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03/09/2010 - 09:17 - ATUALIZADO EM 03/09/2010 - 12:23

Por que Mahler?

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Nunca entendi por que o compositor era idolatrado. Agora que sei, confesso: eu
era uma besta

PETER MOON

Peter Moon
O repórter especial de ÉPOCA vive No mundo da Lua, um espaço onde dá
vazão ao seu fascínio por aventura, cultura, ciência e tecnologia.
petermoon@edglobo.com.br

Em 2010, comemoram-se os 150 anos do nascimento do austríaco Gustav


Mahler (1860-1911). Em 2011, será a vez do centenário da sua morte. Eu não
tinha mais desculpa alguma para continuar empurrando com a barriga o meu
desconhecimento quase total da música de Mahler. Nunca descobri por que
tantos músicos e maestros idolatram Mahler, alçando-o ao mesmo nível do trio
sagrado da música: Bach, Mozart e Beethoven? Ou o trio já seria um quarteto?
Decidi que 2010 seria o ano de conhecer Mahler. É o que venho fazendo com
crescente interesse e dedicação desde 20 de março, quando fui à Sala São
Paulo ouvir a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) tocar a
Sinfonia nº 4, a primeira das cinco sinfonias de Mahler (de um total de dez) que
a Osesp programou para 2010.

Minha primeira reação foi de desconforto e estranhamento. Cada movimento


tinha um monte de andamentos. Que música maluca, meio sem pé nem
cabeça? Levou um tempo para meu ouvido começar a sintonizar o som de
Mahler. Era algo novo, algo que nunca tinha ouvido – e, por outro lado, não
era... Por vezes, aquela música lembrava uma velha conhecida. Aos poucos, o
estranhamento foi dando lugar à surpresa, ao ouvir passagens que claramente
remetiam à música de Stravinsky, de Schoenberg, de Prokovief, de
Shostakovich, de Bernstein e até do nosso Villa-Lobos. Todos estes
compositores que adoro encontravam-se inseridos dentro do universo sonoro
de Gustav Mahler.

Aí, descobri! Fez-se a luz e tudo ficou claro. Mahler foi o último dos românticos
e o primeiro dos modernos - e não Stravinsky, como eu sempre imaginara. Foi
Mahler quem pegou o romantismo das barras de Brahms e Bruckner para
esgotar as suas possibilidades, propondo o novo caminho a ser trilhado, o da
música atonal. Mahler abriu as portas para a música do século XX, mas não
teve tempo de cruzar o vão de entrada. Morreu em 1911. Coube a Stravinsky
inaugurar a música moderna com A sagração da primavera (1913).

No primeiro semestre de 2010, foram três as sinfonias de Mahler apresentadas


na Sala São Paulo: a Sinfonia nº 4 em Sol maior, em março, seguida pela
Sinfonia nº 1 em Ré maior - Titã, em abril, e pela Sinfonia nº 6 em lá menor –
Trágica, em junho. A estranheza inicial que senti na apresentação da Sinfonia
nº 4 ecoou novamente nas audições das sinfonias nº 1 e nº 6. Tudo começou
com o espanto. Este, por sua vez, foi se tornando uma agradável surpresa que,
por fim, deu lugar ao prazer da descoberta e ao desejo de conhecer mais. Foi
por esta razão que decidi ler a recém-lançada biografia Why Mahler? How one
man and ten symphonies changed the world, do jornalista e crítico inglês
Norman Lebrecht (Faber, 362 págs., £ 17,99). Comprei a edição inglesa pela
Amazon UK. A edição americana só sai em 12 de outubro. Eu tinha pressa. E
estou adorando! Lebrecht, de 62 anos, é um mahleriano confesso. Em 40 anos
de jornalismo cultural, passou pelas redações do The Times, do Daily
Telegraph e do London Evening Standard. Atualmente prepara um programa de
rádio para a BBC.

É assim, com os ouvidos na sala de concerto e os olhos na biografia de Mahler,


que tenho passado algumas das melhores horas de 2010. Ressalvo que o meu
ingresso no universo mahleriano, este caminho que se iniciou com um gosto de
estranheza e prossegue agora com o sentimento de admiração, não foi nada
fácil. Mahler não é fácil. Daí o título tão bem escolhido da biografia de Lebrecht:
Por que Mahler? Sua música não provoca a alegria imediata da música de
Mozart nem o deslumbramento de Bach.
Por que Mahler?

Gostaria de poder dizer que basta ouvir Mahler para gostar de Mahler. Isto
pode ser verdade para você. Mas aposto que para a maioria dos amantes da
música – e aí me incluo – esta não é uma condição suficiente. Para gostar de
Mahler é necessário ouvir e entender Mahler. E entender Mahler significa
conhecer – ao menos em pinceladas – a trajetória da música ocidental, do
barroco de Vivaldi à atonalidade de Schoenberg.

Para admirar Mahler é preciso compreender as circunstâncias nas quais ele


viveu. É descobrir como aquele judeu pobre nascido numa província miserável
(a Boêmia, na atual República Tcheca) de um império decadente, o Austro-
Húngaro, conseguiu se tornar, ainda antes dos 40 anos, o maior regente vivo –
sim, regente, mas não compositor.

O maestro
A profissão maestro tem um início bem claro e definido na história da música; a
surdez de Beethoven. Até o fim do século XVIII, eram os próprios compositores
que regiam suas obras. A música era de câmara ou para pequenas formações.
Bach (1685-1750) e Mozart (1756-1791) regiam sentados ao cravo ou tocando
violino. Com as sinfonias de Beethoven (1770-1827), as orquestras se tornaram
grandes demais para poder ser regidas por um dos músicos. O momento de
inflexão é a Heróica (1803), a 3a Sinfonia de Beethoven. Quem fosse regê-la,
não poderia tocar nenhum instrumento. Toda a sua atenção teria que estar
voltada à partitura e à direção dos músicos. Este alguém era Beethoven – mas
Beethoven nunca mais poderia reger. O ano de 1803 marca tanto o surgimento
da Heróica (e da consagração de Beethoven como o maior compositor vivo da
época) quanto à consumação da sua surdez.
Se Beethoven não podia reger, quem o faria? Por que não elevar um músico à
condição de regente? Criar um profissional cujo papel seria apenas e tão
somente reger as obras de outros, o primeiro maestro. Durante o século XIX,
houve vários. O mais importante foi Hans von Bülow (1830-1894). Ele era o
regente das óperas de Richard Wagner. Também era seu empregado, seu
vassalo, seu capacho – inclusive perdendo para Wagner a sua esposa, Cosima.

O maior de todos os maestros, no entanto, foi Mahler. Ao assumir a Ópera de


Viena, decidiu proibir a entrada de pessoas na sala de concerto após o início do
espetáculo. Foi também Mahler quem estabeleceu a disposição dos músicos da
orquestra como a conhecemos, colocando os naipes de violinos e o spalla à
esquerda do maestro, violas ao centro, violoncelos e contrabaixos à direita, os
metais mais afastados e a percussão ao fundo. Mahler também proibiu o
aplauso nas pausas entre cada movimento, reservando-os para o final.
Aplausos em cena aberta, só em ópera.

O estilo de regência de Mahler criou uma linhagem. Entre seus discípulos


diretos estavam os futuros regentes Bruno Walter e Wilhelm Furtwängler, ao
lado do jovem Arnold Schoenberg. Tudo isso eu aprendi em O mito do
maestro - Grandes regentes em busca do poder (Civilização Brasileira, 574
págs., R$ 61), uma obra enciclopédica e fenomenal de Norman Lebrecht.

Desde a estreia da sua 1ª Sinfonia, em 1888, as composições de Mahler


tiveram por parte de crítica e público recepções quase sempre desastrosas. Na
virada do século XIX para o XX, o gosto do público estava sintonizado com a
música triunfal de Wagner. Já Mahler era amargo, melancólico e nostálgico. Sua
música era o reflexo da personalidade complexa do compositor.
O compositor

Mahler era contradição. Após reger a Ópera de Budapeste, a segunda mais


importante casa de ópera do império austro-húngaro, o caminho natural de
Mahler seria reger a Ópera de Viena – mas ele era judeu num império repleto
de leis anti-semitas e restrições ao trabalho de milhões de judeus. Em nome da
sua arte, converteu-se ao catolicismo. Sem a conversão, sua ascensão ao cargo
de diretor da Ópera de Viena jamais ocorreria.

Mahler é multiplicidade. Ele próprio dizia que tinha três origens, mas nenhuma
identidade. Nasceu na Boêmia e era judeu. Brilhava na capital do império, cujo
público não esquecia as suas origens na província. Com a conversão, tornou-se
um estranho entre os judeus.
Mahler é amargura. O artista que se entrega de tal forma à sua música que
acaba por perder o amor da amada mulher, Alma. Ela passa a traí-lo
abertamente. Toda a Viena – assim como ele – sabem disso.

Mahler é clarividência. Quando a sua música atinge a beira do precipício atonal,


a nostalgia de um passado idílico que não mais existe dá lugar ao fatalismo
sombrio da catástrofe iminente. É quando começamos a escutar os sons da
mecanicidade tecnológica. Ribombam os canhões da Primeira Guerra Mundial
(1914-1918).

A profusão de sons da metrópole moderna transparece na harmonia de


algumas sinfonias. Um movimento cuja indicação de andamento era o allegro
pode soar como música de funeral. Já uma marcha fúnebre pode, de uma hora
para a outra, ganhar ares de valsa. Esta alteração de humor musical irrompe
com tantas variações e nuances quantas seriam as surpresas e tragédias
reservadas para o século XX. O espectro do holocausto é apenas um deles.

A hora chegou
Há 100 anos, o público não estava preparado para a revolução mahleriana.
Como poderia? Mahler estava além do seu tempo. Ele sabia disso, tanto que
certa vez afirmou: “Minha hora chegará”. Ele viveu desesperadamente, como
quem sabia que tinha pouco tempo para completar a sua missão na Terra –
exaurir as possibilidades do romantismo, reinventar a orquestra e a arte da
regência. Todas estas eram pré-condições necessárias para que Mahler pudesse
acenar na direção da música moderna. Conseguiu realizar quase tudo, antes de
morrer prematuramente de uma falha cardíaca aos 50 anos, em 1911.

No fim dos anos 1950, quando o americano Leonard Bernstein assumiu a


Sinfônica de Nova York, disse que o mundo já estava pronto para Mahler. “A
hora de Mahler chegou.” No meio século desde a sua morte, a música de
Mahler nunca foi esquecida – como aconteceu com a música de Bach por quase
80 anos, até ser resgatada por Felix Mendelssohn, em 1829 (essa é uma linda
história, mas fica para outra coluna). Na Europa, com exceção do lapso do
regime nazista, Mahler nunca deixou de ser ouvido. Mas, no resto do mundo,
não.

Por que Mahler? Creio que cada leitor e cada ouvinte terão as suas próprias
respostas para esta pergunta. Mas está na hora de começarmos a respondê-la.

P.S.:
Fica aqui um agradecimento especial ao meu querido amigo Luis Antônio Giron,
o editor de cultura da ÉPOCA. Foi ele quem me mostrou o caminho das pedras
para começar a devassar o universo de Mahler.

As próximas Sinfonias de Mahler na Osesp:

De 16 a 18 de setembro:
Sinfonia nº 7 em mi menor

De 7 a 9 de outubro
Sinfonia nº 3 em ré menor

Gustav Mahler

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


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Gustav Mahler

Fotografia de Gustav Mahler tirada em 1909.

Informação geral
Nome Gustav Mahler
completo

Nascimento 7 de julho de 1860

Origem Eisenach

País
Boémia

Morte 18 de maio de 1911 (50 anos)

Ocupação(ões) Compositor, multi-


instrumentista, cantor e maestro.

Gustav Mahler (Kalischt, Boêmia - Império Austro-Húngaro -


atualmente República Checa, 7 de julho de 1860 — Viena, 18 de maiode 1911)
foi um regente e compositor tcheco-austríaco de origem judaica. Atualmente,
Mahler é visto como um dos maiores compositores do período romântico,
responsável por estabelecer uma ponte entre a música do século XIX com a
do período moderno e por suas grandes sinfonias e ciclo de canções
sinfônicas, como, por exemplo, Das Lied von der Erde (A Canção da Terra). É
considerado também um exímio orquestrador, por usar combinações de
instrumentos e timbres que pudessem expressar suas intenções de forma
extremamente criativa, original e profunda. Suas obras (principalmente as
sinfonias) são geralmente extensas e com orquestração variada e numerosa.
Mahler procura romper os limites da tonalidade, pois que em muitas de suas
obras há longos trechos que parecem não estar em tom algum. Outra
característica marcante das obras de Mahler é um certo caráter sombrio,
algumas vezes ligado ao funesto.

Índice

 1Biografia
o 1.1Primeiros anos
o 1.2Formação musical
o 1.3A amizade com Bruckner
o 1.4A carreira de regente
o 1.5Viena
o 1.6Da Europa para os Estados Unidos
o 1.7Últimos anos
 2O legado de Mahler
 3Conjunto da obra
 4Principais obras
o 4.1Sinfonias
o 4.2Ciclos de canções, coleções e outros trabalhos vocais
 5Filmes
o 5.1Sobre o compositor
o 5.2Trilha sonora
 6Referências
 7Bibliografia
 8Ligações externas

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Em 7 de Julho de 1860, no pequeno burgo de Kalischt (hoje Kaliště, em checo),


na região da Boêmia, numa região que não ficava muito longe da fronteira
da Morávia, nasceu Gustav Mahler. Seus pais foram Marien Hermann (1837-
1889) e Bernhard Mahler (1827-1889).[1]

O primeiro filho dos Mahler, Isidor, nascido em 1858, sofreu um acidente fatal
ainda durante a infância[2] , passando Gustav a ser o mais velho de seus
irmãos. Os Mahler tiveram ao todo catorze filhos, contudo oito não chegaram a
atingir a fase adulta.

Gustav e sua família eram judeus e faziam parte de uma minoria alemã que
vivia na Boêmia. Anos mais tarde, Gustav Mahler lembraria essa condição:
"Sou três vezes apátrida! Como natural da Boêmia, na Áustria; como austríaco,
na Alemanha; como judeu, no mundo inteiro. Em toda parte um intruso, em
nenhum lugar desejado!"

Bernhard, o pai, era estalajadeiro e comerciante de licores, desejava uma


posição melhor na vida, e procurava estimular a ambição nos filhos. A mãe,
Marie, manca, proveniente de uma família pobre, filha de um fabricante de
sabão, havia sofrido várias decepções amorosas durante a juventude. Ela
casou-se forçada com Bernhard e procurava contentar-se com aquilo que tinha.

O relacionamento entre os pais de Gustav não era muito bom e a atmosfera do


lar era pesada, o que influenciou psicologicamente Gustav pelo resto da vida.
O pai de Mahler tinha um caráter violento e costumava maltratar a esposa.
Sobre eles, Mahler disse certa vez: "Meus pais se davam como o fogo e a
água. Ele era um teimoso; ela, a própria candura. Sem essa aliança, nem eu,
nem minha Terceira (sinfonia) existiríamos. Quando eu penso nisso, sempre
experimento uma estranha sensação."

Em Dezembro de 1861, alguns meses após o nascimento de Gustav, a família


mudou-se para Jihlava (Iglau) na Morávia, em busca de uma vida melhor.

Em Jihlava, o exército austríaco era uma presença constante. As marchas e


toques de recolher dos soldados ouvidas pelo jovem Gustav marcaram-no
bastante, a tal ponto de ter feito uso destes elementos em suas composições.

Gustav Mahler ficou conhecido por utilizar diversas melodias pertencentes ao


universo da música popular tradicional europeia em várias obras suas, criando
assim estruturas e melodias musicais únicas.

Formação musical[editar | editar código-fonte]

Gustav Mahler teve as suas primeiras lições musicais ao piano, em 1866,


quando tinha 6 anos de idade. Seu primeiro professor foi um mestre-capela do
teatro de Jihlava, conhecido como Viktorin. Em 1869, ele passou a ter lições de
piano com um pianista chamado Brosch.

Em 13 de outubro de 1870, Gustav Mahler deu o seu primeiro recital em


público, em Jihlava.

Em 1871, Mahler começou a estudar no Gymnasium de Praga e hospedou-se


na casa dos pais de Alfred e Heinrich Grünfeld, futuros músicos. Foi um duro
período de maus tratos e humilhações e seu pai, depois de tomar
conhecimento da situação insustentável do filho na casa da família Grünfeld,
resolveu trazê-lo de volta para Jihlava, em Março de 1872. Em Jihlava as lições
musicais prosseguiram. Gustav também lia bastante e para isso contou com a
ajuda do pai, que possuía uma boa biblioteca.

Em 1875, durante uma audição, o professor de piano do Conservatório


de Viena, Julius Epstein (1832-1926), exclamou: Gustav é um músico nato… É
impossível que eu esteja errado. Em 20 de Setembro de 1875, aos 15 anos,
Gustav Mahler ingressou no Conservatório de Viena, onde permaneceu por
três anos. Por essa época, ele também começou a escrever uma ópera,
chamada Herzog Ernst von Schwaben.[3]

No conservatório, Gustav teve aulas de piano com Epstein, de composição


com Franz Krenn (1816-1897) e de harmonia com Robert Fuchs (1847-1925).
O diretor do conservatório era Joseph Hellmesberger (1828-1893), 47 anos,
regente, violonista, considerado personagem pitoresco, fundador de um famoso
quarteto de cordas e antissemita.[4]

Entre os colegas de Mahler no conservatório estavam Hugo Wolf, Hans


Rott e Rudolf Krzyzanowski, que se tornaria seu amigo mais íntimo neste
período. Todos eles eram pobres, contudo Mahler conseguia arrecadar um
pouco mais de dinheiro porque trabalhava como professor de música e recebia
mantimentos e roupas de seus pais. Mesmo assim, precisou pedir em 1876 ao
conservatório uma isenção do pagamento da mensalidade anual. Julius Epstein
apoiou Gustav e este pagou apenas metade do valor. Epstein continuou a
ajudar Mahler e lhe arrumou mais alunos para piano, chegando inclusive a
indicar o próprio filho.

Em 1876, Gustav recebeu vários prêmios de composição e piano. Em 10 de


Julho, em Viena, executou o seu Quinteto para Piano e em 12 de
Setembro apresentou a sua Sonata para Violino, em Jihlava.

A amizade com Bruckner[editar | editar código-fonte]


Foto tirada em sua infância, (c.1866).

Por volta de 1876, Richard Wagner (1813-1883) encontrava-se em um dos


pontos mais altos da carreira, e ao mesmo tempo Anton Bruckner (1824-1896)
começava a chamar a atenção. Em evidência estava também a figura
de Johannes Brahms (1833-1897) que era levada por seus fãs a chocar-se
contra as outras duas personagens.

Gustav e seus amigos do conservatório tinham grande admiração por


Bruckner. Bruckner, que na época tinha 52 anos, era receptivo aos jovens e
costumava ir aos concertos com eles. A amizade e admiração que Mahler teve
por Bruckner fez com que muitos tivessem imaginado que este teria sido aluno
daquele na universidade, o que não ocorreu, ainda que Mahler tivesse se
matriculado em vários cursos só para poder ouvir as conferências de Bruckner.

Sobre seu relacionamento com Bruckner, Mahler escreveu em 1902:

Nunca fui aluno de Bruckner. Todos pensavam que estudei com ele
porque em meus dias de estudante em Viena era visto frequentemente
em sua companhia e por isso me incluíam entre seus primeiros
discípulos. A disposição feliz de Bruckner e sua natureza infantil e
confiante fizeram do nosso relacionamento uma amizade franca,
espontânea. Naturalmente, a compreensão que obtive então de seus
ideais não pode ter deixado de influenciar meu desenvolvimento como
artista e como homem.

Em 16 de Dezembro de 1877 a Orquestra Filarmônica de Viena executou a


segunda versão da Terceira Sinfonia de Bruckner, sob sua própria
regência. A apresentação não foi bem recebida pelo público e muitas
pessoas chegaram até a deixar o recinto antes do final. A admiração de
Mahler e seu amigo Rudolf Krzyzanowski serviu de consolo para Bruckner,
que lhes confiou depois o trabalho de escrever um arranjo da sinfonia para
dois pianos. Julius Epstein supervisionou os estudantes, e em 1878 foi
publicado. Bruckner ficou contente e em reconhecimento presenteou
Mahler com o manuscrito da segunda versão.

A carreira de regente[editar | editar código-fonte]

Em Julho de 1878, então com 18 anos, Gustav Mahler obteve o diploma do


Conservatório de Viena, após um período que pode ser considerado bem
sucedido, tendo em vista os prêmios que recebeu durante sua estada. No
mesmo ano, matriculou-se em Jihlava. Dividiu seu tempo a dar aulas de
piano, e começou a escrever a letra de uma cantata chamada Das
klagende Lied (A Canção do Lamento). No Outono de 1878 retornou à
Viena para assistir a aulas de Filosofia e História da
Pintura na universidade.

Em 1879, trabalhou como professor de piano na Hungria e em Viena.

Em Junho de 1880, Mahler decidiu trabalhar por três meses como maestro
do teatro de Hall, estação de águas da Alta Áustria, onde dirigiu farsas e
operetas. Mahler não tinha demonstrado anteriormente desejo em tornar-se
regente. Alguns esperavam que ele se tornasse pianista, por causa de seu
ótimo desempenho, principalmente em obras de Beethoven e Bach.

O trabalho no teatro Hall era modesto e a Mahler era confiada também


outras tarefas, como por exemplo, fazer a faxina do fosso da orquestra,
após o espetáculo.

Em Setembro ele saiu do emprego e foi para Viena. Em 1 de Novembro,


terminou sua cantata Das Klagende Lied.
Em 1881, com 21 anos, inscreveu-se para o Prêmio Beethoven, que
oferecia 500 florins e fora instituído pela Sociedade dos Amigos da Música
(Gesellshaft der Musikfreund). Podiam participar do concurso alunos e ex-
alunos do Conservatório. O júri contava com Hans Richter, Carl
Goldmark e Brahms. Mahler disputou com a cantata Das klagende Lied,
uma obra dramática, influenciada pelo romantismo fantástico alemão, que
tinha escrito com entusiasmo, mas perdeu.

Ainda em 1881, trabalhou como regente em Laibach e em 1882 em Jihlava.


Em janeiro de 1883, recebeu um telegrama que convidou-o a reger
em Olmültz, na Morávia, em substituição a um maestro que havia falecido.
Em Olmültz inicia-se de fato a carreira de Mahler como maestro.

As condições de trabalho em Olmültz eram muito ruins e o jovem regente


era obrigado a improvisar. Seu ótimo desempenho e peculiar forma em
dirigir chamou a atenção.

Em Setembro de 1883 Gustav assumiu o cargo de regente substituto do


Teatro da Corte em Kassel e ficou em Kassel até abril de 1885.

Em seguida, foi regente em Praga (1885-1886) e em Leipzig (outono de


1886 a maio de 1888).

Enquanto esteve em Praga, notabilizou-se pela ótima interpretação das


óperas de Mozart e Wagner.

Em Setembro de 1888, Mahler assumiu o posto de diretor da Ópera Real


de Budapeste, onde teve grande liberdade para trabalhar, além da
responsabilidade de salvar a companhia da falência.

Seu trabalho com a Ópera Real foi coroado de êxito e ele mostrou ser, além
de grande regente, um excelente administrador. Tanto o público como os
lucros da companhia aumentaram. Em Janeiro de 1891, Brahms teria
assistido a uma apresentação de Don Giovanni, de Mozart e dito que nunca
antes assistira a um espetáculo de nível tão elevado.

Por essa época Mahler estudou com afinco Literatura e Filosofia, para
completar a sua formação intelectual. Entre os autores lidos por ele
constam Fiódor Dostoiévski, Jean Paul e Nietzsche. Ele também estudara a
coleção de poemas folclóricos Des Knaben Whuderhorn (A Cornucópia do
Menino).

Viena[editar | editar código-fonte]

Em 14 de Março de 1891, devido a diferenças no trabalho, Mahler pediu a


demissão em Budapeste. Em 29 de Março do mesmo ano, assumiu como
regente titular do Teatro Municipal de Hamburgo, onde permaneceu por
seis anos. Durante a época em que esteve em Hamburgo, a partir de 1894,
começou a ter como assistente um jovem chamado Bruno Walter, que anos
mais tarde notabilizar-se-ia como um grande regente e um dos melhores
intérpretes das suas obras.

Por essa época, Mahler planejava obter um emprego na Ópera da Corte de


Viena. Visitava o influente Brahms várias vezes em busca de apoio.
Infelizmente, havia um sentimento de que não-católicos e,
principalmente, judeus não deviam ocupar cargos na Ópera de Viena. Em
1897, Mahler, que não era um judeu praticante, converteu-se
ao Catolicismo. Além de ser conveniente para sua ascensão profissional,
o Cristianismo atraía Mahler pelo fato de oferecer uma promessa de
redenção, após uma fase de sofrimentos.

Em 1 de Maio, com 37 anos, Gustav foi nomeado Kappellmeister da Ópera


da Corte de Viena. Em 13 de Julho tornou-se subdiretor e em 8 de Outubro
diretor. Em Viena teve início a parte mais prestigiosa e mais importante da
sua carreira.

Da Europa para os Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Durante 10 anos, Mahler permaneceu em Viena onde passou a ser


considerado um grande perfeccionista.

Durante os ensaios, mesmo quando os músicos tinham desempenhos


brilhantes, ele exigia mais, o que algumas vezes gerava tensão. Mahler
costumava dizer: tradição é desordem… No plano humano faço todas as
concessões; no plano artístico, nenhuma. Não posso suportar os que se
desleixam, só os que exageram me interessam. Essa maneira de ser fez
com que ganhasse tantos admiradores, quanto inimigos.
Ele dirigia a Ópera de Viena durante nove meses por ano, e passava as
férias compondo, a maior parte em Maiernigg, onde tinha uma pequena
casa em Wörthersee. Nesse local ele compôs as sinfonias 4,5,6,7 e 8, mais
as cinco canções do Rückert-Lieder, ou Kindertotenlieder (Canções das
Crianças Mortas), e as últimas canções dos textos de Des Knaben
Wunderhorn (A Cornucópia do Menino), intituladas Der Tambourg'sell.

Em 7 de Novembro de 1901, Mahler conheceu a filha do pintor Emil


Schindler, Alma Schindler (1879-1964), que era cerca de 20 anos mais
nova. Em 9 de Março de 1902 os dois se casaram.

O casal Mahler teve duas filhas, Anna (1904-1988) que depois se tornou
escultora, e Maria Anna (1902-1907) que morreu de difteria em 1907. Neste
mesmo ano, Mahler descobriu que tinha uma doença cardíaca (infective
endocarditis) e perdeu o emprego na Ópera.

Sua demissão foi em parte provocada pela reação da imprensa antissemita,


principalmente após uma tentativa fracassada de promover a sua música.
Em sua época, a Quarta Sinfonia chegou até a ser bem recebida por
algumas pessoas, mesmo assim, Mahler nunca foi um grande sucesso. Ele
teve um pouco mais de reconhecimento somente após a execução
da Oitava Sinfonia, em 1910. As obras que escreveu depois não chegaram
a ser executadas, enquanto esteve vivo.

Depois que saiu da Ópera de Viena, Mahler aceitou um convite para dirigir
a Ópera Metropolitana de Nova Iorque (Metropolitan Opera). Em 21 de
Dezembro de 1907 ele chegou a Nova Iorque. Sua estreia na Metropolitana
ocorreu em 1 de Janeiro de 1908 com "Tristão e Isolda". Nessa época
Mahler tinha 48 anos.

Gustav Mahler dirigiu o Metropolitan durante a temporada de 1908 e só foi


deixado de lado em favor de Arturo Toscanini. Durante as férias, como de
costume, ele trabalhava em suas composições. No verão de 1908,
em Toblach Mahler terminou Das Lied von der Erde (A Canção da Terra).

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1909 Mahler desligou-se do Metropolitan e aceitou contrato de três


anos com a recém-organizada Filarmônica de Nova Iorque (New York
Philharmonic Orchestra). No verão, de volta à Europa, posou para o
artista Rodin em Paris.

Em 1910 terminou a Nona Sinfonia (seu último trabalho completo) e


começou a escrever a Décima.

Nesse ano, sua esposa Alma precipitou uma crise conjugal ao fazer
amizade com Walter Gropius. Em Leyden, Mahler teve uma consulta com o
psicanalista Sigmund Freud.

De volta à América, em Fevereiro de 1911, Mahler ficou extremamente


doente. O médico da família, Joseph Fränkel, em Nova Iorque, diagnosticou
uma infecção estreptocócica. Por sugestão do médico, no começo de Abril,
Mahler partiu para Paris para consultar um bacteriologista. Nessa época
Paris, em virtude das descobertas de Louis Pasteur era um centro de
referência para o estudo de moléstias de origem bacteriológica.

Por um breve período, Mahler teve uma pequena melhora e chegou até a
planejar uma viagem para o Egito. Contudo, ele não conseguiu se
recuperar. Um médico especialista em hematologia sugeriu que Mahler
fosse internado em Viena e para lá ele foi levado.

A 18 de Maio de 1911, com 50 anos e 46 semanas, Gustav Mahler morreu


em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, de uma infecção
estreptocócica do sangue. Suas últimas palavras foram: Minha
Almschi (uma referência a sua esposa Alma, literalmente traduzido, Minha
Alminha) e "Mozart". Como Beethoven, morreu durante uma trovoada. Ele
foi sepultado em Viena, no Cemitério Grinzinger,[5] ao lado da filha Maria,
conforme revelou antes de partir.

O legado de Mahler[editar | editar código-fonte]

Em certos aspectos Mahler foi para a música do século XX, aquilo


que Haydn representou para a geração de músicos que lhe sucederam. As
composições de Mahler tiveram um grande impacto em compositores
como Schönberg, Webern, e Berg, e em maestros como Bruno
Walter e Otto Klemperer. Esses dois trabalharam com Mahler e foram
ajudados por ele em suas carreiras, e mais tarde ajudaram a difundir a
música de Mahler pela América, onde esta influenciaria a composição das
músicas para os filmes de Hollywood.

Mahler também influenciou Erich Korngold e Richard Strauss, e as


primeiras sinfonias de Havergal Brian.

Entre as inovações introduzidas por Mahler estão o uso de melodias com


grandes implicações para a harmonia, a combinação expressiva de
instrumentos, em grande e pequena escala e combinação da voz e do coral
à forma sinfônica.

Além de compositor, Mahler foi também um grande maestro e suas técnicas


de regência sobrevivem até os dias de hoje.

Em sua época Mahler encontrou dificuldades em ver seu trabalho aceito.


Por bastante tempo ele ficou mais conhecido por suas excepcionais
habilidades como maestro de orquestra do que como compositor. Porém,
ele confiava em seu talento e dizia: Meu tempo há de chegar! E de fato, seu
tempo chegou, na metade do século XX, pelas mãos de uma geração de
regentes e admiradores que o conheceram, como o norte-
americano Leonard Bernstein. Em pouco tempo, ciclos completos das
sinfonias de Gustav Mahler foram gravados e suas obras foram executadas
por muitas orquestras importantes.

Atualmente entre os maiores e mais conhecidos intérpretes de Mahler


estão: Pierre Boulez, Riccardo Chailly, Claudio Abbado, Bernard
Haitink, Simon Rattle, Michael Tilson Thomas, Zubin Mehta, Markus
Stenz e Benjamin Zander.

Conjunto da obra[editar | editar código-fonte]

Gustav Mahler inicialmente seguiu a tradição dos músicos alemães,


encabeçada por Johann Sebastian Bach e pela "Escola de Viena"
de Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert, e que ainda incorporaria uma
geração de compositores românticos, tais como Schumann e Mendelssohn.
Entretanto, a influência decisiva em seu trabalho veio de Richard Wagner,
quem, segundo suas palavras, era o único compositor que realmente tinha
o desenvolvimento (ver forma-sonata) em suas músicas, depois de
Beethoven.

O conjunto de seu trabalho artístico é formado basicamente de canções


(ou lied), 9 sinfonias completas (Mahler chegou a trabalhar numa décima,
mas não conseguiu terminá-la) e um poema sinfônico. As sinfonias são as
obras que mais se destacam em sua produção artística.

A música de Mahler é bastante pessoal e reflete muito da personalidade e


vida do autor. Suas sinfonias são temáticas e são influenciadas pela
literatura. As sinfonias são complexas, enormes, tanto na duração, quanto
na quantidade de músicos necessários para sua execução. Mahler
costumava dizer que suas sinfonias deviam representar o mundo. De
maneira parecida com a nona sinfonia de Beethoven, a voz humana é
usada nas sinfonias números 2, 3, 4 e 8. Sua sinfonia número 8 requer
mais de mil músicos, entre orquestra, solistas e um coral imenso.

Mahler costuma usar melodias folclóricas, marchas, e instrumentos, como


trompete, que lembram a música militar, suas sinfonias são muito coloridas,
com alternâncias rápidas e inesperadas de notas altas e baixas, sons fortes
e fracos, momentos de tragédia, de triunfo, e de paz e extrema beleza.
A orquestração é original e o uso que faz dos instrumentos definem um som
mahleriano inconfundível.

A morte é o tema presente em sua obra. Passagens alegres dão lugar a


outras trágicas e de desespero, que refletem a vida atribulada do próprio
compositor. Mahler não teve uma infância fácil, seu pai batia na mulher, viu
o irmão querido morrer, seus pais morreram mais ou menos logo, e ele viu-
se na condição de chefe da família e responsável pelo sustento dos outros
irmãos mais novos. Mesmo após tornar-se adulto e ser independente, a
vida não foi fácil. O espectro da morte pairava sobre Mahler, pois ele, da
mesma forma como a mãe, sofria de problemas cardíacos; sua filha morreu
em 1907; era apaixonado pela esposa, Alma, contudo esta o traía.

Apesar de a tragédia ou a morte estarem sempre presente, não se pode


dizer que a obra de Mahler seja pessimista. De todas as suas sinfonias
completas, apenas uma (a sexta) termina realmente mal, com a morte do
herói sinfônico, e mesmo assim, de forma bastante heróica, no melhor estilo
das grandes tragédias gregas. Algumas passagens, como o Adagietto
da sinfonia n.º 5, ou o tema Alma da sinfonia n.º 6 são muito belas.

Gustav Mahler foi também o prenúncio de uma nova era da história da


música, em que as composições passariam a ser atonais. Músicos
famosos, dessa nova era, e que lhe sucederam, como Alban Berg e Arnold
Schönberg mostrariam respeito e admiração pelo músico. Schönberg
escreveu sobre Mahler: Em vez de perder-me em palavras, talvez fosse
melhor dizer logo: acredito firmemente que Gustav Mahler foi um dos
maiores homens e dos maiores artistas que jamais existiram.

As sinfonias de Mahler costumam ser divididas em três períodos. As


sinfonias do primeiro período são conhecidas como sinfonias Wunderhorn e
abrangem as sinfonias números 2, 3 e 4. Elas têm esse nome porque têm
vínculos com a música feita por Mahler para os poemas conhecidos
como Das Knaben Wunderhorn (A Maravilhosa Cornucópia do Rapaz).
Pode-se dizer que elas representam a busca de Mahler por uma fé firme e
ao mesmo tempo uma busca para suas respostas sobre a existência.

A sinfonia n.º 1 usa elementos do Lieder Eines Fahrenden


Gesellen (Canções de um Viajante Errante) e de Das Klagend Lied (A
Canção da Lamentação). É puramente instrumental e também tem certa
relação com Das Knaben Wunderhorn, ainda que de maneira mais indireta.

As sinfonias do segundo período: 5, 6 e 7, costumam ser chamadas de


sinfonias Rückert. Elas têm esse nome porque a composição delas foi
influenciada pela musicalização que Mahler fez para os poemas
de Friedrich Rückert (1788-1866). Elas são puramente instrumentais e as
mais trágicas do ciclo sinfônico.

O último período não tem nome e abrange as últimas obras do artista: as


sinfonias 8, 9 e a inacabada 10, além da sinfonia canção Das Lied von Der
Erde (A Canção da Terra). A voz humana é usada em grande parte na
sinfonia 8, e ela costuma ser chamada às vezes de sinfonia coral.

As sinfonias 9 e 10 são instrumentais, e o poema sinfônico Das Lied von


Der Erde (A Canção da Terra) é cantado. Existe um certo mistério em torno
dela. A princípio era para ser sinfonia número 9, mas por superstição
Mahler preferiu que fosse conhecida como um poema sinfônico.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

Sinfonias[editar | editar código-fonte]

 Sinfonia n.º 1 (ré maior), Titã (1884–1888)


 Sinfonia n.º 2 (dó menor, termina em mi bemol
maior), Ressurreição(1888–1894)
 Sinfonia n.º 3 (ré menor) (1895–1896)
 Sinfonia n.º 4 (sol maior, termina em mi maior), 1899–1901)
 Sinfonia n.º 5 (dó#menor, termina em ré maior), (1901–1902)
 Sinfonia n.º 6 (la menor), Trágica(1903–1904)
 Sinfonia n.º 7 (mi menor, termina em dó maior), Canção da Noite(1904–
1905) (Subtitulo não atribuído por Mahler)
 Sinfonia n.º 8 (mi bemol maior), Sinfonia dos Mil(1906) (subtítulo de que
Mahler não gostava)
 Sinfonia n.º 9 (ré maior, termina em ré bemol maior)1909–1910)
 Sinfonia n.º 10 (fa#menor, termina em fa#maior)1910–1911, incompleta,
Adagio e Purgatório preparados para apresentação por Ernst
Krenek (1924), versões completas por Deryck Cooke
(1960, 1964, 1975), Clinton Carpenter (1966), Joseph Wheeler (1948–
1965), Remo Mazzetti, Jr. (1989), Rudolf Barshai (2000), e Nicola
Samale/Giuseppe Mazzucca (2002). Muitos maestros célebres se
recusaram a interpretar a sinfonia completa, entre eles Bruno Walter e
Leonard Bernstein.

Ciclos de canções, coleções e outros trabalhos vocais[editar | editar


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 Das Klagende Lied 1880


 Drei Lieder (três canções para tenor e piano, 1880)
 Lieder und Gesänge aus der Jugendzeit (14 canções para piano com
acompanhamento, 1880–1890)
 Lieder eines fahrenden Gesellen (para voz com piano ou
acompanhamento orquestral, 1883–1885)
 Lieder aus "Des Knaben Wunderhorn" (para voz e orquestra, 1892–
1896, mais dois em 1899 e 1901)
 Rückert Lieder (para voz com piano ou acompanhamento
orquestral, 1901–1902)
 Kindertotenlieder (para voz e orquestra, 1901–1904)
 Das Lied von der Erde, (1907–1909)

Filmes[editar | editar código-fonte]

Sobre o compositor[editar | editar código-fonte]

 1974 - Mahler[6][7]
 2001 - Paixões ao vento (Bride of the Wind)[8][9]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

 1992, 1993 - O óleo de Lorenzo (Lorenzo's Oil)[10]


 1974 - O Jogador (The Gambler) IMDB
 1971 - Morte em Veneza (Morte a Venezia)[11][12]
 1982 - Legend of the Galactic Heroes (Lenda dos Heróis Galáticos)
 1998 - Star Trek: Voyager, episódio: Counterpoint
 2008 - Centopeia (filme)
 2010 - Shutter Island (A Ilha do Medo)

Referências

1. Ir para cima↑ Blaukopf, pp. 15–16


2. Ir para cima↑ Cooke, p. 7
3. Ir para cima↑ Sadie, p. 506
4. Ir para cima↑ Mitchell, Vol. I pp. 33–38
5. Ir para cima↑ Gustav Mahler (em inglês) no Find a Grave
6. Ir para cima↑ IMDb
7. Ir para cima↑ Yahoo! Movies
8. Ir para cima↑ IMDb
9. Ir para cima↑ Yahoo! Movies
10. Ir para cima↑ Yahoo! Movies
11. Ir para cima↑ Yahoo! Movies
12. Ir para cima↑ IMDb

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

 Barham, Jeremy (ed.) (2005). "Gustav Mahler's Musical


Jewishness" in Perspectives on Gustav Mahler (em inglês). Aldershot,
Reino Unido: Ashgate Publishing Limited. ISBN 0-7546-
0709 Verifique |isbn= (ajuda). Consultado em 7 de julho de 2012.
 Marc Vignal, Mahler, Editora Martins Fontes.
 Gustav Mahler (em inglês) editora=Futura Publications Ltd ed. [S.l.: s.n.]
1974. ISBN 0-86007-034-4
 Michael Kennedy, Mahler, Editor Jorge Zahar.
 Cooke, Deryck (1964). Mahler and the Eighth Symphony (performance
notes 29 May 1964) (em inglês) editora=Royal Liverpool Philharmonic
Society ed. [S.l.: s.n.]
 Jean & Brigitte Massin, História da Música Ocidental, Editora Nova
Fronteira.
 Aaron Copland, a reader: Selected writings, 1923–72 (em inglês).
Londres: [s.n.] 2004. ISBN 0-415-93940 Verifique |isbn= (ajuda).
Consultado em 7 de julho de 2012.
 Mitchell, Donald (1995). Gustav Mahler Volume 1: The Early Years (em
inglês). 1. Berkeley: University of California Press. ISBN 0-520-20214-7

Gustav Mahler
Gustav Mahler em outros
projetos:

Wikipédia

Wikimedia Commons

Wikisource

Gustav Mahler (7 de Julho de 1860 - 18 de Maio de 1911) ficou mais


conhecido em sua época como um dos principais regentes austríacos.

 "Uma sinfonia deve ser como o mundo. Precisa conter tudo".


- die Symphonie muss sein wie die Welt. Sie muss alles umfassen

- citado em "A hundred years of music" - Vol. 85, Página 261, de Gerald
Abraham - Aldine Pub. Co., 1964 - 325 páginas

 "A sinfonia é o mundo, deve abraçar tudo".


- Autor: Mahler - Fontes: SPENCE, Keith. O Livro da Música, SP: Círculo
do Livro, 1991. p. 117 e também no 7º Volume dos CDs da Coleção
FOLHA de Música Clássica
A sinfonia como visão de mundo

Colaboração para a Folha Online

Um homem de poucas palavras, mas de muitas ações. Com este


perfil, Gustav Mahler foi considerado o porta voz das transformações
musicais na virada do século 20. Considerado pelos estudiosos como
um dos grandes regentes da história, Mahler desde cedo já
apresentava sinais de seu talento para a música.

Ele passava horas imitando o som das marchas militares (a região em


que vivia era disputada por impérios) e estava sempre presente nas
apresentações folclóricas do vilarejo onde morava. Começou
estudando piano e, aos 10 anos, apresentou-se pela primeira vez em
um concerto.

Mahler nasceu numa pequena aldeia chamada Kalischt, localizada na


Boêmia (atual República Tcheca), no dia 7 de julho de 1860. Filho do
casal Bernard Mahler e Marie Hermann, teve uma infância pobre.

Seu pai era dono de uma taverna, tinha problemas com o alcoolismo
e freqüentemente batia na mulher. O compositor teve 14 irmãos e
chegou a presenciar a morte de alguns deles, como o querido Ernst.
Seu irmão Otto, também músico, suicidou-se em 1895.

O reflexo desse sofrimento também pode ser observado em suas


obras. Suas composições são extremamente complexas e filosóficas,
e trazem uma visão de mundo muito particular.
Aos 15 anos Mahler foi admitido no tradicional Conservatório de
Viena. Apesar de ser um excelente aluno, sofria discriminação por
não pertencer à aristocracia e por ser judeu.

Aos 20 anos já atuava como assistente na regência de orquestras que


se apresentavam em pequenos teatros provincianos, e em 1885
regeu a famosa Ópera de Praga, o que tornou seu nome mais
conhecido no ambiente das orquestras européias.

Respeitado por grandes nomes como Hans von Büllow, foi convidado,
em 1892, para reger uma obra de Wagner no Royal Opera House de
Londres. Em 1897 ele alcançou o cargo musical mais cobiçado de
toda a Europa, a cadeira de Maestro Titular da Ópera Imperial de
Viena, onde permaneceu por uma década.

Casou-se em 1902 com Alma Schindler, 20 anos mais jovem e


descrita como uma das mais belas mulheres de Viena. Tiveram duas
filhas, Anna (1904-1988) e Maria Anna (1902-1907).

Mahler tinha uma família bem estruturada e o trabalho reconhecido,


mas nunca estava contente. Melancólico e insatisfeito, confidenciou
ao amigo, e também compositor, Jean Sibelius a seguinte frase: “ A
sinfonia é o mundo! A sinfonia deve abranger tudo!”. E é incrível que
suas sinfonias – obras primas da música do início do século 20 –
tenham sido escritas durante as poucas horas vagas que sua carreira
de regente lhe proporcionava, em especial em suas férias de verão.

Seu maior desejo era transformar os mais diferentes sons em


harmonia pura. Iniciou sua carreira de compositor com a cantata Das
klagende Lied e com o ciclo de canções Lieder eines fahrenden
Gesellen, e a partir de 1888 – data de sua Primeira sinfonia – passou
a dedicar-se de corpo e alma a esse gênero: produziu mais dez
sinfonias, deixando a última inacabada.

Duas tristes coincidências, em 1907, mudariam para sempre sua


vida. A filha Maria Anna contraiu escarlatina e difteria e morreu.
Muito abalado, foi atendido por um médico que diagnosticou uma
cardiopatia que foi piorando gradualmente.

Nessa mesma época Mahler demitiu-se da Ópera de Viena e iniciou


uma nova fase no Metropolitan Opera de New York. Após um
tumultuado período nos Estados Unidos, onde não se acertou com a
platéia e músicos americanos, retornou a Viena. Muito doente,
Gustav Mahler morreu no dia 18 de maio de 1911.

Contexto histórico

Colaboração para a Folha Online

Quando o mundo ainda tentava entender a mudança radical que


ocorria na transição entre a escola romântica e a era modernista,
Mahler já dava sinais de que um período empolgante se aproximava.

Mesmo muito reservado, se tornou uma das personalidades mais


influentes e marcantes do cenário musical europeu no início do
modernismo.

A revolução artística no final do século 19 tentava transformar as


linguagens literárias, visuais e da música, abandonando aos poucos o
ideário romântico e preparando o terreno para as vanguardas que
surgiriam nas primeiras décadas do século 20. Esta nova visão da
arte criou grande polêmica entre os conservadores e os chamados
artistas revolucionários da época.
Vaidade, preconceito e convicções religiosas

Sempre excêntrico e calado, Mahler trocou o judaísmo pela religião


católica, atitude questionada até hoje. Há quem afirme que Mahler
tomou esta decisão obrigado pela política preconceituosa da época.
Mas existe a hipótese de que a ânsia pelo estrelato tenha falado mais
alto.

Ele teve uma vida intensa, sucesso na profissão e um casamento


conturbado. Tinha sensibilidade artística mas, no íntimo, nunca
encontrou seu verdadeiro limite. Sua décima e última sinfonia, que
não chegou a ser finalizada, exprimia também o amor que sentia pela
esposa Alma e o conflito que viviam no momento.

Sinfonia como a forma mais elevada da arte

Suas composições estão entre as mais difíceis de serem


interpretadas, não só pela complexidade do conteúdo, mas também
pelo número de instrumentos e sons exigidos. Mahler não admitia
que tratassem os concertos sinfônicos apenas como uma forma de
diversão.

Seus trabalhos, visivelmente influenciados por Richard Wagner e


Beethoven, chocavam o público da época. As sinfonias de Mahler
trazem alternâncias rápidas e inesperadas de andamento e
orquestração, além de inovações harmônicas e formais.

Ele tinha fascínio e medo pelo mistério da morte e deixava


transparecer esta característica em suas obras. Entre seus variados
temas estavam a busca pela vida eterna e a luta pela salvação das
almas.
Em seu repertório também aparece a busca por uma sonoridade que
pudesse imitar os sons mais fortes da natureza. Sua estética pede do
ouvinte não apenas uma audição física, mas também uma
compreensão do conteúdo espiritual evocado pelas obras.

Curiosidades

Colaboração para a Folha Online

Só Freud explica

Sua busca pela genialidade no trabalho afetou seriamente seu


casamento. O famoso psiquiatra Sigmund Freud fez um tratamento
com o casal, mas nunca resolveu o problema. Segundo o médico, o
grande culpado pelo relacionamento estar tumultuado era o próprio
Mahler, que havia se tornado um maníaco compulsivo por perfeição.

Guerra e racismo

O fato de ser judeu e morar numa área tomada pela guerra o fazia se
sentir deslocado. Diante disso, tornou- se célebre sua seguinte frase:
“ Sou três vezes apátrida, como nativo da Boêmia na Áustria, como
austríaco entre os alemães, e como judeu perante o mundo. Sou um
intruso em todos os lugares, nunca bem recebido”.

Longas sinfonias

As sinfonias de Mahler são bastante complexas, tanto nas técnicas


composicionais empregadas quanto na execução, tanto para os
regentes quanto para os ouvintes. Além disso, elas são muito longas:
poucas de suas obras cabem integralmente dentro de um único CD.

Fofoqueiros clássicos

Seu comprometimento com a arte fez com que sua carreira tomasse
rumos invejados pelos colegas de profissão. Como responsável pela
atividade musical de um dos principais centros culturais da Europa,
era comum que se envolvesse em diversas intrigas.

Perfeccionista e insatisfeito

Pouco conhecido como compositor em vida, fez fama e fortuna


regendo de forma brilhante grandes obras escritas por seus
antecessores. Sua busca pela perfeição na regência era tanta que,
muitas vezes, causava mal estar entre os músicos que o
acompanhavam. Seus ensaios exaustivos lhe renderam a fama de
excêntrico.