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sumário

INVENIRE
Revista de Bens Culturais da Igreja
INVENIRE é uma edição do Secretariado
Nacional para os Bens Culturais da Igreja, 5 Editorial
organismo da Comissão Episcopal da Cultura, Fernanda Maria Guedes de Campos
Bens Culturais e Comunicações Sociais.
6 Fiat Lux
Directora Sandra Costa Saldanha Maria Adelaide Miranda
Coordenação deste número
Fernanda Maria Guedes de Campos 8 Comentário aos Livros de Reis, de Rábano Mauro: um manual ajustado ao
soberano cristão
Comissão Científica Catarina Barreira; Maria Coutinho
Fernanda Maria Guedes de Campos;
Isabel Cepêda; Maria Adelaide Miranda 16 O iluminado 51 da Biblioteca Nacional de Portugal: uma Bíblia portátil do século XIII
Colaboram neste número Alícia Miguélez Luís Correia de Sousa
Cavero; Ana Lemos; Catarina Barreira;
Catarina Martins Tibúrcio; Conceição 26 Os Beatos
Casanova; Delmira Espada Custódio; Alicia Miguélez Cavero
Horácio Augusto Peixeiro; Joana Antunes;
Luís Correia de Sousa; Luís Urbano Afonso;
Maria Adelaide Miranda; Maria Alessandra 32 Os livros das Sentenças de Pedro Lombardo na Biblioteca de Alcobaça
Bilotta; Maria Coutinho; Paula Freire Catarina Barreira
Cardoso; Rita Araújo; Tiago Moita
Fotografia Academia das Ciências de Lisboa;
40 As Ilustrações do Cânon: a propósito dum Breviário e Missal de Santa Cruz
Horácio Augusto Peixeiro
Ana Lemos; Archivo del Monasterio de
Santo Domingo de Silos; Arquivo Nacional
da Torre do Tombo; Balliol College; Biblio- 48 As técnicas e os estilos na iluminura da Crónica Geral de Espanha de 1344 e a
teca da Ajuda; Biblioteca Geral da Universi- representação da Igreja de Santo Isidoro de Leão
dade de Coimbra; Biblioteca Nacional de Catarina Martins Tibúrcio
Portugal; Biblioteca Pública de Évora;
Biblioteca Pública Municipal do Porto;
Bibliothèque de Genève; British Library; 56 Iluminar no feminino: o scriptorium do Mosteiro de Jesus de Aveiro no final do
Bodleian Library; Catarina Barreira; Cristina século XV
Montagner; Hispanic Society of America; Paula Freire Cardoso
José Pessoa - DGPC/ADF; Luís Correia de
Sousa; Luísa Oliveira - DGPC/ADF; Museu 64 “Entre os Judeus Portuguezes e Espanhoes corriaõ algumas Traducções”:
Calouste Gulbenkian; Paula Cardoso; a Bíblia da Ajuda, um manuscrito em romance de iniciativa judaica
Pierpont Morgan Library; Projecto IMAGO;
Ricardo Naito; Rita Araújo Tiago Moita

Assinaturas e publicidade Rui Almeida 74 A Escola de Lisboa de iluminura hebraica


Design e composição SNBCI
Luís Urbano Afonso

Impressão e acabamento Sersilito 82 O cofre nº 24: um livro de horas do Palácio Nacional de Mafra, caso de estudo
e de intervenção
Distribuição Vasp
Ana Lemos, Rita Araújo e Conceição Casanova
ISSN 1647-8487
Depósito legal 316372/10
94 A iconografia das margens no Livro de Horas dito de D. Leonor
Delmira Espada Custódio
Secretariado Nacional para os Bens
Culturais da Igreja 106 Um exemplo da circulação dos manuscritos jurídicos iluminados na Europa medieval:
Quinta do Cabeço, Porta D três manuscritos jurídicos iluminados preservados em Portugal
1885-076 Moscavide Maria Alessandra Bilotta
t. 218 855 481; f. 218 855 461
e. revistainvenire@bensculturais.pt
114 Tempus (non) Fugit: o calendário medieval nos manuscritos iluminados em Portugal
www.revistainvenire.pt Joana Antunes
Conteúdos redigidos segundo a antiga
ortografia, excepto nos casos em que os 124 Bibliografia
autores optaram pelo uso do novo acordo.
Abreviaturas

ACL Academia das Ciências de Lisboa


AMSDS Archivo del Monasterio de Santo Domingo de Silos
ANTT Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa
ARTIS-IHA/FLUL Instituto de História da Arte/Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
BA Biblioteca da Ajuda, Lisboa
BC Biblioteca Casanatense, Roma
BlC Balliol College, Oxford
BdL Bodleian Library, Oxford
BG Bibliothèque de Genève
BGUC Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
BL British Library, Londres
BNP Biblioteca Nacional de Portugal, Lisboa
BPE Biblioteca Pública de Évora
BPMP Biblioteca Pública Municipal do Porto
CEAACP-UC Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património-UC
CESEM-FCSH/UNL Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical-FCSH/UNL
DGPC/ADF Direcção Geral do Património Cultural/Arquivo de Documentação Fotográfica
FCSH/UNL Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa
FCT/UNL Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa
FLUC Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
HSA Hispanic Society of America, Nova Iorque
IEM-FCSH/UNL Instituto de Estudos Medievais-FCSH/UNL
IICT Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa
MAV Museu de Aveiro
MCG Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa
MNAA Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa
PML Pierpont Morgan Library, Nova Iorque
PNM Palácio Nacional de Mafra

Capa: Livro de Horas dito de D. Leonor


Lisboa, BNP, Il. 165, fl. 99 v | Foto BNP
Tempus (non) Fugit
O calendário medieval nos manuscritos iluminados em Portugal
por Joana Antunes
FLUC; CEAACP-UC

Resumo Abstract
Encerrado na sua circularidade cíclica, o calendário Encapsulated in its own cyclical circularity, the medieval
medieval materializa a admirável tentativa de negar ao calendar attempts to deny time its inevitable transience: by
tempo a sua fugacidade, iludindo-o e entorpecendo-o enacting, every year, the labours of the months through
perante a encenação, repetida a cada ano, de um the same tamed iconographic routine.
quotidiano domesticado por meio de imagens. In an introductory, transversal, and mainly iconological
Numa leitura apenas introdutória, este texto abordará, de approach, this paper will deal with eight illuminated
forma transversal e fundamentalmente iconológica, oito manuscripts (14th to 16th centuries) kept at portuguese
manuscritos iluminados (séculos XIV a XVI) conservados em libraries or resulting from portuguese commissions. From
bibliotecas portuguesas ou com encomenda portuguesa these calendars, their coincidences and their specificities,
documentada. A partir deles, dos seus pontos de contacto e we will consider the image(s) of time that, in different
das suas especificidades, procurar-se-á reflectir sobre a(s) contexts (and timeframes), various groups and individuals
imagen(s) do tempo que, em diversos contextos (e tempos), chose to design.
grupos e indivíduos diferentes escolheram projectar.
INVENIRE

Ao lado: Janeiro. Livro de Horas de D. Fernando


Lisboa, MNAA, Il 13, fl. 1v | Foto Luísa Oliveira - DGPC/ADF
Em cima: Janeiro. Missal do Lorvão
114 Lisboa, ANTT, Cód. 43, fl. 1 | Foto ANTT
“o presente, se fosse sempre presente e não passasse uma menor variabilidade, ritmando a vida de religiosos e lai-
a passado, não seria já tempo, mas eternidade.“1 cos, experiência que Dante Alighieri transporta inclusivamen-
te para o Paraíso: “come orologio che ne chiami […] che l’una

C riado a meio caminho entre a vontade de medir e con-


ter o tempo e a pretensão de alcançar a eternidade, o
calendário medieval presentifica um passado que é, ao
mesmo tempo, o tempo da sua construção histórica e o tempo
parte e l’altra tira e urge, tin tin sonando con sì dolce nota”4.
Este tempo do Paraíso, um presente que não passa a
passado, eternamente marcado pelo tin tin do relógio celes-
tial, é precisamente aquele a que o homem medieval, prota-
da sua construção historiográfica. Dependentes um do outro, gonista ou observador das laboriosas cenas do calendário
estes dois tempos nunca se tocam verdadeiramente e o tempo almeja conseguir no final da sua jornada. E também por
passado nunca chega ao presente, tal como o presente não isso, importa questionar a ideia, compreensivelmente co-
regressa já ao passado. Pese embora a inevitável volatilidade, mum, da natureza absolutamente laica da iconografia dos
também epistemológica, do tempo contido e contado por calendários medievais, intuída a partir de uma leitura
meio das imagens, os calendários medievais são justamente (descontextualizadora) das suas imagens como algo aposto,
considerados como uma das fontes mais importantes para o de forma impermeável, a suportes religiosos: “l’année que
conhecimento da cultura do seu próprio tempo. Encerrados l’on y voit est purement laïque” (Comet, 2005: 12). Para
em si próprios, na sua circularidade cíclica, eles materializam compreender a fragilidade desta posição, bastaria afirmar
a admirável tentativa de negar ao tempo a sua fugacidade, que a ideia de uma separação antinómica ou binominal en-
iludindo-o e entorpecendo-o perante a encenação, repetida a tre o tempo religioso e o tempo natural é, naturalmente,
cada ano, de um quotidiano domesticado. pós-medieval. No entanto, esta intrínseca interdependência
Assumindo-se como análise breve e introdutória, este - que hoje não conseguimos inteligir sob outro formato que
texto resulta do estudo preliminar dos calendários pertencen- não o da alternância ou, quando muito, da tolerância e da
tes a oito manuscritos iluminados com cronologias remetidas convivência - está na matriz da própria conceptualização do
aos séculos XIV, XV e XVI, conservados em bibliotecas por- calendário (cf. Bilotta, 2015: 109-130, 115-117).
tuguesas e estrangeiras (neste caso, com encomenda portu- O decurso do tempo, no circular espaço de um ano, tinha
guesa documentada)2. Presentes as especificidades de cada óbvias implicações sobre a natureza e os seus ciclos e, enquan-
uma das diferentes tipologias em apreço - um missal, um to parte dela, sobre o homem. A artificial cadência dos meses
breviário e seis livros de horas - estas serão notadas mas não que acompanhava a natural sucessão das estações, não só ga-
operacionalizadas em função de uma leitura mais complexa rantia a homens e animais uma abundância ou escassez de
que, porventura, esgotaria o espaço desta reflexão. De natu- alimentos que era necessário, por meio do trabalho, condicio-
reza fundamentalmente iconográfica, esta pretende, apenas, nar e, na medida do possível, controlar, como exercia ainda
sublinhar aspectos e levantar questões relativamente à(s) sobre o corpo humano influências subtis que importava conhe-
imagen(s) do tempo que, em diversos contextos (e tempos), cer. Uma vez que a prática da medicina foi inicialmente apaná-
grupos e indivíduos diferentes escolheram projectar, com a gio de religiosos e que, uma vez perdida a exclusividade do
consciência das dificuldades colocadas pelas incertezas de que conhecimento médico por parte destes, nunca deixou de ser
se revestem as proveniências, os percursos e até mesmo as por eles praticada, sobretudo em contexto monástico, facil-
cronologias de muitos destes manuscritos, só eventualmente mente se compreende que o calendário, com todas as suas as-
esclarecidas por via de um estudo sistemático e alargado3. sociações laicas, laborais, naturais, fisiológicas e profilácticas,
tenha feito parte de um horizonte intelectual (e iconográfico)
UMA QUESTÃO DE TEMPO que não dependia exclusivamente dos ciclos litúrgicos e das
suas implicações teológicas. Importava, assim, a um teórico
Apesar de tentativamente contabilizada a calculada, a pas- como Isidoro de Sevilha (século VI) tanto quanto a uma místi-
sagem do tempo (medieval) fazia-se sentir, de forma mais evi- ca e mulher de ciência (condições não incompatíveis) como
dente e tangível, através da sucessão dos dias e das noites, da Hildegarda de Bingen (século XI) ou a um médico como Aldo-
passagem das estações e, dentro dela, do decurso dos meses, brandino de Siena (século XIII) articular esses dados de forma
cadenciado pelo clima, pelas dádivas e pelas necessidades da eficaz. Para isso, a síntese gráfica e iconográfica, elaborada
natureza e, por fim, pela duração da vida humana. Organizar através de diagramas e esquemas, que fazia coincidir as épocas
este tempo natural, ditado pelos ciclos solares e pela influência e os trabalhos do ano com as idades do homem e as influências
dos astros, num tempo gerível ao nível do quotidiano implicou dos astros e humores, servia de veículo fundamental de divul-
tanto o recurso a sistemas matemáticos e mecânicos para a sua gação e cristalização de conhecimento. Estas relações, de evi-
mensuração, quanto a organização de um tempo litúrgico, dente mediação temporal, entre o macrocosmos universal e o
religioso e ritual, a partir da temporalidade da vida de Cristo (e microcosmos humano, tão fáceis de surpreender nas rotae que
também da Virgem e dos Santos) vertido para uma escala diá- fazem parte das cópias iluminadas das obras destes (e de tantos
ria em torno das horas canónicas. Mantinha-se, assim, a partir outros) autores - Rodas das Estações do Ano, dos Meses, do
da força organizadora da Igreja, a tradição antiga da medição Microcosmos-Macrocosmos - não se demitem de princípios de
do tempo, a partir do Sol, com os dias e as noites a correspon- ordem filosófica e teológica, tal como a preocupação com o
derem a doze horas desigualmente distribuídas entre os dois e bem-estar do corpo humano passa necessariamente pela cura
apenas equilibradas nos equinócios (como, de resto, ainda da alma (cf. Bilotta, 2015: 109-130). Para Santa Hildegarda, o
hoje). Das torres sineiras soavam, de três em três horas apro- desequilíbrio dos humores no corpo humano havia sido causa-
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ximadamente, os tempos das orações litúrgicas: matinas, lau- do pelo mesmo acontecimento fracturante e irreversível que
des, prima, terça, sexta, nona, vésperas e completas, numa condenara o homem ao eterno renovar dos trabalhos dos me-
organização nem sempre fixa e transformada sobretudo a par- ses: o Pecado Original. Não surpreende, portanto, que uma
tir do século XIV (Wolff, 1962: 1141). Ampulhetas, relógios obra como Le Régime du Corps5 (século XIII) possa (e deva)
116 de sol e relógios mecânicos, davam a esta sucessão horária iniciar as suas digressões com uma miniatura sobre a Criação
do Mundo para depois se debruçar sobre preceitos de higiene e Breviários e sobretudo Livros de Horas que os calendários
dietética, a agricultura, o calendário e, claro está, as suas cor- assumirão pleno protagonismo, funcionando como preâmbulo
respondências zodiacais. Por outro lado, também o Calendrier e premissa organizadora de uma imersão no tempo, sempre
des Bergers (século XV) ilustra a permeabilidade do calendário menos tangível, da oração, da meditação e do louvor ao divino.
face aos eventos e marcas simbólicas do ano litúrgico ao fazer, Nestes livros, as páginas atribuídas a cada mês seguiam
por exemplo, com que Janeiro explique ao leitor - na primeira um layout fixo, com o protagonismo a ser concedido à tábua
pessoa - que o seu tempo corresponde à circuncisão de Cristo e calendarial que, invariavelmente apresentava o nome do mês e
ao surgimento da estrela que orientou os Reis Magos6. o número de dias que o perfaziam (com informações adicionais
variáveis), seguido da indicação das festas litúrgicas (fixas e
OS CALENDÁRIOS NA ARTE MEDIEVAL móveis) e dos santos comemorados em cada dia. Nestas tabe-
las, eram frequentemente dadas indicações quanto às fases da
Resultado de uma contagem do tempo organizada e já lua, de forma a que, com o auxílio de um elaborado sistema de
reformulada, além de profundamente marcada pelas celebra- cruzamento de dados, fosse possível calcular o dia da Páscoa.
ções dos ciclos, das forças e das divindades naturais, o Calen- A inclusão das primeiras sete letras do alfabeto servia, ainda,
dário romano (de Kalendae, o primeiro dia de cada mês) chega para indicar os sete dias de cada semana que não correspondia,
ao presente medieval como um quadro de referência pronto a no entanto, a uma unidade de divisão do mês tal como hoje,
ser transformado e subtilmente readaptado às necessidades de cabendo esse papel à organização tripartida em calendas, no-
um tempo cristão. Disso nos dá conta, já em 818, o dito Calen- nos e idos. Por outro lado, a adição de elementos iluminados
dário de Salzburg7 numa sucessão de “trabalhos” rurais muito correspondeu frequentemente à necessidade de destacar o
próxima daquela que será utilizada ao longo dos séculos se- início do mês, através das iniciais KL, e de o ilustrar com as
guintes e que segue sobretudo os ritmos naturais de recolhi- actividades e os signos zodiacais correspondentes, em miniatu-
mento face aos rigores invernais, celebração da benevolência ras quase sempre inscritas na margem e, em exemplares um
primaveril, colheita dos cereais no Verão, semeadura e vindi- pouco mais tardios, desenvolvidas em elaborados esquemas
ma no Outono e regresso ao Inverno com o abate dos animais decorativos que passaram também a incluir, pontualmente, as
mantidos durante o ano. Depois de se estenderem pelos pavi- representações dos principais santos ou festividades, destaca-
mentos e de alojarem nas arquivoltas dos triunfantes portais dos a vermelho na tábua do calendário. A inclusão dos doze
de muitas das igrejas medievais, desde as Catedrais de Otranto signos do Zodíaco, com uma longínqua cristalização icono-
e de Parma, passando pela grande basílica de La Madeleine de gráfica, regularmente presente na cultura visual romana,
Vézelay, até à pequena igreja de San Miguel de Beleña de Sor- judaica e islâmica, mais não faz do que materializar visual-
be (em Guadalajara), os trabalhos dos meses vão engastar-se mente uma dimensão astrológica do tempo com inferidas
nas suas paredes e nos seus vitrais, como em Amiens e Char- implicações sobre a vida humana. De resto Beda, o Venerável
tres até passarem, com ineludível vigor, para as páginas ilumi- esclarecia, ainda no século VIII, que “o mês solar é a
nadas dos livros que, quer os homens da Igreja, quer os seus passagem do Sol pelas doze partes do zodíaco, ou seja,
fiéis, produziam e patrocinavam em número crescente8. Esta pelo círculo dos signos, que é completo em 30 dias e 10
transferência (paulatina) de suporte - que não pode, obviamen- 1/2 horas.” (Wallis, 1999: 4).
te, ser lida senão como súmula essencializada de comporta-
mentos iconográficos que não se compadecem de regras abso- O CALENDÁRIO NOS MANUSCRITOS ILUMINADOS EM
lutas e que, com facilidade, farão multiplicar as excepções - é PORTUGAL
importante para que compreendamos o calendário enquanto
objecto artístico mas também enquanto “objecto social”, indi- Partindo, assim, da regularidade iconográfica do calendá-
cativo de uma organização ideal da vida quotidiana, com os rio medieval, quase tão previsível quanto a passagem do Sol
seus tempos de trabalho e de ócio, bem como de uma visão pelas doze partes do zodíaco, podemos resumir a sucessão dos
objectiva sobre a ordem social esperada (Bilotta, 2015: 109- Trabalhos dos Meses e dos signos zodiacais num esquema de
130; Le Goff, 1984: 260). Fundamentalmente humano, nas referência, sem ignorar, contudo, a sua frequente variabilidade
suas opções e preocupações, ele é um reflexo singular da im-
portância do mundo rural, do trabalho agrícola e do
desempenho dos laboratores que não deve, contudo, ser
ingenuamente acreditado como narrativa popular con-
tada na primeira pessoa. Não obstante a sua absoluta
importância enquanto documento histórico para o con-
hecimento do quotidiano, das práticas e instrumentos de
trabalho, do vestuário das vários grupos que nele têm
lugar, de aspectos da cultura e do folclore, da relação
com o mundo natural, mais ou menos domesticado, etc.,
as imagens dos calendários medievais remetem-nos
sempre para uma visão alegorizada do mundo9. Ocasio-
nalmente representados ou referidos, de forma mais ou
menos esquematizada, em livros de astronomia e astro-
FIAT LUX

logia, medicina, iatromatemática, entre outros, é contu-


do nos livros litúrgicos e devocionais, como Missais,

Maio & Gémeos. Livro de Horas


Évora, BPE, COD-CXXIV-2-14, fls. 5 e 5v | Fotos BPE 117
em função do tempo, da encomenda, da maior ou menor O terceiro grupo é constituído por quatro livros de orações
liberdade criativa do iluminador, do local de produção. associados à casa real manuelina e, portanto, datados das duas
De resto, a fórmula básica de identificação (icono)gráfica primeiras décadas do século XVI e de produção e/ou influ-
dos meses encontra eco imediato na prática, relativamente ência ganto-brugense: o Breviário de D. Leonor e o Livro
comum, de os legendar, fazendo-os comunicar em discurso de Horas de Álvaro da Costa , ambos em Nova Iorque; o
directo: Bebo - Queimo lenha - Tiro da vinha o que está a Iluminado 13 (um livro de orações, segundo Delmira Cus-
mais; Dou erva agradável - a flor depende de mim - de mim o tódio; Custódio, 2013: 201) e o Livro de Horas de D. Manuel,
prado; Dobro o feno - faço a colheita - brindo com vinho; Lanço ambos no Museu Nacional de Arte Antiga15. Nestes manuscri-
a semente à terra - apascento os porcos - mato os porcos10. tos, o layout dos fólios correspondentes ao calendário assume o
Nos manuscritos seleccionados para esta abordagem carácter expositivo típico deste período, quando os elementos
inicial, esta é, também, a organização fundamental, ainda iconográficos deixam de estar isolados e passam a fazer parte
que obedeça a variações dependentes das suas proveniên- de um mesmo cenário, frequentemente aproximado a um
cias, cronologias e destinos diferenciados. Arriscando uma fundo retabular ou, pura e simplesmente, transformando a
divisão porventura redutora, mas simplesmente operativa - miniatura e a cercadura num cenário único, apenas aparente-
sobretudo porque os calendários de cada um destes manus- mente interrompido pela demarcação dos tradicionais (e já
critos justificariam um estudo à parte -, apresentá-los-emos obsoletos) limites. Altamente narrativos e absolutamente mi-
em três grupos fundamentais. nuciosos na captação do detalhe, os calendários destes livros
O primeiro é representado unicamente pelo Missal do de horas são reflexos límpidos do olhar da encomenda áulica.
Lorvão (ANTT, Cod. 43; cf. Inventário, 1994: 71), correspon- Com uma vocação claramente cortesã, nas suas páginas as
dendo ao exemplar mais antigo (início do século XIV), de cenas de trabalho são frequentemente substituídas por epi-
proveniência italiana (Borgonha) e destinado à comunidade sódios de lazer da elite, com o cenário agrícola quase sempre
feminina cisterciense de Santa Maria do Lorvão. Muito embo- dominado pela presença do castelo ou do palácio e as figu-
ra tenham existido missais para uso individual, no acompanha- ras do camponês ou do serviçal sistematicamente afirmadas
mento da Missa, Horácio Peixeiro identificou este códice como como dependentes, quando não mesmo caricaturadas.
um missal plenário (incompleto)11, indiciando a sua utilização Percorrendo estes oito calendários, percebemos, de facto,
como suporte para a celebração da Eucaristia. O seu calendário que muitas são as fontes literárias e iconográficas, além das
estende-se ao longo dos primeiros seis fólios, com uma página experiências artísticas de que se compõe o seu substracto, ali-
atribuída a cada mês, que se faz representar por uma pequena mentado por uma sucessão obras de carácter religioso e/ou
miniatura rectangular na abertura da tábua calendarial, onde científico que, entre a medição do tempo, a descrição das es-
uma ou duas personagens, por regra, dominam um cenário tações e dos elementos, a explicação dos humores e da forma
muito essencializado. Entre as especificidades iconográficas, como os astros influenciam a saúde e o comportamento dos
notórias sobretudo nos meses de Fevereiro e Março que, a par seres vivos sobre a terra, não prescindiram das referências
da própria plasticidade das miniaturas anunciam claramente a visuais a um calendário mentalmente constituído por imagens
sua factura italiana, destaca-se um aspecto não-iconográfico e tendencialmente personificado. Não surpreende, portanto,
peculiar: na abertura de cada mês, a partir de Março, en- que Matfre Ermengaud - frade franciscano, “senhor de leis” e
contramos a indicação dos chamados Dies Egyptiaci, ou Dias trovador occitano -, ao referir-se aos meses do ano, no seu
Egípcios, que indicam dias aziagos nos quais os cuidados Breviari d’Amor, os descreva a partir da forma como são picto-
devem ser redobrados como, em Abril, o décimo e undécimo ricamente e materialmente representados: como figuram na
dias (“Aprilis decima est, undeno a fine minatur”) 12. pintura (“om figura Javier en la penchura”), ou como os pinta o
O segundo grupo de manuscritos inclui três livros de ho- pintor (“don lo penho li penhedor”; Ermengaud, 1862: 225-
ras (BNP Il. 42, BNP Il. 35 e BPE COD. QXXIV 2-14)13, 231). O que surpreenderá, porventura, é a facilidade com que
aproximadamente datados da segunda metade do século XV e as descrições do trovador se adequam, como se de legendas se
provenientes de oficinas flamengas e/ou francesas, que deve- tratassem, a um calendário pintado no século XIV tanto como
rão ter respondido a um circuito de consumo nobre e burguês, a um criado dois séculos depois, coincidência apenas possí-
crescentemente interessado na aquisição deste tipo de livros vel pela cristalização de um tipo iconográfico altamente con-
enquanto objectos de devoção e prestígio, que fomentando a vencionalizado e, ainda assim, aberto a variações, fusões,
produção em série de códices iluminados com um layout e uma substituições. A Matfre Ermengaud, enquanto escritor e
economia do ornamento altamente racionalizados (em função enquanto pintor, convidá-lo-emos a acompanhar os meses
de uma execução rápida e menos onerosa) mas sem prescindir do ano através de alguns destes manuscritos iluminados.
do sempre procurado aparato visual, reforçado, aliás, pela
inclusão de um calendário iluminado14. Este, ocupa invariavel- PER LAS PROPRIETATZ DEL TEMPS PENHO LI PENHEDOR…
mente os doze primeiros fólios, desdobrado entre as activida-
des dos meses (no recto) e os signos do zodíaco (no verso). …JANEIRO, FEVEREIRO & MARÇO
Mais sumárias ou mais elaboradas, inscritas em medalhões Os três primeiros meses do ano são iconograficamente
monocromáticos ou polícromos, ou em pequenas tarjas, estas conotados com a letargia e a preparação. Estas características
representações são ainda apontamentos à margem. Os Ilumi- próprias do Inverno, tempo em que o clima endurece o seu
nados 42 e 35 possuem, ainda, os seus calendários escritos em carácter, reflectem-se num quotidiano necessariamente mais
francês e os textos devocionais em latim, característica que
INVENIRE

doméstico e circunscrito ao interior da casa, onde iremos en-


poderá indicar uma factura e/ou destinatários franceses mas contrar com frequência as personificações de Janeiro e Feve-
que não demite outras possibilidades, como uma origem reiro, banqueteando-se e aquecendo-se à lareira. Ermengaud
flamenga, uma vez que o francês era também um marcador explica, de forma simples, esta associação pois o frio de Janeiro
social e um indicador de elegância commumente utilizado em faz carecer o corpo humano de calor natural, pelo que este
118 países não francófonos (cf. Custódio, 2013: 193-194). “requer e demanda major plantat de vianda” (Ermengaud,
Fevereiro e Março, tal como representados no missal do
Lorvão, são duas ocorrências iconográficas peculiares que
exemplificam, também, as informações de data e proveniência
passíveis de se extrair de um calendário. Assim, Fevereiro faz
-se figurar numa cena de pesca, com dois homens dentro de
um pequeno bote lançando à água as suas redes - associação
pouco frequente, que se ficará a dever não tanto a uma co-
rrespondência directa com a realidade da época mas a uma
interessante fusão iconográfica entre os trabalhos dos meses
e o zodíaco, pois os peixes pescados em Fevereiro seriam um
subtil artifício para a inclusão dos peixes zodiacais (Markl,
1983: 68; Villaseñor Sebastián, 2009: 2212). Associado a Pei-
xes tanto quanto à presença dúplice de Jano (frequentemente
identificado com Janeiro mas ausente nos calendários analisa-
dos), o tocador de olifante que se apresenta majestaticamente
sentado num trono, soprando em duas direcções opostas, é a
personificação de Março. Iconograficamente associado ao
território italiano, onde conviveu, até ao século XIII com
uma versão simplificada (tocando ou soprando apenas um
instrumento), Martius ou Marcius Cornator, necessariamente
conotado com a ira de Marte e a força dos ventos, é uma figu-
ra de enorme fortuna nos calendários italianos, onde surge
desde muito cedo e frequentemente legendado (cf. Pressouyre,
1965: 395-473)16. Símbolo do início de um ano que olha em
frente sem deixar de olhar para trás o Março Cornator convo-
ca ainda a força belicosa do Carneiro, signo zodiacal a que
esteve mais frequentemente associado (Peixeiro, 1995: 102).

…ABRIL & MAIO


Os meses de Abril e Maio são, na descrição do Breviari
1862: 225). A mobilidade das imagens convencionalizadas d’Amor como nos próprios calendários, parte de um mesmo
para a identificação dos doze meses faz com que não seja tempo de enamoramento idílico com a natureza, no auge da
sensato fazer uma atribuição estanque e imediata pois se a sua benevolência e da sua beleza. As versões mais simplificadas
figura do homem, frequentemente um ancião, comendo um destes meses mostram-nos, como no Missal do Lorvão ou nas
lauto repasto ao conforto da lareira, sozinho ou acompa- Horas de Évora e nos Iluminados 42 e 35, os vergéis e prada-
nhado (casos respectivos das Horas de Évora e do Missal rias, com árvores floridas e frondosas, como locus amoenus de
do Lorvão), faz sentido como representação do festim in- galantes cenas de jardim e de falcoaria, normalmente protago-
vernal que se segue à matança do porco (ou do boi) e à co- nizadas figuras isoladas (senhoras em Abril e homens em
zedura do pão, não é raro que o vejamos subdividir-se e Maio) ou casais em passeio. O elegante falcoeiro de Maio é
prolongar-se pelo mês seguinte, como nos Iluminados 42 e uma das fórmulas mais consistente da representação dos
35. Já nos manuscritos “manuelinos”, a personificação dis- meses, esclarecendo-nos Ermengaud que este mês é pintado
solve-se (tal como a força sintética do símbolo) em cenários como um cavaleiro que transporta o seu falcão por amar a
domésticos de maior complexidade e pormenor, onde a todas as criaturas (Ermengaud, 1862: 227).
ostentação do estatuto dos comensais se faz notar por meio Escapa-lhe, contudo, a associação à caça que tanto se
do mobiliário, da ornamentação, dos serviçais, mostrando-nos, coaduna, afinal, com o mês de Maio - mês da abertura das
ora uma família burguesa (como no caso do Breviário de hostilidades guerreiras - e que surge representada no Ilumina-
D. Leonor e dos Livros de Horas da Costa e de D. Manuel) do 13, em moldes de evento social, mais do que de verdadeiro
ou o protagonismo de um senhor da alta nobreza (caso do exercício de destreza venatória. Aqui, um grupo de nobres,
Iluminado 13). vestidos de verde, como requerido para uma eficaz camufla-
gem nas entranhas da floresta, faz-se acompanhar pelas
respectivas damas, acolitadas por um escravo negro e outros
dois serviçais que encaminham os cavalos e cortam as rama-
gens que se atravessam no caminho. Ao fundo, a expressiva
arquitectura de um espaço urbano que é, afinal, o habitat
desta elite, marca simbolicamente o centro de poder e de
urbanidade que apenas estatutariamente e circunstancial-
mente se prolonga até à floresta, de cada vez que a ela se
dirigem os seus legítimos usufrutuários. Esta miniatura,
FIAT LUX

Em cima: Janeiro. Livro de Horas de D. Manuel


Lisboa, MNAA, Il. 14, fl. 5 | Foto José Pessoa - DGPC/ADF
Ao lado: Maio. Livro de Horas
Lisboa, BNP, Il. 42, fl. 7 | Fotos BNP 119
No conjunto dos manuscritos
“manuelinos”, a expressão deste
ócio cortesão dá origem a ce-
nários idílicos de jardim, prado e
floresta, onde as conversas do
Decameron de Giovanni Boccacio
(ou já o Heptameron de Margarida
de Navarra) parecem ilustrar-se.
Nos livros de Horas de D. Ma-
nuel e da Costa (fls. 11 e 6v) e no
Breviário de D. Leonor (fl. 4) o
idílio materializa-se em aparato-
sos passeios de barco, animados
pela performance musical dos
participantes, assim absortos do
tempo que foge. Mas também
esta despreocupação tem o seu
tempo e o tranquilo passeio de
barco voltará a surgir, no Brevi-
ário de D. Leonor e já fora do
calendário, como moldura à mi-
niatura que ilustra o Teste da
Santa Cruz (fl. 398v), para recor-
Maio. Breviário de D. Leonor
dar que os ciclos quotidianos e
Nova Iorque, PML, Ms. M52, fls. 4 e 397v | Fotos PML religiosos estão de tal forma en-
tretecidos que se convocam recí-
que ecoa a equivalente do Breviário Grimani, acaba também proca e continuamente. A insólita associação de uma cena
por traduzir o sentido pleno da associação entre Maio e a típica do hedónico mês de Maio à impressionante cena da
actividade venatória, porquanto a tensão sexual simbolica- ressurreição de um morto pelo poder do Santo Lenho, que já
mente convocada pela caça (exemplarmente contida em foi assumida como inadequada (eventual imperativo do tra-
peças de literatura medieval como o poema inglês Sir Gawain balho oficinal, para aproveitamento de um fólio já iluminado
and the Green Knight) é reforçada pelo exibicionismo mascu- para um calendário mas entretanto tornado obsoleto), mais
lino implícito na presença passiva das mulheres e pela ancestral não é do que uma habilíssima ligação entre o tempo festivo
associação do mês de Maio à fertilidade, dos campos como da Invenção da Santa Cruz e o mês em que a mesma aconte-
dos seres vivos. ce17. Celebrada a três de Maio, esta festa surge, de resto, ilu-
strada no Calendário do mesmo manuscrito, num dos
pequenos medalhões que am-
pliam figurativamente o Santoral
(fl. 4r). Entre um fólio e o outro,
inverte-se o protagonismo, man-
tendo-se a referência temporal.

…JUNHO, JULHO & AGOSTO


Nos meses estivais, o calor que à
terra “sostrai l’umor” (Ermengaud,
1862: 227) seca e amadurece o
prado anunciando as penosas épo-
cas da colheita, tratamento e ar-
mazenamento dos cereais. Em
Junho, o vilão sega o feno, em
Julho corta o trigo com a foice e,
em Agosto, malha e debulha o
trigo, a cevada, a aveia: assim os
pinta o pintor. Nos calendários
portugueses, estes meses são
igualmente dedicados aos cereais
partilhando, contudo, de forma
pontual, o seu protagonismo com
INVENIRE

a preparação da vindima e a to-


squia dos rebanhos, apontando a
importância da tríade cereais/
Julho & Leão. Livro de Horas vinho/pastorícia tanto para estes
120 Lisboa, BNP, Il. 35, fls. 6 e 6v | Fotos BNP ciclos iconográficos quanto para a
Setembro. Livro de Horas da Costa
Nova Iorque, PML, Ms. M399, fls. 1 e 11v | Fotos PML

economia da época. Assim, os dois primeiros meses são, no trabalho industrioso dos dois tanoeiros que preparam os
missal do Lorvão e Livros de Horas da BNP dedicados à tonéis para receber o vinho.
segagem do feno e ceifa dos cereais.
No Livro de Horas de Évora, um pequeno tondo monocro- …SETEMBRO & OUTUBRO
mático mostra-nos o mês de Junho na figura de um pastor Marcados pelo início do Outono, Setembro e Outubro são
sentado, a tosquiar calmamente uma ovelha, tema que se repe- tempos de recolher os frutos da terra mas também de lhe de-
te, devidamente ampliado e “naturalizado” no Breviário de volver as sementes para a renovação das culturas. Meses de
D. Leonor, no Livro de Horas da Costa e no Iluminado 13 do vindima, por excelência, são também meses de lavoura e se-
MNAA. Neste último, a cena da tosquia surge, como aponta- menteira, de compra e venda de gado, que se começa a engor-
mento rústico quase inusitado, e devidamente marginalizado, a dar para o Inverno. A narrativa do vinho, frequentemente
uma cena absolutamente urbana, palaciana e cavaleiresca pois remetida a mais do que um episódio, conta-se em várias cenas
enquanto a nobreza se entrega ao furor de um torneio, os pas- diferentes, de colheita e transporte do vinho já feito (Lorvão)
tores, alheios ao que se passa para lá do muro do terreiro ou de transporte dos poceiros e de pisa das uvas (Horas de
(porventura até do muro da cidade), preparam os rebanhos Évora) ou, em alternativa, colige-se numa mesma miniatura
para o Verão, num espaço imediato cuja modéstia contrasta que retrata a azáfama, ora mais frenética, ora mais cadenciada,
com o sumptuoso cenário arquitectónico onde se inscrevem as dos vários momentos da vindima (Il. 42, Breviário de D. Leo-
elites, enquanto público de todo o espectáculo. Esta miniatura, nor, Livro de Horas de D. Manuel). Apenas num caso, o do
de impressionante cunho cenográfico - a fazer lembrar, na Livro de Horas de D. Álvaro da Costa, se omite por completo
verdade, o fólio do martírio de Santa Apolónia iluminado por o trabalho da vinha ou da vindima, fazendo-se corresponder a
Jean Fouquet para o Livro de Horas de Étienne Chevalier18 - estes meses a lavoura e sementeira dos campos e a compra de
recorta apenas alguns elementos da cena de primeiro plano da um boi, em composições que não deixam de reformular as
representação de Julho do Breviário Grimani, recontextuali- propostas do Breviário de D. Leonor, onde vamos encontrar
zando-os por completo. Agosto corresponde, ainda, maiorita- idênticas cenas de trabalho da terra e negócio de gado.
FIAT LUX

riamente ao tratamento dos cereais: ceifados, atados em feixes Aqui, o mês de Escorpião sintetiza, com exemplar força
(ou paveias) e deixados a secar, transportados para as eiras e plástica, a lavra, a sementeira dos campos, por meio de duas
malhados, para separar “o trigo do joio”. Apenas no Missal do parelhas de cavalos que puxam um arado e uma grade, a seme-
Lorvão, que dá à vinha o protagonismo de três meses (Agosto, adura e a glandée - ou (re)pasto de bolotas que garantia aos
Setembro e Outubro), se antecipa a preparação da vindima no porcos uma engorda rápida. Novembro, no mesmo breviário, 121
Novembro & Dezembro. Livro de Horas de D. Manuel
Lisboa, MNAA, Il. 14, fls. 20v e 22v | Fotos José Pessoa - DGPC/ADF

tem como cenário o lagar e o matadouro, com os camponeses personagens e nas suas (já codificadas) actividades, fazendo
carregando ordeiramente os poceiros cheios de uvas tintas com que os cenários sejam quase sempre intuídos, nos ma-
para as prensas, abrigadas num recinto aberto e sob um telha- nuscritos datados das primeiras décadas do século XVI, de
do de colmo, e dois homens abastados encaminhando um boi encomenda áulica e de proveniência/influência ganto-
para o abate, num digno e surpreendentemente asséptico brugense - com tudo o que tudo isto implica em termos de
edifício de tijolo e travejamento de madeira, aberto para o ob- selecção de temas e pormenores, inclusão de elementos fami-
servador de modo a relevar a agilidade do golpe final, resigna- liares aos encomendantes, pesquisa pictórica pelo resultado
damente aguardado pelo animal cuja vida pende por um fio, tal ilusionisticamente convincente das paisagem e situações - os
como pendem, afinal, os pratos da Balança. últimos meses do ano encerram um ciclo que é, tanto o dos
tempos dos trabalhos e ócios, organizados pelas celebrações
…NOVEMBRO & DEZEMBRO litúrgicas, como o dos tempos (sazonais, climáticos) dos es-
Os temíveis meses de Inverno, incapacitantemente frios, paços. A presença dos espessos mantos de neve, constante
esterilizadores dos solos, duros para homens e animais “que no nestes quatro manuscritos enquanto expressão dos meses de
fan mas [que] manjar e jazer”, são compreensivelmente enten- Inverno, não pode deixar de ser (apenas) notada como um dos
didos pelo homem medieval como “contraris per natura ad muitos indícios interessantes de articulação entre o real e o
humana creatura” (Ermengaud, 1862: 230-231). Excessiva- simbólico nestes “retratos” de costumes e quotidianos, por-
mente frio, o tempo destes meses arrefece de tal forma os cor- quanto exprimem uma realidade que será sobretudo a da sua
pos dos animais que estes precisam, naturalmente, de comer proveniência (Países Baixos) e não do seu destino. Ainda as-
mais fortemente, engordando ao longo das semanas até que sim, importaria perceber até que ponto a montagem de um tal
Dezembro, pintado “a manieira de mazelier”, chegue pronto cenário, por exemplo, no Livro de Horas de D. Manuel - cujo
para reclamar o esforço e o cuidado investidos (Lorvão, Il. 42, calendário está atribuído a António de Holanda e cuja exe-
Évora). O Livro de Horas Il. 35, ilustra com eficiente simplici- cução terá acontecido em Portugal19 - reflecte modelos e cris-
dade o desfecho de um ano de árduos trabalhos pois, anteci- talizações iconográficas compreensivelmente extensíveis a
pando a glandée para Outubro, faz pintar Novembro como um toda a Europa (cujos Invernos não são, apesar de tudo, tão
distintos) ou indica conscientemente uma realidade vivida e
INVENIRE

mazelier (talhante) que desmancha um porco e Dezembro co-


mo um homem a cozer pão, fruto do pesado investimento que um cenário familiar. Levada até às suas possíveis consequên-
implicava quer a manutenção dos animais, quer o cultivo, co- cias, esta discussão, aparentemente remetida à ordem do
lheita e transformação dos cereais. De facto, se no Missal pormenor, não deixaria de apresentar dados importantes
de Lorvão e nos Livros de Horas de factura mais modesta a quanto à natureza destas pinturas (da Natureza), testando
122 ilustração dos meses, altamente sumária, se concentra nas porventura os limites da convenção e da mimesis. Se não,
encaminhemo-nos até aos cenários de Novembro e Dezem- digressão. A partir dela, da sua ampliação e do questionamen-
bro do calendário de D. Manuel e vejamos, num pormenor to, importa ainda comparar soluções formais e temáticas,
tão circunstancial quanto o das paisagens de sobreiros re- esclarecer escolhas mediante o aclaramento de cronologias,
centemente descortiçados, até que ponto estes “retratos” proveniências e destinatários, constar permanências, detectar
podem ser mimeticamente convencionalizadores da realida- excepções e até novidades. Para já, reconhecemos que, da
de local do seu tempo. súmula, ainda altamente simbólica e pontuada de referências
Depois de alojado no conforto da casa e de percorrer o antiquizantes, contida no calendário do Missal do Lorvão, até
jardim e o horto, o bosque e o lago, a vinha e a ceara, o ano às projecções idealizadas de um quotidiano organizado en-
termina entre a floresta e a eira. Na floresta, mata ou brenha, tre os trabalhos e os ócios de uma elite comprazida num
varejam-se os carvalhos cujas glandes alimentam os porcos e novo idílio rústico, patente nas plenas páginas do Breviário
monta-se caça ao javali. Na eira, malha-se o trigo, o centeio, a de D. Leonor ou no Livro de Horas de D. Manuel I, há todo
cevada, carda-se o linho, mata-se, sangra-se e desmonta-se o um longo percurso de cristalização iconográfica em torno das
porco, coze-se o pão. Prepara-se, em suma, o banquete de tarefas de um tempo quotidiano e natural, mas também litúr-
Janeiro. E regressa-se ao primeiro fólio. gico e ritual, intencionalmente (diríamos até obsessivamente)
A importância da inclusão de um calendário de imagens nos contido numa contagem de meses e horas pensada para servir
manuscritos iluminados medievais, atesta-se perfeitamente a o tempo presente sem deixar de almejar a eternidade.
partir da amostra em torno da qual elaborámos esta brevíssima

1. “praesens autem si semper esset praesens nec in praeteritum transiret, de c. 1460-1490 (em função da possível ligação ao Maître de
non iam esset tempus, sed aeternitas.” Santo Agostinho, Confessio- l’échevinage de Rouen), c. 1476-1500 (sem atribuição de ofi-
nes, Lib. XI, Cap. 14, traduzido em Nascimento, 2000a: 26-27. cina) e c. 1491-1500 (a partir da tradicional atribuição ao
2. Como parte do critério de selecção para a elaboração deste Mestre d’Antoine Rolin). Cf. Inventário, 1994-2001, Vol. 1 e
primeiro estudo, a desenvolver a breve prazo, todos os manus- 2: 255, 258; 106; Serra, 1998.
critos mencionados estão, ao presente, digitalizados e disponíveis 14. Que não tem lugar na grande maioria dos manuscritos conser-
para consulta online. vados em Portugal. Para o caso específico dos livros de horas,
3. No que respeita aos livros de horas, este estudo encontra-se já ver Custódio, 2013: 191-208.
em curso, a partir da investigação de Delmira Custódio 15. O Breviário de D. Leonor, c. 1500 (New York, Pierpont Mor-
(Custódio, 2013: 191-208). gan Library, Ms. M.52) tem sido atribuído ao Mestre do Livro
4. Il Paradiso, Canto X, versos 139-144. de Horas de Maximiliano e a Gerard Horenbout. O Livro de
5. A Biblioteca da Ajuda conserva hoje uma cópia do século XV Horas da Costa, c. 1515, (Pierpont Morgan Library, Ms.
desta obra de Aldobrandino de Siena. Lisboa, BIBLIOTECA DA M.399) provém também de oficina ganto-brugense. O Livro de
AJUDA - 52-XIII-26. Horas de D. Manuel I, c. 1510 (MNAA Il. 14) tem o seu calen-
6. Guy Machant - Le Kalendrier des bergers. 1493. Paris, BIBLIO- dário, que terá correspondido à fase inicial da elaboração do
THÈQUE NATIONALE DE FRANCE - VELINS-518, fl. 16v. manuscrito, atribuído a António de Holanda. O Iluminado 13
7. Munique, Bayerische Staatsbibliotheek, Clm 210. (MNAA Il. 13) tem sido ultimamente associado ao chamado
8. Sobre os calendários e os signos do zodíaco, as suas caracte- Mestre de James IV da Escócia, provavelmente em parceria
rísticas e transformações iconográficas ao longo da Idade com Simon Bening. Data das primeiras década do século XVI,
Média, ver: Castiñeras González, 1996; 2002: 75-96; Villaseñor o seu destinatário terá sido um nobre português, a avaliar por
Sebastián, 2009: 197-249; Mane, 1983. alguns indicadores iconográficos, mas apesar da sua atribuição
9. Sobre esta questão (e para uma síntese da história dos calendários provisória ao Infante D. Fernando e até a D. Catarina, a sua
medievais e respectivas fontes), ver Comet, 1992: 35-98. identidade permanece desconhecida. Cf. Goehring, 2011: 123-
10. “Poto - ligna cremo - de vite superflua demo./ Do gramen gratum - 148; Kren-Mckendrick, 2003: 8, 410, 417, 451; Markl, 1983.
mihi flos servit - mihi pratum./Fenum declino - messes meto - vina 16. O autor evoca igualmente a passagem de Carmina de mensibus
propino./Semen humi jacto - mihi pasco sues - immolo porcos.” Um que identifica esta figura: “Martius irato vultu sparsusque capil-
bom exemplo da inclusão destas legendas é o do chamado Ca- los / Totus turbatus, cui creber annelitus instat / Os aperit tumi-
lendário de Canterbury, hoje em Cambridge (Corpus Christi dum, clamoso turbine fatur…”.
College, MS 285), datado de c. 1280. Cf. Comet, 2006: 381-382. 17. Margaret Goehring aponta estas entre outras hipóteses, assu-
11. Além de esclarecer igualmente a proveniência e data mais mindo, contudo que a a eventual associação (para nós, muito
prováveis para a sua execução, justificando ainda a adequação clara) entre a decoração da margem e a data da celebração
das suas especificidades litúrgicas a uma comunidade cister- invocada na miniatura tornaria a ligação “appropriate from a
ciense. Peixeiro, 1995: 97-106. chronological standpoint if not from a thematic one”. Goehring,
12. A prática de anunciar estes dias no calendário, apesar de anate- 2011: 137-139.
mizado no Concílio de Rouen, continuou a ser prática comum. 18. FOUQUET, Jean - Heures d’Étienne Chevalier. c. 1425-1460.
FIAT LUX

Vamos voltar a encontrá-la, por exemplo, num dos regimentos Chantilly, MUSÉE CONDÉ - Ms. Fr 71, fl. 39.
de saúde de Pedro Hispano cujas prescrições dietéticas seguiam, 19. Ver a detalhada análise iconográfica do calendário do livro de
precisamente, os meses do ano. Cf. Pereira, 1973: 410-425. Horas de D. Manuel realizada por Markl, 1983: 67-99.
13. A estes livros de horas, doravante referidos como Il. 42, Il. 35 e
Horas de Évora, estão atribuídas respectivamente as datações 123
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