You are on page 1of 39

Assuntos específicos

As tendências pedagógicas brasileiras foram muito influenciadas pelo momento cultural e político da sociedade, pois foram levadas à luz graças aos movimentos sociais e filosóficos. Essas formaram a prática pedagógica do país.

Os professores Saviani (1997) e Libâneo (1990) propõem a reflexão sobre as tendências pedagógicas. Mostrando que as principais tendências pedagógicas usadas na educação brasileira se dividem em duas grandes linhas de pensamento pedagógico. Elas são: Tendências Liberais e Tendências Progressistas.

Assuntos específicos As tendências pedagógicas brasileiras foram muito influenciadas pelo momento cultural e político da sociedade,

Os professores devem estudar e se apropriar dessas tendências, que servem de apoio para a sua prática pedagógica. Não se deve usar uma delas de forma isolada em toda a sua docência. Mas, deve-se procurar analisar cada uma e ver a que melhor convém ao seu desempenho acadêmico, com maior eficiência e qualidade de atuação. De acordo com cada nova situação que surge, usa-se a tendência mais adequada. E observa-se que hoje, na prática docente, há uma mistura dessas tendências.

Deste modo, seguem as explicações das características de cada uma dessas formas de ensino. Porém, ao analisá-las, deve-se ter em mente que uma tendência não substitui totalmente a anterior, mas ambas conviveram e convivem com a prática escolar.

1) Tendências Liberais - Liberal não tem a ver com algo aberto ou democrático, mas com uma instigação da sociedade capitalista ou sociedade de classes, que sustenta a ideia de que o aluno deve ser preparado para papéis sociais de acordo com as suas aptidões, aprendendo a viver em harmonia com as normas desse tipo de sociedade, tendo uma cultura individual.

1.1) Tradicional -Foi a primeira a ser instituída no Brasil por motivos históricos. Nesta tendência o professor é a figura central e o aluno é um receptor passivo dos conhecimentos considerados como verdades absolutas. Há repetição de exercícios com exigência de memorização.

1.2) Renovadora Progressiva - Por razões de recomposição da hegemonia da burguesia, esta foi a próxima tendência a aparecer no cenário da educação brasileira. Caracteriza-se por centralizar no aluno, considerado como ser ativo e curioso. Dispõe da ideia que ele “só irá aprender fazendo”, valorizam-se as tentativas experimentais, a pesquisa, a descoberta, o estudo do meio natural e social. Aprender se torna uma atividade de descoberta, é uma autoaprendizagem.O professor é um facilitador.

1.3) Renovadora não diretiva (Escola Nova) Anísio Teixeira foi o grande pioneiro da Escola Nova no Brasil.É um método centrado no aluno. A escola tem o papel de formadora de atitudes, preocupando-se mais com a parte psicológica do que com a social ou pedagógica. E para aprender tem que estar significativamente ligado com suas percepções, modificando-as.

1.4) Tecnicista Skinner foi o expoente principal dessa corrente psicológica, também conhecida como behaviorista. Neste método de ensino o aluno é visto como depositário passivo dos conhecimentos, que devem ser acumulados na mente através de associações. O professor é quem deposita os conhecimentos, pois ele é visto como um especialista na aplicação de manuais; sendo sua prática extremamente controlada. Articula-se diretamente com o sistema produtivo, com o objetivo de aperfeiçoar a ordem social vigente, que é o capitalismo, formando mão de obra especializada para o mercado de trabalho.

2) Tendências Progressistas - Partem de uma análise crítica das realidades sociais, sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação e é uma tendência que não condiz com as ideias implantadas pelo capitalismo. O desenvolvimento e popularização da análise marxista da sociedade possibilitou o desenvolvimento da tendência progressista, que se ramifica em três correntes:

2.1) Libertadora Também conhecida como a pedagogia de Paulo Freire, essa tendência vincula a educação à luta e organização de classe do oprimido. Onde, para esse, o saber mais importante é a de que ele é oprimido, ou seja, ter uma consciência da realidade em que vive. Além da busca pela transformação social, a condição de se libertar através da elaboração da consciência crítica passo a passo com sua organização de classe. Centraliza-se na discussão de temas sociais e políticos; o professor coordena atividades e atua juntamente com os alunos.

2.2) Libertária Procura a transformação da personalidade num sentido libertário e autogestionário. Parte do pressuposto de que somente o vivido pelo educando é incorporado e utilizado em situações novas, por isso o saber sistematizado só terá relevância se for possível seu uso prático. Enfoca a livre expressão, o contexto cultural, a educação estética. Os conteúdos, apesar de disponibilizados, não são exigidos pelos alunos e o professor é tido como um conselheiro à disposição do aluno.

2.3) "Crítico-social dos conteúdos” ou "Histórico-Crítica" - Tendência que apareceu no Brasil nos fins dos anos 70, acentua a prioridade de focar os conteúdos no seu confronto com as realidades sociais, é necessário enfatizar o conhecimento histórico. Prepara o aluno para o mundo adulto, com participação organizada e ativa na democratização da sociedade; por meio da aquisição de conteúdos e da socialização. É o mediador entre conteúdos e alunos. O ensino/aprendizagem tem como centro o aluno. Os conhecimentos são construídos pela experiência pessoal e subjetiva.

Após a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 9.394/96), ideias como de Piaget, Vygotsky e Wallon foram muito difundidas, tendo uma perspectiva sócio- histórica e são interacionistas, isto é, acreditam que o conhecimento se dá pela interação entre o sujeito e um objeto.

Contexto sócio-político da educação atual

A educação tem sido muito utilizada em nosso país principalmente em época de eleições, como campanha eleitoral, fato que se explica pelo grito que nossa população tem liberado em busca de um direito que lhe é constitucional.

O princípio de que a educação é dever do Estado, não implica no imobilismo da população e de cada indivíduo: a educação é também dever de todos, pais, alunos, comunidade. Com essa mobilização da população em defesa do ensino público, é possível pressionar ainda mais o Estado para que cumpra o seu dever de garantir a educação pública, gratuita e de bom nível para toda a população. Uma população acostumada a receber um bom serviço se mobilizará para continuar a tê-lo. (GADOTTI, 1995: 7-8)

Novamente, o tema é alvo de especulação política, onde uma necessidade para a viabilização do desenvolvimento do país se resume em promessas miraculosas de campanha. Nesse aspecto Darcy Ribeiro em seu texto publicado como prólogo da

Revista “carta: falas, reflexões memórias” (1995), Educação e a Política, afirma

que," A rica direita brasileira, desde sempre no poder, sempre soube dar, aqui ou lá fora, a melhor educação a seus filhos. Aos pobres dava a caridade educativa mais

barata que pudesse, indiferente à sua qualidade (

...

)".

(RIBEIRO, 1995:2)

É fato, que para conseguirmos alcançar a solução de diversos problemas enfrentados em nosso país, é necessário que se façam investimentos reais no processo educacional, mas a situação é muito mais complexa do que se pensa, pois não se implanta uma política de educação investindo somente em ensino superior, sendo que a realidade que mais afeta o país nesse sentido está na qualidade do ensino dispensado ainda no processo de escolarização básico, e em quantos alunos concluem esse ensino.

Assim, embora a redefinição de políticas de financiamento e alocação de recursos para a educação brasileira seja urgente e necessária, é preciso pensar de forma articulada num conjunto de indicadores que permita configurar uma escola e um ensino de qualidade numa perspectiva que abranja insumos, clima e cultura organizacional e

avaliação. Ou seja, é preciso pensar numa política de melhoria da qualidade de ensino que articule insumos e processos. (OLIVEIRA & ARAÚJO, 2005:20)

A abertura de mais vagas em faculdades, e a disponibilização de bolsas para o ensino superior, abre portas para uma discussão que deveria ser a maior preocupação de nossos representantes, se o ensino público básico, fundamental e médio fosse realmente de qualidade seria necessário um processo separado de abertura de vagas para os alunos que concluem essas etapas no ensino público? Se fosse de qualidade eles não poderiam concorrer em igualdade com alunos provenientes de ensino privado?

A baixa qualidade de nossa educação pode ser observada sob diversos aspectos, onde o principal personagem, é o aluno, que vive a margem da discriminação social por depender de uma escola pública que não satisfaz a necessidade de escolarização para sua inserção de forma igualitária na sociedade, que cada dia tem se tornado mais competitiva. A realidade das instituições públicas de ensino é assustadora, visto que, em muitas instituições nem profissionais preparados para professarem o ensino possuem, e quando os tem não valorizam nem o tempo que é dispensado para o exercício de sua profissão, quanto mais a qualidade daquilo que ensinam. Salários baixos, conteúdos retrógrados, falta de infra-estrutura, são algumas das dificuldades enfrentadas pela educação brasileira, e que entra governo e sai governo continua no mesmo patamar de desenvolvimento. Simplesmente acabar com o analfabetismo não resolve o problema, pois visão crítica de mundo não se adquire assinando o nome ou fazendo contas, se desenvolve através de discussões mais maduras sobre a realidade que acontece a sua volta, mas penso que o problema está justamente no medo da conscientização.

Diante disso, cabe uma discussão sobre o atual padrão de atendimento no ensino brasileiro, bem como uma reflexão sobre alguns aspectos do padrão de qualidade que almejamos para assegurar o direito à educação não apenas do ponto de vista do acesso. (OLIVEIRA & ARAÚJO, 2005:17)

É louvável que se invista em inserção do jovem no ensino superior, mas a grande parte deles não consegue concluir no ensino fundamental, pois precisam colocar o pão em casa, e a necessidade fala mais alto do que a vontade de continuar na escola, mesmo porque a escola nem sempre traz consigo atrativos para a permanência de seus alunos, e isso pode ser observado pelo grande número de menores em idade escolar envolvidos em situações de violência e criminalidade, sem contar a expansão do uso de drogas na realidade vivida por eles.

Com efeito, os números apresentados indicam que, apesar da ampliação do acesso à etapa obrigatória de escolarização observada nas últimas décadas, o direito à educação tem sido mitigado pelas desigualdades tanto sociais quanto regionais, o que inviabiliza a efetivação dos dois outros princípios basilares da educação entendida como direito: a garantia de permanência na escola e com nível de qualidade equivalente para todos. (OLIVEIRA & ARAÚJO, 2005:13)

Diante da realidade que nossa sociedade vive e dos resultados que estamos colhendo em nosso dia-a-dia, é evidente que a educação tão discutida não está sendo tão priorizada, pois a cada dia estamos perdendo ainda mais nossos valores morais, o que pode ser observado por tantos escândalos políticos, que também estão sendo vivenciados por nossos jovens, investir em educação é muito mais do que abrir vagas, é ter responsabilidade com a formação de um novo cidadão que integrará o processo social, e será o principal personagem na busca pelo desenvolvimento e transformação da realidade vergonhosa que nosso país tem vivido, e esse investimento só trará frutos se for feito a partir da semente, ou seja, a educação é um todo, e só alcançará sua finalidade se valorizada em sua totalidade.

Sobre esse assunto, Paulo Freire enfatiza bem a verdadeira condição da escolarização democrática vivida pela sociedade atual, onde afirma que,

Um desses sonhos para que lutar, sonho possível mas cuja concretização demanda coerência, valor, tenacidade, senso de justiça, força para brigar, de todas e de todos os que a ele se entreguem, é o sonho por um mundo menos feio, em que as desigualdades diminuam, em que as discriminações de raça, de sexo, de classe sejam sinais de vergonha e não de afirmação orgulhosa ou de lamentação puramente cavilosa. No fundo, é um sonho sem cuja realização a democracia de que tanto falamos, sobretudo hoje, é uma farsa.

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA NO CONTEXTO SOCIOECONÔMICO-CULTURAL

O momento presente vem demonstrando, através dos mais diferentes meios de comunicação, dos vários setores da economia brasileira, significativas manifestações em prol da educação. Parece estar havendo a grande conscientização do peso da educação na nova realidade que vem remodelando o mundo.

Por décadas, o País descuidou-se da educação de seu povo. Os alertas de educadores, de intelectuais, passavam como que despercebidos pelos governantes. Os ilustrados discursos políticos ficavam, grandemente, no papel, não se transmutavam em ações efetivas. A educação, relegada a um plano inferior, foi deteriorando-se, caindo na grave e significativa defasagem dos dias atuais. A escola, que deveria representar portas abertas à ascensão social, tornara-se obsoleta pelo desajuste entre sua fraca atuação e a alta competitividade do mercado de trabalho, que exige qualificação profissional. Na verdade, encontramos, em termos de ensino fundamental e médio, boas escolas privadas para os ricos e, infelizmente, más escolas públicas para os pobres, com exceções.

A professora Luciana Velo, ganhadora do concurso “O professor escreve sua história”, desabafou, dizendo: “O professor é discriminado e tratado com descaso pelo governo e pela sociedade e não tem chance de evoluir”.

Até ontem, a repercussão e as conseqüências dessa defasagem tinham seu reflexo voltado, quase que exclusivamente, para o interior do País. Hoje, com a globalização, com o País plugado ao mundo, lidando com novos referenciais, o baixo nível de escolaridade de sua população afeta a sua imagem externa e a sua credibilidade. A qualidade de mão-de-obra se tornou essencial para assegurar condições mínimas de competitividade à economia da nação. Os centros internacionais, com sua economia forte de mercado, regem, em massificação, destinos dos demais países, sendo mais prejudicados os que menos aparelhados estão.

Em tempos em que o conhecimento não tem fronteiras, não há como conviver com padrões de escolaridade baixos; são incompatíveis com essa realidade. No impacto da competitividade, o mercado já exige fluência em dois ou mais idiomas, conhecimentos aprimorados da informática e uma cultura geral ampla. O consultor francês

Olivier Bertrand reforça esta análise, dizendo: “A competitividade das nações depende cada vez mais da qualidade de seus recursos humanos e não da quantidade de seus recursos naturais”.

No Brasil, as deficiências do sistema educacional perpassam os três níveis de ensino, atingindo o quarto grau, que é o da pós-graduação.

A educação passa, no presente, por amplas reformas. Mexem-se nos currículos do ensino fundamental e médio,

em seus amplos aspectos informativos e formativos. O MEC formulou as “Diretrizes Curriculares Nacionais”

(DCN), que fixam o currículo mínimo obrigatório e a carga horária a ser seguida por todas as escolas do território nacional. Elaborou os “Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) para a educação básica, que são de grande ajuda ao professor, em sala de aula. São uma referência do que seria uma boa escola. Os “Parâmetros Curriculares Nacionais” não têm caráter obrigatório e abordam sugestões de currículos com conteúdos renovados que levam o aluno a “aprender a aprender”, onde informação e formação caminham em movimento

circular.

Questionam-se, também, o currículo do 3º grau a desatualização da Universidade diante do mercado globalizado dos nossos dias e a formação do professor. Na relevante questão da repetência e da evasão escolares, desloca-se do aluno o foco do problema e passa-se a corrigir as falhas do sistema. Através de uma avaliação processual contínua do sistema: “Avaliação da Educação Básica” (Saeb), procura-se situar o nível de aprendizagem dos alunos e ajustar o sistema nos aspectos necessários. Ao avaliar o 2º grau, deu-se início ao projeto de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), exame nacional de final do ensino médio, criado em 1998, pelo MEC, com a finalidade de avaliar as habilidades e as competências adquiridas pelos estudantes no fim da educação básica e também com o propósito de oferecer às universidades um outro critério de seleção do aluno. Ele é, ao lado do vestibular, uma outra modalidade, de ingresso à universidade, uma vez que pela última Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n.º 9.394/96), sancionada em 20/12/1996, o vestibular a tradicional prova de ingresso ao ensino superior, que no Brasil remonta a 1911 deixou de ser obrigatório. Hoje, as universidades têm liberdade de escolher seu próprio sistema de avaliação, de decidir qual a melhor opção para sua estrutura educacional.

Instituiu-se o Exame Nacional de Cursos (ENC), o provão, em que, através do desempenho dos alunos, se avalia a qualidade do ensino superior, o 3º grau. Esse exame servirá de base para a concessão do recadastramento dos cursos superiores, a cada cinco anos. O Exame Nacional de Cursos (ENC) conseguiu colocar na pauta da discussão o problema da qualidade dos cursos de graduação.

O aperfeiçoamento educacional e cultural nunca foi tão necessário. Não basta a criança ser educada, precisa ser bem educada. Estamos vivendo um processo de revolução tecnológica e industrial que introduz mudanças rápidas e importantes nos métodos e na organização da produção. A escola precisa criar no aluno a mentalidade tecnológica e científica, a fim de ajustá-lo aos novos tipos de competitividade. A estagnação, a domesticação da escola, levam ao insucesso, ao desemprego. O professor Anísio Teixeira, em

sua famosa palestra na Associação Brasileira de Educação (1952), já dizia: “O que importa na cultura de um

povo é o atrito, a oposição, pois esses são os elementos que promovem o revigoramento e a vida de suas

instituições e maneiras de ser”.

As relações entre trabalho,cidadania e educação

Analisando as acentuadas desigualdades sociais, políticas e econômicas no mundo, observa-se que a globalização vem sendo acelerada de forma muito rápida, inclusive pelo sistema capitalístico que tem grande fomentação pela exploração do lucro arrancado das entranhas da população mundial, favorecendo o crescimento da pobreza e o surgimento das desigualdades e da exclusão social. Enquanto o acumulativo de riquezas vem sendo um processo dinâmico, organizado e centralizado à elite, a educação tem sido badalada nos palanques, nos congressos e nos fóruns como a saída dos mais aviltantes problemas sociais que jamais deixarão de existir. A declaração: “educar para o pleno exercício da cidadania”, tornou-se algo utópico e, para reverter esse quadro nebuloso é preciso que se reflita e assuma esse compromisso social.

Todavia, as políticas educacionais necessitam ser repensadas para a mudança positiva da prática pedagógica e da formação do cidadão. Uma reflexão aprofundada para a realização de novas ações, à respeito do assunto, poderia sinalizar a solução almejada. A educação precisa desvincular-se do faz de conta e partir para ações consolidadas, evidenciando a sua emancipação e formando cidadãos capazes de atuar como agentes de suas próprias histórias. Aliás, o poder de manipular certas ações e decisões políticas governamentais da educação tem empecilhado na efetivação da verdadeira cidadania.

A relação entre educação e trabalho deve ter, imprescindivelmente, um estreitamento observável, uma vez que a escola qualifica o indivíduo para o melhor desempenho de suas atividades, ou seja, é um tema que vem sendo discutido por profissionais da área, atribuindo mecanismos para a sua melhoria.

Educação e trabalho são direitos fundamentais previstos no artigo 6º da Constituição Federal, reconhecidos pelo Estado com o intuito de proteger e proporcionar a qualidade e tratamento fraterno da sociedade.

Todavia, a educação poderá contribuir na superação da marginalidade a partir do momento em que consolidar a formação de indivíduos eficientes e capazes de oferecerem a sua parcela contributiva ao aumento da produtividade social.

EDUCAÇÃO TRABALHO E CIDADANIA

É absolutamente correto afirmar que nem sempre a educação vem atender as exigências emancipadoras dos indivíduos, uma vez que a pedagogia tecnicista é gerada em torno da profissão e da produtividade e jamais se preocupou com a marginalidade e com a abolição da ignorância e com o cumprimento do exercício da cidadania.

O ensino técnico tem objetivos específicos voltados à formação de recursos humanos com almejos na empregabilidade e na produção tecnológica. O desemprego, na maioria das vezes, é consequência do despreparo ao mercado de trabalho, pois uma empresa dispensa o interesse de contratar indivíduos que não possuem habilidades para a acelerada produtividade esperada no mercado.

A educação está contribuindo para superar o problema da marginalidade na medida que formar indivíduos eficientes, portanto, capazes de darem sua parcela de

contribuição para o aumento da produtividade da sociedade. (SAVIANNI, 1995, P.

25)

No entanto, é necessário que as instituições educacionais reflitam e ajam com novas ações, visando a transformação da globalização em um processo igualitário em todas as esferas culturais, sociais e políticas. É inadmissível que a educação tenha, como papel principal, a formação de seres humanos como objetos aptos ao mercado de trabalho, quando a sua verdadeira tarefa é formar cidadãos críticos, conscientes e capazes de produzir, ou seja, a sua incumbência, como compromisso social, é a de libertar e não alienar.

A educação vem, ao longo dos anos, passando por várias transformações as quais, nem sempre, significam progresso, uma vez que certas inovações não atendem os

almejos de uma sociedade justa, como dizia Paulo Freire, (1987, p. 158): “Se todo desenvolvimento é transformação, nem toda transformação é desenvolvimento”.

É preciso, portanto, que se efetive a prática pedagógica, acionando uma política voltada, exclusivamente, para a formação democrática, cidadã e libertadora.

“Não basta formar indivíduos, é preciso saber para que tipo de sociedade, para que tipo de prática social o educador está formando cidadãos”. (DUARTE, 1999, p. 25)

RELAÇÃO ENTRE TRABALHO E EDUCAÇÃO

Desde a extemporaneidade, a humanidade já buscava, no trabalho, alternativas para satisfazer as suas necessidades básicas, mas com um certo equilíbrio. Com o passar dos anos, as relações sociais tornaram-se mais complexas, tornando as suas relações de trabalho também complexas, proporcionalmente. Na contemporaneidade há uma certa deseducação em relação ao homem e a natureza, tendo em vista, a fomentação ou a imensurável ganância pelo enriquecimento rápido. O homem está indo além dos seus limites destruindo-a e ele mesmo. Entende-se que o trabalho está sendo considerado desumano, imoral e responsável pelas consequências da exclusão social.

De certa forma, o trabalho deve dignificar o homem, refletindo nele a sua própria identidade, como ser criador, transformador e organizador da sociedade a que

pertence.

O

trabalho

é

a

característica

que

o

diferencia

dos

outros

seres,

condicionando o seu próprio modo de vida e desenvolvendo-o de acordo às suas

relações com a sociedade na qual está inserido. No mundo capitalista é diferente, porque o trabalho do homem não é visto como algo que satisfaz suas carências, mas como fonte acumulativa de riquezas, trazendo, como consequências, a transformação negativa da natureza e a degeneração ambiental. Para tanto, criaram máquinas sofisticadas que substituíram os trabalhos manuais, com alta produção e em curto espaço de tempo.

A educação tem um papel muito importante no que diz respeito ao mercado de trabalho, independentemente, de cursos profissionalizantes ou não. Ela ajuda a manter as pessoas empregadas, além de possibilitar a facilitação do emprego.

Em nosso país o setor educacional também passou por essas transformações, quando buscou-se o ensino técnico para a qualificação do trabalho, excluindo, de certa forma, milhares de trabalhadores que, na ótica empresarial, não estão preparados à produzir qualitativa e quantitativamente. Enquanto isso, os considerados desqualificados prestam os seus duros, porém importantes, serviços recebendo apenas o mínimo para a manutenção da própria sobrevivência.

As relações de trabalho estão, cada vez mais, abrangentes e os trabalhadores desmascarando seus medos e unindo forças através dos Sindicatos ou Associações para defender os seus direitos. O crescimento tecnológico também tem avançado assustadoramente em todos os setores e em todos os recantos do planeta, modificando o dia-a-dia das pessoas em busca de uma produção rápida e qualitativa.

De maneira que é através da realização de suas atividades cotidianas que o homem tenta expressar sua identidade de verdadeiro ser humano.

A EDUCAÇÃO COMO PILAR BÁSICO

O sistema educacional tem apresentado uma infinidade de estratégias para a melhoria do seu currículo, por acreditar que a educação é um dos pilares que pode oferecer condições seguras para a mudança social ascendente, porém é necessário que esse currículo não fique restrito a professores, mas que, segundo MOREIRA e CANDAU, seja entendido como um conjunto de ações pedagógicas com intenções educativas, ou seja, é dever de todos aqueles que almejam e buscam uma sociedade desmascarada e alerta.

É preciso, ainda, entender que o processo ensino-aprendizagem, não se limite ao repasse de conteúdos a serem ensinados e aprendidos, tampouco a memorização por parte do aluno, pois tudo que é repetição é cansativo e desgastante, mas um conjunto de atitudes que contribuam na construção de saberes. A nomenclatura “ensino-aprendizagem” sinaliza uma interdependência entre ambos, uma vez que esses caminham paralelamente e dependem da democracia dos questionamentos e das reflexões para que se efetive os objetivos propostos. Tanto o professor quanto o aluno devem estar envolvidos no processo, continuamente, questionando, refletindo, desenvolvendo capacidades cognitivas, relacionando conhecimentos e utilizando-os na construção de atitudes e valores. Pelo contrário seria inútil, inexpressivo e dissaboroso, uma vez que o educando precisa ser despertado e instigado pelo novo e pelo poder de atitudes criadoras, dentro dos seus próprios conhecimentos.

O educador e psiquiatra, Içami Tiba, em seu Livro “Quem Ama Educa”, menciona que

as aulas devem ser como alimento, temperado, balanceado e preparado com carinho, para motivar a fomentação.

Para se ter uma educação de qualidade e contribuir coma boa formação do cidadão, capaz de transformar a sociedade, positivamente, é preciso desapegar dos livros sem, no entanto, ignorá-los, vestir-se humildemente e admitir que ser professor não é ser dono da verdade, o sabe tudo, mas um mediador de ideias e um viabilizador da construção de conhecimentos. É preciso fazer menção à integração dos educandos em sala de aula, conservando a criatividade, a participação e a democracia de concepções. O sucesso do ensino-aprendizagem aparece a partir da troca de experiências, vinculadas ao currículo, onde cada um expõe a sua concepção através do diálogo, do debate etc.

Por sua vez, o professor deve estar ciente da importância de um planejamento possível, sem utopias, esforçando-se pelo seu cumprimento na íntegra. É com essa segurança que o ensino-aprendizagem acontece, sobretudo, quando se perde o medo, o pessimismo e acredita-se na sua consolidação de fato. Aliás, não haveria nenhum trabalho pedagógico com resultados positivos, se não fosse permitida a discussão entre os que dele fazem parte, como professores, alunos, pais de alunos etc.

No trabalho pedagógico existe as seguintes opções: esforçar-se para ser mediador entre as informações e os alunos, desenvolvendo um processo de aprendizagem

socializadora, crítica e democrática ou, simplesmente, acomodar-se oferecendo um serviço alienado e voltado aos interesses capitalísticos.

A boa escola será aquela que desperte e estimule a consciência crítica, que não deforme a história, que não ignore os vastos espaços da realidade social, que não oculte ou desqualifique o conflito, enfim, que não reprima, que liberte. (TAMARIT, 1996, p. 61)

O verdadeiro papel da escola é preparar o estudante para o exercício social na qual se encontra inserido, lutando pela igualdade e justiça, abolindo a exclusão de muitos indivíduos. Em hipótese alguma, poderia mudar-se a sociedade, se a educação não for reformulada, pensada e realizada pela própria sociedade. Para a construção da tão sonhada sociedade justa, é preciso que se ofereça uma educação libertadora, possibilitando a participação crítica e consciente do aluno no processo do ensino- aprendizagem, desalienando-o do sistema radicalizado. Infelizmente, poucos são os que tem se esforçado pela construção de uma sociedade justa e equilibrada, a través da educação, quando a sua evolução se dá a partir dos anseios de muitos.

“Só se pode ter uma nova sociedade (…) se for modificada a educação da geração

mais jovem. Contudo, a nova sociedade é a força necessária para a mudança na

educação”. (FERGUSON, 1992, p. 265)

A FORMAÇÃO DO SER HUMANO

A escola é a instituição que desempenha um papel fundamental na formação do sujeito, onde a aprendizagem passa a ser um acúmulo de conhecimentos científicos norteadores do crescimento e da participação dele na sociedade. O conhecimento é imprescindível na sua vida para que ele se sinta valorizado e preparado para os desafios da vida no cotidiano. Segundo DUARTE, (1999), esse saber cotidiano não é o mesmo para todos os indivíduos, cada um tem um saber particular em decorrência de suas experiências de vida, que são diversificadas. O indivíduo deve buscar na escola os seus próprios ideais, a liberdade de expressão e o recheio dos seus sonhos, rumo a cidadania a que objetivam.

Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professores e alunos, juntos possam aprender, ensinar inquietar, produzir e juntos resistir os obstáculos à alegria. (FREIRE, 2002, p. 80)

Todavia, cabe a escola transparecer a importância da formação do indivíduo para que, assim, ele possa saber usar o seu conhecimento de forma correta e contributiva na sociedade a que pertence, pelo contrário, não estaria cumprindo com o seu papel de instituição educadora. Mesmo em meio ao avanço tecnológico, mesmo diante de tanto progresso, a educação é a área considerada a mais importante nas suas mais diversas formas e esferas para a condução e efetivação da cidadania, pois a capacidade de criar, entender e libertar só serão consumadas a partir do momento em que for feito menção à mesma.

O indivíduo constrói conhecimento, adquire liberdade e consolida ética, entre outros princípios afins, através da educação. Esta, dá-lhe todas as garantias da construção de uma sociedade mais justa e mais humana, onde os sonhos e as possibilidades sejam respeitados de maneira que cada indivíduo possa desenvolver a sua própria forma de ensinar e aprender, como verdadeiro agente transformador.

Minha segurança não repousa na falsa suposição de que sei tudo, de que sou o maior. Minha segurança se funda na convicção de que sei algo e de que ignoro algo a que se junta a certeza de que posso saber melhor o que já sei e conhecer o que ainda não sei. (FREIRE, 2002, p. 153)

Considerando a educação como a base sólida para a formação e essencial à construção da cidadania, torna-se imprescindível que a mesma seja realizada de maneira continuada e permanente, deixando apenas de ser qualificativa para o trabalho, mas para o exercício legal da cidadania.

A EDUCAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA

As leis da educação mencionam, explicitamente, que a formação do indivíduo faz-se necessário para o exercício da cidadania. De modo, que não há outro caminho, senão o da educação, para que se adquira conhecimentos necessários ao cumprimento dos deveres e o requerimento dos devidos direitos, previstos constitucionalissimamente. O desmascaramento, o senso crítico, o poder de decisão e produção, são resultados de uma educação consciente que busca a construção da legítima cidadania. Mas, afinal, qual é a importância da cidadania e como deve ser exercida pelos indivíduos? A cidadania é imprescindível em meio a sociedade, e a pessoa que a cumpre, está em plena posse dos seus direitos civis e políticos, previstos na Constituição, para com o estado livre e sujeita aos deveres que lhes são incumbidos. Sendo assim,

entende-se que ser cidadão implica no exercício livre dos direitos e deveres de modo que sempre prevaleça o bem comum.

Por sua vez, as leis representam uma gama de normas e regras sociais a serem cumpridas, com intenções de oferecerem aos cidadãos uma vida mais agradável e, excepcionalmente, produtiva uns com os outros, ou seja, elas são, analogicamente, um conjunto de andaimes que suporta e enquadra as maneiras de realizar algo dentro da sociedade. Contudo, descumprir com a cidadania na escala social é, ao mesmo tempo, descumprir com as leis que lhe dão autenticidade. Aliás, esse déficit já é realidade em quase todos os povos e nações, com exceção a requerimentos dos direitos que não deixam de ser realizados.

No entanto, cabe a educação possibilitar, cientificamente, a construção da verdadeira cidadania que será indispensável ao indivíduo para viver, decentemente, na sociedade. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, rege, em nível mundial, a respeito da efetivação e cumprimento.

Há necessidade de se caminhar para uma cidadania multicultural planetária, construindo relações humanas baseadas na convivência emancipatória, amorosa, sensível e criativa, fortalecendo a cidadania, a democracia e o carácter público da educação. (Carta do Porto, Instituto Paulo Freire, 2004)

Todavia, há a reafirmação nesta carta de que a cidadania, o conhecimento, a ciência e a tecnologia são direitos de todos e que são adquiridos na escola, a qual exerce um papel importantíssimo para a vida na sociedade, uma vez que a mesma é a fornecedora de amplos horizontes nos quais os indivíduos inscrevem suas vidas e efetivam as suas perspectivas. Segundo Oliveira Martins, a escola é a agente de mudança e fator de desenvolvimento (…) tem que se assumir basicamente não só como potenciador de recursos, mas também um lugar de abertura e de solidariedade, de justiça e de responsabilização mútua, de tolerância e respeito, de sabedoria e de conhecimento. (1992: 41)

Enfim, a escola pública vem desenvolvendo uma tarefa crucial na educação para a cidadania, pois ela acolhe a todos e viabiliza a vida na cidade democrática.

EDUCAÇÃO DEVER DA FAMÍLIA

A família é o primeiro espaço onde deve ser principiada a construção da educação

para a cidadania, tendo em

vista, ser

ela

a matriz da socialização na vida dos

indivíduos. No entanto, ela está incumbida de uma das tarefas mais importantes na vida dos seus filhos, que é o de apregoar os princípios da socialização, da honestidade, do respeito e da tolerância, dentro das normas legítimas previstas nas leis.

E por ser o alicerce, a base da construção educativa, a família deve proporcionar aos seus filhos, de modo sistemático e afetivo, trampolins que possibilitem os seus desenvolvimentos cognitivos e culturais. Logicamente, não se poderia construir cidadania se não se considerasse, a priori, a educação, que não deixa de ser papel berçal e exclusivo da família que tem sonhos e que cumpre com as suas obrigações com responsabilidade e com muito amor, apostando em elementos que serão importantes à vida em comum.

É sabido que a formação de nível pessoal e social, tanto no sentido ético como estético, prepara o indivíduo para a prática legal da cidadania, levando em consideração a importância do respeito e da interação nas sociedades adversas e em áreas distintas. A família não deve esquivar-se de uma tarefa primordial que lhe está confiada: a educação dos seus filhos. Ela pode viabilizar melhores condições de trabalho e preparar o indivíduo na construção da cidadania, como modo predominante, é indispensável à sociedade moderna.

Do ponto de vista pedagógico, o envolvimento da família na educação dos seus filhos é essencial para os seus desenvolvimentos cognitivo, social e cultural. Os pais tem as obrigações, previstas nos Projetos Políticos-Pedagógicos e nos Regimentos Escolares, de acompanhar, passo a passo, o processo de desenvolvimento educacional dos seus filhos. A política participativa dos pais no setor educacional, gera concordância, entusiasmo e incentivo aos profissionais que dela fazem parte. Essa demonstração nada mais é do que uma injeção animadora para a escola, sobretudo, pelo cumprimento da participação democrática, cujos efeitos trarão os resultados almejados por toda a comunidade.

Para

todos

os

efeitos,

a

parceria

família/escola

deve ser uma constante,

independentemente, de qualquer coisa, porém em algumas circunstâncias, os professores necessitam dos pais, simplesmente quando deparam-se com dificuldades, sejam de aprendizagem dos alunos ou pela indisciplina dos mesmos. Os pais acham que tampou há necessidade de participar do processo educacional,

sobretudo quando os seus filhos vão bem na escola. Em resumo, a colaboração da família nesse processo deve acontecer a qualquer custo, tendo em vista, ser condição imprescindível ao avanço educativo e para o cumprimento do currículo escolar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A sociedade vive a era da informação, da tecnologia de ponta e da globalização e, portanto, exige um tipo de educação que atenda aos requisitos necessários para a inserção no mercado de trabalho e cumprimento legal do exercício da própria cidadania. Enquanto os indivíduos evidenciam uma acentuada diversidade social e cultural, onde, enquanto cidadãos, tentam aprender algo mais, com o intuito de exterminar a alienação e integrá-los de forma efetiva e democrática na sociedade, o sistema dribla esses objetivos com estratégias utópicas e alienadoras.

Em frente a tanto progresso e transformação, cabe ao indivíduo optar pela educação como trilha norteadora que o direciona ao cume mais cobiçado pela sociedade: a cidadania. O cidadão é o ente fundamental para uma sociedade justa e igualitária, uma vez que ele cumpre com os seus deveres e exige os seus direitos com embasamentos na lei.

A educação deve ser aquela que educa para uma deliberação individual e democrática, com alargamento da cultura e construção consolidada da cidadania. Ela desempenha um papel extraordinário na produção e reprodução cultural, social e ética. Inicia-se na família, lócus berçal, das condições básicas de toda a vida social e produtiva.

Admite-se que a ausência da cidadania na sociedade hodierna, é resquício de uma educação saturada que vem demonstrando grande fomentação numerológica e uma ganância imensurável por estatística que venham favorecer satisfação à mídia deixando de cumprir com o seu papel primordial que é a formação qualitativa do indivíduo. Portanto, como é que este vai exercê-la se, no entanto, não adquiriu conhecimentos suficientes para o seu cumprimento?

Considerando ser a educação a única e exclusiva alternativa para a construção da cidadania e qualificação para o trabalho, torna-se necessário dar ênfase a mesma, exigindo a sua ampliação qualitativa através do cumprimento integral das leis que os asseguram.

Inclusão educacional e diversidade

A Lei n.9394/96 de Diretrizes e Bases - LDB, aprovada em dezembro de 1996, recomenda algumas mudanças expressivas no campo da educação brasileira. Ela define a educação especial como modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educando com Necessidades Educacionais Especiais.

A definição de inclusão nasce em abertura com a relação deslocando o aspecto do problema do sujeito para a sociedade e do aluno para a escola. Assim os alunos podem se adaptar a escola, uma vez que, essa se modifique de modo a estar apta a acolher todos os alunos sem exceção. Pode-se então caracterizar a inclusão em diversos aspectos como: a valorização da diversidade; a luta contra a exclusão; o aumento da experiência e formação dos profissionais educativos. Porém, o que se pode analisar através da pesquisa com os professores, é que na prática a inclusão não se concretiza facilmente, e que a simples mudança de alunos vindos de escolas especiais para escola regular, designada a todos, é muitas vezes compreendida como inclusão. No entanto a inclusão sugere uma reestruturação das culturas, das políticas e das práticas escolares de modo que seja levada em conta a diversidade do aluno. O Brasil, apesar de ter tomado várias medidas para construir uma escola e uma sociedade inclusiva, sofre de grandes dificuldades que aumenta pela situação desorganizada da educação em geral. Apesar da obrigação com a inclusão, os atos são desconcertados, necessitando de um referencial que ajude o processo de construção da escola inclusiva. Percebe-se, entretanto, na nossa pesquisa, que os professores valorizam a diversidade e respeitam a diferença de cada aluno, não apenas na teoria, mas também em suas práticas, porém ao responder em nome da escola essa diversidade deixa um pouco a desejar, pois, o ensino por ela proposto se torna expositivo e unilateral. Eles apontam que a luta contra a exclusão faz realmente parte da sua realidade, eles mesmos reconhecem a necessidade de se capacitarem, algo que o governo não tem oferecido e nem as muitas instituições, ainda se trata de um assunto delicado em que todos estão caminhando de forma igual, aprendendo juntos e muitas vezes com iniciativas próprias. É sentido nas entrevistas o esforço dos professores no exercício de sua profissão, eles buscam ao máximo fazer o que é melhor, mas um pouco perdidos por não ter onde se apoiar, ferramentas que os façam trabalhar com excelência, eles se cobram quanto ao seu papel, sabem da necessidade que possuem e muitas vezes não tem a quem ou ao que recorrer. Muitos erguem a bandeira pela causa, mas sentem-se mutilados pelas barreiras que encontram no caminho. Com relação à educação, as respostas deixam claro que a inclusão é um projeto em execução de escalada, que precisa adequar e capacitar os educadores através de programas educacionais específicos. Percebe-se também a real preocupação dos professores em acolher e favorecer o acesso ao saber, porém isso ainda se dá de forma muito lenta, com obstáculos a serem superados no dia a dia. Eles se beneficiam com o acolhimento de crianças com necessidades educativas especiais, pois tiram dessa prática, saberes que melhoram sua didática, percepção de outra realidade de vida, e ainda motiva a solidariedade e a união. Fica claro que são os professores e as escolas que trabalham pela inclusão, que buscam proporcionar aos alunos dignidade e igualdade, que fazem os demais refletirem sua postura e muitas vezes exigir que tratem todos de maneira respeitosa e igualitária.

Segundo Vygotsky (1991ª, p.74) “o aprendizado é uma das principais fontes da

criança em idade escolar; e é também uma poderosa força que direciona o seu desenvolvimento,

determinando o destino de todo o seu desenvolvimento mental.”

Compreende-se que a família é o alicerce é o reflexo da criança e através de como será tratada ela

irá exteriorizar tais sentimentos. Cabe a escola o papel de está em harmonia com a família trabalhando em reuniões de classe, para esclarecer e orientar para ajudar a família a evoluir o desenvolvimento da criança. Quanto à escola em relação ao aluno com deficiência, ela deve ajudar para que ele seja cada vez mais independente, proporcionando a autonomia em relação ao adulto e quando se tornar adulto também. Também em denunciar abusos, exclusões e falta de estrutura. Isso poderá se dá com um bom relacionamento entre todos os envolvidos. Ao professor cabe a paciência, determinação, carinho e zelo para não se igualar as pessoas comuns, ele deve entender que tudo é uma etapa, nunca comparar os alunos especiais aos demais e sempre

elogiá-los para incentivá-los a lutar por mais uma etapa. Não privilegiar para não excluir, mas tratar de forma igual e com respeito, para que todos possam ter direito a educação. O envolvimento e a integração de pais, professores e a escola é muito importante em todas as atividades de socialização, uma vez que torna mais leve a batalha contra o preconceito e a inclusão. Mesmo que haja alguns avanços e mudanças, ainda estamos distantes de construir uma escola que proporcione uma educação de qualidade para todos. Precisa-se construir uma sociedade mais digna e justa, grande parte da vida é passada na escola e essa precisa ser entendida que não é feita apenas para passar assuntos, ensinar a ler, escrever e fazer contas, mas que forma cidadãos, que precisam trocar afetividade e sensibilidades, pois a diferença começa nas características biológicas do ser humano e não é ela que determina a personalidade do sujeito. Se analisado de diferentes ângulos, cada sujeito tem suas limitações por possuírem aptidões, dons e características que outros não têm. Podemos ver algumas mudanças em escolas que tem o cuidado desde a sua arquitetura ao plano pedagógico, mas isso precisa ser uma norma a ser cumprida por todas, fiscalizada pelos órgãos responsáveis, zelada e exigida pela sociedade. Mas se torna algo muito maior porque infelizmente como dizem muitos dos entrevistados o governo não cumpre bem o seu papel e até mesmo não buscam tratar o assunto com a devida atenção que merece, ou a prática é diferente da teoria, ou é a teoria que é falha. É obrigação de o governo exercer o papel que muitos professores e escolas vem fazendo em seu lugar. Percebe-se que o governo faz campanhas, apresentam mudanças, mas quando os professores, pais e alunos vão buscar o que estão oferecendo, descobrem que nem todas as escolas espalhadas pelo Brasil estão prontas para oferecer o que foi apresentado ou muitas vezes não tem o conhecimento. Cabe ao governo oferecer e exigir aos professores o aperfeiçoamento, a especialização, construir escolas com estruturas suficientes a atender a qualquer particularidade e fiscalizar para que ela execute seu papel. Criar programas e benefícios que tratem de forma mais direta as dificuldades encontradas. Participar da construção de uma sociedade digna, justa e inclusiva é o que o governo deve oferecer a todos, fazer a sociedade refletir e mudar deve ser uma obrigação. Em uma das entrevistas constatamos que as escolas passam para os pais a dura mensagem de que não podem receber seus filhos ou que é melhor que ele vá para uma escola que os possa receber, é previsto na Lei Federal nº. 7.853/1989 a garantia de que nenhuma escola deve recusar um aluno portador de necessidades especiais, cabe à escola adaptar sua estrutura física e pedagógica para receber todos os alunos sem distinção e dá eles o pleno direito de terminar seu curso. O Ministério da Educação MEC, unido a Secretária de Educação Profissional e Tecnológica SETEC e a Secretária de Educação Especial SEESP agenciam o projeto de TEC NEP de educação, tecnologia e profissionalização para jovens e adultos com necessidades educacionais especiais, é um programa que funciona com a ajuda dos sistemas estaduais, municipais e comunitários, que auxiliam as instituições a receber os alunos, qualificar os profissionais e fazer a manutenção do programa, infelizmente são poucas as cidades que dispõe desse programa, mas a iniciativa já é um grande passo, é necessário então que cada um cumpra o seu papel, governo, governados e toda a comunidade. Não é só uma evolução para melhorar a qualidade de vida de cada um, mas de o país progredir e sair do seu estado de emergente.

Função Social da Escola

2. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

A função social da escola é o desenvolvimento das potencialidades físicas, cognitivas e afetivas do indivíduo, capacitando-o a tornar um cidadão, participativo na sociedade em que vivem. A função básica da escola é garantir a aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do individuo sendo necessário que a escola propicie o domínio dos conteúdos culturais básicos da leitura, da escrita, da ciência das artes e das letras, sem estas aprendizagens dificilmente o aluno poderá exercer seus direitos de cidadania.

A função social da escola, ela é muito relativa e complexa, pois há varias formas de pensar a educação, para três grandes sociólogos há diferenças da forma de pensar a função da escola na construção do aluno.

Para DURKHEIN a educação deve formar indivíduos que se adapte a estrutura social vigente instituindo os caminhos e normas que cada um deve seguir, tendo sempre como horizonte a instituição e manutenção da ordem social, a educação é um forte instrumento de coesão social e cabe ao estado ofertá-la e supervisioná-la. Para KARL MARX a educação deve ser vista como um instrumento de transformação social e não uma educação reprodutora dos valores do capital, para MARX a uma necessidade de uma escola politécnica estabelecendo três pontos principais: o ensino geral que é o estudo da literatura, ciências, letras etc.

A educação física que é atividade que promova a saúde do ser e a outra é o estudo tecnológico que visa acabar com a alienação do proletariado perante a classe dominante. Para MAX WEBER a educação é um modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções dentro da sociedade, sendo uma educação racional, a visão de educar está vinculada enquanto formação integral do homem, uma educação para habilitar o indivíduo para a realização de uma determinada tarefa para obtenção de dinheiro dentro de uma sociedade cada vez mais racionalizada e burocrática e estratificada.

Cabe à escola formar alunos com senso crítico, reflexivo, autônomo e conscientes de seus direitos e deveres tendo compreensão da realidade econômica, social e política do país, sendo aptas a construir uma sociedade mais justa, tolerante as diferenças culturais como: orientação sexual, pessoas com necessidades especiais, etnias culturais e religiosas etc. Passando a esse aluno a importância da inclusão e não só no âmbito escolar e sim em toda a sociedade.

Bueno (2010) se posiciona um tanto crítico sobre a realidade da função social da escola, nestas o social é ignorado. A escola torna-se uma instituição abstrata e homogênea, quando na realidade como coloca Bueno, cada escola é ímpar, e não deve ser vista de forma genérica, uma intervenção não funciona em todas as instituições, cada meio tem que ser vista de acordo com a sua história, com a sua cultura, colocando em pauta que cada instituição é única.

Atualmente existem projetos para promover cultura na escola, estes visando que os alunos ampliem sua visão de mundo, valorizando as diferentes manifestações culturais

ao seu redor (

)

por meio de ações que estimulem práticas culturais e educacionais

... nas escolas com parcerias com instituições artísticas (museus, parques arqueológicos, etc.). (FONSECA; M. C. G. T. SILVA; M. A. M. SILVA. 2010).

A escola pública nos dias atuais deixa muito a desejar quando se fala de educação e de formar cidadãos para viver numa sociedade tão multicultural e pluriétnicas, como a nossa. A falta de investimentos e de capacitação de professores, escolas sem infraestrutura adequada para o recebimento desse aluno. O modelo segregado e

homogêneo que com muito esforço está mudando para o modelo de escola inclusiva, mesmo escolas sem condições adequadas para receber esse aluno.

As escolas das nossas regiões, na promoção da cidadania não mudam muito nesse contexto generalizado, escolas que entram em reformas mais não terminam, que falta merenda, que faltam professores, que não existem equipes disciplinares qualificados para tais fins, assim, ficando difícil promover a cidadania, cujo, o contexto não sustenta, ou seja, para o estudioso João Batista oliveira a escola perdeu a sua função social," Perdemos a noção da função social da escola. Ela deixou de ser cobrada pelo cumprimento de suas obrigações essenciais e passou a ser cobrada por milhares de coisas que ela não tem condição de fazer, como cuidar da educação sexual, educação para o trânsito, para o consumo etc.", (diz Oliveira, entrevista concedida a Revista Veja “A Escola perdeu sua função social” em 10/11/2014).

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo geral desta pesquisa foi levantar as devidas compreensões sobre o embate do questionamento da função social das escolas Brasileiras. Cada uma com suas particularidades, mas, com a mesma missão, de transmitir os conhecimentos básicos para que o homem comum possa descobrir as suas habilidades, e que o mesmo venha adquirir os seus verdadeiros valores como ser humano, que esses conhecimentos ajuda-o a enxerga os fenômenos humanas e exatas, Levando-se em consideração esses aspectos, concluímos que no trabalho em questão, estamos cientes que a educação inclusiva ainda está em processo de desenvolvimento, mas historicamente é visível o avanço da educação inclusiva.

Entretanto, não podemos negar que a educação é fundamental e sempre será, porém, merece uma análise critica, e a forma como o processo educativo ocorre para as diferentes classes dominantes, aonde, mais vagas, mais tempo na escola, mais disciplinas curriculares, mais e mais regulamentos, superam a dignidade e a cidadania, para educação inclusiva ser mais eficiente na prática, devemos ter docentes inclusivos, uma infraestrutura inclusiva, uma diretriz inclusiva e uma sociedade inclusiva, só assim que vamos colher os resultados da aprendizagem dos nossos alunos, tornando- os, assim um melhor profissional, um melhor cidadão.

O professor é o protagonista, desta encenação que acontece a milhares de anos, sendo assim, os verdadeiros heróis deste questionamento. O que assistimos aqui não é uma ficção, ela é uma mera realidade, tanto para o professor, como para o aluno.

Ele era para ser o centro do universo, por que tudo o que sabemos é fruto de muita dedicação, em sua formação contínua em adquirir conhecimentos e de transpassar esses, para as novas e futuras gerações. No nosso ver essa realidade só será mudada quando estes mestres tiverem realmente os devidos reconhecimentos, não só pelos reconhecimentos fiscais, mais, sim pela matéria humana que são pessoas honestidade e dignidade de passar o que é justo e certo para as futuras gerações, cabendo-o a cada um, que adquiriu esses ensinamentos, buscar colocar em prática no seu convive social.

Estrutura educacional brasileira

É a forma de como se organiza a educação regular no Brasil. Essa organização se dá em sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A Constituição Federal de 1988, com a Emenda Constitucional n.º 14, de 1996 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), instituída pela lei nº 9394, de 1996, são as leis maiores que regulamentam o atual sistema educacional brasileiro. A atual estrutura do sistema educacional regular compreende a educação básica formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio e a educação superior. De acordo com a legislação vigente, compete aos municípios atuar prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil e aos Estados e o Distrito federal, no ensino fundamental e médio. O governo federal, por sua vez, exerce, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, cabendo-lhe prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. Além disso, cabe ao governo federal organizar o sistema de educação superior. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, é oferecida em creches, para crianças de até 3 anos de idade e em pré-escolas, para crianças de 4 a 6 anos. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, é obrigatório e gratuito na escola pública, cabendo ao Poder Público garantir sua oferta para todos, inclusive aos que a ele não tiveram acesso na idade própria. O ensino médio, etapa final da educação básica, tem duração mínima de três anos e atende a formação geral do educando, podendo incluir programas de preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional. Além do ensino regular, integram a educação formal: a educação especial, para os portadores de necessidades especiais; a educação de jovens e adultos, destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade apropriada. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciências e à tecnologia, com o objetivo de conduzir ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. O ensino de nível técnico é ministrado de forma independente do ensino médio regular. Este, entretanto, é requisito para a obtenção do diploma de técnico. A educação superior abrange os cursos de graduação nas diferentes áreas profissionais, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processos seletivos. Também faz parte desse nível de ensino a pós-graduação, que compreende programas de mestrado e doutorado e cursos

de especialização. A partir da LDB de 1996 foram criados os cursos seqüenciais por campo do saber, de diferentes níveis de abrangência, que são abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino superior.

Com a Lei nº 9.394/96 (LDB) buscou-se, levando em consideração a realidade educacional acima descrito, normatizar o sistema educacional e garantir acesso a educação de igual modo a todos. Essa lei traz um conjunto de definições políticas que orientam o sistema educacional e introduz mudanças significativas na educação básica do Brasil.

Para compreender a evolução e dimensão do Sistema Educacional Brasileiro, enquanto parte do processo de desenvolvimento social, foram levadas em consideração algumas premissas:

A

compreensão

 

do

sistema

educacional

brasileiro exige que não se perca de vista a totalidade social da qual o sistema educativo faz parte (SAVIANI, 1987).

O

sistema

escolar

é

um

dos

elementos

da

superestrutura que forma, em unidade com o seu contrário a infra-estrutura estrutura social (RIBEIRO, 1987). Entende-se infra-estrutura como os modos e os meios do homem produzir sua

existência. Neste sentido as transformações, desses processos, devem ser compreendidas como alavancas que pressionam a ocorrência de mudanças na superestrutura que, por sua vez se movimenta entre dois elementos: as instituições e as idéias. A relação entre a infra-estrutura e a superestrutura é uma relação determinante que não se dá de fora linear, direta ou absoluta, haja vista que a superestrutura tem refletido em si a contradição fundamental da infra-estrutura conservação X transformação. Cada uma e ambas, enquanto unidades de contrários reagem e agem combinada e contraditoriamente, via processos de resistências, aceleramentos e recuos, intermediados por normas, regulamentos, concepções filosóficas e políticas, recursos e instituições, entre tantos outros (FREITAG,

1986).

Tomando como referências estas concepções iniciais, o conteúdo do trabalho toma forma, privilegiando dois mediadores da organização educacional brasileira, que complementam-se:

As concepções de educação seus postulados e expressões na organização da escola brasileira;

A

organização,

propriamente

dita,

do

sistema

educacional onde a formação educacional (básica e superior) é determinante do desenvolvimento social do país.

Desta maneira será demonstrado que a nova proposta educacional brasileira objetiva a democratização e universalização do conhecimento básico, proporcionando educação e cuidado com a escolarização, assumindo um caráter intencional e sistemático, que dá especial relevo ao desenvolvimento intelectual, sem, contudo descuidar de outros aspectos, tais como o físico, o emocional, o moral e o social (Lei nº 9394/96).

DESENVOLVIMENTO

Sobre a Educação e a Escola no Brasil Saviani identifica quatro grandes concepções na organização, orientação e funcionamento da escola: a concepção humanista tradicional, moderna, analítica e dialética.

A concepção humanista tradicional conceitua educação a partir de uma visão de homem pré determinada, onde cada homem é uma essência imutável. Neste sentido, propõe que a educação conforme-se à essência humana, resultando daí o entendimento de que as mudanças realizadas, via processo educativo, são acidentais. Nesse conceito concentra-se no adulto que representa o homem completo, em detrimento da criança (ser incompleto, “por fazer”). É importante distinguir na linha tradicional suas duas vertentes: uma religiosa (prevalecente na idade média) e outra leiga (elaborada por pensadores modernos como “expressão da ascensão da burguesia e instrumento de consolidação da sua hegemonia”) (Saviani, 1987). Entre outros princípios, esta

concepção defende os sistemas públicos de ensino, sejam eles: leigos, obrigatórios, universais e gratuitos. Centra no educador (homem completo) o modelo a ser seguido, imitado e reproduzido pelos educandos (seres incompletos) cuja essência poderá ser potencializada ou atualizada através do processo educativo, porém jamais transformada.

A concepção humanista moderna deriva seu conceito de educação de uma pré- determinada visão de homem, a exemplo do que faz a “tradicional”. Difere dessa, no entanto, quando afirma que a existência do Homem precede a sua essência, resultando daí seu conceito de homem: “um ser completo desde o nascimento e inacabado até a morte”. Defende a predominância do psicológico sobre o lógico e descola o centro do processo educativo do adulto para a criança (o educando), para a vida e para as atividades da existência. Admite formas descontínuas de educação, em dois sentidos:

Considera que a educação caminha segundo o ritmo vital que varia conforme diferenças existenciais e individuais, desconsiderando, na educação, esquemas pré definidos e lógicos; Afirma que os verdadeiros momentos educativos são “transitórios, raros, fugazes” e decorrem da predisposição e possibilidade de cada um.

Em geral observa-se que as propostas de reformulação da educação, fundamentadas na concepção humanista moderna, priorizam o aparato interno da escola:

métodos, metodologias, relação educador educando.

A concepção analítica, diferentemente das duas concepções anteriores, não embasa seu conceito de educação em uma visão apriorística de Homem. Sua formulação tem como núcleo conceitual a tarefa da educação, definida como aquela que confere significado lógico à linguagem em função do contexto. Concebe o contexto como o tempo, o lugar, a situação, a identidade, os temas de interesse e as histórias pessoais do educador e aqueles a quem este se dirige (SAVIANI,1987). Essa concepção exclui do processo educativo o contexto histórico e sustenta o caráter utilitário da educação e a neutralidade do conhecimento. Teve destaque no Brasil a partir da década de 60, após a crise da tendência humanista moderna, predominante no período de 1945 a 1960.

A concepção dialética, assim como a analítica, não compreende a educação a partir de um conceito pré-definido de Homem. O conjunto das relações sociais (síntese de múltiplas determinações) forma a gênese dos seus postulados. Defende que à educação explicita os problemas educacionais compreendidos no contexto histórico.

Essa concepção, a exemplo da humanista moderna, afirma se na realidade. Contudo difere desta quando explica a realidade como um processo dinâmico, caracterizado pela

interação

recíproca

do

todo

com

as

partes

e

com estas

entre

si.

Forma-se

no

pressuposto de que toda organização social engendra sua própria negação, evoluindo

no sentido de uma nova formação social. Nessa concepção a tarefa da educação é

colocar-se a

 

serviço

 

da

formação

do

“novo”,

que se constrói no interior do “antigo” (CURY, 1978).

Integrando as concepções de educação e sociedade a organização social na qual vivemos, assumiu suas feições características com a consolidação do poder burguês e a consequente formulação de mundo, segundo o Liberalismo (SAVIANI, 1987).

Apoiando-se nesta assertiva têm-se que a Escola surge, no Brasil, como instrumento de realização do ideário liberal, organizando-se como sistema de ensino a partir do século

XIX,

apesar

de

existir,

como

função,

desde

o

Brasil

Colônia.

A escola brasileira, pensada segundo os ideais liberais, foi confiada à missão de redimir os homens do seu duplo pecado histórico: a ignorância (miséria moral) e a opressão (miséria política) (ZANOTTI, 1972). Para Cunha (1975), essa missão foi tomada pela lógica capitalista, como a maneira legal e legítima de reclassificar as pessoas das diferentes classes sociais, conforme suas motivações e potencialidades inatas (CHRISTOFARO, 1999).

A crença na escola redentora da humanidade, na sua versão original (Liberal) e na tradução capitalista, marcou a organização do sistema brasileiro, que foi alvo de diversos movimentos de reformas. Todos eles buscavam cumprir satisfatoriamente essa missão, e superar a insuficiência e ineficiência do próprio sistema, através da incorporação de programas e objetivos mais imediatos que emergiam do processo de desenvolvimento da sociedade. Christofaro (op. Cit.) menciona que mesmo quando o projeto social privilegiou os sistemas não escolares, como forma de produzir o cidadão

útil à Nação, foi conferida à Escola o papel de realizar a produção do saber dito

“literário” ou “desinteressado”, atrelando o sistema escolar aos sistemas não escolares

pelo postulado da neutralidade do conhecimento. Nessa perspectiva, a articulação das concepções de educação com a sociedade brasileira é estrutural e se sustenta nas

práticas e projetos sociais, através dos quais os interesses, os princípios e os pressupostos do grupo social dominante tornam-se propósitos e valores do senso comum, ideologia compartilhada pelo conjunto de sociedade e é essa lógica que torna o pensamento liberal hegemônico e a burguesia além de classe dominante, também dirigente.

De

acordo

com

Saviani

(1986)

a

escola

idealizada

no

século

XIX

tinha

como perspectivas assegurar o direito a educação para todos com qualidade, gratuidade

e laicidade

e

a

expectativa

da

classe

dominante era que os membros

das

classes

subalternas,

uma

vez

instruídos,

se

ajustariam

aos

projetos

dominantes, com o entendimento de que a instrução transformaria os “súditos em

cidadãos”.

 

No entanto, no início do século XX, em especial depois da I Guerra Mundial, a avaliação da escola indicava que as esperanças nela depositada haviam sido frustradas, pois nem todos nela ingressavam e mesmo os que ingressavam nem sempre eram bem sucedidos e os bem sucedidos nem todos se ajustavam ao tipo de sociedade que se queria consolidar. Esta avaliação fundamentou o primeiro movimento de reforma da Escola no Brasil.

Visto que o projeto educacional inicial que havia sido construído segundo a concepção tradicional, não havia dado certo, foi então substituído pelo da Escola Nova, cujos postulados conformam a concepção humanista moderna. Enfatizando a qualidade de ensino, o escolanovismo desloca o centro de organização da escola do professor para o aluno e, mais que isso, desloca o eixo de preocupação da educação do âmbito político para o âmbito técnico pedagógico.

O escolanovismo colaborou para a melhora da qualidade de ensino, mas dado aos poucos recursos da rede escolar pública, esta melhora restringiu-se aos centros escolares experimentais. A escola pública, sem recursos financeiros e humanos para adotar e realizar o que promulgava a pedagogia nova levou dela apenas os postulados (SAVIANI 1986).

Em

um

contexto

de

crescente

participação

política

de

seguimentos de

trabalhadores, que reivindicavam escola universal e gratuita para todos, o eixo do

projeto social

deslocou-se

para

o

desenvolvimento

industrial.

À

escola

coube,

nesse projeto, incorporar a lógica que presidia a produção ou elaborar um

saber extemporâneo. Assim

é

que

o

movimento

da

escola

nova,

desencadeado

para corrigir

o

que

havia

sido

um

insucesso

pela

escola

tradicional,

resulta

no

que Saviani (1987) identifica como “recomposição de hegemonia da classe dominante”

(CHISTOFARO,1996).

Tomando como base o que já foi relatado, o propósito agora será demonstrar como se deu a evolução da Organização do Sistema Educacional Brasileiro, concomitantemente com a sociedade brasileira. Para compreendermos esse processo histórico-social é necessário, primeiramente, reconhecer que a reflexão sobre a educação no Brasil deve ser feita na perspectiva da dependência, em segundo lugar, é necessário adotar uma periodização histórica. Esta tem como base os modelos econômicos predominantes em largos estágios do desenvolvimento da sociedade, destacando em cada um a Escola, como foi pensada e realizada (RIBEIRO 1989).

O primeiro período (1500 a 1930):

Este período abrange o Brasil Colônia, Império e a Primeira República, quando prevaleceu o modelo agro-exportador da economia e a concepção tradicional de educação. Da fase inicial deste período merece destaque o Regimento da Colônia, de 1548, que regulamenta a conversão dos indígenas à fé católica pela catequese e instrução, trabalho este realizado pelos padres Jesuítas. Embora tenham sido expulsos em 1759, os jesuítas implantaram as bases, estrutura e funcionamento da escola brasileira, diferentemente do que estava previsto no Regimento, instala-se como direito de todos e não apenas da população indígenas. Cabe ressaltar que a sociedade neste período era organizada para garantir o modelo agro-exportador e a monocultura latifundiária não dependia de mão de obra qualificada ou diversificada, pois o tráfico de negros supria a necessidade de mão-de-obra.

Diante dessa realidade surge na colônia

dois

tipos

de

escolas,

uma

para

as

populações indígenas (catequese) e outra para os mamelucos, órfãos e filhos dos

principais caciques da terra (a instrução através dos internatos recolhimentos).

Posteriormente foram criados colégios e seminários destinados aos filhos dos colonos brancos.

Osjesuítas sendo os responsáveis pela educação na colônia, tornam

a

Igreja participante privilegiada da sociedade

civil

e

política

da

época

e

a Escola

um instrumento de grande alcance na reprodução dos valores de uma cultura

externa, embasada na visão liberal, já consolidada na Europa.

No último século

deste período a

Escola Função deixa de ser

a característica da

educação na Colônia e a Escola Estrutura passa a ser organizada e regulamentada nacionalmente. Deste então, o aumento numérico de escolas de instrução básica é acompanhado da criação de colégios e cursos cuja finalidade era

formar profissionais. Desta maneira nascem os primeiros cursos de Medicina e Direito, os primeiros cursos técnicos de artes e ofícios e os colégios Militares.

Segundo Teixeira (1989) o sistema escolar era o de formação de clero ou de legista ou do canonista, na forma em que a concebia o RATTIO STUDIORUM os jesuítas, elaborado no século XVI e mantido até a metade do século XVIII, quando surgem as primeiras críticas à escola, representadas por controvérsias pedagógicas.

Machado (1989) ao fazer uma retrospectiva histórica da educação brasileira demonstra o caráter fragmentário e dispersivo do ensino de ofícios, cujo primeiro regulamento data de 1826.

No fim do Império e início da República são delineados os primeiros traços de uma política educacional estatal fruto do fortalecimento do Estado, sob a forma de sociedade política.

Com a primeira Constituição, promulgada em 1824, houve a substituição da proposta de uma política nacional de ensino pela regulamentação da instrução primária gratuita a todos os cidadãos e pela criação de colégios e Universidades onde serão ensinados os elementos das ciências, belas artes e artes. Em relação à escola primária, a Lei de 15 de outubro de 1827 foi a única lei geral sobre este nível de ensino, até 1946.

Nesta Constituição o Decreto nº 7.147/1879 deve ser destacado, pois dispõe sobre a reforma do ensino primário e secundário no Município da Corte e o Superior em todo o Império. Nele é estabelecido que é completamente livre o ensino primário e secundário no município da Corte e superior em todo o Império, define-se também que até se mostrarem habilitados em todas as disciplinas que constituem o programa das escolas primárias do 1º grau, são obrigados a freqüentá-las, os indivíduos de um e outro sexo, de 7 a 14 anos de idade. Porém esta obrigatoriedade não compreendia aquelas crianças cujos pais, tutores ou protetores provassem que recebiam instrução conveniente, em escolas particulares ou em suas próprias casas e aqueles que residissem distantes da Escola Pública ou subsidiadas mais próximo (de 1,5 Km para os meninos e 1.0 Km para as meninas).

Alguns autores afirmam que foi o Governo Republicano quem proporcionou o maior crescimento de oportunidades escolares, até então, porém essas escolas tinham eram elitistas e com o tempo tornaram-se insuficientes, como demonstra o trecho de Ribeiro (1989) citado a seguir:

“Sobre a formação das elites…no Brasil está processando a seleção dos incapazes feita

pelo ensino secundário. Na escola primária, o filho do rico, irmanado com os do pobre,

são bons e maus alunos, mas como os pobres são infinitamente mais numerosos, se tem numerosos alunos maus e também, muitos bem dotados, digamos, em dez ricos há um aluno inteligente em noventa pobres, haverá nove alunos iguais a esse rico …

Quando começa o ensino secundário o pobre não pode frenquentá-lo; o liceu, o ginásio, o colégio custam muito caro. Os noventa pobres vão para as fábricas, para a lavoura, para a mão-de-obra. Os dez ricos, esses farão exames, depois serão bacharéis, médicos, engenheiros, jornalistas, burocratas, político, constituirão a elite nacional dominadora….Mas como nesses dez, apenas um é inteligente, nossa elite tem apenas 0,1 de capacidade.”

A organização política advinda com a Proclamação da República apoiou-se na descentralização político econômico, refletindo-se também na organização escolar, como evidenciado no texto da Constituição de 1891. Mediante a essas definições a Escola se organiza em graus de ensino: o 1º grau para crianças de 7 aos 13 anos e o 2º grau para crianças a partir dos 13 anos.

Uma das

intenções

desta

nova

organização

escolar

era

que

os

diversos

níveis

de ensino se tornassem formadores e não apenas preparadores para o grau seguinte. O

ingresso

nos

cursos

superiores

seria

precedido

de

exames

(no

final

do

curso secundário) objetivando medir a capacidade intelectual

dos formandos/ingressistas.

Outra intenção

era assegurar

que

a

formação no

grau ocorresse tendo

como

base

a

ciência,

substituindo

assim o

que

chamavam “academismo

literário”,

criticado

como

resultado

do

predomínio

da

escola tradicional. Portanto, as controvérsias e propostas de reformas giravam em torno de 2 dilemas:

Formação humana X preparação para o ensino superior Formação humana baseada na ciência X formação humana baseada na literatura.

Resultado desse impasse é que ambos os ensinos (1º e 2º) tornaram enciclopédicos. Acrescentando ao conteúdo tradicional os conteúdos ditos científicos, não resolvendo o dilema nem o nível de idéias, muito menos da suficiência da escola. Na prática, a escola se manteve como preparadora daqueles que iriam ingressar no grau de ensino subsequente.

O segundo período (1930 a 1960):

Este período é marcado por intensas movimentações e tensões. A crise de 1929 provocou no Brasil duas transformações estruturais importantes:

A substituição da importação de bens de consumo por produtos nacionais, o que fortalece a indústria nacional e a nova burguesia urbano-industrial; A diversificação da produção e relativização do poder econômico dos cafeicultores, levando tanto o Estado como a sociedade civil à significativas reestruturações.

As modificações da estrutura econômica fazem surgir novas forças sociais e graves confrontos com o governo e com o poder estabelecido. A burguesia industrial, o operariado, a classe média ou a pequena burguesia das cidades ora polarizavam entre si, ora articulavam-se contra as orientações do governo. Para o Governo o desenvolvimento da sociedade dar-se-ia com o desenvolvimento do modelo capitalista, mesmo que dependente. Já o movimento das forças sociais pretendia romper com a dependência externa e reorientar o desenvolvimento no sentido da transformação econômica, política e social, cujo resultado desejado era o crescimento automático e autônomo do padrão de vida de toda a população e não da pequena parcela dela.

De acordo com Ribeiro (1989) com o fim da Segunda Grande Guerra e derrota dos países do Eixo o Brasil amarra-se definitivamente com os Estado Unidos, único país capitalista que sobrou da Segunda Guerra Mundial em condições de sobrevivência. E neste contexto começa a penetração norte-americana no país, que irá atingir o apogeu em 1955. A escola e a educação reassumem, neste momento, um espaço privilegiado no projeto social, mantendo, no entanto, a convicção de que seus

fracassos até então diagnosticados estavam na forma de fazer escola e não nos seus conteúdos, no acesso restrito e na falta de recursos.

O texto principal no tema educacional agora será baseado na concepção humanista moderna e em seus defensores. No entanto, entre os “bastidores”, já fermentava o dilema da “escola literária” X o “aprender útil” defendido como sendo de aplicação imediata, menos demorada e direcionada para a produção do desenvolvimento. Os pioneiros da educação, contrários a essa “idéia” de escola, apresentam um projeto de sistema educacional, baseado no pressuposto de que medidas educacionais deveriam ser tomadas e apoiadas a partir de um programa educacional amplo, com unidade de propósitos e seqüência determinada. Propunham a organização de cursos acadêmicos e profissionais em um mesmo estabelecimento; combatiam o dualismo entre ensino profissional e cultural sendo contrários ao centralismo que confundia unidade com uniformidade. O movimento dos “pioneiros” marcou o tipo de escola e sistema escolar da época, mas não impossibilitou o crescimento da escola tecnicista.

Com a criação do Ministério da Educação e Saúde (1930), houve uma reformulação no ensino que abrangeu todos os graus (Decretos n. 19851, n. 19852 e n. 19890). Em relação ao ensino superior, determinava a organização dos cursos isolados em Universidades e exigia que estas se estabelecessem, obrigatoriamente, com um mínimo de três institutos: Medicina, Direito e Engenharia. Permitia-se a substituição

de um desses institutos pela Faculdade de Ciências e Letras que “deveria dar, ao conjunto de Faculdades integradas à Universidades, o caráter especificamente

universitário pela cultura desinteressada […] e, por sua função sintetizadora”… (Miranda, 1966). Quanto ao ensino secundário, a reforma objetivou imprimir-lhe “caráter eminentemente educativo” e o dividiu em duas etapas:

A primeira, com cinco anos (fundamental), deveria formar o homem através de “hábitos”, atitudes e comportamento, habilitando a viver integralmente e capacitando-o à decisões e convenientes e seguras, em qualquer situação (MIRANDA, 1966). A segunda, de dois anos, objetivava adaptar o aluno às futuras habilitações profissionais.

Praticamente estas reformas vieram responder ao projeto dos Pioneiros da Educação. Na Constituição de 1937, o ensino técnico é objeto de definições, estabelecendo-se formalmente sua clientela: as classes menos favorecidas. O período de 1930-1937 foi especialmente fecundo do ponto de vista do debate sobre a educação no Brasil, facilitada, inclusive, pela indefinição do governo diante das duas principais correntes que se opunham. Tais tendências e grupos combatiam o princípio do monopólio do ensino pelo Estado, identificado por ambos como um princípio de sustentação tanto do Estado Fascista como do Estado Comunista. Uma análise mais acurada da situação demonstra, porém, que os dois grupos oponentes estavam pactuados no postulado básico e fundamental do liberalismo: a defesa do individualismo e jamais de qualquer outro organismo, instituição ou ideologia.

No entanto, o que aparecia para o grande público era a oposição entre escola pública e escola privada, entre o ensino leigo e confessional, entre o saber literário e o saber útil. Na verdade, a luta era entre duas formas de defesa de interesses particulares: a forma

“conservadora” (identificada com as tendências humanistas) e a forma “moderna”

(tecnicista).

Apesar

das

múltiplas

reformas

do

ensino

e

da

promulgação de três

cartas constitucionais, também nesse período, o sistema educacional brasileiro não chegou a responder satisfatória e suficientemente a situações como: a melhora do

rendimento escolar, o aperfeiçoamento administrativo e a bifurcação dos caminhos escolares após o primário.

Em 1942 a Reforma Capanema abrangeu o ensino secundário e o técnico-industrial, afirmando que daria resposta a essas questões. Para tanto modificou os ciclos de estudo: quatro anos (ginasial) e três anos (colegial). Este último seria oferecido em duas modalidades: o científico e o clássico, ambos permitindo o ingresso em qualquer curso superior. No entanto, o que aconteceu na prática, é que a ênfase dada às “letras”, no curso clássico, dirigiu seus egressos para as Faculdades de Filosofia, Letras e Direito e o científico, voltado para as ciências, orientou seus concluintes para os cursos das áreas de saúde, biológicas e engenharias, e nenhum deles foi “dirigido” às classes baixas da sociedade.

O ensino médio industrial também foi regulamentado em dois ciclos: um de quatro anos para formar artífices especializados em escolas industriais e o outro, de três anos, a ser ministrado em escolas técnicas para formar técnicos especializados. Uma variação sobre este “tema” foi a regulamentação da formação de normalistas com três anos após o ginasial que não se concentrava nem nas “letras” e nem nas “ciências”, mas em cadeiras ditas pedagógicas. Estruturou-se o ensino comercial, como o ramo do ensino médio. Na verdade, a Reforma Capanema que vigorou até 1961, quando foi aprovada a atual Lei de Diretrizes e Bases (LDB), pensou cada grau e ramo de ensino como forma de “orientar” o ingresso da clientela na escola conforme sua classe social. O ensino superior não recebeu, no período, a mesma atenção, em que pese o aumento no número de matrículas.

A Constituição de 46 e a reorganização da economia, no fim do Estado Novo, apontaram mudanças políticas e econômicas na perspectiva de consolidar o novo projeto social que se desenhou após a Ditadura Vargas e o fim da Segunda Guerra Mundial. No caso da educação, o projeto de lei de diretrizes e bases, indicado na Constituição e, a Campanha da Escola Pública mobilizaram todos os grupos sociais. Dos muitos debates e confrontos da época resultou a atual LDB onde estão contempladas as duas tendências que se polarizavam na sociedade à época. Contudo, a Lei n. 4.024, aprovada em dezembro de 1961, só vai corporificar-se na rede escolar no período seguinte. Já nasce como uma lei tardia buscando estabelecer um compromisso entre os interesses da burguesia nacional e de frações mais tradicionais da sociedade, ligadas ao capital internacional e articuladas em torno da internacionalização do mercado interno.

Terceiro período (1960 até os dias atuais):

Durante a primeira década deste período entra em crise a tendência humanista moderna, predominante de 1945 a 1960, começando uma forte articulação social que privilegiou a concepção tecnicista de educação, que novamente foi considerada a adequada ao projeto social e econômico do país. Contudo por volta de 1968, paralelamente ao predomínio dessa tendência, emergiram as críticas à essa pedagogia dita a oficial e à política educacional que pretendia implementá-las. Essas críticas foram sustentadas pelas teorias crítico-reprodutivistas tendo o mérito de promover a denúncia sistemática da tendência humanista. Essas teorias, por considerar as relações entre determinantes sociais e educação de modo externo e mecânico acentuam as posturas pessimistas e imobilistas nos espaços sociais e educacionais, “minando” a

crença da educação “redentora da humanidade” e da autonomia da educação em relação à sociedade. Deste modo, cabe a tendência dialética tomar a si a tarefa de abrir caminhos no sentido de captar a especificidade de articulação entre educação e o conjunto das relações sociais. Movimentos contra-hegemônicos defendem que o “espaço” próprio da educação é o da apropriação/desapropriação/reapropriação do saber e que esse espaço está atravessado pela contradição essencial do modo de produção capitalista: a contradição capital-trabalho.

“Sendo o saber força produtiva e sendo a sociedade capitalista caracterizada pela propriedade privada dos meios de produção, a classe que os detêm empenha-se na apropriação do saber, desapropriando-o da classe trabalhadora. Sendo impossível a apropriação exclusiva do saber, já que a contradição inerente à sociedade capitalista é insolúvel no seu âmbito, a classe capitalista sistematiza o saber de que se apropria e o devolve parcelado ao trabalhador. Assim, fazendo, detêm a propriedade do saber relativo ao conjunto do processo produtivo restando ao trabalhador apenas o saber correspondente à parcela do trabalho que lhe cabe executar”. (SAVIANI, 1987).

Configura-se assim a educação como espaço de luta, sustentada pela tendência dialética.

Na década de 60 surgiu uma nova organização educacional, sob a égide da Lei n. 4.024/61 (LDB), tornando o sistema de ensino um ponto de conflito entre segmentos e grupo sociais. As “prescrições” da LDB, das Reformas Universitárias e do Ensino de 1º e 2º Graus, caracterizaram a escola da seguinte maneira:

currículos definidos nacionalmente; minuciosas instruções e formulários, a serem obedecidos e preenchidos como forma de controle, fiscalização e reconhecimento da escola e do ensino ministrado; professores, alunos e múltiplos técnicos de educação moldados conforme diretrizes técnico-operacionais.

Com essas prescrições sendo aplicadas e operacionalizadas igualmente por todo

o sistema

e

em

todo

o

território

nacional,

pretenderam

reafirmar

o

pressuposto

da igualdade da escola. Porém os dados do MEC/SEEC, no documento Sinopse Estatística do Ensino Primário (1972), demonstram que em 1964 somente 2/3 das crianças de 7 a 14 anos estavam matriculados, cinco milhões não estavam escolarizadas e destas 3,3 milhões nem se quer conheciam uma escola e que em 1972 (onze anos após ser sancionada a LDB) ainda não havia escola para 4,4 milhões de crianças nesta faixa etária.

Diante dessas

circunstâncias

de exclusão social

o

princípio

do

direto

e

do dever

da educação para todos os cidadãos cai em descrédito. Várias explicações para esse fato foram formuladas, mas a mais simples foi a de que o fenômeno

da seletividade

e

da

exclusão

do

sistema

educacional

era

decorrente

das

diferenças inatas, da dedicação ou de esforços individuais.

A LDB não foi criada para resolver problemas de seletividade (quem são os escolhidos e rejeitados) ou dificuldades de acesso à escola acumuladas desde períodos anteriores, porém visa assegurar os direitos educacionais para a população e esta ter um meio seguro de cobrar seus direitos mediante seus governantes.

O Censo Educacional de 1964 demonstrava, detalhadamente, as dificuldades que as crianças encontravam para ingressar e permanecer na escola, como:

currículos inadequados (não esqueçamos que a história dos Três Porquinhos foi usada para alfabetizar, pelo método global, todas as crianças que lograram um lugar na escola em todo o Território Nacional!); professores mal qualificados; equipamentos deficientes (inexistentes!); distância de casa à escola; falta de transporte; ingresso das crianças no mercado de trabalho para colaborar no sustento da família; falta de roupas, alimentação e material escolar.

Contra essas dificuldades a LDB, assim como as leis, os decretos, as resoluções e as portarias em que foi “desdobrada” (Lei da Reforma Universitária nº 5.540/68; Lei n.

5.692/71 de Reforma de Ensino de 1º e 2º Graus; Dec. Leis nº 5.379/67 e 62.484/67 que institucionalizam o MOBRAL; Dec. Lei n. 7.737/71 que institucionaliza o

“ensino supletivo” previsto na Lei nº 5.692/71, entre outros), “traduzem as

estratégias típicas da classe dominante que ao mesmo tempo em que institucionaliza a desigualdade social, ao nível da ideologia, postulam sua inexistência” (Freitag, 1986). Nessa lógica, as classes subalternas estavam submetidas aos padrões da escola da igualdade, onde a desigualdade social estava perpetuada nos modos de organizar o sistema educacional e o ensino. Nesse processo, as classes “desfavorecidas” acabaram por assumir a culpa da sua “incapacidade” em responder, satisfatoriamente, as regras do jogo educacional definidas pelas classes dominantes.

Porém essa culpa não foi aceita natural e passivamente. O movimento de articulação social das classes subalternas, na sociedade civil e política, procuraram valer-se da educação como canal de mobilidade, ascensão social ou pré-requisito de entrada e reconhecimento no mercado de trabalho. Para tanto usaram a flexibilidade e a equivalência formal dos cursos, asseguradas pela primeira vez no Brasil a partir desse período. Assim é que a estrutura e o funcionamento do sistema educacional refletiram as ambigüidades e contradições da própria ordem social.

Aparentemente todos os grupos e classes sociais estavam contemplados na organização do sistema e seu funcionamento vinha ao encontro dos diferentes interesses. Na verdade, são os interesses da classe hegemônica que estão preservados, como pode ser constatado através do caso da privatização do ensino secundário. O “mecanismo” de privatização do ensino secundário funciona como uma das barreiras à entrada das classes subalternas e no ensino superior, ao mesmo tempo que faculta ao setor privado transformar a educação em uma empresa lucrativa. O curso profissionalizante de nível médio, cujo objetivo é qualificar pessoal em habilidades necessárias ao mercado e ao desenvolvimento, vai sendo gradual e freqüentemente desvirtuado, tanto por parte do sistema como da clientela. Esses cursos, em geral, estão reduzidos a uma grade curricular e são implantados, apesar da inexistência dos meios e dos recursos exigidos pela sua especificidade. Nesse sentido acabam por falsear as habilitações que “anunciam”, ao mesmo tempo que são uma fonte de lucro. Implantados para assegurar a entrada no mercado de trabalho, não são procurados pela clientela com esta finalidade, mas sim porque constituem a possibilidade das classes baixas almejarem a Universidade; como não têm acesso aos cursos de segundo grau, preparatórios para o ensino superior, os “desfavorecidos” se “preparam” para a Universidade nos cursos profissionalizantes, oferecidos, em geral, no turno da noite.

O processo ditatorial, instalado com o golpe militar de 1964 e que se prolongou até a década de 80, redefiniu o alinhamento dos processos de organização e participação

da sociedade civil, conferindo ao setor educacional, aos partidos políticos e à classe operária particular atenção (FREITAG, 1986). A adoção desse “modelo” econômico vai colidir, frontalmente, com os setores organizados da população que reivindicavam reformas estruturais que permitissem um padrão de produção e consumo democratizado. Estabelece-se o Estado de força cujo impacto social, político e econômico está presente ainda hoje na sociedade. A organização, estruturação e funcionamento do sistema educacional são tomados como objetos a serem reordenados e fortemente fiscalizados. Num primeiro momento dois Decretos-Lei dão o tom da política do governo em relação à educação:

a Lei n. 4.464/64 que proíbe o funcionamento da União Nacional dos Estudantes (UNE),criada em 1937; a Lei n. 4.440/64 que institucionaliza o salário-educação: 2% do salário mínimo regional pago pelas empresas à Previdência Social, em relação a todos os empregados; do valor arrecadado, 50% compete aos governos estaduais aplicar no ensino fundamental e o restante destina-se aos Estados mais carentes, através do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, gerido pelo MEC.

Em 1965 o governo constituiu uma Comissão para estudar, detalhadamente, a universidade brasileira. Compõem tal Comissão cinco americanos e dois brasileiros que elaboraram um relatório que não foi publicado (1967). Considerando o modelo de universidade e a organização que se deu aos cursos através da Lei 5.540/68, é impossível não inferir que a universidade que temos hoje é uma cópia atrasada da universidade norte-americana. Seus parâmetros estão até hoje orientando o funcionamento do ensino superior:

departamentalização (extinção das cátedras);

criação dos ciclos básicos por área de conhecimento (ciências humanas, exatas

e biológicas); sistema de créditos e extinção dos cursos seriados;

formas jurídico-administrativas múltiplas;

regime de tempo integral para professores;

vestibular unificado e classificatório;

estabelecimento de dois níveis de pós-graduação (mestrado e doutorado).

Estes parâmetros, entre outros, conformam a Universidade. O ensino superior, no Brasil, passa a viver a lógica que a Universidade Americana viveu setenta anos atrás. Somando o que se estabeleceu para o ensino superior com a Reforma do Ensino de 1º e 2º Graus constata-se que a lógica da organização atual do sistema educacional caminha sob o empuxo das seguintes contradições: contenção x liberação e autoritarismo x democratização. Em relação à primeira, temos o ensino profissionalizante como forma de “desviar” da Universidade todos os que concluem o segundo grau; o vestibular classificatório e não seletivo por nota mínima; e o jubilamento; estes procedimentos são exemplos das estratégias que resultam ora na contenção ora na liberação. A racionalidade está presente na adoção dos ciclos básicos gerando a irracionalidade da troca entre qualidade/quantidade, da “perda” de identidade dos cursos. Estes aspectos somam-se e se completam fazendo emergir a contradição autoritarismo/democracia, assentada em normas repressivas em relação a professores e alunos, paralelamente a medida que aumentam cursos e vagas objetivando ampliar a capacidade das Universidades em receber um número maior de alunos.

A reforma do primeiro e do segundo graus visou:

· controlar a crise educacional gerada pela pressão do número cada vez maior de jovens chegando ao vestibular (esse foi o sinal mais prático da equivalência entre cursos profissionalizantes e cursos “preparatórios”, no segundo grau); · colaborar para atenuar o impacto do desemprego resultando da crise no setor de produção, em especial a que ocorreu no período de 1964-1968.

Na reforma do 1º e 2º graus merece destaque a flexibilidade como o princípio mais inovador para a organização e funcionamento do sistema educacional brasileiro, em toda a sua história. Saviani (1986) chega a dizer que a Lei 5.692/71 é tão flexível que pode até não ser implantada ou ser revogada sem realmente o ser. Como exemplo confronta os termos do Parecer n. 45/72 da profissionalização, com o

Parecer n. 76/75 também sobre a profissionalização: “o primeiro parecer regulamentou o artigo 5º da Lei; o segundo revogou o primeiro e, com ele, revogou também o artigo 5º da Lei; só que, mediante o princípio da flexibilidade, ele não revogou, ele reinterpretou… e o artigo 5º permanece…”. Tal flexibilidade permite, inclusive diferenciar “terminalidade legal ou ideal” (o conteúdo de aprendizagem do primeiro grau será dado em oito anos) de “terminalidade real” (é possível, com base nas diferenças regionais, de escola ou do aluno, que esse conteúdo seja dado de formas “mais ligeiras”, encaminhando o aluno para o mercado de trabalho). O que tem acontecido, com muita freqüência é, portanto, o, aligeiramento do ensino de primeiro e segundo graus a partir da reforma de 1971, em especial para os jovens de classes sociais “menos favorecidas”. A escola de 1º e 2º graus chega a constituir-se uma mera formalidade legal, cujos conteúdos da chamada

“educação geral” e da “educação especial” (através da qual se pretende a

profissionalização em múltiplas e diversas “habilitações”) podem ou não ser ministrados. Se este “procedimento” facilita a entrada do aluno na Escola, a saída conferir-lhe-á o título da diferença social na qual será inserido.

A Lei nº 9.394/96 (LDB) e a Realidade Educacional

A tramitação no Congresso Nacional para aprovação e implementação desta Lei foi longo e conflituoso, mas apesar das inúmeras tentativas de eliminar as conquistas obtidas, ao final, a Lei promulgada, oferece novas oportunidades educacionais a todo o povo brasileiro, trazendo um conjunto de definições políticas que visam orientar o sistema educacional e introduz mudanças significativas na educação básica do país.

Após a retrospectiva histórica da educação brasileira a cima descrito, atentemos as mudanças ocorridas na estrutura educacional no Brasil, após a atual LDB, vigorando em todo o território nacional brasileiro.

Educação Infantil:

A especificidade atribuída a essa etapa da escolarização opõe-se a visão da pré-escola com base na noção de privação ou carência cultural, tão expressivo no passado, segundo o qual o papel da pré-escola seria o de suprir as “deficiências” das crianças, especialmente as de origens populares.

A manutenção da educação infantil como primeira etapa da educação básica representa uma vitória e a dimensão pedagógica do atendimento de crianças de 0 a 6 anos tem por

objetivo o desenvolvimento integral da criança aspectos físico, psicológico intelectual e social (artigo 29 da LDB).

em

seus

Segundo Corrêa (2007), as primeiras instituições voltadas para a educação infantil no Brasil surgiram em 1896, na cidade de São Paulo e a difusão deste nível de ensino só se deu em meados de 1940, principalmente na cidade de Porto Alegre capital gaúcha que já contava com 40 jardins de infância. Foi a partir de 1970 que creches, jardins de

infância e pré-escola expandiram-se de maneira tímida principalmente em função da pressão promovida as autoridades competentes pela sociedade civil.

Foi somente com a Constituição Federal de 1988, que começou a alargar os horizontes do ensino infantil no Brasil, pois, em seu artigo 208, inciso IV, afirma que “o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: “atendimento em creches e pré-escolas a crianças de 0 a 5 anos“. Isso significa que o Estado é obrigado pela Constituição Federal a disponibilizar vagas para este nível de ensino, pois, a família que achar-se lesada por não conseguir matrícula na rede pública para o ensino infantil, pode recorrer à promotoria pública que por sua vez acionará judicialmente os órgãos competentes. Direitos estes conquistados com a Constituição Federal de 1988, principalmente devido à enorme procura de vagas para crianças de 0 a 6 anos, uma vez que cada vez mais as mulheres conquistavam de maneira significativa posto no mercado de trabalho não dispondo mais do tempo que outrora tinha para cuidar de suas crianças. É importante ressaltar que hoje este nível de ensino por força da Emenda Constitucional nº 53 de 2006, corresponde as crianças de 0 a 5 anos de idade.

A respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente (E.C. A) Lei federal nº 8.069, de

1990, que

é

mais

uma conquista da sociedade civil

em

defesa dos direitos

da

criança, principalmente das de 0 a 5 anos de idade. Pois, em seu artigo nº 4 afirma:

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referente à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL, 1990).

Ainda em seu artigo nº 53 o Estatuto da Criança e do Adolescente (E.C.A), afirma que a criança tem o direito de ser respeitada por seus, educadores em razão de suas limitações de autodefesa por serem de pouca idade. Pois, são comuns muitas instituições de ensino infantil praticar castigos de toda natureza inclusive físicos, além do espaço ser inadequado e a falta de formação própria dos profissionais para este nível de ensino. Tanto a Constituição Federal quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (E.C.A), buscam a proteção e a garantia dos direitos das crianças, garantindo o acesso das mesmas em instituições de ensino de 0 a 5 anos. Pois no artigo nº 54 da (E.C. A) reafirma o dever do Estado em assegurar o atendimento em creches e pré- escolas.

Para reforçar o que acima foi descrito a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (L.D.B) lei Federal nº 9394 de 1996, afirma em seu artigo nº 29 “que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica e tem como finalidade o seu desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social”. Já no artigo 31 diz que na educação infantil a avaliação não terá o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. Vale ressaltar que em seu artigo nº 30 a LDB, subdividem a educação infantil em creches para crianças de até 3 anos e pré-escola para as crianças de 4 a 5 anos deidade.

Em virtude dos acontecimentos já mencionados chegamos à conclusão que apesar dos enormes esforços por parte do governo federal e sociedade civil em prol da melhoria na qualidade do ensino infantil, ainda tem muito que se fazer, principalmente na formação dos educadores que atuam neste nível de ensino. Não precisamos de mais leis que assegure os direitos das crianças e sim cumprir as que já existem.

Ensino fundamental:

Relembrando o histórico desta modalidade, no Brasil a educação obrigatória e gratuita foi introduzida com a Constituição Federal em 1934 e era composto de apenas cinco anos, somente por força da Lei nº 5.692/71 esse ensino obrigatório estendeu- se para oito anos com a nomenclatura de primeiro grau. Mas foi com a Constituição de 1988 que esta nomenclatura foi alterada para Ensino Fundamental.

Segundo Romualdo (2007) o ensino fundamental é uma etapa da educação básica destinada a crianças e adolescentes com duração mínima de nove anos, obrigatório e gratuito a partir dos seis anos de idade, de acordo a Lei nº 11.114/05 e conforme a LDB em seu artigo nº 32 afirma que o Ensino Fundamental terá como objetivo a formação básica do cidadão mediante inciso III: “o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores.” É importante observar que esse artigo, mediante a eliminação do limite de idade para o direto ao ensino fundamental obrigatório, significa a possibilidade de todos os brasileiros, de qualquer faixa etária acima de sete anos de idade ter acesso a esta etapa da escolarização, podendo exigi-la legalmente do poder público, pois antes a obrigação do Estado na oferta dessa escolarização excluía os que ultrapassassem a faixa dos quatorze anos.

Essa alteração na LDB do ensino fundamental de 8 anos para 9 anos é devido da necessidade da melhoria no ensino obrigatório, sendo assim, o Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, sancionou no dia 06/02/2006 a Lei nº 11.274 que regulamenta o ensino fundamental de nove anos, alterando os artigos 29, 30, 32 e 87 da LDB, que estabelece as diretrizes da educação nacional.

No entanto, devemos estar atentos para o fato de que a inclusão de crianças de seis anos de idade não deverá significar a antecipação dos conteúdos e atividades que tradicionalmente foram compreendidos como adequados à primeira série. Faz necessário, portanto, que se construa uma nova estrutura e organização dos conteúdos em um ensino fundamental, agora de nove anos.

Outra inovação da LBD em seu artigo 26 é a obrigatoriedade do ensino de Artes na grade curricular do ensino fundamental, porém, o ensino da educação física compõe a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino, más, torna-se facultativa aos cursos noturnos.

Todas essas mudanças que ocorreram na estrutura do ensino fundamental têm melhorado de maneira significativa a qualidade neste nível de ensino, no entanto ainda não é o suficiente.

Ensino médio:

Segundo os

artigos

35

e

36

da

LDB,

esta

fase

do

ensino

é

a

etapa final

da

educação básica, e observamos que ela vem buscando sua identidade. Ora lhe é delegada a função de preparatório para a universidade, ora sua finalidade é atender

ou preparar para o mercado de trabalho.

Segundo Pinto (2007), o governo Vargas em 1937, implantou um sistema de ensino profissionalizante para atender as camadas populares com objetivo de preparar

“Mão de obra para o mercado de trabalho”, porém, somente o ensino médio

propedêutico permitia acesso ao ensino superior.

Mas foi no governo

do

regime

militar

em

que

o ensino médio teve grandes

alterações, pois o presidente Médici através da Lei nº 5692/71, determinou que todas

as escolas do país ministrassem

um

ensino

médio

de

3

anos

estritamente de

caráter profissionalizante, tudo indica que era uma tentativa de diminuir a demanda

de vagas nas universidade públicas e barrar as manifestações estudantis que ocorria pelo país.

No atual texto da LDB (artigo 35, inciso III), o ensino médio objetiva preservar o caráter unitário, partindo da proposta de educação geral. Este nível de ensino desempenha a função de contribuir para que os jovens consolidem e aprofundem conhecimentos anteriormente adquiridos, visando uma maior compreensão do significado das Ciências, arte, letras e de outras manifestações culturais.

Outra função delegada a esta fase final do ensino básico é de possibilitar que os jovens possam ter acesso à educação profissionalizante, aprofundando sua compreensão sobre os fundamentos científicos e tecnológicos.

Assim a Lei objetiva-se em possibilitar o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.

Por fim destaca-se à ampliação da carga horária mínima anual de 200 dias letivos de efetivo trabalho escolar, no nível fundamental e médio, segundo o artigo 24 inciso I. E também a progressão continuada, uma inovação que viabilizou procedimentos que contribuíram para minimizar os problemas de evasão e repetência, bem como o tratamento dado com relação a educação indígena e a educação especial.

A educação de Jovens e Adultos (EJA):

Segundo Kruppa (2007), em 1990 (ano internacional da Alfabetização) com Paulo Freire à frente da Secretaria de Educação do Município de São Paulo, organizava-se a Primeira Conferência Brasileira de Alfabetização, no qual representantes do Ministério da Educação (MEC) se comprometeram em priorizar a alfabetização de adultos. Em 1997 o governo Federal desvincula a EJA do MEC e cria o Programa Alfabetização Solidária, com o objetivo de reduzir as altas taxas de analfabetismo que ainda vigorava em algumas regiões do país. Programa este presidido pela primeira dama do país e atendendo 1,5 milhão e meio de brasileiros em 1200 municípios brasileiros de 15 Estados, trabalhando em parcerias com empresas, instituições universitárias, pessoas físicas, prefeituras e o Mistério da Educação (MEC).

Além das turmas tradicionais da (EJA), em 2003 o governo do presidente LULA, criou o Programa Brasil Alfabetizado, que priorizou de inicio as instituições filantrópicas, somente a partir do segundo ano as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação que receberam mais recursos do programa, chegando em 2007 com quase 50 % de todos os recursos destinados ao Brasil Alfabetizado.

Em consonância com a Constituição, a LDB, estabelece que “O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de ensino, obrigatório e gratuito,inclusive para os que a ele não tiveram acesso idade própria” (Artigo 4, já mencionado).

No seu artigo 37, refere-se à educação de jovens e adultos determinando que “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No inciso I, deixa clara a intenção de assegurar educação gratuita e de qualidade a esse segmento da população, respeitando a diversidade que nele se apresenta.

O desafio imposto para a EJA na atualidade se constitui em reconhecer o direito do jovem/adulto de ser sujeito; mudar radicalmente a maneira como a EJA é concebida e praticada; buscar novas metodologias, considerando os interesses dos jovens e adultos;

pensar novas formas de EJA articuladas com o mundo do trabalho; investir seriamente na formação de educadores; e renovar o currículo de forma interdisciplinar e transversal, entre outras ações, de modo que este passe a constituir um direito, e não um favor prestado em função da disposição dos governos, da sociedade ou dos empresários.

Educação Inclusiva:

A educação inclusiva é uma educação onde os ditos “normais” e os portadores de algum tipo de deficiência poderão aprender uns com os outros. Uma depende da outra para que realmente exista uma educação de qualidade. A educação inclusiva no Brasil é um desafio a todos os profissionais de educação.

Diante deste desafio é importante esclarecer que a Educação Inclusiva é:

atender aos estudantes portadores de necessidades especiais na vizinhança da sua residência; propiciar a ampliação do acesso destes alunos às classes regular; propiciar aos professores da classe regular um suporte técnico; perceber que as crianças podem aprender juntas, embora tendo objetivos e processos diferentes; levar os professores a estabelecer formas criativas de atuação com as crianças portadoras de deficiência; propiciar um atendimento integrado ao professor de classe comum do ensino regular.

E que a Educação inclusiva não é:

levar crianças às classes comuns sem o acompanhamento do professor especializado; ignorar as necessidades específicas da criança; fazer as crianças seguirem um processo único de desenvolvimento, ao mesmo tempo e para todas as idades; extinguir o atendimento de educação especial antes do tempo; esperar que os professores de classe regular ensinem as crianças portadoras de necessidades especiais sem um suporte técnico.

Percebe-se ao longo da história e, também na atualidade, que a maioria dos profissionais envolvidos na educação não sabe ou desconhece a importância e a diferença da educação especial e educação inclusiva. Por essa razão, veio à realização deste item para o esclarecimento das pessoas envolvidas na educação e interessados.

Educação especial:

A Carta Magna é a lei maior de uma sociedade política, como o próprio nome nos sugere. Em 1988, a Constituição Federal, de cunho liberal, prescrevia, no seu artigo 208, inciso III, entre as atribuições do Estado, isto é, do Poder Público, o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. No entanto, muito se tem falado sobre as carências do Sistema Educacional Brasileiro, mas, poucas às vezes é mencionado o seu primo pobre a Educação Especial. Muito menos são reivindicadas melhores condições para esse segmento que, ao contrário do que parece a primeira vista abrange um número significativo de brasileiros.

Segundo os

últimos

dados

oficiais

disponíveis

do

censo

escolar,

promovido

pelo Ministério

da

Educação,

existem

milhões

de

crianças

e

jovens

em

idade

escolar com

algum

tipo

de

deficiência.

Boa

parte

deles

não

tem

atendimento especializado, estando matriculados em escolas regulares ou pior, não

estudam.

A Educação Especial Brasileira atinge somente pequena parcela dos deficientes, quase a metade deles através de escolas particulares e as demais são federais, estaduais e municipais.

A educação especial trata-se de uma educação voltada para os portadores de deficiências como: auditivas, visuais, intelectual, física, sensorial, surdocegueira e as múltiplas deficiências.

Para que esses educandos tão especiais possam ser educados e reabilitados, é de extrema importância a participação deles em escolas e instituições especializadas. E que eles disponham de tudo o que for necessário para o seu desenvolvimento cognitivo.

A educação profissional no Brasil:

A Lei 9.394/96, constitui-se num marco para a educação profissional, pois as leis de diretrizes e bases anteriores ou as leis orgânicas para os níveis e modalidades de ensino, sempre trataram da educação profissional comparcialidade. Legislavam sobre a vinculação da formação para o trabalho a determinados níveis de ensino, como a educação formal, quer na época dos ginásios comerciais e industriais, quer posteriormente através da Lei 5.692/71, com o segundo grau profissionalizante.

Na atual lei, o Capítulo III do Título V (Dos níveis e das modalidades de educação e ensino) é totalmente dedicado à educação profissional, tratando-a na sua inteira dimensão, como parte do sistema educacional. Neste novo enfoque a educação profissional tem como objetivos não só a formação de técnicos de nível médio, mas a qualificação, a requalificação, a reprofissionalização de trabalhadores de qualquer nível de escolaridade, a atualização tecnológica permanente e a habilitação nos níveis médio e superior. Enfim, regulamenta a educação profissional como um todo, contemplando as formas de ensino que habilitam e estão referidas a níveis da educação escolar no conjunto da qualificação permanente para as atividades produtivas.

Mais uma vez aparece na Lei de Diretrizes e Bases, no Art. 39, a referência ao conceito

de “aprendizagem permanente”. A educação profissional deve levar ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. E mais uma vez, também, destaca a relação entre educação escolar e processos formativos, quando faz referência à integração entre a educação profissional e as “diferentes formas de educação”, o trabalho, a ciência e a tecnologia. O parágrafo único deste artigo e os artigos 40 e 42 introduzem o caráter complementar da educação profissional e ampliam sua atuação para além da escolaridade formal e seu locus para além da escola.

Finalmente, estabelece a forma de reconhecimento e certificação das competências adquiridas fora do ambiente escolar, quer para prosseguimento de estudos, quer para titulação, de forma absolutamente inovadora em relação à legislação preexistente.

LDB-9394/96

A LDB - Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394 foi promulgada em 20 de dezembro de 1996. Desde então, ela vem abrangendo os mais diversos tipos de educação: educação infantil (agora sendo obrigatória para crianças a partir de quatro anos); ensino fundamental; ensino

médio (estendendo-se para os jovens até os 17 anos). Além de outras modalidades do ensino, como a educação especial, indígena, no campo e ensino a distância. Cabe a nós, brasileiros, segui-la, tornando a educação muito mais humana e formativa. Mesmo porque o sistema educacional envolve a família, as relações humanas, sociais e culturais.

É por meio da LDB que encontramos os princípios gerais da educação, bem como as finalidades, os recursos financeiros, a formação e diretrizes para a carreira dos profissionais da educação. Além disso, essa é uma lei que se renova a cada período, cabendo à Câmara dos Deputados atualizá-la conforme o contexto em que se encontra a nossa sociedade. Como exemplo, antes o período para terminar o ensino fundamental era de 8 anos. Após a atualização da LDB, o período se estendeu para 9 anos, com idade inicial de 6 anos. Outras atualizações foram feitas, como a revogação dos parágrafos 2º e 4º do Artigo 36, da seção IV, que trata do ensino médio. Daí a importância de sua publicação, visando nortear o povo brasileiro, assegurando-lhe seus direitos e mostrando os seus deveres.

Desde sua promulgação, ocorreram inúmeras atualizações na LDB. A última atualização ocorreu em março de 2017, por meio da Lei nº 13.415. Essas alterações visam buscar melhorias para a nossa educação, sempre primando pelo direito universal à educação para todos.

Aprimore seus conhecimentos acessando os Cursos CPT da área Metodologia de Ensino, elaborados pelo Centro de Produções Técnicas.

Clique e conheça os títulos que abordam os artigos presentes na LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, bem como os seus incisos e parágrafos: