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Conteudista:
Sérgio da Silva de Medeiros

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MÓDULO I: INTRODUÇÃO À COLETA DE DADOS E PRODUÇÃO DE


INFORMAÇÃO

 Objetivos desta aula.

 Identificar os conceitos, finalidades e características da Atividade


de Inteligência;

 Conhecer os princípios e os valores da Atividade de Inteligência;

 Identificar os ramos da atividade de Inteligência, as fontes e os


meios de obtenção de dados.

1. BREVE HISTÓRICO DA ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA NO BRASIL

A Atividade de Inteligência foi institucionalizada em 29 de novembro de


1927 com o Decreto nº 17.999, que criou o Conselho de Defesa Nacional
(CDU) voltado para o assessoramento do Governo.

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Até aquele momento, a atividade de inteligência era exercida apenas no
âmbito dos ministérios militares.

O ano de 1945 registra:

1. Fim da Segunda Guerra Mundial,

2. Início da Guerra Fria.

Com esse cenário, houve a criação do Serviço Federal de Informações e


Contrainformações (SFICI) em 06 de setembro de 1946. Foi o primeiro órgão
de Inteligência de Estado propriamente dito, pois com sua criação já
contemplava estrutura técnica, administrativa e operacional.

1964 – Regime Militar

Foi extinto o SFICI e criado o Serviço Nacional de Informações (SNI).


Posteriormente, em 1970, o SNI foi estabelecido como órgão central do
Sistema Nacional de Informação (SISNI), criado naquele momento para
integrar todos os órgãos de informações dos ministérios civis e militares.

1990 – Eleições Diretas

Com o fim do Regime Militar, houve a extinção do SNI e foi criada a


Secretária de Assuntos Estratégicos (SAE) para absorver as atribuições do
SNI.

1999 – Criação da ABIN

A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) foi criada em 07 de


dezembro de 1999 juntamente com o Sistema Brasileiro de Inteligência
(SISBIN), sendo a ABIN seu órgão central.

1.2 A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA

1.2.1 Conceito

O termo inteligência possui vários significados, podendo ser empregado


em diversas situações, levando-se, no entanto, sempre em consideração a
área de atuação para a qual se pretende empregá-lo.

Analisando os dicionários da língua portuguesa, tendo como exemplo o


Michaelis, a palavra inteligência pode ser vista como a capacidade mental de
raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair ideias, compreender ideias e
linguagens, conceito que está relacionado às atividades cognitivas. Além dessa
definição, os dicionários associam o termo inteligência aos chamados serviços
de informação.

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Podemos ainda citar outros conceitos para Inteligência:

“Inteligência é toda informação coletada, organizada ou analisada para


atender as demandas de um tomador de decisão qualquer” (CEPIK, 2003,
p27).

Ou ainda:

“Inteligência se refere à informação que atende às necessidades


declaradas ou compreendidas dos tomadores de decisões (...) Toda
Inteligência é informação; nem toda informação é inteligência.” (LOWENTHAL,
Intelligence: From Secrets to Policy, Washington, DC: CQ Press, 2000).

A Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva –


ABRAIC estabelece em seu endereço da internet a seguinte definição:

“É a atividade especializada permanentemente exercida com o objetivo


de produzir informação acionável (inteligência) de interesse de uma
determinada organização e a salvaguarda desta informação contra ações
adversas de qualquer natureza”.

A atividade de Inteligência de Segurança Pública é o exercício


permanente e sistemático de ações especializadas para identificação,
acompanhamento e avaliação de ameaças reais ou potenciais na esfera da
Segurança Pública. Estas ações são basicamente orientadas para a produção
e salvaguarda de conhecimento necessários à decisão, ao planejamento, e à
execução de uma política de segurança e, também, para prevenir, obstruir,
detectar e neutralizar ações adversas de qualquer natureza no âmbito da
segurança pública e atentatórias à ordem pública.

A denominação de Inteligência pode variar conforme os níveis de


decisão, campos de atuação e fontes utilizadas.

1.2.2 Níveis de Decisão / Atuação

1.2.2.1 Estratégico: Assessoramento em mais alto grau, tratando


de assuntos de maior complexidade, que dizem respeito ao órgão
como um todo (decisões administrativas).

1.2.2.2 Tático: aborda uma determinada área de interesse do


órgão e não a instituição como um todo, objetivando
subsidiar a elaboração de políticas internas de atuação.

1.2.2.3 Operacional: objetiva a tomada de decisões relativas a


atividade-fim do órgão (atividades rotineiras).

1.2.3 Níveis / Campos de Atuação

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1.2.3.1 Inteligência Militar;

1.2.3.2 Policial;

1.2.3.3 Penitenciária;

1.2.3.4 Fiscal;.

1.2.3.5 Financeira

1.2.3.6 Competitiva;

1.2.3.7 Estratégica;

1.2.3.8 De Estado.

1.2.4 Fontes Utilizadas

1.2.4.1 Humana;

1.2.4.2 Sinais (Eletrônicos).

Exemplos: Inteligência Estratégica, Inteligência Penitenciária,


Inteligência de Estado, Inteligência Policial, Inteligência Eletrônica, entre outras.

1.2.5 Finalidades

A Atividade de Inteligência possui como finalidades básicas a produção


do conhecimento para a tomada de decisão e a salvaguarda de
conhecimentos.

1.2.6 Doutrina

É um conjunto de princípios que serve de base a um sistema.

O termo “doutrina”, originalmente, associava-se ao ensino e aprendizado


do saber em geral ou ao ensino de disciplina particular. Ao longo do tempo,
passou a significar também conjunto de teorias, noções e princípios
orientadores.

Em âmbito Nacional, atualmente, temos duas doutrinas de inteligência.

1. Doutrina Nacional de Segurança Pública (DNISP) – 2003.

2. Doutrina Nacional de Inteligência Penitenciária (DNIPEN)


– 2013.

1.2.7 Características da Inteligência

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São os aspectos distintos e as particularidades que a identificam e a
qualificam como tal, e servem para defini-la ou conceituá-la.

1.2.7.1 Produção do Conhecimento: Na medida em que se obtém


dados e por meio de metodologia específica, estes são
transformados em conhecimento para que os órgãos do Sistema
de Segurança Pública e outros possam tomar as decisões.

1.2.7.2 Assessoria: Produzir conhecimentos para o processo decisório e


para auxiliar a atividade-fim.

1.2.7.3 Verdade com significado: Produtora de conhecimentos


precisos, claros e imparciais, de tal modo que consiga expressar
as intenções, óbvias ou subentendidas das pessoas envolvidas,
ou mesmo as possíveis ou prováveis consequências dos fatos
relatados.

1.2.7.4 Busca de dados protegidos: A atividade deve se desenvolver e


atuar em um universo antagônico, ambiente no qual as forças
adversas procuram proteger os dados que as possam
comprometer.

1.2.7.5 Ações especializadas: Em face da metodologia, técnicas e


linguagens próprias padronizadas, exigem dos seus integrantes
uma formação acadêmica, complementada por longos anos de
especialização, de treinamento e de experiência, conseguindo
pela permanência na função.

Exemplos: Entrevista, infiltração, vigilância, reconhecimento, etc.

1.2.7.6 Economia de meios: O conhecimento objetivo, preciso e


oportuno possibilita otimizar os meios, para proporcionar a
economia de pessoal e material.

1.2.7.8 Iniciativa: Referenciada ao Princípio da Oportunidade, induz os


órgãos de Inteligência a produzir conhecimentos antecipados e a
assumir atitude pró-ativa e não somente reativa.

1.2.7.9 Abrangência: Em razão dos métodos peculiares, lhe permite


atuar em qualquer campo do conhecimento de interesse da
Instituição/Organismo de Inteligência.

1.2.7.10 Flexibilidade: Permeável às novas ideias, permitindo-lhe melhor


atender aos desafios impostos pelas constantes transformações
do mundo.

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1.2.7.11 Segurança: Visa a garantir sua existência, protegida de
ameaças, adotando medidas de salvaguarda.

1.2.8 Princípios da Inteligência

“Ideias centrais de um sistema, ao qual dão sentido lógico, harmonioso,


racional, permitindo a compreensão de seu modo de se organizar”. SUNFFELD
(1995, p. 18)

Os princípios da Inteligência são as proposições diretoras, as bases, os


fundamentos, os alicerces, os pilares que orientam e definem os caminhos da
Atividade de Inteligência.

São princípios:

1.2.8.1 Amplitude: Consiste em alcançar os mais completos


resultados possíveis.

1.2.8.2 Interação: Implica estabelecer ou adensar relações


sistêmicas de cooperação, visando otimizar esforços para
a consecução dos seus objetivos.

1.2.8.3 Objetividade: Orienta o cumprimento das suas funções de


forma organizada, direta e completa, planejando e
executando ações de acordo com objetivos previamente
definidos e em consonância com as finalidades da
Inteligência.

1.2.8.4 Oportunidade: Orienta o desenvolvimento de ações e a


apresentação de resultados, em tempo que se permita seu
aproveitamento.

1.2.8.5 Permanência: Visa proporcionar um fluxo constante de


dados e conhecimentos.

1.2.8.6 Precisão: Objetiva orientar a produção do conhecimento


verdadeiro – com veracidade avaliada, significativo,
completo e útil.

1.2.8.7 Simplicidade: Orienta sua atividade para que o


conhecimento produzido seja apresentado de forma clara e
concisa, assim como para que as ações sejam planejadas
e executadas com o mínimo de custos e riscos.

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1.2.8.8 Imparcialidade: Norteia a atividade de modo a ser isenta
de ideias preconcebidas e/ou tendenciosas, subjetivismo e
distorções. São deixadas de lado as tradições, visões
particulares e convicções religiosas, políticas ou
ideológicas, evitando assim as distorções no resultado final
dos trabalhos, bem como afetar sua credibilidade.

1.2.8.9 Compartimentação: Restringe o acesso ao conhecimento


sigiloso somente àqueles que tenham a real necessidade
de conhecer, independentemente da hierarquia e
confiabilidade da pessoa, a fim de evitar riscos e
comprometimentos.

1.2.8.10 Controle: Visa evitar erros na condução das ações,


desvios de conduta ou procedimentos amadorísticos, bem
como garantir que sejam observadas as rígidas normas de
controle que devem ser implementadas, a fim de que se
permita detectar e minimizar ou corrigir os desvios
observados.

1.2.8.11 Sigilo: Proporciona à atividade de Inteligência o espaço e


os caminhos necessários para atuar no universo
antagônico e obter os dados protegidos, com a
imprescindível preservação (salvaguarda) do órgão e de
seus integrantes contra pressões e ameaças.

O sigilo é a condição básica para evitar a divulgação de


conhecimentos, informações e dados que possam colocar em
risco a segurança da Agência de Inteligência, bem como afetar a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem de pessoas e
instituições.

1.2.9 Valores da Inteligência

A atividade de Inteligência deve ser baseada em valores éticos e morais,


estando compromissada com os princípios da Administração Pública:
moralidade, impessoalidade, eficiência e legalidade, e, em especial, com a
observância de um Estado Democrático de Direito, notadamente o respeito aos
direitos e garantias fundamentais da pessoa humana.

1.2.10 Ramos da Inteligência

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A atividade de Inteligência possui os seguintes ramos: Inteligência e
Contrainteligência.

1.2.10.1 Inteligência

A Lei nº 9.883, de 07 de dezembro de 1999, que instituiu o


Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) e criou a Agência Brasileira
de Inteligência (ABIN), por sua vez, apresenta o seguinte conceito de
inteligência:

Art. 1º [...]

“§ 2o Para os efeitos de aplicação desta Lei, entende-se como


inteligência a atividade que objetiva a obtenção, análise e disseminação
de conhecimentos dentro e fora do território nacional sobre fatos e
situações de imediata ou potencial influência sobre o processo decisório
e a ação governamental e sobre a salvaguarda e a segurança da
sociedade e do Estado.”

A inteligência destina-se a produzir conhecimentos de interesse


da Agência de Inteligência.

1.2.10.2 Contrainteligência

No Decreto nº 4.376, de 13 de dezembro de 2002, que dispõe


sobre a organização e funcionamento do SISBIN, é estabelecida a
definição de contrainteligência da seguinte forma:

“Art. 3o Entende-se como contrainteligência a atividade que


objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a inteligência adversa e
ações de qualquer natureza que constituam ameaça à salvaguarda de
dados, informações e conhecimentos de interesse da segurança da
sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os
retenham ou em que transitem.“

1.2.11 Fontes e Obtenções de Dados

A atividade de inteligência, quanto à natureza de fontes e obtenções de


dados, dispõe das seguintes fontes:

1.2.11.1 Fontes abertas: são aquelas de livre acesso à Agência de


Inteligência. Não se pode confundir fonte aberta com fonte de
acesso ao público.

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Ainda sobre fontes abertas, Gonçalves (2009, p. 91) esclarece que, antes de
produzir o conhecimento, o analista deve procurar obter o maior número de
dados/informações sobre o tema por meio das fontes abertas, também
chamadas de fontes ostensivas.

1.2.11.2 Fonte Protegidas/Fechadas – são aquelas cujos dados são


protegidos e/ou negados. Ainda, fontes protegidas/fechadas
são aquelas cujo acesso é restrito ou sigiloso, podendo os
dados negados serem obtidos por intermédio de ações de
busca (Operações de Inteligência - OP INT) ou mediante a
utilização de técnicas de operações de inteligência (TOI).

1.2.12 São meios de obtenções de dados

 inteligência humana; e

 inteligência eletrônica ou tecnológica.

1.2.12.1 Inteligência humana: aquela na qual o homem, seja orgânico,


seja externo, é o centro, o meio de obtenção do dado, mesmo quando
apoiado por diversos equipamentos, os quais nada mais são do que
meios especiais e apoios técnicos. Na realidade quem busca o dado é o
homem.

1.2.12.2 Inteligência eletrônica: quando o ponto central é o


equipamento que captura os dados, e o homem é apenas o analista dos
dados obtidos.

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MÓDULO II: PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO (PC) E CICLO DA
PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO (CPC)

 Objetivos desta aula

• Conhecer a importância da Produção do Conhecimento

• Identificar em quais situações um conhecimento é produzido

• Descrever os estados da mente

• Descrever os trabalhos intelectuais

• Conhecer os tipos de conhecimento

• Conhecer o Ciclo de Produção do Conhecimento

2. PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO

A atividade de Produção do Conhecimento tem como foco principal a


produção de documentos e a salvaguarda de conhecimentos utilizados em uma
tomada de decisão, ou em apoio direto às instituições de segurança pública.

Para o correto exercício da Inteligência é imperativo o uso de


metodologia própria, de procedimentos específicos e de técnicas acessórias
voltadas para a produção do conhecimento, excluídas a prática de ações
meramente intuitivas e a adoção de procedimentos sem orientação racional.

2.1 Produção do Conhecimento

Produzir conhecimento é, para a Agência de Inteligência, transformar


dados, e/ou conhecimentos em conhecimentos avaliados, significativos, úteis,
oportunos e seguros, de acordo com metodologia própria. Para a produção do
conhecimento é necessário percorrer uma trilha ou o ciclo da produção do
conhecimento, que são etapas a serem postas em prática e vencidas pelo
profissional de inteligência.
Dado: toda e qualquer representação de fato ou ideia capaz de ser
comunicada, ainda não submetida, pelo profissional de inteligência, à
metodologia de produção do conhecimento.

São exemplos de dados: fotografia, extrato bancário, conta de telefone, áudio


captado em um ambiente operacional, etc.

Conhecimento: é o resultado final expresso, de forma escrita ou oral, pelo


profissional de inteligência, após a aplicação da metodologia de produção de
conhecimento sobre dados e/ou conhecimentos anteriores. Para produzir o
conhecimento é necessária a adoção de metodologia própria, de
procedimentos específicos e de técnicas acessórias, livres de ações
meramente intuitivas e sem orientação racional.

2.2 Situações para produção do conhecimento

O conhecimento de inteligência é produzido:

1. De acordo com um plano de inteligência,

2. Em atendimento à solicitação de um órgão congênere,

3. Em atendimento à determinação da autoridade competente,

4. Por iniciativa própria do analista de inteligência.

2.3 Estados da mente

A Produção do Conhecimento é resultado do estado da mente do seu


produtor, no caso o analista de inteligência, pois o produto final (conhecimento)
deve ser a verdade com significado, que consiste na perfeita concordância do
conteúdo do pensamento/mente (sujeito) com o objeto (fatos e situações de
interesses da Atividade de Inteligência).

Verdade: Na Atividade de Inteligência, o contrário da verdade não é a


mentira, mas o erro, que é uma ilusão da verdade perseguida pelo profissional
de Inteligência.

A mente humana pode estar em quatro diferentes estados em relação à


verdade ao produzir um conhecimento, os quais são: certeza, opinião, dúvida
e ignorância.

Certeza: total aceitação da imagem formada pela mente. Consiste no


acatamento integral, pela mente, da imagem por ela mesma formada, como
correspondente a determinado fato e/ou assunto.

Opinião: é o estado no qual a mente forma a imagem de um objeto,


entretanto é considerada a possibilidade de um equívoco. Por isso, o valor do
estado de opinião expressa-se por meio de indicadores de probabilidade. A
mente aceita a imagem por ela formada como correspondente ao objeto,
entretanto teme se enganar. Este estado da mente leva o analista a ter uma
opinião. Exemplos: muito provável, provável, pouco provável, etc.

Dúvida: é o estado em que a mente se encontra em situação de


equilíbrio, tendo razões para aceitar e negar que a imagem, por ela mesma
formada, esteja de conformidade com o determinado objeto.

Ignorância: é o estado em que a mente encontra-se privada de qualquer


imagem sobre um objeto, isto é, não há condições de formar na mente um
pensamento daquele jeito.

 Ignorância = 0%

 Dúvida = 50%

 Opinião = + 50%

 Certeza = 100%

2.4 Trabalhos Intelectuais

Para conhecer determinados fatos ou situações, o ser humano realiza


três trabalhos intelectuais: conceber ideias, formular juízos e elaborar
raciocínios.

• Ideia é a simples concepção na mente da imagem de determinado


objeto sem qualificá-lo.
• Juízo é a operação pela qual a mente estabelece relação entre
ideias.

• Raciocínio é a operação pela qual a mente, a partir de dois ou mais


juízos conhecidos, alcança outro que deles decorre logicamente.

2.5 Tipos de Conhecimento

Para determinar o tipo de conhecimento produzido pelo analista de


inteligência, além dos diferentes estados da mente humana em relação à
verdade, é importante identificar qual o trabalho intelectual desenvolvido pelo
analista e, ainda, se o objeto da análise são fatos ou situações passadas,
presentes ou voltadas para o futuro.

Os tipos de conhecimento são: Informe, Informação, Apreciação e


Estimativa.

Informe: conhecimento resultante de juízo(s) formulado(s) pelo


profissional de inteligência, que expressa seu estado de certeza, opinião ou
dúvida, frente à verdade sobre fato ou situação passada e/ ou presente.

Informação: conhecimento resultante de raciocínio(s) elaborado(s)


pelo profissional de inteligência, que expressa seu estado de certeza frente à
verdade sobre fato ou situação passada e/ ou presente.

Apreciação: conhecimento resultante de raciocínio(s) elaborado(s)


pelo profissional de inteligência, que expressa seu estado de opinião frente à
verdade sobre fato ou situação passada e/ou presente. Admite a realização
de projeções, resultantes da percepção do profissional de inteligência dos
desdobramentos dos fatos ou situações analisadas, sem auxílio de técnicas
prospectivas.

Estimativa: conhecimento resultante de raciocínio(s) elaborado(s) pelo


profissional de inteligência que expressa seu estado de opinião sobre a
evolução futura de um fato ou situação. Requer domínio, pelo analista, de
técnicas prospectivas complementares à metodologia própria da atividade de
inteligência.

Ressalta-se, ainda, que a produção do conhecimento exige do


profissional de inteligência o domínio de metodologia própria, ou seja, do ciclo
da produção do conhecimento.
Fatores diferenciadores dos tipos de conhecimentos:

2.6 Ciclo da Produção do Conhecimento (CPC)

É um processo contínuo e sequencial, composto por quatro etapas:


planejamento, reunião de dados e/ou conhecimentos, processamento e
utilização, do qual resulta um conhecimento, materializado em documento de
inteligência.

O ciclo de produção do conhecimento, ou “ciclo de inteligência, também


conhecido por “processo de inteligência”, diz respeito ao processo por meio do
qual a informação é reunida, convertida em inteligência e disponibilizada aos
consumidores – ou seja, aos tomadores de decisão”. (Richelson, op. Cit., p. 3).

O CPC visa tornar o conhecimento o mais científico possível e é


aplicado, no todo ou em parte, aos quatro tipos de conhecimento: informe,
informação, apreciação e estimativa, de acordo com as peculiaridades de cada
um – ou seja, adota preceitos específicos para conhecimentos diferentes.
2.6.1 Planejamento

É a fase em que o Analista de Inteligência faz o estudo preliminar do


problema, determina o assunto e estabelece a sequência de ações necessárias
para a produção do conhecimento.

Esquema do planejamento:

 Determinação do assunto a ser estudado;

 Determinação da faixa de tempo a ser considerada;

 Determinação do usuário do conhecimento;

 Determinação da finalidade do conhecimento;

 Determinação do prazo disponível para a produção;

 Determinação dos aspectos essenciais do assunto;

 Verificação dos aspectos essenciais conhecidos;

 Verificação dos aspectos essenciais a conhecer.

Além do esquema, é no planejamento que o analista estabelece outras


providências necessárias ao trabalho, como:

• Medidas de sigilo (compartimentação);


• Ligações e contatos;

• Recursos humanos, materiais e financeiros (logística).

2.6.2 Reunião de dados e/ou conhecimentos

É a fase do CPC na qual a Agência de Inteligência procura obter os


dados necessários e suficientes para a produção do conhecimento, realizando
metódica e sistematicamente ações de inteligência.

As ações de inteligência são: coleta e busca. Ambas se caracterizam


pela obtenção de dados e outros conhecimentos que contribuam para a
elucidação do assunto em foco.

 Ações de coleta são todos os procedimentos realizados


por uma Agência de Inteligência a fim de reunir dados
cadastrados ou catalogados em órgãos públicos ou
privados. Exemplos: pesquisa em arquivos, banco de
dados, internet, bibliotecas, tribunais etc.

 Ações de busca são todos os procedimentos realizados


pelo conjunto ou parte dos agentes do Elemento de
Operações de uma Agência de Inteligência, a fim de reunir
dados protegidos e/ou negados, num universo antagônico,
de difícil obtenção.

As ações de busca se caracterizam pelo emprego das chamadas


ações especializadas e técnicas operacionais de inteligência, que
serão estudadas no módulo 3.

2.6.3 Processamento

É a fase do CPC na qual o conhecimento é produzido.

É o momento intelectual no qual o profissional de inteligência percorre


quatro etapas: avaliação, análise, integração e interpretação.
1. Avaliação – etapa na qual se determina a pertinência e o grau de
credibilidade dos dados e/ou conhecimentos reunidos de modo a
classificar e ordenar os que serão utilizados e influenciarão na
produção do conhecimento.

2. Análise – etapa na qual o analista decompõe os dados e


conhecimentos reunidos, pertinentes e avaliados, e examina cada
fração a fim de estabelecer sua importância em relação ao
assunto.

3. Integração – o analista monta um conjunto coerente, ordenado,


lógico e cronológico com base nas frações significativas.

4. Interpretação – é a etapa na qual o analista esclarece o


significado final do assunto tratado, estabelece relações de causa
e efeito, aponta tendências, padrões e faz previsões baseadas no
raciocínio.

2.6.4 Utilização

É a fase do CPC em que o conhecimento produzido será formalizado em


documento de inteligência, difundido aos usuários e arquivado.

• Formalização: elaboração do documento de inteligência.

• Difusão: divulgação do conhecimento produzido ao usuário que solicitou


e/ou para quem tem necessidade de conhecer.

• Arquivamento: acondicionamento do documento de inteligência em local


com condições especiais de segurança.
MÓDULO III: INTRODUÇÃO À DILIGÊNCIA EXTERNA

Objetivos da aula

• Conceituar Operações de Inteligência;

• Conceituar Diligência Externa;

- PORTARIA Nº 1.048, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2015. MPF

• Conhecer os principais conceitos utilizados nas Operações de


Inteligência comuns às Diligências Externas;

• Conhecer os principais tipos de Ações de Busca comuns às


Diligências Externas;

• Conhecer as principais Técnicas Operacionais de Inteligência


(TOI);

• Conhecer os tipos de Diligências Externas.

3. OPERAÇÕES DE INTELIGÊNCIA / DILIGÊNCIA EXTERNA

3.1 Operação de Inteligência - Conceito

É o conjunto de ações de busca, podendo, eventualmente, envolver


ações de coleta, executadas quando os dados a serem obtidos estão
protegidos por rígidas medidas de segurança e as dificuldades e/ou riscos são
grandes para a Agência de Inteligência ou para a Diligência Externa.

Deste modo, Operações de Inteligência e/ou Diligências Externas


consistem no emprego de ações especializadas para a obtenção de dados
negados e na contraposição (detecção, obstrução e neutralização) a ações
adversas, em apoio aos ramos de Inteligência e Contrainteligência. São modos
de contornar obstáculos a fim de alcançar um objetivo.
Dado negado é aquele que, devido a sua sensibilidade, encontra-se sob
a proteção de seu detentor que quer resguardá-lo do acesso não autorizado. O
acesso ao dado negado pelo Órgão de Inteligência exige o uso de técnicas
operacionais, que são formas específicas de emprego de pessoas e de
material nas operações. Em razão de suas características e finalidades, seu
uso requer pessoal especializado, planejamento detalhado e execução
cuidadosa.

Um analista de Inteligência ou servidor, ao conduzir o acompanhamento


de um determinado tema ou ao ser demandado a produzir um conhecimento ou
um Relatório Circunstanciado de Diligência Externa, poderá constatar que não
detém todos os dados necessários para compor aquele trabalho. Depois de
esgotar todos os meios para conseguir aquela informação por meio da coleta,
ele irá solicitar ao setor especializado (responsável pelas operações de
inteligência e/ou responsável pelas Diligências Externas) que a obtenha pelo
processo de busca.

Antes de enviar tal solicitação, este profissional deverá se questionar


sobre o quanto este dado é importante para a produção do conhecimento ou
relatório. Tal procedimento tem como propósito evitar que o outro setor venha a
se expor desnecessariamente para obter algo que poderá se mostrar não tão
relevante. Importante lembrar que, tradicionalmente, são as falhas nas
operações de Inteligência e as diligências externas as que mais reflexos
negativos trazem para a credibilidade da atividade externa do MPF.

É recomendável que esta solicitação para a realização da busca não


seja feita diretamente pelo analista de Inteligência ou servidor ao setor
especializado em Operações de Inteligência ou ao setor de Diligências
Externas, e sim via superior hierárquico, com vistas à promoção da adequada
transparência da ação que está sendo formalizada, bem como à condução de
mais de uma avaliação sobre a necessidade de executar esta ação.

Ao cumprir este procedimento, o analista ou servidor, mais do que


simplesmente realizar uma ação burocrática de enviar um pedido para outro
setor, executa, no âmbito do controle individual, ações de reavaliação da
necessidade do dado negado e de participação ao seu superior da sua
pretensão.

Ao receber tal pedido, o profissional de operações de Inteligência ou


servidor analisará a solicitação e procurará atender a demanda mediante um
planejamento específico que preparará. Válido recordar que estamos tratando
de profissionais que não só possuem conhecimentos especializados, mas
também princípios éticos.

Durante o planejamento para uma Ação de Busca, os agentes do Elo de


Operações de uma Agência de Inteligência ou do setor de Diligências Externas
devem levar em consideração os conceitos básicos a seguir expostos.

3.2 Diligência Externa – Conceito

Considera-se diligência externa o ato pelo qual o servidor realiza


diligências fora das dependências das unidades administrativas, com o objetivo
de obter, de forma direta ou por meio de terceiros, elementos que possibilitem
a instrução de procedimentos extrajudiciais, inclusive procedimentos
disciplinares, ou processos judiciais.

3.2.1 São espécies de diligência externa, nos termos da Portaria Nº 1048, de


17 de dezembro de 2015, (PGR/MPF):

I - Averiguação: o servidor realiza, in locu, a constatação ou confirmação


de informação ou situação fática, ainda que esteja acompanhado de outro
servidor, outro membro ou outra pessoa;

II - Acompanhamento: o servidor acompanha ato ou atividade realizada


por outro órgão ou setor com a finalidade de auxiliar na sua execução ou de
produzir informação;

III - Intimação e Notificação: a entrega de expediente destinado a


cientificar determinada pessoa, física ou jurídica, sobre a ocorrência de atos e
termos de procedimentos do Ministério Público Federal ou para que compareça
a evento, com data, horário e local previamente estabelecidos;

IV - Outras providências: as diligências, especificadas pelo membro do


Ministério Público Federal, não compreendidas entre as relacionadas neste
artigo, mas que se encontram inseridas no escopo das definições contidas na
Portaria PGR 1048, de 15 de dezembro de 2015.

3.3 CONCEITOS BÁSICOS PARA OPERAÇÕES DE INTELIGÊNCIA /


DILIGÊNCIA EXTERNA.

• Ambiente Operacional

É o local onde se desenvolve uma Operação de Inteligência ou uma


Diligência Externa.

• Alvo

É o objetivo principal das Ações de Busca. Pode ser um objeto, uma


pessoa, uma organização, um local ou um evento de interesse da Diligência
Externa.

• Elemento de Operação (ELO)

É a denominação genérica dada à fração de uma Área de Inteligência


que planeja e executa as Operações de Inteligência. Considerando a
especificidade do Ministério Público Federal, ELO considerar-se-á o Setor
Designado para o planejamento das Diligência Externas.

3.3.1 PESSOAL EMPREGADO

• Agente ou Servidor Designado

É um profissional de Inteligência ou, preferencialmente, servidor


ocupante de cargo de Técnico do MPU/Apoio Técnico-
Administrativo/Segurança Institucional e Transporte que possui capacitação
especializada em ações e técnicas operacionais.

• Colaborador

É uma pessoa não orgânica, recrutada operacionalmente ou não, que,


por suas ligações e conhecimentos, cria facilidades para a agência de
Inteligência ou para o servidor em diligência externa, podendo, ainda,
eventualmente fornecer dados obtidos.

• Informante

É uma pessoa recrutada operacionalmente, para fornecer dados


negados a que tenha acesso e que sejam de interesse para a diligência
externa, podendo ser treinado.

• Rede

É a designação dada ao conjunto de pessoas não orgânicas,


colaboradores e informantes, controladas pela Agência de Inteligência ou pelos
profissionais de Diligência Externa.

• Controlador

É o agente ou servidor responsável pelo controle de componentes da


rede.

3.4 AÇÕES DE BUSCA

Ações de Busca ou, simplesmente, Busca são todos os procedimentos


realizados pelo conjunto ou parte dos agentes do Elemento de Operações de
uma Agência de Inteligência, ou por servidores do MPF do setor designado
para o planejamento das Diligências Externas, a fim de reunir dados protegidos
e/ou negados, num universo antagônico, de difícil obtenção.
Os procedimentos de Ações de Busca são: reconhecimento, vigilância,
recrutamento operacional, infiltração, desinformação, provocação, entrevista,
entrada, ação controlada e interceptação de sinais.
Vejamos abaixo o conceito de cada Ação de Busca:
• RECONHECIMENTO
É a Ação de Busca realizada para obter dados sobre o ambiente
operacional ou fazer a identificação de alvos. Normalmente é uma ação
preparatória que subsidia o planejamento de uma Operação de Inteligência ou
de uma Diligência Externa.

Saiba mais em:

FILME: Reconhecimento-Kenia completo

Link: http://www.tvmpf.mpf.mp.br/videos/1930

• VIGILÂNCIA

É uma ferramenta de Ação de Busca que consiste em manter um ALVO


(pessoas, objetos, veículos, áreas ou instalações) sob observação contínua,
isto é, manter um ou mais alvos sob observação.

Saiba mais em:

FILME: Os Vigilantes (Dublado) Eyes in the Sky ★

Link: http://www.tvmpf.mpf.mp.br/videos/1928

• RECRUTAMENTO OPERACIONAL

É o conjunto de ações que visam a convencer e a preparar uma pessoa


para colaborar com o Organismo de Inteligência ou com o Ministério Público
Federal, nos casos de diligências externas, de forma sistemática, fornecendo
informações úteis.

É a culminação de um processo em que o candidato em


desenvolvimento é considerado apto a desempenhar levantamentos de dados
e missões sigilosas sob controle.

• INFILTRAÇÃO

Consiste em colocar um agente orgânico junto ao alvo com a finalidade


de obter dados.
• DESINFORMAÇÃO

Utilizada para, intencionalmente, confundir alvos (pessoas ou


organizações), a fim de induzi-los a cometer erros de apreciação, levando-os a
executar um comportamento predeterminado.

Saiba mais, acessando o link abaixo:

Saiba mais em:

FILME: O homem que nunca existiu

Link:https://www.tvmpf.mpf.mp.br/management/videos/1960/

https://www.youtube.com/watch?v=fidIbkZAlEo

• PROVOCAÇÃO

Realizada, com alto nível de especialização, para fazer com que um alvo
modifique seus procedimentos e execute algo desejado pela Agência de
Inteligência, sem que desconfie da ação a que está submetido.

• ENTREVISTA

Realizada para obter dados por meio de uma conversação, mantida com
propósitos definidos, planejada e controlada pelo entrevistador.

• ENTRADA

Realizada para obter dados em locais de acesso restrito e sem que seus
responsáveis tenham conhecimento dos propósitos da ação realizada.

• INTERCEPTAÇÃO DE SINAIS E DADOS

Realizada para obter dados por meio de equipamentos adequados,


operados por integrantes da Agência de Inteligência.

3.5 TÉCNICAS OPERACIONAIS


São as habilidades nas quais deverão ser treinados os agentes de um
Elemento de Operações (ELO) ou um servidor do MPF, a fim de facilitar a
atuação humana nas ações de busca, aumentando suas potencialidades,
possibilidades, capacidades e operacionalidades.

As principais Técnicas Operacionais de Inteligência (TOI) são:


Processos de Identificação de Pessoa (PIP), Observação, Memorização e
Descrição (OMD), Estória Cobertura (EC), Disfarce, Comunicações Sigilosas,
Leitura de Fala, Análise de Veracidade, Emprego de Meios Eletrônicos e
Fotointerpretação.

• Processo de Identificação de Pessoas (PIP)

Destinado a identificar ou a reconhecer pessoas. São utilizados


fotografia, datiloscopia, biometria, descrição, dados de qualificação, etc.

• Observação, Memorização e Descrição (OMD)

Técnica utilizada para observar, memorizar e descrever, com precisão,


pessoas, objetos, locais e fatos, a fim de identificá-los ou de reconhecê-los. Os
profissionais de Inteligência e todos aqueles profissionais que buscam o dado
negado, no mundo exterior, examinam, minuciosa e atentamente, pessoas,
locais, fatos ou objetos, por meio da máxima utilização dos sentidos, de modo a
transmitir dados que possibilitem a identificação e o reconhecimento.

- Bastante utilizadas nos Reconhecimentos.

- Evita fazer com que o agente vá mais de uma vez ao mesmo local.

• Estória Cobertura (EC)

Estória que os agentes ou servidores devem contar em operações ou


diligências externas a fim de encobrir suas reais identidades e da Agência de
Inteligência ou da Instituição a que pertencem, assegurando a segurança e o
sigilo da operação.

Dissimulação utilizada para proteger as reais identidades dos agentes e


das Instituições, a fim de facilitar a obtenção de dados (e dos propósitos), e
preservar a segurança e o sigilo.
5. Saiba mais sobre Estória Cobertura clicando no link abaixo.

- Documentário VIPs - Histórias Reais de um Mentiroso.

Link: http://www.tvmpf.mpf.mp.br/videos/1927

https://www.youtube.com/watch?v=U7p_XYWKfjQ

• Disfarce

O agente, usando recursos naturais ou artificiais, modifica a aparência


física, a fim de evitar o seu reconhecimento, atual ou futuro, ou de se adequar a
uma Estória Cobertura.

• Comunicações Sigilosas (ComSig)

Utilizadas para, sigilosamente, transmitir mensagens ou enviar objetos


durante as ações de busca.

- Devem ser predefinidas e do conhecimento dos agentes ou servidores


que participarão da ação.

- Ação rápida e sem chamar atenção de transeuntes.

- Bastante utilizadas nas trocas de posição durante a vigilância.

• Análise Comportamental

- Utilizada para analisar o comportamento de indivíduos e/ou grupos e as


relações entre eles dentro de um ambiente preparado.

• Emprego de Meios Eletrônicos (EME)

Técnica que capacita e habilita os agentes integrantes da Inteligência


humana e os servidores que buscam os dados sensíveis a utilizarem
adequadamente os equipamentos de captação, gravação e reprodução de
sons, imagens, sinais e dados. Isto porque os meios eletrônicos por si só não
geram informações úteis, é preciso conhecer bem as circunstâncias em que
foram captadas e os acontecimentos anteriores. Muitas vezes é necessário
fazer o cruzamento de dados e acompanhar os desdobramentos posteriores.
3.6 TIPOS DE OPERAÇÕES DE INTELIGÊNCIA

Existem dois tipos de Operações de Inteligência: as exploratórias e as


sistemáticas.

3.6.1 Operações Exploratórias

Visam atender às necessidades imediatas de obtenção de dados


específicos sobre determinado alvo.

3.6.2 Operações Sistemáticas

São utilizadas normalmente para acompanhar, metodicamente, a


incidência de determinado fenômeno ou aspecto do interesse da Segurança
Pública, produzindo um fluxo contínuo de dados.

3.7. FINALIZANDO

Considerando que a diligência externa visa à busca de um dado negado,


e principalmente dados sensíveis, é imprescindível que o servidor ou o
profissional que irá realizar esta diligência tenha uma base na área da
inteligência, pegando seus conceitos, métodos, técnicas e aplicando no que
couber na sua atividade diária.

Em síntese, todas as ações, métodos e técnicas utilizados na área da


inteligência poderão ser aplicados na sua totalidade nas diligências externas.
RESERVADO
Módulo IV – CONTRAINTELIGÊNCIA E POLÍTICA E PLANO DE
SEGURANÇA INSTITUCIONAL (PSI)

 Objetivo desta aula.

Nesta aula você irá:

 Conceituar Contrainteligência;

 Conhecer a Política de Segurança Institucional do MPF;

- PORTARIA PGR N° 580 DE 17 DE NOVEMBRO DE 2010

 Conhecer o plano de Segurança Institucional do MPF;

- PORTARIA PGR Nº 417-2013

 Descrever os princípios da Política de Segurança Institucional;

 Descrever a diferença entre segurança orgânica e segurança


ativa;

 Definir os campos de atuação da segurança orgânica;

 Definir os campos de atuação da segurança ativa.

4. CONTRAINTELIGÊNCIA (C.I)

“A Contrainteligência é o ramo da Inteligência que se destina a


produzir conhecimentos e adotar medidas para proteger a
atividade de inteligência e a instituição a que pertence, de modo a
salvaguardar dados e conhecimentos sigilosos e identificar e
neutralizar ações adversas de qualquer natureza.” DNIPEN

4.1 Conceitos Básicos

• Responsabilidade: obrigação legal, individual e coletiva, em relação à


preservação da segurança.
RESERVADO

• Acesso: possibilidade e/ou oportunidade de uma pessoa obter dados e


conhecimentos sigilosos que devem ser protegidos. O acesso, em
consequência, deriva de autorização oficial emanada de autoridade
competente – credenciamento – ou da superação das medidas de
salvaguarda aplicadas aos documentos sigilosos.

• Comprometimento: é a perda da segurança de dados ou


conhecimentos, provocada por fatores humanos, naturais ou acidentais
que podem causar a adulteração ou a perda do princípio da
oportunidade (resultante do acesso não autorizado).

• Vazamento: divulgação não autorizada de dados ou conhecimentos, o


que, consequentemente, causa a perda do sigilo de forma integral ou
parcial.

A diferença entre COMPROMETIMENTO e VAZAMENTO é que, neste, os


dados ou conhecimentos já foram divulgados por irresponsabilidade
(negligência), ou de forma intencional (vingança ou motivo financeiro). Naquele,
a simples insuficiência das medidas de salvaguarda gera o comprometimento,
que pode possibilitar o vazamento de material sigiloso.

• Compartilhamento: ato de tornar o conhecimento disponível por


qualquer meio, acessível entre os integrantes da Inteligência que
tenham necessidade de conhecê-lo, adotando mecanismo de proteção
e assegurando o sigilo adequado.
RESERVADO
• Ameaça: causa potencial de um incidente indesejado, que pode
resultar em dano a uma organização. [ABNT NBR ISSO/IEC 13335-
1:2004].

• Risco: probabilidade de uma ameaça causar impacto na organização.

• Vulnerabilidade: fragilidade de um ativo ou grupo de ativos que pode


ser explorada por uma ou mais ameaças. [ABNT NBR ISO/IEC
17799:2005].

4.2 SEGMENTOS DA CONTRAINTELIGÊNCIA.

• Segurança Orgânica;

• Segurança Ativa.

4.2.1 SEGURANÇA ORGÂNICA (SEGOR)

Segurança Orgânica é um conjunto de medidas de caráter


eminentemente defensivo, destinado a garantir o funcionamento da instituição,
de modo a prevenir e obstruir as ações adversas de qualquer natureza.

A SEGOR caracteriza-se pelo conjunto de medidas que neutralizam as


ameaças, isto é, ações realizadas por forças adversas que possam
comprometer ou superar as medidas de salvaguarda adotadas em relação ao
pessoal, aos documentos, às comunicações, às instalações, e às operações.

4.2.2 SEGURANÇA ATIVA (SEGAT)

Segurança Ativa é o conjunto de medidas de caráter eminentemente


ofensivo, destinado a detectar, identificar, avaliar, analisar e neutralizar as
ações adversas de elementos ou grupos de qualquer natureza dirigidas contra
o Ministério Público Federal – MPF.
RESERVADO
Objetivo: Adotar medidas que neutralizem as ameaças, isto é, ações
realizadas por forças adversas que possam comprometer ou superar as
medidas de salvaguarda adotadas em relação ao pessoal, aos documentos, às
comunicações, às instalações, e às operações.

Agora, alunos, falaremos sobre a Política e o Plano de Segurança


Institucional do Ministério Público Federal. Cada instituição nos dias atuais
deve preservar e cuidar dos seus ativos, quais sejam: pessoal, material,
comunicações, instalações e, principalmente, suas informações, que já
sabemos ser um ativo precioso.

4.3 POLÍTICA DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL

O objetivo do documento elaborado é estabelecer a Política de


Segurança Institucional do Ministério Público Federal (MPF), expedindo
diretrizes gerais de segurança. A política será orientadora para fundamentação
de normas, processos e procedimentos de segurança a serem implementados
em todo o Sistema MPF, por meio do Plano de Segurança Institucional e dos
Planos de Segurança Orgânica das unidades do MPF.

Entende-se como sistema do MPF a Procuradoria Geral da República,


as Procuradorias Regionais da República, as Procuradorias da República nos
Estado e no Distrito Federal, as Procuradorias da República nos Municípios,
assim como seus membros e servidores. Estão também sob o alcance do
conceito do Sistema MPF os estagiários e funcionários terceirizados, por
manterem algum tipo de vínculo com o MPF.

Retornando ao assunto dado, informação e conhecimento, podemos


dizer que as transformações globais introduzidas pela chamada “sociedade do
conhecimento”, resultado de novos referenciais sociais, econômicos,
tecnológicos e culturais, ensejam a produção de informação e conhecimentos
de toda espécie, em grande volume e de forma cada vez mais rápida,
RESERVADO
determinando às instituições a necessidade de equacionar o compartilhamento
com a compartimentação da informação, de acordo com a necessidade de
proteção.

No MPF, A segurança Institucional deverá ter como concepção os


seguintes princípios:

• Orientar suas práticas pela ética profissional, cultuando os valores


fundamentais do MPF;

• Desenvolver suas atividades com o objetivo principal de antecipar-se às


ações hostis das diversas ameaças de forma preventiva e proativa;

• Possuir um caráter permanente, interligando-se a outras áreas para a


proteção do Sistema MPF;

• Orientar-se por ameaças reais ou potenciais ao Sistema MPF,


exploradas por atores hostis de qualquer natureza e com os mais
variados interesses. Incluem-se aqui os efeitos de acidentes naturais;

• Salvaguardar sempre a Instituição, evitando sua exposição e exploração


midiática negativa.

Para cumprir as atribuições de proteção do Sistema MPF, a Segurança


Institucional segmentar-se-á nos seguintes grupos de medidas de segurança
orgânica:

 Segurança de recursos humanos;

 Segurança de material;

 Segurança de áreas e instalações;

 Segurança da informação.

Pela importância do ativo denominado informação e pela complexidade


que envolve as ações para sua proteção, incluindo a utilização de modernas
tecnologias, a segurança da informação se desdobra em:
RESERVADO
 Segurança da informação nos meios de tecnologias da
informação;

 Segurança da informação no pessoal;

 Segurança da informação na documentação;

 Segurança da informação nas áreas e instalações.

A Segurança Institucional deverá despender especial atenção para as


ações antagônicas de sabotagem e acessos intencionais não autorizados, para
que haja proteção efetiva de todos os bens tangíveis e intangíveis.

• Objetivos

 Estabelecer as diretrizes gerais do Procurador-Geral da


República, a respeito da Segurança Institucional;

 Orientar a execução da atividade de Segurança Institucional


do MPF;

 Definir as atribuições de segurança para as unidades do MPF;

 Desenvolver uma mentalidade de segurança no MPF.

• Amplitude

O conteúdo desta Política de Segurança Institucional se aplica às


unidades do Ministério Público e aos seus integrantes, naquilo que se refere às
práticas e aos procedimentos individuais nas suas respectivas esferas de
atribuições.

• Fatores Críticos de Sucesso


RESERVADO

São considerados fatores determinantes para o sucesso da


implementação da Política de Segurança Institucional do MPF:

 Comprometimento e apoio explícito de todos os níveis de


direção e chefia do MPF, com atitudes favoráveis ao
cumprimento de normas de segurança no âmbito da
Instituição;

 Obtenção de uma mentalidade de segurança por todos os


integrantes do MPF, incorporando o conceito de que cada um
é responsável pela manutenção do nível de segurança
adequado;

 Estabelecimento de um Plano de Segurança Institucional e


Planos de Segurança Orgânica, normas e procedimentos
consistentes, com a cultura organizacional da Instituição e
consubstanciados na realidade de cada unidade do MPF;

 Estabelecimento de estruturas de gerência, auditoria e


validação de processos sensíveis, que envolvam quesitos de
segurança;

 Entendimento das necessidades de segurança que respalde o


desempenho das Funções Institucionais do MPF;

 Elaboração de programas de divulgação, educação e


informação de conteúdos de segurança;

 Provisão de recursos financeiros para as atividades de


segurança;

 Criação de programas de formação de recursos humanos e de


treinamento continuado específico para servidores e para
terceirizados com encargos de segurança;

 Realização de Assessorias Técnicas de Segurança (ATS)


para orientar as unidades do MPF.
RESERVADO

Conforme descrito anteriormente, a Política e o Plano de Segurança


Institucional abrangem diversas áreas e setores do MPF. Doravante vamos
conceituar e exemplificar alguns deles.

4.4 SEGURANÇA DE RECURSOS HUMANOS.

É um conjunto de medidas destinado a proteger a integridade física de


membros, servidores do MPF e familiares, quando comprometida em face do
desempenho das Funções Institucionais.

Envolve a proteção realizada por servidores do MPF ou a solicitação de


proteção disponibilizada por Órgãos de Segurança Pública (OSP) estaduais e
federais e, em último caso, pelas forças singulares.

Pela especificidade e circunstâncias do desempenho das Funções


Institucionais, é fundamental que os integrantes do MPF, em particular os
membros, desenvolvam uma cultura de conscientização e sensibilização
quanto às prováveis ameaças, estabelecendo procedimentos de proteção e
preservação de sua integridade.

4.5 SEGURANÇA DE MATERIAL

Compreende um conjunto de medidas de segurança voltadas para proteger


o material pertencente ao MPF ou em uso no órgão. O material constitui-se em
um ativo economicamente importante para o MPF, além de poder conter
dados e informações sensíveis e sigilosos de interesse de atores antagônicos.

O material compreende o patrimônio físico do MPF, estabelecido em bens


móveis e imóveis, que permite o adequado funcionamento de uma unidade.
Nas medidas de guarda e proteção do material, devem ser incluídas as
RESERVADO
condições técnicas adequadas e os procedimentos de segurança e
manutenção do material.

Incidentes de segurança envolvendo material devem ser sempre


observados sob a ótica da intencionalidade do fato. Cumpre levantar a
situação e as circunstâncias em que o fato ocorreu, para esclarecimento a
respeito de ocorrência de sabotagem.

4.6 SEGURANÇA DE ÁREAS E INSTALAÇÕES

Segurança de áreas e instalações constitui-se em um grupo de medidas


orientadas para proteger o espaço físico sob responsabilidade do MPF ou
onde se realizam atividades de interesse do MPF, com a finalidade de
salvaguardá-lo.

As ações de segurança nas áreas e instalações estão intimamente ligadas


a outros grupos de medidas, como, por exemplo, a segurança de recursos
humanos e a segurança da informação. Essa integração é que proporciona
maior nível de segurança para o Sistema MPF.

Incluem-se, na segurança de áreas e instalações: a) demarcação de áreas;


b) controle de acessos; c) detecção de intrusão e monitoração de alarme; d)
implementação de barreiras; e) estabelecimento de linhas de proteção; f)
sistema de vigilância humana; g) proteção de cabeamentos e quadros de toda
espécie; h) proteção de sistemas de energia, água, gás e ar condicionado; i)
outras técnicas e procedimentos de segurança.

4.7 SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

A segurança da informação é um grupo de medidas de segurança que


envolve a proteção de dados, informações e conhecimentos sensíveis ou
RESERVADO
sigilosos, cujo acesso ou divulgação não autorizados podem acarretar
prejuízos de qualquer natureza ao MPF ou proporcionar vantagem a atores
antagônicos.

A segurança da informação visa garantir a integridade, o sigilo, a


autenticidade, a disponibilidade, o não repúdio e a atualidade da informação.

Os acordos de confidencialidade ou de não divulgação, para preservar a


informação, devem ser celebrados entre o MPF e as instituições ou
organizações com as quais o Ministério Público compartilhe dados. Esses
acordos devem ser estendidos aos integrantes das instituições e organizações
que tiverem acesso a tais dados.

Os acordos devem ser estabelecidos por meio de cláusulas contratuais


ou por meio de Termos de Compromisso de Manutenção do Sigilo, os quais
devem ser específicos para cada situação e circunstância. Os integrantes do
MPF que têm acesso a dados e informações sigilosos devem assinar também
esses termos.

Saiba Mais:

FILME:Segurança_da_Informação_-_STJ:

Link: http://www.tvmpf.mpf.mp.br/videos/1931

https://www.youtube.com/watch?v=nVmRHtHJKfw

4.8 OUTROS ASPECTOS DE SEGURANÇA

A sabotagem é o dano intencional contra material ou instalações, com


impacto direto físico e indireto psicológico, que pode causar a interrupção de
atividades. Por se constituir em um ato deliberado, possui alvo determinado e
RESERVADO
efeito esperado, aspectos que devem ser avaliados em caso de incidente de
segurança.

O Plano de Segurança Institucional e os Planos de Segurança Orgânica


deverão contemplar medidas de segurança que garantam ações para
neutralizar eventuais atos de sabotagem contra o MPF. A negação de
informação a atores hostis constitui-se em eficaz instrumento para evitar a
sabotagem.

O acesso não autorizado a dados e informações é uma atividade


desenvolvida para subtrair conhecimento protegido de uma pessoa,
organização ou instituição. O MPF, pela natureza de sua Função Institucional,
possui dados e informações de interesse de atores antagônicos, cuja
divulgação não autorizada ou prematura pode gerar desvantagem ou causar
danos ao órgão.

A identificação e a proteção desses dados e informações constituem-se


em atividade primordial para os integrantes do MPF. A salvaguarda da
informação ocorrerá por meio da implementação de medidas de segurança
orgânica, integradas a práticas para desenvolver uma mentalidade de
segurança.

Também é importante a conscientização por todos os integrantes do MPF


de que a proteção de dados ou informações pessoais e da Instituição deve ser
permanente.

4.9 GESTÃO DE RISCOS

A Gestão de Riscos – inclui a análise, avaliação e tratamento do risco –


constitui-se em atividade fundamental para proteção do Sistema MPF, por ser
um processo dinâmico e proativo de defesa do sistema.

A Gestão de Riscos precede o planejamento estratégico e tático, e o


estabelecimento de processos e tomada de decisões que envolvam risco. A
RESERVADO
sua implementação orienta a operacionalização de controles, planejamento de
controle de danos e de contingência para a Instituição.

As unidades do MPF devem conduzir avaliação de risco para determinar


suas necessidades de proteção, para monitorar as situações de risco e para
acompanhar a escalada de ameaças, procedendo a modificações para ajustar
as medidas de proteção.

Nessa concepção, as Assessorias Técnicas de Segurança (ATS),


conduzidas pela Unidade de Segurança Institucional, são eficaz instrumento
de gestão de risco para as unidades do MPF. Além de avaliar e analisar os
riscos, as ATS sugerem ações a realizar para tratamento do risco identificado.

4.10 PLANEJAMENTO DE CONTINGÊNCIA E CONTROLE DE DANOS

Planejamento de contingência é a previsão de técnicas e procedimentos


alternativos adotados para efetivar processos que tenham sido interrompidos
ou que tenham perdido sua eficácia. Visa minimizar o impacto e restabelecer a
continuidade desses processos, combinando ações preventivas e de
recuperação. É fundamental para permitir o cumprimento das funções da
Instituição, mesmo diante de um incidente que atente contra a realização de
processos.

O Controle de Danos é a determinação de uma série de medidas que


visem avaliar a profundidade de um dano por ocasião de um incidente, o
comprometimento dos ativos e as consequências para a Instituição, inclusive
no que se refere à imagem institucional. Constitui-se em eficaz ferramenta de
suporte para tomada de decisões em situações de crise, possuindo concepção
complementar ao planejamento de contingência.

Os Planejamentos de Contingência e de Controle de Danos devem ser


desencadeados simultaneamente em caso de crise, devem ser setoriais e
exequíveis, preparados de acordo com a realidade de cada unidade do MPF.
RESERVADO
É relevante que sejam nomeados responsáveis e substitutos para cada
ação a ser realizada e que os planejamentos sejam testados e reavaliados
periodicamente.

PLANO DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL

4.11. PLANO DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL

O Plano de Segurança Institucional tem por finalidade orientar e


desenvolver a atividade de segurança no âmbito do Ministério Público Federal -
MPF, estabelecendo princípios e diretrizes complementares à Política de
Segurança Institucional.

4.12 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE SEGURANÇA


INSTITUCIONAL

A Segurança Institucional, no âmbito do MPF, é estratificada em níveis de


gestão administrativa e se estrutura por meio da Política de Segurança
Institucional, do Plano de Segurança Institucional e dos Planos de Segurança
Orgânica.

A Política de Segurança Institucional refere-se ao nível de gestão política e


estabelece as diretrizes gerais de segurança e áreas afins, alinhadas ao
planejamento estratégico.

O Plano de Segurança Institucional abrange todos os grupos de medidas


de segurança previstos na Política de Segurança Institucional e se refere ao
nível de gestão administrativa estratégica, definindo as ações, projetos e
RESERVADO
programas necessários ao alcance dos objetivos específicos de Segurança
Institucional.

Os Planos de Segurança Orgânica estabelecem normas de segurança


específicas para cada unidade da Instituição, de acordo com suas
características e peculiaridades, adequadas às necessidades de segurança
locais e regionais. Referem-se ao nível de gestão administrativa tática e se
desdobram em normatização de rotinas e procedimentos.

4.13 GESTÃO ESTRATÉGICA

O planejamento estratégico de segurança institucional tem a finalidade de


atender às diretrizes elencadas na Política de Segurança Institucional por meio
de ações e projetos que devam ser implementados em cada unidade do MPF.

O planejamento estratégico geral tem como objetivo estruturar um sistema


capaz de garantir, de modo efetivo, a segurança de pessoas (membros,
servidores, terceirizados e estagiários), dados, informações, materiais,
processos, documentos, áreas e instalações de todas as unidades do MPF,
além de criar e desenvolver uma cultura de segurança institucional apta, entre
outras coisas, a manter todo o corpo funcional do MPF em permanente atenção
no cuidado com as questões afetas a tal objetivo estratégico.

O Planejamento estratégico específico tem como objetivo:

I - normatizar os itens de segurança previstos nos grupos de medidas


de segurança;
II - capacitar recursos humanos para atividades referentes à
segurança institucional;
III - desenvolver a consciência da segurança institucional no MPF;
IV - realizar planejamento de contingência para processos sensíveis;
V - implementar o Plano de Segurança Orgânica em todas as
unidades do MPF;
RESERVADO
VI - estabelecer uma doutrina de segurança específica para o MPF;
VII - desenvolver cenários de segurança;
VIII - estruturar a segurança institucional do MPF;
IX - dotar a Instituição de meios que permitam desenvolver a atividade
de segurança nas melhores condições;
X - estabelecer estruturas de gerência, auditoria e validação de
processos; e
XI - estabelecer processos de gestão de riscos.

4.14 PLANO DE SEGURANÇA ORGÂNICA

O Plano de Segurança Orgânica - PSO, composto por normas e


procedimentos de segurança das unidades do MPF, deve ser orientado para
as necessidades e especificidades locais.

O PSO será integrado por:

I - normas de segurança para cada grupo de medidas de segurança e


anexos que regulamentem procedimentos de proteção relativos a cada grupo
de medidas;

II - regras de segurança para orientação de portarias que regulamentem


assuntos locais; e

III - atribuições de responsabilidade.

A implementação do PSO é de responsabilidade de cada unidade do


MPF, que contará com o apoio técnico (modelo de plano, capacitação e
revisão) da Unidade de Segurança Institucional.
RESERVADO

4.15. MEDIDAS DE SEGURANÇA.

A Segurança Institucional compreende o conjunto de medidas de


segurança orgânica e de segurança ativa.

A segurança orgânica é composta pelos seguintes grupos de medidas:

I - segurança de recursos humanos;

II - segurança de materiais;

III - segurança das áreas e instalações; e

IV - segurança da informação, que se desdobra em:

a) segurança da informação nos meios de tecnologia da


informação;

b) segurança da informação no pessoal;

c) segurança da informação na documentação; e

d) segurança da informação nas áreas e instalações.

A segurança ativa é composta pelos seguintes grupos de medidas:


contrassabotagem e contraespionagem.

4.16. FINALIZANDO

Para finalizarmos este módulo de Contrainteligência e a Política e o Plano


de Segurança Institucional do MPF, vamos relembrar que a Segurança
Institucional compreende o conjunto de medidas de Segurança Orgânica e
Segurança Ativa.

A Segurança Orgânica é composta pelos seguintes grupos de medidas:


RESERVADO
I - segurança de recursos humanos;
II - segurança de materiais;
III - segurança das áreas e instalações; e
IV - segurança da informação, que se desdobra em:
a) segurança da informação nos meios de tecnologia da informação;
b) segurança da informação no pessoal;
c) segurança da informação na documentação; e
d) segurança da informação nas áreas e instalações.

A Segurança Ativa é composta pelos seguintes grupos de medidas:


contrassabotagem e contraespionagem.

Além disso, na implementação das medidas de segurança do MPF, além


das normas constitucionais e legislação infraconstitucional, deverão ser
observados a Política de Segurança Institucional, o Plano de Segurança
Institucional, os Planos de Segurança Orgânica, os atos normativos expedidos
pelo Procurador-Geral da República, pelo Secretário-Geral e pelos
Procuradores-Chefes, as ordens de serviço, os procedimentos operacionais
padrão, as orientações técnicas, as instruções e as rotinas.

Saiba mais em:

FILME: QUEBRA_DE_CONFIANCA:

Link: http://www.tvmpf.mpf.mp.br/videos/1929