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ETEC DE PRAIA GRANDE

CURSO TÉCNICO EM FARMÁCIA

ANA PAULA DOS SANTOS CORTES


RAPHAELA DOS SANTOS GONÇALVES

A AUTOMEDICAÇÃO COM OS MEDICAMENTOS ISENTOS DE


PRESCRIÇÃO: ANALGÉSICOS, ANTIÁCIDOS E RELAXANTES
MUSCULARES

PRAIA GRANDE – SP
JUNHO/2014
ANA PAULA DOS SANTOS CORTES
RAPHAELA DOS SANTOS GONÇALVES

A AUTOMEDICAÇÃO COM OS MEDICAMENTOS ISENTOS DE


PRESCRIÇÃO: ANALGÉSICOS, ANTIÁCIDOS E RELAXANTES
MUSCULARES

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado à Etec de Praia Grande, do
Centro Estadual de Educação
Tecnológica Paula Souza, como
requisito para a obtenção do diploma de
Técnico de Nível Médio em Farmácia
sob a orientação da Professora Muriel
Bucci.

PRAIA GRANDE – SP
JUNHO/2014
Agradecemos à Deus, que nos deu força para vencer mais esta etapa
em nossas vidas, à professora Muriel Bucci pela paciência na orientação e
incentivo a esta pesquisa, e a todos os professores do Curso de Farmácia da
ETEC de Praia Grande que foram de tamanha importância para nossa
formação técnica e para a conclusão deste trabalho.
“É muito melhor lançar-se em busca de conquistas grandiosas, mesmo
expondo-se ao fracasso, do que alinhar-se com os pobres de espírito, que nem
gozam muito nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta, onde
não conhecem nem vitória, nem derrota.”

Theodore Roosevelt
RESUMO

A automedicação com os medicamentos isentos de prescrição (MIPs) é uma


prática comum e benéfica na maioria dos casos, porém se feita de forma
indiscriminada pode possibilitar agravos no que se refere ao tratamento de
patologias, mascaramento de outras doenças e aumento na incidência da dor.
O objetivo deste trabalho é levar a informação sobre o uso indiscriminado de
medicamentos (MIPs) que está em carência na população, a fim de promover
seu uso consciente.
Neste trabalho foi realizada uma pesquisa empírica que buscou avaliar o uso
destes medicamentos pelos 300 entrevistados. Os resultados obtidos
demonstram que a prática da automedicação é comum entre essas pessoas e
que o uso de analgésicos/antitérmicos e antiácidos é feito com frequência. Com
base nessas informações, o técnico em farmácia pode ajudar na diminuição do
uso indiscriminado destes medicamentos, orientando, quando for o caso, o
paciente a buscar auxílio de um médico, melhorando a qualidade de vida da
população.

Palavras-chave: Automedicação; MIP; Uso indiscriminado de medicamentos;


Informação; Técnico em Farmácia.
ABSTRACT

The self-medication with Over-The-Counter (OTCs) drugs is a common practice


and beneficial in most cases, but if used indiscriminately can make possible
injuries in relation to the treatment of diseases, masking other diseases, and
increased incidences of pain.
The objective of this study is to carry the information about the indiscriminate
use of medicines (OTCs) that is in need in the population in order to promote
their prudent use.
In this work was conducted an empirical study that aimed to evaluate the use of
these drugs by 300 respondents. The results show that self-medication is
common among these people and the use of analgesics/antipyretics and
antacids are done frequently. Based on this information, the pharmacy
technician can help in reducing the indiscriminate use of these drugs, guiding,
when appropriate, the patient to seek help from a doctor, improving the quality
of life.

Keywords: Self-medication; OTC; Indiscriminate use of medicines; Information;


Pharmacy Technician.
SUMÁRIO

LISTA DE GRÁFICOS, TABELAS E FIGURAS ............................................... 07


RESUMO ......................................................................................................... 04
ABSTRACT ...................................................................................................... 05
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................. 08
2. DESENVOLVIMENTO ......................................................................... 09 á 29
2.1. PESQUISA BIBLIOGRÁFICA ................................................ 09 á 29
2.1.1. Automedicação ................................................................. 09
2.1.2. Medicamentos isentos de prescrição ............................... 10
2.1.2.1. Analgésicos ................................................. 10 á 11
2.1.2.2. Antiácidos ............................................................ 11
2.1.2.3. Relaxantes Musculares ............................... 12 á 13
2.1.3. Tipos de Dores ................................................................. 13
2.1.3.1. Dores de cabeça ......................................... 13 á 16
2.1.3.2. Dores estomacais – Azia ............................ 16 á 17
2.1.3.3. Dores musculares ....................................... 17 á 20
2.1.4. Consequências do uso indiscriminado de MIPs ............... 20
2.1.4.1. Analgésicos ................................................ 20 á 21
2.1.4.1.1. Dipirona Sódica ............................. 22 á 23
2.1.4.2. Antiácidos .................................................... 23 á 24
2.1.4.2.1 Sal de Fruta Eno ® ......................... 24 á 25
2.1.4.3. Relaxantes Musculares ............................... 25 á 26
2.1.4.3.1 Dorflex ® ........................................ 26 á 27
2.1.5. A assistência farmacêutica no combate ao uso
indiscriminado de MIP ........................................................ 28 á 29
2.2. METODOLOGIA ............................................................................. 30
2.2.1. PESQUISA DE CAMPO ................................................... 30
2.2.2. CRONOGRAMA DO TRABALHO ............................ 31 á 32
3. RESULTADOS ..................................................................................... 33 á 40
4. CONCLUSÃO ...................................................................................... 41 á 42
5. REFERÊNCIAS ................................................................................... 43 á 47
6. APÊNDICE ........................................................................................... 48 á 49
LISTA DE GRÁFICOS, TABELAS E FIGURAS

Figura 1 – Esfíncter esofágico inferior ............................................................ 17


Tabela 1 – Posologia Infantil Dipirona Sódica ................................................. 22
Tabela 2 – Cronograma de Atividades 1º Semestre ....................................... 31
Tabela 3 – Cronograma de Atividades 2º Semestre ....................................... 32
Gráfico 1 – Sexo ............................................................................................. 33
Gráfico 2 – Faixa etária ................................................................................... 33
Gráfico 3 – Conhecimento sobre MIP ............................................................. 34
Gráfico 4 – Sintomas que podem ser tratados com MIP ................................ 34
Gráfico 5 – Medicamentos (MIP) já utilizados ................................................ 35
Gráfico 6 – Escolha do medicamento á ser utilizado ...................................... 36
Gráfico 7 – Frequência de uso de MIP ........................................................... 36
Gráfico 8 – Solicitação de Bula ....................................................................... 37
Gráfico 9 – Propaganda e estética das embalagens ...................................... 37
Gráfico 10 – Solicitação de informações ao farmacêutico .............................. 38
Gráfico 11 – Consulta médica ......................................................................... 39
Gráfico 12 – Conhecimento sobre os danos inerentes em MIP ..................... 39
Gráfico 13 – Interesse em conhecer mais sobre o assunto ............................ 40
1. INTRODUÇÃO

A automedicação é a prática de ingerir medicamentos sem o


aconselhamento e/ou acompanhamento de um profissional de saúde
qualificado; é a ingestão de medicamentos por conta e risco do próprio
paciente, e esta prática expõe inúmeras pessoas ao perigo.
A falta de informação da população quanto aos problemas que o uso
indiscriminado e/ou crônico de analgésicos, antiácidos e relaxantes musculares
acarreta em uma série de transtornos. Na correria do dia-a-dia muitas pessoas
não tem tempo livre para ir ao médico consultar-se por uma simples dor de
cabeça ou mal estar, com isso recorrem à automedicação. Esta prática se
reverte em um problema quando se torna contínua, ou quando feita em doses
maiores que a terapêutica necessária. Alguns destes medicamentos possuem
também efeito rebote, que consiste na recorrência dos sintomas, e podem
aumentar a incidência da dor, o que leva ao uso deles por períodos cada vez
mais longos.
A base para a resolução desse problema é a conscientização das
pessoas. O técnico em farmácia deve oferecer informações ao paciente no
próprio balcão do estabelecimento. Somente conhecendo os riscos oferecidos
por esta prática haverá a possibilidade de tentar controlá-la.
O objetivo deste trabalho é levar a informação sobre o uso
indiscriminado de medicamentos (MIPs) que está em carência na população, e
promover seu uso consciente através de material informativo.
A pesquisa empírica, para levantar informações sobre a automedicação
com MIPs foi realizada por meio de questionário respondido por 300 pessoas
no período de fevereiro a março de 2014, através da internet.
A automedicação é muito comum. Levando isso em conta, a ocorrência
de efeitos colaterais indesejados e até mesmo o surgimento de novas doenças
por conta do uso indiscriminado desses se torna frequente. Com a liberdade de
compra desses medicamentos, é indispensável à instrução das pessoas sobre
o uso correto e riscos do uso incorreto destes, visando à diminuição dos riscos
à saúde.

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2. DESENVOLVIMENTO

2.1. Pesquisa bibliográfica

2.1.1. Automedicação

A automedicação é um ato praticado, desde o início da história da


humanidade, nas diversas etapas da evolução histórica, todas as civilizações
buscavam o alívio e a cura das doenças, através da utilização de uma
variedade de recursos terapêuticos (MENEZES, 2008).
A automedicação é a condição em que o paciente toma, por conta
própria, medicamentos que não foram prescritos por médicos e, dessa forma,
sem supervisão profissional. Ainda que os medicamentos utilizados sejam de
venda livre (MIP), não são isentos de riscos, o que depende da adequação da
posologia, período de tratamento, eventuais contraindicações e o estado de
saúde de cada indivíduo (MENEZES, 2008).
O amplo uso de medicamentos sem orientação médica quase sempre
acompanhado do desconhecimento dos malefícios que pode causar é
apontado como uma das causas destes constituírem o principal agente tóxico
responsável pelas intoxicações humanas registradas no país (LESSA e
BOCHNER, 2008).
A automedicação, condenada por muitos, em alguns casos, se feita de
forma correta, pode ser desejável. A Organização Mundial de Saúde (OMS)
define a automedicação responsável como “prática dos indivíduos em tratar
seus próprios sintomas e males menores com medicamentos aprovados e
disponíveis sem a prescrição médica e que são seguros quando usados
segundo as instruções” e a recomenda como forma de desonerar o sistema
público de saúde. É válido ressaltar que o conceito da automedicação
responsável não deve ser confundido com autoprescrição (uso sem receita
médica de medicamentos tarjados) (CRF, 2010).

9
2.1.2. Medicamentos isentos de prescrição

Os medicamentos isentos de prescrição (MIP), também chamados de


medicamentos de venda livre ou OTC (sigla inglesa de “over the counter”, cuja
tradução literal é “sobre o balcão”), são, segundo o Ministério da Saúde,
“aqueles cuja dispensação não requerem autorização, ou seja, receita
expedida por profissional” (CRF, 2010).
Os medicamentos isentos de prescrição (MIP) compõem uma categoria
de medicamentos com uma característica singular: por não necessitarem de
prescrição, o usuário geralmente os utiliza sem qualquer orientação inicial de
algum profissional prescritor. Além disso, evidencia-se o crescente
estabelecimento de uma cultura popular de que os MIP são produtos sem risco
à saúde. Esses fatores levam ao aumento da utilização irracional dessa
categoria de medicamentos (CRF, 2010).
Os medicamentos isentos de prescrição foram mencionados pela
primeira vez na legislação sanitária brasileira na Lei nº 5.991, de 17 de
dezembro de 1973, que dispõe sobre o controle sanitário de medicamentos
(RDC nº 138/03).
Em 2003, a ANVISA publicou a RDC nº 138, de 29 de maio (republicada
em 6 de janeiro de 2004), que é o principal regulamento dos MIPs. Baseada
em critérios como índice terapêutico, toxicidade, legislações internacionais e a
lista de medicamentos essenciais (RENAME), a RDC nº 138/03 estabelece
quais medicamentos são considerados isentos de prescrição através da lista de
Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE). Se um medicamento
apresenta indicações que se enquadram dentro do GITE, ele será considerado
um MIP (ABMIP, 2013).

2.1.2.1. Analgésicos

Denominam-se analgésicos todos os remédios capazes de reduzir ou


aliviar as dores de modo geral. Existem muitas variedades de analgésicos e
cada um possui suas vantagens e riscos. Há dores que respondem melhor a
certos medicamentos do que a outros (PACIEVITCH, s. d.).

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Bloqueiam os estímulos dolorosos antes de chegarem ao cérebro pela
interferência na forma como o cérebro interpreta esses estímulos sem levar a
anestesia ou perda de consciência (PACIEVITCH, s. d.).

2.1.2.2. Antiácidos

Os antiácidos são substâncias de natureza básica, que atuam


neutralizando o ácido secretado pelas células parietais do estômago. São
utilizados principalmente em tratamentos de episódios curtos e autolimitados
de hiperacidez e como adjuvantes da terapia no tratamento em longo prazo de
úlceras pépticas e de refluxo gastresofágico (FREITAS, et. al., 2006).
Por sua condição de medicamentos amplamente divulgados nos
diversos meios de comunicação, os antiácidos são, muitas vezes, utilizados
para o alívio de diversos sintomas gastrintestinais que, nem sempre,
correspondem às suas indicações (FREITAS, et. al., 2006).
São encontrados no mercado, principalmente, sob a forma de
associações medicamentosas contendo compostos básicos de alumínio,
magnésio e cálcio, além de outros componentes cuja função terapêutica é
incerta. Está bem estabelecido que doses baixas de antiácidos, usadas
esporadicamente, são inefetivas no tratamento de úlceras pépticas e não
constituem terapia eficaz para o tratamento de nenhuma condição clínica.
Assim sendo, é possível que seu uso habitual seja reflexo de alguma doença
funcional ou de dependência psicológica (FREITAS, et. al., 2006).
A classe terapêutica dos antiácidos é composta fundamentalmente por
bicarbonato de sódio, carbonato de cálcio, compostos básicos de alumínio e de
magnésio. Estes diferem significativamente entre si quanto à potência, taxa de
absorção, tempo de ação, efeitos secundários, complicações sistêmicas e
interações medicamentosas. Essas últimas são determinadas pela valência do
cátion, dose utilizada, duração do tratamento e momento de administração do
antiácido em relação ao outro fármaco (FREITAS, et. al., 2006).

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2.1.2.3. Relaxantes Musculares

Os relaxantes musculares são fármacos amplamente usados na prática


anestésica e atuam interrompendo a transmissão química na junção
neuromuscular. Daí serem então denominados de bloqueadores
neuromusculares (BNM) em razão de impedirem o efeito da acetilcolina
liberada dos terminais axônicos dos nervos somáticos nos músculos
esqueléticos (MELO, 2002).
Os relaxantes musculares podem ser definidos conforme a área de
intervenção onde serão usados. Deste modo, podem ter:

 Ação central, ou seja, atua a nível do sistema nervoso central, a nível do


encéfalo ou da medula. São, por norma, utilizados para o alívio das dores
músculo-esqueléticas e dos espasmos e para diminuir a espasticidade
muscular que se verifica em diversas patologias neurológicas (ALMEIDA,
2012).

 Ação periférica: atuam a nível da junção neuromuscular, bloqueando assim


a transmissão nervosa da dor, não afetando o sistema nervoso central.
Estes fármacos são usados para promover o relaxamento muscular durante
uma cirurgia ou para a execução de determinadas ações dos membros,
tendo em vista diagnosticar ou tratar um problema (ALMEIDA, 2012).

 Ação direta: os relaxantes musculares aplicados diretamente na zona


afetada são os mais utilizados pelas pessoas, porque também são os mais
acessíveis, podendo comprar-se livremente nas farmácias. Na maioria dos
casos estes relaxantes musculares são constituídos por anti-inflamatórios e
analgésicos que potenciam o efeito de alívio, promovendo o relaxamento
muscular no músculo lesionado (ALMEIDA, 2012).

Normalmente os relaxantes musculares encontrados comercialmente


não estão sozinhos na sua formulação, é comum encontrarmos anti-

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inflamatórios, analgésicos, entre outras classes que irão potencializar o
relaxamento da musculatura (DIAS, 2012).

2.1.3. Tipos de Dores

Dor é uma experiência sensorial ou emocional desagradável que ocorre


em diferentes graus de intensidade – do desconforto leve à agonia –, podendo
resultar da estimulação do nervo em decorrência de lesão, doença ou distúrbio
emocional. É uma experiência complexa que envolve o estímulo de algo nocivo
e as respostas fisiológicas e emocionais a um evento (IG SAÚDE, s.d.).

2.1.3.1. Dores de cabeça

Dores de cabeça estão entre os problemas de saúde mais comuns. A


dor não está no cérebro. O desconforto pode atingir qualquer parte da cabeça,
desde a pele, músculos, veias, dentes e terminações nervosas. Se chegar até
as células cerebrais é porque não se trata de dor e, sim, de um problema mais
sério. Um bom diagnóstico precisa levar em consideração as características da
dor, que pode ser latejante, como se fosse uma pressão ou uma pontada, sua
intensidade, a área afetada, frequência e duração (ACHKAR, s.d.)
Podem ser causadas por inúmeros fatores:

 Tensão
Atinge 90% das pessoas esporadicamente e pode ser resultado de
noites mal dormidas, estresse, até mesmo pelo fato de não encontrar a carteira
pela manhã e ter chegado atrasado ao trabalho. Essa dor é difusa, no alto da
cabeça e na testa, segundo informações do Instituto de Neurociência e
Neurocirurgia de Liverpool, na Inglaterra (ACHKAR, s.d.).

 Cefaleia
Dor forte que atinge a região sobre o olho e é sentida em apenas um
lado da cabeça, dura entre 15 minutos e uma hora, desaparece, mas volta um
dia depois. Esse quadro pode continuar por semanas e não se repetir em

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intervalos maiores, até meses. Não se sabe as causas exatas do problema,
mas álcool e fumo, além de alimentos com muitos conservantes, estão entre os
itens a serem evitados. Mudança de pressão no ar, principalmente devido a
viagens de avião, e aumentos na temperatura também são apontados como
causas comuns. Olhos podem ficar lacrimejantes e ocorrer corrimento nasal
(ACHKAR, s.d.).

 Enxaqueca
Geralmente acomete um dos lados da cabeça e costuma durar horas.
Em alguns casos, até dias. Quem sofre desse tipo mais severo fica sensível à
luz e a barulhos. Uma em cada cinco pessoas que sofre de enxaqueca
apresenta visão alterada e pode enxergar as coisas embaçadas. O tratamento
deve ser feito com remédios, sempre prescritos por um médico, e compressas,
quentes ou frias, no pescoço também podem ajudar (ACHKAR, s.d.).

 Problemas oculares
A cefaleia que advém dessa região geralmente caracteriza-se por uma
dor em cima dos olhos e na fronte, que aparece somente após os esforços
visuais. As principais causas são as ametropias (hipermetropia e astigmatismo)
não corrigidos com óculos ou lentes de contato. "A cefaleia causada pelas
ametropias é prevenida com o uso de óculos adequados nos momentos de
esforço visual. As enxaquecas devem ser tratadas pelo neurologista", disse
André Pamplona, oftalmologista do Hospital Bandeirantes (ACHKAR, s.d.).

 Sinusite
A dor de cabeça acontece quando aparece um quadro de sinusite
aguda, que é a inflamação dos seios da face. Geralmente a dor acontece na
região onde o seio está acometido. Se a sinusite for do seio maxilar, a dor de
cabeça vai aparecer na maçã do rosto, abaixo dos olhos, de um lado ou de
outro, ou dos dois lados. Junto com a dor de cabeça, aparecem geralmente
sintomas nasais, como entupimento, secreção, coriza clara ou amarelada
(ACHKAR, s.d.).

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 Dor causada por toxinas
Segundo a nutricionista Andréa Santa Rosa, membro da Sociedade
Brasileira de Nutrição Funcional, cada um possui uma individualidade
bioquímica, por isso a suscetibilidade a determinado alimento varia de acordo
com a pessoa.
"A que apresenta dificuldades de eliminar toxinas, pela ação do
fígado, através do suor, urina ou fezes, tende a ter maiores crises de
dores de cabeça. Essas toxinas não são eliminadas, modificando as
estruturas celulares e conseguindo atravessar a barreira cerebral
causando a dor. Os alimentos capazes de desencadear a enxaqueca
possuem em sua composição substâncias que podem provocar
alterações no calibre dos vasos sanguíneos do encéfalo,
primeiramente diminuindo-os e em seguida aumentando-os. São
essas alterações do diâmetro das veias que provocam mudanças na
visão e dores de cabeça, ou a enxaqueca clássica", (ACHKAR, s.d.).

explicou a especialista (ACHKAR, s.d.).

 Alimentos
Os alimentos por si só não causam dores de cabeça. Apenas podem
desencadear o problema em pessoas predispostas, principalmente nas que
sofrem de enxaqueca. "O conteúdo e tipo de gordura influenciam no
surgimento dos sintomas assim como o teor de tiramina (um aminoácido)
existente nos alimentos", afirmou nutricionista Andréa Santa Rosa. Segundo
estudos, 30 mg de aspartame por dia aumentam em 9% as chances de
enxaqueca em pessoas predispostas. O jejum prolongado é considerado um
comportamento alimentar que também pode desencadear o problema
(ACHKAR, s.d.).

 Itens a serem evitados


Segundo as nutricionistas Andrea Santa Rosa e Rosemeire da Silva, da
clínica Alfa Plástica, algumas substâncias são reconhecidas por desencadear
crise de dores de cabeça. A tiramina, presente em queijos amarelos,
chocolates, vinagre, bebidas alcoólicas, iogurtes, lentilha, amendoim,
sementes, em algumas frutas, como abacate, banana e frutas cítricas, é uma

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delas. Alimentos processados, embutidos, industrializados e em conserva
possuem substâncias como o glutamato monossódico, que inibe as células
cerebrais de absorve a glicose, desencadeando a dor. “O glutamato é muito
usado na cozinha chinesa o que levou à criação da expressão 'síndrome do
restaurante chinês”, explica Rosemeire da Silva. (ACHKAR, s.d.).

 Ressaca
Um dos sintomas do excesso de consumo de álcool é a dor de cabeça.
Pode durar até 24 horas e é causada pela desidratação, queda nos níveis de
açúcar no corpo e dilatação das veias na cabeça. A dor pode aparecer depois,
mesmo se não houve quadro de embriaguez, portanto, para evitar é
recomendado maneirar nas doses e beber água alternadamente (ACHKAR,
s.d.).

 Perfumes
Aromas fortes podem causar dores de cabeça. Isso acontece porque
fragrâncias ativam células nervosas no nariz, associadas à sensação de dor.
Pessoas que sofrem de enxaquecas podem ter o problema iniciado por um
cheiro (ACHKAR, s.d.).

2.1.3.2. Dores estomacais - Azia

A dor no estômago é um sintoma muito comum, que pode surgir em


qualquer idade e que tem diversas causas. Por exemplo, na dor de estômago e
diarreia pode ser sintoma de gastroenterite ou intoxicação alimentar, enquanto,
dor de estômago e vômito pode indicar gastrite ou parada digestiva. Quando o
indivíduo sente dor de estômago e gases pode estar com prisão de ventre. Já
no caso de dor de estômago forte pode ser sinal de úlcera ou problemas em
outros órgãos, como a pancreatite (FRAZÃO, 2014).
Por isso, quando o indivíduo sente dores de estômago que não
diminuem deve consultar um gastrenterologista para diagnosticar a sua causa
e iniciar o tratamento adequado. (FRAZÃO, 2014)

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Um gênero de dor estomacal mais comum é a Azia. É uma sensação
dolorosa de queimação (ardor) bem abaixo ou atrás do esterno. Ela geralmente
vem do esôfago. A azia causa uma dor que às vezes sobe pelo peito e pode se
irradiar para o pescoço ou a garganta. (MINHA VIDA, s.d.)

Normalmente, quando a comida ou a bebida entram no estômago, uma


faixa muscular no final do esôfago fecha o órgão. Essa faixa é chamada de
esfíncter esofágico inferior (EEI). Se essa faixa não se fechar o suficiente, o
conteúdo do estômago pode voltar (refluxo) para o esôfago. Esse material
parcialmente digerido pode irritar o esôfago, provocando azia e outros
sintomas. (MINHA VIDA, s.d.)

Figura 1 - Esfíncter esofágico inferior aberto é explicação para azia. (MINHA


VIDA, s.d.)
Fonte: http://www.minhavida.com.br/saude/temas/azia

A azia acontecerá com maior probabilidade se o paciente tiver hérnia de


hiato. A hérnia de hiato acontece quando parte do estômago se projeta para
dentro da cavidade torácica. Isso enfraquece o EEI e facilita a volta do ácido
desde o estômago até o esôfago, causando azia (MINHA VIDA, s.d.).

2.1.3.3. Dores musculares

As dores musculares são muito habituais e estão normalmente


relacionadas com a tensão do dia-a-dia e o stress e com lesões musculares
17
resultantes de atividades profissionais intensas ou de exercícios físicos
prolongados. Envolvem apenas um ou mais músculos e estender-se aos
ligamentos e aos tendões, e até chegar aos ossos e aos órgãos, nas situações
mais graves (ALMEIDA, 2012).
Podem ser classificadas em:

 Dores musculares abdominais


A maioria das dores que surgem na zona do abdômen está associada a
problemas pouco graves. São habitualmente motivadas por cólicas intestinais,
relacionadas com intoxicações alimentares ou com a ingestão de comida com
muita gordura, gases, ansiedade e stress, mas podem também ser originadas
por doenças mais graves, tais como gastrite, úlceras, pedras na vesícula ou
nos rins e hepatite aguda (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nas articulações


As dores musculares articulares estão frequentemente relacionadas
com esforços musculares excessivos e com lesões resultantes da prática
desportiva. Podem atingir ligamentos e tendões, além dos músculos, e afetam
mais as pessoas com excesso de peso e os idosos (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nos braços


Os braços são atreitos a sofrerem dores, por serem dos membros
humanos mais usados regularmente. Os problemas musculares de que
padecem resultam normalmente de tendinites e da má circulação sanguínea,
mas podem indiciar um ataque cardíaco (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nas costas


Grande parte das dores nas costas surge na zona lombar, entre a
cintura e o cóccix, e resulta da tensão, de uma lesão muscular ou de atividades
ou cargas excessivas. Se não forem devidamente tratadas, podem tornar-se
crônicas (ALMEIDA, 2012).

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 Dores musculares nas coxas
Os atletas profissionais são particularmente propensos a sofrerem de
dores musculares nas coxas, fruto do desempenho que requerem grandes e
continuados esforços. A fadiga muscular e o desequilíbrio dos músculos ou um
aquecimento desajustado são algumas das razões para o seu aparecimento
(ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nos glúteos


As dores musculares na região glútea são bastante incomodativas e são
habitualmente fruto de sobrecargas musculares relacionadas com a prática
desportiva, mas também podem ser causadas pela compressão do nervo
isquiático ou ciático (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares lombares


As dores musculares na região lombar, ou lombalgias, como também
são conhecidas, podem incapacitar uma pessoa para qualquer atividade,
estando geralmente relacionadas com a má postura (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nos ombros


As dores musculares nos ombros estão intrinsecamente ligadas à tensão
e ao stress diários, mas podem também ser originadas por esforços e
movimentos excessivos ou desajustados e doenças degenerativas (ALMEIDA,
2012).

 Dores musculares no peito/tórax


As dores no peito estão associadas a um ataque cardíaco, mas podem
simplesmente indiciar problemas como o refluxo gastro-esofágico, a ansiedade
ou anomalias meramente musculares (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares nas pernas


As dores musculares nas pernas são uma queixa recorrente, atingindo
tanto homens como mulheres e pessoas de todas as idades. São, contudo,

19
mais frequentes nos idosos e motivadas, geralmente, pelo sedentarismo
(ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares no pescoço/nuca


As dores cervicais costumam ser acompanhadas por uma contratura
muscular, o que causa grande limitação aos movimentos do pescoço. Este tipo
de dor pode ser verdadeiramente perturbadora (ALMEIDA, 2012).

 Dores musculares na virilha


As dores musculares na virilha são mais habituais em atletas,
designadamente em futebolistas e tenistas, afetando mais os homens do que
as mulheres, fruto das características próprias do corpo humano dos dois
gêneros (ALMEIDA, 2012).

2.1.4. Consequências do uso indiscriminado de MIPs

Os medicamentos isentos de prescrição (MIP) compõem uma categoria


de medicamentos com uma característica singular: por não necessitarem de
prescrição, o usuário geralmente os utiliza sem qualquer orientação inicial de
algum profissional prescritor. Os MIP podem ser vendidos, comprados,
solicitados, fornecidos, dispensados ou doados sem obrigatoriedade de
nenhuma formalização de documento emitido por profissional legalmente
habilitado para prescrevê-lo (CRF, 2010).
O seu uso tende a ser aceito hoje pelos órgãos sanitários como parte
integrante do sistema de saúde (CRF, 2010).
Apesar de ter sua segurança garantida pela ANVISA, desde que usados
de acordo com a bula, os MIPs não são livres de riscos. Deve-se especial
atenção aos analgésicos, antiácidos e relaxantes musculares, classes
medicamentosas mais utilizadas pela população adulta atualmente (CRF,
2010).
2.1.4.1. Analgésicos:
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Warwick, e
divulgado pelo observatório para assuntos de saúde Nice, aponta que pessoas

20
que consomem remédios para dores com frequência acabam tendo mais crises
de dores de cabeça, principalmente se os ingeridos são aspirina, ibuprofeno e
paracetamol. Os medicamentos tornam o cérebro mais sensível a dores,
intensificando o problema e colocando o paciente num círculo vicioso. As
recomendações derivadas do levantamento apontam para a busca de
diagnósticos mais detalhados e para o uso de remédios ou tratamentos
alternativos, incluindo inalação ou mesmo acupuntura.

"Existem tratamentos eficientes para tipos comuns de dores de


cabeça. Mas tomar remédios mais do que 15 ou 10 dias no mesmo
mês provoca dor de cabeça por conta do excesso de medicação,
gerando outro problema de saúde",

disse o médico Martin Underwood, da faculdade que realizou o estudo, ao


jornal inglês Daily Mail (GALATO, 2012).

Outro exemplo pode ser dado pelo ácido acetilsalicílico, usado como
anti-inflamatório pode causar problemas no trato digestivo, especialmente
gastrites e úlceras. Isso ocorre se usados por pacientes predispostas a
desenvolverem tais problemas, ou mesmo, quando administrados de forma
contínua sem os devidos cuidados alimentares (recomenda-se utilizar sempre
após uma refeição). Ainda, este fármaco quando usado por pessoas asmáticas
pode desencadear crises. Até mesmo os mais inocentes antigripais podem
trazer em sua composição substâncias vasoconstritoras que podem alterar a
pressão arterial de pacientes hipertensos, como também estar relacionados a
acidentes de trabalho de operadores de máquinas que exigem concentração
(anti-histamínicos) (GALATO, 2012).

Já o paracetamol tem sido descrito como causador de milhares de


mortes infantis, mortes estas causadas por seus cuidadores (geralmente os
pais) que não se atentaram a posologia adequada de uso, muitas vezes
acabam cometendo estes erros em função dos estresses causados pela
situação de ver o filho febril (GALATO, 2012)

21
2.1.4.1.1. DIPIRONA SÓDICA

Dipirona monoidratada.

Indicação
Analgésico, antitérmico e antipirético.

Forma farmacêutica
Comprimidos, gotas, supositórios e injetável.

Posologia
Gotas:
Adultos e adolescentes acima de 15 anos: 20 a 40 gotas em administração
única ou até o máximo de 40 gotas 4 vezes ao dia.
Crianças: A dose usual recomendada para crianças é determinada pelo peso
corporal de acordo com a tabela:

Idade e Peso Quantidade Quantidade de doses diárias


3 a 11 meses (5 a 8 kg) 3 a 6 gotas
1 a 3 anos (9 a 15 Kg) 7 a 12 gotas
4 a 6 anos (16 a 21 Kg) 13 a 16 gotas Até 4 vezes ao dia
7 a 9 anos (22 a 28 Kg) 18 a 21 gotas
10 a 12 anos (29 a 40 Kg) 22 a 30 gotas
Tabela 1 - Posologia Infantil Dipirona Sódica

Obs.:Crianças menores de 3 meses de idade ou pesando menos de 5 kg não


devem ser tratadas com dipirona sódica.

Comprimido:
Adultos e adolescentes acima de 15 anos: 1 a 2 comprimidos até 4 vezes ao
dia.

22
Mecanismo de ação
A Dipirona atua no Sistema Nervoso Central (SNC) e perifericamente,
inibindo a cicloxigenase, que é uma enzima fundamental para a produção de
prostaglandinas, que por sua vez contribuem no processo álgico (dor) e pirético
(febre) (BUSCA SAÚDE, s.d.).

Interações Medicamentosas
Não se devem ingerir bebidas alcoólicas durante o tratamento com a
dipirona sódica, pois o efeito do álcool pode ser potencializado.
No caso de tratamento concomitante da dipirona sódica com a
ciclosporina, pode ocorrer uma diminuição no nível sanguíneo desta última,
requerendo, portanto, controles regulares dos níveis sanguíneos.
O uso de dipirona sódica em pacientes sob tratamento com a
clorpromazina pode ocasionar grave hipotermia (BUSCA SAÚDE, s.d.).

Principais reações adversas


As reações adversas à hipersensibilidade a droga destacam-se pela
gravidade: o choque e as discrasias sanguíneas (agranulocitose, leucopenia,
trombocitopenia). A agranulocitose manifesta-se por febre alta, frio, garganta
dolorida, dificuldade de engolir, lesões inflamatórias na boca, nariz, garganta,
como também nas regiões genital e anal. A trombocitopenia provoca aumento
da tendência à hemorragia com ou sem pequenas manchas hemorrágicas na
pele ou mucosas (BUSCA SAÚDE, s.d.).
Outros efeitos indesejáveis que podem ocorrer incluem a hipotermia e as
reações cutânea que afetam a pele como: urticária na conjuntiva e mucosa da
nasofaringe (BUSCA SAÚDE, s.d.).

2.1.4.2. Antiácidos:
Os antiácidos podem ter interações com muitos e diferentes fármacos de
prescrição médica, devendo-se por isso consultar um farmacêutico sobre as
interações entre os medicamentos antes de os tomar. Todo o indivíduo com
afecções cardíacas, hipertensão ou problemas renais deve também consultar o
médico antes de tomar um antiácido (MANUAL MERCK, 2009).

23
Os antiácidos interferem na absorção de medicamentos, para mais ou
para menos, dependendo da interação.

"Além de deixar o estômago com pH alcalino - muitos remédios


precisam da acidez gástrica para serem aproveitados - os antiácidos
podem conter alumínio, que se ingerido com medicamentos que
contenham citrato de cálcio podem atingir níveis tóxicos no sangue,
sendo perigosos principalmente para os rins, que podem ter seu
funcionamento afetado e até sofrer graves consequências",

explica a hepatologista Marta Deguti, do Centro de Referência em


Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, em São Paulo (PHARMACEUTICAL,
2013).
“Antiácidos só devem ser usados por curtos períodos de tempo. E,
claro, a melhor maneira de evitar todos estes riscos – tanto de azia,
quanto do uso de antiácidos por longo prazo – é tentar resolver a causa
da azia” ,

orienta o médico, que também é professor assistente de Cirurgia Geral e do


Trauma da Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA) (A
CRITICA, 2014).

O uso de antiácidos contendo alumínio é contraindicado para pacientes


com hipofosfatemia (baixos níveis de fósforo no sangue), pois essa substância
liga-se ao ferro e o elimina. Aqueles que contêm magnésio não podem ser
usados por pacientes com insuficiência renal grave, e os antiácidos que
possuem ambos os componentes não podem ser usados também por
pacientes com apendicite aguda, uma vez que efeitos laxativos ou constipantes
podem aumentar o perigo de perfuração (CLIQUE FARMA, s.d.).

2.1.4.2.1. SAL DE FRUTA ENO ®

Bicarbonato de sódio, Carbonato de sódio e Ácido cítrico.

24
Indicação
Contra azia, má digestão e outros transtornos estomacais.

Forma farmacêutica
Envelopes e frascos.

Posologia
Adultos:
Envelope: De 1 a 2 envelopes dissolvidos em ½ copo com água.
Frasco: 1 colher de sopa dissolvida em ½ copo com água.

Mecanismo de ação
Ele age neutralizando uma parte do ácido gástrico, desta forma há um
aumento do pH do estômago diminuindo a ação desce ácido que ataca
diretamente o estômago e o esôfago, inibindo assim a atividade da enzima
chamada pepsina (PERALTA, 2013).

Interação medicamentosa
A capacidade de neutralização ácida do Sal de Fruta Eno pode alterar o
perfil de absorção de alguns medicamentos que sofrem influência do PH. Em
geral, é uma medida prudente evitar à administração concomitante de
antiácidos e fármacos destinados a absorção sistêmica. A maioria das
interações pode ser evitada se os antiácidos forem tomados 2 horas antes ou
depois da ingestão de outros medicamentos (PERALTA, 2013).

Principais reações adversas


Este medicamento pode causar algumas reações indesejáveis, tais
como eructação, flatulência, distensão abdominal e irritação gastrointestinal
leve (PERALTA, 2013).

2.1.4.3. Relaxantes Musculares:


Os relaxantes musculares são agressivos em relação à mucosa do
esôfago e estômago e, apesar do efeito benéfico em relação à dor, podem

25
causar irritações, úlceras e até sangramentos. O ideal é tomar somente o
medicamento prescrito pelo médico (HOSPITAL SÃO LUCAS - PUCRS, s.d.).
Um dos riscos mais preocupantes no uso de relaxantes musculares é a
possibilidade de mascarar o sintoma físico de alguma doença mais grave. Uma
dor muscular pode indicar lesões profundas, infecções, fibromialgia, abcesso
muscular, entre outros (HOSPITAL SÃO LUCAS - PUCRS, s.d.).
Segundo o médico Fábio Atui, em entrevista ao programa de televisão
“Bem Estar”, essas substâncias são capazes de criar uma sonolência e
debilidade muscular, interferindo no dia-a-dia do indivíduo, impedindo a
realização de tarefas simples e até mais complexas, como dirigir e manipular
objetos cortantes. Isso pode expor o paciente a situações de risco (Disponível
em: <http://globotv.globo.com/rede-globo/bem-estar/v/uso-de-relaxantes-musc
ulares-pode-interferir-em-atividades-do-dia-a-dia/2207521>.

2.1.4.3.1. DORFLEX ®

Citrato de Orfenadrina, Dipirona e Cafeína.

Indicação
Analgésico e Relaxante muscular

Forma Farmacêutica
Comprimidos e solução.

Posologia
Adultos:
Comprimidos: 1 a 2 comprimidos de 3 a 4 vezes ao dia.
Gotas: 30 a 60 gotas, 3 a 4 vezes ao dia, via oral.

Mecanismo de ação
O citrato de orfenadrina é uma droga anticolinérgica, de ação central,
com propriedades anti-histamínicas fracas, de utilidade no alívio da dor
associada a contraturas musculares de origem traumática ou inflamatória. A
orfenadrina não atua diretamente na contratura muscular. Seu mecanismo de

26
ação não está totalmente esclarecido, mas parece dever-se a suas
propriedades analgésicas. Sua ação analgésica é potencializada pela dipirona
e pela cafeína presentes na fórmula de Dorflex® (MEDICINA.NET, s.d.).

Interações medicamentosas
Confusão, ansiedade e tremores foram relatados em alguns pacientes
que receberam orfenadrina concomitantemente com propoxifeno.
Os fenotiazínicos, como a clorpromazina, podem interferir no controle de
termorregulação corporal, causando tanto hipotermia como hipertermia. A
dipirona pode potencializar eventual hipotermia causada por fenotiazínicos.
Agentes anticolinérgicos, como a orfenadrina, não controlam
a discinética tardia associada ao uso prolongado de antipsicóticos. Seu uso
pode mesmo exacerbar os sintomas de liberação extrapiramidais associados a
estas drogas (MEDICINA.NET, s.d.).

Principais Reações adversas


A orfenadrina como todo anticolinérgico, pode produzir bradicardia ou
taquicardia, arritmias cardíacas, secura da boca, sede, diminuição da sudorese,
visão borrada. Em doses tóxicas podem ocorrer, além dos sintomas
mencionados, ataxia, distúrbio da fala, disfagia, agitação, pele seca e quente,
diminuição dos movimentos peristálticos intestinais, aumento da pressão
intraocular, náuseas, vômitos, cefaléia, constipação, tonturas, alucinações,
delírio e coma. Pacientes idosos também podem sentir certo grau de confusão
mental (MEDICINA.NET, s.d.).
A dipirona pode produzir distúrbios da crase sanguínea, anemia
hemolítica em pacientes com história de hipersensibilidade a droga, reações
alérgicas, síndrome de Stevens-Johnson e eventualmente até anafilaxia
(choque). Neste caso o medicamento (DORFLEX®) deve ser suspenso e
instituído o tratamento médico adequado (MEDICINA.NET, s.d.).

27
2.1.5. A atenção farmacêutica no combate ao uso
indiscriminado de MIP

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o conceito de


Atenção Farmacêutica é um compêndio de atividades, comportamentos,
compromissos, inquietudes, valores éticos, funções, conhecimentos,
responsabilidades e habilidades do farmacêutico na prestação da
farmacoterapia, com o objetivo de alcançar resultados terapêuticos definidos na
saúde e na qualidade de vida do paciente. O termo Atenção Farmacêutica
significa o processo pelo qual o farmacêutico atua com os profissionais e com o
paciente na planificação, implementação e monitorização de uma
farmacoterapêutica que produzirá resultados específicos. O aconselhamento
ao paciente é um dos instrumentos essenciais para a realização da Atenção
Farmacêutica, sendo imprescindível o desenvolvimento das habilidades de
comunicação, para assegurar a boa relação farmacêutico – usuário (MEROLA,
et. al., 2008).
A Atenção Farmacêutica baseia-se, justamente, na capacidade do
farmacêutico de assumir novas responsabilidades relacionadas aos
medicamentos e aos pacientes, através da realização de um acompanhamento
sistemático e documentado com o consentimento dos mesmos. Nesta
perspectiva, a preparação de futuros farmacêuticos habilitados para o
desempenho, com destreza, conhecimentos técnicos e compromisso social de
suas atribuições, exige do ensino de farmácia e das suas universidades uma
ênfase no desenvolvimento de todas as habilidades necessárias para a
formação de profissionais pautados pela qualificação e excelência. Exige
também um visão e uma postura interdisciplinar, integradora, informadora
(BANHOS, 2008).
Para que haja uma melhor atenção voltada para os pacientes que
buscam a automedicação, é aconselhável que as drogarias e farmácias
disponibilizem de um profissional farmacêutico habilitado e que este tenha em
mãos uma literatura contendo as informações necessárias para uma consulta
rápida, objetiva e confiável dos efeitos terapêuticos e possíveis reações
indesejadas destes medicamentos (MIPs) (ROCHA, 2007).

28
O farmacêutico pode se responsabilizar pela indicação de um
medicamento isento de prescrição médica, com o objetivo de aliviar ou resolver
algum problema de saúde do paciente e encaminhá-lo ao médico quando seu
problema persistir (ROCHA, 2007).
O farmacêutico é o profissional que tem como obrigação aconselhar, em
uma situação, o meio mais adequado para que o doente se sinta melhor com
um tratamento, exigindo deste profissional, conhecimento sobre indicações e
contraindicações, interações e o acompanhamento com o médico. Nesse
processo, o farmacêutico deve encaminhar o paciente ao médico, sempre que
necessário, atuando com complementaridade (BARATA e BATISTA, 2010).

29
2.2. METODOLOGIA

2.2.1 Pesquisa de campo

Pesquisa empírica realizada no período de 27/02/14 a 02/03/14, com um


total de 300 pessoas, por meio da internet através dos formulários do Google
(ver link no apêndice), onde podem ser adicionadas as perguntas e suas
respectivas alternativas, e possui recursos para o bloqueio do envio de
respostas incompletas e facilita a tabulação de resultados, uma vez que
atualiza automaticamente gráficos com os resultados em tempo real de acordo
com as novas respostas enviadas. O formulário foi divulgado em grupos de
redes sociais de diferentes faixas etárias, a fim de possuir uma ampla
variedade de respostas.

30
2.2.2. Cronograma das atividades

DATA DATA
AÇÃO
PREVISTA REALIZADA
01/08/13 a
Estudo do cenário da área profissional 19/08/13
19/08/13

Elaboração do Tema 26/08/13 26/08/13

Refinamento do Tema 09/09/13 09/09/13

Elaboração do Cronograma de Trabalho,


16/09/13 16/09/13
Diário de Bordo e Portfólio

Problematização e Hipótese 23/09/13 23/09/13

Objetivo Geral e Específico 30/09/13 30/09/13

Justificativa 07/10/13 07/10/13

Esboço da Pesquisa Indireta (pesquisa


21/10/13 21/10/13
bibliográfica)

Esboço da Pesquisa Direta (questionário 04/11/13 a


11/11/13
e/ou entrevista) 11/11/13

Montagem da apresentação do trabalho


11/11/13 a
(introdução / Pesquisa bibliográfica / 18/11/13
18/11/13
Questionário ou Entrevista / Projeto Feira

Apresentação do Trabalho 25/11/13 a


02/11/13
Entrega do Portifólio e Diário de Bordo 02/11/13
Tabela 2 - Cronograma de Atividades 1º Semestre

31
DATA PREVISTA DATA
AÇÃO
PARA ENTREGA REALIZADA
Referencial Teórico: compilação de
dados
Cronograma e fluxograma do trabalho 04/02/14
28/01/14 a 04/02/14
Identificação das fontes de recursos.

Elaboração do questionário final da


pesquisa de campo 04/02/14 a 11/02/14 11/02/14

Pesquisa de campo e coleta de


dados, seleção, codificação e
11/02/14 a 11/03/14 02/03/14
tabulação.

Apresentação oral do resultado da


pesquisa de campo 18/03/14 a 25/03/14 25/03/14

Montagem dos elementos pré-textuais


Entrega para a correção 08/04/14
01/04/14 a 08/04/14

Montagem dos elementos textuais


15/04/14 a 13/05/14 15/04/14

Entrega do trabalho escrito pronto


para correção. 20/05/14 13/05/14

Finalização do trabalho escrito:


- elaboração da capa do DVD
- trabalho em PDF gravado em CD 27/05/2014 a 03/06/14
- Preparar o material para a feira 03/06/2014

Entrega do trabalho escrito pronto


gravado em CD e documentações
10/06/14 10/06/14
exigidas pela escola

Apresentação do TCC estilo feira


11/06/14 11/06/14

Tabela 3 - Cronograma de Atividades 2º Semestre

32
3. RESULTADOS

Pergunta 1: Qual seu sexo?

36%

Mulheres [192]
64%
Homens [108]

Gráfico 1 - Sexo

A maior parte dos entrevistados, 64%, eram mulheres. E a menor parte,


homens, 36%.

Pergunta 2: Qual sua faixa etária?

12% 26%
18% Entre 18 e 25 anos
[79]
Entre 25 e 35 anos
[133]
44% Entre 35 e 45 anos
[53]

Gráfico 2 – Faixa etária


Os entrevistados foram de quatro faixas etárias diferentes, sendo 44%
entre 25 e 35 anos, 26% entre 18 e 25 anos, 18% entre 35 e 45 anos e apenas
12% acima de 45 anos de idade.

33
Pergunta 3: Você sabe o que é um medicamento isento de prescrição (MIP)?

19%

Sim [244]
81% Não [56]

Gráfico 3 – Conhecimento sobre MIP

A maior parte dos entrevistados, 81%, declarou saber o que é um


medicamento isento de prescrição, o que mostra que grande parte da
população possui ao menos o conhecimento básico sobre medicamentos. 19%
das pessoas declararam não saber sobre os MIP.

Pergunta 4: Quais dos sintomas abaixo você acha que podem ser tratados
com MIP?

Gripe/Resfriados 89%
Cólicas Menstruais 59%
Hipertensão Arterial 19%
Infecção de Garganta 32%
Febre 88%
Diabetes 15%
Alergias 13%
Diarréia 26%
Azia 94%
Infecção de Ouvido 23%
Dor de Cabeça 96%

Gráfico 4 – Sintomas que podem ser tratados com MIP

Das 300 pessoas entrevistadas, a grande maioria sabe para quais


sintomas são destinados os MIP, uma vez que os sintomas mais assinalados

34
foram dor de cabeça, azia, gripes/resfriados, febre e cólicas menstruais, em
ordem decrescente. Apesar disso, ainda pode-se observar que um número
considerável de pessoas assinalou opções como hipertensão, infecções e
diabetes, que não são doenças tratáveis com MIP. Esse resultado pode ser
explicado com a falta de informação sobre essas classes medicamentosas.

Pergunta 5: Quais dos medicamentos abaixo você já usou ou comprou?

Pergunta 5: Quais dos medicamentos abaixo você já


usou ou comprou?

Dorflex ® 82%

Dipirona ® 92%

AAS ® 68%

Eno ® 68%

Estomazil ® 51%

Anador ® 61%

Paracetamol ® 96%

Gráfico 5 – Medicamentos (MIP) já utilizados

O gráfico 5 mostra que grande parte dos entrevistados já fez


uso/comprou os MIPs mais famosos, como Paracetamol, Dipirona, Dorflex, Eno
e AAS, considerando que são medicamentos analgésicos/antitérmicos,
relaxante muscular e antiácidos respectivamente. Os medicamentos menos
votados, Anador e Estomazil, também receberam um alto percentual de votos,
salientando o alto índice de compra de MIPs, de modo geral, pela população
brasileira.

35
Pergunta 6: Quando você sente algum desconforto ou dor mais leve, como
costuma proceder sobre qual medicamento tomar?

Procura informações na internet 17%

Segue recomendações de amigos e 33%


familiares
Pede informações ao 34%
farmacêutico/atendente

Consulta o médico 13%

Automedicação 81%

0 50 100 150 200 250

Gráfico 6 – Escolha do medicamento a ser utilizado

O gráfico 6 mostra que 81% dos entrevistados se automedica ao ter um


sintoma que considera ser leve. Apenas 13% consulta o médico para um
diagnóstico preciso. Um fator alarmante é que 33% dessas pessoas declarou
seguir recomendações de amigos e familiares e 17% procuram informações na
internet, prática que pode levar a sérios problemas, uma vez que o organismo
de cada indivíduo é único e pode responder de maneiras diferentes a um
mesmo tratamento. Apesar disso, um número alto de pessoas, 34%, declarou
procurar orientação farmacêutica, uma prática segura.

Pergunta 7: Com que frequência você faz uso desses medicamentos?

Com frequência [66]


19% 22%
1%
Com muita frequência [4]

Com pouca frequência


58% [172]
Raramente [58]

Gráfico 7 – Frequência de uso de MIP

36
58% das pessoas entrevistadas declarou fazer uso de MIP com pouca
frequência, 22% com frequência, 19% raramente e apenas 1% declarou fazer
uso de MIP com muita frequência. Isso mostra que apenas uma mínima parte
dessas pessoas faz uso crônico desses medicamentos.

Pergunta 8: Ao adquirir um MIP, você solicita a bula dele?

Sim [48]
18% 16%

Não [199]

66%
Não sabia que esses
medicamentos tinham
bula [53]

Gráfico 8 – Solicitação de bula

O gráfico 8 mostra que grande parte das pessoas, 66%, não solicitam a
bula dos MIP que adquiri, e 18% delas não sabiam que esses medicamentos
possuía bula, e que esta é disponível para os consumidores. Apenas 16%
declarou solicitar a bula, um fator alarmante, uma vez que a leitura da bula é
muitas vezes essencial para descobrir se o medicamento é adequado a suas
necessidades ou não.

Pergunta 9: Você já adquiriu algum medicamento apenas pela estética de sua


embalagem, sem procurar saber outras informações?

21%

Sim [63]
79% Não [237]

Gráfico 9 – Propaganda e estética da embalagem

37
O gráfico 9 tinha como objetivo verificar a influência da propaganda e
estética da embalagem na decisão de compra do paciente. A grande maioria,
79% declarou não ser influenciada por elementos estéticos na hora da compra,
e 21% declarou que sim, já adquiriram medicamentos apenas pela estética da
embalagem. Isso mostra que a mídia não é totalmente influenciável na decisão
de escolha do medicamento.

Pergunta 10: Você costuma pedir informações ao farmacêutico/atendente


sobre qual medicamento que irá comprar?

26%

Sim [221]
74% Não [79]

Gráfico 10 – Solicitação de informações ao farmacêutico

O gráfico 10 mostra que 74% dos entrevistados declarou pedir


informações ao farmacêutico/atendente sobre o medicamento que irá comprar.
Esse momento é chance de se esclarecer possíveis dúvidas e oferecer uma
orientação de qualidade, garantindo o uso correto do medicamento. 26%
declarou não pedir ajuda ao profissional disponível no balcão, o que pode
aumentar a incidência de problemas relacionados ao uso incorreto do
medicamento.

38
Pergunta 11: Você sabe quando suspender o uso de um MIP e consultar um
médico?

15%

Sim [254]
85% Não [46]

Gráfico 11 – Consulta médica

O gráfico 11 mostra que 85% dos entrevistados declarou saber quando


parar o uso de um MIP e consultar o médico. Nas propagandas de MIP na
televisão é sempre veiculada a mensagem: “Ao persistirem os sintomas o
médico deverá ser consultado”. Pode-se atribuir isso ao resultado deste estudo.
Apenas 15% declarou não saber quando consultar um médico, fatia que deve
ser orientada quanto á isso de forma eficaz.

Pergunta 12: Você sabia que os MIPs podem causar danos à saúde se usados
incorretamente?

39%

61% Sim [184]


Não [116]

Gráfico 12 – Conhecimento sobre os danos inerentes em MIP

O gráfico 12 mostra que 61% das pessoas entrevistadas tem


consciência de que os MIPs, mesmo que de venda livre, podem causar danos
a saúde se usados de forma indiscriminada. Porém, 39% declarou não saber

39
sobre isso, o que mostra a importância da correta orientação farmacêutica na
dispensação desses medicamentos, informando ao paciente os riscos
oferecidos pelo uso incorreto destes.

Pergunta 13: Você gostaria de saber mais sobre o assunto?

38%

62% Sim [185]


Não [115]

Gráfico 13 – Interesse em conhecer mais sobre o assunto

Por fim, o último gráfico expressa o interesse das pessoas em relação a


conhecer melhor os MIPs. 62% das pessoas declarou querer saber mais sobre
o assunto, contra 38% que declarou o contrário.

40
4. CONCLUSÃO

A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou


por indicação de pessoas não habilitadas, para tratamento de doenças cujos
sintomas são “percebidos” pelo usuário, sem a avaliação prévia de um
profissional de saúde. Essa prática é comum com os Medicamentos Isentos de
Prescrição (MIPs), pois são de venda livre nas farmácias e tratam de males e
sintomas menores. É importante evidenciar que em relação aos Medicamentos
Isentos de Prescrição também são necessários cuidados em seu uso, pois são
drogas e assim como todas as outras, podem causar sérios problemas ao
usuário se utilizadas de forma errada.
Com os resultados obtidos na pesquisa empírica, observou-se que a
parcela de público entrevistada fazia uso desta prática com pouca frequência,
porém o número de pessoas que declarou fazer uso frequente também é
significativo. Notou-se certa imprecisão na classificação de quais
medicamentos eram isentos de prescrição e quais não eram. Poucas pessoas
declararam pedir informações ao farmacêutico ou médico sobre o medicamento
a ser utilizado para desconfortos leves, recorrendo á automedicação sem
orientação. Foi constatado também que a bula é pouco solicitada. Em contra
partida, a maior parte dos entrevistados declarou saber que os MIPs podem
causar danos á saúde se utilizados de forma indiscriminada e manifestaram
desejo de saber mais sobre o assunto.
Fica evidente uso significativo de medicamentos analgésicos, antiácidos
e relaxantes musculares, este último em menor quantidade que os outros. Com
isso, os riscos de uma automedicação falha e indiscriminada se encontram
presentes, se o paciente não dispuser do conhecimento necessário sobre a
prática.
É irrefutável, portanto, a necessidade de melhorar a informação sobre os
riscos dessa prática junto ao público adulto, para a uma maior garantia do
sucesso de seus tratamentos e inibição dos riscos inerentes á automedicação.
Ressalta-se que esta mudança de comportamento depende também de
soluções e propostas sérias para reverter ou minimizar este quadro, que devem
abranger aspectos desde a educação, a passar pela informação da população,

41
maior controle nas vendas com e sem prescrição médica, adoção de critérios
mais éticos na promoção de medicamentos e adoção de terapêuticas não
medicamentosas, quando for o caso.
O técnico em farmácia deve trabalhar em conjunto com a equipe
multidisciplinar do estabelecimento de saúde, com o propósito de trabalhar na
elaboração de uma assistência farmacêutica consistente que será
disponibilizada ao público. Cada paciente deve ser analisado como um ser
único, com necessidades específicas. E apoiado nessas necessidades, o
técnico em farmácia deve prestar a assistência farmacêutica humanista,
oferecendo as informações necessárias para o uso correto dos medicamentos
a serem utilizados, sejam eles MIPs ou não. Com a adoção dessas medidas,
os riscos oferecidos pela automedicação podem ser amenizados.

42
5. REFERÊNCIAS

1. CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO


(CRFSP); ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE. Projeto
Farmácia Estabelecimento de Saúde. Fascículo II – Medicamentos
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22. ROCHA, MARCOS GEREMIAS. Compêndio de medicamentos de


venda livre como ferramenta para a implementação segura da
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Disponível em: <http://www.unifal-mg.edu.br/gpaf/files/file/mono-
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estar/v/uso-de-relaxantes-musculares-pode-interferir-em-atividades-do-dia-
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25. BUSCA SAÚDE. Bula - Dipirona Sódica. Disponível em:


<http://www.buscasaude.com.br/materias-bula/dipirona/>. Acesso em 20
de maio de 2014 ás 14h00m.

26. PHARMACEUTICAL. Evite erros ao tomar remédios orais. Disponível


em: <http://www.pharmaceutical.com.br/noticias/evite-erros-ao-tomar-
remedios-orais.html>. Acesso em 20 de maio de 2014 ás 14h04min.

27. CLIQUE FARMA. Bula - Gastrol Tc. Disponível em:


<http://www.cliquefarma.com.br/bula/conteudo/gastrol-tc?id=16294>.
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28. MEDICINA.NET. Bula - Dorflex. Disponível em:


<http://www.medicinanet.com.br/bula/2045/dorflex.htm>. Acesso em 20 de
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29. PERALTA SRV - BULAS PDF. Bula - Sal de Fruta Eno. Disponível em:
<http://peraltasrv.com/rimel/bulas_pdf/1551-2.pdf>. Acesso em 20 de maio
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30. A CRÍTICA. Vida - Azia e câncer de garganta estão relacionados?.


Disponível em: <http://acritica.uol.com.br/vida/Manaus-Amazonas-
Amazonia-saude-doencas-azia-cancer-pesquisa-aintiacidos-garganta-
cordas_vocais_0_1075692436.html>. Acesso em 20 de maio de 2014 ás
15h07min.

47
6. APÊNDICE

1 – Questionário da pesquisa

48
Para a realização da pesquisa online foi utilizado o recurso “Formulários
do Google”. Este permite a criação de questionários online, onde o foram
colocadas as perguntas e alternativas nas quais o público poderiam assinalar e
enviar suas respostas para o banco de dados que computa as mesmas e
disponibiliza para o criador do questionário.
O questionário online está disponível em:
<https://docs.google.com/forms/d/1r8jZ791Ss5lmkubWQq-J5w9o0qMmo
IloM4f_PnBKd2c/viewform>.

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