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LUCIO FLÁVIO, O PASSAGEIRO DA AGONIA, de Hector Babenco

Cinema: the representation of journalist in Lúcio Flávio, o passageiro da agonia

Lisandro Nogueira
Prof. Dr. do Curso de Comunicação da UFG
E-maii: lisandro@cultura.com.br

Resumo:

A representação do jornalista nos filmes brasileiros dos anos 60 difere dos newpapersmoviesamericanos
da época. Nos filmes Boca de Ouro (62), O desafío(65) e Terra em Transe (67) o jornalista não é herói e
nem vilão, descartando-se o melodrama como estratégia narrativa. A partir dos anos 70, esse olhar crítico
se esvai e ganha corpo o filme dejornalista atrelado ao modelo americano. Lúcio Flávio, o passageiro da
agonia é exemplo de uma nova maneira de representar o jornalista no cinema brasileiro.
Palavras-chave: cinema e jornalismo, filmes de jornalista, jornalista, filme brasileiro.

O filme de Hector Babenco, Lúcio (1969). Nelson Pereira, com o suporte de
Flávio, o passageiro da agonia (1976), é Nelson Rodrigues, perpetra uma crítica
simbólico ao retratar o crepúsculo de uma ao jornalismo é atravessa um olhar duro
representação do jornalista ancorada no sobre a nascente indústria cultural. As
contexto dos anos 60. Há uma mudança misturas entre o intelectual e o jornalista
no contexto, a partir dos anos 70, que povoam o filme de Saraceni e abrem o
desloca a relação dos cineastas com o abismo para a definitiva palavra de Paulo
"diagnóstico da nação", preceito básico Martins, em Terra em Transe (Glauber
que os orientava na compreensão do R o c h a ) , s o b r e as p o s s i b i l i d a d e s de
processo político do Brasil. O jornalista intervenção desse profissional/intelectual
foi personagem fundamental para o na vida do Brasil. O pessimismo delirante
d i a g n ó s t i c o , pois simbolizava as de Martins ecoa de forma melancólica nas
contradições, as ambigüidades e as décadas seguintes, em filmes como Lúcio
desilusões. Flávio, o passageiro da agonia (1977), O
A representação do jornalista nos beijo no asfalto (1981) e Doces Poderes
filmes brasileiros dos anos 60 destoava dos (1996).
newspapers movies americanos, O jornalista do filme de Hector
complacentes com o melodrama e Babenco é atrelado às vontades do regime
vinculados à idéia maniqueísta do bem militar; o jornalista do filme de Bruno
contra o mal (o herói e o vilão). O Barreto é um escroque, em conluio com
personagem jornalista ecoava sentimentos a polícia civil. A jornalista de Doces
e atitudes presentes na vida social. Era Poderes é rendida numa guerra em que a
desvinculado de u m a representação publicidade e o marketing vencem o
superficial, como na maioria dos filmes jornalismo.
americanos sobre jornalistas, mas atado a O s dois primeiros filmes são
um projeto de construção estética e crítica passagens para se chegar aos anos 90,
política. Além do projeto de intervenção, quando se confirma outra configuração
alguns criticavam e faziam também um para o jornalista. Lúcio Flávio vai exibir
diagnóstico por dentro da profissão e seus um jornalista sem força de intervenção,
conceitos. ou sequer de reflexão. N o passado, o
Boca de ouro (1962) faz uma ironia c i n e m a brasileiro a c o m p a n h a o
incisiva sobre a objetividade jornalística; movimento de Caveirinha e sua derrota
O Desafio ( 1 9 6 5 ) mostra a "inércia ante a decisiva f u g a de Guigui dos
perplexa" do jornalista-intelectual, usando holofotes que queriam celebrizá-la por
(alas redundantes e imagens primorosas instantes {Boca de Ouro); Marcelo, o
para chegar ao cinismo absoluto do angustiado de Saraceni, se vê trancafiado,
repórter- fotográfico de Brasil Ano 2000 m a s e m o l d u r a um m o v i m e n t o no

Lisandro Nogueira. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia
Comunicação e Informação, V 7, n° 2: pág 212 - 217. - jul./dez. 2004.

sua amante. Se os filmes passam jornalista pela sua inserção na indústria a buscar um público amplo. em que a autonomia é o carro-chefe. . O u aparece c o m o u m escroque. Sérgio Saraceni e Walter Lima Jr. até os anos sessenta. O cineasta faz filmes o romance-reportagem de José Louzeiro. O s segundos.217. Nelson Pereira representar os problemas brasileiros. mas u m cineasta acoplado a um jornalista que tentando assegurar novas maneiras de esperneia ante os entraves. aqui é o dramaturgo não privilegiar as orientações de u m que usa Caveirinha para destilar também cinema profundamente autoral. O a auto-imolação por ser um jornalista e caminho é o retorno às fórmulas que fazer a crítica da sua profissão. 2004. a partir dos anos 70. Fazendo uma crônica dos tempos m o d e r n o s . Porém. O eixo. O filme descrédito e o ressentimento permeiam parte dos depoimentos dele a um a relação e acabam sendo levados para o jornalista. . O j o r n a l i s t a vai perdendo a identidade nos filmes a partir dos anos 7 0 . de todo o modo. e Nelson Rodrigues são inclementes com fazem a opção de não repetir o passado e Caveirinha. jornalista representado não é o mesmo. a imbricação das Lúcio Flávio. contexto externo. caso de O beijo no asfalto. o inimigo da sociedade e um demagogo. n° 2: pág 2 . contradições. tanto L i m a coloca seu fotógrafo c o m o u m a do cinema quanto a do jornalismo. Há. tem sua vida representada. como em Um céu de estrelas e Como nascem os anjos. o qual representa suas O cinema brasileiro que comporta angústias. V 7. m a s cineasta faz filmes tendo o jornalista fazendo uma crítica desesperada ante a como protagonista visando se espelhar queda de sonhos e projetos. Saraceni renderam o acesso ao grande público. Hector Babenco. Bruno Barreto e Lúcia Murat se filiam a u m cinema mais preocupado com a comunicação rápida com o público do que c o m u m a f o r m a e u m conteúdo crítico. ou ainda como adjunto do "espetáculo da mídia". bandido famoso nos anos duas figuras. idealizado. Se Nelson Pereira. é de sem configurar um m o v i m e n t o . o 70. projeto de um cinema brasileiro distante Lisandro Nogueira. são filiados a um cinema de autor. passa a impasses. Sua história é transportada para interior dos filmes. desejo já cultural c o m o u m o p o r t u n i s t a . tem uma extrema compaixão por Marcelo Esses filmes vão espelhar um novo e vê toda u m a geração de jornalistas período de refiuxo da possibilidade de refletidos naquele personagem. Lúcio Flávio. para acreditar e desacreditar o jornalista. contraponto a Ada. baseado na peça homônima de Nelson Rodrigues. u m manifestado no final dos anos 60. O jornalista cético e a t a b a l h o a d o . Walter identidades mínimas na indústria. em que a inveja. dificuldades e o jornalista. que estimula um ou N o s anos 7 0 . o passageiro da agonia Comunicação e ComunicaçãoeInformação. D e acordo com Xavier (1993)./dez. o c i n e m a se e s p e l h a no jornalismo. em Doces Poderes. importava aos primeiros ir além das estruturas dramáticas da consolação e produzir conhecimento. no narrador.jul. e dela chegam ao Essa dualidade é temperada pelo cinema com Hector Babenco. O u m e s m o para criticar o inverter as posições. um escritor-jornalista. concretiza-se o outro procedimento. O filme tem inquietações e se assombra com o m o m e n t o p o l í t i c o .

A fase das experiências e o diagnóstico da pessoal. d e c o n t a s c o m o regime. dedicaram uma abordagem sentimento nacional. no cinema. tenta esmiuçar "conspiração exterior" contra a virtude brasileira. As N a ânsia pela aceitação imediata do público. procuram abordar o coercitivo. o passageiro da agonia Comunicação e Informação. por uma pedagogia que não tenta sociais). para algo mais familiar e imediato. Babenco vai livro. especialmente filmes anteriores. C o m o herói. Ver também de restituir criticamente o descalabro de um intrigas que têm os seus problemas. onde impera o vício. para Babenco. Ao fazer a opção pelo acerto permitem ao cinema dar conta encargos políticos. feitos pelo d o ligação com temas que possam valorizar o muito difíceis de solucionar. tenta "encontrar o povo em nome na luta contra o mal. um cardápio de Henry James e Balzac. com base. no e a sua engrenagem. avalizada particular.217. Nesse e sim uma particularidade. Daí um diagnóstico que. meio dela. A visada de Babenco é a revelando. e não Imagination de Peter Brooks. H á um intuito de reforçar uma econômica mostraram-se por ora diagnósticos do passado.25) afirma que s e n t i d o d a verificação de uma flerta com o beneplácito do público. de sua contribuição [Griffith] está na e o jornalista-fotógrafo é aquele que interrompe o ciclo buliçoso e ousado da elaboração de estratégias que denuncia cinicamente. em que derrota foram estampados por Paulo os pedaços do foguete são simbolizados pelas Martins. categoria. p. Se Paulo Martins. a exaltação da "verdade privada". V 7. questionamentos mais complexos. 1993). o filme. a partir da visão do receptor. pois no pós-modernismo "questões mais particularidade. entre outros. o Uma moral privada vai se debater narrado pelos afetos e pela vida nome afetivo e íntimo de Lúcio Flávio. A contra uma mentira pública. . u s a n d o a dessas estruturas narrativas". da ebulição do Cinema Novo. foguete de Brasil Ano 2000. Babenco tenta fazer o diagnóstico de narrativas da consolação sempre o "policial-polítíco" engendra uma trama em um período difícil e procura colocar os estiveram presentes na literatura e que os pressupostos estéticos da década dispositivos paramilitares em visibilidade. pois os política. trazer à tona uma verdade escondida na delicado e propício ao diagnóstico figura de Noquinha (Reginaldo Farias). avalia o Governo militar por limites do melodrama no Brasil vai se debater todo o tempo contra o sistema mostrar a impunidade dos policiais e indica passa pela análise atenta de Ismail Xavier. Mas o naquele momento. N ã o é mais um a valorização do "individual" diante do clássico estudo The Melodramatic diagnóstico da totalidade que está em jogo. O foguete é o melodrama. permite caminhar no cinema brasileiro. já ' Eagleton (1998. como o de Borelli & Lopes o preço pago por u m projeto nacional sincera do herói. pois irrompe na Brasil e aponta seus significados beleza" (Mainieri. 2002). uma história pessoal e. de tentar equilibrar o desterro e o apego ao Babenco erige a possibilidade de um regime. A escolha por esse tipo anterior são jogados no baú de ossos. 2004. ressonância do a virtude. em Terra em com o público por meio da expiação do bem Recepção.jul. para demonstrar as optar pelo procedimento grifittiano verdade privada (Xavier. restou a fuga ou figuras lúgubres dos policiais corruptos a adesão. O projeto enxerga a política como fórum para o agora é ganhar o público de forma simpática estabelecimento da verdade. Babenco faz do estrutura da narração a atenuação do importantes (entre todas as classes seu herói a encarnação da verdade do conflito. a justiça e a empreitada se faz presente. íntima revela um ser amoroso. Capuzo (1999) que. dono de uma do indivíduo contra o sistema policial da sinceridade que causa emparia e o destaca época: cativa pela "sinceridade honesta" de 2 A discussão sobre a história e os como herói. o malogro da atualização do melodrama feito no do qual se legitimaria a verdade. 0 estudo valoriza a Transe. n° 2: pág 212 . ao contrário. examinando as entranhas desse vitimização2 e comunicado-se rapidamente melodrama pelo viés da Teoria da regime. por seu projeto não é mais o de alavancar a abstratas de estado./dez. íntima. diagnóstico eficaz dos anos 70. . contra um sistema podre. Sua vida truculenta. mundo externo. mais sensível e particular". Lúcio armadilhas a que estão sujeitos os indivíduos era uma maneira de tentar "ganhar" Flávio. ao seu modo. O herói de Louzeiro e Babenco Lúcio Flávio. sem partir para podemos desviar nossa atenção corajosa tanto na forma como no conteúdo. Lúcio Flávio é e tentar concorrer com os filmes americanos. oprimido em outro viés. a queda. ao quando afirma que "a importância símbolo de um projeto que não se sustenta privilegiar a forma de base griffitiana. o fracasso. Porém. Babenco vai caminhar no sentido chancelados pelos militares. procura fazer um diagnóstico do experiência com a forma e a conexão com a modo de produção e justiça p a í s 1 . É um sintoma de um periodo em que oposição será entre a mentira pública e a inclusive pela imprensa. faz a escolha e o estatuto fundador de narrativa acompanha o contexto O que importa. vai lutar contra as forças d e s c a r t a d o s por u m a engrenagem o público e fazer a fotografia dos que o levam ao declínio e à morte. Estratégia delicada. bandido. As intenções revelam a batalha percalços da nação. O vigor d o cinema brasileiro. Paulo Martins a mínima abordagem racional. projeto abortado simbolicamente no Seu filme esbarra nos limites do defende Griffith e o melodrama. abusando dos signos da (2002). com ênfase. Lúcio Flávio. Para o jornalista. naquele momento. Brooks (1985) aborda o fracasso do projeto do país verificado nos construindo um novo diagnóstico do país e gênero na literatura. é da linguagem em Griffith volta a vigorar da época do filme: coercitivo. Recentes estudos sobre a telenovela Lúcio Flávio. sem assumir os década anterior. sempre cinema. 214 Lisandro Nogueira.

N o momento arma de artimanhas da língua e da malícia em que Lúcio Flávio é preso pela polícia. ele tenta agredir o repórter. que jornalista. Trancafiado pelos Lisandro Nogueira. ouve mecanicamente o delegado juiz de um atrito doméstico. Não ganhou o prêmio Esso dominar praticamente todo o jornalismo e a psicologia. e faz a repórter não perde o estímulo com a pergunta: "Você está consciente de estar sinuosidade da história: entra num jogo. Sua participação insípida garante Janice não tem um Caveirinha que se a objetividade jornalística. o passageiro da agonia 215 Comunicação e Informação. . Janice corre do agente de informação. é cristalino da objetividade que passa a memorável. autonomia diante do que possa vir a ser contida nas teses sobre jornalismo. o repórter informa o permanecem no nível do jornalismo que desconhece dos bastidores do crime declaratório. 2004. não sem alma e ousadia. . propõe ser lado. N ã o há um encaminhamento não se mostrou eficaz. no perplexa" faz ouvir sua voz.217. os dois no senado da checagem da notícia. Seu é elemento secundário (ver adiante m o v i m e n t o indica algum grau de comentário sobre a recepção no Brasil. performance é a de quem não tem e outros cinegrafistas gravam a cena. A câmera posta-se a ser submetido aos ditames do marketing dentro do carro e vemos Janice correndo e das relações públicas no processo de com a criança na infrutífera tentativa de comunicação. para se contrapor. Porém. Em Lúcio Flávio. com a linguagem e a imagem fotográfica. pois a manipula e repórter e vai ao encontro do marido. os quais não que se instaura nas intervenções do precisam mais dos seus serviços. Por outro burla a intimidade do casal. sem Babenco representa um jornalista apurar os fatos. É o exemplo e tenta subtrair a notícia. Marcelo é porque o ama e por ser ele mais íntegro protagonista e mesmo na sua "inércia que muitos. O repórter de televisão alcançar o olhar desesperançado do aparece de f o r m a objetiva. Com um bebê nas mãos. o repórter. Lúcio Flávio. mulher do bandido. na verdade. e m i t e u m a perde com a desistência de Guigui em "opinião" rasa. Guigui vai levando a o repórter entrevista Janice (Ana Maria notícia para o ponto que deseja. O recorte da representação do foi realizado pelo bando de Lúcio Flávio. É requer uma maior ação da polícia". mas p r i n c i p a l m e n t e o ouve de forma mecânica os "dois lados" e Rodrigues. o jornalismo passam a informação falsa. no notícia. enganado. Essa emite opinião. clichê: "A população fazer parte do espetáculo da notícia. sequer refaz o círculo da reportagem. pois dá alguma margem ao atrevimento e não há o menor grau de investigação. Caveirinha tinha um nome e melodramático: ela está ao lado dele uma mínima identidade. é infantilmente num jogo de forças em que utilizada e se utiliza de Caveirinha. o jornalista cena antevê o espetáculo da notícia. sentido de realçar a família e a intimidade fotográfico de Brasil Ano 2000 é um pura do herói injustiçado. jornalista é sintomático do encontro entre É o Esquadrão da Morte. nova arma do jornalismo. Aparece s e m p r e na organizado. Vale tudo pela notícia. Caveirinha seguida às entrevistas. brasileiro. insiste impresso cede lugar ao j o r n a l i s m o com Janice que responde com o efeito televisivo. junto com um criminoso?". Ele ousadia de Caveirinha. Em e um pouco de autonomia.jul. V 7. jornalista de redação impressa. invade o lar para saber como foi o assalto./dez. acredita na "verdade" da polícia. ludibriado e a cena de fracasso. o furo de típico de um jornalista que sequer age reportagem. Por fim. O assalto. com começa seu processo de coadjuvante na a hegemonia do telejornalismo sobre o progressiva mutação que leva o jornalismo jornalismo impresso. Sua marido. O Magalhães). Ela sabe da sedução do repórter livro Sobre a televisão de Pierre Bourdieu). Seu c o m e n t á r i o é o exemplo em pleno centro do Rio de Janeiro. c o m p a n h i a da polícia e se p o s t a G u i g u i . Nos anos 70. Ele N e l s o n s . junto com a abordagem atenuante e a objetividade alguns grupos da polícia. Mas com a perspicácia de Caveirinha. Seu há espaço ainda para a nuance do repórter movimento e fala são burocráticos. Antes. autonomia e as intervenções que faz Espetáculo armado. em Boca de ouro. n° 2: pág 212 .

o jornalismo assume sua Brasil. poder da mídia. rigores da censura e pela embrionária para fazer perguntas imbecis". o manejo do É ela q u e f o r n e c e a certidão de atualizações e renovações tanto na filme. Tudo apesar de matar. mas acontece que a massa jornalismo para legitimar uma ação da ODcmodo Mundo. pelo qual tem tragédia. descrê e fecha com Rodrigues: O casamentos Toda o delírio: tem nome). o governo militar. ele morre (Rocha. ironizado e elevado a formas "mentira pública". Mesmo nas telenovelas contribui para esse tipo de papel a ser este o pressiona. e despreza a narrativa linear. sabendo. São filmes em que o melodrama é evidenciar a 'verdade íntima" contra uma de Glauber Rocha. 3 O uso do conceito de melodrama cineasta julga necessários. as p e r g u n t a s i n g ê n u a s . C o m esse poder. Ele abortado no início dos anos noventa. questão da escolha e os seus resultados. procedimento c o m o n o m e l o d r a m a 3 de matriz No fundo ele despreza o povo. é complexa. seu poder de na coletiva. ele responde "heroicamente" que "seria Mesmo ambíguo. roubar e compartilhar a sobre a minha mãe e Fale com Ela. Financiada 4 em grande q u e essa c o r p o r a ç ã o participou parte pelo Estado. responde para os jornalistas: entrevistador burocrático a apoiar o sbow 'Vocês acreditam no que publicam os melodramático de Janice. Lúcio Flávio cerca-se d o tendo como marco simbólico a novela espontâneo. . se posta contra o bandido o cineasta emprega o recurso da alegoria do qual a sociedade quer se ver li vre. o cinema de completamente objetivas. houve a tentativa de desempenhado pelo jornalismo. quando a imprensa é filmes Atame. critica.217. Faz um acordo com a acolhimento da objetividade veio facilitar Polícia Federal para não desnudar esse a união de interesses entre as empresas e aparelho policial. Daí a pergunta sobre quanto já tinha roubado. adere. Aparentemente. A uma lhe os caminhos para a invenção. Ele suas adaptações de Nelson bigode (o jornalista de Lúcio Flávio não hesita. No fim da 4 Sobre a questão do envolvimento corrompida pelo sistema. O recurso da objetividade cria objetividade bisonha: fala em nome do as condições para o jornalismo escorar u m povo que clama por mais segurança. C o m o imprensa (Bucci. Na Europa. O u seja. e seus nudez será castigada Nesses filmes. a Edifica-se um mecanismo na linguagem convida automaticamente a fatura recai sobre o jornalista e u m a jornalística para dar conta da "mentira lembrança do cinema norte. o jornalista de Terra em um pouco mais que os jornais te pagam Transe aposta na febre da dúvida e se 216 Lisandro Nogueira. da qual não se sabe se pública" narrada pelos jornais e televisões./dez. O mundo dos jornalistas (Travancas. assume posição quixotesca. Mas. A revolução não estoura qual emerge a verdade do personagem. seguindo a cartilha griffitiana. À outra indústria de televisão que direciona a indagação sobre quantas vezes fugiu da notícia para o espetáculo. a imprensa dos anos ativamente dos problemas com o 7 0 j á não tem a mesma desenvoltura Esquadrão da Morte.jul. resta um pálido cadeia. o passageiro da agonia Comunicação e Informação. entre imprensa. repórter de televisão. intervenção é mais elástico.. e sempre coadjuvante. para não dizer algumas superficialmente afoitas e outras autônomo. contudo. Lúcio Flávio. A responsabilidade M a r t i n s vive o i m p a s s e d o aval ao mais sofisticadas de narrativa. Nele. Resta-lhe a jornais?". é no confiabilidade entre o poder oficial e o Europa como no Brasil e até mesmo sentido de camuflar responsabilidades. . o exemplo é Arnaldo Jabor COT vítima recai sobre o jornalista de óculos e total ambigüidade perante o poder. o jornalista Paulo revisto. desde cedo. atualização do gênero. c o r r u p ç ã o d o a p a r e l h o p o l i c i a l . O jornalista ressalta e reforça essa Ideologia e técnica da notíaa (Lage. e Estado ver rancor. V 7. No final em ascender o herói ao papel de governo. o melodrama é íntoxicado de "exageros". quando ele a deseja e por isso ele Sua verdade se nutre da natureza bondosa. americano. n° 2: pág 212 . e os coloca na modernizado o suficiente. esconde quase todos os procedimentos de N o final da década de setenta. o exemplo erguer u m herói» reduto da verdade fica evidenciado nos momentos crucias clássico é Pedro Almodóvar com os de ação da polícia. mas gosta muito da brasileiras. 2004. De salto alto. fazem com que autor enaltece a figura do cineasta e abre- o tablado do mártir seja erguido. de Gilberto Braga. 1981). São acordos que o daquela d o início e meados dos anos 60. E m Terra em Transe. o cineasta poderes. a bastidores efetuados pelas empresas de i n d ú s t r i a d a i n f o r m a ç ã o j á tinha se informação e pelo Estado. 1993} e Sobre ética e Subjetividade no trabalho com a notícia. é sintonizada com uma identidade. isso nos EUA. acredita na massa como fenômeno a m e r i c a n a . A o herói e contribui para esconder outros optar por essa representação.corrupta polícia. colegas que participam da coletiva. e o conta do jornalista. Mas o gênero sofreu federal ou estadual. vitimização ao não escolher um pouco de Sua posição ambígua e quixotesca 1979] . Assim burguesia a serviço da qual ele está. N o plano narrativo. 2000). que levam personagens O jornalismo afeito à objetividade Coloca-se a serviço do Partido quando ao delírio.

Daí não haver espaço para a on. 1998. this approach extinguishes and ambigüidade de Paulo Martins. o passageiro da agonia is an desafio. os jornalistas em volta da mesa onde se Key words: Cinema and journalism. seu ódio tanto aos autênticos e sua complacência com o povo (Lúcio Flávio) quanto ignorante e covarde. the journalist is também um tipo de pensamento e neither a hero or a vilain. Isabel Siqueira. As ilusões do pós- autêntico é autêntico e hipócrita é modernismo. e as transe(1967) which discard melodrama as escolhas emolduram e corroboram a narrative technique. Lúcio Flávio possui. falsa neutralidade da . Lágrimas de luz. Nilson. Bucci. Glauber./dez. Revolução do Cinema Confirmando a destinação consoladora Novo. com a acuado pelos poderes. do bem contra o mal. . brazilian Babenco tem na mesa a Polícia Federal movie. São Paulo: Summus. Ismail. Eugênio. Rio de Janeiro: Embrafilme. posta a Polícia Federal e Lúcio Flávio. (Estado oficial). favorecia. Rio de e as perguntas reforçam a verdade que só Janeiro: Jorge Zahar. São os repórteres não emitem uma só palavra Paulo: Companhia das Letras. . Lúcio salva o seu Petrópolis: Vozes. In the films Boca de na qual as possibilidades de ousadia na Ouro(1962).217. as ousadias já não permitidas em Lúcio Flávio.19. From the 1970s opinião. quando ele aponta Brooks. 1981 do melodrama e seu apego à superfície Travancas. The Melodramatic para os dois policiais. Heitor. filme em atualizar o melodrama griffitiano Lage. Terry. o passageiro da agonia Comunicação e Informação. 2000 e a porta se fecha para se ouvir a última Capuzzo. Lúcio Flávio. medo e seu fascínio pelo poder. o bandido-herói (a vítima). O mundo dos dos fatos. a "saída de compromisso" Xavier. Sobre ética e imprensa. A escolha do tratamento da narrativa. Resta Lisandro Nogueira. O Desafio(1965) eTerra em forma e no conteúdo são limitadas. porque o que melodramática. 1993 sala. só resta aos policiais a saída da jornalistas. Assume-se uma narrativa same period. Rocha. sacramentando a escolha do Editor. desmascarando e Imagination. O contexto político da época objetividade jornalística. Belo frase em plano fechado: "Bandido é Horizonte: Editora UFMG. São Paulo: Revista USP. Ideologia e técnica da notícia. Peter. 1979 discurso e consegue a nossa simpatia. n° 2: pág 217 . exemple of a new way of portraying the A opção pela objetividade derrota journalist in the brazilian cinema. apesar do contexto The portraiture of the journalist in político desfavorável. os dois policiais corruptos (o Estado paralelo) e os jornalistas (o poder Bibliografias que constrói a "mentira pública"). 1997. V 7. a ousadia brazilian newspaper movies became more mesmo que derrotada de Caveirinha e a similar to the american model. 1993 deixar o herói salvo moralmente. que caracteriza um jornalista Federal e Civil). em parte. demonstram a brazilian movies of the' 1960s is different opção de um cineasta por um tipo de from that of newspaper movies of the representação. 1985 abrindo o jogo sujo do qual se beneficiou. A câmera passeia pelo rosto dos jornalistas Bourdieu.jul. Há ao jornalista dar o vida no delírio de Paulo Martins: seu suporte de "verdade". o enfoque da Abstract temática e a opção pela comunicação rápida com o público.sufoca com as incertezas suscitadas. Pierre. Sobre a televisão. Aforçae os limites da matriz de que nada vai acontecer. ou seja. 2004. e sua "opinião aos hipócritas (Polícia comprada". Ou melhor: Eagleton. newspaper movies. journalist. 1999 bandido e policia é polícia". interessava no plano narrativo já foi feito: n. Lúcio dualidade de forma e conteúdo de O Flávio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar hipócrita.