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Regimento interno da câmara
legislativa do Distrito Federal
CÓDIGO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR
REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
Aula 12 – Código de Ética e Decoro Parlamentar
Prof. José Willemann

SUMÁRIO
Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa do Distrito Federal..3
1. Introdução..............................................................................................9

2. Normas de Direito Material...................................................................... 11
2.1. Deveres Parlamentares (CEDP, art. 3º).................................................. 11
2.2. Condutas Vedadas............................................................................... 15

2.3. Atos Contrários à Ética e ao Decoro Parlamentar..................................... 16
2.4. Sistema de Sanções............................................................................ 20
3. Processo Disciplinar............................................................................... 31
3.1. Conceito e Natureza Jurídica................................................................. 31
3.2. Separação e Independência das Instâncias............................................. 31
3.3. Fases do Processo............................................................................... 33
3.4. Incidentes.......................................................................................... 47
3.5. Efeitos da Perda do Mandato................................................................. 50
3.6. Casuística.......................................................................................... 52
Glossário.................................................................................................. 59
Questões de Concurso................................................................................ 60
Gabarito................................................................................................... 72
Gabarito Comentado.................................................................................. 73
Bibliografia............................................................................................... 93
Sites Consultados...................................................................................... 94

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Aula 12 – Código de Ética e Decoro Parlamentar
Prof. José Willemann

JOSÉ WILLEMANN
Advogado e professor de Língua Portuguesa. Desde 1993, é Consultor
Legislativo na Câmara Legislativa, onde trabalha diretamente com o
processo legislativo do Distrito Federal e conhece, como poucos, os
procedimentos de elaboração das leis distritais.
Entre os muitos trabalhos que já fez, destacam-se a elaboração
da minuta do texto que se transformou no Regime Jurídico dos
Servidores Públicos do Distrito Federal (Lei Complementar n.
840/2011) e a elaboração da minuta do texto que se transformou na
Lei Complementar n. 13/1996, que disciplina a elaboração, redação,
alteração e consolidação das leis distritais.
Também exerceu inúmeras funções públicas, como Coordenador-
Chefe de Assuntos Legislativos no Governo do Distrito Federal, Chefe
de Gabinete de Deputado Distrital, Secretário-Executivo, Assessor
Parlamentar, ordenador de despesas, etc.
Sua experiência profissional, aliada com sua formação acadêmica, o
credencia para as aulas de Regimento Interno da Câmara Legislativa,
pois esse é o seu instrumento principal de trabalho no dia a dia da CLDF.

AULA XII
CÓDIGO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR DA CÂMARA
LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL
(Resolução n. 110/1996)

Nesta última aula, vamos ter como conteúdo o Código de Ética e Decoro Parla-

mentar, referido no art. 18 do Regimento Interno da Câmara Legislativa.

Essa matéria reveste-se de suma importância para os trabalhos de assessoria

na CLDF e vem sendo cobrada em muitos concursos públicos para as Casas Legisla-

tivas. Além disso, é matéria bastante explorada pelos meios de comunicação, nem

sempre com o olhar jurídico que sobre ela deve repousar.

Antes da aula, porém, vamos ler o texto do Código, aprovado pela Resolução n.

110/1996:
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RESOLUÇÃO N. 110, DE 17 DE MAIO DE 1996

Institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar dos Deputados Distritais à
Câmara Legislativa do Distrito Federal e cria a Comissão de Ética e Decoro
Parlamentar.

Faço saber que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou e eu, Presidente da
Câmara Legislativa do Distrito Federal, nos termos do art. 15, inciso II, alínea g, do Re-
gimento Interno, promulgo a seguinte Resolução:

DO CÓDIGO E DA COMISSÃO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Este Código regula a conduta ética e o decoro parlamentar dos Deputados Dis-
tritais à Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Art. 2º No exercício do mandato, o Deputado Distrital deve atender às prescrições
constitucionais, legais e regimentais, além das contidas neste Código, sujeitando-se aos
procedimentos e medidas disciplinares nele previstas.

CAPÍTULO II
DOS DEVERES E DAS VEDAÇÕES

Art. 3º São deveres fundamentais do Deputado:
I – honrar o compromisso firmado quando da investidura no mandato eletivo;
II – respeitar e defender a Constituição da República Federativa do Brasil, a Lei Orgânica
do Distrito Federal, as leis e o Estado Democrático de Direito;
III – empenhar-se na defesa dos interesses dos cidadãos;
IV – exercer o mandato, com respeito à vontade popular;
V – abster-se do uso das prerrogativas parlamentares para pleitear vantagens em pro-
veito próprio ou alheio;
VI – denunciar e combater o clientelismo, o empreguismo e a corrupção em todas as
suas formas;
VII – apresentar-se à Câmara durante as sessões legislativas ordinárias e extraordiná-
rias, participar das sessões do Plenário e das reuniões da Mesa Diretora, quando dela
fizer parte ou for convocado, e de comissão permanente ou temporária da qual seja
membro;
VIII – tratar as autoridades, os servidores da Câmara e demais cidadãos com respeito,
discrição e urbanidade compatível com a dignidade parlamentar;
IX – observar as regras de boa conduta, os preceitos deste Código e o Regimento In-
terno.

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Art. 4º É ainda dever do Deputado Distrital apresentar à Comissão de Ética e Decoro
Parlamentar da Câmara Legislativa do Distrito Federal o seguinte:
I – ao assumir o mandato e, no último ano da legislatura, a noventa dias das eleições,
declaração de bens, fontes de renda e passivos de sua própria responsabilidade, de seu
cônjuge ou companheiro;
II – ao assumir o mandato, declaração de atividades econômicas ou profissionais, atuais
ou anteriores, com a respectiva remuneração ou rendimento, incluídos quaisquer paga-
mentos que continuem a ser efetuados por antigo empregador.
Art. 5º É vedado ao Deputado Distrital:
I – desde a expedição do diploma:
a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa
pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público,
salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes;
b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que seja
demissível ad nutum, nas entidades constantes da alínea anterior;
II – desde a posse:
a) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de
contrato com pessoa jurídica de direito público ou nela exercer função remunerada;
b) ocupar cargo ou função de que seja demissível ad nutum nas entidades referidas no
inciso I, a;
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades referidas no inciso
I, a;
d) ser titular de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

CAPÍTULO III
DOS ATOS CONTRÁRIOS À ÉTICA E AO DECORO PARLAMENTAR

Art. 6º Constitui procedimento incompatível com a ética e o decoro parlamentar:
I – o abuso das prerrogativas institucionais, legais e regimentais;
II – a percepção de vantagens indevidas como doações, benefícios ou cortesias de em-
presas, grupos econômicos ou autoridades públicas;
III – o envolvimento com o crime;
IV – a embriaguez contumaz;
V – revelar conteúdo de debates ou deliberações que a Câmara Legislativa ou qualquer
de suas comissões hajam resolvido deva ficar secreto;
VI – utilizar-se de meios ou recursos da Câmara Legislativa em benefício pessoal ou
para atos estranhos ao mandato;
VII – retardar sem justificativa trâmite de processos administrativos ou de proposições
legislativas que estejam sob sua responsabilidade, ou deixar de praticá-lo;
VIII – fazer referências caluniosas a outro Deputado em debates, pronunciamentos ou
através dos meios de comunicação, ou usar em discursos palavras que firam o decoro;
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IX – incitar o público das sessões do Plenário, de forma a induzi-lo a tomar atitudes que
comprometam a incolumidade de parlamentares, de servidores ou de instalações físicas
da Câmara Legislativa;
X – perturbar a ordem das sessões do Plenário ou das reuniões da Mesa Diretora e das
comissões permanentes ou temporárias;
XI – praticar ofensas físicas ou morais a qualquer pessoa no edifício da Câmara ou
desacatar, por atos ou palavras, outro parlamentar, a Mesa ou Comissão e respectivos
presidentes;
XII – permitir, facilitar ou concorrer para que terceiros enriqueçam ilicitamente;
XIII – revelar informações e documentos oficiais de caráter reservado, de que tenha tido
conhecimento na forma regimental;
XIV – interferir de maneira a impedir o regular funcionamento dos trabalhos da Câmara
Legislativa ou de órgãos e entidades de outros Poderes;
XV – instigar populares, concorrendo para atos que desacatem ou agridam outros par-
lamentares.

CAPÍTULO IV
DA COMISSÃO DE ÉTICA E DECORO PARLAMENTAR1

Art. 7º (Artigo revogado pela Resolução n. 167, de 2000.)
Art. 8º (Artigo revogado pela Resolução n. 167, de 2000.)
Art. 9º (Artigo revogado pela Resolução n. 167, de 2000.)
Art. 10. (Artigo revogado pela Resolução n. 167, de 2000.)

CAPÍTULO V
DAS MEDIDAS DISCIPLINARES

Art. 11. O Deputado Distrital que infringir as regras deste Código, assegurado amplo
direito de defesa, está sujeito as seguintes medidas disciplinares:
I – advertência;
II – censura;
III – perda do mandato.
Art. 12. A advertência escrita será apreciada e, se for o caso, aplicada pela Comissão
de Ética e Decoro Parlamentar, após formulada representação contra Deputado Distrital
por qualquer parlamentar.
Art. 13. A censura escrita será apreciada e, se for o caso, aplicada pela Comissão de
Ética e Decoro Parlamentar, após formulada representação, por qualquer parlamentar,
contra Deputado Distrital que:
I – deixe de observar, salvo motivo justificado, os deveres inerentes ao mandato e os
preceitos a eles referidos no Regimento Interno;
II – perturbe a ordem das sessões ou das reuniões da Câmara Legislativa.
Art. 14. O Deputado Distrital será punido com a perda do mandato em caso de:
I – infração a quaisquer das proibições constitucionais referidas no art. 5º deste Código;
II – prática de quaisquer atos contrários à ética e ao decoro parlamentar capitulados no
art. 63 da Lei Orgânica do Distrito Federal.

1 Ver também Resolução nº 128, de 1997.
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CAPÍTULO VI
DO PROCESSO DISCIPLINAR

Art. 15. A perda do mandato será decidida pelo Plenário, em escrutínio secreto, após
acatada representação pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar e pela Comissão
de Constituição e Justiça, na forma prevista nos arts. 16 e 17, resguardado, em qual-
quer caso, o princípio da ampla defesa e observado o disposto no § 2º do art. 63 da Lei
Orgânica do Distrito Federal.
Parágrafo único. Quando se tratar de infração aos incisos III, IV e V do art. 63 da Lei
Orgânica, a sanção será aplicada de ofício pela Mesa, resguardado, em qualquer caso,
o princípio da ampla defesa.
Art. 16. A representação contra Deputado Distrital, que não poderá ser anônima, será
dirigida à Mesa Diretora e encaminhada à Corregedoria, para parecer prévio, e, após,
para a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamen-
tar, observado o disposto no artigo 17 deste código e nos arts. 18, 39, 50 e 67 do Regi-
mento Interno. (Artigo com a redação da Resolução n. 208, de 2004.)
Parágrafo único. O descumprimento dos prazos concedidos à Comissão de Defesa dos
Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar configura a infração prevista
no art. 6º, VII, do Código de Ética e Decoro Parlamentar.
Art. 17. Recebida a representação, a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar observa-
rá os seguintes procedimentos:
I – indicará, mediante sorteio, o relator;
II – oferecerá cópia da representação ao Deputado, que terá o prazo de trinta dias para
apresentação de defesa escrita e de provas;
III – esgotado o prazo sem apresentação de defesa, a Comissão de Ética e Decoro Par-
lamentar nomeará defensor dativo para oferecê-la no prazo de quinze dias;
IV – apresentada a defesa, a Comissão procederá às diligências e à instrução probatória
que entender necessárias, no prazo de trinta dias, prorrogáveis por igual período, findo
o qual proferirá parecer, no prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara Legislativa, em
que concluirá pela procedência ou pelo arquivamento da representação, oferecendo, na
primeira hipótese, o projeto de resolução de declaração de perda do mandato;
V – em caso de pena de perda do mandato, o parecer da Comissão de Ética e Decoro
Parlamentar será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça para, no prazo de
cinco sessões ordinárias da Câmara, proceder ao exame dos aspectos constitucionais,
legais e jurídicos;
VI – findo o prazo de que trata o inciso anterior, será o processo encaminhado à Mesa
Diretora e, lido em plenário, publicado no órgão oficial de divulgação da Câmara e distri-
buído em avulsos, será incluído na Ordem do Dia da sessão ordinária ou extraordinária
do dia subsequente.
Art. 18. É facultado ao Deputado Distrital, em qualquer fase do processo, constituir
advogado para sua defesa, sem prejuízo dos atos já praticados, não podendo tal direito
constituir motivo para reinício ou reabertura dos prazos esgotados.
Art. 19. (Artigo revogado pela Resolução n. 208, de 2004.)
Art. 20. Quando, no curso de uma discussão, o Deputado Distrital for acusado de ato

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que ofenda sua honorabilidade, poderá formular à Mesa Diretora pedido de apuração da
veracidade das acusações, observado o disposto nos arts. 39 e 50 do Regimento Inter-
no. (Artigo com a redação da Resolução n. 208, de 2004.)
Art. 21. O processo disciplinar regulamentado neste Código não será, em nenhuma
hipótese, interrompido pela renúncia do Deputado Distrital ao mandato nem serão eli-
didas pela renúncia as sanções aplicáveis ou seus efeitos.

CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 22. Nos casos em que a infringência das regras deste Código for imputada a De-
putado que exerça a presidência da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar ou da Co-
missão de Constituição e Justiça, os respectivos vice-presidentes assumirão as funções.
Parágrafo único. Nos casos em que a infringência das regras deste Código for imputada
a membro da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar ou da Comissão de Constituição
e Justiça, será convocado o suplente para deliberar sobre a matéria.
Art. 23. Este Código pode ser modificado por proposta de dois terços dos membros da
Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Parágrafo único. A proposta será discutida e votada em dois turnos, com interstício
mínimo de dez dias, e considerada aprovada se obtiver em ambos o voto da maioria
absoluta dos membros da Câmara Legislativa.
Art. 24. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 25. Revogam-se as disposições em contrário.

DISPOSIÇÃO TRANSITÓRIA

Artigo único. A primeira Comissão de Ética e Decoro Parlamentar será instalada em
20 de maio de 1996, e o primeiro mandato de seus membros se estenderá até 31 de
dezembro de 1996, observado o disposto no art. 9º desta Resolução.

Brasília, 17 de maio de 1996
DEPUTADO GERALDO MAGELA
Presidente

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1. Introdução

O Código de Ética e Decoro Parlamentar – CEDP – está umbilicalmente ligado ao

Regimento Interno da Câmara Legislativa. Ele contém normas de direito material

e normas de direito procedimental. As normas materiais do CEDP comportam um

conjunto de princípios, regras e vedações a serem observados pelo Deputado Dis-

trital no exercício do mandato. As normas procedimentais comportam as regras a

serem observadas na apuração das infrações às normas materiais.

O Código cuida da ética e do decoro, dois vocábulos que, embora contenham

conceitos difíceis de serem explicitados, podem ser conceituados conforme segue:

a) a ética pode ser entendida como um conjunto de preceitos e regras que

regulam um padrão de comportamento de ordem moral baseada em condutas co-

mumente aceitas pela comunidade, o que guarda certa conexão semântica com o

termo grego êthos, do qual deriva e que significa “modo de ser, caráter, costume”.

b) o decoro, por sua vez, pode ser compreendido como um conjunto de precei-

tos e regras que regulam a postura requerida para exercer qualquer cargo ou fun-

ção, pública. Como ensinava Caldas Aulete (Diccionario Contemporaneo da Lingua

Portugueza, p. 450) há mais de um século, o decoro é a decência, o respeito de si

mesmo e dos outros, a dignidade moral, o brio, a honradez.

Ambos os termos, porém, são imprecisos em seus conceitos e abertos em seu

conteúdo, o que permite uma liberdade considerável de atuação nas Casas Legis-

lativas para afastar de seus quadros os Parlamentares cuja conduta seja tida por

reprovável por seus pares. A reprovabilidade às condutas que violam a ética e o de-

coro parlamentar, porém, deve decorrer da análise social e histórica de cada caso e

não pode servir para afastamento de Deputado de seu mandato motivado por per-

seguição política, por mero capricho de uma maioria. A falta de decoro deve ser tal

que atinja a reputação do Parlamento, desmerecendo-o no conceito da sociedade.
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A principal finalidade dos preceitos e regras sobre a ética e o decoro parlamen-

tares é a preservação da moralidade na vida política e da probidade como um valor

social básico constitucionalmente protegido. Nesse sentido, o Código de Ética e

Decoro Parlamentar procura definir as regras básicas para orientação das condutas

parlamentares no sentido de que o bem público almejado pelo mandato seja pre-

servado, e o Deputado possa agir com equilíbrio e respeito aos valores socialmente

constituídos, sem, no entanto, deixar de discutir, votar e apresentar proposições

que reflitam suas concepções de mundo e as daqueles segmentos sociais por ele

representados.

Nesses termos, há dois bens jurídicos constitucionalmente tutelados para o

exercício da atividade parlamentar. De um lado, considerando que a lei é sempre

inovação ou alteração de regras presentes, projetadas para regular relações futu-

ras, o Parlamentar está protegido pelas imunidades materiais e formais, conforme

visto na Aula 2, de tal forma que ele não possa ser responsabilizado civil ou pe-

nalmente por ter inovado ou tentado inovar as normas que regulam as relações

sociais, especialmente naqueles casos em que a inovação contraria interesses de

segmentos da sociedade.

De outro lado, porém, o exercício da atividade parlamentar há de manter o

equilíbrio necessário, dentro de um padrão de comportamento ético e aceitável

pela sociedade em relação à Casa Legislativa que ele compõe. Do contrário, o De-

putado pode ser punido, inclusive com a perda do mandato.

Por isso, é possível afirmar que o conceito de decoro parlamentar está contido

dentro do conceito de ética. E a violação de uma regra ética não é, necessariamen-

te, uma violação ao decoro parlamentar. Esta, uma vez declarada, acarreta sempre

a perda do mandado; aquela, desde que não caracterize falta de decoro, pode ser

punida com advertência ou censura escritas.

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Curiosidade!
A palavra decoro advém do latim, em que significa “que
convém, que fica bem, conveniente”. Formou-se do substantivo
decor, ōris, deverbal de decēre, verbo impessoal que significa
“ser conveniente”.

2. Normas de Direito Material

2.1. Deveres parlamentares (CEDP, art. 3º)

O Código de Ética e Decoro Parlamentar explicita um conjunto de deveres, que

ele qualifica de fundamentais, para que o Deputado Distrital possa conduzir-se de

acordo com a ética e o decoro parlamentar.

Esses deveres pautam-se por dois eixos temáticos distintos e trazem preceitos

abertos para a conduta parlamentar. De um lado, exige-se do Deputado o mesmo

que se exige de qualquer cidadão:

a) honrar o compromisso assumido na posse do mandato;

b) respeitar as leis;

c) tratar a todas as pessoas, independentemente de sua condição social, com

respeito, discrição e urbanidade;

d) observar as regras de boa conduta.

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Nota!
O termo urbanidade, comumente empregado como compor-

tamento nas relações de agentes públicos com os cidadãos

(v.g., Lei federal n. 8.112/1990, art. 116, XI), ainda não se

despiu totalmente do preconceito linguístico de épocas pretéritas em que se

opunha a comportamentos suburbanos e caipiras.

Em sua origem, inclusive, o termo urbano, do qual provém urbanidade,

relaciona-se com a cidade (latim, urbs, urbis) em oposição ao campo (latim,

rus, ruris, daí “rural”).2

Em seu lugar, parece mais adequado o emprego de civilidade, que é mais con-

dizente com cidadania, um dos fundamentos da República Federativa do Brasil

(CF, art. 1º, II). Ela – a civilidade – é uma qualidade do cidadão. Segundo o

Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, é o “conjunto de forma-

lidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar

mútuo respeito e consideração; boas maneiras”.

O segundo eixo temático dos deveres parlamentares em relação à ética e ao
decoro parlamentar relaciona-se com as ações do Deputado. Ele não foi eleito para
ficar sentado atrás de uma mesa, como um burocrata. Foi eleito para agir em nome
dos cidadãos que ele representa. Por isso, deve o Deputado Distrital:
a) empenhar-se na defesa dos interesses dos cidadãos;
b) exercer o mandato, com respeito à vontade popular;
c) abster-se do uso das prerrogativas parlamentares para pleitear vantagens
em proveito próprio ou alheio;
d) denunciar e combater o clientelismo, o empreguismo e a corrupção em todas

as suas formas;
2 Essa oposição ainda hoje está presente na língua portuguesa e manifesta um aspecto diastrático do compor-
tamento social, em especial na relação urbano x caipira.
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e) apresentar-se à Câmara durante as sessões legislativas ordinárias e extraor-

dinárias, participar das sessões do Plenário e das reuniões da Mesa Diretora, quan-

do dela fizer parte ou for convocado, e de comissão permanente ou temporária da

qual seja membro.

Entre essas obrigações parlamentares, merece especial atenção a determinação

do CEDP de impor ao Deputado Distrital a denúncia e o combate ao clientelismo, o

empreguismo e a corrupção.

Os termos clientelismo e empreguismo estão assim definidos pelo Dicionário

Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa:

a) clientelismo: prática eleitoreira de certos políticos que consiste em privile-

giar uma clientela (“conjunto de indivíduos dependentes”) em troca de seus votos;

troca de favores entre quem detém o poder e quem vota;

b) empreguismo: tendência a conceder empregos públicos em abundância,

para atender a interesses políticos.

Já a corrupção é crime, tipificada do modo seguinte no Código Penal Brasileiro,

nas seguintes espécies:

a) corrupção de menores: induzir alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de

outrem (art. 218);

b) corrupção ou poluição de água potável: corromper ou poluir água potável, de uso

comum ou particular, tornando-a imprópria para consumo ou nociva à saúde (art. 271);

c) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de substância ou produtos

alimentícios: corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimen-

tício destinado a consumo, tornando-os nocivos à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutri-

tivo (art. 272);

d) falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins

terapêuticos ou medicinais: falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto desti-
nado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273);

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e) corrupção passiva: solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indireta-

mente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem

indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem (art. 317);

f) corrupção ativa: oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público,

para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício (art. 333);

g) corrupção ativa em transação comercial internacional: prometer, oferecer ou

dar, direta ou indiretamente, vantagem indevida a funcionário público estrangeiro, ou a

terceira pessoa, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício relacionado

à transação comercial internacional (art. 337-B).

A falta de denúncia ou de combate a essas práticas perniciosas leva o Deputado

Distrital a descumprir uma obrigação funcional. Nesse caso, o descumprimento do

preceito decorreria de omissão parlamentar.

Adicionalmente a esses deveres de caráter geral, o CEDP também impõe ao

Deputado Distrital duas obrigações, chamadas também de deveres, ao assumir o

mandato:

a) declaração de bens;

b) declaração de atividade econômica ou profissional, anterior ao exercício do

mandato ou com ele concomitante.

A apresentação da declaração de bens também é exigida pelo Código de Ética e

Decoro Parlamentar nos 90 dias que antecedem as eleições. A exigência da decla-

ração de bens, no entanto, encontra-se incompleta no CEDP, em razão das normas

seguintes:

1º) A Lei de Improbidade Administrativa (Lei federal n. 8.429/1992, art. 13)

exige a apresentação da declaração de bens na posse e ao término do mandato,

além de atualização anual.
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2º) A Lei Orgânica do Distrito Federal (art. 19, § 3º, VII, acréscimo da ELO n.

4/1996) exige que o Deputado Distrital faça declaração pública anual de bens.

3º) O RICLDF (art. 14), por sua vez, em cumprimento à LODF, determina que

o Deputado Distrital apresente sua declaração de bens do ano anterior, com a indi-

cação de suas fontes, até o dia 15 de maio do ano seguinte.

O descumprimento desses deveres funcionais pode acarretar uma advertência

ou uma censura escrita, após regular processo perante a Comissão de Defesa dos

Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, a quem também cabe

aplicar essas sanções.

No caso de faltas injustificadas a 1/3 das sessões ordinárias de cada sessão le-

gislativa, a Lei Orgânica do DF (art. 63, III e § 3º) prevê a perda do mandato, a ser

declarada pela Mesa Diretora.

2.2. Condutas vedadas

Paralelamente aos deveres, o Código de Ética e Decoro Parlamentar – CEDP –

reproduz as condutas vedadas aos Deputados Distritais. Essas condutas, porém,

são reprodução do art. 62 da Lei Orgânica do Distrito Federal, também reproduzi-

das no art. 13 do Regimento Interno e sobre as quais já se tratou na Aula 2.

Essas condutas vedadas são lícitas para o cidadão no exercício de atividades pri-

vadas. No exercício de mandato eletivo, podem suscitar desconfiança e soar como

benefício indevido, o que as torna ilícitas em face da expressa previsão legal.

Se o Deputado Distrital descumpre qualquer dessas vedações, está sujeito à

perda do mandato parlamentar, após regular processo disciplinar, cuja decisão final

cabe à maioria absoluta dos Deputados Distritais.

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2.3. Atos contrários à ética e ao decoro parlamentar

2.3.1. Definições constitucionais

A CF/1988 (art. 55, § 1º), repetida na LODF (art. 63, § 1º), determinou que o

Regimento Interno das Casas Legislativas definisse os atos que fossem incompatí-

veis com o decoro parlamentar. A própria CF/1988 e a LODF tipificaram dois atos

como incompatíveis com o decoro parlamentar:

a) o abuso das prerrogativas asseguradas aos Deputados Distritais;

b) a percepção de vantagem indevida.

As prerrogativas asseguradas aos Deputados Distritais são as imunidades ma-

teriais e formais de que tratamos na Aula 2. Elas foram concebidas para proteger

a liberdade de pensamento e atuação do Deputado Distrital, a fim de que ele não

tenha de responder judicial ou administrativamente sobre suas palavras, opiniões

e votos. Elas, porém, não autorizam o desvio de conduta, nem caracterizam salvo-

-conduto para que o Deputado Distrital faça o que quiser.

Por isso, o abuso dessas prerrogativas ou imunidades caracteriza procedimento

incompatível com o decorro parlamentar.

Já a percepção de vantagem indevida é aquela que contraria a lei e os padrões

normais de comportamento. Um Deputado não pode votar ou deixar de votar em

troca de qualquer benefício, seja de natureza econômica ou não, para si ou para ou-

trem. O voto tem de ser de acordo com a consciência, que não pode ser comprada.

Nos crimes contra a Administração Pública, previstos no Código Penal, há vários

exemplos de condutas que caracterizam vantagem indevida, como pode ser com-

provado nos crimes de corrupção vistos acima e também nestes:
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a) inserção de dados falsos em sistema de informações: inserir ou facilitar, o
funcionário autorizado, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir indevidamente
dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração
Pública com o fim de obter vantagem indevida para si ou para outrem ou para causar
dano (art. 313-A);
b) concussão: exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora
da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida (art. 316).

Na Lei de Improbidade Administrativa (Lei federal n. 8.429/1992, art. 9º), tam-

bém há vários exemplos de condutas que importam o recebimento de vantagem

indevida para enriquecimento ilícito:

a) receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer

outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem,

gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser

atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente

público;

b) perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição,

permuta ou locação de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços por ór-

gão ou entidade da Administração Pública por preço superior ao valor de mercado;

c) perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a alienação,

permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal

por preço inferior ao valor de mercado;

d) utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou

material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer órgão

ou entidade da Administração Pública, bem como o trabalho de servidores públicos,

empregados ou terceiros contratados por essas entidades;

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e) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para

tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de

contrabando, de usura ou de qualquer outra atividade ilícita, ou aceitar promessa

de tal vantagem;

f) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fa-

zer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro

serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de merca-

dorias ou bens fornecidos a qualquer órgão ou entidade da Administração Pública;

g) adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou

função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolu-

ção do patrimônio ou à renda do agente público;

h) aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessora-

mento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido

ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público,

durante a atividade;

i) perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de

verba pública de qualquer natureza;

j) receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente,

para omitir ato de ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado;

l) incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio bens, rendas, verbas ou valores

integrantes do acervo patrimonial de órgãos ou entidades da Administração Pública;

m) usar, em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do

acervo patrimonial de órgãos ou entidades da Administração Pública.

Essas condutas, ainda que apuradas em processo penal ou ação civil pública

de improbidade administrativa, podem ser apuradas em processo na Câmara Le-

gislativa por ato incompatível com o decoro parlamentar, de forma totalmente in-

dependente do Poder Judiciário, em face do princípio da separação das instâncias,

conforme será visto adiante.
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2.3.2. Definições do Código de Ética e Decoro Parlamentar

Além dos dois casos de procedimento incompatível com o decoro parlamentar,

previstos na CF/1988 e na LODF (art. 63, § 1º), o Código de Ética e Decoro Parla-

mentar traz outros. No entanto, não separa as condutas que contrariam a ética das

condutas que contrariam o decoro parlamentar.

Essa distinção parece relevante, porque apenas as condutas contrárias ao deco-

ro parlamentar são puníveis com a perda do mandato. Note-se, por exemplo, que

a retenção indevida de proposições, prevista no CEDP (art. 6º, VII), também está

prevista no RICLDF (art. 256, parágrafo único) como conduta antirregimental.

No entanto, o RICLDF prevê aplicação de sanção pela Comissão de Ética e De-

coro Parlamentar, fato do qual se deduz que essa conduta é contrária à ética e não

ao decoro, pois este leva à perda do mandato, aplicável pelo Plenário e não pela

referida comissão.

Por outro lado, condutas como envolvimento com o crime devem ser analisadas

de acordo com o caso concreto. Um Deputado que participe de rede de prostituição

infantil, roubo de cargas, grilagem de terras públicas, tráfico ilícito de entorpecen-

tes, grupo de extermínio etc., por certo, viola com sobra o decoro parlamentar e é

passível da perda do mandato.

Já o cometimento de um crime de trânsito, na modalidade culposa, certamente

não tem a gravidade necessária para ensejar a perda do mandato por ato incom-

patível com o decoro parlamentar.

De igual modo, a embriaguez contumaz pode ser causa de perda do mandato,

se por ela o Deputado põe em risco a reputação do Parlamento. No entanto, se

essa embriaguez é em seu ambiente doméstico, sem publicidade e sem interferên-

cia no exercício do mandato, não parece haver motivo para declará-la incompatí-

vel com o decoro parlamentar, embora possa ensejar sanções como advertência e

censura escritas.
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O uso de recursos da CLDF em proveito pessoal ou a facilitação para o enri-

quecimento ilício de terceiros (CEDP, art. 6º, VI e XII) são condutas que violam o

decoro parlamentar e, portanto, ensejam a perda do mandato.

Diante disso, os procedimentos definidos como incompatíveis com a ética e o

decoro no CEDP devem ser analisados e compreendidos de acordo com a gravidade

e as consequências daí decorrentes, para aquilatar o quanto foi afetada a dignidade

do Parlamento e, conforme o caso, escolher a medida disciplinar mais adequada a

ser aplicada ao Deputado, dentre as previstas no CEDP.

2.4. Sistema de sanções

2.4.1. Aspectos gerais

O Código de Ética e Decoro Parlamentar (art. 11) prevê apenas três espécies de

sanções aos Deputados Distritais:

a) a advertência escrita;
b) a censura escrita;
c) a perda do mandato.

A sanção a ser aplicada depende da conduta do Deputado Distrital e de sua

gravidade. Qualquer que seja ela, porém, depende sempre de uma representação

inicial, de uma instrução probatória e do amplo exercício do contraditório e da am-

pla defesa do Deputado Distrital.

A advertência e a censura escritas são aplicadas pela própria Comissão de Direi-

tos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar; a perda do mandato por ato

incompatível com o decoro parlamentar é aplicada pelo Plenário, mediante aprova-

ção da maioria absoluta dos Deputados Distritais.
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No caso de descumprimento do dever de comparecer a pelo menos 2/3 das ses-

sões ordinárias em cada sessão legislativa, a sanção de perda do mandato é apli-

cada pela Mesa Diretora (LODF, art. 63, § 3º).

2.4.2. Advertência escrita

A advertência é a sanção mais branda do Código de Ética e Decoro Parlamentar.

Ela é aplicada aos atos que não ensejam a aplicação de censura escrita ou de perda

do mandato. Tem função e efeitos apenas disciplinares.

A falta de urbanidade no tratamento a alguma pessoa, o tratamento descortês,

as referências caluniosas em debates, as ofensas físicas ou morais etc. são condu-

tas sujeitas à aplicação de advertência escrita.

2.4.3. Censura escrita

A advertência e a censura apresentam como requisito comum a necessidade de

serem escritas e não há distinção entre os efeitos jurídicos de uma e de outra, pois

a reincidência não acarreta a aplicação de uma sanção mais grave. Entretanto, do

ponto de vista disciplinar, a censura escrita é uma sanção moralmente mais severa

ou mais rígida do que a advertência escrita.

Fazendo um trocadilho, pode-se dizer que a advertência é uma censura branda;

a censura, uma advertência severa.

A censura escrita é cabível em apenas dois casos, claramente definidos no Có-

digo de Ética e Decoro Parlamentar:

a) inobservância injustificada dos deveres do mandato, previstos no RICLDF;

b) perturbação da ordem durante as sessões no Plenário ou as reuniões das

comissões.
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Não há no Regimento Interno da CLDF uma relação explícita dos deveres a se-

rem cumpridos pelo Deputado Distrital. Esses deveres, no mais das vezes, estão

implícitos. Assim, por exemplo, no art. 15, I, o RICLDF afirma caber ao Deputado

Distrital “votar e ser votado”, o que é, a um só tempo, um direito e um dever, espe-

cialmente porque, estando presente em Plenário, o Deputado não pode escusar-se

de participar da votação, embora possa abster-se, entrar em obstrução ou mesmo

se ausentar. Por outro lado, estando presente em Plenário, ele não pode ser exclu-

ído da votação.

No art. 104 do mesmo RICLDF, também há várias regras para manutenção da

ordem e respeito à austeridade das sessões. Muitas delas impõem deveres ao De-

putado Distrital, como tratar o colega de “senhor” e “excelência”, não fumar em

Plenário, referir-se às pessoas de modo cortês etc.

No caso de extravio ou retenção indevida de proposição (RICLDF, art. 256), o

ato constitui descumprimento de dever parlamentar, o que enseja a aplicação da

censura escrita.

A perturbação da ordem depende de um conjunto de atitudes que inviabilizem

a realização de sessão ou reunião de comissões. Pode ser configurada quando um

Deputado leva um megafone e usa a todo momento que alguém vai falar ao mi-

crofone; quando destrói os microfones do Plenário ou das comissões; quando leva

algum produto químico para esses recintos para tornar impossível a permanência

no local; etc.

2.4.4. Perda do mandato

A perda do mandato – também chamada de cassação do mandato – é uma san-

ção aplicada, de acordo com o caso, pelo Plenário ou pela Mesa Diretora, conforme

regra claramente definida na LODF (art. 63, §§ 2º e 3º).
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2.4.4.1. Competência da Mesa Diretora

Há, nos dispositivos da LODF acima citados, três hipóteses em que perda do

mandato é declarada pela Mesa Diretora. São elas:

1ª) Perda do mandato por faltas a 1/3 das sessões ordinárias em cada

sessão legislativa: uma sessão legislativa tem cerca de 120 sessões plenárias

ordinárias. O Deputado Distrital é obrigado a frequentar pelo menos 80 delas. No

entanto, pode justificar sua ausência por um dos motivos previstos no próprio RI-

CLDF (art. 109, § 7º).

O controle da frequência dos Deputados Distritais às sessões plenárias é feito

mediante assinatura na “folha de ponto”, que fica junto à entrada do Plenário. Esse

controle restringe-se às sessões ordinárias, pois a ausência às sessões extraordi-

nárias não gera qualquer efeito sancionatório para o parlamentar.

Para perder o mandato por ausência a 1/3 das sessões ordinárias, é necessário

que ele falte a cerca de 40 sessões plenárias por sessão legislativa, o que dá em

média uma falta por semana, já que apenas às terças, quartas e quintas-feiras há

sessões ordinárias. Encerrada a sessão legislativa, o número de faltas é zerado, e

inicia-se nova contagem.

2ª) Perda do mandato por perda ou suspensão dos direitos políticos:

como regra constitucional de caráter geral (CF/1988, art. 15), os direitos políticos,

por serem decorrentes do Estado Democrático de Direito, só são perdidos ou sus-

pensos nos seguintes casos:

a) cancelamento da naturalização por sentença judicial transitada em julgado;

b) incapacidade civil absoluta;

c) condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;

d) recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa;

e) improbidade administrativa.
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Todas essas hipóteses, no entanto, dependem de decisão judicial.

O direito à naturalização está previsto na CF/1988 (art. 12, II) e na Lei federal

n. 6.815, de 19/8/1980 (arts. 111 a 124), e o cancelamento da naturalização só

pode ocorrer quando o brasileiro (CF/1988, art. 12, § 4º):

a) tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade no-
civa ao interesse nacional;
b) adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos de reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira ou de imposição de naturalização, pela norma estrangeira,
ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu
território ou para o exercício de direitos civis.

A incapacidade civil absoluta está regulada no CC/2002 (art. 3º) e, para os efei-

tos de perda do mandato, tornou-se inaplicável. É que, a partir do Estatuto da Pes-

soa com Deficiência (Lei federal n. 13.146, de 6/7/2015, art. 1143), a incapacidade

civil absoluta está restrita aos menores de 16 anos de idade, que já não podiam

exercer cargo público.

Os efeitos da condenação criminal, além do período necessário ao cumprimento

da pena, estão previstos no CP (arts. 91 e 92).

A recusa em cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa decor-

re da CF/1988 (art. 5º, VIII), segundo a qual “ninguém será privado de direitos por

motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar

para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação

alternativa, fixada em lei”.

Um exemplo dessa situação é o serviço militar obrigatório (CF/1988, art. 143),

imposto a todos os brasileiros do sexo masculino, nos termos da Lei federal n.

4.375, de 17/8/1964, e da Lei federal n. 8.239, de 4/10/1991.

3 Até o advento desse estatuto, também eram absolutamente incapazes: a) os que, por enfermidade ou defici-
ência mental, não tivessem o necessário discernimento para a prática desses atos; e b) os que, mesmo por
causa transitória, não pudessem exprimir sua vontade. Essas causas passaram para a incapacidade relativa.
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Como serviço alternativo ao imperativo de consciência fundado em convicção

religiosa, política ou filosófica, a Lei federal n. 8.239/1991 permite o exercício de

atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produti-

vo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar. Esse serviço é

prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de formação de reservas

das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, mediante

convênios entre estes e o Ministério da Defesa, desde que haja interesse recíproco

e também sejam atendidas as aptidões do convocado.

Os casos de improbidade administrativa são os previstos na Lei federal n. 8.429,

de 2/7/1994, e decorrem de condenação judicial por ato ou fato que importe enri-

quecimento ilícito, que cause prejuízo ao erário ou que atente contra os princípios

constitucionais da Administração Pública.

3ª) Perda do mandato decretada pela Justiça Eleitoral: tendo tomado

posse após a devida diplomação, o Deputado Distrital pode perder o mandato por

decisão da Justiça Eleitoral, por causas relacionadas com as eleições em que ele

concorreu, como também por questões relacionadas à fidelidade partidária (TSE,

Resolução n. 22.610, de 25/10/2007).

2.4.4.2. Procedimento na Mesa Diretora

Nos casos de perda do mandato motivada em perda ou suspensão dos direi-

tos políticos ou quando decretada pela Justiça Eleitoral, a competência da Mesa

Diretora é meramente declaratória, razão por que não é aberto procedimento de

apuração, instrução e julgamento. A Mesa Diretora apenas faz cumprir a decisão

judicial, como ocorreu no caso do Ato da Mesa Diretora n. 135/2011 (disponível em

www.cl.df.gov.br > atos administrativos > atos da Mesa Diretora > 2011, acesso

em 26/3/2017).
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Nos casos de perda do mandato motivada em faltas a 1/3 das sessões ordinárias

de cada sessão legislativa, é necessária a abertura de processo na Comissão de

Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, a fim de que

seja assegurado ao Deputado Distrital o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Em todos os casos, a decisão da Mesa Diretora é exteriorizada por meio de ato

assinado por, pelo menos, três de seus cinco membros (RICLDF, art. 38, § 1º). Não

há, porém, na decisão da Mesa Diretora, qualquer juízo de valor. Constatado o fato,

cabe-lhe declarar a perda do mandato.

2.4.4.3. Competência do Plenário

O Plenário é competente para decidir sobre a perda do mandato em quatro hi-

póteses (LODF, art. 63, § 2º):

1ª) Perda do mandato por incompatibilidades: as incompatibilidades dos

atos da vida civil com o exercício do mandato parlamentar, conforme visto na Aula

2, podem ser negociais, funcionais, profissionais e políticas.

O Deputado Distrital não pode, desde a expedição do diploma:

a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia,

empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de ser-

viço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes (incompati-

bilidade negocial);

b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de

que sejam demissíveis ad nutum nas entidades constantes da alínea anterior (in-

compatibilidade funcional);

O Deputado Distrital também não pode, desde a posse:

a) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decor-

rente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função

remunerada (incompatibilidade profissional);
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b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum em pessoa jurí-

dica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista

ou empresa concessionária de serviço público (incompatibilidade funcional);

c) patrocinar causa em que seja interessada pessoa jurídica de direito público,

autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessio-

nária de serviço público (incompatibilidade profissional);

d) ser titular de mais de um cargo ou mandato público eletivo (incompatibili-

dade política).

2ª) Perda do mandato por quebra de decoro parlamentar: os casos de

conduta incompatível com o decoro parlamentar estão tipificados na Resolução n.

110, de 1996 (art. 6º). Ali, porém, conforme visto, misturam-se questões de ética

com questões de decoro parlamentar. Somente por estas é que o Deputado Distrital

pode perder o mandato.

3ª) Perda do mandato por condenação criminal: após o trânsito em julga-

do de sentença penal condenatória, o Deputado Distrital pode perder o mandato,

pouco importando a data do crime cometido ou a pena aplicada. A rigidez da regra

parece assentar-se na idoneidade esperada para o exercício dos cargos eletivos,

como se verificou recentemente com a aprovação da chamada Lei da Ficha Limpa

(LC federal n. 135, de 4/6/2010).

No entanto, há de se ponderar que nem sempre a condenação criminal leva o

réu à prisão. Com efeito, segundo o Código Penal (art. 32), as penas são privativas

de liberdade, restritivas de direitos e multa. Não parece razoável decretar a perda

do mandato por condenação à pena de multa, que é expressa em moeda nacional

(CP, art. 49), nem por penas restritivas de direito, que são as seguintes: presta-

ção pecuniária, perda de bens e valores, limitação de fim de semana, prestação de

serviço à comunidade ou a entidades públicas, interdição temporária de direitos e

limitação de fim de semana (CP, art. 43).
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Mesmo nos casos de penas privativas de liberdade, há institutos próprios do

Direito Penal que liberam o condenado de ir para a prisão, como é o caso da sus-

pensão condicional da pena (CP, art. 77) e do livramento condicional (CP, art. 83).

Em todos esses casos, o cidadão condenado não fica impedido de exercer suas

funções na sociedade, quer sejam elas privadas, quer sejam públicas. E é por isso

que tanto a CF/1988 (art. 55, § 2º) quanto a LODF (art. 61, § 2º) determinam que

a perda de mandato fundamentada em condenação criminal seja submetida a juízo

político do conjunto dos Deputados Distritais.

A decisão da Câmara Legislativa, no entanto, parece possível apenas nas hipó-

teses de condenação criminal que não tenha decretado a perda do mandato eletivo.

Se a sentença transitada em julgado determinar, fundamentadamente, a perda do

mandato eletivo, cabe à Câmara Legislativa apenas fazer cumprir a decisão judicial

(CP, art. 92, I e parágrafo único). Foi nesse sentido a seguinte decisão do STF na

Ação Penal n. 470/MG4:

1. O Supremo Tribunal Federal recebeu do Poder Constituinte originário a competência
para processar e julgar os parlamentares federais acusados da prática de infrações pe-
nais comuns. Como consequência, é ao Supremo Tribunal Federal que compete a aplica-
ção das penas cominadas em lei, em caso de condenação. A perda do mandato eletivo
é uma pena acessória da pena principal (privativa de liberdade ou restritiva de direitos),
e deve ser decretada pelo órgão que exerce a função jurisdicional, como um dos efeitos
da condenação, quando presentes os requisitos legais para tanto.
2. Diferentemente da Carta outorgada de 1969, nos termos da qual as hipóteses de per-
da ou suspensão de direitos políticos deveriam ser disciplinadas por Lei Complementar
(art. 149, §3º), o que atribuía eficácia contida ao mencionado dispositivo constitucional,
a atual Constituição estabeleceu os casos de perda ou suspensão dos direitos políticos
em norma de eficácia plena (art. 15, III). Em consequência, o condenado criminalmen-
te, por decisão transitada em julgado, tem seus direitos políticos suspensos pelo tempo
que durarem os efeitos da condenação.
3. A previsão contida no artigo 92, I e II, do Código Penal, é reflexo direto do disposto
no art. 15, III, da Constituição Federal. Assim, uma vez condenado criminalmente um
réu detentor de mandato eletivo, caberá ao Poder Judiciário decidir, em definitivo, sobre
a perda do mandato. Não cabe ao Poder Legislativo deliberar sobre aspectos de decisão
condenatória criminal, emanada do Poder Judiciário, proferida em detrimento de mem-

4 Julgada em 17/12/2012, Relator Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno, DJe de 22/4/2013.
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bro do Congresso Nacional. A Constituição não submete a decisão do Poder Judiciário à
complementação por ato de qualquer outro órgão ou Poder da República. Não há sen-
tença jurisdicional cuja legitimidade ou eficácia esteja condicionada à aprovação pelos
órgãos do Poder Político. A sentença condenatória não é a revelação do parecer de umas
das projeções do poder estatal, mas a manifestação integral e completa da instância
constitucionalmente competente para sancionar, em caráter definitivo, as ações típicas,
antijurídicas e culpáveis. Entendimento que se extrai do artigo 15, III, combinado com o
artigo 55, IV, §3º, ambos da Constituição da República. Afastada a incidência do §2º do
art. 55 da Lei Maior, quando a perda do mandato parlamentar for decretada pelo Poder
Judiciário, como um dos efeitos da condenação criminal transitada em julgado. Ao Poder
Legislativo cabe, apenas, dar fiel execução à decisão da Justiça e declarar a perda do
mandato, na forma preconizada na decisão jurisdicional.
4. Repugna à nossa Constituição o exercício do mandato parlamentar quando recaia,
sobre o seu titular, a reprovação penal definitiva do Estado, suspendendo-lhe o exercício
de direitos políticos e decretando-lhe a perda do mandato eletivo. A perda dos direitos
políticos é “consequência da existência da coisa julgada”. Consequentemente, não cabe
ao Poder Legislativo “outra conduta senão a declaração da extinção do mandato” (RE
225.019, Rel. Min. Nelson Jobim). Conclusão de ordem ética consolidada a partir de
precedentes do Supremo Tribunal Federal e extraída da Constituição Federal e das leis
que regem o exercício do poder político-representativo, a conferir encadeamento lógico
e substância material à decisão no sentido da decretação da perda do mandato eletivo.
Conclusão que também se constrói a partir da lógica sistemática da Constituição, que
enuncia a cidadania, a capacidade para o exercício de direitos políticos e o preenchimen-
to pleno das condições de elegibilidade como pressupostos sucessivos para a participa-
ção completa na formação da vontade e na condução da vida política do Estado.
5. No caso, os réus parlamentares foram condenados pela prática, entre outros, de cri-
mes contra a Administração Pública. Conduta juridicamente incompatível com os deve-
res inerentes ao cargo. Circunstâncias que impõem a perda do mandato como medida
adequada, necessária e proporcional. 6. Decretada a suspensão dos direitos políticos de
todos os réus, nos termos do art. 15, III, da Constituição Federal. Unânime. 7. Decreta-
da, por maioria, a perda dos mandatos dos réus titulares de mandato eletivo.

4ª) Perda do mandato por prática de atos de corrupção ou improbidade

administrativa: essa hipótese é apenas da LODF, já que sobre ela a CF/1988 é

silente. Todavia, a hipótese é redundante, pois a corrupção é crime (CP, arts. 317

e 333) e, como tal, só pode ser invocada para decretar a perda do mandato após o

trânsito em julgado da decisão judicial condenatória, o que já está contemplado na

perda do mandato por condenação criminal.
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A corrupção pode ser passiva ou ativa e está tipificada do seguinte modo no

Código Penal:

Corrupção passiva
Art. 317 Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º A pena é aumentada de um terço, se, em consequência da vantagem ou promessa,
o funcionário retarda ou deixa de praticar qualquer ato de ofício ou o pratica infringindo
dever funcional.
§ 2º Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de
dever funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem:
Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa

Corrupção ativa
Art. 333. Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determi-
ná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço, se, em razão da vantagem ou pro-
messa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício, ou o pratica infringindo dever fun-
cional.

A improbidade administrativa, por sua vez, está definida na Lei federal n. 8.429,

de 2/6/1992, que já prevê vários tipos de penas, entre elas a perda da função

pública. Só que essa pena pode ser aplicada ou não. Se for, a perda do mandato

decorre de decisão judicial; se não for, ainda que o Deputado Distrital tenha sido

condenado a outras penas por improbidade administrativa, não pode o Poder Legis-

lativo dar à decisão judicial efeito diverso do previsto na sentença.

Além disso, segundo a CF/1988 (art. 37, § 4º), os atos de improbidade admi-

nistrativa acarretam a suspensão dos direitos políticos, o que, caso ocorra, tam-

bém está contemplado na perda do mandato por perda ou suspensão dos direitos

políticos.

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Como a lei não possui palavras inúteis, a corrupção e a improbidade adminis-

trativa no texto da LODF devem ser interpretadas como causas de sanções disci-

plinares, de caráter administrativo, processadas e julgadas de forma independente

do Poder Judiciário, com fundamento no princípio da separação das instâncias, tal

como ocorre com o processo disciplinar dos servidores públicos.

Em todo caso, nessas hipóteses, a matéria estaria compreendida como ato in-

compatível com o decoro parlamentar, cabendo ao Código de Ética discipliná-la.

3. Processo Disciplinar

3.1. Conceito e natureza jurídica

O processo contra Deputado Distrital por infringência ao Código de Ética e De-

coro Parlamentar é um conjunto de atos concatenados que objetivam apurar os

fatos e as circunstâncias em que eles ocorreram, garantir o contraditório e a ampla

defesa e aplicar a sanção cabível quando for o caso.

Esse processo tem natureza administrativa e sobre o seu conteúdo não cabe o

controle judicial. O Judiciário pode, porém, analisar aspectos formais do processo,

como a garantia do contraditório e da ampla defesa, bem como a observância do

rito procedimental, incluindo-se a necessidade de parecer da Comissão de Consti-

tuição e Justiça no caso de perda do mandato por quebra de decoro parlamentar e

o quorum para deliberação e aprovação da medida disciplinar.

3.2. Separação e independência das instâncias

O processo disciplinar do CEDP não guarda nenhuma vinculação ou dependência

com processos judiciais ou procedimentos de natureza administrativa em tribunais

de contas ou em órgãos ou entidades da Administração Pública.
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O fato de responder perante a Justiça pela conduta tipificada como crime ou

como improbidade administrativa não afasta o Deputado Distrital de também res-

ponder administrativamente perante a CLDF pelos mesmos fatos. Essa responsa-

bilidade administrativa independe de haver ou não reflexos financeiros decorrentes

de sua conduta. Ocorrida a violação do CEDP, surge a obrigação de a Mesa Diretora

adotar as providências para o Deputado Distrital responder pela sua conduta, asse-

gurando-lhe, porém, o devido processo legal e os direitos a ele inerentes.

Assim, se o Deputado Distrital foi absolvido em ação civil pública, não significa

que terá de ser absolvido no processo a que responde perante a CLDF. De igual

modo, se o Deputado Distrital for absolvido na esfera penal, não significa que terá

de ser absolvido na esfera legislativa.

Nessa independência das instâncias, ocorre uma espécie de concurso formal,

em que uma mesma ação ou omissão pode ser processada e punida em três esfe-

ras diferentes: a administrativa, a penal e a civil, sem que uma tenha interferência

necessária na outra.

Essa independência das instâncias está amplamente consagrada pela jurispru-

dência do STF, STJ e TJDFT, conforme pode ser visto pelos excertos abaixo, sobre

processos disciplinares contra servidores públicos, também aplicáveis aos casos de

processo legislativo contra parlamentar:

A jurisprudência da Suprema Corte é pacífica no sentido da independência entre as ins-
tâncias cível, penal e administrativa, não havendo que se falar em violação dos princípios
da presunção de inocência e do devido processo legal pela aplicação de sanção adminis-
trativa por descumprimento de dever funcional fixada em processo disciplinar legitima-
mente instaurado antes de finalizado o processo cível ou penal em que apurados os mes-
mos fatos. Precedentes. 2. A análise da proporcionalidade da sanção aplicada, mediante
rediscussão de fatos e provas produzidas no PAD, é incompatível com a via do mandado
de segurança. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido. (STF: RMS 28919 AgR/DF,
julgado em 16/12/2014, Relator Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, DJe 12/2/2015).
4. Da mesma forma, o STJ perfilha entendimento no sentido de que “considerada a in-
dependência entre as esferas criminal e administrativa, é desnecessário o sobrestamen-
to do procedimento administrativo disciplinar até o trânsito em julgado da ação penal.
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Assim, a imposição de sanção disciplinar pela Administração Pública, quando compro-
vado que o servidor praticou ilícito administrativo, prescinde de anterior julgamento na
esfera criminal” (STJ: MS 20685/DF, julgado em 11/2/2015, Relator Min. Mauro Cam-
pbell Marques, 1ª Seção, DJe de 24/2/2015).
As instâncias penal, civil e administrativa, em regra, são independentes, portanto a sen-
tença penal que extingue a ação sem resolução do mérito não vincula o seu resultado à
esfera administrativa.
Em razão da ausência de dispositivo legal específico, aplica-se o menor lapso prescricio-
nal previsto na legislação penal (art. 109, inciso VI, do Código Penal) para verificação
da prescrição de falta disciplinar grave praticada no curso da execução (precedentes).
O inquérito disciplinar para apuração de faltas graves se condiciona ao princí-
pio constitucional da razoável duração do processo, razão pela qual não é crí-
vel privar o agravante da progressão de regime e gozo de benefícios externos
em face à demora estatal em concluir inquérito instaurado há mais de um ano.
Na hipótese dos autos dá-se parcial provimento ao recurso para que o Juízo da Execução
conclua o inquérito no estado em que se encontra, possibilitando a análise de eventuais
benefícios. (TJDFT: RAG 20160020372889, julgado em 9/12/2016, Relator Des. Romão
C. Oliveira, 1ª Turma Criminal, DJe de 9/12/2016).

A independência das instâncias encontra, porém, duas exceções, em que a de-

cisão judicial tem reflexos na decisão administrativa: nos casos em que o Deputado

Distrital for absolvido em processo penal em razão do reconhecimento da inexistên-

cia do fato ou de negativa sua autoria. Nessas duas hipóteses, as instâncias judicial

e administrativa comunicam-se, e prevalece a decisão tomada pelo Poder Judiciário.

Essa exceção é única e não pode ser ampliada para outras situações em que o réu do
processo criminal seja absolvido (STJ: MS 20902/DF, julgado em 25/2/2015, Relator
Min. Og Fernandes, 1ª Seção, DJe de 23/3/2015), como ocorre, por exemplo, na hipó-
tese de prescrição penal.

3.3. Fases do processo

3.3.1. Aspectos gerais

O processo disciplinar para apurar violação à ética e ao decoro parlamentar

apresenta as seguintes fases:
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a) preliminar, constituída de representação, recebimento pela Mesa Diretora e

parecer prévio da Corregedoria;

b) instauração pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética

e Decoro Parlamentar;

c) apresentação de defesa escrita e produção de provas pelo Deputado Distrital

ou, em seu silêncio, por defensor dativo;

d) instrução, promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cida-

dania, Ética e Decoro Parlamentar;

e) parecer da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e De-

coro Parlamentar, concluindo pela procedência ou improcedência da representação;

g) projeto de decreto legislativo de autoria da Comissão de Defesa dos Direitos Hu-

manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, quando se tratar de perda de mandato;

h) parecer da Comissão de Constituição e Justiça sobre o processo, quando se

tratar de perda de mandato;

i) julgamento pela própria Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania,

Ética e Decoro Parlamentar quando a sanção for de advertência ou censura escritas;

j) julgamento pelo Plenário, quando se tratar de sanção de perda do mandato,

nas hipóteses vistas no item 2.4.4.3;

k) julgamento pelo Mesa Diretora, quando se tratar de sanção de perda do man-

dato por faltas injustificadas a 1/3 das sessões ordinárias de cada sessão legislativa.

3.3.2. Fase preliminar

3.3.2.1. Legitimados para a representação

Segundo o Regimento Interno da CLDF (art. 39, § 1º, XII), compete à Mesa

Diretora receber representações, denúncias ou notícias de infração ao Código de
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Ética e Decoro Parlamentar contra Deputado Distrital, oferecidas pelo Corregedor,

por parlamentar, por comissão permanente, por qualquer cidadão ou por entidades

representativas da sociedade civil.

A LODF (art. 63, §§ 2º e 3º), porém, repetindo a Constituição Federal (art. 55,

§§ 2º e 3º), no caso de perda do mandato decidida pelo Plenário, legitima para

fazer a representação apenas a Mesa Diretora e partido político representado na

CLDF. E, quando a perda do mandato é decidida pela Mesa Diretora, ela pode atuar

de ofício ou mediante provocação de qualquer Deputado Distrital ou de partido po-

lítico representado na CLDF.

Em razão disso, nos casos de representação pedindo a perda do mandato por

quem não está legitimado pela LODF, a Mesa Diretora pode exercer um juízo de

valor da matéria, porque, ao receber e encaminhar a representação ao Corregedor,

ela o faz como se sua fosse.

3.3.2.2. Atribuição da Mesa Diretora

Em face das condutas que caracterizam infração ao Código de Ética e Decoro

Parlamentar, a Mesa Diretora possui três atribuições distintas:
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1ª) Competência para declarar a perda do mandato, de ofício ou mediante pro-

vocação de Deputado Distrital ou partido político representado na CLDF (LODF, art.

63, § 3º).

2ª) Legitimação para provocar, de ofício, a abertura de processo para a perda

do mandato a ser decidida pelo Plenário da CLDF (LODF, art. 63, § 3º). Nesse caso,

deve a Mesa Diretora subscrever a representação.

3ª) Recebimento jurídico de representação formulada:

a) por legitimado pela LODF para representar contra conduta punível com perda

do mandato;

b) por legitimado pelo RICLDF (art. 3º, § 1º, XIII) para representar contra in-

fração de Deputado Distrital ao Código de Ética e Decoro Parlamentar.

4ª) Recebimento como sua de representação formulada por quem não está legi-

timado pela LODF para representar contra conduta punível com perda do mandato.

Nos casos em que a Mesa Diretora está legitimada para provocar a abertura do

processo para a perda do mandato a ser decidida pelo Plenário e nos casos de re-

cebimento (atribuições enumeradas acima como 2ª, 3ª e 4ª), a representação deve

ser lida em Plenário e distribuída ao Corregedor no prazo de 2 dias úteis, com

cópia para a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro

Parlamentar (RICLDF, art. 153, § 3º).

3.3.2.3. Atribuição do Corregedor (RICLDF, art. 50)

O Corregedor é encarregado de emitir parecer prévio opinativo em todos os

casos de infração ao Código de Ética e Decoro Parlamentar (RICLDF, art. 50, § 3º)

que tenham sido recebidos pela Mesa Diretora. Não cabe ao Corregedor receber

representação diretamente, sem passar pela Mesa Diretora.

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O parecer só é emitido após o exercício do contraditório pelo Deputado Distrital.

Em razão disso, ao receber a representação, denúncia ou notícia de infração ao

CEDP, deve o Corregedor notificar o Deputado Distrital para que preste os esclare-

cimentos necessários no prazo de 10 dias úteis.

Nesse momento processual, não existe a possibilidade de defensor dativo. Caso

o Deputado Distrital não apresente os esclarecimentos nos prazos regimentais, não

cabe ao Corregedor designar defensor dativo. Com ou sem os esclarecimentos,

deve analisar as peças do processo no estado em que estão e emitir seu parecer

sobre a legalidade ou não da abertura do processo disciplinar. Para esse mister, ele

dispõe do prazo de 15 dias úteis.

3.3.3. Instauração do processo disciplinar

O processo disciplinar é instaurado pela Comissão de Defesa dos Direitos Hu-

manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar – CDDHCEDP. Essa instauração é

realizada em reunião da comissão à luz dos elementos que dispõe sobre a infração

ao Código de Ética e Decoro Parlamentar. Há sobre isso três questões importantes:

1ª) A CDDHCEDP não age de ofício, isto é, ela não pode instaurar processo dis-

ciplinar contra Deputado Distrital, senão nos casos em que a Mesa Diretora recebe

a representação, denúncia ou notícia de infração ao CEDP.

2ª) Se o Corregedor não apresentar o parecer prévio no prazo que lhe cabe (15

dias úteis após o prazo para a prestação de esclarecimentos pelo Deputado Distri-

tal), a CDDHCEDP pode instaurar o processo disciplinar com base na cópia recebida

da Mesa Diretora (RICLDF, art. 50, § 4º, c/c art. 153, § 3º).

3ª) Com ou sem o parecer prévio opinativo do Corregedor e sem estar a ele vin-

culada, a CDDHCEDP pode decidir por receber a representação, denúncia ou notícia

ao CEDP ou por arquivá-la.
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A decisão de arquivar a representação, denúncia ou notícia de infração ao Có-

digo de Ética e Decoro Parlamentar pode ter por fundamento questões jurídicas ou

questões fáticas. Como exemplo desse último caso, pode a comissão entender que

a conduta parlamentar foi anterior ao exercício do mandato ou que diz respeito à

vida íntima do Deputado, sem repercussão fora da órbita pessoal dele.

Da decisão que recebe a representação, denúncia ou notícia de infração ao

CEDP, decorre a instauração do processo disciplinar, com o consequente sorteio do

relator entre os membros permanentes da Comissão.

Contra a decisão de instaurar ou não o processo disciplinar pela CDDHCEDP não

cabe recurso.

3.3.4. Contraditório e ampla defesa

3.3.4.1. Contraditório

Como princípio jurídico, o contraditório assume significação especial em relação

à sua significação original atribuída àquele ou àquilo “que se contradiz, que implica

contradição.”5

Nos termos em que foi empregado na CF/1988 (art. 5º, LV), o contraditório é

o direito que o cidadão tem de se opor às pretensões jurídicas alheias, incluídas

as representações, notícias ou denúncias de infração ao Código de Ética e Decoro

Parlamentar. As representações não são dogmas religiosos ou verdades irrefutá-

veis. São produtos da inteligência e, como tal, sujeitas a fragilidades, imperfeições

e falibilidades. É desses apanágios mais vívidos da condição humana que emerge

o direito de não concordar, de não aquiescer, de não se submeter àquilo que uns

imputam aos outros. Daí o direito de contestar, de contraditar, de apresentar pro-

5 Caldas Aulete, Diccionario Contemporaneo da Lingua Portugueza, p. 394.
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vas em sentido contrário, de apresentar recurso, tudo para que o direito, expressão

maior de regulação da vida em sociedade, possa realizar-se do melhor modo possí-

vel, ponderando e confrontando fatos e versões, provas e contraprovas, argumen-

tos e contra-argumentos, de modo que a vontade coletiva de justiça, expressa na

lei, possa preponderar sobre a vontade individual de cada litigante.

O exercício do contraditório, porém, não é privativo de quem é acusado da

prática de alguma conduta ilícita ou contrária à ética e ao decoro parlamentar. As

manifestações do acusado também são passíveis de serem contraditadas, assim

como, em certa medida, as ações judiciais e as petições administrativas também o

são, já que elas são destinadas, no mais das vezes, a buscar a satisfação de uma

pretensão resistida e, como tal, estão sujeitas a impugnações pelas vias que o di-

reito assegura.

Para que o contraditório possa ser exercido na forma e nas condições que a

CF/1988 assegura, é necessário que um conjunto significativo de informações pré-

vias esteja à disposição e acessível a quem irá exercê-lo. Entre elas está o da

reserva legal (CF/1988, art. 5º, II; art. 213, I) e a exigência de os fatos estarem

devidamente relatados no processo, lastreados nas provas que o sustentam.

Embora o contraditório ande quase sempre “de mãos dadas” com o direito de

defesa, esta não se confunde com aquele. O direito ao contraditório é pressuposto

e instrumento do direito à ampla defesa, apesar de ser nela que ele é exteriorizado.

O STF (Inq 1656/SP, julgado em 18/12/2003, Relatora Min. Ellen Gracie, Tribu-

nal Pleno, DJ de 27/2/2004) tem entendido, por exemplo, que “denúncia que, ao

narrar os fatos, deixa de demonstrar qualquer liame entre o acusado e a conduta a

ele imputada, torna impossível o exercício do direito à ampla defesa”. Isso decorre,

na verdade, da impossibilidade de o réu poder contraditar o que é alegado contra

ele, e, em razão disso, não pode ele se defender juridicamente.
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No processo disciplinar contra Deputado Distrital, o contraditório é a garantia

de que os elementos fáticos e jurídicos, com as provas e demais instrumentos a

eles inerentes, estão contidos no processo de modo que tanto o Deputado Distrital

quanto a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Par-

lamentar possam sobre eles se manifestar. Se a materialização da infração ao Có-

digo de Ética e Decoro Parlamentar é confusa, omissa, obscura, genérica ou impre-

cisa, não há como o contraditório ser exercido satisfatoriamente, pois não há como

contraditar pretensões não explícitas em desfavor de quem está sendo acusado.

Por isso, como o Deputado Distrital tem o direito ao contraditório, todos os ele-

mentos do processo que pesam contra ele têm de estar à sua disposição, de forma

clara e acessível, sob pena de subtração de um direito fundamental previsto na

Constituição Federal.

3.3.4.2. Ampla defesa

Já o princípio constitucional da ampla defesa dirige-se não só aos litigantes em

geral, mas também ao legislador e aos demais agentes públicos, aqui incluídos os

do Poder Judiciário e os da Administração Pública. O legislador tem de instituir na

legislação instrumentos que oportunizem a qualquer cidadão o direito de se defen-

der de tudo quanto contra ele é alegado. Para isso, a legislação tem de prever a for-

ma como o cidadão vai tomar conhecimento da acusação ou exigência, o momento

em que vai poder se manifestar, as hipóteses de recurso etc.

Já o agente público, seja no Poder Judiciário, na Administração Pública ou na

Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar,

tem de oportunizar o direito de se manifestar ao cidadão contra o qual pesa uma

acusação ou exigência. Entre os instrumentos que visam a assegurar essa mani-

festação, estão a citação, a intimação e a notificação. Além disso, o agente público
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tem de garantir o acesso a todas as informações e provas que constam do proces-

so, além de informar o momento e o lugar da prática dos atos processuais, incluída

aqui a apresentação da defesa.

O oposto à ampla defesa é o cerceamento da defesa. Nas decisões dos tribu-

nais, há vários casos que exemplificam a aplicação do princípio da ampla defesa e

a nulidade pelo cerceamento da defesa. Entre eles, há um6 que relata ter sido um

revendedor de combustível autuado pela Administração Pública por problemas na

qualidade no produto. Como o auto de infração só foi lavrado mais de 1 ano e meio

após a autuação, o revendedor não teve como produzir a contraprova de adulte-

ração do combustível, pois ele é obrigado a guardar as amostras pelo prazo de 6

meses. No caso, a demora da Administração Pública gerou a nulidade de seu ato

por inviabilizar o direito à ampla defesa.

O fato de a ampla defesa ser um direito subjetivo não significa ser ela uma

“carta branca” que autoriza o Deputado Distrital a exigir informações e provas ni-

tidamente desnecessárias à solução do caso analisado. Assim, por exemplo, se a

divergência decorre de questões exclusivamente jurídicas, como a de definir se a

lei a ser aplicada ao caso concreto é esta ou aquela, se está ou não está em vigor,

não há por que deferir a produção de provas.

No processo disciplinar contra Deputado Distrital, o direito à ampla defesa é

assegurado por meio da notificação pela CDDHCEDP para que ele apresente defesa

escrita e indique as provas que pretende produzir.

Paralelamente a isso, o Deputado Distrital pode arguir impedimento ou suspei-

ção tanto dos membros da CDDHCEDP, quanto do Corregedor e dos membros da

Mesa Diretora; pode constituir procurador para acompanhar o processo e apresen-

tar sua defesa; pode inquirir, reinquirir e contraditar testemunhas, produzir provas

e contraprovas e formular quesitos.
6 AgRg no REsp n. 1554075/RN, julgado em 1/12/2015, Relator Min. Humberto Martins, 2ª Turma, DJe de
10/12/2015.
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Por mais amplo que seja o direito de defesa, há certos expedientes que podem

ser indeferidos pelo presidente da CDDHCEDP, se forem considerados impertinen-

tes, meramente protelatórios ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos

fatos. No caso de pedidos de oitivas de dezenas de testemunhas para o mesmo

processo disciplinar, ou de pedido de requisição de documentos de outros órgãos ou

entidades que não guardem qualquer relação com os fatos, é lícito o indeferimento,

sem que isso configure cerceamento de defesa.

3.3.4.3. Prazo para a defesa escrita

O prazo para o Deputado Distrital apresentar defesa escrita é de 30 dias corridos,

contados da notificação, que deve estar acompanhada de cópia da representação.

3.3.4.4. Procurador e defensor dativo

O Deputado Distrital pode apresentar sua defesa pessoalmente ou por meio de

procurador legalmente constituído. Esse procurador, por exigência do CEDP (art.

18), tem de ser advogado.

Em caso de não apresentação da defesa escrita no prazo de 30 dias corridos,

cabe à CDDHCEDP nomear um defensor dativo para apresentar a defesa escrita no

prazo de 15 dias corridos. Esse defensor pode ser servidor da própria Câmara

Legislativa, mas deve ser escolhido entre os que possuem inscrição na Ordem dos

Advogados do Brasil como advogados.

3.3.5. Instrução

A instrução do processo disciplinar é a fase destinada à produção de provas e à

realização de diligências pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidada-

nia, Ética e Decoro Parlamentar.

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Independentemente das convicções político-partidárias de cada membro da co-

missão, a CDDHCEDP deve produzir todas as provas necessárias à busca da verda-

de real ou verdade material.

O princípio da verdade material, próprio do Direito Processual, determina que

a investigação processual deve buscar compreender os fatos e suas circunstâncias

tal como efetivamente ocorreram. Embora se admita no processo civil a verdade

formal, isto é, aquela provada apenas no processo, independentemente de corres-

ponder ou não aos fatos7, no processo penal a presunção dos fatos é descabida,

pois o juiz “tem o dever de investigar a verdade real, procurar saber como os fatos

se passaram na realidade, quem realmente praticou a infração e em que condições

as perpetrou, para dar base certa à justiça”8.

Assim como no processo penal, o processo disciplinar contra Deputado Distrital

também tem de ser o instrumento para buscar a verdade real. Os fatos e as versões

sobre eles manifestadas na representação, denúncia ou notícia de infração têm de

ser submetidos, na fase de instrução, a significativo conjunto de comprovação, a

fim de que se possa ter “completa elucidação dos fatos”.

Os fatos ou circunstâncias a ele inerentes não comprovados no processo disci-

plinar, ainda que não contestados pelo Deputado Distrital, não acarretam a presun-

ção de verdade.

O dever de buscar a verdade material no processo disciplinar é da CDDHCEDP,

que, parafraseando a Corregedoria-Geral da União, “tem o poder-dever de tomar

emprestado e de produzir provas a qualquer tempo, atuando de ofício ou mediante

provocação, de modo a formar sua convicção sobre a realidade fática em apuração.

7 No CPC/2015 (arts. 76, § 3º; 99, § 3º; 307; 408; 414, 828, § 4º; etc.), há várias hipóteses de presunção da ver-
dade sobre fatos, o que caracteriza a verdade formal em oposição à verdade real. No CPC/1973 (arts. 12, § 1º;
68; 261, parágrafo único; 285; 302; 368, 382; etc.), também ocorriam diversas hipóteses de verdade formal.
8 Fernando da Costa Tourinho Filho, Processo Penal, vol. I, p. 57.
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Ainda que o acusado do processo não tenha pedido a produção de determinada
diligência que poderia lhe beneficiar, afastando, por exemplo, sua autoria, cabe à
comissão buscar a produção de tal prova.”.
As provas coletadas pela CDDHCEDP devem ser obtidas sempre por meios lí-
citos. Transcrições ou áudios de escutas telefônicas, por exemplo, não podem ser
usadas no processo disciplinar, salvo se emprestadas oficialmente pelo juiz compe-
tente. De igual modo, não podem ser usadas cópias de correspondências, incluídos
e-mails, que não tenham sido obtidas pela via oficial.
No caso de cópia de documento com a assinatura do Deputado acusado, deve-
-se ter o cuidado de confrontá-la com o documento original, pois é muito fácil fazer
montagens de textos diversos por meio de fotocópias.
Na instrução processual, é possível à CDDHCEDP tomar provas emprestadas
de processos administrativos ou judiciais, inclusive as que envolvem quebra de si-
gilo telefônico, telemático, fiscal ou bancário, tal como já decidiu o STF (Inq 2725
QO/SP, julgado em 25/6/2008, Relator Min. Carlos Brito, Tribunal Pleno, DJe de
26/9/2008).
O prazo para a instrução pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cida-
dania, Ética e Decoro Parlamentar é de 30 dias corridos, prorrogáveis por mais 30.

3.3.6. Parecer da CDDHCEDP

Concluída a fase instrutória, cabe à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos,
Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar emitir parecer no prazo de 5 sessões ordi-
nárias da Câmara Legislativa.
Esse parecer deve ter a mesma estrutura dos demais pareceres das comissões
(RICLDF, art. 92). Conforme visto na Aula 5, esse parecer é constituído de preâm-
bulo, relatório, voto do relator e fecho. O parecer deve concluir pela procedência

ou improcedência da representação, denúncia ou notícia da infração ao Código de

Ética e Decoro Parlamentar.
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Se concluir pela improcedência, o processo disciplinar é arquivado, e contra

essa decisão não cabe recurso.

Se concluir pela procedência, o processo segue para julgamento, com os desdo-

bramentos indicados no item seguinte.

3.3.7. Julgamento do processo disciplinar

A competência para julgar o processo disciplinar por infração de Deputado Dis-

trital ao Código de Ética e Decoro Parlamentar depende da sanção a ser aplicada.

Ela está na Lei Orgânica do Distrito Federal e no CEDP, conforme segue.

1º) A própria Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e

Decoro Parlamentar é competente para aplicar a sanção de advertência ou censura

escritas aprovadas em seu parecer (CEDP, arts. 12 e 13).

Embora o CEDP seja silente, o ato para aplicar a sanção pela própria comis-

são é distinto do parecer. Em razão disso, é recomendável que, anexo ao parecer,

a comissão edite uma resolução na qual fique explícita a sanção aplicada, com a

indicação da síntese de sua causa. Essa resolução deve ser publicada no Diário da

Câmara Legislativa.

2º) A Mesa Diretora, quando se tratar de sanção de perda do mandato por fal-

tas injustificadas a 1/3 das sessões ordinárias de cada sessão legislativa, é o órgão

competente para aplicar a sanção de perda do mandato (LODF, art. 63, § 3º).

Lembrete!
A Mesa Diretora também é competente para declarar a
perda do mandato de Deputado Distrital que perder ou
tiver suspensos os direitos políticos ou quando o decretar
a Justiça Eleitoral.
Nessas hipóteses, porém, não há o processo disciplinar.

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3º) Nos casos em que a competência para o julgamento do processo disciplinar

é do Plenário (LODF, art. 63, § 2º), o procedimento é o seguinte:

a) a CDDHCEDP deve oferecer, junto com o parecer que conclui pela perda do

mandado, um projeto de resolução, exteriorizando sua conclusão;

b) o parecer da CDDHCEDP é submetido ao exame dos aspectos constitucionais,

legais e jurídicos da Comissão de Constituição e Justiça, que tem o prazo de

5 sessões ordinárias da CLDF para desincumbir-se desse mister;

c) concluído o exame da CCJ, o processo com todas as suas peças é encaminha-

do à Mesa Diretora, que deve determinar a leitura em Plenário, publicá-lo no Diário

da Câmara Legislativa, distribuí-lo em avulsos (cópias) aos Deputados Distritais e

incluí-lo na ordem do dia da sessão seguinte, que pode ser ordinária ou extraordi-

nária;

d) em Plenário, durante a discussão, o Deputado Distrital que responde ao pro-

cesso pode usar da palavra para exercer o seu direito ao contraditório e à ampla

defesa, embora não haja previsão sobre isso no Regimento Interno;

e) a discussão e votação são realizadas em turno único (RICLDF, art. 160);

f) a votação é ostensiva pelo processo nominal (LODF, art. 63, § 2º);

g) a perda do mandato contida no projeto de resolução de iniciativa da CDDH-

CEDP, para ser aprovada, precisa do voto favorável da maioria absoluta dos Depu-

tados Distritais (LODF, art. 63, § 6º).

Advertência!
O Código de Ética e Decoro Parlamentar (art. 15) afir-
ma ser secreta a votação sobre perda de mandato de
Deputado Distrital. Isso, porém, está derrogado pela
LODF (arts. 58 e 63, § 2º).

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3.4. Incidentes

3.4.1. Impedimento ou suspeição do Corregedor

Na Câmara Legislativa, o Corregedor é único, não havendo Vice-Corregedor,

nem Subcorregedor. Por isso, nos casos em que o Corregedor estiver impedido ou

for suspeito para atuar no processo por infração parlamentar ao CEDP, deve a Câ-

mara Legislativa eleger um Corregedor ad hoc.

Não há no RICLDF, nem no Código de Ética e Decoro Parlamentar, regras para

declarar impedimento e suspeição do Corregedor. No entanto, em razão dos prin-

cípios que regem a Administração Pública, especialmente o da impessoalidade e o

da justiça, as normas processuais, incluídas as de natureza administrativa, buscam

afastar das decisões as possíveis influências de natureza pessoal, que podem trazer

suspeições e comprometer a isenção e imparcialidade do julgamento.

Para suprir a lacuna, podem ser usadas por empréstimos as regras de impedi-

mento e suspeição dos juízes nas regras dos processos judiciais, embora não sejam

de observância obrigatória. Assim, por exemplo, não deve desempenhar a atribui-

ção de Corregedor o Deputado Distrital que:

a) for amigo íntimo ou inimigo do Deputado acusado;

b) for ou tiver sido procurador ou sócio do Deputado acusado ou com ele tiver

alguma relação de parentesco, por si ou por seus familiares;

c) tiver aconselhado o Deputado acusado ou for credor ou devedor dele ou de

seu cônjuge ou companheiro ou de parentes dele;

d) se declarar suspeito por motivo de foro íntimo; etc.

Em todo caso, reconhecido o impedimento ou a suspeição, o Plenário tem de

eleger um Deputado Distrital como Corregedor ad hoc, que tem como atribuição

única e exclusiva emitir parecer prévio opinativo a respeito da representação sobre

a qual o Corregedor titular está impedido ou suspeito.
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3.4.2. Representação contra membro da CDDHCEDP ou da
CCJ (CEDP, art. 22)

Quando a representação, denúncia ou notícia de infração ao CEDP envolve

membros da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro

Parlamentar, eles estão impedidos de atuar no processo e, nesse caso específico,

ficam afastados das atribuições nessas comissões.

Em razão do impedimento, é convocado para atuar nas comissões o suplente do

Deputado Distrital processado, inclusive se for o Presidente. A atuação do suplente

é apenas para o processo disciplinar. Para as demais matérias, o Deputado Distrital

acusado não está impedido de atuar.

As atribuições do Presidente da CDDHCEDP ou da CCJ, quando processados por

ato incompatível com a ética ou o decoro parlamentar, são exercidas pelo respec-

tivo Vice-Presidente de cada comissão. E eles também ficam afastados como os

demais membros.

3.4.3. Renúncia do Deputado acusado ao mandato

A renúncia, conforme visto na Aula 2, é a recusa do Deputado Distrital em con-

tinuar no exercício do mandato. É um ato jurídico solene, unilateral, irrevogável,

irretratável e que não depende de aceitação ou de aprovação de quem quer que

seja. Somente nos casos em que, eventualmente, for comprovada a existência de

vícios de consentimento pode a renúncia ser retratada ou mesmo anulada.

Segundo o Código de Ética e Decoro Parlamentar (art. 21), o processo discipli-

nar por quebra da ética ou do decoro parlamentar não é, em nenhuma hipótese,

interrompido pela renúncia do Deputado Distrital ao mandato, nem são elididas

pela renúncia as sanções aplicáveis ou seus efeitos.
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A LODF (art. 63, § 4º), repetindo a CF/1988 (art. 55, § 4º), por sua vez, deter-

mina que a renúncia de Deputado Distrital submetido a processo que vise ou possa

levar à perda do mandato tem seus efeitos suspensos até as deliberações finais do

Plenário ou da Mesa Diretora sobre a perda do mandato.

Com isso, a renúncia é válida, e o mandato do Deputado Distrital fica vago. No

entanto, o processo por conduta que possa levar à perda do mandato continua até

ser definitivamente decidido pelo Plenário ou pela Mesa Diretora.

Há, porém, de se fazer um divisor de águas. A determinação legal é que o pro-

cesso disciplinar continue até ser definitivamente decidido. Para isso, é necessário

que ele já tenha sido instaurado pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos,

Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar. Assim, se a renúncia ocorre antes dessa

instauração, ainda que já tenha sido emitido o parecer prévio opinativo do Correge-

dor, a representação, denúncia ou notícia de infração ao CEDP deve ser arquivada.

A renúncia, no entanto, mesmo que tenha evitado o processo disciplinar, não

afasta a inelegibilidade, se já houver sido protocolada representação pedindo a per-

da do mandato parlamentar, pois, segundo a Lei Complementar federal n. 64, de

18/5/1990, (art. 1º, I, k), são inelegíveis “o Presidente da República, o Governador

de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional,

das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que

renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição

capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Cons-

tituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou

da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período

remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequen-

tes ao término da legislatura”.

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3.5. Efeitos da perda do mandato

O efeito imediato da perda do mandato é a vacância, o que enseja a convocação

do suplente respectivo para assumir o mandato na qualidade de titular (RICLDF,

arts. 28 e 30, I).

O Deputado Distrital que perde o mandato por ato incompatível com o deco-

ro parlamentar ou por incorrer nas incompatibilidades do art. 62 da LODF (item

2.4.4.2, 1ª hipótese de perda do mandato, desta aula) fica inelegível durante o

tempo remanescente do mandato para o qual havia sido eleito e por mais 8 anos

após o término da legislatura (LC federal n. 64/1990, art. 1º, I, b).

Nos demais casos de perda do mandato previstos na LODF (art. 63, III a VII), os

efeitos da sanção para o Deputado que perdeu o mandato dependem do conteúdo

da conduta.

Quando a perda do mandato foi motivada em ausência injustificada a 1/3 das

sessões ordinárias, o Deputado Distrital não fica inelegível.

Quando a perda do mandato decorre de perda ou suspensão dos direitos políticos,

a inelegibilidade aplica-se aos que forem condenados à suspensão dos direitos políti-

cos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, por

ato doloso de improbidade administrativa que importe lesão ao patrimônio público e

enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito em julgado até o transcurso

do prazo de 8 anos após o cumprimento da pena (LC federal n. 64/1990, art. 1º, l).

Se a perda do mandato decorre de decisão da Justiça Eleitoral, a inelegibilidade

aplica-se:

a) aos que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela

Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão cole-

giado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a

eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se

realizarem nos 8 anos seguintes (LC federal n. 64/1990, art. 1º, d);
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b) aos que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida

por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, por corrupção eleitoral, por captação ilícita

de sufrágio, por doação, captação ou gastos ilícitos de recursos de campanha ou

por conduta vedada aos agentes públicos em campanhas eleitorais que impliquem

cassação do registro ou do diploma, pelo prazo de 8 anos a contar da eleição (LC

federal n. 64/1990, art. 1º, j).

Nos casos de perda do mandato por condenação criminal, a inelegibilidade apli-

ca-se aos que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida

por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8

anos após o cumprimento da pena, pelos crimes (LC federal 64/1990, art. 1º, e):

1) contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimô-

nio público;

2) contra o patrimônio privado, o sistema financeiro, o mercado de capitais e os

previstos na lei que regula a falência;

3) contra o meio ambiente e a saúde pública;

4) eleitorais, para os quais a lei comine pena privativa de liberdade;

5) de abuso de autoridade, nos casos em que houver condenação à perda do

cargo ou à inabilitação para o exercício de função pública;

6) de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores;

7) de tráfico de entorpecentes e drogas afins, racismo, tortura, terrorismo e

hediondos;

8) de redução à condição análoga à de escravo;

9) contra a vida e a dignidade sexual;

10) praticados por organização criminosa, quadrilha ou bando.

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3.6. Casuística

3.6.1. Deputado licenciado ou afastado do mandato

Conforme autorizado pela Lei Orgânica, o Deputado Distrital pode licenciar-se

do mandato, sem perdê-lo:

a) investido na função de Ministro de Estado, Secretário-Executivo de Ministério

ou equivalente, Secretário de Estado do Distrito Federal, Administrador Regional,

chefe de missão diplomática temporária ou dirigente máximo de autarquia, funda-

ção pública, agência, empresa pública ou sociedade de economia mista pertencen-

tes à administração pública federal e distrital;

b) licenciado pela Câmara Legislativa por motivo de doença ou para tratar, sem

remuneração, de interesse particular desde que, neste caso, o afastamento não

ultrapasse cento e vinte dias por sessão legislativa.

Em todas as hipóteses, porém, embora o Deputado Distrital esteja afastado do

exercício efetivo do mandato, ele mantém o vínculo jurídico com a Câmara Legisla-

tiva e com as prerrogativas que o mandato lhe proporciona, como é o caso do foro

por prerrogativa de função, conforme visto na Aula 2 (LODF, art. 61, § 1º).

No entanto, o processo disciplinar para a perda do mandato depende da conduta

durante o afastamento.

Sobre a primeira hipótese, isto é, nos casos de afastamento do Deputado Dis-

trital para exercer cargo no Poder Executivo, parece haver duas hipóteses distintas.

Numa delas, se os atos praticados tiverem vinculação estrita com o exercício

do cargo no Poder Executivo, como os de Secretário de Estado (LODF, art. 105,

parágrafo único), não cabe o processo disciplinar na CLDF por quebra de decoro

parlamentar porque, nesse caso, o Deputado-Secretário responde por crime de

responsabilidade perante o TJDFT (Lei federal n. 11.697/2008, art. 8º, I, a).
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No entanto, numa segunda hipótese, se a ilicitude da conduta parlamentar se

caracteriza pelo envolvimento do Deputado afastado com outros Deputados, de

forma a atingir a dignidade do Poder Legislativo, o processo disciplinar é possível.

Parece ser essa a orientação jurisprudencial do STF9 para os parlamentares

federais, sintetizada em trechos do Acórdão abaixo, cujo entendimento também

serve para análise da situação dos Deputados Distritais:

3. O membro do Congresso Nacional que se licencia do mandato para investir-se no car-
go de Ministro de Estado não perde os laços que o unem, organicamente, ao Parlamento
(CF, art. 56, I). Consequentemente, continua a subsistir em seu favor a garantia consti-
tucional da prerrogativa de foro em matéria penal (INQ-QO 777-3/TO, rel. min. Moreira
Alves, DJ 01.10.1993), bem como a faculdade de optar pela remuneração do mandato
(CF, art. 56, § 3º). Da mesma forma, ainda que licenciado, cumpre-lhe guardar estrita
observância às vedações e incompatibilidades inerentes ao estatuto constitucional do
congressista, assim como às exigências ético-jurídicas que a Constituição (CF, art. 55,
§ 1º) e os regimentos internos das casas legislativas estabelecem como elementos ca-
racterizadores do decoro parlamentar.
4. Não obstante, o princípio da separação e independência dos poderes e os mecanis-
mos de interferência recíproca que lhe são inerentes impedem, em princípio, que a Câ-
mara a que pertença o parlamentar o submeta, quando licenciado nas condições supra-
mencionadas, a processo de perda do mandato, em virtude de atos por ele praticados
que tenham estrita vinculação com a função exercida no Poder Executivo (CF, art. 87,
parágrafo único, incisos I, II, III e IV), uma vez que a Constituição prevê modalidade
específica de responsabilização política para os membros do Poder Executivo (CF, arts.
85, 86 e 102, I, c).
5. Na hipótese dos autos, contudo, embora afastado do exercício do mandato parlamen-
tar, o Impetrante foi acusado de haver usado de sua influência para levantar fundos jun-
to a bancos “com a finalidade de pagar parlamentares para que, na Câmara dos Depu-
tados, votassem projetos em favor do Governo” (Representação n. 38/2005, formulada
pelo PTB). Tal imputação se adequa, em tese, ao que preceituado no art. 4º, inciso IV
do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados que qualifica como
suscetíveis de acarretar a perda do mandato os atos e procedimentos levados a efeito
no intuito de “fraudar, por qualquer meio ou forma, o regular andamento dos trabalhos
legislativos para alterar o resultado de deliberação”.
6. Medida liminar indeferida.

9 MS 25579 MC/DF, julgado em 19/10/2005, Relator Min. Sepúlveda Pertence, Relator p/ o Acórdão Min. Joa-
quim Barbosa, Tribunal Pleno, DJe de 19/10/2005.
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Sobre as demais hipóteses de licença, o Deputado Distrital que cometer atos

contrários à ética e ao decoro parlamentar pode responder ao processo disciplinar

sem maiores problemas. Alessandro Soares10 escreveu, sobre as condutas de De-

putados Federais e Senadores, servindo também para compreender as dos Depu-

tados Distritais que se licenciam do mandato (CF/1988, art. 32, § 3º), o seguinte:

Não parece haver dúvida de que o parlamentar licenciado fica submetido às regras de
decoro previstas no regime jurídico do congressista, de modo que, se cometer algum
deslize ético, poderá ter instaurado contra si, assim que retorne ao exercício efeti-
vo da função, processo de cassação de mandato nos termos do art. 55, II, § 2º, da
Constituição. Supor o contrário resultaria imaginar que ao parlamentar seria garantido
positivamente na Constituição o direito de violar o seu próprio texto, já que toda vez
que tivesse o intuito de realizar ato imoral e ofensivo à dignidade institucional bastaria
solicitar licença para praticar a conduta; dessa forma, ao retornar à sua Casa Legisla-
tiva, os seus pares estariam impedidos de lhe impor qualquer sanção, o que seria um
verdadeiro absurdo. As regras de decoro, constituindo norma de moralidade, aplicam-se
tanto à vida pública como à privada do parlamentar; de fato, quanto ao tempo do ato
indecoroso, requer-se apenas que seja realizado em concomitância com o exercício do
mandato representativo. Se era parlamentar à época da conduta, pouco importa se foi
no âmbito de sua atuação como congressista ou se no exercício de atividades privadas.
Atingida a dignifica e prestígio do Parlamento, está aberta a possibilidade da cassação.

3.6.2. Condutas anteriores ao mandato

Um dos requisitos para a abertura de processo disciplinar contra Deputado Dis-

trital é que a conduta incompatível com a ética e o decoro parlamentar seja con-

temporânea ao exercício do mandato. Nesse ponto, há duas questões a serem

analisadas. São elas:

a) conduta contrária à ética e ao decoro parlamentar ocorrida antes do exercício

de qualquer mandato;

b) conduta contrária à ética e ao decoro parlamentar ocorrida durante o exercí-

cio de mandato anterior.

10 Processo de Cassação do Mandato Parlamentar por Quebra de Decoro, p. 157.
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Nos casos de condutas anteriores ao exercício de qualquer mandato de Depu-

tado Distrital, não cabe o processo disciplinar nem a aplicação de qualquer sanção,

ainda que os fatos só tenham se tornado públicos após a posse. É que não se pode

exigir conduta de acordo com o decoro parlamentar de quem não é parlamentar.

Foi em razão desse aspecto que o Parecer Opinativo do Corregedor no Processo

n. 26/2016 considerou improcedente a representação contra certa Deputada, que

havia sido denunciada no Poder Judiciário por suposto crime cometido antes do

exercício do mandato (Diário da Câmara Legislativa de 25/11/2016, p. 27).

Nos casos de atos incompatíveis com o decoro parlamentar praticados em man-

dato anterior, o entendimento é de que o Deputado Distrital pode responder por

eles, pois, tanto num quanto noutro mandato, o Deputado Distrital tem a obrigação

de agir em conformidade com o decoro parlamentar. Embora sem ter-se aprofunda-

do na matéria, parece ter sido essa uma das várias afirmações contidas na decisão

do STF no MS 23388/DF (julgado em 25/11/199, Relator Min. Néri da Silveira,

Tribunal Pleno, DJ de 20/4/2001).

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Quadro resumo do processo disciplinar contra Deputado Distrital

Legitimado para oferecer representação
1 1 1 2 2 2 2
Partido político Mesa diretora Deputado Corregedor Comissão permanente Cidadão Entidade civil

3 3 4 3

Perda do mandato 1 e 3 Perda do mandato 2 Perda do mandato 4
Perda do mandato 3 Advertência e
(LODF, art. (LODF, art. 63:
(LODF, art. 63, § 2O) (LODF, art. 63, III e § 3O) censura escritas
63, IV, V e § 3O)
assunção pela Mesa)

5
Recebimento Mesa Diretora Não recebimento Arquivamento
6

Declaração de perda Leitura Perda do mandato 1,3 e 4, 10 Notificação ao Deputado para prestar
do mandado 2 (LODF, em Plenário advertência e censura escritas esclarecimentos (prazo: 1 dia útil)
art. 63, IV e V e § 3o) 8
7 Esclarecimento do Deputado
11
Distribuição Corregedoria (prazo: 10 dias úteis)
(2 dias úteis)
Decisão da 13
Mesa Diretora Parecer prévio opinativo da comissão
12
Recebimento CDDHCEDP (prazo: 15 dias úteis)
14

9 Indicação do relator mediante sorteio Não recebimento Arquivamento
Cópia à
CDDHCEDP 15
Defesa escrita e indicação de provas 16
(prazo: 30 dias corridos)
Não apresentação de defesa no prazo:
18
designação de defensor dativo
Diligências e instrução probatória (prazo:
17
30 dias corridos, prorrogável por + 30)
19 Defesa escrita e indicação de provas
Decisão da CDDHCEDP (prazo: 15 dias corridos)
(Parecer no prazo de 5 dias corridos)

Procedência Improcedência Arquivamento
20
4 21

Advertência e Perda do mandato 1 e 4 (LODF, art. 63, I, II, VI, VII e § 2O) Perda do mandato 2 e 4
censuras escritas (LODF, art. 63, III e § 2O)
22 23
Oferecimento do projeto de resolução pela CDDHCEDP Parecer da CCJ
(5 sessões ordinárias)
Aplicação 24 Parecer sobre aspectos constitucionais,
da sanção
CCJ legais e jurídicos (5 sessões ordinárias) Declaração pela
pela própria
25 Mesa Diretora
CDDHCEDP Ecaminhamento à Mesa Diretora

Mesa Leitura em Plenário
26
Diretora Publicação no DCL e distribuição em avulsos
Inclusão na ordem do dia de sessão ordinária ou extraordinária
27
Discussão e votação em turno único
Plenário
28 Deliberação pela maioria absoluta dos Deputados Distritais

Perda do mandato Aprovação Rejeição Arquivamento
29
Promulgação da resolução pelo Presidente (prazo: 10 dias úteis)

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Disposições legais do quadro resumo apresentado acima:

1) Legitimados: LODF, art. 63, §§ 2º e 3º.

2) RICLDF, art. 39, § 1º, XIII.

3) Perda do mandato: LODF, art. 63, I a VII; CEDP, arts. 11 e 14.

4) Advertência e censura escritas: CEDP, arts. 11, 12 e 13.

5) Endereçamento à Mesa Diretora: RICLDF, art. 39, § 1º, XIII.

6) Leitura em Plenário: RICLDF, art. 153, § 3º.

7) Declaração de perda do mandato pela Mesa Diretora, sem processo disciplinar,

em cumprimento de decisão judicial: LODF, art. 63, § 3º. STF, Ação Penal 470/

MG, julgada em 17/12/2012, Relator Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno,

DJe de 22/4/2013.

8) Distribuição à Corregedoria, art. 153, § 3º.

9) Cópia da representação para a CDDHCEDP simultaneamente à distribuição

para a Corregedoria: RICLDF, art. 153, § 3º.

10) Prazo para notificação pelo Corregedor ao Deputado: RICLDF, art. 50, § 2º.

11) Prazo para esclarecimentos pelo Deputado ao Corregedor: RICLDF, art. 50, § 2º.

12) Prazo para o parecer prévio opinativo do Corregedor: RICLDF, art. 50, § 3º.

13) Encaminhamento do processo pelo Corregedor à CDDHCEDP: RICLDF, art. 50,

§ 4º; deliberação sobre o parecer: CEDP, art. 17, caput.

14) Sorteio do relator: CEDP, art. 17, I.

15) Prazo para o Deputado apresentar defesa escrita: CEDP, art. 17, II.

16) Designação de defensor dativo, se a defesa escrita não tiver sido apresentada

no prazo: CEDP, art. 17, III.

17) Prazo para o defensor dativo apresentar defesa escrita: CEDP, art. 17, III.

18) Instrução probatória e diligências: CEDP, art. 17, IV.

19) Parecer da CDDHCEDP: CEDP, art. 17, IV.

20) Perda do mandato de competência do Plenário: CEDP, art. 17, V.
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21) Perda do mandato de competência da Mesa Diretora: CEDP, art. 17, V.

22) Oferecimento do projeto de resolução no caso de perda do mandato de com-

petência do Plenário: CEDP, art. 17, V.

23) Parecer da CCJ em perda do mandato de competência da Mesa Diretora:

CEDP, art. 17, IV.

24) Parecer da CCJ em perda do mandato de competência do Plenário: RICLDF,

art. 63, V.

25) Encaminhamento do processo pela CCJ à Mesa Diretora: CEDP, art. 17, VI.

26) Formalidades burocráticas: CEDP, art. 17, VI.

27) Projeto de resolução sujeito a turno único de discussão e votação em Plenário:

RICLDF, art. 160.

28) Quorum para deliberação e aprovação da perda do mandato: LODF, art. 63, § 2º.

29) Prazo para promulgação da resolução que aprova a perda do mandato: RICL-

DF, art. 206, § 1º.

Perda do mandato 1 (LODF, art. 63, § 2o)
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado;
VII – que se utilizar do mandato para a prática de atos de corrupção ou improbidade administrativa.

Perda do mandato 2 (LODF, art. 63, IV, V e § 3o)
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição Federal;

Perda do mandato 3 (LODF, art. 63, III e § 3o)
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias, salvo
licença ou missão autorizada pela Câmara Legislativa;

Perda do mandato 4 (RICLDF, art. 39, § 1o, XIII)

Todos os casos de perda do mandato 1, 2 e 3, mas a representação depende de um juízo de valor da
Mesa Diretora.

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GLOSSÁRIO

Cassação: termo que designava, no passado, a sanção de perda do mandato

(CF/1967, art. 181, II). O termo deriva do verbo latino cassare = “invalidar, tornar

sem efeito”.

Código: compilação de leis esparsas, organizadas de forma sistemática num só

texto legislativo, com a eliminação das incoerências existentes.

Decoro parlamentar: conjunto de preceitos que regem ou devem reger a

conduta dos Deputados Distritais no cumprimento dos seus deveres institucionais

e nas suas relações com o exercício do mandato.

Ética: conjunto de preceitos que regem o comportamento social, aceitos pela

sociedade para a boa convivência entre seus indivíduos.

Inelegibilidade: condição do cidadão legalmente proibido de ser candidato a

cargo eletivo.

Perda do mandato: sanção aplicada a Deputado Distrital que leva à extinção

do mandato antes do tempo para o qual foi eleito.

Representação: documento assinado por partido político, associação ou indi-

víduo contra Deputado Distrital, por infringência ao Código de Ética e Decoro Par-

lamentar.

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QUESTÕES DE CONCURSO

Há, nas questões extraídas de concursos públicos abaixo, temas que se repe-
tem. Não se preocupe, isso ajuda a fixar a matéria.

(CESPE/CLDF/INSPETOR DE POLÍCIA LEGISLATIVA/2005) Julgue os itens a seguir,

no que se refere aos Deputados Distritais.

1. Os Deputados Distritais são julgados pelo TJDFT, em caso de crime comum, e

pelo STJ, em caso de crime de responsabilidade.

2. A declaração de bens de cada um dos Deputados Distritais deve ser publicada

anualmente no Diário Oficial do DF.

3. É vedada a prisão em flagrante de Deputado Distrital, salvo pela prática de crime

inafiançável.

4. O Deputado Distrital pode ser processado criminalmente sem prévia licença da

CLDF, mas o processo pode ser sobrestado pelo voto da maioria dos Deputados

Distritais.

(CESPE/CLDF/CONSULTOR LEGISLATIVO — SOCIEDADE E MINORIAS/2005) Con-

siderando que Gustavo seja membro da CLDF e exerça a função de terceiro-secre-

tário, julgue os próximos itens.

5. Se Gustavo mudar de partido, ele perderá seu cargo na Mesa Diretora, salvo se

o seu novo partido for do mesmo bloco parlamentar do anterior.

6. Gustavo pode ser preso, em flagrante delito, pela prática de crime de tortura.
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(CESPE/CLDF/CONSULTOR LEGISLATIVO — REDAÇÃO PARLAMENTAR/2005) No

que respeita à organização do Estado e ao Poder Legislativo, julgue o item a seguir.

7. Não obstante o princípio federativo, o tratamento dos membros do Poder Legis-

lativo, nas três esferas do poder político, não é rigorosamente análogo, de modo

que eles não possuem as mesmas imunidades do ponto de vista formal e material.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO — TÉCNICA LEGISLA-

TIVA/2012/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) No que se refere aos deputados e suplentes,

julgue o item abaixo.

8. O suplente de Deputado convocado em caráter de substituição não pode ser es-

colhido para o cargo de suplente de Secretário.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR DE ORÇAMENTO E FISCALIZA-

ÇÃO/ 2014/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Julgue o item seguinte, relativo à disciplina

estabelecida no Regimento Interno da Câmara Legislativa.

9. Os blocos parlamentares são constituídos pelas representações de dois ou mais

partidos, independentemente do número de parlamentares que venham a ter em

sua composição, por deliberação das respectivas bancadas partidárias.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) Com base no estatuto jurídico dos congressistas e nas normas consti-

tucionais e regimentais pertinentes a esse tema, aplicáveis aos Deputados Distri-

tais, julgue os itens a seguir. Nesse sentido, considere que a sigla STF, sempre que

empregada refere-se ao Supremo Tribunal Federal.

10. É vedado ao Deputado Distrital aceitar cargo ou função em empresa concessio-

nária de serviço público, ainda que ele seja sócio da empresa.
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11. Se houver o provimento de ação movida pelo Ministério Público em que este

requeira a decretação da perda de mandato de Deputado Distrital pela justiça elei-

toral, devido à prática de crime eleitoral, a Mesa da Câmara Legislativa deve de-

clarar, de forma automática, a perda do mandato, sem que seja ouvido o Plenário

dessa Casa.

12. Deputado Distrital pode renunciar à imunidade parlamentar e abrir mão do foro

privilegiado, de modo a responder processo criminal na justiça comum.

13. O Deputado Distrital que acusar, em discurso, outro parlamentar da prática de

crime contra a administração pública responderá perante o TJDFT pelo crime de

difamação.

14. Recebida a denúncia contra Deputado Distrital pelo TJDFT, o processo criminal

somente terá início após expressa autorização do Plenário da Câmara Legislativa.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) De acordo com as normas relacionadas ao decoro parlamentar exigido

dos Deputados Distritais, julgue os itens seguintes.

15. Incidirá em quebra de decoro o Parlamentar que fizer acordo com seu suplente

com vistas a lhe viabilizar o exercício do mandato, desde que tal acordo comporte

cláusula financeira.

16. Ocorre quebra de decoro quando o Parlamentar desacata servidor da Câmara

Legislativa, mas não quando ele desacata outro Deputado Distrital, em face da

imunidade material.
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17. O Deputado Distrital deve respeitar as decisões tomadas legitimamente pelos

órgãos da CLDF, ainda que delas discorde, sob pena de incidir em quebra de decoro.

(2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/CESPE/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) A respeito das disposições constitucionais e regimentais pertinentes à

ética e ao decoro parlamentar, no âmbito da Câmara Legislativa, julgue os itens a

seguir.

18. Deputado Distrital que alterar, durante o mandato, sua filiação partidária esta-

rá sujeito à perda de mandato, por ofensa ao decoro parlamentar.

19. A abertura de processo disciplinar, na Comissão de Defesa dos Direitos Hu-

manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, contra um de seus integrantes não

implicará necessariamente seu afastamento dessa Comissão.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) Considerando o disposto na CF e no Código de Ética acerca de ética

parlamentar e considerando sua interpretação jurisprudencial, julgue os itens sub-

sequentes.

20. No caso de deliberação acerca da aplicação de sanção disciplinar por conduta

incompatível com o decoro parlamentar, o Deputado Distrital acusado não tem di-

reito a votar.

21. Compete ao TJDFT apreciar, em controle de constitucionalidade, o mérito do juízo

parlamentar que determinar a cassação do mandato de um Deputado Distrital.

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22. (CESPE/AL-ES/PROCURADOR/2011/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Assinale a opção

correta com base no Código de Ética e Decoro Parlamentar (Resolução 110/1996 e

posteriores alterações).

a) Os Deputados devem apresentar à Corregedoria, até o trigésimo dia seguinte

ao encerramento do prazo para entrega da declaração de imposto de renda de pes-

soa física, a cópia de sua declaração, bem como a de seu cônjuge, companheira ou

companheiro, sob pena de aplicação da sanção de perda do mandato.

b) O Deputado que inutilizar, total ou parcialmente, ou extraviar documento de que

tenha a guarda em razão do mandato pode ser incurso na sanção de suspensão do

exercício do mandato, quando não for aplicável penalidade mais grave.

c) A Corregedoria é constituída pelo Corregedor-Geral e respectivo Vice-Correge-

dor e por mais três membros titulares, e igual número de suplentes, todos eleitos

pelo Plenário, em processo de votação nominal, para mandato de dois anos, sendo

possível a recondução na mesma legislatura.

d) Utilizar, em discurso ou proposição, expressões atentatórias ao decoro parla-

mentar é falta disciplinar punível com a sanção de perda do mandato.

e) Se um Deputado for condenado pela Justiça Eleitoral à perda do mandato, essa

sanção administrativa deve ser declarada pela Mesa Diretora. QUESTÃO 84

23. (CESPE/AL-ES/ANALISTA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/2011/ADAPTAÇÃO AO

RICLDF) Acerca do Código de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF, assinale a opção

correta.

a) Em se tratando das declarações públicas obrigatórias, o Deputado deve apre-

sentar, obrigatoriamente e anualmente à Corregedoria cópia de sua declaração do

imposto de renda e, facultativamente, a da declaração desse imposto de seu côn-

juge, companheira ou companheiro.
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b) Com relação a medidas disciplinares, a advertência a Deputado será feita por

escrito e aplicada pelo Presidente da CLDF ou pelo Corregedor-Geral.

c) Regimentalmente, membro da Mesa pode integrar a Corregedoria.

d) É expressamente vedado ao Deputado, desde a expedição do diploma, ocupar

cargo ou função de que seja demissível ad nutum.

e) Abuso de prerrogativa constitucional assegurada aos membros do Poder Legis-

lativo não configura ato contrário à ética e ao decoro parlamentar.

24. (CESPE/AL-ES/TAQUÍGRAFO PARLAMENTAR/2011/ADAPTAÇÃO AO RICLDF)

No que tange aos atos relacionados à ética parlamentar, às vedações constitucio-

nais e às obrigações dos Deputados, à luz do que dispõe o Código de Ética e Decoro

Parlamentar, assinale a opção correta.

a) O Deputado tem de apresentar anualmente à Mesa Diretora a sua declaração de

bens e fontes de renda.

b) É expressamente vedado ao Deputado firmar ou manter contrato de qualquer

teor com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de econo-

mia mista ou empresa concessionária de serviço público.

c) A celebração, por Deputado, de contrato com instituição financeira controlada

pelo poder público é considerada incompatível com a ética e o decoro parlamentar

e passível de punição com a perda do mandato.

d) É expressamente vedado ao Deputado, desde a expedição do diploma, ser pro-

prietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de con-

trato com pessoa jurídica de direito público.

e) Cabe à Mesa Diretora da CLDF providenciar a divulgação da declaração anual

de imposto de renda dos parlamentares no órgão de publicação oficial, em forma

resumida.
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25. (UEG/AL-GO/PROCURADOR/2006/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) A Constituição

Federal estabelece que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por

quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, mas também enuncia-lhes obriga-

ções, impedimentos ou proibições, tendo como escopo o bom e livre exercício do

mandato. Sobre esse assunto, analise a validade das seguintes afirmações:

I – Os Deputados Distritais não podem, desde a expedição do diploma, firmar ou

manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa

pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço

público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes.

II – Os Deputados Distritais não podem, desde a posse, ser proprietários, con-

troladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato

com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada.

III – O servidor público da administração direta, investido no mandato de Depu-

tado Distrital, mesmo havendo compatibilidade de horário, será afastado do

cargo ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.

IV – As imunidades de Deputados Distritais não subsistem durante o estado de

sítio.

Assinale a alternativa correta:

a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.

b) Apenas as afirmações I, III e IV são verdadeiras.

c) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.

d) Todas as afirmações são verdadeiras.

26. (FGV/AL-MA/ADVOGADO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Segundo a Lei Orgâ-

nica do Distrito Federal, com relação às causas que podem levar à perda de man-

dato por parte dos Deputados, analise as afirmativas a seguir.
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I – Cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar.

II – Quando decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição Fe-

deral.

III – Que sofrer condenação criminal em sentença, ainda que não transitada em

julgado.

Assinale:

a) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se somente a afirmativa II estiver correta.

e) se somente a afirmativa I estiver correta.

27. (FUMARC/AL-MG/CONSULTOR ADMINISTRATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICL-

DF) São hipóteses de perda do mandato de Deputado, EXCETO:

a) perda dos direitos políticos.

b) investidura em cargo de Secretário de Estado.

c) procedimento incompatível com o decoro parlamentar.

d) condenação criminal em sentença transitada em julgado.

28. (FCC/AL-RN/ANALISTA LEGISLATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Um De-

putado perturbou a ordem durante uma sessão ordinária. Esse ato é passível da

pena de:

a) censura escrita.

b) suspensão temporária de 30 dias.

c) suspensão temporária de 60 dias.

d) suspensão temporária de 90 dias.

e) perda do mandato.
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29. (FCC/AL-RN/TÉCNICO LEGISLATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Um De-

putado recém-empossado verificou, no Código de Ética e Decoro Parlamentar da

CLDF, que é passível de punição da perda do mandato o ato de:

a) agredir por atos outro Deputado nas dependências da CLDF.

b) perturbar a ordem nas sessões da CLDF.

c) praticar transgressões reiteradas aos preceitos constitucionais.

d) revelar informações e documentos de caráter reservado.

e) realizar procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar.

As questões abaixo, formuladas pelo professor, objetivam apenas a memorização

do conteúdo visto nesta Aula 12. Julgue as afirmações como corretas ou erradas

em relação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF – CEDP.

30. O Código de Ética e Decoro Parlamentar, por ser matéria da competência legis-

lativa da CLDF, é aprovado por Resolução, sujeita, porém, à sanção do Governador,

pois tem efeitos externos.

31. É lícito a um Senador da República concorrer a mandato de Deputado Distrital,

mas, se eleito, não pode exercer os dois cargos simultaneamente.

32. Não é proibido ao Deputado Distrital tomar empréstimo no BRB, quando o con-

trato obedece a cláusulas uniformes.

33. As condutas tipificadas como crimes só podem ser causa de sanção ao Depu-

tado Distrital após o trânsito em julgado da condenação penal.

34. Fundamentada na separação das instâncias, a CLDF pode aplicar sanção de

perda do mandato a Deputado Distrital motivada em improbidade administrativa,

independentemente de qualquer decisão judicial sobre a matéria.

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35. O Código de Ética e Decoro Parlamentar não prevê a suspensão do exercício do

mandato como medida disciplinar.

36. Perturbar a ordem das sessões plenárias ou das reuniões da comissão, por

ser procedimento incompatível com o decoro parlamentar, é motivo para perda do

mandato de Deputado Distrital.

37. A representação por procedimento incompatível com a ética e decoro parla-

mentar deve ser encaminhada diretamente para a Comissão de Defesa dos Direitos

Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, devendo ser endereçada ao Pre-

sidente dessa comissão.

38. A censura escrita é aplicada pela própria Comissão de Defesa dos Direitos Hu-

manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar.

39. O relator sobre representação contra Deputado Distrital é escolhido mediante

sorteio.

40. O prazo para o Deputado Distrital apresentar esclarecimentos perante o Cor-

regedor é de 10 dias úteis; perante a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos,

Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, é de 30 dias corridos.

41. Num discurso da tribuna do Plenário, o Deputado C excedeu-se em sua lingua-

gem e xingou um colega com palavras de baixo calão, o que ensejou uma represen-

tação do Deputado ofendido, protocolada junto à Mesa Diretora. Nessa hipótese,

a Mesa Diretora deve indeferir a representação, porque a conduta do Deputado

decorre do exercício do mandato parlamentar, protegida pela imunidade material.
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42. O Código de Ética e Decoro Parlamentar determina que o Deputado Distrital

apresente declaração ao assumir o mandato e em certo período anterior às eleições.

Considerando que as próximas eleições ocorrem no dia 6 de outubro de 2018, a de-

claração de bens deve ser apresentada, no máximo, até o dia 6 de julho desse ano.

43. Um certo Deputado Distrital foi nomeado pelo Governador para exercer o car-

go de Presidente da NOVACAP, empresa pública do Distrito Federal. Nesse caso, o

Deputado pode assumir o cargo sem perder o mandato, mas fica afastado das suas

funções na Câmara Legislativa.

44. Um certo Deputado foi denunciado pelo Ministério Público por crime de cor-

rupção, em razão de ter recebido vantagem indevida decorrente de uma emenda

à lei orçamentária anual. Nesse caso, a Câmara Legislativa só pode abrir processo

disciplinar contra o Deputado se ele for condenado em sentença irrecorrível.

45. O enriquecimento ilícito é capitulado como ato de improbidade administrativa.

Se o Deputado Distrital incorrer nessa conduta, a sanção prevista é a perda do

mandato.

46. O Deputado C pediu vistas de um projeto de lei de iniciativa do Poder Execu-

tivo, mas não o devolveu no prazo regimental, porque era contrário à medida. Por

causa dessa conduta, o Deputado C pode receber a sanção de censura escrita.

Para as quatro questões seguintes, considere a seguinte situação hipotética:

O Deputado Y, membro da Comissão de Constituição e Justiça, foi acusado em

representação recebida pela Mesa Diretora de ato incompatível com o decoro par-

lamentar. Após o trâmite, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania,

Ética e Decoro Parlamentar considerou procedente a representação, aprovando o

parecer do relator.

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47. Junto com o parecer, a Comissão deve oferecer o respectivo projeto de decreto

legislativo.

48. Na Comissão de Constituição e Justiça, o Deputado Y será, necessariamente,

substituído pelo respectivo suplente na apreciação desse processo.

49. No Plenário, o Presidente da CLDF deve determinar que a sessão para aprecia-

ção dessa matéria seja secreta.

50. A votação, em Plenário, é em turno único, pelo processo ostensivo nominal, e

a perda do mandato depende do voto favorável da maioria absoluta da composição

da CLDF.

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GABARITO

1. E 26. b

2. E 27. b

3. C 28. a

4. C 29. e

5. E 30. E

6. C 31. C

7. C 32. C

8. C 33. E

9. E 34. C

10. C 35. C

11. C 36. E

12. E 37. E

13. E 38. C

14. E 39. C

15. C 40. C

16. E 41. E

17. C 42. E

18. E 43. C

19. C 44. E

20. C 45. C

21. E 46. C

22. e 47. E

23. d 48. C

24. a 49. E

25. a 50. C

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GABARITO COMENTADO

Há, nas questões extraídas de concursos públicos abaixo, temas que se repe-
tem. Não se preocupe, isso ajuda a fixar a matéria.

(CESPE/CLDF/INSPETOR DE POLÍCIA LEGISLATIVA/2005) Julgue os itens a seguir,
no que se refere aos Deputados Distritais.

1. Os Deputados Distritais são julgados pelo TJDFT, em caso de crime comum, e
pelo STJ, em caso de crime de responsabilidade.

Errado.
A primeira proposição está correta, pois decorre da LODF (art. 61, § 1º). A segunda
está errada, pois não há previsão legal de crime de responsabilidade para Depu-
tado Distrital, nem há previsão de julgamento dos Deputados Distritais pelo STJ
(CF/1988, art. 105).

2. A declaração de bens de cada um dos Deputados Distritais deve ser publicada
anualmente no Diário Oficial do DF.

Errado.
O Deputado Distrital tem de fazer declaração pública anual de bens (LODF, art. 19,
§ 3º, VIII), e a publicidade é dada por meio do Diário da Câmara Legislativa (RICL-
DF, art. 14) e não do Diário Oficial do Distrito Federal.

3. É vedada a prisão em flagrante de Deputado Distrital, salvo pela prática de crime
inafiançável.

Certo.
A afirmação está em conformidade com a LODF (art. 61, § 6º).

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4. O Deputado Distrital pode ser processado criminalmente sem prévia licença da

CLDF, mas o processo pode ser sobrestado pelo voto da maioria dos Deputados

Distritais.

Certo.

As duas afirmações estão em conformidade com a LODF (art. 61, § 4º).

(CESPE/CLDF/CONSULTOR LEGISLATIVO — SOCIEDADE E MINORIAS/2005) Con-

siderando que Gustavo seja membro da CLDF e exerça a função de terceiro-secre-

tário, julgue os próximos itens.

5. Se Gustavo mudar de partido, ele perderá seu cargo na Mesa Diretora, salvo se

o seu novo partido for do mesmo bloco parlamentar do anterior.

Errado.

A mudança de partido não acarreta a perda do cargo na Mesa Diretora (RICLDF,

art. 17).

6. Gustavo pode ser preso, em flagrante delito, pela prática de crime de tortura.

(CESPE/CLDF/CONSULTOR LEGISLATIVO — REDAÇÃO PARLAMENTAR/2005) No

que respeita à organização do Estado e ao Poder Legislativo, julgue o item a seguir.

Certo.

O crime de tortura é inafiançável (CF/1988, art. 5º, XLIII), o que possibilita a prisão

em flagrante do Deputado (LODF, art. 61, § 2º).

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7. Não obstante o princípio federativo, o tratamento dos membros do Poder Legis-

lativo, nas três esferas do poder político, não é rigorosamente análogo, de modo

que eles não possuem as mesmas imunidades do ponto de vista formal e material.

Certo.

As três esferas de governo são a federal, a estadual e a municipal. Os vereadores

não gozam das mesmas imunidades garantidas aos Deputados Federais, Estaduais

ou Distritais (CF/1988, arts. 27, 32, § 3º, 29, VIII, e 53).

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO — TÉCNICA LEGISLA-

TIVA/2012/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) No que se refere aos deputados e suplentes,

julgue o item abaixo.

8. O suplente de Deputado convocado em caráter de substituição não pode ser es-

colhido para o cargo de suplente de Secretário.

Certo.

A afirmação está em conformidade com o RICLDF (art. 30, § 3º).

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR DE ORÇAMENTO E FISCALIZA-

ÇÃO/ 2014/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Julgue o item seguinte, relativo à disciplina

estabelecida no Regimento Interno da Câmara Legislativa.

9. Os blocos parlamentares são constituídos pelas representações de dois ou mais

partidos, independentemente do número de parlamentares que venham a ter em

sua composição, por deliberação das respectivas bancadas partidárias.

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Errado.

O RICLDF (art. 33, § 3º) exige a composição mínima de três Deputados Distritais

para os blocos parlamentares.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) Com base no estatuto jurídico dos congressistas e nas normas consti-

tucionais e regimentais pertinentes a esse tema, aplicáveis aos Deputados Distri-

tais, julgue os itens a seguir. Nesse sentido, considere que a sigla STF, sempre que

empregada refere-se ao Supremo Tribunal Federal.

10. É vedado ao Deputado Distrital aceitar cargo ou função em empresa concessio-

nária de serviço público, ainda que ele seja sócio da empresa.

Certo.

A vedação ao acesso a cargo nas concessionárias de serviço público não traz ne-

nhuma exceção (LODF, art. 62, I, b).

11. Se houver o provimento de ação movida pelo Ministério Público em que este

requeira a decretação da perda de mandato de Deputado Distrital pela justiça elei-

toral, devido à prática de crime eleitoral, a Mesa da Câmara Legislativa deve de-

clarar, de forma automática, a perda do mandato, sem que seja ouvido o Plenário

dessa Casa.

Certo.

Nos casos em que a perda do mandato de Deputado Distrital é determinada pela

Justiça Eleitoral, cabe à Mesa Diretora apenas declarar essa perda (LODF, art. 61,

V c/c § 3º).

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12. Deputado Distrital pode renunciar à imunidade parlamentar e abrir mão do foro

privilegiado, de modo a responder processo criminal na justiça comum.

Errado.
As imunidades parlamentares e a prerrogativa de função não são direitos pessoais
do Deputado e, portanto, não são disponíveis, pois decorrem da própria CF/1988

para proteger o Parlamentar e a independência dos Poderes.

13. O Deputado Distrital que acusar, em discurso, outro parlamentar da prática de
crime contra a administração pública responderá perante o TJDFT pelo crime de

difamação.

Errado.
Quando ocorre acusação a alguém de ter cometido crime, o tipo penal é calúnia e
não difamação (CP, art. 138). Além disso, o Deputado tem imunidade penal no uso
das palavras.

14. Recebida a denúncia contra Deputado Distrital pelo TJDFT, o processo criminal
somente terá início após expressa autorização do Plenário da Câmara Legislativa.

Errado.
Esse procedimento era o do texto original da CF/1988 e da LODF. Depois da EC n.
35/2001 e da ELO n. 48/2007, não há mais pedido de autorização para processar

Parlamentar.

(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) De acordo com as normas relacionadas ao decoro parlamentar exigido

dos Deputados Distritais, julgue os itens seguintes.
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15. Incidirá em quebra de decoro o Parlamentar que fizer acordo com seu suplente

com vistas a lhe viabilizar o exercício do mandato, desde que tal acordo comporte

cláusula financeira.

Certo.

Valer-se do cargo para obter vantagem econômica indevida caracteriza enriqueci-

mento ilícito, que é uma das espécies capituladas como improbidade administrativa

(Lei federal n. 8.429, de 2/6/1992, art. 9º). A improbidade administrativa é uma

das causas de perda do mandato (LODF, art. 63, VII).

16. Ocorre quebra de decoro quando o Parlamentar desacata servidor da Câmara

Legislativa, mas não quando ele desacata outro Deputado Distrital, em face da

imunidade material.

Errado.

Pelo Código de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF (Resolução 110/1996, art. 6º,

XI), o desacato a outro Parlamentar constitui ato incompatível com o decoro par-

lamentar.

17. O Deputado Distrital deve respeitar as decisões tomadas legitimamente pelos

órgãos da CLDF, ainda que delas discorde, sob pena de incidir em quebra de decoro.

Certo.

As Casas Legislativas são constituídas por correntes políticas de concepções diver-

sas e antagônicas, razão por que nunca se exige a unanimidade para aprovação de

matéria. No entanto, qualquer que seja a posição individual do Deputado, tem ele o

dever de respeitar as decisões tomadas na forma das normas vigentes. O desrespeito
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às decisões constitui violação ao decoro parlamentar (Resolução 110/1996, art. 6º).

(2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/CESPE/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) A respeito das disposições constitucionais e regimentais pertinentes à

ética e ao decoro parlamentar, no âmbito da Câmara Legislativa, julgue os itens a

seguir.

18. Deputado Distrital que alterar, durante o mandato, sua filiação partidária esta-

rá sujeito à perda de mandato, por ofensa ao decoro parlamentar.

Errado.

A mudança de um para outro partido faz parte da cultura política brasileira. Só re-

centemente começou a ser limitada por decisões do TSE. No entanto, quando um

Deputado troca de partido, pode ele perder o mandato por determinação da Justiça

Eleitoral (LODF, art. 63, V), mas não por infringir o decoro parlamentar.

19. A abertura de processo disciplinar, na Comissão de Defesa dos Direitos Hu-

manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, contra um de seus integrantes não

implicará necessariamente seu afastamento dessa Comissão.

Certo.

O membro da CDDHCEDP e o membro da CCJ não podem atuar no processo em

que respondem. Em seu lugar, é chamado o Suplente. Entretanto, ele permanece

como membro e pode atuar em outras matérias (Resolução 110/1996, art. 22, pa-

rágrafo único).

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(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/CONSULTOR LEGISLATIVO/2014/ADAPTAÇÃO

AO RICLDF) Considerando o disposto na CF e no Código de Ética acerca de ética

parlamentar e considerando sua interpretação jurisprudencial, julgue os itens sub-

sequentes.

20. No caso de deliberação acerca da aplicação de sanção disciplinar por conduta

incompatível com o decoro parlamentar, o Deputado Distrital acusado não tem di-

reito a votar.

Certo.

O Deputado não pode votar em causa própria (RICLDF, art. 188, parágrafo único).

21. Compete ao TJDFT apreciar, em controle de constitucionalidade, o mérito do juízo

parlamentar que determinar a cassação do mandato de um Deputado Distrital.

Errado.

A declaração de perda de mandato de Deputado Distrital é matéria sobre a qual não

cabe o controle judicial, salvo quando não foi observado o devido processo legal.

22. (CESPE/AL-ES/PROCURADOR/2011/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Assinale a opção

correta com base no Código de Ética e Decoro Parlamentar (Resolução 110/1996 e

posteriores alterações).

a) Os Deputados devem apresentar à Corregedoria, até o trigésimo dia seguinte

ao encerramento do prazo para entrega da declaração de imposto de renda de pes-

soa física, a cópia de sua declaração, bem como a de seu cônjuge, companheira ou

companheiro, sob pena de aplicação da sanção de perda do mandato.

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b) O Deputado que inutilizar, total ou parcialmente, ou extraviar documento de que

tenha a guarda em razão do mandato pode ser incurso na sanção de suspensão do

exercício do mandato, quando não for aplicável penalidade mais grave.

c) A Corregedoria é constituída pelo Corregedor-Geral e respectivo Vice-Correge-

dor e por mais três membros titulares, e igual número de suplentes, todos eleitos

pelo Plenário, em processo de votação nominal, para mandato de dois anos, sendo

possível a recondução na mesma legislatura.

d) Utilizar, em discurso ou proposição, expressões atentatórias ao decoro parla-

mentar é falta disciplinar punível com a sanção de perda do mandato.

e) Se um Deputado for condenado pela Justiça Eleitoral à perda do mandato, essa

sanção administrativa deve ser declarada pela Mesa Diretora.

Letra e.

Letra a) A declaração de bens é apresentada à Mesa Diretora, até o dia 15 de

maio do ano seguinte (RICLDF, art. 14).

Letra b) O CEDP (Resolução 110/1996, art. 11) não prevê suspensão do exer-

cício do mandato.

Letra c) Na CLDF, há apenas o Corregedor, e o mandato é de um ano (RICLDF,

art. 50).

Letra d) Não há essa previsão no Código de Ética e Decoro Parlamentar. Palavras

ofensivas são puníveis com advertência (CEDP, art. 12).

23. (CESPE/AL-ES/ANALISTA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL/2011/ADAPTAÇÃO AO

RICLDF) Acerca do Código de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF, assinale a opção

correta.

a) Em se tratando das declarações públicas obrigatórias, o Deputado deve apre-

sentar, obrigatoriamente e anualmente à Corregedoria cópia de sua declaração do
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imposto de renda e, facultativamente, a da declaração desse imposto de seu côn-

juge, companheira ou companheiro.

b) Com relação a medidas disciplinares, a advertência a Deputado será feita por

escrito e aplicada pelo Presidente da CLDF ou pelo Corregedor-Geral.

c) Regimentalmente, membro da Mesa pode integrar a Corregedoria.

d) É expressamente vedado ao Deputado, desde a expedição do diploma, ocupar

cargo ou função de que seja demissível ad nutum.

e) Abuso de prerrogativa constitucional assegurada aos membros do Poder Legis-

lativo não configura ato contrário à ética e ao decoro parlamentar.

Letra e.

A afirmação está de acordo com a LODF (art. 63, § 3º).

Letra a) A declaração de bens é apresentada à Mesa Diretora, até o dia 15 de

maio do ano seguinte (RICLDF, art. 14).

Letra b) A advertência é aplicada pela própria Comissão de Defesa dos Direitos

Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar (CEDP, art. 12).

Letra c) Membro da Mesa Diretora não pode ser corregedor (RICLDF, art. 16-A).

Resposta: letra d) A afirmação está de acordo com o Código de Ética e Decoro Par-

lamentar (art. 5º).

Letra e) O abuso das prerrogativas institucionais é ato contrário ao decoro parla-

mentar (CEDP, art. 6º, I).

24. (CESPE/AL-ES/TAQUÍGRAFO PARLAMENTAR/2011/ADAPTAÇÃO AO RICLDF)

No que tange aos atos relacionados à ética parlamentar, às vedações constitucio-

nais e às obrigações dos Deputados, à luz do que dispõe o Código de Ética e Decoro

Parlamentar, assinale a opção correta.
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a) O Deputado tem de apresentar anualmente à Mesa Diretora a sua declaração de

bens e fontes de renda.

b) É expressamente vedado ao Deputado firmar ou manter contrato de qualquer

teor com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de econo-

mia mista ou empresa concessionária de serviço público.

c) A celebração, por Deputado, de contrato com instituição financeira controlada

pelo poder público é considerada incompatível com a ética e o decoro parlamentar

e passível de punição com a perda do mandato.

d) É expressamente vedado ao Deputado, desde a expedição do diploma, ser pro-

prietário, controlador ou diretor de empresa que goze de favor decorrente de con-

trato com pessoa jurídica de direito público.

e) Cabe à Mesa Diretora da CLDF providenciar a divulgação da declaração anual

de imposto de renda dos parlamentares no órgão de publicação oficial, em forma

resumida.

Letra a.

A afirmação está de acordo com a LODF (art. 19, § 3º, VII).

Letra b) A vedação não é absoluta, pois comporta a exceção dos contratos que

obedecem a cláusulas uniformes (CEDP, art. 5º, I, a).

Letra c) Embora a celebração de contrato que não obedece a cláusulas uniformes

seja proibida quando se tratar de sociedade de economia mista, a conduta não é

definida como contrária ao decoro parlamentar.

Letra d) A proibição é desde a posse e não desde a expedição do diploma (CEDP,

art. 5º, II, a).

Letra e) A publicação de matérias no Diário da Câmara Legislativa é atribuição do

Presidente e não da Mesa Diretora. A publicação da declaração de bens não é feita

de forma resumida (RICLDF, art. 14 c/c art. 42, V).

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25. (UEG/AL-GO/PROCURADOR/2006/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) A Constituição
Federal estabelece que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por
quaisquer de suas opiniões, palavras e votos, mas também enuncia-lhes obriga-
ções, impedimentos ou proibições, tendo como escopo o bom e livre exercício do
mandato. Sobre esse assunto, analise a validade das seguintes afirmações:
I – Os Deputados Distritais não podem, desde a expedição do diploma, firmar ou
manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa
pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço
público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes.
II – Os Deputados Distritais não podem, desde a posse, ser proprietários, con-
troladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato
com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada.
III – O servidor público da administração direta, investido no mandato de Depu-
tado Distrital, mesmo havendo compatibilidade de horário, será afastado do
cargo ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração.

IV – As imunidades de Deputados Distritais não subsistem durante o estado de sítio.

Assinale a alternativa correta:
a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
b) Apenas as afirmações I, III e IV são verdadeiras.
c) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
d) Todas as afirmações são verdadeiras.

Letra a.

Itens I e II) As afirmações estão de acordo com o CEDP (art. 5º, I, a, e II, a).

Item III) Embora fique afastado do cargo efetivo, não há a previsão de optar pela

remuneração (CF/1988, art. 38).

Item IV) As imunidades subsistem durante o estado de sítio (LODF, art. 61, § 9º).

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26. (FGV/AL-MA/ADVOGADO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Segundo a Lei Orgâ-

nica do Distrito Federal, com relação às causas que podem levar à perda de man-

dato por parte dos Deputados, analise as afirmativas a seguir.

I – Cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar.

II – Quando decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos na Constituição Fe-

deral.

III – Que sofrer condenação criminal em sentença, ainda que não transitada em

julgado.

Assinale:

a) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.

d) se somente a afirmativa II estiver correta.

e) se somente a afirmativa I estiver correta.

Letra b.

Itens I e II) As afirmações estão de acordo com o LODF (art. 63, II e V).

Item III) A perda do mandato por condenação criminal depende de a sentença

transitar em julgado (LODF, art. 63, VI).

27. (FUMARC/AL-MG/CONSULTOR ADMINISTRATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICL-

DF) São hipóteses de perda do mandato de Deputado, EXCETO:

a) perda dos direitos políticos.

b) investidura em cargo de Secretário de Estado.

c) procedimento incompatível com o decoro parlamentar.

d) condenação criminal em sentença transitada em julgado.
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Letra b.

A LODF (art. 64, I) autoriza expressamente o afastamento do mandato sem perdê-lo.

28. (FCC/AL-RN/ANALISTA LEGISLATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Um Deputa-
do perturbou a ordem durante uma sessão ordinária. Esse ato é passível da pena de:
a) censura escrita.
b) suspensão temporária de 30 dias.
c) suspensão temporária de 60 dias.
d) suspensão temporária de 90 dias.
e) perda do mandato.

Letra a.

A sanção prevista é a censura escrita (CEDP, art. 13, II).

29. (FCC/AL-RN/TÉCNICO LEGISLATIVO/2013/ADAPTAÇÃO AO RICLDF) Um De-
putado recém-empossado verificou, no Código de Ética e Decoro Parlamentar da
CLDF, que é passível de punição da perda do mandato o ato de:
a) agredir por atos outro Deputado nas dependências da CLDF.
b) perturbar a ordem nas sessões da CLDF.
c) praticar transgressões reiteradas aos preceitos constitucionais.
d) revelar informações e documentos de caráter reservado.

e) realizar procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar.

Letra e.

Apenas procedimento incompatível com o decoro parlamentar é passível de causar

a perda do mandato (LODF, art. 63, II). As demais condutas são puníveis com ad-

vertência ou censura escritas (CEDP, arts. 12 e 13).

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As questões abaixo, formuladas pelo professor, objetivam apenas a memorização
do conteúdo visto nesta Aula 12. Julgue as afirmações como corretas ou erradas
em relação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da CLDF – CEDP.

30. O Código de Ética e Decoro Parlamentar, por ser matéria da competência legis-
lativa da CLDF, é aprovado por Resolução, sujeita, porém, à sanção do Governador,
pois tem efeitos externos.

Errado.
As resoluções não estão sujeitas à sanção, em hipótese alguma (RICLDF, art. 141).

31. É lícito a um Senador da República concorrer a mandato de Deputado Distrital,
mas, se eleito, não pode exercer os dois cargos simultaneamente.

Certo.
A afirmação está de acordo com a CF/1988 (art. 54, II, d).

32. Não é proibido ao Deputado Distrital tomar empréstimo no BRB, quando o con-
trato obedece a cláusulas uniformes.

Certo.
A afirmação está de acordo com o contido no CEDP (art. 5º, I, a).

33. As condutas tipificadas como crimes só podem ser causa de sanção ao Depu-

tado Distrital após o trânsito em julgado da condenação penal.

Errado.

As instâncias judicial e legislativa são independentes. Embora a CLDF não investi-

gue crime, ela é responsável pela investigação da conduta do parlamentar que fere

a ética e o decoro parlamentar (CEDP, art. 6º, III).
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34. Fundamentada na separação das instâncias, a CLDF pode aplicar sanção de

perda do mandato a Deputado Distrital motivada em improbidade administrativa,

independentemente de qualquer decisão judicial sobre a matéria.

Certo.

Como dito no comentário da questão 33, as instâncias são independentes. A CLDF

não investiga o crime, mas o fato. Se este for criminoso, merece a sanção de perda

do mandato. O mesmo raciocínio vale para a improbidade administrativa.

35. O Código de Ética e Decoro Parlamentar não prevê a suspensão do exercício do

mandato como medida disciplinar.

Certo.

A afirmação decorre do fato de o CEDP (art. 11) prever apenas advertência, censu-

ra e perda do mandato como sanções aplicáveis aos Deputados Distritais.

36. Perturbar a ordem das sessões plenárias ou das reuniões da comissão, por

ser procedimento incompatível com o decoro parlamentar, é motivo para perda do

mandato de Deputado Distrital.

Errado.

A perturbação da ordem não é causa de perda do mandato, mas de censura escrita

(CEDP, art. 13, II).

37. A representação por procedimento incompatível com a ética e decoro parla-

mentar deve ser encaminhada diretamente para a Comissão de Defesa dos Direitos

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Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, devendo ser endereçada ao Pre-

sidente dessa comissão.

Errado.

As representações por violação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar deve ser

encaminhada à Mesa Diretora e endereçada ao Presidente da CLDF.

38. A censura escrita é aplicada pela própria Comissão de Defesa dos Direitos Hu-
manos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar.

Certo.

A afirmação apresenta-se em consonância com o CEDP (art. 13).

39. O relator sobre representação contra Deputado Distrital é escolhido mediante
sorteio.

Certo.

A afirmação reproduz regra do CEDP (art. 17, I).

40. O prazo para o Deputado Distrital apresentar esclarecimentos perante o Cor-
regedor é de 10 dias úteis; perante a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos,
Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, é de 30 dias corridos.

Certo.

A afirmação está em conformidade com o RICLDF (art. 50, § 2º) e com o CEDP (art.

17, II).

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41. Num discurso da tribuna do Plenário, o Deputado C excedeu-se em sua lingua-
gem e xingou um colega com palavras de baixo calão, o que ensejou uma represen-
tação do Deputado ofendido, protocolada junto à Mesa Diretora. Nessa hipótese,
a Mesa Diretora deve indeferir a representação, porque a conduta do Deputado
decorre do exercício do mandato parlamentar, protegida pela imunidade material.

Errado.
Embora a imunidade civil e penal proteja o Deputado perante processo judicial,
é possível a punição política na Casa Legislativa (STF, Pet 5647/DF, julgada em
22/9/2015, Relator Min. Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 12/5/2015).

42. O Código de Ética e Decoro Parlamentar determina que o Deputado Distrital
apresente declaração ao assumir o mandato e em certo período anterior às eleições.
Considerando que as próximas eleições ocorrem no dia 6 de outubro de 2018, a de-
claração de bens deve ser apresentada, no máximo, até o dia 6 de julho desse ano.

Errado.
O CEDP (art. 4º, I) determina que o Deputado Distrital apresente declaração de
bens ao tomar posse e 90 dias antes das eleições. Como o prazo é em dias, a data

limite é o dia 7 de julho de 2018.

43. Um certo Deputado Distrital foi nomeado pelo Governador para exercer o car-
go de Presidente da NOVACAP, empresa pública do Distrito Federal. Nesse caso, o
Deputado pode assumir o cargo sem perder o mandato, mas fica afastado das suas
funções na Câmara Legislativa.

Certo.

Entre as hipóteses de afastamento para exercer cargo no Poder Executivo sem per-

der o mandato, está o de Presidente de empresa pública (LODF, art. 64, I).
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44. Um certo Deputado foi denunciado pelo Ministério Público por crime de cor-
rupção, em razão de ter recebido vantagem indevida decorrente de uma emenda
à lei orçamentária anual. Nesse caso, a Câmara Legislativa só pode abrir processo
disciplinar contra o Deputado se ele for condenado em sentença irrecorrível.

Errado.
O processo judicial é independente do processo disciplinar na CLDF. Esta pode ins-
taurar processo antes ou concomitantemente com o processo no Poder Judiciário.

45. O enriquecimento ilícito é capitulado como ato de improbidade administrativa.
Se o Deputado Distrital incorrer nessa conduta, a sanção prevista é a perda do
mandato.

Certo.

A afirmação tem respaldo na LODF (art. 63, VII).

46. O Deputado C pediu vistas de um projeto de lei de iniciativa do Poder Execu-
tivo, mas não o devolveu no prazo regimental, porque era contrário à medida. Por
causa dessa conduta, o Deputado C pode receber a sanção de censura escrita.

Certo.
A conduta do Deputado contraria dever a ele imposto pelo RICLDF (art. 256, pará-
grafo único), o que pode ensejar a aplicação de censura escrita (CEDP, art. 13, I).

Para as quatro questões seguintes, considere a seguinte situação hipotética:
O Deputado Y, membro da Comissão de Constituição e Justiça, foi acusado em repre-
sentação recebida pela Mesa Diretora de ato incompatível com o decoro parlamentar.
Após o trâmite, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro
Parlamentar considerou procedente a representação, aprovando o parecer do relator.
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47. Junto com o parecer, a Comissão deve oferecer o respectivo projeto de decreto
legislativo.

Errado.
A proposição adequada é o projeto de resolução (CEDP, art. 17, IV).

48. Na Comissão de Constituição e Justiça, o Deputado Y será, necessariamente,
substituído pelo respectivo suplente na apreciação desse processo.

Certo.
A afirmação encontra-se em conformidade com o CEDP (art. 22, parágrafo único).

49. No Plenário, o Presidente da CLDF deve determinar que a sessão para aprecia-
ção dessa matéria seja secreta.

Errado.

A sessão é pública, salvo se o Plenário deliberar em sentido contrário (RICLDF, arts.

101 e 121). Até a Resolução 263/2016, o Regimento Interno determinava a reali-

zação de sessão secreta, o que foi, porém, expressamente revogado, o que torna

a sessão pública.

50. A votação, em Plenário, é em turno único, pelo processo ostensivo nominal, e

a perda do mandato depende do voto favorável da maioria absoluta da composição

da CLDF.

Certo.

A afirmação decorre de regras do RICLDF (art. 160) e da LODF (art. 63, § 2º).

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www.camara.gov.br (Câmara dos Deputados).

www.cl.df.gov.br (Câmara Legislativa do Distrito Federal).

http://novosite.fepese.org.br (Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos).

www.fumarc.com.br (Fundação Mariana Resende Costa).

www.iuslusitaniae.fcsh.unl.pt (Departamento de História da Universidade Nova de

Lisboa, Portugal).

www.concursosfcc.com.br/ (Fundação Carlos Chagas).

http://fgvprojetos.fgv.br/concursos (Fundação Getúlio Vargas).

http://www.ueg.br (Universidade Estadual de Goiás).

www.ufg.br (Universidade Federal de Goiás).

www.isaebrasil.com.br (ISAE – Instituto Superior de Administração e Economia).

www.pciconcursos.com.br (site com provas de vários concursos públicos).

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www.senado.gov.br (Senado Federal).

www.stf.jus.br (Supremo Tribunal Federal).

www.tre-rr.jus.br (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios).

www.tre-df.jus.br (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal).

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www.tse.jus.br (Tribunal Superior Eleitoral).

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