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Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal

O documento a seguir foi juntado aos autos do processo de número 0601464-79.2018.6.07.0000


em 26/08/2018 20:13:57 por TIAGO DE TARCIO VASCONCELOS
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- TIAGO DE TARCIO VASCONCELOS

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ID do documento: 45160
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR DANIEL PAES RIBEIRO
DO EG. TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO DISTRITO FEDERAL

M.M. Relator do DRAP n. 0601464-79.2018.6.07.0000


Impugnante: Rodrigo Oliveira de Castro Dias
Impugnado: Coligação Coragem Para Fazer

RODRIGO OLIVEIRA DE CASTRO DIAS, brasileiro, solteiro,


candidato ao cargo de Deputado Distrital, portador da Carteira de Identidade
nº 2770759 SSP-DF, inscrito no CPF sob o nº 036.205.351-08, residente e
domiciliado à SHIGS 703 Bloco “H”, Casa 22, Asa Sul, Brasília-DF,
1
respeitosamente, por seu procurador legalmente constituído, vem à presença
de Vossa Excelência, propor

Ação de Impugnação ao Registro do Demonstrativo de Regularidade dos


Atos Partidários – DRAP – com pedido de tutela de urgência

em face da Coligação Coragem Para Fazer, supostamente formada pelos


partidos DEM/ PSDB/ DC/ PR, para a eleição majoritária, pelos motivos de
fato e de direito a seguir apresentados.
I. Da Tempestividade

O art. 38 da Resolução TSE nº 23.548/2017 dispõe sobre a


escolha e o registro de candidatos nas eleições de 2018, o seguinte:

Art. 38 Cabe a qualquer candidato, partido político, coligação


ou ao Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, contados
da publicação do edital relativo ao pedido de registro, impugná-
lo em petição fundamentada (Lei Complementar nº 64/1990,
art. 3º, caput).

No presente caso, o Edital nº 36 foi publicado no Diário de Justiça


Eletrônico 256 em 21.08.2018, de modo que o prazo fatal de 5 (cinco) dias
para impugnação se encerra somente em 26.08.2018, o que demonstra a
tempestividade da presente manifestação.

II. Dos Fatos

Trata-se de impugnação ao registro do demonstrativo de


regularidade dos atos partidários – DRAP da Coligação Coragem Para Fazer
(DEM, PSDB, PR e DC) em virtude de irregularidades na composição da 2

referida coligação.

Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a coligação


impugnada sofreu diversas alterações estruturais desde sua criação mesmo
após o período de convenções partidárias, que teve fim em 05 de agosto
de 2018.

Vejamos:

Na Convenção do DEM, ocorrida em 04 de agosto de 2018 – já


na véspera do fim do período de convenções definido pela Justiça Eleitoral –
formou-se coligação para cargos majoritários com os partidos PR, PSDB e DC
sob a nomenclatura “Coragem para Fazer”:

“[...] após discussão e sem manifestações contrárias os


convencionais também aprovaram, por unanimidade e
aclamação, a proposta; em sequência, foram propostos os
nomes das coligações: Majoritárias – ‘CORAGEM PARA
FAZER’, Proporcionais a Deputado Federal – ‘UNIÃO E FORÇA’
e Proporcionais a Deputado Distrital – ‘TODOS PELO DF’ [...]”.
Em 14 de agosto de 2018, ocorreu nova reunião da Comissão
Regional de Refundação com o fito de reformar a Coligação União e Força ante
a desistência do Democracia Cristã de participar da coligação:

“[...] o Presidente fazendo uso da palavra deu conhecimento a


todos dizendo que esta reunião tinha a função de tratar da
coligação a Deputados Federais, tendo em vista a desistência
do Partido Democracia Cristã de não mais permanecer coligado
aos partidos DEM, PSDB e PR [...]”.

Ao dia 19 DE AGOSTO, ainda, o DEM alterou o nome da


coligação de “Coragem para Fazer” para “Coragem e Respeito pelo Povo”,
já após o período eleitoral:

“[...] Às 09:00hs [sic] do dia 19 de agosto, na sede do Partido


Democratas, reuniram-se os presidentes do DEM, PR, PSDB e
DC, para RATIFICAREM o que informado no DRAP da Coligação
para Majoritários – ‘Coragem para Fazer’, confirmando todos
os candidatos informados no ato do registro de candidaturas
para os cargos de Governador, Vice-Governador, 1º e 2º
Senadores com seus respectivos Suplentes, Representantes e
Delegados. Decidiram, também RETIFICAR o nome da 3
Coligação de ‘Coragem para Fazer’ para ‘Coragem e
Respeito pelo Povo’ [...]”.

A alteração do nome após o período eleitoral é tão flagrante, que na


ata do PSDB do dia 14 de agosto de 2018, esclarece-se que “b) O nome da
Coligação Majoritária Distrital é: Coragem para Fazer”. O PSDB, inclusive,
nem mesmo publicou nova ata onde faz constar a alteração do nome da
Coligação.

O PR, em 04 de agosto de 2018, aprovou, à unanimidade, a


formação de coligação majoritária com o PSDB, DEM e DC em coligação que
também recebeu o nome “Coragem para Fazer”. Nenhuma outra ata foi
registrada após o período convencional.

O DC, por sua vez, em convenção realizada em 02 de agosto de


2018, não delibera a formação de qualquer coligação, não indicando,
também, candidatos aos cargos majoritários, mas tão somente para
Deputados Distritais e Federais:
“[...] Tendo em vista as possíveis coligações e diante desses
fatos, a executiva fica autorizada a definir
posteriormente a melhor coligação para que a
Democracia Cristã - DC/DF possa obter êxito neste pleito
de 2018. A depender de como caminharemos, coligando
com um ou mais partidos, poderemos acomodar todos os
nossos pré-candidatos ou não. A homologação será definida
utilizando os critérios apresentados pelo partido na reunião
realizada no dia 16 de maio de 2018. Ficou deliberado que a
executiva poderá retirar ou acrescentar nomes a atual lista
podendo ser alterado de Deputados Distritais para Federal e
ViceVersa para ajustar o número de vagas, assinar e celebrar
coligações proporcionais e ou majoritárias através de
protocolos de intenções eleitorais. A chapa que foi apresentada,
foi baseada em debates anteriores e solicitações dos filiados.
A escolha dos números de alguns candidatos já estão
definidos, ficou claro que poderá ser alterado até a data
limite do envio do pedido de registro. São eles os pré-
candidatos a Deputados Distritais (Nome- CPF-Título de
Eleitor e Número): CARLOS ALBERTO NUNES DA CUNHA CPF:
459.650.057-68 TE 014344392046 Nº 27000, DENISE
PERCIANO LINS CPF: 443302271-34 TE 001867562038 Nº
27289, FELLIPE PASSOS DOS SANTOS CPF: 049.947.201-26
TE 024010542054 N.27321, FLAVIO PIKANA LEMOS CPF: 4
788.979.128-34 TE 000540972089 Nº 27061, FRANCISCO
JOAO PINTO DA SILVA CPF: 240.970.553-72 TE
004250411597 Nº 27997, GILSON FERREIRA DE LIMA
CPF358.752.241-34 TE 039714421007 Nº 27120, IRENE
TEODORO MOREIRA DE MORAIS CPF 150.902.641-04 TE
004110782011 Nº 27001, IVAN CANDIDO DE MORAES CPF:
929.023.320-68 TE: 057549430655 N. 27777, IVANI
APARECIDA DA SILVA CPF: 822.845.121-00 TE
010862112003 Nº 27890, JOSIVALDO FEITOSA DA SILVA
CPF: 373.932.514-34 TE 003368212011 Nº 27100, JUSCELIA
LUISA DE OLIVEIRA CPF: 418.115.501-34 TE 010925612097
Nº 27277, KALEBE CARLOS PIMENTEL DE OLIVEIRA CPF:
048.401.621-07 TE 024449522003 Nº 27277, MAICON
CARVALHO COSTA CPF: 008.339.431-11 TE: 019286702089
Nº 27567, NILSON DA SILVA PIRES CPF: 118.877.021-72 TE
007210862089 Nº 27127, ROBERT JOSE MIRANDA LIMA CPF:
116.993.881-72 TE 004073522054 Nº 27444, RODGER
ROBERTO ALVES DE SOUSA CPF: 95839860115 TE
017960022097 Nº 27400, ROGERIO VIEIRA DA SILVA CPF
583.998.951-72 TE 010687192003 Nº 27234, RONALDO
PEREIRA DE ARAUJO CPF: 868.980.001-87 TE
033581651074 Nº 27027, VINICIUS AVELINO SAMPAIO
OLIVEIRA CPF: 605.644.661-15 TE 030220831015 Nº 27888
e WESLEY MOURA CPF: 702.814.161-68 TE 016449122062
Nº 27123 e Pré Candidatos a Deputados Federais: JOEL
OLIVEIRA AMARAL CPF: 299.201.407-91 TE 016021172070
N.º 2792, SERGIO FERNANDES FERREIRA CPF: 037.810.821-
21 TE 020204252062 Nº 2727, VIRGILIO MACEDO DE SOUZA
176.263.404-00 TE 13014092097 Nº 2777 e ARNOLDO LIMA
DA SILVA FILHO CPF: 131.82.1008-90 TE 033587440728 Nº
2700. E por fim ficou deliberado que havendo
necessidade a executiva poderá avaliar algum fato novo
que por ventura venha a surgir, deliberar também sobre
assuntos eventualmente omisso nessa convenção e
adotar as providências que forem necessárias para o
perfeito andamento do processo eleitoral. Nada mais
havendo a tratar a Presidente convocou a todos para juntos
fazermos uma campanha limpa e chegarmos a vitória, após
aprovada, esta ata vai assinada pela Senhora Presidente,
membros da executiva, demais presentes [...]”

Deste breve apanhado, verifica-se que:

a) o Democracia Cristã não deliberou pela formação de


qualquer coligação, nem mesmo indicando apoio ao
candidato majoritário ao Governo do Distrito Federal João
Alberto Fraga, como os demais partidos pertencentes à 5
coligação;

b) não se tem certeza quanto à nomenclatura conferida


à coligação, uma vez que apenas o DEM deliberou – e após
o período convencional, frise-se – pela alteração do nome,
passando de “Coragem para Fazer” para “Coragem e Respeito
pelo Povo”.

Em verdade, além de todas as divergências apontadas que trazem


insegurança para o processo eleitoral, percebe-se o flagrante desrespeito às
normas de regência pela inobservância dos prazos convencionais, o que
certamente desequilibra o pleito.

Assim, diante das irregularidades apresentadas, deve-se


determinar que a Coligação Coragem e Respeito pelo Povo adote sua
primeira e devida nomenclatura, bem como exclua o Democracia Cristã
da coligação.
III. Do Direito

A. Do cabimento da impugnação

A impugnação ao DRAP é o meio adequado para discutir assuntos


relacionados aos atos partidários, vez que a própria jurisprudência eleitoral
admite o cabimento desta ação, como se vê do julgado abaixo colacionado:

ELEIÇÕES 2010. REGISTRO DE CANDIDATO. ELEIÇÃO


PROPORCIONAL. DEPUTADO ESTADUAL. COLIGAÇÃO.
IMPUGNAÇÃO. DRAP. INADEQUAÇÃO. REGULARIDADE DOS
ATOS PARTIDÁRIOS. COLIGAÇÃO HABILITADA.
REGULARIDADE DA COLIGAÇÃO. ALEGADA AUSÊNCIA DE
QUITAÇÃO ELEITORAL. MULTA ELEITORAL. REQUERIMENTO
DE PARCELAMENTO DOS DÉBITOS ANTERIOR AO REGISTRO
DE CANDIDATURA. PAGAMENTO ANTERIOR AO
JULGAMENTO DO PROCESSO DE REGISTRO DE
CANDIDATURA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO
SUPERVENIENTE. ENVIO DE LISTA DEFILIADOS SEM
QUITAÇÃO ELEITORAL PARA OS PARTIDOS POLÍTICOS
RELATIVOS. OBRIGATORIEDADE. DISPONIBILIZAÇÃO PELO
SIASTEMA FILIWEB. INSUFICIÊNCIA PARA O ATENDIMENTO
DA OBRIGAÇÃO. PLENO EXERCÍCIO DOS DIREITOS 6
POLÍTICOS. CONDIÇÃO DE ELEGIBILIDADE ATENDIDA.
CUMPRIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS.
DEFERIMENTO DO PEDIDO.
1. A impugnação do DRAP deve ser feita nos seus
próprios autos e não nos autos do processo de registro
de candidatura.
2. Na hipótese, embora haja inadequação da impugnação, uma
vez que questiona regularidade de atos partidários no pedido
individual de registro, verifica-se decisão proferida no bojo do
processo principal (DRAP), adequando a coligação ao que foi
deliberado nas convenções ocorridas no dia 30 de junho de
2010.
3. Constatada a perda do objeto da AIRC, impõe-se o seu
indeferimento, ao passo em que se defere o pedido de registro
do candidato quando comprovada, por documentação hábil, a
existência das condições de elegibilidade e a inexistência de
causas de inelegibilidade, nos termos da Constituição Federal,
da Lei no 9.504/1997 e Resolução-TSE no 23.221/2010. 4.
Havendo quitação da multa antes do julgamento do pedido de
registro, considerando ainda a razoável presunção de
desconhecimento de sua existência, deve ser mantido o registro
de candidatura do recorrido. 5. Cumpridas as formalidades
legais e apresentados os documentos elencados na Lei nº
9.504/97 e Resolução TSE no 23.221/2010, impõe-se o
deferimento do pedido de registro da candidatura, com a
variação e o número pleiteados. [grifo nosso]

Além disso, é evidente o INTERESSE PÚBLICO na presente


controvérsia, tendo em vista que a formação de coligação partidária possui
como finalidade o lançamento de candidatos para as eleições com o objetivo
de representar os eleitores no Poderes Executivo e Legislativo.

Portanto, é evidente o cabimento de impugnação ao DRAP, a qual,


uma vez julgada procedente, terá o condão de promover alterações nos moldes
da coligação que fora apresentada.

B. Da Violação ao art. 8º da Resolução/TSE n. 23.548/17 e art. 8º da


Lei n. 9.504/97. Deliberação sobre coligações fora do período legal.
Alteração do nome da coligação.

Determina o art. 8º da Lei das Eleições – Lei n. 9.504/97 que:

Art. 8º A escolha dos candidatos pelos partidos e a deliberação


7
sobre coligações deverão ser feitas no período de 20 de
julho a 5 de agosto do ano em que se realizarem as
eleições, lavrando-se a respectiva ata em livro aberto,
rubricado pela Justiça Eleitoral, publicada em vinte e quatro
horas em qualquer meio de comunicação. (Redação dada pela
Lei nº 13.165, de 2015)

A Res. 23.548/17, que dispõe sobre a escolha e o registro de


candidatos para as eleições de 2018, em seu art. 8º, dispõe que:

Art. 8º A escolha de candidatos pelos partidos políticos e


a deliberação sobre coligações deverão ser feitas no
período de 20 de julho a 5 de agosto do ano em que se
realizarem as eleições, obedecidas as normas estabelecidas
no estatuto partidário, lavrando-se a respectiva ata e a lista de
presença em livro aberto e rubricado pela Justiça Eleitoral.

Verifica-se, assim, que o prazo para realização de convenções e


deliberação quanto à formação de coligações iniciou-se em 20 de julho e teve
termo em 05 de agosto do presente ano, período em que os partidos tinham
autonomia e liberdade para delimitarem seus anseios eleitorais, decidindo por
coligações, sua eventual nomenclatura e os candidatos a serem lançados.

Primeira irregularidade – Escolha de nome da coligação


impugnada

Inicialmente, importante ressaltar que as agremiações


irregularmente coligadas escolheram como nome da coligação “Coragem para
Fazer”, o que não corresponde ao nome identificado no DRAP identificado.

No entanto, apenas o Partido Democratas deliberou em 19 de


agosto e, portanto, já fora do período eleitoral, pela alteração do nome
da coligação, acabou por ofender o art. 8º da Lei n. 9.504/97 e o art. 8º
da Res/TSE n. 23.548/17, na medida em que alterou de forma
substanciosa a própria coligação.

E não apenas, como se houvesse sobreposição de partidos dentro


de uma mesma coligação, decidiu, de forma isolada, pela alteração da
nomenclatura, passando de “Coragem para Fazer” para “Coragem e Respeito 8

pelo Povo”.

Reitere-se que nenhum dos demais partidos deliberou e aprovou


a alteração no nome da coligação, conforme se verifica das atas apresentas à
Justiça Eleitoral, sejam elas tempestivas ou não.

Sabe-se que não se trata de uma alteração trivial. O nome da


coligação é importante elemento na propaganda eleitoral, capaz de criar
sentimentos diversos no eleitorado e servir como uma marca, um símbolo das
propostas dos candidatos que disputam o pleito sob sua denominação.

Importa que, após o dia 05 de agosto de 2018, não se poderia


realizar qualquer alteração nas coligações firmadas, sob pena de se ofender
a isonomia e o equilíbrio no pleito. Autorizar tais alterações fora do período
permitido pela legislação seria chancelar a indevida concessão de prazo extra
para que as agremiações pudessem discutir suas alianças eleitorais, punindo
aqueles que cumprem as balizas temporais da escolha em convenção.
Ademais, nem mesmo se pode entender que a alteração da
nomenclatura da coligação tenha sido aprovada por todos os partidos
coligados, uma vez que tal alteração só consta de uma ata registrada
perante a Justiça Eleitoral, editada pelo Democratas e, novamente, após
o período legal para alteração da forma das coligações.

Ora, essa é justamente a orientação do Ministério Público


Eleitoral, conforme se verifica da notícia divulgada no endereço institucional
do Parquet, senão vejamos:

25 DE JULHO DE 2018 ÀS 17H24 – MP Eleitoral orienta


partidos a definirem coligações até 5 de agosto:
Coligações que não forem definidas no prazo das
convenções podem ser impugnadas
Por conta da alteração legislativa promovida pela Lei
13.165/2015, o MP Eleitoral no Espírito Santo orienta aos
partidos políticos que escolham os candidatos e definam as
coligações até o dia 5 de agosto para as Eleições de 2018.
A ata de convenção tem que ser lavrada em livro aberto e
rubricada pela Justiça Eleitoral, além de ser entregue ao TRE
até o dia seguinte à convenção. “Antes da alteração legislativa 9
não havia formalidade. Na prática, a ata podia ser lavrada no
último dia do prazo de registro com data retroativa ao último
dia do prazo das convenções, e era muito difícil provar que
aquela decisão não tinha sido tomada naquele dia. Agora, se
na ata publicada não houver a decisão sobre a coligação e for
feito um registro de uma coligação proporcional, toda a
coligação pode ser impugnada”, explica a procuradora regional
Eleitoral no Espírito Santo, Nadja Machado Botelho.
O MP Eleitoral esclarece que a coligação pode ser acordada em
um documento separado da convenção partidária, em especial
para os partidos que já fizeram as convenções e delegaram a
deliberação sobre as coligações para a executiva ou outro
órgão. “O importante é que o documento deliberando sobre as
coligações seja assinado até o dia 5 de agosto e seja
apresentado à Justiça Eleitoral até o dia seguinte da realização
do evento”, destaca a procuradora.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Espírito Santo
E-mail: pres-ascom@mpf.mp.br
Telefone: (27) 3211-6444 / 3211-6489
www.twitter.com/MPF_ES
Verdade é que a escolha da nomenclatura da coligação faz parte do
próprio processo de convenção e, sua alteração após o período eleitoral traduz
a realização de uma nova deliberação totalmente diversa da anterior, não se
podendo entender como uma simples retificação.

Em caso muito similar, oriundo de Maranguape/CE, o TRE-CE


decidiu, nos autos do Recurso Eleitoral n. 333-07.2016.6.06.0004, rel. Juíza
Joriza Magalhães Pinheiro, que o DRAP deve ser indeferido quando a
convenção partidária for realizada intempestivamente, em acórdão assim
ementado:

RECURSO ELEITORAL. ELEIÇÕES 2016. REGISTRO DE


CANDIDATURA. DRAP. CONVENÇÃO REALIZADA APÓS O
PRAZO PERMITIDO PELO ART. 8º DA LEI Nº 9.504/97.
RECURSO NÃO PROVIDO. DRAP INDEFERIDO.
1. O art. 8º, caput, da Lei nº 9.504/97 (art. 8º da Resolução
TSE n.º 23.455/2015) estabelece que as convenções
partidárias deverão ser realizadas no periodo de 20 de julho a
5 de agosto para as eleições municipais de 2016.
2. In casu, na segunda deliberação do partido 10
recorrente, datada de 12 de agosto, não ocorreu simples
retificação da convenção anterior, realizada em 5 de
agosto, mas sim nova convenção, ante a completa
mudança de estratégia do partido nas eleições de 2016,
que decidiu concorrer isoladamente, indicando novos
candidatos, ao invés de manter a coligação que,
inicialmente, fazia parte.
3. A deliberação do órgão nacional para anular convenção
partidária municipal, fundada no art. 7º da Lei nº 9.504/97
(art. 10 da Res. TSE nº 23.455/15) deve obedecer os ditames
legais e estatutários.
4. As questões internas dos partido políticos podem ser
apreciadas pela Justiça Eleitoral, desde que tenham reflexos
diretos no processo eleitoral.
5. O DRAP deve ser indeferido quando a convenção partidária
for realizada intempestivamente, após 5 de agosto de 2016.
6. Recurso conhecido e não provido.
(RECURSO ELEITORAL nº 33307, Acórdão nº 33307 de
12/09/2016, Relator(a) JORIZA MAGALHÃES PINHEIRO,
Publicação: PSESS - Publicado em Sessão, Data 12/9/2016 )
Naquele caso, o partido impugnado teria se coligado dentro do
período eleitoral com outras quatro agremiações, mas não teriam deliberado
pela escolha de candidaturas.

Em período posterior às convenções, foi retificada a ata da


convenção do referido partido impugnado para que lançasse candidatura
própria, o que estaria supostamente em consonância com a ata da convenção
ocorrida dentro do prazo legal, que teria disposto que “o preenchimento das
vagas remanescentes, inclusão, exclusão ou substituição das chapas
proporcionais e/ou candidatos, ficará a cargo da Executiva Municipal”,
entendendo que não teria havido nova convenção, mas mera retificação da
primeira convenção.

Ali, a Justiça Eleitoral entendeu que a alteração da forma de


concorrência ao pleito não poderia ser encarada como uma simples
retificação, mas “nova convenção partidária”, em “mudança completa no
panorama do partido em relação às eleições”.
11
Ressaltou, ainda, que os partidos possuíam tempo hábil (de vinte
dias naquela eleição) para discutir possíveis alianças e deliberarem, em
convenção, como dispor sobre as coligações e a escolha de candidatos.

Ora, a concessão de prazo maior a determinada agremiação para a


deliberação quanto às coligações ofende de forma cabal a isonomia entre os
partidos políticos e compromete a própria legitimidade das eleições. Assim
entendeu o col. TSE nos autos do Respe n. 30.584, rel. Min. Felix Fischer,
oriundo de Monte Sião/MG:

RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. REGISTRO DE


CANDIDATURA. ELEIÇÕES 2008. ESCOLHA DE CANDIDATO.
CONVENÇÃO EXTEMPORÂNEA. AUSÊNCIA DE DELEGAÇÃO
DOS CONVENCIONAIS. CONCESSÃO DE PRAZO
DIFERENCIADO. LEGITIMIDADE DAS ELEIÇÕES. RECURSO
PROVIDO.
1. As convenções destinadas à escolha dos candidatos e
a deliberações acerca da formação de coligações devem
ocorrer no período compreendido entre 10 e 30 de junho do
ano em que se realizam as eleições. (Art. 8º, caput, da Lei nº
9.504/97).
2. É admissível que a convenção delegue à Comissão Executiva
ou a outro órgão partidário a efetiva formação de coligação ou
a escolha de candidatos, o que poderá ocorrer até o prazo
previsto no art. 11 da Lei nº 9.504/97, a saber, 5 de julho.
Precedente: RO nº 1329, Rel. Min. Gerardo Grossi, publicado
em sessão em 24 de outubro de 2006.
3. In casu, inexistiu delegação dos convencionais ao órgão
partidário municipal para a escolha posterior dos candidatos.
A extemporaneidade da convenção deveu-se à inadimplência
dos filiados para com o partido político, posteriormente
relevada para possibilitar realização de nova convenção, já
fora do prazo.
4. A concessão de prazo maior a determinada
agremiação partidária para a escolha de candidatos
fere a isonomia entre os partidos políticos e compromete
a legitimidade das eleições.
Recurso especial provido.
(Recurso Especial Eleitoral nº 30584, Acórdão de 22/09/2008,
Relator(a) Min. FELIX FISCHER, Publicação: PSESS - Publicado
em Sessão, Data 22/09/2008 RJTSE - Revista de
jurisprudência do TSE, Volume 19, Tomo 4, Página 259 )
12
Tratando de convenção supostamente retificadora, mas que
teria alterado a estrutura da escolha dos candidatos, o col. TSE assentou
que o prazo para convenção é peremptório, não comportando dilação.

Esclareceu, ainda, que os prazos estão previstos na legislação


vigente, não se podendo conferir tratamento privilegiado a determinado
partido cuja convenção realizou-se após o prazo legal, uma vez que “na
medida em que se confere prazo diferenciado a determinada agremiação
partidária para a escolha dos candidatos, quebra-se a isonomia entre os
partidos políticos. Este tratamento, em última análise, implica o
comprometimento da legitimidade do processo eleitoral”.

O precedente é aplicável à presente impugnação. Na medida em


que se possibilita alterar pontos sensíveis da estrutura da coligação após o
dia 05 de agosto de 2018, período estabelecido como marco para realização
das deliberações partidárias, se permite que determinado partido quebre a
isonomia do pleito, comprometendo a própria legitimidade do processo
eleitoral.

O Democratas, assim, jamais poderia ter deliberado, ao dia 19 de


agosto, pela alteração do nome da coligação, seja por estar fora do período
para tais escolhas, seja por tê-lo feito de forma isolada, sem o apoio dos
demais partidos que compõem a chapa.

Sabe-se que, uma vez coligado, os partidos políticos somente


podem agir de forma isolada para questionar a validade da própria coligação,
conforme entendimento mais que pacificado:

ELEIÇÕES 2016. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO


ESPECIAL. REGISTRO. CANDIDATO A VICE-PREFEITO.
ILEGITIMIDADE ATIVA DE PARTIDO POLÍTICO COLIGADO
PARA AGIR DE FORMA ISOLADA DURANTE O PROCESSO
ELEITORAL.
1. O agravante não atacou os fundamentos da decisão
agravada de que no caso incidiriam as Súmulas 27, 28 e 30
desta Corte Superior. Inviabilidade do agravo, a teor da
Súmula 26/TSE. 13
2. Na linha da jurisprudência do Tribunal Superior
Eleitoral, o partido político coligado não tem
legitimidade para atuar de forma isolada no processo
eleitoral, exceto se a impugnação tiver como objeto o
questionamento da validade da própria coligação, o que
não é o caso dos autos.
3. "Fulminada a impugnação ante o fato de haver sido
formalizada por parte ilegítima, descabe o aproveitamento dos
dados dela constantes para, de ofício, indeferir-se o registro"
(REspe 235-78, red. para o acórdão Min. Marco Aurélio, PSESS
em 21.10.2004).
Agravo regimental a que se nega provimento.
(Agravo Regimental em Recurso Especial Eleitoral nº 3997,
Acórdão de 07/02/2017, Relator(a) Min. HENRIQUE NEVES
DA SILVA, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo
32, Data 14/02/2017, Página 94-95 )

No mesmo sentido, o art. 6º da Res. 23.548/2017 esclarece que:

Art. 6º A coligação terá denominação própria, que poderá ser a


junção de todas as siglas dos partidos políticos que a integram,
sendo a ela atribuídas as prerrogativas e obrigações de partido
político no que se refere ao processo eleitoral, devendo
funcionar como um só partido político no
relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato dos
interesses interpartidários (Lei nº 9.504/1997, art. 6º, §
1º).
§ 1º A denominação da coligação não poderá coincidir, incluir
ou fazer referência a nome ou a número de candidato, nem
conter pedido de voto para partido político (Lei nº 9.504/1997,
art. 6º, § 1º-A).
§ 2º A Justiça Eleitoral decidirá sobre denominações idênticas
de coligações, observadas, no que couber, as regras constantes
desta resolução relativas à homonímia de candidatos.
§ 3º O partido político coligado somente possui
legitimidade para atuar de forma isolada no processo
eleitoral quando questionar a validade da própria
coligação, durante o período compreendido entre a data
da convenção e o termo final do prazo para a
impugnação do registro de candidatos (Lei nº
9.504/1997, art. 6º, § 4º).

Sabendo que o período de registro teve fim em 15 de agosto de


2018, conforme resolução n. 23.555/2017, que trata do calendário eleitoral
de 2018, o Democratas já estava formalmente coligado, já havia apresentado
14
seu registro de demonstração de regularidade dos atos partidários, não
possuindo mais legitimidade para atuar de forma isolada:

O TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, no uso das atribuições


que lhe conferem o art. 23, IX, do Código Eleitoral e o art. 105
da Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997, RESOLVE expedir
a seguinte instrução:
Art. 1º Fica estabelecido o Calendário Eleitoral das
Eleições 2018 de acordo com o Anexo desta resolução.
[...]
Anexo: [...]
15 de agosto — quarta-feira
1. Último dia para os partidos políticos e as coligações
apresentarem no Tribunal Superior Eleitoral, até as 19
horas, o requerimento de registro de candidatos a
Presidente e a Vice-Presidente da República (Lei nº
9.504/1997, art. 11, caput).
2. Último dia para os partidos políticos e as coligações
apresentarem nos tribunais regionais eleitorais, até as
19 horas, o requerimento de registro de candidatos a
Governador e Vice-Governador, Senador e respectivos
suplentes, Deputado Federal e Deputado Estadual ou
Distrital (Lei nº 9.504/1997, art. 11, caput).
3. Último dia para os partidos e as coligações que
enviaram os pedidos de registro via internet, pelo
Sistema Candex, apresentarem, até as 19 horas, os
documentos relativos ao pedido, gravados em mídia, nos
respectivos tribunais eleitorais.
4. Data a partir da qual permanecerão abertas aos sábados,
domingos e feriados as secretarias dos tribunais eleitorais,
devendo os prazos processuais relativos aos feitos eleitorais
ser contínuos e peremptórios (Lei Complementar nº 64/1990,
art. 16).
5. Último dia para os tribunais e conselhos de contas tornarem
disponível à Justiça Eleitoral relação daqueles que tiveram
suas contas relativas ao exercício de cargos ou funções
públicas rejeitadas por irregularidade insanável e por decisão
irrecorrível do órgão competente, ressalvados os casos em que
a questão estiver sendo submetida à apreciação do Poder
Judiciário, ou em que haja sentença judicial favorável ao
interessado (Lei nº 9.504/1997, art. 11, § 5º).
6. Data a partir da qual, até a proclamação dos eleitos, as
intimações das decisões serão publicadas em secretaria,
certificando-se no edital e nos autos o horário, salvo nas
representações a que se referem os arts. 23, 30-A, 41-A, 73,
74, 75 e 77 da Lei nº 9.504/1997, cujas decisões continuarão
a ser publicadas no Diário da Justiça Eletrônico. 15
7. Data a partir da qual, até a diplomação dos eleitos, a citação
do candidato, do partido político ou da coligação será
encaminhada, preferencialmente, para um dos meios de
comunicação eletrônica previamente cadastrados no pedido de
registro de candidatura, iniciando-se o prazo na data de
entrega da mensagem.
8. Data a partir da qual, até a diplomação dos eleitos, a
publicação dos atos judiciais será realizada em mural
eletrônico, disponível no sítio do respectivo tribunal, com o
registro do horário da publicação, e os acórdãos serão
publicados em sessão de julgamento.
9. Data a partir da qual, até a diplomação dos eleitos, o
Ministério Público será intimado das decisões e dos despachos
por meio eletrônico e, dos acórdãos, em sessão de julgamento,
quando nela forem publicados.
10. Data a partir da qual, até 24 de agosto de 2018, os
tribunais eleitorais convocarão os partidos políticos e a
representação das emissoras de televisão e de rádio para a
elaboração de plano de mídia para uso da parcela do horário
eleitoral gratuito a que tenham direito, assim como para
realizar o sorteio para escolha da ordem de veiculação da
propaganda em rede (Lei nº 9.504/1997, art. 52).
11. Último dia para o Tribunal Superior Eleitoral divulgar
comunicados, boletins e instruções ao eleitorado, em até 10
(dez) minutos diários requisitados das emissoras de rádio e de
televisão, contínuos ou não, que poderão ser somados e usados
em dias espaçados, podendo ceder, a seu juízo, parte desse
tempo para utilização por tribunal regional eleitoral (Lei nº
9.504/1997, art. 93).
12. Último dia para o juiz eleitoral decidir sobre as reclamações
relativas à composição das mesas receptoras de votos e de
justificativas e dos eleitores nomeados para apoio logístico (Lei
nº 9.504/1997, art. 63, caput).
13. Último dia para o juiz eleitoral decidir sobre as reclamações
relativas às designações dos locais de votação (Código
Eleitoral, art. 135, § 7º).
14. Data-limite para que os partidos providenciem a abertura
de conta bancária específica destinadas à movimentação de
recursos públicos e privados para a campanha eleitoral, na
Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil ou em outra
instituição financeira com carteira comercial reconhecida pelo
Banco Central do Brasil.

Contudo, quando alterou o nome da coligação sem o registro de


atas dos demais partidos coligados, atuou de forma isolada, como se fosse um 16
partido coordenador da coligação, o que não se pode entender como crível.

Por todas estas razões, requer seja julgada procedente a presente


impugnação para se determinar a adoção do correto nome da coligação
(devidamente escolhido em convenção pelas agremiações partidárias
integrantes da ora impugnada), vedando sua alteração, uma vez que ocorrida
após o período legal e mediante demonstração de vontade de apenas um
partido coligado.

C. Ausência de deliberação do Partido da Democracia Cristã quanto à


formalização de coligação. Violação ao art. 3º e 4º da Resolução/TSE n.
23.548/17 e art. 17, §1º, da CF.

Conforme se verifica dos autos, o Partido da Democracia Cristã


registrou duas atas, uma em 02 de agosto de 2018 e outra em 14 de agosto
de 2018.
Na primeira assentada, a referida convenção partidária declarou
que “a executiva fica autorizada a definir posteriormente a melhor coligação
para que a Democracia Cristã - DC/DF possa obter êxito neste pleito de 2018”.

Portanto, não firmou coligação majoritária e não indicou os


partidos políticos que fariam parte da coligação.

Posteriormente, tratou apenas de escolher e nominar seus


candidatos aos cargos de deputados Distrital e Federal.

Em 14 de agosto de 2018, ainda no período legal convencional, a


ordem do dia se resumiu a retificar seus candidatos à Câmara Federal,
declarando que não se coligaria para tal cargo, muito embora nunca tivesse
se coligado:

“[...] Ordem do dia: Escolher os candidatos do partido aos


cargos de Deputado Federal que sairão sem coligação. E
deliberar sobre diretrizes políticas a serem seguidas a nível do
Distrito Federal. A Presidente iniciou citando a importância de
ultrapassar a cláusula de barreira a dificuldade financeira 17
para os desafios do pleito de 2018, dentre outros. Ficou
definido os candidatos a Deputado Federal e também os
respectivos números de campanha. Os nomes aprovados
foram definidos utilizando os critérios apresentados
pelo partido na reunião realizada no dia 16 de maio de
2018. São eles os Candidatos a Deputado Federal (Nome- CPF-
Título de Eleitor e Número): CARLOS ALBERTO NUNES DA
CUNHA CPF: 459.650.057- 68 TE 0143443920-46 Nº 2700,
MARIA DO SOCORRO SILVA CPF:34299380397 TE:
009775152038 N. 2711 DENISE PERCIANO LINS CPF:
443302271-34 TE 001867562038 Nº 2789, FELLIPE PASSOS
DOS SANTOS CPF: 049.947.201-26 TE 024010542054
N.2772, FLAVIO PIKANA LEMOS CPF: 788.979.128-34 TE
000540972089 Nº 2706, FRANCISCO JOAO PINTO DA SILVA
CPF: 240.970.553-72 TE 004250411597 Nº 2799, GILSON
FERREIRA DE LIMA CPF358.752.241- 34 TE 039714421007
Nº 2712, JOSIVALDO FEITOSA DA SILVA CPF: 373.932.514-
34 TE 003368212011 Nº 2710, JUSCELIA LUISA DE OLIVEIRA
CPF: 418.115.501-34 TE 010925612097 Nº 2714, MAICON
CARVALHO COSTA CPF: 008.339.431-11 TE: 019286702089
Nº 2756, NILSON DA SILVA PIRES CPF: 118.877.021-72 TE
007210862089 Nº 2728, RODGER ROBERTO ALVES DE
SOUSA CPF 958.398.601.15 TE 017960022097 Nº 2740,
JOEL OLIVEIRA AMARAL CPF 299.201.407-91 TE
016021172070 N.º 2792, VIRGILIO MACEDO DE SOUZA
176.263.404-00 TE 13014092097 Nº 2727. Nada mais
havendo a tratar [...]”.

Ora, incluir o Partido da Democracia Cristã na Coligação aqui


impugnada fere o próprio direito da agremiação de não se coligar, já que assim
não deliberou.

Os arts. 3º e 4º da Res. 23.548/2017 esclarecem que é assegurada


a autonomia dos partidos para escolher suas coligações:

Art. 3º É assegurada aos partidos políticos autonomia


para adotar os critérios de escolha e o regime de suas
coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação
entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual ou
distrital (Constituição Federal, art. 17, § 1º).
Art. 4º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma
circunscrição, celebrar coligações para eleição majoritária,
proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso,
formar-se mais de uma coligação para a eleição proporcional
dentre os partidos que integram a coligação para o pleito
majoritário (Lei nº 9.504/1997, art. 6º, caput). 18

Coligar-se ou não é sempre uma faculdade do partido. E não


poderia ser diferente, já que a Constituição Federal, em seu art. 17, §1º,
assegura aos partidos políticos autonomia para definição de sua estrutura e
estabelecimento de regras para realização de coligações:

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de


partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime
democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da
pessoa humana e observados os seguintes preceitos: [...]
§ 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para
definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre
escolha, formação e duração de seus órgãos
permanentes e provisórios e sobre sua organização e
funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o
regime de suas coligações nas eleições majoritárias, vedada
a sua celebração nas eleições proporcionais, sem
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em
âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus
estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade
partidária (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 97,
de 2017).
É evidente que, não tendo se coligado, a Democracia Cristã não
pode participar da coligação aqui impugnada, sob pena de se quebrar a
isonomia do processo eleitoral e ofender à própria independência do partido,
permitindo que outras siglas imponham que se estejam juntos com a
coligação.

E não se diga que se estaria pleiteando direito alheio em nome


próprio. Aqui, muito embora os partidos políticos sejam pessoas jurídicas de
direito privado, o INTERESSE PÚBLICO é evidente, na medida em que não se
trata mais de uma suposta simples questão interna corporis, mas de evidente
fiscalização e higidez do processo eleitoral.

Assim, requer seja julgada procedente a impugnação para se


excluir o Partido da Democracia Cristã da Coligação “Coragem Para
Fazer”, uma vez que não deliberou por se coligar.

IV. Da concessão da tutela de urgência antecipada em caráter


antecedente 19

O art. 300 do Código de Processo Civil, aplicável de forma


subsidiária ao processo eleitoral, autoriza a concessão de tutela de urgência
quando presentes dois elementos: a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou risco ao resultado útil do processo.

Para tanto, verifica-se que a Probabilidade do Direito se


demonstra por tudo quanto exposto nesta impugnação, onde se demonstrou
que 1) o Democratas alterou, de forma isolada, o nome de toda uma
coligação, sem que tivesse poderes para tanto e, mais ainda, fora do
período de convenção (em 19 de agosto de 2018), ofendendo a isonomia e
a higidez do pleito.

Ressalta-se que o prazo para realização de convenção é


peremptório, não comportando qualquer hipótese de dilação, não sendo
possível entender pela possibilidade de alteração das coligações após o dia 05
de agosto de 2018.
Aceitar qualquer manobra neste sentido importa em trazer
desequilíbrio ao pleito, beneficiando partido que foge ao prazo legal para
coligar-se, ganhando mais tempo para negociações políticas.

Além disto, 2) o Partido da Democracia Cristã jamais fez parte


da coligação Coragem Para Fazer, uma vez que nunca deliberou por
integrar tais planos eleitorais, não sendo possível entender por sua
permanência no pleito majoritário do Distrito Federal.

Da mesma forma, o perigo de dano ou risco ao resultado útil do


processo se demonstra pela possibilidade de, até o julgamento final desta
impugnação, a coligação impugnada se beneficiar de tempo de rádio e TV,
fundo partidário e realização de propaganda irregular.

Veja que a exclusão do Democracia Cristã da coligação certamente


impactará nos valores a serem recebidos em Fundo Partidário/Especial, o que
certamente influenciará a disputa das eleições majoritárias Distritais.

Na mesma via, o tempo de rádio e TV certamente é acrescido pela 20

presença do Democracia Cristã na coligação, mesmo que em poucos


segundos, o que trará vantagem ilegal ao impugnado.

Além disto, a Res./TSE n. 23.551/2017, em seu art. 6º e 7º,


esclarece que a propaganda eleitoral deverá fazer constar sempre a legenda
partidária e, quando coligados os partidos, a sigla de todos os partidos
pertencentes à coligação deve ser exibida, bem como o nome da coligação:

Art. 6º A propaganda, qualquer que seja sua forma ou


modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e
só poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar
meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na
opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais
(Código Eleitoral, art. 242, e Lei nº 10.436/2002, arts. 1º e 2º).
§ 1º Sem prejuízo do processo e das penas cominadas, a
Justiça Eleitoral adotará medidas para impedir ou fazer cessar
imediatamente a propaganda realizada com infração do
disposto neste artigo (Código Eleitoral, art. 242, parágrafo
único).
§ 2º Sem prejuízo das sanções pecuniárias específicas, os atos
de propaganda eleitoral que importem em abuso do poder
econômico, abuso do poder político ou uso indevido dos meios
de comunicação social, independentemente do momento de
sua realização ou verificação, poderão ser examinados na
forma e para os fins previstos no art. 22 da Lei Complementar
nº 64, de 18 de maio de 1990.
Art. 7º Na propaganda para eleição majoritária, a coligação
usará, obrigatoriamente, sob a sua denominação, as
legendas de todos os partidos políticos que a integram;
na propaganda para eleição proporcional, cada partido político
usará apenas a sua legenda sob o nome da coligação (Lei nº
9.504/1997, art. 6º, § 2º).
Parágrafo único. A denominação da coligação não poderá
coincidir, incluir ou fazer referência a nome ou a número de
candidato, nem conter pedido de voto para partido político (Lei
nº 9.504/1997, art. 6º, § 1º-A).

A irregularidade contida na ata da convenção do Democratas, que


contaminou todo o DRAP da Coligação, acaso não concedida a tutela de
urgência, terá o condão de permitir que os impugnados realizem propaganda
irregular de campanha, que mencionará sempre o nome indevido da coligação
– “Coragem e Respeito pelo Povo” –, bem como que incluam dentre as siglas
21
partidárias o Partido da Democracia Cristã, que efetivamente não se coligou
para o cargo majoritário.

Em caso recentíssimo semelhante, nos autos do DRAP 0601402-


33, rel. Desembargador Waldir Leôncio Júnior, neste e. TRE-DF, determinada
agremiação teve seu registro impugnado em razão de não ter constituído
comissão provisória do partido político de acordo com previsões
estatutárias e constitucionais; a assembleia ter sido presidida por
tesoureiro e o DRAP subscrito por delegado não cadastrado em sistema
próprio; a inobservância ao percentual mínimo de gênero.

Naqueles autos, entendeu-se que o perigo de dano ou risco ao


resultado útil do processo se demonstra pela extrema agilidade da Justiça
Eleitoral, “seja em razão da exiguidade dos prazos (encurtados pelo legislador),
seja em função da possibilidade de início de arrecadação de recurso e
realização de despesas com a mera protocolização do pedido de registro”.
Ressaltou, ainda, que “o erário poderá sofrer prejuízos com a
destinação de recursos públicos com o lançamento de candidaturas que, ao
menos em sede de cognição sumária, aparentam estar irregulares”, tendo em
vista que o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de
Campanha são destinados a todas as agremiações partidárias.

Quanto à probabilidade do direito, entendeu-se que os vícios de


representação e convenção seriam suficientes para ensejar a “suspensão de
seu direito de realizar a campanha eleitoral, seja arrecadando recursos ou
realizando despesas, bem como a divulgação por meio da propaganda eleitoral.
Neste sentido, a constituição irregular da comissão provisória, a ausência de
anotação válida do partido no momento da convenção partidária, as
irregularidades formais do DRAP e da convenção, e a não observância do
percentual mínimo de candidaturas por sexo são fundamentos suficientes a
ensejar o deferimento da liminar requerida”.

Assim, com base em tais argumentos, deferiu-se pedido de medida


22
liminar para determinar “a) a suspensão de utilização do horário gratuito
eleitoral no rádio e na TV por parte dos candidatos da agremiação impugnada;
b) suspensão de realização de despesas com recursos do Fundo Partidário e do
Fundo Especial de Financiamento de Campanha por parte desses candidatos;
c) que seja depositados conta bancária judicial o montante a que se refere o
item anterior, caso já disponibilizados aos candidatos e à agremiação regional”.

No mesmo sentido, a impugnação apresentada nos autos do RRC


0600294-77.2018.6.14.0000, que tramita perante o eg. Tribunal Regional
Eleitoral do Estado do Pará, de rel. do Juiz Federal Arthur Pinheiro Chaves,
teve prolatada decisão que deferiu, em parte, a tutela de urgência formulada
para impedir o repasse da verba dos fundos de financiamento de campanha
e partidário.

Ali, tratou-se de impugnar candidato que apresentou registro de


candidatura, muito embora estivesse inelegível em virtude de condenação
criminal transitada em julgado.
Entendeu-se presente o perigo de dano “na possibilidade de
utilização por parte de um candidato, cuja candidatura apresenta óbice de
inelegibilidade patente e de improvável afastamento, de uso indevido de
recursos públicos em sua campanha, acarretando um perigo de dano
irreversível aos fundos citados”.

Ora, os casos são em tudo semelhante aos presentes autos. As


irregularidades constantes neste DRAP são insanáveis, tendo em vista a
ausência de formalização da coligação devidamente dentro do prazo
peremptório assinalado pela legislação de regência, que teve fim em 05 de
agosto de 2018.

O Partido da Democracia Cristã jamais se manifestou no sentido


de pertencer a determinada coligação com o PSDB, o PR e o DEM. Neste
sentido, jamais poderia ser tido como membro da coligação aqui impugnada,
não sendo possível o recebimento de sua quota do Fundo Partidário e do
Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
23
No mesmo sentido, a utilização do tempo da Democracia Cristã no
horário gratuito eleitoral no rádio e na TV fica comprometido pela ausência
de anuência em coligar-se, devendo ser recalculado o tempo concedido por
aquela agremiação aos ora impugnados.

Desta forma, ciente de que é uma medida perfunctória, precária,


requer seja concedida a tutela de urgência antecipada em caráter
antecedente, inaudita altera pars, para que a) se recalcule o tempo de TV e
Rádio da coligação impugnada, excluindo o tempo do Democracia Cristã do
cálculo, uma vez que efetivamente não se coligou com o DEM/PSDB/PR; b)
se determine a cessação da divulgação de propaganda eleitoral que titule a
coligação como “Coragem e Respeito pelo Povo”, bem como, nas propagandas
realizadas sob o nome real da coligação – “Coragem para Fazer”, se exclua a
sigla do Democracia Cristã.
V. Dos Pedidos

Por todo o exposto, requer seja concedida a tutela de urgência


antecipada em caráter antecedente, inaudita altera pars, para que a) se
recalcule o tempo de TV e Rádio da coligação impugnada, excluindo o tempo
do Democracia Cristã do cálculo, uma vez que efetivamente não se coligou
com o DEM/PSDB/PR; b) se determine a cessação da divulgação de
propaganda eleitoral que titule a coligação como “Coragem e Respeito pelo
Povo”, bem como, nas propagandas realizadas sob o nome real da coligação –
“Coragem para Fazer”, se exclua a sigla do Democracia Cristã.

Requer ainda a citação da coligação impugnada, através de seu


representante, para, querendo, apresentar defesa no prazo legal.

Requer a notificação do representante ministerial para atuar no


feito na condição de fiscal da lei.

No mérito, confirmada eventual tutela de urgência anteriormente


concedida, requer seja recebida e julgada procedente a presente impugnação, 24

para 1) determinar que a coligação impugnada adote como nomenclatura


“Coragem para Fazer”, sendo impedida de divulgar a nomenclatura ilegal de
“Coragem e Respeito pelo Povo”; 2) exclua o Democracia Cristã dos partidos
coligados, uma vez que jamais deliberou pela formação de qualquer coligação,
como se pode verificar das atas registradas perante a Justiça Eleitoral de suas
convenções.

Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos,


em especial através da documentação acostada ao DRAP impugnado.

Pede Deferimento
Brasília-DF, 26 de agosto de 2018

assinado digitalmente
Tiago T. Vasconcelos
OAB/DF 29.395