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Revista Brasileira de

ISSN 1517-5545 Terapia Comportamental


2005, Vol. VII, nº 1, 107-118 e Cognitiva

Respostas emocionais à luz do modo causal


de seleção por conseqüências1
Emotional responses based on causal mode
of selection by consequences
Rosângela Araújo Darwich2
Universidade da Amazônia
Emmanuel Zagury Tourinho3
Universidade Federal do Pará

Resumo

Emoções e sentimentos devem ser abordados, segundo a análise do comportamento, com os


conceitos e princípios validados na investigação empírica de fenômenos comportamentais. Uma
dessas referências consiste do modo causal de seleção por conseqüências. No entanto, a
compatibilidade de tal modo causal com a explicação de respondentes, nos quais a resposta é
função de um estímulo a ela antecedente, requer esclarecimentos. O presente artigo examina
algumas possíveis relações entre processos respondentes e operantes e a possibilidade de explicar
respostas emocionais com a referência ao modelo selecionista. Aponta-se a ocorrência de
condicionamento de respostas emocionais à presença do estímulo antecedente à emissão do
operante a partir da eliciação de tais respostas pelo estímulo conseqüente. Mediante a
compreensão das interações respondente-operante, o modo causal de seleção por conseqüência
seria explicativo de componentes operantes e respondentes de respostas emocionais.

Palavras-chave: emoções e sentimentos; resposta emocional; análise do comportamento; seleção


por conseqüências.

Abstract

According to behavior analysis, feelings and emotions should be approached with the concepts
and principles empirically validated in the study of behavioral phenomena. One of these
references is the causal mode of selection by consequences. However, the compatibility of this
causal mode with respondent behavioral phenomena, with regard to which it is said that the
response is a function of an antecedent (eliciting) stimulus, requires clarification. The present
paper examines some possible relations among respondent and operant responses in the case of
emotions, and the possibility of explaining emotional phenomena based on the causal mode of
selection by consequences. It is pointed that emotional responses may be conditioned to the
presence of a stimulus which antecedes an operant response, after the emotional response has been
elicited by the stimulus which is consequent to the emission of that operant response. With regard
to such relations, the causal mode of selection by consequences would be explanatory of both
operant and respondent components of emotions.

Key words: emotions and feelings; emotional response; behavior analysis; selection by
consequences.
1
Trabalho parcialmente financiado pela FIDESA e CNPq (Processo 305743/2004-0).
2
E-mail: rosangd@uol.com.br
3
E-mail: tourinho@amazon.com.br

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Rosângela Araújo Darwich - Emmanuel Zagury Tourinho

A partir da proposta behaviorista elaborada fisiológicos ou mentais, Skinner iniciou suas


por J. B. Watson, que tomava o comporta- investigações considerando três temas como
mento como objeto de estudo da psicologia importantes para o estudo do reflexo e, por-
como uma ciência natural, B. F. Skinner desen- tanto, do comportamento conforme o compre-
volveu um programa de pesquisas que foi o endia inicialmente: o drive, o condicionamento
ponto de partida para a construção do modelo e a emoção. Na medida em que avançou na in-
explicativo da análise do comportamento. vestigação do condicionamento, Skinner reco-
Com base na investigação da variabilidade de nheceu estar diante de dois tipos de relações
relações reflexas e, posteriormente, de rela- comportamentais substancialmente diferen-
ções operantes, Skinner (1945) apresentou o tes: o próprio reflexo e a relação que chamou
behaviorismo radical como uma proposta de operante (Sério, 1990).
filosófica que instituiu o monismo como visão Skinner apresentou o reflexo como sendo uma
de homem e recomendou a abordagem de correlação entre classes de estímulos e de res-
sentimentos e pensamentos por uma ciência postas e, deste modo, como relação do orga-
do comportamento. nismo como um todo, não invadido, com
Sério (2001), após enumerar quatro aspectos variáveis ambientais. Na medida em que o
básicos como característicos do behaviorismo comportamento não é mais compreendido
radical (três dos quais diretamente relaciona- meramente como ação, um primeiro passo foi
dos à questão dos eventos privados), acres- dado para uma definição de homem que é
centou a eles o modo causal de seleção por explicado por meio das relações que esta-
conseqüências com a justificativa de que "nele belece com eventos a ele externos. Tal pers-
encontramos a mais contundente resposta às pectiva tornou-se mais clara com a descrição
propostas de buscar no interior do organismo do operante e, com ele, de como a seleção pelo
as causas do comportamento" (p. 166). De ambiente é possibilitada a partir da ocorrência
acordo com esse modo causal, estímulos de variações comportamentais.
conseqüentes à ocorrência de uma resposta Tendo sempre como referência a problemática
explicam a mudança na probabilidade de das respostas emocionais, apresentam-se a
ocorrência futura de respostas da mesma seguir alguns aspectos da elaboração skin-
classe. No presente artigo, o foco no modo neriana sobre o modo causal de seleção por
causal de seleção por conseqüências é justifi- conseqüências a partir de duas questões: a) a
cado justamente por seu papel central na ca- evolução do mecanismo de seleção: do nível
racterização do programa de pesquisas skin- filogenético ao ontogenético e cultural; e b) a
neriano. Além disso, dá-se destaque à análise relação resposta-conseqüência: da questão da
de respostas emocionais pelo fato de apresen- sensibilidade à questão da consciência.
tarem, além de componentes operantes, com-
ponentes respondentes, os quais, por defini- 1.1. Evolução do mecanismo de seleção: do
ção, são relações entre respostas e estímulos nível filogenético ao ontogenético e cultural.
antecedentes. A fim de esclarecer os processos
de interação operanterespondente no contex- O modo causal de seleção por conseqüências
to de análise de respostas emocionais, este ar- foi sendo elaborado ao longo da obra de Skin-
tigo examina: a) o modo causal de seleção por ner como explicação do comportamento ope-
conseqüências; e b) respostas emocionais no rante e, posteriormente, da evolução das cul-
contexto de um modelo selecionista de aná- turas, refletindo o modelo explicativo da evo-
lise. lução das espécies que caracteriza a teoria
darwinista de seleção natural.
1. O Modo Causal de Seleção por Conse- O comportamento humano é o produto con-
junto (i) das contingências de sobrevivência
qüências
responsáveis pela seleção natural da espécie e (ii)
das contingências de reforçamento respon-sáveis
Na tentativa de compreender o compor- pelos repertórios adquiridos por seus
tamento independentemente de mediadores membros,incluindo (iii) as contingências

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especiais mantidas por um ambiente social que como são, por exemplo, os conjuntos de com-
evoluiu. (No final das contas, é claro, tudo é uma portamento tidos como instintivos. Antes,
questão de seleção natural, posto que condicio-
namento ope-rante é um processo que evoluiu,
Skinner (1953/1965) assim se pronunciou a
do qual práticas culturais são aplicações respeito:
especiais) (Skinner, 1981/1984, p. 14). Tanto no condicionamento operante, quanto na
Skinner (1981/1984) deu especial importância seleção evolutiva de características comporta-
ao argumento segundo o qual a seleção natu- mentais, as conseqüências alteram a probabili-
ral apresenta uma falha na medida em que, dade futura. Reflexos e outros padrões inatos de
atuando ao longo de milhões de anos, não comportamento evoluem porque aumentam as
necessariamente garante que os indivíduos chances de sobrevivência da espécie. Operantes se
sejam aptos para a sobrevivência em um am- fortalecem porque são seguidos por conseqüên-
biente diferente daquele no qual caracte- cias importantes na vida do indivíduo (p. 90).
rísticas genéticas foram selecionadas. Consi- No entanto, mesmo a aquisição de um reper-
derando-se um "meio que muda constante- tório comportamental durante a ontogênese,
mente, a bagagem genética não acompanha o em contato com o ambiente presente a cada
ambiente e o organismo apresenta então sus- momento, mostra-se insuficiente para expli-
cetibilidades que são pouco úteis, pouco efi- car a adaptação humana a um ambiente com-
cientes e até ameaçadoras no mundo trans- plexo e em permanente mudança. A seleção
formado" (Micheletto, 1995, p. 162). A sobre- comportamental por contingências sociais
vivência de organismos em um ambiente garante que, participando de grupos, cada
constantemente em mudança tornou-se pos- indivíduo usufrua da aprendizagem de
sível na ontogênese, portanto, apenas na outros, de forma que a aquisição de seu reper-
medida em que foram selecionados meca- tório comportamental não permaneça limita-
nismos que possibilitam a aquisição de novas da às relações estabelecidas diretamente com
respostas, para além das garantidas geneti- o ambiente. Skinner (1990) argumentou que
camente. diferentes culturas surgem de diferentes contin-
A reprodução sob as mais variadas condições gências de variação e seleção e diferem pela
tornou-se possível com a evolução de dois pro- amplitude com a qual ajudam seus membros a
cessos através dos quais organismos individuais solucionar seus problemas. Membros que os
adquiriram comportamento apropriado a novos solucionam têm mais probabilidade de sobre-
ambientes. Através de condicionamento respon- viver, e com eles sobrevivem as práticas da cul-
dente (pavloviano), respostas elaboradas ante- tura (p. 1207).
riormente pela seleção natural puderam ficar sob Com sua argumentação sobre o alcance dos
controle de novos estímulos. Através de condi- processos seletivos do comportamento hu-
cionamento operante, novas respostas puderam mano, Skinner buscou ultrapassar a postu-
ser fortalecidas ("reforçadas") por eventos ime- lação de um "eu" consciente e determinador
diatamente posteriores a elas (Skinner, de si mesmo para permitir uma análise que,
1981/1984, p. 12). pretendendo dar conta inclusive das variáveis
Assim sendo, o condicionamento operante é que levam um indivíduo a considerar qual sua
tido como um segundo tipo de seleção por vontade ou preferência em um dado mo-
conseqüências cuja evolução, de acordo com mento, ressalte a necessidade de investigação
Skinner (1981/1984), ocorreu "paralelamente de relações específicas com o ambiente exter-
a dois outros produtos das mesmas contin- no. A necessidade de se conhecer mais acerca
gências de seleção natural a sensibilidade ou do comportamento individual do que o pró-
suscetibilidade a reforçamento por certos - de prio indivíduo consegue verbalizar caracte-
conseqüências e um suprimento de compor- riza, pois, um movimento que valoriza a com-
tamentos menos especificamente ligados a plexidade do ser humano.
estímulos eliciadores ou liberadores" (p. 12)

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1.2. A relação resposta-conseqüência: Da evento reforçador de qual-quer propriedade


questão da sensibilidade à questão da física particular. É especial - mente pouco
provável que eventos que adqui-riram seu poder
consciência. de reforçar passem a ser marcados de um modo
especial qualquer. Contudo estes eventos são um
No âmbito do modelo explicativo da análise tipo importante de reforçador (p. 75).
do comportamento, a questão da sensibili- Catania (1998) indicou também que "ne-
dade ou suscetibilidade ao reforçamento é nhuma propriedade física comum permite-
importante para que se compreenda a noção nos identificar reforçadores indepen-
de que seres humanos são passíveis de modi- dentemente de seus efeitos sobre o
ficação pelo contato com contingências ope- comportamento" (p. 78). E acrescentou: "refor-
rantes, no sentido de que a conseqüên-cia à çadores não podem ser definidos indepen-
emissão de uma resposta no pre-sente in- dentemente das respostas que reforçam. ...
fluencia sua repetição (ou não) em situação como o reflexo, o reforçamento é uma relação.
semelhante no futuro. A este respeito, Sério ... Essa relação inclui respostas, suas
(1990) apontou que conseqüências e as mudanças no comporta-
Ao caminhar com o conceito de reflexo até o mento que daí se seguem" (pp. 79-81).
comportamento operante, [Skinner] parece ir,
Tal questão, referente à efetividade de um
gradativamente, introduzindo a propriedade de
sensibilidade; pelo menos é assim que se entende estímulo reforçador ser dependente da rela-
a possibilidade aberta pela concepção de estí- ção por ele estabelecida com a resposta que o
mulo reforçador, cujo efeito retroage sobre o antecede, é relevante porque chama a atenção
organismo ou a classe de respostas (p. 364). para o que acontece no plano das relações
De acordo com a abordagem skinneriana, a organismo-ambiente (abordagem exter -
relação com o ambiente modifica o organismo nalista), em contraste com a perspectiva men-
apenas na medida em que ele é sensível a talista (à qual Skinner se opõe) e sua ênfase no
eventos presentes, de forma que a sensi- que acontece no indivíduo (recorte inter-
bilidade ou suscetibilidade ao reforçamento é nalista). Além disso, a compreensão da noção
um pré-requisito para a aquisição de respos- de operante envolve o suposto de que os
tas operantes por um indivíduo. Acerca do comportamentos tendem a ser selecionados e
condicionamento de funções reforçadoras ou mantidos independentemente de o indivíduo
aversivas dos estímulos durante a ontogê- que se comporta ter conhecimento verbal (ou
nese, Catania (1998) salienta que "existe uma consciência) do que seja a causa da emissão de
grande variedade de reforçadores. ... Alguns suas respostas. Skinner (1969/1980) indicou
parecem ser eficazes na primeira experiência que "raramente um sujeito pode descrever
que o organismo tem com eles. Outros ad- exatamente o modo pelo qual realmente foi
quirem suas propriedades reforçadoras reforçado. Mesmo quando foi treinado a
durante a vida do organismo" (p. 78). Skinner identificar algumas poucas contingências
(1953/1965) comentou essa questão afir- simples, ele então não será capaz de descrever
mando: uma nova contingência, particularmente
Há, é claro, diferenças extensas entre indiví-duos quando ela for complexa" (p. 258).
quanto aos eventos que se provam refor-çadores.
... Entre os membros de uma mesma espécie, é
Em linhas gerais, tendo demarcado dois tipos
menos provável que as diferenças extensas se distintos de relações comportamentais, res-
devam à dotação hereditária e, assim sendo, pondentes e operantes, que podem interagir
podem ser ligadas a circuns-tâncias na história de modos complexos, Skinner (1945) apre-
do indivíduo. O fato de que os organismos sentou o behaviorismo radical como abor-
evidentemente herdam a capa-cidade de ser
dagem que rejeita a dicotomia mente-corpo e
reforçados por certos tipos de eventos não nos
ajuda na previsão do efeito reforçador de um ressalta a unidade do ser humano nos
estímulo não experimen-tado. Nem a relação moldesde um monismo. A referência à di-
entre o evento reforçador e a privação ou mensão física dos eventos públicos eprivados
qualquer outra condição do organismo dota o que participam de relações comportamen-

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tais, em um contexto de análise que ressalta facilita a compreensão das possíveis inter-
seu caráter relacional, demarcou o objeto de relações entre os dois tipos de processos.
estudo skin-neriano no âmbito das ciências A análise de eventos privados envolve, de
naturais (cf. Tourinho, 1987). maneira geral, relações comportamentais
Desta perspectiva de análise, o estímulo con- referentes ao pensar e ao sentir. Em se
seqüente à emissão do operante ocupa um tratando especificamente de respostas
papel central na explicação das relações indi- emocionais, Skinner destacou, para sua
víduo-ambiente, sendo a ele atribuídas as definição, a importância de operantes, bem
funções de alterar a probabilidade futura da como relegou sua ocorrência e alteração a
resposta em situações semelhantes e de tornar relações respondentes. Este ponto será dis-
o evento antecedente à resposta diferenciado, cutido adiante, de forma a introduzir uma
pois adquire, nesta relação, a função de estí- perspectiva de análise de respostas emo-
mulo discriminativo e suas propriedades con- cionais que valoriza as inter-relações entre
troladoras. Como se argumentará adiante, contingências respondentes e operantes.
processos operantes também podem interagir
de modos complexos com processos respon- 2.1. Definição, ocorrência e alteração de res-
dentes, de forma que um mesmo evento postas emocionais.
adquira diferentes funções em relações dos
dois tipos, e isso tudo independentemente de Com base nos procedimentos iniciais de expe-
qualquer consciência. rimentos de condicionamento operante de
resposta de pressão à barra, Holland e Skinner
2. Respostas emocionais no Contexto de um (1961) descreveram como respostas emo-
Modelo Selecionista de Análise cionais podem ser eliciadas, nos moldes de
relações respondentes, "pela estranheza da
Em certos contextos teóricos, é possível en- câmara, pelo barulho do alimentador etc." (p.
contrar-se uma diferenciação entre emoções e 80). Além disso, apontaram que "geralmente
sentimentos, correspondendo as primeiras a não é conveniente modelar comportamentos
estados corporais referentes a acontecimentos desejáveis com um reforçador negativo
fisiológicos e os últimos a processos verbais [estímulo aversivo] porque ele elicia muitos
(cf. Damásio, 2000; Iversen, Kupfermann e respondentes que podem interferir (entrar em
Kandel, 2000). Uma tradução analítico-com- conflito, ser incompatíveis) com o compor-
portamental dessas posições poderia levar à tamento a ser modelado" (p. 219, itálico acres-
identificação de emoções com processos centado).
respondentes e sentimentos com processos Neste sentido, respostas emocionais são expli-
operantes com componentes verbais. Toda- cadas como comportamento respondente,
via, na literatura da análise do comporta- como também exemplificado por Holland e
mento, emoções e sentimentos são conceitos Skinner (1961): "quando um jornal identifica a
empregados na referência tanto a processos cor de uma pessoa que cometeu um crime
respondentes quanto a processos operantes e, particularmente odioso, a cor apontada pode
freqüentemente, na abordagem de fenômenos tornar-se estímulo condicionado que eliciará
que revelam interações entre respondentes e as respostas emocionais produzidas por ou-
operantes. No presente artigo, será tras partes da reportagem do crime" (p. 31).
empregado o termo "resposta emocional" em
Assim como Catania (1998), que definiu
referência às relações mencionadas indistin-
"comportamento emocional" ressaltando seus
tamente como emoções ou sentimentos pela
componentes respondentes e operantes,
análise do comportamento. A adoção de tal
Holland e Skinner (1961), reunindo compo-
termo é justificada na medida em que ele não
nentes respondentes e contingências operan-
tende a destacar a participação de compo-
nentes respondentes e/ou operantes e, assim, tes, utilizaram o conceito de "situação emo-

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cional" em referência a arredores ou dos) e a emissão de operantes anteriormente


ambientes muito pouco familiares de onde a selecionados.
fuga seria reforçadora, acrescentando que Dentre as relações que são tateadas para que uma
"desde que 'muito pouco familiar' implica resposta emocional seja identificada, Holland
ausência de condicionamento anterior, e Skinner (1961) indicaram a importância das
tratamos os reflexos resultantes como reflexos predisposições para a ação:
incondicionados" (p. 214). Também Skinner sob diferentes condições emocionais, diferentes
(1953/1965) apontou a participação tanto de eventos servem como reforçadores e diferentes
grupos de operantes têm sua probabilidade de
componentes respondentes quanto de emissão aumentada. Por essas predisposições
operantes para a descrição completa da podemos definir uma emoção específica. ... As
resposta emocional em um caso de fobia: predisposições caracterizam uma emoção
a visão inesperada de um pássaro morto elicia particular. Um homem enraivecido pode esmur-
respostas reflexas consideráveis palidez, suor ... Se rar a mesa, bater a porta ou começar uma briga. O
esta fosse a dimensão da fobia, poderíamos des- homem enraivecido é mais predisposto a emitir
crevê-la completamente como um conjunto de certos operantes do que outros (pp. 213-214).
reflexos condicionados evocados pela visão de um A ênfase nas predisposições para a emissão de
pássaro morto, mas há outros efeitos importantes. O
determinados operantes, nos termos de varia-
comportamento de fuga será bastante poderoso.
Parte dele - como voltar-se ou correr - pode ser ções na probabilidade do responder, decorre
incondicionada ou ter sido condicionada muito cedo da observação de que um conjunto de altera-
na história do organismo. Outra parte - chamar ções nas condições corporais muitas vezes
alguém para retirar o pássaro, por exemplo tem, fisiologicamente idênticas caracteriza dife-
obviamente, origem mais recente. O restante do rentes respostas emocionais, o que torna as
repertório passa por uma mudança geral. Se nosso
sujeito estiver jantando, observamos que pára de
condições corporais insuficientes para a dis-
comer ou come menos rapidamente. ... Será menos criminação verbal do que é sentido. Segundo
provável que fale com uma freqüência natural, que Holland e Skinner (1961), "um estímulo
ria, que brinque e assim por diante (p. 167). doloroso ou amedrontador elicia muitas
Em suma, após afirmar que "as condições que respostas que fazem parte do comportamento
levam um organismo a ser 'emotivo' nunca respondente observado nas emoções de medo
foram estudadas exaustivamente ou mesmo ou raiva" (p. 209). Casos de medo, raiva,
satisfatoriamente classificadas" (p. 256), ansiedade e mesmo sensações resultantes de
Skinner (1957/1992) apontou que tais con- esforço físico envolvem a chamada síndrome de
dições são relacionadas com o reforço e com ativação, a qual "descreve o efeito de um
estados de privação e de estimulação aversiva. grande número de respostas que são eliciadas
Assim sendo, Skinner propôs uma análise do ao mesmo tempo por certos estímulos" (p.
sentir no contexto de relações compor- 211). Considera-se, pois, que alterações que
tamentais operantes. Em outros termos, ape- caracterizam respostas emocionais possuem
sar de distinguir a presença de componentes também uma relação com a história de
respondentes e operantes de respostas reforçamento que permite a um indivíduo
emocionais, Skinner destacou aí também a responder verbalmente ou não verbalmente
importância das conseqüências. sob controle discriminativo de alterações em
Pode-se concluir, portanto, que respostas suas condições corporais.
emocionais são apresentadas como fenô- Percebe-se ainda que a definição de resposta
menos complexos que envolvem tanto a eli- emocional, envolvendo a noção de predis-
ciação de condições corporais específicas posições, está relacionada com o conceito de
quanto a emissão de operantes. Assim, a operações estabelecedoras (cf. Michael, 1993) -
definição ou nomeação de uma resposta "as condições de privação alteram a proba-
emocional advém da discriminação verbal bilidade de toda uma classe de respostas. Do
das condições corporais presentes no mesmo modo, as condições de emoção alte-
momento e da relação de contingência entre a ram a probabilidade de toda uma classe de
presença de tais estímulos (públicos e priva-

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respostas" (Holland & Skinner, 1961, p. 215). nição e de componentes respondentes para a
Segundo Dougher e Hackbert (2000), "eventos manipulação do que é sentido. Apresenta-se,
que eliciam fortes reações emocionais, como a a seguir, uma análise voltada aos efeitos
morte de um ente querido, estupro, abuso ou colaterais de contingências operantes e às
os eventos que fazem com que nos apaixo- múltiplas funções de um estímulo como base
nemos, são exemplos de operações estabele- para uma argumentação que aponta para a
cedoras com efeitos a longo prazo" (p. 17). importância dos componentes operantes de
Apesar da valorização de componentes ope- respostas emocionais também para sua
rantes para a definição do que é sentido, quan- manipulação. Tal perspectiva é coerente com
do Skinner (1953/1965) se voltou para o que um modelo explicativo baseado no modo
chamou de "uso prático da emoção", ele atri- causal de seleção por conseqüências na
buiu importância fundamental aos compo- medida em que possibilita indicar como
nentes respondentes, na medida em que ape- alterações em contingências operantes
nas condições ambientais antecedentes foram tendem a envolver o organismo como um
apontadas como capazes de adquirir controle todo e, neste sentido, que respostas emo-
sobre sua ocorrência. cionais podem resultar da emissão de operan-
O comportamento emocional e as condições que tes abertos. Neste contexto, explicitam-se,
o geram são mais facilmente examinados quando ainda, relações entre respostas emocionais e
postos em uso prático. Às vezes queremos eliciar
os reflexos que comumente ocorrem na emoção.
predisposições à ação (no sentido das va-
Reflexos, como vimos, não podem ser executados riações na probabilidade do responder) a
segundo a demanda, como o "comportamento partir de uma história anterior de contato com
voluntário". O poeta que exclama: "Oh, chorai contingências operantes.
por Adonais!" não espera realmente que o leitor
responda dessa maneira, segundo o pedido. Não
2.2. Inter-relações entre processos respon-
há relação interpessoal que permita a uma pessoa
evocar comportamento emocional em outra de dentes e operantes de respostas emocionais:
acordo com essa fórmula. A única possibilidade é múltiplas funções de estímulo.
usar um estímulo eliciador, seja condicionado ou
incondicionado (p. 169). No que tange a respostas emocionais, a expo-
O comportamento reflexo é ampliado através do sição a contingências diversas pode resultar
condicionamento respondente e aparentemente
não pode ser condicionado de acordo com o
em inter-relações entre processos respon-
padrão operante. ... O comportamento de enru- dentes (referentes às alterações nas condições
bescer, como o de empalidecer ou de secretar corporais a partir do contato com um estímulo
lágrimas, saliva, suor etc., não pode ser colocado eliciador) e operantes (referentes à nomeação
diretamente sob o controle do reforço operante. do que é sentido e à predisposição para a ação,
Se se pudesse encontrar alguma técnica que con-
compreendidas por meio da noção de seleção
seguisse este resultado, seria possível treinar
uma criança a controlar suas emoções tão facil- por reforçamento).
mente quanto ela controla as posições de suas um estímulo que preceda sistematicamente ou
mãos (p. 114). sinalize um choque pode não apenas eliciar
Quando queremos eliminar respostas desse tipo flexões de pata; ele pode também interferir no
[emocionais], adotamos procedimentos apro- comportamento que esteja sendo mantido por
priados ao reflexo condicionado. ... suas conseqüências, como o pressionar a barra
Com freqüência também é desejável alterar pre- mantido por reforço alimentar. Algumas vezes
disposições emocionais. Em uma "conversa para descrevemos comportamentos comparáveis em
encorajar", o técnico de uma equipe pode tirar humanos com base no medo ou na ansiedade;
vantagem do fato de que os jogadores se empe- assim, procedimentos como esses são
nham com mais agressividade contra seus opo- freqüentemente considerados como relevantes
nentes se estiverem zangados (p. 169). para a emoção (Catania, 1998, p. 213).
Em suma, o reconhecimento de que respostas Da mesma forma que a presença de
emocionais implicam interações responden- condicionamento respondente pode interferir
tes e operantes culminou com uma valori- na emissão de um operante, a eliciação de
zação de componentes operantes para a defi- respondentes emocionais pode ser função de

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estímulos ambientais conseqüentes à emissão cionamento, mas também às alterações nas


de um operante pelo próprio indivíduo. Neste condições corporais condicionadas. Compre-
sentido, as alterações nas condições corporais ende-se, desta forma, que o mecanismo de
eliciadas por estímulos que ocorrem em con- seleção ontogenética também opera sobre res-
seqüência à emissão de um operante são tidas postas encobertas.
como efeitos colaterais ou subprodutos da contin- Apresenta-se, a seguir, um exemplo de inte-
gência operante. ração interpessoal por meio da qual são dis-
Catania (1998) indicou que os tipos de compor- cutidos aspectos como relação entre resposta
tamento emocional são mais bem definidos operante e eventos ambientais a ela ante-
pelas operações que os produzem do que cedentes e conseqüentes, seleção compor-
simplesmente com base em classes de res- tamental, efeitos colaterais de contingências
postas. Nos exemplos dessas operações ofere- operantes, identificação verbal de respostas
cidos por Catania, emocionais, condicionamento respondente de
o medo, a ansiedade ou, com outro organismo condições corporais, e aquisição de função de
presente, a raiva, [são] produzidos por estímulos estímulo discriminativo por eventos am-
aversivos primários ou condicionados; o alívio,
produzido pelo término de estímulos aversivos;
bientais externos e internos. Para tanto, lança-
a alegria ou esperança, produzidas por refor- se mão da disposição de relações compor-
çadores primários ou condicionados; e a tristeza, tamentais abaixo esquematizada (as setas
produzida pelo término de reforçadores (p. 388). indicam a direção seguida pela seqüência de
Também no caso de contingência de refor- relações, com início em EA; termos acima de
çamento positivo, por exemplo, exultação, setas referem-se a funções de estímulo, o que
prazer e alegria são comumente apontados também ocorre no caso de SR, indicado por
como efeitos emocionais colaterais, enquanto meio do sinal de igualdade).
que a punição produziria raiva, culpa e
ansiedade (Holland & Skinner, 1961; Keller &
Schoenfeld, 1950/1973; Skinner, 1989/1991).
De acordo com Holland e Skinner (1961), "um SD1
EA R1 EC = SR
único estímulo aversivo usado na punição
[com função, portanto, de estímulo conse- SE1
SE1 R2
qüente] elicia respondentes, condiciona ou- SE2
tros estímulos [alguns dos quais com função
discriminativa] a eliciar tais respondentes e
torna possível o condicionamento do compor- SD2
tamento de esquiva" (p. 283).
Quando da presença de um estímulo refor-
çador, o evento antecedente à emissão da res-
posta operante pode adquirir, portanto, além Figura 1. Inter-relações entre processos respondentes e
operantes.
da função de estímulo discriminativo, a fun-
ção de estímulo eliciador condicionado das EA: evento antecedente à resposta operante
alterações nas condições corporais que carac- R1: resposta operante
terizam as respostas emocionais produzidas EC: evento conseqüente à resposta operante
SR: estímulo reforçador
por tal estímulo (e que, enquanto evento SE1: estímulo eliciador incondicionado ou condicionado
conseqüente, também apresenta função R2: respostas fisiológicas, respondentes (efeito colateral da
eliciadora). Assim, quando um operante é contingência ou resposta emocional)
SD1: estímulo discriminativo presente no ambiente externo
selecionado, os estímulos que passarão a SE2: estímulo eliciador condicionado
sinalizar possíveis conseqüências após uma SD2: estímulo discriminativo presente no ambiente interno
nova emissão da resposta poderão estar rela-
cionados não apenas aos aspectos do am-
biente externo presentes quando do condi-

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Respostas Emocionais e Seleções por Conseqüências

Diante de uma moça, em uma festa (EA), um função reforçadora. Em todo caso, a seleção do
-
rapaz pergunta se ela gostaria de dançar (R1) e operante deve-se à sua relação direta e ime
-
ela aceita o convite (EC). Considerando que o diata com os estímulos antecedente e conse
-
evento conseqüente (EC) apresenta a função qüente (noção de contingência tríplice). A pre
-
de estímulo reforçador (SR) para o rapaz, a sença de uma possível história de condiciona
relação R1-SR propicia a ocorrência de seleção mento de funções do estímulo antecedente
comportamental e a aquisição de função não significa que o operante passa a ser
discriminativa por eventos semelhantes a EA eliciado, como nos moldes respondentes.
(SD1). Na medida em que EC também apre-
sente função eliciadora (SE1), ele evoca res- 2.3. Respostas emocionais no contexto de
postas fisiológicas correspondentes a altera- contingências operantes.
ções nas condições corporais do indivíduo
(R2). A mesma relação respondente (SE1-R2) Skinner (1953/1965) aponta que a nomeação
pode, então, ficar condicionada à presença de de respostas emocionais é dependente de
EA (função de SE2). Em situação futura seme- relações anteriores entre o sentir e a emissão
lhante a EA, as alterações nas condições de respostas abertas, com base nas quais a
corporais (R2), evocadas por SE2 (identi- comunidade verbal reforça sua autodescrição
ficadas verbalmente como motivação para (por exemplo, respostas abertas de agressão
convidar uma moça para dançar, por podem constituir a base para o ensino de
exemplo), também adquirem função discri- respostas autodescritivas de "raiva"). Uma vez
minativa (SD2) para a emissão de R1. instalada a resposta verbal, no entanto, um
Em linhas gerais, na presença de uma moça, indivíduo pode agir assertivamente em
em uma festa, o rapaz emite a resposta de relação a outro e, de alguma forma, estar
convidá-la para dançar, a qual é seguida pela sentindo raiva. A aparente incongruência en-
apresentação de um estímulo reforçador. tre o sentir e o agir, neste caso, poderia estar
Como efeito colateral do contato com reforça- fundamentada em uma história na qual
mento positivo, o rapaz apresenta determi- respostas que envolvem o "persistir com
nadas alterações respondentes. A partir de tranqüilidade" foram reforçadas positiva-
então, os eventos ambientais antecedentes à mente, apesar da raiva sentida.
classe de resposta referente ao convidar para De acordo com a noção de contingência trípli-
dançar, tanto externos quanto internos (in- ce, a emissão de um operante gera uma altera-
cluindo, portanto, as condições corporais ção ambiental que possui efeitos diretos sobre
condicionadas à situação) apresentam função a probabilidade futura de nova emissão de tal
de estímulo discriminativo para a emissão da operante no contexto em questão e sobre a
D
resposta operante. Deve-se também salientar aquisição de função de S pelo estímulo
que, como aponta Tourinho (1997), a função antecedente, bem como efeitos indiretos, ditos
discriminativa de uma condição corporal colaterais, sobre as condições corporais que,
como a referida no exemplo (correspondente a alteradas ou mantidas, distinguem o que é
R2) dependerá de sua correlação com um sentido no momento presente. As questões
evento público (EA) com função discrimi- relativas aos efeitos colaterais de contingên-
nativa (para R1). cias operantes e às múltiplas funções de um
D
Em suma, tanto é possível que um S elicie as estímulo dão suporte à compreensão do
respostas emocionais resultantes do contato condicionamento de respostas emocionais
com um estímulo conseqüente à emissão de (eliciadas por um estímulo conseqüente à
um operante, quanto que estímulos que emissão de um operante) à presença do estí-
adquiram função discriminativa e eliciadora mulo que antecedeu tal emissão quando do
de respostas emocionais também adquiram condicionamento. Neste sentido, deve-se con-

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Rosângela Araújo Darwich - Emmanuel Zagury Tourinho

siderar a ocorrência de respostas emocionais de seleção ao nível da ontogênese.


como resultado da emissão de operantes Segundo Micheletto (1995),
abertos. A preocupação com o operante como centro das
Em outros termos, a emissão de operantes não investigações do comportamento e sua conse-
qüente ênfase no operar sobre o ambiente leva
apenas participa do quadro que caracteriza Skinner [1938/1966] a sugerir que o respondente,
uma resposta como emocional, como também aquele que definia o comportamento em 1931,
representa um possível caminho para sua tenha pequeno poder de explicação do com-
ocorrência e, além disso, para sua alteração, portamento como um todo e seja objeto da fisiologia
e não da ciência do comportamento (p. 75 - itálico
pois, na medida em que um novo operante é
acrescentado).
seguido por um estímulo conseqüente Holland e Skinner (1961) afirmaram que "o
diferente, é esperado que respostas emocio- comportamento operante é influenciado pelas
nais também diferentes acompanhem a conseqüências de respostas semelhantes, an-
relação de contingência. Considera-se, por teriormente emitidas, enquanto no compor-
exemplo, a possibilidade da emissão de ope- tamento respondente um estímulo antecede a
rantes de enfrentamento como forma de resposta" (p. 48). Considerando que respon-
substituir respostas de esquiva - o que é mais dentes também sejam objeto de análise funcio-
provável de ocorrer apesar da presença, ini- nal, parece ser necessário indicar que, no caso
cialmente, de sensação de ansiedade (eliciada de tais comportamentos, o modelo explicativo
por determinados estímulos condicionados). deve ser aplicado a relações de causa e efeito.
Em suma, as duas últimas argumentações Desta forma, a seleção por conseqüências seria
aqui levantadas pretendem embasar a um modelo explicativo desenvolvido no âm-
afirmativa do próprio Skinner em referência bito da análise do comportamento e por ela
ao modo causal de seleção por conseqüências adotado, embora não unicamente.
ser suficiente para dar conta da explicação do Por outro lado, a própria lógica behaviorista
comportamento, tendo em vista que altera- radical é contrária a argumentos que frag-
ções na emissão de operantes acarretam mentam o indivíduo. Assim, seria contradi-
alterações no organismo como um todo, tório pensar um objeto de estudo apenas par-
inclusive nos aspectos respondentes de cialmente compreendido por meio do modelo
respostas emocionais. explicativo adotado. Deve-se considerar,
inclusive, que, em seu livro About behaviorism,
2.4. Aplicação restrita do modo causal de
Skinner (1976/1974) apresentou o seguinte ar-
seleção por conseqüências ao condicio-
gumento em relação ao papel do condicio-
namento operante.
namento respondente no contexto de sua
proposta de análise: "Assim como apontamos
O ponto referente à aplicação do modo causal
contingências de sobrevivência para explicar
de seleção por conseqüências na ontogênese
um reflexo incondicionado, também podemos
de forma restrita ao condicionamento ope-
apontar 'contingências de reforço' para expli-
rante pode ainda ser considerado contro-
car um reflexo condicionado" (p. 37). Neste
verso. Skinner (1981/1984), apesar de ter indi-
sentido, faz-se necessário esclarecer as
cado que "através de condicionamento res-
interações entre os diferentes processos com-
pondente (pavloviano), respostas elaboradas
portamentais que ocorrem no contexto de
[prepared] anteriormente pela seleção natural
seleção comportamental, o que implicou, nes-
puderam ficar sob controle de novos
te artigo, a discussão acerca de como a análise
estímulos" (p. 12), também ressaltou o con-
do comportamento trata de respostas emo-
dicionamento operante como sendo "um
cionais.
segundo tipo de seleção por conseqüências"
(p. 12), o qual, portanto, define o mecanismo

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Respostas Emocionais e Seleções por Conseqüências

Considerações finais pende das conseqüências passadas de respos-


tas da mesma classe em situações seme-
Respostas emocionais incluem relações res- lhantes. Afirmativas como "é impossível en-
pondentes, como alterações nas condições frentar situações assustadoras", por exemplo,
corporais diretamente eliciadas por estímulos são invertidas, de uma perspectiva externa-
ambientais, dependentes de relações lista, implicando que o enfrentamento não
operantes com as quais estão entrelaçadas. No apenas é possível como muito provavelmente
contexto de tais relações, alterações nas con- necessário para que a sensação sentida como
dições corporais podem adquirir função de medo venha a ser enfraquecida.
estímulo discriminativo, como quando sinali- Em linhas gerais, estímulos conseqüentes à
zam a ocasião para uma nomeação apropriada emissão de respostas abertas selecionam tanto
do que está sendo sentido e quando sinalizam estas quanto respostas encobertas, o que
que se está diante de uma alta (ou baixa) viabiliza a compreensão de alteração de res-
probabilidade de emitir resposta que será postas emocionais a partir da manipulação de
reforçada. contingências operantes. O entrelaçamento de
Ressalta-se, mais uma vez, que estímulos dis- relações operantes e respondentes que consti-
criminativos não causam operantes. Indepen- tuem o sentir permite, portanto, a abordagem
dentemente de quais conseqüências a de tais fenômenos comportamentais comple-
discriminação de alterações em condições xos à luz do modo causal de seleção por conse-
corporais sinalize, a emissão de operantes de- qüências.

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Recebido em: 21/05/05


Primeira decisão editorial em: 20/06/05
Versão final em: 24/06/05
Aceito em: 25/06/05

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