo dos Beatles é avaliado em US$ 598 milhões. Existem vários critérios e metodologias para medir o valor econômico-financeiro e o valor intangível de uma marca. Art. No Brasil. II . bem como reconhecer os direitos morais FGV DIREITO RIO 118 .279/1996: “A patente confere ao seu titular o direito de impedir terceiro. M.” 26. conforme instruções da encomendante.

parafraseando Robert Page e Jimmy Plant.). Alguns contratos são dispensados de averbação por caracterizarem transferência de tecnologia. 32. Fornecimento de Tecnologia. por exemplo. imortalizada pelo conjunto Led Zeppelin: “There’s a sign on the wall but she wants to be sure And you know sometimes words have two meanings. Distribuição de software. Franquia. Serviços de manutenção de software sem a vinda de técnicos ao Brasil. tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária etc. Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira e.” (grifos nossos) 34. prestados.br. que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios. Licença de uso de software sem o fornecimento de documentação completa. em especial o código-fonte comentado. 33.br/pjs.141. incluindo serviços de logística (suporte ao embarque.gov. A importância de uma análise jurídica destes contratos não pode ser deixada de lado.rt (visitado em 01 de maio de 2002). João Marcos. 35. p. SILVEIRA. 3a. como pagamento pela tecnologia negociada – dedutibilidade fiscal para a empresa receptora da tecnologia pelos pagamentos contratuais efetuados – para produzir efeitos em relação a terceiros. disponível em http://www. tais como: Legitimar remessas de divisas ao exterior.inpi. 211. Aquisição de cópia única de software. “Direito Autoral”. “A Proteção Jurídica dos Segredos Industriais e de Negócio”.) Beneficiamento de produtos. Prestação de Serviços de Assistência Técnica e Científica. 11. Contratos que objetivam a Exploração de Patentes: o Uso de Marcas. da Lei no 9279/1996: Agenciamento de compras. Serviços de “marketing. conforme Art. 2000. por meio de “help-desk”. O contrato deve ser avaliado e averbado pelo INPI para que gere determinados efeitos econômicos no território nacional. ed. nos termos do Art. O inteiro teor de referida decisão pode ser encontrado em DA VEIGA. econômica jurídica e comercial. da Lei no 9609/1998. Os requisitos e procedimentos para a averbação podem ser encontrados em www. Ed. Rosiane (org.. Afinal. autores da letra de “Stairway to Heaven”.adv. Homologação e certificação de qualidade de produtos brasileiros. FGV DIREITO RIO 119 . Esplanada.silveiraadvogados. visando a exportação Consultoria na área financeira.CONTRATOs Em EsPÉCIE de sua criação.

3.com. Direito Civil: Contratos em Espécie. PEREIRA. 2005 .1. 483 a 490. Espécies de Jogo e Efeitos. Obrigações do Segurador. Caso Gerador Durante a diligência. Instituições de Direito Civil . 2002. Obrigações do Segurado. Saraiva. RODRIGUES. 1. págs.406/2002. 1. SEguRO.Contratos. biblioGrafia CoMPleMentar GLITZ. 2006 (em anexo). havia jogado pôquer na casa de um conhecido e que perdeu naquela noite aproximadamente um milhão de reais. Atlas. Contornos atuais do contrato de seguro. Teresina.406/2002. 757 a 802 da Lei nº 10.17. Como você aconselha Jeremias? E se Jeremias lhe contasse que descobriu que o jogo foi roubado? Jeremias pergunta se o mútuo que ele havia tomado na véspera para jogar também seria inexigível e se ele poderia deixar de pagar ao mutuante.3. out. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.uol. 369 a 407. São Paulo: Ed.br/doutrina/texto. Sendo assim. Acesso em: 06 ago.17. mas eles podem ser considerados como contrato? O novo Código Civil trouxe duas alterações significativas na disciplina do jogo e da aposta. na semana passada. ano 6. Elementos do Contrato de Seguro. VENOSA. 814 a 817 da Lei nº 10. 1. Caio Mário da Silva. Jus Navigandi. págs.asp?id=3261>.2. Frederico Eduardo Zenedin. 2002. AulAS 18 E 19: JOgO E APOSTA. Jeremias diz que saiu do jogo um tanto atordoado por ter perdido aquela boa quantia em dinheiro e acabou batendo com o carro e dando perda total. 2005. 1. 329 a 348.17. vol. Por isso não foi surpresa quando este nos procurou para contar que. São Paulo: Ed. Introdução – Seguro. Silvio de Salvo.406/2002. Disponível em: <http://jus2. págs. roteiro de aula a) introdução O jogo e a aposta estão dispostos entre as várias espécies de contratos previstos na Lei n° 10. III.vol. ouvimos boatos de que Jeremias era um inveterado jogador. vol 3. A seguradora não está querendo pagar a indenização alegando que Jeremias não efetuou o pagamento das três últimas parcelas do prêmio. mas que depois conversando com um amigo ficou sabendo que dívida de jogo é inexigível.4.17. biblioGrafia obriGatória Arts. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. ele quer pedir seu dinheiro de volta.17. eMentário de teMas Introdução. Ele disse que pagou a dívida. Rio de Janeiro: Forense.5. nº 59. Silvio. Classificação – Seguro. Direito Civil.17. Para piorar a situação. Arts. Quais foram? FGV DIREITO RIO 120 .

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b) espécies de jogos e efeitos Proibidos – São os jogos de azar31, como a roleta, o bicho, aposta sobre corrida de cavalos fora de hipódromos, briga de galo. Tendo em vista que são ilícitos não geram direitos e sujeitam o infrator a punição. Tolerados – São aqueles que o resultado não depende preponderantemente da sorte, como o truco, a canastra, o pôquer. Embora não sejam contravenções penais, não são protegidos pela lei uma vez que não há interesse social em proteger relações que não passam de “divertimento sem utilidade”32, exceto se forem eivados de vícios, como dolo, que mereçam repressão. Autorizados – São aqueles que trazem algum benefício à Sociedade, seja por estimularem o espírito esportista (competições esportivas) ou atividades econômicas (turfe), seja por gerarem outra fonte de renda ao Estado (loterias). Nesse caso, as obrigações oriundas de jogo ou aposta são exigíveis. Apenas os jogos e apostas autorizados perdem o caráter ilícito e dão causa à exigibilidade da prestação. C) seguro – introdução O seguro é regulado pela Lei n° 10.406/2002 e por diversas leis esparsas, que regulam minuciosamente os tipos de seguro. Em nossas aulas daremos ênfase às regras previstas no novo Código Civil. d) Classificação – seguro O contrato de seguro é: – Bilateral – gera obrigações para ambas as partes. – Oneroso – requer desembolso patrimonial para segurado e para o segurador. – De adesão – ao segurado não é dada opção de alterar as cláusulas do contrato. O segurado pode aceitar ou não as cláusulas impostas na apólice de seguro. Aplicam-se, dessa forma, as regras previstas nos artigos 423 e 424 da Lei n° 10.406/2002, que protegem os aderentes. e) elementos do Contrato de seguro Os elementos do contrato de seguro são: – Segurador – Somente pode ser segurador entidade legalmente autorizada para esse fim. O Decreto-Lei nº 2.063/1940 estabelece algumas exigências para que a entidade possa atuar como seguradora. Exemplo: capital mínimo, nacionalidade dos sócios, autorização governamental. – Segurado – É o contratante. Ele paga o prêmio ao segurador para transferir a este o risco. – Risco – O objeto do contrato de seguro é o risco. Dessa forma, a Lei n° 10.406/2002 prevê uma multa (dobro do prêmio recebido) a ser paga pelo segurador que expedir apólice de seguro mesmo sabendo que não é possível o risco que se pretende cobrir. O objetivo do legislador é tentar coibir essa prática. Afinal, se não há risco, não há contrato de seguro. Nos seguros privados, é possível estipular a espécie ou combinação de espécies de seguro.

31 Definição de jogo de azar está no artigo 50, parágrafo 3° da Lei de Contravenções Penais: “O jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte”. 32 PEREIRA, Caio mário da silva. Instituições de Direito Civil - Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2005 - vol. III, pág. 488.

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– Prêmio – É a prestação devida pelo segurado ao segurador para que este assuma os riscos do segurado e pague indenização em caso de sinistro. – Apólice – Assim como o instrumento do mandato é a procuração, o instrumento do seguro é a apólice. A apólice deve conter os requisitos previstos no art. 760 da Lei n° 10.406/2002, tais como os riscos cobertos e o prêmio devido. As apólices podem ser nominativas, à ordem ou ao portador. A lei veda que a apólice de seguro de pessoas seja ao portador. f) obrigações do segurado O segurado tem obrigação de: – veracidade – A declaração falsa ou omissão de informações pode levar o segurador a fixar prêmio diverso do que fixaria ou até mesmo a aceitar seguro que normalmente não aceitaria se tivesse acesso a todas as informações. – pagar o prêmio. – não agravar os riscos do contrato – se o segurado passa a se comportar de forma diferente da que vinha se comportando, que resulte em um aumento de seus riscos, ele está, de certa forma, alterando unilateralmente o contrato, pois estará sujeitando o segurador a riscos distintos dos previstos no momento da celebração do contrato. – comunicar ao segurador qualquer fato que possa aumentar o risco do bem sob pena de perder o direito à garantia (art. 769 da Lei n° 10.406/2002). Analisando os contratos de seguro contra danos do supermercado, notamos que cada um dos estabelecimentos onde o supermercado funciona, foi segurado por duas seguradoras diferentes. Ao ser perguntada sobre esse fato, a senhora Maria Lúcia nos explica que seu pai estava tão preocupado em evitar prejuízos decorrentes de eventual sinistro, que resolveu segurar duplamente os estabelecimentos. Você vê algum problema nessa situação? G) obrigações do segurador A principal obrigação do segurador é pagar ao segurado os prejuízos decorrentes de sinistro sobre o bem segurado.

Contornos atuais do contrato de seguro frederico eduardo Zenedin Glitz As inovações em matéria securitária sempre são questões candentes. A reconhecida complexidade do tema é elemento que acentua, ainda mais, a importância da análise do tratamento jurisprudencial e doutrinário dispensado ao assunto. Os recentes pronunciamentos dos Tribunais Superiores demonstram cada vez mais a preocupação em se “socializar” o contrato de seguro e atribuir-lhe uma função social. Também contribuirá para essa “nova” adequação do instituto, a recente aprovação do novo Código Civil (Lei 10.406/2002). Esta posição, aliás, está consignada expressamente na exposição de motivos, quando se deixa clara a intenção de preservar o segurado, sem com isso abrir mão da segurança e certeza jurídicas essenciais ao contrato de seguro. O novo Código incorpora a idéia de cláusulas gerais que introduzem princípios orientadores de condutas, abandonando a pretensão de total regulamentação e oportunizando maior liberdade ao intérprete da lei..
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O novo Código Civil traz, ainda, outras inovações em matéria securitária. O legislador previu, por exemplo, a possibilidade de prova da relação contratual por meio de apólice, do bilhete de seguro ou, ainda, por “outro documento” na falta de algum desses (art. 758). No que tange aos riscos, o novo Código Civil estabelece que a agravação do risco por ato intencional do segurado implica na perda da garantia (art. 768). Entretanto se essa agravação se der por fato alheio a sua vontade, o segurado possui prazo para comunicar o evento a seguradora, sob pena de perda da garantia (art. 769). Possibilita-se, então, a readequação dos negócios às novas circunstâncias, mantendo-se o equilíbrio do contrato. Caso haja diminuição considerável do risco, assegura-se ao segurado o direito de revisão do prêmio ou a resolução do contrato (art. 770). Essas inovações refletem uma preocupação do legislador na manutenção do equilíbrio contratual. Pode-se afirmar, aliás, que esta é uma tendência geral no novo Código Civil, principalmente com a positivação dos institutos da lesão (art. 157), do estado de perigo (art. 156) e da revisão do contrato por excessiva onerosidade (art. 478). A jurisprudência também vem reconhecendo a necessidade de manutenção base econômica do contrato. Recentemente, no entanto, o Superior Tribunal de Justiça entendeu que a seguradora deve indenizar o segurado ainda que parte do prêmio não tenha sido pago (1), uma vez que a cláusula de cancelamento automático da apólice é nula em face do Código de Defesa do Consumidor, isso porque a resolução do contrato deveria ser requerida previamente em Juízo. Tal entendimento baseou-se no argumento de que a rescisão unilateral criaria uma excessiva desvantagem ao segurado, ou seja, o equilíbrio contratual estaria quebrado. Essa posição, aliás, inova em relação a tradicional jurisprudência e o disposto no art. 763 do novo Código Civil, que reafirmam a regra de que não há direito a indenização se o segurado estiver em mora no pagamento do prêmio. Talvez uma boa solução para o dilema seja a permissão a purgação da mora mesmo após o sinistro quando for o caso de cumprimento substancial do contrato (apesar de o Código expressamente prever que a purgação da mora deve ser anterior ao sinistro). Outro recente posicionamento do Superior Tribunal de Justiça é em relação ao prazo prescricional para o segurado demandar a seguradora. Este, segundo o atual entendimento, só passa a ser contado a partir da recusa formal ao pagamento da indenização (2). Este prazo é mantido pelo novo Código Civil, que estabelece em seu art. 206 que o prazo é contado para o segurado, no caso de seguro de responsabilidade civil, da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza, com a anuência do segurador. Para os demais seguros, o prazo corre da ciência do fato gerador da pretensão. O novo Código Civil também incorpora inovações jurisprudenciais, tal como o reconhecimento da possibilidade de denunciação à lide ao segurador pelo segurado. Ou, ainda, a proibição expressa de o segurado reconhecer sua responsabilidade (confessar ou transigir com o terceiro prejudicado) sem a anuência da seguradora (art. 787, §2º). Em se tratando do seguro de responsabilidade civil o novo Código Civil previu, expressamente, a obrigação (normalmente tida como contratual) de que o segurado avise a seguradora do sinistro ocorrido (art. 787, §1º), bem como da ação intentada contra sua pessoa (art. 787, §3º). Prevê também a responsabilidade do segurado frente ao terceiro no caso de insolvência do segurador (art. 787, §4º). Previu a responsabilidade da seguradora, nos seguros de responsabilidade legalmente obrigatórios, de indenizar diretamente ao terceiro prejudicado (art. 788). E, ainda, a necessidade da seguradora promover a citação do segurado para integrar a lide quando demandada em ação direta pela vítima do dano (não podendo, simplesmente, opor a exceção de contrato não cumprido pelo segurado - art. 784, § único). Mas talvez a inovação que crie mais impacto nesta carteira ainda incipiente no Brasil, é a alteração do prazo prescricional para a ação indenizatória. O prazo anteriormente de 20 (vinte) anos foi reduzido para 03
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Recurso Especial 132357 /RJ e Recurso Especial 236034/ RJ. Recurso Especial 323186/SP (2001/0053944-4). QUARTA TURMA do STJ 2. Relator Min BARROS MONTEIRO. I). moralidade.386. e quanto maior o risco mais caro é o seguro.” 3. §1º. Recurso Especial 323416/RO. notas 1. pode não engendrar grandes alterações paradigmáticas (e por certo possui muitas imperfeições (3)). FGV DIREITO RIO 124 . vez que quanto maior o prazo maior o risco. 206. Tal modificação poderá representar uma redução significativa do valor do prêmio. 202.CONTRATOs Em EsPÉCIE (três) (art. V). bem como o enunciado da Súmula 229/STJ: “O pedido do pagamento de indenização à seguradora suspende o prazo de prescrição até que o segurado tenha ciência da decisão. 206. p. contado da data em que se conhece o dano (e não de sua ocorrência . O novo Código Civil entrará em vigor apenas em 2003. Todas essas inovações legislativas e jurisprudenciais pretendem solucionar dilemas constantes enfrentados pelos operadores jurídicos que atuam no setor. mas.art. §3º. DJ 04/02/2002. reflete uma nova visão acerca do contrato. pelo menos.art. impondo o respeito a sua função social e a obediência aos princípios da boa-fé. Neste sentido. Sendo que a interrupção da prescrição passa a se dar com o despacho do juiz determinando a citação (mesmo que incompetente . lealdade e equilíbrio contratual. II). A começar pela própria técnica superada das grandes codificações.

a garantia pessoal é aquela dada por um terceiro.Contratos. Para piorar. Garantia pessoal ou fidejussória “consiste apenas na segurança que.1.vol. Classificação. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. vol 3. biblioGrafia CoMPleMentar PEREIRA. Deocleciano Torrieri (Org. FGV DIREITO RIO 125 . alguém presta. Odin Heiro novamente nos procura apreensivo com uma questão pessoal. 10. 1.18. 2005 . da fiança. na hipoteca e no penhor. 2002. III. SIQUEIRA. 33 Dicionário Técnico Jurídico. A Fiança na Música.406/2002. Ele descobriu que seu cunhado ficou desempregado e deixou de pagar algumas parcelas do empréstimo. descobriu. A fiança pode ser: – convencional – resulta da vontade das partes. Instituições de Direito Civil .18. págs. Garantia real é aquela que recai sobre um bem.18.3. caso o devedor não o faça. Em outras palavras. São Paulo: Rideel. RODRIGUES. tomou com o banco. de responder pelo cumprimento de obrigação se faltar o devedor principal”33. Direito Civil. BiBliografia oBrigatória Arts. 283 a 305. conversando com sua irmã. conseqüentemente.18. que servirá como garantia do cumprimento de determinada obrigação.18. que se compromete a cumprir a obrigação. 2001. São Paulo: Ed. ele nos conta que entrou como fiador em um empréstimo que seu cunhado. que Olavo e o banco recentemente aditaram o contrato para aumentar o valor do empréstimo e. individualmente. 1. roteiro de aula a) introdução A fiança é uma espécie de garantia. eMentário de teMas Introdução.). Silvio. págs. Rio de Janeiro: Forense.18. Como você pode orientá-lo? 1. A garantia pode ser real ou pessoal. Caso Gerador O Sr. Caio Mário da Silva. Olavo. Efeitos da Fiança. 1.4. Saraiva. A fiança é garantia pessoal. GUIMARÃES. móvel ou imóvel.5. Extinção da Fiança.2. Ocorre. 493 a 504. AulAS 20 E 21: fIANçA. por exemplo.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 818 a 839 da Lei n. Luiz Eduardo Alves de. Dessa vez. 1.

. ele pode exigir que. localizados no mesmo muncípio e que estejam livres e desembaraçados. A fiança a ser analisada nesta aula é a fiança convencional. ou devedor solidário. segundo o qual o Supermercado Pechincha alugava uma parte de um dos supermercados à confeitaria Guloseimas Ltda. a fiança é onerosa. que cada fiador reserve apenas uma parte da dívida como de sua responsabilidade. não efetue o pagamento em dia. até a contestação da lide. 829 da Lei n° 10. A fiança pode ser contratada no mesmo contrato da obrigação principal ou em contrato em separado. apenas será reduzido o montante da fiança até o valor da obrigação principal. assina o contrato na qualidade de fiadora. que sejam suficientes para pagar a dívida. os parceiros de pôquer de Jeremias. Como sempre. Conforme já havíamos sido informados. Maria Lúcia nos contou que estava aborrecida porque na semana passada. ponsáveis pela dívida (art. porém. Em outras palavras. Na diligência legal. Nesses casos. casada e proprietária da Guloseimas Ltda. que estabeleceu a igualdade jurídica dos cônjuges. a fiança não pode ser mais onerosa que a dívida principal. Esse direito pode ter algumas limitações: – Benefício de ordem – O fiador tem o direito ao benefício de ordem. A lei permite. encontramos um contrato de locação. FGV DIREITO RIO 126 . porém. Por ser acessória. Se isto ocorrer. O fiador não tem direito ao benefício de ordem se: (i) renunciar expressamente ao mesmo. Para se valer desse benefício.406/2002). dona Teresa precisaria de autorização do marido para prestar fiança? Sendo a autorização necessária. garantindo o pagamento do aluguel. que é ajustada por meio de contrato. o fiador deverá indicar bens do devedor. Jeremias perdeu uma boa quantia em dinheiro e agora Maria Lúcia estava preocupada de ser executada porque assinou um instrumento no qual se dizia fiadora da dívida de Jeremias. objeto do contrato principal. que pode ser um mútuo. a fiança não será nula. b) Classificação A fiança é contrato: – Acessório – A fiança visa assegurar o cumprimento de outra obrigação. mas sem perder seu caráter acessório.. É possível.CONTRATOs Em EsPÉCIE – legal – resulta de lei – judicial – resulta de imposição do juiz. brasileira. – Unilateral – Uma vez contratada a fiança. caso a Guloseima Ltda. a presunção legal é a de que são solidariamente resfiador. Maria Lúcia acabou aceitando ser sua fiadora. seja primeiramente executado o devedor. a fiança é contrato gratuito. – Solene – A lei impõe forma escrita para a validade da fiança. desconfiando da sua capacidade de pagar. ou (iii) o devedor for insolvente ou falido. O credor tem o direito de exigir do fiador o pagamento da dívida garantida.. Notamos que o contrato de locação prevê que a senhora Teresa Assunção. (ii) se obrigar como principal pagador. qual é a conseqüência de não tê-la? C) efeitos da fiança Podemos notar a existência de duas relações distintas no contrato de fiança: uma entre fiador e credor e outra entre fiador e devedor. ela só gera obrigações do fiador para com o credor. Notamos ainda que o contrato não foi assinado pelo marido de dona Teresa. na qual o banco garante a obrigação em troca de um percentual sobre o montante garantido. Jeremias tem o péssimo hábito de jogar pôquer por dinheiro. exigiram um fiador. Há algum problema nesse fato? Mesmo após a promulgação da Constituição Federal. que o fiador queira receber remuneração em troca da garantia que oferece. – Gratuito – Em regra. É o que ocorre na fiança bancária. Depois de ser pressionada por Jeremias. – Benefício da divisão – Havendo mais de um fiador. locação.

por exemplo. a morte do fiador extingue a fiança? Não havendo prazo determinado previsto no contrato. GUIMARÃES. Luiz Eduardo Alves de. SIQUEIRA. implicando assim. que ficará liberado de sua obrigação 60 dias após a notificação ao credor para esse fim.. Veja abaixo a letra de “Samba do Grande Amor”. um contrato intuitu personae. d) extinção da fiança Sendo a fiança.). comprei anel Botei no papel o grande amor. ôôôô Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito Exijo respeito.)”. (Dicionário Técnico Jurídico. – o credor tornar impossível a sub-rogação nos seus direitos e preferências. não sou mais um sonhador Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. acrescido de juros. ôôôô Passava um verão a água e pão Dava o meu quinhão pro grande amor. (. São Paulo: Rideel. ôôôô 34 “moratória – dilação de prazo que se concede ao devedor para pagar a dívida depois de vencida. quando o credor renuncia seu direito à hipoteca ou a direito de retenção. a fiança não será restaurada. passando. perdas e danos que pagar ao credor e perdas e danos que vier a sofrer em razão da fiança (art. do genial Chico Buarque. A fiança também é extinta se: – o credor conceder moratória34 ao devedor. mentira Eu botava a mão no fogo então Com meu coração de fiador.. mentira Me atirei assim de trampolim Fui até o fim. 832 e 833 da Lei n° 10. um amador. inclusive na música. e) a fiança na Música O Direito é incrível mesmo! Podemos encontrá-lo em todos os cantos. mentira Fui muito fiel. – o fiador opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as extintivas da obrigafiador ção. em regra. por evicção. o bem aceito em pagamento.406/2002). sem o consentimento do fiador. mentira Reservei hotel. Que motivo teria o autor para fazer menção à fiança nesse grande samba? samba do grande Amor Chico Buarque Tinha cá prá mim que agora sim Eu vivia enfim o grande amor. Deocleciano Torrieri (Org. na perda de direitos que o fiador teria caso efetuasse o pagamento da dívida. Ocorre. 2001) FGV DIREITO RIO 127 . sarapatel e lua de mel em Salvador. a ter o direito de exigir do devedor o reembolso do valor por ele. – o credor aceitar receber em pagamento bem diverso do que foi originalmente ajustado. a fiança pode ser extinta pelo fiador. Ainda que o credor venha a perder. assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE A relação entre o fiador e o devedor só passa a existir se o fiador é obrigado a efetuar o pagamento da dívida. se não resultarem apenas de incapacidade pessoal.

que não estabeleceu o benefício de divisão com Mário. Como Pompeu não pagou o débito no vencimento. num contrato em que o credor é Marco Antonio. porque sendo ele o executado. onde figurava como locatário seu amigo Armando Amaro gomes. porque ele se obrigou como principal pagador. Sim. casado e com 21 anos de idade. Executado pela dívida de seu afiançado. mentira Fiz promessa até prá Oxumaré Que subir a pé o redentor. não tendo bens para serem executados. Não. Sim.Sim. questões de ConCurso (Prova: 01º Exame de Ordem .2ª fase PROVA DISCURSIVA 4 . d. c. é de se supor que seu afiançado não tenha bens suficiente para responder pela execução. ôôô 1. Tal alegação é procedente? a.6. b. pois no caso há solidariedade passiva.1ª fase) Olavo Bento de souza. obrigou-se como fiador e principal pagador num contrato de locação. do Código Civil. executado por Marco Antonio. pretende Olavo alegar o benefício de ordem.18. cobrar de Mário metade do que pagou a Marco Antonio? FGV DIREITO RIO 128 .CONTRATOs Em EsPÉCIE Fui rezar na Sé prá São José Que eu levava fé no grande amor. Prova: 27º Exame de Ordem . bancário. que não cumpriu a obrigação de pagar o preço ajustado. sem terem estabelecido o beneficio de divisão previsto no artigo 829. Crasso. pois ele não é o devedor principal. pagou o débito na sua totalidade. Pode Crasso.Crasso e Mário se obrigaram solidariamente como fiadores de Pompeu.

2006 (em anexo). Teresina. COmPROmISSO. Na época do pagamento do mútuo. n. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo: Ed. A transação é a “composição a que recorrem as partes para evitar os riscos da demanda ou para liquidar pleitos em que se encontram envolvidas. de modo que. Atendendo a algumas críticas doutrinárias.asp?id=3951>. biblioGrafia obriGatória Arts. págs. reciprocamente. Caso Gerador Embora não fosse de costume.19.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. 366. 2003. Da convenção de arbitragem e seus efeitos. ano 7. mas sim como um dos modos de extinção das obrigações. Comente a situação. em troca da tranqüilidade que não tem”35. Após muita discussão. biblioGrafia CoMPleMentar BENEDETTI JUNIOR. de algumas vantagens potenciais. 1. Lidio Francisco. Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade.19. o novo Código Civil incluiu a transação no rol dos contratos.5. Silvio. Saraiva. 1. abr. 2002. Jus Navigandi. 1.2. 35 RODRIGUEs. o Supermercado Pechincha emprestou dinheiro a um de seus fornecedores. eMentário de teMas Transação. Disponível em: <http://jus2.406/2002. Acesso em: 15 ago.1. FGV DIREITO RIO 129 . São Paulo: Ed. Tendo em vista que o devedor não vem efetuando os pagamentos pactuados no instrumento de transação.uol. 840 a 853 da Lei n° 10. decidem abrir mão. vol 3. Compromisso.19. 1.4. o supermercado quer cobrar o valor do mútuo do fiador. roteiro de aula a) transação O Código Civil de 1916 não tratava a transação como contrato.3.19.br/doutrina/texto. Lei n° 9. com. o supermercado e o fornecedor chegaram a um acordo e assinaram um termo de transação.19. AulA 22: TRANSAçãO. as partes divergiram quanto ao valor a ser pago e aos juros incidentes no período. 1. Direito Civil. vol 3. Direito Civil.19. pág. RODRIGUES. Silvio. 365 a 383. que estava passando por um período financeiramente delicado. receosas de tudo perder ou das delongas da lide.307/1996. 64. 2002. Saraiva.

só é possível compromisso que envolva direito patrimonial. nula será esta”. ambas as partes devem abrir mão de algo para alcançar a segurança desejada. apesar de achar que o supermercado sairia vitorioso da disputa judicial. ou por instrumento particular. Ora. – Objeto da transação – Conforme art. Isso é suficiente? 36 Arts. assinado pelas partes e homologado pelo juiz. de direito pessoal de família. após a assinatura do termo de transação. o supermercado resolveu assinar um termo de transação com o cliente. Não podem ser objeto de compromisso questões de estado. a transação só pode ter por objeto direitos patrimoniais de caráter privado. 408 a 416 da Lei n° 10. Assim. segundo o qual. entre outras. 841 da Lei n° 10.406/2002. Recebemos cópia de um termo de compromisso celebrado entre o supermercado e um revendedor. Notamos que o compromisso foi assinado por um procurador do revendedor e pedimos para analisar o teor da procuração que foi outorgada. Maria Lúcia descobriu que o processo já havia terminado com sentença favorável ao supermercado. b) Compromisso O compromisso também entrou para o rol dos contratos com a edição da Lei n° 10.406/2002.00.CONTRATOs Em EsPÉCIE A transação é contrato bilateral e solene. quando for admitido em lei. de acordo com o parágrafo primeiro do artigo 661 da Lei n° 10.406/2002. E agora? – Acordo entre as partes com concessões recíprocas – na transação. (iii) Assim como os demais contratos. independentes entre si. a existência do processo em si seria uma propaganda negativa para o supermercado. a procuração deve conter poderes especiais e expressos para transigir.406/2002. a transação que não versar sobre objeto de disputa judicial deve ser feita por escritura pública. A lei abranda essa regra ao dispor no parágrafo único desse artigo que “quando a transação versar sobre diversos direitos contestados. em troca de desistir da ação judicial. Vale lembrar que. admite pena convencional36. Sendo assim. 843 da Lei n° 10. Princípios que decorrem da natureza jurídica da transação: (i) Indivisibilidade – De acordo com o art.406/2002. (ii) Interpretação restritiva – A transação não pode ser alterada por analogia ou ser utilizada para casos que não estejam expressamente refletidos no instrumento de transação (art. nas obrigações que a lei assim o exigir. A transação para extinguir processo judicial em curso deve ser feita por escritura pública ou termo assinado nos autos. FGV DIREITO RIO 130 .406/2002). Ocorre que. 848 da Lei n° 10. Você concorda com o legislador que entendeu que o compromisso é um contrato? Assim como na transação. A procuração continha poderes específicos para transigir. o fato de não prevalecer em relação a um não prejudicará os demais”. “sendo nula qualquer das cláusulas da transação. Maria Lúcia lhe conta que um cliente entrou com um processo contra o Supermercado Pechincha pedindo perdas e danos por ter sido mal atendido no supermercado. Elementos da Transação – Divergência entre as partes e a vontade de terminar com ela – as partes podem estar discutindo em juízo ou em vias de fazê-lo. o cliente poderia levar mercadorias do supermercado em valor total equivalente a R$ 200.

307. como instrumento eficaz para solução de controvérsias consolida-se FGV DIREITO RIO 131 . geraria para a outra parte apenas o direito a perdas e danos. contemplada no Código Civil Brasileiro (2). que a Arbitragem não se desenvolveu. que a questão da constitucionalidade levantada no Supremo Tribunal Federal encontra-se superada. para resolver impasses ou conflitos surgidos num relacionamento pessoal ou negocial. embora as partes tivessem acordado de instituírem o juízo arbitral. de 1916. Por meio da cláusula compromissória. desde a primeira Constituição (1) brasileira. até a promulgação da nova Lei de Arbitragem. as barreiras legais que causavam insegurança jurídica para as partes contratantes foram revogadas. através da cláusula compromissória. devido à insegurança jurídica que o sistema transmitia às partes. Há que se considerar. A temática proposta assume especial relevância. Assim. em detrimento ao Poder Judiciário. Ressalta-se que a arbitragem já estava presente em nosso ordenamento jurídico. entendia-se anteriormente que. “um meio paraestatal de solução de conflitos” (3). mas simples tentativa de análise da Lei de 9. como ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. em 1996. no que diz respeito à convenção de arbitragem e seus efeitos. com a promulgação da Lei de Arbitragem. de 23 de setembro de 1996. de 23 de setembro de 1996. mesmo que o compromisso de arbitragem contivesse a cláusula “sem recurso” as partes poderiam recorrer ao tribunal superior. as partes comprometem-se a submeter eventual pendência à decisão do juízo arbitral. também. a nova Lei de Arbitragem é considerada um instrumento privado alternativo para solução de conflitos ou. introdução Este trabalho não consiste num aprofundamento sobre o tema específico. espero compartilhar as idéias e. ainda. esse sistema encontrava-se estagnado. Assim. Ademais.CONTRATOs Em EsPÉCIE Distinção entre compromisso e cláusula compromissória O compromisso é contrato perfeito e acabado. também. em setembro de 1996. Já a cláusula compromissória diz respeito a litígio futuro e incerto. Entretanto. não acompanhou a evolução dos tempos. com esse simples estudo. isto é. de 1824. comportamento decorrente da cultura e tradição reinante em nosso país.307. uma parte desistisse de celebrar o compromisso arbitral. e. Hoje. uma vez que. Tem força vinculativa e obriga as partes a submeterem determinada questão ao julgamento de árbitros. como a arbitragem. no Brasil. ao invés do juízo público? biblioGrafia CoMPleMentar Da convenção de arbitragem e seus efeitos lidio francisco benedetti junior advogado em são Paulo sinopse Nosso estudo trata da convenção de arbitragem. por exemplo. Qual é a vantagem de se escolher o juízo privado. capaz de garantir segurança jurídica às partes que voluntariamente vierem a instituir a cláusula compromissória em seus contratos. de acordo com a Lei 9. posteriormente. Contudo. contribuir e divulgar as vantagens que a justiça alternativa proporciona: como ser mais rápida e menos onerosa do que a Justiça Comum. Há que se ressaltar. posteriormente. a Arbitragem. pois está intrinsecamente relacionada com a livre e voluntária vontade das partes em se submeter à arbitragem. que abrange a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.

5o). Lei 10. Ao passo que. §§ 1o e 2o). que o novo Código Civil. A respeito da autonomia da vontade das partes. no seguinte sentido: “A convenção de arbitragem é a fonte ordinária do direito processual arbitral. essa cláusula deve ser estipulada por escrito pelas partes.”. alternativo ao Poder Judiciário. como afirmamos acima. admitindo a nova lei o compromisso e a cláusula compromissória para resolver divergências mediante o juízo arbitral. também. optam em submeter os litígios existentes ou que venham a surgir nas relações negociais à decisão de um árbitro. espontaneamente. espécie destinada à solução privada dos conflitos de interesses e que tem por fundamento maior a autonomia da vontade das partes. De acordo com o artigo 4o.406/2002. da lei 9307/96.” (7). se a decisão será de direito ou por eqüidade (art. para que. Da Cláusula Compromissória A cláusula compromissória. como cláusula arbitral. ou através do compromisso arbitral. é conhecida. nesse estudo a identificaremos apenas como cláusula compromissória.2o). uma convenção de arbitragem. até como será desenvolvido o procedimento arbitral.1. SELMA MARIA FERREIRA LEMES. DRA. através da cláusula compromissória. Assim. do contrato arbitrável. conforme adotado pela lei 9. dispondo da jurisdição estatal comum. 1. Da Convenção de Arbitragem Por intermédio da convenção de arbitragem (4). a convenção de arbitragem abrange tanto a cláusula compromissória como o compromisso arbitral Assim.CONTRATOs Em EsPÉCIE no Brasil. livres e voluntariamente. prazo para o árbitro proferir a sentença arbitral (arts. a ilustre Advogada e Membro da Comissão Relatora do Projeto de Lei sobre Arbitragem. cabe esclarecer que. com o mesmo consentimento que encontra em outros países. Com efeito.” (5). que é firmado quando surge a controvérsia. Entretanto. no que pertine à forma de indicação dos árbitros (art. 1o). para aqueles que procuram rapidez e Justiça na solução do conflito. a Lei de Arbitragem torna-se um instrumento seguro. as partes. seja no próprio contrato ou em um adendo. nos termos do artigo 3o da Lei nº 9. ao prolatar seu voto. manifestou-se. relativas a direito patrimonial disponível. o compromisso arbitral surge apenas quando o conflito já se instaurou e as partes. contratada anteriormente ao eventual conflito. em virtude dela. Em recente julgamento. pontifica que “o Principio da Autonomia da Vontade é a mola propulsora da arbitragem em todos os seus quadrantes. como Estados Unidos da América. 11. podem resolver suas controvérsias. devem firmar. FGV DIREITO RIO 132 . Japão e países da Europa. 2o. desde que não viole os bons costumes e a ordem pública (art. resolvem que o impasse será resolvido pela Arbitragem. isto é. seja material ou formal. nasce antes do surgimento do conflito. submetendo-se ao juízo arbitral. convencionam que se ocorrer qualquer impasse ou controvérsia a questão será resolvida pelo procedimento arbitral em detrimento ao Poder Judiciário.2. da Convenção de arbitragem e seus efeitos 1. Para tanto. 1. desde a faculdade de as partes em um negócio envolvendo direitos patrimoniais disponíveis disporem quanto a esta via opcional de conflitos (art. possa se julgar a validade. a respeito da convenção de arbitragem. cláusula compromissória é “a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. nos artigos 851 a 853.13). eleger a arbitragem institucional (art. artigo 3o.307/96. relativamente a tal contrato. Inciso III e 23).” (6) Concluindo que: “O objetivo do princípio da autonomia do pacto arbitral é salvar a cláusula compromissória. cabe frisar que. Estas. Cabe frisar. ou não. de comum acordo. como também é conhecida. fortaleceu o instituo da arbitragem no Brasil. ainda. conforme é a definição dada pela Lei de Arbitragem. entretanto. a cláusula compromissória ou cláusula arbitral. o ilustre Relator MINISTRO MAURICIO CORRÊA. as partes envolvidas em algum negócio pessoal ou negocial. como já mencionado.307/96.

as chamadas cláusulas vazias são àquelas que não contemplam os elementos mínimos necessários para instituição da arbitragem (12). a cláusula compromissória é independente do contrato negocial. Segundo as melhores doutrinas. Assim. Espécies da Cláusula Compromissória A respeito da cláusula compromissória é de grande relevância. chama-se cheia a cláusula compromissória quando já contém todos os elementos necessários à instauração do processo arbitral (13). a instaurar o compromisso arbitral. Isto porque sendo cheia a cláusula compromissória. se posicionou o eminente MINISTRO MAURÍCIO CORREA.2.1.CONTRATOs Em EsPÉCIE O texto da lei é claro ao conceituar a cláusula compromissória. e a nulidade deste não implica a nulidade daquela. preventivamente. ou seja. todavia. convenção de arbitragem tácita. a respeito de qualquer dúvida emergente na execução do contrato. por força da cláusula compromissória. Tanto que nos contratos de adesão requer-se destaque e a assinatura especial na cláusula compromissória e. surgindo o conflito. No contrato de adesão. sob pena de ser declarada nula.3. para que. Ou seja. as partes ao acordarem sobre a cláusula compromissória.. uma promessa de celebrar o contrato definitivo. como manifestação de sua vontade em instituir o compromisso arbitral. seja no próprio contrato negocial ou em outro documento aditivo. Segundo ensina ALEXANDRE DE FREITAS CÂMARA. (9). Nesse sentido. do aderente. Nesse sentido. FGV DIREITO RIO 133 . a definição da melhor doutrina.. essa distinção “é importante principalmente nos casos em que uma das partes se recuse a. Esclarece. surgindo o conflito estão as partes obrigadas. distinguir a cláusula compromissória vazia da cláusula compromissória cheia. Da autonomia de vontade e forma escrita A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito. uma vez acordada. que é o compromisso arbitral. a cláusula compromissória só terá validade se a mesma estiver em negrito e conter a assinatura. havendo a recusa de qualquer uma das partes em celebrar o compromisso. que essa promessa gera a obrigação de celebrar o compromisso arbitral. nos ajustes remissivos não se dispensa que as partes reportem-se expressamente à opção.”.” (8). até pela sua excepcionalidade. ainda. em conseqüência.753-7. comprometem-se. por essa razão a Lei exige a manifestação de vontade das partes ao aderirem à cláusula compromissória. cuja intenção do legislador foi dar maior segurança às partes que. Esse é o entendimento da Lei (10). Força obrigatória da Cláusula Compromissária De acordo com o artigo 8o da Lei de Arbitragem. Isto é. acordaram pela instituição do juízo arbitral. Assim é que.2. especialmente para essa cláusula. livre e voluntariamente. enquanto que. Assim. se obrigam a submeter-se à decisão do juízo arbitral. artigos 3o. da Lei de Arbitragem. é a cláusula pela qual as partes. ela obriga às partes a resolver o conflito através do Juízo Arbitral.2. é peculiar da cláusula compromissória a autonomia. Entretanto. Não se admite. o conflito venha a ser dirimido pelo juízo arbitral. Importante salientar que. segundo o ilustre professor WASHINGTON DE BARROS MONTEIRO a cláusula compromissória (pacto de compromittendo) “constitui apenas parte acessória do contrato constitutivo da obrigação. tudo o que ali tenha sido estipulado será obrigatoriamente observado pelo juiz ao proferir a sentença do processo a que se refere o artigo 7o. 4o e 5o). celebrar o compromisso arbitral. é necessário trazer a luz deste estudo. numa possível e futura controvérsia.307/96. oriunda do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte: “a lei brasileira sobre o tema exige clara manifestação escrita das partes quanto à opção pela jurisdição arbitral (Lei 9. conclui-se que a cláusula compromissória é o primeiro acordo de vontade das partes. ao proferir seu voto em sentença estrangeira contestada nº 6. a celebrarem o compromisso arbitral.” (14) 1. 1.2. substituindo no contrato a clássica cláusula que designa o Foro Judicial. em existindo o conflito.” (11) 1. também. implícita e remissiva. ensina ALEXANDRE FREITAS CÂMARA que a cláusula compromissória é “um contrato preliminar.

da lei de arbitragem. a sentença judicial valerá como o compromisso arbitral. da Lei de Arbitragem. deliberado. anteriormente. renunciam à solução no Judiciário. Conclui-se. da Lei de Arbitragem. voluntariamente. da Lei de Arbitragem. Ocorre quando as partes. Este compromisso é lavrado quando não foi instituída a cláusula compromissória e. (ii) quando. (iii) quando tiver expirado o prazo fixado no compromisso e o árbitro. 1. devendo para tanto. que não seria aceito substituto em caso de falecimento ou impossibilidade do árbitro proferir seu voto. obrigatoriamente. de comum acordo. Ou ainda.307/96. e as partes terem deliberado que não seria aceito substituto. o compromisso é o ato instituidor do juízo arbitral.CONTRATOs Em EsPÉCIE gera para a outra parte o direito de recorrer à Justiça comum para ver garantido a instauração do procedimento arbitral. mesmo sem ter combinado. não existe demanda ajuizada. (i) quando qualquer árbitro recusar-se. ressalte-se que. surgindo o conflito entre as partes esse deveria ser solucionado pela arbitragem. criteriosamente. em favor da arbitragem. ou seja.3.3. (17) A – Do Compromisso Arbitral Judicial De acordo com a Lei de Arbitragem há duas hipóteses de compromisso arbitral celebrado em juízo. pode ser judicial ou extrajudicial. §§ 1o ao 7o. Do Compromisso Arbitral judicial e extrajudicial O compromisso arbitral. desistem do processo judicial e lavram o compromisso arbitral.2 – Da extinção do Compromisso Arbitral O compromisso arbitral extingue-se nas hipóteses do artigo 12.3. Ademais. a instituição da cláusula compromissória. de acordo com a lei. em litígio na justiça comum. FGV DIREITO RIO 134 . A primeira hipótese vem estabelecida no artigo 7o. o compromisso arbitral. B – Compromisso Arbitral Extrajudicial O compromisso arbitral extrajudicial vem regulado no § 2o. do artigo 9o. como uma segunda espécie da convenção de arbitragem. é a primeira peça onde constam as regras que irão reger o processo arbitral. lavrando-se então o compromisso arbitral. é celebrado após o surgimento da controvérsia entre as partes. assinado por duas testemunhas. que o compromisso arbitral é a convenção em que. 1. decidem que o conflito existente será submetido à decisão de um árbitro. Ou seja. não apresente sua decisão. também. A segunda hipótese é tratada pelo §1o do artigo 9o. fazendo com que a outra parte ingresse com um processo judicial requerendo o cumprimento da declaração de vontade instituída no contrato (cláusula compromissória). também. que tratam das cláusulas obrigatórias e facultativas do compromisso arbitral. sendo procedente o pedido de instauração do procedimento arbitral. (15) Ademais. Esse é o entendimento do § 7o. diferente da cláusula compromissória. (16) É nesta peça inicial que as partes. do artigo 7o. embora notificado a respeito do prazo de 10 dias para apresentar a sentença arbitral.1. pode ser lavrado por escritura pública ou por documento particular. as partes interessadas em resolver a controvérsia existente. portanto. decidem optar pela arbitragem. antes de aceita a nomeação. porém. uma das partes impõe resistência para se lavrar o compromisso arbitral. mas as partes. e ocorre quando a cláusula compromissória já existe. definem todos os aspectos que serão observados no processo arbitral. serem observadas as regras dos artigos 10 e 11 da Lei 9. As partes. Esse compromisso. Do Compromisso Arbitral O Compromisso arbitral. conforme artigo 9o. manifestando a vontade de solucionar o conflito através da arbitragem. que submetem esta à decisão de um árbitro. 1. que é de submeter o conflito à apreciação de um árbitro.

em nosso ordenamento jurídico.071. FGV DIREITO RIO 135 . por ser mais ágil e objetiva na solução dos conflitos que envolvam direito patrimoniais disponíveis. se assim for a vontade das partes. se assim o convencionarem as mesmas Partes.037 a 1048.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. Câmara. art. tais como: Japão e Estados Unidos.J. no Brasil. 4.Conclusão Diante desse modesto estudo. que espontânea e consensualmente optaram por esse sistema privado e alternativo ao judiciário. de janeiro de 1996. 32. Lemes. notas 1. traduzem hoje. uma nova era. 6. Ementário nº 2085-2.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. AASP/Revista do Advogado nº 51. 9. pela consciência social e humana e não a que impõe a prática de doutrinas eivadas de mero logicismo”. hoje. tais como: – É prolatada por um árbitro escolhido livremente pelas partes. a sentença arbitral tem o mesmo efeito da sentença judicial tendo. – É auto-executável. – O compromisso arbitral retrata o conflito atual e específico. poderão as Partes nomear Juízes Árbitros. D. Selma Maria Ferreira. Artigo 164 da Constituição Imperial do Brasil – “Nas causas cíveis e nas penais civilmente intentadas. Acórdão de 13/06/2002. essa cláusula refere-se a um conflito futuro e incerto. 3o.307/96. esses conceitos dispostos na Lei nº 9. artigos 1. afirmar que a arbitragem pode e deve ser utilizada por toda a sociedade brasileira como um instrumento alternativo a Justiça Comum. sem dúvida alguma. é de que: – A cláusula compromissória poderá ser utilizada antes de surgir à controvérsia. de 1o. não tínhamos em nosso ordenamento jurídico. A arbitragem. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral. deixando claro que. portanto.307 de 1996 – “ As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. Aliás. o árbitro regularmente escolhido para solucionar e prolatar a sentença arbitral.CONTRATOs Em EsPÉCIE 2. STF . de 04/10/2002. como se encontra normalizado. p. uma segurança maior ao instituto da arbitragem no Brasil o que. quando então as partes lavram o compromisso prevendo as regras que serão utilizadas no juízo arbitral e. Ressalta-se que. cumpre salientar que. iniciando. dos pontos relevantes da convenção de arbitragem – cláusula compromissória e compromisso arbitral –. – A cláusula compromissória poderá ser acordada no momento judicial do negócio principal ou.” 2. por entender que a Lei de Arbitragem reflete esse pensamento: “Boa só é a norma que traduz uma aspiração ou uma necessidade reveladas. 3. Podendo. algumas peculiaridades mais benéficas. Essas peculiaridades demonstram a precisão da nossa Lei de Arbitragem. instituto utilizado por vários paises. “era em que o processo jurisdicional fique reservado para aqueles em que nenhuma outra forma de resolução de conflitos foi adequada”. na perspectiva de ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. também. a conclusão a que se chega. a solução de suas controvérsias através do juízo arbitral. – Não cabe recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. p. Suas sentenças serão executadas sem recurso. em um adendo. vale transcrever aqui os ensinamentos do ilustre professor VICENTE RÁO. Segurança capaz de garantir as partes. reflete a modernidade do mundo globalizado. Princípios e Origens da Lei de Arbitragem. 5.Tribunal Pleno . da Lei 9. ainda. Alexandre Freitas. esta e aquela. Arbitragem – Lei nº 9307/96. posteriormente. (18) Por fim. Lei nº 3. anteriormente.

53. a fim de lavrar-se o compromisso. podendo ser judicial ou extrajudicial. Acórdão de 13/06/2002. Câmara. 12. Curso de Direito Civil. Carlos Alberto.792.CONTRATOs Em EsPÉCIE 7. Alexandre Freitas. Alexandre Freitas. Washington de Barros. Arbitragem – Lei nº 9307/96. p. Alexandre Freitas.2. art. Ibidem. 11. a cláusula compromissória só terá eficácia se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar. por Ovídio Rocha Barros Sandoval. da Lei 9. 34. com a sua instituição. 14. p. Arbitragem no Brasil no terceiro ano de vigência da Lei nº 93047/96. p.Tribunal Pleno . Câmara. 17.753-7 – Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte. Ementário nº 2085-2. v. desde que por escrito em documento anexo ou em negrito. Arbitragem – Lei nº 9307/96. p. p. 10. FGV DIREITO RIO 136 . p. 4o. 28. art. Anotação (114) de atualização da obra.J. 13. Ráo. Carmona. A Aspectos Atuais da Arbitragem. p. 8.. p. com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. 7o.” 18. 9o. art. 9. designando o juiz audiência especial para tal fim. Câmara.307 de 1996 – “Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. Ibidem. 159.4.Sentença Estrangeira Contestada nº 6. de 04/10/2002. Vicente. D. v. da Lei 9.” 16. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer m juízo. O Direito e a Vida dos Direitos.34 15. 319. §2o. Monteiro.307 de 1996 – “O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoa. Arbitragem – Lei nº 9307/96. STF . 33.307 de 1996 – “Nos contratos de adesão.. expressamente. da Lei 9.

MARTINS. biblioGrafia CoMPleMentar VENOSA. Classificação e Características do Contrato. Contratos e Obrigações Comerciais. 1999. 1. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. baseado nas informações fornecidas abaixo.20. Sílvio de Salvo. Rio de Janeiro: Forense. 3. Leasing. biblioGrafia obriGatória Lei n° 6. (ii) a propriedade dos automóveis é da arrendadora. tipo vans. Caso Gerador Durante a diligência legal dos Supermercados Pechincha.4. Identifique quais os principais aspectos de cada contrato.20. ed. Partes do Contrato de Leasing e suas Respectivas Obrigações. O contrato dos automóveis foi firmado com a Tupinambá Automóveis Arrendamento Mercantil S/A. (iii) prazo de vigência de 12 meses.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1.20. São Paulo: Atlas. e (vi) toda a manutenção dos carros deverá ser feita em oficinas mecânicas credenciadas junto à arrendadora. e tem como principais caraterísticas: (i) o montante global das contraprestações a serem pagas pela empresa equivalem a 70% do valor de mercado dos carros objeto do leasing. Fran. para inserção no seu relatório de diligência legal. 2001. 1. eMentário de teMas Introdução e Conceito. 1.3. p. 2006. que também arcará com os custos da manutenção ordinária. AulAS 23 E 24: lEASINg. e os caminhões. Questões Controversas. 571 a 581.309/96. ed. 1. foram submetidos à sua análise contratos de “arrendamento mercantil” de veículos da frota do supermercado. bra/A. 6. os utilitários. fundamentais para todo o processo de logística e da distribuição das mercadorias.20. utilizados pela administração dos supermercados. em sua maioria automóveis compactos. 15. do Conselho Monetário Nacional. MANCUSO.099/74. os quais podem ser separados em três grandes grupos: os veículos leves. Direito Civil. (v) o valor da opção de compra no final da vigência do contrato é quase igual ao valor de mercado dos bens arrendados. ço financeiro da conhecida montadora nacional. págs. Modalidades.1.. troca de peças etc. Resolução 2. obrigando-se a manter os veículos em perfeito estado de funcionamento. (iv) o contrato pode ser rescindido a qualquer tempo pela arrendatária. que servem para realizar pequenas entregas de compras nas redondezas. FGV DIREITO RIO 137 .20.2. Rodolfo de Camargo. vol. 349468.

Esse contrato prevê que: (i) a arrendatária terá uma opção irrevogável de compra dos bens.00. ela terá a opção de renovar o contrato por prazo semelhante. reajustáveis ao final de cada ano de vigência.20. impôs a criação de normas jurídicas sobre o contrato. sem previsão legal expressa no código. e como acontece muito no Direito. (iii) o valor unitário da opção de compra de cada bem é de R$12. Por fim. de 60 (sessenta) meses. embora trate mais de seus aspectos tributários. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. isto é. na década de 1950.099/1974. roteiro de aula a) introdução e Conceito O contrato de leasing também é conhecido no Brasil como arrendamento mercantil. tratou de definir.000. 1.309. e (iv) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. sua utilização iniciou-se nos Estados Unidos. além da opção de compra. Todavia. do Conselho Monetário Nacional. 1º. os Supermercados Pechincha poderão solicitar o aumento da frota inicialmente objeto do contrato.000. não se responsabilizando a financeira pelo bom funcionamento e manutenção dos caminhões. (ii) durante a vigência do contrato. o contrato logo em seu art. e possui como principais cláusulas: (i) todos os custos de manutenção deverão ser arcados pela arrendatária. a verificação de sua utilização. aos Supermercados Pechincha. No Brasil. sua utilização foi observada a partir da década seguinte. que. sociedade limitada constituída conforme o código civil e cujo objeto social é o de administração de bens móveis próprios ou de terceiros. e é objeto de pouca regulamentação legal. (iv) as parcelas serão mensais e sucessivas. irrevogavelmente. no mundo dos fatos. a arrendadora poderá requerer a busca e apreensão dos bens objeto do contrato. Trata-se de contrato atípico. e a Resolução nº 2. renomada empresa do ramo. reajustadas periodicamente conforme a variação do dólar dos Estados Unidos em relação ao Real. em função da deterioração normal do bem. sobretudo na aquisição de veículos automotores. o contrato prevê que esse valor deverá ser diluído nas prestações mensais. (ii) um prazo de vigência de cinco anos. embora seja largamente utilizado no comércio. parágrafo único. Embora sua origem remonte a épocas mais remotas. conforme delegação da referida lei.00. ocasião em que a titularidade dos caminhões será transferida. FGV DIREITO RIO 138 . pelas empresas e até mesmo pelas pessoas. valendo o pagamento da última parcela como o exercício da opção. e (v) em caso de inadimplemento da obrigação do pagamento mensal. notificando a arrendadora previamente. durante os quais a arrendatária pagará prestações mensais. ainda que timidamente. mantidas as demais condições contratuais. com vistas a permitir o avanço das atividades econômicas sem necessariamente aumentar o endividamento das empresas. o contrato de leasing dos caminhões foi celebrado com a instituição financeira Ideal S/A Arrendamento Mercantil. entre 10% e 5% do seu valor de mercado. que efetivamente traz regras sobre os contornos jurídicos do contrato. a qual deverá ir ao mercado e adquirir os bens conforme especificados pela cliente. com um pequeno decréscimo no valor das parcelas mensais. ao final do prazo contratual. pelo valor unitário de R$3.5.CONTRATOs Em EsPÉCIE Os veículos utilitários de médio porte foram objeto de um contrato com a Afro Taboa Administração de Bens Ltda. Sua regulamentação obedece a dois diplomas específicos: a Lei nº 6. (iii) ao final do prazo contratual..

de certa forma. e há quem preferiria chamar essa modalidade contratual de “locação financeira”. encerra o financiamento do valor global do bem. transfere a posse do bem para o arrendatário. No entanto. para quem o contrato é aquele “mediante o qual um agente. corresponde ao leasing no direito brasileiro. no âmbito da autonomia privada. O que ocorre é que. não faria sentido qualificá-lo como mercantil. Lembre-se sempre: o leasing é um contrato excepcional. como veremos adiante. 2006. v. com uma única causa jurídica. o fato de ser multifacetado não faz com que ele deixe de constituir um único negócio jurídico. que cria uma solidariedade entre o locatário e a empresa de locação de automóveis quanto à responsabilidade perante os danos causados a terceiros. como a modalidade do leasing financeiro é a mais comum. em nenhuma fórmula desenhada aprioristicamente pelo legislador. VENOsA. alguns autores tomam a espécie pelo gênero e confundem os contornos dessa modalidade com a do próprio contrato. Como na promessa de compra e venda. facultando-se-lhe a final que opte entre a devolução do bem.514/1997 criou a possibilidade de bens imóveis serem objeto de arrendamento mercantil. 3. atípico. de acordo com as cláusulas contratuais negociadas entre as partes. muitas vezes até sem saber. muitas vezes o arrendatário é quem trata da escolha dos bens com o vendedor. contrariando a orientação anterior que restringia essa modalidade contratual aos bens móveis. Além disso. a renovação do contrato ou a compra pelo preço residual conforme estabelecido”. De fato. alugando-o posteriormente a ele por prazo certo. que não se enquadra. Tanto é assim que a jurisprudência nacional não aplica às operações de arrendamento mercantil a Súmula 492 do STF. à transferência da posse do bem – encerra apenas um dos aspectos do contrato. p. Assim. 571-572. a noção de arrendamento – equivalente. inclusive na contramão da tendência moderna de unificação do direito privado. embora quem vá comprá-lo seja a arrendadora. ed. se tornam arrendatárias em um contrato de leasing. podem ser inseridas no contrato. Muitas vezes é a transferência da posse sua característica mais importante. Contudo. o mútuo e o mandato. cuidado ao ler os textos sobre o tema. faz com que instituição financeira ou especializada o adquira.CONTRATOs Em EsPÉCIE Além dessas normas. Todavia. como a locação. pretendendo utilizar coisa móvel ou imóvel. sílvio de salvo. como a locação. e prevê a cobrança de juros. a Lei nº 9. Além desses caracteres mais usuais. hoje em dia há um sem número de pessoas físicas que. são Paulo: Atlas. Direito Civil. O contrato. A doutrina o qualifica como uma relação contratual complexa. a designação de “arrendamento mercantil” é largamente utilizada e. Como no mútuo. como no caso da modalidade operacional. como se verá. sem dúvida alguma. Uma boa conceituação é fornecida por Silvio Venosa37. atualmente. Vale ressaltar que boa parte da doutrina o qualifica como uma modalidade de financiamento ao arrendatário. obriga a transferência da propriedade do bem mediante o pagamento do valor previsto no contrato. se inicialmente ele era direcionado às empresas. composto de elementos de vários contratos típicos. a compra e venda. na forma e no tempo devidos. Portanto. Como no mandato. nem sempre o caráter financeiro é o que sobressai na contratação do leasing. A nomenclatura de “arrendamento mercantil” sofre algumas críticas na doutrina. 37 FGV DIREITO RIO 139 . outras cláusulas que sirvam ao interesse das partes. hoje. portanto. 6. Suas características serão sempre verificadas no caso concreto.

pessoas físicas também podem ser parte num contrato de leasing. o arrendatário deveria ser.CONTRATOs Em EsPÉCIE b) Classificação e Características do Contrato A doutrina considera o contrato: (i) consensual. mediante o pagamento do restante da dívida. porque o art.309 impõe a forma escrita ao contrato (instrumento público ou particular) e determina a inserção de determinadas cláusulas no seu corpo. entretanto. (v) comutativo. garantindo a posse mansa e pacífica do seu contratante. não sendo necessária a entrega da coisa. A extinção do contrato se dá. É também freqüente. expressamente. mesmo no caso de leasing operacional. (iii) solene. O arrendador. somente operacional. pois a própria manifestação de vontade aperfeiçoa o contrato. mas em regra gera sua extinção e o direito de o arrendador se reintegrar na posse dos bens arrendados. pelo fim do seu prazo. no estatuto. (ii) bilateral. respondendo pelos prejuízos que causar ao bem. Inicialmente. a redação desse dispositivo foi alterada e. FGV DIREITO RIO 140 . valor e tempo estipulados no contrato. pelo distrato ou pela falência da arrendadora. ser necessariamente uma instituição financeira. a existência de cláusula que permita o término antecipado do contrato. contudo. em que o arrendador responde somente pela manutenção ordinária e pelo desgaste natural do bem arrendado. A obrigação fundamental do arrendatário é a de pagar as prestações na forma. embora mantenha a sua propriedade. em prontas condições de uso para a finalidade acordada. 2.099/1974. 7º da Res. em virtude da liquidez e certeza das prestações. quando o arrendatário poderá escolher entre exercer a opção de compra. A obrigação primordial do arrendador é a de entregar o bem para o arrendatário. ordinariamente. Finalmente. principalmente em contratos de leasing financeiro. obrigatoriamente. Todavia. Ocorre também pelo inadimplemento. o arrendatário possui a obrigação de devolver a coisa no final do prazo contratual. uma pessoa jurídica. A expressão “arrendamento mercantil” deve constar de sua denominação. contanto que não opere com a modalidade financeira. Deve constar do seu objeto social. Não precisa. Há casos também (sobretudo em contratos relativos a equipamentos de informática) em que a renovação implica em troca dos bens por modelos mais modernos ou mais novos. conforme a redação original da Lei nº 6. hoje. pois encerra obrigação para o arrendador (e. Tem também a obrigação de receber os bens de volta ao fim do prazo. cada período contando como uma parte da relação contratual. O arrendatário é aquele que se utiliza do bem. Além disso.. (vi) por tempo determinado e de execução sucessiva. em virtude de sua vigência contínua pelo seu prazo. Nos dois casos. deve o arrendatário zelar pela conservação dos bens. Seu inadimplemento terá conseqüências diversas conforme o contrato. e é exclusiva desse tipo de sociedade. C) Partes do Contrato de leasing e suas respectivas obrigações. pois ambos os contratantes têm ônus aos quais correspondem deveres. (iv) oneroso. conforme determina a Resolução do CMN. a renovação do prazo do arrendamento ou a devolução do bem. é necessária a autorização de funcionamento do BACEN. caso não haja nem a renovação do prazo nem o exercício da opção de compra. a transferência da posse do bem) e para o arrendatário (o pagamento das parcelas convencionadas). caso não haja exercício da opção. pelo menos até o exercício da opção de compra. São duas as partes do contrato de leasing: o arrendador e o arrendatário. g. deve necessariamente ser uma sociedade anônima autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. o desenvolvimento dessa atividade.

art. o operacional e o financeiro. mediante cláusula que reajuste o valor das prestações pela cotação da moeda estrangeira. a interveniência do vendedor do bem no contrato de leasing financeiro. na aquisição de um determinado bem. especificações técnicas etc. Em linhas gerais. para a obtenção de capital de giro.CONTRATOs Em EsPÉCIE Existe. Nesse caso. por si só. Nesses casos. existe a modalidade de leasing operacional. Nesse caso. o exercício da opção de compra é quase uma certeza. Existem duas espécies – embora a autonomia privada possa criar outras figuras ou até mesmo figuras híbridas – de leasing reconhecidas no direito brasileiro (cf. o valor da opção de compra – conhecido comumente como valor residual garantido ou VRG – é de pequena monta se comparado às prestações. se a “causa” do contrato é o financiamento. É claro que o leasing financeiro. Nessa modalidade. ocorre que o arrendatário escolhe o bem e o arrendador. em muitos casos. esse agente deva contratar um financiamento direto em seu nome junto ao fornecedor ou a um banco (onde as taxas de juros em geral são bem mais altas). As prestações. Sua lógica econômica é a de constituir um financiamento para um agente econômico (pessoas ou empresas). ao contrário do que ocorre no financeiro. fica com a arrendadora e não com o financiado. Nesse caso. é um financiamento. d) Modalidades. como o fato de que a propriedade do bem. sujeitas à regulamentação do Banco Central. para levantar recursos imediatos. ao pagar o preço. competindo às partes originárias concordarem sobre os demais termos do arrendamento. se admitia sua pactuação nos contratos de arrendamento mercantil. FGV DIREITO RIO 141 . Geralmente pode ser resilido unilateralmente pelo arrendatário. já sob a forma de leasing. pois remuneram não só o uso da coisa como também o seu custo de aquisição. sobre os quais incidirão juros e que serão pagos nas prestações periódicas previstas no arrendamento mercantil. nem mesmo na Resolução nº 2. o leasing financeiro clássico e o lease-back são atividades privativas de instituição financeira. O leasing financeiro. Uma subespécie de leasing financeiro é o conhecido como sale lease-back. a Resolução 2. a regra é que o vendedor esteja no contrato para garantir prazos de entrega. é que o bem não é originalmente de titularidade do arrendador. compra o bem do fornecedor. Finalmente. O novo código não alterou essa sistemática. o bem arrendado é originalmente de titularidade do arrendatário que. ainda em vigor.309.. é o tradicional. e. e foi a partir dele que se desenvolveu originalmente esse tipo de contrato. transfere sua posse ao arrendatário. pois o bem já era de propriedade da arrendatária. como a elas é permitida a captação de recursos no exterior para fazer frente às suas operações. outro traço que difere o leasing do financiamento. que vai ao mercado adquiri-lo conforme as instruções do arrendatário.309). que imediatamente transfere (fictamente) a posse dele de volta para sua antiga proprietária. Do ponto de vista prático. A variação cambial nos contratos é em regra proibida por força do art. que transfere a posse dos bens para o arrendatário por um determinado prazo. contudo. em geral o arrendador é o próprio fabricante. o sale lease-back muito se assemelha ao mútuo. 6º). mas dotado de características próprias. são relativamente mais altas. Por outro lado. vende o bem para a empresa de arrendamento mercantil. mas desde o antigo Decreto-Lei nº 857/1969. não há interveniência da fornecedora original. na medida em que. o risco da variação cambial pode ser repassado ao arrendatário. em que o arrendatário escolhe os bens a serem objeto do arrendamento. ao contrário do que ocorre no mútuo bancário comum. pois a arrendatária efetivamente recebe recursos em dinheiro oriundos da venda do bem. Esse tipo de operação não tem previsão legal no nosso ordenamento. 318 do código civil.880/1994. que também foi inserida na Lei do Plano Real (Lei nº 8. sem que. durante a vigência do contrato. obrigando-se ainda a prestar assistência técnica e manutenção nos bens arrendados. também conhecido como puro. imediatamente após. Assim. Por conta dessas características marcantes de intermediação financeira.

Se no leasing financeiro ressalta-se o caráter do mútuo. na hipótese de falta de pagamento das prestações acordadas. nas próprias prestações periódicas. configurando-se o negócio como compra e venda ou como mútuo. quando do último pagamento por parte do arrendatário. pois a descaracterização do leasing implica no impedimento da propositura de ação de reintegração de posse. segundo a qual “a cobrança antecipada do valor residual (VRG) descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil. os contornos próprios do arrendamento mercantil impedem que ele seja caracterizado ou enquadrado como um ou outro. balizada na melhor doutrina. Vale ressaltar que. todavia. o valor referente à opção de compra já estaria quitado e. Com isso. o valor residual é aquele correspondente à opção de compra conferida ao arrendatário no final do prazo do contrato. de modo que. que editou a Súmula 263. como visto.230/RS no STJ. alguns tribunais ainda seguem a linha da Súmula 263. deveria ser cobrada necessariamente ao final do contrato. Duas delas. Essa controvérsia tem grande relevância prática. pois as prestações em regra equivalem somente ao custo pelo uso do bem. Esse impacto foi maximizado pelo fato de que. e) questões Controversas. uma parcela do VRG. descaracterizando o arrendamento nessa hipótese. escolhe o carro. com o preço sendo financiado pelo vendedor (no caso. transformando-o em compra e venda a prestação”. o inadimplemento gera a resolução do contrato em perdas e danos. como não há o caráter financeiro. embora. o valor da opção de compra tende a ser expressivo. Além disso. o julgamento no RESP 237. no operacional o traço da locação é mais marcante. o contrato de leasing sempre suscitou questões controversas na jurisprudência nacional. no entanto. FGV DIREITO RIO 142 . a compra de automóveis por meio de um leasing financeiro é uma operação corriqueira. atualmente. por exemplo. Como vimos. embora se diluindo o VRG nas demais prestações. sobretudo a partir de janeiro de 1999. Esse entendimento chegou a ser cristalizado no STJ. apesar da mudança de entendimento do STJ. a possibilidade de repassar para as prestações a variação de moeda estrangeira em relação à moeda nacional também gerou uma enxurrada de ações judiciais. descaracterizando na hipótese o contrato como leasing. a opção de compra. Nesse caso. o entendimento que “a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRG) não descaracteriza o contrato de arrendamento mercantil”. quando a mudança do regime cambial brasileiro fez com que a cotação do dólar dos Estados Unidos praticamente dobrasse em menos de um mês. sobreveio o cancelamento da Súmula 263 e a subseqüente edição da Súmula 293. na corte superior. que pacificou. portanto. como numa locação comum. Posteriormente. No leasing financeiro. a corte reviu o seu posicionamento. as empresas passaram a embutir. mas o arrendador não faz jus à retomada do bem. enquanto o consumidor usufruta do bem. que caracterizaria o contrato. e uma sociedade de arrendamento mercantil financia o valor. a propriedade do bem era automaticamente transmitida ao arrendatário. e passou a entender que. existem outras características marcadamente do contrato de leasing que permanecem presentes. Talvez pela pouca produção legislativa sobre o tema.CONTRATOs Em EsPÉCIE Nesse caso. Vide. como a possibilidade de renovação e a manutenção da propriedade do bem com o arrendador. Parte da doutrina passou a enxergar nesse tipo de ajuste uma compra e venda a prestações disfarçada. como já vimos. O consumidor vai à concessionária. adquiriram maior relevância no cenário jurídico nos últimos anos. A primeira delas é a discussão sobre se a diluição do chamado VRG nas demais prestações do contrato descaracteriza o leasing. com o reflexo correspondente nos contratos de arrendamento mercantil. onde o valor da opção é relativamente pequeno. o que só faz aumentar a insegurança jurídica no assunto. a empresa de arrendamento mercantil).

6. conforme permissão legal. a empresa Dinamismo s.. contudo. • na hipótese de serem pagas todas as prestações pelo arrendatário. que arca com todo o aumento. um contrato de leasing financeiro em que se previa a cobrança antecipada do valor residual garantido (VRg). o STJ tem optado por uma solução salomônica. não havendo nenhum tipo de exceção à regra estabelecida no art. manifestando válida e livremente a sua vontade. como também sob a alegação de que o leasing.880/1994. em dobro. nas tesourarias bancárias e das instituições de arrendamento. entre as operações de captação e de financiamento. não haveria porque esta disposição ser afastada pelo Poder Judiciário. deveriam ser fulminadas com a nulidade prevista no art. IV. com base na legislação vigente. parou de efetuar o pagamento e pleiteou judicialmente a anulação do contrato. e abordando especialmente os seguintes aspectos: • se a cobrança antecipada do VRg descaracteriza o leasing. quando já havia pago 75% das prestações. e quais são elas. firmou com a empresa Arrendamento mercantil s. ao alegar que o arrendatário assinou um contrato – sem a existência de qualquer vício –. Outros preferiam prestigiar a livre autonomia privada. pela sua estrutura contratual complexa. da legislação especial.A. FGV DIREITO RIO 143 . não é contrato de consumo e. dividindo pela metade o prejuízo decorrente do aumento das prestações do arrendamento mercantil em virtude da mudança de regime cambial e a conseqüente disparada da cotação da moeda estrangeira (e. sobre o qual incidiam juros de 20% ao ano e juros capitalizados. Todavia. Por um lado.. era impossível. as empresas de arrendamento mercantil defendiam a liceidade do contrato baseado não só no permissivo legal de variação cambial da Lei nº 8. • (. • a hipótese da reintegração de posse proposta pela arrendante. Os consumidores lesados. Alguns juízes afastavam o comando do art. sendo assim. que previa a variação cambial. Posteriormente..20.A. por isso. a jurisprudência tenha chegado a uma conclusão definitiva sobre o assunto. diante do inadimplemento de mais de três prestações. se este ainda conserva as opções previstas para o término do contrato. pleiteando a perda das quantias pagas pela arrendatária. o que estaria em desacordo com o código de defesa do consumidor. quando for o caso. 2º do CDC.. interpôs ação de reintegração de posse para haver a restituição do bem. e. com base na idéia de que o arrendador teria que provar que houve captação de recursos em moeda estrangeira especificamente para o contrato daquele consumidor que estava propondo a ação. seriam abusivas as cláusulas que previam a variação cambial e. diziam se enquadrar perfeitamente no conceito legal de consumidor. e.880/1994. REsp 727899 / DF). por sua vez. não se sujeita ao CDC. Diante da situação hipotética apresentada acima. redija um parecer a respeito da questão. o que. portanto. 1.CONTRATOs Em EsPÉCIE Como esses contratos previam a variação cambial.) [não relacionada à matéria] • o direito do arrendatário à restituição de todas as parcelas pagas ou das parcelas pagas a título de antecipação do VRg.)[não relacionada à matéria]. na prática. as prestações aumentaram vertiginosamente. explicando fundamentadamente o seu ponto de vista. pois não há uma relação determinada de correspondência. • (. questões de ConCurso Petrobras – 2003 – Advogado Júnior A empresa Dinamismo s. por sua vez. 51.. 6º da Lei nº 8.A. g. A empresa Arrendamento mercantil s.A.. em manifesta desvantagem para o consumidor. aplicando-se o Código de Defesa do Consumidor. por não cumprimento do contrato. Essa discussão se arrastou (e ainda se arrasta) nos tribunais. sem que. sentindo-se prejudicada com os termos do contrato.

Artigo disponível em http://conjur. Mandato. 1. Doação.21. assim como questões que possam afetar o funcionamento do supermercado no futuro. AulA 25: RESulTAdO dA dIlIgêNCIA. (ii) Lista de contratos que foram objeto da diligência – O aluno deverá incluir em seu relatório não apenas os contratos que foram efetivamente fornecidos em sala de aula. mas também aqueles sobre os quais obtiveram informações.estadao.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. Distribuição. O relatório deverá conter três partes: (i) Sumário – com a indicação dos pontos que são mais importantes para o cliente.com.ago.21. os alunos deverão aproveitar para fazer uma boa revisão da matéria. Por exemplo: contratos que possam impedir ou dificultar a aquisição do supermercado ou que possam desvalorizar o supermercado no futuro. (iii) Descrição de cada contrato e das questões levantadas durante a diligência que possam ser de interesse ao cliente. Beabá das fusões Due Diligence jurídica garante lisura de operações.A. (em anexo) 1. Consultor jurídico. Contrato Estimatório. Locação. É preciso dar ao cliente. Ao elaborar o relatório.3. uma sugestão para resolvê-los ou mitigá-los.1. Comodato. Seguro. Depósito. Acesso em 04. O aluno deverá identificar no relatório os contratos a que teve acesso e os que apenas teve conhecimento.21. Jogo e Aposta. quando possível. Troca ou Permuta. FGV DIREITO RIO 144 . Transação e Compromisso. 1. Mútuo. analisando aula por aula e relembrando os casos e discussões deste semestre. Leasing. Prestação de Serviços. Vale lembrar que o relatório de diligência da área de contratos deve abranger o maior número de questões que possam vir a afetar a aquisição das quotas do Supermercado Pechincha. Maria Neuenschwander Escosteguy. biblioGrafia obriGatória CARNEIRO. Fiança. trabalHo Hoje os alunos deverão apresentar e discutir em sala de aula o seu relatório da diligência.1.2006. um panorama com a situação atual dos contratos da empresa. destacando os problemas encontrados e.21. Grana Certa Empreendimentos S. eMentário de teMas Compra e Venda..br/static/ text/38413. Comissão. Empreitada. Agência.2. Licença e Cessão da Marca.

o potencial de crescimento do negócio. previdenciário e ambiental. está a necessidade de realização das chamadas “due diligences” jurídicas. identificar problemas a serem resolvidos após a concretização do negócio. avaliação dos riscos inerentes. o mais adequado é entendê-la como uma metodologia — e não como uma obrigação legal — a ser utilizada opcionalmente pelas partes. é recomendável uma profunda e pormenorizada investigação em todos os aspectos jurídicos de uma companhia objeto de qualquer modalidade de aquisição. se não forem bem e previamente dimensionados.CONTRATOs Em EsPÉCIE Beabá das fusões due diligence jurídica garante lisura de operações por Maria neuenschwander escosteguy Carneiro Segundo noticiou a Imprensa. trabalhista. os quais podem gerar responsabilidades vultosas (imediatas e futuras) e que. fundos de comércio e dos ativos que as compõem. as particularidades inerentes às operações podem exigir o trabalho conjunto de profissionais de várias áreas. não foram apresentadas provas ao Cade de que a empresa teria continuado a participar da colusão. Cabe destacar. consoante cada caso concreto. A identificação de contingências em momento anterior ao closing da operação favorece a empresa interessada. já que eventuais penalidades aplicadas pela Autoridade Antitruste podem representar a eliminação do ganho naquela aquisição. Nas fusões e aquisições. destinando-se sempre à conclusão sobre a viabilidade da operação. no primeiro semestre de 2005. Esta investigação pode abranger aspectos pessoais dos sócios. poderia buscar a reparação de perdas e danos no Poder Judiciário. podendo ser aconselhável em diversos momentos da negociação. o nível de competição do setor. Não menos relevante é a identificação dos passivos tributário. foi mesmo na prática empresarial que as due diligences jurídicas se firmaram. Desta forma. podem até mesmo inviabilizar o projeto empresarial. estabelecimentos. As due diligences jurídicas podem ser definidas como procedimentos sistemáticos preventivos de revisão e análise de informações e documentos. garantias a prestar. Exemplo disso ocorreu recentemente: o controle de uma das 18 empresas do setor de mineração e britas para a construção civil com atuação na região metropolitana de São Paulo condenadas pelo Cade — Conselho Administrativo de Defesa Econômica por formação de cartel para divisão do mercado havia sido adquirido por um novo sócio e. implicações financeiras. Além disso. Releva esclarecer que a due diligence não existe como figura jurídica autônoma na legislação brasileira. O Cade expôs que a penalidade havia sido imposta à pessoa jurídica e não a seus acionistas e que se o novo sócio entendia-se lesado. O volume de informações e documentos manuseados em uma due diligence pode ser tão grande que acaba fazendo com que vários profissionais tenham de se acomodar nas sedes das sociedades envolvidas. que as due diligences jurídicas devem identificar também passivos decorrentes de potenciais focos de preocupação concorrencial ou mesmo de investigações em curso pelos órgãos de defesa da concorrência. ademais. Atrelada a este aumento. Alguns autores informam que as due diligences jurídicas teriam surgido a partir do conceito do Direito Romano “diligentia quam suis rebus” (diligência de um cidadão em gerenciar suas coisas). Contudo. após a aquisição. Esta situação demonstra que assuntos concorrenciais podem afetar a avaliação dos ativos adquiridos em uma operação de aquisição de controle. houve um aumento de 38% no número de fusões e aquisições. ou mesmo exigir maiores garantias do vendedor. Assunto discutido entre os especialistas é a abrangência dos relatórios de due diligence. visando à verificação da situação de sociedades. conceito este que foi sendo trabalhado em decisões dos tribunais norte-americanos. FGV DIREITO RIO 145 . com vistas à apuração dos riscos ínsitos à atividade desenvolvida pelas empresas. permitindo renegociar o preço final. comparado ao primeiro semestre de 2004. dentre outros. determinação de responsabilidades ou outras.

capazes de demonstrar. a importância da adoção de cuidadosos procedimentos de due diligence. FGV DIREITO RIO 146 . com muita clareza e com elevado grau de segurança.CONTRATOs Em EsPÉCIE Verifica-se. todas as variáveis que merecem ser analisadas antes da conclusão de negócios envolvendo operações de fusões e aquisições de empresas. 4 de outubro de 2005. pois. Revista Consultor Jurídico.

FGV DIREITO RIO 147 . Caso Gerador Após analisar cuidadosamente nosso relatório de due diligence e resolver as questões relacionadas às marcas do Supermercado Pechincha. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. inscrita no CNPJ sob o n° 002. foi a minuta do contrato de compra e venda de quotas abaixo. bem como praticar todos os atos necessários ao fiel cumprimento deste mandato.22. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Estaduais. empresário. Sendo assim. Distrito Federal. PROCURAÇÃO Pelo presente instrumento particular de mandato. doravante denominada simplesmente “Compradora”. Distrito Federal (“Outorgado”). e EDUARDO RUSSO. a aquisição das quotas do supermercado seria um bom negócio. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. que sugestões você poderia fazer na procuração? E se tivéssemos acesso àquela procuração apenas na data da assinatura do contrato e não pudéssemos fazer sugestões antes do closing? Que providência poderia ser tomada para dar mais segurança ao nosso cliente quanto à assinatura do contrato pelo senhor Jeremias? O outro documento que o senhor Odin Heiro nos deu. Distrito Federal (“Outorgante”) nomeia e constitui como seu bastante procurador. órgãos ambientais e órgãos regulatórios. Eduardo Russo Relembrando o que aprendemos na aula de mandato. residente e domiciliado em Brasília. brasileiro. mesmo com as questões encontradas na due diligence.1. 2222. residente e domiciliado em Brasília. casado. para (i) celebrar quaisquer contratos. portador da carteira de identidade nº xxxxxxxxx. Fica vedado o substabelecimento dos poderes outorgados por este mandato. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE QUOTAS GRANA CERTA EMPREENDIMENTOS S/A.CONTRATOs Em EsPÉCIE 1. casado. conforme minuta em anexo. O primeiro deles é uma minuta de procuração.222/0001-22. JEREMIAS RUSSO. ou seja. Cidade e Estado do Rio de Janeiro. e considerou que. o senhor Odin Heiro regateou com o senhor Eduardo Russo o preço das quotas da Pechincha Comércio Varejista Ltda. EDUARDO RUSSO. Ele nos mostrou dois documentos que recebeu do advogado do senhor Eduardo Russo e pediu nossos comentários. no fechamento do negócio.22. o senhor Eduardo Russo pretende outorgar uma procuração a seu filho para que ele o represente. rescindir e assinar quaisquer contratos em nome do Outorgante. companhia com sede na Rua ABC. empresário. empresário. brasileiro. representada na forma de seu estatuto social. Esta procuração terá validade de 30 dias após a data de assinatura do mandato. alterar. brasileiro. solteiro. neste ato representado por seu procurador.002. inscrito no CPF/MF sob o nº 01010101. estipular ou impugnar cláusulas e condições. prorrogar. Municipais e Autárquicas. Cartórios de Protestos de Letras e Títulos. solteiro. empresário. inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. Não tendo certeza de que poderá comparecer pessoalmente ao evento de assinatura do contrato de compra e venda das quotas. celebrar. (ii) representar o Outorgante junto às Repartições Públicas. residente e domiciliado em Brasília. AulA 26: ClOSINg! 1. Jeremias Russo. Secretaria de Estado de Negócios da Fazenda Estadual. portador da carteira de identidade nº yyyyyyyyy. Juntas Comerciais. brasileiro. Federais. fomos chamados para ajudá-lo no closing. Cartórios de Registro Civil das Pessoas Jurídicas.

FORMA DE PAGAMENTO 2.] da agência [. justa e contratada a celebração do presente Contrato de Compra e Venda de Quotas (“Contrato”).1. a totalidade de suas Quotas representativas do capital social da Sociedade à Compradora. CLÁUSULA TERCEIRA – TRANSFERÊNCIA DAS QUOTAS 3. 4..1. e (b) R$ 250. mediante a assinatura da competente alteração do contrato social da Sociedade. e somente poderá ser alterado por instrumento escrito devidamente assinado por todas as Partes.2.CONTRATOs Em EsPÉCIE inscrito no CPF/MF sob o nº 02020202. herdeiros. a ser pago pela Compradora ao Vendedor da seguinte forma: (a) R$ 250.]. turbações. com todos os respectivos direitos e obrigações. e.DISPOSIÇÕES GERAIS 4. O presente Contrato é celebrado em caráter irrevogável e irretratável e obriga e aproveita às Partes e à Sociedade. Distrito Federal.000.] da conta-corrente nº [.00 (duzentos e cinqüenta mil reais) a serem pagos em até 90 dias a contar desta data.1 abaixo. O não exercício ou atraso por qualquer das Partes e/ou da Sociedade. (c) R$ 500. Uma vez creditado na conta-corrente do Vendedor....]. sociedade com sede na Quadra XYZ.00 (um milhão de reais) (“Preço”).1..]. nos termos ajustados pelo presente instrumento. declara que as Quotas foram regularmente integralizadas e se encontram inteiramente livres e desembaraçadas de ônus.1 acima.000. 2. doravante denominado simplesmente “Vendedor”. o pagamento das parcelas que perfazem o Preço.. O Vendedor.. encargos. A transferência das Quotas será formalizada no ato do pagamento pela Compradora. Pelo presente Contrato e na melhor forma de direito. plena.. na qualidade de interveniente-anuente: PECHINCHA COMÉRCIO VAREJISTA LTDA.. Distrito Federal.000.] da agência [. representada na forma de seu contrato social. ainda..000.. O Vendedor e a Compradora (doravante referidos simplesmente como “Partes”) têm.] da agência [.1. 1.DA COMPRA E VENDA DAS QUOTAS 1.00 (quinhentos mil reais) a serem pagos um ano após esta data. inscrita no CNPJ sob o n° 000.1... e (ii) O Vendedor deseja alienar as Quotas.. usufrutos ou qualquer outra restrição à posse e/ou a qualquer outro direito inerente a tais Quotas. no exercício de qualquer direito previsto neste Contrato deverá ser interpretado individualmente e não poderá ser considerado como renúncia por FGV DIREITO RIO 148 . gravames. e que a Compradora deseja adquiri-las. pelo preço certo e ajustado estabelecido na Cláusula 2. O preço certo. mencionado na Cláusula Segunda. da totalidade do Preço devido ao Vendedor. a qualquer título.. de acordo com as seguintes cláusulas e condições: CLÁUSULA PRIMEIRA .1..000. o Vendedor cede e transfere.2.. mediante depósito na conta-corrente nº [. neste ato. total e ajustado para a aquisição das Quotas é de R$ 1.. mediante depósito na conta-corrente nº [. por meio da entrega pela Compradora ao Vendedor do cheque administrativo nº [. CLÁUSULA SEGUNDA . seus sucessores. CONSIDERANDO QUE: (i) O Vendedor é legítimo possuidor e proprietário de x quotas representativas de 99% (noventa e nove por cento) do capital social da Sociedade (“Quotas”).] do Banco [.] do Banco [. residente e domiciliado em Brasília. doravante denominada simplesmente “Sociedade”.. cessionários e representantes legais.. Brasília. CLÁUSULA QUARTA . o Vendedor outorgará à Compradora.000..00 (duzentos e cinqüenta mil reais) pagos neste ato. rasa e geral quitação com relação ao valor pago. constantes do item 2.002/0001-00. entre si.] do Banco [.

4. Nome: CPF/MF Cabe notar que se trata de minuta bem simples e similar à minuta que analisamos em nossa segunda aula. 4.7. para dirimir quaisquer questões oriundas deste Contrato. 4. Fica eleito o foro da Comarca do Rio de Janeiro. por mais privilegiado que possa ser. Testemunhas: 1.10. Eduardo Russo Pechincha Comércio Varejista Ltda. Tendo em vista que somos advogados da compradora: (a) que alterações poderíamos propor na minuta acima? (b) que novas cláusulas poderíamos sugerir? FGV DIREITO RIO 149 .8. Toda e qualquer alteração das disposições do presente Contrato somente será válida e exeqüível. 4. Rio de Janeiro. 4. essa disposição será suprimida e não terá nenhuma força e efeito. na presença de 02 (duas) testemunhas. do Código de Processo Civil.9. entretanto a respectiva comunicação de alteração de endereço só tornarse-á efetiva após o recebimento pela outra Parte e/ou pela Sociedade. comportam execução específica.6. inclusive quaisquer despesas decorrentes de serviços profissionais por ele contratados. a esse respeito. E por estarem certas e ajustadas. assinado por 02 (duas) testemunhas. se essa disposição suprimida prejudicar a execução deste Contrato. substituindo todos os acordos. mediante comunicação dada na forma prevista acima. cabal e exclusivo entre as Partes com relação à compra e venda das Quotas. O presente Contrato constitui o acordo final. Nome: CPF/MF: Grana Certa Empreendimentos S/A 2. assim como as obrigações de fazer.CONTRATOs Em EsPÉCIE qualquer das Partes ou novação de qualquer obrigação contida neste Contrato. sendo considerada como mero ato de liberalidade.5. constitui título executivo extrajudicial. Quaisquer dos endereços constantes do preâmbulo poderão ser alterados. inciso II. anulada ou inexeqüível. nos termos do artigo 585. 639 e seguintes do Código de Processo Civil. Na hipótese de qualquer disposição ou parte de qualquer disposição deste Contrato ser tida como nula.1. orais ou escritos. se formalizada mediante instrumento escrito assinado pelas Partes e pela Sociedade. Entretanto. Todas as notificações e comunicações a serem feitas com relação ao presente Contrato serão elaboradas por escrito e serão enviadas para os endereços constantes do preâmbulo deste Contrato (i) por meio de Cartório de Títulos e Documentos. 4. [dia] de novembro de 2006.3. à exclusão de qualquer outro. ou (iii) com outra comprovação inequívoca de recebimento. 4. a qualquer tempo. por qualquer motivo. As Partes declaram e reconhecem que o presente Contrato. 4. as Partes assinam este Contrato em 03 (três) vias de igual teor e efeito. conforme o caso. Fica ajustado entre as Partes que as despesas decorrentes do arquivamento da alteração contratual referida na cláusula 3. 4. e somente produzirá efeitos. 4.1 do presente Contrato será de exclusiva responsabilidade da Compradora. nos termos dos artigos 461. O presente Contrato ou quaisquer direitos e/ou obrigações dele oriundos não poderão ser cedidos sem o prévio e expresso consentimento das Partes e da Sociedade.8. aqui contidas. (ii) por meio de carta registrada. 632. entendimentos e declarações anteriores. as demais disposições serão modificadas para preservar sua exeqüibilidade.

contratos e Terceiro setor.International Trademark Association. mestrado (LL. müssnich & Aragão Advogados.CONTRATOs Em EsPÉCIE laura fragomeni é especialista em Propriedade Intelectual.m) na Universidade de Harvard em Cambridge.Associação Brasileira de Propriedade Intelectual e da INTA. Representante do Escritório Barbosa. FGV DIREITO RIO 150 . müssnich & Aragão na ABPI . Associada ao Barbosa. Pós Graduada em Direito da Economia e da Empresa. pela FGV/ RJ.

CONTRATOS EM ESPÉCIE FICHA TÉCNICA Fundação Getulio Vargas Carlos Ivan Simonsen Leal PRESIDENTE FGV DIREITO RIO Joaquim Falcão DIRETOR Fernando Penteado Sérgio Guerra VICE-DIRETOR DA GRADUAÇÃO VICE-DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO Luiz Roberto Ayoub Ronaldo Lemos PROFESSOR COORDENADOR DO PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO EM PODER JUDICIÁRIO COORDENADOR CENTRO DE TECNOLOGIA E SOCIEDADE Evandro Menezes de Carvalho COORDENADOR DA GRADUAÇÃO Rogério Barcelos Alves COORDENADOR DE METODOLOGIA E MATERIAL DIDÁTICO Lígia Fabris e Thiago Bottino do Amaral Wania Torres COORDENADORES DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA COORDENADORA DE SECRETARIA DE GRADUAÇÃO Diogo Pinheiro Milena Brant COORDENADOR DE FINANÇAS COORDENADORA DE MARKETING ESTRATÉGICO E PLANEJAMENTO FGV DIREITO RIO 151 .