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I - Contas Patrimoniais e de Resultado

Objetivos
Conceituar Fato Contábil
Identificar fatos contábeis de mesma natureza
Conceituar Conta
Identificar Contas Patrimoniais e de Resultado

Para entender contabilidade você precisa saber o que é FATO CONTÁBIL
- E o que é FATO CONTÁBIL?
FATO CONTÁBIL é todo e qualquer acontecimento que ocorre numa empresa,
alterando o seu patrimônio. Por exemplo: compra de móveis, pagamento de
salários, pagamento de luz e telefone, recebimento de aluguel, etc.
Muito bem! Mas é preciso lembrar que esses fatos contábeis têm sempre um valor
expresso em moeda.
E você precisa registrar esses FATOS CONTÁBEIS, a fim de obter o controle do
seu patrimônio.
- Como é feito isso?
- Você se lembra do estudo das Variações Patrimoniais? Você viu que ocorrem
vários fatos que, ao serem registrados, possibilitam observar as alterações
ocorridas.
Para facilitar esses registros na Contabilidade, agrupamos fatos de uma mesma
natureza. A esse conjunto de fatos de uma mesma natureza denominamos
CONTA.
Todas as contas têm um nome. Esses "nomes" são chamados de TÍTULOS
CONTÁBEIS.
Assim, os fatos contábeis que movimentam dinheiro são registrados em uma
CONTA denominada "CAIXA". Ou seja, "CAIXA" é o título contábil da CONTA onde
são registrados fatos de uma mesma natureza - movimentação de dinheiro.
Entendi! Todas as contas têm um "apelido", aliás, um título contábil.
Mas como devemos fazer para escolher esses "nomes de batismo"?
- existem critérios técnicos. Veja:
1 - Agrupar somente elementos da mesma natureza. Por exemplo: carro, moto e
caminhão são veículos; terrenos, casas e prédio industrial são imóveis; impostos a
recolher, contas a pagar (luz, água, telefone) são obrigações a pagar.
2 - Escolher títulos contábeis que identifiquem claramente esses agrupamentos.
Exemplos: Caixa, Imóveis, Impostos a Pagar, Duplicatas a Receber, etc.
3 - Evitar títulos genéricos, tais como Contas Correntes, Dívidas para com
Terceiros, Valores a Receber, etc.
4 - Criar apenas títulos indispensáveis ao registro dos fatos contábeis relacionados
com as atividades da empresa. Exemplo: um banco não se utilizaria das contas
"Mercadoria em Estoque", "Produtos", "Matéria Prima", etc.
5 - Subdividir os agrupamentos quando necessitar de "títulos específicos".
Exemplo: "Contas a Pagar" pode ser subdividido em "Salários a Pagar", "Impostos
e Contribuições a Recolher", "Aluguéis a Pagar", etc.
Para exemplificar, vamos nos utilizar do patrimônio que apresenta a seguinte
situação:

ATIVO PASSIVO
BENS: OBRIGAÇÕES:
- dinheiro 100,00 - prestações da moto 30,00
- moto 100,00 - prestações do terreno 50,00
- carro 200,00
- terreno 80,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO:
- casa 20,00 - Capital 570,00

DIREITOS:
- empréstimos concedidos 150,00
TOTAL 650,00 TOTAL 650,00

Aplique os critérios técnicos, crie os títulos contábeis e faça novo demonstrativo do
patrimônio. Mas vá devagar, pois você terá que me explicar todo o caminho
percorrido.
Dinheiro será representado pela conta intitulada Caixa.
Moto e carro, por serem elementos da mesma natureza, serão agrupados. A essa
conta darei o nome de Veículos.
Para o terreno e casa, criarei o título contábil Imóveis.
Do lado do Passivo, para representar a obrigação pela prestação da moto e do
terreno, intitularei a conta de Contas a Pagar.
A outra fonte de recursos, o meu capital, será designado pela conta Capital.
Assim, poderei demonstrar o patrimônio da seguinte forma:

ATIVO PASSIVO
BENS OBRIGAÇÕES

Caixa 100,00 Contas a Pagar 80,00
Veículos 300,00
Imóveis 100,00
DIREITOS PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Empréstimos Concedidos 150,00 Capital 570,00

TOTAL 650,00 TOTAL 650,00

Observe, agora, que os elementos constitutivos do patrimônio, ou seja, os Bens,
os Direitos, as Obrigações e o Patrimônio Líquido, estão representados por
contas, que tecnicamente são denominadas de CONTAS PATRIMONIAIS ou
INTEGRAIS.
Lembra que estudamos os fatos modificativos? Existem dois tipos:
Aumentativos: originam-se de fatos que representam aumento do patrimônio
líquido, denominados RECEITAS.
Diminutivos: originam-se de fatos que representam diminuição do patrimônio
líquido, denominados DESPESAS.
A essas contas que registram os fatos que representam DESPESAS e RECEITAS,
denominamos de CONTAS DE RESULTADO ou DIFERENCIAIS.
Vimos, pois, que existem dois tipos de contas:
a) PATRIMONIAIS ou INTEGRAIS - são aquelas que representam os Bens,
Direitos, Obrigações e Patrimônio Líquido; portanto, sempre integram o
Patrimônio.
b) DE RESULTADO ou DIFERENCIAIS - são aquelas que representam as
RECEITAS e DESPESAS, ou seja, as contas que vão alterar o Patrimônio Líquido
para mais ou para menos.
Você viu que fatos contábeis são acontecimentos ocorridos no Patrimônio de uma
empresa e que devem ser registrados pela Contabilidade.
A partir do que você acabou de ler, assinale na relação abaixo os acontecimentos
que constituem FATOS CONTÁBEIS:
1 - ( ) pagamento de conta de luz;
2 - ( ) admissão de empregados;
3 - ( ) aquisição de móveis;
4 - ( ) remessa de Carta-cobrança;
5 - ( ) assinatura de contrato de CRÉDITO;
6 - ( ) recebimento de empréstimo.
Se você assinalou as alternativas 1, 3 e 6, acertou, porque o pagamento de conta
de luz, aquisição de móveis e recebimento de empréstimo são ocorrências que im-
plicam na movimentação de valores expressos em moeda e alteram o patrimônio.
Logo, constituem FATOS CONTÁBEIS. Os outros acontecimentos (admissão de
empregados, remessa de Carta-cobrança e assinatura de contrato de crédito) não
implicam na movimentação imediata de valores expressos em moeda. Esses
acontecimentos podem preceder ou preparar a ocorrência de um FATO
CONTÁBIL, mas não podem ainda ser caracterizados como tal.
Os fatos contábeis da mesma natureza registram valores da mesma espécie.
Assim, nas opções abaixo, assinale com "x" os fatos contábeis que poderão ser
agrupados numa mesma conta:
a - ( ) compra de uma máquina de escrever, à vista;
b - ( ) compra de um arquivo de aço, à vista;
c - ( ) compra de um terreno, à vista;
d - ( ) compra de uma escrivaninha, à vista.
Se você assinalou as alternativas a, b e d, você acertou, porque máquinas,
arquivos e escrivaninha formam, em CONTABILIDADE, um grupo similar,
homogéneo, por exemplo, são registrados em uma conta chamada "MÓVEIS E
UTENSÍLIOS".
Pela leitura que já fez do texto, você deve ter aprendido o que é CONTA. Será que
ainda lembra o que significa? Então verifique, assinalando entre as opções abaixo,
a que melhor se ajusta ao conceito de CONTA:
a - ( ) Conta são registros efetuados pela empresa para controlar o Patrimônio;
b - ( ) Conta é um meio usado pela empresa para controlar os seus negócios,
planejando atividades futuras;
c - ( ) Conta é um grupamento usado pela empresa para registro de fatos contá-
beis da mesma natureza.
Se você assinalou a letra c, acertou, pois numa mesma conta registramos fatos
similares. Por exemplo: o recebimento de Duplicatas Descontadas e Notas
Promissórias Descontadas são ocorrências semelhantes, portanto, registramos os
dois fatos na conta denominada "Títulos Descontados".
A alternativa “a” não está correta, já que CONTA não são os registros, mas os
registros da mesma natureza para possibilitar o controle do Patrimônio.
A alternativa “b” não está de todo correta, pois CONTA não é um meio de controle
de negócios, mas de controle do Patrimônio. Além disso, uma empresa pode se
valer de informações contábeis para planejar suas operações futuras, mas não
especificamente das contas.
Veja se você é capaz de agrupar os FATOS CONTÁBEIS da relação abaixo
conforme a natureza de cada um deles, escrevendo-os ao lado das contas
apresentadas.
Uma empresa efetua pagamentos referentes a:
• serviços de limpeza
• conta de gás
• manutenção de veículos
• compra de:
• cafeteira elétrica
• mesa de escritório
• cadeiras
• canetas e lápis
• máquinas de escrever
• papel carbono
• gasolina
• formulários

FATOS CONTABEIS
CONTAS
Móveis e Utensílios

Material de Expediente

Despesas Gerais
CONFIRA:
Móveis e Utensílios
Compra de mesa para escritório
Cadeiras
Máquina de escrever
Cafeteira elétrica

Material de Expediente
Aquisição de papel carbono
Lápis e canetas
Formulários

Despesas Gerais
Pagamento de serviço de limpeza
Conta de gás
Manutenção do veículo
Aquisição de gasolina

Nas opções abaixo, assinale as contas de acordo com os fatos que elas registram,
colocando PATRIMONIAL (P) ou DE RESULTADO (R):

a- ( ) recebimento de aluguel;
b- ( ) compra de uma bicicleta, para uso da empresa;
c- ( ) pagamento de salário dos empregados;
d- ( ) pagamento de juros do RDB ao cliente;
e- ( ) compra de uma máquina de escrever.

Se você colocou, pela ordem, R, P, R, R, P, você acertou, porque as alternativas b
e registram bens, e você sabe que os Bens, Direitos, Obrigações e Situação
Líquida são registrados nas CONTAS PATRIMONIAIS. As opções a, c e d
representam receitas e despesas, já que "aluguel", quando recebemos, representa
receita, e "pagamento de salário e de juros" representa despesas. Os fatos
contábeis que representam receitas e despesas são registrados nas CONTAS DE
RESULTADO.
II – Grupamento de Contas

Você já aprendeu que o patrimônio é constituído de Bens, Direitos, Obrigações e
Patrimônio Líquido. Agora vamos ver como estes elementos são distribuídos no
conjunto patrimonial, visando a facilitar a leitura, compreensão e análise da
situação patrimonial.

Muito bem! Imaginemos agora, para exemplificar, o patrimônio do Comércio da
Praça S.A:

ATIVO PASSIVO

Caixa 1.400,00 Fornecedores 1.400,00
Cheques e Ordens a Receber 10.000,00 Fornecedores (2 anos) 13.000,00
Imóveis de Uso 7.000,00 Contas a Pagar 800,00
Títulos a Receber (180 dias) 3.500,00 Impostos a Pagar 1.000,00
Financiamentos Rurais (360 dias) 500,00 Aluguel Recebido Antecipadamente 100,00
Móveis e Utensílios 300,00
Adiantamentos 800,00
Imóveis não Destinados a Uso 1.000,00 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Empréstimos em Conta (720 dias) 2.000,00
Despesas Antecipadas 600,00 Capital 10.000,00
Outras Participações Societárias 1.000,00 Lucros Acumulados 2.300,00
Benfeitorias e Instalações em
Imóveis de Terceiros, Amortizáveis 500,00

TOTAL 28.600,00 TOTAL 28.600,00

Já pensou se um acionista desejasse saber, em determinado momento, quanto o
Comercio da Praça possui em valores a receber, com vencimento até 360 dias?
Teria que procurar conta por conta para descobrir, no quadro apresentado,
aquelas que representam os valores a receber.
Esse procedimento seria mais difícil ainda se imaginarmos uma entidade com uma
quantidade muito maior de contas.
É para evitar esse trabalho que, assim como agrupamos os fatos contábeis de
uma mesma natureza, agrupamos também as contas, de modo a obter uma
melhor visualização da situação patrimonial.
A disposição das contas dentro do patrimônio varia de acordo com a atividade da
empresa. Assim, empresas de seguros, empresas de transportes ferroviários,
empresas telefônicas e bancos vão ter suas contas dispostas de maneira distinta
dentro do patrimônio.

- Então, como se agrupam as contas?

A Lei 6.404 de 15.12.76, define a composição dos grupamentos de contas para as
sociedades por ações, segundo o seguinte critério:
Para o ATIVO - classificação em ordem decrescente do grau de liquidez;
Para o PASSIVO - classificação em ordem decrescente de prioridade das
exigibilidades.
Grau de liquidez? Prioridade das exigibilidades? O que é isso?
Vamos com calma. Cada coisa de uma vez. Grau de Liquidez corresponde ao
maior ou menor prazo de conversão de valores em dinheiro.
Por exemplo, um banco efetua dois empréstimos:
$ 1.000.000,00 pelo prazo de 6 meses e $ 3.000.000,00 pelo prazo de 2 anos. É
evidente que o empréstimo pelo prazo de 6 meses se converterá em dinheiro
primeiro que o outro. Então dizemos que o empréstimo de $ 1.000.000,00 tem
maior grau de liquidez que o de $ 3.000.000,00. Certo?
Se fôssemos colocar em ordem decrescente de liquidez, faríamos assim:
1º - Empréstimo (6 meses) -$ 1.000.000,00
2º - Empréstimo (2 anos) -$ 3.000.000,00
Agora que já sabemos o que é grau de liquidez, passemos para Prioridade das
Exigibilidades.
Vamos supor que uma empresa tenha efetuado compras a Prazo no valor de $
1.500.000,00 pelo prazo de 1 ano e $ 2.000.000,00 pelo prazo de 2 anos.
Então, qual duas compras deverá pagar primeiro?
É claro que é o de $ 1.500.000,00, pois vencerá dentro de 1 ano. A isso
chamamos de Prioridade de Exigibilidade, ou seja, as contas, que representam
obrigações, serão exigíveis de acordo com seus vencimentos.
Se fôssemos colocar essas compras em ordem de prioridade, faríamos da
seguinte forma:
1º - Compra a prazo (1 ano) -$ 1.500.000,00
2º - Compra a prazo (2 anos) - $ 2.000.000,00
Uma vez que entendemos os critérios utilizados para a composição dos
grupamentos de contas, vejamos como estes grupos foram distribuídos pela Lei:

ATIVO PASSIVO
Circulante Circulante
Não Circulante: Não Circulante:
.Realizável a longo prazo .Exigível a longo prazo
(Antigo Permanente-extinto pela Lei) .Receitas Futuras (diferidas)
.Investimento Patrimônio liquido:
.Imobilizado .Capital
.Intangível .Reservas de Capital
.Reservas de Lucros
.Prejuízos Acumulados
.Ajuste de Avaliação Patrimonial
.(-)Ações em tesouraria.

Agora, que tal você saber o que significa cada um desses grupos?

ATIVO CIRCULANTE - Este grupo corresponde aos valores representativos de
dinheiro em espécie, bens que poderão ser vendidos a qualquer instante, direitos
com vencimento a curto prazo (até 360 dias, contados a partir da data do balanço)
e despesas pagas antecipadamente (adiantamentos), como por exemplo,
pagamento de seguro relativo ao ano seguinte.
Exemplificando algumas contas
Caixa - Como já vimos, Caixa representa valor em espécie (dinheiro) com
disponibilidade imediata.
Títulos a Receber - São cheques ou outros títulos como notas promissórias
girados contra as entidades localizadas fora do serviço de compensação bancário.
Representa um direito da entidade até o recebimento ou liquidação do documento.
Despesas Antecipadas - Caracterizam-se pelo pagamento antecipado
(adiantamentos) de despesas. Ex.: você aluga um imóvel pelo prazo de 1 (um)
ano, ao preço de $ 100.000,00 por mês. No ato da assinatura do contrato você
paga ao proprietário do imóvel $ 1.200.000,00, observe que você pagou o aluguel
antes de usar o imóvel, você pagou uma despesa antecipadamente.
Imóveis não Destinados a Uso - São imóveis que as entidades possuem, mas que
não utiliza nas suas atividades normais. Exemplo: imóveis recebidos em
amortização ou liquidação de dívidas, ou ainda, unidades excedentes em prédios
mistos (comercial e residencial) construídos pelas empresas.
ATIVO REALIZÁVEL A LONGO PRAZO - Este grupo compreende os valores
representativos dos direitos de conversão demorada em dinheiro, ou seja, aqueles
com prazo superior a 360 dias, contados a partir da data de elaboração do ba -
lanço. Exemplo:
Clientes (720 dias) - Representa também um empréstimo concedido; entretanto,
faz parte deste grupo porque o prazo do recebimento ultrapassa 360 dias.
ATIVO PERMANENTE - Este grupo foi extinto pela 11.638/2007, mas o conceito
ainda existe (especialmente para fins tributários), ou seja, tem como característica
predominante o MENOR GRAU DE LIQUIDEZ, ou seja, a intenção da empresa é
de que os bens e direitos nele inscritos permaneçam no patrimônio. A sua
subdivisão estava dividida em três subgrupos que hoje estão vinculadas
diretamente ao Não Circulante, conforme segue:
Investimentos - Neste subgrupo são incluídas as participações no capital social de
outras sociedades.
Ex.: Determinada entidades é usuária de sistema de alta mecanização
(informatização) houve por bem participar acionariamente da empresa fabricante
dos computadores (investimento em empresa coligada ou controlada). São in-
cluídos também neste subgrupo os imóveis adquiridos com a finalidade de alugar,
arrendar, etc.
Imobilizado - seus valores registram os elementos que são indispensáveis ao
pleno funcionamento da empresa. Ex.: máquinas, imóveis de uso, equipamentos
de uso, etc.
Diferido (também extinto pela Lei 11.638/2007) - correspondia às despesas
ocorridas num exercício, visando à instalação, organização ou expansão da
empresa, contribuindo assim para a formação de resultados futuros.
Intangível (“substituiu” o Diferido, parcialmente) – são registrados nesse
grupamento os bens não corpóreos que possuem vida útil definida (superior a 12
meses) ou indefinida. Ex.: marca, patentes, programas de computadores, licenças
etc.

Despesa antecipada, o
que é isso?

Não, observe que em "Despesas Antecipadas" o pagamento ocorre num exercício
para uma despesa que incorrerá em exercícios futuros.

Exemplificando:
1º) Despesa Antecipada - pagamento de prêmio de seguro em outubro de 2002 no
valor de $ 120.000,00, para cobrir "riscos" durante um ano (outubro/2002 a setem-
bro/2003).
De acordo com a competência dos exercícios (um ano de cobertura do seguro) a
despesa ocorrerá no futuro podendo estar assim destacado:
$ 120.000,00 : 12 (corresponde ao número de meses de 1 ano) = $10.000,00 (por
mês)

Outubro/2002: - despesa de $ 10.000,00
Novembro/2002: - despesa de $ 10.000,00
Dezembro/2002: - despesa de $ 10.000,00
Despesa do Exercício/2002 = $ 30.000,00
Utilizando a mesma idéia, teremos no exercício de 2003 $ 90.000,00 de despesa
(de janeiro a setembro - 9 meses, que multiplicado por $ 10.000,00 – despesa com
seguro do mês – encontraremos os $ 90.000,00 de despesa do exercício de
2003).

Então! $ 30.000,00 referem-se a despesa do exercício e $ 90.000,00 ao exercício
seguinte, logo, $ 30.000,00 será registrado como despesa de seguro do exercício
em 2002 e $ 90.000,00 (seguros a vencer) como despesa antecipada em 2002.
Somente no exercício de 2003 (futuro), pelo regime de competência, os
$ 90.000,00 farão parte da despesa do exercício.

Por que ainda se fala em “Ativo Permanente”. Para fins tributário (Decreto 3000,
chamado de RIR), o conceito ainda existe, ou seja, são considerados os seguintes
subgrupos do Não Circulante:
a) Investimentos - Outras Participações Societárias;
b) Imobilizado - Imóveis de Uso e Móveis e Utensílios;
c) Intangíveis – Bens com vida útil são “Amortizáveis” e os de vida útil
indeterminada não são “Amortizáveis”.

PASSIVO CIRCULANTE - Neste grupo reunimos as contas representativas das
obrigações exigíveis até 360 dias, a partir do final de um período anual de
atividades de uma empresa. Assim, verifica-se que, na ordem das exigibilidades,
este grupo reúne os valores com prioridade sobre os demais compromissos
assumidos.

PASSIVO EXIGÍVEL A LONGO PRAZO - Este grupo reúne as obrigações
vencíveis após 360 dias, a contar do final de um período anual de atividades de
uma empresa.
RECEITAS FUTURAS - Este grupo abriga receitas já recebidas antecipadamente
sem características de adiantamento (fato de difícil ocorrência). São receitas que
efetivamente devem ser reconhecidas como resultados somente em anos futuros
e sobre as quais não pese qualquer tipo de obrigações de devolução por parte da
empresa.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO - Veja que, obedecendo ao critério de prioridade das
exigências, este grupo representa os valores que consistem em obrigações
somente para com os proprietários do patrimônio, desvinculado de prazo para o
seu cumprimento.

Observe também que este grupo - Patrimônio Líquido - reúne os valores oriundos
de diversas reservas retidas para destinação futura, (Reservas de Lucros: reserva
legal, estatutária, de contingência e outras – , bem como, dos lucros não
distribuídos, ou ainda, quando apresenta prejuízo, com a denominação de
"Prejuízos Acumulados".
A conta de lucros acumulados é transitória durante o exercício, entretanto, não
pode apresentar saldo no levantamento do Balanço, devendo o saldo ser
destinado aos sócios ou à reservas de lucros.

E as contas de
receitas
e despesas, a Lei
esqueceu?

Não! Nem poderia esquecer. Os lucros ou prejuízos de uma empresa resultam da
diferença entre as contas de receitas e despesas, logo estas contas estão
contempladas pela Lei, mas fazem parte de outro demonstrativo denominado
Demonstração do Resultado do Exercício. A destinação do lucro será estudada no
caderno nº 3, terceiro módulo.

Agora que você já sabe a finalidade e os critérios de agrupamento, definidos por
lei, classifique as contas listadas na página a seguir, escrevendo ao lado de cada
conta se ela é do ATIVO ou do PASSIVO e o GRUPAMENTO a que ela pertence.

Mãos à obra!
CONTAS ATIVO/ PASSIVO GRUPAMENTO

FORNECEDORES
CAIXA
TÍTULOS A RECEBER (179 DIAS)
IMPOSTOS A PAGAR
MATERIAL EM ESTOQUE
IMÓVEIS NÃO DESTINADOS A USO
FINANCIAMENTOS BANCÁRIOS (24 MESES)
ENPRÉSTIMOS CONCEDIDOS A DIRETORES (3 ANOS)
CLIENTES (1 ANO)
RECEITAS DE EXERCÍCIOS FUTUROS
PARTICIPAÇÃO EM COLIGADAS E CONTROLADAS
OUTRAS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS
CAPITAL
LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
IMÓVEIS DE USO
RESERVA LEGAL
MÓVEIS E UTENSÍLIOS
BENFEITORIAS EM NSTALAÇÔES EM IMÓVEIS DE
TERCBROS, AMORTIZÁVEIS

Disponha as mesmas contas dentro dos respectivos GRUPAMENTOS utilizando
as linhas abaixo, de acordo com a liquidez:

ATIVO PASSIVO

III – Plano de Contas
Você, com os conhecimentos de contabilidade que já adquiriu, deve estar radiante.
Concordo plenamente, pois os acontecimentos que ocorrem em sua empresa já é
possível efetuar os seus registros com plena segurança. Isso não é espetacular?
Claro que é! Mas, tem um problema.

Qual?

Imaginemos que uma entidade tenha efetuado um desconto de uma duplicata -
que conta você utilizaria para representar a divida? Títulos Descontados, Duplica-
tas a Receber, Títulos a Receber, Contas a Receber? etc.
Note que todos os títulos sugeridos caracterizam o fato referente ao direito da
empresa.
Já imaginou se todos fizessem os registros, embora certos, utilizando as contas
que lhes agradam? Que quantidade de títulos contábeis seriam usados? Como
seria o controle de tudo isso?
Para evitar essa situação é que as empresas tem a necessidade de criar uma
relação de títulos contábeis, para ser utilizada em sua contabilidade. A este
conjunto de títulos contábeis damos o nome de Plano de Contas, com a finalidade
de racionalizar e uniformizar a utilização das contas da empresa
Observe que o Plano de Contas é tão importante que todas as empresas, que têm
a sua contabilidade, criam um Plano de Contas próprio de acordo com sua
atividade, seja ela bancária, pública, industrial, agrícola etc.
Por exemplo, um banco não compra matéria-prima, logo não precisa criar título
contábil para registrar esse fato, ao passo que numa indústria de transformação, a
compra de matéria-prima acontece frequentemente, logo, ela necessita criar título
contábil para esse fato.
MODELO SIMPLIFICADO DE PLANO DE CONTAS DE EMPRESA COMERCIAL

1000 ATIVO 2180 DIVIDENDOS E PARTICIPAÇÕES
1100 CIRCULANTE E REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 2181 Dividendos Propostos
1110 DISPONÍVEL 2184 Dividendos a Pagar
1111 Caixa 2300 RECEITAS DIFERIDAS
1112 Bancos conta Movimento 2310 Receitas Futuras
1120 CLIENTES 2320 Despesas Fururas
1121 Duplicatas a Receber 2400 PATRIMÔNIO LÍQUIDO
1127 (-) Duplicatas Descontadas 2410 CAPITAL SOCIAL
1129 (-) Provisão para Créditos de Liquidação 2411 Capital Subscrito
Duvidosa
1140 APLICAÇÕES FINANCEITAS 2412 (-) Capital a Integralizar
1144 Títulos e Valores Mobiliários 2420 RESERVAS DE CAPITAL
1149 (-) Provisão para ajuste a Valor de Mercado 2421 Ágios na Emissão de Ações
1150 ESTOQUES 2423 (-) Ações em Tesouraria
1151 Mercadorias para Revenda 2430 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO
1155 Almoxarifado - Materiais de Expediente e 2431 Reavaliação de Ativos Próprios
Burocrático
1159 (-) Provisão para ajuste a Valor de Mercado 2440 RESERVAS DE LUCROS
1160 ADIANTAMENTOS 2441 Reserva Legal
1161 Empregados 2442 Reservas Estatutárias
1162 Fornecedores 2445 Reserva para Expansão
1170 DESPESAS ANTECIPADAS 2447 (-) Ações em Tesouraria
1171 Prêmio de Seguros 2450 PREJUÍZOS ACUMULADOS
1300 NÃO CIRCULANTE 2451 Lurcros Acumulados
1310 INVESTIMENTOS 2452 (-) Prejuízos Acumulados
1311 Coligadas e Controladas 3000 CONTAS DE RESULTADO
1320 IMOBILIZADO 3100 RECEITA BRUTA DE VENDAS DE
MERCADORIAS
1322 Móveis e Utensílios 3110 VENDAS
1323 Veículos 3111 Vendas de Mercadorias
1324 Máquinas, Equipamentos e Ferramentas 3200 DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA
1329 (-) Depreciação, Amortização e Exautão 3220 ABATIMENTOS CONCEDIDOS
Acumuladas
1330 INTANGÍVEIS 3230 IPI
1331 De vida útil definida 3240 ICMS
1334 (-) Amortização Acumulada 3300 CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS
2000 PASSIVO 3320 CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS - C.M.V
2100 CIRCULANTE E EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 3400 DESPESAS/RECEITAS OPERACIONAIS
2110 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS 3410 DESPESAS COM VENDAS
2111 Empréstimos Bancários 3411 Com Pessoal
2118 Juros e Encargos a Apropriar 3415 Propaganda e Publicidade
2130 FORNECEDORES 3418 Provisão para Devedores Duvidosos
2131 Duplicatas a Pagar - Mercadorias para Revenda 3420 ADMINISTRATIVAS
2132 Duplicatas a Pagar - do Ativo Imobilizado 3421 Salários e Ordenados
2140 IMPOSTOS A PAGAR 3423 Férias
2141 ICMS a Recolher 3424 Décimo Terceiro Salário
2142 IPI a Recolher 3425 Encargos Sociais - INSS,FGTS e OUTRAS
2146 IR a pagar 3430 OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS
2147 CSL a Pagar 3422 Depreciações e Amortizações
2150 PROVISÃO PARA IMPOSTO DE RENDA E CS 34219 Impostos e Taxas - IPTU, IPVA e Outras
2151 IRPJ a Recolher 34221 Despesas Com Provisões
2152 CSL a Recolher 3500 RESULTADO NÃO OPERACIONAIS
2160 SALÁRIOS E CONTRIBUIÇÕES 3510 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL
PREVIDENCIÁRIAS
2161 Ordenados e Salários a Pagar 3511 Ganhos na Alienação de Investimentos
2166 Provisão para Férias e Encargos 3512 Perdas na Alienação de Investimentos
2167 Provisão para 13º Salário e Encargos 3513 Provisão Perdas na Realização de Investimento
2170 OBRIGAÇÕES DIVERSAS 3600 PROVISÃO PARA IR E CS
2171 Contas a Pagar – Água Luz e Telefone 3610 Imposto de Renda
2173 Seguros 3620 Contribuição Social

E aquelas contas
entre
parênteses, que
significam?

Aquelas contas estão diminuindo o valor do grupo a que se referem, são as
chamadas "CONTAS RETIFICADORAS", ou seja, as depreciações, amortizações
e algumas provisões, entre outras.
Vamos supor, que você tenha adquirido um veículo por $ 400.000,00. Suponha
também que o veículo, durante o ano, sofreu um desgaste pelo uso (depreciação)
de 20% (vinte por cento). Para demonstrarmos contabilmente teremos:

Veículo........................................................ 400.000,00
Depreciação ............................................... (80.000,00)
Valor Contábil ............................................ 320.000,00

Verifique que na contabilidade o bem é registrado pelo custo de aquisição ($
400.000,00) e no Balanço ele se apresenta deduzido de sua "DEPRECIAÇÃO";
logo, a conta "DEPRECIAÇÃO" é considerada como "RETIFICADORA".

V - Livros Contábeis

objetivos
Conceituar Escrituração Contábil
Identificar os Livros obrigatórios e os facultativos

A ocorrência dos fatos contábeis surge das transações que afetam o Patrimônio.
Esses fatos devem ser registrados.

Os registros são formalizados através dos lançamentos. À técnica de se registrar
os lançamentos dá-se o nome de escrituração. É realizada em Livros, Fichas ou
Relatórios, de acordo com o processo utilizado, que pode ser manual, mecanizado
ou por meio de computadores.

Em qualquer desses processos utilizados há um livro de uso OBRIGATÓRIO,
determinado por lei, o "Livro Diário". No Banco, ele é substituído pelo livro de
"Balancetes Diários" que se constitui das vias originais dos balancetes diários e
balanços emitidos por sistema de processamento de dados.

Por ser um livro obrigatório, reveste-se de formalidades que devem ser
observadas:
antes de ser escriturado deve ser registrado em órgão competente, de maneira
geral em Juntas Comerciais. Nas localidades não dotadas de Juntas, essa
formalidade poderá ser suprida pelo visto do Juiz de Direito;
deverá ser encadernado e não brochurado;
suas páginas deverão ser numeradas tipograficamente;
é escriturado em ordem cronológica, relatando a história do Patrimônio;
não pode conter rasuras, emendas ou entrelinhas, sob pena de serem
considerados nulos seus assentamentos;
conter termo de abertura e encerramento.

Outros livros, embora não obrigatórios, são também utilizados na escrituração, de
acordo com as necessidades de cada empresa e são conhecidos como livros
"Facultativos" ou "Auxiliares". Dentre eles podemos citar o livro "Razão" e o livro
"Caixa".
No livro Caixa, escrituramos todos os fatos que envolvam entrada e saída de
dinheiro. A utilidade desse livro é a de permitir o controle do numerário existente
na empresa.

O livro Razão, embora facultativo, é um dos livros mais importantes utilizados pela
Contabilidade. Torna-se imprescindível, pois é dele que extraímos os dados para a
elaboração da demonstração contábil do Patrimônio, através dos saldos apurados
em cada conta.
Podemos simplificar a escrituração utilizando o "razonete em T", onde constam
apenas o título da conta, a coluna do débito (à esquerda) e a coluna do CRÉDITO
(à direita) onde são registrados os respectivos valores.

CAIXA
Débito (quando o fato Crédito (quando o fato
representar aplicação utilizar dinheiro como
de recurso) fonte de recurso)

Como você pôde observar, são escrituradas as fichas ou livro Razão na medida
em que forem surgindo os registros contábeis. E para cada título contábil utilizare-
mos uma ficha Razão, para que possamos apurar o saldo de cada conta.
LIVRO DIÁRIO - substituído no Banco pelo livro "Balancetes Diários e Balanços",
juntamente com as fichas de lançamentos. Sua finalidade é o registro do
movimento do dia, englobando os totais dos débitos e dos créditos. É exigido por
Lei.
LIVRO CAIXA - substituído no Banco, em algumas agências, pelos Boletins de
Tesouraria. Sua finalidade é de controlar o numerário existente em cada agência.
Como não é um livro exigido por Lei caracteriza-se como Facultativo ou Auxiliar.
LIVRO RAZÃO - substituído no Banco pelas fichas de escrituração e, em alguns
casos, por relatórios de computador. É um dos livros mais importantes utilizados
pela Contabilidade pois serve para apurar o saldo de cada conta. Como não é um
livro exigido por Lei caracteriza-se como Facultativo ou Auxiliar.
Agora você sabe como o Livro Razão é escriturado, permitindo apurar o saldo de
cada uma das contas em cada uma de suas páginas.
Vamos entender a escrituração?

UTILIZANDO O Plano de Contas (modelo simplificado) e os conhecimentos que
você adquiriu leia o fato narrado e responda à medida em que se pede:
O Sr. João Paulo Pito, cliente de um Banco, efetua um depósito em dinheiro de $
100.000,00.

Então, o Banco em relação ao cliente tem um(a)
( ) direito ( ) obrigação
Logo, o dinheiro será registrado como
( ) fonte ( ) aplicação
no
( ) ATIVO ( ) PASSIVO
e o valor do depósito será registrado como
( ) fonte ( ) aplicação
no
( ) ATIVO ( ) PASSIVO
As contas utilizadas serão
(1) a débito (aplicação do recurso)
(2) a crédito (fonte do recurso)
( ) DEPÓSITOS POPULARES ( ) DEPÓSITOS DE PESSOAS FÍSICAS
( ) DEPÓSITOS DE CLIENTES ( ) CAIXA
( ) DINHEIRO DEPOSITADO ( ) OBRIGAÇÕES A PAGAR

Você acertou quando assinalou que, ao receber $ 100.000,00 em dinheiro para
depósito, o Banco tem uma obrigação em relação ao cliente e que o dinheiro será
registrado como aplicação no ativo. O valor do depósito será registrado como
fonte no passivo.

As contas utilizadas serão:
a débito – Caixa, pois representa a aplicação do recurso
a crédito - Depósitos de Pessoas Físicas, pois representa a fonte de recurso,

A conta CAIXA só pode apresentar saldo DEVEDOR, ou seja no máximo podemos
creditar (gastar) seu total disponível. Dizemos que é uma conta de NATUREZA
DEVEDORA.
CONTAS DE NATUREZA DEVEDORA => somente saldo devedor, ou igual a zero.

A conta VALORES A PAGAR apresentará sempre saldo credor, sendo possível
debitar (quitar) no máximo o total nela contido. Dizemos que é uma conta de
NATUREZA CREDORA.

CONTAS DE NATUREZA CREDORA => somente saldo credor, ou igual a zero.

A conta LUCROS/PREJUÍZOS pode apresentar saldo credor (Lucro) ou saldo
devedor (Prejuízo). Dizemos que é uma conta de DUPLA NATUREZA

CONTAS DE DUPLA NATUREZA => podem apresentar saldo devedor ou credor,
ou igual a zero.

Observação: Quando uma conta apresenta saldo diferente da sua natureza
dizemos que houve uma INVERSÃO DE SALDO. A inversão de saldo é um ERRO
que deve ser corrigido.

Vamos fazer o controle de algumas contas da Empresa K7 Ltda., tendo em vista
os fatos contábeis ocorridos no período de 01.01.2003 a 31.01.2003 a seguir rela-
cionados:

1) 02.01.2003
Compra de mercadorias a prazo $ 500.000,00
2) 02.01. 2003
Venda de mercadorias à vista $ 200.000,00
3) 05.01. 2003
Depósito em dinheiro no Banco América $ 80.000,00
4) 06.01. 2003
Compra de prédio a prazo, com pagamento em "Notas Promissórias" $
500.000,00
5) 07.01. 2003
Compra de um caminhão à vista $ 100.000,00
6) 07.01. 2003
Saque do cheque n9 ... do Banco América $ 65.320,00
7) 13.01. 2003
Venda de mercadorias a dinheiro $ 76.000,00
8) 15.01. 2003
Depósito em dinheiro no Banco América $ 53.504,00
9) 19.01. 2003
Pagamento de salários $ 12.000,00
10) 30.01. 2003
Recebimento de aluguel $ 60.000,00

Coloque os valores a débito e a CRÉDITO nas contas correspondentes. Para
tanto, utilize os razonetes da página seguinte.

MERCADORIAS FORNECEDORES CAIXA
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO
BANCO AMÉRICA DESPESA DE IMÓVEIS
Cta/Depósitos SALÁRIOS
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO

RECEITA DE TÍTULOS A PAGAR VEÍCULOS
ALUGUÉIS
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO

No dia 02.01.2003 - houve uma compra de mercadorias a prazo. Verifique que a
aplicação de recursos foi em mercadorias, sendo por esse motivo debitada a conta
"Mercadorias". Como a compra foi a prazo, a empresa contraiu uma obrigação
com os fornecedores das mercadorias. A fonte de recursos, portanto, foi esse
"financiamento" dado pelos fornecedores, representada pela conta
"Fornecedores", sendo portanto creditada;
No dia 02.01.2003 - a ocorrência foi venda de mercadorias à vista. Note que
mercadorias forneceu os recursos que foram aplicados no Caixa, logo, você debita
a conta "Caixa" e credita a conta "Mercadorias";
No dia 05.01.2003 - a empresa efetuou um depósito no banco. O caixa forneceu
os recursos (dinheiro) que foram aplicados no depósito, logo, credita-se a conta
"Caixa" e debita-se a conta "Banco América - Depósitos";
No dia 06.01.2003 - a empresa compra um prédio a prazo. A aplicação dos
recursos foi feita em "Imóveis", que será a conta debitada. Como já vimos no fato
contábil ocorrido no dia 02.01.2002 (compra de mercadorias a prazo), todas as
aquisições feitas A PRAZO significam um "financiamento" feito pelo próprio
vendedor à empresa, que passa a ter uma obrigação. Nas compras de bens imo-
bilizados a prazo, a empresa geralmente dá uma "garantia" ao vendedor, seja
assinando um contrato de compra e venda, seja entregando um título (nota
promissória, em nosso exemplo), assumindo um compromisso de pagar a quantia
em data posterior estabelecida. Portanto, essa obrigação representada pela conta
"Títulos a Pagar", é a fonte de recursos, sendo então a conta que deve ser
creditada;

No dia 07.01.2003 - comprou-se um caminhão à vista. O caixa forneceu os
recursos aplicados na compra do caminhão: então creditamos a conta "Caixa" e
debitamos a conta "Veículos";
No dia 07.01.2003 - a empresa emitiu um cheque retirando dinheiro da sua conta
no Banco América. A conta de depósitos bancários forneceu os recursos que
foram aplicados no Caixa (dinheiro), logo, creditamos a conta "Banco América -
Depósitos" e debitamos a conta "Caixa";
No dia 13.01.2003 - houve uma venda de mercadorias a dinheiro. As mercadorias
vendidas geraram os recursos que foram aplicados no Caixa, então, creditamos a
conta "Mercadorias" e debitamos a conta "Caixa";
No dia 15.01.2003 - foi efetuado um depósito na conta da empresa, no Banco
América. O caixa forneceu os recursos que foram aplicados no depósito, então
credita-se a conta "Caixa" e debita-se a conta "Banco América - Depósitos";
No dia 19.01.2003 - ocorreu o pagamento de salários. O caixa forneceu os
recursos que foram aplicados no pagamento de salários, então, credita-se a conta
"Caixa" e debita-se a conta "Despesa de Salários";

No dia 30.01.2002 - houve um recebimento de aluguel. A receita de aluguel
foi a fonte dos recursos que aplicamos no caixa, então, editamos a conta "Receita
de Aluguéis", e debitamos a conta "Caixa".

Veja como ficou representado graficamente:
MERCADORIAS FORNECEDORES CAIXA
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO
(1) 500.000,00 200.000,00 (2) 500.000,00(1) (2) 200.000,00 80.000,00 (3)
. . 76.000,00 (7) (6) 65.320,00 100.000,00 (5)
500.000,00 276.000,00 (7) 76.000,00 53.504,00 (8)
(10) 60.000,00 12.000,00 (9)
401.320,00 245.504,00

BANCO AMÉRICA
Cta/Depósitos DESPESA DE SALÁRIOS IMÓVEIS
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO
(3) 80.000,00 65.320,00 (6) (9) 12.000,00 (4) 500.000,00
(8) 53.504,00 . .
133.504,00 65.320,00

RECEITA DE ALUGUÉIS TÍTULOS A PAGAR VEÍCULOS
Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO Débito CRÉDITO
60.000,00 (10) 500.000,00 (4) (5) 100.000,00

PRONTO...
Você acabou de ver os movimentos a DÉBITO e a CRÉDITO nas diversas contas.

DAÍ...
Determinar o saldo é uma tarefa bem simples.

VEJA
Tomemos como exemplo a conta "Banco América - C/Depósitos":
BANCO AMÉRICA Cta/Depósitos
Débito Crédito
1º Passo: Somemos separada-
(3) 80.000,00 65.320,00 (6) mente as colunas do Débito e
(8) 53.504,00 . . do Crédito. Temos então, o total
Soma = 133.504,00 65.320,00 do Débito e o total do Crédito.
. . . .

Saldo = 68.184,00

2º Passo: Agora subtraímos do
total do Débito que é o maior, o
133.504,00
total do Crédito. Temos aí o
- 65.320,00
saldo. O saldo desta conta é de-
= 68.184,00
vedor, porque o total do Débito
é maior.
D > C = SALDO DEVEDOR
Então...
Apure os saldos, nos "razonetes em T", de todas as contas da Empresa K7 Ltda.,
registrando-os nos espaços indicados, e determinando se CREDOR (C) ou
DEVEDOR (D), como no exemplo.

CONTA SALDO DEVEDOR/CREDOR
MERCADORIAS
FORNECEDORES
CAIXA
BANCO AMÉRICA Cta/Depósitos 68.184,00 DEVEDOR
DESPESA DE SALÁRIOS
IMÓVEIS
RECEITA DE ALUGUEL
TÍTULOS A PAGAR
VEÍCULOS
Viu como foi fácil?

As seguintes contas têm saldo devedor:
Mercadorias
Caixa
Banco América - Depósitos
Imóveis
Veículos
Despesa de Salários
Porque em todas elas, o total dos débitos é maior que o total dos créditos.
Nas contas seguintes os saldos são credores:
Fornecedores
Títulos a Pagar
Receita de Aluguéis

Porque, ao contrário das contas anteriores, os créditos têm totais maiores.

Quando falamos do Patrimônio mostramos que ele é integrado por:
• Bens e Direitos, que representam as Aplicações;
• Obrigações e Patrimônio Líquido, que representam as Fontes de Recursos.
Dissemos também que para cada Aplicação haverá igual Fonte de Recursos.
Afirmamos ainda, que: as Aplicações são sempre registradas a DÉBITO; as
Fontes de Recursos são sempre registradas a CRÉDITO.
Podemos então, concluir que:
a - para cada Aplicação há a correspondente Fonte de Recursos;
b - para cada Débito há o correspondente CRÉDITO;
c - para cada Devedor há o correspondente credor;
d - para o total de Débitos há igual total de créditos.
Esta igualdade é a todo momento empregada na Contabilidade através dos
Lançamentos que são formas de se registrar fatos ocorridos pela anotação do
Débito e do correspondente CRÉDITO. A esta igualdade denominamos em
Contabilidade de "Partidas Dobradas".
PARTIDA DOBRADA, em resumo, significa que, ao se registrar um fato contábil,
através de um lançamento, o valor lançado a débito é exatamente igual ao valor
lançado a CRÉDITO.
Esses lançamentos devem ser formalizados por meio de documentos
denominados PARTIDAS.

São elementos básicos de uma partida:
LOCAL - dependência onde está sendo efetuado o lançamento, in-
dependentemente do local onde ocorreu o fato;
DATA - para situar no tempo o fato ocorrido;
CONTA DEBITADA - para registrar ONDE foi efetuada a aplicação;
CONTA CREDITADA - para registrar DE ONDE se obteve os recursos (fonte);
HISTÓRICO - relato claro e sucinto do fato ocorrido;
VALOR - importância em moeda corrente, quantificando o fato.
Considerando-se que o lançamento do fato ocorrido envolve sempre fonte de
recursos e a respectiva aplicação, ele pode apresentar-se de quatro maneiras
diferentes, as quais denominamos de Fórmulas de Lançamento.

Vamos conhecê-las:
1ª Fórmula:
Quando envolve apenas uma aplicação e uma fonte de recursos, ou seja, uma
conta debitada e uma conta creditada.
Ex.: O Sr. Theodoro Abadio, cliente da Ag. Central Brasília (DF), efetua um
depósito de $ 1.000,00 em sua conta no dia 16.01.2003. Veja como ficou o
lançamento:
Local e Data: Ag. Central Brasília (DF), 16.01.2003 Valor
Debite Caixa 1.000,00
Credite Depósitos de Pessoas Físicas 1.000,00
Histórico: Recebido conforme guia para CRÉDITO da conta do Sr. Theodoro
Abadio.
Observe que foi creditada a conta "Depósitos de Pessoas Físicas" por representar
a fonte dos recursos e debitada a conta "Caixa" porque recebeu a aplicação dos
recursos.

2ª Fórmula:
Quando envolve, para uma aplicação, duas ou mais fontes de recursos, ou seja,
uma conta debitada e duas ou mais contas creditadas.
Ex.: No dia 26.01.2003, o Sr. Nogueira, cliente da agência Goiânia (GO), solicitou
a emissão de uma ordem de pagamento de $ 10.000,00 entregando em dinheiro
$ 10.100,00, uma vez que o Banco lhe cobrou uma comissão de $ 100,00. Veja
como ficou o lançamento:
Local e Data: Ag. Goiânia (GO), 26.01.2003 Valor
Debite Caixa 10.100,00
Credite Ordens de Pagamento Emitidas 10.000,00
Rendas de Tarifas sobre Serviços 100,00
Histórico: Recebido para emissão de ORPAG, incluindo nossa comissão.

Note que foram creditadas as contas “Ordens de Pagamento Emitidas” e “Rendas
de Tarifas sobre Serviços” por se constituírem fontes de recursos e debitada a
conta "Caixa" porque recebeu a aplicação dos recursos.

3ª Fórmula:
Quando envolve, duas ou mais aplicações e apenas uma fonte de recursos, ou
seja, duas ou mais contas debitadas e uma conta creditada.
Ex.: No dia 27.01.2003, a agência Educandos (AM) pagou uma fatura nº 24 de $
10.000,00, referente à aquisição de material destinado à conservação do prédio ($
8.000,00) e material para uso no expediente ($ 2.000,00). Sabendo que a firma
emitente da fatura é cliente da agência e autorizou a liquidação em conta de
depósito. Veja como ficou o lançamento:

Local e Data: Ag. Educandos (AM), 27.01.2003 Valor
Debite Despesas de Material de Expediente 2.000,00
Despesas com Imóveis de Uso 8.000,00
Credite Depósitos de Pessoas Jurídicas 10.000,00
Histórico: Importe da Fatura nº 24 referente a material fornecido

Note que tivemos uma única fonte de recursos – “Depósitos de Pessoas Jurídicas“
– para duas aplicações – “Despesas de Material de Expediente” e “Despesas com
Imóveis de Uso”.

4ª Fórmula:
Quando envolve duas ou mais aplicações e duas ou mais fontes de recursos, ou
seja, duas ou mais contas debitadas e duas ou mais contas creditadas.
Ex.: Em 30.01.2003, o gerente da agência de Morrinhos (GO), deferiu um
financiamento ao Sr. Moises de Moraes, destinado à produção de animais,
liberando a primeira parcela e o valor de $ 100.000,00. Nesta mesma data, a
agência lhe debitou a duplicata nº 2828 de sua emissão, no valor de $ 10.000,00.
Veja como ficou o lançamento:

Local e Data: Ag. Morrinhos (GO), 30.01.2003 Valor
Debite Financiamentos Rurais 100.000,00
Depósitos de Pessoas Físicas 10.000,00
Credite Depósitos de Pessoas Físicas 100.000,00
Títulos Descontados 10.000,00

Histórico: Importe do financiamento concedido e cobrança de duplicata do
mesmo cliente.
Foram creditadas as contas “Depósitos de Pessoas Físicas” e “Títulos
Descontados” pois constituem fontes de recursos, ao mesmo tempo em que foram
debitadas as contas “Financiamentos Rurais” e “Depósitos de Pessoas Físicas”
que se constituem em aplicação de recursos.
E se eu errar ao
fazer um
lançamento?

No cotidiano do nosso trabalho, às vezes cometemos erros que somente são
constatados após decorrido algum tempo, e nesta oportunidade deverão ser
corrigidos.
As correções de lançamentos podem ser feitas de duas formas:

Forma total:

a - quando ocorre a inversão de títulos contábeis, isto é, debitamos a conta que
deveria ser creditada e vice-versa. Neste caso, devemos anular completamente o
lançamento original, procedendo, a seguir, a um novo lançamento de maneira
correta.
b - quando ocorre duplicidade de lançamento. A correção dá-se através da
anulação daquele que ocasionou a duplicidade.

Forma parcial:
a - quando ocorre um registro a maior. Por exemplo, deveríamos registrar $
1.000,00 e lançamos incorretamente $ 1.050,00. Neste caso, deve-se proceder
simplesmente a um lançamento que efetue a retirada do valor acrescido
incorretamente.
b - quando ocorre a utilização errada de um dos títulos contábeis envolvidos no
lançamento. Exemplo: deveríamos debitar a conta "DEPÓSITOS DE PESSOAS
FÍSICAS" e creditar "CAIXA". No entanto, debitamos a conta "DEPÓSITOS DE
PESSOAS JURÍDICAS" e creditamos "CAIXA". A correção desse erro deverá ser
feita com um lançamento que transfira da conta creditada ou debitada
erradamente para a conta correta.
A essas correções denominamos de ESTORNO.
ESTORNO é a anulação parcial ou total de uma lançamento.
LANÇAMENTO SUPLEMENTAR é a complementação de um lançamento feito
incorretamente a menor