: FERNANDA LORENA

Q
ue tal ser pago para navegar
no Facebook, Orkut, Twit-
ter e Linkedin? A oferta é
tentadora mas este trabalho, reali-
zado pelo profssional conhecido
como analista de mídias sociais,
vai muito além de surfar nas redes.
O analista tem função estratégica
dentro de uma empresa, recolhendo
informações sobre a marca e se re-
lacionando com os membros destas
redes e comunidades.
Em pesquisa realizada pelo
Ibope neste ano, de cada dez inter-
nautas, nove têm conta em alguma
rede social, o que reforça ainda mais
a necessidade deste profissional
dentro das empresas. “As marcas
já estão se conscientizando que
é preciso uma construção sólida
da presença digital e da interação
aberta com os seus consumidores”
afrma a publicitária Patrícia Mou-
ra, que também é coordenadora de
mídias sociais da Binder/FC+M.
Patrícia explica que o analista
de mídias sociais pode colaborar
desde a gestão de conteúdo até os
indicadores e o monitoramento.
“Costumo fazer uma comparação
com a publicidade. Quando você se
forma, pode atuar com atendimento,
mídia, direção de arte, redação, trá-
fego, dentre outras tarefas. Em mí-
dias sociais, você pode basicamente
ser de criação e planejamento ou
métricas e monitoramento, mas as
empresas dividem as funções con-
forme suas necessidades” afrma.
A área de criação e planeja-
mento é responsável por traçar o
cenário da marca, posicionamento,
clientes e concorrência, a fm de
defnir as plataformas e estratégias
que serão utilizadas. Já a área de
métricas e monitoramento faz a
pesquisa do que é falado sobre a
‘Twitteiros’ por profssão
marca na web e, posteriormente,
mensura os resultados.
Ainda de acordo com Patrícia,
o profissional pode ser formado
em qualquer área de comunicação
como publicidade, propaganda,
jornalismo e marketing. “Existem
muitos profssionais sem formação
por conta da experiência com a
produção de conteúdo web, o que
é um caso a parte” explica.
Além da formação, alguns
requisitos como agilidade são
essenciais ao analista de mídias
sociais. A coordenadora de mídia
e relacionamento da agência Riot,
primeira agência especializada do
Brasil, Gabriela Bianco, afirma
que a proximidade com as mídias
também é um fator diferencial. “Os
pontos importantes são: grande
afinidade com as redes sociais,
escrever bem, ter pensamento es-
tratégico e, de preferência, saber
ser multitarefa”.
Gabriela explica ainda que
o analista deve estar alinhado às
estratégias da empresa já que,
neste meio, a informação precisa
ser rápida “Se o analista tiver que
validar com a empresa cada tweet
ou cada post no Facebook, haverá
uma demora que a rede social não
tolera. Então o analista precisa
saber como falar pela marca”. O
analista também deve estar ante-
nado nas novidades e assuntos co-
mentados nessas redes, não apenas
no que diz respeito à empresa para
qual trabalha.
O futuro da profssão? Para
Gabriela, a tendência é que ela se
especialize cada vez mais. “Hoje
existem agências especializadas
em mídia social, outras estão mon-
tando departamentos voltados para
isso”. Para ela, no futuro, todas as
empresas contarão com um analista
de redes sociais no departamento
de marketing.
Já Patrícia Moura acredita que
há muito trabalho pela frente em ra-
zão da convergência tecnológica e o
potencial do brasileiro para a demo-
cratização da web. “Haverá espaço
sufciente para novos profssio nais
gerenciarem, planejarem e moni-
torarem plataformas de interação
entre empresas e clientes” diz.
: GABRIELLA MOURA
Na maioria dos eventos ele
está com um smartphone nas mãos
ouvindo os palestrantes e repassan-
do para aproximadamente três mil
pessoas informações que são de
utilidade pública através do Twit-
ter. Profssionais como analistas de
mídias sociais são cada vez mais
comuns em grandes empresas,
e Fábio Toreta é um deles. Ele é
um dos responsáveis pelo setor de
comunicação da Companhia de Sa-
neamento Básico do Estado de São
Paulo, a Sabesp e pela publicidade
da empresa, entre estas atividades
englobam-se as mídias sociais onde
e a empresa faz parte do Twitter,
do Facebook com 289 amigos e
do Flickr, além de possuir também
vídeos corporativos no Youtube.
“As empresas precisam en-
tender que as pessoas, hoje em dia,
estão gastando muito do tempo que
tem em mídias sociais, para se ter
uma idéia o site mais visitado no
Brasil é o Orkut, uma rede social”,
explica Toreta. Ele ainda enfatiza
uma pesquisa realizada por uma
empresa especialista em dados mi-
diáticos a The Nielsen Company,
em que aponta que 86% dos inter-
nautas brasileiros estão presentes
em sites de redes sociais. “Os
brasileiros gastam mais de cinco
horas por dia em sites como estes”.
As pessoas gostam de interagir
com as marcas e foi pensando nisso
que a empresa contratou os serviços
de Toreta e incluiu a Sabesp nas
mídias sociais. “É claro que não
podemos controlar o que as pessoas
dizem sobre a empresa, mas é possí-
vel monitorar e melhorar. Profssio-
nalmente, para se tornar um analista
em mídias sociais, Fabio começou
a trabalhar com internet em 1999 e
depois foi se aperfeiçoando na área.
“Para se tornar um bom profssional,
a pessoa deve ter grande curiosidade
e caso trabalhe com empresas, deve
ter engajamento corporativo”.
Para este trabalho, Toreta esti-
pulou três ações: monitorar, atuar e
analisar as métricas. Nesta análise
são discutidos os assuntos que
tiveram maior aderência e o maior
sucesso. “Twittamos uma vez que
cada litro de óleo despejado pelo
ralo quando chega ao oceano é
capaz de contaminar cerca de 25
mil litros de água, isso gerou muita
repercussão e um grande número
de retwittadas”. O analista cita
este exemplo, porque quando há
reunião com sua equipe de midias
sociais, o assunto é levado em
pauta e é a partir daí que saem as
decisões onde eles podem melhorar
e repercutir mais no assunto.
Não só dicas ambientais são
ditas nas mídias sociais, os clien-
tes da empresa também reclamam
da falta d´água. “Nós passamos
isso a outros setores, mas também
contribuímos dando dicas sobre o
uso racional da água.”
: WILLIAN FERNANDES
Com a alta na demanda de
vagas para analistas de mídias
sociais, os profssionais que têm
qualifcação especializada saem
na frente na corrida por emprego.
Na era do ‘twitter’ e do ‘face-
book’, as instituições de ensino
oferecem cursos específcos para
quem deseja virar um mestre nas
novas ferramentas de comunica-
ção pela web.
Em dezembro formam-se
os primeiros 15 alunos do MBA
em Marketing Digital e Mídias
Sociais do Centro Universitário
Monte Serrat (Unimonte). “Há
uma demanda crescente por parte
das empresas, pois seus clientes
avançam rapidamente nesta área
digital. Com isso, as companhias
sentem necessidade de desenvol-
ver sua gente”, diz o coordenador
Eduardo Vianna sobre a procura
pelo novo curso.
Vianna garante que o co-
nhecimento do MBA, de 15
meses de duração e enfoque
empresarial, pode ser aplicado
também em setores do poder
público e ONG’s. “Defendemos
que a internet não seja mais
considerada como uma mídia
apenas, mas sim como um am-
biente de negócios”. Isso se
refete no perfl dos alunos. Há
profssionais ligados à Tecnolo-
gia da Informação e formados
em Comunicação, no caso de
publicitários, relações públicas e
jornalistas, e Administração.
A Fundação Armando Álvares
Penteado (FAAP), em São Paulo,
aposta em outra proposta. O curso
de extensão em Comunicação em
Mídias Sociais dura cinco meses e
não exige diploma de graduação.
Porém, os interessados devem
passar por uma análise curricular.
De acordo com o coordenador
do curso, Eric Messa, “o curso
é um espaço para refexão que
permite identifcar formatos e
modelos de comunicação emer-
gentes e analisar cases inovado-
res de uso das mídias sociais”.
Para o responsável pelos
cursos de Ciências da Computa-
ção e Sistemas de Informação da
Universidade Católica de Santos,
Fernando Campos de Macedo, o
conhecimento na área de informá-
tica facilita a operação das novas
mídias. Contudo, a análise do
fenômeno dos sites de relaciona-
mento, por exemplo, exige tam-
bém qualifcação em algum ramo
das Ciências da Comunicação.
O professor acredita, entre-
tanto, que a profssão de analista
de mídias sociais contempla téc-
nicas que podem ser apreendidas
por qualquer internauta. ”Esses
talentos podem ser provenien-
tes de qualquer área do saber”,
afrma Macedo. “Hoje, qualquer
pessoa com acesso à internet
pode montar seu próprio blog,
participar de redes de relaciona-
mento ou de microblogs como o
twitter, sem formação em Com-
putação, Comunicação Social
ou em qualquer outra profssão”.
Os especialistas dizem que
as empresas ainda passam pelo
processo de adaptação ao novo
mercado digital. Isso não signif-
ca, no entanto, que novos profs-
sionais não têm chance de atuar
na área. “Estar em Santos ou em
qualquer outro espaço permite
desenvolver trabalhos com mídias
sociais. Por outro lado, grandes
centros possuem uma centraliza-
ção de capitais e atraem as maio-
res empresas. Com o advento do
nosso polo regional de tecnologia,
Santos pode revelar-se um impor-
tante ambiente para a atuação no
setor das mídias sociais”, acredita
Fernando Macedo.
Público gosta de interagir
com novidades da empresa
INTERNAUTAS : Cada vez mais ativas nas redes sociais, empresas buscam profssionais para gerir informações em novas mídias.
Cursos capacitam futuros analistas
Santos pode revelar-se um
importante ambiente para
atuação.
Fernando Macedo


ILUSTRAÇÃO: AGÊNCIA EXPERIMENTAL DE PUBLICIDADE
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EDIÇÃO: MARIANA MOURA
DIAGRAMAÇÃO: RACHEL MUNHOZ
TRABALHO
ENTREVISTA
OUTUBRO DE 2010

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