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2.

3 Conceito de empresa

A antiga Sociedade Comercial hoje é chamada Sociedade Empresária e tem seus instrumentos de

constituição e alterações registrados na Junta Comercial, enquanto as antigas Sociedades Civis são
atualmente tratadas por Sociedades Simples e registradas em Cartório.

Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a


produção ou circulação de bens e serviços (que substitui a figura do comerciante, aquele que
praticava atos do comércio). Para exercício da atividade econômica o empresário deverá efetuar
inscrição na Junta Comercial. Assim, indústria, comércio, prestações de serviços em geral
caracterizam atividades empresariais. Por outro lado, considera-se não empresário quem exerce
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que seja com o concurso de
auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Um
exemplo seria o médico em seu consultório, ou um advogado, ou dentista etc. Porém, se o médico
se une a outros médicos, constituindo um hospital, aí será uma atividade empresarial.
Só podem exercer atividade de empresário os que se enquadrarem nos moldes do novo Código Civil.

Quanto à divisão de Empresária versus Simples, considera-se Empresária a sociedade que tem por
objetivo o exercício de atividade própria de empresário; por outro lado, consideram -se Simples as
demais. De maneira geral, sociedade Simples é, sobretudo, aquela que explora atividade de
prestação de serviços decorrentes de atividade intelectual e de cooperativa.

2.4 Objetivo social no nome empresarial

Uma das inovações trazidas pelo Código Civil (CC) tem relação com o nome ou denominação social
das empresas. O CC determina que conste no nome empresarial a designação do objetivo da
sociedade. Assim, é necessário que o nome empresarial contenha especificamente qual a atividade
que a sociedade exerce. Para as empresas que possuem mais de um objeto social, recomenda-se
que conste em seu nome empresarial a atividade preponderante das atividades por elas exercidas.
Por exemplo, uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social é a construção de imóveis,
deverá ter nome empresarial semelhante: X Construção de Imóveis Ltda. Essa exigência legal vem
sendo aplicada pelas Juntas Comerciais competentes pelo registro de documentos societários, ao
analisar os contratos sociais apresentados após a entrada em vigor do Cc.

2.5 Classificação das sociedades

A primeira divisão que pode ser feita é em Sociedade não Personificada (embora constituída oral ou
documentalmente, não formalizou o arquivamento ou registro) e Sociedade Personificada
(legalmente constituída e registrada em órgão competente, adquirindo personalidade formal,
podendo ser chamada de pessoa jurídica).

O NCC prevê dois tipos de Sociedades não Personificadas: Sociedade Comum (explora uma atividade
econômica, mas sem registro, sendo conhecida como sociedade de fato ou sociedade irregular) e
Sociedade em Conta de Participação (é um contrato de investimento comum em que duas ou mais
pessoas se reúnem para exploração de uma atividade econômica. Um tipo de sócio é o Ostensivo, o
empreendedor que dirige o negócio e é responsável perante terceiros; os demais sócios são apenas
participantes na condição de investidor, chamados, então, de sócios Participantes). As Sociedades
Personificadas são legalmente constituídas e registradas em órgãos competentes. As personificadas
dividem-se em Sociedade Empresária e Sociedade Simples.

2.6 Sociedade empresária

Como já vimos, é a sociedade registrada para explorar atividades de empresa (produção, circulação
de bens e serviços). São as empresas industriais, comerciais e prestadoras de serviços e podem ser
reguladas nos seguintes tipos:

2.6.1 Sociedade em nome coletivo

Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os
sócios, solidários e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Sem prejuízo da responsabilidade
perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior,
limitar entre si a responsabilidade de cada um. Esse tipo de sociedade é pouco interessante porque a
responsabilidade dos sócios vai além do capital, é ilimitada.

2.6.2 Sociedade em comandita simples

Na sociedade em comandita simples, tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados,


pessoas físicas, responsáveis solidárias e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os
comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota.

O contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários.

• Aplicam -se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome coletivo, no que

forem compatíveis.

• Aos comanditados cabem os mesmos direitos e obrigações dos sócios da sociedade em nome

coletivo.

Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as


operações, não pode o comanditário praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma
social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado.

2.6.3 Sociedade limitada

Mais de 90% das empresas brasileiras são na forma limitada. Na sociedade limitada, a
responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem
solidariamente pela integração do capital social.

2.6.4 Da sociedade anônima

Na sociedade anônima ou companhia, o capital divide-se em ações, obrigando-se cada sócio ou


acionista somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir.

2.6.5 Da sociedade em comandita por ações

A sociedade em comandita por ações tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas
relativas à sociedade anônima, e opera sob firma ou denominação.
Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde
subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade.

2.7 Sociedade simples

É constituída para a exploração de atividade de prestação de serviços decorrentes de atividade


intelectual: advogados, médicos, dentistas, contadores, engenheiros ...

De maneira geral, atividades de natureza científica, literária, artística e intelectual enquadram-se


como simples. As sociedades simples são registradas no cartório de registro civil de pessoas
jurídicas.

2.8 Sociedade cooperativa

A sociedade cooperativa reger-se-á pelo CC e por legislação especial. Como a sociedade anônima, a
sociedade cooperativa possui legislação especial, que é a Lei nº 5.764/71.

Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. É limitada a
responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas e pelo
prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de sua participação nas mesmas
operações. É ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e
ilimitadamente pelas obrigações sociais. No que a lei for omissa, aplicam-se as disposições
referentes à sociedade simples.

2.9 Sociedade anônima (sociedade por ações)

As sociedades anônimas, também denominadas companhias, têm o capital social dividido em ações,
e a responsabilidade dos acionistas (proprietários das ações) é limitada ao preço de emissão das
ações subscritas ou adquiridas.

2.9.1 Principais características

São as seguintes as principais características da sociedade anônima:

• é sempre uma sociedade empresária (antiga sociedade comercial);

• a sociedade é designada por denominações, acompanhada da expressão companhia ou sociedade

anônima, expressas por extenso ou abreviadamente, mas vedada a utilização da primeira ao final.

Poderá figurar na designação o nome do fundador, acionista ou pessoa que por qualquer modo

tenha concorrido para o êxito da empresa;

• a companhia pode ter por objetivo participar de outras sociedades, ainda que tal participação não

seja prevista no estatuto. A participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para

beneficiar-se de incentivos fiscais.

2.9.2 Constituição da S.A.

A constituição da companhia depende do cumprimento dos seguintes requisitos preliminares (após


o estabelecimento do estatuto - regras que regem a S.A.):

• subscrição, pelo menos por duas pessoas, de todas as ações em que se divide o capital social fixa
dono estatuto;
• realização, como entrada, de 10%, no mínimo, do preço de emissão das ações subscritas, em
dinheiro;

• depósitos, no Banco do Brasil S.A.,ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela


Comissão de Valores Mobiliários, da parte do capital realizado em dinheiro.

Em nosso Direito, há duas formas de constituição de sociedade anônima:

a) por subscrição pública (grupo fundador subscreve parcela do capital, colocando à venda, ao
público

em geral, outra parcela das ações): é submetida à apreciação da Comissão de Valores Mobiliários

(CVM) com o objetivo de proteger a economia popular. A CVM não concede o registro de

emissão para constituição de companhia por inviabilidade ou temeridade do empreendimento

ou, ainda, por inidoneidade dos fundadores. A subscrição somente pode ser efetuada com a

intermediação de instituição financeira através de uma underumter;

b) por subscrição particular (o grupo fundador fica com a totalidade do capital): é a forma que
predomina

quando a subscrição particular do capital pode fazer-se por deliberação dos subscritos

em assembleia geral (reunião dos subscritores) ou por escritura pública (assinatura de todos os

subscritores), considerando-se fundadores todos os subscritores.

2.9.3 Tipos de S.A.

A - COMPANHIA ABERTA

A captação de recursos é realizada junto ao público. Os valores mobiliários (ações ou debêntures)


são admitidos à negociação em bolsas ou no mercado de balcão.

Além dos incentivos fiscais concedidos aos acionistas e à própria empresa, a sociedade anônima de
capital aberto (Cia.Aberta) possui grande vantagem quanto à captação de recursos junto ao público,
recursos esses que muitas vezes são "mais baratos" em relação ao mercado financeiro (crédito), e
não há a obrigação líquida e certa do reembolso.

B - COMPANHIA FECHADA

É a companhia que não recorre à poupança pública e obtém recursos entre os próprios acionistas
para formação de seu capital próprio. Sua ação não é cotada em bolsa. É a sociedade tradicional,
restrita a pequenos grupos.

C - SOCIEDADE DE CAPITAL AUTORIZADO

Contém, no estatuto, disposição que autoriza o aumento de capital até certo teto (capital
autorizado), sem necessidade de anuência da assembleia geral nem de reforma estatutária.
Portanto, a sociedade com capital autorizado realiza, gradativamente, com a emissão de ações, o
aumento do capital subscrito, até atingir o montante da autorização

D - SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA


É legalmente definida como entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por
lei para exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com
direito a voto pertençam em sua maioria à União ou à entidade da Administração Indireta.

2.9.5 Ações

São títulos de propriedade, representativos das cotas-partes em que se divide o capital social de
uma sociedade por ações. Uma ação representa a menor fração em que é dividido seu capital. o
proprietário de uma ação torna -se acionista da companhia, isto é, um de seus donos.

A - ORDINÁRIAS

São ações comuns, desprovidas de quaisquer restrições, porém não dotadas de nenhum privilégio,
salvo o direito ao voto.

B - PREFERENCIAIS

São aquelas que conferem preferências previamente declaradas nos estatutos, tais como:

• prioridade na distribuição de dividendos; e/ou

• prioridade no reembolso do capital, com ou sem prêmio

C- NOMINATIVAS

A propriedade das ações nominativas presume-se pela inscrição do nome do acionista no livro de
Registro das Ações Nominativas; a transferência dessas ações opera-se lavrando-se o livro de
Transferência de Ações Nominativas com a assinatura do cedente e do cessionário.

D - ENDOSSÁ VEIS

A propriedade das ações endossáveis presume-se pela posse do título com base em série regular de
endossos, mas o exercício do direito perante a companhia requer a averbação do nome do acionista
no livro Registro de Ações Endossáveis e no certificado

2.10.1 Fusão

É a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes
sucederá em todos os direitos e obrigações.

2.10.2 Incorporação (encampação ou absorção)

É a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos
os direitos e obrigações.

2.10.3 Grupo de sociedades

As sociedades controladas podem constituir grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se
obriguem a combinar recursos e/ou esforços para a realização dos respectivos objetivos ou a
participar de atividades ou empreendimentos comuns. A sociedade controladora, ou de comando do
grupo, deve ser brasileira e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das
sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros
sócios ou acionistas.

2.10.4 Consórcio
Surge aqui o caso de sociedades que desejam unir-se, em proveito de um empreendimento, sem
perder sua personalidade jurídica, sem abdicar de sua autonomia administrativa e, muitas vezes,
sem a participação societária.

2.10.5 Coligadas e controladas

A Lei das Sociedades por Ações define sociedades coligadas e controladas. São coligadas as
sociedades quando participam, com 10% ou mais, do capital da outra, sem controlá-Ia.

2.10.6 Subsidiária integral

Embora a constituição da companhia dependa de subscrição de pelo menos duas pessoas, a


legislação das sociedades por ações dispõe que a companhia pode ser constituída, mediante
escritura pública, tendo como único acionista a sociedade brasileira.

2.11 Outras formas de tratar sociedades

2.11.1 Sociedade nacional

É nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei brasileira que tenha no país a sede de
sua administração. Quando a lei exigir que todos ou alguns sócios sejam brasileiros, as ações da
sociedade anônima revestirão, no silêncio da lei, a forma nominativa. Qualquer que seja o tipo da
sociedade, em sua sede ficará arquivada cópia autêntica do documento comprobatório da
nacionalidade dos sócios. Não haverá mudança de nacionalidade de sociedade brasileira sem o
consentimento unânime dos sócios ou acionistas.

2.11.2 Sociedade estrangeira

A sociedade estrangeira, qualquer que seja seu objetivo, não pode, sem autorização do Poder
Executivo, funcionar no país, ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia,
ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira.

2.12 Empresa rural

o CC define, como já vimos, empresário como aquele que exerce profissionalmente atividade
econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. Assim, o produtor rural
passa a ser chamado de empresário rural em função da definição acima, desde que se inscreva na
junta comercial. Não se inscrevendo na junta comercial, ele será um produtor rural autônomo.

2.13 Escrituração conforme o CC

o empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade,


mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a
documentação respectiva, e a levantar anualmente o Balanço Patrimonial e o de Resultado
Econômico (DRE), ficando dispensado dessas obrigações o pequeno empresário.

2.14 Sociedade sem fins lucrativos

Constituem -se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos.
Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos.

O estatuto das associações conterá:

• a denominação, os fins e a sede da associação;

• os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;


• os direitos e deveres dos associados;

• as fontes de recursos para sua manutenção;

• o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos;

• as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução

Compete privativamente à assembleia geral:

• eleger os administradores;

• destituir os administradores;

• aprovar as contas;

• alterar o estatuto.