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ARISTÓTELES

A Política

Tradução de Nestor Silveira
São Paulo, 2010

Folha de São Paulo
Coleção Livros que Mudaram o Mundo

é preciso. no caso de um autoridade. As mesmas dúvidas. Ora. Mas é preciso acrescentar que caracteres distintivos. Quando se examinam os governos. dirão. ou que tenham sofrido qual¬quer alteração estejam colocadas abaixo 1 . sob este aspecto. por assim aqueles são cidadãos imperfeitamente. Em cidade por objeto. etc. Ponhamos de lado. pois aquele que seja cidadão em uma democracia não o seja em uma não passa de uma questão de nome. a primeira questão que se apresenta. mas a oligarquia ou o tirano. que que têm nas mãos o poder soberano. entre as quais há uma primeira. não tenham parte alguma de acordo neste ponto. próprio para designar o que há de comum entre o juiz e o membro da § 3. mesmo os estrangeiros estabelecidos. em se tratando de cidade. cuja duração é ilimitada. § 6. sustentam que não é a cidade. Mas. por exemplo. cidade é uma multidão de cidadãos. O cidadão não é cidadão pelo fato de se ter parte. procurar antes de tudo o que é um cidadão. existem. e. ao contrário. Pretendem importa. Estas têm a superioridade. É assim que. Aliás. É possível. o caráter de estabelecido em algum lugar — pois os estrangeiros e os escravos seme¬lhança entre todos aqueles aos quais damos esse nome. não podendo uns ser exercidos duas vezes pela mesma § 2. ponham isto de lado. cidadão é aquele que pode ser juiz e magistrado. sabemos que as formas de governo diferem de completamente deste privilégio. uma segunda. para dar corpo à ideia. o mesmo acontece com os que foram marcados de infâmia ou sabemos que toda a atividade do homem político e do legislador tem a condenados ao exílio. e assim é preciso examinar o que é § 5. Aliás. admitamos. outros ideia absoluta. que os que exercem tais funções não um cidadão. Nem é cidadão por se poder. também são estabelecidos. Porque a funções de juiz e de membro das assembleias gerais. Porque é necessário que as que são defeituosas imperfeitamente. ou então somente depois de um período determinado. Mas. assim como pessoa. Tal é. Ora. chamamo-los cidadãos. Capítulo I se pode dar o nome de cidadão aos filhos que não sejam ainda inscritos nos registros públicos. com efeito. que constitui qualquer outro modo. eles só são mem¬bros da comunidade aquelas a inferioridade. já que nem todos concordam. sua natureza e seus estão isentos de qualquer serviço. Nem sempre se está de sejam magistrados. O que eu procuro é a uns que é sempre a cidade que opera quando existe transação. as mesmas soluções.1 Até idade (ou qualquer outra restrição semelhante). limitado. como acontece com as evidentemente. porque § 1.ARISTÓTELES A POLÍTICA Livro Terceiro § 4. que ele seja um cidadão. como. o que é uma cidade. e que estes já ultrapassaram a dizer. só até um certo ponto. pois. juridicamente. Como não achamos um termo oligarquia. e. Em nada ou quase nada existe de comum3 que possa lhes dar direito a um vários pontos. e aos velhos. em consequência. Pode acontecer. Porque pouco agora ainda não se chegou a um acordo sobre esse ponto. e compreende-se o que eu quero dizer. sendo a cidade algo de complexo. sem que nada haja nela a acrescentar ou transformar. Não passam de uma certa ordem estabelecida entre os que habitam a existe outra definição melhor. devido à sua tenra idade. seria ridículo negar auto¬ridade exatamente àqueles mesmo indivíduo. é perguntar. e a quem se deve dar este nome. aqueles a quem se concedeu autoridade uma magistratura indeterminada. o governo ou a constituição política não uma palavra. mas é preciso que tenham um fiador2 espécie relativamente umas às outras. Pois isso é o que diferentes espécies. aproximadamente. É preciso não ignorar que nas coisas que se classificam sob levar ou ser levado ante os mesmos tribunais. Alguns qualquer outro sistema composto de elementos ou de partes. não gozam mesmo nome. os que obtêm este título por assembleia geral. Ora. Alguns cargos tomam um tempo cidade. Todos que nela tomam o direito de cidadania. e não em todo sentido. acontece aos que se servem de selos para as relações de comércio.

em caso semelhante. a condição de ser filho de um cidadão ou de uma constitutiva do Estado. como na democracia. onde fundadores da cidade. pois. no sentido comum. Com é necessário à sua existência. Há. A coisa é muito simples: § 7. passa a ser cidadão. há pessoas que mantêm violência. sob o pretexto de que eles foram contraídos com o em primeiro grau tenham sido cidadãos. como em Lacedemônia. mais dificuldade em relação àqueles que ao passo que os gerontes tomam conhe¬cimento das acusações dos foram admitidos no rol de cidadãos em consequência de uma homicídios. Por aí se vê. segundo a nossa definição. E mesmo após essa definição. Disso exprimir uma dúvida real. assim como se resulta claramente que o cidadão não é o mesmo em todas as formas chamavam morteiros a certos trabalhos feitos por fabricantes de de governo. seja por ironia. é na democracia. cada um dos éforos julga as causas relativas às questões particulares. revolução no governo. em geral. e não no interesse geral. haviam sido feitos pelos cidadãos larisseanos. isso poderia dar lugar a uma nova retificada. Alguns cidadã não poderia ser imposta aos primeiros habi¬tantes ou tribunais dividem entre si os processos. e que. E chamamos cidade à multidão de ser considerados.ARISTÓTELES A POLÍTICA daquelas nas quais nada se encontra para criticar. É. também se chamavam cidadãos de Larissa àqueles que se adapta à nossa definição. tudo que injustamente. mas não o será todos que tomavam parte no governo do modo que explicamos eram estritamente. o que é o cidadão: aquele que tem uma parte legal na autoridade poder na mão. e não possuem assembleias gerais. perguntando como se constatará que esse quarto 2 . Ver-se-á mais ascendente seja cidadão. dizia que. que os avós seus compromissos. Porém. pois. vemos cidadãos elevados injustamente às funções públicas e uma magistratura especial. Górgias de Leontini. Outros exigem mais. evidente deliberativa e na autoridade judiciária . é o homem eles. não é cidadão. e as outras magistraturas se ocupam dos demais delitos. Assim. ou a alguns dentre injustamente. ou ainda os ascendentes em tirano e não com o Estado. embora o sejam concedido a todos os membros dessa magistratura. negam-se a cumprir com apenas de um dos dois. indistintamente. seja por adiante em que sentido entendemos este modo de alteração.eis o que chamamos cidadão que mesmo os cidadãos de Clístenes são cidadãos e como tal devem da cidade assim constituída. por exemplo.4 após a expulsão dos Do mesmo modo em Cartago. admitiu nas tribos estrangeiras escravos e domiciliados. não é saber quem é o cidadão. Pode sê-lo ainda em outra parte. Quanto ao fato de saber se o são justa ou cidadãos capaz de se bastar a si mesma. A as causas. que ele morteiros. define-se o cidadão como Estado que opera e quando não é. também. Cidadão. Porque nas outras formas de governo as funções de juiz e de dificuldade: objetar-se-ia que aquele que não seja cidadão com justiça membro da assembleia geral não são acessíveis a qualquer cidadão. prende-se ao que apresentamos anteriormente. e de obter. mas se o é § 8. alguma dúvida.Às vezes. quando a oligarquia sendo aquele que é filho de pai e mãe cidadãos. e recusam executar quaisquer contratos segundo e terceiro graus. por isso. sobre todas as questões ou sobre algumas apenas. do momento que ele tenha um pois. onde certas magistraturas julgam todas tiranos. § 10. questão. efeito. Ora. elas constituem Aliás. pessoas existem que se embaraçavam ao resolver quando é o § 9. a nossa definição do cidadão deve ser justa ou injustamente. investido de um certo poder. ao contrário. E o privilégio de deliberar e julgar é nem por isso deixamos de chamá-los magisrrados. talvez. Por exemplo. como dissemos. pois há governos em que o povo não faz parte cidadãos. como quando Clístenes. e que não o seja ou a tirania são substituídas pela democracia. pois que injusto e falso é mais ou menos a mesma coisa. que se crê semelhantes atendendo a que certos governos só se apoiam na simples e conforme com a ordem política. principalmente. Contudo.

desde que os mesmos homens habitem o mesmo lugar. se preciso dizer que um governo permaneça o mesmo ou se torne outro assim acontece na música.5 que três dias após a tomada da cidade. 3 . quando apresenta outra espécie de podem ser atos do Estado como de oligarquia ou de tira¬nia. qualquer outra associação ou contraiu compromissos. ou não cumpri-los. pois.ARISTÓTELES A POLÍTICA § 11. apesar do escoamento e do renovamento das águas)? Ou se deverá dizer que. O exame dessa questão será feito mais utilmente em outra parte. e que ela se torna de uma espécie diferente. Ora. Será justo cumprir menos rigoroso à questão: tendo a palavra governo várias acepções. § 13. § 12. E reciprocamente. quando os homens habitam o mesmo lugar. dizemos que a harmonia dos mesmos sons é discussão parece ligar-se particularmente à questão de saber quando é outra quando ela produz ora o modo dórico. Por exemplo. por esta razão. com os compromissos. A Política. um quarteirão inteiro ainda o ignorava. É possível que o lugar e os homens sejam separados. por seu turno. Da mesma forma. do momento em que a forma do governo se modifique. Essa combinação. Quanto à extensão da cidade e à vantagem de nela existir uma só ou várias classes de cidadãos. dar um sentido homens. como se reco¬nhecerá que a cidade é uma? Certamente não é pelas muralhas. mudado a sua forma de governo? Essa é uma outra questão. Do mesmo modo. apesar dos óbitos e dos nascimentos (como se diz que os rios e as fontes são sempre os mesmos. São Paulo: Folha de São Paulo. já que não varie a espécie de seus habitantes. porque poder-se-ia cir¬cundar o Peloponeso inteiro com uma só muralha. se ela é uma comunidade de governo entre os cidadãos. figurando ora na tragédia. indivíduos. será preciso dizer. com mais razão se dirá que uma cidade é a diferente. É preciso. aqueles outra. Mas. ora o modo frígio. in Coleção Livros que Mudaram o Mundo. se a democracia. ou o mesmo nome. se a cidade é uma espécie de comuni¬dade. ora na comédia. ou por homens completamente diferentes. é forçoso que a cidade também pareça não mais ser a mesma. seja ela habitada pelos mesmos estes habitem tal parte. o homem político não deve ignorar. Assim será Babilónia e toda cidade cujo circuito encerre mais uma nação que a população de uma cidade. que cidade outro nome. nos parece outro. deve-se reconhecer que os seus atos tanto combinação nos parece diferente. 2010. que a cidade é sempre a mesma. em virtude de ter a cidade elas facilitam a resolução do problema. É como o coro que. quando considerarmos a sua forma de governo. Conta-se de Babilónia. Pode-se dar à homens. § 14. O exame mais superficial dessa questão recai no lugar e nos mesma. os homens permanecem os mesmos mas a cidade muda? Porque. embora ele muitas vezes se componha dos mesmos ARISTÓTELES.