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ELMA DIAS TAVARES

FERNANDA APARECIDA ALVES


LUCIANA DE SOUZA GARBIN
MARIA LÚCIA CIMADON SILVESTRE
RICARDO DIAS PACHECO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

PROJETO DE QUALIDADE DE VIDA: Combate ao Estresse


do Professor

Projeto de Intervenção em Qualidade de


Vida apresentado ao Professor Gustavo
Gutierrez para conclusão do curso de
Gestão da Qualidade de Vida na Empresa.

Campinas
2007
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO: .................................................................................................. 3
1.1 Qualidade de Vida: ........................................................................................... 3
1.2 Estresse: ..........................................................................................................12
1.3 O Estresse Ocupacional no Professor: ..........................................................19
2. JUSTIFICATIVA: ................................................................................................25
3. OBJETIVOS: .......................................................................................................26
4. MÉTODO ............................................................................................................27
4.1 Local: ..............................................................................................................27
4.2 Perfil dos Participantes: .................................................................................27
4.3 Material: ...........................................................................................................27
4.4 Procedimento: .................................................................................................28
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES: ......................................................................42
6. BIBLIOGRAFIA: .................................................................................................44
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1. INTRODUÇÃO

1.1 Qualidade de Vida

A melhoria das condições de vida e da saúde tem sido um tema de crescente


importância, já que impacta indireta ou diretamente a produtividade das pessoas, e os
resultados obtidos pelas organizações. Esse tema tem sido discutido dentro da
denominação de Qualidade de Vida no Trabalho (Fernandes & Gutierrez, 1998).
Abordaremos de forma sistemática este tema ao longo deste trabalho.

1.1.1. Histórico

Segundo Huse e Cummings (1985), a baixa Qualidade de Vida nas organizações é a


maior causa da crescente alienação e insatisfação do trabalhador e declinação da
produtividade. Além disso, há como conseqüência o aumento de comportamentos como o
absenteísmo, greves, alcoolismo, entre outros.
Para esses autores, a melhoria das condições de trabalho é capaz de tornar os
operários mais satisfeitos com seus serviços, principalmente quando a Qualidade de Vida no
Trabalho atinge suas necessidades individuais, podendo o trabalhador aperfeiçoar a sua
capacidade, isto é, melhorar o seu desempenho. Acreditam que as intervenções de
Qualidade de Vida no Trabalho podem ter um efeito direto sobre a produtividade pela
melhoria da comunicação e coordenação, motivação dos empregados e carreira individual.
Elas podem, também, influenciar indiretamente a produtividade pelos efeitos da melhoria do
bem-estar e da satisfação dos trabalhadores.
O trabalho, atividade braçal ou intelectual, como sabemos, remonta aos primórdios
da existência humana. A evolução da humanidade provocou várias mudanças na
organização, gerência, administração e planejamento do trabalho, o que reflete o
crescimento do homem, bem como o desenvolvimento social, econômico e tecnológico.
O tema "Qualidade de Vida no Trabalho", por seu lado, apareceu na literatura apenas
há três décadas. Nos anos 30 e 40 a rápida conscientização dos trabalhadores e o aumento
da mobilização sindical motivaram pesquisadores a investigar os fatores que estariam
afetando a satisfação dos trabalhadores e sua produtividade.
No início deste século surgiu a escola de Administração Científica, representada por
Taylor. Segundo esta escola, a administração cientifica é baseada na certeza de que os
interesses do empregado e do empregador são os mesmos assim como a prosperidade do
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empregado e do empregador. A idéia central é a troca de favores entre a direção e o


trabalhador. Este modelo desencadeou reações negativas e insatisfação: A divisão
excessiva do trabalho e a visão do homem como uma peça da engrenagem do sistema de
produção, geraram absenteísmo, sabotagem e greves, bem como outros conflitos.
Foi através de MAYO (1959), após desenvolver uma série de experimentos na
fábrica de Hawthorne, da Western Electric Company, em Chicago, que ele demonstrou que
o rendimento do trabalho não dependia do indivíduo isoladamente, mas também do grupo
de que fazia parte, motivado pelo conforto material e por necessidades de natureza social e
psicológica.
Também devemos citar os trabalhos de MASLOW, que definiu a “hierarquia das
necessidades", sendo elas divididas em necessidades físiológicas, de segurança, sociais, de
estima e de auto-realização. Outra teoria da motivação foi criada por HERZBERG (1968),
na qual o autor descreveu dois conjuntos de fatores-chaves: os higiênicos, que considerou
como o ambiente de trabalho com a função de reduzir ou impedir a insatisfação e os
motivacionais, que afirmou ser a satisfação no trabalho, através da realização, do
reconhecimento, do próprio trabalho, da responsabilidade, da possibilidade de crescimento e
do desenvolvimento ou progresso.
As pesquisas iniciais sobre Qualidade de Vida no Trabalho tiveram início com os
estudos de TRIST e colaboradores em 1950. Nos Estados Unidos, a década de 60 foi
marcada por uma grande preocupação com os direitos civis e a responsabilidade social das
empresas. Já a década de 70, tendo como base a saúde, segurança e satisfação dos
trabalhadores, foi um marco no desenvolvimento destes estudos.
O tema seguiu inicialmente na Escola Sócio-Técnica, na qual a organização do
trabalho foi colocada como princípio maior, a partir da análise e reestruturação das tarefas.
Devido a acontecimentos econômicos houve um período de descaso, mas mudanças
começaram a ocorrer a partir do Japão com a superação de sua crise econômica, onde se
criou uma nova fase no desenvolvimento da Qualidade Vida.
No início dos anos 80 ocorreu a apologia da dedicação exaustiva, os "workaholics",
tendo o trabalho como prioridade e a abdicação do lazer e prazer como metas, trazendo
como conseqüência o estresse. "Trabalhar” readquiriu o rótulo de "um mal necessário".
A Qualidade de Vida no Trabalho procura, atualmente, resgatar a humanização do
ambiente total da empresa. É dada ênfase a um maior equilíbrio entre trabalho e lazer,
resultando em melhor qualidade de vida. Este novo enfoque extrapola os limites da empresa
e busca o bem-estar geral para o trabalhador em todos os ambientes em que freqüenta.
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1.1.2. CONCEITOS

Qualidade de Vida pode apresentar vários significados. Diz respeito a como as


pessoas vivem, sentem e compreendem seu cotidiano. Envolve, portanto, saúde, educação,
transporte, moradia, trabalho e participação nas decisões que lhes dizem respeito e
determina como vive o mundo. Compreende desse modo, situações extremamente
variadas, como anos de escolaridade, atendimento digno em caso de doenças e acidentes,
conforto e pontualidade nas condições para se dirigir a diferentes locais, alimentação em
quantidade suficiente e com qualidade adequada e, até mesmo, posse de aparelhos
eletrodomésticos (Pires et al., 1998).
Mais que tudo, exige exercício do chamado controle social mediante o
acompanhamento da administração de bens estatais, privados e públicos, como escolas,
produtos de consumo pessoal, pavimentação e conservação de ruas e locais coletivos para
o lazer – conduz à cidadania, com o exercício democrático da cobrança da transparência
das medidas e procedimentos dos governantes e dirigentes (11 Simpósio Científico Cultural
em Educação Física e Esportes Brasil/Cuba, em 2002).
O trabalho conjunto dos cientistas também teve como resultado a estruturação de
uma definição sobre o termo Qualidade de Vida, como “a percepção do indivíduo de sua
posição na vida, no contexto da cultura e do sistema de valores em que vive e em relação
aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações". Nota-se que esta definição
contempla a integração de duas concepções importantes para compreender a Qualidade de
Vida:
- Subjetividade: interessa o conhecimento sobre as condições físicas, emocionais e sociais
relacionadas aos aspectos temporais, culturais e sociais como são percebidas pelo
indivíduo;
- Objetividade das condições materiais: interessa a posição do indivíduo na vida e as
relações estabelecidas nessa sociedade.
A OMS define Qualidade de Vida como “a percepção individual de sua posição na
vida, no contexto da cultura e sistema de valores em que vive e em relação aos seus
objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.
Guimarães e Grubits (2000) comentam que a Qualidade de Vida, numa visão
institucional, procura monitorar as variáveis que determinam o ambiente tecnológico,
psicológico, sociológico, político e econômico do trabalho. Acreditam que a Qualidade de
Vida possa ser finalmente entendida como a “satisfação das exigências e expectativas tanto
humanas como técnicas do homem trabalhador”.
Na realidade, significa estar plenamente comprometido, pois, ela começa com os
próprios padrões do individuo. Porém, melhorar a Qualidade de Vida não é algo que se
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resolva de um só golpe: mas é um processo infindável. É realmente a escolha de um


ESTILO DE VIDA: comprometimento com a própria vida e das pessoas de sua relação,
lealdade, capacidade de cooperação, integridade, senso de ordem, competência
profissional, capacidade de comunicação, tolerância, autodisciplina, perseverança e força
nas convicções.
Portanto, a Qualidade de Vida é a base de todos os outros tipos de qualidade. Ela é
crucial para a auto-estima, a qual, por sua vez, determina o bem-estar, a eficiência, as
atitudes e o comportamento das pessoas. A auto-estima vai determinar o quanto se está
satisfeito com o próprio comportamento. A sensação de bem-estar, sua eficácia e todo o seu
desenvolvimento são quase sempre determinados pelas atitudes em relação à vida, isto é,
como o indivíduo se vê, como vê as pessoas ao seu redor e os diferentes aspectos da vida.
Não podemos esquecer que é impossível tentar valorizar o homem, sem valorizar o
profissional. Querer melhorar as condições humanas no trabalho através de benefícios,
lazer, assistência médica e bons salários por si só não o levarão a uma genuína valorização
profissional. É necessário sempre acreditar no homem, em suas possibilidades, garantir-lhe
o respeito próprio e o reconhecimento das pessoas que com ele convivem (Guimarães e
Grubits, 2000).

1.1.3. Qualidade de Vida, Saúde e Atividade Física

Sabendo que as discussões sobre Qualidade de Vida seguem várias vertentes,


importa comentarmos sobre a saúde e a prática da atividade física. Faz-se importante
discutirmos a evolução do modelo de saúde adotado no Brasil, uma vez que este tema está
totalmente relacionado à qualidade de vida.
Segundo Gonçalves (2006) as origens e evolução do modelo assistencial brasileiro,
assim como todo o aparelho de Estado, mantiveram-se sempre sobre os interesses da elite.
A saúde-doença era considerada epidemias pestilenciais vivida pela maioria esmagadora
das classes desfavorecidas, para no século subseqüente expressar-se nas gigantescas filas
do Inamps - Instituto Nacional de Previdência Social - órgão federal símbolo de atuação
centralizada em todo território nacional.
Em 1978, a Organização Mundial de Saúde (OMS), convocou, em colaboração com
o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a I Conferência Internacional sobre
Cuidados Primários de Saúde, que se realizou em Alma – Ata. Esta conferência trouxe um
novo enfoque para o campo da saúde, colocando a meta de “saúde para todos no ano
2000”, (Buss,1988).
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A Conferência em Alma – Ata, sobre uma nova visão da saúde reforçou a estratégia
da promoção da saúde, que culminou com a realização da I Conferência Internacional sobre
Promoção da saúde, em Ottawa, Canadá, em 1986.
Após quase uma década, com a VIII Conferência Nacional de Saúde, exteriorizou-se
o SUS - Sistema Único de Saúde, instituído pela Constituição de 1988, que fala em
“atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos
serviços assistenciais” (Brasil, 1988, art.198).
Outro grande acontecimento foi a Carta de Ottawa, a qual define promoção da saúde
“como o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade
de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo”. Buss (1998)
Devido a Carta de Ottawa e o desenvolvimento da promoção em saúde, nos últimos
tempos, vem sendo superado o modelo biomédico, centrado na doença como fenômeno
individual e na assistência médico curativa como modelo essencial de intervenção.
Em função destes avanços, a medicina integral vem se responsabilizando por
aspectos da vida social do paciente, modernizando assim seu método medicalizado da
doença, e passando a recomendar hábitos e comportamentos que remodelem o modo de
vida das pessoas, considerando assim suas condições de vida que também fazem parte
deste processo.
A Conferência de Jacarta, na Indonésia, em 1997, com o seu subtítulo “Novos Atores
Para Uma Nova Era”, definiu o reforço da ação comunitária e sua aplicação em diversos
cenários: cidades, comunidades locais, escolas, lugares de trabalho etc, Buss (1998).
Desta maneira, as empresas privadas estão cada vez mais, participando de ações
sociais, promovendo a divulgação de informações e ações em saúde junto à comunidade,
como: programas de alfabetização, vacinação, apoio a criação e manutenção de ONGS,
captação de recursos e fundos e instalações de ambientes culturais entre outros, Gonçalves
(2005). Ações estas que por agregar valor, participam na construção da imagem pública da
empresa.
Grande parte da literatura específica sobre a Qualidade de Vida mostra o empenho
metodológico de pesquisadores para avaliar e entender como se dá a integração de fatores
biológicos e ambientais, bem como suas influências sobre o estilo de vida das pessoas.
Dado o interesse por parte de clínicos e epidemiologistas sobre a origem e o manejo das
doenças crônicas, e também por parte das empresas, acerca da influência dos hábitos e
condições de risco sobre a produtividade dos trabalhadores, cada vez mais se estabelecem
os vínculos entre a adoção de comportamentos positivos ligados ao estilo de vida e a
melhoria das condições gerais e de bem-estar das pessoas. No entanto, apesar das
aparentes certezas, observadas por uma parcela dos pesquisadores, alguns aspectos
polêmicos estimulam o debate das questões éticas, históricas e culturais, em especial
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aquele relacionado à responsabilização sobre as decisões associadas à adoção de hábitos


saudáveis.
Vale caracterizar então o estilo de vida como o “conjunto de hábitos e
comportamentos, aprendidos e adotados durante toda a vida, capazes de influenciar as
condições de bem-estar e o nível de integração pessoal com o meio familiar, ambiental e
social”.
Pode-se dizer que o estilo de vida é o resultado da integração de muitos fatores que
compõem nossa existência. O conjunto de adaptações biológicas e culturais que
experimentamos durante toda a vida resulta em mudanças comportamentais que,
dependendo do tipo adotado, podem refletir positivamente sobre os aspectos e as condições
de saúde e bem-estar. Os comportamentos são aprendidos e modelados desde os primeiros
anos podendo, ao longo do ciclo da vida, ter muitos de seus componentes alterados
segundo influências biológicas, ambientais ou culturais.
Nahas (2001) chama atenção para a importância da adoção de comportamentos
saudáveis, evidenciando o importante papel coadjuvante do exercício e da atividade física
na busca de um estilo de vida positivo. Essa perspectiva contrasta com a realidade da
manutenção de comportamentos de risco que podem ser relacionados ao aumento dos
índices de morbidade e de mortalidade. O autor define estilo de vida como:
“o conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, os valores e as
oportunidades na vida das pessoas, em que devem ser valorizados elementos
concorrentes ao bem-estar pessoal, como o controle do estresse, a nutrição
equilibrada, a atividade física regular, os cuidados preventivos com a saúde e o
cultivo de relacionamentos sociais”.
Vários são os hábitos e os comportamentos que contribuem para influenciar o estilo
de vida das coletividades e, conseqüentemente, a qualidade das ações realizadas pelas
pessoas integradas em seu meio. Entre todos os comportamentos saudáveis conhecidos,
destacamos:
- Hábitos alimentares saudáveis.
- Pratica de atividade física
- Controle do estresse físico e emocional.
- Envolver-se em ações comunitárias
- Dedicar-se ao lazer não-sedentário (hobbies ou trabalho voluntário)
Percebe-se um consenso sobre a utilização do exercício ou da atividade física
orientada como importante recurso de intervenção no processo saúde-doença, em especial
nas pessoas acometidas por afecções crônicas.
Estudos indicam efeitos positivos do exercício sobre sintomas relacionados a
estados de tensão e ansiedade, além de efetiva redução do estado de depressão. Essa
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conclusão aplica-se tanto a homens como a mulheres de várias idades, independentemente


do estado de saúde.
No entanto, conseguir que as pessoas modifiquem seus comportamentos e
mantenham-se por muito tempo em uma nova condição de prática de hábitos saudáveis é
um imenso desafio para os membros da equipe multidisciplinar de saúde. Conseguir o
envolvimento de pessoas para a mudança comportamental pode depender de uma
participação ativa dos interessados, desde os primeiros passos da avaliação da condição de
saúde.
O sucesso de abordagens metodológicas para a mudança de hábitos parece
depender da adoção, por parte dos profissionais, de uma conduta de aprendizado, em
especial para ouvir as referências, as experiências e as expectativas dos pacientes. Há que
se estabelecer um vínculo de co-responsabilidade entre as partes. Facilitadas tais
condições, aumentam as chances de sucesso a longo prazo do procedimento de mudança
comportamental. Os participantes precisam sentir que seus valores e objetivos são partes
importantes do programa e também que têm grande responsabilidade pelas metas e
resultados, uma vez definidos de comum acordo entre os profissionais e os integrantes do
programa.
Difunde-se a idéia de que mudança de comportamento é um processo dinâmico,
além de uma simples atitude do paciente de estar ou não pronto para a mudança. Trata-se
do "modelo de estágios de mudança”, que descreve o processo de mudança de
comportamento aplicável a muitas condições de risco à saúde discutida sobre o estilo de
vida. Esse modelo estrutura-se sobre o argumento de que nem todos os indivíduos
apresentam-se no mesmo nível de prontidão para mudar seus hábitos em direção a uma
vida mais saudável.
Uma vez avaliada a condição pessoal específica e o nível de prontidão, podem ser
aplicados os procedimentos metodológicos adequados para atingir o objetivo desejado,
aumentando assim a chance do indivíduo de manter o novo hábito saudável (Prochaska &
DiClemente, 1983).
Roberts, Robergs & Hanson (1997) descrevem minuciosamente os quatro estágios
de mudança, resumidos a seguir:
PRÉ-CONTEMPLAÇÃO: estágio caracterizado pela ausência da conscientização sobre a
importância da mudança comportamental.
CONTEMPLAÇÃO: o indivíduo sente-se motivado e envolvido com a possibilidade da
mudança comportamental, a partir de um conjunto de fatos e estímulos dados pelo
ambiente, pela família e pela equipe de saúde.
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AÇÃO: o paciente, envolvido na prática regular de exercício ou atividade física, tem maior
chance de manter-se nesse estagio ao definir metas possíveis de ser atingidas a curto prazo
e longo prazo.
MANUTENÇÃO: Adoção de ações preventivas diferenciadas que levem o paciente a
apropriar-se das decisões relacionadas à saúde e a realização de programas de atividade
física.
Essas condições estão sujeitas às influências do meio social em que se vive, da
disponibilidade de elementos circunstanciais e ambientais presentes no meio e também da
própria estrutura biológica individualizada capaz de favorecer ou dificultar a adoção de um
estilo de vida saudável. Entre as principais condições temos:
O processo educacional e cultural que envolve os núcleos familiar, comunitário e
social influencia, desde os primeiros meses de vida, a disseminação e adoção de hábitos
saudáveis de alimentação, controle do estresse e uso de drogas (tabaco e álcool). O meio
social em que nos inserimos tem papel crucial na disponibilização de condições que
permitam a prática de atividade física, do lazer ativo ou o apoio ao sistema de atenção à
saúde. A própria decisão pessoal em adotar comportamentos saudáveis é condição
primordial para o sucesso e eficiência do processo de adaptação às novas condições do
estilo de vida modificado.
Percebe-se, assim, que a adoção de novos comportamentos depende muito mais da
inserção da pessoa nos meios familiar, ambiental e social, do que apenas de uma decisão
pessoal.

1.1.4. Qualidade de Vida e Trabalho

Os trabalhadores, considerados aqueles que aplicam seu conhecimento e força de


trabalho na produção de bens e serviços, sejam operários, donas de casa, administradores
ou profissionais liberais, quase sempre, têm sua condição de saúde e Qualidade de Vida
relegada a segundo plano, diante das demandas por sobrevivência e dos interesses
corporativos relativos à produção e ao lucro (Vilarta & Gonçalves, 2004).
Além das variáveis relativas ao processo de envelhecimento que acomete os
trabalhadores, há que se considerarem outras influências de caráter antropológico e
sociológico no que concerne à Qualidade de Vida no ambiente de trabalho. Sabe-se que o
tempo dedicado a atividades de lazer ativo é diferenciado por gênero, envolvendo mais os
homens - até 44% - que as mulheres até 38% (Merrit e Caspersen, 1992).
A realidade tem mostrado que os programas de atividade física desenvolvidos no
local de trabalho vêm atingindo sucesso modesto diante das possibilidades de mudança nas
relações sociais e familiares e na melhoria das condições de saúde dos trabalhadores. Os
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problemas até aqui relatados são acrescidos das próprias peculiaridades organizacionais da
empresa, da inadequação da estrutura física do ambiente de trabalho e da falha para suprir
as necessidades específicas de classes de trabalhadores. Percebe-se, assim, que os limites
de abrangência e eficácia dos programas de Qualidade de Vida empresa carecem de
direcionamento às características específicas do trabalhador (Linnan & Marcus, 2001).
Diante de tantos e tão complexos problemas, buscam-se soluções que favoreçam
adequações necessárias à manutenção da saúde do trabalhador. O fortalecimento de
atitudes colaborativas dos supervisores, a diminuição da freqüência de movimentos
repetitivos na execução de uma mesma tarefa e a concomitante realização de atividade
física vigorosa durante o tempo destinado ao lazer são aspectos favorecedores da maior
eficácia e da preservação da habilidade do trabalhador.
Enquanto os cientistas buscam entender as relações entre saúde e a origem das
enfermidades crônicas, aos empregadores, principalmente em países em que a empresa
custeia grande parte dos gastos com a saúde dos empregados, interessa o impacto dos
comportamentos e das condições de risco dos trabalhadores sobre a produtividade e sobre
esses custos. Também interessam outros aspectos associados às enfermidades, como a
incapacidade temporária que experimenta o empregado ao retomar após o período de
enfermidade.
De modo geral, estudos que avaliam o desempenho e a eficácia do processo de
produção na empresa indicam proporcionalidade inversa entre os níveis de exposição aos
diversos fatores de risco e a produtividade do trabalhador (Burton et al., 1999).
Incapacidade temporária, baixa produtividade e faltas ao trabalho geram custos atribuídos,
salvo melhor juízo, aos problemas de saúde dos trabalhadores expostos a esses
comportamentos e condições de risco.
Os principais riscos à saúde, identificados em estudos com trabalhadores, indicam,
por ordem de freqüência decrescente, as seguintes condições: estresse excessivo; pressão
sanguínea elevada; uso do tabaco; distúrbios osteoarticulares da coluna vertebral;
sobrepeso e obesidade; abuso de álcool; abuso de drogas; depressão; problemas de saúde
mental.
Vê-se que as abordagens corporativas, no campo da promoção da saúde dos
empregados, definem vários objetivos dirigidos a esclarecer as relações entre custos e
resultados, sempre enfatizando a redução de custos (Goetze aI., 1998), destacando-se:
- demonstrar que os hábitos inadequados à saúde e os fatores de risco modificáveis impõem
um custo adicional ao processo de produção; demonstrar que as melhorias das condições
de risco resultam em redução de custos; demonstrar que os hábitos saudáveis podem ser
modificados e que a resultante diminuição dos riscos pode ser mantida durante todo o
tempo; demonstrar que os benefícios da mudança dos hábitos a manutenção da condição
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de baixo risco são mais valiosas que os custos destinados a programas de recuperação da
saúde.
Para atingir esses objetivos, pesquisadores ligados a corporações e institutos de
avaliação da eficiência de programas promoção da saúde têm dirigido esforços para
demonstrar a pouca efetividade dos custos associados à doença e a seu tratamento
contrastando com os elevados benefícios de programas de saúde que valorizam as
mudanças das condições materiais de vida relacionadas a ações de promoção de hábitos
saudáveis.
Sabe-se que o estado físico e emocional do trabalhador afeta de maneira
significativa a capacidade de trabalho e de realização de outras atividades comuns da vida
social.
Segundo O'Donnell (2001), ações de promoção da saúde dirigidas à intervenção
sobre as condições de exposição a riscos, resultam em aspectos positivos para os
trabalhadores, favorecendo a prevenção e o controle das doenças, especialmente as
crônico-degenerativas, também estimulam o desejo de participar e trabalhar na produção de
bens e serviços.
As formas mais elementares de avaliar a produtividade-trabalhador baseiam-se no
conceito de absenteísmo, em que ausência do empregado do posto de trabalho resulta em
nenhuma produtividade. As causas mais evidentes do absenteísmo estão relacionadas às
necessidades de afastamento das funções laborais sobretudo por: doença (45%); problemas
familiares (27%); problemas pessoais (13%); "perder a hora" (9%); e estresse, (6%), cujos
custos médios anuais por empregado norte-americano atingem cifras de até $669 dólares.
Outro aspecto importante que afeta a produtividade no local de trabalho deve-se à
motivação para realizar tarefas, planejar estratégias ou mesmo atingir metas de produção ou
volume de serviços. Interferir nos estados motivacionais pode causar mudanças
significativas na produtividade.

1.2 Estresse

Há inúmeras manifestações que agridem a Qualidade de Vida das pessoas, e uma


delas é bem conhecido, o estresse ocupacional. Stress é uma palavra derivada do latim.
Durante o século XVII ganhou conotação de “adversidade” ou “aflição”. No final do século
seguinte, seu uso evoluiu para expressar “força”, “pressão” ou “esforço”.
Nos últimos setenta anos, o tema do estresse vem sendo amplamente pesquisado e
discutido no meio científico, tendo angariado uma capacidade explicativa invejável nos
campos da medicina e da psicologia, quando se trata de diagnosticar distúrbios que se
situam na interface entre o corpo e a mente. Neste período, a chamada teoria do estresse
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foi aperfeiçoada e desenvolveu-se de tal forma que as relações entre ambiente e organismo
humano, no campo biopsicossocial, passaram a ser lidos predominantemente através de
sua lente. Tal força é tão significativa que o estresse foi incluído recentemente entre as
doenças constantes no Código Internacional de Doenças.
Especificamente em relação ao trabalho, há um duplo reconhecimento por parte de
estudiosos: por um lado, diversos aspectos do ambiente e da organização do trabalho
podem ser geradores de estresse, e, complementarmente, sabe-se que um determinado tipo
de estresse está associado ao rebaixamento da qualidade de vida dos trabalhadores.
Para além do campo científico, os médicos, os psicólogos e a mídia promoveram a
difusão do termo, de tal modo que hoje, adaptado do inglês, ele está incorporado à
linguagem popular constando no dicionário da língua portuguesa como "estresse".
"Estresse" foi definido como um conjunto de reações que um organismo desenvolve
ao ser submetido a circunstâncias que exigem esforço de adaptação, ou também como uma
resposta não específica do corpo a qualquer demanda feita sobre o mesmo (Seley, 1956).
O estresse era visto como um estado corporal e não um componente do ambiente.
apud CASSEL (1974) afirmava utilizar a palavra em biologia, para indicar:
"o estado de uma criatura que resulta da interação do organismo com os
estímulos ou circunstâncias nocivas, ou seja, um estado dinâmico interior
ao organismo; e não de uma agressão por estímulos, símbolo de opressão,
carga ou qualquer aspecto do ambiente interno ou externo, de cunho social
ou não.".
De acordo com o Comitê de Saúde e Segurança do Reino Unido, o estresse é uma
reação que as pessoas têm frente a pressões excessivas ou outros tipos de demandas
depositadas nelas. O estresse relacionado ao trabalho é definido como “o conjunto de
reações emocionais, cognitivas, comportamentais e fisiológicas aos aspectos aversivos e
nocivos do trabalho, do ambiente do trabalho e da organização de trabalho”, (Massola,
2007).
Nos anos 30, um médico canadense recém formado - Hans Seley observou durante
pesquisa em animais, que quando se submete um organismo vivo a estímulos que
ameaçam o seu equilíbrio orgânico, ele manifesta um conjunto de respostas não específicas
que são desencadeadas independentemente da natureza do estímulo.
Assim, Seley cria a teoria da Síndrome Geral de Adaptação, descrita como “o
conjunto de alterações não específicas que ocorrem no organismo quando ele é
estressado”. Consiste de três fases distintas, a saber:
Fase 1 – Reação de Alarme: é equivalente a uma reação de emergência, cujo
protótipo é o comportamento "luta-fuga" dos animais: frente a uma dada ameaça, o instinto
de um determinado animal oscila entre enfrentar o perigo ou fugir dele. As alterações
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fisiológicas desta fase se caracterizam por aumento da freqüência cardíaca, da pressão


arterial e da freqüência respiratória, aumento da glicose no sangue, aumento da circulação
de glóbulos vermelhos e brancos no sangue, dilatação das pupilas, broncodilatação e
ansiedade. Esta fase dura desde alguns dias até semanas.
Fase 2 – Resistência: ocorre quando a exposição do indivíduo aos fatores
causadores de estresse é duradoura, ou seja, o indivíduo adapta se às situações que o
levam ao estresse. Caracteriza-se pelas seguintes alterações: aumento do córtex da
glândula supra-renal, irritabilidade, insônia, oscilações do humor, diminuição da libido,
gastrite e úlceras pépticas. Nesta fase as doenças de caráter psicossomático se instalam e
tornam-se crônicas. Esta fase dura desde alguns meses até vários anos.
Fase 3 – Exaustão: nesta fase revelam-se as falhas dos mecanismos de adaptação.
Há um retorno à reação de alarme, exaustão das possibilidades de respostas do organismo
frente às demandas e à ocorrência de eventos de alta gravidade que podem conduzir o
organismo à morte.
Além destas fases, subdivide o estresse dois tipos:
Euestresse: caracteriza-se pela tensão com equilíbrio entre esforço, tempo, realização e
resultados. É o tipo de estresse essencial para o desenvolvimento do indivíduo em várias
etapas da sua vida. Também conhecido como estresse positivo (“eu" em grego = bom).
Diestresse: caracteriza-se pela tensão, com o rompimento do equilíbrio orgânico dinâmico
por excesso ou falta de esforço, incompatível com o tempo, realização e resultados. É o tipo
de estresse que é corriqueiramente mencionado somente como estresse, ou seja, é o
estresse negativo, equiparável ao sofrimento, à doença, à incapacidade e que, às vezes,
pode resultar na morte.
Diferente de Seley, Lipp (2002) identifica quatro fases para o percurso do estresse,
acrescentando a fase da Quase Exaustão, sendo a terceira, está entre a de Resistência e
Exaustão. Explica que a fase de Quase Exaustão ocorre quando a tensão excede o limite do
gerenciável, tornando a pessoa bastante vulnerável, muito ansiosa, e desconfortável. O
cortisol é produzido em maior quantidade e começa a ter efeito negativo de destruir as
defesas imunológicas, abrindo caminho para as doenças.
Segundo Lipp (2002), o estresse “é uma reação do organismo com componentes
psicológicos, físicos, mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma
adaptação grande a um evento ou situação de importância”. Explica ainda que existem três
tipos de estresse, a saber: Negativo, Positivo e Ideal. Refere ao Estresse Negativo como
excesso, quando a pessoa ultrapassa seus limites e sua capacidade de adaptação. O
Estresse Positivo é quando ainda está em fase inicial, também chamada de fase do alerta,
onde o organismo produz adrenalina, dá ânimo e energia, impulsionando o sujeito para a
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ação. Já o estresse ideal é quando a pessoa aprende o manejo do estresse e gerencia a


fase do alerta de modo eficiente, alternando entre a fase do alerta e sair desta fase.
O desenvolvimento da teoria do estresse pós-Seley trouxe ao debate várias outras
concepções e/ou aplicações do termo, relevantes para este trabalho.
1. Estresse como uma condição ambiental, suscetível a uma definição objetiva e
mensurável. O termo eestresseor é freqüentemente utilizado neste contexto;
2. Estresse é uma percepção subjetiva de uma condição ambiental objetiva;
3. Estresse diz respeito a uma relação particular entre características ambientais e
pessoais, referindo-se, em particular, ao excesso de demanda ambiental que está
além da capacidade de resposta do indivíduo;
4. Estresse é um processo que inclui outros componentes importantes como avaliação,
adaptação e reavaliação e não pode ser reduzido a uma simples formulação de
causa e efeito ou estímulo-resposta.

1.2.1. Estresse e Trabalho

Uma das aplicações da Teoria do Estresse se dá no campo da Saúde Ocupacional,


no qual se observa a relação entre estresse e trabalho e utiliza-se predominantemente a
primeira das concepções acima citadas, em que o fator ambiental é determinante.
Segundo Kalimo (1986) os fatores psicossociais no trabalho podem precipitar ou
neutralizar agravos à saúde dos trabalhadores e afetar os resultados de ações de saúde
preventivas e curativas. Para ele, o estresse no trabalho é uma conseqüência de uma
exposição combinada a múltiplos fatores do ambiente e de relações do trabalho e das
condições de emprego. São considerados aspectos do trabalho que podem provocar efeitos
na saúde e no bem-estar (adaptado de Kasl & Amick,1995):
1. Exposições a agentes específicos no trabalho: temperatura e umidade; produtos
químicos; radiações; barulho e vibrações; máquinas e equipamentos perigosos; condições
de segurança; outras.
2. Aspectos ergonômicos das diferentes tarefas e do posto de trabalho: máquinas e
ferramentas com design inadequado; compressão mecânica; movimentos repetitivos; força
em excesso; posturas não ergonômicas; vibrações; ritmos de trabalho acelerados.
3. Aspectos temporais das tarefas e da jornada de trabalho: trabalho em turnos; horas
extras; duplo emprego; tempo insuficiente para terminar as tarefas; programação do trabalho
e períodos de descanso; variações na carga de trabalho; trabalho por empreitada;
interrupções da execução do trabalho.
4. O conteúdo do trabalho: monótono, repetitivo, fracionado e pobre; autonomia,
independência, influência e controle; uso das habilidades disponíveis; oportunidade de
16

aprendizado; concentração e estado de alerta; demandas conflitantes; recursos insuficientes


para executar o trabalho.
5. Interpessoal e o grupo de trabalho: oportunidade de interagir com colegas durante o
trabalho, durante os intervalos e após o trabalho; tamanho e coesão do grupo de trabalho;
reconhecimento da performace de trabalho; suporte social; carga de trabalho eqüitativa;
"mobbing" e outros.
6. Interpessoal e a supervisão do trabalho: participação na tomada de decisões; feedbacks
da supervisão; acesso e contato com supervisão; avaliação de desempenho; pressão por
parte da supervisão; solicitações conflitantes; "mobbing".
7. Aspectos econômicos e financeiros: forma de pagamento; compensações adicionais
(horas-extras, prêmios, bônus, participação nos resultados); possibilidade de avanço salarial
(promoções); plano de previdência; plano de saúde; equidade e previsibilidade do
pagamento;
8. Aspectos organizacionais do trabalho: porte da organização; estrutura da organização;
posição da empresa em “rankings”; prestígio da organização; burocracia interna; políticas
internas, políticas discriminatórias; plano de carreira; prestígio do cargo na empresa;
Todos os sujeitos podem desenvolver estresse, independente do tipo de organização
ou instituição que ele esteja inserido, pois parece consenso entre os autores, que para o
acometimento de estresse, seja necessário um estímulo persistente e um estado de
pressão. Fatores presentes nas empresas e organizações do mundo atual.
A partir de 1999, o estresse ocupacional passou a ser o foco de inúmeras ações. Em
alguns países, a importância do estresse ocupacional para o bem estar da própria nação
começou a ser compreendido.
O Instituto Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho dos EUA publicou em 1999
recomendações sobre o estresse no trabalho. Neste documento é enfatizado que o estresse
ocupacional deve ser prevenido e tratado dentro das empresas, pois representa uma
ameaça não só para a saúde do trabalhador, mas também para as organizações.
Também em 1999, a Comissão de Saúde e Segurança da Inglaterra publicou
documento onde diz que o estresse ocupacional vem adquirindo uma relevância cada vez
maior. Afirma ainda que o evento passou a preocupar não só ao trabalhador, mas também
aos empregadores e ao público no geral.
A Comissão de Saúde e Segurança inglesa enfatiza que a prevenção do estresse
deve ser horizontal e vertical. Horizontal no sentido de incluir a ação de vários setores da
sociedade de modo abrangente e vertical no sentido de envolver os esforços de vários
níveis, tais como do próprio cidadão, do empregador e do governo.
A Bélgica também reconheceu a importância da prevenção do estresse ocupacional.
O Conselho Nacional do Trabalho belga promoveu em 1999 um acordo entre empregadores
17

e lideres trabalhistas sobre a prevenção coletiva do estresse ocupacional. Definiram o


estresse ocupacional como "um estado de desconforto, de sensação negativa
experimentado por um grupo de trabalhadores, acompanhado de queixas ou disfunções
físicas, mentais e/ou sociais".
Também em 1999, considerando a natureza endêmica do estresse ocupacional e as
sérias conseqüências que ele tem para a saúde, cientistas da Europa, EUA e Japão se
reuniram em Tóquio. Dessa conferência resultou a "Declaração de Tóquio" que propõe a
melhoria da saúde e do bem-estar da força laborial através da prevenção do estresse
ocupacional. A responsabilidade dessas ações caberia primordialmente ao empregador.
Porém, estas ações deveriam também contar com a colaboração de empregados e suas
uniões, instituições de seguro-saúde, governo, organizações não-governamentais,
associações de classe, instituições educacionais e do próprio indivíduo. (www.estresse.com.
br/ Centro Psicologico do controle do Stress, em 20/03/2007).
O estresse pode ser causador e/ou agravador de uma série de doenças, que vão da
asma, às doenças dermatológicas, passando pelas alérgicas e imunológicas; todas elas
relacionadas de alguma forma a ativação excessiva e prolongada do eixo hipotálamo-
hipófise-adrenal.
Na área do sistema digestivo, é sabido por todos que o estresse pode desencadear
desde uma simples gastrite, até uma úlcera: o famoso cirurgião Alípio Corrêa Neto, da USP
e da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo), dizia que se
alguém afirmasse, há 20 anos atrás, que a úlcera péptica era psicossomática (leia-se
somatoforme), ririam dele; hoje, se deixasse de dizê-lo, ririam dele.
Mas, é principalmente a nível de coração, ou mais precisamente, a nível das
coronárias, que o estresse pode ser um matador silencioso.
Uma ativação repetida e crônica do sistema nervoso autônomo, numa pessoa que já
tenha problemas de lesão da camada interna das artérias coronárias (arteriosclerose),
provocadas por fumo, gordura excessiva na alimentação, obesidade ou colesterol elevado,
etc., vai levar a muitos problemas, tais como: diminuição do fluxo sangüineo adequado para
manter a oxigenação dos tecidos musculares cardíacos (miocárdio). Isso leva à chamada
"isquemia do miocárdio", que é acompanhada de dores no coração (angina), principalmente
quando se faz algum esforço, e até ao infarto do coração (ataque cardíaco), provocado pela
morte das células musculares do coração, por falta de oxigênio. A adrenalina tem o poder de
contrair esses vasos, agravando o problema de quem já os tem com o diâmetro reduzido
pelas placas. O resultado para essas pessoas pode ser até a morte, que muitas vezes
acompanha um estresse agudo.
Outros problemas comuns são a ruptura da parede dos vasos enfraquecidos pela
placa arteriosclerótica ou a trombose (entupimento completo do vaso coronariano). Um
18

pequeno coágulo (trombo) pode desencadear uma cascata de coagulação, que também
pode levar à morte. O nível elevado de adrenalina também pode provocar alterações do
ritmo cardíaco, denominadas de arritmias ("batedeira"), que também diminuem o fluxo de
sangue pelo sistema cardiovascular.
No campo clínico (somático) os distúrbios ainda ditos "neuro-vegetativos" são
comuns: quadro de astenia (sensação de fraqueza e fadiga), tensão muscular elevada com
cãibras e formação de fibralgias musculares (nódulos dolorosos nos músculos dos ombros e
das costas, por exemplo), tremores, sudorese (suor intenso), cefaléias tensionais (dores de
cabeça provocas pela tensão psíquica) e enxaqueca, lombalgias e braquialgias (dores nas
costas e nos ombros e braços), hipertensão arterial, palpitações e batedeiras, dores pré-
cordiais, colopatias (distúrbios da absorção e da contração do intestino grosso) e até dores
urinárias sem sinais de infecção.
O laboratório clínico fornece outros detalhes indicativos da intensa ativação
patológica no estresse: aumento da concentração do sangue e do conteúdo de plaquetas
(células responsáveis pela coagulação sangüínea), alteração do nível de cortisol, alterações
de catecolaminas urinárias e alterações de hormônios hipofisários e sexuais, além dos
aumentos de glicemia (açúcar no sangue) e colesterol, este por conta do LDL, ou o "mau
colesterol".
Nas ocasiões estressantes e mesmo fora delas, manifesta-se uma gama de reações
de ordem psicológica e psiquiátrica. Ou, pelo menos temporárias, perturbações de
comportamento ou exacerbação de problemas sociopáticos.
Os problemas ansiosos com a sintomatologia clínica, além de irritabilidade, fraqueza,
nervosismo, medos, ruminação de idéias, exacerbação de atos falhos e obsessivos, além de
rituais compulsivos, aumentam sensivelmente. A angústia é comum e as exacerbações de
sensibilidade com provocações e discussões são mais freqüentes.
Do ponto de vista depressivo, a queda ou o aumento do apetite, as alterações de
sono, a irritabilidade, a apatia e adinamia, o torpor afetivo e a perda de interesse e
desempenhos sexuais são comumente encontrados.
Existem também as "fugas", que todos conhecemos. Quando não se apela para a
auto-medicação com ansiolíticos (um perigo!), a pessoa refugia-se na bebida e mesmo no
consumo de drogas ilícitas de uso e abuso, além de aumentar a quantidade de cigarros
fumados, quando for fumante.
São estas as condições da derrocada à qual o estresse leva a pessoa,
principalmente quando esta tiver uma personalidade hiperativa. (www.estresse.com.br/
Centro Psicologico do controle do Stress, em 20/03/2007).
19

1.3 O Estresse Ocupacional no Professor

Atualmente, é comum e freqüente ouvir das pessoas, que estão sofrendo ”um
desgaste profissional” em seus trabalhos. É sábio que as transformações macroeconômicas
globais trouxeram uma grande mudança na vida ocupacional das pessoas. Guimarães e
Freire, apud Levi et al. (1999). Com a globalização da economia e a conseqüente
racionalização do trabalho e o aumento das esferas competitivas entre as empresas, o
trabalhador é forçado a se adaptar às situações que não se encontra preparado como:
cursos de capacitação, prazos a serem cumpridos e o alto nível de responsabilidade que
têm de enfrentar em suas profissões.
As pessoas passam a maior parte de seu tempo trabalhando, seja na empresa, na
escola, na indústria, na construção, no campo ou nas estradas. O trabalho é motivado pela
necessidade física, econômica e social que as pessoas têm para garantir sua sobrevivência
e posição na vida. Elas são conhecidas pelas atividades que exercem, e estas podem ser
prazerosas ou não, sendo que os recursos internos de cada pessoa irão determinar sua
própria adaptação à realidade e de como ressentem as características do trabalho.
Ser professor é uma das profissões mais estressantes na atualidade. Geralmente as
jornadas de trabalhos dos professores são longas, com raras pausas de descanso e/ou
refeições breves e em lugares desconfortáveis. O ritmo intenso e variável, com início muito
cedo pela manhã, podendo ser estendido até à noite em função de dupla ou tripla jornada
de trabalho. No corre-corre os horários são desrespeitados, perdem-se horas de sono,
alimenta-se mal, e não há tempo para o lazer. São exigidos níveis de atenção e
concentração para a realização das tarefas. Quando o trabalho é desprovido de significação,
não é reconhecido ou é uma fonte de ameaças à integridade física e/ou psíquica acaba por
determinar sofrimento ao professor.
Infelizmente este profissional tem enfrentado, nos últimos tempos, em suas
atividades diárias, diversas situações que são consideradas fontes de estresse. A começar
pelo professor do maternal e do jardim-de-infância, que lidam com crianças que estão
iniciando sua socialização e prontas para assimilarem experiências para o desenvolvimento
de suas personalidades.
Os professores não são preparados para tamanha responsabilidade, em intervir na
educação e correção do comportamento de crianças que vêm à escola com problemas do
ambiente familiar. Estes problemas podem ser de ordem emocional, física e econômica que
os pais enfrentam e projetam nos filhos através de suas atitudes.
Aos professores é encaminhado um programa de atividades pedagógicas que deve
ser cumprido num prazo estabelecido pela direção da escola, e o desenvolvimento das
atividades não dependem somente do professor e sim da capacidade intelectual de cada
20

aluno. E numa classe que em média há 35 a 40 alunos, não são todos que têm facilidade
em assimilar a matéria com sucesso, ocorrendo os problemas de aprendizagem do aluno
que atrasam o desenvolvimento das atividades e as dificuldades que o professor tem em
lidar com situações que tem que ser resolvidas fora da sala de aula, neste caso, nas clínicas
psicopedagógicas.
Um novo fator estressante: a meta do Ministério da Educação e Cultura em reduzir o
indicie de analfabetismo no Brasil, a ordem é não reprovar. O agravante é que alunos não
reúnem condições de serem aprovados, mas não podem ficar retidos. Outra situação refere-
se às questões do início da atividade sexual, uma gravidez não planejada e doenças
sexualmente transmissíveis entre os alunos.
Nas últimas décadas, surgiu uma situação altamente estressante nas escolas: as
drogas. Se o professor não souber enfrentar a situação em conjunto com a direção da
escola, passará a sofrer pressões e ameaças, além de perder o controle sobre os alunos na
própria sala. Um clima de hostilidade e competição negativa no ambiente escolar traz
conseqüências danosas para os professores. A raiva e a frustração são sentimentos que
interferem desfavoravelmente à saúde física e mental. Algumas estratégias podem auxiliar.
Há ainda outro fator bastante atual vivenciado pelos educadores/professores que
está relacionado à inclusão de Pessoas Portadores de Deficiências – PPD. Com a lei
9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, art. 54, é dever do Estado assegurar à
criança e ao adolescente: “III. atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.”
Esta lei assegura ao aluno deficiente o direito à educação regular junto aos alunos
sem deficiência física ou psíquica, sendo um processo de inclusão social para com esta
população que precisa dos mesmos direitos e solidariedade das pessoas que fazem parte
de seu desenvolvimento social. A lei é bem clara, atendimento educacional “especializado”
na rede regular de ensino aos portadores de deficiência, mas o que se observa, pelos
relatos de professores da rede de ensino fundamental, é o despreparo psíquico, científico e
a não aceitação destes profissionais em trabalhar em sala de aula com alunos especiais,
deste modo necessitando de uma assessoria psicopedagógica, que possa auxiliar e orientar
os professores, nas questões relacionadas à vida de uma pessoa com necessidades físicas
ou psíquicas.
Observa-se ainda que o trabalho do professor não se limita dentro das salas de
aulas, neste caso em lecionar e lidar com seus alunos. Existem situações fora das salas de
aula como: esclarecimento de dúvidas dos alunos, questões pessoais de alunos que
procuram o professor, por encontrarem neste, mais segurança e compreensão ao falarem
de seus problemas, reuniões de pais e mestres, problemas com drogas na escola, gravidez
precoce de alunas adolescentes, hostilidade e competição entre os professores. São
21

situações “problemas” que chegam ao seu conhecimento, e que fogem ao seu preparo e
controle profissional.
O professor possui uma grande demanda de trabalho pedagógico a cumprir e que
acaba por sobrecarregá-lo, e estas situações especiais que tem que lidar funciona como um
ativador da quarta fase do estresse que é a quase exaustão e que ocorre entre as fases de
resistência e exaustão. Lipp (2002).
Esta categoria de professores também vem sendo apontada como uma das mais
propensas ao estresse e burnout. O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja,
queimar completamente, consumir-se. O termo burnout é usado para definir um
esgotamento físico e mental crônico causado pelo trabalho. Trata-se de um estresse
ocupacional, caracterizado por exaustão emocional, apatia extrema, desinteresse pelo
trabalho e lazer, depressão, alterações de memória e humor, fadiga, enxaqueca, dores
musculares e distúrbios do sono. A enfermidade acomete principalmente profissionais que
lidam com pessoas e nesta categoria estão incluídos os professores, expostos as situações
de extrema pressão, jornadas exaustivas, responsabilidade e frustração.
Como nas demais profissões assistenciais, o burnout nos professores não aparece de
forma brusca, mas constitui a fase final de um processo contínuo que vai se gestando e que
se identifica com vários sinais, como já referido. O burnout no docente se caracterizaria por
uma exaustão dos recursos emocionais próprios, em que são comuns atitudes negativas e
de distanciamento para com os alunos e a valorização negativa de seu papel profissional.
Objetivamente manifesta-se da seguinte maneira, segundo Schaufeli & Enzmann (1998):
• Exaustão emocional: os professores, depois de uma interação intensiva com os
alunos, denotam desgaste de suas energias emocionais e advertem que não podem
trabalhar com a mesma dedicação e energia que apresentavam no princípio de suas
carreiras. Esta dimensão manifesta-se através do esgotamento de recursos
emocionais próprios; o docente sente que não pode dar mais de si mesmo em nível
emocional.
• Despersonalização: manifesta-se através de atitudes negativas como o tratamento
depreciativo, atitudes frias e distantes e/ou desconexão dos problemas dos
estudantes. Esta dimensão pode entender-se como um modo de enfrentamento à
exaustão emocional que experimenta o professor.
• Falta de realização pessoal no trabalho: produz-se uma valoração negativa do
próprio papel profissional. Os professores, desgastados profissionalmente, sentem-
se insatisfeitos com seu trabalho, o que os leva a revelar sentimentos de ineficácia
no desenvolvimento de seu trabalho (Schaufeli & Enzmann, 1998).
A Universidade de Brasília (UnB) realizou, a partir de um acordo com a
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), uma grande pesquisa
22

nacional no final da década passada sobre o burnout com 52 mil trabalhadores em 1.440
escolas. Esse trabalho foi publicado no livro Educação: Carinho e Trabalho (Editora Vozes,
434 páginas). Os resultados mostraram que 48% dos entrevistados apresentavam algum
sintoma da síndrome.
Uma pesquisa mais recente, de 2003, feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino
Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresentou resultados semelhantes: 46% dos
professores já tiveram diagnosticado algum tipo de estresse - entre as mulheres esse
número chega a 51%. No Mato Grosso do Sul, segundo dados da CNTE e da Federação
dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul, mais de 60% das licenças
médicas concedidas aos trabalhadores em educação no Estado são para professores. Do
total de licenças, 38% estão relacionadas a transtornos mentais e comportamentais, o
principal motivo dos afastamentos (Revista Educação, Ed 119).
Há várias pesquisas realizadas com professores no Brasil, objetivando avaliar as
condições de estresse e saúde, podendo ser destacadas algumas delas. Codo (1999)
realizou uma pesquisa sobre a saúde mental dos professores de 1o e 2o graus em todo o
país, abrangendo 1.440 escolas e 30 mil professores, revelaram que 26% da amostra
estudada apresentavam exaustão emocional. Essa proporção variou de 17% em Minas
Gerais e Ceará a 39% no Rio Grande do Sul. A desvalorização profissional, baixa auto-
estima e ausência de resultados percebidos no trabalho desenvolvido foram fatores
importantes para o quadro encontrado.
Uma pesquisa realizada pela International Stress Mangement Association no Brasil,
apontou que cerca de 30% dos trabalhadores no país são vítimas do burnout. Outro estudo,
da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, mostrou que 48% dos
empregados na área sofrem com algum sintoma e 25% dos professores apresentam a
síndrome completa (Revista Psicologia e Profissão). Sugere-se para o tratamento do
burnout uma mudança na relação do profissional com o seu trabalho, ou seja, adotar hábitos
mais saudáveis, como dedicar mais tempo ao lazer, ao esporte e práticas religiosas,
atividades estas que são incluídas em um Programa de Qualidade de Vida.
Entretanto, é sabido que há um grande obstáculo, pois muito se tem falado sobre
qualidade de vida, porém, ainda é muito baixo o investimento em programas dentro das
instituições. Segundo pesquisa realizada pela ISMA-BR, somente 5% das companhias
oferecem programas de qualidade de vida de forma regular para seus funcionários.
Araújo T. et al. e Silvany et al. (1998), realizaram amplos estudos sobre as condições
de saúde e trabalho de 573 professores da rede particular de ensino em Salvador, Bahia,
em 1996 As queixas de saúde mais freqüentes foram dores nas costas e pernas e, no
âmbito psicoemocional, cansaço mental e nervosismo. Ter calos nas cordas vocais foi
referido por 12% dos professores. A prevalência de distúrbios psíquicos menores foi de
23

20%, associada a trabalho repetitivo, insatisfação no desempenho das atividades, ambiente


intranqüilo e estressante, desgaste na relação professor-aluno, falta de autonomia no
planejamento das atividades, ritmo acelerado de trabalho e à pressão da direção.
Outra pesquisa do gênero foi realizada Núria Serre Delcor e Col (2004), objetivando
descrever as condições de trabalho e saúde dos professores da rede particular de ensino da
cidade de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil. Num questionário auto-aplicado foram
coletadas informações de 250 professores de dez escolas. Entre as características do
trabalho docente avaliadas, destacaram-se ritmo acelerado de trabalho, ser criativo e ter
boas relações com as pessoas no trabalho. As queixas de saúde mais freqüentes estavam
relacionadas à postura corporal, à saúde mental e a queixas relacionadas à voz.
Quanto às fontes de estresse nos professores, pesquisas realizadas no Brasil,
segundo Cruz (1990) apontam como fontes do estresse, o demasiado trabalho para fazer,
as turmas difíceis, nível de barulho bastante elevado, alunos pouco motivados, salário
inadequado, comportamento inadequado dos alunos, formação inadequada, más condições
de trabalho, pressão de tempo.
Outras fontes de estresse que merecem destaque são: a excessiva carga de
trabalho, já que os professores preparam aulas em casa e em época de provas, estas são
corrigidas em seus lares, em momentos que deveriam ser destinados ao lazer, questões
ambientais como iluminação e ruído excessivo, relacionamento ruim com colegas, entre
outras situações como o medo, a insegurança gerada pelo mau comportamento e rebeldia
dos alunos, falta de comunicação, má gerenciamento, classes com números excessivos de
alunos.
Em artigo publicado em 2005 na revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de
Educação da USP, as pesquisadoras Sandra Gasparini, Sandhi Barreto e Ada Assunção,
do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG,
citam estudos realizados em várias localidades - Belo Horizonte e Montes Claros (MG),
Vitória da Conquista e Salvador (BA), Santa Maria (RS) e Campinas (SP), entre outras -
para aferir as condições de saúde do professor, a incidência dos pedidos de licença médica
e suas motivações.
O estresse do professor também pode ser determinado pelas más condições físicas
do trabalho as quais as pessoas estão sujeitas, sendo necessário a realização de uma
análise ergonômica do ambiente de trabalho para identificar suas possíveis causas.
O termo ergonomia, segundo Vilarta e Moraes apud Wisner (1987) significa “o
conjunto dos conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários à concepção de
instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o máximo de conforto,
segurança e eficiência”.
24

O termo conforto, como noção subjetiva, seriam as várias influências a que o corpo
está submetido no trabalho, tanto nas esferas físicas como somática. Já o sistema eficiente
é aquele em que o trabalhador pode preservar a sua saúde, se sinta bem, para que possa
permanecer no posto de trabalho e desenvolver suas atividades profissionais de forma
produtiva, diminuindo assim o absenteísmo.
Para Vilarta e Moraes (2004) a Ergonomia “surgiu para tornar as interfaces do
sistema de trabalho mais adequadas às características psicofisiológicas humanas.”A
ergonomia pode abranger tanto a prevenção (saúde; segurança) e o desempenho no
trabalho.
25

2. JUSTIFICATIVA

O estudo do estresse na atualidade aponta para a necessidade clara de medidas


preventivas de tratamento do estresse excessivo. Partindo do conceito de que um grupo
pode ser “um conjunto de indivíduos que interagem partilhando determinadas normas na
realização de uma tarefa” (Bleger J., 1971) e que uma instituição se faz a partir de grupos,
podemos dizer que, dentro das instituições chamadas “empresas” pode-se considerar o
grupo “professores” por estarem presentes na instituição chamada “escola”. Desta forma,
direcionamos nosso estudo nos problemas relacionados com a população de professores
que podem ser afetados pelo estresse, fator este suscetível em qualquer organização
independentemente do tipo de atividade realizada pelos colaboradores.
26

3. OBJETIVOS:

Geral: Desenvolver um programa de qualidade de vida para os profissionais de escolas de


ensino fundamental, objetivando orientá-los na detecção e prevenção do estresse, bem
como propor técnicas para lidar com situações estressantes e seus efeitos, a fim de diminuí-
los.

Específicos:

- Conscientizar os professores sobre a problemática do estresse, bem como os sintomas e


ações para prevení-lo.
- Propor atividades individuais e em grupos que auxiliem na prevenção/ diminuição do
estresse;
- Criar espaço e ambiente para os profissionais exporem seus sentimentos e dificuldades,
criando um clima participativo e colaborativo;
- Desenvolver a prática de atividades físicas como potencial para o combate ao estresse,
bem como da valorização do lazer.
- Propor conscientização de uma alimentação saudável;
27

4. MÉTODO

4.1 Local:
O Programa poderá ser implantado em qualquer escola, desde que feito um
diagnóstico prévio, definindo as necessidades da escola, para determinar quais atividades
melhor se enquadram.
Para o presente projeto, escolhemos a Escola Municipal de Ensino Fundamental
“Professora Sylvia Simões Magro”, localizada na avenida Homero Vasconcelos de Souza
Camargo, s/n, no Jardim Ipaussurama, na cidade de Campinas, devido a abertura e
interesse no Programa de Qualidade de Vida.
A instituição tem suas atividades realizadas de segunda a sexta-feira, das 7:00 às
23:00h, divididas nos períodos da manhã, intermediário, vespertino e noturno.
Nela são desenvolvidos cursos de nível fundamental, ou seja, da pré-escola até a 8ª
série e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

4.2 Perfil dos Participantes:

Há 32 professores na escola, porém somente 24 se disponibilizaram a participar da


pesquisa, todos do sexo feminino. As idades variam de 29 a 58 anos. Todos possuem
Superior Completo.

4.3 Material:

Foi utilizado para o levantamento de dados e diagnósticos do nível de estresse no


grupo de professores, o Inventário de Estresse de Marilda Lipp – ISSL, em anexo. Este
instrumento objetiva identificar a sintomatologia que o paciente apresenta, avaliando se este
possui estresse, em que fase se encontra e a predominância do sintoma (se é físico ou
psicológico).
O teste é divido em quatro quadros. O primeiro diz respeito a 12 sintomas físicos e 3
psicológicos, que a pessoa está sentindo ou não nas últimas 24 horas. O segundo quadro
apresenta 10 sintomas físicos e 5 psicológicos, sentidos na última semana ou não. O
terceiro quadro refere-se a 12 sintomas físicos e 11 psicológicos, observados durante o
ultimo mês.
No total são 37 itens de natureza física e 19 psicológicas, sendo os sintomas muitas
vezes repetidos, diferenciando somente na sua intensidade de seriedade.
28

4.4 Procedimentos:

4.4.1 – Primeira Fase – Diagnóstico

O teste foi aplicado em quatro turmas diferentes e em dias alternados, de acordo com
o agendamento da escola.

– Segunda Fase – Devolutiva

Após a tabulação dos resultados do Instrumento ISSL, elaboramos uma carta


individual aos professores indicando a existência de estresse ou não, a fase em que se
encontra e a predominância dos sintomas. Nesta reunião foi apresentada a proposta de
intervenção, que são as atividades deste Programa de Qualidade de Vida, relatados mais a
frente.

4.4.3 – Terceira Fase: Proposta de Programa de Qualidade de Vida – Intervenção no


grupo de Professores.

Atividades propostas:
1. Acompanhamento médico: Através de convênios com Universidades, além do
atendimento básico de saúde, serão realizados exames para diagnóstico físico e
posteriormente as devidas intervenções.

2. Psicoterapia: Acompanhamento psicológico onde se estabelece uma relação de


ajuda entre paciente e terapeuta. A pessoa busca a psicoterapia para aliviar seus sintomas
físicos e emocionais através do falar.
Na relação psicoterapêutica o paciente tem que se sentir acolhido, compreendido e ouvido
por uma pessoa sem julgamentos, mas que lhe dê oportunidade para falar tudo a seu
próprio respeito.
Sugerimos a procura por clínicas, hospitais e entidades que possam oferecer atendimento
psicológico.

3. Orientação nutricional: Palestras com Nutricionistas e distribuição de folhetos


educativos. Através desses meios, os professores passarão a ter acesso a informações
básicas, porém úteis para a saúde como, por exemplo, dietas específicas para quem sofre
de obesidade, diabetes, hipertensão, entre outros problemas que afetam a saúde.
Exemplo de programa para controle peso corporal:
29

Força / resistência
Aeróbios Flexibilidade
Muscular
Mínimo de 3
3 a 5 vezes por
Freqüência 2 a 3 vezes por semana sessões semanais
semana
em dias alternados
que permita realizar de 3 a 5 vezes de
40%a 60% da FCR
15 a 20 repetições, sem alongamento
Intensidade (freqüência cardíaca
perder a qualidade do estático de 10 a 30
de reserva)
movimento segundos
Mínimo de 10 minutos 5 a 10 minutos de
Duração 30 a 60 minutos
cada sessão cada sessão
Exercícios resistidos,
Modo /Tipo Caminhada, corrida Alongamento
localizados e dinâmicos
GUEDES & GUEDES, 1998

Estado Nutricional
Reflete o grau em que as necessidades fisiológicas de nutrientes estão sendo ou não
atendidas. O equilíbrio entre a ingestão de nutrientes e a necessidades do organismo
determinam um estado nutricional ótimo.
As necessidades de nutrientes dependerão de fatores como estresse, infecções, traumas,
crescimento, gravidez, manutenção do peso.

Dicas Nutricionais
• Comer alimentos pobres em gorduras;
• Aumentar fibras na dieta, principalmente as solúveis, existentes em alimentos como
aveia, ervilha, laranja, maçã, pão integral, arroz integral, cenoura, feijão preto,
beterraba; as fibras reduzem a gordura no sangue;
• Aumentar o consumo de peixes. Eles possuem ácidos graxos e ômega 3 – atum,
sardinha bacalhau, salmão;
• Consumir alho - ele é um alimento funcional que ajuda a combater as gorduras;
• Consuma frutas ricas em vitaminas A (mamão, abóbora), C (laranja, acerola), e E
(abacate, sementes), pois eles são antioxidantes que protegem as artérias do
acumulo de gordura;
• Pratique atividades físicas com orientação;
• Diminua o consumo de açúcares e cereais refinados;
30

• Coma muita fibra - saladas cruas e frutas- sempre que comer cereais e açúcar
refinados.

4. Relaxamento e Meditação:

TAI CHI CHUAN


É uma seqüência de movimentos leves e suaves, que trabalham a concentração,
coordenação e equilíbrio que tem por objetivo relaxar e trabalhar todo corpo, desenvolvendo
força interna, flexibilidade e prevenção de doenças.
Pode ser praticado ao ar livre, pela manhã ou em qualquer outro lugar e horário,
apenas necessita de roupas confortáveis.
Os benefícios mais importantes são a melhora da circulação sanguínea, o controle
da ansiedade e o fortalecimento do sistema imunológico.

YOGA

As práticas do Yoga caracterizam-se pela permanência de uma condição de controle


e conforto, sugerindo relaxamento e prazer ao praticante, de tal forma que cada praticante
respeite o seu limite durante toda a prática.
As respirações praticadas podem ser rítmicas, uniformes e regulares, rápidas e
tônicas ou lentas e prolongadas. Esse controle respiratório das inspirações e expirações
envolve, inclusive, o treino de apneia, tanto no final da inspiração quanto a expiração,
durante períodos determinados.
Estudos indicam melhoras nos estados de ansiedade após a prática de exercícios
respiratórios de Yoga. Os movimentos respiratórios voluntários evocam a atenção, a
concentração e a habilidade motora.

As práticas corporais como Tai Chi Chuan e Yoga, proporcionam a redução de


ansiedade porque relaxam e acalmam o sistema nervoso e promovem a sensação de paz
interior, como também:

• Melhoram a memória e o raciocínio;


• Tornam a pessoa mais pacifica consigo mesma e com o mundo;
• O praticante passa a se aceitar, a se controlar melhor e, consequentemente, manter
a ansiedade a um nível tolerável;
• Melhoram a oxigenação de todos os órgãos;
• Aumentam a capacidade respiratória;
31

• Auxiliam no auto-controle;
• Diminuem os efeitos nocivos do estresse.

Posições do Yoga

Esta postura serve especialmente para o início das práticas,


trazendo tranquilidade corporal e acomodação mental.

Atua especialmente sobre a coluna vertebral, toda a


musculatura frontal sobre a interligação cérebro-espinhal
e o cócix, fortalecendo braços e ombros assim como
quadris, pernas e abdômen. Recomendada para diminuir
dores nas costas, gases intestinais e inflamações
uterinas.

Este exercício fortalece os braços e pernas, desenvolve


peitorais, braços e panturrilhas.

Ótima para fortalecer o abdômen e melhorar prisões-de-


ventre.

Uma das posturas de caráter recuperador, é das mais


completas para a harmonização da coluna vertebral. Atua
sobre a tireóide e leva profunda irrigação ao cérebro,
ativando as glândulas endócrinas situadas na hipófise e a
pineal. Age sobre a espinha, a região pélvica e o pulso.
32

Esta é uma das posturas que serve especialmente para desenvolver e


dar flexibilidade à estrutura lateral do corpo em todos os sentidos. Não
é postura difícil, mas requer prática constante.

É uma postura que requer muito equilíbrio e concentração. Proporciona


disciplina física e mental com efeitos profundos nestes níveis.

5. Jogos e Dinâmicas de grupo:

Serão promovidas palestras que orientam as pessoas em como evitar o estresse por
profissionais da saúde e psicólogos.
As dinâmicas deverão ter como objetivos possibilitar uma reflexão acerca de si, de
sua maneira de ser e características no dia-a-dia; Refletir sobre a forma de tratamento a
pessoas queridas, mudanças de comportamento, redimensionamento de atitudes, valores
nível da qualidade do desempenho dos papéis de cada um, no dia-a-dia, aprofundar
relacionamentos, possibilitar a auto-ajuda, companheirismo e, principalmente, celebração.
O tempo recomendado é se aproximadamente 40 minutos.

6. Atividades de Lazer:
Serão realizadas atividades de lazer de acordo com o interesse dos colaboradores
nos seus conteúdos culturais, ou seja, físico esportivo, turístico, artístico, intelectuais,
manuais e sociais. Sempre realizadas fora do horário das obrigações, sejam elas,
profissional, familiar, religiosa e social.
As atividades de lazer são ricas em contatos sociais variados, ou seja, provoca a
sociabilidade, proporcionando momentos de intercâmbio de idéias e experiências entre as
pessoas. Sendo as atividades de lazer realizadas mensalmente, na própria escola, ou,
através de convênios. Podendo ser modificadas de acordo com o interesse dos
colaboradores.

7. Atividades físicas.
Serão firmados convênios com Universidades da região da escola, incentivando a
prática de exercícios.
33

Na escola será proposto que os professores pratiquem caminha no horário adverso


de seu trabalho e também a ginástica laboral nos intervalos de cada aula, por 5 minutos os
professores executem os alongamentos, para alívios de tensões.

8. Ginástica Laboral.
Será implantada a ginástica laboral, realizada diariamente por 05 minutos nos
intervalos das aulas.
Sua definição é prevenir doenças ocupacionais (DORT)- Distúrbio Osteomusculares
Relacionadas ao Trabalho, e Lombalgias)através de exercícios específicos realizados no
próprio local de trabalho, através da Ginástica Laboral.Um Grupo de exercícios compõe
essa atividade que se classifica como:
Preparatória: ginástica com duração de 5 minutos, realizando no inicio da jornada de
trabalho, com acompanhamento do Professor de educação Física, estagiário(a) de
Educação Física e multiplicadores da própria área.tem como objetivo principal preparar o
funcionário (a) para sua jornada,aquecendo grupos musculares que serão solicitados nas
tarefas e também despertando –os para que sintam mais dispostos ao iniciar trabalho.
Compensatória: é realizada durante a jornada de trabalho, interrompendo monotonia
operacional.O objetivo é compensar fisicamente os funcionários após um período de
esforços praticados durante a jornada de trabalho, aproveitando as pausas para se
executem exercícios específicos de compensação aos esforços repetitivos e ás posturas
solicitadas nos postos operacionais, aumentando a capacidade de trabalho.
Relaxamento: realizada final da jornada, com a intenção de relaxar, deixar o corpo
mais leve para que assim possa terminar seu expediente mais descansado.
Seguem alguns exercícios:

INDIVIDUAL

Em pé, apóie as mãos numa mesa com os dedos voltados para trás,
alongando os antebraços.

Estenda um dos braços, com os dedos voltados para baixo, alongando


também o antebraço.
34

DUPLAS

Quem está sentado permanece com a coluna reta, o olhar para frente.
Puxe o pescoço do seu colega para o lado e segure por 30 segundos,
depois troque o lado.

Ainda na mesma posição, vamos alongar a lateral do corpo e coluna.


Puxe o braço do companheiro para cima e para a lateral. Troque o lado.

Quem está sentado estende os dois braços para cima unindo as mãos
enquanto você puxa os braços deste para cima.

Puxe o braço do seu parceiro para trás segurando pela mão, alongando o
tríceps.

Segure os braços do seu parceiro para trás e puxe-os alongando os


braços e os músculos peitorais deste.
35

O seu companheiro deve ficar em pé, encostado numa parede. Puxe a


perna deste, que deve estar flexionada, para cima. Troque o lado.

Na mesma posição, agora com a perna estendida. Troque o lado.

Primeiro o seu companheiro deve virar o corpo para trás, segurando na


cadeira. Você apenas ajuda a manter a posição. Este é um exercício de
torção que ajuda a alongar as costas. Faça para os dois lados.

Enquanto o seu parceiro está em pé, você puxa a perna dele para
trás segurando pelo pé. O seu parceiro deve manter o tronco reto,
um joelho ao lado do outro e o quadril encaixado. Troque a perna.

Neste exercício o seu companheiro puxa um dos braços pela frente do


corpo, alongando o ombro. Você apenas ajuda a manter a posição.
Troque o lado.
Troquem a posição. Quem foi alongado agora alonga o companheiro.
36

Dêem as mãos e levem o corpo para trás, curvando as costas e


alongando-as. Flexionem os joelhos.

Coloque as mãos no ombro do parceiro e desça o corpo à frente


mantendo as costas retas e as pernas estendidas. Desta forma
vocês alongam a coluna e a parte posterior das coxas e pernas.

Dêem as mãos e levem o corpo para o lado, alongando a lateral deste


e dando uma espreguiçada. Troquem o lado.

Dêem as mãos, um de costas para o outro. Levem o tronco à


frente alongando a coluna e a parte da frente do corpo.

Permaneçam em cada posição por 30 segundos. Vocês podem, também, fazer massagens
com uma bolinha de tênis na região do pescoço e costas para aliviar a tensão do trabalho.

Fonte: Valéria Alvin Igayara de Souza


CREF 7075/ GSP - Consultora de fitness do Cyber Diet.
Especialização em treinamento
37

9. Postura
A postura corporal que um individuo terá na idade adulta esta intimamente
relacionada com os estímulos e com as experiências a que foi exposto durante todo seu
passado. É o resultado da adaptação da espécie durante todo processo evolutivo e das
adaptações individuais que ocorrem durante o desenvolvimento neuropsicomotor para
aquisição da posição ereta, contrapondo-se ação da força da gravidade.
A postura é uma forma própria de linguagem em que o fator emocional é um elemento
importante apara definição e a forma de como o corpo se expressa e o que faz, segundos
suas emoções; podem refletir atitude mental, os estados de exaltação, a confiança e a
satisfação enquanto que a depressão e a dor atentam conta ela.

Indicações para a boa postura

• As posturas eretas estáticas devem ser evitadas, excetos em períodos curtos.


• Na posição sentada ou decúbito, a colocação de suportes ambientais devidamente
postos deve ser indicada para substituir a função dos músculos que estão relaxados.
• Quando estiver em pé mantenha um estrado ou banqueta pequena, de
aproximadamente 10 centímetros de altura, nos locais que você habitualmente
permanece. Coloque alternadamente um dos pés na banqueta e trabalhe
normalmente. Esta posição diminui a lordose lombar dando uma sensação de bem
estar na coluna.
• Ao dirigir, sente-se o mais próximo possível do volante e dessa maneira você estará
mantendo os joelhos um pouco mais alto que os quadris. Coloque uma almofada
atrás da região lombar.

Algumas sugestões de exercícios posturais especiais para professores:


Os exercícios podem ser incorporados na rotina de trabalho do professor inclusive durante a
aula. Eles relaxam a mente, alongam a musculatura e proporcionam serenidade e
concentração.

Equilíbrio e relaxamento
Esta postura melhora o equilíbrio, fortalece as pernas e relaxa os ombros.
Fique de pé com o corpo ereto e os pés apoiados no chão. Dobre o joelho
direito e segure o pé com a mão direita. O braço esquerdo fica erguido
acima da cabeça. Manter-se nesta e nas próximas posições, entre 30 a 40
segundos.
38

Fim do cansaço
Ao escrever na lousa, respire fundo e recomponha sua postura. Para aliviar a
tensão e recarregar a bateria, o importante é a coluna ficar ereta. "É comum
deixarmos a cabeça e os ombros caídos", diz Maíra. Coloque os pés bem
apoiados no chão, contraia as coxas, encolha o abdômen e gire os ombros
para trás, deixando a palma da outra mão virada para o seu corpo. Respire
algumas vezes e relaxe.

De olho na postura
Que tal fortalecer a coluna e as pernas enquanto lê um texto em sala de aula ou
em casa? Repita a posição anterior e dobre uma perna, apoiando-a na outra.
Não é necessário colocar o pé acima do joelho como na figura. O importante é
apoiar a perna a uma altura confortável, que não cause dor em nenhum
membro. Depois, repita com a outra perna. O ritmo é você quem define.

Contra o estresse
A posição é ideal para aliviar o estresse e o cansaço depois de uma aula
puxada ou de um dia inteiro de trabalho. Ela é ótima, também, para abrir a
garganta, um ponto sensível para os professores. Fique de pé, junte as pernas
e apóie as mãos na região lombar. Depois empurre a coluna um pouco para
trás junto com o pescoço, sem forçar a cabeça e a coluna.

Para acalmar a mente


Os exercícios com o banco podem ser feitos em seqüência. Como um ritual,
concentre-se e pense em uma hora do dia que seja agradável para você.
Essa pausa ajuda a esfriar a cabeça e a dar ânimo para uma nova atividade,
de trabalho ou de descanso. Sente-se em um banco e apóie bem os pés no
chão. Deixe os braços esticados sobre a perna e eleve o peito e a cabeça.
Respire bem fundo.
39

Esqueça dos problemas


Mantenha a postura anterior, abaixe a cabeça, feche os olhos e respire
fundo. Esvazie a mente e tente não pensar em problemas. O objetivo é
se desligar, relaxar o pescoço e a cabeça e se centrar em si mesmo.
Este exercício pode ser feito em casa ou no intervalo das aulas, na sala
dos professores. Para se concentrar, pense nas partes do seu corpo que
estão sendo estimuladas.

Digestão mais fácil


Esta posição é ótima para melhorar a digestão e aliviar dores no final da
coluna e na nuca. O foco do exercício é a coluna e a cintura. Ainda sentado
e com os pés unidos, apóie a mão direita no joelho esquerdo, torcendo o
corpo. Coloque a mão esquerda atrás das costas, mantendo a coluna reta.
Repita os movimentos alternando os lados direito e esquerdo.

Atenção à garganta
O exercício estimula a garganta e os órgãos abdominais. De costas
para a mesa, afaste os pés 1 metro um do outro, escorregue o tronco
para a esquerda apoiando o braço esticado na mesa. Eleve o outro
braço sobre a cabeça. Por último, dobre o joelho direito. Repita a
postura para o outro lado.

Adeus à dor nas costas


Esta postura tem como objetivos aliviar dores nas costas, alongar
ombros, braços e mãos e fortalecer as pernas. Fique de pé a uns
dois passos da mesa com as pernas unidas e apóie as mãos na
borda. Atenção: a coluna deve ficar reta. Deixe as orelhas
paralelas aos braços e arrebite o bumbum.
40

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

Tempo de
Atividade Periodicidade Responsável Local
duração
1.
Conforme Entidades de Escola, hospitais,
Acompanhamento Anual
necessidade saúde centros de saúde
médico
Sessões de 40 a Uma vez por Psicólogos e/ou Centros de saúde
2. Psicoterapia
50 minutos semana Psiquiatras ou consultórios
3. Orientação Sessões de 40 a Escola, hospitais,
Mensal Nutricionista
Nutricional 50 minutos centros de saúde
4. Relaxamento e Sessões de 30 Uma vez por Professor de Escola ou
Meditação minutos semana Educação Física Academia
Psicologos,
5. Jogos e Pedagogos ou
50 minutos Quinzenal Escola
Dinâmicas de Grupo Professor de
Educação Física
6. Atividades de Aproximadamente Direção Escola ou
Mensal Parques
lazer 2 horas assistente
Professor de Escola ou
7. Atividades físicas 30 minutos Diariamente
Educação Física Academia
5 minutos a cada Professor de
8. Ginastica Laboral Diariamente Escola
intervalo de aula Educação Física
Tabela 1
41

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Participação dos professores no ISSL


Responderam Não fizeram teste Total
24 8 32

Dos 32 professores da instituição, 08 (25%) não participaram da pesquisa e 24 (75%)


tiveram interesse em participar.

Apresentam sinais de estresse


Sim Não Total
16 8 24

Dos 24 que responderam ao Inventário, 16 (67%) apresentam estresse e 8 (33%)


não alcançaram os índices estabelecidos para indicação de estresse, embora apresentem
sintomas físicos e/ou psicológicos que, se não tratados, podem evoluir para um quadro de
estresse.

Dos que apresentaram sinais de estresse


1 Está na fase de exaustão
15 Estão na fase de resistência

Dos 16 professores com estresse, 15 (94%) estão na fase de resistência e somente


1 (6%) se encontra na fase de exaustão. O fato de a maioria estar na fase de resistência
sugere que os professores estressados estão tentando se adaptar às condições adversas
de modo que já existe um desgaste do organismo.

Predominância dos sintomas de estresse


Físico e Psicológico (igual) Físico Psicológico Total
6 8 10 24
42

Dos 24 profissionais estudados percebe-se que há uma predominância de 42% nos


sintomas de ordem psicológica e 33% de ordem física; 25% apresentam os dois sintomas
concomitantemente.

Sinais de estresse por faixa etária


Faixa de idade Nº professores Percentual
21 a 30 1 6%
31 a 40 4 25%
41 a 50 6 38%
51 a 60 5 31%
TOTAL 16 100%

Percebe-se no quadro acima que há uma prevalência de sinais de estresse na faixa


etária de 41 a 50, equivalente a 38% dos avaliados.
Nota-se que os resultados obtidos por meio da amostra dos professores neste
levantamento de dados, reforçam os resultados das diversas pesquisas realizadas com esta
classe de profissionais, mostrando o alto índice de estresse nesta categoria, o que justifica a
importância de um programa de Qualidade de Vida.
Os resultados obtidos neste estudo permitem concluir que a maioria das professoras
apresentou sintomas de estresse com predominância da fase de resistência onde é comum
que ocorram quedas na produtividade e na criatividade. Além disso, quando o estresse é
prolongado o sistema imunológico é afetado diretamente, reduzindo a resistência da pessoa
e tornando-a vulnerável ao desenvolvimento de infecções e doenças contagiosas. Isso
indica a necessidade e a importância da aplicação de um Programa de Qualidade de Vida.
A qualidade de vida do trabalhador melhora à medida que seu nível de estresse seja
reduzido, o que pode ser feito por intervenção nos “quatro pilares do controle de stress:
relaxamento, alimentação, exercício físico e modificações na área cognitiva” (Lipp, 2003),
aspectos estes contemplados nesta Proposta de Qualidade de Vida.
43

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