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CURSO ON-LINE – DIREITO E PROCESSO TRIBUTÁRIO

PROFESSOR: EDVALDO NILO


AULA 1 - Competência Tributária. Impostos. Impostos
Federais (aula atualizada até 26/08/2010).

Oi, tudo bom?

Estamos começando o nosso curso hoje, em face do quorum


mínimo que foi atingido.

O nosso curso está totalmente ampliado, revisto e


atualizado.

Assim, vamos começar hoje com os importantes temas da


competência tributária e dos impostos federais e, sobretudo, as
questões da ESAF sobre estes temas.

No início da próxima aula, trataremos também de diversas


questões comentadas de outras bancas examinadoras.

Ou seja, é um curso regular de direito tributário que buscará


ser completo para o nosso mundo dos concursos.

Por sua vez, registramos que algumas questões são colocadas


dentro do texto para uma verificação rápida de aprendizagem (cor
vermelha), enquanto as questões comentadas estão no final do
assunto tratado.

Também temos um novo ponto chamado de importante (cor


azul).

Por conseguinte, vamos verificar agora o nosso novo calendário


com o respectivo conteúdo programático:

Aula 2 – Tributo: conceito e espécies. Diversas classificações


dos Tributos. Taxa. Contribuição de Melhoria. Empréstimo
Compulsório - (02/09).

Aula 3 – O Estado e o poder de tributar. Limitações


Constitucionais do Poder de Tributar. Imunidades tributárias.
Princípios Constitucionais Tributários - (09/09).

Aula 4 – Fontes do direito tributário. Vigência e aplicação das


leis tributárias. Interpretação e integração das leis tributárias.
Natureza. Obrigação Tributária Principal e Acessória. Fato Gerador da
Obrigação Tributária. Hipótese de Incidência e Fato Imponível -
(16/09).

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Aula 5 – Sujeição Ativa e Passiva. Solidariedade e sucessão.
Capacidade Tributária. Domicílio Tributário. Responsabilidade
Tributária. Conceito. Responsabilidade por dívida própria e por dívida
de outrem. Responsabilidade pessoal e de terceiros. Responsabilidade
supletiva. Responsabilidade por Infrações. Crédito Tributário.
Conceito. Constituição do Crédito Tributário. Lançamento.
Modalidades de Lançamento. Hipóteses de alteração do lançamento -
(23/09).

Aula 6 – Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário.


Modalidades. Extinção do Crédito Tributário. Modalidades. Ação de
Consignação em Pagamento. Pagamento Indevido. Ação de Repetição
de Indébito. Lei Complementar 118/2005. Ação de Consignação em
Pagamento. Exclusão do Crédito Tributário. Modalidades - (30/09).

Aula 7 – Garantias e Privilégios do Crédito Tributário.


Administração Tributária. Fiscalização Tributária Dívida Ativa.
Certidões Negativas. Contribuições Especiais. Contribuições especiais
em espécie: Contribuições da Seguridade Social (Contribuição para o
PIS/PASEP Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –
COFINS; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e outras);
Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico; Contribuições
corporativas; Contribuições sociais; Contribuição de para o custeio do
serviço de iluminação pública (COSIP); Sistema Tributário Nacional.
Repartição das receitas tributárias - (07/10).

Aula 8 – Impostos de Competência dos estados e do Distrito


Federal. Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, de
quaisquer bens ou direitos (ITCMD). Imposto sobre Operações
relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços
de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação
(ICMS). Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
Impostos de Competência dos municípios e do Distrito Federal.
Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU);
Imposto sobre Transmissão Inter Vivos e de Bens Imóveis (ITBI);
Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) - (14/10).

Aula 9 – Simples Nacional. Lei Complementar 123/2006. Dos


crimes contra a Ordem Tributária. Processo administrativo tributário -
(21/10).

Aula 10 – Processo judicial tributário. Prova (“simulado”) final


cobrando questões com conteúdo de todos os pontos estudados no
curso (28/10).

Já o nosso sumário de hoje é o seguinte:

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Tema I
Competência Tributária
Sumário • 1. Conceito – 2. Competência legislativa e classificação –
3. Classificação da competência tributária – 4. Características

Tema II
Impostos. Impostos Federais.
Sumário • 1. Impostos – 2. Impostos da União: 2.1 Imposto sobre
a Importação (II): 2.1.1 Aspecto material; 2.1.2 Aspecto temporal;
2.1.3 Aspecto espacial; 2.1.4 Aspecto pessoal; 2.1.5 Aspecto
quantitativo; 2.1.6 Quadro sinóptico; 2.1.7 Regimes aduaneiros
especiais de tributação; 2.2 Imposto sobre a exportação, para o
exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE): 2.2.1
Aspecto material; 2.2.2 Aspecto temporal; 2.2.3 Aspecto espacial;
2.2.4
Aspecto pessoal; 2.2.5 Aspecto quantitativo; 2.2.6 Quadro sinóptico;
2.3 Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR):
2.3.1 Aspecto material; 2.3.2 Aspecto temporal; 2.3.3 Aspecto
espacial; 2.3.4 Aspecto pessoal; 2.3.5 Aspecto quantitativo; 2.3.6
Informativo 540 do STF; 2.3.7 Quadro sinóptico; 2.4 Imposto sobre
produtos industrializados (IPI): 2.4.1 Aspecto material; 2.4.2 Aspecto
temporal; 2.4.3 Aspecto espacial; 2.4.4 Aspecto pessoal; 2.4.5
Aspecto quantitativo; 2.4.6 Jurisprudência do STF e STJ; 2.4.7
Quadro sinóptico; 2.5 Imposto sobre operações de crédito, câmbio e
seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF): 2.5.1
Aspecto material; 2.5.2 Aspecto temporal; 2.5.3 Aspecto espacial;
2.5.4 Aspecto pessoal; 2.5.5 Aspecto quantitativo; 2.5.6 Quadro
sinóptico; 2.6 Imposto sobre propriedade territorial rural (ITR):
2.6.1 Aspecto material; 2.6.2 Aspecto temporal; 2.6.3 Aspecto
espacial; 2.6.4 Aspecto pessoal; 2.6.5 Aspecto quantitativo; 2.6.6
Quadro sinóptico; 2.7 Imposto sobre grandes fortunas (IGF); 2.8
Impostos residuais ou novos; 2.9 Imposto extraordinário de guerra
(IEG).

Então, vamos nessa.

Forte nos estudos.

TEMA I COMPETÊNCIA
TRIBUTÁRIA

1. CONCEITO

A competência tributária é o poder conferido à União, aos


Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir

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tributos por meio do processo legislativo discriminado nas normas
constitucionais.

Sendo assim, decorre do princípio federativo que somente as


pessoas que detêm poder de legislar possuem competência tributária
ou, em outros termos, “poder de tributar”.

Portanto, as pessoas dotadas de poder de legislar a respeito da


criação ou instituição dos tributos são os entes federativos ou as
pessoas políticas, isto é, a União, os Estados-membros, o Distrito
Federal e os Municípios.

Neste sentido, devemos entender que a CF/88 não institui os


tributos, mas sim outorga a competência tributária para os entes
federativos criarem os tributos e descreve de que forma esta
competência pode ser exigida.

2. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA E CLASSIFICAÇÃO

A competência legislativa é o gênero do qual se origina a


competência tributária, que é uma espécie de competência legislativa
para a criação de tributos.

Decerto, tanto a competência legislativa como a competência


tributária estão previstas no texto constitucional.

Assim sendo, competência legislativa classifica-se como


exclusiva, privativa, concorrente, suplementar, local e
residual.

A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída


a apenas um ente da federação, com a exclusão de todos os demais
(art. 21). Como exemplo, é competência legislativa exclusiva do
Congresso Nacional de resolver definitivamente sobre tratados,
acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou
compromissos gravosos ao patrimônio nacional, conforme o art. 49,
I, da CF/88.

Lembre que o Poder Legislativo federal é exercido pelo


Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do
Senado Federal.

A competência legislativa privativa acontece quando


enumerada como própria de uma entidade (União, no caso
brasileiro), com possibilidade, ao contrário da competência exclusiva,

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de delegação ou suplementariedade, conforme previsto no art. 22 da
CF/88.

Deste modo, a União é competente privativamente para legislar


sobre desapropriação (art. 22, II), podendo a lei complementar
autorizar os Estados e o Distrito federal a legislar sobre questões
específicas relacionadas a este tema.

A competência legislativa concorrente é aquela que pode


ser exercida por mais de uma pessoa política. A Constituição Federal
estabelece, por exemplo, que compete à União, aos Estados e ao
Distrito Federal legislar concorrentemente sobre direito tributário (art.
24, I).

Neste caso, é fundamental deixar claro que no âmbito da


legislação concorrente no sistema jurídico brasileiro, a competên-
cia da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

Assim, a competência da União para legislar sobre normas


gerais de direito tributário não exclui a competência suplementar
dos Estados e do Distrito Federal, eis que inexistindo lei federal
(União) sobre normas gerais de direito tributário, os Estados e o
Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena, para
atender a suas peculiaridades. E a superveniência de lei federal sobre
normas gerais de direito tributário suspende a eficácia da lei
estadual, no que lhe for contrário, de acordo com o que está
estabelecido nos §§1° a 4°, do art. 24, da CF/88.

Com efeito, a competência legislativa suplementar significa


exatamente a competência de poder de fixar normas que desdobrem
o conteúdo de normas gerais da União (art. 24, §2°, da CF) ou que
preencham a ausência ou omissão destas normas gerais (art. 24,
§3°, da CF).

Do mesmo modo, não se esqueça que a CF/88 também


estabelece a competência dos Municípios para suplementar a
legislação federal e a estadual no que couber e para instituir e
arrecadar os tributos de sua competência, segundo os incisos II e III
do art. 30.

(CESPE/Analista-EMBASA/2010) “Tanto a União como os


estados, o Distrito Federal e os municípios podem legislar
concorrentemente sobre direito tributário. Cada uma das esferas da
administração tem competência legislativa plena no âmbito de sua
jurisdição”. Apenas na hipótese de inexistência de lei federal sobre
normas gerais, os Estados e o Distrito Federal exercerão competência

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legislativa plena, para atender a suas peculiaridades. Portanto,
errada.

Já a competência legislativa local é dos Municípios e do


Distrito Federal, uma vez que a CF/88 disciplina que compete aos
Municípios legislar sobre assuntos de interesse local. E o Distrito
Federal possui competência legislativa municipal e estadual. Como
exemplo, é competência local do Município fixar o horário de
funcionamento de estabelecimento comercial (Súmula 645 do STF).

Por fim, a competência legislativa residual é pertencente


aos Estados e ao Distrito Federal, pois a CF/88 determina que são
reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas
pela Constituição (art. 25, §1°). Ou seja, todas as competências que
não são da União ou dos Municípios podem ser exercidas pelos
Estados-membros.

Importante: Sobre o tema, é necessário realçarmos algumas


decisões relevantes do STF a respeito de temas ligados ao direito
tributário: 1. “Mostra-se constitucional a disciplina do IPVA mediante
norma local. Deixando a União de editar normas gerais, exerce a
unidade da federação a competência legislativa plena” (AI 167.777-
AgR); 2. “À falta de Lei Complementar da União que regulamente o
adequado tratamento tributário do ato cooperativo praticado pelas
sociedades cooperativas, (CF, art. 146, III, c), o regramento da
matéria pelo legislador constituinte estadual não excede os lindes da
competência tributária concorrente que lhe é atribuída pela Lei Maior”
(ADI 429-MC); 3. “Custas dos serviços forenses: matéria de
competência concorrente da União e dos Estados (CF 24, IV), donde
restringir-se o âmbito da legislação federal ao estabelecimento de
normas gerais, cuja omissão não inibe os Estados, enquanto perdure,
de exercer competência plena a respeito” (ADI 1.926-MC); 4. “Lei
estadual que determina que os municípios deverão aplicar,
diretamente, nas áreas indígenas localizadas em seus respectivos
territórios, parcela (50%) do ICMS a eles distribuída — Transgressão
à cláusula constitucional da não-afetação da receita oriunda de
impostos (CF, art. 167, IV) e ao postulado da autonomia municipal
(CF, art. 30, III) Inviabilidade de o estado-membro impor, ao
município, a destinação de recursos e rendas que a este
pertencem por direito próprio — Ingerência estadual indevida em
tema de exclusivo interesse do município” (ADI 2.355); 5. “A
Constituição Estadual não pode estabelecer limite para o aumento de
tributos municipais” (Súmula 69 do STF).

(FCC/Procurador Estadual/São Paulo/2009) Competência


tributária.

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I. É vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o
território nacional, ou que implique distinção ou preferência em
relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento
de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais a contribuintes
hipossuficientes.
II. A competência legislativa dos Estados, em matéria tributária, é
residual, podendo instituir outros impostos, além dos já previstos na
Constituição Federal, desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos nela
discriminados.
III. Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão
sua competência legislativa plena, para atender a suas
peculiaridades.
IV. Existindo norma geral da União, é facultado aos Estados legislar
supletivamente em matéria tributária.
V. A competência legislativa dos Estados para instituir o IPVA
depende da prévia edição de lei complementar, conforme já decidiu o
Supremo Tribunal Federal.
Está correto o que se afirma em
(A) II e V, apenas.
(B) III e IV, apenas.
(C) I, II e IV, apenas.
(D) I, III e V, apenas.
(E) I, II, III, IV e V.

O item I é falso, em razão de ser admitida a concessão de incentivos


fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento só-
cioeconômico entre as diferentes regiões do País (CF, art. 151, I).

O item II é falso, pois a competência legislativa dos Estados, em


matéria tributária não é residual.

O item III é verdadeiro, pois inexistindo lei federal sobre normas


gerais, os Estados exercerão sua competência legislativa plena, para
atender a suas peculiaridades.

O item IV é verdadeiro também, pois existindo norma geral da União,


é facultado aos Estados legislar supletivamente em matéria tributária.

O item V é falso, eis que a competência legislativa dos Estados para


instituir o IPVA não depende da prévia edição de lei complementar,
conforme o STF. Portanto, a resposta é a letra “b”.

3. CLASSIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA

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A competência tributária classifica-se como exclusiva,
residual, extraordinária, comum e cumulativa.

A competência tributária exclusiva se refere a competência


da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para
instituir os tributos que a Constituição prevê especificamente apenas
para cada ente federativo, a saber:

Competência exclusiva ou privativa da União


(i) Impostos: a) imposto sobre importação de produtos
estrangeiros (II) – art. 153, I; b) imposto sobre exportação, para o
exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art. 153, II;
c) imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art.
153, III; d) imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153,
IV; e) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou
relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f)
imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) – art. 153, VI; g)
imposto sobre grandes fortunas (IGF) – art. 153, VII.
(ii) Empréstimos Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por
calamidade ou guerra externa (art. 148, I); b) empréstimo por
investimento público urgente e de relevância nacional (art. 148, II);
(iii) Contribuições especiais ou parafiscais: a) contribuições de
seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT, art. 74, 75, 84 e 90); b)
contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c) contribuições de
interesse das categorias profissionais ou econômicas, também
denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de
intervenção no domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, §
4º.

(FCC/ICMS/SP/2009) Em relação à competência tributária, cabe


(A) à União instituir impostos sobre: I) importação de produtos
estrangeiros; II) propriedade territorial rural; III) doação de
quaisquer bens e direitos.
(B) aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I)
transmissão causa mortis; II) operações relativas à circulação de
mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação; III) propriedade de
veículos de qualquer natureza.
(C) aos Municípios instituir impostos sobre: I) propriedade territorial
urbana e rural; II) serviços de qualquer natureza não compreendidos
na competência tributária dos Estados, definidos em lei
complementar; III) doação de quaisquer bens e direitos.
(D) aos Estados instituir impostos sobre: I) propriedade predial
territorial e urbana; II) transmissão inter vivos a qualquer título, por
ato oneroso ou gratuito de quaisquer bens e direitos; III) serviços de
qualquer natureza.

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(E) à União instituir impostos sobre: I) importação de produtos
estrangeiros; II) propriedade territorial rural; III) os impostos
estaduais em território Federal e, se o Território não for dividido em
Municípios, cumulativamente, os impostos municipais.

A letra “e” é correta.

Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do Distrito


Federal
(i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre transmissão causa
mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) – art. 155,
I; b) impostos sobre operações relativas à circulação de
mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) – art. 155,
II; c) imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) –
art. 155, III.

Competência exclusiva ou privativa dos Municípios e do


Distrito Federal
(i) Impostos (CF, art. 156): a) imposto sobre propriedade predial e
territorial urbana (IPTU) art. 156, I; b) impostos sobre transmissão
inter vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais
sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a
sua aquisição (ITBI) – art. 156, II; c) imposto sobre serviços de
qualquer natureza (ISS), não compreendidos no ICMS, definidos em
lei complementar – art. 156, III;
(ii) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação
pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A.

A competência tributária residual se refere à competência


da União para instituir, mediante lei complementar (legislador
ordinário), impostos não previstos na sua competência, desde que
sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de
cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição (art. 154, I).

Assim sendo, realça-se que, no caso da instituição de novo


imposto pela União, no exercício de sua competência residual, o
denominado imposto residual deve ter o seu fato gerador, bases de
cálculo, contribuintes e alíquotas previstas em lei complementar.

Lembre-se que o legislador ordinário é aquele que formula leis


abaixo da Constituição (legislador constituinte), ou seja,
hierarquicamente inferiores à Constituição.

Nesse rumo, realça-se que o princípio da anterioridade deve


ser observado no uso da competência tributária residual e que o
STF (ADIN 939/DF) já firmou posicionamento no sentido de que a
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“técnica da competência residual é para o legislador ordinário
e não para o constituinte derivado e a não cumulatividade e o
não bis in idem não precisam ser observados quando da
criação de um novo imposto através de emenda
constitucional”.

Em síntese, o STF entende que as restrições estabelecidas no


art. 154, I, da CF, não podem ser opostas a emenda a constituição,
mas sim ao legislador ordinário na criação do imposto por meio da lei
complementar.

(CESPE/Advogado-BRB/2010) “Para que a União tenha


competência para instituir impostos residuais por lei ordinária federal,
é suficiente que estes obedeçam ao requisito de não cumulatividade”.
A União pode instituir impostos residuais ou novos por lei
complementar, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados no texto
constitucional. Portanto, errado.

Importante: Diversas questões de concurso são baseadas


exclusivamente no art. 154, I, da CF. Portanto, preste atenção na
cobrança literal deste dispositivo, sem a necessidade do
conhecimento da jurisprudência do STF estudada acima.

Por sua vez, registramos que doutrina minoritária entende


que os Estados-membros também possuem competência tributária
residual, com fundamento na sua competência legislativa residual
prevista no art. 25, §1°, da CF, afirmando que é competência
tributária residual dos Estados-membros instituírem taxas e
contribuições de melhoria. Ou seja, as taxas e contribuições de
melhoria que não sejam de competência político-administrativa da
União ou dos Municípios podem ser criadas pelos Estados-membros.

A competência tributária extraordinária é a competência da


União para instituir na iminência ou no caso de guerra externa,
impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua competência
tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as
causas de sua criação (art. 154, II).

A competência tributária comum ou concorrente é a


competência de todos os entes políticos para instituição de taxas,
contribuições de melhoria e contribuição previdenciária dos seus
servidores, dentro da esfera de competência político-administrativa
de cada um.

Competência comum da União, Estados-membros, DF e

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Municípios
Taxas: a) taxas de polícia; b) taxas de serviço.
Contribuições de Melhoria
Contribuição previdenciária.

Por fim, a competência tributária cumulativa é a


competência da União para instituir, em Território Federal, os
impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios,
cumulativamente, os impostos municipais (art. 147, da CF/88).

(CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) “Se, na região Norte do


país, for criado território federal, mediante lei complementar,
competirá à União a instituição do ICMS nesse território”. Competem
à União, em Território Federal, os impostos estaduais (ICMS,
ITCMD e IPVA) e, se o Território não for dividido em Mu-
nicípios, cumulativamente, os impostos municipais (ISS, IPTU e
ITBI). Portanto, correto.

Podemos afirmar também que o Distrito Federal exerce


competência tributária cumulativa, pois possui competência tributária
estadual e municipal.

Ademais, destacamos que a pessoa política que detém a


competência tributária para instituir o tributo também é competente
para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder isenções,
observados os limites constitucionais e legais.

4. CARACTERÍSTICAS

A doutrina atribui algumas características à competên-


cia tributária, a saber:

(i) Indelegabilidade, entendida como a impossibilidade do


ente federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o
tributo.

Destacamos que não desobedece à característica da


indelegabilidade o ato legal de determinado ente federativo que
confere a outra pessoa jurídica de direito público às funções de
arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços,
atos ou decisões administrativas em matéria tributária.

Tais atribuições, segundo o art. 7°, do CTN, compreendem as


garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica
de direito público que a conferir, sendo que estas atribuições podem

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ser revogadas, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa
jurídica de direito público que a tenha conferido.

Neste sentido, também não constitui delegação de


competência tributária o cometimento, a pessoas de direito
privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos (§3°,
do art. 7°, do CTN). Aqui é o que acontece diuturnamente com as
instituições financeiras que arrecadam o tributo.

Arrecadar significa receber, descontar ou reter o pagamento


do tributo, isto é, as instituições financeiras não podem fiscalizar ou
cobrar o pagamento do tributo, o que é competência apenas de
entidades de direito público, dotadas de poder de império, tais como
a Receita Federal do Brasil (fiscalizar) e a Procuradoria da Fazenda
Nacional (cobrar o tributo por meio da execução fiscal).

Por este fundamento, já decidiu o STJ (Resp 28.675/PR), por


exemplo, que a arrecadação de tributos não transforma gerente de
banco comercial em autoridade pública.

Por outro lado, cabe aqui distinguir competência tributária e


capacidade tributária ativa, que significa a possibilidade de
determinada pessoa figurar como sujeito ativo ou no pólo ativo
(credor) da relação jurídico-tributária, sendo a pessoa competente
para exigir o cumprimento da obrigação tributária.

Assim, o próprio art. 7° dispõe sobre esta possibilidade de


delegação da capacidade tributária ativa, quando dispõe que as
atribuições de fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos
ou decisões administrativas em matéria tributária pode ser conferida
por uma pessoa jurídica de direito público a outra.

Por outro lado, de forma mais técnica, existem autores que


afirmam que a atribuição da capacidade tributária para outra pessoa
política dá-se por outorga, que seria o nome mais adequado para
dizer que deve ser sempre por lei. Mas os concursos públicos, na
grande maioria das vezes, falam em delegação da capacidade
tributária ativa por lei e não em outorga.

O exemplo clássico e não mais válido de delegação da


capacidade tributária ativa é o das contribuições previdenciárias que
eram cobradas pelo INSS (autarquia federal). A competência
tributária é da União, mas a capacidade tributária ativa era do INSS.

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Outro exemplo é o da possibilidade do ITR de competência
tributária da União ser fiscalizado e cobrado pelos Municípios que
assim optarem (art. 153, §4°, III, da CF/88).

Do mesmo modo, estabelece-se que a lei federal pode


cometer aos Estados, ao Distrito Federal ou aos Municípios o encargo
de arrecadar os impostos de competência da União cujo produto lhes
seja distribuído no todo ou em parte (art. 84 do CTN).

No caso, por exemplo, a retenção de imposto de renda (IR) na


fonte do servidor público municipal não desloca a capacidade
tributária ativa para os Municípios, continuando como sujeito ativo a
União, sendo que o IR só pode ser cobrado única e exclusivamente
por este último ente político.

(CESPE/UNB/Juiz Federal/2008) A indelegabilidade restringe-se


à competência tributária, e não abrange as funções fiscais de
fiscalização e arrecadação, podendo este último encargo ou função
ser cometido a pessoa jurídica de direito privado, sem que isso
constitua ato de delegação. É correta.

(ii) Incaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda,


não sujeita a decadência, a significar que o não-exercício da
competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito
público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído, de
acordo com o art. 8º do CTN, ou seja, a pessoa política pode exercer
competência tributária estabelecida no texto constitucional a qualquer
tempo.

(iii) Inalterabilidade, no sentido que o próprio ente


federativo competente para instituir determinados tributos pelo texto
constitucional não pode ampliar por meio de norma ordinária
(infraconstitucional) a sua competência tributária.

Por exemplo, o Distrito Federal não pode ampliar a sua


competência tributária por meio de lei distrital.

A Constituição Federal estabelece as competências tributárias


de forma rígida. Entretanto, destacamos que esta característica não
impede a alteração da competência tributária por meio de reforma
constitucional, desde que tal modificação pelo poder constituinte
derivada não seja tendente a abolir a autonomia financeira do ente
federado, o que acarretaria violação a forma federativa de Estado
(art. 60, §4°, I, da CF/88).

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De tal modo, não violou a forma federativa de Estado
brasileira a Emenda Constitucional n. 3/1993, que extinguiu a
competência dos Estados e do Distrito Federal para instituir o
Adicional ao Imposto sobre a Renda (AIR) e a competência dos
Municípios e do Distrito Federal para criar o Imposto sobre Vendas a
Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos (IVVC), uma vez que a
perda da arrecadação decorrente da extinção desses impostos não foi
tendente a abolir a autonomia financeira dos respectivos entes
federativos.

(iv) Irrenunciabilidade, conforme a qual não pode o ente


federativo renunciar a competência tributária, em virtude do
postulado da indisponibilidade do interesse público;

(v) Facultatividade, uma vez que a competência tributária é


uma faculdade que pode ou não ser utilizada pela pessoa política,
criando ou não o tributo, ou ainda, criando-o somente em parte.
Todavia, diga-se que, depois de instituído o tributo, não há mais
facultatividade para a administração, uma vez que a atividade de
cobrança é vinculada, conforme bem previsto no art. 142 do CTN.

Salientamos, ainda, que a Lei Complementar 101/2000 (Lei de


Responsabilidade Fiscal - LRF) estabelece que constituem requisitos
essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão
e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência
constitucional do ente da Federação (art.11).

Todavia, ressaltamos que a facultatividade continua sendo


considerada como característica da competência tributária pela
grande maioria dos doutrinadores.

(CESPE/Procurador do Estado de Alagoas/2009): “Discorra


acerca da competência tributária, abordando, necessariamente, a sua
definição, bem como a identificação e a definição das suas
características, estabelecidas na Constituição Federal e no Código
Tributário Nacional, detalhando cada uma delas”. (máximo de 30
linhas)

5. BITRIBUTAÇÃO X BIS IN IDEM

A bitributação acontece quando dois ou mais entes federativos


(União, Estados-membros, DF e Municípios) tributam sobre o mesmo
fato gerador ou sobre a mesma base de cálculo. Na bitributação, em
regra, existe invasão de competência por determinado ente
federativo, pois um ente federativo está desobedecendo à
competência fixada para outro ente federativo.

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Exemplo de bitributação não permitido é o seguinte:


determinado Estado-membro instituiu um adicional de IPTU,
mediante lei estadual sobre o valor venal de imóvel urbano. Isto é,
o Estado-membro invadiu a competência do Município com a criação
de novo imposto incidente sobre base de cálculo de tributo do
Município (IPTU).

Exemplos de possíveis bitributações permitidas pela CF são os


casos do imposto extraordinário de guerra (IEG) e do empréstimo
compulsório. Todos os dois são tributos de competência da União.
Nestas hipóteses, o legislador federal pode se utilizar de fatos
geradores de tributos estaduais ou municipais.

O bis in idem ocorre quando um mesmo ente federativo


tributa um único fato por mais de uma vez. Portanto, o bis in idem
significa a criação de um tributo com a mesma natureza jurídica de
outro tributo já existente. É o caso de determina lei do mesmo ente
federativo competente tomar como semelhante hipótese de incidência
ou base de cálculo de outro tributo de sua própria competência já
existente. Exemplos permitidos pela Constituição e jurisprudência: a
tributação do lucro pela União com o imposto de renda pessoa
jurídica (IRPJ) e a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL);
contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e a
contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS);
imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados
incidente sobre produtos industrializados de procedência estrangeira,
conforme art. 46, I, do CTN (REsp Nº 846.667/RJ).

Todavia, registramos que a doutrina minoritária e o STF


algumas vezes utilizam o termo bitributação como gênero, isto é,
englobando a bitributação e o bis in idem. Por exemplo,
recentemente (RE 363.852, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em
03/02/10), o STF afirmou pela inconstitucionalidade da contribuição
social sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da
produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de
bovinos para abate, alegando literalmente, entre outros aspectos, a
“bitributação” com a COFINS.

Vamos para as questões comentadas:

1. (FCC/Procurador Estadual/São Paulo/2009)


Competência tributária.
I. É vedado à União instituir tributo que não seja uniforme
em todo o território nacional, ou que implique distinção ou
preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a

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Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de
incentivos fiscais a contribuintes hipossuficientes.
II. A competência legislativa dos Estados, em matéria
tributária, é residual, podendo instituir outros impostos,
além dos já previstos na Constituição Federal, desde que
sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base
de cálculo próprios dos nela discriminados.
III. Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão sua competência legislativa plena, para atender a
suas peculiaridades.
IV. Existindo norma geral da União, é facultado aos Estados
legislar supletivamente em matéria tributária.
V. A competência legislativa dos Estados para instituir o
IPVA depende da prévia edição de lei complementar,
conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal.
Está correto o que se afirma em
(A) II e V, apenas.
(B) III e IV, apenas.
(C) I, II e IV, apenas.
(D) I, III e V, apenas.
(E) I, II, III, IV e V.

O item I é falso, em razão de ser admitida a concessão de


incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País
(CF, art. 151, I).

O item II é falso, pois a competência legislativa dos Estados,


em matéria tributária não é residual. A União e não os Estados
podem instituir outros impostos, além dos já previstos na
Constituição Federal, desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos nela
discriminados.

O item III é verdadeiro, pois, segundo o §3°, do art. 24, da


CF/88, inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão sua competência legislativa plena, para atender a suas
peculiaridades.

O item IV é verdadeiro também, pois, conforme o §2°, do art.


24, da CF/88, existindo norma geral da União, é facultado aos
Estados legislar supletivamente em matéria tributária.

O item V é falso, eis que a competência legislativa dos Estados


para instituir o IPVA não depende da prévia edição de lei
complementar, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal.

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Portanto, a resposta é a letra “b”.

2. (FGV/ICMS/RJ/2009) Em relação à competên-


cia tributária, assinale a afirmativa incorreta.
(A) Corresponde à aptidão de que são dotados os entes
políticos para editarem leis instituidoras de tributos.
(B) É indelegável, salvo a atribuição das funções de
arrecadar ou fiscalizar tributos.
(C) De acordo com os ditames da Lei de Responsabilidade
Fiscal, constituem requisitos essenciais da responsabilidade
na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação
de todos os tributos da competência constitucional do ente
da Federação.
(D) Seu não-exercício no tempo, pelo prazo de cinco anos
contados da promulgação da Constituição, implica sua
transferência para outro ente federativo, nos termos de
Resolução a ser editada pelo Senado Federal.
(E) A outorga de competências tributárias aos entes
federativos afigura-se como pedra angular da forma
federativa de Estado, caracterizado por entes políticos
dotados de autonomia financeira.

A letra “a” é correta, pois a competência tributária


corresponde à aptidão de que são dotados os entes políticos para
editarem leis instituidoras de tributos.

A letra “b” é correta, de acordo com o art. 7° do CTN.

A letra “c” é correta, de acordo com o art. 11 da LC


n.101/2000.

A letra “d” é incorreta, eis que a competência tributária é


imprescritível ou incaducável, pois o não-exercício da competência
tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa
daquela a que a Constituição a tenha atribuído, de acordo com o art.
8º do CTN.

A letra “e” é correta, de acordo com o sistema federativo


brasileiro e a doutrina dominante.

3. (FCC/ICMS/SP/2009) A respeito da competência


tributária, considere:
I. A competência tributária é o poder, conferido a
determinado ente político, por lei complementar específica,
para aumentar tributos.

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II. A competência tributária é indelegável. Porém, as
funções de arrecadar ou fiscalizar os tributos ou de executar
leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria
tributária podem ser delegadas por uma pessoa jurídica de
Direito Público a outra.
III. A competência tributária, que compreende a
competência legislativa e a capacidade tributária, é
delegável.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.

O item I é incorreto, eis que a competência tributária é o


poder, conferido a determinado ente político, por norma
constitucional, para instituir por meio de lei ordinária tributos.

O item II é correto, de acordo com o art. 7° do CTN.

O item III é incorreto, pois a competência tributária é


indelegável e não compreende a competência legislativa e a
capacidade tributária, que são coisas distintas.

Portanto, a resposta é “b”.

4. (FCC/ICMS/SP/2009) Em relação à competên-


cia tributária, cabe
(A) à União instituir impostos sobre: I) importação de
produtos estrangeiros; II) propriedade territorial rural; III)
doação de quaisquer bens e direitos.
(B) aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos
sobre: I) transmissão causa mortis; II) operações relativas
à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços
de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação; III) propriedade de veículos de qualquer
natureza.
(C) aos Municípios instituir impostos sobre: I) propriedade
territorial urbana e rural; II) serviços de qualquer natureza
não compreendidos na competência tributária dos Estados,
definidos em lei complementar; III) doação de quaisquer
bens e direitos.
(D) aos Estados instituir impostos sobre: I) propriedade
predial territorial e urbana; II) transmissão inter vivos a

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qualquer título, por ato oneroso ou gratuito de quaisquer
bens e direitos; III) serviços de qualquer natureza.
(E) à União instituir impostos sobre: I) importação de
produtos estrangeiros; II) propriedade territorial rural; III)
os impostos estaduais em território Federal e, se o Território
não for dividido em Municípios, cumulativamente, os
impostos municipais.

A letra “a” é incorreta, pois a União não tem competência para


instituir impostos sobre doação de quaisquer bens e direitos.

A letra “b” é incorreta, pois não cabe aos Estados e ao Distrito


Federal instituir impostos sobre propriedade de veículos de qualquer
natureza, mas sim de veículos automotores (CF, art. 155, III).

A letra “c” é incorreta, eis que não cabe aos Municípios


instituir impostos sobre doação de quaisquer bens e direitos, que é de
competência dos Estados (CF, art. 155, I).

A letra “d” é incorreta, eis que não cabe aos Estados instituir
impostos sobre: propriedade predial territorial e urbana; transmissão
inter vivos a qualquer título, por ato oneroso ou gratuito de quaisquer
bens e direitos e serviços de qualquer natureza, conforme art. 155 e
156 da CF/88.

A letra “e” é correta, eis que à União tem competência para


instituir impostos sobre: importação de produtos estrangeiros (CF,
art. 153, I); propriedade territorial rural (CF, art. 153, VI); os
impostos estaduais em território Federal e, se o Território não for
dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais
(CF, art. 147).

5. (AFRF/2005/ESAF) Competência tributária é o poder


que a Constituição Federal atribui a determinado ente
político para que este institua um tributo, descrevendo-lhe a
hipótese de incidência, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a
base de cálculo e a alíquota.
Sobre a competência tributária, avalie o asserto das
afirmações adiante e marque com (V) as verdadeiras e com
(F) as falsas; em seguida, marque a opção correta.
( ) A competência tributária é indelegável, salvo atribuição
das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de
executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em
matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de
direito público a outra.

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( ) O não-exercício da competência tributária por
determinada pessoa política autoriza a União a exercitar tal
competência, com base no princípio da isonomia.
( ) A pessoa política que detém a competência tributária
para instituir o imposto também é competente
para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder
isenções, observados os limites constitucionais e legais.
a) F, V, F.
b) F, F, V.
c) F, V, V.
d) V, F, V.
e) V, V, V.

A resposta é letra “d” (V, F, V).

O primeiro item é verdadeiro, porque a competência tributária


é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar
tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões
administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa
jurídica de direito público a outra, conforme dispõe expressamente o
art. 7°, caput, do CTN.

O segundo item é falso, porque o não-exercício da


competência tributária por determinada pessoa política não autoriza
a União a exercitar tal competência, com base no princípio da
isonomia. O CTN dispõe expressamente no art. 8°, caput, que o não-
exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de
direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído.

O terceiro item é verdadeiro, pois a pessoa política que detém


a competência tributária para instituir o imposto também é
competente para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder
isenções, observados os limites constitucionais e legais. Por exemplo,
o Município de Salvador é competente para estabelecer isenções
referentes ao ISS de sua competência, observadas as normas
constitucionais (tal como o princípio da igualdade) e as normas
estabelecidas nos arts. 175 a 179 do CTN (normas atinentes as
isenções tributárias).

6. (PFN/2004/ESAF) Considerados os temas competência


tributária e capacidade tributária ativa, marque com V a
assertiva verdadeira e com F a falsa, assinalando ao final a
opção correspondente.
( )A competência tributária é delegável.
( )A capacidade tributária ativa é indelegável.

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( )A União é quem detém a competência tributária no que
toca às contribuições sociais para o financiamento da
Seguridade Social.
( )Lei complementar pode delegar a qualquer pess-
oa jurídica de direito público a competência tributária.
a) V, F, V, V.
b) F, V, F, V.
c) F, F, V, F.
d) V, V, V, F.
e) F, V, F, F.

A resposta é letra “c” (F, F, V, F).

O primeiro e quarto itens são falsos, porque há competência


tributária é indelegável, conforme o art. 7°, caput, do CTN.

O segundo item é falso, porque a capacidade tributária ativa é


delegável. Por outro lado, de forma mais técnica, existem autores
que afirmam corretamente que a atribuição da capacidade tributária
dá-se por outorga, por lei. Decerto, a capacidade tributária ativa
significa a possibilidade de determinada pessoa figurar como sujeito
ativo (credor) da relação tributária, sendo a pessoa competente para
exigir o cumprimento da obrigação tributária. Assim, o próprio art. 7°
dispõe sobre esta possibilidade, quando dispõe que as atribuições de
fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões
administrativas em matéria tributária pode ser conferida por uma
pessoa jurídica de direito público a outra.

O terceiro item é verdadeiro, segundo o art. 149, da CF/88.

7. (ESAF/Procurador do DF/2007.1) Assinale a opção


correta. O Distrito Federal, entidade integrante da República
Federativa do Brasil, pode instituir:
a) imposto sobre propriedade territorial rural; imposto sobre
transmissão causa mortis de quaisquer bens ou direitos,
contribuição de melhoria e contribuições sociais de
quaisquer espécies.
b) impostos extraordinários, taxas e empréstimos
compulsórios.
c) imposto sobre doação de quaisquer bens ou direitos;
taxas pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços
públicos específicos e divisíveis; contribuições de interesse
de categorias econômicas.
d) contribuição para o custeio de sistemas de previdência e
assistência social de seus servidores; imposto sobre serviços

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de qualquer natureza; taxas, em razão do exercício do
poder de polícia.
e) imposto sobre propriedade predial e territorial urbana;
contribuição de melhoria; contribuições sociais e
contribuição de intervenção no domínio econômico.

A resposta é letra “d”.

O Distrito Federal, entidade integrante da República Federativa


do Brasil, pode instituir: contribuição para o custeio de sistemas de
previdência e assistência social de seus servidores (art. 149, §1°, da
CF/88); imposto sobre serviços de qualquer natureza (art. 156, III,
da CF/88); taxas, em razão do exercício do poder de polícia (art. 145,
II, da CF/88).

8. (ATN/Recife/2003/ESAF) Avalie as formulações seguintes,


observadas as disposições pertinentes ao tema
"competência tributária", constantes do Código Tributário
Nacional, e, ao final, assinale a opção que corresponde à
resposta correta.
I - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios o cometimento, a pessoas de direito privado, do
encargo ou da função de arrecadar tributos.
II - Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em
parte, a outras pessoas jurídicas de direito público
pertencem à competência legislativa daquela a que tenham
sido atribuídos.
III - A atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar
tributos, conferida por uma pessoa jurídica de direito público
a outra, pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato
unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha
conferido.
IV - A atribuição das funções de executar leis, serviços, atos
ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida
por uma pessoa jurídica de direito público a outra,
compreende as garantias e os privilégios processuais que
competem à pessoa jurídica de direito público que a
conferir.
a) Apenas as formulações I, II e III são corretas.
b) Apenas as formulações II, III e IV são corretas.
c) Apenas as formulações I, III e IV são corretas.
d) Apenas as formulações II e IV são corretas.
e) Todas as formulações são corretas.

A resposta é letra “b”.

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Apenas as formulações II, III e IV são corretas.

O primeiro item é incorreto, porque é permitido à União, aos


Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios o cometimento, a
pessoas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar
tributos (art. 7°, §3°, do CTN).

O segundo item é correto, porque Os tributos cuja receita seja


distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito
público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham
sido atribuídos (parágrafo único, do art. 6°, do CTN).

O terceiro item é correto, eis que a atribuição das funções de


arrecadar ou fiscalizar tributos, conferida por uma pessoa jurídica de
direito público a outra, pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato
unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido,
segundo o art. 7°, §2°, do CTN.

O quarto item é correto, uma vez que a atribuição das funções


de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em
matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito
público a outra, compreende as garantias e os privilégios processuais
que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir, de
acordo com o art. 7°, §1°, do CTN.

9. (ATN/Fortaleza/2003/ESAF) A respeito do tema


competência para instituir impostos, é correto afirmar:
a) aos Estados e ao Distrito Federal compete instituir, entre
outros impostos que a Constituição Federal lhes atribui, o
imposto sobre propriedade de veículos automotores e o
imposto sobre transmissão inter vivos de bens imóveis
situados em seus territórios.
b) o imposto sobre serviços de transportes intermunicipais é
de competência do Município em que se iniciarem as
prestações dos serviços.
c) os impostos sobre propriedade predial e territorial urbana
e sobre vendas a varejo de
combustíveis líquidos e gasosos são de competência dos
Municípios.
d) compete ao Distrito Federal instituir os impostos que
cabem aos Municípios, sem prejuízo da competência que a
Constituição Federal lhe assegura para instituir outros
impostos expressamente indicados.
e) por força de emenda constitucional promulgada
recentemente, a competência para instituir o imposto sobre

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propriedade territorial rural foi transferida da União para os
Estados e o Distrito Federal.

A resposta é letra “d”, uma vez compete ao Distrito Federal


instituir os impostos que cabem aos Municípios (art. 147 da CF/88),
sem prejuízo da competência que a Constituição Federal lhe assegura
para instituir outros impostos expressamente indicados.

A letra “a” é incorreta, uma vez que aos Municípios e ao


Distrito Federal compete instituir, entre outros impostos que a
Constituição Federal lhes atribui, o imposto sobre transmissão inter
vivos de bens imóveis situados em seus territórios (ITBI).

A letra “b” é incorreta, uma vez que o imposto sobre serviços


de transportes intermunicipais é de competência dos Esta-
dosmembros e do Distrito Federal.

A letra “c” é incorreta, pois o imposto sobre propriedade


predial e territorial urbana (IPTU) é de competência dos Municípios e
do DF, mas o imposto sobre vendas a varejo de combustíveis líquidos
e gasosos foi extinto pela Emenda Constitucional n. 3/93.

A letra “e” é incorreta, eis que a competência para instituir o


imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) continua a ser da
União.

10. (ATE/MS/2001/ESAF) Em tema de competência


legislativa sobre matéria de Direito Tributário, é correta a
afirmação de que:
a) Os Estados têm competência para legislar
suplementarmente sobre normas gerais de Direito
Tributário.
b) Mesmo na ausência de lei federal sobre normas gerais de
Direito Tributário, é vedado aos Estados exercer essa
competência legislativa.
c) A eficácia de lei estadual sobre normas gerais de Direito
Tributário fica mantida ante a superveniência de lei federal
da mesma natureza, mesmo no que lhe for contrário.
d) No âmbito da competência concorrente para legislar
sobre Direito Tributário os Estados só podem legislar sobre
normas gerais.
e) A legislação tributária dos Estados é aplicada nos
respectivos Municípios, em virtude de estes não terem
competência para legislar sobre Direito Tributário.

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A resposta é letra “a”, porque, em tema de competência
legislativa sobre matéria de Direito Tributário, é correta a afirmação
de que os Estados têm competência para legislar suplementarmente
sobre normas gerais de Direito Tributário, de acordo com o §2°, do
art. 24, da CF/88.

A letra “b” é incorreta, uma vez que na ausência de lei federal


sobre normas gerais de Direito Tributário, não é proibido aos Estados
exercer a competência legislativa plena, para atender as suas
particularidades, segundo §3°, do art. 24, da CF/88.

A letra “c” é incorreta, uma vez que o Estado legisla para


tender as suas particularidades (§3°, do art. 24, da CF/88) e a
superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia
da lei estadual, no que lhe for contrário, conforme art. 24, I e §4°, da
CF/88.

A letra “d” é incorreta, pois o imposto sobre propriedade


predial e territorial urbana (IPTU) é de competência dos Municípios e
do DF, mas o imposto sobre vendas a varejo de combustíveis líquidos
e gasosos foi extinto pela Emenda Constitucional n. 3/93.

A letra “e” é incorreta, eis que a doutrina e a jurisprudência


dominante entendem que os Municípios possuem competência para
legislar sobre Direito Tributário, conforme os arts. 30, III c/c 156, I a
III, da CF/88. Estabelece o art. 30, III, da CF/88: “Compete aos
Municípios: instituir e arrecadar os tributos de sua competência”.

11. (AFTN/94/ESAF) A Constituição da República prevê


que, inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados
exercerão a competência legislativa plena, para atender a
suas peculiaridades (art. 24, § 3º). Tendo em vista isto e,
quando for o caso, o disposto no Código Tributário Nacional,
é razoável dizer que
a) o não-exercício, pela União, da competência para legislar
sobre normas gerais de direito tributário, a defere aos
Estados, para atender a suas peculiaridades.
b) o não-exercício da competência para instituir tributos a
defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a
que tal competência cabia originalmente.
c) a competência da União para legislar sobre normas de
direito tributário exclui a competência suplementar dos
Estados.
d) em matéria de direito tributário a competência da União,
além de legislar sobre seus próprios tributos e sobre normas

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gerais, poderá fazê-lo em relação à competência não
exercida pelos Estados e Municípios
e) faltando norma geral sobre o encargo ou a função de
arrecadar tributo municipal, o Estado poderá supletivamente
cometer um e outro a pessoas de direito privado.

A resposta é letra “a”.

A Constituição da República prevê que, inexistindo lei federal


sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades (art. 24, § 3º). Tendo em
vista isto e, quando for o caso, o disposto no Código Tributário
Nacional, é razoável dizer que o não-exercício, pela União, da
competência para legislar sobre normas gerais de direito tributário, a
defere aos Estados, para atender a suas peculiaridades

A letra “b” é incorreta, uma vez que o não-exercício da


competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito
público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído (art.
8°, do CTN).

A letra “c” é incorreta, uma vez que a competência da União


para legislar sobre normas de direito tributário não exclui a
competência suplementar dos Estados, segundo o §2°, do art. 24, da
CF/88.

A letra “d” é incorreta, pois, em matéria de direito tributário, a


competência da União é para legislar sobre seus próprios tributos e
sobre normas gerais (art. 24, I, da CF/88). Não pode, por exemplo, a
União instituir o IPTU de competência dos Municípios. Lembre
novamente do art. 8° do CTN, dispondo que o não-exercício da
competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito
público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído.

A letra “e” é incorreta, eis que o Estado-membro não pode


legislar sobre matéria de competência dos Municípios.

12. (AFTN/96/ESAF) União, Estados, Municípios e Distrito


Federal
a) podem delegar capacidade para instituir, arrecadar e
fiscalizar um tributo.
b) podem delegar capacidade para arrecadar e fiscalizar um
tributo.
c) podem delegar capacidade para instituir e arrecadar um
tributo.

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d) podem delegar capacidade para instituir e fiscalizar um
tributo.
e) não podem delegar capacidade tributária ativa.

A resposta é letra “b”.

A União, Estados, Municípios e Distrito Federal podem delegar


capacidade para arrecadar e fiscalizar um tributo, de acordo com o
art. 7°, do CTN.

13. (AFTE/PI/2001/ESAF/Adaptada) Assinale a opção


correta.
a) A competência tributária consiste na faculdade de que
dispõem os entes políticos para instituir tributos em relação
às pessoas submetidas a sua soberania, e a capacidade
tributária ativa consiste na aptidão atribuída a uma pessoa
para figurar no pólo ativo de uma relação jurídico-tributária.
b) A competência tributária é a aptidão para arrecadar
tributos, obedecidos os requisitos legais, e a capacidade
tributária ativa é a aptidão para instituí-los, sempre por
meio de lei.
c) A competência tributária e a capacidade tributária ativa
são indelegáveis, ainda que por meio de lei.
d) A competência tributária é, em determinadas situações,
delegável, por meio de lei, mas a capacidade tributária ativa
é indelegável.
e) A atribuição da capacidade tributária ativa a pessoa
diferente daquela que dispõe da competência tributária só
pode ser revogada de comum acordo entre ao titular da
competência tributária e a pessoa jurídica a quem foi
delegada a capacidade tributária ativa.

A resposta é letra “a”, que dispõe sobre as definições


adequadas de competência tributária e capacidade tributária ativa, a
saber: “A competência tributária consiste na faculdade de que
dispõem os entes políticos para instituir tributos em relação às
pessoas submetidas a sua soberania, e a capacidade tributária ativa
consiste na aptidão atribuída a uma pessoa para figurar no pólo ativo
de uma relação jurídico-tributária”.

14. (AFPS/2002/ESAF) Em relação ao tema competência


tributária, é correto afirmar que:
a) a Constituição atribui à União competência residual para
instituir impostos, contribuições para a seguridade social e
taxas.

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b) a instituição de empréstimos compulsórios requer lei
complementar da União, dos Estados ou do Distrito Federal,
conforme competência que a Constituição confere a cada
um desses entes da Federação.
c) para instituir impostos com fundamento na competência
residual, é imprescindível, além da competência tributária,
veiculação da matéria por lei complementar e observância
dos princípios constitucionais da não-cumulatividade e da
identidade plena com outros impostos discriminados na
Constituição, no que se refere a fato gerador e base de
cálculo.
d) somente a União tem competência residual para instituir
impostos.
e) os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm
competência para instituir impostos, taxas, contribuição de
melhoria e contribuição de intervenção no domínio
econômico, que a Constituição lhes reserva.

A resposta certa é letra “d”, conforme o art. 154, I, da CF/88,


estabelecendo que a União poderá instituir, mediante lei
complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que
sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo
próprios dos discriminados nesta Constituição.

Destacamos também que União tem competência residual


para instituir contribuições para garantir a manutenção ou expansão
da seguridade social (§4°, do art. 195 da CF/88). Neste caso, a
contribuição residual ou nova contribuição social (art. 154, I, da
CF/88) não pode ter base de cálculo ou fato gerador igual à de
qualquer contribuição social já discriminada na CF/88 (por exemplo,
COFINS, CSLL etc.), mas pode ter base de cálculo igual ou fato
gerador semelhante à de imposto já descrito na CF/88(por exemplo,
IR, IPI, II, IE, IOF etc.), conforme interpretação do STF.

A letra “a” é incorreta, uma vez que a Constituição não atribui


à União competência residual para instituir taxas.

A letra “b” é incorreta, uma vez que os Estados e o Distrito


Federal não têm competência para a instituição de empréstimos
compulsórios.

A letra “c” é incorreta, pois na competência residual da União


para instituir impostos não deve existir identidade com outros
impostos discriminados na Constituição, no que se refere a fato
gerador e base de cálculo, mas sim o contrário.

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A letra “e” é incorreta, eis que os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios não têm competência para instituir contribuição de
intervenção no domínio econômico.

15. (CESPE/UNB/PGE-PI/2008) A CF, ao disciplinar as


competências tributárias das unidades da Federação, criou a
competência residual. A respeito da competência tributária
residual, assinale a opção correta.
(A) A competência tributária residual é aquela que
possibilita aos estados instituírem tributos já criados na
esfera federal.
(B) Esse tipo de competência rege a criação de tributos pela
União na iminência de guerra externa.
(C) A competência tributária residual tem origem no fato de
ser possível a todas as unidades da Federação criar taxas.
(D) A criação de novos tributos não previstos na CF depende
de aprovação de lei complementar Federal.
(E) A competência tributária residual é exclusiva da União,
que pode criar tributos cumulativos.

A resposta considerada como certa foi a letra “d”, exatamente


porque o art. 154, I, da CF/88, estabelece que a União poderá
instituir, mediante lei complementar, impostos não previstos no
artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição.

16. (FCC/Auditor/TCE/AL/2008) O ITR – Imposto Sobre


a Propriedade Territorial Rural é de competência da União.
Contudo, os Municípios, nos termos da lei, poderão optar
em arrecadar e fiscalizar este imposto, conforme autoriza a
Constituição Federal. Neste caso o Município que assim
optar será titular da
(A) competência tributária ativa.
(B) competência e da capacidade tributária ativa.
(C) capacidade tributária ativa.
(D) competência tributária delegada.
(E) capacidade tributária delegante.

17. (FCC/Juiz de Direito/AL/2007) Nos termos do art.


153, § 4o, III, da Constituição Federal, o Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rural poderá ser fiscalizado e
cobrado pelo Município. Se o Município, em caráter
excepcional, resolver fazer uso dessa faculdade, passará a
exercer
(A) a competência tributária plena.

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(B) juntamente com a União a competência tributária.
(C) a competência e a capacidade tributária ativa.
(D) juntamente com a União a capacidade tributária ativa.
(E) a capacidade tributária ativa, ficando reservada à União
a competência tributária.

A primeira questão é letra “c” e a segunda é letra “e”.

A competência tributária se distingue da capacidade tributária


ativa.

A competência tributária é o poder conferido a determinado


ente federativo de instituir tributos por meio do processo legislativo
discriminado nas normas constitucionais.

Já a capacidade tributária ativa significa a possibilidade de


determinada pessoa figurar como sujeito ativo da relação jurídico-
tributária.

Ou seja, a capacidade tributária ativa é da pessoa competente


para exigir o cumprimento da obrigação tributária ou da pessoa
jurídica de direito público titular da competência para exigir seu o
cumprimento, de acordo com o art. 119 do CTN.

18. (ESAF/Procurador/DF/2007.2) O Distrito Federal,


com o advento da Constituição Federal de 1988, assumiu
titularidade de pessoa jurídica pública com capacidade
política e gozo de ampla autonomia e governabilidade.
Deixou, portanto, de ser, apenas, sede administrativa da
União. Em conseqüência dessa nova estrutura constitucional
que lhe foi atribuída, assinale a opção correta.
a) A Câmara Legislativa do Distrito Federal tem ampla
competência, em concreto, para instituir só os impostos que
a Constituição autoriza os Estados a cobrá-los.
b) O exercício da competência tributária do Distrito Federal
pode ser limitado por Lei Complementar Nacional.
c) O Distrito Federal, por meio de sua Câmara Legislativa,
tem competência para editar lei sobre o pagamento de
IPVA, quando ausente Lei Complementar da União
estabelecendo normas gerais.
d) O Distrito Federal não tem competência concorrente para
instituir a cobrança de custas dos serviços forenses
prestados pelo Poder Judiciário local, mesmo quando a
União permaneça omissa em estabelecer, por Lei
Complementar, normas gerais a respeito.

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e) A inércia da União em regulamentar a matéria tributária
prevista no art. 24 da Constituição Federal, redação atual,
impedirá o Distrito Federal de, exercendo competência
concorrente, legislar, de modo específico, sobre atualização
do valor do ICMS.

A letra “a” é incorreta, pois a Câmara Legislativa do Distrito


Federal tem competência para instituir impostos estaduais e
municipais (CF, art. 147).

A letra “b” é incorreta, pois o exercício da competência


tributária do Distrito Federal pode ser regulado por Lei Complementar
Nacional, mas não limitado. O erro é a utilização do termo “limitado”.

A letra “c” é correta, porque o DF, por meio de sua Câmara


Legislativa, tem competência para editar lei sobre o pagamento de
IPVA, quando ausente Lei Complementar da União estabelecendo
normas gerais, conforme jurisprudência do STF citada em aula e o
art. 24, §3°, da CF/88.

A letra “d” é incorreta, eis que o DF tem competência


concorrente para instituir a cobrança de custas dos serviços forenses
prestados pelo Poder Judiciário local, mesmo quando a União
permaneça omissa em estabelecer, por Lei Complementar, normas
gerais a respeito, conforme jurisprudência do STF citada em aula e o
art. 24, §3°, da CF/88.

A letra “e” é incorreta, porque a inércia da União em


regulamentar a matéria tributária prevista no art. 24 da CF/88,
redação atual, não impedirá o Distrito Federal de, exercendo
competência concorrente, legislar, de modo específico, sobre
atualização do valor do ICMS.

19. (FCC/Defensoria Pública Estadual/Pará/2009)


Sobre competência constitucional em matéria tributária, é
correto afirmar, EXCETO
(A) a competência tributária é indelegável, imprescritível,
irrenunciável e inalterável.
(B) a competência para instituição do ITR é da União, mas a
capacidade poderá ser transferida aos Municípios que
optarem pela arrecadação e fiscalização deste tributo, nos
termos da lei.
(C) a isenção equivale a incompetência tributária para
instituir tributos sobre determinados fatos geradores,
estando regulada na Constituição Federal.

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(D) a competência para instituição do ISS é municipal e do
ICMS é estadual.
(E) as competências para instituição de impostos são
classificadas como legislativas exclusivas e não podem ter
seu rol ampliado.

A letra “a” é correta, pois a doutrina estabelece como


características da competência tributária a indelegabilidade, a
imprescritibilidade, a irrenunciabilidade e a inalterabilidade.

A letra “b” é correta, eis que a competência para instituição do


ITR é da União, mas a capacidade tributária ativa poderá ser
transferida aos Municípios que optarem pela arrecadação e
fiscalização deste tributo, nos termos da lei, segundo o art. 153, §4°,
III, da CF/88.

A letra “c” é incorreta, pois a imunidade e não a isenção


equivale a incompetência tributária para instituir tributos sobre
determinados fatos geradores, estando regulada na Constituição
Federal.

A letra “d” é correta, porque a competência para instituição do


ISS é municipal e do ICMS é estadual, de acordo com os arts. 155, II
e 156, III da CF/88.

A letra “e” foi considerada correta. Este enunciado é polêmico,


afirmando que as competências para instituição de impostos são
classificadas como legislativas exclusivas e não podem ter seu rol
ampliado. A interpretação é que o rol não pode ser ampliado ou
reduzido por legislação ordinária.

Lembramos que a Constituição Federal estabelece as


competências tributárias de forma rígida.

Entretanto, destacamos que esta característica não impede a


alteração da competência tributária por meio de reforma
constitucional, desde que tal modificação pelo poder constituinte
derivada não seja tendente a abolir a autonomia financeira do ente
federado, o que acarretaria violação a forma federativa de Estado
(art. 60, §4°, I, da CF/88).

De tal modo, não violou a forma federativa de Estado


brasileira a Emenda Constitucional n. 3/1993, que extinguiu a
competência dos Estados e do Distrito Federal para instituir o
Adicional ao Imposto sobre a Renda (AIR) e a competência dos
Municípios e do Distrito Federal para criar o Imposto sobre Vendas a

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Varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos (IVVC), uma vez que a
perda da arrecadação decorrente da extinção desses impostos não foi
tendente a abolir a autonomia financeira dos respectivos entes
federativos.

20. (FCC/Procurador de Contas/Alagoas/2008) São


tributos de competência da União, EXCETO a contribuição
(A) de melhoria.
(B) social para a seguridade social.
(C) para o custeio do serviço de energia elétrica.
(D) de intervenção no domínio econômico.
(E) de interesse de categorias profissionais.

A resposta correta é a “c”. Não é competência da União a


instituição da contribuição para o custeio do serviço de iluminação
pública.

21. (ESAF/ATRFB/2010) O art. 154, inciso I, da


Constituição Federal, outorga à União o que se costuma
chamar de competência tributária residual, permitindo que
institua outros impostos que não os previstos no art. 153.
Sobre estes impostos, é incorreto afirmar que:
a) Estados e Municípios não possuem competência tributária
residual.
b) Terão de ser, necessariamente, não-cumulativos.
c) Não poderão ter base de cálculo ou fato gerador próprios
dos impostos já discriminados na Constituição Federal.
d) Caso sejam instituídos por meio de medida provisória,
esta deverá ser convertida em lei até o último dia útil do
exercício financeiro anterior ao de início de sua cobrança.
e) Para a instituição de tais impostos, há que se respeitar o
princípio da anterioridade.

Letra (A). Somente a União possui a competência tributária


residual. Logo, correta.

Letra (B). O texto constitucional exige que os impostos


residuais sejam não-cumulativos (art. 154, I). Logo, correta.

Letra (C). O texto constitucional exige que os impostos


residuais não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
impostos discriminados na Constituição (art. 154, I). Portanto,
correta.

Letra (D). Os impostos residuais devem ser instituídos apenas


por lei complementar. Logo, incorreta.

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Letra (E). Os impostos residuais devem respeitar os princípios


da anterioridade genérica e da anterioridade nonagesimal. Logo,
correta.

TEMA II IMPOSTOS. IMPOSTOS


FEDERAIS.

1. Imposto

O imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma


situação independente de qualquer atividade estatal específica,
relativa ao contribuinte (art. 16, do CTN).

Isto é, o imposto é um tributo não-vinculado a uma


atividade estatal na classificação quanto à hipótese de incidência
(fato gerador in abstrato) do tributo, sendo que a lei instituidora do
imposto deve levar em consideração fatos e situações vinculadas ao
contribuinte, estranhos a qualquer atuação do Estado direcionado
especificadamente ao próprio contribuinte.

Por exemplo, o fato de o contribuinte auferir renda (fato


gerador do imposto sobre a renda - IR) ou a situação fática de ser
proprietário de um bem imóvel localizado na zona rural (fato gerador
do imposto sobre propriedade territorial rural - ITR) confere o dever
jurídico do contribuinte de pagar o respectivo imposto,
independentemente de o Estado exercer qualquer atividade
relacionada ao contribuinte que paga o imposto, tais como construir
estradas, hospitais, escolas, pavimentar as ruas etc.

O imposto é um tributo que não possui referibilidade, pois sua


cobrança não tem juridicamente relação com qualquer atividade
referida ao contribuinte. Isto é, não se pode j deixar de pagar um
determinado imposto sob o argumento fático de que o Estado não
está prestando serviço a população.

Alguns autores também afirmam que o imposto é um tributo


sem causa ou tributo não-contraprestacional, exatamente
porque o Estado não se encontra no dever jurídico de oferecer
qualquer vantagem ou benefício a quem paga.

Noutro giro, é essencial dizer que o fato gerador do imposto


não pode ser um fato ou situação qualquer, mas sim um fato ou
situação que revele natureza econômica, pois a CF/88 exige que,
sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão
graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte (art.

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145, §1º).

Isto significa que o fato gerador de determinado imposto deve


representar algum signo presuntivo de riqueza, ou seja, fatos ou
situações econômicas que presumam riqueza do contribuinte.

Portanto, o imposto tem fundamento na solidariedade


social, uma vez que as pessoas que possuem riqueza devem
contribuir com o Estado por meio do pagamento de impostos.

Para finalizar este tópico, salientamos que as taxas não


poderão ter base de cálculo própria de impostos e vice-versa (art.
145, §2º).

2. IMPOSTOS DA UNIÃO

Os impostos da União (art. 153, I a VII, CF), em regra, são os


seguintes:

• Imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II, art.


153, I, CF);
• Imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos
nacionais ou nacionalizados (IE, art. 153, II, CF);
• Imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR, art.
153, III, CF);
• Imposto sobre produtos industrializados (IPI, art. 153, IV, CF);
• Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou
relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF, art. 153, V, CF);
• Imposto sobre propriedade territorial rural (ITR, art. 153, VI,
CF);
• Imposto sobre grandes fortunas (IGF, art. 153, VII, CF).

Existem ainda mais dois outros impostos da União (art. 154, I e


II, CF):

• Impostos residuais (art. 154, I);


• Impostos extraordinários de guerra (IEG, art. 154, II).

Passamos agora a estudar da cada um desses impostos,


especialmente sob os aspectos da norma tributária: (a) material
(definição do núcleo do fato gerador); (b) temporal (momento da
ocorrência do fato gerador); (c) espacial (local da incidência
tributária); (d) pessoal (sujeito ativo e passivo); (e) quantitativo
(base de cálculo e alíquota). Registramos que no aspecto pessoal
apenas trataremos do sujeito ativo e do contribuinte, ou seja, a
responsabilidade tributária, por questão didática, ficou localizada no

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item seis (6), do capítulo II, da parte II, deste nosso livro.

2.1 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)

As normas jurídicas infraconstitucionais que tratam


especificadamente do imposto sobre importação de produtos
estrangeiros (II) são: os arts. 19 a 22 do CTN, o Decreto-lei 37/1966,
o Decreto-lei 2.472/1988 e o Decreto 6.759/2009 (Regulamento
Aduaneiro).

Observamos de início, também, que o II, juntamente com o


imposto sobre exportação (IE), é considerado pela classificação
estabelecida pelo CTN como imposto sobre o comércio exterior.

Nesse rumo, anotamos que o lançamento do II é por


homologação, exceto no caso de bagagem acompanhada, em que o
lançamento é feito por declaração. A hipótese de bagagem
acompanhada é aquela corriqueira de viagens internacionais, tal
como aquela a aprazível Miami (EUA).

Ademais, o II tem caráter eminentemente extrafiscal, uma vez


que influi diretamente na política econômica, fiscal e monetária do
Estado, interferindo normalmente no sentido de proteção da indústria
brasileira.

2.1.1 ASPECTO MATERIAL

O II incide sobre a importação de mercadoria estrangeira e


tem como fato gerador a entrada desses produtos estrangeiros no
território nacional (art. 19 do CTN).

Isto é, o fato gerador do II é o evento concreto ou


acontecimento da entrada de determinado produto ou mercadoria
estrangeira no Brasil.

Considerar-se-á também como “entrada no território nacional”


a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta
venha a ser apurada pela autoridade aduaneira. Esta hipótese citada
não se aplica às malas e remessas postais internacionais, que estão
apenas de mera passagem pelo território brasileiro, sendo destinadas
a outros países.

Registramos que se considera estrangeira a mercadoria


nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao País, salvo se:
(a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; (b)
devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou substituição;

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(c) por motivo de modificações na sistemática de importação por
parte do país importador; (d) por motivo de guerra ou calamidade
pública; (e) por outros fatores alheios à vontade do exportador (art.
1º, §1º, do Decreto-Lei 37/66).

Por outro lado, o II não incide sobre mercadoria estrangeira:


(a) avariada ou que se revele imprestável para os fins a que se
destinava, desde que seja destruída sob controle aduaneiro, antes de
despachada para consumo, sem ônus para a Fazenda Nacional; (b)
em trânsito aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída; ou
(c) que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese
em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida (art.
1º, §4º, do Decreto-Lei 37/66).

Também não incide o II nas hipóteses que mercadorias


estrangeiras ingressam no território nacional, com finalidades
esporádicas, tais como exposições, palestras, cursos, feiras etc. A
importação deve ser feita a título definitivo e não temporário ou
transitório.

Portanto, não incide o II nas hipóteses que mercadorias


estrangeiras ingressam no território nacional, com finalidades
esporádicas, tais como exposições, palestras, cursos, feiras etc.
Assim, já decidiu a nossa jurisprudência: “O fato gerador do imposto
de importação reside na entrada de produtos estrangeiros no
território nacional (CTN, art. 19), não bastando a simples entrada
física como ocorre com os bens existentes em navios ou aeronaves
que apenas estejam de passagem pelo Brasil, mas sim com a
internação que encontra aqui o seu destino final (TRF - 3ª Região,
AMS 92.03.072004-9/SP, DJ de 09/09/05, p. 620).

Igualmente não incide II na entrada no território nacional do


pescado capturado fora das águas territoriais do País, por empresa
localizada no seu território, desde que satisfeitas as exigências que
regulam a atividade pesqueira; e não incide II sobre mercadoria à
qual tenha sido aplicado o regime de exportação temporária,
ainda que descumprido o regime (art. 74, do Decreto 6.759/2009).

Na hipótese de descumprimento do regime de exportação


temporária, aplica-se uma simples multa tributária, mas mesmo
assim não incide o imposto.

O regime de exportação temporária é o que permite a


saída, do País, com suspensão do pagamento do imposto de
exportação, de mercadoria nacional ou nacionalizada, condicionada à

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reimportação em prazo determinado, no mesmo estado em que foi
exportada (Decreto-Lei no 37/66, art. 92).

2.1.2 ASPECTO TEMPORAL

O imposto de importação passa a ser devido no momento da


entrada da mercadoria no território nacional. Decerto, para fins
de ocorrência do fato gerador do II, a entrada no território nacional
acontece, em regra, na data do registro, na repartição
aduaneira, da declaração de importação.

Ou conforme dispositivo literal, o fato gerador ocorre na data


do registro da declaração de importação de mercadoria
submetida a despacho para consumo (art. 73, inc. I, Decreto
6.759/2009), inclusive, no caso de despacho para consumo de
mercadoria sob regime suspensivo de tributação, e de mercadoria
contida em remessa postal internacional ou conduzida por viajante,
sujeita ao regime de importação comum.

Deste modo, o despacho aduaneiro é o momento que


completa a importação e representa a chegada no território nacional
da mercadoria para incidência do II.

Assim, a alíquota a ser cobrada deve ser contemporânea


(pertinente) a este momento e não a alíquota do dia da celebração
do contrato de compra e venda da mercadoria ou o dia em que são
embarcadas as mercadorias adquiridas no estrangeiro ou, também, o
momento do ingresso físico desses bens em território nacional.

Por outro lado, o aspecto temporal do II deve ser considerado:

• O dia do lançamento do correspondente crédito tributário,


quando se tratar de: (a) bens contidos em remessa postal
internacional não sujeitos ao regime de importação comum; (b)
bens compreendidos no conceito de bagagem, acompanhada ou
desacompanhada; (c) mercadoria constante de manifesto ou de
outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou
avaria tenha sido apurado pela autoridade aduaneira; ou (d)
mercadoria estrangeira que não haja sido objeto de declaração
de importação, na hipótese em que tenha sido consumida ou
revendida, ou não seja localizada;
• A data do vencimento do prazo de permanência da
mercadoria em recinto alfandegado, se iniciado o respectivo
despacho aduaneiro antes de aplicada a pena de perdimento da
mercadoria no acso da mercadoria ser considerada

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abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto
alfandegado.
• A data do registro da declaração de admissão temporária
para utilização econômica

2.1.3 ASPECTO ESPACIAL

O aspecto espacial do II é o território nacional, que se


refere ao território aduaneiro para fins de tributação sobre o
comércio exterior (II e IE).

Com efeito, a jurisdição dos serviços aduaneiros se estende


por todo o território aduaneiro, e abrange: (i) Zona primária -
compreendendo as faixas internas de portos e aeroportos, recintos
alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres, bem como
outras áreas nos quais se efetuem operações de carga e descarga de
mercadoria, ou embarque e desembarque de passageiros,
procedentes do exterior ou a ele destinados; e (ii) Zona secundária
- compreendendo a parte restante do território nacional, nela
incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art.
33, do Decreto-Lei 37/66).

Sendo assim, para efeito de adoção de medidas de controle


fiscal, poderão ser demarcadas, na orla marítima e na faixa de
fronteira, zonas de vigilância aduaneira, nas quais a existência e a
circulação de mercadoria estarão sujeitas às cautelas fiscais,
proibições e restrições que forem prescritas no regulamento
aduaneiro (Decreto 6.759/2009), de acordo com o parágrafo único do
art. 33 do Decreto-Lei 37/66.

2.1.4 ASPECTO PESSOAL

O sujeito ativo é a União.

Noutro ponto, considera-se contribuinte do II: (a) o


importador ou quem a lei a ele equipara, assim considerada qualquer
pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no
Território Nacional; (b) o arrematante de produtos apreendidos ou
abandonados; (c) o destinatário de remessa postal internacional
indicado pelo respectivo remetente; (d) o adquirente de mercadoria
entrepostada (art. 22 do CTN c/c art. 31, do Decreto-Lei 37/66).

A mercadoria entrepostada é a mercadoria que fica


aguardando uma definição para ser utilizada. Por exemplo, com
grandes empresas importadoras e exportadoras acontece muito a
situação permitida legalmente em que uma mercadoria importada

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fica armazenada na Infraero, com suspensão do pagamento do
tributo, e, na medida em que a empresa for utilizando a mercadoria,
deve-se pagar o II.

2.1.5 ASPECTO QUANTITATIVO

A base de cálculo do II é:

• Quando a alíquota seja específica, a unidade de medida


adotada pela lei tributária, que é a quantidade de
mercadoria expressa na unidade de medida estabelecida;
• Quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o
produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação,
em uma venda em condições de livre concorrência, para
entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País: Neste
caso, existe previsão normativa relevante afirmando que a
base de cálculo é o valor aduaneiro do produto ou
mercadoria definido no artigo VII (7°) do Acordo Geral
sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Acordo de Valoração
Aduaneira de 1994), no qual o Brasil é parte (art. 20, incs. I e
II, do CTN c/c art. 2°, incs. I e II, do Decreto-Lei 37/66);
• Quando se trate de produto apreendido ou abandonado,
levado a leilão, o preço da arrematação parte (art. 20, incs. III,
do CTN).

É essencial decorar as bases de cálculo dos impostos!!! Decorar


mesmo!!! É assunto dos mais cobrados em provas.

Mas para melhor compreensão do que seja alíquota específica e


alíquota ad valorem, destacamos que a alíquota específica incide
sobre a quantidade de mercadoria expressa na unidade de medida
indicada na lei tributária, que pode ser o peso, o volume, o número
de peças etc. Por exemplo, R$ 30,00 por 100 gramas de determinada
mercadoria.

Já a alíquota ad valorem é uma percentagem que incide sobre


o preço da mercadoria. Por exemplo, 10% (alíquota ad valorem) de
R$ 8.000,00 (suposto preço de um computador portátil da marca
Sony).

As alíquotas do II, do IE, do IPI e do IOF podem ser alteradas


pelo Poder Executivo nas condições e limites contemplados na lei, de
acordo com o art. 153, §1°, da CF/88.

Dispõe de forma válida o art. 92 do Decreto 6.759/2009 que é


competência da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) alterar as

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alíquotas do imposto de importação (II), observadas as condições e
os limites estabelecidos em lei.

Por sua vez, a súmula 95 do STJ estabelece que a redução da


alíquota do IPI ou do II não implica redução do ICMS.

Em outras palavras, o STJ afirma que o II, o IPI e o ICMS


podem ser cobrados em conjunto ou de forma independente, desde
que ocorra o fato gerador de cada tributo, pois, em princípio, a
cobrança de um destes tributos não interfere na cobrança do outro.

Neste sentido, a Lei Complementar n° 87/1996 (normas gerais


sobre o ICMS) não estabelece qualquer tipo de vinculação entre a
desoneração (redução parcial ou total) do IPI e a desoneração do
ICMS incidente na importação de bens ou mercadorias, que é prevista
no art. 13, inc. V, da LC n° 87/1996.

2.1.6 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: Entrada do produto estrangeiro no território


nacional.
Aspecto temporal: Em princípio, a data do registro da declaração
de importação submetida a despacho para consumo.
Aspecto espacial: Território nacional, a que corresponde o território
aduaneiro.
Aspecto pessoal: Sujeito ativo: União; Sujeito Passivo
(contribuinte): o importador ou quem a ele a lei equiparar.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: (a) quando a alíquota for
ad valorem, é o valor aduaneiro definido no art. 7° (VII) no Acordo
Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT); (b) quando a alíquota for
específica, é a quantidade de mercadoria expressa na unidade de
medida estabelecida na legislação tributária. Alíquota: é aquela
fixada na legislação federal.

1. (ESAF/AFRFB/2005/adaptada) (i) A alíquota incidente sobre


as importações de mercadorias entradas em território nacional
é definida pela norma vigente no momento em que se efetivou
o registro da declaração apresentada pelo importador à
repartição alfandegária competente?
(ii) O fato gerador do imposto de importação é a data da
celebração, no Brasil ou no exterior, do contrato de compra e
venda relativo aos produtos importados, ou, se conhecido, o
instante em que são embarcadas as mercadorias adquiridas no
estrangeiro?
(iii) Quando se tratar de mercadoria despachada para
consumo, a norma legal considera como ocorrido o fato

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gerador do imposto de importação não na data do ingresso
nas águas territoriais brasileiras, mas na do registro, na
repartição aduaneira, da declaração de importação.

a) Sim, sim, sim.


b) Sim, não, sim.
c) Não, sim, não.
d) Não, sim, sim.
e) Não, não, sim.

A primeira questão é a letra “b”.

(i) Sim. A alíquota incidente sobre as importações de


mercadorias entradas em território nacional é definida pela norma
vigente no momento em que se efetivou o registro da declaração
apresentada pelo importador à repartição alfandegária competente,
isto é, a data do registro, na repartição aduaneira, da
declaração de importação.

(ii) Não. O fato gerador do imposto de importação não ocorre


na data da celebração, no Brasil ou no exterior, do contrato de
compra e venda relativo aos produtos importados, ou, se conhecido,
também não é o instante em que são embarcadas as mercadorias
adquiridas no estrangeiro, mas sim momento do registro, na
repartição aduaneira, da declaração de importação.

(iii) Sim. Quando se tratar de mercadoria despachada para


consumo, a norma legal considera como ocorrido o fato gerador do
imposto de importação não na data do ingresso nas águas territoriais
brasileiras, mas na data do registro, na repartição aduaneira, da
declaração de importação.

2. (ESAF/AFRFB/2005) Segundo a legislação própria,


considera-se estrangeira(o) e, salvo disposição em contrário,
pode, sobre ela(e), incidir o imposto de importação (salvo se
por outra razão seja verificada sua não-incidência) :
a) mercadoria restituída pelo importador estrangeiro, por
motivo de modificações na sistemática de importação por
parte do país importador.
b) mercadoria enviada em consignação e não vendida no
exterior no prazo autorizado, quando retorna ao País.
c) produto devolvido do exterior por motivo de defeito técnico,
para reparo ou substituição.
d) mercadoria nacional que retornar ao País.
e) produto estrangeiro em trânsito aduaneiro de passagem
acidentalmente destruído no País.

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A segunda questão é a letra “d”, de acordo com os §§1º e 4°,
do art. 1º, do Decreto-Lei 37/66.

Lembrando novamente: considera-se estrangeira a mercadoria


nacional ou nacionalizada exportada, que retornar ao País, salvo se:
(a) enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; (b)
devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou substituição;
(c) por motivo de modificações na sistemática de importação por
parte do país importador; (d) por motivo de guerra ou calamidade
pública; (e) por outros fatores alheios à vontade do exportador (art.
1º, §1º, do Decreto-Lei 37/66).

E o II não incide sobre mercadoria estrangeira: (a) avariada


ou que se revele imprestável para os fins a que se destinava, desde
que seja destruída sob controle aduaneiro, antes de despachada para
consumo, sem ônus para a Fazenda Nacional; (b) em trânsito
aduaneiro de passagem, acidentalmente destruída; ou (c) que tenha
sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não
seja localizada, tenha sido consumida ou revendida (art. 1º, §4º, do
Decreto-Lei 37/66).

3. (ESAF/AFRF/2003) A base de cálculo do imposto sobre a


importação de produtos estrangeiros, quando a alíquota seja
específica, é o preço normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em
condições de livre concorrência, para entrega no porto ou
lugar de entrada do produto no País.

A terceira questão é falsa, pois a base de cálculo do imposto


sobre a importação de produtos estrangeiros, quando a alíquota seja
específica é a unidade de medida adotada pela lei tributária; e
quando a alíquota seja ad valorem é o preço normal que o produto,
ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda
em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar
de entrada do produto no País, ou o valor aduaneiro do produto
apurado segundo as normas do art. 7º do Acordo Geral sobre
Tarifas e Comércio (GATT).

4. (ESAF/AFRFB/2010) Com relação ao imposto sobre


importação de produtos estrangeiros, assinale a opção
incorreta.
a) Somente se deve considerar entrada e importada aquela
mercadoria estrangeira que ingressa no território nacional
para uso comercial ou industrial e consumo, não aquela em
trânsito, destinada a outro país.
b) A Constituição Federal outorga à União a competência
para instituí-lo, vale dizer, concede a este ente político a

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possibilidade de instituir imposto sobre a entrada no
território nacional, para incorporação à economia interna, de
bem destinado ou não ao comércio, produzido pela natureza
ou pela ação humana, fora do território nacional.
c) A simples entrada em território nacional de um quadro
para exposição temporária num museu ou de uma máquina
para exposição em feira, destinados a retornar ao país de
origem, não configuram importação, e, por conseguinte não
constituem fato gerador.
d) Terá suas alíquotas graduadas de acordo com o grau de
essencialidade do produto, de modo a se tributar com
alíquotas mais elevadas os produtos considerados
supérfluos, e com alíquotas inferiores os produtos tidos
como essenciais.
e) Possui caráter nitidamente extrafiscal, tanto que a
Constituição Federal faculta ao Poder Executivo, atendidas
as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar suas
alíquotas, já que sua arrecadação não possui objetivo
exclusivo de abastecer os cofres públicos, mas também a
conjugação de outros interesses que interferem no
direcionamento da atividade impositiva – políticos, sociais e
econômicos, por exemplo.

Letras (A e C). Segundo entendimento doutrinário e


jurisprudencial, não incide o imposto de importação nas hipóteses
que mercadorias estrangeiras ingressam no território nacional, com
finalidades esporádicas, tais como exposições, palestras, cursos,
feiras etc. A importação deve ser feita a título definitivo e não a título
temporário ou transitório.

Assim, já decidiu o TRF - 3ª Região: “O fato gerador do imposto


de importação reside na entrada de produtos estrangeiros no
território nacional (CTN, art. 19), não bastando a simples entrada
física como ocorre com os bens existentes em navios ou aeronaves
que apenas estejam de passagem pelo Brasil, mas sim com a
internação que encontra aqui o seu destino final (AMS 92.03.072004-9/
SP, DJ de 09/09/05, p. 620). Logo, corretas.

Letra (B). É competência da União a instituição do imposto de


importação, que, em regra, tem como fato gerador a entrada de
mercadoria ou bem estrangeiro no Território Nacional, devendo
ocorrer a incorporação do bem ou da mercadoria à economia interna.
Logo, correta.

Letra (D). Segundo o texto constitucional, não se aplica a


seletividade ao imposto de importação. Logo, incorreta.

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Letra (E). A letra “e” é verdadeira, conforme doutrina e art.


153, §1°, da CF. Logo, correta.

5. (CESPE/Juiz Federal/2007) A base de cálculo do


imposto sobre importações, quando a alíquota seja ad
valorem, é o valor aduaneiro, ou seja, o valor pelo qual foi
realizado o eventual negócio jurídico referente à importação.

É errada.

Deste modo, quando a alíquota for ad-valorem, a base de


cálculo do II é o valor aduaneiro das mercadorias, conforme
definido no Acordo de Valoração Aduaneira (Artigo 7º do Acordo
Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT).

Este art. 7° determina o seguinte: (i) O valor para fins


alfandegários das mercadorias importadas deverá ser estabelecido
sobre o valor real da mercadoria importada à qual se aplica o
direito ou de uma mercadoria similar, e não sobre o valor do produto
de origem nacional ou sobre valores arbitrários ou fictícios; (ii) O
“valor real” deverá ser o preço pelo qual, em épocas e lugares
determinados pela legislação do país importador, essas mercadorias
ou mercadorias similares são vendidas ou oferecidas à venda em
condições de plena concorrência e através de operações comerciais
normais; (iii) Na medida em que o preço dessas mercadorias ou de
mercadorias similares dependa da quantidade sobre a qual recai uma
transação determinada, o preço considerado deverá guardar relação
na conformidade da escolha efetuada em definitivo pelo país
importador, quer com quantidades comparáveis, quer com
quantidades fixadas de forma não menos favorável ao importador do
que se fosse tomado o maior volume país exportador e o país
importador; (iv) No caso em que for impossível determinar o valor
real, o valor para fins alfandegários deverá ser baseado na
equivalência comprovável, mais próxima desse valor; (v) O valor
para fins alfandegários de qualquer mercadoria importada não deverá
compreender nenhuma taxa interna exigível no pais de origem ou de
proveniência, da qual a mercadoria importada tenha sido exonerada
ou cuja importância tenha sido ou seja destinada a um reembolso.

2.1.7 REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS DE TRIBUTAÇÃO

A legislação aduaneira dispõe sobre diversos regimes especiais


de tributação. Neste tópico trataremos dos principais, de acordo com
a sequência estabelecida no Decreto 6.759/2009, a saber:

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• Trânsito aduaneiro: é o regime que permite o transporte de
mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do
território aduaneiro, com suspensão do pagamento de tributos
(Decreto-Lei no 37/66, art. 73);
• Admissão temporária: é o regime que permite a importação
de bens que devam permanecer no País durante prazo fixado,
com suspensão total do pagamento de tributos, ou com
suspensão parcial, no caso de utilização econômica (Decreto-Lei
no 37/66, art. 75);
• Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo: é o
regime que permite o ingresso, para permanência temporária
no País, com suspensão do pagamento de tributos, de
mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas, destinadas a
operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação
(Decreto 6.759/2009, art. 380);
• Drawback: é considerado o regime de incentivo à exportação,
e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decreto-Lei no
37/66, art. 78, caput; e Lei no 8.402/92, art. 1o, inc. I):
(i) suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na
importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento
ou destinada à fabricação, complementação ou
acondicionamento de outra a ser exportada (Drawback
suspensão); (ii) isenção dos tributos exigíveis na importação
de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à
utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou
acondicionamento de produto exportado (Drawback isenção);
e (iii) restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na
importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou
utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de
outra exportada (Drawback restituição). Nesse rumo,
destacamos três relevantes entendimentos do STJ sobre o
tema: (a) é “ilícita a exigência de nova certidão negativa de
débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva
importação, se a comprovação de quitação de tributos federais
já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente
às operações pelo regime de drawback” (REsp 1041237/SP, DJe
19/11/2009); (b) o regime aduaneiro de drawback é
irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a
constituição do crédito tributário, ou seja, o drawback não
interfere no prazo inicial de decadência tributária (REsp
1006535/PR, DJe 18/02/2009); (c) não é necessário que
exista uma identidade física absoluta do produto que foi
importado e o exportado para a concessão do benefício sob o
regime de drawback, uma vez que em se tratando de bem
fungível pode ser utilizado outro de igual espécie, qualidade e

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quantidade para que faça valer o benefício fiscal (AgRg no REsp
591624/RS, DJe 08/05/2009);

(CESPE/Procurador Federal-AGU/2010) Se determinada


indústria traz matéria-prima do exterior, com isenção de impostos,
para ser reexportada após sofrer beneficiamento, é ilícita a exigência
de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço
aduaneiro da respectiva importação, uma vez já comprovada a
quitação de tributos federais quando da concessão do benefício
inerente às operações pelo regime do drawback. É correta.

• Entreposto aduaneiro na importação: é o regime que


permite a armazenagem de mercadoria estrangeira em recinto
alfandegado de uso público, com suspensão do pagamento dos
impostos federais, da contribuição para o PIS/
PASEPImportação e da COFINS-Importação incidentes na im-
portação (Decreto-Lei no 1.455/76, art. 9o);
• Entreposto aduaneiro na exportação: é o regime que
permite a armazenagem de mercadoria destinada a exportação
(Decreto-Lei no 1.455/76, art. 10);
• Entreposto industrial sob controle
informatizado (RECOF): é o regime que permite a empresa
importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do
pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado,
mercadorias que, depois de submetidas a operação de
industrialização, sejam destinadas a exportação (Decreto-Lei no
37/66, art. 89);
• Importação de insumos destinados a industrialização por
encomenda de produtos classificados nas posições 8701
a 8705 da Nomenclatura Comum do Mercosul (RECOM): é
o regime que permite a importação, sem cobertura cambial, de
chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios,
com suspensão do pagamento do imposto sobre produtos
industrializados, da contribuição para o PIS/PASEP-Importação
e da COFINS-Importação (Medida Provisória no 2.189-49/01,
art. 17; Lei no 10.865/04, art. 14);
• Exportação temporária: é o regime que permite a saída, do
País, com suspensão do pagamento do imposto de exportação,
de mercadoria nacional ou nacionalizada, condicionada à
reimportação em prazo determinado, no mesmo estado em que
foi exportada (Decreto-Lei no 37/66, art. 92);
• Exportação temporária para aperfeiçoamento passivo: é o
regime que permite a saída, do País, por tempo determinado, de
mercadoria nacional ou nacionalizada, para ser submetida a
operação de transformação, elaboração, beneficiamento ou
montagem, no exterior, e a posterior reimportação, sob a forma

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do produto resultante, com pagamento dos tributos sobre o valor
agregado (Decreto-Lei no 37/66, art. 93);
• Exportação e importação de bens destinados às
atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo
e de gás natural (REPETRO): é o regime o que permite,
conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos
aduaneiros (Decreto-Lei no 37/66, art. 93): I - exportação, sem
que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro e posterior
aplicação do regime de admissão temporária, no caso de bens
referidos em relação elaborada pela Secretaria da Receita
Federal do Brasil (SRFB), de fabricação nacional, vendido a
pessoa sediada no exterior; II - exportação, sem que tenha
ocorrido sua saída do território aduaneiro, de partes e peças de
reposição destinadas aos bens referidos em relação elaborada
pela SRFB, já admitidos no regime aduaneiro especial de
admissão temporária; e III - importação, sob o regime de
drawback, na modalidade de suspensão, de matérias-primas,
produtos semi-elaborados ou acabados e de partes ou peças,
utilizados na fabricação dos bens referidos em relação
elaborada pela SRFB, e posterior comprovação do
adimplemento das obrigações decorrentes da aplicação desse
regime mediante a exportação referida nos incisos I ou II;
• Importação de petróleo bruto e seus derivados (REPEX):
é o regime que permite a importação desses produtos, com
suspensão do pagamento dos impostos federais, da
contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da COFINS-
Importação, para posterior exportação, no mesmo estado em
que foram importados (Decreto-Lei no 37/66, art. 93);
• Incentivo à modernização e à ampliação da estrutura
portuária (REPORTO): é o regime que permite, na
importação de máquinas, equipamentos, peças de reposição e
outros bens, a suspensão do pagamento do imposto de
importação, do imposto sobre produtos industrializados, da
contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da COFINS-
Importação, quando importados diretamente pelos beneficiários
do regime e destinados ao seu ativo imobilizado para utilização
exclusiva em portos na execução de serviços de carga,
descarga, movimentação de mercadorias e dragagem, e na
execução de treinamento e formação de trabalhadores em
Centros de Treinamento Profissional (Lei no 11.033/04, arts. 13
e 14);
• Loja franca: é o regime que permite a estabelecimento
instalado em zona primária de porto ou de aeroporto
alfandegado vender mercadoria nacional ou estrangeira a
passageiro em viagem internacional, contra pagamento em

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moeda nacional ou estrangeira (Decreto-Lei no 1.455/76, art.
15);
• Depósito especial: é o regime que permite a estocagem de
partes, peças, componentes e materiais de reposição ou
manutenção, com suspensão do pagamento dos impostos
federais, da contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da
COFINS-Importação, para veículos, máquinas, equipamentos,
aparelhos e instrumentos, estrangeiros, nacionalizados ou não,
e nacionais em que tenham sido empregados partes, peças e
componentes estrangeiros, nos casos definidos pelo Ministro de
Estado da Fazenda (Decreto-Lei no 37/66, art. 93);
• Depósito afiançado: é o regime que permite a estocagem,
com suspensão do pagamento dos impostos federais, da
contribuição para o PIS/PASEP-Importação e da
COFINSImportação, de materiais importados sem cobertura
cambial, destinados à manutenção e ao reparo de embar-
cação ou de aeronave pertencentes a empresa autorizada
a operar no transporte comercial internacional, e utilizadas
nessa atividade (Decreto-Lei no 37/66, art. 93);
• Depósito alfandegado certificado: é o regime que permite
considerar exportada, para todos os efeitos fiscais, creditícios e
cambiais, a mercadoria nacional depositada em recinto
alfandegado, vendida a pessoa sediada no exterior, mediante
contrato de entrega no território nacional e à ordem do
adquirente (Decreto-Lei no 2.472/88, art. 6o);
• Depósito franco: é o regime que permite, em recinto
alfandegado, a armazenagem de mercadoria estrangeira para
atender ao fluxo comercial de países limítrofes com terceiros
países (Decreto 6.759/2009, art. 499).

2.2 IMPOSTO SOBRE EXPORTAÇÃO, PARA O EXTERIOR, DE


PRODUTOS NACIONAIS OU NACIONALIZADOS (IE)

As normas jurídicas infraconstitucionais que dispõem


especificadamente sobre o imposto sobre exportação, para o exterior,
de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) são: os arts. 23 a 28 do
CTN, o Decreto-lei 1.578/1977 e o Decreto 6.759/2009 (Regulamento
Aduaneiro).

Nesse rumo, anotamos que, no que couber, aplicar-se-á,


subsidiariamente, ao imposto de exportação (IE) a legislação relativa
ao imposto de importação (II). Isto é, não existindo norma do IE para
aplicar em determinada situação, pode-se aplicar norma referente à
legislação do II.

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O IE tem caráter eminentemente extrafiscal, pois também
regula a política de preço dos produtos (função regulatória). O seu
lançamento é por homologação.

Por sua vez, não tem mais validade jurídica o art. 28 do CTN,
dispondo que a receita líquida do IE destina-se à formação de
reservas monetárias, na forma da lei, uma vez que a CF/88 (art. 167,
inc. IV) veda (proíbe), salvo algumas exceções, a vinculação de
receita de impostos a órgão, fundo ou despesa. Contudo, o STF
ainda não declarou a inconstitucionalidade do art. 28 do CTN.

2.2.1 ASPECTO MATERIAL

O imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos


nacionais ou nacionalizados (IE) tem como fato gerador a saída
destes do território nacional (art. 23 do CTN c/c art. 1º, do Decreto-
Lei 1.578/77).

Isto é, o fato gerador do IE é à saída do território nacional


para o estrangeiro de produtos nacionais ou nacionalizados.

Decerto, o IE incide sobre o produto nacional ou


nacionalizado destinado ao exterior. Tratando-se apenas do
conceito de produto nacional e produto nacionalizado, considera-se
nacional o produto produzido no território brasileiro e
nacionalizado o produto estrangeiro importado a título definitivo,
independentemente de qualquer outro fator (por exemplo, despacho
para consumo).

Por sua vez, a doutrina entende que o IE é um imposto


excepcional, pois cabe ao Poder Executivo relacionar os
produtos sujeitos a sua tributação (art. 1º, §3º, do Decreto-Lei
1.578/77).

Ou seja, se o produto não constar na lista de produtos


disciplinados pelo Poder Executivo é caso de não-incidência do IE.
Assim, cabe a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX – órgão
pertencente ao Poder Executivo), observada a legislação específica,
relacionar as mercadorias sujeitas ao IE.

Ademais, também observamos que à exceção dos II, IE e do


ICMS, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações
relativas à energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados
de petróleo, combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°, da
CF/88).

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Portanto, pode incidir contribuições tributárias especiais
(exs.: COFINS e PIS) sobre operações relativas à energia elétrica,
serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e
minerais do País, mas não pode incidir impostos, exceto o II, o IE e
o ICMS.

Neste sentido, o STF afirma que é legítima a cobrança da


COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a
energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo,
combustíveis e minerais do país (súmula 659).

2.2.2 ASPECTO TEMPORAL

Considera-se ocorrido o fato gerador no momento da expedição


da Guia de Exportação ou documento equivalente (art. 1º, §1º, do
Decreto-Lei 1.578/77).

Com base nesta regra, o art. 6º, §1º, do Decreto 660/92,


dispõe que para todos os fins e efeitos legais, os registros
informatizados das operações de exportação ou de importação no
Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) equivalem à
Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento
Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de
Importação.

Neste sentido, o STF afirma que não é qualquer registro no


SISCOMEX que corresponde à expedição do documento equivalente à
guia de exportação, mas somente o Registro de Exportação
corresponde e se equipara à Guia de Exportação (AI 578.372-AgR,
Rel. Min. Ellen Gracie, DJE de 12-3-2010).

O SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as


atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de
comércio exterior, mediante fluxo único, computadorizado, de
informações (art. 2º, Decreto 660/92).

Assim, tal registro estabelece também o início do despacho de


exportação, que é procedimento mediante o qual é verificada a
exatidão dos dados declarados pelo exportador em relação à
mercadoria, aos documentos apresentados e à legislação específica,
com vistas a seu desembaraço aduaneiro e a sua saída para o
exterior (art. 580 do Decreto 6.759/2009).

Por conseguinte, o despacho aduaneiro na exportação é o ato


pelo qual é registrada a conclusão de toda conferência aduaneira
(despacho de exportação), e autorizado o embarque ou a

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transposição de fronteira da mercadoria, sendo que verificada
divergência de dados ou infração que não impeça a saída da
mercadoria do País, o desembaraço será realizado, sem prejuízo da
formalização de exigências, desde que assegurados outros meios de
prova necessários (art. 591, Decreto 6.759/2009).

Destacamos, por sua vez, que o Ministro da Fazenda tem


competência para editar normas infralegais (por exemplo, portarias)
estabelecendo que o pagamento do IE seja exigido antes da
efetiva saída do produto a ser exportado, podendo também
dispensar a cobrança do imposto em função do destino da mercadoria
exportada (art. 4º, do Decreto-Lei 1.578/77).

2.2.3 ASPECTO ESPACIAL

O aspecto espacial do IE é o território nacional, que se


refere ao território aduaneiro para fins de tributação sobre o
comércio exterior (II e IE).

2.2.4 ASPECTO PESSOAL

O sujeito ativo é a União.

O contribuinte do IE é o exportador ou quem a lei a ele


equiparar, assim considerado qualquer pessoa que promova a saída
do produto do território nacional (art. 27 do CTN c/c art. 5º, do
Decreto-Lei 1.578/77).

2.2.5 ASPECTO QUANTITATIVO

A base de cálculo do IE é a seguinte:

• Quando a alíquota seja específica, a unidade de medida


adotada pela lei tributária;
• Quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o
produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação,
em uma venda em condições de livre concorrência (art. 24 do
CTN).

Neste último caso, quando a alíquota seja ad valorem, a base


de cálculo do IE é o preço normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de
livre concorrência no mercado internacional, devendo-se observar as
normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX (art.
2º, do Decreto-Lei 1.578/77).

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Anotamos também que o preço à vista do produto, FOB ou
posto na fronteira, é indicativo do preço normal.

FOB significa Free on Board, isto é, livre ou posto a bordo,


sendo o preço da mercadoria livre de qualquer despesa para o
comprador, tais como despesas de frete e seguro.

Ressaltamos que quando a alíquota seja ad valorem,


considera-se a entrega como efetuada no porto ou lugar da saída do
produto, deduzidos os tributos diretamente incidentes sobre a
operação de exportação e, nas vendas efetuadas a prazo superior aos
correntes no mercado internacional, o custo do financiamento (art.
24, parágrafo único, do CTN).

Destarte, o CTN dispõe que a lei ordinária pode adotar como


base de cálculo a parcela do valor ou do preço excedente de valor
básico, fixado de acordo com os critérios e dentro dos limites por ela
estabelecidos (art. 25).

Neste caso, verificamos que somente ocorre a incidência o IE


caso o preço da mercadoria exportada consiga atingir um valor
mínimo, em obediência aos princípios constitucionais da capacidade
contributiva e da igualdade, eis que o contribuinte deve demonstrar
algum tipo de riqueza para pagar o imposto, o que é denominado
doutrinariamente de signo presuntivo de riqueza.

Por conseguinte, de acordo com o art. 25 do CTN, se o valor do


produto no mercado internacional não ultrapassar a barreira do valor
básico estabelecido na lei ordinária, não há possibilidade jurídica para
incidência do IE.

E, nesse sentido, para efeito de determinação da base de


cálculo do IE, o preço de venda das mercadorias exportadas não
poderá ser inferior ao seu custo de aquisição ou produção, acrescido
dos impostos e das contribuições incidentes e de margem de
lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos, mais impostos
e contribuições (art. 2º, §3º, do Decreto-Lei 1.578/77, que foi
recepcionado pela CF/88).

Com efeito, quando o preço do produto for de difícil apuração


ou for susceptível de oscilações bruscas no mercado internacional, o
Poder Executivo, mediante ato da CAMEX, também fixará
critérios específicos ou estabelecerá pauta de valor mínimo,
para apuração de base de cálculo (art. 2º, §2º, do Decreto-Lei
1.578/77).

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No que se refere à alíquota do IE, esta é de trinta por cento
(30%), sendo facultado ao Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la,
para atender aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.

Todavia, em caso de elevação, a alíquota não poderá ser


superior a cento e cinquenta por cento (150%), conforme o art. 3º,
do Decreto-Lei 1.578/77.

Neste rumo, o art. 2º, inc. XIII, do Decreto do Poder Executivo


n° 4.732/03, autoriza a CAMEX a fixar as alíquotas do imposto de
exportação, respeitadas as condições de trinta por cento (30%) a
cento e cinquenta por cento (150%).

Também é competência da Câmara de Comércio Exterior


(CAMEX), dentre outras competências relevantes, definir, no âmbito
das atividades de exportação e importação, diretrizes básicas
sobre a política tarifária e orientações sobre normas e
procedimentos, para os seguintes temas, observada a reserva legal:
a) racionalização e simplificação do sistema administrativo;
b) habilitação e credenciamento de empresas para a prática de
comércio exterior; c) nomenclatura de mercadoria; d) conceituação
de exportação e importação; e) classificação e padronização de
produtos; f) marcação e rotulagem de mercadorias; g) regras de
origem e procedência de mercadorias.

2.2.6 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: à saída do território nacional para o estrangeiro


de produtos nacionais ou nacionalizados.
Aspecto temporal: Registro informatizado da operação de
exportação no SISCOMEX.
Aspecto espacial: Território nacional, que equivale ao território
aduaneiro, para fins de tributação sobre o comércio exterior (IE e
II).
Aspecto pessoal: Sujeito ativo: União; Sujeito Passivo
(contribuinte): exportador ou quem a lei a ele equiparar, assim
considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do
território nacional.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: (a) quando a alíquota seja
específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária; (b)
quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto,
ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda
em condições de livre concorrência. Alíquota: é a fixada na legislação
federal (30%), que pode ser alterada pelo Poder Executivo até o
limite de 150%.

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1. (ESAF/AFRFB/2002.2) Quanto ao imposto de exportação
(IE), avalie o acerto das afirmações adiante e marque com V
as verdadeiras e com F as falsas; em seguida, marque a opção
correta.
( ) O imposto incide sobre mercadoria nacional ou
nacionalizada destinada ao exterior.
( ) Pelas regras vigentes, o imposto é excepcional, pois
somente os produtos relacionados estão a ele sujeitos.
( ) O preço, a vista, da mercadoria, FOB ou colocada na
fronteira, é indicativo do preço normal, que é a base de cál-
culo do imposto.
a) V, V, V
b) V, V, F
c) V, F, F
d) F, F, F
e) F, V, F

Todas as afirmativas estão corretas, portanto deve-se marcar


a letra “a”.

A primeira afirmativa é verdadeira, pois o fato gerador do IE é


à saída do território nacional para o estrangeiro de produtos nacionais
ou nacionalizados. Assim sendo, o IE realmente incide sobre
mercadoria nacional ou nacionalizada destinada ao exterior.

A segunda afirmativa é verdadeira, uma vez que no IE cabe ao


Poder Executivo relacionar os produtos sujeitos a sua incidência,
sendo que, em princípio, não incide o IE, salvo se estiver disposto na
norma fixada pelo Poder Executivo.

A terceira afirmativa é verdadeira, pois o preço, a vista, da


mercadoria, FOB ou colocada na fronteira, é indicativo do preço
normal, que é à base de cálculo do imposto, de acordo com o §1ª, do
art. 2º, do Decreto-Lei 1.578/77.

2. Assegura a Constituição Federal que, à exceção do imposto


sobre importação de produtos estrangeiros, do imposto sobre
exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou
nacionalizados e do imposto sobre operações relativas à
circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de
transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação,
nenhum outro tributo poderá incidir sobre operações relativas
à energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de
petróleo, combustíveis e minerais do País (ESAF/Procurador do
Município de Fortaleza/2002).

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A questão é errada, pois à exceção dos II, IE e do ICMS,
nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas à
energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo,
combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°, da CF/88). A CIDE,
por exemplo, incide sobre combustíveis.

3. (ESAF/TRF/2005) No Brasil, a formulação das diretrizes


básicas da política tarifária na importação e exportação é de
competência do(a)
a) Ministério das Relações Exteriores.
b) Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior.
c) Ministério da Fazenda.
d) Câmara de Comércio Exterior.
e) Casa Civil da Presidência da República.

É a letra “d”. Dentre outras competências da Câmara de


Comércio Exterior - CAMEX, cabe a de formular ou definir as
diretrizes básicas da política tarifária na importação e exportação.

4. (ESAF/TRF/2000) Consideram-se nacionalizadas


a) as mercadorias estrangeiras importadas a título não
definitivo em regime comum de importação, somente após o
regular despacho para consumo, tributadas, ou isentas do
imposto de importação.
b) as mercadorias estrangeiras importadas a título definitivo,
desde que tenham sido despachadas para consumo.
c) as mercadorias estrangeiras adquiridas no exterior,
excluídas as doações, e tributadas pelo imposto de
importação.
d) somente as mercadorias estrangeiras despachadas para
consumo, tenham ou não sido pagas ao exportador
estrangeiro.
e) as mercadorias estrangeiras importadas a título definitivo,
independentemente de serem despachadas para consumo.

É a letra “e”, uma vez que se considerada nacionalizada a


mercadoria ou produto estrangeiro importado a título definitivo,
independentemente de qualquer outro fator.

2.3 IMPOSTO SOBRE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER


NATUREZA (IR)

As normas jurídicas infraconstitucionais que dispõem


especificadamente sobre imposto sobre renda e proventos de
qualquer natureza (IR) são: os arts. 43 a 45 do CTN, as Leis
7.713/1988 e 9.250/95 (imposto de renda de pessoas físicas – IRPF),

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as Leis 8.981/1995 e 9.430/96 (imposto de renda de pessoas
jurídicas – IRPJ) e o Decreto 3.000/1999 (Regulamento do IR).

Realçamos também que o IR será informado pelos critérios ou


princípios da generalidade, da universalidade e da progressividade,
na forma da lei (art. 153, §2°, inc. I, da CF/88).

O critério da generalidade para a doutrina majoritária


significa que todas as pessoas, independentemente de qualquer
condição (raça, sexo, credo, estado civil etc.), que realizam o fato
gerador, devem se submeter à incidência do imposto de renda,
exceto quando alcançados pela imunidade ou isenção.

O critério da universalidade se contrapõe a idéia de


seletividade, isto é, o imposto de renda deve incidir sobre todas as
espécies de obtenção de disponibilidade de renda ou provento.

Desse modo, critério da universalidade dispõe que toda a


obtenção de disponibilidade de renda ou provento deve submeter-se
à incidência do imposto, ou seja, os acréscimos patrimoniais de todas
as espécies e gêneros, independentemente da denominação,
localização, condição jurídica, nacionalidade da fonte ou origem,
estão sujeitos a incidência do IR, salvo os excluídos pelas próprias
normas jurídicas (imunidade e isenção).

A progressividade dispõe que as alíquotas devem ser tanto


maiores ou crescentes quanto o aumento das respectivas bases de
cálculo, isto é, a incidência do IR aumenta em percentuais à medida
que se elevam as grandezas de valores que compõem a base de
cálculo.

A progressividade do IR está de acordo com a capacidade


econômica do contribuinte e observa o caráter pessoal previsto no 1º,
do art. 145, da CF/88.

A progressividade do IR é predominantemente fiscal, isto é, a


sua finalidade é eminentemente arrecadatória, sendo a principal fonte
de receita tributária da União.

Neste ponto, ainda destacamos que, a partir da Emenda


Constitucional n° 20/1998 (EC 20/98), o IR pode incidir, nos termos
e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de
aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa com idade
superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída,
exclusivamente, de rendimentos do trabalho.

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Logo, com o advento da EC 20/98, foi revogada a


imunidade de proventos de aposentadoria e pensão de idoso,
que era considerado pessoa com idade superior a sessenta e cinco
anos, cuja renda total fosse constituída, exclusivamente, de
rendimentos do trabalho.

(CESPE/Juiz Federal/2006) Comumente, os princípios tributários


revelam a não-incidência de determinado tributo sobre certas
pessoas ou situações, estabelecendo as chamadas limitações
constitucionais ao poder de tributar. Entre essas limitações contidas
na Constituição está a não-incidência do imposto de renda, nos
termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de
aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos
estados, do Distrito Federal (DF) e dos municípios, a pessoa com
idade superior a 65 anos, cuja renda total seja constituída,
exclusivamente, de rendimentos do trabalho. É errada.

2.3.1 ASPECTO MATERIAL

O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR)


tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade
econômica ou jurídica: a) de renda, assim entendido o produto do
capital, do trabalho ou da combinação de ambos; b) de proventos
de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais
não compreendidos como renda (art. 43, do CTN).

Deste modo, o fato gerador do IR é a aquisição de renda ou


proventos, que se caracterizem como riqueza nova (acréscimo
patrimonial), podendo o contribuinte dispor livremente dessa renda
ou provento.

Nessa esteira, o conceito de “renda” deve ser extraído da


CF/88, principalmente das normas jurídicas dispostas no art. 145,
§1°, c/c art.153, inciso III, e o seu §2°, inciso I, mas é preciso
afirmar que as suas características não se encontram totalmente
definidas pela CF/88, precisando o intérprete prestar atenção
também nas leis infraconstitucionais para dissecar toda a extensão do
seu conceito.

O legislador ordinário tem a seu talante o âmbito de


competência outorgado pela CF/88, podendo claramente não utilizar
toda amplitude de sua competência normativa.

Primeiramente, anotamos que da definição de renda e


proventos de qualquer natureza devem ser excluídos os fatos

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geradores dos demais impostos dispostos na CF/88, tais como
propriedade territorial rural (ITR), produto industrializado (IPI),
propriedade territorial urbana (IPTU), propriedade de veículo
automotor (IPVA) etc.

Segundo, é que os proventos de qualquer natureza devem ser


considerados como espécie de renda.

Terceiro, é que a idéia de renda traz consigo a idéia de


acréscimo patrimonial, que deve ser entendido como disponibilidade
de riqueza nova adquirida em certo intervalo de tempo ou até mesmo
de forma isolada (ex.: contribuinte que ganha um prêmio de loteria).

É exemplar a respeito do assunto a seguinte decisão do STF: “a


renda pressupõe ganho, lucro, receita, crédito, acréscimo
patrimonial, ou, como diz o processo transcrito, aquisição de
disponibilidade econômica ou jurídica. Concordo em que a lei
pode, casuisticamente, dizer o que é ou o que não é renda tributável.
Mas não deve ir além dos limites semânticos, que são
intransponíveis. Entendo, por isso, que ela não pode considerar
renda, para efeito de taxação, o que é, de maneira
incontestável, ônus, dispêndio, encargo ou diminuição
patrimonial, resultante do pagamento de um débito” (RE nº
71.758). Isto é, o conceito de renda decorre da Constituição e não
pode a legislação infraconstitucional definir como renda o que não o
é.

Assim, podemos dizer que renda é o acréscimo patrimonial,


riqueza nova, devendo ser realizado, em princípio, o confronto entre
certas entradas e certas saídas ao longo de um determinado período
de tempo para a verificação do saldo positivo (valor da aquisição de
disponibilidade de renda ou provento).

Por sua vez, com base nos argumentos citados, a


jurisprudência do STJ entende que diversas verbas não estão
sujeitas a incidência do IR, pois não constituem acréscimos
patrimoniais ou riqueza nova, a saber:

• O pagamento de férias não gozadas por tempo de serviço


(súmula 125): natureza jurídica de indenização, constituindo
mera reparação do dano econômico sofrido;
• O pagamento de licença-prêmio não gozada por tempo de
serviço (súmula 136): caráter indenizatório, constituindo mera
compensação do dano econômico sofrido;

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• A indenização recebida pela adesão a programa e incentivo à
demissão voluntária (súmula 215): indenização, de natureza
reparatória;
• As indenizações de férias proporcionais e o respectivo adicional
(súmula 386): caráter de indenização e não têm origem em
capital ou trabalho as férias não gozadas;
• Quantia recebida em virtude de indenização definida em
convenção coletiva de trabalho e de indenização recebida por
causa de rompimento de contrato de trabalho sem motivo, se
ocorrida durante a vigência da estabilidade temporária no
emprego. Entretanto, se, na dispensa sem justa causa, o
empregador pagar a indenização espontaneamente, por
liberalidade sua, sobre esse valor incide o IR (EREsp
769.118/SP);
• Valores recebidos pelo contribuinte a título de juros de mora
(juros cobrados por causa de atraso no pagamento) a partir da
vigência do Código Civil de 2002;
• Lucro imobiliário da venda de imóvel recebido por herança: a
Portaria 80 do Ministério da Fazenda é ilegal e o Decreto-lei
94/1966, que autorizava a cobrança do IR sobre a venda de
imóveis herdados, foi revogado;
• Lucro inflacionário acumulado pelas empresas: constitui apenas
uma correção; O IR deve incidir no caso do lucro real, que é o
resultado da atividade econômica que servirá de base para a
cobrança do IR e da contribuição social sobre o lucro líquido;
• Valores recebidos por meio de bolsas do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): os resultados
da atividade (estudo ou pesquisa) não representam vantagem
ao doador (CNPq), tampouco exigem uma contraprestação de
serviços; Todavia, incide IR sobre valores recebidos por meio
de bolsas de estudos quando o beneficiado tem vínculo
empregatício com o órgão concedente, porque, neste caso, a
verba recebida a título de bolsa de estudos é o salário do
servidor, já que ele permaneceu com seu vínculo empregatício,
apenas substituindo suas atividades laborais pelas acadêmicas;
• Verba percebida a título de dano moral: indenização, cujo
objetivo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de
seus parentes, causados pela lesão de direito (REsp
686.920/MS; AgRg no Ag 1021368/RS; REsp 865.693/RS);
• Ausências permitidas por interesse particular (APIP's) ou
abono-assiduidade não gozados, convertidos em pecúnia (Pet
6.243/SP);
• Auxílio condução: compensação pelo desgaste do patrimônio
dos servidores, que utilizam-se de veículos próprios para o
exercício da sua atividade profissional, inexistindo acréscimo
patrimonial, mas uma mera recomposição ao estado anterior

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sem o incremento líquido necessário à qualificação de renda
(REsp 825.907/RS; REsp 639.635/RS; REsp 731883/RS).

Por outro lado, incide IR sobre:

• O resultado das aplicações financeiras realizadas pelas


cooperativas (Súmula 262): as aplicações financeiras não são
atos cooperativos e seu resultado deve ser levado à conta
para a incidência de IR;
• Pagamento de horas extraordinárias, ainda que em virtude de
acordo coletivo: natureza remuneratória e de caracterizar
acréscimo patrimonial: (EREsp 666.288/RN; AgRg no REsp
933.117/RN; REsp 904.057/RN). Assim, por exemplo, a verba
intitulada indenização por horas trabalhadas (IHT) paga aos
funcionários da Petrobrás (EREsp 939.974/RN; EREsp
979.765/SE; EREsp 666.288/RN);
• Verbas concedidas ao empregado por mera liberalidade do
empregador quando da rescisão unilateral de seu contrato de
trabalho: acréscimo patrimonial e não possuem caráter
indenizatório (EREsp 769.118/SP; REsp n.º 706.817⁄RJ; EAg
586.583/RJ);
• Parcela que o administrador ou os empregados de uma
empresa recebem a título de participação nos resultados do
empreendimento, uma vez que a isenção prevista no artigo
10 da Lei n. 9.249/95 aplica-se apenas à participação
nos lucros ou dividendos distribuídos aos sócios, e não ao
administrador;
• Quantias pagas a plano de previdência privada pelas entidades
empregadoras (valores originados de verbas das empregadoras
que não decorrem de contribuições dos próprios beneficiários
do plano, os empregados), pois estes valores devem ser
tributados, inclusive, quando se referem à migração de um
plano de benefício para outro;
• Lucros cessantes: significa o valor que a pessoa deixou de
auferir e o que razoavelmente deixou de ganhar em
determinada situação. Por exemplo, um taxista foi atropelado
por um motorista imprudente que invadiu a calçada. O taxista
entre com uma ação na justiça pedindo a reparação dos
prejuízos pelos dias não trabalhados (lucro cessante);
• Gratificação de produtividade; décimo terceiro salário; adicional
noturno; férias gozadas e respectivos adicionais;
complementação temporária de proventos; verbas recebidas a
título de renúncia à estabilidade provisória decorrente de
gravidez e renuncia à estabilidade sindical; “indenização
especial”, em reconhecimento por relevantes serviços prestados
à empresa (RESP 1.111.223/SP, AgRg nos EREsp 916.304/SP);

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• Valores recebidos em virtude de decisão judicial que
determinou a reintegração de trabalhador despedido
injustamente (REsp 1.142.177, julgamento em 09/08/2010):
tais verbas são percebidas a título de salários vencidos, como
se o empregado estivesse no pleno exercício de seu vínculo
empregatício, com carater remuneratório. Contudo, entendendo
o Poder Judiciário ser a reintegração do empregado inviável, os
valores a serem percebidos pelo empregado têm natureza
indenizatória, não incidindo IR.

Ademais, ressaltamos que a tributação do IR independe da


denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização,
condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens
produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou
proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do
contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (art. 3°, §4°, Lei
7.713/88).

2.3.2 ASPECTO TEMPORAL

O fato gerador do IR é classificado por parte da doutrina como


fato gerador periódico, eis que acontece ao longo de um período
de tempo, que, segundo a legislação do IR pessoa física (IRPF), é de
1° de janeiro até 31 de dezembro do mesmo ano.

O fato gerador periódico é denominado pelo Amílcar Falcão de


Araújo de fato gerador “complexivo”. Desta maneira, o fato gerador
do IRPF completa o seu círculo de formação e se caracteriza no
último momento do dia 31 de Dezembro de cada ano (ou exercício),
segundo interpretação do STF, o que serve para fixar as balizas do
princípio da irretroatividade.

Assim, nova lei publicada até 31 de Dezembro aumentando o


IR, pode já ser aplicada no dia 1° de janeiro do ano posterior. É o que
diz a súmula 584, ainda aceita pelo STF: “Ao imposto de renda
calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente
no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”.

Com efeito, Amílcar Falcão de Araújo também distingue o fato


gerador em simples e complexo.

O fato gerador do IR é complexo, pois a incidência do IR


compreende um conjunto de fatos considerados como um
todo. Ou como diz Ricardo Lobo Torres: “fato gerador complexo é o
que abrange inúmeros fatos, atos ou situações jurídicas da mesma
espécie”.

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(Juiz Federal da 4° Região/2008) O termo “complexivo”, utilizado


em relação ao imposto de renda, guarda pertinência com a
complexidade do ato administrativo, que, na espécie tributária, fica a
depender de mais de uma esfera decisória. É errada.

Já o fato gerador simples é o que se constitui com um fato


isolado. Por exemplo, no ICMS, com a saída da mercadoria do
estabelecimento empresarial ocorre o fato gerador.

Ademais, no IR pessoa jurídica (IRPJ), a legislação também


estabelece o período de apuração trimestral, que é encerrado nos
dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de
cada ano-calendário. Por sua vez, pode a pessoa jurídica que optar
pela tributação com base no lucro real adotar o período anual, que é
encerrado em 31 de dezembro de cada ano-calendário.

2.3.3 ASPECTO ESPACIAL

O IR adota o postulado da tributação em base global ou em


bases universais, o que expressa a incidência do IR sobre a
universalidade dos rendimentos, ganhos de capital e lucros no
território nacional até mesmo por pessoa residente ou domiciliada no
estrangeiro ou no território estrangeiro por pessoa residente ou
domiciliado no Brasil.

Assim, no caso de receita ou de rendimento oriundos do


exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará
sua disponibilidade, para fins de incidência do IR (art. 43, § 2°, do
CTN).

De tal modo, verificamos que o IR pode incidir na hipótese de


receita ou de rendimento oriundos do exterior (território estrangeiro).
Assim sendo, o IR pode incidir na hipótese de disponibilidade de
renda ou proventos percebidos no exterior, por residentes e
domiciliados no nosso território.

Por outro lado, no caso de rendimentos adquiridos no Brasil,


decorrentes de atividades situadas no exterior, mesmo que sejam
percebidos por residentes e domiciliados no exterior, também
poderão ser tributados no Brasil. Isto é, as pessoas não-residentes no
Brasil podem ser tributadas, apenas sobre a renda gerada dentro do
território brasileiro (princípio da territorialidade).

Nesse rumo, em face do princípio da universalidade, a


extraterritorialidade na tributação do IR independe da existência

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de tratado ou acordo internacional. Todavia, não se admite atos
concretos de cobrança em território estrangeiro, sob pena de ofensa
a soberania estatal.

Registramos também o inc. VII, do art. 55, do Decreto


3.000/1999 (RIR), estabelecendo que são tributáveis os rendimentos
recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes
de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior.

Todavia, o imposto pago no exterior pode ser deduzido, eis


que as pessoas físicas, residentes ou domiciliadas no território
nacional, que declararem rendimentos provenientes de fontes
situadas no exterior poderão subtrair o valor já cobrado pela nação
de origem, desde que (i) em conformidade com o previsto em acordo
ou convenção internacional firmado com o país de origem dos
rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado
naquele país; ou (ii) haja reciprocidade de tratamento em relação
aos rendimentos produzidos no Brasil.

Esta dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto


calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido
sem a inclusão dos mesmos rendimentos (art. 103, caput e §1°, do
Decreto 3.000/99).

2.3.4 ASPECTO PESSOAL

O sujeito ativo do IR é a União.

Todavia, destacamos a súmula 447 do STJ: “Os Estados e o


Distrito Federal (DF) são partes legítimas na ação de restituição de
imposto de renda (IR) retido na fonte proposta por seus servidores”.

Portanto, podemos concluir que os Estados e o DF são partes


legítimas para figurar no pólo passivo das ações propostas por
servidores públicos estaduais que visam o reconhecimento do direito
à isenção ou à repetição do indébito relativo ao IR retido na fonte. O
fundamento jurídico para que a União não possua legitimidade
passiva nestas hipóteses é o art. 157, I, da CF, que dispõe que o
produto da arrecadação deste tributo pertence aos Estados e ao DF.

Tal entendimento também se estende aos Municípios, por força


do art. 158, I, da CF.

No que se refere ao contribuinte do IR, é o titular da


disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de
qualquer natureza, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao

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possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos
proventos tributáveis. A lei também pode atribuir à fonte pagadora da
renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo
imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.

Noutro ponto, registramos a interpretação do STF em relação


ao art. 35 da Lei 7.713/88, que estabelece: “O sócio quotista, o
acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de
renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no
lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do
encerramento do período-base”.

O STF afirma que é “indevida a exigência do IR sobre o lucro


líquido instituída pelo art. 35 da Lei nº 7.713/88, quando inexistir no
contrato social cláusula de sua automática distribuição no
encerramento do período-base” (RE nº 172.058/SC, DJ 30/06/95).

Em outras palavras, o STF entende que não há que se falar em


disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos (art. 45
do CTN) do acionista mediante a simples apuração do lucro líquido,
pois, por exemplo, em sociedades anônimas (S/A), a distribuição dos
lucros depende, sobretudo, da manifestação em assembléia geral.

Portanto, no que se refere ao sócio quotista e ao titular da


empresa individual, o art. 35, da Lei 7.713/88, não é, em abstrato,
inconstitucional (constitucionalidade formal), podendo sê-lo, em
concreto, dependendo do que estiver disposto no contrato
(inconstitucionalidade material), de acordo também com o RE nº
204.886 (DJ 28/02/97).

Assim, recentemente, o STF confirmou tal orientação no sentido


de que “há constitucionalidade das expressões ‘o titular de empresa
individual’ e ‘o sócio cotista’, exceto, no tocante a esta última,
quando, segundo o contrato social, a destinação do lucro
líquido a outra finalidade que não a de distribuição não
dependa do assentimento de cada sócio” (RE 591.518-AgR, DJE
de 24/10/2008).

Ademais, segundo a antiga súmula 184 o STJ, a microempresa


de representação comercial é isenta do IR (Súmula 184), afirmando
que “não tendo a lei incluído a representação comercial entre as
atividades sujeitas ao IR, padece de ilegalidade o ato administrativo
declaratório que a equipara à corretagem, para efeito da tributação”.

2.3.5 ASPECTO QUANTITATIVO

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A base de cálculo do IR, de forma geral, considera-se o
montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos
tributáveis (art. 44, do CTN).

No que tange especificadamente ao imposto de renda da


pessoa física (IRPF), a base de cálculo é o seu rendimento
bruto, que é todo o produto do capital, do trabalho ou da
combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em
dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também
entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos
rendimentos declarados (art. 3°, §1°, da Lei 7.713/88).

Integra o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado


da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de
bens ou direitos de qualquer natureza, considerando-se como ganho
a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e
o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente (art. 3°,
§2°, da Lei 7.713/88).

Na apuração do ganho de capital serão consideradas as


operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou
direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição,
tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação,
desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa
própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou
promessa de cessão de direitos e contratos afins (art. 3°, §3°, da Lei
7.713/88).

No entanto, são permitidas algumas limitadas deduções (gastos


e despesas autorizados pela legislação), tais como gastos com planos
de saúde, despesas com educação do contribuinte e de seus
dependentes etc.

Em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), a


base de cálculo pode ser o lucro real ou lucro presumido,
ordinariamente, e, excepcionalmente, o lucro arbitrado.

O lucro real é apurado com base em contabilidade rigorosa e


bem formal, resultando da diferença entre a receita bruta menos as
despesas operacionais. O lucro real não se confunde com o lucro
líquido, que precede a determinação do lucro real. Alcançado o lucro
líquido, realizam-se exclusões, compensações e adições determinadas
em lei para a apuração do lucro real.

A lei obriga determinadas pessoas jurídicas a utilizarem como


base de cálculo o lucro real e afirma que é opcional para outras

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empresas. Por exemplo, estão obrigadas à apuração do lucro real as
pessoas jurídicas cujas atividades sejam de bancos comerciais,
bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas
econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento,
sociedades de crédito imobiliário, dentre outras.

O lucro presumido é base de cálculo opcional para as


empresas que não estão obrigadas legalmente à utilização do lucro
real. O lucro presumido é feito por estimativa.

Decerto, a lei fixa o lucro presumido com base na aplicação de


determinada percentagem sobre a receita bruta da pessoa jurídica.
Por exemplo, a percentagem de 8% para a prestação de serviços de
transporte de carga ou de 32% para a prestação de serviços em
geral, exceto a de serviços hospitalares.

Nesse rumo, segundo o STJ, os laboratórios de análises clínicas,


prestadoras de serviços de diagnósticos médicos e clínicas de
oftalmologia não têm direito à redução do percentual de 32% para
8% para recolhimento do IR, pois a alíquota reduzida é direito
apenas das instituições que prestam serviços hospitalares,
envolvendo, por exemplo, a internação de pacientes. De acordo
com o STJ, os laboratórios e as clínicas oftalmológicas estão inseridos
na categoria de serviços médicos, diferentes dos hospitalares, pois
não incluem a internação de pacientes. Destacamos, assim, que na
hipótese dos laboratórios de diagnóstico médico, estes devem provar
que realizam a internação de pacientes para tratamento de saúde,
com oferta de todos os procedimentos exigidos para, assim, poderem
recolher o IR com a alíquota menor.

O lucro arbitrado é base de cálculo excepcional, uma vez que


decorre da impossibilidade de se apurar o lucro pelo critério do lucro
real ou lucro presumido.

A utilização pelo fisco do lucro arbitrado ocorre em virtude do


sujeito passivo (contribuinte ou responsável tributário) não cumprir
com as suas obrigações tributárias acessórias ou deveres
instrumentais, tais como elaboração das demonstrações financeiras
exigidas legalmente, apresentação dos livros fiscais ou do sistema de
escrituração contábil estabelecido na lei etc.

Por sua vez, registramos a decisão do STJ (REsp


1.168.038/SP), em rito de recurso repetitivo, no sentido de que os
“depósitos judiciais utilizados para suspender a exigibilidade do
crédito tributário consistem em ingressos tributários, sujeitos à sorte
da demanda judicial, e não em receitas tributárias, de modo que

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não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ até o trânsito
em julgado da demanda”.

Ademais, as alíquotas do IR são previstas na lei ordinária


federal, devendo obedecer à progressividade prevista no art. 153,
§2°, I, da CF. Vejamos a tabela progressiva para o cálculo mensal do
IR a partir do exercício de 2011, ano-calendário de 2010.

Base de cálculo mensal em Alíquota Parcela a deduzir do imposto em


R$ % R$
Até 1.499,15 - -
De 1.499,16 até 2.246,75 7,5 112,43
De 2.246,76 até 2.995,70 15,0 280,94
De 2.995,71 até 3.743,19 22,5 505,62
Acima de 3.743,19 27,5 692,78

Noutro ponto, registramos que o STJ compreende de forma


predominante que no cálculo do IR incidente sobre rendimentos
pagos acumuladamente, “devem ser levadas em consideração as
tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais
rendimentos” e não o montante global auferido (REsp
901.945⁄PR, DJ 16⁄08⁄2007, AgRg no REsp 641.531⁄SC, DJe
21⁄11⁄2008).

De mais a mais, o STJ também compreende que não é


possível a isenção de IR a aposentados portadores de outras
doenças graves e incuráveis, que não as elencadas no artigo 6º,
inciso XIV, da Lei n. 7.713/88 (REsp 1.116.620, julgamento em
09/08/2010). Em outras palavras, as isenções devem ser
interpretadas literalmente e descabe a extensão do benefício
isencional à situação que não se enquadre expressamente no texto
da lei. Portanto, a isenção, com base em outra moléstia, não
relacionada na Lei n. 7.713/88, é ilegal, mesmo sendo o caso de
moléstia incapacitante, tal como a distonia cervical.

Apenas para registrarmos o inc. XIV, do art. 6°, da Lei n.


7.713/88, estabelece que são isentos do IR os seguintes rendimentos
percebidos por pessoas físicas: proventos de aposentadoria ou
reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos
portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação
mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase,
paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
hepatopatia grave, estados Leiimunodeficiência adquirida, com base
em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha

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sido contraída depois da aposentadoria ou reforma.

2.3.6 INFORMATIVO 540 DO STF

O informativo 540 do STF trouxe importante decisão sobre o IR


para futuros concursos públicos (RE 344.994, DJE de 28-8-2009),
que foi reiteradamente adotada em outras decisões (AI 479.672-AgR,
DJE de 21-5-2010; RE 545.308, DJE de 26-3-2010).

Em resumo, o STF afirmou o seguinte:

• É valida a limitação da compensação tributária incidente sobre o


lucro real, bem como da limitação da compensação para
determinação da base de cálculo da contribuição social, prevista
na Lei 8.981/95;
• Aplica-se ao IR a lei vigente na data do encerramento do
exercício fiscal (ano-base);
• O conceito de lucro é o que a lei define e não necessariamente
o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas;
• O favor ou benefício fiscal se limita às condições fixadas em lei,
a qual definirá se o favor será calculado sobre a totalidade, ou
não, do lucro líquido. Portanto, até que encerrado o exercício
fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador
do imposto de renda, o contribuinte possui mera expectativa de
direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela
legislação que regia os exercícios anteriores.
• O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em
exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor
do contribuinte, sendo instrumento de política tributária que
pode ser revista pelo Estado, o que significa ausência de direito
adquirido;
• A Lei 8.981/1995 não incide sobre fatos geradores ocorridos
antes do início de sua vigência, portanto prejuízos ocorridos em
exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum.

2.3.7 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: aquisição da disponibilidade econômica ou


jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Aspecto
temporal: IPRF: em regra, no último momento do dia 31 de
Dezembro de cada ano-calendário; IPPJ: em regra, no último
momento dos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31
de dezembro de cada ano-calendário.
Aspecto espacial: Território nacional (renda percebida no País) ou
o território estrangeiro, desde que, neste último caso, a pessoa seja
residente ou domiciliada no Brasil.

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Aspecto pessoal: Sujeito ativo: União; Sujeito Passivo
(contribuinte): titular da disponibilidade econômica ou jurídica de
renda ou proventos de qualquer natureza, sem prejuízo de atribuir a
lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens
produtores de renda ou dos proventos tributáveis.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: montante, real, arbitrado
ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Alíquota: é a
fixada na legislação federal.

1. (ESAF/AFRFB/2002) Relativamente ao imposto de renda,


assinale a afirmação correta.
a) A Constituição determina que o imposto de renda seja
informado pelo critério de que aquele que ganhe mais deverá
pagar de imposto uma proporção maior do que aquele que
ganhe menos.
b) A renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no
País por residentes ou domiciliados no exterior ou a eles
equiparados não estão sujeitos ao imposto em razão do
princípio da extraterritorialidade.
c) No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de
alimentos ou pensões em cumprimento de acordo homologado
judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos
provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil
do alimentado, não há incidência do imposto.
d) Em razão do princípio da universalidade da tributação, a
ajuda de custo destinada a atender às despesas com
transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares,
em caso de remoção de um município para outro, está sujeita
ao imposto.
e) A tributação dos rendimentos recebidos por residentes ou
domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas,
repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas não
está sujeita à legislação brasileira, por força da Convenção de
Viena sobre Relações Diplomáticas.

A primeira questão é a letra “a”, pois de acordo com o critério


da progressividade aquele que ganhe mais deverá pagar de IR uma
proporção maior do que aquele que ganhe menos.

A letra “b” é incorreta, uma vez que a renda e os proventos de


qualquer natureza percebidos no País por residentes ou domiciliados
no exterior ou a eles equiparados estão sujeitos ao IR.

A letra “c” é incorreta, uma vez que a capacidade tributária


passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais (art. 126,
inc. I, do CTN), isto é, o fato da incapacidade civil do alimentado não
impede a tributação.

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A letra “d” é incorreta, pois a ajuda de custo destinada a


atender às despesas com transporte, frete e locomoção do
beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município
para outro, não está sujeita ao IR, sendo considerada indenização
não tributável pelo IR. E o princípio da universalidade dispõe que os
acréscimos patrimoniais de todas as espécies e gêneros,
independentemente da denominação, localização, condição jurídica,
nacionalidade da fonte ou origem estão sujeitos a incidência do IR,
salvo os excluídos pelas próprias normas jurídicas (imunidade e
isenção). Entretanto, no caso da questão discutida, tal tipo de ajuda
de custo não pode nem ser considerado acréscimo patrimonial.

A letra “e” é incorreta igualmente, pois a tributação dos


rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil
que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões
diplomáticas ou técnicas está sujeita às leis brasileiras.

2. (ESAF/Auditor do TCE/PR/2003) Em relação ao imposto


sobre a renda e proventos de qualquer natureza, é incorreto
afirmar que, nos termos do Código Tributário Nacional:
a) A incidência do imposto independe da denominação da
receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou
nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.
b) Na hipótese de receitas ou rendimentos tributáveis,
oriundos do exterior, é facultado ao Poder Executivo
estabelecer, mediante decreto, as condições e o momento em
que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do
imposto.
c) A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado
ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.
d) Contribuinte do imposto é o titular de disponibilidade
econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer
natureza, sem prejuízo de a lei atribuir essa condição ao
possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou
dos proventos tributáveis.
e) A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos
proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto
cuja retenção e recolhimento lhe caibam.

A segunda questão é letra “b”, pois na hipótese de receitas ou


rendimentos tributáveis, oriundos do exterior, não é facultado ao
Poder Executivo estabelecer, mediante decreto, as condições e o
momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência
do imposto, mas sim a lei é que estabelecerá as condições e o
momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência
do IR (art. 43, §2º, do CTN).
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A letra “a” é correta, eis que a incidência do IR independe da


denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição
jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de
percepção (art. 43, §1º, do CTN).

A letra “c” é correta, eis que a base de cálculo do IR é o


montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos
tributáveis (art. 44, do CTN).

A letra “d” é correta, eis que a o contribuinte do IR é o titular


de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de
qualquer natureza, sem prejuízo de a lei atribuir essa condição ao
possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos
proventos tributáveis (art. 45, do CTN).

A letra “e” é correta, eis que a lei pode atribuir à fonte


pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de
responsável pelo IR cuja retenção e recolhimento lhe caibam (art. 45,
parágrafo único, do CTN).

3. (ESAF/TRF/2003/adaptada) Assinale a opção correta.


a) Em atendimento às normas constitucionais relativas aos
impostos de competência da União, para fins de incidência do
imposto de renda, devem ser deduzidos da renda recebida
todos os valores pagos, necessários à sua percepção,
atendendo-se, assim, o princípio da não-cumulatividade.
b) O critério da progressividade do imposto de renda está
sintonizado com a capacidade econômica do contribuinte e
observa o caráter pessoal previsto na Constituição.
c) O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza,
de competência da União, deve ser informado pelos critérios
da progressividade e da especialidade.
d) O Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza
não pode incidir sobre receita ou rendimento oriundo do
exterior, cabendo à lei estabelecer as condições e o momento
em que se dará sua disponibilidade
e) O fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição, de
fonte situada no Brasil, da disponibilidade econômica ou
jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza.

A terceira questão é letra “b”.

A letra “a” é incorreta, uma vez que o IR não tem qualquer


relação com o princípio da não-cumulatividade.

A letra “c” é incorreta, uma vez que o imposto sobre a renda e

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proventos de qualquer natureza, de competência da União, deve ser
informado pelos critérios da progressividade, generalidade e
universalidade, mas não pelo critério da especialidade.

A letra “d” é incorreta, uma vez que o imposto sobre a renda e


proventos de qualquer natureza pode incidir sobre receita ou
rendimento oriundo do exterior, cabendo à lei estabelecer as
condições e o momento em que se dará sua disponibilidade (art. 43,
§2º, do CTN).

A letra “e” é incorreta, pois restringe o aspecto espacial de


incidência do IR, afirmando que só pode ser de fonte no Brasil.

4. (ESAF/TRF/2002.1) A base de cálculo do imposto,


correspondente ao período de apuração, é determinada
segundo a lei vigente na data da ocorrência do fato gerador,
pelo:
a) lucro real; lucro diferido; lucro determinado.
b) lucro real; lucro presumido; lucro efetivo.
c) lucro real; lucro diferido; lucro efetivo.
d) lucro real; lucro presumido; lucro arbitrado.
e) lucro real; lucro presumido; lucro diferido.

A quarta questão é letra “d” (lucro real, lucro presumido e


lucro arbitrado).

5. (ESAF/TRF/2000/adaptada) Quando o contribuinte não


mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, a
que estiver obrigado, e deixar de elaborar as demonstrações
financeiras exigidas pela legislação fiscal, será ele tributado
obrigatoriamente pelo lucro _______________. A lacuna
acima é corretamente preenchida, respectivamente, com a
seguinte expressão:
a) real.
b) arbitrado.
c) presumido.
d) apurado.
e) real.

A quinta questão é letra “b”. Quando o contribuinte não


mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, a que
estiver obrigado, e deixar de elaborar as demonstrações financeiras
exigidas pela legislação fiscal, será ele tributado obrigatoriamente
pelo lucro arbitrado.

6, 7, e 8. (ESAF/TRF/2000) Para a resposta às questões 6, 7 e


8, correlacione cada uma das letras da coluna da esquerda

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com o número que melhor lhe corresponda na coluna da
direita.

v) 1. Imunidade
Progressividade. revogada.
w) Fato 2. Rendimentos
gerador. tributáveis menos
deduções e
abatimento por
dependente.
x) Proventos de 3. Aquisição de
aposentadoria disponibilidade de
de idoso. acréscimo patrimonial.
y) Base de 4. Banco comercial.
cálculo.
z) Obrigado a 5. Critério
tributar-se pelo constitucional de
lucro real. observância
obrigatória para o
legislador do imposto
de renda.

6. É correta a seguinte correlação:


a) v1
b) v2
c) v3
d) v5
e) v4

7. É correta a seguinte correlação:


a) x5
b) x2
c) x3
d) x4
e) x1

8. É correta a seguinte correlação:


a) z1
b) z2
c) z4
d) z3
e) z5

A sexta questão é letra “d”. A progressividade é critério


constitucional de observância obrigatória para o legislador do imposto
de renda.

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A sétima questão é letra “e”. Os proventos de aposentadoria
de idoso e a imunidade revogada têm correlação, pois, com o
advento da EC 20/98, foi revogada a imunidade de proventos de
aposentadoria e pensão de idoso, que era considerado pessoa
com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total fosse
constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho.

A oitava questão é letra “c”. Como já estudado, o banco


comercial é obrigado à utilização da apuração do IR pelo lucro real.

9. (ESAF/TRF/2002.2/adaptada) Entre as formas de tributação


pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica previstas na legislação,
não se inclui:
a) a tributação pelo lucro presumido.
b) a tributação pelo lucro arbitrado.
c) a tributação pelo lucro bruto.
d) a tributação pelo lucro real.

A nona questão é letra “c”, pois entre as formas de tributação


pelo imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) previstas na legislação,
não se inclui a tributação pelo lucro bruto, mas apenas pelo lucro
real, lucro presumido e lucro arbitrado.

No imposto de renda da pessoa física (IRPF) é que a base de


cálculo é o seu rendimento bruto e não o lucro bruto.

10. (ESAF/TRF/2003/adaptada) Assinale as proposições


abaixo com F para falsa ou V para verdadeira e, a seguir,
indique a opção que contém a seqüência correta.
( ) O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza,
de competência da União, deve ser informado pelos critérios
da progressividade e da especialidade.
( ) São contribuintes do imposto de renda todas as pessoas
jurídicas domiciliadas no País, sejam quais forem seus fins,
nacionalidade ou participantes no capital.
( ) A fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis
pode ser contribuinte do imposto sobre as importâncias que a
esse título pagar, desde que a lei assim o determine.
( ) De acordo com a legislação em vigor, são formas de
tributação pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, a
tributação pelo lucro real, a tributação pelo lucro presumido e
a tributação pelo lucro arbitrado, podendo o contribuinte
livremente optar por uma das duas primeiras, sendo a
tributação pelo lucro arbitrado privativa do fisco.
a) V, V, F, F.
b) F, F, F, F.
c) V, F, F, F.
d) V, V, V, F.
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e) F, V, V, F.

A décima é letra “b”. Todos os itens estão incorretos.

O primeiro item é incorreto, porque o IR não é informado pelo


critério da especialidade.

O segundo item é incorreto, porque não são contribuintes do


imposto de renda todas as pessoas jurídicas domiciliadas no País,
uma vez que diversas pessoas jurídicas são isentas ou imunes ao IR,
tais como as pessoas jurídicas de direito público (imunidade tributária
recíproca).

O terceiro item é incorreto, porque a fonte pagadora da renda


ou dos proventos tributáveis é responsável tributária e não
contribuinte do imposto sobre as importâncias que a esse título
pagar, desde que a lei assim o determine.

O quarto item é incorreto, porque as pessoas jurídicas não


podem livremente optar pelo lucro real ou presumido, pois a lei
obriga determinadas pessoas jurídicas a utilizarem como base de
cálculo o lucro real e afirma que é opcional para outras pessoas
jurídicas, podendo estas últimas utilizar como base de cálculo o lucro
presumido.

2.4 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)

As normas jurídicas infraconstitucionais que dispõem


especificadamente sobre o imposto sobre produtos industrializados
(IPI) são: os arts. 46 a 51 do CTN, a Lei 4.502/1964 e o Decreto
7.212/2010 (Regulamento do IPI).

De início, é importante dissertarmos que a CF/88 (art. 153, §


3º) estabelece que o IPI será seletivo, não-cumulativo, não incidirá
sobre produtos industrializados destinados ao exterior e terá reduzido
seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do
imposto (na forma da lei).

Assim, o IPI será seletivo, em função da essencialidade do


produto. Por conseguinte, a CF dispõe que o IPI será seletivo (é
obrigatório) e não que o IPI poderá ser seletivo (facultativo), tal
como o ICMS.

Segundo apropriada definição da ESAF, a seletividade quer


dizer discriminação ou sistema de alíquotas diferenciadas por

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espécies de mercadorias. A seletividade é dirigida ao legislador
ordinário, recomendando- lhe que estabeleça as alíquotas em razão
inversa da imprescindibilidade das mercadorias de consumo
generalizado. Assim, quanto mais sejam os produtos necessários à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem ser as
alíquotas.

Simplificando, pode-se dizer que a seletividade do IPI impõe


que as suas alíquotas sejam estabelecidas conforme a essencialidade
do produto industrializado. Portanto, as alíquotas devem ser maiores
para os produtos supérfluos (exs.: caviar, cigarro etc.) e menores
para os produtos considerados essenciais (ex.: produtos da cesta
básica).

Por sua vez, o IPI será não-cumulativo, compensando-se o


que for devido em cada operação com o montante cobrado nas
anteriores.

A compensação, neste caso, não significa forma de extinção do


crédito tributário estabelecido nos arts. 156, inc. II, e 170 do CTN
(assunto de aula futura), mas sim dedução do tributo já cobrado na
cadeia produtiva.

Desse modo, o IPI é não-cumulativo, dispondo a lei de forma


que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado
período, entre o imposto referente aos produtos saídos do
estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados.

Ressaltamos que o saldo verificado, em determinado período,


em favor do contribuinte transfere-se para o período ou períodos
seguintes (art. 49 do CTN).

Veja o seguinte exemplo da doutrina: “Imagine uma ‘Indústria


1’ que venda uma chapa de aço pelo valor de R$ 1.000,00 (mil reais),
acrescido de IPI calculado pela alíquota de 10%, ou seja, R$ 100,00
(cem reais = 10% do valor da operação). O valor total da venda foi
de R$ 1.100,00 (mil e cem reais). A ‘Indústria 2’, adquirente desta
chapa, credita-se do valor de IPI recolhido pela ‘Indústria 1’, que foi
de R$ 100,00 (cem reais). Imagine agora que a ‘Indústria 2’,
transforme a chapa em uma caldeira (industrialização) e venda-a por
R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) e que o IPI incidente nesta
operação seja de 10%. O tributo devido pela venda da caldeira seria
de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais). No entanto, como a
‘Indústria 2’ creditou-se no valor de R$ 100,00 (cem reais), o IPI a
ser pago pela ‘Indústria 2’ é de R$ 50,00 (cinquenta reais). Neste

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exemplo, simplificado, verificamos que o IPI a ser recolhido para
União é de R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) – R$ 100,00 cobrado
da ‘Indústria 1’e R$ 50,00 cobrado da ‘Indústria 2’, o que
corresponde exatamente a 10% do valor da venda do produto final,
que foi de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais)”.

Neste sentido, a não-cumulatividade se refere a uma técnica de


tributação que busca evitar a cobrança do imposto em “cascata”,
funcionando mediante o sistema de créditos e débitos. Isto é,
compensa-se o valor devido em cada operação de industrialização
com o valor cobrado na operação de industrialização anterior.

Por outro lado, o IPI não incidirá sobre produtos


industrializados destinados ao exterior (imunidade tributária).
Destacamos que a imunidade ou isenção tributária do comprador não
se estende ao produtor, contribuinte do IPI, nos termos da súmula
591 do STF.

Por fim, o IPI terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de


bens de capital pelo contribuinte do imposto (na forma da lei).

Incentivar a aquisição de bens de capital significa estimular o


desenvolvimento econômico do país. Os bens de capital visam a
produção de outros bens ou serviços. Por exemplo, máquinas e
equipamentos industriais. Ou a produção de ônibus para transporte
coletivo urbano que deve ser incentivada com a redução do IPI. Da
mesma forma, os carros de taxi etc. Outro exemplo que pode
ser dado são os hardware e os software produzidos por empresas de
tecnologia de informação, tal como a Intel ou Microsoft.

De mais a mais, o lançamento do IPI é por homologação e o


CTN estabelece também que os produtos sujeitos ao imposto, quando
remetidos de um para outro Estado, ou do Estado para o Distrito
Federal, serão acompanhados de nota fiscal de modelo especial,
emitida em séries próprias e contendo, além dos elementos
necessários ao controle fiscal, os dados indispensáveis à elaboração
da estatística do comércio por cabotagem e demais vias internas (art.
50).

2.4.1 ASPECTO MATERIAL

O IPI tem como fato gerador (aspecto temporal geral):

• O seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência


estrangeira;

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• A saída do produto do estabelecimento industrial, ou
equiparado a industrial, quando for de produção nacional;
• A sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e
levado a leilão (art. 46, I a III, CTN).

Sobre tal dispositivo, afirmamos que o núcleo do fato gerador


(aspecto material) do IPI é:

• Importar produtos industrializados do exterior (art. 46, I, CTN):


ou seja, na hipótese, em regra, o IPI incide sobre o produto
industrializado importado;
• Promover operações com produtos industrializados (art. 46, II,
CTN): neste caso, como bem observa Tavares Paes: “o fato
gerador do IPI não é só a industrialização tout court
(simplesmente), mas também o consumo, pois se o produto for
produzido e se destruir, não saindo da fábrica, e.g., não há o
fato gerador”;
• Arrematar, em leilão, produtos industrializados apreendidos ou
abandonados (art. 46, III, CTN).

Nesse rumo, registramos que, atualmente, a hipótese de


incidência do IPI prevista no art. 46, III, “a sua arrematação, quando
apreendido ou abandonado e levado a leilão”, não encontra respaldo
ou concretização na Lei 4.502/64 e também no Decreto 7.212/2010.

Para os efeitos do IPI, considera-se industrializado o produto


que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a
natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo, sendo, em
regra, irrelevantes, para caracterizar a operação como
industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a
localização e condições das instalações ou equipamentos
empregados.

Isto é, podemos dizer que se caracteriza como industrialização


qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o
acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o
aperfeiçoe para consumo, tal como:

• A que, exercida sobre matérias-primas ou produtos


intermediários, importe na obtenção de espécie nova
(transformação): por exemplo, engarrafamento de
refrigerante ou água mineral;
• A que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma,
alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a
aparência do produto (beneficiamento): por exemplo,

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processo de gravação em CD virgem, ou reprodução de fita
gravada para o CD;
• A que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de
que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que
sob a mesma classificação fiscal (montagem): por exemplo,
montagem de aparelhos eletrônicos ou automóvel;
• A que importe em alterar a apresentação do produto, pela
colocação da embalagem, ainda que em substituição da
original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas
ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou
reacondicionamento): por exemplo, substituição de
embalagem original por embalagem promocional, objetivando a
revenda;
• A que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de
produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o
produto para utilização (renovação ou recondicionamento):
por exemplo, restauração de automóvel usado.

Com efeito, o produto industrializado é resultante de qualquer


destas operações citadas acima, mesmo incompleta, parcial ou
intermediária. Nesse rumo, observamos que o IPI incide sobre
produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as
especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre
Produtos Industrializados (TIPI).

Assim, o campo de incidência do IPI abrange todos os produtos


com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as
disposições contidas nas respectivas notas complementares,
excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não-tributado),
conforme dispõe o art. 2°, do Decreto 7.212/2010.

Noutro ponto, a lei exclui da incidência do IPI, não


considerando produto industrializado: (a) o conserto de máquinas,
aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; (b) o acondicionamento
destinado apenas ao transporte do produto; (c) o preparo de
medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias,
para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a
montagem de óculos, mediante receita médica; (d) a mistura de
tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda
do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista,
efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e
varejista não sejam empresas interdependentes, controladora,
controlada ou coligadas (art. 3º, parágrafo único, incs. I a IV, da Lei
4.502/64).

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Decerto, o art. 5o, do Decreto 7.212/2010, estatui que não se
considera industrialização:

• O preparo de produtos alimentares, não acondicionados em


embalagem de apresentação: (a) na residência do preparador
ou em restaurantes, bares, sorveterias, confeitarias, padarias,
quitandas e semelhantes, desde que os produtos se destinem a
venda direta a consumidor; ou (b) em cozinhas industriais,
quando destinados a venda direta a pessoas jurídicas e a outras
entidades, para consumo de seus funcionários, empregados ou
dirigentes;
• O preparo de refrigerantes, à base de extrato concentrado, por
meio de máquinas, automáticas ou não, em restaurantes, bares
e estabelecimentos similares, para venda direta a consumidor;
• A confecção ou preparo de produto de artesanato, proveniente
de trabalho manual realizado por pessoa natural, nas seguintes
condições: (a) quando o trabalho não contar com o auxílio ou a
participação de terceiros assalariados; e (b) quando o produto
for vendido a consumidor, diretamente ou por intermédio de
entidade de que o artesão faça parte ou seja assistido;
• A confecção de vestuário, por encomenda direta do consumidor
ou usuário, em oficina ou na residência do confeccionador,
desde que, no caso da oficina, empregue-se, no máximo, cinco
operários e, quando utilizar força motriz, não dispuser de
potência superior a cinco quilowatts;
• O preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou
usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que,
em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional,
atendidas as seguintes condições: (a) oficina empregue, no
máximo, cinco operários e, quando utilizar força motriz não
dispuser de potência superior a cinco quilowatts; e (b) trabalho
preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para
formação de seu valor, a título de mão de obra, no mínimo com
sessenta por cento;
• A manipulação em farmácia, para venda direta a consumidor,
de medicamentos oficinais e magistrais, mediante receita
médica;
• A moagem de café torrado, realizada por estabelecimento
comercial varejista como atividade acessória;
• A operação efetuada fora do estabelecimento industrial,
consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que
resulte: (a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares,
galpões e semelhantes, e suas coberturas); (b) instalação de
oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações
e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e
telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia

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elétrica e semelhantes; ou (c) fixação de unidades ou
complexos industriais ao solo; não exclui a incidência do
imposto sobre os produtos, partes ou peças utilizados nas
operações nele referidas
• A montagem de óculos, mediante receita médica;
• O acondicionamento de produtos classificados nos Capítulos 16
a 22 da TIPI (16. Preparações de carne, de peixes ou de
crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos;
17. Açúcares e produtos de confeitaria; 18. Cacau e suas
preparações; 19. Preparações à base de cereais, farinhas,
amidos, féculas ou de leite; produtos de pastelaria; 20.
Preparações de produtos hortícolas, de frutas ou de outras
partes de plantas; 21. Preparações alimentícias diversas; 22.
Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres), adquiridos de
terceiros, em embalagens confeccionadas sob a forma de
cestas de natal e semelhantes;
• O conserto, a restauração e o recondicionamento de produtos
usados, nos casos em que se destinem ao uso da própria
empresa executora ou quando essas operações sejam
executadas por encomenda de terceiros não estabelecidos com
o comércio de tais produtos, bem como o preparo, pelo
consertador, restaurador ou recondicionador, de partes ou
peças empregadas exclusiva e especificamente naquelas
operações;
• O reparo de produtos com defeito de fabricação, inclusive
mediante substituição de partes e peças, quando a operação for
executada gratuitamente, ainda que por concessionários ou
representantes, em virtude de garantia dada pelo fabricante;
• A restauração de sacos usados, executada por processo
rudimentar, ainda que com emprego de máquinas de costura;
• A mistura de tintas entre si, ou com concentrados de
pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário,
realizada em estabelecimento comercial varejista, efetuada por
máquina automática ou manual, desde que fabricante e
varejista não sejam empresas interdependentes, controladora,
controlada ou coligadas; e
• A operação de que resultem os produtos relacionados na
Subposição 2401.20 da TIPI (“tabaco total ou parcialmente
destalado”), quando exercida por produtor rural pessoa
física.

Decerto, não constituem fato gerador do IPI (art. 38 do


RIPI):

• O desembaraço aduaneiro de produto nacional que retorne ao


Brasil, nos seguintes casos: (a) quando enviado em

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consignação para o exterior e não vendido nos prazos
autorizados; (b) por defeito técnico que exija sua devolução,
para reparo ou substituição; (c) em virtude de modificações na
sistemática de importação do país importador; (d) por motivo
de guerra ou calamidade pública; e (e) por quaisquer outros
fatores alheios à vontade do exportador;
• As saídas de produtos subsequentes à primeira: (a) nos casos
de locação ou arrendamento, salvo se o produto tiver sido
submetido a nova industrialização; ou (b) quando se tratar de
bens do ativo permanente, industrializados ou importados pelo
próprio estabelecimento industrial ou equiparado a industrial,
destinados à execução de serviços pela própria firma
remetente;
• A saída de produtos incorporados ao ativo permanente, após
cinco anos de sua incorporação, pelo estabelecimento
industrial, ou equiparado a industrial, que os tenha
industrializado ou importado; ou
• A saída de produtos por motivo de mudança de endereço do
estabelecimento.

Ademais, o IPI é devido sejam quais forem as finalidades a que


se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou
de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502/64,
art. 2º, § 2º).

2.4.2 ASPECTO TEMPORAL

Considera-se ocorrido o fato gerador:

• Na entrega ao comprador, quanto aos produtos vendidos por


intermédio de ambulantes (Lei nº 4.502/64, art. 2º e art. 5º,
inciso I, alínea “a”);
• Na saída de armazém-geral ou outro depositário do
estabelecimento industrial ou equiparado a industrial
depositante, quanto aos produtos entregues diretamente a
outro estabelecimento (Lei nº 4.502/64, art. 2º e art. 5º, inciso
I, alínea “a”);
• Na saída da repartição que promoveu o desembaraço
aduaneiro, quanto aos produtos que, por ordem do importador,
forem remetidos diretamente a terceiros (Lei nº 4.502/64, art.
2º e art. 5º, inciso I, alínea “b”);
• Na saída do estabelecimento industrial diretamente para
estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, por ordem do
encomendante, quanto aos produtos mandados industrializar
por encomenda (Lei nº 4.502/64, art. 2º e art. 5º, inciso I,
alínea “c”);

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• Na saída de bens de produção dos associados para as suas
cooperativas, equiparadas, por opção, a estabelecimento
industrial;
• No quarto dia da data da emissão da respectiva nota fiscal,
quanto aos produtos que até o dia anterior não tiverem deixado
o estabelecimento do contribuinte (Lei nº 4.502/64, art. 2º e
art. 5º, inciso I, alínea “d”);
• No momento em que ficar concluída a operação industrial,
quando a industrialização se der no próprio local de consumo
ou de utilização do produto, fora do estabelecimento industrial
(Lei nº 4.502/64, art. 2º, § 1º): no caso, considera-se
concluída a operação industrial e ocorrido o fato gerador na
data da entrega do produto ao adquirente ou na data em que
se iniciar o seu consumo ou a sua utilização, se anterior à
formalização da entrega;
• No início do consumo ou da utilização do papel destinado à
impressão de livros, jornais e periódicos, em finalidade
diferente da que lhe é prevista na imunidade tributária cultural
(art. 150, VI, “d”, CF) ou na saída do fabricante, do importador
ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que
não sejam empresas jornalísticas ou editoras (Lei no 9.532/97,
art. 40);
• Na aquisição ou, se a venda tiver sido feita antes de concluída a
operação industrial, na conclusão desta, quanto aos produtos
que, antes de sair do estabelecimento que os tenha
industrializado por encomenda, sejam por este adquiridos;
• Na data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento
industrial, quando a empresa comercial exportadora, em
relação ao IPI que deixou de ser pago, na saída do
estabelecimento industrial, referente aos produtos por ela
adquiridos com o fim específico de exportação, nas hipóteses
em que (a) tenha transcorrido cento e oitenta dias da data da
emissão da nota fiscal de venda pelo estabelecimento
industrial, não houver sido efetivada a exportação; (b) os
produtos forem revendidos no mercado interno; ou (c) ocorrer
a destruição, o furto ou roubo dos produtos;
• No momento da sua venda, quanto aos produtos objeto de
operação de venda que forem consumidos ou utilizados dentro
do estabelecimento industrial (Lei nº 4.502/64, art. 2º e art.
5º, inciso I, alínea “e”);
• Na saída simbólica de álcool das usinas produtoras para as suas
cooperativas, equiparadas, por opção, a estabelecimento
industrial; e
• Na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria
no recinto alfandegado, antes de aplicada a pena de
perdimento, quando as mercadorias importadas forem

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consideradas abandonadas pelo decurso do referido prazo
(Decreto-Lei no 1.455/76, art. 23, inciso II).
• Na hipótese de venda, exposição à venda, ou consumo no
território nacional, de produtos destinados ao exterior, ou na
hipótese de descumprimento das condições estabelecidas para
a isenção ou a suspensão do imposto, considerar-se-á ocorrido
o fato gerador na data da saída dos produtos do
estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº
4.502/64, art. 9º, § 1º).

De mais a mais, quando o produto industrializado é de


procedência estrangeira, considerar-se-á ocorrido o respectivo
desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido
importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela
autoridade fiscal (art. 2º, §3º, da Lei 4.502/64).

2.4.3 ASPECTO ESPACIAL

O aspecto espacial do IPI é o território nacional, inclusive as


repartições alfandegárias do país na hipótese de importação do
produto industrializado do exterior.

2.4.4 ASPECTO PESSOAL

O sujeito ativo é a União.

Por sua vez, são considerados contribuintes do IPI: (a) o


importador ou quem a lei a ele equiparar; (b) o industrial ou
quem a lei a ele equiparar; (c) o comerciante de produtos sujeitos
ao IPI, que forneça produtos industrializados aos contribuintes
definidos como industrial ou quem a lei a ele equiparar; (d) o
arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a
leilão (art. 51, CTN).

Notamos que na hipótese do comerciante ser contribuinte


do IPI, este vende o produto industrializado para um industrial ou
quem a lei a ele equiparar.

Para os efeitos do IPI, considera-se contribuinte autônomo


qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou
arrematante (art. 51, parágrafo único, CTN).

Considera-se estabelecimento produtor ou industrial todo


aquele que industrializar produtos sujeitos ao IPI (art. 3º, da Lei
4.502/64).

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E equiparam-se a estabelecimento produtor ou industrial: (a)
os importadores e os arrematantes de produtos de procedência
estrangeira; (b) as filiais e demais estabelecimentos que exercerem
o comércio de produtos importados, industrializados ou mandados
industrializar por outro estabelecimento do mesmo contribuinte; (c)
os que enviarem a estabelecimento de terceiro, matéria-prima,
produto intermediário, moldes, matrizes ou modelos destinados à
industrialização de produtos de seu comércio; (d) os que efetuem
vendas por atacado de matérias-primas, produtos intermediários,
embalagens, equipamentos e outros bens de produção (art. 4°, da
Lei 4.502/64).

Excluem-se do disposto na letra (b) citada os


estabelecimentos que operem exclusivamente na venda a varejo
(art. 4°, §2°, da Lei 4.502/64).

2.4.5 ASPECTO QUANTITATIVO

A base de cálculo do IPI é a seguinte:

• No caso do fato gerador ser o desembaraço aduaneiro,


quando for importação de produto industrializado de
procedência estrangeira, é o preço normal que o produto, ou
seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma
venda em condições de livre concorrência, para entrega no
porto ou lugar de entrada do produto no País acrescido do
montante do imposto sobre a importação (II), das taxas
exigidas para entrada do produto no País e dos encargos
cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis:
portanto, a base de cálculo é o valor aduaneiro + imposto de
importação (II) + taxas + encargos cambiais.
• No caso da saída do estabelecimento do produto
industrializado (fato gerador), quando o produto for nacional, o
valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, ou na
falta deste valor, o preço corrente da mercadoria, ou sua
similar, no mercado atacadista da praça do remetente;
• Na hipótese de arrematação do produto industrializado,
quando apreendido ou abandonado e levado a leilão, o preço
da arrematação (art. 47 do CTN).

Por sua vez, a alíquota do IPI é a fixada na legislação federal,


devendo obedecer a seletividade, em razão da essencialidade do
produto (função extrafiscal do IPI).

Além disso, o Poder Executivo, quando se tornar necessário


para atingir os objetivos da política econômica governamental,

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mantida a seletividade em função da essencialidade do produto, ou,
ainda, para corrigir distorções, poderá reduzir alíquotas do IPI até 0
(zero) ou acrescentar até trinta (30%) de incidência ao percentual já
fixado na lei (Decreto-Lei no 1.199/71, art. 4o).

2.4.6 JURISPRUDÊNCIA DO STF E STJ

Neste item, registramos a relevante jurisprudência dos


Tribunais Superiores sobre o IPI.

Nesse rumo, a respeito da não-cumulatividade, o STF entende


que não é possível o contribuinte se creditar ou se compensar do IPI
quando incidente o tributo sobre os insumos ou matérias-primas
utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados com
alíquota zero, antes da vigência do art. 11 da Lei 9.779/99, por
falta de previsão legal.

Anotamos o seguinte entendimento do STF: “Com o advento do


art. 11 da Lei n. 9.779/1999 é que o regime jurídico do IPI se
completou, apenas a partir do início de sua vigência se tendo o direito
ao crédito tributário decorrente da aquisição de insumos ou matérias
primas tributadas e utilizadas na industrialização de produtos isentos
ou submetidos à alíquota zero.” (RE 475.551; RE 371.898-AgR-ED;
RE 460.785).

O art. 11 da Lei 9779/99 dispõe: “O saldo credor do IPI,


acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição
de matéria-prima, produto intermediário e material de
embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto
isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder
compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser
utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no
9.430/96 (compensação tributária), observadas normas expedidas
pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda”.

Decerto, o STF compreende que a aplicação do princípio da


não-cumulatividade no IPI não é diferente da aplicação do mesmo
princípio no ICMS, uma vez que o art. 155, § 2º, II, a, da CF, é
expresso ao dispor que a isenção ou não-incidência no ICMS, salvo
determinação em contrário da legislação, não implicará crédito
para compensação com o montante devido nas operações ou
prestações seguintes (informativo 545). Ou seja, no caso, deve
existir previsão legal para o direito ao crédito tributário tanto no IPI
como no ICMS.

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Neste sentido, o STJ (REsp 860.369) firmou entendimento no
sentido de que direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da não
cumulatividade, decorrente da aquisição de matéria-prima, produto
intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de
produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, surgiu
apenas com a vigência da Lei n. 9.779/99.

Por sua vez, a jurisprudência do STF é firme no sentido de


“não reconhecer, ao contribuinte, o direito de creditar-se do valor
do IPI, quando pago em razão de operações de aquisição de
bens destinados ao uso e/ou à integração no ativo fixo do seu
próprio estabelecimento” (RE 593.772-ED, DJE de 30-4-2009).

Do mesmo modo, o STJ assevera que a “aquisição de bens que


integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se
incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma
imediata e integral durante o processo de industrialização não gera
direito a creditamento de IPI (AgRg no REsp 1.082.522/SP; AgRg no
REsp 1.063.630/RJ; REsp 886.249/SC; REsp 608.181⁄SC, REsp
497.187⁄SC).

Nesse rumo, o STF tem posicionamento no sentido de que a


atualização monetária do tributo não ofende o princípio da não
cumulatividade (RE 248.725-AgR, DJE de 19/2/10).

Por outro lado, nos termos da jurisprudência do STF, não


incide correção monetária sobre créditos escriturais de IPI (RE
410.795-AgR, DJE de 29/10/09, AC 1.313, DJE de 11/4/08).

Todavia, a jurisprudência do STF está pacificada “no sentido de


ser devida a correção monetária de créditos tributários quando, por
óbice do Fisco, a compensação não ocorre no momento adequado”
(AI 619.664-AgR, DJE de 20/2/09, RE 572.395-AgR, DJE de
25/9/09).

Neste senitdo, a súmula 411 do STJ: “É devida a correção


monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu
aproveitamento decorrentes de resistência ilegítima do Fisco”. O
ministro João Otavio de Noronha justificou a súmula afirmando que “a
correção monetária de créditos escriturais de IPI é devida nas
hipóteses em que o seu não-aproveitamento pelo contribuinte em
tempo oportuno tenha ocorrido em razão da demora motivada por
ato administrativo ou normativo do Fisco considerado ilegítimo”.

Noutro ponto, em relação ao crédito-prêmio do IPI, três


soluções diferentes foram propostas pelos doutrinadores e tribunais:

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1) o crédito-prêmio teria sido revogado em 30.6.83 pelo Decreto-Lei
1.658/79; 2) o crédito-prêmio teria sido extinto em 5.10.90, nos
termos do art. 41 do ADCT, em especial diante de seu caráter
setorial; 3) o crédito-prêmio continuaria em vigor até hoje, haja vista
que, por não possuir natureza setorial, não teria sido abrangido pelo
art. 41 do ADCT.

Contudo, o STF entendeu que o aludido incentivo fiscal


teria vigorado até 5.10.90, a teor do disposto no art. 41, § 1º, do
ADCT (“Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos
fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes
Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1º. Considerar-se-ão
revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da
Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei”).

Portanto, o STF considerou que o crédito-prêmio se encaixa


perfeitamente no conceito de incentivo fiscal de natureza setorial,
porque foi criado para beneficiar o setor industrial e exportador, pois
faz menção expressa a produtos manufaturados.

Ademais, registramos a interpretação do STJ (REsp


1.149.424/BA) sobre o § 2º, do art. 14, da Lei 4.502⁄64, que dispõe:
“Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos,
diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que
incondicionalmente”.

O STJ compreendeu que ao impedir a dedução dos descontos


incondicionais, o § 2º, do art. 14, da Lei 4.502⁄64, permitiu a
incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao
valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida
no art. 47, II, “a”, do CTN.

Dessa forma, o STJ afirmou que “Os descontos incondicionais


não compõem a real expressão econômica da operação tributada,
sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo
do IPI. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no
entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor
previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços
fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se
chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da
operação, depois de realizadas as deduções pertinentes”.

2.4.7 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: (a) importar produto industrializado do exterior;

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(b) promover operações com produtos industrializados.
Aspecto temporal: (a) desembaraço aduaneiro; (b) saída do
produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.
Aspecto espacial: Território nacional.
Aspecto pessoal: Sujeito ativo: União; Sujeito Passivo
(contribuinte): (a) o importador ou quem a lei a ele equiparar; (b) o
industrial ou quem a lei a ele equiparar; (c) o comerciante de
produtos sujeitos ao IPI, que os forneça aos industriais contribuintes.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: (a) valor aduaneiro +
imposto de importação + taxas + encargos cambiais; (b) valor da
operação, ou na falta deste valor, o preço corrente da mercadoria,
ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente.
Alíquota: é a fixada na legislação federal, podendo o Poder Executivo
reduzir alíquotas até zero (0) ou acrescentar até trinta (30%) de
incidência ao percentual já fixado na lei.

1. (ESAF/Auditor Natal/2001) Indique, nas opções


abaixo, o imposto que deverá, obrigatoriamente, ter as
características de seletividade, em função da
essencialidade e de não-cumulatividade.
a) Imposto sobre a renda e proventos.
b) Imposto sobre operações relativas à circulação de
mercadorias e sobre prestações de serviços de
transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação.
c) Imposto sobre a propriedade de veículos
automotores.
d) Imposto sobre produtos industrializados.
e) Imposto sobre transmissão causa mortis e doação.

A primeira questão é a letra “d”, uma vez que é o IPI o


imposto que deverá ter as características de seletividade, em
função da essencialidade do produto, e a característica da
não-cumulatividade, compensando-se o que for devido em
cada operação com o montante cobrado nas anteriores (art.
153, §3°, inc. I e II).

2. (ESAF/AFRFB/2003) Avalie o acerto das afirmações adiante


e marque com V as verdadeiras e com F as falsas; em
seguida, marque a opção correta.
( ) Os encargos cambiais pagos pelo importador ou dele
exigíveis não se incluem na base de cálculo do imposto sobre
produtos industrializados, no caso de importação de produto
de procedência estrangeira.

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( ) A base de cálculo do imposto sobre produtos
industrializados, em se tratando de produto de procedência
estrangeira apreendido ou abandonado e levado a leilão, é o
preço da arrematação, acrescido do valor dos demais tributos
exigíveis na importação regular do produto.
( ) O imposto de importação não integra a base de cálculo do
imposto sobre produtos industrializados, no caso de
importação de produto de procedência estrangeira.
a) V, V, F
b) V, F, V
c) V, V, V
d) F, V, F
e) F, F, F

A segunda questão é letra “e”. Todas as alternativas estão


incorretas.

A primeira alternativa é incorreta, pois a base de cálculo do


IPI no caso do fato gerador ser o desembaraço aduaneiro, quando
for importação de produto industrializado de procedência estrangeira,
é o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo
da importação, em uma venda em condições de livre concorrência,
para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País
acrescido do montante do imposto sobre a importação (II), das
taxas exigidas para entrada do produto no País e dos encargos
cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis
(art. 47, I, do CTN). E a alternativa dispõe que os encargos cambiais
pagos pelo importador ou dele exigíveis não se incluem nesta base de
cálculo do IPI.

A segunda é falsa, pois a base de cálculo do IPI, em se


tratando de produto de procedência estrangeira apreendido ou
abandonado e levado a leilão, é o preço da arrematação (art. 47,
III, do CTN), sem qualquer tipo de acréscimo.

A terceira também falsa, porque imposto de importação (II)


integra a base de cálculo do IPI, no caso de importação de produto de
procedência estrangeira (art. 47, inc. I, do CTN).

3. (ESAF/AFRF/2005) O Imposto sobre Produtos


Industrializados (IPI), de competência da União,
a) terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de
capital pelo contribuinte do imposto, mediante ato do Poder
Executivo.
b) poderá incidir sobre produtos industrializados destinados ao
exterior.

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c) poderá ser seletivo, em função da essencialidade do
produto.
d) constitui exceção ao princípio da legalidade, eis que é
facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os
limites da lei, alterar suas alíquotas.
e) poderá ser não-cumulativo, compensando-se o que for
devido em cada operação com o montante cobrado nas
anteriores.

A terceira questão é letra “d”. Esta questão é muito boa e


poderá ser cobrada na prova do dia 24. Fique atento!!!

A letra “a” é incorreta, uma vez que o IPI terá reduzido seu
impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do
imposto, na forma da lei e não mediante ato do Poder Executivo
(art. 153, §3°, inc. IV, da CF/88).

A letra “b” é incorreta, pois o IPI não poderá incidir sobre


produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, inc.
III, da CF/88).

A letra “c” é incorreta, uma vez que o IPI será seletivo, em


função da essencialidade do produto (art. 153, §3°, inc. I, da CF/88).

A letra “e” é incorreta, porque o IPI será não-cumulativo,


compensando-se o que for devido em cada operação com o montante
cobrado nas anteriores (art. 153, §3°, inc. II, da CF/88).

4. (ESAF/AFRFB/2005) O campo de incidência do Imposto


sobre Produtos Industrializados abrange:
a) todos os produtos relacionados na TIPI.
b) todos os produtos relacionados na TIPI, com alíquota,
mesmo os com alíquota zero.
c) todos os produtos, exceto aqueles a que corresponde a
notação “Zero”.
d) todos os produtos com alíquota.
e) todos os produtos, mesmo os com alíquota zero ou com a
notação NT, ainda que não relacionados na TIPI.

A quarta questão é letra “b”. O campo de incidência do IPI


abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero,
relacionados na Tabela de Incidência do IPI – TIPI, excluídos aqueles
a que corresponde a notação "NT" (não-tributado).

5. (ESAF/TRF/2003) Para ser caracterizado como tal, o


estabelecimento industrial deve
a) estar estabelecido em local apropriado, ou seja, na área
industrial do município.
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b) exercer uma, ou mais, das operações a seguir:
transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento
ou recondicionamento e renovação ou restauração, e que
destas operações resulte produto tributado, ainda que de
alíquota zero.
c) revender produtos industrializados por terceiros, na
condição de estabelecimento atacadista.
d) somente elaborar produtos com alíquota do IPI superior a
0% (zero por cento).
e) importar produtos industrializados diretamente do exterior
e dê saída a tais produtos.

A quinta questão é letra “b” também, uma vez que se


considera estabelecimento industrial todo aquele que industrializar
produtos sujeitos ao IPI (art. 3º, da Lei 4.502/64), o que condiz
tranqüilamente com a transformação, beneficiamento, montagem,
acondicionamento ou recondicionamento e renovação ou restauração,
e que destas operações resulte produto tributado, ainda que de
alíquota zero.

6. (ESAF/TRF/2003) O IPI, de acordo com a Constituição


Federal, deve atender a dois princípios:
a) não-cumulatividade e progressividade, em função de o
produto ser considerado supérfluo.
b) diferenciação de alíquotas, em função dos títulos dos
capítulos e posição, e a não-cumulatividade.
c) não-cumulatividade e superficialidade.
d) seletividade, em função da essencialidade do produto, e a
cumulatividade.
e) seletividade, em função da essencialidade do produto, e a
não-cumulatividade.

A sexta questão é letra “e”, pois o IPI, de acordo com a CF/88,


deve atender obrigatoriamente ao princípio da seletividade, em
função da essencialidade do produto, e ao princípio da
nãocumulatividade.

7. (ESAF/AFRFB/2002) Assinale a resposta correta.


(i) O imposto sobre produtos industrializados (IPI) incide sobre
produtos industrializados estrangeiros?
(ii) O campo de incidência do IPI abrange os produtos com
alíquota zero?
a) (i) Sim, porque para efeito de IPI não há distinção em
relação à procedência dos bens. (ii) Não, porque alíquota zero
equivale à ausência de alíquota.
b) (i) Sim, porque se o produto é industrializado esse imposto
substitui o de importação. (ii) Sim, porque alíquota zero não
impede que o produto siga o regime geral do imposto.
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c) (i) Sim. A lei assim o diz. (ii) Sim, porque a lei determina
que seu campo de incidência abrange todos os produtos com
alíquota.
d) (i) Não, porque haveria bis in idem, já que sobre eles incide
o imposto de importação. (ii) Sim, porque o campo de incidên-
cia desse imposto abrange todos os produtos industrializados.
e) (i) Não, porque o IPI não é um tributo aduaneiro. (ii) Não,
porque o campo de incidência advém da Constituição e esta
não previu a hipótese.

A sétima questão é letra “c”. O IPI incide sobre produtos in-


dustrializados estrangeiros, uma vez que a lei assim determina. O art.
46 do CTN dispõe que o IPI tem como fato gerador o seu desem-
baraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira. O campo de
incidência do IPI abrange os produtos com alíquota zero, porque a lei
dispõe que o campo de incidência do IPI abrange todos os produtos
com alíquota, ainda que zero, relacionados na Tabela de Incidência do
IPI – TIPI, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT"
(nãotributado).

8. (ESAF/TRF/2002.2) A notação NT (não-tributado) aposta di-


ante do código TIPI, constante da Tabela de Incidência do IPI,
implica considerar-se que o produto está:
a) imune.
b) isento.
c) sujeito a pauta de valores.
d) fora do campo de incidência.
e) sujeito à tributação pelo preço da operação.

A oitava questão é letra “d”. A notação NT (não-tributado) aposta


diante do código TIPI, constante da Tabela de Incidência do IPI,
implica considerar-se que o produto está fora do campo de incidência
do IPI.

9. (ESAF/TRF/2002.1) Constituição Federal, artigo 153, § 3º -


O imposto previsto no inciso IV: (Imposto Sobre Produtos
Industrializados)
I - será seletivo, em função da essencialidade do produto;
II - ....................................
Em face do enunciado, assinale a opção correta.
a) Seletividade quer dizer discriminação ou sistema de
alíquotas diferenciais por espécies de mercadorias. Trata-se de
dispositivo programático endereçado ao legislador ordinário, re-
comendando-lhe que estabeleça as alíquotas em razão inversa
da imprescindibilidade das mercadorias de consumo general-
izado. Quanto mais sejam elas necessárias à alimentação,
ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e

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higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem
ser.
b) Seletividade quer dizer discriminação ou sistema de
alíquotas diferenciais por espécies de mercadorias. Trata-se de
dispositivo programático endereçado ao legislador ordinário,
recomendando-lhe que estabeleça as alíquotas em razão
direta da imprescindibilidade das mercadorias de consumo
generalizado. Quanto menos sejam elas necessárias à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem
ser.
c) Seletividade quer dizer discriminação ou sistema de
alíquotas homogêneas por espécies de mercadorias. Trata-se
de dispositivo programático endereçado ao legislador
ordinário, recomendando-lhe que estabeleça as alíquotas em
razão direta da imprescindibilidade das mercadorias de
consumo supérfluo. Quanto mais sejam elas necessárias à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes mais numerosas, tanto maiores devem
ser.
d) Seletividade quer dizer não-discriminação ou sistema de
alíquotas homogêneas por espécies de mercadorias. Trata-se
de dispositivo programático endereçado ao legislador
ordinário, recomendando-lhe que estabeleça as alíquotas em
razão inversa da imprescindibilidade das mercadorias de
consumo generalizado. Quanto mais sejam elas necessárias à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem
ser.
e) Seletividade quer dizer discriminação ou sistema de
alíquotas diferenciais por espécies de mercadorias. Trata-se de
dispositivo programático endereçado ao legislador
constitucional, recomendando-lhe que estabeleça as alíquotas
em razão inversa da imprescindibilidade das mercadorias de
consumo supérfluo. Quanto mais sejam elas necessárias à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes menos numerosas, tanto menores devem
ser.

A nona questão é letra “a”, pois a seletividade quer dizer


exatamente discriminação ou sistema de alíquotas diferenciais por
espécies de mercadorias. Trata-se de dispositivo programático
endereçado ao legislador ordinário, recomendando-lhe que estabeleça
as alíquotas em razão inversa da imprescindibilidade das mercadorias
de consumo generalizado. Quanto mais sejam elas necessárias à
alimentação, ao vestuário, à moradia, ao tratamento médico e
higiênico das classes mais numerosas, tanto menores devem ser.

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10. (ESAF/ATRFB/2010) “A redução do Imposto sobre
Produtos Industrializados − IPI para geladeiras, fogões,
máquinas de lavar e tanquinhos, produtos da linha branca,
que encerraria no próximo dia 31, foi prorrogada por mais três
meses. A partir de 10 de novembro entra em vigor uma nova
tabela cujas alíquotas passam a ser estabelecidas com base na
eficiência energética dos produtos, de acordo com a
classificação do Programa Brasileiro de Etiquetagem,
coordenado pelo Inmetro. O anúncio foi feito nesta quinta-
feira pelo ministro da Fazenda Guido Mantega. “Nós estamos
desonerando mais os produtos que consomem menos
energia”, explicou. A medida vale até 31 de janeiro de 2010.
Segundo ele, as geladeiras, que antes do IPI baixo tinham
uma alíquota de 15%, e recuou para 5%, poderão manter
essa mesma alíquota reduzida, mas somente para os produtos
da chamada classe “A”, ou seja, com menor consumo de
energia. As geladeiras da classe “B” passarão a ter uma
alíquota de 10% e o restante voltará a ter um IPI de 15%.”
(Extraído do site www.fazenda.gov.br, notícia de 29.10.2009).
Na notícia acima, identificamos um importante aspecto do IPI
– Imposto sobre Produtos Industrializados. Assinale, entre as
opções que se seguem, aquela que explica e justifica tal
aspecto, isto é, somente aquele que a notícia mencionada
destacou.
a) Por meio da seletividade, pode-se tributar com alíquotas
diferenciadas produtos de acordo com o seu grau de
essencialidade.
b) A notícia demonstra a aplicabilidade do princípio
constitucional da capacidade tributária, pois estabelece
alíquotas diferenciadas para as diversas categorias de
geladeiras existentes no mercado.
c) O IPI constitui uma exceção à regra geral da legalidade, já
que o Poder Executivo pode, a qualquer momento, baixar ou
restabelecer as suas alíquotas.
d) A não-cumulatividade, outra característica do IPI, visa
impedir que as incidências sucessivas nas diversas operações
da cadeia econômica de um produto impliquem um ônus
tributário muito elevado, decorrente da múltipla tributação da
mesma base econômica.
e) A extrafiscalidade consiste na possibilidade de, por meio de
alíquotas diferenciadas, estimular-se determinado
comportamento por parte da indústria e, consequentemente,
dos consumidores.

Letra (A). O IPI será seletivo, em função da essencialidade do


produto (art. 153, §3°, I, CF). Contudo, a notícia não traz exemplo de

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seletividade, até porque explicitamente enuncia que a alíquota
reduzida de 5% abrange somente os produtos da chamada classe ‘A’.
Logo, incorreta.

Letra (B). A notícia não demonstra a aplicabilidade do princípio


da capacidade tributária (art. 145, §1°), pois examina situação em
que a tributação sobre produtos das classes mais pobres possuem
carga tributária maior. Logo, incorreta.

Letra (C). O IPI constitui uma exceção à regra geral da


legalidade, já que o Poder Executivo pode baixar ou restabelecer as
suas alíquotas. Contudo, esta flexibilidade não justifica a notícia.
Portanto, incorreta.

Letra (D). A não-cumulatividade é característica obrigatória do


IPI. Todavia, a notícia não diz respeito a não-cumulatividade. Logo,
incorreta.

Letra (E). A extrafiscalidade tributária interfere diretamente no


domínio econômico, buscando um efeito diverso da exclusiva
arrecadação de recursos financeiros, podendo ter como função o
desenvolvimento de determinadas atividades ou setores específicos
da economia. Desta forma, a extrafiscalidade explica e justifica a
notícia, pois o ministro da Fazenda Guido Mantega afirma literalmente
que pretende desonerar mais os produtos que consomem menos
energia, aumentando, por conseguinte, o consumo destes bens ou
produtos. Portanto, correta.

2.5 IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E


SEGURO, OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES
MOBILIÁRIOS (IOF)

As normas jurídicas infraconstitucionais que dispõem


especificadamente sobre o imposto sobre operações de crédito,
câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF)
são: os arts. 63 a 67 do CTN e o Decreto 6.306/2007 (Regulamento
do IOF). Ademais, diversas outras leis trazem regras de incidência
sobre o IOF, sobretudo as Leis 5.142/66, 7.766/89 e 8.894/94.

De início, registramos que há críticas doutrinárias a sigla IOF,


pois significa impostos sobre operações financeiras e o art. 153, inc.
V, da CF, não previu a hipótese de incidência do tributo como
“operações financeiras”, mas sim, em regra, quatro hipóteses de
incidências diversas, a saber: (i) operações de crédito, (ii) operações
de câmbio (iii) operações de seguro e (iv) operações relativas a
títulos ou valores mobiliários. Além disso, o imposto estudado incide

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sobre operações financeiras e sobre operações não financeiras.

Deste modo, tais estudiosos propõem a alteração da sigla IOF


para quatro siglas diferentes: (i) IOCrédito; (ii) IOCâmbio; (iii)
IOSeguro e (iv) IOTVM.

Contudo, apesar da procedência dos argumentos utilizados,


destacamos que a sigla IOF é utilizada pela legislação ordinária,
doutrina e jurisprudência majoritária, em razão da sua simplicidade e
comodidade e não da sua juridicidade.

Nesse rumo, o IOF, juntamente com o IPI, o ICMS e o ISS, são


classificados pelo CTN como impostos sobre a produção e a
circulação.

Nesse rumo, verificamos que o IOF pode incidir sobre operações


de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores
mobiliários, de acordo com o art. 153, V, da CF/88, bem como sobre
operações com o ouro, quando definido em lei como ativo
financeiro ou instrumento cambial (art. 153, §5°, da CF/88).

Portanto, podemos, em tese, estabelecer cinco tributos


diferentes: (i) imposto sobre operações de crédito, (ii) imposto
sobre operações de câmbio (iii) imposto sobre operações de seguro;
(iv) imposto sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários
e (v) imposto sobre ouro, na condição de ativo financeiro ou
instrumento cambial.

Por sua vez, o art. 67 do CTN dispõe que a receita líquida do


IOF destina-se à formação de reservas monetárias, na forma da lei.

Este artigo não foi recepcionado pela CF/88 (art. 167, inc. IV),
que veda, salvo algumas exceções, a vinculação de receita de
impostos a órgão, fundo ou despesa. Registramos que o STF
ainda não declarou a inconstitucionalidade do art. 67 do CTN.

O lançamento do IOF é por homologação.

2.5.1 ASPECTO MATERIAL

O núcleo do fato gerador do IOF são os seguintes:

• Operação de crédito: compreende as operações de


empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de
crédito e desconto de títulos; alienação, à empresa que exercer
as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de

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vendas a prazo; mútuo (empréstimo) de recursos financeiros
entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física
(art. 3°, §3°, RIOF);
• Operação de câmbio: entrega de moeda nacional ou
estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação
à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda
estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este
(art. 11, RIOF);
• Operação de seguro: compreende seguro de vida e
congêneres, seguro de acidentes pessoais e do trabalho,
seguros de bens, valores, coisas e outros não especificados
(art. 18, RIOF);
• Operação relativa a títulos ou valores mobiliários:
qualquer operação, independentemente da qualidade ou da
forma jurídica de constituição do beneficiário da operação ou do
seu titular, estando abrangidos, entre outros, fundos de
investimentos e carteiras de títulos e valores mobiliários,
fundos ou programas, ainda que sem personalidade jurídica, e
entidades de previdência privada repactuação (art. 25, §2°,
RIOF);
• Operação com o ouro, ativo financeiro ou instrumento
cambial: compreende as operações de ouro, desde sua
extração, inclusive, o ouro que, em qualquer estado de pureza,
em bruto ou refinado, for destinado ao mercado financeiro ou à
execução da política cambial do País, em operação realizada
com a interveniência de instituição integrante do Sistema
Financeiro Nacional, na forma e condições autorizadas pelo
Banco Central do Brasil. Enquadra-se nesta definição o ouro:
(i) envolvido em operações de tratamento, refino, transporte,
depósito ou custódia, desde que formalizado compromisso de
destiná-lo ao Banco Central do Brasil ou à instituição por ele
autorizada; (ii) adquirido na região de garimpo, onde o ouro é
extraído, desde que, na saída do Município, seja destino ao
Banco Central do Brasil ou à instituição por ele autorizada; (iii)
importado, com interveniência do Banco Central do Brasil ou à
instituição por ele autorizada (art. 36, RIOF).

Nesse rumo, a súmula 664 do STF dispõe que o IOF não


incide sobre os saques efetuados em caderneta de poupança, eis que
esta operação não é considerada operação de crédito para efeito de
cobrança do IOF. Assim, o STF entende que o “saque em conta de
poupança, por não conter promessa de prestação futura e, ainda,
porque não se reveste de propriedade circulatória, tampouco
configurando título destinado a assegurar a disponibilidade de valores
mobiliários, não pode ser tido por compreendido no conceito de
operação de crédito ou de operação relativa a títulos ou valores

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mobiliários, não se prestando, por isso, para ser definido como
hipótese de incidência do IOF.” (RE 232.467, DJ de 12-5-2000)

Da mesma forma, não incide IOF nos depósitos judiciais


(súmula 185 do STJ).

Por outro lado, o STF já entendeu como constitucional a


incidência do IOF sobre operações de factoring, com o
argumento de que o “âmbito constitucional de incidência possível do
IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por
instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei
questionada poderia estendê-la às operações de factoring, quando
impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com
adiantamento do valor do crédito vincendo - conventional factoring);
quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring,
de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e
valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à
incidência tributária questionada” (ADI-MC 1763/DF, DJ 26-09-2003).

Segundo definição doutrinária, a operação de factoring é “um


mecanismo de fomento mercantil que possibilita à empresa
fomentada vender seus créditos, gerados por suas vendas à prazo, a
uma empresa de factoring. O resultado disso é o recebimento
imediato desses créditos futuros, o que aumenta seu poder de
negociação, por exemplo, nas compras à vista de matéria-prima, pois
a empresa não se descapitaliza”. As vantagens da operação de
factoring são as seguintes: “A empresa recebe à vista suas vendas
feitas à prazo, melhorando o fluxo de caixa para movimentar os
negócios; Agilidade e rapidez nas decisões; possibilita a compra de
matéria-prima à vista, gerando vantagens e competitividade”.

Por sua vez, o STJ (REsp 522.294⁄RS, AgRg no REsp


733.236/RS) já considerou legal a incidência do IOF sobre o resultado
de mútuo, seja a operação praticada por pessoa física ou jurídica,
comercial ou industrial, ou equiparada a instituições financeiras. Um
dos fundamentos das decisões do STJ é que não se exige participação
de instituição financeira para fins de incidência do IOF

2.5.2 ASPECTO TEMPORAL

Ocorre o fato gerador do IOF:

• Quanto às operações de crédito, na sua efetivação pela


entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua
o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do
interessado;

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• Quanto às operações de câmbio, na sua efetivação pela
entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento
que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado
em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional
entregue ou posta à disposição por este. Ou seja, no ato da
liquidação da operação de câmbio;
• Quanto às operações de seguro, na sua efetivação pela
emissão da apólice ou do documento equivalente, ou
recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável;
• Quanto às operações relativas a títulos e valores
mobiliários, na emissão, transmissão, pagamento ou resgate
destes, na forma da lei aplicável (art. 63, do CTN);
• Quanto às operações com o ouro, ativo financeiro ou
instrumento cambial, na data da primeira aquisição ou no
desembaraço aduaneiro, quando se tratar de ouro físico oriundo
do exterior (art. 8°, Lei 7.766/89).

Observamos que a incidência do IOF sobre operações de


crédito exclui a incidência do IOF sobre operações relativas a títulos e
valores mobiliários, e reciprocamente, quanto à emissão, ao
pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma
operação de crédito (art. 63, parágrafo único, CTN).

Deste modo, na hipótese de acontecer apenas uma operação


(o crédito é representado somente por um título de crédito), não há
incidência cumulativa do imposto sobre operações de crédito (art. 63,
inc. I, CTN) e do imposto sobre operações com títulos ou valores
imobiliários (art. 63, inc. IV, CTN), mas somente do imposto sobre
operações de crédito.

2.5.3 ASPECTO ESPACIAL

O aspecto espacial é o território nacional.

2.5.4 ASPECTO PESSOAL

O sujeito ativo do IOF é a União.

O contribuinte do IOF é qualquer das partes na operação


tributada, conforme dispuser a lei (art.66, do CTN).

Assim, segundo as leis ordinárias, podemos definir os


seguintes contribuintes:

• Operações de crédito: (a) pessoas físicas ou jurídicas


tomadoras de crédito; (b) no caso de alienação de direitos

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creditórios resultantes de vendas a prazo a empresas de
factoring, é o alienante pessoa física ou jurídica (Lei no
8.894/94, art. 3o, inc. I, e Lei no 9.532/97, art. 58);
• Operações de câmbio: os compradores ou vendedores de
moeda estrangeira nas operações referentes às transferências
financeiras para o ou do exterior, respectivamente (Lei no
8.894/94, art. 6o);
• Operações de seguro: as pessoas físicas ou jurídicas
seguradas (Decreto-Lei nº 1.783/80, art. 2º);
• Operações relativas a títulos e valores mobiliários: (a) os
adquirentes de títulos ou valores mobiliários e os titulares de
aplicações financeiras (Lei nº 8.894/94, art. 3º, inc. II); (b) as
instituições financeiras e demais instituições autorizadas a
funcionar pelo Banco Central do Brasil, na hipótese de
pagamento inferior a 95% do valor inicial das operações de
aquisição, resgate, cessão ou repactuação de títulos e valores
mobiliários (Lei nº 8.894/94, art. 3º, inc. III);
• Operações com o ouro, ativo financeiro ou instrumento
cambial: instituições autorizadas pelo Banco Central do Brasil
que efetuarem a primeira aquisição do ouro, ativo financeiro,
ou instrumento cambial (Lei nº 7.766/89, art. 10).

2.5.5 ASPECTO QUANTITATIVO

As bases de cálculo do IOF são as seguintes:

• Operações de crédito: o montante da obrigação,


compreendendo o principal e os juros;
• Operações de câmbio: o respectivo montante em moeda
nacional, recebido, entregue ou posto à disposição;
• Operações de seguro: o montante do prêmio;
• Operações relativas a títulos e valores mobiliários: (a) na
emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver; (b) na
transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação
em Bolsa, como determinar a lei; (c) no pagamento ou
resgate, o preço.
• Operações com o ouro, ativo financeiro ou instrumento
cambial: (a) o preço de aquisição do ouro, desde que dentro
dos limites de variação da cotação vigente no mercado
doméstico, no dia da operação; (b) tratando-se de ouro físico,
oriundo do exterior, o preço de aquisição, em moeda nacional,
será determinado com base no valor de mercado doméstico na
data do desembaraço aduaneiro (art. 9°, Lei 7.766/89).

No que tange as alíquotas, há possibilidade de alteração por ato


do Poder Executivo, atendidas as condições e limites fixados em lei.

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Assim, por exemplo, o STJ já se pronunciou mais de uma vez pela
possibilidade de ser alterada alíquota de IOF por meio de Portaria
Ministerial, não havendo ofensa ao princípio da legalidade
(1.123.249/RJ, REsp 552651⁄CE).

Por outro lado, segundo o art. 153, §5°, da CF, o IOF é o único
imposto que incide sobre operações com o ouro, quando definido em
lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (meio de
pagamento), sendo devido na operação de origem. Na hipótese,
a alíquota mínima será de um por cento (1%), assegurada a
transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: (a)
trinta por cento (30%) para o Estado, o Distrito Federal ou o
Território, conforme a origem; (b) setenta por cento (70%) para o
Município de origem.

2.5.6 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: operações de crédito, câmbio, seguro, relativas


a títulos ou valores mobiliários e ouro, na condição de ativo
financeiro ou instrumento cambial.
Aspecto temporal: (a) operação de crédito: momento da entrega
do valor ou colocação à disposição do interessado; (b) operação de
câmbio: momento da liquidação da operação de câmbio; (c)
operação de seguro: momento da emissão da apólice ou do
documento equivalente, ou do recebimento do prêmio; (d) operação
relativa a títulos e valores mobiliários: momento da emissão,
transmissão, pagamento ou resgate; (e) operação com o ouro,
ativo financeiro ou instrumento cambial: data da primeira aquisição
ou no
momento do desembaraço aduaneiro.
Aspecto espacial: Território nacional. Aspecto pessoal:
Sujeito ativo: União; Sujeito Passivo (contribuinte):
qualquer das partes na operação tributada.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: (a) operação de crédito: o
montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; (b)
operação de câmbio: o respectivo montante em moeda nacional,
recebido, entregue ou posto à disposição; (c) operação de seguro:
o montante do prêmio; (d) operação relativa a títulos e valores
mobiliários: (i) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver;
(ii) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da
cotação em Bolsa, como determinar a lei; (iii) no pagamento ou
resgate, o preço; (e) operação com o ouro, ativo financeiro ou
instrumento cambial: (i) o preço de aquisição do ouro, desde que
dentro dos limites de variação da cotação vigente no mercado
doméstico, no dia da operação; (ii) tratando-se de ouro físico,
oriundo do exterior, o preço de aquisição, em moeda nacional, será
determinado com base no valor de mercado doméstico na data do
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desembaraço aduaneiro. Alíquota: é a fixada na legislação federal,
podendo o Poder Executivo alterá-la, nos termos e condições da lei.

1. (ESAF/PFN/2003) Nos termos do Código Tributário


Nacional, constitui base de cálculo do imposto, de competência
da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e
sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários, entre
outras hipóteses:
a) Quanto às operações de seguro, o montante do valor
contratado que a seguradora deverá pagar ao segurado na
hipótese de ocorrência de sinistro.
b) Quanto às operações relativas a títulos e valores
mobiliários, na emissão, o valor nominal do título menos o
deságio, se houver.
c) Quanto às operações relativas a títulos e valores
mobiliários, na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o
valor da cotação em Bolsa, conforme determinar decreto do
Poder Executivo.
d) Quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em
moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição.
e) Quanto às operações de crédito, o montante da obrigação,
exclusive os juros.

A questão é letra “d”. Cobra do candidato o conhecimento do


art. 64 do CTN.

A letra “a” é incorreta, pois a base de cálculo do IOF no caso


das operações de seguro é o montante do prêmio e não o
montante do valor contratado que a seguradora deverá pagar ao
segurado na hipótese de ocorrência de sinistro, uma vez que a base
de cálculo o IOF é o valor do prêmio pago (art. 64, inc. III, do CTN) e
não o valor contratado com a seguradora.

A letra “b” é incorreta, pois a base de cálculo do IOF no caso


das operações relativas a títulos e valores mobiliários, na
emissão, é o valor nominal do título mais o ágio, se houver (art.
64, IV, “a”, do CTN).

A letra “c” é incorreta, pois a base de cálculo do IOF no caso


das operações relativas a títulos e valores mobiliários, na
transmissão, é o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação
em Bolsa, conforme determinar a lei e não decreto do Poder
Executivo (art. 64, IV, “b”, do CTN).

A letra “e” é incorreta também, porque a base de cálculo do


IOF na hipótese das operações de crédito é o montante da obrigação,
compreendendo o principal e os juros (art. 64, inc. I, do CTN).

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2. (ESAF/AFRFB/2010) Analise os itens a seguir,


classificando-os como verdadeiros (V) ou falsos (F). Em
seguida, escolha a opção adequada às suas respostas:
I. as operações de câmbio constituem fato gerador do IOF –
imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou
relativas a títulos ou valores mobiliários;
II. o câmbio traz um comércio de dinheiro, no qual este se
torne mercadoria e, como tal, tem custo e preço;
III. operações de câmbio são negócios jurídicos de compra e
venda de moeda estrangeira ou nacional, ou, ainda, os
negócios jurídicos consistentes na entrega de uma
determinada moeda a alguém em contrapartida de outra
moeda recebida.
a) Somente o item I está correto.
b) Estão corretos somente os itens I e II.
c) Estão corretos somente os itens I e III.
d) Todos os itens estão corretos.
e) Todos os itens estão errados.

Item I. As operações de câmbio constituem fato gerador do IOF


(art. 63 do CTN). Decerto, o IOF pode incidir sobre operações de
crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários,
de acordo com o art. 153, V, da CF/88, bem como sobre operações
com o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou
instrumento cambial (art. 153, §5°, da CF/88). Logo, correta.

Itens II e III. Segundo o art. 63, inc. II, do CTN, é fato gerador
do IOF a efetivação da operação de câmbio pela “entrega de moeda
nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua
colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à
moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por
este” (CTN, art. 63, inciso II). Ou seja, o câmbio traz sim um comércio
em dinheiro, sendo um contrato de compra e venda de moeda
estrangeira ou nacional, tendo como contribuintes os compradores ou
vendedores destas operações. Logo, corretas.

Portanto, a alternativa “d” deve ser marcada.

2.6 IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL


(ITR)

As normas jurídicas infraconstitucionais que dispõem


especificadamente sobre o imposto sobre propriedade territorial rural
(ITR) são: os arts. 29 a 31 do CTN, a Lei 9.393/96 e o Decreto
4.382/2002 (Regulamento do ITR).

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Inicialmente, mencionamos que a CF/88 dispõe que o ITR será


obrigatoriamente progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a
desestimular a manutenção de propriedades improdutivas (art. 153,
§ 4°, inc. I).

Por outro lado, o ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais,
definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua
outro imóvel (art. 153, § 4°, inc. II, da CF/88).

A Lei 9.393/1996 define pequenas glebas rurais como imóveis


com área igual ou inferior a: (i) 100 hectares (ha), se localizado em
município compreendido na Amazônia Ocidental ou no Pantanal ma-
togrossense e sul-mato-grossense; (ii) 50 hectares (ha), se localizado
em município compreendido no Polígono das Secas ou na Amazônia
Oriental; (iii) 30 hectares (ha), se localizado em qualquer outro
município.

Destacamos que a CF não exige mais que o proprietário deva


explorar a gleba rural “só ou com sua família”.

Portanto, agora, mesmo que o proprietário tenha empregados


trabalhando na gleba rural, não perderá imunidade tributária citada
no art. 153, § 4°, inc. II, da CF/88.

Nesse rumo, o ITR poderá ser fiscalizado e cobrado pelos


Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não
implique redução do imposto ou qualquer outra forma de
renúncia fiscal (art. 153, § 4°, inc. III, da CF/88).

Com efeito, a Constituição dispõe que pertence ao Município a


totalidade (100%) do valor arrecadado com o ITR na hipótese de
optar por fiscalizar e cobrar este tributo. Caso não faça esta opção,
cabe ao Município 50% do montante arrecadado com o ITR (art. 158,
II).

O domicílio tributário do contribuinte do ITR é o município de


localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro (art. 4°,
parágrafo único, da Lei 9.393/1996).

O lançamento do ITR é por homologação.

Ademais, devemos dizer ainda que compete à Secretaria da


Receita Federal (SRF) a administração do ITR, incluídas as atividades
de arrecadação, tributação e fiscalização (art. 15, da Lei
9.393/1996). Todavia, a SRF poderá celebrar convênios com os

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órgãos da administração tributária municipal, visando delegar
competência para a cobrança e o lançamento do ITR; ou
também com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
(INCRA), com a finalidade de delegar as atividades de fiscalização
das informações sobre os imóveis rurais, contidas no Documento de
Informação e Atualização Cadastral do ITR (DIAC) e no Documento
de Informação e Apuração do ITR (DIAT) (art. 16, da Lei
9.393/1996).

Por fim, registramos que cabe a Procuradoria da Fazenda


Nacional (PFN) propor execução fiscal para cobrança de credito
relativo ao ITR (súmula 139 do STJ).

2.6.1 ASPECTO MATERIAL

O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a


posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado
fora da zona urbana do Município (art. 29).

Por sua vez, para os efeitos de incidência do ITR, considera-se


imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de
terras, localizada na zona rural do município (art. 1°, §2°, Lei
9.393/1996).

Na hipótese do imóvel pertencer a mais de um município


deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e,
se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a
maior parte do imóvel (art. 1°, §3°, da Lei 9.393/1996).

Nessa esteira, em regra, o parâmetro para definir se o imóvel


é rural ou não é a sua localização. Esta definição da localização é
por exclusão, uma vez o CTN dispõe que é rural quando localizado
fora da zona urbana do Município.

Assim, o CTN entende como zona urbana a definida em lei


municipal, que deve observar o requisito mínimo da existência de
melhoramentos indicados em pelo menos 2 (duas) das características
seguintes, construídas ou mantidas pelo Poder Público: (a) meio-fio
ou calçamento, com canalização de águas pluviais; (b) abastecimento
de água; (c) sistema de esgotos sanitários; (d) rede de iluminação
pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; (e)
escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3
(três) quilômetros do imóvel considerado (art. 32).

A lei municipal igualmente pode considerar urbanas as áreas


urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos

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aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à
indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas
definidas nos termos do parágrafo anterior (art. 32, §2°, do CTN).

Contudo, apesar da regra geral ser a localização para definir se


imóvel é rural ou urbano, o art. 15 do Decreto-Lei n° 57/66, com
status atual de lei complementar, considera que o art. 32 do CTN não
abrange o imóvel de que, comprovadamente, seja utilizado em
exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agro-
industrial, incidindo assim, sobre o mesmo, o ITR.

Por conseguinte, o citado art. 15, estabeleceu o critério da


destinação econômica do imóvel, para delimitação espacial
incidências do IPTU e do ITR.
das

Neste sentido, o STJ (REsp 1.112.646/SP) entende que o


“artigo 15 do Decreto-Lei nº 57/66 exclui da incidência do IPTU os
imóveis cuja destinação seja, comprovadamente a de exploração
agrícola, pecuária ou industrial, sobre os quais incide ITR, de
competência da União”.

Em resumo, incide ITR e não IPTU, sobre imóvel localizado na


área urbana do Município, desde que, comprovadamente, seja
utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou
agroindustrial (critério da destinação econômica do imóvel). Em
outras palavras, não incide o IPTU quando o imóvel situado na área
urbana tiver quaisquer das destinações dispostas no art. 15 do DL
57⁄1966.

Noutro ponto, o ITR não incide sobre a operação de


transferência do imóvel desapropriado para fins de reforma agrária e
também não incide no caso de imissão prévia da posse para fins
reforma agrária, pois existe imunidade tributária estabelecida no §5°,
do art. 184, da CF/88.

Contudo, observamos que o ITR incide sobre o imóvel declarado


de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não
transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse
(art. 1°, §1°, da Lei 9.393/1996).

A imissão prévia ou provisória da posse para fins reforma


agrária existe antes do procedimento de transferência do imóvel,
mediante alegação de urgência e de depósito prévio de um valor
ofertado pelo desapropriante (ente federativo ou autarquia
competente) em juízo (ação judicial). Em outras palavras, é o ato de

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tomar a posse legal do imóvel antes do pagamento da quantia
indenizatória final a ser paga ao desapropriado.

Imissão é o ato de imitir-se, ou seja, “colocar para dentro”.


Assim, ao imitir-se na posse de um imóvel a pessoa está entrando
nele e quem lá estar deverá sair. Por exemplo, a ação judicial
denominada de “imissão de posse” é utilizada quando uma pessoa é
proprietária do imóvel e quer colocar para fora deste imóvel outra
pessoa que está ilegalmente ocupando-o.

2.6.2 ASPECTO TEMPORAL

O fato gerador do ITR ocorre no dia 1° de janeiro de cada


exercício (ano), sendo, por conseguinte, de apuração anual (art. 1°,
da Lei 9.393/1996).

2.6.3 ASPECTO ESPACIAL

O aspecto espacial do ITR é o território nacional, seja a área


rural ou urbana, quando imóvel, comprovadamente, seja utilizado
em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agro-
industrial.

2.6.4 ASPECTO PESSOAL

Em regra, o sujeito ativo é a União.

Contudo, União, por intermédio da Secretaria da Receita


Federal, poderá celebrar convênios com o Distrito Federal e os
Municípios que assim optarem, visando a delegar as atribuições de
fiscalização, inclusive a de lançamento dos créditos tributários, e de
cobrança do ITR, sem prejuízo da competência supletiva da
Secretaria da Receita Federal. De qualquer sorte, deverá ser
observada a legislação federal de regência do ITR (Lei 9.393/1996) e
a opção não poderá implicar redução do ITR ou qualquer outra
forma de renúncia fiscal (art. 1°, Lei 11.250/05).

Por seu turno, o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel,


o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (art.
31, do CTN).

Realçamos que artigo 5º, da Lei 9.393/96, preceitua que é


responsável pelo crédito tributário o sucessor, a qualquer título, nos
termos dos arts. 128 a 133 do CTN.

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Neste sentido, o STJ afirma que os impostos incidentes sobre o
patrimônio (ITR e IPTU) decorrem de “relação jurídica tributária
instaurada com a ocorrência de fato imponível encartado,
exclusivamente, na titularidade de direito real, razão pela qual
consubstanciam obrigações propter rem (em razão da coisa:
“imóvel”), impondo-se sua assunção a todos aqueles que sucederem
ao titular do imóvel”. Decerto, a obrigação tributária “acompanha o
imóvel em todas as suas mutações subjetivas (mudança de titular do
imóvel), ainda que se refiram a fatos imponíveis anteriores à
alteração da titularidade do imóvel”.

Portanto, o promitente comprador (possuidor a qualquer título)


do imóvel, bem como seu proprietário/promitente vendedor (aquele
que tem a propriedade registrada no Registro de Imóveis), são
contribuintes responsáveis pelo pagamento do imposto sobre o
patrimônio (IPTU e ITR). Assim, “nas hipóteses em que verificada a
‘contemporaneidade’ do exercício da posse direta e da propriedade (e
não a efetiva sucessão do direito real de propriedade, tendo em vista
a inexistência de registro do compromisso de compra e venda no
cartório competente), o imposto sobre o patrimônio poderá ser
exigido de qualquer um dos sujeitos passivos ‘coexistentes’” (REsp
1073846/SP, DJe 18/12/2009).

Noutro ponto, o STJ entende que se o imóvel é invadido por


movimento “sem terra” (MST), por exemplo, há perda do domínio e
dos direitos inerentes a propriedade e, por conseguinte, a
impossibilidade da subsistência do ITR. Nestes termos, o STJ afirma
que “ao considerar-se a privação antecipada da posse e o
esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do
processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do
desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos
princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade”
(REsp 1144982/PR, DJe 15/10/2009).

2.6.5 ASPECTO QUANTITATIVO

A base do cálculo do ITR é o valor fundiário (art. 30, do CTN).

O valor fundiário significa o valor da terra nua (VTN).

E para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á o valor


da terra nua (VTN), o valor do imóvel, excluídos os valores relativos
a: (a) construções, instalações e benfeitorias; (b) culturas
permanentes e temporárias; (c) pastagens cultivadas e melhoradas;
(d) florestas plantadas.

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Registramos, por sua vez, que a área tributável pelo ITR, é a
área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente
e de reserva legal; b) de interesse ecológico para a proteção dos
ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente,
federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na
alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer
exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal,
declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente,
federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou
ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou
secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; f)
alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas
hidrelétricas autorizada pelo poder público.

Nesse rumo, o STJ compreende que o ITR é tributo sujeito a


lançamento por homologação que permite da exclusão da sua base
de cálculo a área de preservação permanente, sem necessidade de
Ato Declaratório Ambiental do IBAMA (REsp 1112283/PB, DJe
01/06/2009).

De mais a mais, a tabela de alíquotas do ITR é a seguinte


(art.11, Lei 9.393/96):

Área total do imóvel


GRAU DE UTILIZAÇÃO - GU (EM %)
(em hectares)
Maior Maior Maior
Maior
que que que
que Até 30
65 até 50 até 30 até
80
80 65 50
Até 50 0,03 0,20 0,40 0,70 1,00
Maior que 50 até 200 0,07 0,40 0,80 1,40 2,00
Maior que 200 até 500 0,10 0,60 1,30 2,30 3,30
Maior que 500 até 1.000 0,15 0,85 1,90 3,30 4,70
Maior que 1.000 até 5.000 0,30 1,60 3,40 6,00 8,60
Acima de 5.000 0,45 3,00 6,40 12,00 20,00

2.6.6 QUADRO SINÓPTICO

Aspecto material: propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel


por natureza, como definido na lei civil.
Aspecto temporal: 1° de janeiro de cada exercício.
Aspecto espacial: território nacional seja a área rural ou
urbana, quando imóvel, comprovadamente, seja utilizado em
exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agro-industrial.

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Aspecto pessoal: Sujeito ativo: em regra, a União, podendo
também ser o DF e os Municípios; Sujeito Passivo (contribuinte):
proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu
possuidor a qualquer título.
Aspecto quantitativo: Base de cálculo: valor fundiário; Alíquota: é
a fixada na legislação federal, de acordo com o grau de utilização do
imóvel.

1. (ESAF/AFRF/2002.1) Avalie as afirmações abaixo e marque


a opção que corresponda, na devida ordem, ao acerto ou erro
de cada uma (V ou F, respectivamente).
(i) Sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de
reforma agrária deixa ipso facto de incidir o imposto territorial
rural (ITR).
(ii) Um imóvel de 100 hectares, localizado na Amazônia
Ocidental, é considerado “pequena gleba rural” para fins de
não-incidência (imunidade) do ITR, se presentes as demais
condições.
(iii) Competem ao INCRA às atividades de arrecadação,
tributação e fiscalização do ITR.
a) V, V, V.
b) V, V, F.
c) F, V, F.
d) F, F, F.
e) F, F, V.

A questão é a letra “c” (F, V, F).

O primeiro item é falso, porque fala que sobre o imóvel


declarado de interesse social para fins de reforma agrária deixa ipso
facto (significa por essa razão) de incidir o imposto territorial rural
(ITR). Entretanto, o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de
interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não
transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse
(art. 1°, §1°, da Lei 9.393/1996).

O segundo item é verdadeiro, uma vez que um imóvel de 100


hectares, localizado na Amazônia Ocidental, é considerado “pequena
gleba rural” para fins de não-incidência (imunidade) do ITR, se
presentes as demais condições. O ITR não incidirá sobre pequenas
glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que
não possua outro imóvel, de acordo com o art. 153, § 4°, inc. II, da
CF/88. E a Lei 9.393/1996 define pequenas glebas rurais como
imóveis com área igual ou inferior a: (i) 100 hectares (ha), se
localizado em município compreendido na Amazônia Ocidental ou no
Pantanal mato-grossense e sul-mato-grossense; (ii) 50 hectares
(ha), se localizado em município compreendido no Polígono das Secas

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ou na Amazônia Oriental; (iii) 30 hectares (ha), se localizado em
qualquer outro município.

O terceiro item é falso, porque não competem ao INCRA às


atividades de arrecadação, tributação e fiscalização do ITR. Compete
à Secretaria da Receita Federal a administração do ITR, incluídas as
atividades de arrecadação, tributação e fiscalização (art. 15, da Lei
9.393/1996).

2. (ESAF/AFRF/2002-) Relativamente ao Imposto Territorial


Rural (ITR), avalie o acerto das afirmações adiante e marque
com V as verdadeiras e com F as falsas; em seguida,
marque a opção correta.
( )Como regra, o ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado
de interesse social para fins de reforma agrária.
( )Segundo a interpretação legal, imóvel rural de área inferior
a 30 hectares, independentemente do local onde se encontre,
é considerada pequena propriedade, imune ao imposto.
( )O “posseiro” do imóvel é estranho à relação jurídica relativa
ao ITR, pois o contribuinte do imposto é o titular do domínio
útil ou o proprietário.
a) V, V, V.
b) V, V, F.
c) V, F, F.
d) F, F, F.
e) F, V, F.

A questão é a letra “b” (V, V, F).

O primeiro item é verdadeiro, eis que, como regra, o ITR


incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins
de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, e exceto
se houver imissão prévia na posse (art. 1°, §1°, da Lei 9.393/1996).

O segundo item foi considerado verdadeiro pela ESAF, eis que,


conforme a interpretação legal, o imóvel rural de área inferior a 30
hectares, independentemente do local onde se encontre, é
considerada pequena propriedade, imune ao imposto. O ITR não
incidirá (imunidade) sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei,
quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel,
de acordo com o art. 153, § 4°, inc. II, da CF/88. E a Lei 9.393/1996
define pequenas glebas rurais como imóveis com área igual ou
inferior a: (iii) 30 hectares (ha), se localizado em qualquer outro
município.

Assim, decidir por V ou F em alternativas incompletas como


este item dependerá do caso concreto e das pistas dadas pelo

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examinador. Neste caso, o examinador fala em interpretação legal e
do conceito de imóvel rural. O foco da questão aqui está no conceito
de imóvel rural e não no seu respectivo proprietário. Infelizmente às
vezes a prova não é tão bem feita e acaba virando um exercício de
adivinhação para o candidato.

O terceiro item é falso, uma vez que o “posseiro” do imóvel


não é estranho à relação jurídica relativa ao ITR. O contribuinte do
ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu
possuidor a qualquer título (art. 31, do CTN).

3. (ESAF/AFRF/2003) A posse de imóvel por natureza, como


definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do
Município, não constitui fato gerador do imposto sobre
propriedade territorial rural.

A questão é falsa, uma vez que a posse de imóvel por


natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do
Município, constitui fato gerador do imposto sobre propriedade
territorial rural.

4. (CESPE/AGU/2004) A Constituição Federal admite que a


lei faculte aos municípios a cobrança do imposto territorial
rural.

A questão é verdadeira, porque a CF/88 admite que o ITR seja


fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma
da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra
forma de renúncia fiscal (art. 153, § 4°, inc. III, da CF/88).

5. (FCC/Auditor Fiscal/PB/2007) O imposto sobre


propriedade territorial rural
(A) não incidirá sobre pequena gleba rural, exigindo-se,
apenas, que o proprietário a explore só ou com sua família.
(B) será progressivo e terá suas alíquotas fixadas a fim de
estimular a manutenção de propriedades improdutivas.
(C) será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim
optarem, na forma da lei, desde que não implique redução
do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.
(D) é instituído pela União, sendo que a competência
legislativa para sua instituição ou aumento pode ser
delegada aos Municípios.
(E) não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em
lei, mesmo quando o proprietário possua outros imóveis.

LETRA A – INCORRETA

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O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em
lei, quando as explore o proprietário que não possua outro
imóvel, conforme o art. 155, §4°, II, da CF/88.

A partir da EC 42/03, não exige mais que o proprietário a


explore só ou com sua família.

LETRA B – INCORRETA

O ITR será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma


a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas,
segundo o art. 155, §4°, I, da CF/88.

LETRA C – CORRETA

O ITR será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim


optarem, na forma da lei, desde que não implique redução do
imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal, de acordo com o
art. 155, §4°, III, da CF/88.

LETRA D – INCORRETA

A competência tributária legislativa é indelegável.

LETRA E – INCORRETA

O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em


lei, quando as explore o proprietário que não possua outro
imóvel.

Portanto, de acordo com o art. 155, §4°, II, da CF/88, o ITR incidirá
sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando o
proprietário possua outros imóveis.

2.7 IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS (IGF)

No que diz respeito ao IGF, a única informação relevante para


concurso é que apenas à União compete instituir imposto sobre
grandes fortunas, nos termos de lei complementar.

2.8 IMPOSTOS RESIDUAIS OU NOVOS

A União poderá instituir, mediante lei complementar, impostos


residuais, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na
Constituição (art. 154, inc. I, CF).

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Por ocasião da instituição do IPMF pela Emenda Constitucional


n° 3 (EC n° 3), cujo fato gerador era o mesmo da também extinta
CPMF, o STF (ADI 939-7) firmou o precedente de que a observância
da não comutatividade e da proibição que novos impostos tenham os
fatos geradores ou bases de cálculo já estabelecidos inscritas no art.
154, I, da CF, são dirigidas ao legislador ordinário e não ao
constituinte derivado.

Isto é, a técnica da competência residual da União é para o


legislador ordinário e não para o constituinte derivado.

(ESAF/Analista/SUSEP/2010) A Constituição Federal,


em seu art. 154, inciso I, prevê a criação de impostos que
não os previstos no art. 153 (que enumera aqueles de
competência da União). Sobre esta competência,
usualmente denominada na doutrina “competência
residual”, é incorreto afirmar-se que:
a) o exercício da competência residual é reservado ao
legislador ordinário, e não ao constituinte derivado.
b) consoante entendimento firmado no âmbito do Supremo
Tribunal Federal, a não-cumulatividade e o não bis-in-idem
não precisam ser observados quando
da criação de um novo imposto por meio de emenda
constitucional.
c) a exigência de lei complementar é inafastável e,
diferentemente do que ocorre para os impostos
discriminados, que têm apenas os seus fatos geradores,
bases de cálculo e contribuintes previstos em lei
complementar, no caso da instituição de novo imposto pela
União, no exercício de sua competência residual, exige-se
que também a alíquota seja prevista em lei complementar.
d) admite-se, excepcionalmente, a instituição de novos
impostos, no exercício da competência residual, por meio de
medida provisória.
e) a criação de novo imposto, no exercício da competência
residual, fica sujeita ao princípio da anterioridade.

Letra (A). O exercício da competência residual é reservado à lei


complementar, por conseguinte, ao legislador ordinário e ao
constituinte derivado. Logo, correta.

Letra (B). O STF entende que o uso da “competência residual é


para o legislador ordinário e não para o constituinte derivado e a não
cumulatividade e o não bis in idem não precisam ser observados

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quando da criação de um novo imposto através de emenda
constitucional”. Logo, correta.

Letra (C). O texto constitucional exige lei complementar para os


impostos residuais e, por conseguinte, fato gerador, bases de cálculo,
contribuintes e alíquotas previstas em lei complementar. Portanto,
correta.

Letra (D). Os impostos residuais devem ser instituídos apenas


por lei complementar. Logo, incorreta.

Letra (E). Os impostos residuais devem respeitar os princípios


da anterioridade genérica e da anterioridade nonagesimal. Logo,
correta.

2.9 IMPOSTO EXTRAORDINÁRIO DE GUERRA (IEG)

A União poderá instituir na iminência ou no caso de guerra


externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua
competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente,
cessadas as causas de sua criação (art. 154, inc. II, da CF/88).

Com efeito, na iminência ou no caso de guerra externa, a União


tem certa liberdade para estabelecer o fato gerador do IEG, inclusive
podendo optar pelos fatos geradores de competência do Distrito
Federal, dos Estados e dos Municípios.

Consequentemente, neste caso específico, a União pode até


criar um IPVA federal ou um ISS federal. Observamos que é um caso
permitido pela CF de bitributação exclusiva de dois impostos, sendo
aceito que a União tribute sobre o mesmo fato gerador ou sobre a
mesma base de cálculo dos impostos de competência dos outros
entes federativos.

Até a aula 2.

Edvaldo Nilo.

RESUMO DO TEMA 1

(I) A competência tributária é o poder conferido à União, aos


Estadosmembros, ao Distrito Federal e aos Municípios de instituir tributos por
meio do processo legislativo discriminado nas normas constitucionais.

(II) O texto constitucional não institui os tributos, mas sim outorga a


competência tributária para os entes federativos criarem os tributos e descreve
de que forma esta competência pode ser exigida.
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(III) A competência legislativa é o gênero do qual se origina a competência


tributária, que é uma espécie de competência legislativa para a criação de
tributos

(IV) A competência legislativa classifica-se como exclusiva, privativa,


concorrente, suplementar, local e residual.

(V) A competência legislativa exclusiva ocorre quando atribuída a apenas


um ente da federação, com a exclusão de todos os demais.

(VI) A competência legislativa privativa acontece quando enumerada como


própria de uma entidade (União, no caso brasileiro), com possibilidade, ao
contrário da competência exclusiva, de delegação ou suplementariedade.

(VII) A competência legislativa concorrente é aquela que pode ser exercida por
mais de uma pessoa política. A Constituição Federal estabelece, por exemplo,
que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre direito tributário. Neste caso, é fundamental deixar
claro que no âmbito da legislação concorrente no sistema jurídico brasileiro, a
competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais. Assim, a
competência da União para legislar sobre normas gerais de direito tributário
não exclui a competência suplementar dos Estados e do Distrito Federal, eis
que inexistindo lei federal (União) sobre normas gerais de direito tributário, os
Estados e o Distrito Federal exercerão a competência legislativa plena, para
atender a suas peculiaridades. E a superveniência de lei federal sobre normas
gerais de direito tributário suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for
contrário.

(VIII) A competência legislativa suplementar significa exatamente a


competência de poder de fixar normas que desdobrem o conteúdo de normas
gerais da União ou que preencham a ausência ou omissão destas normas
gerais.

(IX) A competência legislativa local é dos Municípios e do Distrito Federal, uma


vez que a CF/88 disciplina que compete aos Municípios legislar sobre assuntos
de interesse local. E o Distrito Federal possui competência legislativa municipal
e estadual.

(X) A competência legislativa residual é pertencente aos Estados e ao Distrito


Federal, pois a CF/88 determina que são reservadas aos Estados as
competências que não lhes sejam vedadas pela Constituição.

(XI) Noutra perspectiva, a competência tributária classifica-se como


exclusiva, residual, extraordinária, comum e cumulativa.

(XII) A competência tributária exclusiva ou privativa se refere a competência da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para instituir os
tributos que a Constituição prevê especificamente apenas para cada ente
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federativo.

(XIII) Competência exclusiva ou privativa da União: (i) Impostos: a) imposto


sobre importação de produtos estrangeiros (II) – art. 153, I; b) imposto sobre
exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE) – art.
153, II; c) imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) – art.
153, III; d) imposto sobre produtos industrializados (IPI) – art. 153, IV; e)
imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou
valores mobiliários (IOF) – art. 153, V; f) imposto sobre propriedade territorial
rural (ITR) – art. 153, VI; g) imposto sobre grandes fortunas (IGF) – art. 153,
VII; (ii) Empréstimos Compulsórios (art. 148): a) empréstimo por calamidade
ou guerra externa (art. 148, I); b) empréstimo por investimento público urgente
e de relevância nacional (art. 148, II); (iii) Contribuições especiais ou
parafiscais: a) contribuições de seguridade social (art. 195, art. 239; ADCT,
art. 74, 75, 84 e 90); b) contribuições sociais (art. 212, § 5º e art. 240); c)
contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, também
denominadas de corporativas (art. 149); d) contribuições de intervenção no
domínio econômico (CIDE) – art. 149 e art. 177, § 4º.

(XIV) Competência exclusiva ou privativa dos Estados e do Distrito


Federal: (i) Impostos (CF, art. 155): a) impostos sobre transmissão causa
mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCMD) – art. 155, I; b)
impostos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação (ICMS) – art. 155, II; c) imposto sobre propriedade de veículos
automotores (IPVA) – art. 155, III.

(XV) Competência exclusiva ou privativa dos Municípios e do Distrito


Federal: (i) Impostos (CF, art. 156): a) imposto sobre propriedade predial e
territorial urbana (IPTU) art. 156, I; b) impostos sobre transmissão inter vivos,
por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis, exceto os
de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição (ITBI) – art. 156, II;
c) imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISS), não compreendidos no
ICMS, definidos em lei complementar – art. 156, III; (ii) Contribuição para o
custeio do serviço de iluminação pública (COSIP ou CIP) - art. 149-A.

(XVI) A competência tributária residual se refere à competência da União para


instituir mediante lei complementar, impostos não previstos na sua
competência, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou
base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição (art. 154, I).

(XVII) A competência tributária extraordinária é a competência da União para


instituir na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extraordinários,
compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão
suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação (art. 154, II).

(XVIII) A competência tributária comum ou concorrente é a competência de


todos os entes políticos para instituição de taxas, contribuições de melhoria e

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contribuição previdenciária dos seus servidores, dentro da esfera de
competência político-administrativa de cada um.

(XIX) Competência comum ou concorrente da União, Estados-membros,


DF e Municípios: (i) Taxas (art. 145, II): a) taxas de polícia; b) taxas de
serviço; (ii) Contribuições de Melhoria (art. 145, III. da CF/88); (iii)
Contribuição previdenciária (art. 149, §1º).

(XX) A competência tributária cumulativa é a competência da União para


instituir, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for
dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais (art. 147, da
CF/88).

(XXI) A doutrina atribui algumas características à competência tributária: (i)


indelegabilidade; (ii) incaducabilidade; (iii) inalterabilidade; (iv)
irrenunciabilidade; (v) facultatividade.

(XXII) A indelegabilidade é entendida como a impossibilidade do ente


federativo delegar a terceiros a sua competência para instituir o tributo.

(XXIII) A incaducabilidade ou imprescritibilidade ou, ainda, não sujeita a


decadência, a significar que o não-exercício da competência tributária não a
defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição
a tenha atribuído.

(XXIV) A inalterabilidade, no sentido que o próprio ente federativo competente


para instituir determinados tributos pelo texto constitucional não pode ampliar
por meio de norma ordinária (infraconstitucional) a sua competência tributária.

(XXV) A irrenunciabilidade, segundo a qual não pode o ente federativo


renunciar a competência tributária, em virtude do postulado da indisponibilidade
do interesse público

(XXVI) A facultatividade significa que a competência tributária é uma faculdade


que pode ou não ser utilizada pela pessoa política, criando ou não o tributo, ou
ainda, criando-o somente em parte.

RESUMO DO TEMA 2

(I) Os impostos da União, em regra, são os seguintes: a) imposto sobre


importação de produtos estrangeiros (II); b) imposto sobre exportação, para o
exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados (IE); c) imposto sobre renda
e proventos de qualquer natureza (IR); d) imposto sobre produtos
industrializados (IPI); e) imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro,
ou relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF); f) imposto sobre propriedade
territorial rural (ITR); g) imposto sobre grandes fortunas (IGF).

(II) Existem dois outros impostos da União: a) impostos residuais; b) impostos


extraordinários de guerra (IEG).
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(III) O imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II) incide sobre a


importação de mercadoria estrangeira e tem como fato gerador a entrada
desses produtos estrangeiros no território nacional (art. 19 do CTN).

(IV) O imposto de importação tem como fato gerador a entrada de produtos


estrangeiros no território nacional, sendo certo que, tratando-se de mercadoria
despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data
do registro, na repartição aduaneira competente, da declaração
apresentada pelo importador.

(V) O valor da alíquota do II rege-se pela norma vigente à época da


efetivação do registro da declaração apresentada, pelo importador, para
efeito de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria importada.

(VI) A base de cálculo do imposto de importação (II) é: (a) quando a alíquota


seja específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária, que é a
quantidade de mercadoria; (b) quando a alíquota seja ad valorem, o preço
normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em
uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar
de entrada do produto no País. Neste caso, existe previsão normativa
afirmando que a base de cálculo é o valor aduaneiro do produto ou
mercadoria definido no artigo VII (7°) do Acordo Geral sobre Tarifas
Aduaneiras e Comércio; (c) quando se trate de produto apreendido ou
abandonado, levado a leilão, o preço da arrematação.

(VII) Considera-se contribuinte do imposto sobre importação (II): (a) o


importador ou quem a lei a ele equipara, assim considerada qualquer pessoa
que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (b) o
arrematante de produtos apreendidos ou abandonados; (c) o destinatário de
remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; (d) o
adquirente de mercadoria entrepostada.

(VIII) O II, juntamente com o imposto sobre exportação (IE), é considerado pela
classificação estabelecida pelo CTN como imposto sobre o comércio
exterior.

(IX) O imposto sobre exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou


nacionalizados (IE) tem como fato gerador a saída destes do território
nacional.

(X) O IE incide sobre o produto nacional ou nacionalizado destinado ao


exterior. Considera-se nacional o produto produzido no território brasileiro e
nacionalizado o produto estrangeiro importado a título definitivo.

(XI) A base de cálculo do IE é a seguinte: (a) quando a alíquota seja


específica, a unidade de medida adotada pela lei tributária; (b) quando a
alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre

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concorrência (art. 24 do CTN). Ressalta-se que quando a alíquota seja ad
valorem, considera-se a entrega como efetuada no porto ou lugar da saída do
produto, deduzidos os tributos diretamente incidentes sobre a operação de
exportação e, nas vendas efetuadas a prazo superior aos correntes no
mercado internacional, o custo do financiamento (art. 24, parágrafo único, do
CTN).

(XII) O contribuinte do IE é o exportador ou quem a lei a ele equiparar, assim


considerado qualquer pessoa que promova a saída do produto do território
nacional.

(XIII) À exceção dos II, IE e do ICMS, nenhum outro imposto poderá incidir
sobre operações relativas à energia elétrica, serviços de telecomunicações,
derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.

(XIV) O imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza (IR) tem como
fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: a) de
renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de
ambos; b) de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os
acréscimos patrimoniais não compreendidos como renda.

(XV) A incidência do IR independe da denominação da receita ou do


rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da
origem e da forma de percepção.

(XVI) No caso de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei


estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade,
para fins de incidência do IR. De tal modo, verifica-se que o IR pode incidir na
hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior (território
estrangeiro).

(XVII) O IR pode incidir, nos termos e limites fixados em lei, sobre


rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência
social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa
com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída,
exclusivamente, de rendimentos do trabalho.

(XVIII) O IR será informado pelos critérios ou princípios da generalidade, da


universalidade e da progressividade, na forma da lei.

(XIX) No que tange especificadamente ao imposto de renda da pessoa física


(IRPF), a base de cálculo é o seu rendimento bruto. Em relação ao imposto
de renda da pessoa jurídica (IRPJ), a base de cálculo pode ser o lucro real
ou lucro presumido, ordinariamente, e, excepcionalmente, o lucro arbitrado.

(XX) No que se refere ao contribuinte do IR, é o titular da disponibilidade


econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sem
prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens

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produtores de renda ou dos proventos tributáveis. A lei também pode atribuir à
fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de
responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.

(XXI) O imposto sobre produtos industrializados (IPI) tem como fato gerador:
(i) o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; (ii) a
saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial
(ex.: o comerciante), quando for de produção nacional; (iii) a sua arrematação,
quando apreendido ou abandonado e levado a leilão.

(XXII) Caracteriza-se como industrialização qualquer operação que modifique


a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do
produto, ou o aperfeiçoe para consumo

(XXIII) As relevantes características constitucionais do IPI são: (a) será


seletivo, em função da essencialidade do produto; (b) será não-cumulativo,
compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado
nas anteriores; (c) não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao
exterior; (d) terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital
pelo contribuinte do imposto, na forma da lei.

(XXIV) Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição


Federal, observa-se o princípio da não-cumulatividade compensando-se o que
for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o
que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria
considerada a alíquota zero. Se a desoneração total do IPI – não tributação
ou alíquota zero – que, nas entradas, provoca, para efeitos quantitativos,
diferença máxima entre sua condição numérico-tributária e as alíquotas de
saída, não autoriza que o contribuinte se credite, é evidente que,
produzindo diferenças menores, a desoneração parcial não pode, por
maior razão, gerar-lhe direito de crédito.

(XXV) A base de cálculo do IPI é a seguinte: (a) no caso do fato gerador ser o
desembaraço aduaneiro, quando for importação de produto industrializado de
procedência estrangeira, é o preço normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre
concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País
acrescido do montante do imposto sobre a importação (II), das taxas exigidas
para entrada do produto no País e dos encargos cambiais efetivamente pagos
pelo importador ou dele exigíveis. Assim, a base de cálculo é o valor aduaneiro
+ imposto de importação (II) + taxas + encargos cambiais; (b) no caso da saída
do estabelecimento do produto industrializado (fato gerador), quando o
produto for nacional, o valor da operação de que decorrer a saída da
mercadoria, ou na falta deste valor, o preço corrente da mercadoria, ou sua
similar, no mercado atacadista da praça do remetente; (c) na hipótese de
arrematação do produto industrializado, quando apreendido ou abandonado e
levado a leilão, o preço da arrematação (art. 47 do CTN).

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(XXVI) Em relação ao contribuinte do IPI, vocês devem saber o seguinte: (a) o
importador ou quem a lei a ele equiparar; (b) o industrial ou quem a lei a ele
equiparar; (c) o comerciante de produtos sujeitos ao IPI, que forneça produtos
industrializados aos contribuintes definidos como industrial ou quem a lei a ele
equiparar; (d) o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados,
levados a leilão. E para os efeitos do IPI, considera-se contribuinte autônomo
qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou
arrematante.

(XXVII) O fato gerador do IOF é: (a) quanto às operações de crédito, a sua


efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o
objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; (b) quanto
às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou
estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição
do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional
entregue ou posta à disposição por este; (c) quanto às operações de seguro,
a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou
recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; (d) quanto às operações
relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento
ou resgate destes, na forma da lei aplicável (art. 63, do CTN).

(XXVIII) Observo que a incidência do IOF sobre operações de crédito exclui a


incidência do IOF sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários, e
reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título
representativo de uma mesma operação de crédito (art. 63, parágrafo único,
do CTN). Deste modo, na hipótese de acontecer apenas uma operação (o
crédito é representado somente por um título de crédito), não há incidência
cumulativa do imposto sobre operações de crédito (art. 63, inc. I, do CTN) e do
imposto sobre operações com títulos ou valores imobiliários (art. 63, inc. IV, do
CTN), mas somente do imposto sobre operações de crédito.

(XXIX) O IOF é o único tributo que incide sobre operações com o ouro, quando
definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (meio de
pagamento), sendo devido na operação de origem. A alíquota mínima será de
um por cento (1%), assegurada a transferência do montante da arrecadação
nos seguintes termos: (a) trinta por cento (30%) para o Estado, o Distrito
Federal ou o Território, conforme a origem; (b) setenta por cento (70%) para o
Município de origem.

(XXX) A base de cálculo do IOF é: (i) quanto às operações de crédito, o


montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; (ii) quanto às
operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, recebido,
entregue ou posto à disposição; (iii) quanto às operações de seguro, o
montante do prêmio; (iv) quanto às operações relativas a títulos e valores
mobiliários: (a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver; (b) na
transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação em Bolsa, como
determinar a lei; (c) no pagamento ou resgate, o preço.

(XXXI) O contribuinte do IOF é qualquer das partes na operação tributada,

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como dispuser a lei.

(XXXII) O imposto sobre propriedade territorial rural (ITR) será


obrigatoriamente progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a
desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. O ITR não incidirá
sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o
proprietário que não possua outro imóvel. O ITR poderá ser fiscalizado e
cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei, desde que não
implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal.

(XXXIII) O fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de


imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana
do Município. No que concerne à base do cálculo do ITR, é o valor fundiário.
O contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil,
ou o seu possuidor a qualquer título

(XXXIV) Com efeito, a Constituição dispõe que pertence ao Município a


totalidade (100%) do valor arrecadado com o ITR na hipótese de optar por
fiscalizar e cobrar este tributo. Caso não faça esta opção, cabe ao Município
50% do montante arrecadado com o ITR (art. 158, II).

(XXXV) Compete à União instituir imposto sobre grandes fortunas, nos termos
de lei complementar.

(XXXVI) A União poderá instituir, mediante lei complementar, impostos


residuais, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou
base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição.

(XXXVIII) A União poderá instituir na iminência ou no caso de guerra externa,


impostos extraordinários (IEG), compreendidos ou não em sua
competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas
as causas de sua criação.

QUESTÕES TRATADAS NO TEMA 1

1. (FCC/Procurador Estadual/SP/2009) Competência tributária.


I. É vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional, ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao
Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão
de incentivos fiscais a contribuintes hipossuficientes.
II. A competência legislativa dos Estados, em matéria tributária, é residual,
podendo instituir outros impostos, além dos já previstos na Constituição
Federal, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base
de cálculo próprios dos nela discriminados.
III. Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão sua
competência legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.
IV. Existindo norma geral da União, é facultado aos Estados legislar
supletivamente em matéria tributária.

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V. A competência legislativa dos Estados para instituir o IPVA depende da
prévia edição de lei complementar, conforme já decidiu o Supremo Tribunal
Federal.
Está correto o que se afirma em
(A) II e V, apenas.
(B) III e IV, apenas.
(C) I, II e IV, apenas.
(D) I, III e V, apenas.
(E) I, II, III, IV e V.

2. (FGV/ICMS/RJ/2009) Em relação à competência tributária, assinale a


afirmativa incorreta.
(A) Corresponde à aptidão de que são dotados os entes políticos para editarem
leis instituidoras de tributos.
(B) É indelegável, salvo a atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar
tributos.
(C) De acordo com os ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal, constituem
requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição,
previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência
constitucional do ente da Federação.
(D) Seu não-exercício no tempo, pelo prazo de cinco anos contados da
promulgação da Constituição, implica sua transferência para outro ente
federativo, nos termos de Resolução a ser editada pelo Senado Federal.
(E) A outorga de competências tributárias aos entes federativos afigura-se
como pedra angular da forma federativa de Estado, caracterizado por entes
políticos dotados de autonomia financeira.

3. (FCC/ICMS/SP/2009) A respeito da competência tributária, considere:


I. A competência tributária é o poder, conferido a determinado ente político, por
lei complementar específica, para aumentar tributos.
II. A competência tributária é indelegável. Porém, as funções de arrecadar ou
fiscalizar os tributos ou de executar leis, serviços, atos ou decisões
administrativas em matéria tributária podem ser delegadas por uma pessoa
jurídica de Direito Público a outra.
III. A competência tributária, que compreende a competência legislativa e a
capacidade tributária, é delegável.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) I e III.

4. (FCC/ICMS/SP/2009) Em relação à competência tributária, cabe


(A) à União instituir impostos sobre: I) importação de produtos estrangeiros; II)
propriedade territorial rural; III) doação de quaisquer bens e direitos.
(B) aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I) transmissão
causa mortis; II) operações relativas à circulação de mercadorias e sobre

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prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação; III) propriedade de veículos de qualquer natureza.
(C) aos Municípios instituir impostos sobre: I) propriedade territorial urbana e
rural; II) serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência
tributária dos Estados, definidos em lei complementar; III) doação de quaisquer
bens e direitos.
(D) aos Estados instituir impostos sobre: I) propriedade predial territorial e
urbana; II) transmissão inter vivos a qualquer título, por ato oneroso ou gratuito
de quaisquer bens e direitos; III) serviços de qualquer natureza.
(E) à União instituir impostos sobre: I) importação de produtos estrangeiros; II)
propriedade territorial rural; III) os impostos estaduais em território Federal e, se
o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos
municipais.

5. (AFRF/2005/ESAF) Competência tributária é o poder que a Constituição


Federal atribui a determinado ente político para que este institua um tributo,
descrevendo-lhe a hipótese de incidência, o sujeito ativo, o sujeito passivo, a
base de cálculo e a alíquota.
Sobre a competência tributária, avalie o asserto das afirmações adiante e
marque com (V) as verdadeiras e com (F) as falsas; em seguida, marque a
opção correta.
( ) A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de
arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões
administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de
direito público a outra.
( ) O não-exercício da competência tributária por determinada pessoa política
autoriza a União a exercitar tal competência, com base no princípio da
isonomia.
( ) A pessoa política que detém a competência tributária para instituir o imposto
também é competente para aumentá-lo, diminuí-lo ou mesmo conceder
isenções, observados os limites constitucionais e legais.
a) F, V, F.
b) F, F, V.
c) F, V, V.
d) V, F, V.
e) V, V, V.

6. (PFN/2004/ESAF) Considerados os temas competência tributária e


capacidade tributária ativa, marque com V a assertiva verdadeira e com F
a falsa, assinalando ao final a opção correspondente.
( )A competência tributária é delegável.
( )A capacidade tributária ativa é indelegável.
( )A União é quem detém a competência tributária no que toca às contribuições
sociais para o financiamento da Seguridade Social.
( )Lei complementar pode delegar a qualquer pessoa jurídica de direito público
a competência tributária.
a) V, F, V, V.
b) F, V, F, V.
c) F, F, V, F.
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d) V, V, V, F.
e) F, V, F, F.

7. (ESAF/Procurador do DF/2007.1) Assinale a opção correta. O Distrito


Federal, entidade integrante da República Federativa do Brasil, pode instituir:
a) imposto sobre propriedade territorial rural; imposto sobre transmissão causa
mortis de quaisquer bens ou direitos, contribuição de melhoria e contribuições
sociais de quaisquer espécies.
b) impostos extraordinários, taxas e empréstimos compulsórios.
c) imposto sobre doação de quaisquer bens ou direitos; taxas pela utilização,
efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis; contribuições
de interesse de categorias econômicas.
d) contribuição para o custeio de sistemas de previdência e assistência social
de seus servidores; imposto sobre serviços de qualquer natureza; taxas, em
razão do exercício do poder de polícia.
e) imposto sobre propriedade predial e territorial urbana; contribuição de
melhoria; contribuições sociais e contribuição de intervenção no domínio
econômico.

8. (ATN/Recife/2003/ESAF) Avalie as formulações seguintes, observadas as


disposições pertinentes ao tema "competência tributária", constantes do Código
Tributário Nacional, e, ao final, assinale a opção que corresponde à resposta
correta.
I - É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios o
cometimento, a pessoas de direito privado, do encargo ou da função de
arrecadar tributos.
II - Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras
pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa
daquela a que tenham sido atribuídos.
III - A atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, conferida por
uma pessoa jurídica de direito público a outra, pode ser revogada, a qualquer
tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha
conferido.
IV - A atribuição das funções de executar leis, serviços, atos ou decisões
administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de
direito público a outra, compreende as garantias e os privilégios processuais
que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir.
a) Apenas as formulações I, II e III são corretas.
b) Apenas as formulações II, III e IV são corretas.
c) Apenas as formulações I, III e IV são corretas.
d) Apenas as formulações II e IV são corretas.
e) Todas as formulações são corretas.

9. (ATN/Fortaleza/2003/ESAF) A respeito do tema competência para instituir


impostos, é correto afirmar:
a) aos Estados e ao Distrito Federal compete instituir, entre outros impostos
que a Constituição Federal lhes atribui, o imposto sobre propriedade de
veículos automotores e o imposto sobre transmissão inter vivos de bens
imóveis situados em seus territórios.
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b) o imposto sobre serviços de transportes intermunicipais é de competência do
Município em que se iniciarem as prestações dos serviços.
c) os impostos sobre propriedade predial e territorial urbana e sobre vendas a
varejo de
combustíveis líquidos e gasosos são de competência dos Municípios.
d) compete ao Distrito Federal instituir os impostos que cabem aos Municípios,
sem prejuízo da competência que a Constituição Federal lhe assegura para
instituir outros impostos expressamente indicados.
e) por força de emenda constitucional promulgada recentemente, a
competência para instituir o imposto sobre propriedade territorial rural foi
transferida da União para os Estados e o Distrito Federal.

10. (ATE/MS/2001/ESAF) Em tema de competência legislativa sobre matéria


de Direito Tributário, é correta a afirmação de que:
a) Os Estados têm competência para legislar suplementarmente sobre normas
gerais de Direito Tributário.
b) Mesmo na ausência de lei federal sobre normas gerais de Direito Tributário,
é vedado aos Estados exercer essa competência legislativa.
c) A eficácia de lei estadual sobre normas gerais de Direito Tributário fica
mantida ante a superveniência de lei federal da mesma natureza, mesmo no
que lhe for contrário.
d) No âmbito da competência concorrente para legislar sobre Direito Tributário
os Estados só podem legislar sobre normas gerais.
e) A legislação tributária dos Estados é aplicada nos respectivos Municípios,
em virtude de estes não terem competência para legislar sobre Direito
Tributário.

11. (AFTN/94/ESAF) A Constituição da República prevê que, inexistindo lei


federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa
plena, para atender a suas peculiaridades (art. 24, § 3º). Tendo em vista isto e,
quando for o caso, o disposto no Código Tributário Nacional, é razoável dizer
que
a) o não-exercício, pela União, da competência para legislar sobre normas
gerais de direito tributário, a defere aos Estados, para atender a suas
peculiaridades.
b) o não-exercício da competência para instituir tributos a defere a pessoa
jurídica de direito público diversa daquela a que tal competência cabia
originalmente.
c) a competência da União para legislar sobre normas de direito tributário exclui
a competência suplementar dos Estados.
d) em matéria de direito tributário a competência da União, além de legislar
sobre seus próprios tributos e sobre normas gerais, poderá fazê-lo em relação
à competência não exercida pelos Estados e Municípios
e) faltando norma geral sobre o encargo ou a função de arrecadar tributo
municipal, o Estado poderá supletivamente cometer um e outro a pessoas de
direito privado.

12. (AFTN/96/ESAF) União, Estados, Municípios e Distrito Federal


a) podem delegar capacidade para instituir, arrecadar e fiscalizar um tributo.
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b) podem delegar capacidade para arrecadar e fiscalizar um tributo.
c) podem delegar capacidade para instituir e arrecadar um tributo.
d) podem delegar capacidade para instituir e fiscalizar um tributo.
e) não podem delegar capacidade tributária ativa.

13. (AFTE/PI/2001/ESAF/Adaptada) Assinale a opção correta.


a) A competência tributária consiste na faculdade de que dispõem os entes
políticos para instituir tributos em relação às pessoas submetidas a sua
soberania, e a capacidade tributária ativa consiste na aptidão atribuída a uma
pessoa para figurar no pólo ativo de uma relação jurídico-tributária.
b) A competência tributária é a aptidão para arrecadar tributos, obedecidos os
requisitos legais, e a capacidade tributária ativa é a aptidão para instituí-los,
sempre por meio de lei.
c) A competência tributária e a capacidade tributária ativa são indelegáveis,
ainda que por meio de lei.
d) A competência tributária é, em determinadas situações, delegável, por meio
de lei, mas a capacidade tributária ativa é indelegável.
e) A atribuição da capacidade tributária ativa a pessoa diferente daquela que
dispõe da competência tributária só pode ser revogada de comum acordo entre
ao titular da competência tributária e a pessoa jurídica a quem foi delegada a
capacidade tributária ativa.

14. (AFPS/2002/ESAF) Em relação ao tema competência tributária, é correto


afirmar que:
a) a Constituição atribui à União competência residual para instituir impostos,
contribuições para a seguridade social e taxas.
b) a instituição de empréstimos compulsórios requer lei complementar da
União, dos Estados ou do Distrito Federal, conforme competência que a
Constituição confere a cada um desses entes da Federação.
c) para instituir impostos com fundamento na competência residual, é
imprescindível, além da competência tributária, veiculação da matéria por lei
complementar e observância dos princípios constitucionais da
nãocumulatividade e da identidade plena com outros impostos discriminados
na Constituição, no que se refere a fato gerador e base de cálculo.
d) somente a União tem competência residual para instituir impostos.
e) os Estados, o Distrito Federal e os Municípios têm competência para instituir
impostos, taxas, contribuição de melhoria e contribuição de intervenção no
domínio econômico, que a Constituição lhes reserva.

15. (CESPE/UNB/PGE-PI/2008) A CF, ao disciplinar as competências


tributárias das unidades da Federação, criou a competência residual. A respeito
da competência tributária residual, assinale a opção correta.
(A) A competência tributária residual é aquela que possibilita aos estados
instituírem tributos já criados na esfera federal.
(B) Esse tipo de competência rege a criação de tributos pela União na
iminência de guerra externa.
(C) A competência tributária residual tem origem no fato de ser possível a todas
as unidades da Federação criar taxas.

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(D) A criação de novos tributos não previstos na CF depende de aprovação de
lei complementar Federal.
(E) A competência tributária residual é exclusiva da União, que pode criar
tributos cumulativos.

16. (CESPE/UNB/Juiz Federal/2007) A indelegabilidade restringe-se à


competência tributária, e não abrange as funções fiscais de fiscalização e
arrecadação, podendo este último encargo ou função ser cometido a pessoa
jurídica de direito privado, sem que isso constitua ato de delegação.

17. (FCC/Auditor/TCE/AL/2008) O ITR – Imposto Sobre a Propriedade


Territorial Rural é de competência da União. Contudo, os Municípios, nos
termos da lei, poderão optar em arrecadar e fiscalizar este imposto, conforme
autoriza a Constituição Federal. Neste caso o Município que assim optar será
titular da
(A) competência tributária ativa.
(B) competência e da capacidade tributária ativa.
(C) capacidade tributária ativa.
(D) competência tributária delegada.
(E) capacidade tributária delegante.

18. (FCC/Juiz de Direito/AL/2007) Nos termos do art. 153, § 4o, III, da


Constituição Federal, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural poderá
ser fiscalizado e cobrado pelo Município. Se o Município, em caráter
excepcional, resolver fazer uso dessa faculdade, passará a exercer
(A) a competência tributária plena.
(B) juntamente com a União a competência tributária.
(C) a competência e a capacidade tributária ativa.
(D) juntamente com a União a capacidade tributária ativa.
(E) a capacidade tributária ativa, ficando reservada à União a competência
tributária.

19. (ESAF/Procurador/DF/2007.2) O Distrito Federal, com o advento da


Constituição Federal de 1988, assumiu titularidade de pessoa jurídica pública
com capacidade política e gozo de ampla autonomia e governabilidade.
Deixou, portanto, de ser, apenas, sede administrativa da União. Em
conseqüência dessa nova estrutura constitucional que lhe foi atribuída, assinale
a opção correta.
a) A Câmara Legislativa do Distrito Federal tem ampla competência, em
concreto, para instituir só os impostos que a Constituição autoriza os Estados a
cobrá-los.
b) O exercício da competência tributária do Distrito Federal pode ser limitado
por Lei Complementar Nacional.
c) O Distrito Federal, por meio de sua Câmara Legislativa, tem competência
para editar lei sobre o pagamento de IPVA, quando ausente Lei Complementar
da União estabelecendo normas gerais.
d) O Distrito Federal não tem competência concorrente para instituir a cobrança
de custas dos serviços forenses prestados pelo Poder Judiciário local, mesmo

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quando a União permaneça omissa em estabelecer, por Lei Complementar,
normas gerais a respeito.
e) A inércia da União em regulamentar a matéria tributária prevista no art. 24
da Constituição Federal, redação atual, impedirá o Distrito Federal de,
exercendo competência concorrente, legislar, de modo específico, sobre
atualização do valor do ICMS.

20. (FCC/Defensoria Pública Estadual/Pará/2009) Sobre competência


constitucional em matéria tributária, é correto afirmar, EXCETO
(A) a competência tributária é indelegável, imprescritível, irrenunciável e
inalterável.
(B) a competência para instituição do ITR é da União, mas a capacidade
poderá ser transferida aos Municípios que optarem pela arrecadação e
fiscalização deste tributo, nos termos da lei.
(C) a isenção equivale a incompetência tributária para instituir tributos sobre
determinados fatos geradores, estando regulada na Constituição Federal.
(D) a competência para instituição do ISS é municipal e do ICMS é estadual.
(E) as competências para instituição de impostos são classificadas como
legislativas exclusivas e não podem ter seu rol ampliado.

21. (FCC/Procurador de Contas/Alagoas/2008) São tributos de competência


da União, EXCETO a contribuição
(A) de melhoria.
(B) social para a seguridade social.
(C) para o custeio do serviço de energia elétrica.
(D) de intervenção no domínio econômico.
(E) de interesse de categorias profissionais.

22. (ESAF/ATRFB/2010) O art. 154, inciso I, da Constituição Federal, outorga


à União o que se costuma chamar de competência tributária residual,
permitindo que institua outros impostos que não os previstos no art. 153. Sobre
estes impostos, é incorreto afirmar que:
a) Estados e Municípios não possuem competência tributária residual.
b) Terão de ser, necessariamente, não-cumulativos.
c) Não poderão ter base de cálculo ou fato gerador próprios dos impostos já
discriminados na Constituição Federal.
d) Caso sejam instituídos por meio de medida provisória, esta deverá ser
convertida em lei até o último dia útil do exercício financeiro anterior ao de
início de sua cobrança.
e) Para a instituição de tais impostos, há que se respeitar o princípio da
anterioridade.

GABARITO

1. B 2. D 3. B 4. E 5. D 6. C 7. D 8. B 9. D 10. A 11. A 12. B

13. A 14. D 15. D 16. Verdadeiro 17. C 18. E 19. C 20. C 21. C

22. D
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