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PREFEITURA DO RECIFE

AGENTE DE SEGURANÇA MUNICIPAL, CLASSE 1

GUARDA MUNICIPAL

ÍNDICE
CONHECIMENTOS BÁSICOS

Língua Portuguesa:
1. Leitura e compreensão de texto, incluindo o reconhecimento, em um texto, de: ............................................................................................ 1
1.1. O significado contextual de palavras e expressões.
1.2. O locutor e interlocutor (quem fala e para quem fala);
1.3. A finalidade ou propósito;
1.4. Informações explícitas e implícitas;
1.5. O tema principal;
1.6. Relações entre partes de um texto com base na substituição de termos.
1.7. Relações de causa, tempo, condição, oposição, comparação, conclusão, explicação, entre outras.
2. Princípios normativos da língua: .......................................................................................................................................................................................... 36
2.1. Ortografia;
2.2. Uso da pontuação expressiva;
2.3. Relações de concordância nominal e verbal;
2.4. Flexão nominal e verbal.

Matemática:
1. Operações com números naturais inteiros e racionais. ................................................................................................................................................ 5
2. Divisibilidade. ................................................................................................................................................................................................................................. 64
3. Máximo Divisor Comum (MDC) e Mínimo Múltiplo Comum (MMC). .................................................................................................................. 17
4. Medidas de comprimento, superfície, volume, capacidade, massa e tempo. ................................................................................................... 29
5. Problemas do 1º. Grau. .............................................................................................................................................................................................................. 42
6. Razão, proporção, regra de três simples e composta, porcentagem, juros simples e médias. ................................................................ 34
7. Conjuntos numéricos: números inteiros, racionais e reais. ........................................................................................................................................ 5
8. Razões e proporções: regras de três simples e composta; .......................................................................................................................................... 5
Probabilidades; ................................................................................................................................................................................................................................... 34
Geometria básica. .............................................................................................................................................................................................................................. 52

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
NOÇÕES BÁSICAS DE DIREITO

Noções de Direito Constitucional: ........................................................................................................................................................................................... 1


1. Dos Princípios Fundamentais;
2. Dos Direitos e Garantias Fundamentais;
3. Da Organização do Estado (Título III da Constituição Federal);
4. Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas;
5. Administração Pública e servidores públicos;
6. Segurança Pública na Constituição Federal.

Noções de Direito Penal: ................................................................................................................................................................................... 17


1. Conceito de crime: elementos; consumação e tentativa; causas de exclusão de ilicitude e culpabilidade;
2. Espécies de crime: dos crimes contra a pessoa; dos crimes contra o patrimônio; dos crimes contra os costumes; dos crimes
contra a saúde pública; dos crimes contra a fé pública; dos crimes contra a administração pública;
3. Abuso de Autoridade (Lei 4.898/65);
4. Sistema Nacional de Armas (Lei 10.826/03).

Guarda Municipal - Recife


Legislação de Trânsito: ...................................................................................................................................................................................... 54
Código Nacional de Trânsito e Resoluções em vigor do Conselho Nacional do Trânsito.

Cidadania: ......................................................................................................................................................................................................................................... 117


a) Cidadania no trânsito.
b) Ética e Cidadania.
c) Democracia e Cidadania.
d) Cidadania no Serviço Público.

Guarda Municipal - Recife


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A Opção Certa Para a Sua Realização


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LÍNGUA PORTUGUESA
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva,
há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim
de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes.

No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto


1. Leitura e compreensão de texto, incluindo o reconhecimen-
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da
to, em um texto, de: época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen-
1.1. O significado contextual de palavras e expressões. tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui
1.2. O locutor e interlocutor (quem fala e para quem fala); não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica
1.3. A finalidade ou propósito; da fonte e na identificação do autor.
1.4. Informações explícitas e implícitas;
1.5. O tema principal; A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções de
1.6. Relações entre partes de um texto com base na substitui- resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exce-
ção de termos. to, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequa-
1.7. Relações de causa, tempo, condição, oposição, compa- da. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do "mais
ração, conclusão, explicação, entre outras. adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento proposto. Por
2. Princípios normativos da língua: isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não
2.1. Ortografia; ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra
2.2. Uso da pontuação expressiva; alternativa mais completa.
2.3. Relações de concordância nominal e verbal;
2.4. Flexão nominal e verbal. Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontex-
tualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali- para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de será mais consciente e segura.
necessitar de um bom léxico internalizado.
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
confronto entre todas as partes que compõem o texto.
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por
até o fim, ininterruptamente;
trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica-
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor
umas três vezes ou mais;
diante de uma temática qualquer.
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
Denotação e Conotação
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres-
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor compre-
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con-
ensão;
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante + signi-
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
ficado) que se constroem as noções de denotação e conotação.
respondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicionários,
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras é a
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão,
aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada
perguntou e o que se pediu;
construção frasal, uma nova relação entre significante e significado.
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
exata ou a mais completa;
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota-
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações
lógica objetiva;
diferenciadas em seus leitores.
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis-
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra
resposta;
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim
definindo o tema e a mensagem;
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
esclareçam o sentido.
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importantís-
simos na interpretação do texto.
Como Ler e Entender Bem um Texto
Ex.: Ele morreu de fome.
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira
do fato (= morte de "ele").
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra-
Ex.: Ele morreu faminto.
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar
quando morreu.;
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça
as estão coordenadas entre si;
a memória visual, favorecendo o entendimento.

Língua Portuguesa 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da
de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu
Cunegundes espírito.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS • Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis-


TEXTO NARRATIVO semos, é a personagem que está a contar a história. A posição em
• As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for- que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o
ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri-
dos fatos. zado por :
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às
Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon-
heroína, personagem principal da história. tecimentos e a narração é feita em 3a pessoa.
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narra-
O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota- tiva que é feito em 1a pessoa.
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal - visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê,
contracena em primeiro plano. aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per-
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra-
As personagens secundárias, que são chamadas também de compar- dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa.
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra- • Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de a-
ção. presentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do qual
a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é feita
O narrador que está a contar a história também é uma personagem, em 1a pessoa ou 3a pessoa.
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história. Formas de apresentação da fala das personagens
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso- três maneiras de comunicar as falas das personagens.
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e • Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen- vés do diálogo.
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações Exemplo:
perante os acontecimentos. “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna-
• Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a val a cidade é do povo e de ninguém mais”.
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo po-
demos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descendi:
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de
desenlace ou desfecho. travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas
os verbos de locução podem ser omitidos.
Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, • Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. E-
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou xemplo:
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de inte- “Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa-
resses entre as personagens. dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade
que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os me-
O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten- nos sombrios por vir”.
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. • Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gê- Exemplo:
nero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem
que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, rela- que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela
cionados ao principal. hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés
• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu- no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter (José Lins do Rego)
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve-
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são TEXTO DESCRITIVO
extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
narrativo. terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importantes,
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que
podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem
ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fa- unificada.
to que aconteceu depois.
Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela pouco.
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões

Língua Portuguesa 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra téc- O TEXTO ARGUMENTATIVO
nica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
• Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é Um texto argumentativo tem como objetivo convencer alguém das
transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente nossas ideias. Deve ser claro e ter riqueza lexical, podendo tratar qualquer
através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subje- tema ou assunto.
tiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferên- É constituído por um primeiro parágrafo curto, que deixe a ideia no ar,
cias, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o depois o desenvolvimento deve referir a opinião da pessoa que o escreve,
que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objeti- com argumentos convincentes e verdadeiros, e com exemplos claros. Deve
vo, fenomênico, ela é exata e dimensional. também conter contra-argumentos, de forma a não permitir a meio da
• Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das leitura que o leitor os faça. Por fim, deve ser concluído com um parágrafo
personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos, que responda ao primeiro parágrafo, ou simplesmente com a ideia chave da
pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamen- opinião.
to, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, so-
cial e econômico . Geralmente apresenta uma estrutura organizada em três partes:
• Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o a introdução, na qual é apresentada a ideia principal ou tese;
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, o desenvolvimento, que fundamenta ou desenvolve a ideia principal; e
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as a conclusão. Os argumentos utilizados para fundamentar a tese podem ser
partes mais típicas desse todo. de diferentes tipos: exemplos, comparação, dados históricos, dados
• Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos estatístico, pesquisas, causas socioeconômicas ou culturais, depoimentos -
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma enfim tudo o que possa demonstrar o ponto de vista defendido pelo autor
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e tem consistência. A conclusão pode apresentar uma possível
típicos. solução/proposta ou uma síntese. Deve utilizar título que chame a atenção
do leitor e utilizar variedade padrão de língua.
• Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de A linguagem normalmente é impessoal e objetiva.
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
• Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge- O roteiro da persuasão para o texto argumentativo:
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabu- Na introdução, no desenvolvimento e na conclusão do texto argumen-
lário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores. É tativo espera-se que o redator o leitor de seu ponto de vista. Alguns recur-
predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer sos podem contribuir para que a defesa da tese seja concluída com suces-
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanis- so. Abaixo veremos algumas formas de introduzir um parágrafo argumenta-
mos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc. tivo:

TEXTO DISSERTATIVO • Declaração inicial: É uma forma de apresentar com assertivi-


Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação cons- dade e segurança a tese.
ta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou ques-
‘ A aprovação das Cotas para negros vem reparar uma divida moral e
tão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever
um dano social. Oferecer oportunidade igual de ingresso no Ensino Superi-
com clareza, coerência e objetividade.
or ao negro por meio de políticas afirmativas é uma forma de admitir a
diferença social marcante na sociedade e de igualar o acesso ao mercado
A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir
de trabalho.’
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão. • Interrogação: Cria-se com a interrogação uma relação próxima
com o leitor que, curioso, busca no texto resposta as perguntas feitas na
A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan- introdução.
do o contexto.
‘ Por que nos orgulhamos da nossa falta de consciência coletiva? Por
Quanto à forma, ela pode ser tripartida em : que ainda insistimos em agir como ‘espertos’ individualistas?’
• Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda-
• Citação ou alusão: Esse recurso garante à defesa da tese cará-
mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e ob-
ter de autoridade e confere credibilidade ao discurso argumentativo, pois
jetiva da definição do ponto de vista do autor.
se apoia nas palavras e pensamentos de outrem que goza de prestigio.
• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan- ‘ As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num as costas e irem embora’. O comentário do fotógrafo Sebastião Salgado
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de- sobre o que presenciou na Ruanda é um chamado à consciência públi-
sencadeia a conclusão. ca.’’
• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in- • Exemplificação: O processo narrativo ou descritivo da exempli-
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para ficação pode conferir à argumentação leveza a cumplicidade. Porém,
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer deve-se tomar cuidado para que esse recurso seja breve e não interfira
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese no processo persuasivo.
e opinião. ‘ Noite de quarta-feira nos Jardins, bairro paulistano de classe média.
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; é Restaurante da moda, frequentado por jovens bem-nascidos, sofre o se-
a obra ou ação que realmente se praticou. gundo ‘arrastão’ do mês. Clientes e funcionários são assaltados e amea-
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou çados de morte. O cotidiano violento de São Paulo se faz presente.’’
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. • Roteiro: A antecipação do que se pretende dizer pode funcionar
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou como encaminhamento de leitura da tese.
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
‘ Busca-se com essa exposição analisar o descaso da sociedade em
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
relação às coletas seletivas de lixo e a incompetência das prefeituras.’’
respeito de algo.

Língua Portuguesa 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Enumeração: Contribui para que o redator analise os dados e 1º parágrafo: Introdução com apresentação da tese a ser defendi-
exponha seus pontos de vista com mais exatidão. da;

‘ Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Pau- “Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi-
lo aponta que as maiores vítimas do abuso sexual são as crianças meno- ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre-
res de 12 anos. Elas representam 43% dos 1.926 casos de violência se- vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan-
xual atendidos pelo Programa Bem-Me-Quer, do Hospital Pérola Bying- do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.”
ton.’’ 2º parágrafo: Há o desenvolvimento da tese com fundamentos ar-
• Causa e consequência: Garantem a coesão e a concatenação gumentativos;
das ideias ao longo do parágrafo, além de conferir caráter lógico ao pro- “O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço
cesso argumentativo. a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas
‘ No final de março, o Estado divulgou índices vergonhosos do Idesp ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), respon-
– indicador desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação para ava- sáveis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte,
liar a qualidade do ensino (…). O péssimo resultado é apenas conse- problemas ambientais que afetam a população.
quência de como está baixa a qualidade do ensino público. As causas Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos
são várias, mas certamente entre elas está a falta de respeito do Estado contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar
que, próximo do fim do 1º bimestre, ainda não enviou apostilas para al- os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de
gumas escolas estaduais de Rio Preto. continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma,
• Sintese: Reforça a tese defendida, uma vez que fecha o texto
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti-
com a retomada de tudo o que foi exposto ao longo da argumentação.
ca.”
Recurso seguro e convincente para arrematar o processo discursivo.
3º parágrafo: A conclusão é desenvolvida com uma proposta de
‘ Quanto a Lei Geral da Copa, aprovou-se um texto que não é o ideal,
intervenção relacionada à tese.
mas sustenta os requisitos da Fifa para o evento.
“O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os
O aspecto mais polêmico era a venda de bebidas alcoólicas nos es-
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló-
tádios. A lei eliminou o veto federal, mas não exclui que os organizadores
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais
precisem negociar a permissão em alguns Estados, como São Paulo.’’
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não
• Proposta: Revela autonomia critica do produtor do texto e ga- existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se
rante mais credibilidade ao processo argumentativo. transformar na salvação do mundo.

‘ Recolher de forma digna e justa os usuários de crack que buscam Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci-
ajuda, oferecer tratamento humano é dever do Estado. Não faz sentido sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a
isolar para fora dos olhos da sociedade uma chaga que pertence a to- combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada
dos.’’ Mundograduado.org melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.” Profª Francinete
Modelo de Dissertação-Argumentativa
A ideia principal e as secundárias
Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, vamos
Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambi- nos colocar no papel de narradores, isto é, vamos contar fatos com base na
ental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobre- organização das ideias.
vivência humana. Contraditoriamente, esses problemas da natureza, quan-
do analisados, são equivocadamente colocados em oposição à tecnologia. Leia o trecho abaixo:
O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um preço a Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro
se pagar. As indústrias, por exemplo, que são costumeiramente ligadas ao quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Com
progresso, emitem quantidades exorbitantes de CO2 (carbono), responsá- isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas, demons-
veis pelo prejuízo causado à Camada de Ozônio e, por conseguinte, pro- trando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as mãos,
blemas ambientais que afetam a população. um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não vemos Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-nos
contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em que preservar um fato acontecido com seu primo. É, pois, um parágrafo narrativo. Anali-
os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é uma questão de semos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.
continuidade das espécies animais e vegetais, incluindo-se principalmente
As ideias foram organizadas da seguinte maneira:
nós, humanos. As pesquisas acontecem a todo o momento e, dessa forma,
podemos considerá-las parceiras na busca por soluções a essa problemáti- Ideia principal:
ca.
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro
O desenvolvimento de projetos científicos que visem a amenizar os quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte.
transtornos causados à Terra é plenamente possível e real. A era tecnoló-
gica precisa atuar a serviço do bem-estar, da qualidade de vida, muito mais Ideias secundárias:
do que em favor de um conforto momentâneo. Nessas circunstâncias não Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
existe contraste algum, pelo contrário, há uma relação direta que poderá se demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com as
transformar na salvação do mundo. mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral preci- A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação peri-
sam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com vistas a gosa, agravada pelo aparecimento de um trem. As ideias secundárias
combater os resultados caóticos da falta de conscientização humana. Nada complementam a ideia principal, mostrando como o primo do narrador
melhor do que a ciência para direcionar formas práticas de amenizarmos a conseguiu sair-se da perigosa situação em que se encontrava.
“ferida” que tomou conta do nosso Planeta Azul.
Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal acompanhado
Nesse modelo, didaticamente, podemos perceber a estrutura textual de ideias secundárias. Entretanto, é muito comum encontrarmos, em pará-
dissertativa assim organizada: grafos pequenos, apenas a ideia principal. Veja o exemplo:

Língua Portuguesa 4 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram a- FALA E ESCRITA
proveitar o bom tempo. Pegaram um animal, montaram e seguiram conten-
tes pelos campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe. Registros, variantes ou níveis de língua(gem)

Nesse trecho, há dois parágrafos. A comunicação não é regida por normas fixas e imutáveis. Ela pode
transformar-se, através do tempo, e, se compararmos textos antigos com
No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à ideia atuais, perceberemos grandes mudanças no estilo e nas expressões. Por
principal do parágrafo: O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio. que as pessoas se comunicam de formas diferentes? Temos que conside-
rar múltiplos fatores: época, região geográfica, ambiente e status cultural
No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal + ideias
dos falantes.
secundárias. Observe:
Há uma língua-padrão? O modelo de língua-padrão é uma decorrência
Ideia principal:
dos parâmetros utilizados pelo grupo social mais culto. Às vezes, a mesma
Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram a- pessoa, dependendo do meio em que se encontra, da situação sociocultural
proveitar o bom tempo. dos indivíduos com quem se comunica, usará níveis diferentes de língua.
Dentro desse critério, podemos reconhecer, num primeiro momento, dois
Ideia secundárias: tipos de língua: a falada e a escrita.
Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos campos, A língua falada pode ser culta ou coloquial, vulgar ou inculta, regional,
levando um farto lanche, preparado pela mãe. grupal (gíria ou técnica). Quando a gíria é grosseira, recebe o nome de
Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se perguntando: calão.
“Afinal, de que tamanho é o parágrafo?” Quando redigimos um texto, não devemos mudar o registro, a não ser
Bem, o que podemos responder é que não há como apontar um pa- que o estilo permita, ou seja, se estamos dissertando – e, nesse tipo de
drão, no que se refere ao tamanho ou extensão do parágrafo. redação, usa-se, geralmente, a língua-padrão – não podemos passar desse
nível para um como a gíria, por exemplo.
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, em
que são maiores e outros, ainda, muito extensos. Variação linguística: como falantes da língua portuguesa, percebe-
mos que existem situações em que a língua apresenta-se sob uma forma
Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da ex- bastante diferente daquela que nos habituamos a ouvir em casa ou nos
tensão do parágrafo, pois o que é importante mesmo, é a organização das meios de comunicação. Essa diferença pode manifestarse tanto pelo voca-
ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz o dito popular – “nem bulário utilizado, como pela pronúncia ou organização da frase.
oito, nem oitenta…”.
Nas relações sociais, observamos que nem todos falam da mesma
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando apenas forma. Isso ocorre porque as línguas naturais são sistemas dinâmicos e
parágrafos muito curtos, também não é aconselhável empregarmos os extremamente sensíveis a fatores como, por exemplo, a região geográfica,
muito longos. o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os traba- contexto. Essas diferenças constituem as variações linguísticas.
lhos de redação. Com o tempo, a prática dirá quando e como usar parágra- Observe abaixo as especificidades de algumas variações:
fos – pequenos, grandes ou muito grandes.
1. Profissional: no exercício de algumas atividades profissionais, o
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma ideia domínio de certas formas de línguas técnicas é essencial. As variações
principal e outras secundárias. Isso não significa, no entanto, que sempre a profissionais são abundantes em termos específicos e têm seu uso restrito
ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos em que a ideia ao intercâmbio técnico.
secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia principal. Veja o
exemplo: 2. Situacional: as diferentes situações comunicativas exigem de um
mesmo indivíduo diferentes modalidades da língua. Empregam-se, em
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo situações formais, modalidades diferentes das usadas em situações infor-
estremeceu violentamente sob meus pés. Logo percebi que se tratava de mais, com o objetivo de adequar o nível vocabular e sintático ao ambiente
um terremoto. linguístico em que se está.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo per- 3. Geográfica: há variações entre as formas que a língua portuguesa
cebi que se tratava de um terremoto”, que aparece no final do parágrafo. assume nas diferentes regiões em que é falada. Basta prestar atenção na
As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou comprovam a afirmação: expressão de um gaúcho em contraste com a de um amazonense. Essas
“as estacas tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o solo estremeceu variações regionais constituem os falares e os dialetos. Não há motivo
violentamente sob meus pés” e estas estão localizadas no início do pará- linguístico algum para que se considere qualquer uma dessas formas
grafo. superior ou inferior às outras.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as ideias 4. Social: o português empregado pelas pessoas que têm acesso à
podem organizar-se da seguinte maneira: escola e aos meios de instrução difere do português empregado pelas
Ideia principal + ideias secundárias pessoas privadas de escolaridade.

ou Algumas classes sociais, assim, dominam uma forma de língua que


goza prestígio, enquanto outras são vítimas de preconceito por emprega-
Ideias secundárias + ideia principal rem estilos menos prestigiados. Cria-se, dessa maneira, uma modalidade
de língua – a norma culta -, que deve ser adquirida durante a vida escolar e
É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias se-
cujo domínio é solicitado como modo de ascensão profissional e social.
cundárias não são ideias diferentes e, por isso, não podem ser separadas
Também são socialmente condicionadas certas formas de língua que
em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias secundárias deve-
alguns grupos desenvolvem a fim de evitar a compreensão por aqueles que
mos verificar as que realmente interessam ao desenvolvimento da ideia
não fazem parte do grupo. O emprego dessas formas de língua proporciona
principal e mantê-las juntas no mesmo parágrafo. Com isso, estaremos
o reconhecimento fácil dos integrantes de uma comunidade restrita. Assim
evitando e repetição de palavras e assegurando a sua clareza. É importan-
se formam, por exemplo, as gírias, as línguas técnicas. Pode-se citar ainda
te, ao termos várias ideias secundárias, que sejam identificadas aquelas
a variante de acordo com a faixa etária e o sexo.
que realmente se relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande
valia ao se redigir parágrafos sobre qualquer assunto. AS DIFERENÇAS ENTRE FALA E ESCRITA

Língua Portuguesa 5 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Enquanto a língua falada é espontânea e natural, a língua escrita precisa é permitido seguir em frente (verde), se é para ter atenção (amarelo) ou se
seguir algumas regras. Embora sejam expressões de um mesmo idio- é proibido seguir em frente (vermelho) naquele instante.
ma, cada uma tem a sua especificidade. A língua falada é a mais natu-
ral, aprendemos a falar imitando o que ouvimos. A língua escrita, por
seu lado, só é aprendida depois que dominamos a língua falada. E ela
não é uma simples transcrição do que falamos; está mais subordinada
às normas gramaticais. Portanto requer mais atenção e conhecimento
de quem fala. Além disso, a língua escrita é um registro, permanece ao
longo do tempo, não tem o caráter efêmero da língua falada.
Língua falada:
· Palavra sonora
· Requer a presença dos interlocutores
· Ganha em vivacidade
· É espontânea e imediata Como você percebeu, todas as imagens podem ser facilmente
· Uso de frases feitas decodificadas. Você notou que em nenhuma delas existe a presença da
· É repetitiva e redundante palavra? O que está presente é outro tipo de código. Apesar de haver
· O contexto extralinguístico é importante ausência da palavra, nós temos uma linguagem, pois podemos decifrar
· A expressividade permite prescindir de certas regras mensagens a partir das imagens. O tipo de linguagem, cujo código não é a
· A informação é permeada de subjetividade e influenciada pela pre- palavra, denomina-se linguagem não-verbal, isto é, usam-se outros códigos
sença do (o desenho, a dança, os sons, os gestos, a expressão fisionômica, as
interlocutor cores) Fonte: www.graudez.com.br
· Recursos: signos acústicos e extralinguísticos, gestos, entorno físico e AS PALAVRAS-CHAVE
psíquico
Língua escrita: Ninguém chega à escrita sem antes ter passado pela leitura. Mas leitu-
· Palavra gráfica ra aqui não significa somente a capacidade de juntar letras, palavras,
· É possível esquecer o interlocutor frases. Ler é muito mais que isso. É compreender a forma como está tecido
· É mais sintética e objetiva o texto. Ultrapassar sua superfície e aferir da leitura seu sentido maior, que
· A redundância é apenas um recurso estilístico muitas vezes passa despercebido a uma grande maioria de leitores. Só
· Ganha em permanência uma relação mais estreita do leitor com o texto lhe dará esse sentido. Ler
· Mais correção na elaboração das frases bem exige tanta habilidade quanto escrever bem. Leitura e escrita comple-
· Evita a improvisação mentam-se. Lendo textos bem estruturados, podemos apreender os proce-
· Pobreza de recursos não-linguísticos; uso de letras, sinais de pontua- dimentos linguísticos necessários a uma boa redação.
ção
Numa primeira leitura, temos sempre uma noção muito vaga do que o
· É mais precisa e elaborada
autor quis dizer. Uma leitura bem feita é aquela capaz de depreender de um
· Ausência de cacoetes linguísticos e vulgarismos
texto ou de um livro a informação essencial. Tudo deve ajustar-se a elas de
LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL forma precisa. A tarefa do leitor é detectá-las, a fim de realizar uma leitura
capaz de dar conta da totalidade do texto.
Linguagem Verbal - Existem várias formas de comunicação. Quando o
Por adquirir tal importância na arquitetura textual, as palavras-chave
homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita,dizemos
normalmente aparecem ao longo de todo o texto das mais variadas formas:
que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a
repetidas, modificadas, retomadas por sinônimos. Elas pavimentam o
palavra. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando
caminho da leitura, levando-nos a compreender melhor o texto. Além disso,
lemos, quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação
fornecer a pista para uma leitura reconstrutiva porque nos levam à essência
mais presente em nosso cotidiano. Mediante a palavra falada ou escrita,
da informação. Após encontrar as palavras-chave de um texto, devemos
expomos aos outros as nossas ideias e pensamentos, comunicando-nos
tentar reescrevê-lo, tomando-as como base. Elas constituem seu esqueleto.
por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. ela está
presente em textos em propagandas; AS IDEIAS-CHAVE
em reportagens (jornais, revistas, etc.); Muitas vezes temos dificuldades para chegar à síntese de um texto só
em obras literárias e científicas; pelas palavras-chave. Quando isso acontece, a melhor solução é buscar
suas ideias-chave. Para tanto é necessário sintetizar a ideia de cada pará-
na comunicação entre as pessoas; grafo.
em discursos (Presidente da República, representantes de classe, TÓPICO FRASAL
candidatos a cargos públicos, etc.);
Um parágrafo padrão inicia-se por uma introdução em que se encontra
e em várias outras situações. a idéia principal desenvolvida em mais períodos. Segundo a lição de Othon
M. Garcia em sua Comunicação em prosa moderna (p. 192), denomina-
Linguagem Não Verbal
se tópico frasal essa introdução. Depois dela, vem o desenvolvimento e
pode haver a conclusão. Um texto de parágrafo:
“Em todos os níveis de sua manifestação, a vida requer certas condi-
ções dinâmicas, que atestam a dependência mútua dos seres vivos. Ne-
cessidades associadas à alimentação, ao crescimento, à reprodução ou a
outros processos biológicos criam, com frequência, relações que fazem do
bem-estar, da segurança e da sobrevivência dos indivíduos matérias de
interesse coletivo”. FERNANDES, Florestan. Elementos de sociologia
teórica 2. ed. São Paulo: Nacional, 1974, p. 35.
Observe a figura abaixo, este sinal demonstra que é proibido fumar em Neste parágrafo, o tópico frasal é o primeiro período (Em .... vivos). Se-
um determinado local. A linguagem utilizada é a não-verbal pois não utiliza gue-se o desenvolvimento especificando o que é dito na introdução. Se o
do código "língua portuguesa" para transmitir que é proibido fumar. Na tópico frasal é uma generalização, e o desenvolvimento constitui-se de
figura abaixo, percebemos que o semáforo, nos transmite a ideia de especificações, o parágrafo é, então, a expressão de um raciocínio deduti-
atenção, de acordo com a cor apresentada no semáforo, podemos saber se

Língua Portuguesa 6 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
vo. Vai do geral para o particular: Todos devem colaborar no combate às A CONCLUSÃO DO PARÁGRAFO encerra o desenvolvimento, com-
drogas. Você não pode se omitir. pleta a discussão do assunto (opcional)
Se não há tópico frasal no início do parágrafo e a síntese está na con- FORMAS DISCURSIVAS DO PARÁGRAFO
clusão, então o método é indutivo, ou seja, vai do particular para o geral,
dos exemplos para a regra: João pesquisou, o grupo discutiu, Lea redigiu. A) DESCRITIVO: a matéria da descrição é o objeto. Não há persona-
Todos colaborando, o trabalho é bem feito. gens em movimento (atemporal). O autor/produtor deve apresentar o
objeto, pessoa, paisagem etc, de tal forma que o leitor consiga distinguir o
PARAGRAFAÇÃO ser descrito.
A PARAGRAFAÇÃO B) NARRATIVO: a matéria da narração é o fato. Uma maneira eficiente
de organizá-lo é respondendo à seis perguntas: O quê? Quem? Quando?
NO/DO TEXTO DISSERTATIVO Onde? Como? Por quê?
(Partes deste capítulo foram adaptados/tirados de PACHECO, Agnelo C) DISSERTATIVO: a matéria da dissertação é a análise (discussão).
C. A dissertação. São Paulo: Atual, 1993 e de SOBRAL, João Jonas Veiga.
Redação: Escrevendo com prática. São Paulo: Iglu, 1997) ELABORAÇÃO/ PLANEJAMENTO DE PARÁGRAFOS
O texto dissertativo é o tipo de texto que expõe uma tese (ideias gerais Ter um assunto
sobre um assunto/tema) seguida de um ponto de vista, apoiada em argu-
Delimitá-lo, traçando um objetivo: o que pretende transmitir?
mentos, dados e fatos que a comprovem.
Elaborar o tópico frasal; desenvolvê-lo e concluí-lo
“A leitura auxilia o desenvolvimento da escrita, pois, lendo, o indivíduo
tem contato com modelos de textos bem redigidos que, ao longo do tempo, PARÁGRAFO-CHAVE: FORMAS PARA COMEÇAR UM TEXTO
farão parte de sua bagagem linguística; e também porque entrará em
contato com vários pontos de vista de intelectuais diversos, ampliando, Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criati-
dessa forma, sua própria visão em relação aos assuntos. Como a produção va. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns
escrita se baseia praticamente na exposição de ideias por meio de pala- como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo hoje, a
vras, certamente aquele que lê desenvolverá sua habilidade devido ao cada dia que passa, no mundo em vivemos, na atualidade.
enriquecimento linguístico adquirido através da leitura de bons autores.” Listamos aqui algumas formas de começar um texto. Elas vão das mais
No texto acima temos uma ideia defendida pelo autor: simples às mais complexas.

TESE/TÓPICO FRASAL: “A leitura auxilia o desenvolvimento da escri- Declaração


ta.” É um grande erro a liberação da maconha. Provocará de imediato vio-
Em seguida o autor defende seu ponto de vista com os seguintes ar- lenta elevação do consumo. O Estado perderá o controle que ainda exerce
gumentos: sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de
viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. Alberto
ARGUMENTOS: Corazza, Isto é, 20 dez. 1995.
(1)“...lendo o indivíduo tem contato com modelos de textos bem redigi- A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fa-
dos que ao longo do tempo farão parte de sua bagagem linguística e, zer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.
também, (2) porque entrará em contato com vários pontos de vista de
intelectuais diversos, (3) ampliando, dessa forma, a sua própria visão em Definição
relação aos assuntos.” E por fim, comprovada a sua tese, veja que a ideia O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo,
desta é recuperada: isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um
CONCLUSÃO: “Como a produção escrita se baseia praticamente na modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabe-
exposição de idéias por meio de palavras, certamente aquele que lê desen- lecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais
volverá sua habilidade devido ao enriquecimento linguístico adquirido ou mesmo a construção cultural, mas que dão também, as formas de ação
através da leitura de bons autores.” humana.

Observe como o texto dissertativo tem por objetivo expressar um de- ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Te-
terminado ponto de vista em relação a um assunto qualquer e convencer o mas de Filosofia.São Paulo, Moderna, 1992. p.62.
leitor de que este ponto de vista está correto. Poderíamos afirmar que o A definição é uma forma simples e muito usada em parágrafo-chave,
texto dissertativo é um exercício de cidadania, pois nele o indivíduo exerce sobretudo em textos dissertativos. Pode ocupar só a primeira frase ou todo
seu papel de cidadão, questionando valores, reivindicando algo, expondo o primeiro parágrafo.
pontos de vista, etc.
Divisão
Pode-se dizer que:
Predominam ainda no Brasil convicções errôneas sobre o problema da
A paragrafação com tópico frasal seguido pelo desenvolvimento é uma exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder públi-
forma de organizar o raciocínio e a exposição das ideias de maneira clara e co e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordi-
facilmente compreensível. Quando se tem um plano em que os tópicos nários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que combate à margi-
principais foram selecionados e nalidade social em Nova York vem contando co intensivos esforços do
dispostos de modo a haver transição harmoniosa de um para outro, é poder público e ampla participação da iniciativa privada. Folha de S. Paulo,
fácil redigir. 17 dez.1996.

O TÓPICO FRASAL DO PARÁGRAFO: geralmente vem no começo Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção
do parágrafo, seguida de outros períodos que explicam ou detalham a ideia que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte.
central e podem ou não concluir a ideia deste parágrafo. Oposição
O DESENVOLVIMENTO DO PARÁGRAFO: é a explanação da ideia De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo
exposta no tópico frasal. Devemos desenvolver nossas ideias de maneira governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabó-
clara e convincente, utilizando argumentos e/ou ideias sempre tendo em licas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive a educação
vista a forma como iniciamos o parágrafo. no Brasil.

Língua Portuguesa 7 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado/ de outro) COESÃO E COERÊNCIA
que estabelecerá o rumo da argumentação.
Articulação entre os parágrafos
Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste e-
xemplo: A articulação dos/entre parágrafos depende da coesão e coerên-
cia. Sem um deles, ainda assim, é possível haver entendimento textu-
“Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacaram pelo grau al, entretanto, há necessidade de ter domínio da língua e do contexto
de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto à para escrever um texto de tal forma. Dependendo da tipologia textual,
cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra, esperança por a articulação textual se dá de forma diferente. Na narração, por exem-
observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e plo, não há necessidade de ter um parágrafo com mais de um período.
quase sempre como forma de resistência e/ou transformação (...)” FEIJÓ, Um parágrafo narrativo pode ser apenas “Oi”. Já a dissertação neces-
Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1985.p.7. sita ter ao menos um parágrafo com introdução e desenvolvimento
(conclusão; opcional). Assim também varia a necessidade de números
O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a de parágrafos para cada texto. Para se obter um bom texto, são ne-
compõem. cessários também: concisão, clareza, correção, adequação de lingua-
Alusão histórica gem, expressividade.
Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste- Coerência e Coesão
oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As Para não ser ludibriado pela articulação do contexto, é necessário que
fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de se esteja atento à coesão e à coerência textuais.
competição.
Coesão textual é o que permite a ligação entre as diversas partes de
O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. um texto. Pode-se dividir em três segmentos:
O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.
1. Coesão referencial – é a que se refere a outro(s) elemento(s) do
Pergunta mundo textual.
Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os Exemplos:
contribuintes já estão cansados de tirar do bolso para tapar um buraco que
parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para a) O presidente George W.Bush ficou indignado com o ataque no Wor-
alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de ld Trade Center. Ele afirmou que “castigará” os culpados. (retomada de
imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será uma palavra gramatical – referente “Ele” + “ Presidente George W.Bush”)
respondida ao longo da argumentação.
b) De você só quero isto: a sua amizade (antecipação de uma palavra
Citação gramatical – “isto” = “a sua amizade”
“As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não c) O homem acordou feliz naquele dia. O felizardo ganhou um bom di-
chorarem mais, trazem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as nheiro na loteria. ( retomada por palavra lexical – “o felizardo” = “o homem”)
costas e irem embora.” O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado,
falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia 2. Coesão sequencial – é feita por conectores ou operadores discursi-
ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. DI FRANCO, Carlos vos, isto é palavras ou expressões responsáveis pela criação de relações
Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. p. 73. semânticas ( causa, condição, finalidade, etc.). São exemplos de conecto-
res: mas, dessa forma, portanto, então, etc..
A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pe-
la palavra comentário da segunda frase. Exemplo:

Comparação a. Ele é rico, mas não paga suas dívidas.

O tema de reforma agrária está a bastante tempo nas discussões sobre Observe que o vocábulo “mas” não faz referência a outro vocábulo; a-
os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o penas conecta (liga) uma ideia a outra, transmitindo a ideia de compensa-
movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passa- ção.
do e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber 3. Coesão recorrencial – é realizada pela repetição de vocábulos ou
algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam de estruturas frasais
elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor
e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. OLIVEIRA, semelhantes.
Pérsio Santos de. Introdução à sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p.101. Exemplos;
Para introduzir o tema da reforma araria, o autor comparou a sociedade a. Os carros corriam, corriam, corriam.
de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de compor-
tamento entre elas. b. O aluno finge que lê, finge que ouve, finge que estuda.
Afirmação Coerência textual é a relação que se estabelece entre as diversas
partes do texto, criando uma unidade de sentido. Está ligada ao en-
A profissionalização de uma equipe começa com a procura e aquisição tendimento, À possibilidade de interpretação daquilo que se ouve ou
das pessoas que tenham experiência e as aptidões adequadas para o lê.
desempenho da tarefa, especialmente quando esta é imediata. (Desenvol-
vimento ) As pessoas já virão integrar a equipe sem precisar de treinamen- OBS: pode haver texto com a presença de elementos coesivos, e não
to profissionalizante, podendo entrar em ação logo após seu ingresso. apresentar coerência.
Alternativamente, ou quando se dispõe de tempo, pode-se recrutar Exemplo:
pessoas inexperientes, mas que demonstrem o potencial para desenvolver
O presidente George W.Bush está descontente com o grupo Talibã.
as aptidões e o interesse em fazer parte da equipe ou dedicar-se a sua
Estes eram estudantes da escola fundamentalista. Eles, hoje, governam o
missão. Sempre que possível, uma equipe deve procurar combinar pessoas
afeganistão. Os afegãos apóiam o líder Osama Bin Laden. Este foi aliado
experientes e aprendizes em sua composição, de modo que os segundos
dos Estados Unidos quando da invasão da União Soviética ao Afeganistão.
aprendam com os primeiros. (conclusão) A falta de um banco de reservas,
muitas vezes, pode ser um obstáculo à própria evolução da equipe.” (Ma- Comentário:
ximiniano, 1986:50 )
ARTICULAÇÃO ENTRE PARÁGRAFOS

Língua Portuguesa 8 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Ninguém pode dizer que falta coesão a este parágrafo. Mas de que se sim analisá-los de acordo com o contexto semântico ao qual está inserida.
trata mesmo? Do descontentamento do presidente dos Estados Unidos? Do
grupo Talibã? Do povo Afegão? Segundo Elisa Guimarães, o sentido da palavra texto estende-se a
uma enorme vastidão, podendo designar “um enunciado qualquer, oral ou
Do Osama Bin Laden? Embora o parágrafo tenha coesão, não apre- escrito, longo ou breve, antigo ou moderno” (p.14) e ao contrário do que
senta coerência, entendimento. muitos podem pensar, um texto pode ser caracterizado como um fragmen-
Pode ainda um texto apresentar coerência, e não apresentar elementos to, uma frase, um verbo ect e não apenas na reunião destes com mais
coesivos. Veja o texto seguinte: algumas outras formas de enunciação; procurando sempre uma objetivida-
de para que a sua compreensão seja feita de forma fácil e clara.
Como se conjuga um empresário
Mino Esta economia textual facilita no caminho de transmissão entre o enun-
ciador e o receptor do texto que procura condensar as informações recebi-
“Acordou. Levantou-se. Aprontou-se. Lavou-se. Barbeou-se. Enxugou- das a fim de se deter ao “núcleo informativo” (p.17), este sim, primordial a
se. Perfumou-se. Lanchou. Escovou. Abraçou. Saiu. Entrou. Cumprimen- qualquer informação.
tou. Orientou. Controlou. Advertiu. Chegou. Desceu. Subiu. Entrou. Cum-
primentou. Assentou-se. Preparou-se. Examinou. Leu. Convocou. Leu. A autora também apresenta diversas formas de classificação do discur-
Comentou. Interrompeu. Leu. Despachou. Vendeu. Vendeu. Ganhou. so e do texto, porém, detenhamo-nos na divisão de texto informativo e de
Ganhou. Ganhou. Lucrou. Lucrou. Lucrou. Lesou. Explorou. Escondeu. um texto literário ou ficcional.
Burlou. Safou-se. Comprou. Vendeu. Assinou. Sacou. Depositou. Deposi-
tou. Associou-se. Vendeu-se. Entregou. Sacou. Depositou. Despachou. Analisando um texto, é possível percebermos que a repetição de um
Repreendeu. Suspendeu. Demitiu. Negou. Explorou. Desconfiou. Vigiou. nome/lexema, nos induz à lembrar de fatos já abordados, estimula a nossa
Ordenou. Telefonou. Despachou. Esperou. Chegou. Vendeu. Lucrou. biblioteca mental e a informa da importância de tal nome, que dentro de um
Lesou. Demitiu. Convocou. Elogiou. Bolinou. Estimulou. Beijou. Convidou. contexto qualquer, ou seja que não fosse de um texto informacional, seria
Saiu. Chegou. Despiu-se. Abraçou. Deitou-se. Mexeu. Gemeu. Fungou. apenas caracterizado como uma redundância desnecessária. Essa repeti-
Babou. Antecipou. Frustrou. Virou-se. Relaxou-se. Envergonhou-se. Pre- ção é normalmente dada através de sinônimos ou “sinônimos perfeitos”
senteou. Saiu. Despiu-se. Dirigiu-se. Chegou. Beijou. Negou. Lamentou. (p.30) que permitem a permutação destes nomes durante o texto sem que o
Justificou-se. Dormiu. Roncou. Sonhou. Sobressaltou-se. Acordou. Preocu- sentido original e desejado seja modificado.
pou-se. Temeu. Suou. Ansiou. Tentou. Despertou. Insistiu. Irritou-se. Te-
meu. Levantou. Apanhou. Rasgou. Engoliu. Bebeu. Dormiu. Dormiu. Dor- Esta relação semântica presente nos textos ocorre devido às interpre-
miu. Dormiu. Acordou. Levantou-se. Aprontou-se... Comentário: tações feitas da realidade pelo interlocutor, que utiliza a chamada “semânti-
ca referencial” (p.31) para causar esta busca mental no receptor através de
O texto nos mostra o dia-a-dia de um empresário qualquer. A estrutura
palavras semanticamente semelhantes à que fora enunciada, porém, existe
textual – somente verbos – não apresenta elementos coesivos; o que se
ainda o que a autora denominou de “inexistência de sinônimo perfeito”
encontra são relações de sentido, isto é, o texto retrata a visão do seu
(p.30) que são sinônimos porém quando posto em substituição um ao outro
autor, no caso, a de que todo empresário é calculista e desonesto.
não geram uma coerência adequada ao entendimento.
Há palavras e expressões que garantem transições bem feitas e que
estabelecem relações lógicas entre as diferentes ideias apresentadas no Nesta relação de substituição por sinônimos, devemos ter cautela
texto. Fonte: UNINOVE quando formos usar os “hiperônimos” (p.32), ou até mesmo a “hiponímia”
(p.32) onde substitui-se a parte pelo todo, pois neste emaranhado de subs-
tituições pode-se causar desajustes e o resultado final não fazer com que a
ESTRUTURAÇÃO E ARTICULAÇÃO DO TEXTO imagem mental do leitor seja ativada de forma corretamente, e outra assimi-
lação, errônea, pode ser utilizada.
Resenha Critica de Articulação do Texto
Amanda Alves Martins Seguindo ainda neste linear das substituições, existem ainda as “nomi-
Resenha Crítica do livro A Articulação do Texto, da autora Elisa Guima- nações” e a “elipse”, onde na primeira, o sentido inicialmente expresso por
rães um verbo é substituído por um nome, ou seja, um substantivo; e, enquanto
na segunda, ou seja, na elipse, o substituto é nulo e marcado pela flexão
No livro de Elisa Guimarães, A Articulação do Texto, a autora procura verbal; como podemos perceber no seguinte exemplo retirado do livro de
esclarecer as dúvidas referentes à formação e à compreensão de um texto Elisa Guimarães:
e do seu contexto. “Louve-se nos mineiros, em primeiro lugar, a sua presença suave. Mil
deles não causam o incômodo de dez cearenses.
Formado por unidades coordenadas, ou seja, interligadas entre si, o
texto constitui, portanto, uma unidade comunicativa para os membros de __Não grita, ___ não empurram< ___ não seguram o braço da gente,
uma comunidade; nele, existe um conjunto de fatores indispensáveis para a ___ não impõem suas opiniões. Para os importunos inventaram eles uma
sua construção, como “as intenções do falante (emissor), o jogo de ima- palavra maravilhosamente definidora e que traduz bem a sua antipatia para
gens conceituais, mentais que o emissor e destinatário executam.”(Manuel essa casta de gente (...)” (Rachel de Queiroz. Mineiros. In: Cem crônicas
P. Ribeiro, 2004, p.397). Somado à isso, um texto não pode existir de forma escolhidas. Rio de Janeiros, José Olympio, 1958, p.82).
única e sozinha, pois depende dos outros tanto sintaticamente quanto
semanticamente para que haja um entendimento e uma compreensão Porém é preciso especificar que para que haja a elipse o termo elíptico
deste. Dentro de um texto, as partes que o formam se integram e se expli- deve estar perfeitamente claro no contexto. Este conceito e os demais já
cam de forma recíproca. ditos anteriormente são primordiais para a compreensão e produção textu-
al, uma vez que contribuem para a economia de linguagem, fator de grande
Completando o processo de formação de um texto, a autora nos escla- valor para tais feitos.
rece que a economia de linguagem facilita a compreensão dele, sendo
indispensável uma ligação entre as partes, mesmo havendo um corte de Ao abordar os conceitos de coesão e coerência, a autora procura pri-
trechos considerados não essenciais. meiramente retomar a noção de que a construção do texto é feita através
de “referentes linguísticos” (p.38) que geram um conjunto de frases que irão
Quando o tema é a “situação comunicativa” (p.7), a autora nos esclare- constituir uma “microestrutura do texto” (p.38) que se articula com a estrutu-
ce a relação texto X contexto, onde um é essencial para esclarecermos o ra semântica geral. Porém, a dificuldade de se separar a coesão da coe-
outro, utilizando-se de palavras que recebem diferentes significados con- rência está no fato daquela está inserida nesta, formando uma linha de
forme são inseridas em um determinado contexto; nos levando ao entendi- raciocínio de fácil compreensão, no entanto, quando ocorre uma incoerên-
mento de que não podemos considerar isoladamente os seus conceitos e cia textual, decorrente da incompatibilidade e não exatidão do que foi

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escrito, o leitor também é capaz de entender devido a sua fácil compreen- Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto
são apesar da má articulação do texto. coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâ-
mica articuladora e garantem a progressão textual.
A coerência de um texto não é dada apenas pela boa interligação entre
as suas frases, mas também porque entre estas existe a influência da A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas
coerência textual, o que nos ajuda a concluir que a coesão, na verdade, é relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos
efeito da coerência. Como observamos em Nova Gramática Aplicada da em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos;
Língua Portuguesa de Manoel P. Ribeiro (2004, 14ed): tempos verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.),
na organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como
A coesão e a coerência trazem a característica de promover a inter- formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver
relação semântica entre os elementos do discurso, respondendo pelo que um tema ou as unidades de um texto. Construída com os mecanismos
chamamos de conectividade textual. “A coerência diz respeito ao nexo gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto.
entre os conceitos; e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguísti- 1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode
co” (VAL, Maria das Graças Costa. Redação e textualidade, 1991, p.7) dar-se pela reiteração, pela substituição e pela associação.
É garantida com o emprego de:
No capítulo que diz respeito às noções de estrutura, Elisa Guimarães, • enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensa-
busca ressaltar o nível sintático representado pelas coordenações e subor- gem-tema do texto apoiada na conexão de elementos léxicos su-
dinações que fixam relações de “equivalência” ou “hierarquia” respectiva- cessivos pode dar-se por simples iteração (repetição). Cabe, nesse
mente. caso, fazer-se a diferenciação entre a simples redundância resul-
Um fato importante dentro do livro A Articulação do Texto, é o valor atribuí- tado da pobreza de vocabulário e o emprego de repetições como
do às estruturas integrantes do texto, como o título, o parágrafo, as inter e recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As contas do
intrapartes, o início e o fim e também, as superestruturas. patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro, mas
Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá-
O título funciona como estratégica de articulação do texto podendo de- lo.Enganava.” Vidas secas, p. 143);
sempenhar papéis que resumam os seus pontos primordiais, como tam- • substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos
bém, podem ser desvendados no decorrer da leitura do texto. como de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui além
das palavras sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológi-
Os parágrafos esquematizam o raciocínio do escritos, como enuncia cas e do campo associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar,
Othon Moacir Garcia: voar;
“O parágrafo facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar con-
• hipônimos (relações de um termo específico com um termo de
venientemente as ideias principais da sua composição, permitindo ao leitor
sentido geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios”.
termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específi-
co, ex.: felino, gato);
É bom relembrar, que dentro do parágrafo encontraremos o chamado
tópico frasal, que resumirá a principal ideia do parágrafo no qual esta • nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em
inserido; e também encontraremos, segundo a autora, dez diferentes tipos forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.:
de parágrafo, cada qual com um ponto de vista específico. consertar, o conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se en-
tre nominalização estrita e. generalizações (ex.: o cão < o animal)
No que diz respeito ao tópico Inicio e fim, Elisa Guimarães preferiu a- e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
bordá-los de forma mútua já que um é consequência ou decorrência do • substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço.
outro; ficando a organização da narrativa com uma forma de estrutura O verbo fazer em substituição ao verbo trabalhar);
clássica e seguindo uma linha sequencial já esperada pelo leitor, onde o • enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global.
início alimenta a esperança de como virá a ser o texto, enquanto que o fim Ex.: O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também
exercer uma função de dar um destaque maior ao fechamento do texto, o deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono
que também, alimenta a imaginação tanto do leito, quanto do próprio autor. (Vidas Secas, p.11). Esse enunciado é chamado de anáfora con-
ceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere
No geral, o que diz respeito ao livro A Articulação do Texto de Elisa são retomados por outro enunciado que os resume e/ou interpreta.
Guimarães, ele nos trás um grande número de informações e novos concei- Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso a-
tos em relação à produção e compreensão textual, no entanto, essa grande vançar, mantendo-se sua unidade.
leva de informações muitas vezes se tornam confusas e acabam por des- 2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
prenderem-se uma das outras, quebrando a linearidade de todo o texto e • certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-
dificultando o entendimento teórico. se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados
como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto,
A REFERENCIAÇÃO / OS REFERENTES / COERÊNCIA E COESÃO diferentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa que se referem à
pessoa que fala e com quem esta fala.
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa se- • certos advérbios e expressões adverbiais;
quência de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas • artigos;
forma uma cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um
entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto • conjunções;
falado ou escrito. Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conectivi- • numerais;
dade e a retomada e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada • elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado
uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e significado tanto anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem
com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, constru- recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
indo uma cadeia textual significativa. Essa coesão, que dá unidade ao ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes relação entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que
procedimentos, tanto no campo do léxico, como no da gramática. (Não marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
esqueçamos que, num texto, não existem ou não deveriam existir elemen- enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraver-
tos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão construindo o texto, e são bais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares pú-
as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma oração, entre as blicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma
orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação, os contatos situação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e
e conexões e estabelecem sentido ao todo.) contexto (extratextual);
• as concordâncias;

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• a correlação entre os tempos verbais. condicionalidade: essa relação é expressa pela combinação de duas
proposições: uma introduzida pelo articulador se ou caso e outra por então
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão textu- (consequente), que pode vir implícito. Estabelece-se uma relação entre o
al, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas antecedente e o consequente, isto é, sendo o antecedente verdadeiro ou
indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os com- possível, o consequente também o será.
ponentes concentram em si a significação. Referem os participantes do ato
de comunicação, o momento e o lugar da enunciação. Na relação de condicionalidade, estabelece-se, muitas vezes, uma
condição hipotética, isto é,, cria-se na proposição introduzida pelo articula-
Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos: dor se/caso uma hipótese que condicionará o que será dito na proposição
Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participan- seguinte. Em geral, a proposição situa-se num tempo futuro.
tes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções
prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o Caso tenha férias, (então) viajarei para Buenos Aires.
momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ulti- causalidade: é expressa pela combinação de duas proposições, uma
mamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de das quais encerra a causa que acarreta a consequência expressa na outra.
agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro). Tal relação pode ser veiculada de diferentes formas:

Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam rela- Passei no vestibular porque estudei muito
ções não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também visto que
entre frases e sequências de frases dentro de um texto”. já que
uma vez que
Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Mui- _________________ _____________________
tas vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoia- consequência causa
da no conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo
comunicativo têm da língua.
Estudei tanto que passei no vestibular.
A ligação lógica das ideias Estudei muito por isso passei no vestibular
Uma das características do texto é a organização sequencial dos ele- _________________ ____________________
mentos linguísticos que o compõem, isto é, as relações de sentido que se causa consequência
estabelecem entre as frases e os parágrafos que compõem um texto,
fazendo com que a interpretação de um elemento linguístico qualquer seja
dependente da de outro(s). Os principais fatores que determinam esse Como estudei passei no vestibular
encadeamento lógico são: a articulação, a referência, a substituição voca- Por ter estudado muito passei no vestibular
bular e a elipse. ___________________ ___________________
causa consequência
ARTICULAÇÃO
Os articuladores (também chamados nexos ou conectores) são conjun- finalidade: uma das proposições do período explicita o(s) meio(s) para
ções, advérbios e preposições responsáveis pela ligação entre si dos fatos se atingir determinado fim expresso na outra. Os articuladores principais
denotados num texto, Eles exprimem os diferentes tipos de interdependên- são: para, afim de, para que.
cia de sentido das frases no processo de sequencialização textual. As
ideias ou proposições podem se relacionar indicando causa, consequência, Utilizo o automóvel a fim de facilitar minha vida.
finalidade, etc.
conformidade: essa relação expressa-se por meio de duas proposi-
Ingressei na Faculdade a fim de ascender socialmente. ções, em que se mostra a conformidade de conteúdo de uma delas em
Ingressei na Faculdade porque pretendo ser biólogo. relação a algo afirmado na outra.
Ingressei na Faculdade depois de ter-me casado.
O aluno realizou a prova conforme o professor solicitara.
É possível observar que os articuladores relacionam os argumentos di- segundo
ferentemente. Podemos, inclusive, agrupá-los, conforme a relação que consoante
estabelecem. como
de acordo com a solicitação...
Relações de:
adição: os conectores articula sequencialmente frases cujos conteúdos temporalidade: é a relação por meio da qual se localizam no tempo
se adicionam a favor de uma mesma conclusão: e, também, não ações, eventos ou estados de coisas do mundo real, expressas por meio de
só...como também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem. duas proposições.
Quando
Na maioria dos casos, as frases somadas não são permutáveis, isto é, Mal
a ordem em que ocorrem os fatos descritos deve ser respeitada. Logo que terminei o colégio, matriculei-me aqui.
Assim que
Ele entrou, dirigiu-se à escrivaninha e sentou-se. Depois que
alternância: os conteúdos alternativos das frases são articulados por No momento em que
conectores como ou, ora...ora, seja...seja. O articulador ou pode expres- Nem bem
sar inclusão ou exclusão.
a) concomitância de fatos: Enquanto todos se divertiam, ele estu-
Ele não sabe se conclui o curso ou abandona a Faculdade. dava com afinco.
Existe aqui uma simultaneidade entre os fatos descritos em cada
oposição: os conectores articulam sequencialmente frases cujos con- uma das proposições.
teúdos se opõem. São articuladores de oposição: mas, porém, todavia, b) um tempo progressivo:
entretanto, no entanto, não obstante, embora, apesar de (que), ainda À proporção que os alunos terminavam a prova, iam se retirando.
que, se bem que, mesmo que, etc. • bar enchia de frequentadores à medida que a noite caía.

O candidato foi aprovado, mas não fez a matrícula. Conclusão: um enunciado introduzido por articuladores como portan-

Língua Portuguesa 11 A Opção Certa Para a Sua Realização


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to, logo, pois, então, por conseguinte, estabelece uma conclusão em O narrador passa a existir a partir do instante que se abre o livro e ele,
relação a algo dito no enunciado anterior: em primeira ou terceira pessoa, nos conta a história que o livro guarda.
Confundir narrador e autor é fazer a loucura de imaginar que, morto o autor,
Assistiu a todas as aulas e realizou com êxito todos os exercícios. Por- todos os seus narradores morreriam junto com ele e que, portanto, não
tanto tem condições de se sair bem na prova. disporíamos mais de nenhuma narrativa dele.
LOCUTOR, INTERLOCUTOR
É importante salientar que os articuladores conclusivos não se limitam
a articular frases. Eles podem articular parágrafos, capítulos. A noção de interlocução é importantíssima para qualquer trabalho com
a linguagem. Partindo do pressuposto que a linguagem é o meio de intera-
Comparação: é estabelecida por articuladores : tanto (tão)...como, ção entre as pessoas e que é socialmente compartilhada, temos como
tanto (tal)...como, tão ...quanto, mais ....(do) que, menos ....(do) que, evidente que os indivíduos a ajustam, artificial ou naturalmente, dependen-
assim como. do de quem são (interlocutores), de onde estão e do fim visado (situação de
Ele é tão competente quanto Alberto. comunicação).

Explicação ou justificativa: os articuladores do tipo pois, que, por- A noção de interlocução - que envolve os dois interlocutores e a situa-
que introduzem uma justificativa ou explicação a algo já anteriormente ção - é uma noção fundamental para qualquer trabalho com a linguagem.
referido. Foi escolhida por nós como uma das competências necessárias para se
chegar a ser um bom leitor e um bom usuário da língua, falada e escrita,
Não se preocupe que eu voltarei porque a língua que nos interessa estudar e analisar é a língua em uso, que
pois se dá entre aquele que fala ou escreve e aqueles que lêem ou escutam. A
porque noção de interlocução, além de supor a existência de um locutor (o sujeito
que fala ou escreve) e de alguém a quem a enunciação é dirigida
As pausas (o interlocutor), supõe necessariamente a existência de uma situação,
Os articuladores são, muitas vezes, substituídos por “pausas” (marca- a situação de comunicação. É só no cruzamento de um locutor com um
das por dois pontos, vírgula, ponto final na escrita). Que podem assinalar interlocutor numa situação específica que um enunciado ganha sentido.
tipos de relações diferentes.
*Tomemos como exemplo a frase Estou com frio. É possível imaginar
Compramos tudo pela manhã: à tarde pretendemos viajar. (causalida- diversas situações em que ela poderia ser proferida e os mais variá-
de) veis sentidos que poderiam ser a ela atribuídos:
Não fique triste. As coisas se resolverão. (justificativa) 1) Feche a janela, por favor.
Ela estava bastante tranquila eu tinha os nervos à flor da pele. ( oposi- 2) Você sempre deixa a janela aberta.
ção) 3) Me aqueça.
Não estive presente à cerimônia. Não posso descrevê-la. (conclusão) 4) Vamos embora?
http://www.seaac.com.br/
Tomemos como segundo exemplo a frase Há mendigos novamente
A análise de expressões referenciais é fundamental na interpretação do morando embaixo da ponte. Imagine a diversidade de sentidos que ela
discurso. A identificação de expressões correferentes é importante em pode ter, se proferida por um vereador preocupado com o embelezamento
diversas aplicações de Processamento da Linguagem Natural. Expressões de sua cidade, se proferida por uma assistente pessoal,se proferida por um
referenciais podem ser usadas para introduzir entidades em um discurso ou comerciante das redondezas, etc.
podem fazer referência a entidades já mencionadas,podendo fazer uso de
Uma situação de escrita ou mesmo de fala não se dá sempre em forma
redução lexical.
de diálogo. Isto não significa, no entanto, que não haja um locutor, um
interlocutor e uma situação de comunicação. Um conto, por exemplo: ele é
Interpretar e produzir textos de qualidade são tarefas muito importantes
narrado por alguém (neste caso, temos um narrador como locutor) e ele é
na formação do aluno. Para realizá-las de modo satisfatório, é essencial
escrito para alguém (os interlocutores, neste caso, são leitores imaginados).
saber identificar e utilizar os operadores sequenciais e argumentativos do
Um discurso de um candidato a um cargo político tem como locutor, obvia-
discurso. A linguagem é um ato intencional, o indivíduo faz escolhas quan-
mente, o candidato; como interlocutores, os possíveis eleitores, os partidá-
do se pronuncia oralmente ou quando escreve. Para dar suporte a essas
rios e os adversários; a eles o político se dirige e a eles tentará sensibilizar,
escolhas, de modo a fazer com que suas opiniões sejam aceitas ou respei-
comover, persuadir, dissuadir.
tadas, é fundamental lançar mão dos operadores que estabelecem ligações
(espécies de costuras) entre os diferentes elementos do discurso. Chegamos assim a perceber que a noção de interlocução traz outra, a-
trelada a ela: a noção de adequação da linguagem aos interlocutores, à
situação de comunicação e à intenção.
Autor e Narrador: Diferenças
Projeto Cidadania Planetária
Equipe Aprovação Vest
A finalidade ou propósito;
Qual é, afinal, a diferença entre Autor e Narrador? Existe uma diferença
enorme entre ambos. Mais do que refletir uma realidade, todo o texto é um pronunciamento,
uma intervenção na realidade. Todo o texto é um ataque ou uma defesa.
Autor Todo o texto pretende obter um efeito. Convencer o leitor de algo. Defender
É um homem do mundo: tem carteira de identidade, vai ao supermer- uma tese. Propor um pensamento. É isso a finalidade do texto. A intenção
cado, masca chiclete, eventualmente teve sarampo na infância e, mais que presidiu à elaboração do texto é a sua chave.
eventualmente ainda, pode até tocar trombone, piano, flauta transversal.
Paga imposto. Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura:
Narrador Informativa e de reconhecimento;
É um ser intradiegético, ou seja, um ser que pertence à história que
está sendo narrada. Está claro que é um preposto do autor, mas isso não Interpretativa.
ignifica que defenda nem compartilhe suas ideias. Se assim fosse, Macha-
do de Assis seria um crápula como Bentinho ou um bígamo, porque, casa- A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato
do com Carolina Xavier de Novais, casou-se também com Capitu, foi aman- com o texto, extraindo-se informações e se preparando para a leitura inter-
te de Virgília e de um sem-número de mulheres que permeiam seus contos pretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave, passagens impor-
e romances. tantes; tente ligar uma palavra à ideia-central de cada parágrafo.

Língua Portuguesa 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


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• O período composto por subordinação contém orações interdependen-
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de tes, que dificilmente podem ser separadas em períodos simples.
respostas. Marque palavras com NÃO, EXCETO, RESPECTIVAMENTE,
etc, pois fazem diferença na escolha adequada.
PERÍODO COMPOSTO
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase
anterior e posterior para ter idéia do sentido global proposto pelo autor. • O processo de coordenação se dá por paralelismo ou relativa indepen-
dência entre as orações. Relativa porque, se há a independência sintática,
Redação Empresarial I - Profª. Solange Aparecida Lara - Facul- muitas vezes não há independência semântica.
dade INED • O processo de subordinação caracteriza-se por não haver paralelismo
Frase, Oração e Período entre as orações, mas desigualdade de funções e variedades sintáticas.
A estrutura do período.
PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
• Objetivos:
o Diferenciar frase, oração e período. • “Atleta obtém prata inédita no salto, ganha por 0,025 ponto no solo e
o Reconhecer a importância dos processos de coordenação e de subordi- coroa melhor participação do Brasil na Copa.” (Folha de São Paulo – 15/03/04)
nação no processamento textual.
• Atleta obtém prata inédita no salto,
o Praticar a estruturação do período, observando-se a relação lógico-
semântica estabelecida entre os diferentes segmentos que o compõem. • (Atleta) ganha por 0,025 ponto no solo
• Relação com a aula anterior: os segmentos que compõem o período • e (atleta) coroa melhor participação do Brasil na Copa.
estabelecem entre si relações lógico-semânticas, cujo reconhecimento e
cuja compreensão contribuem para a construção do sentido global do texto. PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
• Relação com a aula seguinte: A formação e a articulação dos períodos
são responsáveis pela constituição do parágrafo. • “Em depoimento, empresário do jogo afirma que ex-assessor de Dirceu
usou telefone do Palácio para convocar reunião com GTech.” (Folha de São
FRASE: qualquer enunciado com sentido completo. Paulo – 15/03/04)
• Em depoimento, empresário do jogo afirma
• “Oscar 2004! Marta leva melhor maquiagem!” (José Simão. Folha de São Paulo – • que ex-assessor de Dirceu usou telefone do Palácio
03/03/04) • para convocar reunião com GTech.
o “Oscar 2004!”: frase nominal.
o “Marta leva melhor maquiagem!”: frase verbal. PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E POR SUBORDINAÇÃO

ORAÇÃO: frase ou parte de uma frase que se estrutura em torno de um


• “Lula afirma que vai mexer e fazer ajustes no governo.” (Folha de São Paulo –
verbo ou de uma locução verbal. Geralmente, é composta de dois elemen-
15/03/04)
tos básicos: o sujeito e o predicado.
• Lula afirma
• que (Lula) vai mexer (no governo)
• “PT cobra mudanças na economia.” (Folha de São Paulo – 06/03/04) • e (Lula) (vai) fazer ajustes no governo.
• “Marte teve água e foi habitável, diz Nasa.” (Folha de São Paulo – 03/03/04)
O EMPREGO DAS CONJUNÇÕES
PERÍODO: é a frase que se estrutura em torno de uma ou mais orações.
Pode ser simples ou composto.
• A conjunção é uma classe de palavras invariável, cuja função é interligar
elementos de uma frase, estabelecendo entre eles relações de sentido.
• “Cresce a demanda por seguros que cobrem processos contra executi- • As conjunções podem interligar desde palavras até períodos.
vos.” (Exame – 17/03/04)
• Quando interligam duas ou mais orações, classificam-se em conjunções
• “Avião de Lula consome 75% dos investimentos da União. No ano da coordenativas (ex: e, mas, porém, logo) e conjunções subordinativas (ex: já
“virada”, governo gasta R$ 46,9 milhões com parcela de Airbus” (Folha de São que, embora, desde que, conforme, à medida que, a fim de que).
Paulo – 14/03/04)

Conjunção Coordenativa
• A oração precisa de verbo ou de locução verbal, mas, mesmo assim,
nem sempre tem sentido completo. Por isso, nem toda oração é uma frase.
• A frase não precisa ter verbo, mas precisa ter sentido completo. Por isso, • Elo coesivo por meio do qual se estabelece a organização da informação
nem toda frase é uma oração. e a estrutura da argumentação.
• Há frases com duas ou mais orações, visto que, separadas, não possu- • mecanismo usado para assinalar as relações de sentido entre dois
em sentido completo. segmentos coordenados, que podem ser:
o sintagmas: segmentos ligados pela conjunção e;
• Um período é composto de uma ou mais orações. o orações: segmentos ligados pelas conjunções mas, pois e ou;
• Período simples é aquele que contém apenas uma oração, isto é, con- o enunciados: segmentos ligados pela conjunção portanto.
tém apenas um núcleo verbal.
• Período composto é aquele que contém mais de uma oração, isto é,
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos
contém mais de um núcleo verbal
• O número de núcleos verbais é igual ao número de orações.
• <b.aditivas:< b="">sentido de adição, soma ou seqüência de ações.
Principais conjunções: e, nem, não só ... mas também, não só ... como
Um período pode ser composto por coordenação e/ou por subordina-
também.
ção.
o Os gerentes devem delegar poderes e estabelecer relações democráti-
cas.
• O período composto por coordenação contém orações independentes, o Os gerentes não só devem delegar poder como também estabelecer
que podem, com freqüência, ser separadas em períodos simples. relações democráticas.

Língua Portuguesa 13 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
</b.aditivas:<>
Exemplos:
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos A torcida frequenta mais os estádios
PROPORÇÃO: à
• Adversativas: oposição, adversidade, contraste. Principais conjunções: FINALIDADE: para ver o
proporção que o seu
mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto. seu time vencer no
time está subindo na
o É importante delegar responsabilidades aos colaboradores, mas é preci- clássico.
tabela do campeonato.
so conhecer a capacidade deles.
o É importante delegar responsabilidades aos colaboradores, contudo é
preciso conhecer a capacidade deles. A torcida expande suas tensões
CONDIÇÃO: se o time TEMPO: quando o time
Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos está perdendo. está perdendo.

• Explicativas: exprimem motivo, razão, explicação. Principais conjun-


ções: que, pois (antes do verbo), porque. A audiência do jogo é garantida
o A empresa teve bons resultados porque (pois) possui um time com CONCESSÃO: embora CONFORMIDADE: como
talentos diferenciados. a transmissão não seja atestam as pesquisas do
o Organize um time com talentos diferenciados, que (pois) isso garantirá o de boa qualidade. Ibope.
sucesso da empresa.

Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos


• Elementos coesivos usados para unir orações e enunciados.
• Introduzem novas informações / argumentos, que possibilitam a progres-
• Conclusivas: exprimem conclusão, hipótese, dedução. Principais con- são textual.
junções: portanto, logo, por isso, pois (após o verbo), dessa forma. • Expressam as seguintes idéias: causa, conseqüência, finalidade, con-
o Procurou estimular a criatividade em seu trabalho, logo (por isso) alcan- cessão, comparação, condição, conformidade, tempo, proporção, etc.
çará boa produtividade.
o Procurou estimular a criatividade em seu trabalho, alcançará, pois, boa
produtividade. Considerações finais

Conjunções Coordenativas e Valores Semânticos • A compreensão e o estudo dos processos de construção de períodos
contribuem para que se construam textos claros, coesos, coerentes e
fluentes.
• Alternativas: exprimem alternância, escolha, exclusão. Principais con-
junções: ou ... ou; ora ... Ora, quer ... quer, seja ... seja.
o Os profissionais devem estimular a própria criatividade ora convivendo
com pessoas criativas, ora lendo bons livros. GÊNEROS TEXTUAIS
o Seja no momento de lazer, seja na execução de uma tarefa, os profis-
sionais devem procurar desenvolver o seu potencial criativo. Gêneros textuais são tipos específicos de textos de qualquer natureza,
• Elementos coesivos usados para unir sintagmas nominais, orações literários ou não. Modalidades discursivas constituem as estruturas e as
e enunciados. funções sociais (narrativas, dissertativas, argumentativas, procedimentais e
o Introduzem novas informações / argumentos, que possibilitam a progres- exortativas), utilizadas como formas de organizar a linguagem. Dessa
são textual. forma, podem ser considerados exemplos de gêneros textuais: anúncios,
o Expressam as seguintes idéias: adição, adversidade, explicação, conclu- convites, atas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, comédias,
são e alternância. contos de fadas, convênios, crônicas, editoriais, ementas, ensaios, entrevis-
tas, circulares, contratos, decretos, discursos políticos

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu en-


Conjunções Subordinativas tender, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na
Circunstância Conjunções leitura, compreensão e produção de textos1. O que pretendemos neste
pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Tex-
Que, do que (depois de mais, menos,
tual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por
Comparação maior, menor, melhor, pior), tanto quanto,
Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis
como.
para o termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações
Se, caso, contanto que, desde que, a a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia.
Condição
menos que, anão ser que.
Conformidade Conforme, segundo, como. Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreen-
são e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordial
Quando, antes que, depois que, logo que, o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha
Tempo
assim que, desde que. capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para
Proporção À medida que, à proporção que. produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica
de interação humana.
Porque, como, já que, uma vez que, visto
Causa
que. Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na esco-
Que (tal...que, tanto...que, tão...que,), de la a partir da abordagem do Gênero Textual Marcuschi não demonstra
Consequência favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele,
forma que, de maneira que.
o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez
Fim Para que, a fim de que. que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque, embo-
Embora, ainda que, mesmo que, por mais ra possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se con-
Concessão
que, por menos que, se bem que.. cretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças especí-
ficas.
Língua Portuguesa 14 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção (Swa-
Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG) les, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipologia
defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os Textual é usado para designar uma espécie de sequência teoricamente
textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferen- definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos lexicais,
tes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22).
diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da compe-
tência comunicativa. De acordo com as ideias do autor, cada tipo de texto é Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os
apropriado para um tipo de interação específica. Deixar o aluno restrito a textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam caracte-
apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha recursos para rísticas sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades
atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou pouco funcionais, estilo e composição característica.
capaz, em outros. Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de
levantamento de quais tipos seriam mais necessários para os alunos, para, Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um
a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários. modo de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas
que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar
Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivoca- ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao fa-
da, o termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de zer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo
texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada
carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou
atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual. não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da transformação, quando
o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Se o
O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele, surge o discur-
muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos. so da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma perspecti-
Ele apresenta uma carta pessoal3 como exemplo, e comenta que ela pode va em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma
apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argu- forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude comunicativa de
mentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das perspectivas apre-
de heterogeneidade tipológica. sentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira perspectiva
faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção e narração. A segun-
Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente da perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto sensu6 e
são encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da antecipação faz surgir
como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem a textos do mundo
um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descri- comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não comprometi-
ção, a injunção e a predição. Travaglia afirma que um texto se define como mento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados,
de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de interlocu- de maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no
ção que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em função do tipo dissertação.
espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto.
Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma
Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero função social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas e
mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextuali- vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabe-
dade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu mos que gênero usar em momentos específicos de interação, de acordo
no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamen- com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos que
te híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro. ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de
maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o
Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo informa-
intercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado ções sobre um concurso público, por exemplo.
no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis,
na opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece
descrições e comentários dissertativos feitos por meio da narração. que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa
“qualidade” que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu
Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica: gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer?
• intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
• heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta
tipos sua função social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão,
Travaglia mostra o seguinte: romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc.
• conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o
• intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro que, na sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso,
comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função social
Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gê- de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-mail
neros não são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser dado
historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplificando
determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo assinado
exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o (com a função social de pedir, solicitar). Continuo colocando a carta, o e-
autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e voto são
carta, graças as suas propriedades necessárias e suficientes .Ele diz, ainda, exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria essa fun-
que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma lista de ção de prometer. Mas a função de confirmar a promessa de dar o voto a
produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulgação de alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a promessa de
produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários daquele votar que pode ter sido feita a um candidato.
produto.
Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colo-
Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado pa- carei todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que
ra designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele não
linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social menos

Língua Portuguesa 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
rígida, como o bilhete. Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho
com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus
Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi7 é a mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN, dizendo que ele
de Espécie. Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos apresenta a ideia básica de que um maior conhecimento do funcionamento
formais de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo. dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a compreen-
Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo são de textos. Travaglia não faz abordagens específicas ligadas à questão
narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual.
as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele
mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipo-
comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a corres- logia Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem
pondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No gênero parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que
romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista, fantásti- entram na composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão
co, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto a Espé- dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem
cie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é merece maiores discussões.
possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é
fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes. Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais i-
deais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de
Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Mar- gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais
cuschi, o oposto também acontece. Este autor discute o conceito de Domí- formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros
nio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esfe- devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem Sch-
ras da atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo infor- neuwly & Dolz (2004).
ma, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dariam
origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a
dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de gêneros Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia
que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comunicativas teria que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto
institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discur- deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais
so jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística, será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso seja
jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas origina vários considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores,
deles. porém dois são mais pertinentes:
a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composi-
Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Mar- ção de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possível.
cuschi. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao alu-
de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipolo- no o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-versa.
gias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção dos Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola
discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseri- teria convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo esse o mais
dos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado para produ-
uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institucional zir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com
(discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso petista, de direita, o tipo narrativo, por exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de
de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, linguísti- trabalhar com os outros tipos?);
co, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade (discur- b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.
so autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia
do discurso. Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gêne-
ro Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessaria-
Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando fa- mente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se
lam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Marcus- em algum gênero textual.
chi considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente
e corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era
para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instân- feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de texto
cia discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por isso,
o discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de redação,
produtora de sentidos para a interação comunicativa, regulada por uma ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste funda-
exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa mentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base
atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação
de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas primeiras moda-
uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da lín-
lidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade)
gua em uma situação de interação comunicativa específica, como uma
(Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda em si uma visão
unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reco-
equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais “fáceis” do que
nhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).
dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última
tenha sido reservada às séries terminais - tanto no ensino fundamental
Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que quanto no ensino médio.
sua preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcus-
chi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais opera- O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto
cional do que formal. pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor
Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipolo- de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em
gia Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos. textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual do
Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais, orais
(Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transformado
das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os ele- numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabilizado e
mentos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza. concretizado pela adoção de algumas estratégias, como enviar uma carta
para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entre-
feitas por Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros vista, etc. Essas atividades, além de diversificar e concretizar os leitores

Língua Portuguesa 16 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
das produções (que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”), permi- Variações Linguísticas
tem também a participação direta de todos os alunos e eventualmente de
pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. A avaliação
A linguagem é a característica que nos difere dos demais seres, permi-
dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literá- tindo-nos a oportunidade de expressar sentimentos, revelar conhecimen-
rios ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é tos, expor nossa opinião frente aos assuntos relacionados ao nosso
aquele que apresenta, ou só apresenta, características literárias, mas
cotidiano, e, sobretudo, promovendo nossa inserção ao convívio social.
aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzi-
do, ou seja, se a escolha do gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o
E dentre os fatores que a ela se relacionam destacam-se os níveis da
nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalida-
fala, que são basicamente dois: O nível de formalidade e o de infor-
de do texto.
malidade.
Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a
O padrão formal está diretamente ligado à linguagem escrita, res-
oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais
tringindo-se às normas gramaticais de um modo geral. Razão pela
socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da interação
qual nunca escrevemos da mesma maneira que falamos. Este fator
humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua
foi determinante para a que a mesma pudesse exercer total sobera-
constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
nia sobre as demais.
exercício da interação humana, da participação social dentro de uma socie-
dade letrada.
Quanto ao nível informal, este por sua vez representa o estilo consi-
1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gêne-
derado “de menor prestígio”, e isto tem gerado controvérsias entre
ro ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara pa-
os estudos da língua, uma vez que para a sociedade, aquela pessoa
ra selecionar os textos com os quais trabalhará.
que fala ou escreve de maneira errônea é considerada “inculta”,
2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pou-
tornando-se desta forma um estigma.
co a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.
3 - Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente des-
Compondo o quadro do padrão informal da linguagem, estão as chama-
critiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentativa.
das variedades linguísticas, as quais representam as variações de
Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, caracteriza-
acordo com as condições sociais, culturais, regionais e históricas
do como carta, apenas com descrições, ou apenas com injunções.
em que é utilizada. Dentre elas destacam-se:
Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de afirmar,
ele diz desconhecer um gênero necessariamente descritivo.
Variações históricas:
4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem pre-
visão, como o boletim meteorológico e o horóscopo.
Dado o dinamismo que a língua apresenta, a mesma sofre transforma-
5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma
ções ao longo do tempo. Um exemplo bastante representativo é a ques-
carta.
tão da ortografia, se levarmos em consideração a palavra farmácia, uma
6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o
vez que a mesma era grafada com “ph”, contrapondo-se à linguagem
que faz argumentação explícita.
dos internautas, a qual fundamenta-se pela supressão do vocábulos.
7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso.
Sílvio Ribeiro da Silva.
Analisemos, pois, o fragmento exposto:
Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é
transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex: um ro- Antigamente
mance, um conto, uma poesia... “Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas
mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam prima-
Texto não-literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da veras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, fazi-
forma mais clara e objetiva possível. Ex: uma notícia de jornal, uma bula am-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses
de medicamento. debaixo do balaio." Carlos Drummond de Andrade
Diferenças entre Língua Padrão, Linguagem
Comparando-o à modernidade, percebemos um vocabulário antiquado.
Formal e Linguagem informal.
Língua Padrão: A gramática é um conjunto de regras que estabelecem Variações regionais:
um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão.
Acontece que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem São os chamados dialetos, que são as marcas determinantes referentes
sempre são obedecidas pelo falante. a diferentes regiões. Como exemplo, citamos a palavra mandioca que,
em certos lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como:macaxeira e
Os conceitos linguagem formal e linguagem informal estão, sobretu- aipim. Figurando também esta modalidade estão os sotaques, ligados
do associados ao contexto social em que a fala é produzida. às características orais da linguagem.
Informal: Num contexto em que o falante está rodeado pela família ou
pelos amigos, normalmente emprega uma linguagem informal, podendo Variações sociais ou culturais:
usar expressões normalmente não usadas em discursos públicos (pala-
vrões ou palavras com um sentido figurado que apenas os elementos do Estão diretamente ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral e
grupo conhecem). Um exemplo de uma palavra que tipicamente só é usada também ao grau de instrução de uma determinada pessoa. Como exem-
na linguagem informal, em português europeu, é o adjetivo “chato”. plo, citamos as gírias, os jargões e o linguajar caipira.

Formal: A linguagem formal, pelo contrário, é aquela que os falantes As gírias pertencem ao vocabulário específico de certos grupos, como
usam quando não existe essa familiaridade, quando se dirigem aos superio- os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros.
res hierárquicos ou quando têm de falar para um público mais alargado ou
desconhecido. É a linguagem que normalmente podemos observar nos Os jargões estão relacionados ao profissionalismo, caracterizando um
discursos públicos, nas reuniões de trabalho, nas salas de aula, etc. linguajar técnico. Representando a classe, podemos citar os médicos,
advogados, profissionais da área de informática, dentre outros.
Portanto, podemos usar a língua padrão, ou seja, conversar, ou escre-
ver de acordo com as regras gramaticais, mas o vocabulário (linguagem) Vejamos um poema e o trecho de uma música para entendermos melhor
que escolhemos pode ser mais formal ou mais informal de acordo com a sobre o assunto:
nossa necessidade. Ptofª Eliane
Vício na fala

Língua Portuguesa 17 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Para dizerem milho dizem mio É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos per-
Para melhor dizem mió feitamente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilí-
Para pior pió brio; segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito,
Para telha dizem teia que dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse
Para telhado dizem teiado conflito que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido.
E vão fazendo telhados.
Oswald de Andrade Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem
entre si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de
recheio (secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense.
CHOPIS CENTIS Tanto os núcleos como as ações secundárias colocam em cena persona-
Eu “di” um beijo nela gens que as cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresen-
E chamei pra passear. tação das características destes personagens, assim como para as indica-
A gente fomos no shopping ções de lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos.
Pra “mode” a gente lanchar. Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim. personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os
Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro travessões, para indicar a mudança de interlocutor).
aipim.
Quanta gente, A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a
Quanta alegria, linha temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na
A minha felicidade é um crediário nas apresentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao
Casas Bahia. futuro).
Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho. A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os
Pra levar a namorada e dar uns contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
“rolezinho”, temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime. Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger e na interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predo-
E também o Van Damme. minam na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descri-
(Dinho e Júlio Rasec, encarte CD Mamonas Assassinas, 1995.) ções e nos diálogos.
Por Vânia Duarte
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência
TIPOLOGIA TEXTUAL chega ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu preten-
dente, enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a histó-
ria familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no
A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles
passado: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
sua filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala".
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os
interlocutores. A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilida-
de: são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um
artigo indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo
definido, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou
falamos sozinhos.
apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos
travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que anos 40."
existem tipos textuais e gêneros textuais.
O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta voz
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto, pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os fatos
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira pessoa
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. que não intervém nem como ator nem como testemunha.
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pon-
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e tos de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que
Dissertação. as personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fa-
zem, pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em A Novela
prosa.
É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
conceituam como gêneros textuais as diversas situações personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se-
A Obra Teatral
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico), texto
do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico. Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas,
tragédias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvol-
Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é
vendo diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens,
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta
quer dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando
nas situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte
pelo texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos,
O Conto mas um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos
das personagens.

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Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encon- los, metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos
trar neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espon- estilísticos que dão ambiguidade ao poema.
tânea das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações
da sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e TEXTOS JORNALÍSTICOS
tempo. Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu por-
para moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem tador ( jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da
os turnos de palavras. função informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no mo-
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da repre- mento em que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da
sentação cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor atualidade, condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as
e os atores orientam sua interpretação. novidades produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais varia-
dos temas.
Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada conta- De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções:
to apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, determi- informação nacional, informação internacional, informação local, sociedade,
nadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes qua- economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos.
dros, que correspondem a mudanças de cenografias. A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o
Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto
chamadas notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema abor-
atores sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes dado.
cenografias que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns
Estas notações apresentam com frequência orações unimembres e/ou são as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as
bimembres de predicado não verbal. crônicas, as resenhas de espetáculos.
O Poema A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição es- medida que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publi-
pacial muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão citários aparecem não só nos periódicos como também em outros meios
relevância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com amplamente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos
uma silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos miste- referiremos a eles em outro momento.
riosos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de
captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pre- suas seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os
tende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo quais destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação
poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua cuidada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informa-
versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo, ção linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as expli-
relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apre- cações do texto.
sentar ensinamentos morais (como nas fábulas).
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na pu-
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sono- blicação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente,
ro das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte a primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos
essencial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização
métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali- textos.
dade depende desta distribuição.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à a posição adotada pela redação.
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as chama- A Notícia
das licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em suas Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não constitu- pessoas.
em um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final de uma
palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com vogal ou As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos finais também contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última palavra é paro- mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
xítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona, soma-se uma não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma. ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
similares.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos,
pois existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequen- É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa
te na poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin- partes claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento.
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a O título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal atenção do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até de- El País, 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze
zesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo acento, palavras. A introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser
são considerados dissílabos. um resumo de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes
que não aparecem na introdução.
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas dife-
rentes combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à
progressão temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade margem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da
informativa vinculada ao tema central. primeira pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir
o eu ou o nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo,
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos meca- não se referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como
nismos de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a nosso país ou minha cidade).
criação de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábu-

Língua Portuguesa 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracida- Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias
de: somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue com- mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um
provar de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor
certas fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descar- aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas,
tado que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, cenas e opiniões como positivas ou negativas.
recorre ao discurso direto, como, por exemplo:
A Reportagem
O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara
dos Deputados durante a próxima semana . É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que,
para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma
O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal. figura-chave para o conhecimento deste tópico.
Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a pu-
enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar das blicação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a
notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é atenção dos leitores.
frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, reali-
por um patrulheiro. zada com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para
A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê? divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador.
quem? como? quando? por quê e para quê?.
A Entrevista
O Artigo de Opinião
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente medi-
Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atua- ante uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido
lidade que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é com fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade,
considerado, ou merece ser, objeto de debate. uma vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve
Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesqui- somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu-
sa e as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com
posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia, os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas
enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações
seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões sobre as declarações do entrevistado.
divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessa-
Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se riamente incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifica- conversação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas
ção do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcance, e destas entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas
que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de uma derivados.
tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a justificar
esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição adotada no Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe
início do texto. uma garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez
de quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos de propostas e de réplicas.
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas
para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ci-
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade ências em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-
e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta- se tanto nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informativos,
argumentos usados na validade da tese. as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).
temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semân-
respectivos comentários. tica, e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido
Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresen- das palavras.
tam uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábu-
com frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama los a que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é,
argumentativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor evitam os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem
da informação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer mediante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao
o leitor a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes termo polissêmico nesse contexto.
artigos, opta-se por orações complexas que incluem proposições causais
para as fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, con- A Definição
cessivas e condicionais. Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
ideológica do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta. de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar através de um processo de sinonímia.
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito. dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,

Língua Portuguesa 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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"animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em
nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal. manipular o ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos
que descrevem experimentos.
Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores
mais qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber,
referem: Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou mas que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é
parte do Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente necessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações
antes de terminar o inverno. para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para consta-
tar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições
Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se
Real Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições
introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes
traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que
unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem- circunstâncias obtém-se um melhor crescimento.
plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas cate-
Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi- gorias: uma corresponde às condições em que o experimento se realiza,
ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparentemen- isto é, ao registro da situação de experimentação; a outra, ao processo
te antes de terminar o inverno". observado.
As definições contêm, também, informações complementares relacio- Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que co-
nadas, por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se meçam com se (condicionais) e com quando (condicional temporal):
inclui o termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo
("do lat. piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc. Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a
planta crescerá mais rápido.
Essas informações complementares contêm frequentemente
abreviaturas, cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário: Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a
Lat., Latim; Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc. mostrar manchas marrons devido ao excesso de umidade.

O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias bási- Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável
cas da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos tempo aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é
quais diferentes informações costumam ser codificadas através de tipogra- possível observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos
fias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimologi- ...; de advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no
as, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco median- mesmo momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente
te barras paralelas e /ou números. essencial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apre-
senta as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma
Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma das etapas do processo.
coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer
continuar em exercício; adiar o término de. O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado
em um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira
A Nota de Enciclopédia pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela ampli- entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
tude desta expansão. do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de A Monografia
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem-
se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu- Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um
los. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia,
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc. Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados
com base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemunhos
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por qualificados ou de especialistas no tema.
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra-
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie- As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coe-
dades: terrestres e aquáticos. rente dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem
como indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lin- exemplo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
guagem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
responde às exigências de concisão e de precisão. gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem atra- esta valorização fique explícita.
vés de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas
pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos muito Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o
juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base informativa tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que,
dos substantivos e, como é possível observar em nosso exemplo, agregam conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará
qualidades próprias daquilo a que se referem. as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e
formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais
ligação - ser, estar, parecer, etc. estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas
O Relato de Experimentos que regem a apresentação da bibliografia.
O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do
texto que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de
construções de discurso direto ou de discurso indireto.
Língua Portuguesa 21 A Opção Certa Para a Sua Realização
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Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modifica- TEXTOS INSTRUCIONAIS
ções, tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da econo-
mia dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais di-
tramitação referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam versas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou
a palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que animais domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc.
incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida - Dentro desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culi-
declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos nárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor de um
sinais que distinguem frequentemente o discurso direto. avião. Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de
receitas e manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções,
Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por ou- etc. Mas todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da
tro, em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos função apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama
subordinadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, descritiva para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendi-
pronomes pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais da.
auxiliares, etc.
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencio-
Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría - nais cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade,
nutrem-se do liberalismo’ estão amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-
propriedade; então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um
Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu texto deste tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identifica-
pensamento nutriam -se do liberalismo' ção para introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos
Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi direitos e deveres das partes envolvidas.
(dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instru-
enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do cionais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de
emissor. alimentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir
Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o au- uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes
tor recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classi- textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego
ficação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de aborda-
consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os gem e de produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as
dados apresentados e o princípio de classificação adotado. instruções.
Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipóte- As Receitas e as Instruções
se, sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções
fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato,
estabelecida entre os fatos e a conclusão. fabricar um móvel, consertar um objeto, etc.
Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da
problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos. especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista
Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguís- de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen-
ticas relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho, etc.),
entre os dados e para avaliar sua coerência. a outra, desenvolve as instruções.
A Biografia As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitu-
almente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acom-
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s). panhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia.
As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres,
Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresen- com verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou
tar ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens orações unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo
cuja ação foi qualificada como relevante na história. (misturar a farinha com o açúcar).
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conec- acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
tividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
(Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realida- em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
de), etc. que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta- quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
se nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apre- Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
sentados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação pode intervir outro membro da equipe.
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes dados TEXTOS EPISTOLARES
pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo com a
importância que a eles atribui. Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por es-
crito com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeça-
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não - lho. Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de
autorizadas" de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma carac- uma empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos
terística que parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de designados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
revelar a personagem através de uma profusa acumulação de aspectos
negativos, especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
altamente reprovados pela opinião pública. forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
das características contidas no texto.

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Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organiza- desenvolver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como
ção espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabe- de construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o
lece o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta
tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio
em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido).
e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal ma-
a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta- neira que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de
se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido solicitação de bolsas de estudo, etc.
ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana
relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo Maria Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS.
formal.
Cartum, Charge, tira e história em quadrinhos
A Carta O humor, numa concepção mais exigente, não é apenas a arte de rir. Isso é
As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e ar- comicidade, ou qualquer outro nome que se escolha. Na verdade, humor é
gumentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa, uma análise crítica do homem e da vida. Uma análise não obrigatoriamente
expressiva e apelativa). comprometida com o riso, uma análise desmistificadora, reveladora, cáusti-
ca.
Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto Humor é uma forma de tirar a roupa da mentira, eo seu êxito está na alegria
é, aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um que ele provoca pela descoberta inesperada da verdade.
amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen- (Ziraldo)
tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o Aquela conceituação simplista, e que por tanto tempo perdurou, de que a
receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido Caricatura era apenas a arte de provocar o riso está hoje completamente
afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair a reformulada pela análise crítica ao conotá-la na profundidade filosófica de
dimensão expressiva da mensagem. que, antes de fazer rir, obrigatoriamente, ela nos faz pensar. Dona incontes-
tável da mais terrível arma - o ridículo - , se brandida sutil ou vigorosamen-
Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor co-
te, sempre teve papel de importância, seja a marcar uma época, um fato
nhecido, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transpare-
social ou uma personalidade. Valendo pelo mais longo artigo doutrinário ou
cer marcas da oraljdade: frases inconclusas, nas quais as reticências
erudito, seu poder de comunicação é muito mais direto e, por isso mesmo,
habilitam múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las;
de fácil compreensão e penetração nas massas, dada sua linguagem
perguntas que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que
gráfica. A sabedoria chinesa já advertia que um desenho vale por mil pala-
encerram em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de
vras.
exclamação que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas
(Álvarus, na revista Vozes, abril de 1970.)
expressões que refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
Cartum(do inglês cartoon) - "Desenho caricatural que apresenta uma
Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enun- situação humorística, utilizando, ou não, legendas." (Aurélio)
ciativas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as Charge - Representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em
dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e que é do
subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de conhecimento público.
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati- Tira - Segmento de uma história em quadrinhos, usualmente constituído de
vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições. uma única faixa horizontal, contendo três ou quatro quadros. UNINOVE
A Solicitação
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida COESÃO E COERÊNCIA
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um
Diogo Maria De Matos Polônio
emprego, uma vaga em uma escola, etc.
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ce- Introdução
der ou não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre
recorre ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
para a abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor-
consideração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
o maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se
estes textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado, Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre a
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Instituto incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais de
Politécnico a fim de solicitar-lhe...) Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre deter-
minados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais válido e,
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem necessaria-
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor mente presente a aplicação destes conhecimentos na situação real da sala
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi- de aula.
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige-
se a...). Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de aplica-
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o ção na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística no
primeiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas no
que reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados referido seminário.
por frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos
em algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condi- Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui a-
ções; por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua presentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no
apelação. vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística e
que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas reflexões
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já terá cum-
um amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão prido honestamente o seu papel.
tanto de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem

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Coesão e Coerência Textual textuais:
Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geralmen- Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe.
te através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto
em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de palavras não Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões de
constitui forçosamente uma frase. sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só
Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, torna- propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se
se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é transforme num texto: a conetividade.
preciso que essa sequência seja construÍda tendo em conta o sistema da
língua. Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabelecer
uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase, tam- difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que
bém um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um texto. orientam a formação do discurso.

Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto materia- Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro-coerência
lizado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e são as mesmas que orientam a macro-coerência textual. Efetivamente,
pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras
através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor, de coerência que foram usadas para a construção do texto original.
numa determinada situação, a um determinado alocutário1.
Assim, para Charolles, micro-estrutura textual diz respeito às relações
Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os có- de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência textual,
digos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do locutor enquanto que macro-estrutura textual diz respeito às relações de coerência
sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo são ingre- existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
dientes indispensáveis ao objeto texto. • Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório
mais cedo para apanhar o comboio das quatro horas.
Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas • Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com ami-
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de gos.Vai trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia
regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência de teatro.
essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.
Como micro-estruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, enquan-
Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas to que o conjunto das duas sequências forma uma macro-estrutura.
regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
certos julgamentos de coerência textual. Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna-se
Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de
nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as recorrência restrita.
intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura da
frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas convencio- Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos:
nais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção, - pronominalizações,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre- - expressões definidas,
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa- - substituições lexicais,
das. - retomas de inferências.

Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incorre- Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a
ções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incorre- uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto, reto-
ções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na mando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível; sequência anterior:
não quer dizer nada).
a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a re-
Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refazer; petição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.
reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de recupe-
ração. O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o
pronome.
Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o professor Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estrangu-
desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido a lada no seu quarto.
fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.
No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princípios Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou ain-
de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela dicoto- da: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me.
mia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com a
dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural. Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora, pa-
ra nos precavermos de enunciados como este:
Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o António.
entre coerência textual e coesão textual.
Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identificar
Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos processos ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpretação:
linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica existente ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o António, mas
entre sequências textuais: que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do receptor.
Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro.
Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enunciado:
Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com ele.
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências

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As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos dos - Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
alunos. parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio. cheira-me a mentira!
Um homem estava também a banhar-se. - Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
Como ele sabia nadar, ensinou-o. lação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagosta,
adoro!
Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se- - Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto: lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
ele sabia nadar(quem?), um felino?
ele ensinou-o (quem?; a quem?)
d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres- conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava
sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um com os processos de recorrência anteriormente tratados.
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência
textual. Vejamos:
Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim. P - A Maria comeu a bolacha?
Os gatos vão sempre conosco. R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
R2 - Não, ela comeu um morango.
Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os problemas R3 - Não, ela despenteou-se.
aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho daquele
que o precede. As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do
Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito ele- que a sequência P+R3.
gante.
No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos contex- pronome na 3ª pessoa.
tuais.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante. Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi-
ciente para garantir coerência a uma sequência textual.
Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi-
ainda: póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 e
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante. R2 retomarem inferências presentes em P:
- aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria,
c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos - a Maria comeu qualquer coisa.
contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este
processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do ele- Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P.
mento linguístico.
Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições
senhora. Este assassinato é odioso. garante uma fortificação da coerência textual.

Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto (con-
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu tinuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos são
representante mais específico. levados a veicular certas informações pressupostas pelos professores.
Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha. S-
chumacher festejou euforicamente junto da sua equipa. Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles
Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos linguís- fazer?
ticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim, Schuma-
cher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto alemão. A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real-
mente fazer qualquer coisa.
No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um deter-
minante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência restrita. Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en-
Atentemos no seguinte exemplo: quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresentado
uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada.
Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera"
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona. No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do
A presença do determinante definido não é suficiente para considerar mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos.
que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exercí-
peça. cios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um mundo
ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um aluno
Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico- recriar o quotidiano de um multi-milionário,senhor de um grande império
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos parti- industrial, que vive numa luxuosa vila.
cipantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma fron-
teira entre a semântica e a pragmática. 2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se
necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma infor-
Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetuar mação semântica constantemente renovada.
por
- Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo nun- um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição
ca mais aprende a cair! constante da própria matéria.

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entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contradi-
Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferreiro ção, assume-a, anula-a e toma partido dela.
estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vestimenta Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a parti-
preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna. Todos da para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença.
os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna. A
bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda em 4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne-
baixo e batia com o martelo na bigorna. cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre-
sentem diretamente relacionados.
Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto não
será incoerente, será até coerente demais. Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
como coerente, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam
No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um tex- congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto.
to coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre continui-
dade temática e progressão semântica. Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes
1 - A Silvia foi estudar.
Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois prin- 2 - A Silvia vai fazer um exame.
cípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da informação 3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1.
não se pode processar de qualquer maneira.
A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo mais
Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências a- congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.
companhar a ordenação temporal dos fatos descritos.
Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei). Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na maior
parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam semanti-
O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das su- camente.
as sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os estados de Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A Sil-
coisas descritos. via vai fazer um exame portanto foi estudar.
Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho- A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores constitui
veu). um bom teste para descobrir uma incongruência.
Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos
Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta- de Fórmula 1.
dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências
textuais. O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes-
Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores e sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos,
canteiros com flores. garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar
incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a
Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o particu- dinamização de estratégias de correção.
lar.
3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente, tor- Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
na-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum ele- trais termo-nucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado
mento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressuposto técnico sobre centrais termo-nucleares.
por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência.
No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoerentes.
Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência, admi-
uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira. tindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela maneira.

Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das con- Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen-
tradições inferenciais e pressuposicionais. samento que conduza a uma estrutura coerente.

Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po- Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa-
demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresenta- mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal (com-
do ou dedutível. parável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que, seja qual
Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso. for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência própria,
uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente por si
As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se- mesmo.
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase.
É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir os
O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro- textos dos nossos alunos.
fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais,
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o 1. Coerência:
pretérito para suprimir as contradições. Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar, con-
vencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significado
As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe- produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase não
renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um conte- é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma simples
údo pressuposto que se encontra contradito. sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabelecer contato
Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe per- com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso ocorre, temos
feitamente fiel. um texto em que há coerência.

Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio, A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos segmen-
enquanto a primeira pressupõe o inverso. tos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmento
textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será pressu-
É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre- posto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que todos
sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra nessa

Língua Portuguesa 26 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição com um preta e a torre de controle também não tem informações. O laudo técnico
anterior, perde-se a coerência textual. demora no mínimo 60 dias para ser concluído.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con- Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de ca-
texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa ir em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas casas
ser conhecido pelo receptor. (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimen-
tos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorezzi, de 62
Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi- anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no Pronto
tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era tanto Socorro de Santa Cecília.
que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrência da
incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da realizada Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido no
com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade "normal", acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessário à
em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!). clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser reavivada
a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez no primeiro
Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo acima parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, talvez a clareza
poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contexto da matéria fosse comprometida.
seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.
E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns
No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a reali- mecanismos:
dade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve apre-
sentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa anormali- a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
dade. texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principalmente
por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia propriamen-
Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do te dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão do texto
décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que a jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitura por
frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormalida- parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser considerada a
de do fato narrado. mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos vestibu-
lares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que um núme-
2. Coesão: ro elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão.
A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe-
rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a repe-
ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga- tição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da rela- Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da
ção com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as palavras vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última
se comunicam, como dependem uma das outras. linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir somente
o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de celebrida-
SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO des (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto, utilizar
Das Agências a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público. Exemplos:
Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti); Farage (para o
Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulantes candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage Khouri); etc. Nomes
e uma mulher que viu o avião cair morreram femininos costumam ser retomados pelo primeiro nome, a não ser nos
casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da matéria, mais relevan-
Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e tes e as identifiquem com mais propriedade.
dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda
de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzido
cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no avião
sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candidato a
São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspadini (4), de
mais três residências. 64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38. Perceba
que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as palavras
Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de avião, obvia-
que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia reporta- mente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que se tratasse
gem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o co-piloto de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo ocorre outro
(1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name Júnior (4), exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas (9) atingidas
Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha Ribeiro pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimentos graves.
Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela (6), (10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10) em negrito, antes
João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado: Três pessoas. Na
verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas sofreram) Apenas
Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores escoriações e queimaduras.
compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era
um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um
Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Commander elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é a
691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do filho (7) substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou grupo
Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao reagir a um de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras). Confira os
assalto e ser baleado na noite de sexta-feira. principais elementos de substituição:

O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aeropor- Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir ou
to de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Maringá às acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou toda a
21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua Andaquara, ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-exemplo, são
uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Senhora do Sabará, nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de Name Júnior
uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de São Paulo. Ainda (4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha
não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) não tinha caixa Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela

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(6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome possessivo seus Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes
retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o pronome pessoal ela, de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente, princi-
contraído com a preposição de na forma dela, retoma Gabriela Gimenes palmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori (itálico).
Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último parágrafo, o pronome pessoal
elas retoma as três pessoas que estavam nas casas atingidas pelo avião: Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterio-
Elas (10) não sofreram ferimentos graves. ridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princí-
pio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente, poste-
Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo riormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente, hoje,
que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por vezes,
pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simulta-
de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado. neamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto, quan-
do, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde que,
Exemplos: todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.
a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre-
sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certifi- Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma
cado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardoso; forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo); analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de
b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil. acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex-Ministro tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.
dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; poder-se-iam,
por exemplo, usar as formas jogador do século, número um do Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.
mundo, etc.
Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem
demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício, para como, com, ou (quando não for excludente).
conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos).
Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é
Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação expres- provável, não é certo, se é que.
sa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já utilizados.
Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos impostos. A questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que deriva de parali-
sar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o trânsito da Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito,
Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três residências (o subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
nome impacto retoma e resume o acidente de avião noticiado na matéria-
exemplo) Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para e-
xemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou
Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um ele- seja, aliás.
mento (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio de
uma classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de cente- Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propó-
nas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O protesto foi sito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.
a maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - da paralisa-
ção -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram encontrados Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de,
ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram a reação dos dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse, essa,
animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis classificações isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.
que se podem atribuir a eles).
Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclu-
Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as são, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não aderi- modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo.
ram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de advérbios
que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, como Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguin-
elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá, etc. te, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com
efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez
Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte
texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que se que, de tal forma que, haja vista.
refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro Andrade
(7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores de cabe- Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste
ças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos sócios do com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A palavra região embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se
serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica uma região bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.
do país), que só é citada na linha seguinte.
Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.
Conexão:
Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na Níveis De Significado Dos Textos:
coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, que Significado Implícito E Explícito
são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expressões. A
Informações explícitas e implícitas
escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do sentido
do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos, agrupados Faz parte da coerência, trata-se da inferência, que ocorre porque tudo
pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia (Comunicação que você produz como mensagem é maior do que está escrito, é a soma
em Prosa Moderna). do implícito mais o explícito e que existem em todos os textos.

Língua Portuguesa 28 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Em um texto existem dois tipos de informações implícitas, o pressu- ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado
posto e o subentendido. momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.
O pressuposto é a informação que pode ser compreendida por uma O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da
palavra ou frase dentro do próprio texto, faz o receptor aceitar várias ideias descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que
do emissor. caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
ou coordenadas.
O subentendido gera confusão, pois se trata de uma insinuação, não
sendo possível afirmar com convicção. A estruturação do parágrafo:
A diferença entre ambos é que o pressuposto é responsável pelo e- O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um
missor e a informação já está no enunciado, já no subentendido o recep- ou mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central,
tor tira suas próprias conclusões. Profª Gracielle ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relaciona-
das pelo sentido e logicamente decorrentes dela.

Parágrafo: O parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da


folha. Ele facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar conveniente-
Os textos são estruturados geralmente em unidades menores, os pa- mente as ideias principais de sua composição, permitindo ao leitor acom-
rágrafos, identificados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em panhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios.
relação à margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há pará-
grafos longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a O tamanho do parágrafo:
unidade temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a Os parágrafos são moldáveis conforme o tipo de redação, o leitor e o
um parágrafo. veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. Em princípio, o
É muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com parágrafo é mais longo que o período e menor que uma página impressa no
ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, que o parágrafo- livro, e a regra geral para determinar o tamanho é o bom senso.
padrão apresente a seguinte estrutura: Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para lei-
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de tores de pouca formação cultural. A notícia possui parágrafos curtos em
uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter parágrafos mais
principal do parágrafo, definindo seu objetivo; longos. Revistas populares, livros didáticos destinados a alunos iniciantes,
geralmente, apresentam parágrafos curtos.
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal,
com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclare- Quando o parágrafo é muito longo, o escritor deve dividi-lo em parágra-
cem; fos menores, seguindo critério claro e definido. O parágrafo curto também é
empregado para movimentar o texto, no meio de longos parágrafos, ou
c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos para enfatizar uma ideia.
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando em
consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento. Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados
a um leitor de nível médio (2º grau). Cada parágrafo médio construído com
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. Em cada página de livro
que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e refor- cabem cerca de três parágrafos médios.
çada por uma conclusão.
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas pos-
Os Parágrafos na Dissertação Escolar: suem longos parágrafos, por três razões: os textos são grandes e conso-
As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas mem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem várias ideias
em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade
três para o desenvolvimento e um para a conclusão). e fôlego para acompanhá-los.

É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema propos- A ordenação no desenvolvimento do parágrafo pode acontecer:
to e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é a) por indicações de espaço: "... não muito longe do lito-
fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em pará- ral...".Utilizam-se advérbios e locuções adverbiais de lugar e certas locu-
grafos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele se ções prepositivas, e adjuntos adverbiais de lugar;
desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação
coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do b) por tempo e espaço: advérbios e locuções adverbiais de tempo,
texto em sua totalidade. certas preposições e locuções prepositivas, conjunções e locuções conjun-
tivas e adjuntos adverbiais de tempo;
Parágrafo Narrativo:
c) por enumeração: citação de características que vem normalmente
Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um depois de dois pontos;
episódio curto.
d) por contrastes: estabelece comparações, apresenta paralelos e e-
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se videncia diferenças; Conjunções adversativas, proporcionais e comparati-
referem as personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao vas podem ser utilizadas nesta ordenação;
fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.
e) por causa-consequência: conjunções e locuções conjuntivas con-
O que falamos acima se aplica ao parágrafo narrativo propriamente di- clusivas, explicativas, causais e consecutivas;
to, ou seja, aquele que relata um fato.
f) por explicitação: esclarece o assunto com conceitos esclarecedo-
Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir res, elucidativos e justificativos dentro da ideia que construída. Pciconcur-
as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido sos
por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem
deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda com Equivalência e transformação de estruturas.
a do narrador ou com a de outro personagem.
Refere-se ao estudo das relações das palavras nas orações e nos pe-
Parágrafo Descritivo: ríodos. A palavra equivalência corresponde a valor, natureza, ou função;
relação de paridade. Já o termo transformação pode ser entendido como
A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um frag- uma função que, aplicada sobre um termo (abstrato ou concreto), resulta
mento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um um novo termo, modificado (em sentido amplo) relativamente ao estado

Língua Portuguesa 29 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
original. Nessa compreensão ampla, o novo estado pode eventualmente Discurso Direto.
coincidir com o estado original. Normalmente, em concursos públicos, as Discurso Indireto.
relações de transformação e equivalência aparecem nas questões dotadas Discurso Indireto Livre
dos seguintes comandos: Celso Cunha
Exemplo: CONCURSO PÚBLICO 1/2008 – CARGO DE AGENTE DE
POLÍCIA FUNDAÇÃO UNIVERSA ENUNCIAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ENUNCIAÇÕES
Comparando as seguintes frases:
Questão 8 - Assinale a alternativa em que a reescritura de parte do tex- “A vida é luta constante”
to I mantém a correção gramatical, levando em conta as alterações gráficas “Dizem os homens experientes que a vida é luta constante”
necessárias para adaptá-la ao texto.
Exemplo 2: FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – TÉCNICO EM EDUCA- Notamos que, em ambas, é emitido um mesmo conceito sobre a vida..
ÇÃO – ORIENTADOR PEDAGÓGICO 2010
Mas, enquanto o autor da primeira frase enuncia tal conceito como ten-
(CÓDIGO 101) Questão 1 - A seguir, são apresentadas possibilidades do sido por ele próprio formulado, o autor da segunda o reproduz como
de reescritura de trechos do texto I. Assinale a alternativa em que a reescri- tendo sido formulado por outrem.
tura apresenta mudança de sentido com relação ao texto original.
Estruturas de reprodução de enunciações
Nota-se que as relações de equivalência e transformação estão assen-
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de persona-
tadas nas possibilidades de reescrituras, ou seja, na modificação de vocá-
gens reais ou fictícias, os locutores e os escritores dispõiem de três moldes
bulos ou de estruturas sintáticas.
linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de: discurso direto, discurso
Vejamos alguns exemplos de transformações e equivalências: indireto e discurso indireto livre.
1 Os bombeiros desejam / o sucesso profissional (não há verbo na se- Discurso direto
gunda parte). Examinando este passo do conto Guaxinim do banhado, de Mário de
Sujeito VDT OBJETO DIRETO Andrade:
“O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira lá
Os bombeiros desejam / ganhar várias medalhas (há verbo na segunda na língua dele - “Chente! que vida dura esta de guaxinim do banhado!...”
parte = oração).
Verificamos que o narrado, após introduzir o personagem, o guaxinim,
Oração principal oração subordinada substantiva objetiva direta
deixou-o expressar-se “Lá na língua dele”, reproduzindo-lhe a fala tal como
No exemplo anterior, o objeto direto “o sucesso profissional” foi substi- ele a teria organizado e emitido.
tuído por uma oração objetiva direta. Sintaticamente, o valor do termo
(complemento do verbo) é o mesmo. Ocorreu uma transformação de natu- A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a apre-
reza nominal para uma de natureza oracional, mas a função sintática de sentar as suas próprias palavras, denominamos discurso direto.
objeto direto permaneceu preservada.
Observação
2 Os professores de cursinhos ficam muito felizes / quando os alunos No exemplo anterior, distinguimos claramente o narrador, do locutor, o
são aprovados. guaxinim.
ORAÇÃO PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA ADVERBIAL TEM-
PORAL Mas o narrador e locutor podem confundir-se em casos como o das
narrativas memorialistas feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de Rio-
Os professores de cursinhos ficam muito felizes / nos dias das provas. baldo, o personagem-narrador do romance de Grande Sertão: Veredas, de
SUJ VERBO PREDICATIVO ADJUNTO ADVERBIAL DE TEMPO Guimarães Rosa.
“Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa;
Apesar de classificados de formas diferentes, os termos indicados con- mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso
tinuam exercendo o papel de elementos adverbiais temporais. do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”
Exemplo da prova!
Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer, em que o autor, lirica-
FUNDAÇÃO UNIVERSA SESI – SECRETÁRIO ESCOLAR (CÓDIGO mente identificado com a natureza de sua terra, ouve na voz do Minuano o
203) Página 3 convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua própria alma:
“Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
Grassa nessas escolas uma praga de pedagogos de gabinete, que u- - Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”
sam o legalismo no lugar da lei e que reinterpretam a lei de modo obtuso,
no intuito de que tudo fique igual ao que era antes. E, para que continue a Características do discurso direto
parecer necessário o desempenho do cargo que ocupam, para que pare- 1. No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, ge-
çam úteis as suas circulares e relatórios, perseguem e caluniam todo e ralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar,
qualquer professor que ouse interpelar o instituído, questionar os burocra- sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que podem
tas, ou — pior ainda! — manifestar ideias diferentes das de quem manda na introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se inserir:
escola, pondo em causa feudos e mandarinatos. “E Alexandre abriu a torneira:
O vocábulo “Grassa” poderia ser substituído, sem perda de sentido, por - Meu pai, homem de boa família, possuía fortuna grossa, como não
ignoram.” (Graciliano Ramos)
(A) Propaga-se. “Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor.” (Cecília
Meirelles)
(B) Dilui-se.
“Os que não têm filhos são órfãos às avessas”, escreveu Machado
(C) Encontra-se. de Assis, creio que no Memorial de Aires. (A.F. Schmidt)
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a re-
(D) Esconde-se. cursos gráficos - tais como os dois pontos, as aspas, o travessão e
(E) Extingue-se. a mudança de linha - a função de indicar a fala do personagem. É
o que observamos neste passo:
http://www.professorvitorbarbosa.com/ “Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela. Não avista-
ram o menino:
- Joãozinho!

Língua Portuguesa 30 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Nada. Será que ele voou mesmo?” Discurso indireto: verbo enunciado no imperfeito:
2. No plano expressivo, a força da narração em discurso direto pro- “Disse ele com malícia que o major era um filósofo.”
vém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, fa- c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito:
zendo emergir da situação o personagem, tornando-o vivo para o “- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.”(José de Alencar)
ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador desem- Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito:
penha a mera função de indicador das falas. “O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado.”
d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente:
Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada nos atos diá- “- Virão buscar V muito cedo? - perguntei.”(A.F. Schmidt)
rios de comunicação e nos estilos literários narrativos em que os autores Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do pretérito:
pretendem representar diante dos que os lêem “a comédia humana, com a “Perguntei se viriam buscar V. muito cedo”
maior naturalidade possível”. (E. Zola) e) Discurso direto: verbo no modo imperativo:
“- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo)
Discurso indireto Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo:
1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de Assis: “Gritaram em volta que seguisse a dança.”
“Elisiário confessou que estava com sono.” f) Discurso direto: enunciado justaposto:
Ao contrário do que observamos nos enunciados em discurso dire- “O dia vai ficar triste, disse Caubi.”
to, o narrador incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informação Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido
do personagem (Elisiário), contentando-se em transmitir ao leitor o pela integrante que:
seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística que teria “Disse Caubi que o dia ia ficar triste.”
sido realmente empregada. g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa direta:
Este processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indire- “Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
to. cantadora?” (Guimarães Rosa)
2. Também, neste caso, narrador e personagem podem confundir-se Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa indireta:
num só: “Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
“Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.” (Graciliano Ramos) cantadora.”
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta,
Características do discurso indireto isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso).
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também por um verbo “Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis)
declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc), as Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele,
falas dos personagens se contêm, no entanto, numa oração subor- aquela, aquilo).
dinada substantiva, de regra desenvolvida: “Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.”
“O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tan- i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:
tos doudos no mundo e menos ainda o inexplicável de alguns ca- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
sos.” concluindo:
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da conjunção - Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos)
integrante: Discurso indireto: advérbio de lugar ali:
“Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálcu- “E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
lo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o ti- concluindo que ali não estava o que procurava.”
vesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava
podiam ser onze horas.”(Lima Barreto) Discurso indireto livre
A conjunçào integrante falta, naturalmente, quando, numa constru- Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um ter-
ção em discurso indireto, a subordinada substantiva assume a for- ceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação dos
ma reduzida.: dois anteriormente descritos. É o chamado discurso indireto livre, forma de
“Um dos vizinhos disse-lhe serem as autoridades do Cachoei- expressão que, ao invés de apresentar o personagem em sua voz própria
ro.”(Graça Aranha) (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria
2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o empre- dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a
go do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter pre- impressão de que passam a falar em uníssono.
dominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral e a-
tualizadora do discurso direto. O narrador passa a subordinar a si o Comparem-se estes exemplos:
personagem, com retirar-lhe a forma própria da expressão. Mas “Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respira-
não se conclua daí que o discurso indireto seja uma construção es- ção presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
tilística pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente dosado de momento em que esteve quase... quase!
um e de outro tipo de discurso que os bons escritores extraem da Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qual-
narrativa os mais variados efeitos artísticos, em consonância com quer urubu... que raiva... “ (Ana Maria Machado)
intenções expressivas que só a análise em profundidade de uma “D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que es-
dada obra pode revelar. tar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano
Ramos)
Transposição do discurso direto para o indireto “O matuto sentiu uma frialdade mortuária percorrendo-o ao longo da
Do confronto destas duas frases: espinha.
“- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt) Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a qual a mezinha domés-
“Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.” tica nem a dos campos possuíam salvação.
Perdido... completamente perdido...”
Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos e- ( H. de C. Ramos)
lementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde
sintático. Características do discurso indireto livre
a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa. Do exame dos enunciados em itálico comprova-se que o discurso indi-
Exemplo: “-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir reto livre conserva toda a afetividade e a expressividade próprios do discur-
mais.”(M. de Assis) so direto, ao mesmo tempo que mantém as transposições de pronomes,
Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa: verbos e advérbios típicos do discurso indireto. É, por conseguinte, um
“Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir mais” processo de reprodução de enunciados que combina as características dos
b) Discurso direto: verbo enunciado no presente: dois anteriormente descritos.
“- O major é um filósofo, disse ele com malícia.” (Lima Barreto) 1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto li-

Língua Portuguesa 31 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
vre “pressupõe duas condições: a absoluta liberdade sintática do (B) ler os textos requeridos.
escritor (fator gramatical) e a sua completa adesão à vida do per- (C) não ter treinamento escolar.
sonagem (fator estético) “ (Nicola Vita In: Cultura Neolatina). (D) refletir sobre o vazio.
Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do escritor pode (E) ter mais equilíbrio.
levar o leitor desatento a confundir as palavras ou manifestações
dos locutores com a simples narração. Daí que, para a apreensão (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 3 - A expressão “um vazio imenso” (3.º parágra-
da fala do personagem nos trechos em discurso indireto livre, ga- fo) refere-se a
nhe em importância o papel do contexto, pois que a passagem do (A) candidatos.
que seja relato por parte do narrador a enunciado real do locutor é, (B) pânico.
muitas vezes, extremamente sutil, tal como nos mostra o seguinte (C) eles.
passo de Machado de Assis: (D) reação.
“Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Rubião (E) esse campo.
acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para descan-
sar; mas o enfermo após alguns minutos, respondeu que não era Leia o texto para responder às próximas 3 questões.
nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.” No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou
2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de
construção híbrida: 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do
a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasa-
indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas pe- dos – do ponto de vista temporal, bem entendido – do mundo. Foram
culiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada
narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elabora- distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente
dos; ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal
b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro
neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialis- lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as
tas, em suas páginas de monólogo interior; oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres.
c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços
sempre aparece isolado em meio da narração. Sua “riqueza ex- culturais de um país. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que
pressiva aumenta quando ele se relaciona, dentro do mesmo pará- tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação,
grafo, com os discursos direto e indireto puro”, pois o emprego dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar
conjunto faz que para o enunciado confluam, “numa soma total, as atrasos”, diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por e-
características de três estilos diferentes entre si”. xemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um convidado
(Celso Cunha in Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC- chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversá-
FENAME.) rio. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexí-
QUESTÕES DE CONCURSOS ANTERIORES: veis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual
se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público?
exercícios de Interpretação de texto (Veja, 02.12.2009)

Leia o texto para responder às próximas 3 questões. (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 4 - De acordo com o texto, os brasileiros são
piores do que outros povos em
Sobre os perigos da leitura (A) eficiência de correios e andar a pé.
Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente (B) ajuste de relógios e andar a pé.
da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o (C) marcar compromissos fora de hora.
que é um sofrimento. Dizer esse entra, esse não entra é uma responsabili- (D) criar desculpas para atrasos.
dade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 (E) dar satisfações por atrasos.
minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada?
Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam- (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 5 - Pondo foco no processo de coesão textual
se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja do 2.º parágrafo, pode-se concluir que Levine é um
leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante. Combinei com os (A) jornalista.
meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a (B) economista.
mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esfor- (C) cronometrista.
çando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de (D) ensaísta.
todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!”. [...] (E) psicólogo.
A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o
oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre o que eles gostariam (TJ/SP – 2010 – VUNESP) 6 - A expressão chá de cadeira, no texto, tem o
de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear significado de
os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treina- (A) bebida feita com derivado de pinho.
dos durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre (B) ausência de convite para dançar.
os próprios pensamentos – ah, isso não lhes tinha sido ensinado! (C) longa espera para conseguir assento.
Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse (D) ficar sentado esperando o chá.
se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado (E) longa espera em diferentes situações.
pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes.
(Rubem Alves, www.cuidardoser.com.br. Adaptado) Leia o texto para responder às próximas 4 questões.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 1 - De acordo com o texto, os candidatos


(A) não tinham assimilado suas leituras.
(B) só conheciam o pensamento alheio.
(C) tinham projetos de pesquisa deficientes.
(D) tinham perfeito autocontrole.
(E) ficavam em fila, esperando a vez.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 2 - O autor entende que os candidatos deveriam


(A) ter opiniões próprias.

Língua Portuguesa 32 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(C) a repercussão na França foi bastaPnte negativa.
(D) a Procter & Gamble é proprietária da Gillette.
(E) os publicitários franceses se opõem a Thierry.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 10 - Segundo a revista Forbes,


(A) Thierry deverá perder muito dinheiro daqui para frente.
(B) há três jogadores que faturam mais que Thierry em publicidade.
(C) o jogador francês possui contratos publicitários milionários.
(D) o ganho de Thierry, somado à publicidade, ultrapassa 28 milhões.
(E) é um absurdo o que o jogador ganha com o futebol e a publicidade.

As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo.


Em 2008, Nicholas Carr assinou, na revista The Atlantic, o polêmico artigo
"Estará o Google nos tornando estúpidos?" O texto ganhou a capa da
revista e, desde sua publicação, encontra-se entre os mais lidos de seu
website. O autor nos brinda agora com The Shallows: What the internet is
doing with our brains, um livro instrutivo e provocativo, que dosa lingua-
gem fluida com a melhor tradição dos livros de disseminação científica.
Novas tecnologias costumam provocar incerteza e medo. As reações mais
estridentes nem sempre têm fundamentos científicos. Curiosamente, no
caso da internet, os verdadeiros fundamentos científicos deveriam, sim,
provocar reações muito estridentes. Carr mergulha em dezenas de estudos
científicos sobre o funcionamento do cérebro humano. Conclui que a inter-
Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da net está provocando danos em partes do cérebro que constituem a base do
mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry, que entendemos como inteligência, além de nos tornar menos sensíveis a
garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de sentimentos como compaixão e piedade.
dólares anuais. A jogada previne os efeitos desastrosos para vendas de O frenesi hipertextual da internet, com seus múltiplos e incessantes estímu-
seus produtos, depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a los, adestra nossa habilidade de tomar pequenas decisões. Saltamos textos
bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para a Copa e imagens, traçando um caminho errático pelas páginas eletrônicas. No
do Mundo de 2010. (...) entanto, esse ganho se dá à custa da perda da capacidade de alimentar
Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular, nossa memória de longa duração e estabelecer raciocínios mais sofistica-
Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que dos. Carr menciona a dificuldade que muitos de nós, depois de anos de
o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O exposição à internet, agora experimentam diante de textos mais longos e
serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da elaborados: as sensações de impaciência e de sonolência, com base em
Gillette, diz que não. estudos científicos sobre o impacto da internet no cérebro humano. Segun-
Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça do o autor, quando navegamos na rede, "entramos em um ambiente que
não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcan- promove uma leitura apressada, rasa e distraída, e um aprendizado super-
ce, sua publicidade. ficial."
Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de A internet converteu-se em uma ferramenta poderosa para a transformação
futebol que mais lucra com a publicidade – seus contratos somam 28 do nosso cérebro e, quanto mais a utilizamos, estimulados pela carga
milhões de dólares anuais. (...) gigantesca de informações, imersos no mundo virtual, mais nossas mentes
(Veja, 02.11.2009. Adaptado) são afetadas. E não se trata apenas de pequenas alterações, mas de
mudanças substanciais físicas e funcionais. Essa dispersão da atenção
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 7 - A palavra jogada, em – A jogada previne os vem à custa da capacidade de concentração e de reflexão.(Thomaz Wood
efeitos desastrosos para venda de seus produtos... – refere-se ao fato de Jr. Carta capital, 27 de outubro de 2010, p. 72, com adaptações)

(A) Thierry Henry ter dado um passe com a mão para o gol da França. (MP/RS – 2010 – FCC) 11 - O assunto do texto está corretamente resumi-
(B) a Gillette ter modificado a publicidade do futebolista francês. do em:
(C) a Gillete não concordar com que a França dispute a Copa do Mundo. (A) O uso da internet deveria motivar reações contrárias de inúmeros
(D) Thierry Henry ganhar 8,4 milhões de dólares anuais com a propaganda. especialistas, a exemplo de Nicholas Carr, que procura descobrir as cone-
(E) a FIFA não ter cancelado o jogo em que a França se classificou. xões entre raciocínio lógico e estudos científicos sobre o funcionamento do
cérebro.
(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 8 - A expressão o gato subiu no telhado é parte (B) O mundo virtual oferecido pela internet propicia o desenvolvimento de
de uma conhecida anedota em que uma mulher, depois de contar abrupta- diversas capacidades cerebrais em todos aqueles que se dedicam a essa
mente ao marido que seu gato tinha morrido, é advertida de que deveria ter navegação, ainda pouco estudadas e explicitadas em termos científicos.
dito isso aos poucos: primeiramente, que o gato tinha subido no telhado, (C) Segundo Nicholas Carr, o uso frequente da internet produz alterações
depois, que tinha caído e, depois, que tinha morrido. No texto em questão, no funcionamento do cérebro, pois estimula leituras superficiais e distraí-
a expressão pode ser interpretada da seguinte maneira: das, comprometendo a formulação de raciocínios mais sofisticados.
(D) Usar a internet estimula funções cerebrais, pelas facilidades de percep-
(A) foi com a “mão do gato” que Thierry assegurou a classificação da Fran- ção e de domínio de assuntos diversificados e de formatos diferenciados de
ça. textos, que permitem uma leitura dinâmica e de acordo com o interesse do
(B) Thierry era um bom jogador antes de ter agido com má fé. usuário.
(C) a Gillette já cortou, de fato, o contrato com o jogador francês. (E) O novo livro de Nicholas Carr, a ser publicado, desperta a curiosidade
(D) a Fifa reprovou amplamente a atitude antiesportiva de Thierry Henry. do leitor pelo tratamento ficcional que seu autor aplica a situações concre-
(E) a situação de Thierry, como garoto-propaganda da Gillette, ficou instá- tas do funcionamento do cérebro, trazidas pelo uso disseminado da inter-
vel. net.

(TJ/SP – 2010 – VUNESP) 9 - A expressão diz que não, no final do 2.º (MP/RS – 2010 – FCC) 12 - Curiosamente, no caso da internet, os verda-
parágrafo, significa que deiros fundamentos científicos deveriam, sim, provocar reações muito
estridentes. O autor, para embasar a opinião exposta no 2o parágrafo,
(A) a Procter & Gamble nega o rompimento do contrato. (A) se vale da enorme projeção conferida ao pesquisador antes citado,
(B) o jogo em que a França se classificou deve ser refeito. ironicamente oferecida pela própria internet, em seu website.

Língua Portuguesa 33 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(B) apoia-se nas conclusões de Nicholas Carr, baseadas em dezenas de tiveram suas frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos
estudos científicos sobre o funcionamento do cérebro humano. anos pela facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns dos
(C) condena, desde o início, as novas tecnologias, cujo uso indiscriminado elementos que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro.
vemprovocando danos em partes do cérebro. (E) Os brasileiros de cidades menores passaram até a percorrer curtas
(D) considera, como base inicial de constatação a respeito do uso da inter- distâncias com seus carros, pela facilidade de crédito e a isenção de impos-
net, que ela nos torna menos sensíveis a sentimentos como compaixão e tos, que são elementos que têm colaborado para a realização do sonho de
piedade. tê-los, e com custo de vida menos elevado que o das capitais, baixo índice
(E) questiona a ausência de fundamentos científicos que, no caso da inter- de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas frotas aumenta-
net, [...]deveriam, sim, provocar reações muito estridentes. das em progressão geométrica nos últimos anos.

As 2 questões a seguir baseiam-se no texto abaixo.


Leia o texto para responder às próximas 4 questões.
Também nas cidades de porte médio, localizadas nas vizinhanças das
regiões metropolitanas do Sudeste e do Sul do país, as pessoas tendem Os eletrônicos “verdes”
cada vez mais a optar pelo carro para seus deslocamentos diários, como
mostram dados do Departamento Nacional de Trânsito. Em consequência, Vai bem a convivência entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politi-
congestionamentos, acidentes, poluição e altos custos de manutenção da camente correto na área ambiental. É seguindo essa trilha “verde” que a
malha viária passaram a fazer parte da lista dos principais problemas Motorola anunciou o primeiro celular do mundo feito de garrafas plásticas
desses municípios. recicladas. Ele se chama W233 Eco e é também o primeiro telefone com
Cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das capitais, certificado CarbonFree, que prevê a compensação do carbono emitido na
baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, tiveram suas fabricação e distribuição de um produto. Se um celular pode ser feito de
frotas aumentadas em progressão geométrica nos últimos anos. A facilida- garrafas, por que não se produz um laptop a partir do bambu? Essa ideia
de de crédito e a isenção de impostos são alguns dos elementos que têm ganhou corpo com a fabricante taiwanesa Asus: tratase do Eco Book que
colaborado para a realização do sonho de ter um carro. E os brasileiros exibe revestimento de tiras dessa planta. Computadores “limpos” fazem
desses municípios passaram a utilizar seus carros até para percorrer curtas uma importante diferença no efeito estufa e para se ter uma noção do
distâncias, mesmo perdendo tempo em congestionamentos e apesar dos impacto de sua produção e utilização basta olhar o resultado de uma pes-
alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo quisa da empresa americana de consultoria Gartner Group. Ela revela que
aumento da frota. a área de TI (tecnologia da informação) já é responsável por 2% de todas
Além disso, carro continua a ser sinônimo de status para milhões de brasi- as emissões de dióxido de carbono na atmosfera.
leiros de todas as regiões. A sua necessidade vem muitas vezes em se- Além da pesquisa da Gartner, há um estudo realizado nos EUA pela Co-
gundo lugar. Há 35,3 milhões de veículos em todo o país, um crescimento munidade do Vale do Silício. Ele aponta que a inovação “verde” permitirá
de 66% nos últimos nove anos. Não por acaso oito Estados já registram adotar mais máquinas com o mesmo consumo de energia elétrica e reduzir
mais mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios. os custos de orçamento. Russel Hancock, executivo-chefe da Fundação da
(O Estado de S. Paulo, Notas e Informações, A3, 11 de setembro de 2010, Comunidade do Vale do Silício, acredita que as tecnologias “verdes” tam-
com adaptações) bém conquistarão espaço pelo fato de que, atualmente, conta pontos junto
ao consumidor ter-se uma imagem de empresa sustentável.
(MP/RS – 2010 – FCC) 13 - Não por acaso oito Estados já registram mais O estudo da Comunidade chegou às mãos do presidente da Apple, Steve
mortes por acidentes no trânsito do que por homicídios. A afirmativa final do Jobs, e o fez render-se às propostas do “ecologicamente correto” – ele era
texto surge como duramente criticado porque dava aval à utilização de mercúrio, altamente
(A) constatação baseada no fato de que os brasileiros desejam possuir um prejudicial ao meio ambiente, na produção de seus iPods e laptops. Preo-
carro, mas perdem muito tempo em congestionamentos. cupado em não perder espaço, Jobs lançou a nova linha do Macbook Pro
(B) observação irônica quanto aos problemas decorrentes do aumento na com estrutura de vidro e alumínio, tudo reciclável. E a RITI Coffee Printer
utilização de carros, com danos provocados ao meio ambiente. chegou à sofisticação de criar uma impressora que, em vez de tinta, se vale
(C) comprovação de que a compra de um carro é sinônimo de status e, por de borra de café ou de chá no processo de impressão. Basta que se colo-
isso, constitui o maior sonho de consumo do brasileiro. que a folha de papel no local indicado e se despeje a borra de café no
(D) hipótese de que a vida nas cidades menores tem perdido qualidade, cartucho – o equipamento não é ligado em tomada e sua energia provém
pois os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus carros até de ação mecânica transformada em energia elétrica a partir de um gerador.
para percorrer curtas distâncias. Se pensarmos em quantos cafezinhos são tomados diariamente em gran-
(E) conclusão coerente com todo o desenvolvimento, a partir de um título des empresas, dá para satisfazer perfeitamente a demanda da impressora.
que poderia ser: Carro, problema que se agrava. (Luciana Sgarbi, Revista Época, 22.09.2009. Adaptado)

(MP/RS – 2010 – FCC) 14 - As ideias mais importantes contidas no 2o (CREMESP – 2011 - VUNESP) 15 - Leia o trecho: Vai bem a convivência
parágrafo constam, com lógica e correção, de: entre a indústria de eletrônica e aquilo que é politicamente correto na área
(A) A facilidade de crédito e a isenção de impostos são alguns elementos ambiental. É correto afirmar que a frase inicial do texto pode ser interpreta-
que tem colaborado para a realização do sonho de ter um carro nas cida- da como
des menores, e os brasileiros desses municípios passaram a utilizar seus (A) a união das empresas Motorola e RITI Coffee Printer para criar um
carros para percorrer curtas distâncias, além dos congestionamentos e dos novo celular com fibra de bambu.
alertas das autoridades sobre os danos provocados ao meio ambiente pelo (B) a criação de um equipamento eletrônico com estrutura de vidro que
aumento da frota. evita a emissão de dióxido de carbono na atmosfera.
(B) Cidades menores tiveram suas frotas aumentadas em progressão (C) o aumento na venda de celulares feitos com CarbonFree, depois que as
geométrica nos últimos anos em razão da facilidade de crédito e da isenção empresas nacionais se uniram à fabricante taiwanesa.
de impostos, elementos que têm colaborado para a aquisição de carros que (D) o compromisso firmado entre a empresa Apple e consultoria Gartner
passaram a ser utilizados até mesmo para percorrer curtas distâncias, Group para criar celulares sem o uso de carbono.
apesar dos congestionamentos e dos alertas das autoridades sobre os (E) a preocupação de algumas empresas em criarem aparelhos eletrônicos
danos provocados ao meio ambiente. que não agridam o meio ambiente.
(C) O menor custo de vida em cidades menores, com baixo índice de
desemprego e poder aquisitivo mais alto, aumentaram suas frotas em (CREMESP – 2011 - VUNESP) 16 - Em – Computadores “limpos” fazem
progressão geométrica nos últimos anos, com a facilidade de crédito e a uma importante diferença no efeito estufa... – a expressão entre aspas
isenção de impostos, que são alguns dos elementos que têm colaborado pode ser substituída, sem alterar o sentido no texto, por:
para a realização do sonho dos brasileiros de ter um carro. (A) com material reciclado.
(D) É nas cidades menores, com custo de vida menos elevado que o das (B) feitos com garrafas plásticas.
capitais, baixo índice de desemprego e poder aquisitivo mais alto, que (C) com arquivos de bambu.

Língua Portuguesa 34 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(D) feitos com materiais retirados da natureza. 03. E 13. E
(E) com teclado feito de alumínio. 04. B 14. B
05. E 15. E
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 17 - A partir da leitura do texto, pode-se 06. E 16. A
concluir que 07. B 17. C
(A) as pesquisas na área de TI ainda estão em fase inicial. 08. E 18. E
(B) os consumidores de eletrônicos não se preocupam com o material com 09. A 19. B
que são feitos. 10. C 20. D
(C) atualmente, a indústria de eletrônicos leva em conta o efeito estufa.
(D) os laptops feitos com fibra de bambu têm maior durabilidade.
(E) equipamentos ecologicamente corretos não têm um mercado de vendas FONÉTICA E FONOLOGIA
assegurado.
Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo-
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 18 - O presidente da Apple, Steve Jobs, nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os
(A) preocupa-se com o carbono emitido na fabricação de produtos eletrôni- quais caracterizam a oposição entre os vocábulos.
cos.
(B) pesquisa acerca do uso de bambu em teclados de laptops. Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe entre
(C) descobriu que impressoras cujos cartuchos são de borra de chá não si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA.
duram muito.
(D) responsabiliza a fabricação de celulares pelas emissões de dióxido de Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e
carbono no meio ambiente. seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais
(E) está de acordo com outras empresas a favor do uso de materiais reci- fonemas.
cláveis em eletrônicos. No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 fo-
nemas.
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 19 - No texto, o estudo realizado pela
Comunidade do Vale do Silício É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o
(A) é o primeiro passo para a implantação de laptops feitos com tiras de sinal gráfico que representa o som.
bambu.
(B) contribuirá para que haja mais lucro nas empresas, com redução de Vejamos alguns exemplos:
custos. Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã
(C) ainda está pesquisando acerca do uso de mercúrio em eletrônicos. Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i
(D) será decisivo para evitar o efeito estufa na atmosfera. Corre – letras: 5: fonemas: 4
(E) permite a criação de uma impressora que funciona com energia mecâ- Hora – letras: 4: fonemas: 3
nica. Aquela – letras: 6: fonemas: 5
Guerra – letras: 6: fonemas: 4
Leia o texto para responder à questão a seguir. Fixo – letras: 4: fonemas: 5
Hoje – 4 letras e 3 fonemas
Quanto veneno tem nossa comida? Canto – 5 letras e 4 fonemas
Desde que os pesticidas sintéticos começaram a ser produzidos em larga Tempo – 5 letras e 4 fonemas
escala, na década de 1940, há dúvidas sobre o perigo para a saúde huma- Campo – 5 letras e 4 fonemas
na. No campo, em contato direto com agrotóxicos, alguns trabalhadores Chuva – 5 letras e 4 fonemas
rurais apresentaram intoxicações sérias. Para avaliar o risco de gente que
apenas consome os alimentos, cientistas costumam fazer testes com ratos LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um
e cães, alimentados com doses altas desses venenos. A partir do resultado determinado som.
desses testes e da análise de alimentos in natura (para determinar o grau
de resíduos do pesticida na comida), a Agência Nacional de Vigilância CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Sanitária (Anvisa) estabelece os valores máximos de uso dos agrotóxicos
para cada cultura. Esses valores têm sido desrespeitados, segundo as
VOGAIS
amostras da Anvisa. Alguns alimentos têm excesso de resíduos, outros têm
resíduos de agrotóxicos que nem deveriam estar lá. Esses excessos, a, e, i, o, u
A E I O U
isoladamente, não são tão prejudiciais, porque em geral não ultrapassam
os limites que o corpo humano aguenta. O maior problema é que eles se
SEMIVOGAIS
somam – ninguém come apenas um tipo de alimento.(Francine Lima,
Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa
Revista Época, 09.08.2010)
mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra, te-
sou-ro, Pa-ra-guai.
(CREMESP – 2011 - VUNESP) 20 - Com a leitura do texto, pode-se afir-
mar que
CONSOANTES
(A) segundo testes feitos em animais, os agrotóxicos causam intoxicações.
(B) a produção em larga escala de pesticidas sintéticos tem ocasionado
B Cb,
D c,
F Gd,Hf,J g,K h,
L j,
M l,N m,
K Pn,Rp,Sq,T r,
V s,
X t,
Z v,
Y x,
Wz
doenças incuráveis.
(C) as pessoas que ingerem resíduos de agrotóxicos são mais propensas a
ENCONTROS VOCÁLICOS
terem doenças de estômago.
A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
(D) os resíduos de agrotóxicos nos alimentos podem causar danos ao
encontro vocálico.
organismo.
Ex.: cooperativa
(E) os cientistas descobriram que os alimentos in natura têm menos resí-
duos de agrotóxicos.
Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato
http://www.gramatiquice.com.br/2011/02/exercicios-interpretacao-de-texto-
ii_02.html
DITONGO
É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa.
RESPOSTAS Dividem-se em:
01. B 11. C - orais: pai, fui
02. A 12. B - nasais: mãe, bem, pão

Língua Portuguesa 35 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
- decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói ORTOGRAFIA OFICIAL
- crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo

TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal) As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas
Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua.
HIATO
Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em du- Eis algumas observações úteis:
as diferentes emissões de voz.
Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-í- DISTINÇÃO ENTRE J E G
zo 1. Escrevem-se com J:
a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajeste,
SÍLABA canjerê, pajé, etc.
Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije-
numa só emissão de voz. cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc.
c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em: despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
• Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol. d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc.
• Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo. e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais
• Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta. mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija.
• Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-ta-
li-da-de. 2. Escrevem-se com G:
a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem,
TONICIDADE ferrugem, etc.
Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO:
pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica. estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá, c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir.
pá.
DISTINÇÃO ENTRE S E Z
Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
1. Escrevem-se com S:
em:
a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc.
• Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios
mi-nó.
ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu-
• Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-
guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
ter, a-má-vel, qua-dro.
burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc.
• Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-do,
c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc.
cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.
d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exege-
ENCONTROS CONSONANTAIS
se análise, trombose, etc.
É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa,
Ex.: atleta, brado, creme, digno etc.
causa.
f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical termina
DÍGRAFOS
em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso), etc.
São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia com-
g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão; preten-
posta para um som simples.
der: pretensão; repreender: repreensão, etc.
Há os seguintes dígrafos:
2. Escrevem-se em Z.
1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh.
a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o
Exs.: chave, malha, ninho.
mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
organizado; realizar: realização, realizado, etc.
ss.
b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
Exs. : carro, pássaro.
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc.
3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs.
c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro,
Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir.
chapeuzinho, cãozito, etc.
4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer-
rando a sílaba em uma palavra.
Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to. DISTINÇÃO ENTRE X E CH:
1. Escrevem-se com X
NOTAÇÕES LÉXICAS a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote,
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes feixe, etc.
dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras. c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica, etc.
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
São os seguintes: árvore que produz o látex).
1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas; e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar, en-
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, ânco- chapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são grafa-
ra; das com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou seja,
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade; pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchente, en-
4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã; cher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: en +
5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude; radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; enchapelar:
6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho; en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço).
o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno.
2. Escrevem-se com CH:

Língua Portuguesa 36 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre- Esforcei-me bastante, mas não obtive o resultado necessário.
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal- Já o vocábulo “mais” se classifica como pronome indefinido ou advérbio de
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, cachim- intensidade, opondo-se, geralmente, a “menos”. Observemos:
bo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, mochi- Ele escolheu a camiseta mais cara da loja.
la, piche, pichar, tchau.
b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que Onde e aonde
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia se “Aonde” resulta da combinação entre “a + onde”, indicando movimento para
distingue pelo contraste entre o x e o ch. algum lugar. É usada com verbos que também expressem tal aspecto (o de
Exemplos: movimento). Assim, vejamos:
• brocha (pequeno prego) Aonde você vai com tanta pressa?
• broxa (pincel para caiação de paredes) “Onde” indica permanência, lugar em que se passa algo ou que se está.
• chá (planta para preparo de bebida) Portanto, torna-se aplicável a verbos que também denotem essa caracterís-
• xá (título do antigo soberano do Irã) tica (estado ou permanência). Vejamos o exemplo:
• chalé (casa campestre de estilo suíço) Onde mesmo você mora?
• xale (cobertura para os ombros)
• chácara (propriedade rural) Que e quê
• xácara (narrativa popular em versos) O “que” pode assumir distintas funções sintáticas e morfológicas, entre elas
• cheque (ordem de pagamento) a de pronome, conjunção e partícula expletiva de realce:
• xeque (jogada do xadrez) Convém que você chegue logo. Nesse caso, o vocábulo em questão atua
• cocho (vasilha para alimentar animais) como uma conjunção integrante.
• coxo (capenga, imperfeito) Já o “quê”, monossílabo tônico, atua como interjeição e como substantivo,
em se tratando de funções morfossintáticas:
DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C Ela tem um quê de mistério.
Observe o quadro das correlações:
Correlações Exemplos Mal e mau
t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial “Mal” pode atuar com substantivo, relativo a alguma doença; advérbio,
ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter denotando erradamente, irregularmente; e como conjunção, indicando
- detenção; reter - retenção tempo. De acordo com o sentido, tal expressão sempre se opõe a bem:
rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submer- Como ela se comportou mal durante a palestra. (Ela poderia ter se compor-
rt - rs são;
tado bem)
pel - puls inverter - inversão; divertir - diversão
corr - curs impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão “Mau” opõe-se a bom, ocupando a função de adjetivo:
sent - sens correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão Pedro é um mau aluno. (Assim como ele poderia ser um bom aluno)
ced - cess sentir - senso, sensível, consenso
ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - inter- Ao encontro de / de encontro a
gred - gress cessão. “Ao encontro de” significa ser favorável, aproximar-se de algo:
exceder - excessivo (exceto exceção) Suas ideias vão ao encontro das minhas. (São favoráveis)
prim - press agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão - “De encontro a” denota oposição a algo, choque, colisão:
tir - ssão progresso - progressivo
O carro foi de encontro ao poste.
imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repres-
são.
admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão. Afim e a fim
(re)percutir - (re)percussão “Afim” indica semelhança, relacionando-se com a ideia relativa à afinidade:
Na faculdade estudamos disciplinas afins.
“A fim” indica ideia de finalidade:
PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES
Estudo a fim de que possa obter boas notas.
Mas ou mais: dúvidas de ortografia A par e ao par
Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte “A par” indica o sentido voltado para “ciente, estar informado acerca de
algo”:
Mais ou mais? Onde ou aonde? Essas e outras expressões geralmente são Ele não estava a par de todos os acontecimentos.
alvo de questionamentos por parte dos usuários da língua. “Ao par” representa uma expressão que indica igualdade, equivalência ente
valores financeiros:
Falar e escrever bem, de modo que se atenda ao padrão formal da lingua- Algumas moedas estrangeiras estão ao par.
gem: eis um pressuposto do qual devemos nos valer mediante nossa
postura enquanto usuários do sistema linguístico. Contudo, tal situação não Demais e de mais
parece assim tão simples, haja vista que alguns contratempos sempre “Demais” pode atuar como advérbio de intensidade, denotando o sentido de
tendem a surgir. Um deles diz respeito a questões ortográficas no mo- “muito”:
mento de empregar esta ou aquela palavra. A vítima gritava demais após o acidente.
Nesse sentido nunca é demais mencionar que o emprego correto de um Tal palavra pode também representar um pronome indefinido, equivalendo-
determinado vocábulo está intimamente ligado a pressupostos semânticos, se “aos outros, aos restantes”:
visto que cada vocábulo carrega consigo uma marca significativa de senti- Não se importe com o que falam os demais.
do. Assim, mesmo que palavras se apresentem semelhantes em temos “De mais” se opõe a de menos, fazendo referência a um substantivo ou a
sonoros, bem como nos aspectos gráficos, traduzem significados distintos, um pronome:
aos quais devemos nos manter sempre vigilantes, no intuito de fazermos Ele não falou nada de mais.
bom uso da nossa língua sempre que a situação assim o exigir.
Pois bem, partindo dessa premissa, ocupemo-nos em conhecer as caracte- Senão e se não
rísticas que nutrem algumas expressões que rotineiramente utilizamos. “Senão” tem sentido equivalente a “caso contrário” ou a “não ser”:
Entre elas, destacamos: É bom que se apresse, senão poderá chegar atrasado.
“Se não” se emprega a orações subordinadas condicionais, equivalendo-se
Mas e mais a “caso não”:
A palavra “mas” atua como uma conjunção coordenada adversativa, de- Se não chover iremos ao passeio.
vendo ser utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário.
Vejamos, pois: Na medida em que e à medida que

Língua Portuguesa 37 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
“Na medida em que” expressa uma relação de causa, equivalendo-se a centrada. (motivo)
“porque”, “uma vez que” e “já que”: Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão)
Na medida em que passava o tempo, a saudade ia ficando cada vez mais Por Sabrina Vilarinho
apertada.
“À medida que” indica a ideia relativa à proporção, desenvolvimento grada- FORMAS VARIANTES
tivo: Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer
À medida que iam aumentando os gritos, as pessoas se aglomeravam uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos.
ainda mais. aluguel ou aluguer hem? ou hein?
alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
Nenhum e nem um amídala ou amígdala infarto ou enfarte
“Nenhum” representa o oposto de algum: assobiar ou assoviar laje ou lajem
Nenhum aluno fez a pesquisa. assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula
“Nem um” equivale a nem sequer um: azaléa ou azaleia nenê ou nenen
Nem uma garota ganhará o prêmio, quem dirá todas as competidoras. bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu
bílis ou bile quatorze ou catorze
Dia a dia e dia-a-dia (antes da nova reforma ortográfica grafado com cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar
hífen): carroçaria ou carroceria taramela ou tramela
Antes do novo acordo ortográfico, a expressão “dia-a-dia”, cujo sentido chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear
fazia referência ao cotidiano, era grafada com hífen. Porém, depois de debulhar ou desbulhar ou relampar
instaurado, passou a ser utilizada sem dele, ou seja: fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem
O dia a dia dos estudantes tem sido bastante conturbado.
Já “dia a dia”, sem hífen mesmo antes da nova reforma, atua como uma
locução adverbial referente a “todos os dias” e permaneceu sem nenhuma EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
alteração, ou seja:
Ela vem se mostrando mais competente dia a dia. Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
1) a primeira palavra de período ou citação.
Fim-de-semana e fim de semana Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
A expressão “fim-de-semana”, grafada com hífen antes do novo acordo, faz No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
referência a “descanso”, diversão, lazer. Com o advento da nova reforma letra maiúscula.
ortográfica, alguns compostos que apresentam elementos de ligação, como 2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
é o caso de “fim de semana”, não são mais escritos com hífen. Portanto, o sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
correto é: Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
Como foi seu fim de semana? Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
“Fim de semana” também possui outra acepção semântica (significado), O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
relativa ao final da semana propriamente dito, aquele que começou no 3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
domingo e agora termina no sábado. Assim, mesmo com a nova reforma religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
ortográfica, nada mudou no tocante à ortografia: do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
Viajo todo fim de semana. 4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República,
Vânia Maria do Nascimento Duarte etc.
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
O uso dos porquês
Estado, Pátria, União, República, etc.
O uso dos porquês é um assunto muito discutido e traz muitas dúvidas. 6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
Com a análise a seguir, pretendemos esclarecer o emprego dos porquês órgãos públicos, etc.:
para que não haja mais imprecisão a respeito desse assunto. Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco
do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
Por que 7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e
O por que tem dois empregos diferenciados: científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os
Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefini- Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
do que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”: Manhã, Manchete, etc.
Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão) 8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo) Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o 9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do
significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais, Oriente, o falar do Norte.
pelas quais. Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
Exemplo: Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual) 10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o
Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.
Por quê
Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por Escrevem-se com letra inicial minúscula:
quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual 1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos,
motivo”, “por qual razão”. nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval,
Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê? ingleses, ave-maria, um havana, etc.
Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro. 2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando
empregados em sentido geral:
Porque São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma 3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
vez que”, “para que”. Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.
Exemplos: Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois) 4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta:
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que) "Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis)
Porquê "Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanha- mirra." (Manuel Bandeira)
do de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.
Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar con-
Língua Portuguesa 38 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
ORTOGRAFIA OFICIAL réis (moeda) Véu dói
Novo Acordo Ortográfico méis céu mói
pastéis Chapéus anzóis
O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas ninguém parabéns Jerusalém
da Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário Resumindo:
internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâmetros:
2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação completa
dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigência obrigató- Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que seja
ria em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo Acordo um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí-lo”
Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países que são acentuadas porque as vogais “i” e “u” estão tônicas nestas palavras.
falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que teve
sua implementação.
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que uma 2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar que a
ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e que as • L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos subsisti- • N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
rão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática. Uma
língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio de Leis • R – câncer, caráter, néctar, repórter.
ou Acordos. • X – tórax, látex, ônix, fênix.
• PS – fórceps, Quéops, bíceps.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, depois • Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui uma • ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra, o ideal • I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou, na • ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra. • UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
• US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira des-
complicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em diante a
Ortografia Oficial do Português falado no Brasil. Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescentes
(semivogal+vogal):
Alfabeto Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.
3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo as
letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhu- Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisântemo,
ma novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios público, pároco, proparoxítona.
e palavras importadas do idioma inglês, como: QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS
km – quilômetro, 4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
kg – quilograma
Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.
• Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
Trema
Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita muito Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
IMPORTANTE
linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bündchen não vai Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”, se
deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste caso, todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
o “ü” lê-se “i”) Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos de
“ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente.
Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
Quanto À Posição Da Sílaba Tônica
5. Trema
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou não permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira,
de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “ü” lê-se “i”)
de “LO(s)” ou “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas 6. Acento Diferencial
em ditongos abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S” O acento diferencial permanece nas palavras:
pôde (passado), pode (presente)
Ex. pôr (verbo), por (preposição)
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do verbo
Chá Mês nós está no singular ou plural:
Gás Sapé cipó SINGULAR PLURAL
Dará Café avós Ele tem Eles têm
Pará Vocês compôs
Ele vem Eles vêm
vatapá pontapés só
Aliás português robô Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como:
dá-lo vê-lo avó conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.
recuperá-los Conhecê-los pô-los
guardá-la Fé compô-los

Língua Portuguesa 39 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Novo Acordo Ortográfico Descomplicado Jovens provéns
Trema Paroxítonas terminadas em “ENS” não levam acento, mas as oxítonas
Não se usa mais o trema, salvo em nomes próprios e seus derivados. levam.
Acento diferencial Útil sutil
Não é preciso usar o acento diferencial para distinguir: Paroxítonas terminadas em “L” têm acento, mas as oxítonas não levam
porque o “L”, o “R” e o “Z” deixam a sílaba em que se encontram natural-
mente forte, não é preciso um acento para reforçar isso.
1. Para (verbo) de para (preposição)
É por isso que: as palavras “rapaz, coração, Nobel, capataz, pastel, bom-
bom; verbos no infinitivo (terminam em –ar, -er, -ir) doar, prover, consu-
“Esse carro velho para em toda esquina”. mir são oxítonas e não precisam de acento. Quando terminarem do mesmo
“Estarei voltando para casa daqui a uma hora”. jeito e forem paroxítonas, então vão precisar de acento.

1. Pela, pelo (verbo pelar) de pela, pelo (preposição + artigo) e pelo (subs- Uso do Hífen
tantivo)
Novo Acordo Ortográfico Descomplicado (Parte V) – Uso do Hífen
2. Polo (substantivo) de polo (combinação antiga e popular de por e lo).
3. pera (fruta) de pera (preposição arcaica). Tem se discutido muito a respeito do Novo Acordo Ortográfico e a grande
queixa entre os que usam a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita
A pronúncia ou categoria gramatical dessas palavras dar-se-á mediante o tem gerado em torno do seguinte questionamento: “por que mudar uma
contexto. coisa que a gente demorou um tempão para aprender?” Bom, para quem já
Acento agudo dominava a antiga ortografia, realmente essa mudança foi uma chateação.
Ditongos abertos “ei”, “oi” Quem saiu se beneficiando foram os que estão começando agora a adquirir
Não se usa mais acento nos ditongos ABERTOS “ei”, “oi” quando estiverem o código escrito, como os alunos do Ensino Fundamental I.
na penúltima sílaba. Se você tem dificuldades em memorizar regras, é inútil estudar o Novo
He-roi-co ji-boi-a Acordo comparando “o antes e o depois”, feito revista de propaganda de
As-sem-blei-a i-dei-a cosméticos. O ideal é que as mudanças sejam compreendidas e gravadas
Pa-ra-noi-co joi-a na memória: para isso, é preciso colocá-las em prática.
OBS. Só vamos acentuar essas letras quando vierem na última sílaba e se Não precisa mais quebrar a cabeça: “uso hífen ou não”?
o som delas estiverem aberto. Regra Geral
Céu véu A letra “H” é uma letra sem personalidade, sem som. Em “Helena”, não
Dói herói tem som; em “Hollywood”, tem som de “R”. Portanto, não deve aparecer
Chapéu beleléu encostado em prefixos:
Rei, dei, comeu, foi (som fechado – sem acento)
Não se recebem mais acento agudo as vogais tônicas “I” e “U” quando
• pré-história
forem paroxítonas (penúltima sílaba forte) e precedidas de ditongo.
• anti-higiênico
feiura baiuca
• sub-hepático
cheiinho saiinha
• super-homem
boiuno
Não devemos mais acentuar o “U” tônico os verbos dos grupos “GUE/GUI”
e “QUE/QUI”. Por isso, esses verbos serão grafados da seguinte maneira: Então, letras IGUAIS, SEPARA. Letras DIFERENTES, JUNTA.
Averiguo (leia-se a-ve-ri-gu-o, pois o “U” tem som forte) Anti-inflamatório neoliberalismo
Arguo apazigue Supra-auricular extraoficial
Enxague arguem Arqui-inimigo semicírculo
Delinguo sub-bibliotecário superintendente
Acento Circunflexo Quanto ao “R” e o “S”, se o prefixo terminar em vogal, a consoante deverá
Não se acentuam mais as vogais dobradas “EE” e “OO”. ser dobrada:
Creem veem suprarrenal (supra+renal) ultrassonografia (ultra+sonografia)
Deem releem minissaia antisséptico
Leem descreem contrarregra megassaia
Voo perdoo Entretanto, se o prefixo terminar em consoante, não se unem de jeito
enjoo nenhum.
Outras dicas
Há muito tempo a palavra “coco” – fruto do coqueiro – deixou de ser acen- • Sub-reino
tuada. Entretanto, muitos alunos insistem em colocar o acento: “Quero • ab-rogar
beber água de côco”. • sob-roda
Quem recebe acento é “cocô” – palavra popularmente usada para se referir
a excremento. ATENÇÃO!
Então, a menos se que queira beber água de fezes, é melhor parar de Quando dois “R” ou “S” se encontrarem, permanece a regra geral: letras
colocar acento em coco. iguais, SEPARA.
Para verificar praticamente a necessidade de acentuação gráfica, utilize o super-requintado super-realista
critério das oposições: inter-resistente
Imagem armazém
Paroxítonas terminadas em “M” não levam acento, mas as oxítonas SIM.

Língua Portuguesa 40 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
CONTINUAMOS A USAR O HÍFEN rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o
Diante dos prefixos “ex-, sota-, soto-, vice- e vizo-“: Não se separam as letras que representam um tritongo.
Ex-diretor, Ex-hospedeira, Sota-piloto, Soto-mestre, Vice-presidente , 6- Paraguai: Pa-ra-guai
Vizo-rei saguão: sa-guão
Diante de “pós-, pré- e pró-“, quando TEM SOM FORTE E ACENTO.
pós-tônico, pré-escolar, pré-natal, pró-labore Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba
que a antecede.
pró-africano, pró-europeu, pós-graduação
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias
Diante de “pan-, circum-, quando juntos de vogais. técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter
Pan-americano, circum-escola absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz
OBS. “Circunferência” – é junto, pois está diante da consoante “F”.
NOTA: Veja como fica estranha a pronúncia se não usarmos o hífen: Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à sílaba
Exesposa, sotapiloto, panamericano, vicesuplente, circumescola. que a segue
8- pneumático: pneu-má-ti-co
ATENÇÃO!
gnomo: gno-mo
Não se usa o hífen diante de “CO-, RE-, PRE” (SEM ACENTO) psicologia: psi-co-lo-gia
Coordenar reedição preestabelecer
Coordenação refazer preexistir No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,
Coordenador reescrever prever mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
Coobrigar relembrar sílabas separadas.
9- sublingual: sub-lin-gual
Cooperação reutilização
sublinhar: sub-li-nhar
Cooperativa reelaborar sublocar: sub-lo-car
O ideal para memorizar essas regras, lembre-se, é conhecer e usar pelo
menos uma palavra de cada prefixo. Quando bater a dúvida numa palavra, Preste atenção nas seguintes palavras:
compare-a à palavra que você já sabe e escreva-a duas vezes: numa você trei-no so-cie-da-de
usa o hífen, na outra não. Qual a certa? Confie na sua memória! Uma delas gai-o-la ba-lei-a
vai te parecer mais familiar. des-mai-a-do im-bui-a
ra-diou-vin-te ca-o-lho
REGRA GERAL (Resumindo) te-a-tro co-e-lho
Letras iguais, separa com hífen(-). du-e-lo ví-a-mos
a-mné-sia gno-mo
Letras diferentes, junta.
co-lhei-ta quei-jo
O “H” não tem personalidade. Separa (-). pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
O “R” e o “S”, quando estão perto das vogais, são dobrados. Mas não se dig-no e-nig-ma
juntam com consoantes. e-clip-se Is-ra-el
http://www.infoescola.com/portugues/novo-acordo-ortografico- mag-nó-lia
descomplicado-parte-i/
SINAIS DE PONTUAÇÃO
DIVISÃO SILÁBICA
Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU, pausas da linguagem oral.
GU.
1- chave: cha-ve
PONTO
aquele: a-que-le
O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
palha: pa-lha
rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
manhã: ma-nhã
comuns ele é chamado de simples.
guizo: gui-zo
Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar PONTO DE INTERROGAÇÃO
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma É usado para indicar pergunta direta.
globo: glo-bo fraco: fra-co Onde está seu irmão?
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
prato: pra-to A mim ?! Que ideia!

Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. PONTO DE EXCLAMAÇÃO
3- correr: cor-rer desçam: des-çam É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
fascinar: fas-ci-nar Ó jovens! Lutemos!

Não se separam as letras que representam um ditongo.


4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro VÍRGULA
cárie: cá-rie A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
sa na fala. Emprega-se a vírgula:
Separam-se as letras que representam um hiato. • Nas datas e nos endereços:
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el São Paulo, 17 de setembro de 1989.
Largo do Paissandu, 128.
Língua Portuguesa 41 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• No vocativo e no aposto: ASPAS
Meninos, prestem atenção! São usadas para:
Termópilas, o meu amigo, é escritor. • Indicar citações textuais de outra autoria.
• Nos termos independentes entre si: "A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)
O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões. • Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares:
caso é usado o duplo emprego da vírgula: Há quem goste de “jazz-band”.
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa- Não achei nada "legal" aquela aula de inglês.
droeira. • Para enfatizar palavras ou expressões:
• Após alguns adjuntos adverbiais: Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
No dia seguinte, viajamos para o litoral. • Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego "Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
da vírgula: • Em casos de ironia:
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor. A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
• Após a primeira parte de um provérbio. Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.
O que os olhos não veem, o coração não sente.
• Em alguns casos de termos oclusos:
Eu gostava de maçã, de pera e de abacate.
PARÊNTESES
Empregamos os parênteses:
• Nas indicações bibliográficas.
RETICÊNCIAS "Sede assim qualquer coisa.
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. serena, isenta, fiel".
Não me disseste que era teu pai que ... (Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Para realçar uma palavra ou expressão. • Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome... "Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento. fora das órbitas. Amália se volta)".
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também... (G. Figueiredo)
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
PONTO E VÍRGULA "E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém fome."
alguma simetria entre si. (C. Lispector)
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desconhe- • Para isolar orações intercaladas:
cido, guardando consigo a ponta farpada. " "Estou certo que eu (se lhe ponho
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu Minha mão na testa alçada)
interior. Sou eu para ela."
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, mais (M. Bandeira)
calmo, resolveu o problema sozinho.
COLCHETES [ ]
DOIS PONTOS Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas? ASTERISCO
• Para indicar uma citação alheia: O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de alguma nota (observação).
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
que".
BARRA
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
or:
abreviaturas.
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido. CRASE

TRAVESSÃO Crase é a fusão da preposição A com outro A.


Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
palavras ou frases
– "Quais são os símbolos da pátria? EMPREGO DA CRASE
– Que pátria? • em locuções adverbiais:
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos). à vezes, às pressas, à toa...
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra • em locuções prepositivas:
vez. em frente à, à procura de...
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma • em locuções conjuntivas:
coisa". (M. Palmério). à medida que, à proporção que...
• Usa-se para separar orações do tipo: • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
– Avante!- Gritou o general. as
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. Fui ontem àquele restaurante.
Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam Refiro-me àquilo e não a isto.
uma cadeia de frase:
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói. A CRASE É FACULTATIVA
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre. • diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
• diante de substantivos próprios femininos:

Língua Portuguesa 42 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Dei o livro à(a) Sônia. SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE


• Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o artigo Semântica
A:
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Viajaremos à Colômbia.
(Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
• Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
neza, etc.
Viajaremos a Curitiba.
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
modifique.
Ela se referiu à saudosa Lisboa.
Vou à Curitiba dos meus sonhos.
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida:
Às 8 e 15 o despertador soou.
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras “mo-
da” ou "maneira":
Aos domingos, trajava-se à inglesa. Semântica (do grego σηµαντικός, sēmantiká, plural neutro
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo. de sēmantikós, derivado de sema, sinal), é o estudo do significado. Incide
• Antes da palavra casa, se estiver determinada: sobre a relação entre significantes, tais
Referia-se à Casa Gebara. como palavras, frases, sinais e símbolos, e o que eles representam, a
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar. sua denotação.
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa).
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. A semântica linguística estuda o significado usado por seres humanos
Voltou à terra onde nascera. para se expressar através da linguagem. Outras formas de semântica
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. incluem a semântica nas linguagens de programação, lógica formal,
Mas: e semiótica.
Os marinheiros vieram a terra.
A semântica contrapõe-se com frequência à sintaxe, caso em que a
O comandante desceu a terra.
primeira se ocupa do que algo significa, enquanto a segunda se debruça
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o
sobre as estruturas ou padrões formais do modo como esse algo
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
é expresso(por exemplo, escritos ou falados). Dependendo da concepção
Vou até a (á ) chácara.
de significado que se tenha, têm-se diferentes semânticas. A semântica
Cheguei até a(à) muralha
formal, a semântica da enunciação ou argumentativa e a semântica
• A QUE - À QUE
cognitiva, fenômeno, mas com conceitos e enfoques diferentes.
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino
ocorrerá crase: Na língua portuguesa, o significado das palavras leva em
Houve um palpite anterior ao que você deu. consideração:
Houve uma sugestão anterior à que você deu.
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não Sinonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
ocorrerá crase. que apresentam significados iguais ou semelhantes, ou seja, os sinônimos:
Não gostei do filme a que você se referia. Exemplos: Cômico - engraçado / Débil - fraco, frágil / Distante - afastado,
Não gostei da peça a que você se referia. remoto.
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo Antonímia: É a relação que se estabelece entre duas palavras ou mais
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do que apresentam significados diferentes, contrários, isto é, os antônimos:
de: Exemplos: Economizar - gastar / Bem - mal / Bom - ruim.
Meu palpite é igual ao de todos
Minha opinião é igual à de todos. Homonímia: É a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de
possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica,
ou seja, os homônimos:
NÃO OCORRE CRASE
• antes de nomes masculinos: As homônimas podem ser:
Andei a pé.
Andamos a cavalo.  Homógrafas: palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
• antes de verbos: Exemplos: gosto (substantivo) - gosto / (1ª pessoa singular presente
Ela começa a chorar. indicativo do verbo gostar) / conserto (substantivo) - conserto (1ª pessoa
Cheguei a escrever um poema. singular presente indicativo do verbo consertar);
• em expressões formadas por palavras repetidas:  Homófonas: palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
Estamos cara a cara. Exemplos: cela (substantivo) - sela (verbo) / cessão (substantivo) - sessão
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona: (substantivo) / cerrar (verbo) - serrar ( verbo);
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza.
Escrevi a Vossa Excelência.  Perfeitas: palavras iguais na pronúncia e na escrita. Exemplos:
Dirigiu-se gentilmente à senhora. cura (verbo) - cura (substantivo) / verão (verbo) - verão (substantivo) / cedo
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: (verbo) - cedo (advérbio);
Não falo a pessoas estranhas.
Jamais vamos a festas.
 Paronímia: É a relação que se estabelece entre duas ou mais
palavras que possuem significados diferentes, mas são muito parecidas na
pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos: Exemplos: cavaleiro -
SINÔNIMOS, ANTÔNIMOS E PARÔNIMOS. SENTIDO PRÓPRIO cavalheiro / absolver - absorver / comprimento - cumprimento/ aura
E FIGURADO DAS PALAVRAS. (atmosfera) - áurea (dourada)/ conjectura (suposição) - conjuntura (situação
decorrente dos acontecimentos)/ descriminar (desculpabilizar) - discriminar

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(diferenciar)/ desfolhar (tirar ou perder as folhas) - folhear (passar as folhas mais
de uma publicação)/ despercebido (não notado) - desapercebido
doce salgado
(desacautelado)/ geminada (duplicada) - germinada (que germinou)/ mugir
(soltar mugidos) - mungir (ordenhar)/ percursor (que percorre) - precursor forte fraco
(que antecipa os outros)/ sobrescrever (endereçar) - subscrever (aprovar, gordo magro
assinar)/ veicular (transmitir) - vincular (ligar) / descrição - discrição / salga-
onicolor - unicolor. insosso
do
 Polissemia: É a propriedade que uma mesma palavra tem de amor ódio
apresentar vários significados. Exemplos: Ele ocupa um alto posto na seco molhado
empresa. / Abasteci meu carro no posto da esquina. / Os convites eram de
grosso fino
graça. / Os fiéis agradecem a graça recebida.
duro mole
 Homonímia: Identidade fonética entre formas de significados e
doce amargo
origem completamente distintos. Exemplos: São(Presente do verbo ser) -
São (santo) grande pequeno
sober-
Conotação e Denotação: humildade
ba
 Conotação é o uso da palavra com um significado diferente do louvar censurar
original, criado pelo contexto. Exemplos: Você tem um coração de pedra.
bendi-
maldizer
 Denotação é o uso da palavra com o seu sentido original. zer
Exemplos: Pedra é um corpo duro e sólido, da natureza das rochas. ativo inativo
Sinônimo simpá-
antipático
tico
Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico pro-
ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e cachorro. regredir
gredir
O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se evitem rápido lento
repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que se tornem
enfadonhos. sair entrar
sozi- acompa-
Eufemismo nho nhado
Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto, con-
normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem discórdia
córdia
conhecida como eufemismo).
pesa-
Exemplos: leve
do
• gordo - obeso
quente frio
• morrer - falecer
pre-
ausente
Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos sente
Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos. escuro claro
Sinônimos Perfeitos inveja admiração
Se o significado é idêntico.
Exemplos:
• avaro – avarento,
Homógrafo
• léxico – vocabulário, Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes na
• falecer – morrer, pronúncia.
• escarradeira – cuspideira, Exemplos
• língua – idioma • rego (subst.) e rego (verbo);
• catorze - quatorze • colher (verbo) e colher (subst.);
• jogo (subst.) e jogo (verbo);
Sinônimos Imperfeitos • Sede: lugar e Sede: avidez;
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos.
• Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso
Homófono
Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
Antônimo
tipos de palavras homófonas, que são:
Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário
(também oposto ou inverso) à outra. • Homófonas heterográficas
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso • Homófonas homográficas
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou que Homófonas heterográficas
chame atenção do leitor ou do ouvinte. Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), mas
heterográficas (diferentes na escrita).
Pala-
Antônimo Exemplos
vra
cozer / coser;
aberto fechado cozido / cosido;
alto baixo censo / senso
bem mal consertar / concertar
conselho / concelho
bom mau paço / passo
bonito feio noz / nós
de- de menos hera / era

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ouve / houve As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
voz / vós figurado:
cem / sem Construí um muro de pedra - sentido próprio
acento / assento Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
Homófonas homográficas A água pingava lentamente – sentido próprio.
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e
homográficas (iguais na escrita). ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS.
Exemplos
Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso, As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários
janta é inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
deriva do substantivo jantar, e está classificado como palavras.
neologismo.
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi bonito Exs.:
(substantivo). cinzeiro = cinza + eiro
endoidecer = en + doido + ecer
Parônimo predizer = pre + dizer
Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma
semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas Os principais elementos móficos são :
palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados
diferentes.
RADICAL
O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a
É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas
Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida.
enterrar = en + terra + ar
Exemplos
pronome = pro + nome
Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
acender. verbo - ascender. subir
acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se PREFIXO
cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa É o elemento mórfico que vem antes do radical.
comprimento. extensão - cumprimento. saudação Exs.: anti - herói in - feliz
coro (cantores) - couro (pele de animal)
deferimento. concessão - diferimento. adiamento SUFIXO
delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender É o elemento mórfico que vem depois do radical.
descrição. representação - discrição. reserva Exs.: med - onho cear – ense
descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
despensa. compartimento - dispensa. desobriga
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato) FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência
As palavras estão em constante processo de evolução, o que torna a
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar
língua um fenômeno vivo que acompanha o homem. Por isso alguns vocá-
enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar
bulos caem em desuso (arcaísmos), enquanto outros nascem (neologis-
enformar. meter em fôrma - informar. avisar
mos) e outros mudam de significado com o passar do tempo.
entender. compreender - intender. exercer vigilância
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções Na Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das pala-
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para vras encontramos a seguinte divisão:
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo • palavras primitivas - não derivam de outras (casa, flor)
recrear. divertir - recriar. criar de novo
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo
• palavras derivadas - derivam de outras (casebre, florzinha)
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa • palavras simples - só possuem um radical (couve, flor)
venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho
vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular • palavras compostas - possuem mais de um radical (couve-flor,
aguardente)
DENOTAÇAO E CONOTAÇAO
Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conheci-
A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a mento dos seguintes processos de formação:
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original. Composição - processo em que ocorre a junção de dois ou mais radi-
cais. São dois tipos de composição.
A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se
no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias • justaposição: quando não ocorre a alteração fonética (girassol,
interpretações. sexta-feira);

Observe os exemplos • aglutinação: quando ocorre a alteração fonética, com perda de e-


Denotação lementos (pernalta, de perna + alta).
As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro. Derivação - processo em que a palavra primitiva (1º radical) sofre o a-
créscimo de afixos. São cinco tipos de derivação.
Conotação
As estrelas do cinema. • prefixal: acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-útil);
O jardim vestiu-se de flores
O fogo da paixão • sufixal: acréscimo de sufixo à palavra primitiva (clara-mente);
• parassintética ou parassíntese: acréscimo simultâneo de prefixo
SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO e sufixo, à palavra primitiva (em + lata + ado). Esse processo é responsável
pela formação de verbos, de base substantiva ou adjetiva;

Língua Portuguesa 45 A Opção Certa Para a Sua Realização


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• regressiva: redução da palavra primitiva. Nesse processo forma-se portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
substantivos abstratos por derivação regressiva de formas verbais (ajuda / b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
de ajudar); florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
• imprópria: é a alteração da classe gramatical da palavra primitiva tempo, sol.
("o jantar" - de verbo para substantivo, "é um judas" - de substantivo próprio d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
a comum). colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.
Além desses processos, a língua portuguesa também possui outros
processos para formação de palavras, como: COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um grupo
• Hibridismo: são palavras compostas, ou derivadas, constituídas de seres da mesma espécie.
por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo,
grego e latim / sociologia, bígamo, bicicleta, latim e grego / alcalóide, alco- Veja alguns coletivos que merecem destaque:
ômetro, árabe e grego / caiporismo: tupi e grego / bananal - africano e latino alavão - de ovelhas leiteiras
/ sambódromo - africano e grego / burocracia - francês e grego); alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
• Onomatopeia: reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zun-
antologia - de trechos literários escolhidos
zum, miau);
armada - de navios de guerra
• Abreviação vocabular: redução da palavra até o limite de sua armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
compreensão (metrô, moto, pneu, extra, dr., obs.) arquipélago - de ilhas
assembleia - de parlamentares, de membros de associações
• Siglas: a formação de siglas utiliza as letras iniciais de uma se- atilho - de espigas de milho
quência de palavras (Academia Brasileira de Letras - ABL). A partir de atlas - de cartas geográficas, de mapas
siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista) banca - de examinadores
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
• Neologismo: nome dado ao processo de criação de novas pala- bando - de aves, de pessoal em geral
vras, ou para palavras que adquirem um novo significado. pciconcursos cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas
cáfila - de camelos
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO, cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PRE- cancioneiro - de poemas, de canções
POSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICAÇÃO E SENTIDO QUE caravana - de viajantes
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES ENTRE AS ORAÇÕES). cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
colmeia - de abelhas
SUBSTANTIVOS concílio - de bispos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no- congregação - de professores, de religiosos
me aos seres em geral. congresso - de parlamentares, de cientistas
conselho - de ministros
São, portanto, substantivos. consistório - de cardeais sob a presidência do papa
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra, constelação - de estrelas
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado. corja - de vadios
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba- elenco - de artistas
lho, corrida, tristeza beleza altura. enxame - de abelhas
enxoval - de roupas
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS esquadra - de navios de guerra
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espécie: esquadrilha - de aviões
rio, cidade, pais, menino, aluno falange - de soldados, de anjos
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento. farândola - de maltrapilhos
Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To- fato - de cabras
cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair. fauna - de animais de uma região
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, pro- feixe - de lenha, de raios luminosos
priamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Verifi- flora - de vegetais de uma região
que que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo con- frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
creto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, caneta, girândola - de fogos de artifício
fada, bruxa, saci. horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, só junta - de bois, médicos, de examinadores
existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo, júri - de jurados
pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão, legião - de anjos, de soldados, de demônios
portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres: malta - de desordeiros
trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza. manada - de bois, de elefantes
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou adje- matilha - de cães de caça
tivos ninhada - de pintos
trabalhar - trabalho nuvem - de gafanhotos, de fumaça
correr - corrida panapaná - de borboletas
alto - altura pelotão - de soldados
belo - beleza penca - de bananas, de chaves
pinacoteca - de pinturas
FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS plantel - de animais de raça, de atletas
a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua quadrilha - de ladrões, de bandidos
ramalhete - de flores

Língua Portuguesa 46 A Opção Certa Para a Sua Realização


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réstia - de alhos, de cebolas casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
récua - de animais de carga 2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
romanceiro - de poesias populares a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; coração,
resma - de papel corações; grandalhão, grandalhões.
revoada - de pássaros b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
súcia - de pessoas desonestas guardiães.
vara - de porcos c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
vocabulário - de palavras cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma forma
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charlatães;
grau. ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,


Gênero armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini- 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
fens (ou hífenes).
Podemos classificar os substantivos em: Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, uma 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
para o masculino, outra para o feminino: mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
aluno/aluna homem/mulher Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
menino /menina carneiro/ovelha 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas fósseis; réptil, répteis.
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
padrinho/madrinha bode/cabra ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
cavaleiro/amazona pai/mãe 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
em: São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. os ônix.
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, deve- 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
mos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré fê- tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo pri-
mea mitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho, cãezi-
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que tos.
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-
go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
Substantivos só usados no plural
estudante, este dentista.
afazeres anais
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
arredores belas-artes
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
cãs condolências
tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
confins exéquias
juge, a pessoa, a criatura.
férias fezes
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
núpcias óculos
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
olheiras pêsames
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)
AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:

Plural dos Nomes Compostos


São masculinos São femininos
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme
o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata 1. Somente o último elemento varia:
o teorema o ágape a análise a usucapião a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
o trema o caudal a cal a bacanal
o edema o champanha a cataplasma a líbido
boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
o lança-perfume o formicida a comichão a hélice mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
o fibroma o guaraná a aguardente c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substantivo
o estratagema o plasma
o proclama o clã ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guarda-
comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva, sem-
Mudança de Gênero com mudança de sentido pre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, mela-
melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
Veja alguns exemplos:
o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo) a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite;
o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal) pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem-
o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora) rabo, burros-sem-rabo;
o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão) b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade
o lotação (veículo) a lotação (capacidade) ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos-
o lente (o professor) a lente (vidro de aumento) correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
banana-maçã, bananas-maçã.
Plural dos Nomes Simples A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos-
1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa, correios, homens-rãs, navios-escolas, etc.

Língua Portuguesa 47 A Opção Certa Para a Sua Realização


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3. Ambos os elementos são flexionados: Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves- gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas- diferentes para designar o sexo:
compromissos. bode - cabra genro - nora
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor- burro - besta padre - madre
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-pálida, carneiro - ovelha padrasto - madrasta
caras-pálidas. cão - cadela padrinho - madrinha
cavalheiro - dama pai - mãe
São invariáveis: compadre - comadre veado - cerva
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi- frade - freira zangão - abelha
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo; frei – soror etc.
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem- ADJETIVOS
desocupa-o-copo;
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
perde-ganha, os perde-ganha. FLEXÃO DOS ADJETIVOS
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- Gênero
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
Adjetivos Compostos b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona. tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
americanos; cívico-militar, cívico-militares.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos melhante a dos substantivos.
amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur- Número
dos-mudos > surdas-mudas. a) Adjetivo simples
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho. Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
substantivos simples:
Graus do substantivo pessoa honesta pessoas honestas
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais regra fácil regras fáceis
podem ser: sintéticos ou analíticos. homem feliz homens felizes
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam in-
variáveis:
Analítico blusa vinho blusas vinho
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama- camisa rosa camisas rosa
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande. b) Adjetivos compostos
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
Sintético mento varia, tanto em gênero quanto em número:
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. acordos sócio-político-econômico
acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica
Principais sufixos aumentativos causas sócio-político-econômicas
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, acordo luso-franco-brasileiro
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, acordo luso-franco-brasileiros
lente côncavo-convexa
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu- lentes côncavo-convexas
ça. camisa verde-clara
camisas verde-claras
Principais Sufixos Diminutivos sapato marrom-escuro
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO, sapatos marrom-escuros
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho, Observações:
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável:
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim, camisa verde-abacate camisas verde-abacate
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo, sapato marrom-café sapatos marrom-café
homúncula, apícula, velhusco. blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis:
blusa azul-marinho blusas azul-marinho
Observações: camisa azul-celeste camisas azul-celeste
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui- 3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc. variam:
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu, etc. menino surdo-mudo meninos surdos-mudos
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor afe- menina surda-muda meninas surdas-mudas
tivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
• Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente for- Graus do Adjetivo
mal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz, As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex-
ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc. pressas em dois graus:
• Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di- - o comparativo
minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon- - o superlativo
zinho, pequenito.
Língua Portuguesa 48 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo
Comparativo simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma
velho - vetérrimo visível - visibilíssimo
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual,
voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
- Comparativo de igualdade:
Adjetivos Gentílicos e Pátrios
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral.
Argélia – argelino Bagdá - bagdali
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente.
Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano
- Comparativo de superioridade:
Bóston - bostoniano Braga - bracarense
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro.
Bragança - bragantino Brasília - brasiliense
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico.
Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense
- Comparativo de inferioridade:
bucarestense Campos - campista
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro.
Cairo - cairota Caracas - caraquenho
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável.
Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota
Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi-
Chicago - chicaguense Córdova - cordovês
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo:
Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense
- Superlativo absoluto
bricense Cuiabá - cuiabano
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser:
Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho
Esta cidade é poluidíssima.
Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense,
Esta cidade é muito poluída.
Egito - egípcio capixaba
- Superlativo relativo
Equador - equatoriano Évora - eborense
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a
Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
outros seres:
Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Este rio é o mais poluído de todos.
Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Este rio é o menos poluído de todos.
Gabão - gabonês Galiza - galego
Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:
Goiânia - goianense Granada - granadino
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade -
Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc.
Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti-
Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc.
Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara-
João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO
Macapá - macapaense Macau - macaense
ABSOLUTO
Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
RELATIVO
Madri - madrileno Manaus - manauense
bom melhor ótimo
Marajó - marajoara Minho - minhoto
melhor
Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
mau pior péssimo
Montevidéu - montevideano Natal - natalense
pior
Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
grande maior máximo
Pequim - pequinês Pisa - pisano
maior
Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
pequeno menor mínimo
Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
menor
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
acre - acérrimo ágil - agílimo Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo Locuções Adjetivas
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo ser substituídas por um adjetivo correspondente.
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo)
PRONOMES
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que repre-
livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo senta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso.
magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de pronome
manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo substantivo.
negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo • Ele chegou. (ele)
pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo) • Convidei-o. (o)
possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex-
público - publicíssimo pudico - pudicíssimo tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo.
sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo • Esta casa é antiga. (esta)

Língua Portuguesa 49 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• Meu livro é antigo. (meu) pronomes retos:
Convidei ELE (errado)
Classificação dos Pronomes Chamaram NÓS (errado)
Há, em Português, seis espécies de pronomes: Convidei-o. (certo)
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas Chamaram-NOS. (certo)
de tratamento: 3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões; ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se cor-
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo; reto seu emprego como complemento:
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde; Informaram a ELE os reais motivos.
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá- Emprestaram a NÓS os livros.
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou- Eles gostam muito de NÓS.
trem, nada, cada, algo. 4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in- errado seu emprego como complemento:
terrogativas. Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)
PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis- Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas de
curso: preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas oblíquas
1ª pessoa: quem fala, o emissor. MIM e TI:
Eu sai (eu) Ninguém irá sem EU. (errado)
Nós saímos (nós) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-me (me) Ninguém irá sem MIM. (certo)
Convidaram-nos (nós) Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente. Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é obri-
Convidei-o (o) gatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
Convidei-os (os) sujeito.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
Os pronomes pessoais são os seguintes: somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção em
que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO Querida, gosto muito de SI. (errado)
singular 1ª eu me, mim, comigo Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
2ª tu te, ti, contigo Querida, gosto muito de você. (certo)
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe Preciso muito falar com você. (certo)
plural 1ª nós nós, conosco
2ª vós vós, convosco Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
PRONOMES DE TRATAMENTO Cada um faça por si mesmo a redação
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- O professor trouxe as provas consigo
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
PRONOME ABREV. EMPREGO Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V .Ema cardeais 7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As com-
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral Vossa
binações possíveis são as seguintes:
Magnificência V. Mag a reitores de universidades
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral me+o=mo me + os = mos
Vossa Santidade V.S. papas te+o=to te + os = tos
Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados lhe+o=lho lhe + os = lhos
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo- lhes + o = lho lhes + os = lhos
cês.
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femininos
EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS a, as.
me+a=ma me + as = mas
1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
te+a=ta te + as = tas
ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
- Você pagou o livro ao livreiro?
Considera-se errado seu emprego como complemento:
- Sim, paguei-LHO.
Convidaram ELE para a festa (errado)
Receberam NÓS com atenção (errado)
Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que
EU cheguei atrasado (certo)
representa o livreiro) com O (que representa o livro).
ELE compareceu à festa (certo)
2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os

Língua Portuguesa 50 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como direto ou indireto.
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas O pai esperava-o na estação agitada.
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos Expliquei-lhe o motivo das férias.
indiretos:
O menino convidou-a. (V.T.D ) Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
O filho obedece-lhe. (V.T. l ) ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões) Voltei-me em seguida para o céu límpido.
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as 2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de Como eu achasse muito breve, explicou-se.
verbos transitivos diretos: 3. Com o imperativo afirmativo:
Eu lhe vi ontem. (errado) Companheiros, escutai-me.
Nunca o obedeci. (errado) 4. Com o infinitivo impessoal:
Eu o vi ontem. (certo) A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
Nunca lhe obedeci. (certo) destino na mesa.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar, 6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in- A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de meio
finitivo: franco.
Deixei-o sair.
Vi-o chegar. Próclise
Sofia deixou-se estar à janela. Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol- interrogativos e conjunções.
vendo as orações reduzidas de infinitivo: As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse. Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos: Quem lhe ensinou esses modos?
A mim, ninguém me engana. Quem os ouvia, não os amou.
A ti tocou-te a máquina mercante. Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas- 2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
mo vicioso e sim ênfase. Papai do céu o abençoe.
A terra lhes seja leve.
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessivo, 3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
exercendo função sintática de adjunto adnominal: Em se animando, começa a contagiar-nos.
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro. Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos. 4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
pausa entre eles.
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para representar Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de mo- Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
déstia:
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchentes. Mesóclise
Vós sois minha salvação, meu Deus! Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando precedidos de palavras que reclamem a próclise.
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quando Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
falamos dessa pessoa: Dir-se-ia vir do oco da terra.
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
Vossa Excelência já aprovou os projetos? Mas:
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração. Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Jamais se diria vir do oco da terra.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE, Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª Lembrarei-me (!?)
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como Diria-se (!?)
pronomes de terceira pessoa:
Você trouxe seus documentos?
O Pronome Átono nas Locuções Verbais
Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
COLOCAÇÃO DE PRONOMES Podemos contar-lhe o ocorrido.
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A, Podemos-lhe contar o ocorrido.
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições: Não lhes podemos contar o ocorrido.
1. Antes do verbo - próclise O menino foi-se descontraindo.
Eu te observo há dias. O menino foi descontraindo-se.
2. Depois do verbo - ênclise O menino não se foi descontraindo.
Observo-te há dias. 2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico
3. No interior do verbo - mesóclise ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio.
Observar-te-ei sempre. "Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a Des-
cartes ."
Ênclise Tenho-me levantado cedo.
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a Não me tenho levantado cedo.
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento

Língua Portuguesa 51 A Opção Certa Para a Sua Realização


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O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta. AQUELE (e variações), próprio (e variações)
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o da MESMO (e variações), próprio (e variações)
colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na lingua- SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
gem escrita.
Emprego dos Demonstrativos
PRONOMES POSSESSIVOS 1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu-
fala).
indo-lhes a posse de alguma coisa.
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Isto que carregamos pesa 5 kg.
Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o
b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
livro pertence a 1ª pessoa (eu)
Este coração não pode me trair.
Esta alma não traz pecados.
Eis as formas dos pronomes possessivos:
Tudo se fez por este país..
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS.
c) Para indicar o momento em que falamos:
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS.
Neste instante estou tranquilo.
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
Deste minuto em diante vou modificar-me.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS.
d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS.
momento em que falamos:
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
Um dia destes estive em Porto Alegre.
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
você).
qual se inclui o momento em que falamos:
Nesta semana não choveu.
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui-
Neste mês a inflação foi maior.
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
Este ano será bom para nós.
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
Este século terminará breve.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.
Este assunto já foi discutido ontem.
Tudo isto que estou dizendo já é velho.
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos pro-
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
nomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Só posso lhe dizer isto: nada somos.
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
suas mãos).
2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
Não me respeitava a adolescência.
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
quem se fala):
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.
Esse documento que tens na mão é teu?
Isso que carregas pesa 5 kg.
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
1. Cálculo aproximado, estimativa:
Esse teu coração me traiu.
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
Essa alma traz inúmeros pecados.
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história
Quantos vivem nesse pais?
O nosso homem não se deu por vencido.
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que dese-
Chama-se Falcão o meu homem
jamos distância:
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum
O povo já não confia nesses políticos.
Eu cá tenho minhas dúvidas
Não quero mais pensar nisso.
Cornélio teve suas horas amargas
d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
4. Afetividade, cortesia
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
Como vai, meu menino?
O que você quer dizer com isso?
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
falamos:
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren-
Um dia desses estive em Porto Alegre.
tes de família.
Comi naquele restaurante dia desses.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
de.
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan-
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
te.
não sabia o que dizer.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se á
PRONOMES DEMONSTRATIVOS 3ª.
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da Aquele documento que lá está é teu?
coisa designada em relação à pessoa gramatical. Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto Naquele instante estava preocupado.
de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro está Daquele instante em diante modifiquei-me.
longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica que o Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
livro está longe de ambas as pessoas. século, para exprimir que o tempo já decorreu.
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas,
Os pronomes demonstrativos são estes: usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou
ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa variações) para a primeira:

Língua Portuguesa 52 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso sempre um substantivo sem artigo.
e aquela tranquila. Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE, 3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural: de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose? Tenho tudo quanto quero.
Com um frio destes não se pode sair de casa. Leve tantos quantos precisar.
Nunca vi uma coisa daquelas. Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter 4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
reforçativo: EM QUE.
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos. A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
ISSO ou AQUELE (e variações). PRONOMES INDEFINIDOS
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro. Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres. modo vago, impreciso, indeterminado.
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames. 1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
homens superiores. Exemplos:
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Algo o incomoda?
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Não faças a outrem o que não queres que te façam.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. Quem avisa amigo é.
Tal era a situação do país. Encontrei quem me pode ajudar.
Não disse tal. Ele gosta de quem o elogia.
Tal não pôde comparecer. 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CERTA
CERTAS.
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Cada povo tem seus costumes.
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha Certas pessoas exercem várias profissões.
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
ou OUTRO TAL: PRONOMES INTERROGATIVOS
Suas manias eram tais quais as minhas. Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se de
A mãe era tal quais as filhas. modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
Os filhos são tais qual o pai. Exemplos:
Tal pai, tal filho. Que há?
É pronome substantivo em frases como: Que dia é hoje?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Reagir contra quê?
Não creio em tal (= tal coisa) Por que motivo não veio?
Quem foi?
PRONOMES RELATIVOS Qual será?
Quantos vêm?
Veja este exemplo:
Quantas irmãs tens?
Armando comprou a casa QUE lhe convinha.

A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo VERBO


casa é um pronome relativo.

PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re- CONCEITO


feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. as no tempo.
No exemplo dado, o antecedente é casa. Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a re-
Outros exemplos de pronomes relativos: ceita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos. gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
O lugar onde paramos era deserto. Assim fiz. Morreram.”
Traga tudo quanto lhe pertence. (Clarice Lispector)
Leve tantos ingressos quantos quiser.
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso? Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
a) Estado:
Eis o quadro dos pronomes relativos: Não sou alegre nem sou triste.
Sou poeta.
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS b) Mudança de estado:
Meu avô foi buscar ouro.
Masculino Feminino Mas o ouro virou terra.
o qual a qual quem c) Fenômeno:
os quais as quais Chove. O céu dorme.
cujo cujos cuja cujas que
quanto quanta quantas onde VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
quantos estado e fenômeno, situando-se no tempo.
Observações:
FLEXÕES
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer em
O médico de quem falo é meu conterrâneo.
si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
Língua Portuguesa 53 A Opção Certa Para a Sua Realização
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• a ação de cantar. O verbo está na voz passiva.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós). c) agente e paciente do fato expresso:
• o número gramatical (plural). O carroceiro machucou-se.
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito). (sujeito agente e paciente)
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no O verbo está na voz reflexiva.
passado (indicativo). 6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa). rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
Falo - Estudam.
Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz. Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural: fora do radical.
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular). Falamos - Estudarei.
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural). 7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais: a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço. cantei - cantarei – cantava - cantasse.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme- b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
cemos. nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces. como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adormeceis. nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
adormece. tado - morto - enxugado - enxuto.
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua conju-
adormecem. gação.
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante verbo ser: sou - fui
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português. verbo ir: vou - ia
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
A cachorra Baleia corria na frente. QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato.
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um
O Nino apareceu na porta.
pedido
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
Corra na frente, Baleia.
to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo,
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são:
etc.
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
Garoava na madrugada roxa.
Fecho os olhos, agito a cabeça.
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
Houve um espetáculo ontem.
em que se fala:
Há alunos na sala.
Fechei os olhos, agitei a cabeça.
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
claros.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
Fazia dois anos que eu estava casado.
presente.
Faz muito frio nesta região?
Veja o esquema dos tempos simples em português:
Presente (falo) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente na
Imperfeito (falava) 3ª pessoa do singular - quando significa:
Mais- que-perfeito (falara) 1) EXISTIR
Futuro do presente (falarei) Há pessoas que nos querem bem.
do pretérito (falaria) Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Presente (fale) Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse) Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
Futuro (falar) 2) ACONTECER, SUCEDER
Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que Não haja desavenças entre vós.
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
dos tempos simples. 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Infinitivo impessoal (falar) Há meses que não o vejo.
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.) Haverá nove dias que ele nos visitou.
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
Particípio (falado) O fato aconteceu há cerca de oito meses.
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
a) agente do fato expresso. pretérito imperfeito, e não no presente:
O carroceiro disse um palavrão. Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
(sujeito agente) Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
O verbo está na voz ativa. Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
b) paciente do fato expresso: Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
Um palavrão foi dito pelo carroceiro. 4) REALIZAR-SE
(sujeito paciente) Houve festas e jogos.

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Se não chovesse, teria havido outros espetáculos. b) Pretérito Imperfeito
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba. Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e - um fato passado contínuo, habitual, permanente:
seguido de infinitivo): Ele andava à toa.
Em pontos de ciência não há transigir. Nós vendíamos sempre fiado.
Não há contê-lo, então, no ímpeto. - um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
Não havia descrer na sinceridade de ambos. por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas. Era uma vez...
E não houve convencê-lo do contrário. - um fato presente em relação a outro fato passado.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se. Eu lia quando ele chegou.
c) Pretérito Perfeito
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo): ocorrido, concluído.
De há muito que esta árvore não dá frutos. Estudei a noite inteira.
De há muito não o vejo. Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
momento presente.
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com Tenho estudado todas as noites.
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª d) Pretérito mais-que-perfeito
pessoa do singular: Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
Vai haver eleições em outubro. relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Começou a haver reclamações. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Não pode haver umas sem as outras. e) Futuro do Presente
Parecia haver mais curiosos do que interessados. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. futuro em relação ao momento em que se fala.
Irei à escola.
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser f) Futuro do Pretérito
construída de três modos: Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
Hajam vista os livros desse autor. - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Haja vista os livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
Haja vista aos livros desse autor. - um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
- Seria realmente agradável ter de sair?
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
vezes, ironia.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
- Daria para fazer silêncio?!
sentido da frase.
Exemplo:
Modo Subjuntivo
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
a) Presente
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ativa
Talvez eles estudem... não sei.
passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva, conser-
- um desejo, uma vontade:
vando o mesmo tempo.
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
b) Pretérito Imperfeito
Outros exemplos:
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
Os calores intensos provocam as chuvas.
hipótese, uma condição.
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Eu o acompanharei.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Ele será acompanhado por mim.
e) Pretérito Perfeito
Todos te louvariam.
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Serias louvado por todos.
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
Prejudicaram-me.
características do modo subjuntivo).
Fui prejudicado.
Que tenha estudado bastante é o que espero.
Condenar-te-iam.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
Serias condenado.
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo:
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
a) Presente
lamente.
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
e) Futuro
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já conclu-
Eles estudam silenciosamente.
ído em relação a outro fato futuro.
Eles estão estudando silenciosamente.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
- uma ação habitual.
Corra todas as manhãs.
- uma verdade universal (ou tida como tal): VERBOS IRREGULARES
O homem é mortal.
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa. DAR
Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
maior realce à narrativa. Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis". Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
É o chamado presente histórico ou narrativo. Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos: Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem
Amanhã vou à escola.
Qualquer dia eu te telefono. MOBILIAR

Língua Portuguesa 55 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam DIZER
Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, disséreis,
AGUAR disseram
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
MAGOAR dissesse
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, magoa- Particípio dito
ram Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar FAZER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
APIEDAR-SE Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais- Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram
vos, apiadam-se Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei- Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam
vos, apiedem-se Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis,
MOSCAR fizessem
Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus- Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer
quem
Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U PERDER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
RESFOLEGAR Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam
Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais, Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam
resfolgam
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis, PODER
resfolguem Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
NOMEAR Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam puderam
Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis, Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam
nomeavam Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, nomea- pudessem
ram Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem Gerúndio podendo
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear Particípio podido
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
COPIAR imperativo negativo
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram PROVER
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá- Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem
reis, copiaram Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê-
reis, proveram
ODIAR Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, prove-
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam riam
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis, Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam
odiaram Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis,
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem provessem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem
Gerúndio provendo
CABER Particípio provido
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam QUERER
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos, Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
coubéreis, couberam Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis, reis, quiseram
coubessem Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, couberem Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no quisessem
imperativo negativo Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem

CRER REQUERER
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. requerem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam requereram
Conjugam-se como crer, ler e descrer Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requereramos,
requerereis, requereram

Língua Portuguesa 56 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requerereis, abolissem
requererão Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere- Imperativo afirmativo abole, aboli
ríeis, requereriam Imperativo negativo não há
Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, Infinitivo impessoal abolir
requeiram Gerúndio abolindo
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, Particípio abolido
requerêsseis, requeressem, O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou I.
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
requerem AGREDIR
Gerúndio requerendo Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Particípio requerido Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam
O verbo REQUERER não se conjuga como querer. Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I.
REAVER
Presente do indicativo reavemos, reaveis COBRIR
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve- Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
ram Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis, Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
reouveram Particípio coberto
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reou- Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
vésseis, reouvessem
Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes, FALIR
reouverem Presente do indicativo falimos, falis
O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apresen- Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
ta a letra v Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
SABER Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam Presente do subjuntivo não há
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos, Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
soubéreis, souberam Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam Imperativo afirmativo fali (vós)
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis, Imperativo negativo não há
soubessem Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, souberem Gerúndio falindo
Particípio falido
VALER
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem FERIR
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados.
TRAZER
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem MENTIR
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos, Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
trouxéreis, trouxeram Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam FUGIR
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxésseis, Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
trouxessem
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe- IR
rem Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Gerúndio trazendo Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Particípio trazido Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
VER Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem Gerúndio indo
Particípio visto Particípio ido

ABOLIR OUVIR
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis, Particípio ouvido
aboliram
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão PEDIR
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Presente do subjuntivo não há Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis, Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam

Língua Portuguesa 57 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir 3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de bom
grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em ge-
POLIR
ral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos vis-
Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam tos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam 4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
REMIR 5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem 6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam etc.
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
RIR
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam Advérbios Interrogativos
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão Palavras Denotativas
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te-
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Gerúndio rindo 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Particípio rido 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Conjuga-se como rir: sorrir 5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
VIR Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm Mas que olhos lindos!
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Veja só que maravilha!
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão NUMERAL
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem O numeral classifica-se em:
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem - cardinal - quando indica quantidade.
Gerúndio vindo
- ordinal - quando indica ordem.
Particípio vindo
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir - multiplicativo - quando indica multiplicação.
- fracionário - quando indica fracionamento.
SUMIR
Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem Exemplos:
Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam Silvia comprou dois livros.
Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam Antônio marcou o primeiro gol.
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
O galinheiro ocupava um quarto da quintal.
ADVÉRBIO

Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-


vérbio, exprimindo uma circunstância. QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS

Os advérbios dividem-se em:


Algarismos Numerais
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan-
nos cos tivos
te, através, defronte, aonde, etc.
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre, I 1 um primeiro simples -
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve, II 2 dois segundo duplo meio
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc. dobro
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior, III 3 três terceiro tríplice terço
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc. IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema- V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto, bem, VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
mal, quase, apenas, etc. VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc. VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
6) NEGAÇÃO: não. IX 9 nove nono nônuplo nono
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto, X 10 dez décimo décuplo décimo
provavelmente, etc. XI 11 onze décimo onze avos
primeiro
Há Muitas Locuções Adverbiais XII 12 doze décimo doze avos
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra- segundo
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc. XIII 13 treze décimo treze avos
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite, terceiro
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de XIV 14 quatorze décimo quatorze

Língua Portuguesa 58 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
quarto avos numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
XV 15 quinze décimo quinze avos
quinto ARTIGO
XVI 16 dezesseis décimo dezesseis
sexto avos
XVII 17 dezessete décimo dezessete Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-
sétimo avos los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
oitavo Dividem-se em
XIX 19 dezenove décimo nono dezenove • definidos: O, A, OS, AS
avos • indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
XX 20 vinte vigésimo vinte avos Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
XL 40 quarenta quadragé- quarenta
Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
simo avos
geral.
L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
simo avos
terminado).
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta
avos lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
LXX 70 setenta septuagési- setenta avos
mo
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos CONJUNÇÃO
XC 90 noventa nonagésimo noventa
avos Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
C 100 cem centésimo centésimo
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo Coniunções Coordenativas
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo 1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen- 2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
tos tésimo tésimo senão, no entanto, etc.
D 500 quinhen- quingenté- quingenté- 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
tos simo simo etc.
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési- 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
mo mo consequência.
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
tos simo simo pois, etc.
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté-
simo simo Conjunções Subordinativas
CM 900 novecen- nongentési- nongentési- 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
tos mo mo 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
M 1000 mil milésimo milésimo 3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
Emprego do Numeral 5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc. etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais. 6) INTEGRANTES: que, se, etc.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro) 7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
Luis X (décimo) ano I (primeiro) 8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
Pio lX (nono) século lV (quarto) forma que, de modo que, etc.
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
De 11 em diante, empregam-se os cardinais: etc.
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze) 10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte) VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES

Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal. Examinemos estes exemplos:


XX Salão do Automóvel (vigésimo) 1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
VI Festival da Canção (sexto) 2º) Os livros ensinam e divertem.
lV Bienal do Livro (quarta) 3º) Saímos de casa quando amanhecia.
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto)
No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao uma conjunção.
emprego do ordinal.
Hoje é primeiro de setembro No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligando
Não é aconselhável iniciar período com algarismos orações: são também conjunções.
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi- mesma oração.
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e um, da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever também: a conjunção E é coordenativa.
folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos o

Língua Portuguesa 59 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à (Paulo Mendes Campos)
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção "Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
QUANDO é subordinativa. (Antônio Olavo Pereira)
"E pia tal a qual a caça procurada."
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas. (Amadeu de Queirós)
"Por que ficou me olhando assim feito boba?"
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (Carlos Drummond de Andrade)
As conjunções coordenativas podem ser: Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
também, mas ainda, senão também, como também, bem como. Os governantes realizam menos do que prometem.
O agricultor colheu o trigo e o vendeu. 3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
Não aprovo nem permitirei essas coisas. quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
Os livros não só instruem mas também divertem. menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam (= embora não).
as flores. Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com- A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao Beba, nem que seja um pouco.
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, ape- Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
sar disso, em todo caso. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. afirmações.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. 4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. Ficaremos sentidos, se você não vier.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico. Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Hoje não atendo, em todo caso, entre. "Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, que os mosquitos se opusessem."
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. (Ferreira de Castro)
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. 5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
Ou você estuda ou arruma um emprego. são como (ou conforme) dizem.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. (Machado de Assis)
"Já chora, já se ri, já se enfurece." 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
(Luís de Camões) tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con- forma que, de maneira que, sem que, que (não).
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
As árvores balançam, logo está ventando. Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por- Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo). 7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem Afastou-se depressa para que não o víssemos.
causar incêndios. Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas. Fiz-lhe sinal que se calasse.
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa- mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tan-
tivo: to mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam. À medida que se vive, mais se aprende.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde." À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
(Jorge Amado) Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
Conjunções subordinativas
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma à Observação:
outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações que São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo). "À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
Abrangem as seguintes classes: (Maria José de Queirós)
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
que, uma vez que, desde que. 9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa: que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que,
efeito). etc.
Como estivesse de luto, não nos recebeu. Venha quando você quiser.
Desde que é impossível, não insistirei. Não fale enquanto come.
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
(= como). "Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento. cânti)
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa. 10) Integrantes: que, se.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias." Sabemos que a vida é breve.

Língua Portuguesa 60 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Veja se falta alguma coisa. INTERJEIÇÃO
Observação:
Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
ser:
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
- alegria: ahl oh! oba! eh!
porém, não consigna esta espécie de conjunção.
- animação: coragem! avante! eia!
- admiração: puxa! ih! oh! nossa!
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
- aplauso: bravo! viva! bis!
por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.
- desejo: tomara! oxalá!
- dor: aí! ui!
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo, por-
- silêncio: psiu! silêncio!
tanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no contex-
- suspensão: alto! basta!
to. Assim, a conjunção que pode ser:
1) Aditiva (= e):
LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
valor de uma interjeição.
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
2) Explicativa (= pois, porque):
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
Apressemo-nos, que chove.
3) Integrante:
Diga-lhe que não irei. SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
4) Consecutiva:
Tanto se esforçou que conseguiu vencer. FRASE
Não vão a uma festa que não voltem cansados. Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
Onde estavas, que não te vi? O tempo está nublado.
5) Comparativa (= do que, como): Socorro!
A luz é mais veloz que o som. Que calor!
Ficou vermelho que nem brasa.
6) Concessiva (= embora, ainda que): ORAÇÃO
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo. Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
Beba, um pouco que seja. A fanfarra desfilou na avenida.
7) Temporal (= depois que, logo que): As festas juninas estão chegando.
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
8) Final (= pare que): PERÍODO
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse.
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
9) Causal (= porque, visto que):
O período pode ser:
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vivaldo
• simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Coaraci)
Fui à livraria ontem.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase:
• composto - quando constituído por mais de uma oração.
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe-
Fui à livraria ontem e comprei um livro.
disse. (sem que = embora não)
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
(sem que = se não,caso não) TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados. São dois os termos essenciais da oração:
(sem que = que não)
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não) SUJEITO
Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.
Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)
PREPOSIÇÃO
O sujeito pode ser :
- simples: quando tem um só núcleo
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter- As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas;
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o núcleo: rosas)
segundo, um subordinado ou consequente. - composto: quando tem mais de um núcleo
O burro e o cavalo saíram em disparada.
Exemplos: (suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
Chegaram a Porto Alegre. - oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal
Discorda de você. Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu)
Fui até a esquina. - indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal
Casa de Paulo. Come-se bem naquele restaurante.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito
Preposições Essenciais e Acidentais Choveu ontem.
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CONTRA, Há plantas venenosas.
DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB, SOBRE e
ATRÁS. PREDICADO
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou- O predicado classifica-se em:
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora, 1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais predicativo
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo, do sujeito.
segundo, senão, tirante, visto, etc. Nosso colega está doente.
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
PERMANECER, etc.

Língua Portuguesa 61 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a • pelos adjetivos: água fresca,
comunicar estado ou qualidade do sujeito. • pelos artigos: o mundo, as ruas
Nosso colega está doente. • pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas
A moça permaneceu sentada. • pelos numerais : três garotos; sexto ano
2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou • pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos
transitivo.
O avião sobrevoou a praia. 2. ADJUNTO ADVERBIAL
Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento. Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
O sabiá voou alto. lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento. Cheguei cedo.
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio José reside em São Paulo.
de proposição.
Minha equipe venceu a partida. 3. APOSTO
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com
Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
auxílio de preposição.
desenvolve ou resume outro termo da oração.
Ele precisa de um esparadrapo.
Dr. João, cirurgião-dentista,
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
complemento com auxilio de preposição.
Damos uma simples colaboração a vocês.
4. VOCATIVO
Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo
interpelar alguém ou alguma coisa.
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais
Tem compaixão de nós, ó Cristo.
predicativo do sujeito.
Professor, o sinal tocou.
Os rapazes voltaram vitoriosos.
Rapazes, a prova é na próxima semana.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico. PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
direto ou indireto. Fui ao cinema.
Elegemos o nosso candidato vereador. O pássaro voou.

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO PERÍODO COMPOSTO


Chama-se termos integrantes da oração os que completam a No período composto há mais de uma oração.
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
compreensão do enunciado. folgam.)

1. OBJETO DIRETO Período composto por coordenação


Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Apresenta orações independentes.
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE. (Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)

2. OBJETO INDIRETO Período composto por subordinação


Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Apresenta orações dependentes.
transitivo indireto. (É bom) (que você estude.)
As crianças precisam de CARINHO.
Período composto por coordenação e subordinação
3. COMPLEMENTO NOMINAL Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este
Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de período é também conhecido como misto.
um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado por (Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.)
um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio.
Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo) ORAÇÃO COORDENADA
O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo) Oração coordenada é aquela que é independente.
Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE
(advérbio). As orações coordenadas podem ser:
- Sindética:
4. AGENTE DA PASSIVA Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na coordenativa.
voz passiva. Viajo amanhã, mas volto logo.
A mãe é amada PELO FILHO. - Assindética:
O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO. Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou
Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO. ponto e vírgula.
Chegou, olhou, partiu.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO A oração coordenada sindética pode ser:
TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo 1. ADITIVA:
alguma circunstância. Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas,
também:
São termos acessórios da oração: Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
1. ADJUNTO ADNOMINAL Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.
substantivos. Pode ser expresso:

Língua Portuguesa 62 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
2. ADVERSATIVA: 4) COMPLETIVA NOMINAL
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de contraste Complemento nominal.
(mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto, etc). Ser grato A QUEM TE ENSINA.
A espada vence MAS NÃO CONVENCE. Sou favorável A QUE O PRENDAM.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO. 5) PREDICATIVA (predicativo)
Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
3. ALTERNATIVAS: Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a outra Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
(ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc).
Mudou o natal OU MUDEI EU? 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel, Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!” Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
(C. Meireles)
7) AGENTE DA PASSIVA
4. CONCLUSIVAS:
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,
etc).
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ. Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
um adjetivo.
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:
5. EXPLICATIVAS:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que
a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.) 1) EXPLICATIVAS:
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR. Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS. atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma
informação.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE
Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.
2) RESTRITIVAS:
Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos:
indispensáveis ao sentido da frase:
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
Pedra QUE ROLA não cria limo.
As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
ORAÇÃO PRINCIPAL Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida
por um conectivo. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
ELES DISSERAM que voltarão logo.
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
ELE AFIRMOU que não virá.
um advérbio.
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma)
As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
ORAÇÃO SUBORDINADA 1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal O tambor soa PORQUE É OCO.
nem sempre é a primeira do período.
Quando ele voltar, eu saio de férias. 2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS comparação.
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR O som é menos veloz QUE A LUZ.
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.
ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função 3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
de um substantivo. POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
substantivas classificam-se em: CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.

1) SUBJETIVA (sujeito) 4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:


Convém que você estude mais. SE O CONHECESSES, não o condenarias.
Importa que saibas isso bem. . Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é necessária.
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto) com outro:
Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
Desejo QUE VENHAM TODOS.
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.
Pergunto QUEM ESTÁ AI.
6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:
3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Língua Portuguesa 63 A Opção Certa Para a Sua Realização
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Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR. Ela mesma veio até aqui.
Eles chegaram sós.
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade: Eles próprios escreveram.
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende. 12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo. Muito obrigado. (masculino singular)
Muito obrigada. (feminino singular).
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na 13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
oração principal: invariável quando é advérbio.
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam. Quero meio quilo de café.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam. Minha mãe está meio exausta.
É meio-dia e meia. (hora)
10) MODAIS: exprimem modo, maneira: 14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o substan-
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE. tivo a que se referem.
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE. Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
A expressão em anexo é invariável.
ORAÇÕES REDUZIDAS Trouxe em anexo estas fotos.
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais: 15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substitu-
gerúndio, infinitivo e particípio. em advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
Vocês falaram alto demais.
Exemplos: O combustível custava barato.
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU PREPARADO. Você leu confuso.
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ. Ela jura falso.
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM,
conseguirás. 16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos,
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS sofrem variação normalmente.
ATENTOS. Esses pneus custam caro.
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO, Conversei bastante com eles.
entristeceu-se. Conversei com bastantes pessoas.
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES Estas crianças moram longe.
MAIS. Conheci longes terras.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure-
me. CONCORDÂNCIA VERBAL

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL CASOS GERAIS

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante 1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões. O menino chegou. Os meninos chegaram.
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular.
Principais Casos de Concordância Nominal O pessoal ainda não chegou.
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em A turma não gostou disso.
gênero e número com o substantivo. Um bando de pássaros pousou na árvore.
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico. 3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
normalmente para o plural. Os Estados Unidos são um grande país.
Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio. Os Lusíadas imortalizaram Camões.
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai Os Alpes vivem cobertos de neve.
para o masculino plural. Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios. Flores já não leva acento.
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais O Amazonas deságua no Atlântico.
próximo: Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica.
Trouxe livros e revista especializada. 4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi- no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indiferen-
mo. temente.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos. A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram).
sujeito. 5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
Meus amigos estão atrapalhados. sujeito paciente.
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica- Vende-se um apartamento.
tivo no gênero da pessoa a quem se refere. Vendem-se alguns apartamentos.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo. 6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o
8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo verbo para a 3ª pessoa do singular.
vão para o singular ou para o plural. Precisa-se de funcionários.
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros). 7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier singular e o verbo no singular ou no plural.
precedido de artigo e o segundo não vão para o plural. Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
Já estudei o primeiro e segundo livros. 8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural. Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro. 9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a Mais de um jurado fez justiça à minha música.
que se referem. 10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando

Língua Portuguesa 64 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo
no singular. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
sujeito. Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
Deu uma hora. calmente do outro.
Deram três horas.
Bateram cinco horas. A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos e
Naquele relógio já soaram duas horas. adjetivos).
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito. Exemplos:
Ela é que faz as bolas.
Eu é que escrevo os programas. - acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
um pronome relativo. PARA = passagem
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
Fui eu que fiz a lição A regência verbal trata dos complementos do verbo.
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
veis.
ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
• que: Fui eu que fiz a lição.
1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
• quem: Fui eu quem fez a lição.
• pretender (transitivo indireto)
• o que: Fui eu o que fez a lição.
No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
2. OBEDECER - transitivo indireto
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
Devemos obedecer aos sinais de trânsito.
este sua impessoalidade.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
Já paguei um jantar a você.
Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.
CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER 5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Prefiro Comunicação à Matemática.
1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA- 6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
RECER concordam com o predicativo. Informei-lhe o problema.
Tudo são esperanças.
Aquilo parecem ilusões. 7. ASSISTIR - morar, residir:
Aquilo é ilusão. Assisto em Porto Alegre.
• amparar, socorrer, objeto direto
2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER con- O médico assistiu o doente.
corda sempre com o nome ou pronome que vier depois. • PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
Que são florestas equatoriais? Assistimos a um belo espetáculo.
Quem eram aqueles homens? • SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
Assiste-lhe o direito.
3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará com
a expressão numérica. 8. ATENDER - dar atenção
São oito horas. Atendi ao pedido do aluno.
Hoje são 19 de setembro. • CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros. Atenderam o freguês com simpatia.

4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER 9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
fica no singular. A moça queria um vestido novo.
Três batalhões é muito pouco. • GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
Trinta milhões de dólares é muito dinheiro. O professor queria muito a seus alunos.

5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular. 10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto
Maria era as flores da casa. Todos visamos a um futuro melhor.
O homem é cinzas. • APONTAR, MIRAR - objeto direto
O artilheiro visou a meta quando fez o gol.
6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER • pör o sinal de visto - objeto direto
concorda com o predicativo. O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.
Dançar e cantar é a sua atividade.
Estudar e trabalhar são as minhas atividades. 11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto
Devemos obedecer aos superiores.
7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER Desobedeceram às leis do trânsito.
concorda com o pronome.
A ciência, mestres, sois vós. 12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
Em minha turma, o líder sou eu. • exigem na sua regência a preposição EM
O armazém está situado na Farrapos.
8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo, Ele estabeleceu-se na Avenida São João.
apenas um deles deve ser flexionado.
Os meninos parecem gostar dos brinquedos. 13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Os meninos parece gostarem dos brinquedos. Essas tuas justificativas não procedem.

Língua Portuguesa 65 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se interior da concha de moluscos reúne outras características interes-
com a preposição DE. santes, como resistência e flexibilidade.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani (A) Se puder ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. componentes para a indústria.
O secretário procedeu à leitura da carta. (B) Se pudesse ser moldada, dá ótimo material para a confecção de
componentes para a indústria.
14. ESQUECER E LEMBRAR (C) Se pode ser moldada, dá ótimo material para a confecção de com-
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto: ponentes para a indústria.
Esqueci o nome desta aluna. (D) Se puder ser moldada, dava ótimo material para a confecção de
Lembrei o recado, assim que o vi. componentes para a indústria.
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto: (E) Se pudesse ser moldada, daria ótimo material para a confecção de
Esqueceram-se da reunião de hoje. componentes para a indústria.
Lembrei-me da sua fisionomia.
05. O uso indiscriminado do gerúndio tem-se constituído num problema
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa. para a expressão culta da língua. Indique a única alternativa em que
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. ele está empregado conforme o padrão culto.
• pagar - Pago o 13° aos professores. (A) Após aquele treinamento, a corretora está falando muito bem.
• dar - Daremos esmolas ao pobre. (B) Nós vamos estar analisando seus dados cadastrais ainda hoje.
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega. (C) Não haverá demora, o senhor pode estar aguardando na linha.
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. (D) No próximo sábado, procuraremos estar liberando o seu carro.
• agradecer - Agradeço as graças a Deus. (E) Breve, queremos estar entregando as chaves de sua nova casa.
• pedir - Pedi um favor ao colega.
06. De acordo com a norma culta, a concordância nominal e verbal está
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto: correta em:
O amor implica renúncia. (A) As características do solo são as mais variadas possível.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposição (B) A olhos vistos Lúcia envelhecia mais do que rapidamente.
COM: (C) Envio-lhe, em anexos, a declaração de bens solicitada.
O professor implicava com os alunos (D) Ela parecia meia confusa ao dar aquelas explicações.
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a preposi- (E) Qualquer que sejam as dúvidas, procure saná-las logo.
ção EM:
Implicou-se na briga e saiu ferido 07. Assinale a alternativa em que se respeitam as normas cultas de
flexão de grau.
17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição A: (A) Nas situações críticas, protegia o colega de quem era amiquíssimo.
Ele foi a São Paulo para resolver negócios. (B) Mesmo sendo o Canadá friosíssimo, optou por permanecer lá duran-
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA: te as férias.
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso. (C) No salto, sem concorrentes, seu desempenho era melhor de todos.
(D) Diante dos problemas, ansiava por um resultado mais bom que ruim.
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa (E) Comprou uns copos baratos, de cristal, da mais malíssima qualidade.
como sujeito:
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª Nas questões de números 08 e 09, assinale a alternativa cujas pala-
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente di- vras completam, correta e respectivamente, as frases dadas.
ficuldade, será objeto indireto.
Custou-me confiar nele novamente. 08. Os pesquisadores trataram de avaliar visão público financiamento
Custar-te-á aceitá-la como nora. estatal ciência e tecnologia.
(A) à ... sobre o ... do ... para
(B) a ... ao ... do ... para
PROVA SIMULADA (C) à ... do ... sobre o ... a
(D) à ... ao ... sobre o ... à
01. Assinale a alternativa correta quanto ao uso e à grafia das palavras. (E) a ... do ... sobre o ... à
(A) Na atual conjetura, nada mais se pode fazer.
(B) O chefe deferia da opinião dos subordinados. 09. Quanto perfil desejado, com vistas qualidade dos candidatos, a
(C) O processo foi julgado em segunda estância. franqueadora procura ser muito mais criteriosa ao contratá-los, pois
(D) O problema passou despercebido na votação. eles devem estar aptos comercializar seus produtos.
(E) Os criminosos espiariam suas culpas no exílio. (A) ao ... a ... à
(B) àquele ... à ... à
02. A alternativa correta quanto ao uso dos verbos é: (C) àquele...à ... a
(A) Quando ele vir suas notas, ficará muito feliz. (D) ao ... à ... à
(B) Ele reaveu, logo, os bens que havia perdido. (E) àquele ... a ... a
(C) A colega não se contera diante da situação.
(D) Se ele ver você na rua, não ficará contente. 10. Assinale a alternativa gramaticalmente correta de acordo com a
(E) Quando você vir estudar, traga seus livros. norma culta.
(A) Bancos de dados científicos terão seu alcance ampliado. E isso
03. O particípio verbal está corretamente empregado em: trarão grandes benefícios às pesquisas.
(A) Não estaríamos salvados sem a ajuda dos barcos. (B) Fazem vários anos que essa empresa constrói parques, colaborando
(B) Os garis tinham chego às ruas às dezessete horas. com o meio ambiente.
(C) O criminoso foi pego na noite seguinte à do crime. (C) Laboratórios de análise clínica tem investido em institutos, desenvol-
(D) O rapaz já tinha abrido as portas quando chegamos. vendo projetos na área médica.
(E) A faxineira tinha refazido a limpeza da casa toda. (D) Havia algumas estatísticas auspiciosas e outras preocupantes apre-
sentadas pelos economistas.
04. Assinale a alternativa que dá continuidade ao texto abaixo, em (E) Os efeitos nocivos aos recifes de corais surge para quem vive no
conformidade com a norma culta. litoral ou aproveitam férias ali.
Nem só de beleza vive a madrepérola ou nácar. Essa substância do

Língua Portuguesa 66 A Opção Certa Para a Sua Realização


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11. A frase correta de acordo com o padrão culto é: 17. Assinale a alternativa em que, de acordo com a norma culta, se
(A) Não vejo mal no Presidente emitir medidas de emergência devido às respeitam as regras de pontuação.
chuvas. (A) Por sinal, o próprio Senhor Governador, na última entrevista, revelou,
(B) Antes de estes requisitos serem cumpridos, não receberemos recla- que temos uma arrecadação bem maior que a prevista.
mações. (B) Indagamos, sabendo que a resposta é obvia: que se deve a uma
(C) Para mim construir um país mais justo, preciso de maior apoio à sociedade inerte diante do desrespeito à sua própria lei? Nada.
cultura. (C) O cidadão, foi preso em flagrante e, interrogado pela Autoridade
(D) Apesar do advogado ter defendido o réu, este não foi poupado da Policial, confessou sua participação no referido furto.
culpa. (D) Quer-nos parecer, todavia, que a melhor solução, no caso deste
(E) Faltam conferir três pacotes da mercadoria. funcionário, seja aquela sugerida, pela própria chefia.
(E) Impunha-se, pois, a recuperação dos documentos: as certidões
12. A maior parte das empresas de franquia pretende expandir os negó- negativas, de débitos e os extratos, bancários solicitados.
cios das empresas de franquia pelo contato direto com os possíveis
investidores, por meio de entrevistas. Esse contato para fins de sele- 18. O termo oração, entendido como uma construção com sujeito e
ção não só permite às empresas avaliar os investidores com relação predicado que formam um período simples, se aplica, adequadamen-
aos negócios, mas também identificar o perfil desejado dos investido- te, apenas a:
res. (A) Amanhã, tempo instável, sujeito a chuvas esparsas no litoral.
(Texto adaptado) (B) O vigia abandonou a guarita, assim que cumpriu seu período.
Para eliminar as repetições, os pronomes apropriados para substituir (C) O passeio foi adiado para julho, por não ser época de chuvas.
as expressões: das empresas de franquia, às empresas, os investi- (D) Muito riso, pouco siso – provérbio apropriado à falta de juízo.
dores e dos investidores, no texto, são, respectivamente: (E) Os concorrentes à vaga de carteiro submeteram-se a exames.
(A) seus ... lhes ... los ... lhes
(B) delas ... a elas ... lhes ... deles Leia o período para responder às questões de números 19 e 20.
(C) seus ... nas ... los ... deles
(D) delas ... a elas ... lhes ... seu O livro de registro do processo que você procurava era o que estava
(E) seus ... lhes ... eles ... neles sobre o balcão.

13. Assinale a alternativa em que se colocam os pronomes de acordo 19. No período, os pronomes o e que, na respectiva sequência, remetem
com o padrão culto. a
(A) Quando possível, transmitirei-lhes mais informações. (A) processo e livro.
(B) Estas ordens, espero que cumpram-se religiosamente. (B) livro do processo.
(C) O diálogo a que me propus ontem, continua válido. (C) processos e processo.
(D) Sua decisão não causou-lhe a felicidade esperada. (D) livro de registro.
(E) Me transmita as novidades quando chegar de Paris. (E) registro e processo.

14. O pronome oblíquo representa a combinação das funções de objeto 20. Analise as proposições de números I a IV com base no período
direto e indireto em: acima:
(A) Apresentou-se agora uma boa ocasião. I. há, no período, duas orações;
(B) A lição, vou fazê-la ainda hoje mesmo. II. o livro de registro do processo era o, é a oração principal;
(C) Atribuímos-lhes agora uma pesada tarefa. III. os dois quê(s) introduzem orações adverbiais;
(D) A conta, deixamo-la para ser revisada. IV. de registro é um adjunto adnominal de livro.
(E) Essa história, contar-lha-ei assim que puder. Está correto o contido apenas em
(A) II e IV.
15. Desejava o diploma, por isso lutou para obtê-lo. (B) III e IV.
Substituindo-se as formas verbais de desejar, lutar e obter pelos (C) I, II e III.
respectivos substantivos a elas correspondentes, a frase correta é: (D) I, II e IV.
(A) O desejo do diploma levou-o a lutar por sua obtenção. (E) I, III e IV.
(B) O desejo do diploma levou-o à luta em obtê-lo.
(C) O desejo do diploma levou-o à luta pela sua obtenção. 21. O Meretíssimo Juiz da 1.ª Vara Cível devia providenciar a leitura do
(D) Desejoso do diploma foi à luta pela sua obtenção. acórdão, e ainda não o fez. Analise os itens relativos a esse trecho:
(E) Desejoso do diploma foi lutar por obtê-lo. I. as palavras Meretíssimo e Cível estão incorretamente grafadas;
II. ainda é um adjunto adverbial que exclui a possibilidade da leitura
16. Ao Senhor Diretor de Relações Públicas da Secretaria de Educação pelo Juiz;
do Estado de São Paulo. Face à proximidade da data de inauguração III. o e foi usado para indicar oposição, com valor adversativo equivalen-
de nosso Teatro Educativo, por ordem de , Doutor XXX, Digníssimo te ao da palavra mas;
Secretário da Educação do Estado de YYY, solicitamos a máxima IV. em ainda não o fez, o o equivale a isso, significando leitura do acór-
urgência na antecipação do envio dos primeiros convites para o Ex- dão, e fez adquire o respectivo sentido de devia providenciar.
celentíssimo Senhor Governador do Estado de São Paulo, o Reve- Está correto o contido apenas em
rendíssimo Cardeal da Arquidiocese de São Paulo e os Reitores das (A) II e IV.
Universidades Paulistas, para que essas autoridades possam se (B) III e IV.
programar e participar do referido evento. (C) I, II e III.
Atenciosamente, (D) I, III e IV.
ZZZ (E) II, III e IV.
Assistente de Gabinete.
De acordo com os cargos das diferentes autoridades, as lacunas 22. O rapaz era campeão de tênis. O nome do rapaz saiu nos jornais.
são correta e adequadamente preenchidas, respectivamente, por Ao transformar os dois períodos simples num único período compos-
(A) Ilustríssimo ... Sua Excelência ... Magníficos to, a alternativa correta é:
(B) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Magníficos (A) O rapaz cujo nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(C) Ilustríssimo ... Vossa Excelência ... Excelentíssimos (B) O rapaz que o nome saiu nos jornais era campeão de tênis.
(D) Excelentíssimo ... Sua Senhoria ... Excelentíssimos (C) O rapaz era campeão de tênis, já que seu nome saiu nos jornais.
(E) Ilustríssimo ... Vossa Senhoria ... Digníssimos (D) O nome do rapaz onde era campeão de tênis saiu nos jornais.
(E) O nome do rapaz que saiu nos jornais era campeão de tênis.

Língua Portuguesa 67 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
(B) como ... pois ... mas
23. O jardineiro daquele vizinho cuidadoso podou, ontem, os enfraqueci- (C) ou seja ... embora ... pois
dos galhos da velha árvore. (D) ou seja ... mas ... portanto
Assinale a alternativa correta para interrogar, respectivamente, sobre (E) isto é ... mas ... como
o adjunto adnominal de jardineiro e o objeto direto de podar.
(A) Quem podou? e Quando podou? 30. Assim que as empresas concluírem o processo de seleção dos
(B) Qual jardineiro? e Galhos de quê? investidores, os locais das futuras lojas de franquia serão divulgados.
(C) Que jardineiro? e Podou o quê? A alternativa correta para substituir Assim que as empresas concluí-
(D) Que vizinho? e Que galhos? rem o processo de seleção dos investidores por uma oração reduzi-
(E) Quando podou? e Podou o quê? da, sem alterar o sentido da frase, é:
(A) Porque concluindo o processo de seleção dos investidores ...
24. O público observava a agitação dos lanterninhas da plateia. (B) Concluído o processo de seleção dos investidores ...
Sem pontuação e sem entonação, a frase acima tem duas possibili- (C) Depois que concluíssem o processo de seleção dos investidores ...
dades de leitura. Elimina-se essa ambiguidade pelo estabelecimento (D) Se concluído do processo de seleção dos investidores...
correto das relações entre seus termos e pela sua adequada pontua- (E) Quando tiverem concluído o processo de seleção dos investidores ...
ção em:
(A) O público da plateia, observava a agitação dos lanterninhas. A MISÉRIA É DE TODOS NÓS
(B) O público observava a agitação da plateia, dos lanterninhas. Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social
(C) O público observava a agitação, dos lanterninhas da plateia. que remonta aos primórdios da colonização? No decorrer das últimas
(D) Da plateia o público, observava a agitação dos lanterninhas. décadas, enquanto a miséria se mantinha mais ou menos do mesmo tama-
(E) Da plateia, o público observava a agitação dos lanterninhas. nho, todos os indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há mais crianças
em idade escolar frequentando aulas atualmente do que em qualquer outro
25. Felizmente, ninguém se machucou. período da nossa história. As taxas de analfabetismo e mortalidade infantil
Lentamente, o navio foi se afastando da costa. também são as menores desde que se passou a registrá-las nacionalmen-
Considere: te. O Brasil figura entre as dez nações de economia mais forte do mundo.
I. felizmente completa o sentido do verbo machucar; No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos. Vem firmando
II. felizmente e lentamente classificam-se como adjuntos adverbiais de uma inconteste liderança política regional na América Latina, ao mesmo
modo; tempo que atrai a simpatia do Terceiro Mundo por ter se tornado um forte
III. felizmente se refere ao modo como o falante se coloca diante do oponente das injustas políticas de comércio dos países ricos.
fato;
IV. lentamente especifica a forma de o navio se afastar; Apesar de todos esses avanços, a miséria resiste.
V. felizmente e lentamente são caracterizadores de substantivos. Embora em algumas de suas ocorrências, especialmente na zona rural,
Está correto o contido apenas em esteja confinada a bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais bem
(A) I, II e III. posicionados na escala social, a miséria é onipresente. Nas grandes cida-
(B) I, II e IV. des, com aterrorizante frequência, ela atravessa o fosso social profundo e
(C) I, III e IV. se manifesta de forma violenta. A mais assustadora dessas manifestações
(D) II, III e IV. é a criminalidade, que, se não tem na pobreza sua única causa, certamente
(E) III, IV e V. em razão dela se tornou mais disseminada e cruel. Explicar a resistência da
pobreza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada sim-
26. O segmento adequado para ampliar a frase – Ele comprou o carro..., ples.
indicando concessão, é: Veja, ed. 1735
(A) para poder trabalhar fora.
(B) como havia programado. 31. O título dado ao texto se justifica porque:
(C) assim que recebeu o prêmio. A) a miséria abrange grande parte de nossa população;
(D) porque conseguiu um desconto. B) a miséria é culpa da classe dominante;
(E) apesar do preço muito elevado. C) todos os governantes colaboraram para a miséria comum;
D) a miséria deveria ser preocupação de todos nós;
27. É importante que todos participem da reunião. E) um mal tão intenso atinge indistintamente a todos.
O segmento que todos participem da reunião, em relação a
É importante, é uma oração subordinada 32. A primeira pergunta - ''Como entender a resistência da miséria no
(A) adjetiva com valor restritivo. Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da coloniza-
(B) substantiva com a função de sujeito. ção?'':
(C) substantiva com a função de objeto direto. A) tem sua resposta dada no último parágrafo;
(D) adverbial com valor condicional. B) representa o tema central de todo o texto;
(E) substantiva com a função de predicativo. C) é só uma motivação para a leitura do texto;
D) é uma pergunta retórica, à qual não cabe resposta;
28. Ele realizou o trabalho como seu chefe o orientou. A relação estabe- E) é uma das perguntas do texto que ficam sem resposta.
lecida pelo termo como é de
(A) comparatividade. 33. Após a leitura do texto, só NÃO se pode dizer da miséria no Brasil
(B) adição. que ela:
(C) conformidade. A) é culpa dos governos recentes, apesar de seu trabalho produtivo em
(D) explicação. outras áreas;
(E) consequência. B) tem manifestações violentas, como a criminalidade nas grandes
cidades;
29. A região alvo da expansão das empresas, _____, das redes de C) atinge milhões de habitantes, embora alguns deles não apareçam
franquias, é a Sudeste, ______ as demais regiões também serão para a classe dominante;
contempladas em diferentes proporções; haverá, ______, planos di- D) é de difícil compreensão, já que sua presença não se coaduna com a
versificados de acordo com as possibilidades de investimento dos de outros indicadores sociais;
possíveis franqueados. E) tem razões históricas e se mantém em níveis estáveis nas últimas
A alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas e décadas.
relaciona corretamente as ideias do texto, é:
(A) digo ... portanto ... mas 34. O melhor resumo das sete primeiras linhas do texto é:

Língua Portuguesa 68 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
A) Entender a miséria no Brasil é impossível, já que todos os outros mesmo, um traste inútil, abandonado sobre a calçada. Um menor abando-
indicadores sociais melhoraram; nado.
B) Desde os primórdios da colonização a miséria existe no Brasil e se
mantém onipresente; Quem nunca viu um menor abandonado? A cinco passos, na casa de
C) A miséria no Brasil tem fundo histórico e foi alimentada por governos sucos de frutas, vários casais de jovens tomavam sucos de frutas, alguns
incompetentes; mastigavam sanduíches. Além, na esquina da praça, o carro da radiopatru-
D) Embora os indicadores sociais mostrem progresso em muitas áreas, lha estacionado, dois boinas-pretas conversando do lado de fora. Ninguém
a miséria ainda atinge uma pequena parte de nosso povo; tomava conhecimento da existência do menino.
E) Todos os indicadores sociais melhoraram exceto o indicador da
miséria que leva à criminalidade. Segundo as estatísticas, como ele existem nada menos que 25 milhões
no Brasil, que se pode fazer? Qual seria a reação do menino se eu o acor-
35. As marcas de progresso em nosso país são dadas com apoio na dasse para lhe dar todo o dinheiro que trazia no bolso? Resolveria o seu
quantidade, exceto: problema? O problema do menor abandonado? A injustiça social?
A) frequência escolar; (....)
B) liderança diplomática;
C) mortalidade infantil; Vinte e cinco milhões de menores - um dado abstrato, que a imagina-
D) analfabetismo; ção não alcança. Um menino sem pai nem mãe, sem o que comer nem
E) desempenho econômico. onde dormir - isto é um menor abandonado. Para entender, só mesmo
imaginando meu filho largado no mundo aos seis, oito ou dez anos de
36. ''No campo diplomático, começa a exercitar seus músculos.''; com idade, sem ter para onde ir nem para quem apelar. Imagino que ele venha a
essa frase, o jornalista quer dizer que o Brasil: ser um desses que se esgueiram como ratos em torno aos botequins e
A) já está suficientemente forte para começar a exercer sua liderança lanchonetes e nos importunam cutucando-nos de leve - gesto que nos
na América Latina; desperta mal contida irritação - para nos pedir um trocado. Não temos
B) já mostra que é mais forte que seus países vizinhos; disposição sequer para olhá-lo e simplesmente o atendemos (ou não) para
C) está iniciando seu trabalho diplomático a fim de marcar presença no nos livrarmos depressa de sua incômoda presença. Com o sentimento que
cenário exterior; sufocamos no coração, escreveríamos toda a obra de Dickens. Mas esta-
D) pretende mostrar ao mundo e aos países vizinhos que já é suficien- mos em pleno século XX, vivendo a era do progresso para o Brasil, con-
temente forte para tornar-se líder; quistando um futuro melhor para os nossos filhos. Até lá, que o menor
E) ainda é inexperiente no trato com a política exterior. abandonado não chateie, isto é problema para o juizado de menores.
Mesmo porque são todos delinquentes, pivetes na escola do crime, cedo
37. Segundo o texto, ''A miséria é onipresente'' embora: terminarão na cadeia ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte.
A) apareça algumas vezes nas grandes cidades;
B) se manifeste de formas distintas; Pode ser. Mas a verdade é que hoje eu vi meu filho dormindo na rua,
C) esteja escondida dos olhos de alguns; exposto ao frio da noite, e além de nada ter feito por ele, ainda o confundi
D) seja combatida pelas autoridades; com um monte de lixo.
E) se torne mais disseminada e cruel. Fernando Sabino

38. ''...não é uma empreitada simples'' equivale a dizer que é uma em- 41 Uma crônica, como a que você acaba de ler, tem como melhor
preitada complexa; o item em que essa equivalência é feita de forma definição:
INCORRETA é: A) registro de fatos históricos em ordem cronológica;
A) não é uma preocupação geral = é uma preocupação superficial; B) pequeno texto descritivo geralmente baseado em fatos do cotidiano;
B) não é uma pessoa apática = é uma pessoa dinâmica; C) seção ou coluna de jornal sobre tema especializado;
C) não é uma questão vital = é uma questão desimportante; D) texto narrativo de pequena extensão, de conteúdo e estrutura bas-
D) não é um problema universal = é um problema particular; tante variados;
E) não é uma cópia ampliada = é uma cópia reduzida. E) pequeno conto com comentários, sobre temas atuais.

39. ''...enquanto a miséria se mantinha...''; colocando-se o verbo desse 42 O texto começa com os tempos verbais no pretérito imperfeito -
segmento do texto no futuro do subjuntivo, a forma correta seria: vinha, faltavam - e, depois, ocorre a mudança para o pretérito perfei-
A) mantiver; B) manter; C)manterá; D)manteria; to - olhei, vi etc.; essa mudança marca a passagem:
E) mantenha. A) do passado para o presente;
B) da descrição para a narração;
40. A forma de infinitivo que aparece substantivada nos segmentos C) do impessoal para o pessoal;
abaixo é: D) do geral para o específico;
A) ''Como entender a resistência da miséria...''; E) do positivo para o negativo.
B) ''No decorrer das últimas décadas...'';
C) ''...desde que se passou a registrá-las...''; 43 ''...olhei para o lado e vi, junto à parede, antes da esquina, ALGO que
D) ''...começa a exercitar seus músculos.''; me pareceu uma trouxa de roupa...''; o uso do termo destacado se
E) ''...por ter se tornado um forte oponente...''. deve a que:
A) o autor pretende comparar o menino a uma coisa;
PROTESTO TÍMIDO B) o cronista antecipa a visão do menor abandonado como um traste
Ainda há pouco eu vinha para casa a pé, feliz da minha vida e faltavam inútil;
dez minutos para a meia-noite. Perto da Praça General Osório, olhei para o C) a situação do fato não permite a perfeita identificação do menino;
lado e vi, junto à parede, antes da esquina, algo que me pareceu uma D) esse pronome indefinido tem valor pejorativo;
trouxa de roupa, um saco de lixo. Alguns passos mais e pude ver que era E) o emprego desse pronome ocorre em relação a coisas ou a pesso-
um menino. as.

Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais. Deitado de lado, bra- 44 ''Ainda há pouco eu vinha para casa a pé,...''; veja as quatro frases a
ços dobrados como dois gravetos, as mãos protegendo a cabeça. Tinha os seguir:
gambitos também encolhidos e enfiados dentro da camisa de meia esbura- I- Daqui há pouco vou sair.
cada, para se defender contra o frio da noite. Estava dormindo, como podia I- Está no Rio há duas semanas.
estar morto. Outros, como eu, iam passando, sem tomar conhecimento de III - Não almoço há cerca de três dias.
sua existência. Não era um ser humano, era um bicho, um saco de lixo IV - Estamos há cerca de três dias de nosso destino.

Língua Portuguesa 69 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
As frases que apresentam corretamente o emprego do verbo haver 08. E 18. E 28. C 38. A 48. C
são: 09. C 19. D 29. D 39. A 49. B
A) I - II 10. D 20. A 30. B 40. B 50. C
B) I - III
C) II - IV
D) I - IV
___________________________________
E) II - III
___________________________________
45 O comentário correto sobre os elementos do primeiro parágrafo do
texto é: ___________________________________
A) o cronista situa no tempo e no espaço os acontecimentos abordados ___________________________________
na crônica;
B) o cronista sofre uma limitação psicológica ao ver o menino ___________________________________
C) a semelhança entre o menino abandonado e uma trouxa de roupa é _______________________________________________________
a sujeira;
D) a localização do fato perto da meia-noite não tem importância para o _______________________________________________________
texto;
E) os fatos abordados nesse parágrafo já justificam o título da crônica. _______________________________________________________
_______________________________________________________

46 Boinas-pretas é um substantivo composto que faz o plural da mesma _______________________________________________________


forma que: _______________________________________________________
A) salvo-conduto;
B) abaixo-assinado; _______________________________________________________
C) salário-família;
_______________________________________________________
D) banana-prata;
E) alto-falante. _______________________________________________________

47 A descrição do menino abandonado é feita no segundo parágrafo do _______________________________________________________


texto; o que NÃO se pode dizer do processo empregado para isso é _______________________________________________________
que o autor:
A) se utiliza de comparações depreciativas; _______________________________________________________
B) lança mão de vocábulo animalizador; _______________________________________________________
C) centraliza sua atenção nos aspectos físicos do menino;
D) mostra precisão em todos os dados fornecidos; _______________________________________________________
E) usa grande número de termos adjetivadores.
_______________________________________________________
48 ''Estava dormindo, como podia estar morto''; esse segmento do texto _______________________________________________________
significa que:
A) a aparência do menino não permitia saber se dormia ou estava _______________________________________________________
morto; _______________________________________________________
B) a posição do menino era idêntica à de um morto;
C) para os transeuntes, não fazia diferença estar o menino dormindo ou _______________________________________________________
morto;
_______________________________________________________
D) não havia diferença, para a descrição feita, se o menino estava
dormindo ou morto; _______________________________________________________
E) o cronista não sabia sobre a real situação do menino.
_______________________________________________________
49 Alguns textos, como este, trazem referências de outros momentos _______________________________________________________
históricos de nosso país; o segmento do texto em que isso ocorre é:
A) ''Perto da Praça General Osório, olhei para o lado e vi...''; _______________________________________________________
B) ''...ou crivados de balas pelo Esquadrão da Morte''; _______________________________________________________
C) ''...escreveríamos toda a obra de Dickens'';
D) ''...isto é problema para o juizado de menores''; _______________________________________________________
E) ''Escurinho, de seus seis ou sete anos, não mais''.
_______________________________________________________
50 ''... era um bicho...''; a figura de linguagem presente neste segmento _______________________________________________________
do texto é uma:
A) metonímia; _______________________________________________________
B) comparação ou símile; ______________________________________________________
C) metáfora;
D) prosopopeia; _______________________________________________________
E) personificação.
_______________________________________________________
RESPOSTAS – PROVA I _______________________________________________________
01. D 11. B 21. B 31. D 41. D
_______________________________________________________
02. A 12. A 22. A 32. B 42. B
03. C 13. C 23. C 33. A 43. C _______________________________________________________
04. E 14. E 24. E 34. A 44. E
05. A 15. C 25. D 35. B 45. A _______________________________________________________
06. B 16. A 26. E 36. C 46. A _______________________________________________________
07. D 17. B 27. B 37. C 47. D

Língua Portuguesa 70 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
 Elemento: qualquer um dos componentes de um
conjunto, geralmente representado por letras
minúsculas;

 Pertinência: é a característica associada a um


elemento que faz parte de um conjunto;
1. Operações com números naturais inteiros e racionais.
2. Divisibilidade. Pertence ou não pertence
3. Máximo Divisor Comum (MDC) e Mínimo Múltiplo Comum
(MMC). Se é um elemento de , nós podemos dizer que o
4. Medidas de comprimento, superfície, volume, capacidade,
massa e tempo. elemento pertence ao conjunto e podemos escrever
5. Problemas do 1º. Grau. . Se não é um elemento de , nós podemos
6. Razão, proporção, regra de três simples e composta, por-
centagem, juros simples e médias. dizer que o elemento não pertence ao conjunto e
7. Conjuntos numéricos: números inteiros, racionais e reais. podemos escrever .
8. Razões e proporções: regras de três simples e composta;
Probabilidades;
Geometria básica. 1. Conceitos primitivos

Antes de mais nada devemos saber que conceitos


TEORIA DOS CONJUNTOS primitivos são noções que adotamos sem definição.

Adotaremos aqui três conceitos primitivos: o de con-


CONJUNTO junto, o de elemento e o de pertinência de um elemento
a um conjunto. Assim, devemos entender perfeitamente
Em matemática, um conjunto é uma coleção de a frase: determinado elemento pertence a um conjunto,
elementos. Não interessa a ordem e quantas vezes os sem que tenhamos definido o que é conjunto, o que é
elementos estão listados na coleção. Em contraste, elemento e o que significa dizer que um elemento per-
uma coleção de elementos na qual a multiplicidade, tence ou não a um conjunto.
mas não a ordem, é relevante, é chamada
multiconjunto. 2 Notação

Conjuntos são um dos conceitos básicos da Normalmente adotamos, na teoria dos conjuntos, a
matemática. Um conjunto é apenas uma coleção de seguinte notação:
entidades, chamadas de elementos. A notação padrão
lista os elementos separados por vírgulas entre chaves • os conjuntos são indicados por letras maiúsculas:
(o uso de "parênteses" ou "colchetes" é incomum) A, B, C, ... ;
como os seguintes exemplos: • os elementos são indicados por letras
minúsculas: a, b, c, x, y, ... ;
{1, 2, 3} • o fato de um elemento x pertencer a um conjunto
C é indicado com x ∈ C;
{1, 2, 2, 1, 3, 2} • o fato de um elemento y não pertencer a um
conjunto C é indicado y ∉ C.
{x : x é um número inteiro tal que 0<x<4}
3. Representação dos conjuntos
Os três exemplos acima são maneiras diferentes de
representar o mesmo conjunto.
Um conjunto pode ser representado de três
maneiras:
É possível descrever o mesmo conjunto de
diferentes maneiras: listando os seus elementos (ideal
• por enumeração de seus elementos;
para conjuntos pequenos e finitos) ou definindo uma
propriedade de seus elementos. Dizemos que dois • por descrição de uma propriedade
conjuntos são iguais se e somente se cada elemento característica do conjunto;
de um é também elemento do outro, não importando a • através de uma representação gráfica.
quantidade e nem a ordem das ocorrências dos Um conjunto é representado por enumeração
elementos. quando todos os seus elementos são indicados e
colocados dentro de um par de chaves.
Conceitos essenciais
Exemplo:
 Conjunto: representa uma coleção de objetos,
a) A = ( 0; 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9 ) indica o conjunto
geralmente representado por letras maiúsculas;
formado pelos algarismos do nosso sistema de
numeração.

Matemática 1 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
b) B = ( a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, l, m, n, o, p, q, r, s, t,
u, v, x, z ) indica o conjunto formado pelas letras do
nosso alfabeto.
c) Quando um conjunto possui número elevado de
elementos, porém apresenta lei de formação bem clara,
podemos representa-lo, por enumeração, indicando os
primeiros e os últimos elementos, intercalados por
reticências. Assim: C = ( 2; 4; 6;... ; 98 ) indica o
conjunto dos números pares positivos, menores do
que100.
d) Ainda usando reticências, podemos representar,
por enumeração, conjuntos com infinitas elementos que
tenham uma lei de formação bem clara, como os
seguintes: Por esse tipo de representação gráfica, chamada
diagrama de Euler-Venn, percebemos que x ∈ C, y ∈
D = ( 0; 1; 2; 3; .. . ) indica o conjunto dos números C, z ∈ C; e que a ∉ C, b ∉ C, c ∉ C, d ∉ C.
inteiros não negativos;
E = ( ... ; -2; -1; 0; 1; 2; . .. ) indica o conjunto dos 4 Número de elementos de um conjunto
números inteiros;
F = ( 1; 3; 5; 7; . . . ) indica o conjunto dos números Consideremos um conjunto C. Chamamos de núme-
ímpares positivos. ro de elementos deste conjunto, e indicamos com n(C),
ao número de elementos diferentes entre si, que per-
A representação de um conjunto por meio da des- tencem ao conjunto.
crição de uma propriedade característica é mais sintéti- Exemplos
ca que sua representação por enumeração. Neste ca-
so, um conjunto C, de elementos x, será representado a) O conjunto A = { a; e; i; o; u }
da seguinte maneira: é tal que n(A) = 5.
b) O conjunto B = { 0; 1; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9 } é tal
C = { x | x possui uma determinada propriedade } que n(B) = 10.
c) O conjunto C = ( 1; 2; 3; 4;... ; 99 ) é tal que n
que se lê: C é o conjunto dos elementos x tal que (C) = 99.
possui uma determinada propriedade:
5 Conjunto unitário e conjunto vazio
Exemplos
Chamamos de conjunto unitário a todo conjunto C,
O conjunto A = { 0; 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9 } pode ser tal que n (C) = 1.
representado por descrição da seguinte maneira: A =
{ x | x é algarismo do nosso sistema de numeração } Exemplo: C = ( 3 )

O conjunto G = { a; e; i; o, u } pode ser E chamamos de conjunto vazio a todo conjunto c,


representado por descrição da seguinte maneira G = tal que n(C) = 0.
{ x | x é vogal do nosso alfabeto }
2
Exemplo: M = { x | x = -25}
O conjunto H = { 2; 4; 6; 8; . . . } pode ser
representado por descrição da seguinte maneira: O conjunto vazio é representado por { } ou por
∅.
H = { x | x é par positivo }
Exercício resolvido
A representação gráfica de um conjunto é bastante
cômoda. Através dela, os elementos de um conjunto Determine o número de elementos dos seguintes
são representados por pontos interiores a uma linha com juntos :
fechada que não se entrelaça. Os pontos exteriores a
esta linha representam os elementos que não perten- a) A = { x | x é letra da palavra amor }
cem ao conjunto. b) B = { x | x é letra da palavra alegria }
c) c é o conjunto esquematizado a seguir
Exemplo d) D = ( 2; 4; 6; . . . ; 98 )
e) E é o conjunto dos pontos comuns às
relas r e s, esquematizadas a seguir :

Matemática 2 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Sejam os conjuntos A = {x | x é mineiro} e B = { x | x
Resolução é brasileiro} ; temos então que A ⊂ B e que B ⊃ A.

a) n(A) = 4 Observações:
b) n(B) = 6,'pois a palavra alegria, apesar de
possuir dote letras, possui apenas seis letras distintas • Quando A não é subconjunto de B, indicamos
entre si. com A ⊄ B ou B A.
c) n(C) = 2, pois há dois elementos que • Admitiremos que o conjunto vazio está contido
pertencem a C: c e C e d e C em qualquer conjunto.
d) observe que:
2 = 2 . 1 é o 1º par positivo 8 Número de subconjuntos de um conjunto dado
4 = 2 . 2 é o 2° par positivo Pode-se mostrar que, se um conjunto possui n
6 = 2 . 3 é o 3º par positivo n
elementos, então este conjunto terá 2 subconjuntos.
8 = 2 . 4 é o 4º par positivo Exemplo
. .
. . O conjunto C = {1; 2 } possui dois elementos; logo,
. . 2
ele terá 2 = 4 subconjuntos.
98 = 2 . 49 é o 49º par positivo
Exercício resolvido:
logo: n(D) = 49
1. Determine o número de subconjuntos do conjunto
e) As duas retas, esquematizadas na C = (a; e; i; o; u ) .
figura, possuem apenas um ponto comum.
Logo, n( E ) = 1, e o conjunto E é, portanto, unitário. Resolução: Como o conjunto C possui cinco
5
elementos, o número dos seus subconjuntos será 2 =
6 igualdade de conjuntos 32.

Vamos dizer que dois conjuntos A e 8 são iguais, e Exercícios propostas:


indicaremos com A = 8, se ambos possuírem os mes-
mos elementos. Quando isto não ocorrer, diremos que 2. Determine o número de subconjuntos do conjunto
os conjuntos são diferentes e indicaremos com A ≠ B. C = { 0; 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9 }
Exemplos .
Resposta: 1024
a) {a;e;i;o;u} = {a;e;i;o;u}
b) {a;e;i;o,u} = {i;u;o,e;a} 3. Determine o número de subconjuntos do conjunto
c) {a;e;i;o;u} = {a;a;e;i;i;i;o;u;u} 1 1 1 2 3 3
d) {a;e;i;o;u} ≠ {a;e;i;o} C=  ; ; ; ; ; 
2
e) { x | x = 100} = {10; -10} 2 3 4 4 4 5 
2
f) { x | x = 400} ≠ {20}
Resposta: 32
7 Subconjuntos de um conjunto
B) OPERAÇÕES COM CONJUNTOS
Dizemos que um conjunto A é um subconjunto de
um conjunto B se todo elemento, que pertencer a A, 1 União de conjuntos
também pertencer a B.
Dados dois conjuntos A e B, chamamos união ou
Neste caso, usando os diagramas de Euler-Venn, o reunião de A com B, e indicamos com A ∩ B, ao con-
conjunto A estará "totalmente dentro" do conjunto B : junto constituído por todos os elementos que perten-
cem a A ou a B.

Usando os diagramas de Euler-Venn, e


representando com hachuras a interseção dos
conjuntos, temos:

Indicamos que A é um subconjunto de B de duas


maneiras:

a) A ⊂ B; que deve ser lido : A é subconjunto de


B ou A está contido em B ou A é parte de B;
b) B ⊃ A; que deve ser lido: B contém A ou B
inclui A. Exemplos

Exemplo a) {a;b;c} U {d;e}= {a;b;c;d;e}


b) {a;b;c} U {b;c;d}={a;b;c;d}

Matemática 3 A Opção Certa Para a Sua Realização


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c) {a;b;c} U {a;c}={a;b;c}

2 Intersecção de conjuntos

Dados dois conjuntos A e B, chamamos de interse-


ção de A com B, e indicamos com A ∩ B, ao conjunto
constituído por todos os elementos que pertencem a A
e a B.

Usando os diagramas de Euler-Venn, e


representando com hachuras a intersecção dos
conjuntos, temos: .Resolução

Exemplos
a) {a;b;c} ∩ {d;e} = ∅
b) {a;b;c} ∩ {b;c,d} = {b;c}
c) {a;b;c} ∩ {a;c} = {a;c}

Quando a intersecção de dois conjuntos é vazia,


como no exemplo a, dizemos que os conjuntos são
disjuntos.

Exercícios resolvidos

1. Sendo A = ( x; y; z ); B = ( x; w; v ) e C = ( y; u; t 3. No diagrama seguinte temos:


), determinar os seguintes conjuntos: n(A) = 20
a) A ∪ B f) B ∩ C n(B) = 30
b) A ∩ B g) A ∪ B ∪ C n(A ∩ B) = 5
c) A ∪ C h) A ∩ B ∩ C
d) A ∩ C i) (A ∩ B) U (A ∩ C)
e) B ∪ C Determine n(A ∪ B).
Resolução
Resolução
a) A ∪ B = {x; y; z; w; v }
b) A ∩ B = {x }
c) A ∪ C = {x; y;z; u; t }
d) A ∩ C = {y }
e) B ∪ C={x;w;v;y;u;t}
f) B ∩ C= ∅ Se juntarmos, aos 20 elementos de A, os 30
g) A ∪ B ∪ C= {x;y;z;w;v;u;t} elementos de B, estaremos considerando os 5
elementos de A n B duas vezes; o que, evidentemente,
h) A ∩ B ∩ C= ∅
é incorreto; e, para corrigir este erro, devemos subtrair
i) (A ∩ B) ∪ u (A ∩ C)={x} ∪ {y}={x;y}
uma vez os 5 elementos de A n B; teremos então:
2. Dado o diagrama seguinte, represente com n(A ∪ B) = n(A) + n(B) - n(A ∩ B) ou seja:
hachuras os conjuntos: :
n(A ∪ B) = 20 + 30 – 5 e então:
a) A ∩ B ∩ C
b) (A ∩ B) ∪ (A ∩ C)
n(A ∪ B) = 45.

4 Conjunto complementar

Dados dois conjuntos A e B, com B ⊂ A,


chamamos de conjunto complementar de B em relação
a A, e indicamos com CA B, ao conjunto A - B.

Matemática 4 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Observação: O complementar é um caso particular
de diferença em que o segundo conjunto é subconjunto símbolo ou usualmente representa este
do primeiro. conjunto.

Usando os diagramas de Euler-Venn, e 5. Números reais incluem os números algébricos


representando com hachuras o complementar de B em e os números transcendentais. O símbolo
relação a A, temos: usualmente representa este conjunto.

6. Números imaginários aparecem como soluções


2
de equações como x + r = 0 onde r > 0. O símbolo
usualmente representa este conjunto.

7. Números complexos é a soma dos números


reais e dos imaginários: . Aqui tanto r quanto s
podem ser iguais a zero; então os conjuntos dos
números reais e o dos imaginários são subconjuntos do
Exemplo: {a;b;c;d;e;f} - {b;d;e}= {a;c;f} conjunto dos números complexos. O símbolo
usualmente representa este conjunto.
Observação: O conjunto complementar de B
em relação a A é formado pelos elementos que
faltam para "B chegar a A"; isto é, para B se
igualar a A.
NÚMEROS NATURAIS, INTEIROS, RACIONAIS,
IRRACIONAIS E REAIS.
Exercícios resolvidos:
Conjuntos numéricos podem ser representados de
4. Sendo A = { x; y; z } , B = { x; w; v } e C = { y; diversas formas. A forma mais simples é dar um nome
u; t }, determinar os seguintes conjuntos: ao conjunto e expor todos os seus elementos, um ao
lado do outro, entre os sinais de chaves. Veja o exem-
A–B C-A plo abaixo:
B–A B–C A = {51, 27, -3}
A–C C–B
Esse conjunto se chama "A" e possui três termos,
Resolução que estão listados entre chaves.
a) A - B = { y; z } Os nomes dos conjuntos são sempre letras maiús-
b) B - A= {w;v} culas. Quando criamos um conjunto, podemos utilizar
c) A - C= {x;z} qualquer letra.
d) C – A = {u;t}
e) B – C = {x;w;v} Vamos começar nos primórdios da matemática.
f) C – B = {y;u;t} - Se eu pedisse para você contar até 10, o que você
me diria?
Exemplos de conjuntos compostos por números - Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove
e dez.
Nota: Nesta seção, a, b e c são números naturais,
enquanto r e s são números reais. Pois é, estes números que saem naturalmente de
sua boca quando solicitado, são chamados de números
1. Números naturais são usados para contar. O NATURAIS, o qual é representado pela letra .
símbolo usualmente representa este conjunto.
Foi o primeiro conjunto inventado pelos homens, e
2. Números inteiros aparecem como soluções de tinha como intenção mostrar quantidades.
*Obs.: Originalmente, o zero não estava incluído
equações como x + a = b. O símbolo usualmente
neste conjunto, mas pela necessidade de representar
representa este conjunto (do termo alemão Zahlen que
uma quantia nula, definiu-se este número como sendo
significa números).
pertencente ao conjunto dos Naturais. Portanto:
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ...}
3. Números racionais aparecem como soluções
de equações como a + bx = c. O símbolo Obs.2: Como o zero originou-se depois dos outros
usualmente representa este conjunto (da palavra números e possui algumas propriedades próprias, al-
quociente). gumas vezes teremos a necessidade de representar o
conjunto dos números naturais sem incluir o zero. Para
4. Números algébricos aparecem como soluções isso foi definido que o símbolo * (asterisco) empregado
de equações polinomiais (com coeficientes inteiros) e ao lado do símbolo do conjunto, iria representar a au-
envolvem raízes e alguns outros números irracionais. O sência do zero. Veja o exemplo abaixo:
N* = {1, 2, 3, 4, 5, 6, ...}

Matemática 5 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Estes números foram suficientes para a sociedade Conjunto dos Números Naturais
durante algum tempo. Com o passar dos anos, e o São todos os números inteiros positivos, incluindo o
aumento das "trocas" de mercadorias entre os homens, zero. É representado pela letra maiúscula N.
foi necessário criar uma representação numérica para Caso queira representar o conjunto dos números natu-
as dívidas. rais não-nulos (excluindo o zero), deve-se colocar um *
ao lado do N:
Com isso inventou-se os chamados "números nega- N = {0,1,2,3,4,5,6,7,8,9,10, ...}
tivos", e junto com estes números, um novo conjunto: o N* = {1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11, ...}
conjunto dos números inteiros, representado pela letra
. Conjunto dos Números Inteiros
São todos os números que pertencem ao conjunto
O conjunto dos números inteiros é formado por to- dos Naturais mais os seus respectivos opostos (negati-
dos os números NATURAIS mais todos os seus repre- vos).
sentantes negativos.
São representados pela letra Z:
Note que este conjunto não possui início nem fim Z = {... -4, -3, -2, -1, 0, 1, 2, 3, 4, ...}
(ao contrário dos naturais, que possui um início e não
possui fim). O conjunto dos inteiros possui alguns subconjuntos,
eles são:
Assim como no conjunto dos naturais, podemos re-
presentar todos os inteiros sem o ZERO com a mesma - Inteiros não negativos
notação usada para os NATURAIS. São todos os números inteiros que não são negati-
Z* = {..., -2, -1, 1, 2, ...} vos. Logo percebemos que este conjunto é igual ao
conjunto dos números naturais.
Em algumas situações, teremos a necessidade de
representar o conjunto dos números inteiros que NÃO É representado por Z+:
SÃO NEGATIVOS. Z+ = {0,1,2,3,4,5,6, ...}

Para isso emprega-se o sinal "+" ao lado do símbolo - Inteiros não positivos
do conjunto (vale a pena lembrar que esta simbologia São todos os números inteiros que não são positi-
representa os números NÃO NEGATIVOS, e não os vos. É representado por Z-:
números POSITIVOS, como muita gente diz). Veja o Z- = {..., -5, -4, -3, -2, -1, 0}
exemplo abaixo:
Z+ = {0,1, 2, 3, 4, 5, ...} - Inteiros não negativos e não-nulos
É o conjunto Z+ excluindo o zero. Representa-se es-
Obs.1: Note que agora sim este conjunto possui um se subconjunto por Z*+:
início. E você pode estar pensando "mas o zero não é Z*+ = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, ...}
positivo". O zero não é positivo nem negativo, zero é Z*+ = N*
NULO.
- Inteiros não positivos e não nulos
Ele está contido neste conjunto, pois a simbologia São todos os números do conjunto Z- excluindo o
do sinalzinho positivo representa todos os números zero. Representa-se por Z*-.
NÃO NEGATIVOS, e o zero se enquadra nisto. Z*- = {... -4, -3, -2, -1}

Se quisermos representar somente os positivos (ou Conjunto dos Números Racionais


seja, os não negativos sem o zero), escrevemos: Os números racionais é um conjunto que engloba
Z*+ = {1, 2, 3, 4, 5, ...} os números inteiros (Z), números decimais finitos (por
exemplo, 743,8432) e os números decimais infinitos
Pois assim teremos apenas os positivos, já que o periódicos (que repete uma sequência de algarismos
zero não é positivo. da parte decimal infinitamente), como "12,050505...",
são também conhecidas como dízimas periódicas.
Ou também podemos representar somente os intei-
ros NÃO POSITIVOS com: Os racionais são representados pela letra Q.
Z - ={...,- 4, - 3, - 2, -1 , 0}
Conjunto dos Números Irracionais
É formado pelos números decimais infinitos não-
Obs.: Este conjunto possui final, mas não possui i- periódicos. Um bom exemplo de número irracional é o
nício. número PI (resultado da divisão do perímetro de uma
circunferência pelo seu diâmetro), que vale 3,14159265
E também os inteiros negativos (ou seja, os não po- .... Atualmente, supercomputadores já conseguiram
sitivos sem o zero): calcular bilhões de casas decimais para o PI.
Z*- ={...,- 4, - 3, - 2, -1}
Também são irracionais todas as raízes não exatas,
Assim: como a raiz quadrada de 2 (1,4142135 ...)
Matemática 6 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
4+3=7
Conjunto dos Números Reais
É formado por todos os conjuntos citados anterior- EXPRESSÕES NUMÉRICAS
mente (união do conjunto dos racionais com os irracio-
nais). Para calcular o valor de uma expressão numérica
envolvendo adição e subtração, efetuamos essas ope-
Representado pela letra R. rações na ordem em que elas aparecem na expressão.

Representação geométrica de Exemplos: 35 – 18 + 13 =


A cada ponto de uma reta podemos associar um ú- 17 + 13 = 30
nico número real, e a cada número real podemos asso- Veja outro exemplo: 47 + 35 – 42 – 15 =
ciar um único ponto na reta. 82 – 42 – 15=
Dizemos que o conjunto é denso, pois entre dois 40 – 15 = 25
números reais existem infinitos números reais (ou seja,
na reta, entre dois pontos associados a dois números Quando uma expressão numérica contiver os sinais
reais, existem infinitos pontos). de parênteses ( ), colchetes [ ] e chaves { }, procede-
remos do seguinte modo:
Veja a representação na reta de : 1º Efetuamos as operações indicadas dentro dos
parênteses;
2º efetuamos as operações indicadas dentro dos
colchetes;
3º efetuamos as operações indicadas dentro das
chaves.
Fonte:
http://www.infoescola.com/matematica/conjuntos- 1) 35 +[ 80 – (42 + 11) ] =
numericos/ = 35 + [ 80 – 53] =
= 35 + 27 = 62
CONJUNTO DOS NÚMEROS NATURAIS (N)
2) 18 + { 72 – [ 43 + (35 – 28 + 13) ] } =
ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO = 18 + { 72 – [ 43 + 20 ] } =
Veja a operação: 2 + 3 = 5 . = 18 + { 72 – 63} =
A operação efetuada chama-se adição e é indicada = 18 + 9 = 27
escrevendo-se o sinal + (lê-se: “mais") entre os núme-
ros. CÁLCULO DO VALOR DESCONHECIDO

Os números 2 e 3 são chamados parcelas. 0 núme- Quando pretendemos determinar um número natu-
ro 5, resultado da operação, é chamado soma. ral em certos tipos de problemas, procedemos do se-
2 → parcela guinte modo:
+ 3 → parcela - chamamos o número (desconhecido) de x ou
5 → soma qualquer outra incógnita ( letra )
- escrevemos a igualdade correspondente
- calculamos o seu valor
A adição de três ou mais parcelas pode ser efetua-
da adicionando-se o terceiro número à soma dos dois
Exemplos:
primeiros ; o quarto número à soma dos três primeiros
1) Qual o número que, adicionado a 15, é igual a 31?
e assim por diante.
3+2+6 = Solução:
5 + 6 = 11 Seja x o número desconhecido. A igualdade cor-
respondente será:
Veja agora outra operação: 7 – 3 = 4 x + 15 = 31

Quando tiramos um subconjunto de um conjunto, Calculando o valor de x temos:


realizamos a operação de subtração, que indicamos x + 15 = 31
pelo sinal - . x + 15 – 15 = 31 – 15
7 → minuendo x = 31 – 15
–3 → subtraendo x = 16
4 → resto ou diferença
Na prática , quando um número passa de um lado
0 minuendo é o conjunto maior, o subtraendo o sub- para outro da igualdade ele muda de sinal.
conjunto que se tira e o resto ou diferença o conjunto
que sobra. 2) Subtraindo 25 de um certo número obtemos 11.
Qual é esse número?
Somando a diferença com o subtraendo obtemos o
minuendo. Dessa forma tiramos a prova da subtração. Solução:

Matemática 7 A Opção Certa Para a Sua Realização


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Seja x o número desconhecido. A igualdade corres- - efetuamos as multiplicações
pondente será: - efetuamos as adições e subtrações, na ordem
x – 25 = 11 em que aparecem.
x = 11 + 25
x = 36 1) 3.4 + 5.8– 2.9=
=12 + 40 – 18
Passamos o número 25 para o outro lado da igual- = 34
dade e com isso ele mudou de sinal.
2) 9 . 6 – 4 . 12 + 7 . 2 =
3) Qual o número natural que, adicionado a 8, é i- = 54 – 48 + 14 =
gual a 20? = 20
Solução:
x + 8 = 20 Não se esqueça:
x = 20 – 8 Se na expressão ocorrem sinais de parênteses col-
x = 12 chetes e chaves, efetuamos as operações na ordem
em que aparecem:
4) Determine o número natural do qual, subtraindo 1º) as que estão dentro dos parênteses
62, obtemos 43. 2º) as que estão dentro dos colchetes
Solução: 3º) as que estão dentro das chaves.
x – 62 = 43
x = 43 + 62 Exemplo:
x = 105 22 + {12 +[ ( 6 . 8 + 4 . 9 ) – 3 . 7] – 8 . 9 }
= 22 + { 12 + [ ( 48 + 36 ) – 21] – 72 } =
Para sabermos se o problema está correto é sim- = 22 + { 12 + [ 84 – 21] – 72 } =
ples, basta substituir o x pelo valor encontrado e reali- = 22 + { 12 + 63 – 72 } =
zarmos a operação. No último exemplo temos: = 22 + 3 =
x = 105 = 25
105 – 62 = 43
DIVISÃO
MULTIPLICAÇÃO
Observe a operação: 30 : 6 = 5
Observe: 4 X 3 =12
Também podemos representar a divisão das se-
A operação efetuada chama-se multiplicação e é in- guintes maneiras:
dicada escrevendo-se um ponto ou o sinal x entre os 30
números. 30 6 ou =5
6
Os números 3 e 4 são chamados fatores. O número 0 5
12, resultado da operação, é chamado produto.
3 X 4 = 12 O dividendo (D) é o número de elementos do con-
junto que dividimos o divisor (d) é o número de elemen-
3 fatores tos do subconjunto pelo qual dividimos o dividendo e o
X 4 quociente (c) é o número de subconjuntos obtidos com
12 produto a divisão.

Por convenção, dizemos que a multiplicação de Essa divisão é exata e é considerada a operação
qualquer número por 1 é igual ao próprio número. inversa da multiplicação.
SE 30 : 6 = 5, ENTÃO 5 x 6 = 30
A multiplicação de qualquer número por 0 é igual a 0.
observe agora esta outra divisão:
A multiplicação de três ou mais fatores pode ser efe-
tuada multiplicando-se o terceiro número pelo produto 32 6
dos dois primeiros; o quarto numero pelo produto dos 2 5
três primeiros; e assim por diante. 32 = dividendo
3 x 4 x 2 x 5 = 6 = divisor
5 = quociente
12 x 2 x 5
2 = resto
24 x 5 = 120
Essa divisão não é exata e é chamada divisão apro-
EXPRESSÕES NUMÉRICAS ximada.

Sinais de associação ATENÇÃO:


O valor das expressões numéricas envolvendo as 1) Na divisão de números naturais, o quociente é
operações de adição, subtração e multiplicação é obti- sempre menor ou igual ao dividendo.
do do seguinte modo: 2) O resto é sempre menor que o divisor.
Matemática 8 A Opção Certa Para a Sua Realização
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3) O resto não pode ser igual ou maior que o divi- 3 x = 18 + 12
sor. 3 x = 30
4) O resto é sempre da mesma espécie do divi- x = 30 : 3
dendo. Exemplo: dividindo-se laranjas por certo x = 10
número, o resto será laranjas.
5) É impossível dividir um número por 0 (zero), 9) Dividindo 1736 por um número natural, encon-
porque não existe um número que multiplicado tramos 56. Qual o valor deste numero natural?
por 0 dê o quociente da divisão. 1736 : x = 56
1736 = 56 . x
PROBLEMAS 56 . x = 1736
x. 56 = 1736
1) Determine um número natural que, multiplica- x = 1736 : 56
do por 17, resulte 238. x = 31
X . 17 = 238
X = 238 : 17 10) O dobro de um número é igual a 30. Qual é o
X = 14 número?
Prova: 14 . 17 = 238 2 . x = 30
2x = 30
2) Determine um número natural que, dividido x = 30 : 2
por 62, resulte 49. x = 15
x : 62 = 49
x = 49 . 62 11) O dobro de um número mais 4 é igual a 20.
x = 3038 Qual é o número ?
2 . x + 4 = 20
3) Determine um número natural que, adicionado 2 x = 20 – 4
a 15, dê como resultado 32 2 x = 16
x + 15 = 32 x = 16 : 2
x = 32 – 15 x=8
x =17
12) Paulo e José têm juntos 12 lápis. Paulo tem o
4) Quanto devemos adicionar a 112, a fim de ob- dobro dos lápis de José. Quantos lápis tem
termos 186? cada menino?
x + 112 = 186 José: x
x = 186 – 112 Paulo: 2x
x = 74 Paulo e José: x + x + x = 12
3x = 12
5) Quanto devemos subtrair de 134 para obter- x = 12 : 3
mos 81? x=4
134 – x = 81 José: 4 - Paulo: 8
– x = 81 – 134
– x = – 53 (multiplicando por –1) 13) A soma de dois números é 28. Um é o triplo
x = 53 do outro. Quais são esses números?
Prova: 134 – 53 = 81 um número: x
o outro número: 3x
6) Ricardo pensou em um número natural, adi- x + x + x + x = 28 (os dois números)
cionou-lhe 35, subtraiu 18 e obteve 40 no re- 4 x = 28
sultado. Qual o número pensado? x = 28 : 4
x + 35 – 18 = 40 x = 7 (um número)
x= 40 – 35 + 18
x = 23 3x = 3 . 7 = 21 (o outro número).
Prova: 23 + 35 – 18 = 40 Resposta: 7 e 21

7) Adicionando 1 ao dobro de certo número ob- 14) Pedro e Marcelo possuem juntos 30 bolinhas.
temos 7. Qual é esse numero? Marcelo tem 6 bolinhas a mais que Pedro.
2 . x +1 = 7 Quantas bolinhas tem cada um?
2x = 7 – 1 Pedro: x
2x = 6 Marcelo: x + 6
x =6:2 x + x + 6 = 30 ( Marcelo e Pedro)
x =3 2 x + 6 = 30
O número procurado é 3. 2 x = 30 – 6
Prova: 2. 3 +1 = 7 2 x = 24
x = 24 : 2
8) Subtraindo 12 do triplo de certo número obte- x = 12 (Pedro)
mos 18. Determinar esse número. Marcelo: x + 6 =12 + 6 =18
3 . x -12 = 18

Matemática 9 A Opção Certa Para a Sua Realização


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EXPRESSÕES NUMÉRICAS ENVOLVENDO AS am . an = a m + n
2 8 2+8
QUATRO OPERAÇÕES Exemplos: 3 . 3 = 3 = 310
6 1+6 7
5.5 = 5 =5
Sinais de associação: 2ª) para dividir potências de mesma base, conser-
O valor das expressões numéricas envolvendo as va-se a base e subtraem-se os expoentes.
quatro operações é obtido do seguinte modo:
- efetuamos as multiplicações e as divisões, na
am : an = am - n
Exemplos:
ordem em que aparecem;
- efetuamos as adições e as subtrações, na ordem 37 : 33 = 3 7 – 3 = 34
em que aparecem; 510 : 58 = 5 10 – 8 = 52
3ª) para elevar uma potência a um outro expoente,
Exemplo 1) 3 .15 + 36 : 9 = conserva-se base e multiplicam-se os expoen-
= 45 + 4 tes.
2 4 2.4
= 49 Exemplo: (3 ) = 3 = 38
Exemplo 2) 18 : 3 . 2 + 8 – 6 . 5 : 10 = 4ª) para elevar um produto a um expoente, eleva-
= 6 . 2 + 8 – 30 : 10 = se cada fator a esse expoente.
= 12 + 8 – 3 = (a. b)m = am . bm
= 20 – 3
3 3 3
= 17 Exemplos: (4 . 7) = 4 . 7 ; (3. 5)2 = 32 . 52

POTENCIAÇÃO RADICIAÇÃO

Considere a multiplicação: 2 . 2 . 2 em que os três Suponha que desejemos determinar um número


fatores são todos iguais a 2. que, elevado ao quadrado, seja igual a 9. Sendo x esse
2
número, escrevemos: X = 9
Esse produto pode ser escrito ou indicado na forma
3
2 (lê-se: dois elevado à terceira potência), em que o 2 De acordo com a potenciação, temos que x = 3, ou
2
é o fator que se repete e o 3 corresponde à quantidade seja: 3 = 9
desses fatores.
A operação que se realiza para determinar esse
3 número 3 é chamada radiciação, que é a operação
Assim, escrevemos: 2 = 2 . 2 . 2 = 8 (3 fatores)
inversa da potenciação.
A operação realizada chama-se potenciação.
O número que se repete chama-se base. Indica-se por:
O número que indica a quantidade de fatores iguais 2
9 =3 (lê-se: raiz quadrada de 9 é igual a 3)
a base chama-se expoente.
O resultado da operação chama-se potência. Daí , escrevemos:
3
2 = 8
3 expoente
2
9 = 3 ⇔ 32 = 9

base potência Na expressão acima, temos que:


- o símbolo chama-se sinal da raiz
Observações: - o número 2 chama-se índice
1) os expoentes 2 e 3 recebem os nomes especi- - o número 9 chama-se radicando
ais de quadrado e cubo, respectivamente. - o número 3 chama-se raiz,
2) As potências de base 0 são iguais a zero. 02 = - o símbolo 2
9 chama-se radical
0.0=0
3) As potências de base um são iguais a um. As raízes recebem denominações de acordo com o
3
Exemplos: 1 = 1 . 1 . 1 = 1 índice. Por exemplo:
15 = 1 . 1 . 1 . 1 . 1 = 1 2
36 raiz quadrada de 36
4) Por convenção, tem-se que:
0
- a potência de expoente zero é igual a 1 (a = 1, 3
125 raiz cúbica de 125
a ≠ 0) 4
raiz quarta de 81
30 = 1 ; 50 = 1 ; 120 = 1
81
1
- a potência de expoente um é igual à base (a = 5
32 raiz quinta de 32 e assim por diante
a)
21 = 2 ; 71 = 7 ; 1001 =100 No caso da raiz quadrada, convencionou-se não es-
crever o índice 2.
PROPRIEDADES DAS POTÊNCIAS
Exemplo : 2 49 = 49 = 7, pois 72 = 49
1ª) para multiplicar potências de mesma base,
conserva-se a base e adicionam-se os expoen- EXERCÍCIOS
tes.
01) Calcule:

Matemática 10 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
a) 10 – 10 : 5 = b) 45 : 9 + 6 = coube a cada um? (16)
c) 20 + 40 : 10 = d) 9. 7 – 3 =
e) 30 : 5 + 5 = f) 6 . 15 – 56 : 4 = 14) A diferença entre dois números naturais é zero
g) 63 : 9 . 2 – 2 = h) 56 – 34 : 17 . 19 = e a sua soma é 30. Quais são esses números?
i) 3 . 15 : 9 + 54 :18 = j) 24 –12 : 4+1. 0 = (15)

Respostas: 15) Um aluno ganha 5 pontos por exercício que a-


a) 8 b) 11 certa e perde 3 pontos por exercício que erra.
c) 24 d) 60 Ao final de 50 exercícios tinha 130 pontos.
e) 11 f) 76 Quantos exercícios acertou? (35)
g) 12 h) 18
i) 8 j) 21 16) Um edifício tem 15 andares; cada andar, 30 sa-
las; cada sala, 3 mesas; cada mesa, 2 gavetas;
02) Calcule o valor das expressões: cada gaveta, 1 chave. Quantas chaves diferen-
3 2
a) 2 +3 = tes serão necessárias para abrir todas as gave-
2 2
b) 3.5 –7 = tas? (2700).
3 3
c) 2 . 3 – 4. 2 =
3 2 2
d) 5 –3 .6 +2 –1= 17) Se eu tivesse 3 dúzias de balas a mais do que
2 4 2
e) (2 + 3) + 2 . 3 – 15 : 5 = tenho, daria 5 e ficaria com 100. Quantas balas
2 4 2
f) 1 + 7 – 3 . 2 + (12 : 4) = tenho realmente? (69)

Respostas: 18) A soma de dois números é 428 e a diferença


a) 17 b) 26 entre eles é 34. Qual é o número maior? (231)
c) 22 d) 20
e) 142 f) 11 19) Pensei num número e juntei a ele 5, obtendo 31.
Qual é o número? (26)
03) Uma indústria de automóveis produz, por dia,
1270 unidades. Se cada veículo comporta 5 20) Qual o número que multiplicado por 7 resulta
pneus, quantos pneus serão utilizados ao final 56? (8)
de 30 dias? (Resposta: 190.500)
21) O dobro das balas que possuo mais 10 é 36.
04) Numa divisão, o divisor é 9,o quociente é 12 e o Quantas balas possuo? (13).
resto é 5. Qual é o dividendo? (113)
22) Raul e Luís pescaram 18 peixinhos. Raul
05) Numa divisão, o dividendo é 227, o divisor é 15 pescou o dobro de Luís. Quanto pescou cada
e o resto é 2. Qual é o quociente? (15) um? (Raul-12 e Luís-6)

06) Numa divisão, o dividendo é 320, o quociente é PROBLEMAS


45 e o resto é 5. Qual é o divisor? (7)
Vamos calcular o valor de x nos mais diversos ca-
07) Num divisão, o dividendo é 625, o divisor é 25 e sos:
o quociente é 25. Qual ê o resto? (0)
1) x + 4 = 10
08) Numa chácara havia galinhas e cabras em igual Obtêm-se o valor de x, aplicando a operação inver-
quantidade. Sabendo-se que o total de pés des- sa da adição:
ses animais era 90, qual o número de galinhas? x = 10 – 4
Resposta: 15 ( 2 pés + 4 pés = 6 pés ; 90 : 6 = x=6
15).
2) 5x = 20
09) O dobro de um número adicionado a 3 é igual a Aplicando a operação inversa da multiplicação, te-
13. Calcule o número.(5) mos:
x = 20 : 5
10) Subtraindo 12 do quádruplo de um número ob- x=4
temos 60. Qual é esse número (Resp: 18)
3) x – 5 = 10
11) Num joguinho de "pega-varetas", André e Rena- Obtêm-se o valor de x, aplicando a operação inver-
to fizeram 235 pontos no total. Renato fez 51 sa da subtração:
pontos a mais que André. Quantos pontos fez x = 10 + 5
cada um? ( André-92 e Renato-143) x =15

12) Subtraindo 15 do triplo de um número obtemos 4) x : 2 = 4


39. Qual é o número? (18) Aplicando a operação inversa da divisão, temos:
x=4.2
13) Distribuo 50 balas, em iguais quantidades, a 3 x=8
amigos. No final sobraram 2. Quantas balas
Matemática 11 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
x = 2100 : 7
COMO ACHAR O VALOR DESCONHECIDO EM UM x = 300
PROBLEMA 300 . 2 = 600
300 . 4 =1200
Usando a letra x para representar um número, po- Resposta: R$ 300,00; R$ 600,00; R$ 1200,00
demos expressar, em linguagem matemática, fatos e
sentenças da linguagem corrente referentes a esse PROBLEMA 5
número, observe: A soma das idades de duas pessoas é 40 anos. A
- duas vezes o número 2.x idade de uma é o triplo da idade da outra. Qual a i-
dade de cada uma?
- o número mais 2 x+2 Solução:
3x + x = 40
x
- a metade do número 4x = 40
2 x = 40 : 4
- a soma do dobro com a metade do número x = 10
x 3 . 10 = 30
2⋅ x + Resposta: 10 e 30 anos.
2
x PROBLEMA 6
- a quarta parte do número
4 A soma das nossas idades é 45 anos. Eu sou 5 a-
nos mais velho que você. Quantos anos eu tenho?
PROBLEMA 1 x + x + 5 = 45
Vera e Paula têm juntas R$ 1.080,00. Vera tem o x + x= 45 – 5
triplo do que tem Paula. Quanto tem cada uma? 2x = 40
Solução: x = 20
x + 3x = 1080 20 + 5 = 25
4x= 1080 Resposta: 25 anos
x =1080 : 4
x= 270 PROBLEMA 7
3 . 270 = 810 Sua bola custou R$ 10,00 menos que a minha.
Resposta: Vera – R$ 810,00 e Paula – R$ 270,00 Quanto pagamos por elas, se ambas custaram R$
150,00?
PROBLEMA 2 Solução:
Paulo foi comprar um computador e uma bicicleta. x + x – 10= 150
Pagou por tudo R$ 5.600,00. Quanto custou cada 2x = 150 + 10
um, sabendo-se que a computador é seis vezes 2x = 160
mais caro que a bicicleta? x = 160 : 2
Solução: x = 80
x + 6x = 5600 80 – 10 = 70
7x = 5600 Resposta: R$ 70,00 e R$ 80,00
x = 5600 : 7
x = 800 PROBLEMA 8
6 . 800= 4800 José tem o dobro do que tem Sérgio, e Paulo tanto
R: computador – R$ 4.800,00 e bicicleta R$ 800,00 quanto os dois anteriores juntos. Quanto tem cada
um, se os três juntos possuem R$ 624,00?
PROBLEMA 3 Solução: x + 2x + x + 2x = 624
Repartir 21 cadernos entre José e suas duas irmãs, 6x = 624
de modo que cada menina receba o triplo do que x = 624 : 6
recebe José. Quantos cadernos receberá José? x = 104
Solução: Resposta:S-R$ 104,00; J-R$ 208,00; P- R$ 312,00
x + 3x + 3x = 21
7x = 21 PROBLEMA 9
x = 21 : 7 Se eu tivesse 4 rosas a mais do que tenho, poderia
x =3 dar a você 7 rosas e ainda ficaria com 2. Quantas
Resposta: 3 cadernos rosas tenho?
Solução: x+4–7 = 2
PROBLEMA 4 x+4 =7+2
Repartir R$ 2.100,00 entre três irmãos de modo que x+4 =9
o 2º receba o dobro do que recebe o 1º , e o 3º o x =9–4
dobro do que recebe o 2º. Quanto receberá cada x =5
um? Resposta: 5
Solução:
x + 2x + 4x = 2100 CONJUNTO DOS NÚMEROS INTEIROS (Z)
7x = 2100

Matemática 12 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
Conhecemos o conjunto N dos números naturais: N A soma de três ou mais números inteiros é efetuada
= {0, 1, 2, 3, 4, 5, .....,} adicionando-se todos os números positivos e todos os
negativos e, em seguida, efetuando-se a soma do nú-
Assim, os números precedidos do sinal + chamam- mero negativo.
se positivos, e os precedidos de - são negativos.
Exemplos: 1) (+6) + (+3) + (-6) + (-5) + (+8) =
Exemplos: (+17) + (-11) = +6
Números inteiros positivos: {+1, +2, +3, +4, ....}
Números inteiros negativos: {-1, -2, -3, -4, ....} 2) (+3) + (-4) + (+2) + (-8) =
(+5) + (-12) = -7
O conjunto dos números inteiros relativos é formado
pelos números inteiros positivos, pelo zero e pelos nú- PROPRIEDADES DA ADIÇÃO
meros inteiros negativos. Também o chamamos de A adição de números inteiros possui as seguintes
CONJUNTO DOS NÚMEROS INTEIROS e o represen- propriedades:
tamos pela letra Z, isto é: Z = {..., -3, -2, -1, 0, +1,
+2, +3, ... } 1ª) FECHAMENTO
A soma de dois números inteiros é sempre um nú-
O zero não é um número positivo nem negativo. To- mero inteiro: (-3) + (+6) = + 3 ∈ Z
do número positivo é escrito sem o seu sinal positivo.
2ª) ASSOCIATIVA
Exemplo: + 3 = 3 ; +10 = 10 Se a, b, c são números inteiros quaisquer, então: a
Então, podemos escrever: Z = {..., -3, -2, -1, 0 , + (b + c) = (a + b) + c
1, 2, 3, ...}
Exemplo:(+3) +[(-4) + (+2)] = [(+3) + (-4)] + (+2)
N é um subconjunto de Z. (+3) + (-2) = (-1) + (+2)
+1 = +1
REPRESENTAÇÃO GEOMÉTRICA
Cada número inteiro pode ser representado por um 3ª) ELEMENTO NEUTRO
ponto sobre uma reta. Por exemplo: Se a é um número inteiro qualquer, temos: a+ 0 = a
e0+a=a

... -3 -2 -1 0 +1 +2 +3 +4 ... Isto significa que o zero é elemento neutro para a


... C’ B’ A’ 0 A B C D ... adição.

Ao ponto zero, chamamos origem, corresponde o Exemplo: (+2) + 0 = +2 e 0 + (+2) = +2


número zero.
4ª) OPOSTO OU SIMÉTRICO
Nas representações geométricas, temos à direita do Se a é um número inteiro qualquer, existe um único
zero os números inteiros positivos, e à esquerda do número oposto ou simétrico representado por (-a),
zero, os números inteiros negativos. tal que: (+a) + (-a) = 0 = (-a) + (+a)

Observando a figura anterior, vemos que cada pon- Exemplos: (+5) + ( -5) = 0 ( -5) + (+5) = 0
to é a representação geométrica de um número inteiro.
5ª) COMUTATIVA
Exemplos: Se a e b são números inteiros, então:
 ponto C é a representação geométrica do núme- a+b=b+a
ro +3
 ponto B' é a representação geométrica do núme- Exemplo: (+4) + (-6) = (-6) + (+4)
ro -2 -2 = -2

ADIÇÃO DE DOIS NÚMEROS INTEIROS SUBTRAÇÃO DE NÚMEROS INTEIROS


1) A soma de zero com um número inteiro é o pró- Em certo local, a temperatura passou de -3ºC para
prio número inteiro: 0 + (-2) = -2 5ºC, sofrendo, portanto, um aumento de 8ºC, aumento
2) A soma de dois números inteiros positivos é um esse que pode ser representado por: (+5) - (-3) = (+5) +
número inteiro positivo igual à soma dos módulos (+3) = +8
dos números dados: (+700) + (+200) = +900
3) A soma de dois números inteiros negativos é um Portanto:
número inteiro negativo igual à soma dos módu- A diferença entre dois números dados numa certa
los dos números dados: (-2) + (-4) = -6 ordem é a soma do primeiro com o oposto do segundo.
4) A soma de dois números inteiros de sinais contrá-
rios é igual à diferença dos módulos, e o sinal é Exemplos: 1) (+6) - (+2) = (+6) + (-2 ) = +4
o da parcela de maior módulo: (-800) + (+300) = 2) (-8 ) - (-1 ) = (-8 ) + (+1) = -7
-500 3) (-5 ) - (+2) = (-5 ) + (-2 ) = -7

ADIÇÃO DE TRÊS OU MAIS NÚMEROS INTEIROS Na prática, efetuamos diretamente a subtração, eli-
Matemática 13 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
minando os parênteses gual a 0: (+5) . 0 = 0
- (+4 ) = -4
- ( -4 ) = +4 PRODUTO DE TRÊS OU MAIS NÚMEROS IN-
TEIROS
Observação: Exemplos: 1) (+5 ) . ( -4 ) . (-2 ) . (+3 ) =
Permitindo a eliminação dos parênteses, os sinais (-20) . (-2 ) . (+3 ) =
podem ser resumidos do seguinte modo: (+40) . (+3 ) = +120
(+)=+ +(-)=- 2) (-2 ) . ( -1 ) . (+3 ) . (-2 ) =
- (+)=- - (- )=+ (+2 ) . (+3 ) . (-2 ) =
(+6 ) . (-2 ) = -12
Exemplos: - ( -2) = +2 +(-6 ) = -6
- (+3) = -3 +(+1) = +1 Podemos concluir que:
- Quando o número de fatores negativos é par, o
PROPRIEDADE DA SUBTRAÇÃO produto sempre é positivo.
A subtração possui uma propriedade. - Quando o número de fatores negativos é ímpar,
o produto sempre é negativo.
FECHAMENTO: A diferença de dois números intei-
ros é sempre um número inteiro. PROPRIEDADES DA MULTIPLICAÇÃO
No conjunto Z dos números inteiros são válidas as
MULTIPLICAÇÃO DE NÚMEROS INTEIROS seguintes propriedades:
1º CASO: OS DOIS FATORES SÃO NÚMEROS
INTEIROS POSITIVOS 1ª) FECHAMENTO
Exemplo: (+4 ) . (-2 ) = - 8 ∈ Z
Lembremos que: 3 . 2 = 2 + 2 + 2 = 6 Então o produto de dois números inteiros é inteiro.
Exemplo:
(+3) . (+2) = 3 . (+2) = (+2) + (+2) + (+2) = +6 2ª) ASSOCIATIVA
Logo: (+3) . (+2) = +6 Exemplo: (+2 ) . (-3 ) . (+4 )
Este cálculo pode ser feito diretamente, mas tam-
Observando essa igualdade, concluímos: na multi- bém podemos fazê-lo, agrupando os fatores de duas
plicação de números inteiros, temos: maneiras:
(+) . (+) =+ (+2 ) . [(-3 ) . (+4 )] = [(+2 ) . ( -3 )]. (+4 )
(+2 ) . (-12) = (-6 ) . (+4 )
2º CASO: UM FATOR É POSITIVO E O OUTRO É -24 = -24
NEGATIVO
Exemplos: De modo geral, temos o seguinte:
1) (+3) . (-4) = 3 . (-4) = (-4) + (-4) + (-4) = -12 Se a, b, c representam números inteiros quaisquer,
ou seja: (+3) . (-4) = -12 então: a . (b . c) = (a . b) . c

2) Lembremos que: -(+2) = -2 3ª) ELEMENTO NEUTRO


(-3) . (+5) = - (+3) . (+5) = -(+15) = - 15 Observe que:
ou seja: (-3) . (+5) = -15 (+4 ) . (+1 ) = +4 e (+1 ) . (+4 ) = +4

Conclusão: na multiplicação de números inteiros, Qualquer que seja o número inteiro a, temos:
temos: ( + ) . ( - ) = - (-).(+)=- a . (+1 ) = a e (+1 ) . a = a
Exemplos :
(+5) . (-10) = -50 O número inteiro +1 chama-se neutro para a multi-
(+1) . (-8) = -8 plicação.
(-2 ) . (+6 ) = -12
(-7) . (+1) = -7 4ª) COMUTATIVA
Observemos que: (+2). (-4 ) = - 8
3º CASO: OS DOIS FATORES SÃO NÚMEROS IN- e (-4 ) . (+2 ) = - 8
TEIROS NEGATIVOS Portanto: (+2 ) . (-4 ) = (-4 ) . (+2 )
Exemplo: (-3) . (-6) = -(+3) . (-6) = -(-18) = +18
isto é: (-3) . (-6) = +18 Se a e b são números inteiros quaisquer, então: a .
b = b . a, isto é, a ordem dos fatores não altera o pro-
Conclusão: na multiplicação de números inteiros, duto.
temos: ( - ) . ( - ) = +
Exemplos: (-4) . (-2) = +8 (-5) . (-4) = +20 5ª) DISTRIBUTIVA EM RELAÇÃO À ADIÇÃO E À
SUBTRAÇÃO
As regras dos sinais anteriormente vistas podem ser Observe os exemplos:
resumidas na seguinte: (+3 ) . [( -5 ) + (+2 )] = (+3 ) . ( -5 ) + (+3 ) . (+2 )
(+).(+)=+ (+).(-)=- (+4 ) . [( -2 ) - (+8 )] = (+4 ) . ( -2 ) - (+4 ) . (+8 )
(- ).( -)=+ (-).(+)=-
Conclusão:
Quando um dos fatores é o 0 (zero), o produto é i- Se a, b, c representam números inteiros quaisquer,
Matemática 14 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
temos:
a) a . [b + c] = a . b + a . c Portanto potência é um produto de fatores iguais.
A igualdade acima é conhecida como proprieda-
2
de distributiva da multiplicação em relação à adi- Na potência (+5 ) = +25, temos:
ção. +5 ---------- base
b) a . [b – c] = a . b - a . c 2 ---------- expoente
A igualdade acima é conhecida como proprieda- +25 ---------- potência
de distributiva da multiplicação em relação à sub-
tração. Observacões :
1 1
(+2 ) significa +2, isto é, (+2 ) = +2
1 1
DIVISÃO DE NÚMEROS INTEIROS ( -3 ) significa -3, isto é, ( -3 ) = -3

CONCEITO CÁLCULOS
Dividir (+16) por 2 é achar um número que, multipli-
cado por 2, dê 16. O EXPOENTE É PAR
16 : 2 = ? ⇔ 2 . ( ? ) = 16 Calcular as potências
4
1) (+2 ) = (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) = +16 isto é,
4
O número procurado é 8. Analogamente, temos: (+2) = +16
4
1) (+12) : (+3 ) = +4 porque (+4 ) . (+3 ) = +12 2) ( -2 ) = ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) = +16 isto é,
4
2) (+12) : ( -3 ) = - 4 porque (- 4 ) . ( -3 ) = +12 (-2 ) = +16
3) ( -12) : (+3 ) = - 4 porque (- 4 ) . (+3 ) = -12
4 4
4) ( -12) : ( -3 ) = +4 porque (+4 ) . ( -3 ) = -12 Observamos que: (+2) = +16 e (-2) = +16

A divisão de números inteiros só pode ser realizada Então, de modo geral, temos a regra:
quando o quociente é um número inteiro, ou seja,
quando o dividendo é múltiplo do divisor. Quando o expoente é par, a potência é sempre um
número positivo.
Portanto, o quociente deve ser um número inteiro.
6 2
Outros exemplos: (-1) = +1 (+3) = +9
Exemplos:
( -8 ) : (+2 ) = -4 O EXPOENTE É ÍMPAR
( -4 ) : (+3 ) = não é um número inteiro Calcular as potências:
3
1) (+2 ) = (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) = +8
3
Lembramos que a regra dos sinais para a divisão é isto é, (+2) = + 8
3
a mesma que vimos para a multiplicação: 2) ( -2 ) = ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) = -8
3
(+):(+)=+ (+):( -)=- ou seja, (-2) = -8
(- ):( -)=+ ( -):(+)=-
3 3
Observamos que: (+2 ) = +8 e ( -2 ) = -8
Exemplos:
( +8 ) : ( -2 ) = -4 (-10) : ( -5 ) = +2 Daí, a regra:
(+1 ) : ( -1 ) = -1 (-12) : (+3 ) = -4 Quando o expoente é ímpar, a potência tem o
mesmo sinal da base.
PROPRIEDADE
3 4
Como vimos: (+4 ) : (+3 ) ∉ Z Outros exemplos: (- 3) = - 27 (+2) = +16

Portanto, não vale em Z a propriedade do fecha- PROPRIEDADES


mento para a divisão. Alem disso, também não são
válidas as proposições associativa, comutativa e do PRODUTO DE POTÊNCIAS DE MESMA BASE
3 2 3 2 5
elemento neutro. Exemplos: (+2 ) . (+2 ) = (+2 ) +2 = (+2 )
( -2 )2 . ( -2 )3 . ( -2 )5 = ( -2 ) 2 + 3 + 5 = ( -2 )10
POTENCIAÇÃO DE NÚMEROS INTEIROS
Para multiplicar potências de mesma base, mante-
CONCEITO mos a base e somamos os expoentes.
A notação
3
(+2 ) = (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) QUOCIENTE DE POTÊNCIAS DE MESMA BASE
(+2 ) 5 : (+2 )2 = (+2 )5-2 = (+2 )3
( -2 )7 : ( -2 )3 = ( -2 )7-3 = ( -2 )4
é um produto de três fatores iguais Para dividir potências de mesma base em que o ex-
poente do dividendo é maior que o expoente do divisor,
Analogamente: mantemos a base e subtraímos os expoentes.
4
( -2 ) = ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 )
POTÊNCIA DE POTÊNCIA
[( -4 )3]5 = ( -4 )3 . 5 = ( -4 )15
é um produto de quatro fatores iguais Para calcular uma potência de potência, conserva-

Matemática 15 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
mos a base da primeira potência e multiplicamos os
expoentes . QUOCIENTE DE POTÊNCIAS DE MESMA BASE
5 2 5-2 3
(+2 ) : (+2 ) = (+2 ) = (+2 )
7 3 7-3 4
POTÊNCIA DE UM PRODUTO ( -2 ) : ( -2 ) = ( -2 ) = ( -2 )
4 4 4 4
[( -2 ) . (+3 ) . ( -5 )] = ( -2 ) . (+3 ) . ( -5 ) Para dividir potências de mesma base em que o ex-
poente do dividendo é maior que o expoente do divisor,
Para calcular a potência de um produto, sendo n o mantemos a base e subtraímos os expoentes.
expoente, elevamos cada fator ao expoente n.
POTÊNCIA DE POTÊNCIA
3 5 3.5 15
POTÊNCIA DE EXPOENTE ZERO [( -4 ) ] = ( -4 ) = ( -4 )
(+2 )5 : (+2 )5 = (+2 )5-5 = (+2 )0 Para calcular uma potência de potência, conserva-
5 5 mos a base da primeira potência e multiplicamos os
e (+2 ) : (+2 ) = 1
expoentes .
0 0
Consequentemente: (+2 ) = 1 ( -4 ) = 1
POTÊNCIA DE UM PRODUTO
4 4 4 4
Qualquer potência de expoente zero é igual a 1. [( -2 ) . (+3 ) . ( -5 )] = ( -2 ) . (+3 ) . ( -5 )
Para calcular a potência de um produto, sendo n o
Observação: expoente, elevamos cada fator ao expoente n.
2 2 2
Não confundir -3 com ( -3 ) , porque -3 significa
2
-( 3 ) e portanto POTÊNCIA DE EXPOENTE ZERO
5 5 5-5 0
2
-3 = -( 3 ) = -92 (+2 ) : (+2 ) = (+2 ) = (+2 )
5 5
2 e (+2 ) : (+2 ) = 1
enquanto que: ( -3 ) = ( -3 ) . ( -3 ) = +9 0 0
2 Consequentemente: (+2 ) = 1 ( -4 ) = 1
Logo: -3 ≠ ( -3 )2 Qualquer potência de expoente zero é igual a 1.
2 2 2
CÁLCULOS Observação: Não confundir-3 com (-3) , porque -3
2 2 2
significa -( 3 ) e portanto: -3 = -( 3 ) = -9
O EXPOENTE É PAR 2
enquanto que: ( -3 ) = ( -3 ) . ( -3 ) = +9
2
Calcular as potências
4 4
Logo: -3 ≠ ( -3 )2
(+2 ) = (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) = +16 isto é, (+2)
= +16 NÚMEROS PARES E ÍMPARES
4 4
( -2 ) = ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) = +16 isto é, (-2 )
= +16 Os pitagóricos estudavam à natureza dos números, e
4 4
baseado nesta natureza criaram sua filosofia e modo de
Observamos que: (+2) = +16 e (-2) = +16 vida. Vamos definir números pares e ímpares de acordo
com a concepção pitagórica:
Então, de modo geral, temos a regra: • par é o número que pode ser dividido em duas par-
Quando o expoente é par, a potência é sempre um tes iguais, sem que uma unidade fique no meio, e
número positivo. ímpar é aquele que não pode ser dividido em duas
6 2
partes iguais, porque sempre há uma unidade no
Outros exemplos: (-1) = +1 (+3) = +9 meio

O EXPOENTE É ÍMPAR Uma outra caracterização, nos mostra a preocupação


com à natureza dos números:
Exemplos: • número par é aquele que tanto pode ser dividido
Calcular as potências: em duas partes iguais como em partes desiguais,
3
1) (+2 ) = (+2 ) . (+2 ) . (+2 ) = +8 mas de forma tal que em nenhuma destas divisões
3
isto é, (+2) = + 8 haja uma mistura da natureza par com a natureza
3
2) ( -2 ) = ( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) = -8 ímpar, nem da ímpar com a par. Isto tem uma úni-
3
ou seja, (-2) = -8 ca exceção, que é o princípio do par, o número 2,
3 3 que não admite a divisão em partes desiguais, por-
Observamos que: (+2 ) = +8 e ( -2 ) = -8 que ele é formado por duas unidades e, se isto po-
de ser dito, do primeiro número par, 2.
Daí, a regra:
Quando o expoente é ímpar, a potência tem o Para exemplificar o texto acima, considere o número
mesmo sinal da base. 10, que é par, pode ser dividido como a soma de 5 e 5,
3 4 mas também como a soma de 7 e 3 (que são ambos
Outros exemplos: (- 3) = - 27 (+2) = +16 ímpares) ou como a soma de 6 e 4 (ambos são pares);
PROPRIEDADES mas nunca como a soma de um número par e outro ím-
PRODUTO DE POTÊNCIAS DE MESMA BASE par. Já o número 11, que é ímpar pode ser escrito como
3 2 3 2 5
Exemplos: (+2 ) . (+2 ) = (+2 ) +2 = (+2 ) soma de 8 e 3, um par e um ímpar. Atualmente, definimos
2 3 5 2+3+5 10
( -2 ) . ( -2 ) . ( -2 ) = ( -2 ) = ( -2 ) números pares como sendo o número que ao ser dividido
por dois têm resto zero e números ímpares aqueles que
Para multiplicar potências de mesma base, mante- ao serem divididos por dois têm resto diferente de zero.
mos a base e somamos os expoentes. Por exemplo, 12 dividido por 2 têm resto zero, portanto 12

Matemática 16 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
é par. Já o número 13 ao ser dividido por 2 deixa resto 1, 60 2
portanto 13 é ímpar.
0 30 2
MÚLTIPLOS E DIVISORES
0 15 3
DIVISIBILIDADE 5 0 5
Um número é divisível por 2 quando termina em 0, 2, 4,
6 ou 8. Ex.: O número 74 é divisível por 2, pois termina em 1
4. Portanto: 60 = 2 . 2 . 3 . 5

Um número é divisível por 3 quando a soma dos valo- Na prática, costuma-se traçar uma barra vertical à di-
res absolutos dos seus algarismos é um número divisível reita do número e, à direita dessa barra, escrever os divi-
por 3. Ex.: 123 é divisível por 3, pois 1+2+3 = 6 e 6 é divi- sores primos; abaixo do número escrevem-se os quocien-
sível por 3 tes obtidos. A decomposição em fatores primos estará
terminada quando o último quociente for igual a 1.
Um número é divisível por 5 quando o algarismo das
unidades é 0 ou 5 (ou quando termina em o ou 5). Ex.: O Exemplo:
número 320 é divisível por 5, pois termina em 0. 60 2
30 2
Um número é divisível por 10 quando o algarismo das 15 3
unidades é 0 (ou quando termina em 0). Ex.: O número 5 5
500 é divisível por 10, pois termina em 0. 1
Logo: 60 = 2 . 2 . 3 . 5
NÚMEROS PRIMOS
DIVISORES DE UM NÚMERO
Um número natural é primo quando é divisível apenas
por dois números distintos: ele próprio e o 1. Consideremos o número 12 e vamos determinar todos
os seus divisores Uma maneira de obter esse resultado é
Exemplos: escrever os números naturais de 1 a 12 e verificar se
• O número 2 é primo, pois é divisível apenas por dois cada um é ou não divisor de 12, assinalando os divisores.
números diferentes: ele próprio e o 1. 1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8 - 9 - 10 - 11 - 12
• O número 5 é primo, pois é divisível apenas por dois = = = = = ==
números distintos: ele próprio e o 1. Indicando por D(12) (lê-se: "D de 12”) o conjunto dos
• O número natural que é divisível por mais de dois divisores do número 12, temos:
números diferentes é chamado composto. D (12) = { 1, 2, 3, 4, 6, 12}
• O número 4 é composto, pois é divisível por 1, 2, 4.
• O número 1 não é primo nem composto, pois é divi- Na prática, a maneira mais usada é a seguinte:
sível apenas por um número (ele mesmo). 1º) Decompomos em fatores primos o número consi-
• O número 2 é o único número par primo. derado.
12 2
6 2
DECOMPOSIÇÃO EM FATORES PRIMOS (FATORA-
3 3
ÇÃO)
1
Um número composto pode ser escrito sob a forma de
um produto de fatores primos. 2º) Colocamos um traço vertical ao lado os fatores
primos e, à sua direita e acima, escrevemos o nume-
Por exemplo, o número 60 pode ser escrito na forma: ro 1 que é divisor de todos os números.
2
60 = 2 . 2 . 3 . 5 = 2 . 3 . 5 que é chamada de forma fato- 1
12 2
rada.
6 2
Para escrever um número na forma fatorada, devemos 3 3
decompor esse número em fatores primos, procedendo 1
do seguinte modo:
3º) Multiplicamos o fator primo 2 pelo divisor 1 e es-
Dividimos o número considerado pelo menor número crevemos o produto obtido na linha correspondente.
primo possível de modo que a divisão seja exata. x1
Dividimos o quociente obtido pelo menor número pri- 12 2 2
mo possível. 6 2
3 3
1
Dividimos, sucessivamente, cada novo quociente pelo
menor número primo possível, até que se obtenha o quo-
ciente 1. 4º) Multiplicamos, a seguir, cada fator primo pelos
divisores já obtidos, escrevendo os produtos nas
Exemplo: linhas correspondentes, sem repeti-los.
x1

Matemática 17 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
12 2 2 comuns a esses números.
6 2 4
3 3 O processo prático para o cálculo do M.M.C de dois ou
1 mais números, chamado de decomposição em fatores
primos, consiste das seguintes etapas:
x1 1º) Decompõem-se em fatores primos os números
12 2 2 apresentados.
6 2 4 2º) Determina-se o produto entre os fatores primos
3 3 3, 6, 12 comuns e não-comuns com seus maiores expo-
1 entes. Esse produto é o M.M.C procurado.

Os números obtidos à direita dos fatores primos são Exemplos: Calcular o M.M.C (12, 18)
os divisores do número considerado. Portanto:
D(12) = { 1, 2, 4, 3, 6, 12} Decompondo em fatores primos esses números, te-
mos:
Exemplos: 12 2 18 2
1) 6 2 9 3
1 3 3 3 3
18 2 2 1 1
9 3 3, 6 D(18) = {1, 2 , 3, 6, 9, 18}
2 2
3 3 9, 18 12 = 2 . 3 18 = 2 . 3
2 2
1 Resposta: M.M.C (12, 18) = 2 . 3 = 36

2) Observação: Esse processo prático costuma ser sim-


1 plificado fazendo-se uma decomposição simultânea dos
30 2 2 números. Para isso, escrevem-se os números, um ao
15 3 3, 6 lado do outro, separando-os por vírgula, e, à direita da
5 5 5, 10, 15, 30 barra vertical, colocada após o último número, escrevem-
1 se os fatores primos comuns e não-comuns. 0 calculo
estará terminado quando a última linha do dispositivo for
D(30) = { 1, 2, 3, 5, 6, 10, 15, 30} composta somente pelo número 1. O M.M.C dos números
apresentados será o produto dos fatores.
MÁXIMO DIVISOR COMUM
Exemplo:
Recebe o nome de máximo divisor comum de dois ou Calcular o M.M.C (36, 48, 60)
mais números o maior dos divisores comuns a esses 36, 48, 60 2
números. 18, 24, 30 2
9, 12, 15 2
Um método prático para o cálculo do M.D.C. de dois 9, 6, 15 2
números é o chamado método das divisões sucessivas 9, 3, 15 3
(ou algoritmo de Euclides), que consiste das etapas se- 3, 1, 5 3
guintes: 1, 1 5 5
1ª) Divide-se o maior dos números pelo menor. Se a 1, 1, 1
divisão for exata, o M.D.C. entre esses números é 4 2
o menor deles. Resposta: M.M.C (36, 48, 60) = 2 . 3 . 5 = 720
2ª) Se a divisão não for exata, divide-se o divisor (o
menor dos dois números) pelo resto obtido na di- RAÍZ QUADRADA EXATA DE NÚMEROS INTEIROS
visão anterior, e, assim, sucessivamente, até se
obter resto zero. 0 ultimo divisor, assim determi- CONCEITO
nado, será o M.D.C. dos números considerados. Consideremos o seguinte problema:
Descobrir os números inteiros cujo quadrado é +25.
2 2
Exemplo: Solução: (+5 ) = +25 e ( -5 ) =+25
Calcular o M.D.C. (24, 32) Resposta: +5 e -5

32 24 24 8 Os números +5 e -5 chamam-se raízes quadradas de


+25.
8 1 0 3
Outros exemplos:
Resposta: M.D.C. (24, 32) = 8 Número Raízes quadradas
+9 + 3 e -3
MÍNIMO MÚLTIPLO COMUM +16 + 4 e -4
+1 + 1 e -1
Recebe o nome de mínimo múltiplo comum de dois ou +64 + 8 e -8
mais números o menor dos múltiplos (diferente de zero) +81 + 9 e -9

Matemática 18 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
+49 + 7 e -7 b) eliminamos os colchetes
+36 +6 e -6
O símbolo 25 significa a raiz quadrada de 25, isto 3º ETAPA:
a) efetuamos o que está entre chaves { }
é 25 = +5 b) eliminamos as chaves
Como 25 = +5 , então: − 25 = −5
Em cada etapa, as operações devem ser efetuadas na
Agora, consideremos este problema. seguinte ordem:
1ª) Potenciação e radiciação na ordem em que apa-
Qual ou quais os números inteiros cujo quadrado é - recem.
25? 2ª) Multiplicação e divisão na ordem em que apare-
2 2
Solução: (+5 ) = +25 e (-5 ) = +25 cem.
Resposta: não existe número inteiro cujo quadrado 3ª) Adição e subtração na ordem em que aparecem.
seja -25, isto é, − 25 não existe no conjunto Z dos
números inteiros. Exemplos:
1) 2 + 7 . (-3 + 4) =
Conclusão: os números inteiros positivos têm, como 2 + 7 . (+1) = 2 + 7 = 9
raiz quadrada, um número positivo, os números inteiros 3 2
negativos não têm raiz quadrada no conjunto Z dos nú- 2) (-1 ) + (-2 ) : (+2 ) =
meros inteiros. -1+ (+4) : (+2 ) =
-1 + (+2 ) =
RADICIAÇÃO -1 + 2 = +1

3) -(-4 +1) – [-(3 +1)] =


A raiz n-ésima de um número b é um número a tal que
n -(-3) - [-4 ] =
a = b.
+3 + 4 = 7
n
b = a ⇒ an = b 4)
2
–2( -3 –1) +3 . ( -1 – 3) + 4
3
2 3
-2 . ( -4 ) + 3 . ( - 4 ) + 4 =
-2 . (+16) + 3 . (- 64) + 4 =
5
32 = 2
-32 – 192 + 4 =
5 índice -212 + 4 = - 208
5
32 radicando pois 2 = 32
2 2
5) (-288) : (-12) - (-125) : ( -5 ) =
raiz
(-288) : (+144) - (-125) : (+25) =
2 radical (-2 ) - (- 5 ) = -2 + 5 = +3

Outros exemplos : 3
8 = 2 pois 2 3 = 8 6) (-10 - 8) : (+6 ) - (-25) : (-2 + 7 ) =
(-18) : (+6 ) - (-25) : (+5 ) =
3
− 8 = - 2 pois ( -2 )3 = -8 -3 - (- 5) =
- 3 + 5 = +2
PROPRIEDADES (para a ≥ 0, b ≥ 0)
2 2 4 2
m m: p 7) –5 : (+25) - (-4 ) : 2 - 1 =
1ª) a n = a n: p 15
310 = 3 3 2 -25 : (+25) - (+16) : 16 - 1 =
2ª) n
a⋅b = n a ⋅n b 6 = 2⋅ 3 -1 - (+1) –1 = -1 -1 –1 = -3
2 3 2
8) 2 . ( -3 ) + (-40) : (+2) - 2 =
4
n 5 5
3ª) a:b = n a :n b 4 =
16 4
16 2 . (+9 ) + (-40) : (+8 ) - 4 =
n
+18 + (-5) - 4 =
4ª) ( a)
m
= m an ( x)
3
5
= 3 x5 + 18 - 9 = +9
m n
5ª) a = m⋅n a 6
3 = 12 3 CONJUNTO DOS NÚMEROS RACIONAIS (Q)

EXPRESSÕES NUMÉRICAS COM NÚMEROS IN- Os números racionais são representados por um
TEIROS ENVOLVENDO AS QUATRO OPERAÇÕES a
Para calcular o valor de uma expressão numérica com numeral em forma de fração ou razão, , sendo a e b
números inteiros, procedemos por etapas. b
números naturais, com a condição de b ser diferente de
1ª ETAPA: zero.
a) efetuamos o que está entre parênteses ( ) 1. NÚMERO FRACIONARIO. A todo par ordenado
b) eliminamos os parênteses (a, b) de números naturais, sendo b ≠ 0, corresponde
a
um número fracionário .O termo a chama-se nume-
2ª ETAPA: b
a) efetuamos o que está entre colchetes [ ] rador e o termo b denominador.

Matemática 19 A Opção Certa Para a Sua Realização


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2. TODO NÚMERO NATURAL pode ser represen- c) impróprias: as que indicam quantidades iguais ou
tado por uma fração de denominador 1. Logo, é possí- maiores que 1.
vel reunir tanto os números naturais como os fracioná- 5 8 9
rios num único conjunto, denominado conjunto dos , , ,⋅ ⋅ ⋅ etc.
números racionais absolutos, ou simplesmente conjun- 5 1 5
to dos números racionais Q.
d) aparentes: todas as que simbolizam um número
Qual seria a definição de um número racional abso- natural.
luto ou simplesmente racional? A definição depende 20 8
= 5, = 4 , etc.
das seguintes considerações: 4 2
a) O número representado por uma fração não mu-
da de valor quando multiplicamos ou dividimos e) ordinárias: é o nome geral dado a todas as fra-
tanto o numerador como o denominador por um ções, com exceção daquelas que possuem como de-
mesmo número natural, diferente de zero. 2 3
nominador 10, 10 , 10 ...
Exemplos: usando um novo símbolo: ≈
≈ é o símbolo de equivalência para frações f) frações iguais: são as que possuem os termos i-
2 2 × 5 10 10 × 2 20 3 3 8 8
≈ ≈ ≈ ≈ ≈ ⋅⋅⋅ guais = , = , etc.
3 3 × 5 15 15 × 2 30 4 4 5 5
b) Classe de equivalência. É o conjunto de todas as
frações equivalentes a uma fração dada. g) forma mista de uma fração: é o nome dado ao
3 6 9 12 numeral formado por uma parte natural e uma parte
, , , ,⋅ ⋅ ⋅ (classe de equivalência da fra-
 4
1 2 3 4 fracionária;  2  A parte natural é 2 e a parte fracio-
3  7
ção: )
1 4
nária .
7
Agora já podemos definir número racional : número
racional é aquele definido por uma classe de equiva-
h) irredutível: é aquela que não pode ser mais sim-
lência da qual cada fração é um representante.
plificada, por ter seus termos primos entre si.
NÚMERO RACIONAL NATURAL ou NÚMERO 3 5 3
, , , etc.
NATURAL: 4 12 7
0 0
0= = = ⋅⋅⋅ (definido pela classe de equiva- 4. PARA SIMPLIFICAR UMA FRAÇÃO, desde que
1 2 não possua termos primos entre si, basta dividir os dois
lência que representa o mesmo ternos pelo seu divisor comum.
número racional 0)
8 8:4 2
1 2 = =
1 = = = ⋅⋅⋅ (definido pela classe de equiva- 12 12 : 4 3
1 2
lência que representa o mesmo 5. COMPARAÇÃO DE FRAÇÕES.
número racional 1) Para comparar duas ou mais frações quaisquer pri-
e assim por diante. meiramente convertemos em frações equivalentes de
mesmo denominador. De duas frações que têm o
NÚMERO RACIONAL FRACIONÁRIO ou NÚME- mesmo denominador, a maior é a que tem maior nume-
RO FRACIONÁRIO: rador. Logo:
1 2 3 6 8 9 1 2 3
= = = ⋅ ⋅ ⋅ (definido pela classe de equivalên- < < ⇔ < <
2 4 6 12 12 12 2 3 4
cia que representa o mesmo (ordem crescente)
número racional 1/2).
De duas frações que têm o mesmo numerador, a
NOMES DADOS ÀS FRAÇÕES DIVERSAS maior é a que tem menor denominador.
Decimais: quando têm como denominador 10 ou 7 7
uma potência de 10 Exemplo: >
5 7 2 5
, ,⋅ ⋅ ⋅ etc.
10 100 OPERAÇÕES COM FRAÇÕES

b) próprias: aquelas que representam quantidades ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO


menores do que 1. A soma ou a diferença de duas frações é uma outra
1 3 2 fração, cujo calculo recai em um dos dois casos seguin-
, , ,⋅ ⋅ ⋅ etc. tes:
2 4 7

Matemática 20 A Opção Certa Para a Sua Realização


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1º CASO: Frações com mesmo denominador. Ob- 1 2 5 3
servemos as figuras seguintes: 1) + = 2) + =
3 4 8 6
4 6 15 12
= + = = + =
12 12 24 24
15 + 12
3 2 4+6 = =
= = 24
6 6 12
27 9
5 10 5 = =
= = 24 8
6 12 6
3 2 5
Indicamos por: + =
6 6 6 Observações:
Para adicionar mais de duas frações, reduzimos to-
das ao mesmo denominador e, em seguida, efetuamos
a operação.

Exemplos.
2 2 7 3
a) + + =
3 5 1 1
b) + + + =
6 15 15 15 4 6 8 2
2+7+3 18 20 3 12
= = = + + + =
5 15 24 24 24 24
6 12 4
= = =
18+ 20+ 3 +12
=
15 5 24
3 53
=
6 24
5 2 3 Havendo número misto, devemos transformá-lo em
Indicamos por: − = fração imprópria:
6 6 6
Exemplo:
Assim, para adicionar ou subtrair frações de mesmo
1 5 1
denominador, procedemos do seguinte modo: 2 + +3 =
 adicionamos ou subtraímos os numeradores e 3 12 6
mantemos o denominador comum. 7 5 19
+ + =
 simplificamos o resultado, sempre que possível. 3 12 6
28 5 38
Exemplos: + + =
12 12 12
3 1 3 +1 4 28 + 5 + 38 71
+ = = =
5 5 5 5 12 12
4 8 4 + 8 12 4
+ = = = Se a expressão apresenta os sinais de parênteses (
9 9 9 9 3 ), colchetes [ ] e chaves { }, observamos a mesma
7 3 7−3 4 2 ordem :
− = = = 1º) efetuamos as operações no interior dos parênte-
6 6 6 6 3
ses;
2 2 2−2 0 2º) as operações no interior dos colchetes;
− = = =0
7 7 7 7 3º) as operações no interior das chaves.

Observação: A subtração só pode ser efetuada Exemplos:


quando o minuendo é maior que o subtraendo, ou igual 2 3 5 4
a ele. 1) +  −  −  =
3 4 2 2
2º CASO: Frações com denominadores diferentes:  8 9  1
Neste caso, para adicionar ou subtrair frações com = + − =
denominadores diferentes, procedemos do seguinte
 12 12  2
modo: 17 1
= − =
• Reduzimos as frações ao mesmo denominador. 12 2
• Efetuamos a operação indicada, de acordo com o
caso anterior.
17 6
= − =
• Simplificamos o resultado (quando possível). 12 12
11
Exemplos: =
12
Matemática 21 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

  3 1   2 3 
2)5 −  −  − 1 +  =
  2 3   3 4 
  9 2   5 3 
= 5 −  −  −  +  =
  6 6   3 4 
 7   20 9 
= 5 −  −  +  =
 6   12 12 
 30 7  29
= − − =
 6 6  12
23 29 1 2 3
= − = Dizemos que: = =
6 12 2 4 6
46 29
= − = - Para obter frações equivalentes, devemos multi-
12 12 plicar ou dividir o numerador por mesmo número dife-
17 rente de zero.
=
12 1 2 2 1 3 3
Ex: ⋅ = ou . =
2 2 4 2 3 6
NÚMEROS RACIONAIS
Para simplificar frações devemos dividir o numera-
dor e o denominador, por um mesmo número diferente
de zero.

Quando não for mais possível efetuar as divisões


dizemos que a fração é irredutível.

Um círculo foi dividido em duas partes iguais. Dize- Exemplo:


mos que uma unidade dividida em duas partes iguais e 18 2 9 3
: = = ⇒ Fração Irredutível ou Sim-
indicamos 1/2. 12 2 6 6
onde: 1 = numerador e 2 = denominador plificada

1 3
Exemplo: e
3 4

Calcular o M.M.C. (3,4): M.M.C.(3,4) = 12


1
e
3 (12 : 3 ) ⋅ 1
= e
(12 : 4 ) ⋅ 3 temos: 4 e 9
3 4 12 12 12 12
Um círculo dividido em 3 partes iguais indicamos
(das três partes hachuramos 2).
1 4
A fração é equivalente a .
Quando o numerador é menor que o denominador 3 12
temos uma fração própria. Observe:
3 9
A fração equivalente .
Observe: 4 12

Exercícios:
1) Achar três frações equivalentes às seguintes fra-
ções:
1 2
1) 2)
4 3
2 3 4 4 6 8
Respostas: 1) , , 2) , ,
Quando o numerador é maior que o denominador 8 12 16 6 9 12
temos uma fração imprópria.
COMPARAÇÃO DE FRAÇÕES
FRAÇÕES EQUIVALENTES
a) Frações de denominadores iguais.
Duas ou mais frações são equivalentes, quando re- Se duas frações tem denominadores iguais a maior
presentam a mesma quantidade. será aquela: que tiver maior numerador.

Matemática 22 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
3 1 1 3 Exercícios: Colocar em ordem crescente:
Ex.: > ou <
4 4 4 4 2 2 5 4 5 2 4
1) e 2) e 3) , e
5 3 3 3 6 3 5
b) Frações com numeradores iguais
Se duas frações tiverem numeradores iguais, a me- 2 2 4 5
nor será aquela que tiver maior denominador. Respostas: 1) < 2) <
5 3 3 3
7 7 7 7
Ex.: > ou < 4 5 3
4 5 5 4 3) < <
3 6 2
c) Frações com numeradores e denominadores
receptivamente diferentes. OPERAÇÕES COM FRAÇÕES
Reduzimos ao mesmo denominador e depois com-
paramos. Exemplos: 1) Adição e Subtração
2 1 a) Com denominadores iguais somam-se ou subtra-
> denominadores iguais (ordem decrescente) em-se os numeradores e conserva-se o denominador
3 3 comum.
4 4 2 5 1 2 + 5 +1 8
> numeradores iguais (ordem crescente) Ex: + + = =
5 3 3 3 3 3 3
4 3 4−3 1
SIMPLIFICAÇÃO DE FRAÇÕES − = =
5 5 5 5
Para simplificar frações devemos dividir o numera-
b) Com denominadores diferentes reduz ao mesmo
dor e o denominador por um número diferente de zero.
denominador depois soma ou subtrai.
Ex:
Quando não for mais possível efetuar as divisões,
dizemos que a fração é irredutível. Exemplo: 1 3 2
1) + + = M.M.C.. (2, 4, 3) = 12
18 : 2 9 : 3 3 2 4 3
= =
12 : 2 6 : 3 2
(12 : 2).1 + (12 : 4).3 + (12.3).2 6 + 9 + 8 23
= =
Fração irredutível ou simplificada. 12 12 12
9 36 4 2
Exercícios: Simplificar 1) 2) 2) − = M.M.C.. (3,9) = 9
12 45 3 9
3 4 (9 : 3).4 - (9 : 9).2 12 - 2 10
Respostas: 1) 2) = =
4 5 9 9 9

REDUÇÃO DE FRAÇÕES AO MENOR DENOMINA- Exercícios. Calcular:


DOR COMUM 2 5 1 5 1 2 1 1
1) + + 2) − 3) + −
7 7 7 6 6 3 4 3
1 3
Ex.: e 8 4 2 7
3 4 Respostas: 1) 2) = 3)
7 6 3 12
Calcular o M.M.C. (3,4) = 12
MULTIPLICAÇÃO DE FRAÇÕES
1
e
3
=
(12 : 3 ) ⋅ 1 e (12 : 4 ) ⋅ 3 temos:
3 4 12 12 Para multiplicar duas ou mais frações devemos mul-
4 9 tiplicar os numeradores das frações entre si, assim
e
12 12 como os seus denominadores.
1 4 3 Exemplo:
A fração é equivalente a . A fração equiva- 2 3 2 3 6 3
3 12 4 . = x = =
9 5 4 5 4 20 10
lente .
12
Exercícios: Calcular:
Exemplo: 2 5 2 3 4  1 3  2 1
1) ⋅ 2) ⋅ ⋅ 3)  +  ⋅  − 
2 4 5 4 5 2 3 5 5 3 3
? ⇒ numeradores diferentes e denomina-
3 5 10 5 24 4 4
Respostas: 1) = 2) = 3)
dores diferentes m.m.c.(3, 5) = 15 12 6 30 5 15

(15 : 3).2 (15.5).4 10 12 DIVISÃO DE FRAÇÕES


? = < (ordem
15 15 15 15
crescente) Para dividir duas frações conserva-se a primeira e
multiplica-se pelo inverso da Segunda.
Matemática 23 A Opção Certa Para a Sua Realização
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
4 2 4 3 12 6 Outros exemplos:
Exemplo: : = . = =
5 3 5 2 10 5 34 635 2187
1) = 3,4 2) = 6,35 3) =218,7
10 100 10
Exercícios. Calcular:
4 2 8 6  2 3  4 1 Note que a vírgula “caminha” da direita para a es-
1) : 2) : 3)  +  :  −  querda, a quantidade de casas deslocadas é a mesma
3 9 15 25 5 5 3 3 quantidade de zeros do denominador.

20 Exercícios. Representar em números decimais:


Respostas: 1) 6 2) 3) 1
9 35 473 430
1) 2) 3)
10 100 1000
POTENCIAÇÃO DE FRAÇÕES
Respostas: 1) 3,5 2) 4,73 3) 0,430
Eleva o numerador e o denominador ao expoente
dado. Exemplo: LEITURA DE UM NÚMERO DECIMAL
3 3
2 2 8
  = 3 = Ex.:
 
3 3 27

Exercícios. Efetuar:
2 4 2 3
3  1  4   1
1)   2)   3)   −  
4 2 3 2

9 1 119
Respostas: 1) 2) 3)
16 16 72

RADICIAÇÃO DE FRAÇÕES

Extrai raiz do numerador e do denominador.


4 4 2
Exemplo: = =
9 9 3
OPERAÇÕES COM NÚMEROS DECIMAIS
Exercícios. Efetuar:
1 16 9  1
2 Adição e Subtração
1) 2) 3) +  Coloca-se vírgula sob virgula e somam-se ou sub-
9 25 16  2  traem-se unidades de mesma ordem. Exemplo 1:

1 4 10 + 0,453 + 2,832
Respostas: 1) 2) 3) 1
3 5 10,000
+ 0,453
2,832
NÚMEROS DECIMAIS _______
13,285
Toda fração com denominador 10, 100, 1000,...etc,
chama-se fração decimal. Exemplo 2:
3 4 7 47,3 - 9,35
Ex: , , , etc
10 100 100 47,30
9,35
Escrevendo estas frações na forma decimal temos: ______
3 37,95
= três décimos,
10
Exercícios. Efetuar as operações:
4 1) 0,357 + 4,321 + 31,45
= quatro centésimos
100 2) 114,37 - 93,4
7 3) 83,7 + 0,53 - 15, 3
= sete milésimos
1000
Respostas: 1) 36,128 2) 20,97 3) 68,93
Escrevendo estas frações na forma decimal temos:
MULTIPLICAÇÃO COM NÚMEROS DECIMAIS
3 4 7
=0,3 = 0,04 = 0,007
10 100 1000 Multiplicam-se dois números decimais como se fos-
sem inteiros e separam-se os resultados a partir da

Matemática 24 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
direita, tantas casas decimais quantos forem os alga- DIVISÃO
rismos decimais dos números dados. Para dividir os números decimais, procede-se as-
sim:
Exemplo: 5,32 x 3,8 1) iguala-se o número de casas decimais;
5,32 → 2 casas, 2) suprimem-se as vírgulas;
x 3,8→ 1 casa após a virgula 3) efetua-se a divisão como se fossem números in-
______ teiros.
4256
1596 + Exemplos:
______ ♦ 6 : 0,15 = 6,00 0,15
20,216 → 3 casas após a vírgula
000 40
Exercícios. Efetuar as operações: Igualam – se as casas decimais.
1) 2,41 . 6,3 2) 173,4 . 3,5 + 5 . 4,6 Cortam-se as vírgulas.
3) 31,2 . 0,753  7,85 : 5 = 7,85 : 5,00 785 : 500 = 1,57

Respostas: 1) 15,183 2) 629,9 Dividindo 785 por 500 obtém-se quociente 1 e resto
3) 23,4936 285

DIVISÃO DE NÚMEROS DECIMAIS Como 285 é menor que 500, acrescenta-se uma
vírgula ao quociente e zeros ao resto
Igualamos as casas decimais entre o dividendo e o ♦ 2 : 4 0,5
divisor e quando o dividendo for menor que o divisor
acrescentamos um zero antes da vírgula no quociente. Como 2 não é divisível por 4, coloca-se zero e vír-
gula no quociente e zero no dividendo
Ex.: ♦ 0,35 : 7 = 0,350 7,00 350 : 700 =
a) 3:4 0,05
3 |_4_
30 0,75 Como 35 não divisível por 700, coloca-se zero e vír-
20 gula no quociente e um zero no dividendo. Como 350
0 não é divisível por 700, acrescenta-se outro zero ao
b) 4,6:2 quociente e outro ao dividendo
4,6 |2,0 = 46 | 20
60 2,3 Divisão de um número decimal por 10, 100, 1000
0
Obs.: Para transformar qualquer fração em número
Para tornar um número decimal 10, 100, 1000, ....
decimal basta dividir o numerador pelo denominador.
vezes menor, desloca-se a vírgula para a esquerda,
Ex.: 2/5 = 2 |5 , então 2/5=0,4
respectivamente, uma, duas, três, ... casas decimais.
20 0,4
Exemplos:
Exercícios
25,6 : 10 = 2,56
1) Transformar as frações em números decimais.
04 : 10 = 0,4
1 4 1 315,2 : 100 = 3,152
1) 2) 3)
5 5 4 018 : 100 = 0,18
Respostas: 1) 0,2 2) 0,8 3) 0,25 0042,5 : 1.000 = 0,0425
0015 : 1.000 = 0,015
2) Efetuar as operações:
1) 1,6 : 0,4 2) 25,8 : 0,2 milhar centena dezena Unidade décimo centésimo milésimo
simples
3) 45,6 : 1,23 4) 178 : 4,5-3,4.1/2
5) 235,6 : 1,2 + 5 . 3/4 1 000 100 10 1 0,1 0,01 0,001

Respostas: 1) 4 2) 129 3) 35,07


4) 37,855 5) 200,0833.... LEITURA DE UM NÚMERO DECIMAL
Procedemos do seguinte modo:
Multiplicação de um número decimal por 10, 100, 1º) Lemos a parte inteira (como um número natural).
1000 2º) Lemos a parte decimal (como um número natu-
ral), acompanhada de uma das palavras:
Para tornar um número decimal 10, 100, 1000..... - décimos, se houver uma ordem (ou casa) deci-
vezes maior, desloca-se a vírgula para a direita, res- mal
pectivamente, uma, duas, três, . . . casas decimais. - centésimos, se houver duas ordens decimais;
2,75 x 10 = 27,5 6,50 x 100 = 650 - milésimos, se houver três ordens decimais.
0,125 x 100 = 12,5 2,780 x 1.000 = 2.780
0,060 x 1.000 = 60 0,825 x 1.000 = 825 Exemplos:
1) 1,2 Lê-se: "um inteiro e

Matemática 25 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
dois décimos". irracionais.

2) 12,75 Lê-se: "doze inteiros Usaremos o símbolo estrela (*) quando quisermos
e setenta e cinco indicar que o número zero foi excluído de um conjunto.
centésimos".
Exemplo: N* = { 1; 2; 3; 4; ... }; o zero foi excluído de
3) 8,309 Lê-se: "oito inteiros e N.
trezentos e nove
milésimos''. Usaremos o símbolo mais (+) quando quisermos
indicar que os números negativos foram excluídos de
Observações: um conjunto.
1) Quando a parte inteira é zero, apenas a parte de-
cimal é lida. Exemplo: Z+ = { 0; 1; 2; ... } ; os negativos foram
Exemplos: excluídos de Z.
a) 0,5 - Lê-se: "cinco Usaremos o símbolo menos (-) quando quisermos
décimos". indicar que os números positivos foram excluídos de
um conjunto.
b) 0,38 - Lê-se: "trinta e oito
centésimos".
Exemplo: Z − = { . .. ; - 2; - 1; 0 } ; os positivos foram
c) 0,421 - Lê-se: "quatrocentos excluídos de Z.
e vinte e um
milésimos". Algumas vezes combinamos o símbolo (*) com o
símbolo (+) ou com o símbolo (-).
2) Um número decimal não muda o seu valor se a-
crescentarmos ou suprimirmos zeros â direita do Exemplos
último algarismo.
Exemplo: 0,5 = 0,50 = 0,500 = 0,5000 " ....... a) Z *− = ( 1; 2; 3; ... ) ; o zero e os negativos foram
excluídos de Z.
3) Todo número natural pode ser escrito na forma b) Z *+ = { ... ; - 3; - 2; - 1 } ; o zero e os positivos
de número decimal, colocando-se a vírgula após
o último algarismo e zero (ou zeros) a sua direita. foram excluídos de Z.
Exemplos: 34 = 34,00... 176 = 176,00...
Exercícios resolvidos
1. Completar com ∈ ou ∉ :
CONJUNTO DOS NÚMEROS REAIS (R)
a) 5 Z g) 3 Q*
*
CORRESPONDÊNCIA ENTRE NÚMEROS E b) 5 Z− h) 4 Q
PONTOS DA RETA, ORDEM, VALOR ABSOLUTO *
c) 3,2 Z+
Há números que não admitem representação i) ( − 2)2 Q-
decimal finita nem representação decimal infinita e 1
periódico, como, por exemplo: d) Z j) 2 R
4
π = 3,14159265...
4 k) 4 R-
2 = 1,4142135... e) Z
1
3 = 1,7320508... f) 2 Q
5 = 2,2360679... Resolução
a) ∈ , pois 5 é positivo.
b) ∉ , pois 5 é positivo e os positivos foram
Estes números não são racionais: π ∈ Q, 2
*
excluídos de Z −
∈ Q, 3 ∈ Q, 5 ∈ Q; e, por isso mesmo, são
chamados de irracionais. c) ∉ 3,2 não é inteiro.
1
Podemos então definir os irracionais como sendo d) ∉ , poisnão é inteiro.
4
aqueles números que possuem uma representação
decimal infinita e não periódico.
4
e) ∈ , pois = 4 é inteiro.
1
Chamamos então de conjunto dos números reais, e f) ∉ , pois 2 não é racional.
indicamos com R, o seguinte conjunto:
g) ∉ , pois 3 não é racional
R= { x | x é racional ou x é irracional} h) ∈ , pois 4 = 2 é racional
Como vemos, o conjunto R é a união do conjunto i) ∉ , pois ( − 2)2 = 4 = 2 é positivo, e os
dos números racionais com o conjunto dos números

Matemática 26 A Opção Certa Para a Sua Realização


APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos
positivos foram excluídos de Q− . a) ⊂ c) ⊄ e) ⊄
b) ⊄ d) ⊂
j) ∈ , pois 2 é real.
k) ∉ , pois 4 = 2 é positivo, e os positivos foram 4.
excluídos de R−

2. Completar com ⊂ ou ⊄ :
a) N Z* d) Q Z
* * Reta numérica
b) N Z+ e) Q + R+ Uma maneira prática de representar os números re-
c) N Q ais é através da reta real. Para construí-la, desenha-
mos uma reta e, sobre ela, escolhemos, a nosso gosto,
Resolução: um ponto origem que representará o número zero; a
seguir escolhemos, também a nosso gosto, porém à
a) ⊄ , pois 0 ∈ N e 0 ∉ Z * . direita da origem, um ponto para representar a unidade,
b) ⊂, pois N = Z + ou seja, o número um. Então, a distância entre os pon-
c) ⊂ , pois todo número natural é também tos mencionados será a unidade de medida e, com
racional. base nela, marcamos, ordenadamente, os números
d) ⊄ , pois há números racionais que não são positivos à direita da origem e os números negativos à