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aquisição de

aquisição de
l ingua-
LINGUAGEM
Michèle Kail
Michèle
Marcionilo Kail
Tradução:
Marcos
Sumário

IIntrodução.............................................................................. 11
I. Métodos inovadores.............................................................. 13
1. Métodos de estudo da percepção precoce da linguagem........... 14
2. Métodos de estudo do entendimento da linguagem................ 15
3. Métodos de estudo da produção de linguagem ...................... 20
4. Produção induzida em situação experimental....................... 23
II. Procedimentos transversais produtivos............................... 24
1. Comparações interlínguas .................................................. 24
2. Análise das diferenças individuais........................................ 25
3. Modelização da aquisição: as simulações conexionistas
e a teoria dos sistemas dinâmicos......................................... 25

capítulo 1 — Dos sons às palavras...................................... 27


I. Capacidades perceptivas iniciais............................................ 28
1. Percepção categorial e discriminação dos fonemas................. 28
2. Segmentação precoce da fala e percepção dos índices prosódicos.. 29
3. Segmentação das unidades gramaticais................................ 30
4. Produções precoces: do balbucio ao primeiro léxico............... 31
5. Relações percepção e produção precoces da fala..................... 33
II. Constituição do léxico de produção...................................... 33
1. Desenvolvimento não linear e explosão lexical...................... 34
2. A defasagem compreensão/produção do léxico...................... 34
III. Estruturação do léxico......................................................... 35
1. O desenvolvimento das classes de palavras ........................... 35
2. Estruturação do léxico e variabilidade interlínguas............... 37
8 Aquisição de linguagem ■ Michèle Kail

3. Estruturação do léxico e variabilidade de estilo de aquisição... 39


4. Implicações das diferenças individuais no desenvolvimento.... 40
IV. Aquisição do sentido das palavras e as categorias semânticas. 42
1. O efeito do vocabulário sobre a categorização........................ 43
2. As restrições cognitivas da aquisição de palavras.................. 44
3. Teoria dos protótipos e esquemas de acontecimentos............. 45
V. Papel do input no desenvolvimento do léxico: a ldc.............. 46

capítulo 2 — Da emergência da sintaxe às


construções gramaticais............................................. 49
I. Abordagens teóricas da aquisição da gramática................... 50
1. Abordagens estruturais: a gramática universal
e as teorias do bootstrapping............................................. 51
2. Abordagens funcionalistas.................................................. 55
II. Primeiros marcos da aquisição sintática............................... 63
1. Sensibilidade às regularidades estatísticas
da língua e entendimento precoce......................................... 63
2. Produção dos primeiros morfemas e
das primeiras estruturas sintáticas...................................... 64
III. Emergência e interpretação da frase simples a partir dos
2 anos.................................................................................... 67
1. Esquema da frase canônica.................................................. 67
2. Validade, peso e custo dos índices no entendimento
de frases simples................................................................. 69
IV. Processamento on-line das frases......................................... 72

capítulo3 — Capacidades conversacionais e


discursivas da criança................................................... 75
I. Contextos sociocomunicativos da aquisição precoce............. 76
1. Atenção conjunta: olhar e apontar....................................... 77
2. Tomada de turno................................................................ 78
3. Formatos de interação........................................................ 79
4. Retomadas imitativas e interpretações................................. 80
Sumário 9

II. Desenvolvimento da pragmática dos enunciados................... 82


1. Processamento das pressuposições na criança....................... 82
2. Atos de fala........................................................................ 86
III. Desenvolvimento das atividades discursivas.......................... 89
1. Coerência e coesão nas narrativas........................................ 90
2. Referência pessoal: introdução e manutenção da referência ... 91
3. Referência espacial e referência temporal.............................. 93
4. Regulação metacognitiva do discurso narrativo.................... 93

capítulo 4 — Aquisição atípica da linguagem ............... 95


I. Privações sensoriais: a aquisição da linguagem pelas crianças
surdas.................................................................................... 96

1. Língua de sinais e percurso de aquisição............................... 96


2. Algumas especificidades: do signo icônico ao signo gestual.... 98
3. Variabilidade das situações de aprendizagem......................... 99
4. “Bilinguismo” de crianças surdas........................................ 99
5. Implante coclear................................................................. 100
II. Distúrbios específicos da linguagem: a disfasia (Specific
Language Impairment) .......................................................... 102
1. Formas de disfasia.............................................................. 102
2. Explicações para o déficit morfossintático............................ 104
III. Perfis dissociados da linguagem e da cognição...................... 105
1. Síndrome de Williams (SW)............................................... 105
2. Síndrome de Down (SD)..................................................... 108
3. Comparação ente crianças SW e SD..................................... 109
IV. Lesões cerebrais precoces e plasticidade neurocognitiva........ 110

Conclusão................................................................................. 113

Bibliografia............................................................................. 117
Introdução

linguagem humana é um dispositi-


vo complexo, multicomponencial,
que garante simultaneamente as
funções de comunicação e as fun-
ções de representação. Em algumas
espécies animais, existem sistemas de comunicação muito sofisticados,
e os apaixonantes estudos das capacidades de linguagem dos macacos
antropoides revelaram a existência de capacidades lexicais, semânticas
e pragmáticas, sem que nem por isso capacidades gramaticais elabora-
das tenham podido ser destacadas. A linguagem é exclusiva da espécie
humana. Entender os mecanismos subjacentes a seu desenvolvimento é
lançar uma luz decisiva sobre as capacidades humanas.

A maioria das crianças domina as estruturas básicas de sua língua


materna por volta dos 4 anos, ao mesmo tempo em que dá provas de
12 Aquisição de linguagem ■ Michèle Kail

desempenhos expressivos em outros campos do desenvolvimento cogni-


tivo e social, que parecem exercer um papel de destaque na emergência
da própria linguagem. Como resultado desse desenvolvimento prodigio-
so, a criança de 4 anos é um ser extremamente sofisticado. Como é que
tamanha façanha pode ser realizada normalmente, em um prazo tão
curto, por todas as crianças, em todas as culturas? É difícil evitar a con-
clusão de que a linguagem é parte de nossa herança biológica, uma rea-
lização que depende das características específicas do cérebro humano.
Sem dúvida, o velho debate inato/adquirido persiste, pela simples au-
sência de uma teoria testável acerca dos processos pelos quais os genes e
o meio ambiente interagem para produzir estruturas cognitivas comple-
xas. Contudo, de uns quinze anos para cá, novas concepções renovam
nossos modos de encarar essa questão1. No que diz respeito ao desenvol-
vimento do cérebro, consideráveis progressos foram alcançados nesses
últimos anos, graças aos avanços dos estudos de neuroimagem e dos
estudos das lesões, mesmo que os conhecimentos ainda permaneçam
muito parciais. A sequência do desenvolvimento da sinaptogênese, que
parece ser um fenômeno crucial para o desenvolvimento precoce da lin-
guagem, pode ser descrita em várias fases2. Essencialmente, o quadro
que emerge é marcado por um período inicial (que vai do nascimento
aos 12 meses) de crescimento exuberante das células, axônios e sinap-
ses, seguido de uma eliminação seletiva, processo mais lento e que se
estende por períodos de tempo mais longos. Mesmo que pareça que os
eventos aditivos (os mais precoces estando situados sob o controle gené-
tico) se referem preferencialmente ao amadurecimento, e que os eventos
subtrativos estão associados aos efeitos da experiência, é difícil afirmar
uma dicotomia estrita entre amadurecimento e experiência. Dessa for-
ma, o desenvolvimento do cérebro representaria um caso exemplar de

1
Ver, especialmente, J. L. Elman, E. Bates, M. Johnson, A. Karmiloff-Smith, D. Parisi, K.
Plunkett (orgs.), Rethinking Innateness: A Connectionist Perspective on Development. Cambridge
(Mass.): MIT Press, 1996.
2
J.-P. Bourgeois, Synaptogenesis, Heterochrony and Epigenesist in the Mammalian Neo-
cortex. Acta Paediatrica Supplement, 422, 27-33, 1997.
Introdução 13

intrincada codependência do amadurecimento e da experiência, ou da


aprendizagem.

As reorganizações que acompanham o desenvolvimento do cérebro


podem ser atribuídas à plasticidade. Nos estudos clássicos, desenvolvi-
mento e plasticidade são pensados como sistemas complementares, mas
relativamente independentes. A plasticidade só interviria em caso de
uma perturbação do processo de amadurecimento, a fim de compensar
um déficit funcional. Concepção mais recente afirma que a plasticidade
não é nem opcional, nem reativa. Ela constitui uma propriedade funda-
mental dos sistemas neuronais e cognitivos3.

Se esta introdução faz uma síntese dos principais métodos de estudo


da percepção, do entendimento e da produção da linguagem pela crian-
ça, o faz porque os paradigmas consagrados à aquisição da linguagem
passaram, nesses últimos vinte anos, por consideráveis mudanças, mui-
tas das quais estão na origem de novas teorizações. Do mesmo modo, as
perspectivas transversais apresentadas a seguir favoreceram a emergên-
cia de uma nova visão dos processos de aquisição.

I. Métodos inovadores

A psicologia cognitiva lançou mão de verificações experimentais


de hipóteses provenientes de modelos teóricos. Não apenas os métodos
experimentais foram se sofisticando cada vez mais, dando acesso a ca-
pacidades até então insuspeitadas, como avanços notáveis foram reali-
zados nos métodos de simulação dos processos linguísticos. O advento e
os progressos do imageamento cerebral funcional, atualmente utilizado
sem perigo tanto no bebê quanto na criança, bem como a multiplicação
dos estudos sobre bebês vítimas de lesões cerebrais precoces contribuem

3
M. Kail, Développement du langage et plasticité: l’innéisme en question. Bull. hist. épis-
tém. sci. vie, 11, 39-73, 2004.
14 Aquisição de linguagem ■ Michèle Kail

com novos esclarecimentos sobre a organização funcional da lingua-


gem e as bases cerebrais subjacentes a sua aquisição.

1. Métodos de estudo da percepção precoce da linguagem

São vários os métodos de estudo da percepção precoce da lingua-


gem. Mencionaremos os mais frequentes4:

Estudo da reatividade cardíaca fetal — A exploração das capacidades


de processamento dos sons da fala pelo bebê foi ampliada, há cerca de
trinta anos, às do feto nos três últimos meses da gravidez. Esse período é
aquele no qual o feto começa a se familiarizar com alguns sons e ritmos
de sua língua materna. Por conta da maturidade do sistema auditivo,
que já é funcional por volta do último trimestre da gravidez, o feto pode
perceber sons outrora atenuados pelo barulho do meio intrauterino. As
primeiras pesquisas foram conduzidas nos anos 1980 com o método de
coleta das variações do ritmo cardíaco fetal5. Esse método permitiu ana-
lisar a reatividade cardíaca (monitoring) a mudanças de sons por meio de
um alto-falante colocado sobre a barriga da mãe. Desse modo, esse mé-
todo identificou a quais aspectos da fala materna o feto já é receptivo. As
pesquisas realizadas destacam a importância da exposição pré-natal às
propriedades de baixa frequência da voz materna e aos contornos prosó-
dicos na preferência dos recém-nascidos pela voz da mãe.

Método de sucção de alta amplitude (High Amplitude Sucking Proce-


dure) — Este método consiste em utilizar o reflexo de sucção não nutri-
tiva, reforçando com sons apenas as sucções que excedam determinado
nível de pressão. O primeiro estudo a utilizar este método revelou admi-

4
Para uma apresentação em pormenor, pode-se consultar P. W. Jusczyk, Appendix: Meth-
odology Used in Studies of Infant Speech Perception, in: P. W. Jusczyk (org.), The Discovery of Spo-
ken Language. Cambridge (Mass.): MIT Press, 1997.
5
J.-P. Lecanuet, C. Granier-Deferre, A. J. De Casper, R. Maugeais, A.-J. Andrieu, M.-C. Busnel,
Perception et discrimination fœtale de stimuli langagiers, mise en évidence à partir de la réactivité
cardiaque. Comptes rendus de l’Académie des sciences de Paris, t. CCCV, série III , 161-154, 1987.
Introdução 15

ráveis capacidades de discriminação auditiva por parte do recém-nasci-


do6. Esse método é adequado para bebês de até 4 meses. Ele foi utilizado
em várias experiências que revelaram que os bebês podem discriminar
os contrastes fonéticos presentes nas línguas naturais.

O procedimento de preferência na rotação da cabeça (Operant Headturn


Procedure) — Este procedimento experimental é pertinente no caso de
bebês que já tenham um bom controle dos movimentos de sua cabeça,
ali por volta dos 4 meses. O método se baseia na associação luz-som e,
como na sucção de alta amplitude, a experiência toda compreende uma
fase de habituação e uma fase de teste. Se a fase de habituação tiver sido
bem-sucedida, a criança girará a cabeça durante um tempo mais longo
para ouvir o som “costumeiro” em comparação com o som novo. Pode-
-se assim demonstrar que o bebê discrimina o contraste entre duas síla-
bas. Este método pôs em destaque o declínio, por volta dos 8 meses, da
sensibilidade a determinados contrastes fonéticos não nativos7. Uma das
limitações a destacar nesse método é que ele é especialmente adaptado
para durações de estímulos que não excedam uma palavra.

2. Métodos de estudo do entendimento da linguagem

Durante muito tempo, as informações sobre a competência lin-


guística da criança provinham essencialmente de sua produção dire-
tamente acessível. Contudo, várias razões jogam a favor da exploração
do entendimento precoce. De início, também se pode ter acesso a uma
representação mais completa do sistema linguístico emergente, espe-
cialmente porque as variáveis contextuais da produção precoce tendem
a mascarar os conhecimentos estritamente linguísticos do bebezinho.
Outra razão é que o entendimento precoce constitui uma janela para os

6
P. D. Eimas, E. R. Siqueland, P. Jusczyk, J. Vigorito, Speech Perception in Infants. Science,
171, 303-306, 1971.
7
J. F. Werker, R. C. Tees, Cross-Language Speech Perception: Evidence for Perceptual Reor-
ganization During the First Year of Life. Infant Behavior and Development, 7, 49-63, 1984.
16 Aquisição de linguagem ■ Michèle Kail

processos da própria aquisição: quando uma criança produz um item ou


uma estrutura linguística, podemos pensar que ele já a adquiriu, mas
ignoramos por quais caminhos8.

A) Métodos de entendimento off-line

Trata-se de métodos que se interessam pelo resultado do processa-


mento (off-line) e não pelos processos em curso (on-line).

a) Técnica da mímica das ações

É um dos paradigmas mais comuns, que situa a criança pequena


(a partir de 2 anos) em um universo lúdico de brinquedos que ela vai
escolher para realizar a ação descrita em uma frase proposta pelo ex-
perimentador. As limitações deste método residem no fato de que uma
ausência de ação não pode ser interpretada como uma ausência de en-
tendimento. Por sinal, esse método pode provocar uma subestimação
das capacidades linguísticas por conta da carga de memória ou da coor-
denação motora implicadas pela tarefa. Não obstante seus limites, este
método sempre é utilizado pela criança como um meio de cômodo aces-
so à identificação das relações entre formas e funções em sua língua e
permite comparações interlínguas controladas.

b) Técnica de apontar imagens

Apresentam-se imagens à criança (em geral, quatro) e se pede a ela


para escolher aquela que corresponde à ação descrita pelo experimen-
tador. As versões mais recentes deste teste são digitais. Esta técnica não
é adequada para o entendimento dos verbos de movimento, porque fre-
quentemente as imagens não são adaptadas a ações dinâmicas.



8
M. Kail, La compréhension précoce du langage oral: enjeux développementaux. Ipsen,
3, 127-146, 1999; M. Kail, The Study of Early Comprehension in Language Development. New
Methods, Findings and Issues. Language, Interaction and Acquisition, 2, 13-36, 2011.
Introdução 17

Em conclusão, os métodos off-line são úteis, mas exigem muito das


capacidades metalinguísticas das crianças. Nesse sentido, eles estão dis-
tantes daquilo que é o próprio processo de entendimento e atualmente
estão frequentemente articulados a métodos on-line.

B) Métodos de entendimento on-line

Estes sofisticados métodos vêm sendo desenvolvidos de uns dez anos


para cá e são resultado do estudo das dimensões temporais do processa-
mento da linguagem e da análise dos processos velozes e automatizados
que intervêm no entendimento de palavras ou de frases.

a) Técnica intermodal da fixação preferencial do olhar9

Este paradigma se baseia na apresentação simultânea de imagens


e de sons (palavras ou frases). Na fase de teste em que a mensagem lin-
guística é transmitida, é tarefa da criança olhar para uma imagem apre-
sentada em cada tela. Se a criança entender a informação linguística,
ela deve prestar mais atenção à imagem compatível com o enunciado
ouvido. Registra-se o tempo total das fixações em cada tela no decorrer
das tentativas. Esse paradigma apresenta vantagens em comparação
com os métodos clássicos de entendimento: ele não exige nenhuma ação
especial (como apontar para uma imagem). As crianças operacionali-
zam uma resposta presente em seu repertório comportamental (a fixa-
ção visual). Esse método é aplicável apenas entre o 9º e o 30º mês. Passa-
da esta idade, ele se demonstra inadequado, especialmente do ponto de
vista atencional. Além disso, a duração de apresentação dos estímulos
implica procedimentos pré-experimentais de ajuste que são custosos10.
Finalmente, a validade da medida da preferência visual parece decrescer
com o crescimento dos sujeitos.

9
R. M. Golinkoff, K. Hirsh-Pasek, K. M. Cauley, L. Gordon, The Eyes Have it: Lexical and
Syntactic Comprehension in a New Paradigm. Journal of Child Language, 14, 23-45, 1987.
10
M. Kail, M. Boibieux, H. Coulaud, Early Comprehension of Transitive and Intransitive
French Sentences, in: B. Bokus (org.), Studies in the Psychology of Child Language. Varsóvia: Matrix,
2005.
18 Aquisição de linguagem ■ Michèle Kail

A
linguagem é exclusiva da espécie humana. A maio-
ria das crianças dominam as estruturas básicas de
b) Técnica looking while listening11
sua língua materna por volta dos 4 anos, ao mesmo
tempo em
Esta técnica visa superar que dão provas
as dificuldades de desempenhos
da técnica intermodalexpressi-
da fi-
xação preferencial do olhar. O princípio consiste em gravar continuamentee
vos em outros campos do desenvolvimento cognitivo
os movimentos oculares social, que parecem
durante exercer um
a apresentação papel de destaque
intermodal. na
A codifica-
emergência da própria linguagem. A criança de 4 anos é um ser extremamente
ção é muito mais complexa, mas preserva o caráter dinâmico do processo
sofisticado. Como é que tamanho feito pode ser realizado normalmente, em um
de entendimento e permite operacionalizar o processamento em termos de
prazo tão curto, por todas as crianças, em todas as culturas?
velocidade. Nessa nova técnica, a rapidez de processamento é apreendida a
Osdaconhecimentos
partir empíricos
latência da mudança e teóricos
de fixação sobre a do
em direção aquisição
estímulodacompatí-
lingua-
gem foram
vel com consideravelmente
o enunciado. Pesquisasampliados
12
também nos últimos vinte
demonstraram queanos. Novos
as crianças
consensos emergiram e esclareceram várias controvérsias antigas,
que são mais rápidas no entendimento on-line aos 25 meses são aquelas muito
frequentemente especulativas.
que têm um vocabulário mais extenso e capacidades de memorização mais
O séculotanto
importantes XXI será um período
em tarefas verbaisdequanto
descobertas sem precedentes para
não verbais.
a compreensão do vínculo entre as estruturas anatômicas, os sistemas fi-
c) Análise dos movimentos oculares (eye tracking)
siológicos do cérebro e o funcionamento da mente humana. E esses novos
conhecimentos
No decorrerpermitirão compreender
do processamento o que ou
de palavras signifi ca verdadeiramente
de frases corresponden-
adquirir e utilizar
tes a cenas visuais,a alinguagem . movimentos oculares se desenvolveu con-
análise dos
sideravelmente em razão da utilização de dispositivos de gravação não limi-
tantes dos movimentos dos bebês ou das crianças pequenas (cabeça livre).
Trabalhos que vêm sendo realizados há mais de dez anos com esse método
levam a uma concepção mais dinâmica dos processos envolvidos no enten-
dimento da linguagem, especialmente dos processos atencionais13.

d) Métodos de imageamento cerebral: os potenciais evocados

Estes métodos estão na origem dos avanços mais marcantes desses


últimos anos, não apenas para o estudo da linguagem, mas também

11
A. Fernald, R. Zangl, A. L. Portillo, V. A. Marchman, Looking While Listening: Using Eye
Movements to Monitor Spoken Language Comprehension by Infants and Young Children, in: I. A.
Sekerina, E. M. Fernandez, H. Clahsen (orgs.), Developmental Psycholinguistics: On-Line Methods in
Children’s Language Processing. Amsterdam: Benjamins, 2008.
12
V. A. Marchman, A. Fernald, Speed of Word Recognition and Vocabulary Knowledge in
Infancy Predict Cognitive and Language Outcomes in Later Childhood. Developmental Science, 11
(3), 339-346, 2008.
13
J. C. Trueswell, Using Eye Movements as a Developmental Measure within Psycholinguis-
tics, in: I. A. Sekerina, E. M. Fernandez, H. Clahsen (orgs.), op. cit.