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revista da número 13

setembro de 2005
abem

Novas perspectivas para a


formação de professores de
música: reflexões acerca do
Projeto Político Pedagógico da
Licenciatura em Música da
Universidade Federal da Paraíba
Luis Ricardo Silva Queiroz
Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
luisrsq@uol.com.br

Vanildo Mousinho Marinho


Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
vanildom@uol.com.br

Resumo. Este trabalho discute aspectos fundamentais que têm norteado as definições para a formação
do professor de música na atualidade, apresentando e refletindo sobre as diretrizes e as bases
metodológicas que alicerçaram a elaboração do Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura
em Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O estudo tem como suporte uma pesquisa
bibliográfica que contemplou publicações da área de educação musical, diretrizes do Ministério da
Educação (MEC) para a área de música e para as licenciaturas em geral, e documentos específicos
para os cursos de licenciatura da UFPB. A partir de nossas reflexões foi possível concluir que os
cursos de formação de professores de música devem possibilitar uma formação ampla, capaz de
possibilitar ao seu egresso conhecimentos metodológicos e éticos do campo educacional, somados a
uma sólida base musical, garantindo, assim, as competências necessárias para o ensino da música nos
seus distintos contextos.

Palavras-chave: licenciatura, música, projeto político-pedagógico

Abstract: This work discusses fundamental aspects that have guided the current definitions for the
music teacher’s education, presenting and reflecting about the guidelines and the methodological basis
of the Pedagogic Political Project of the Music Teaching Certification Course (undergraduate level) of the
Universidade Federal da Paraíba (UFPB). The study is supported by a bibliographical research in the
area of music education, guidelines of the Ministry of Education (MEC) for the area of music and for the
teaching certification curses (undergraduate level), and specific documents of UFPB. We conclude that
the music teachers’ education courses should offer a wide formation to the future teachers, including
methodological and ethical knowledge of the educational field, and a solid musical basis, thus guaranteeing
the necessary competencies for teaching music in different contexts.

A música, por suas diferentes perspectivas Tendo em vista o vasto campo da educação
educativas, vem exigindo novas configurações peda- musical, que abrange desde os processos básicos
gógicas que permitam aos profissionais atuantes de musicalização até práticas complexas de domí-
nessa área lidar com diferentes contextos, situações nio instrumental e composicional, podemos afirmar
e possibilidades de ensino e aprendizagem. que a formação do professor de música é hoje um

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QUEIROZ, Luis Ricardo Silva ; MARINHO, Vanildo Mousinho. Novas perspectivas para a formação de professores de música:
reflexões acerca do Projeto Político Pedagógico da Licenciatura em Música da Universidade Federal da Paraíba. Revista da ABEM,
Porto Alegre, V. 13, 83-92, set. 2005.
número 13 revista da
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dos maiores desafios dessa área. Nessa perspecti- […] a Licenciatura ganhou, como determina a nova
legislação, terminalidade e integralidade própria em
va, fica evidente que a capacitação do profissional relação ao Bacharelado, constituindo-se em um projeto
atuante na educação musical exige uma preparação específico. Isso exige a definição de currículos próprios
ampla, em que os conteúdos musicais sejam soma- da Licenciatura que não se confundam com o
dos a competências pedagógicas fundamentais para Bacharelado ou com a antiga formação de professores
que ficou caracterizada como modelo “3+1” (Brasil,
a atuação docente. 2001, p. 6).

Por experiências vivenciadas em toda a traje- Em se tratando da formação de professores


tória da educação musical, é notório que a formação de música, temos a convicção de que a complexida-
do professor tem particularidades que vão além do de em torno das competências que devem compor o
perfil de formação do músico, exigindo configurações perfil desses profissionais faz com que não tenha-
que transcendem o domínio técnico e estrutural da mos uma única perspectiva metodológica para ca-
música. pacitar, de forma adequada, o educador musical para
seus diferentes campos de atuação. No entanto,
Os cursos de bacharelado em música, con- mesmo tendo consciência das dificuldades para de-
solidados em várias universidades brasileiras, têm terminar um perfil específico para professores que
cumprido um papel fundamental no país, formando lidam com o ensino da música de diferentes formas,
músicos para atender o mercado de trabalho profis- em diferentes contextos e situações, e com diferen-
sional, capacitando-os para exercer distintas funções tes sujeitos, entendemos que há competências que,
e atuar em diferentes espaços do campo musical de maneira geral, são imprescindíveis a todo profis-
em nossa sociedade. sional da área de educação musical. Competências
essas que permitam somar os conteúdos específi-
Por outra perspectiva, as licenciaturas em
cos da música com a compreensão e a capacitação
música têm, por sua vez, se preocupado em capaci- metodológicas, fundamentais para o desenvolvimen-
tar profissionais para a atuação na educação bási- to de atividades docentes significativas e contextua-
ca, habilitando-os também para ocupar lugares como lizadas com as situações de ensino musical exis-
escolas especializadas de ensino da música e ou- tentes na contemporaneidade.
tros contextos emergentes na sociedade, onde a
atuação docente de um professor com formação Os cursos de música das universidades bra-
específica nesse campo de conhecimento se mos- sileiras, principalmente as licenciaturas, passam por
tra fundamental. um momento de redefinição e de buscas metodo-
lógicas, visando atender às múltiplas demandas da
Assim, podemos encontrar esses dois univer- área. A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educa-
sos da área da música, no que se refere aos seus ção Nacional (LDB), Lei 9.394/96 (Brasil, 1996), os
cursos de graduação: um que visa a formação do cursos de licenciatura em música vêm sendo
músico (bacharelado), e outro que tem como objeti- reestruturados em suas bases curriculares, com a
vo a formação do professor para a atuação no ensino elaboração de projetos políticos pedagógicos, que
da música (licenciatura). Universos estes que cons- visam incorporar as dimensões exigidas para a for-
tituem a área como um todo, mas que têm campos mação docente em geral, sem perder de vista as
de atuação diferenciados – não excludentes –, com especificidades do campo da música.
competências específicas que particularizam as de-
finições estruturais, políticas e pedagógicas de seus Refletindo sobre aspectos que consideramos
cursos. fundamentais para a definição política e pedagógica
dos cursos de formação de professores de música
As novas perspectivas da legislação educaci- na atualidade, apresentamos, aqui, as definições e
onal brasileira para a caracterização da formação as bases metodológicas que nortearam a elabora-
profissional, consolidada nos cursos de graduação, ção do Projeto Político Pedagógico do Curso de Li-
evidenciam a necessidade de projetos políticos pe- cenciatura em Música da Universidade Federal da
dagógicos autônomos e adequados ao perfil da car- Paraíba (UFPB). Enfatizamos assim as especifi-
reira profissional almejada. O parecer CNE/CP1 9/ cidades concebidas para este curso a partir dos seus
2001 (Brasil, 2001), que trata das Diretrizes Curricu- objetivos, do perfil e do campo de atuação dos seus
lares Nacionais para a formação de professores da egressos, das competências, atitudes e habilidades
educação básica, em nível superior, enfatiza esse almejadas para esses profissionais, e da sua metodo-
aspecto, afirmando que: logia de implementação.
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Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno.

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A partir das novas estruturações pedagógicas das novas definições curriculares para cursos de for-
e das demais propostas contemporâneas para a mação de professores de música, fundamentam a
educação brasileira, que visam formar os profissio- necessidade de uma proposta abrangente, através de
nais de ensino de forma abrangente e contextualizada projetos político-pedagógicos que possam atender às
com as necessidades da nossa sociedade, pensa- distintas necessidades educativas, nos mais variados
mos na integração entre ensino, pesquisa e exten- campos de atuação do professor de música na nossa
são como caminhos fundamentais para concretizar- sociedade (Bellochio, 2003a, 2003b; Del Ben, 2003;
mos na universidade um curso que possa proporcio- Grossi, 2003; Mateiro, 2003b; Mota, 2003; Ramalho,
nar a abrangência necessária para a formação dos 2003; Ribeiro, 2003; Santos, 2003; Souza, 2003).
professores que atuam no campo da música. Atra-
vés de projetos e atividades de ensino, pesquisa e O levantamento de novas demandas profissi-
extensão, somados a uma composição curricular de onais e a descoberta e o reconhecimento de espa-
caráter interdisciplinar, sem perder de vista a parti- ços de atuação que tinham pouca visibilidade no
cularidade do campo de conhecimento musical, vi- campo de educação musical têm demonstrado a
samos proporcionar ao aluno uma capacitação ade- necessidade de que os cursos de formação de pro-
quada para que possa desenvolver os conhecimen- fessores possibilitem, através dos seus projetos po-
tos fundamentais de sua área de atuação e fazer lítico-pedagógicos, e da operacionalização destes,
uso das ferramentas necessárias para a transmissão, a capacitação de profissionais em condições de atuar
elaboração, e construção desse conhecimento. nos mais variados contextos que compreendem a
complexidade da área de música no Brasil (Arroyo,
Fundamentos teóricos para a definição 2000, 2002; Queiroz, 2003, 2004; Travassos, 2001).
curricular da Licenciatura em Música da UFPB
A necessidade de contemplar novas perspec-
A elaboração do Projeto Político Pedagógico tivas de atuação, a partir das dimensões políticas,
e a operacionalização do Curso de Licenciatura em sociais e culturais da contemporaneidade é fortemen-
Música da UFPB estão fundamentadas nas diretri- te enfatizada pelos documentos que compõem as
zes fixadas pela LDB 9.394/96 (Brasil, 1996), que orientações político-pedagógicas da educação bra-
orientam a elaboração curricular, e na legislação sileira. Documentos esses que têm apontado para a
complementar: diretrizes do Ministério da Educação importância de se “fortalecer ou instaurar processos
(MEC) para área de música – Resolução CNE/CES de mudança no interior das instituições formadoras,
2/2004 (Brasil, 2004); diretrizes do MEC para os respondendo às novas tarefas e os desafios aponta-
cursos de licenciatura – Resolução CNE/CP 1/2002 dos” (Brasil, 2001, p. 10). Dessa forma, é fundamen-
(Brasil, 2002a); Resolução do MEC – CNE/CP 2/ tal uma “revisão profunda” de “aspectos essenciais”
2002 – que institui carga horária para os cursos de da formação dos profissionais da educação, princi-
licenciatura (Brasil, 2002b); Resoluções do Conse- palmente no que diz respeito à “definição” e
lho Superior de Ensino Pesquisa e Extensão da “estruturação” dos conteúdos que constituem a base
UFPB (Consepe/UFPB): 34/2004 – que orienta a ela- dos cursos de capacitação docente, “para que res-
boração e reformulação dos Projetos Políticos Pe- pondam às necessidades da atuação do professor”
dagógicos dos Cursos de Graduação da UFPB; 04/ (Brasil, 2001, p. 11).
2004 – que estabelece a Base Curricular para a
Formação Pedagógica dos Cursos de Licenciatura da No que tange especificamente ao curso de
UFPB; e 52/2003 – que orienta a inclusão de Compo- Licenciatura em Música da UFPB, visamos propor-
nentes Curriculares Flexíveis nos Projetos Políticos cionar uma formação ampla dos profissionais de
Pedagógicos dos Cursos de Graduação da UFPB (Uni- ensino de música, de forma que possam atender às
versidade Federal da Paraíba, 2003, 2004a, 2004b). necessidades e demandas da área. Assim, o curso
está estruturado em duas habilitações específicas
Consideramos também, como base para as (Educação Musical, Instrumento/Canto): a primeira
definições pedagógicas do curso, as sugestões apre- centrada na formação de professores de música para
sentadas pelo MEC nos PCN para a área de artes atuação nos contextos mais amplos da área, en-
na educação básica (Brasil, 1997, 1998, 1999), que quanto a outra tem como foco a formação do profes-
trazem definições específicas para o campo da mú- sor de instrumento ou de canto. Pensamos essas
sica, além das discussões e produções bibliográfi- duas vertentes alicerçadas sobre uma base comum,
cas da área de educação musical nos últimos anos. que permita a formação de profissionais aptos a li-
dar com a diversidade e a complexidade do ensino
A crescente produção de pesquisa no campo da música, mas garantindo particularidades metodo-
de ensino e aprendizagem da música e as reflexões lógicas de atuação nos campos especificados para
que a área de educação musical tem gerado, acerca cada uma das habilitações.

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A Habilitação em Educação Musical abarca a habilitar professores para o ensino de música, ca-
formação de professores para o ensino de música pacitando-os para a atuação em escolas de educa-
em suas distintas possibilidades educativas, sem ção básica, escolas especializadas da área e de-
privilegiar as especificidades da formação de profes- mais contextos de ensino e aprendizagem da músi-
sores para instrumentos ou canto. O campo de atu- ca. Com base nessa dimensão mais ampla visa-
ação do habilitado em Educação Musical é constitu- mos também contemplar os seguintes objetivos
ído fundamentalmente por escolas de educação bá- específicos:
sica e por outros universos de ensino da música,
como escolas especializadas, ONGs, contextos – atender às demandas e às necessidades
comunitários, e demais espaços que tenham como profissionais relacionadas ao ensino da música
finalidade propostas educativo-musicais. na região;

A Habilitação em Instrumento/Canto visa aten- – proporcionar um conhecimento amplo da


der, sobretudo, uma demanda emergente no campo área, possibilitando aos alunos uma formação
do ensino da música, como escolas especializadas abrangente que contemple universos distintos do
da área e outros contextos que se dedicam ao ensi- ensino da música;
no do instrumento e do canto, que têm encontrado
dificuldades para preencher seus quadros docentes – desenvolver a capacidade reflexiva na área
com professores habilitados nessas modalidades de de educação musical com base em projetos que inter-
ensino. Atenderemos, assim, à demanda de pesso- relacionem ensino, pesquisa e extensão;
as que buscam essa formação com o intuito de atu-
– possibilitar vivências em situações de ensi-
ar, especificamente, como professor de instrumento
no e aprendizagem nos diferentes contextos da área
– conforme sua escolha, em uma das distintas es-
de educação musical;
pecializações desse campo (violão, piano, flauta
transversal, violino, percussão, etc.) – ou de canto. – ampliar as perspectivas de atuação docen-
Vale ressaltar que esses espaços vêm sendo ocu- te, de forma que o aluno possa pensar e atuar na
pados, muitas vezes, por profissionais formados nos educação musical a partir de um conhecimento
bacharelados da área, que não são habilitados para interdisciplinar;
ocupar essa função, segundo a legislação educaci-
onal brasileira, que estabelece o licenciado como – proporcionar que o estudante seja capaz de
profissional capacitado para a atuação docente nas lidar com a multiculturalidade oriunda das diferen-
distintas áreas do conhecimento humano (Brasil, ças culturais de cada sociedade e dos distintos con-
1996, 2001, 2002a). textos de ensino e aprendizagem da música;

Essas duas habilitações compõem o curso – capacitar docentes para atuar na socieda-
de Licenciatura em Música da UFPB, que, a par- de, com base em valores da humanidade, da nature-
tir dessas ramificações, atenderá, com seus egres- za, da ciência e da ética.
sos, os múltiplos contextos e espaços de ensino
da música. Perfil profissional

Assim, estaremos atendendo a uma necessi- O egresso do curso de Licenciatura em Músi-


dade da área no Brasil, contemplando a formação ca da UFPB – Habilitação em Educação Musical e
de professores nas suas distintas dimensões e par- Habilitação em Instrumento/Canto – será essencial-
ticularidades, em conformidade com o que a legisla- mente um professor de música, estando apto a atu-
ção estabelece para esse campo e para a educação ar em escolas de educação básica, escolas
em geral. especializadas da área, atividades de ensino não-
formal e demais contextos de ensino e aprendiza-
Objetivos gem da música. Esse profissional será dotado de
A partir dessas perspectivas que embasam a formação intelectual e cultural, crítica e competente
definição estrutural dos cursos de formação de pro- em sua área de atuação, com capacidade criativa,
fessores de música na atualidade, definimos os ob- reflexiva e transformadora, nas ações culturais e
jetivos da Licenciatura em Música na UFPB, de for- musicais inerentes ao seu mercado de trabalho e ao
ma a contemplar um universo abrangente de atua- mundo contemporâneo. Além da docência, o licen-
ção, favorecendo o desenvolvimento de competênci- ciado em Música poderá exercer atividades como
as fundamentais para o exercício da docência. As- músico, pesquisador, agente cultural e outras
sim, estabelecemos como objetivo central do curso especificidades do campo da música.

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Competências, atitudes e habilidades2 – conceber e desenvolver material didático


musical original, adequado à faixa etária, região,
O curso de Licenciatura em Música, a partir contexto de ensino e condições de trabalho;
das suas duas habilitações (Educação Musical, Ins-
trumento/Canto), visa proporcionar ao seu egresso – valer-se tanto de oportunidades pedagógi-
um vasto conhecimento musical, possibilitando o cas em sala de aula quanto de realizações musicais
desenvolvimento de competências que lhe permiti- de manifestações culturais presentes na realidade
rão, enquanto profissional, além da atuação como social, a fim de promover um trabalho de conscien-
professor, desenvolver atividades mais amplas no tização e desenvolvimento de potencialidades huma-
campo da música. Assim, os egressos desse curso nas, dirigido para a educação e melhoria da qualida-
terão, principalmente, as seguintes competências e de de vida do indivíduo;
habilidades:
– realizar pesquisas voltadas para a área do
Enquanto educador musical (vertente central) ensino da música, tendo como base a realidade cul-
tural e as necessidades do mundo contemporâneo;
– planejar e administrar atividades sistemáti-
cas de ensino de música; – ser capaz de conduzir sua formação em pro-
cessos de aprendizagem contínua, que lhe permita
– ministrar cursos de formação musical em “aprender a aprender”, para que assim possa cons-
escolas de educação básica e/ou escolas truir as bases necessárias para as particularidades
especializadas da área, contemplando as distintas de sua prática educacional.
possibilidades educativas desse campo;
Enquanto músico
– ensinar conteúdos fundamentais da música
no que se refere à história, apreciação, teoria, exe- – possuir domínio dos fundamentos da músi-
cução instrumental e/ou vocal e percepção; ca, tendo um conhecimento amplo de sua história e
de suas principais manifestações em diversas cultu-
– elaborar e implantar projetos de ensino da ras;
música, bem como projetos de formação musical
continuada de professores não especialistas; – ter os domínios necessários para se expres-
sar musicalmente com um instrumento ou com a
– trabalhar com a diversidade de faixa etária, voz, sendo capaz de atuar em performance e ativi-
incluindo desde a educação musical de bebês até dades musicais;
idosos;
– elaborar e implantar projetos de formação
– desenvolver estratégias metodológicas que de grupos musicais;
possibilitem novos caminhos para a inclusão social
no ensino da música; – dirigir e acompanhar grupos musicais;

– lidar com a educação musical nas suas dis- – compor músicas, sonorizações e trilhas
tintas possibilidades de ensino, considerando as dife- sonoras, bem como fazer arranjos e adaptações de
renças culturais e os diferentes sujeitos e objetivos músicas e canções;
presentes no ensino e aprendizagem da música;
– coordenar apresentações musicais para gru-
– estimular e orientar o desenvolvimento da pos diversos (regionais, duos, trios, quartetos, or-
musicalidade e potenciais correlatos humanos, tan- questra de cordas, big bands, bandas, coral, con-
to em procedimentos formais de ensino quanto em juntos vocais e solistas), voltados para a educação
oportunidades alternativas, tendo por base conheci- musical dos participantes e formação artística/esté-
mentos consistentes e atualizados; tica do público ouvinte.

– elaborar e/ou adaptar técnicas de ensino, Enquanto agente e animador cultural, e outras
estratégias de formação e metodologias de educa- possibilidades profissionais
ção musical;

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2
O Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em Música (Habilitação em Educação Musical) da Universidade Federal de
São Carlos (UFSCar) – elaborado pelos professores Ilza Zenker Leme Joly, Glauber Lúcio Alves Santiago, Carlos Elias Kater e Ana
Lúcia Cortegoso – foi uma importante referência para a elaboração das competências, atitudes e habilidades especificadas no
Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em Música da UFPB (Universidade Federal de São Carlos, 2004).

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– participar como responsável e coordenador Formação Pedagógica dos Cursos de Licenciatura


musical de oficinas culturais, escolas livres de arte, da UFPB, determinada pela Resolução 04/2004 do
instituições de formação sócio-pedagógicas e/ou Consepe (Universidade Federal da Paraíba, 2004a),
arte-terapêuticas; e as diretrizes gerais do MEC para as licenciaturas
(Brasil, 2002a). Além disso, a Licenciatura em Músi-
– produzir, assessorar e realizar crítica espe- ca da UFPB contempla uma ampla base para a for-
cializada de processos musicais enquanto fenôme- mação específica no campo musical tendo como
no de educação e comunicação social; referência as diretrizes do MEC para a área (Brasil,
– registrar e divulgar bens culturais musicais, 2004).
tendo como base o conhecimento e o manuseio de Assim, esse curso será concretizado a partir
recursos desenvolvidos pelas novas tecnologias; do somatório de bases gerais da educação com um
– criar alternativas para a prática e vivência amplo conhecimento da música, visando proporcio-
musical de grupos de amadores; nar ao aluno o aprofundamento necessário para exer-
cer as suas funções docentes na nossa sociedade de
– desenvolver trabalhos em equipes multidisci- forma crítica, reflexiva e transformadora (Hentschke,
plinares, elaborando e implantando projetos que abor- 2003; Kleber, 2003).
dem a música como área fundamental para a forma-
As habilitações oferecidas
ção do ser humano;
A Licenciatura em Música da UFPB, estrutu-
– atuar em ONGs, igrejas, associações co-
rada nas habilitações em Educação Musical e Ins-
munitárias e demais contextos que possibilitem o
trumento/Canto, tem um núcleo comum de discipli-
desenvolvimento de atividades educativo-musicais.
nas que constituem a base dessas duas especifici-
Campo de atuação dades do curso. No entanto, cada uma das habilita-
ções terá sua particularidade, diferenciando-se pela
O campo de atuação do licenciado em Músi- ênfase metodológica na formação pedagógica, pela
ca é constituído por escolas de educação básica, carga horária das disciplinas de “Instrumento” e de
escolas especializadas no ensino de música, ONGs “Canto” – que na Habilitação em Instrumento/Canto
(terceiro setor), associações comunitárias, igrejas, é maior do que na Habilitação em Educação Musi-
produtoras de eventos culturais, emissoras de rádio cal –, e por disciplinas obrigatórias específicas para
e televisão, espaços não-formais de ensino da músi- a Habilitação em Educação Musical.
ca, bem como empresas e demais instituições que
ofereçam projetos de Educação Musical e outras No que se refere à formação pedagógica, os
atividades musicais (musicalização, ensino de ins- alunos das duas habilitações cursam, durante os
trumento, formação de corais e de grupos instrumen- quatro primeiros períodos, disciplinas gerais de
tais, musicoterapia, etc.). metodologia do ensino da música. Após essa base
mais ampla, as habilitações se diferem pela forma-
Metodologia de operacionalização ção pedagógica específica, em que os alunos cur-
sam as seguintes disciplinas: “Processos Pedagó-
A metodologia de operacionalização do curso
gicos em Educação Musical” de I a IV, para a Habi-
está centrada sobre bases filosóficas e epistemo-
litação em Educação Musical, e “Metodologia do
lógicas, que têm norteado a área de educação em
Ensino do Instrumento” de I a IV, ou “Metodologia do
geral, inter-relacionadas às especificidades da área
Ensino do Canto” de I a IV, para a Habilitação em
de música e seu campo de ensino. Nesse sentido,
Instrumento/Canto.
concebemos que a formação do professor de músi-
ca deve estar alicerçada em bases gerais de conhe- O estágio supervisionado também será dife-
cimentos humanísticos, profissionais e éticos, consi- renciado. Em cada habilitação o aluno desenvolverá
derados fundamentais para a atuação competente atividades de ensino com características específi-
de qualquer profissional da educação, nos seus dis- cas de sua formação principal, contemplando distin-
tintos campos de conhecimento (Dayrell, 1996; tos contextos de ensino e aprendizagem da música.
Demo, 2000, 2001; Freire, 2001; Libâneo, 2002;
Mateiro, 2003a; Perrenoud, 2000). A composição curricular

Buscando contemplar uma estrutura que for- A composição curricular da Licenciatura em


taleça as competências metodológico-educacionais, Música está estruturada em três eixos: o primeiro,
o curso visa uma formação ampla na área de educa- de formação antropológica, sociológica e histórica;
ção, tendo como suporte a Base Curricular para a o segundo, de formação pedagógica, filosófica e psi-

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cológica; e o terceiro, de formação técnico-estrutu- trabalhos, atividades realizadas em ONGs e contex-


ral. Esses eixos inter-relacionam os conteúdos mu- tos comunitários, dentre outras, também serão viá-
sicais e conhecimentos mais amplos, com o intuito veis de aproveitamento como componente eletivo. A
de proporcionar uma formação profissional em músi- regulamentação para o cumprimento de créditos dos
ca embasada nos valores técnicos, éticos e conteúdos eletivos ficará a cargo do colegiado do
humanísticos. curso.

As disciplinas específicas da área de música O ingresso no curso


estão, por sua vez, fundamentadas em três bases
principais que garantirão um conhecimento vertical- O ingresso no curso será realizado de acordo
mente aprofundado na área, constituindo os pilares com as diretrizes gerais da UFPB, que regulamenta
da formação na Licenciatura em Música: a base téc- o Processo Seletivo Seriado (PSS), e por uma prova
nica, desenvolvida pelas disciplinas relacionadas à específica de música, que será regulamentada pelo
performance musical; a base teórico-estético-estru- colegiado do curso e que compreenderá especifici-
tural, constituída por disciplinas que tratam dos fun- dades para cada uma das duas habilitações. Outras
damentos teóricos, composicionais e de formação formas de ingresso na Licenciatura em Música se-
estética e perceptiva; e a base pedagógica, centrada guirão as normas estabelecidas pela UFPB e serão
nas disciplinas de metodologia e processos de ensi- regulamentadas pelo colegiado do curso.
no e aprendizagem da música. Assim, garantiremos A habilitação definida pelo aluno para entrada
um conhecimento musical que, construído paralela- no curso não poderá ser mudada. Na Habilitação em
mente a partir de suas três bases, constitua a for- Instrumento/Canto o aluno não poderá mudar a op-
mação de um professor capaz de lidar com as ção, por um dos instrumentos disponíveis ou canto,
especificidades do campo da música em suas especificada para ingresso no curso. Na Habilitação
diversificadas possibilidades educativas. em Educação Musical, a opção inicial por canto ou
por um determinado instrumento também não pode-
A partir dessas definições, a estrutura curricu-
rá ser modificada.3
lar do curso está composta por Conteúdos Básicos
e Profissionais (obrigatórios), Conteúdos Comple- Os instrumentos oferecidos para a Habilita-
mentares Obrigatórios, Conteúdos Complementares ção em Instrumento/Canto e para Habilitação em
Optativos, e Conteúdos Eletivos (flexíveis). Os Con- Educação Musical serão os seguintes: flauta trans-
teúdos Básicos e Profissionais e os Complementa- versal, flauta doce, fagote, violino, piano, teclado, vi-
res Obrigatórios, garantirão ao aluno uma sólida for- olão, viola caipira, cavaquinho, bandolim, percussão,
mação musical, pedagógica e científico-metodoló- entre outros, que poderão ser oferecidos posterior-
gica; os Conteúdos Complementares Optativos e os mente. Esses instrumentos também compõem o
Eletivos (flexíveis) possibilitarão ao aluno o aprofunda- leque de opções para as disciplinas “Instrumento
mento em questões de interesse para a sua forma- Complementar” de I a III (obrigatórias) e de IV a VI
ção particular, favorecendo o seu conhecimento es- (optativas). A abertura de vagas para cada instrumen-
pecífico dentro das distintas perspectivas de atua- to ou para canto estará condicionada à disponibili-
ção no campo de ensino da música. dade do Departamento de Educação Musical e do
Departamento de Música, e será regulamentada anu-
Os Conteúdos Eletivos (flexíveis), regulamen-
almente pelo colegiado do curso.
tados pela Resolução 52/2003 do Consepe (Univer-
sidade Federal da Paraíba, 2003), poderão ser reali- O aluno (de qualquer das habilitações) que
zados, mediante escolha do aluno, a partir da orien- cursar um instrumento melódico nas disciplinas “Ins-
tação do professor tutor/orientador, em disciplinas – trumento” de I a VIII deverá obrigatoriamente optar
cursadas em períodos regulares e/ou em módulos – por um instrumento harmônico (piano, violão, etc.)
, em cursos de curta duração, através da participa- como “Instrumento Complementar”; o que cursar
ção em projetos de ensino, pesquisa e extensão, “Canto” de I a VIII tem que, obrigatoriamente, optar
bem como em outras atividades oferecidas no âmbi- por piano como “Instrumento Complementar”. O alu-
to da universidade. Outras possibilidades, como a no que cursar instrumento harmônico (piano, violão,
participação e/ou apresentação de trabalhos em even- etc.) – tanto na Habilitação em Instrumento/Canto
tos científicos e/ou artístico/culturais, publicação de como na Habilitação em Educação Musical – tem a
______________________________________________________________________________________________________________

3
Casos que impliquem a necessidade de mudança de curso, de habilitação e/ou de instrumento em cada uma das habilitações, e que
estejam previstos em resoluções da UFPB, serão considerados e tratados de forma específica para a Licenciatura em Música a
partir de regulamentação do colegiado do curso.

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opção de escolher ou um “Instrumento Complemen- Integração entre ensino, pesquisa e extensão


tar” (diferente do seu instrumento principal) ou “Can-
to Complementar”. Além do elenco de disciplinas da composi-
ção curricular, que dá suporte ao curso, a Licencia-
A pesquisa tura em Música da UFPB contará com uma estrutu-
ra que transcende as atividades de ensino em sala
A produção de pesquisa será um dos eixos de aula, incorporando projetos periódicos que desen-
norteadores da Licenciatura em Música da UFPB. O volvam as potencialidades artísticas e estéticas dos
curso objetiva, através da atuação do aluno em pro- alunos, proporcionando uma integração significativa
jetos de iniciação científica, participação em pesqui- entre ensino, pesquisa e extensão no campo da
sa aplicada e seminários teóricos e elaboração de música. Projetos esses que deverão ser regulamen-
monografia, incentivar e desenvolver uma formação tados pelo colegiado do curso e incorporados às ati-
docente fundamentada na produção do conhecimento vidades acadêmicas dos discentes.
científico. O curso terá como base linhas de pesqui-
sa consideradas fundamentais para o campo do en- O estágio supervisionado
sino da música na atualidade, tais como: “educação
musical e cultura”, “educação musical e performan- O estágio supervisionado será realizado na
ce”, “ensino e aprendizagem da música em seus segunda metade do curso – conforme a Resolução
múltiplos contextos e situações”, e “educação mu- CNE/CP 2/2002 (Brasil, 2002b), e a Resolução 04/
sical formal e informal: relações e diálogos”. 2004 do Consepe (Universidade Federal da Paraíba,
2004a) –, em parceria do departamento responsável
A extensão pelo curso de Licenciatura em Música da UFPB com
o departamento responsável pela formação pedagó-
No campo da extensão serão desenvolvidos gica no campus I da UFPB, conforme determina o
projetos educativo-musicais que permitam uma Artigo 6o da referida resolução do Consepe. Ao longo
integração entre a Licenciatura em Música da UFPB dos quatro períodos de estágio (405h), o aluno
e a comunidade, favorecendo a atuação dos alunos vivenciará diferentes campos de atuação do ensino
em atividades que possam promover o desenvolvi- da música (ensino fundamental; ensino médio; es-
mento de sua formação, bem como atender neces- paços diversificados como ONGs, associações co-
sidades da sociedade paraibana. munitárias, etc.; e escolas especializadas), sendo
garantida aos estudantes a orientação devida para a
Serão desenvolvidos projetos anuais que con-
concretização significativa de suas experiências na
tarão com a participação de professores e alunos do
área de educação musical. As particularidades do
curso. Nesses projetos serão realizadas atividades
estágio serão regulamentadas pelo colegiado do
artístico-musicais que, a partir de temáticas contex-
curso.
tualizadas com a realidade do curso e com ques-
tões do mundo contemporâneo, enriquecerão a práti- Trabalho de conclusão de curso (TCC)
ca e a formação dos alunos. Esses projetos serão
trabalhados em forma de musicais; projetos peda- Para a conclusão do curso o aluno deverá ela-
gógico-musicais; atividades artísticas interdisci- borar uma monografia, que será desenvolvida duran-
plinares, contemplando teatro, dança, literatura e te as disciplinas “Orientação de Monografia I” e “Ori-
artes visuais; bem como demais atividades no cam- entação de Monografia II”. Esse trabalho deverá ser
po da música. Uma das finalidades desses traba- orientado por um professor (com titulação mínima
lhos é, também, favorecer a formação e a educação de mestre) que o estudante escolherá, no início do
estética e artística de pessoas da comunidade em 7o período, entre os docentes do curso e/ou áreas
geral. afins. Cada professor orientador poderá ter no máxi-
mo oito alunos sob sua orientação. Esse trabalho
Além das atividades de extensão específicas
deverá ser defendido publicamente, ao final do 8o
do Curso, realizadas anualmente, o aluno será in-
período, sob a avaliação de uma banca composta
centivado a participar de outros trabalhos de exten-
são, tanto no âmbito da Universidade quanto em por três professores com titulação mínima de mes-
parceria com associações comunitárias e demais tre. A proposta do TCC será regulamentada, em suas
instituições, ampliando o leque de possibilidades de especificidades, pelo colegiado do curso, devendo
atuação dos alunos junto à comunidade, de forma ser constantemente avaliada e repensada de forma
que a produção de conhecimento na área se torne que possa contribuir significativamente para a quali-
mais acessível e democratizada. dade da formação do aluno.

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Performance musical de conclusão de curso Partindo desse princípio, o Projeto Político


Pedagógico da Licenciatura em Música da UFPB
Os alunos da Licenciatura em Música deve- traz uma definição atual e abrangente do que se es-
rão realizar, ainda, obrigatoriamente, uma apresen- pera dos profissionais que atuam no ensino da mú-
tação musical para conclusão do curso, ao final do sica na atualidade, enfatizando um perfil docente di-
8o período, que deverá ser preparada durante as disci- versificado, que contempla necessidades
plinas “Instrumento” VII e VIII ou “Canto” VII e VIII, e emergenciais das demandas, espaços e contextos
que poderá abarcar formas distintas de performance educativos evidenciados pela educação musical con-
musical. Essa atividade, da mesma forma que o TCC, temporânea.
será regulamenta pelo colegiado do curso.
Tendo como base uma estruturação que
Avaliação aborda diferentes perspectivas educacionais do
O curso passará por avaliações semestrais, ensino da música, oferecendo aos alunos uma
realizadas pela coordenação, que visam analisar o sólida formação pedagógica, musical, cultural,
desenvolvimento e o conteúdo das disciplinas, o de- ética e humanística, a proposta da Licenciatura
sempenho docente e discente, bem como as condi- em Música objetiva integrar os profissionais atu-
ções estruturais e as bases pedagógicas do curso. antes nesse ensino à produção de pesquisa e de
A partir dessas avaliações, a condução da Licencia- extensão, possibilitando a capacitação de profes-
tura em Música da UFPB será constantemente re- sores com experiências diferenciadas no campo
pensada e redefinida, proporcionando uma flexibili- da educação musical.
dade que permita a esse curso estar em um proces- Em suma, é preciso que incorporemos as
so contínuo de construção, tanto nas suas ações transformações e as necessidades da área de músi-
como nos encaminhamentos definidores do perfil ca aos nossos currículos, (re)construindo,
profissional do seu egresso. (re)pensando e (re)elaborando os cursos de forma-
ção de professores que possam de fato atender às
Conclusão
perspectivas da área e às necessidades da socieda-
A formação do educador musical vem exigin- de brasileira. Temos que buscar novas concepções,
do novas definições e (re)estruturações que afetam (re)definir conteúdos e objetivos, ampliar as dimen-
diretamente os cursos de licenciatura em Música. A sões pedagógicas e, principalmente, considerar e
diversidade do fenômeno musical e dos campos de contemplar a diversidade da área, entendendo que
ensino e aprendizagem que o envolve tem demons- não é mais concebível pensar em cursos que pro-
trado a necessidade de estarmos constantemente movam uma formação restritiva e unilateral, forman-
ampliando e (re)definindo o perfil de formação dos do profissionais com uma visão limitada e elitista do
professores dessa área. Entendendo que a as trans- fenômeno musical. É preciso, de fato, encontrar es-
formações sociais, culturais e estético-estruturais tratégias e caminhos que dêem aos professores de
fazem da expressão musical algo dinâmico e em música os conhecimentos necessários para atuar
efetivo processo de mutação e (re)configuração, te- de forma competente no seu campo de trabalho, o
mos que pensar em propostas e práticas de educa- que somente será possível a partir de propostas de
ção musical também dinâmicas, que possam se inter- formação abrangentes, que tratem a música de for-
relacionar com a música enquanto manifestação ar- ma ampla e contextualizada com as realidades e as
tística e sociocultural. necessidades de cada universo educacional.

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Recebido em 16/06/2005

Aprovado em 22/08/2005

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