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PLANO DE AULA APOSTILADO
Escola de Teologia do Espírito Santo

Pedagogia

Estudando a aprendizagem e o ensino eficaz

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 2

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Todas as citações bíblicas foram extraídas da Bíblia Versão Almeida
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O presente material é baseado nos principais tópicos e pontos salientes da matéria em questão.
A abordagem aqui contida trata-se da “espinha dorsal” da matéria. Anexo, no final da
apostila, segue a indicação de sites sérios e bem fundamentados sobre a matéria que o módulo
aborda, bem como bibliografia para maior aprofundamento dos assuntos e temas estudados.

TEOLOGIA DO ES, Escola de - Título original: Pedagogia, Estudando a aprendizagem e o
ensino eficaz – Espírito Santo: ESUTES, 2004.

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 3

__________

SUMÁRIO

_______

UNIDADE I
APRENDIZAGEM
O que é Aprendizagem?.......................................................................................................................................5
Planejamento........................................................................................................................................................8
O Ensino.............................................................................................................................................................10
Como o Ensino chega à Mente?.........................................................................................................................14

UNIDADE II
JESUS O MODELO DE ENSINO
A idoniedade de Jesus para ensinar...................................................................................................................16
Características dos Discípulos de Jesus.............................................................................................................20
O Objetivo do ensino de Jesus............................................................................................................................22
Princípios subjacentes à obra de Deus...............................................................................................................24

UNIDADE III
COMO JESUS USAVA SEU MATERIAL DE ENSINO
As fontes.............................................................................................................................................................27
Sua maneira de dar lições..................................................................................................................................30
Alguns Métodos usados por Jesus.....................................................................................................................32
Resultados do seu Labor....................................................................................................................................34
Criados para Reproduzir.....................................................................................................................................35

UNIDADE IV
AS SEIS LEIS
A Lei do Ensino...................................................................................................................................................37
A Lei da Atividade...............................................................................................................................................38
A Lei da Comunicação........................................................................................................................................38
A Lei do Professor..............................................................................................................................................39
A Lei do Coração................................................................................................................................................40
A Lei da Motivação..............................................................................................................................................41

BIBLIOGRAFIA...................................................................................................................................................44

ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 4

por exemplo.. da maneira de tratar o aluno.......... As informações são importantes....... conteúdos ou informações.... do respeito e da valorização da pessoa do aluno e assim por diante.... um processo bastante complexo..... com base em conceitos. todos os dados da experiência devem ser trabalhados..... Elas são estudadas pela Psicologia Educacional....... Só se aprende para a vida quando não somente se pode fazer a coisa de outro modo..... Mas o que é a aprendizagem? A aprendizagem é um fenômeno. mas varias... Hoje existem muitas teorias sobre a aprendizagem...... portanto..... Aprender os princípios e teorias educacionais também é aprendizagem cognitiva. mais complexa do que a simples aprendizagem informativa.. inevitavelmente.... Ela é decorrência do "clima" da sala de aula.. A aprendizagem das regras gramaticais.. E importante observar...... Inicialmente convém salientar que aprendizagem não é apenas um processo de aquisição de conhecimentos. por quem os recebe... Aprender a apreciar o belo através das obras de arte é uma aprendizagem afetiva. Todas as informações.. Alguns preferem definir aprendizagem como sendo a aquisição de novos comportamentos... princípios e teorias. mas também se quer fazer a coisa desse outro modo.... se limitarmos a aprendizagem ao observável..... UNIDADE I APRENDIZAGEM .. porque não me envergonho de raciocinar e aprender". ...... A aprendizagem afetiva tem uma série de implicações pedagógicas... de maneira consciente e crítica. disposições e formas interiores de pensar.. Quando uma criança aprende a escrever. à escola.... Pode ser uma simples informação sobre os fatos ou suas interpretações... ser e sentir que se exteriorizam apenas em algumas atitudes e ações. Tipos De Aprendizagem Aprendizagem motora ou motriz — Consiste na aprendizagem de hábitos que incluem desde simples habilidades motoras — aprender a andar e aprender a dirigir um automóvel.. ate habilidades verbais e gráficas — aprender a falar e a escrever. que não se aprende uma só coisa de cada vez.. E.. mas nem sempre são imediatamente observáveis. com relação aos tipos de aprendizagem. por exemplo —. Só essa aprendizagem interessa à vida e.... Aprendizagem afetiva ou emocional — Diz respeito aos sentimentos e emoções.... é uma aprendizagem cognitiva...... mas precisam passar por um processamento muito complexo... exclui-se dela o que tem de mais essencial: a consciência..... Todos esses aspectos serão abordados com maior profundidade no capítulo sobre motivação e no capítulo sobre disciplina.... Aprendizagem cognitiva — Abrange a aquisição de informações e conhecimentos. O QUE É APRENDIZAGEM? O ensino visa a aprendizagem. a formação de novos valores.... aprende também ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 5 . Tal aprendizagem é... O problema é que o termo comportamento geralmente é reduzido a algo exterior e observável... por exemplo... a fim de se tornarem significativas para a vida das pessoas... "Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar as opiniões..

E através da diversificação. educação. c) O êxito na aprendizagem reforça a motivação. outra condição da aprendizagem é a maturação. procura-se integrar os aspectos conclusivos — síntese. Ele colabora na aprendizagem do aluno. da análise que se chega à síntese ou à integração. O problema da motivação da aprendizagem é um assunto bastante complexo. Para haver ensino e aprendizagem é preciso: a) Uma comunhão de propósitos e identificação de objetivos entre o professor e o aluno. indefinida. Só poderá aprender algo quando estiver maduro para essa aprendizagem. do assunto a ser ensinado. Embora a aprendizagem requeira um determinado grau de maturidade. ou síncrese. resulta de diversos fatores: desenvolvimento biopsíquico. ou seja. Da mesma forma. Entre motivação e aprendizagem existe uma mútua relação. por si só não fixa os limites da maturação. por exemplo. Relação Entre Ensino E Aprendizagem Santo Tomás de Aquino disseque o professor está na mesma situação de um médico de um lavrador. O ponto de partida deve ser sempre a observação da realidade para se ter uma visão global. Hoje. o professor pode criar uma situação favorável à aprendizagem. E necessário conhecer o fenômeno sobre o qual o ensino atua.o significado das palavras e desenvolve o gosto pela apresentação estética da escrita. os objetivos do ensino e as técnicas de ensino. Para criar essa situação o professor deve: • Conhecer os interesses acuais dos alunos para mante-los ou orientá-los. Ninguém consegue ensinar nada a uma pessoa que não quer aprender. Essas fases devem ser levadas em consideração no momento de se criar uma situação de aprendizagem. não suficiente. A essa visão global segue-se uma discussão sobre os diversos aspectos observados — análise — e. O processo de maturação apresenta certo paralelismo com a idade. etc. é geral. difusa. portanto. Ambas se reforçam. o professor também c um agente externo. b) Um constante equilíbrio entre o aluno. cada teoria da aprendizagem apresenta um fator de motivação como sendo o mais importante. das considerações dos diversos elementos integrantes. d) A motivação é condição necessária. A maturação consiste em mudanças de estrutura. podemos dizer que está apto para realizá- la. A maturação. inicialmente a visão do problema ou da situação é sincrética. evolução social. O medico e o lavrador funcionam como agentes externos. mais cedo ou mais tarde (ou nunca). a própria aprendizagem — quando certas condições didáticas são observadas — contribui para a maturação da pessoa. Aprendizagem E Motivação Para que alguém aprenda é necessário que ele queira aprender. métodos e procedimentos. apresenta como favor preponderante de motivação "o problema". através da analise. chega-se a uma visão total do problema ou da situação. O terceiro passo é a síntese. Segundo Piaget. Esta. Só quando o indivíduo estiver maduro para uma determinada tarefa. interesses. devidas em grande pane à herança e ao desenvolvimento fisiológico e anatômico do sistema nervoso. Por isso é muito importante que o professor saiba motivar os seus alunos. Em seguida. Fases Da Aprendizagem A aprendizagem parte sempre de uma situação concreta. que é a aprendizagem. Por isso. Não há ensino se não há aprendizagem. Aprendizagem E Maturação Além da motivação. forte e duradoura para conseguir do aluno uma atividade interessante e alcançar o objetivo da aprendizagem. pois a cura do doente ou o sucesso da plantação dependem da natureza do doente ou da qualidade do solo. a maturação cerebral fornece certo número de potencialidades (possibilidades) que se realizam. porém. Através da síntese integram-se os elementos mais significativos e essenciais. a matéria. a situação-problema. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 6 . Há uma relação intrínseca entre o ensino e a aprendizagem. em função das experiências e do meio social. mas esta depende do próprio aluno. A motivação da aprendizagem se traduz nas seguintes leis: a) Sem motivação não há aprendizagem. Através de uma variedade de recursos. finalmente. • Buscar uma motivação suficientemente vital. A teoria de Piaget. b) Os motivos geram novos motivos. porém.

gravar no espírito". de uma pedagogia de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para uma pedagogia de inspiração experimental baseada ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 7 . Os grandes cientistas foram pessoas que procuraram aprender e ensinar em todas as situações. pesquisar. à falta de questionamento no campo da educação. com o passar do tempo. Segundo o conceito etimológico. psicólogos. muitas pessoas começaram a se dedicar exclusivamente a tarefas relacionadas com o ensino. enfim. Nesse caso. assim. O povo riu-se da primeira máquina de Watt. Em casa. Só os que não têm uma atitude de constante abertura é que não aprendem ou não ensinam em todas as situações. talvez isso se deva. Mas em que consiste essa atitude? Consiste em ser capaz de indagar. em parte. dirigi-la. Do conceito etimológico surgiu o conceito tradicional de ensino: "Ensinar é transmitir conhecimentos". o método de ensino é o de marcar e tomar a lição. O Ensino E A Aprendizagem Na Vida Humana O ensino e a aprendizagem são tão antigos quanto a própria humanidade. compreender. evoluiu graças aos questionamentos e pesquisas realizadas por diversos pensadores. em todos os ambientes e situações podemos aprender e ensinar. M. do diretivismo para o não-diretivismo. da quantidade para a qualidade. 'Se a máquina a vapor se move na terra' — pensou um americano de nome Fulton — 'por que não há de mover-se também no mar?' — e dessa idéia nasceu o navio a vapor que iria mudar todo o sistema de navegação. Nas tribos primitivas os filhos aprendiam com os pais a atender suas necessidades. através de um texto de Monteiro Lobato. do aspecto lógico para o psicológico. pensou outro inglês de nome Stephenson — "por que não há de mover-se a si própria?' — e dessa idéia nasceu a locomotiva. do professor para o aluno. "A questão dos valores talvez seja a que mais coloca em causa a educação de nossos dias”.c) O ensino existe para motivar a aprendizagem. em contato com os produtos da tecnologia ou em contato com a natureza. o ensino e a aprendizagem foram adquirindo cada vez maior importância. a superar as dificuldades do clima e a desenvolver-se na arte da caça. É isso mesmo. procurar alternativas. Seguindo esse conceito. orientá-la. que é uma máquina a vapor que se move a si própria. no lazer. No decorrer da história da humanidade. Com a Escola Nova o eixo da questão pedagógica passa do intelecto (ensino tradicional) para o sentimento. Vejamos. pode erguer tudo mais'. um novo conceito de ensino e de educação que passou a se denominar Escola-novismo ou Escola Nova. Por isso. principalmente no que se refere aos valores. educadores. da primeira locomotiva de Stephenson e do primeiro navio a vapor de Fulton. Também surgiram as escolas que são instituições voltadas para essas tarefas. De acordo com esse conceito. A primeira indagação que devemos estar fazendo é a seguinte: Afinal. ter uma atitude científica perante a realidade. 'Se a máquina a vapor move uma roda'. como o progresso científico e tecnológico resultou dessa atitude: "Um dos primeiros mágicos que revolucionaram o mundo com suas invenções foi o escocês Jaime Watt. enfim. apesar do progresso tecnológico. Toma corpo. ensinar e gravar idéias na cabeça do aluno. podemos partir da seguinte constatação: Não é só na sala de aula que se aprende ou que se ensina. E dessa idéia saiu a máquina a vapor. e hoje constituem verdadeiras maravilhas da mecânica". Cada situação pode ser uma situação de ensino-aprendizagem. as pessoas não melhoraram muito. no trabalho. (LOBATO. assim como o conceito de educação. O ensino seria. O professor fala aquilo que sabe sobre determinado assunto e espera que o aluno saiba reproduzir o que ele lhe disse. do esforço para o interesse. fator de estimulação intelectual. existe sempre para a eficiência da aprendizagem. da disciplina para a espontaneidade. na qual o vapor d'água move um pistão. A máquina a vapor causou verdadeira revolução industrial no mundo. impressionou-se com a dança da tampa levantada pelo vapor. então. Eram na realidade grotescos e de muito pequeno rendimento. Um dia. analisar. que por sua vez move uma roda. pensou Watt. o método utilizado baseia-se em aulas expositivas e explicativas. 'Se esse vapor ergue uma tampa de chaleira. sociólogos. dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos. ensinar (do latim signare) é "colocar dentro. dialogar. o que é ensino e o que é aprendizagem? Para responder a essa pergunta. etc. Evolução Do Conceito De Ensino O conceito de ensino. experimentar. em que estava observando uma chaleira d'água ao fogo. na rua. História do mundo para crianças) Se em nossos dias. Mas aperfeiçoaram-se com rapidez.

dotado de materiais didáticos ricos. 10 ou 15 horas. habilidades. O primeiro é dinâmico. Definidos os objetivos. Para tanto. Planejar é escolher as melhores formas de se fazer alguma coisa ou de se alcançar um resultado. Planejamento de unidade: é o planejamento que se faz de um item do programa. É antecipar mentalmente os passos que se pretende dar. É um planejamento de conjunto. essência da atividade educativa. silencioso e de paredes opacas. A sua duração pode ser de 4. áreas e disciplinas. o seguido é estático. seguidos da previsão do conteúdo. podem existir vários tipos de planejamento. a feição das escolas mudaria seu aspecto sombrio. Planejamento Curricular: existem também várias formas de planejamento curricular. o que se pretende alcançar e os meios necessários para isso. b. O pla- nejamento é pensamento. o ensino teria que passar por uma sensível reformulação. valores. c. Planejamento em ensino é a previsão dos resultados ou objetivos educacionais. Para funcionar de acordo com os princípios da Escola Nova. disciplinado. temos que conhecer a realidade da comunidade.principalmente nas contribuições da Biologia e da Psicologia. "O professor agiria como um estimulador e orientador da aprendizagem cuja ini- ciativa principal caberia aos próprios alunos. atividades. sem o que a relação interpessoal. ou seja. biblioteca de classe. é ação. cada professor teria de trabalhar com pequenos grupos de alunos. mas aprender a aprender. Nele são previstos os objetivos mais amplos da educação. Tipos de Planejamento No campo da educação. portanto. Em suma. ou ver com antecedência. d. atividades. definir os objetivos que pretendemos e prever os meios que vamos precisar. e num ambiente estimulante. Para isso é definida uma política em que se prevêem recursos. para a unidade como um todo. E assim por diante. No planejamento. de um tópico. ficaria dificultada. 7. Planejamento de disciplina ou de curso: é o planejamento que se faz para um ano ou para um semestre se a disciplina for semestral. Os objetivos a serem previstos são para os quatro anos. Procure - se adequar o conteúdo para alcançá-los. O conteúdo pode compreender experiências. Depois de pronto o plano de unidade é que se vai pensar sobre os objetivos e atividades a serem desenvolvidos no primeiro dia. tipos de profissionais que se espera formar. A partir dos resultados alcançados neste dia é que se parte para planejar o que vai ser feito no 2° dia. hábitos e conceitos que os alunos devem desenvolver até o final da 4a série. Convém lembrar que planejamento e plano são duas coisas distintas. ou específicos que se pretende alcançar. estrutura da educação para o sistema. Tal aprendizagem seria uma decorrência espontânea do ambiente estimulante e da relação viva que se estabeleceria entre os alunos e entre estes e o professor. dos procedimentos de ensino e dos meios auxiliares necessários para alcançá-los. PLANEJAMENTO Em que Consiste Planejar é pensar no que se espera fazer: é a previsão de uma ação futura. Em suma. um objetivo. o tempo necessário para se alcançar os objetivos. nível de educação desejado para a população do país ou Estado. meios e estratégias para se alcançar os objetivos. deve ser considerado. informações. É prever. também para quem se vai planejar. etc. Plano é o planejamento pronto. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 8 . Vamos limitar-nos a planejamento curricular de um determinado curso ou grau. passado no papel. Os principais são: a. de uma determinada escola. Se formos planejar o currículo para o 1° grau. gerais. O plano contém os objetivos e o que precisa ser feito para alcançá-los. assumindo um ar alegre. O planejamento da área de estudos. trata-se de uma teoria pe- dagógica que considera que o importante não é aprender. Planejamento Educacional: é assim chamado o planejamento feito em nível nacional ou estadual. ou disciplina é para o ano todo. da 1ª à 4ª série. currículos mínimos. Planejamento é o processo de se fazer o plano. movimentado.

examina a consistência do solo. o que falta saber e o que são capazes de aprender. desligado da realidade e que não venha solucionar os problemas sociais. os recursos de quem vai construir. É a "amarração" das atividades de um dia para o outro. Seria o planejamento da aula de um dia após o outro. Prevê-se aquilo que precisa ser conhecido para ser possível uma nova aprendizagem. Caso contrário. é importante ter feito o planejamento. em termos de aprendizagem e educação. quais são as possibilidades de dar certo e as condições que se tem para executá-lo. enfim. Importância do Planejamento O planejamento evita improvisação. faz-se a análise do que precisa ser feito e do que pode ser feito para ajudar o aluno a crescer. examina- o de alto a baixo e manda fazer exames de laboratório. Planejando tem-se seqüência nas atividades e na aprendizagem. mas que não pode ser executado ou que não traz resultados proveitosos. perda de tempo e de dinheiro. Conhecimento da realidade Antes de se fazer qualquer plano. De posse desses dados. intensa. O que importa é tomar a aprendizagem eficiente. é necessário. Com planejamento. levanta-se o que os alunos já sabem. Da imensidade de conteúdos existentes escolhe-se o essencial. Com estes dados. Sobre a comunidade. O planejamento é necessário para se ter um rumo. precisamos levantar seus problemas. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 9 . O engenheiro. Além disso. por que não segui-las? O planejamento visa à obtenção de resultados de forma mais eficiente. a pressa do proprietário. é preciso saber para quem" se vai fazê-lo. suas características. seus interesses. Um professor habilidoso saberá conciliar interesses dos alunos em aprender determinadas coisas e o planejamento feito. separadamente. e o professor julgar isso de utilidade. Mas se vierem propostas melhores que o próprio plano. É preciso conhecer a realidade. O médico. necessidades.e. tenta com remédios mais baratos mesmo. o planejamento de aula em que uma é a seqüência da outra. Não adianta fazer planejamento bonito. Mesmo que tenhamos que fugir do planejado. bem feito. Com relação ao aluno. Em educação. e a sua própria competência. Mas. Se estes se inclinarem para outro rumo. não é muito recomendado. pergunta até se ele tem dinheiro para comprar remédios mais caros. de nutrição. Escolhem-se as melhores técnicas e atividades e não aquelas com as quais se está acostumado ou as mais fáceis. dêem-se asas aos alunos. faz uma série de perguntas a seu cliente: sobre o que sente e mesmo sobre o seu passado. suas experiências. fica bem claro o que se pretende e o que deve ser feito para se chegar aonde se quer. suas necessidades e tendências. aspirações. Evita que ele se atrapalhe e fique nervoso. Só depois desse conhecimento e dessa análise é que se pode passar para a etapa seguinte do planejamento. o tipo de material disponível. que é a elaboração do plano. Um bom planejamento dá segurança ao professor. sem perda de tempo para os alunos. pode-se utilizar muito tempo em alguns objetivos e esquecer-se de outros. da escola e do próprio professor. sim. e do que precisa ser feito para melhorar a sua vida e a sociedade. tem que considerar a disponibilidade de construtores. antes de receitar um remédio. ao planejar uma obra. também importantes. pedreiros e carpinteiros. De nada adianta querermos planejar um ensino livresco. do contrário. começando onde se parou na aula anterior. Conforme a situação. serviço malfeito. seu grau de prontidão. o seu tempo para supervisionar a obra. da comunidade. Planejamento de aula: planejamento de aula. rápida e segura. vê sua pressão. da monotonia. seu nível cultural. Deve-se planejar sempre para sair da rotina. O tempo também precisa ser previsto. possibilidades e vontade. É preciso verificar seu grau de maturidade. precisamos conhecer seu estado de saúde. precisamos conhecer a realidade do aluno. aquele que atende às necessidades e aspirações dos alunos e que seja mais significativo e útil para eles e para a sociedade.

procedimentos de ensino. o mais modesto auditório não dispensa o dito recurso. Se a aprendizagem não estiver sendo boa. de cinco componentes ou elementos: objetivos. modernizam-se constantemente para atingirem maior número de alunos em menos tempo e do melhor modo possível pedagogicamente. O aluno toma o conteúdo. Para citar um exemplo. sempre que necessário. Num e noutro caso precisa ser avaliado. Hoje. Chegou o momento de o professor juntar tudo para al- cançar os objetivos previstos no plano. O próprio professor precisa se analisar. Ele deve ser feito para ser trabalhado por aquele professor. procedimentos de ensino. a matéria. Forma-se uma nova estrutura na mente do aluno. e tem pronto o plano para a etapa seguinte ou de pane dela (que é o plano da sua disciplina). é o planejamento colocado no papel. Elaborar o plano é pensar o que vai ser posto no papel. as técnicas de comunicação de massa eram bem rudimentares. os conhecimentos. para orientar e direcionar suas atividades. No ensino. em que etapa cada aluno está. Avaliação do plano Avaliar um plano é verificar se alcançou ou não os objetivos. Quando se trata de plano de ensino. As idéias. basicamente. O professor é mero ajudante no processo . o que faltou e em que poderia ser melhorado. São processos e técnicas de ensinar a infância. é descobrir quais são suas falhas. O plano é constituído. não são mais as mesmas. que são a matéria. precisa ser re- visado. O ENSINO Pedagogia é a arte e ciência de ensinar e educar. para se tomar eficiente na busca dos objetivos. O professor verificou. das técnicas e das atividades. Enquanto isso. Por isso. Os cinco devem estar interligados entre si para formarem um todo bem estruturado e harmônico. como vimos acima. há 50 anos. em novos comportamentos. através do estudo da realidade. sem muita perca de tempo. usadas com sabedoria em seu devido lugar. Observe-se que. em novos conceitos. Se a aprendizagem for de boa qualidade e quantidade. por não existir o microfone e o amplificador de som. e amarra tudo através dos meios auxiliares. dentro daquelas condições e para aquele ano. ele é bom. Essas técnicas podem ser eficazmente educacionais. conteúdo. Mas este não pode ser construído tão rapidamente como uma casa. explorando as leis psicológicas que regem o crescimento e comportamento do ser humano. Do contrário. Ele é formado em várias etapas. que são as informações. Execução do plano O plano sempre deve estar presente no pensamento dos seus executores. pois o plano é feito para cada turma em função das suas características próprias. é verificar o que deu certo e o que deu errado. para construir mais uma etapa do homem planejado. Essas técnicas que comunicam a mensagem. É por isso que o plano tem que ser flexível: para poder haver replanejamento. cada professor tem que fazer o seu.facilitador. ou de anos anteriores. é preciso reavaliar o plano. Temos em mente a construção do homem. sem em nada afetar a vida espiritual. Cada um dos componentes deve ser considerado em função da realidade com a qual se vai trabalhar. a mensagem da Palavra de Deus não deve jamais mudar. Se o plano estiver alcançando os objetivos. ou se os alunos estiverem indo mal nas avaliações. as informações e as experiências. conteúdo. o melhor termômetro para se avaliar um plano é a aprendizagem dos próprios alunos. em educação. conclui-se que o plano seja bom.Elaboração do plano Plano. não pode ser copiado de outros colegas. recursos auxiliares e avaliação. Foram transformadas em atitudes. é o próprio aluno o seu construtor. as idéias. as experiências. Reavaliar o plano é analisar cada um de seus componentes: objetivos. meios auxiliares e avaliação. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 10 .

Compreensão da importância de ser membro da Igreja. estará atraindo o inimigo a si. Daí se deduz que é privilégio do professor conduzir o aluno ao encontro das experiências da vida. Portanto. É Sustentador (digno da nossa fé). (Ef 5. O aluno e suas relações com Deus (Is 64. Ef 4. A palavra "educar" é derivada de uma outra que literalmente significa "conduzir para fora". Apreciar a contribuição dos outros e respeitar seus direitos. Jesus é o caminho para Deus. É preciso amá-la e tê-la como guia prático da vida diária. mas também promover aprendizagem por parte do aluno.8). Cuidar da salvação dos perdidos por todos os meios possíveis. O objetivo do ensino gira em torno do aluno.8). Compreender que somente estando em Cristo. Usar os talentos e habilidades a serviço do Mestre. Essa aprendizagem não pode ser forçada nem introduzida no educando como o ato de vestir uma peça de roupa. regenera (Tt 3. Aceitar a Bíblia como a Palavra divinamente inspirada (2 Tm 3.6).5).105). Trabalhar de coração. o soldado disparar sem direção. Nossas responsabilidades e deveres para com a obra do Senhor. Não pode haver real ensino sem aprendizagem por parte do aluno. Fomos salvos para servir (l Pe 2. o Pai.9). Bom. a Escola Dominical deve ser o desafio da Igreja contra o nanismo espiritual em seu meio. e capacita para vencer (At 1. De igual modo. não significa apenas ter coração mole e concordar com tudo (SI 25.8). mas primeiro despertar. O crente deve avançar para a maturidade espiritual. e Senhor. santifica (Rm 8. É Rei e Senhor (digno do nosso melhor serviço). O aluno e suas relações com os demais alunos e demais pessoas.2. O aluno e suas relações com o Salvador Jesus (Jo 14. motivar.16). Ser bom e justo. Nossas responsabilidades como cidadãos. podemos vencer nossa natureza pecaminosa. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 11 . 1. e viver a vida vitoriosa. Devemos dar. É Criador e Preservador (digno de toda adoração). É também o nosso Salvador pessoal. ensina (Jo 14.14). ensinar não é apenas ler ou falar diante de uma classe.16).14). (Mc 12. O Ensino Deve Ter Objetivos Definidos Se o caçador atirar a esmo. sem pontaria. de tal forma que ele possa viver vitoriosa e sabiamente. Abaixo damos 7 pontos que o ensino bíblico deve visar de modo definido.16).21. O aluno e suas relações com a Bíblia (SI 119. O aluno e suas relações com a Igreja (At 2.31).26). Se o ensino público é o meio de que o Governo dispõe para eliminar o analfabetismo. guia (Jo 16. nunca abaterá a caça. em suas atividades. O Espírito Santo convence (Jo 16. e Centro da nossa vida em geral. bem como à incredulidade à sua volta. Deus é nosso Pai celestial (com Quem devemos ter comunhão ininterrupta). Familiarização e participação na obra missionária nacional e estrangeira. O aluno e suas relações consigo mesmo (Fp. O aluno e suas relações com o Espírito Santo. e não apenas esperar receber da Igreja.13. Conhecer o propósito e missão da igreja local.44. diante de Deus e de seus semelhantes. 3. e isso não vem por acaso (Jr 15.13. e interessar a mente do aluno e em seguida dirigi-la no processo do aprendizado. se na guerra. Rm 8.O Que É Ensino No conceito moderno. ensinar não é apenas transmitir conhecimentos.18).8). É preciso conhecê-la.

Aprende quando necessita a. resultando no que se chama idéia geral.18). Leis Do Ensino E Da Aprendizagem Definições e conceitos educacionais Definição de "Leis".Gosta por escolha experimental (objetivamente). Toda criança normal é: Fisicamente imatura .. Permite ao professor sua utilização a fim de conduzir o aluno através do desconhecido. Leis são princípios imanentes e imutáveis que regem os atos e comportamento de todas as coisas inclusive o ser humano. O professor trabalha com a mente do aluno. a. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 12 . São leis da teoria e da prática educacional.precisa crescer (II Pe 3. há outros meios de aprendizagem. Retrogradação de grupo. Exemplos: a. b. Que privilégio e que responsabilidade. estão o ensino e o aprendizado. Consumação e consciência disso. b. estimulado psicologicamente.Funcionalmente. Que é aprender. dirigindo-a no processo da aprendizagem. • O cérebro é o receptor e intérprete dos estímulos.67-69). Gosta por efeito (subjetivamente). O processo da aprendizagem a. Mentalmente ignorante . para criar no aluno condições ideais para que o mesmo aprenda o que se ensina. utilizadas pelo professor. b.29). b. Essas leis funcionam através dos sentidos físicos do ser humano. Despertando para a realidade. Aprende quando gosta a. É o aluno pensar e agir por si próprio. • Juízo no Conceito é uma comparação de idéias. Que é ensinar. Jesus fez assim ao tratar com Nicodemos e a Samaritana. • Raciocínio é uma comparação de juízos. promovendo a aprendizagem por parte do mesmo. Jo 6.Futuramente. (Espiritualmente. Leis do ensino e da aprendizagem. Seqüência do processo da aprendizagem na mente. O conhecimento das leis do ensino e aprendizagem. Seqüência do processo da aprendizagem nos sentidos psicofísicos: • O órgão de determinado sentido é o receptor dos estímulos vindos de fora. considerando o contexto co- munitário.37. • Percepção é a identificação de percepções semelhantes. culminado na mente. • O nervo desse sentido é o transmissor dos estímulos recebidos. O aluno normal: Aprende quando motivado. Leis do ensino.precisa crescer. Na mente. Nos sentidos psicofísicos. geralmente chamada conclusão. Aplicação espiritual: Todo cristão novamente nascido é: (1) Espiritualmente imaturo . aspirações. É despertar e orientar a mente do aluno. (2) Espiritualmente ignorante .precisa aprender.) Os dois conceitos básicos da educação secular e religiosa. c. Leis da aprendizagem. Incluídos aqui. Não é simplesmente transmitir conhecimentos. (Ver Marcos 12. sob orientação inicial. Consciência do despreparo.precisa aprender (Mt 11.. b. São os princípios da assimilação e retenção do ensino por parte do aluno.

São as terminações periféricas dos nervos sensitivos. dirigido. É o ensino pela demonstração. O órgão receptor dispõe de um nervo que transmite ao cérebro o estímulo recebido. Nele estão os terminais do nervo olfativo. Esse sentido é tão experimental como os demais. alinhado.aprende-se. Esses sentidos são as portas da alma para seu contato com o mundo exterior. Tato . os quais funcionam através dos sentidos físicos.17. o nervo transmite e o cérebro interpreta o estímulo. Note o sentido literal de Mateus 8. O professor deve ministrar o ensino partindo do nível de conhecimentos do aIuno e não do seu próprio • Instalações escolares • Meios auxiliares de ensino • Material didático • Objetivos definidos da lição. Sendo previamente orientado. É por meio deles que recebemos os estímulos vindos de fora. idôneo. Aprende quando faz. competência. O ouvido compreende dois órgãos sensoriais: a audição e o equilíbrio. Aí o aluno aprende: a. O ensino chega à mente por meio destes sentidos.a língua. pelo exemplo (At 1. Elas mostram como o aluno aprende. do estudo Aprende quando investiga. probidade. Observando b.os ouvidos. devem orar muito por seus professores.aprimaiora-se (A ferramenta sem uso normal enferruja).o nariz. do curso. os quais. Confia na escola (sua idoneidade. • Atenção tem a ver com a pessoa do professor. Repetindo . Essas terminações são responsáveis pelas sensações tácteis. idealista. Cenestésia . Aprende quando recebe atenção pessoal Leis da aprendizagem são os princípios de assimilação e retenção do ensino por parte do aluno. estes. • Interesse conduz à participação a qual pode ser espontânea e provocada Aprende quando crê. que são seis a saber: a. f. Audição . se outros podem fazer ele pode também). pesquisa independentemente. Confia no professor preparado. Subentendidos também: • Idade e conhecimentos do aluno. Aprende quando está interessado. confia a. Aprende quando ora. Através da oração Deus pode abençoar o corpo. São leis imanentes no próprio aluno.Aprende quando vê fazer.1). após várias fases evolutivas. Confia em si mesmo b. etc.). d. receptor de estímulos. Resumo: o órgão recebe. É a aplicação prática. a.sentido muscular. por sua vez.os olhos b. interesse tem a ver com a matéria que o professor ensina. Por esse sentido sabemos se um objeto é pesado ou leve. experimental. O professor deve orar muito por seus alunos. resultam na aquisição do conhecimento. Cada sentido dispõe de um órgão do corpo. Fazendo . Olfato . e. (Isto é. Visão .está em todo o corpo. Nela estão as papilas gustativas. b. c. Aprende quando há métodos certos de ensino. Todo estímulo assim recebido. Paladar . térmicas e álgicas. e a mente e todo o nosso ser. provoca na alma uma ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 13 . Motivando sua potencialidade e capacidade adormecidas ou latentes.

Aprende-se 90% do que se fala.14). perguntas. testes. a percepção do violino será muito mais real. Noutras palavras. COMO O ENSINO CHEGA À MENTE? Veremos agora o processamento do ensino desde os sentidos até à mente do aluno. Jesus quando quis explicar a palavra "próximo" para um inquiridor. temas desenvolvidos. pois. Tenho então a percepção de um violino. (Ver os sentidos espirituais da alma. Aprende-se 70% do que se examina. Exemplo: Se por meio de estímulos recebidos eu percebo a um só tempo sons de plano. mapas. Exemplo: cânticos com gestos. etc. independente de observação. é uma idéia geral. curou paralíticos e leprosos e ressuscitou o filho da viúva de Naim. A voz do professor tem grande influência aqui. Conceito. provas. etc. Uns têm maior ou menor interesse.29-37). pesquisas. impulsos.reação ou reflexo. Deve ter a intensidade ideal e ser agradável. A percepção é um fenômeno complexo da alma em que se reúne num só ato várias operações psicológicas. Exemplo: Se Jesus deu vista a cegos. É o interesse e a atenção do aluno para receber ou executar o ensino. Para termos uma idéia do papel e do valor dos sentidos no ensino. passando em seguida a defini-la (Lc 10. Principais fatores que afetam o processo da aprendizagem: a potencialidade inata do educando para aprender. resultando daí o nosso comportamento diário. memória. desenhos. Aprende-se 30% do que se vê. Aprende-se 90% do que se faz ou participa em grupo. Tudo isso afeia o ouvido e a compreensão do aluno. Idéia. É uma comparação de idéias ou conceitos. e o propósito da aprendizagem. O ensino chega à mente: • Pelos sentidos físicos. contou primeiro uma história que esclarecia a idéia. exposição ou preleção. redações. o qual a mente identifica como sendo de violino. Exemplo: leitura. pensamentos. recebidos pelo cérebro: movimentos. Exemplos de reações e estímulos. Exemplo: escuto várias músicas e faço um juízo de que são boas ou más. tom. a fala. Se eu usar outros sentidos como vista e tato. • Pela inspiração divina. agradáveis ou desagradáveis para deleite da alma ou não. Exemplo: Ouço um som. mesa redonda. saiba-se que: Aprende-se 20% de que se ouve. atitudes. • Pela revelação divina. por exemplo. prévia experiência e processos do ra- ciocínio. chego a conclusão que Jesus socorre o homem na tristeza. As três leis básicas da aprendizagem: A lei da disposição mental. A arrumação da sala também influi muito (recursos visuais). palavras. aprende de fato quando "faz" a lição. Raciocínio. desejo sincero e interesse por parte do aluno. recitativo de memória. no abandono e no sofrimento. Para se aprender ou fazer algo é preciso disposição. o ambiente onde se processa a aprendizagem. tal combinação de percepções dá-me a idéia ou conceito de musica. é uma conclusão. e gestos do professor. violino e flauta. Aqui tem grande importância a iluminação. Juízo. Hb 5. associação e atenção. A criança. discussão orientada. trabalhos manuais. a qual é a percepção direta e imediata do conhecimento. marchas. procura e leitura de versículos. O aluno só presta atenção ao professor ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 14 . emoções. Não confundir os dois últimos com intuição. É a identificação de uma sensação ou estímulo recebido. É uma combinação de percepções semelhantes. reconstituição da lição. É preciso interesse total. Tem grande influência aqui. Percepção. É uma comparação de juízos. como estímulo. a voz.

O aluno não somente aprende. senão será esquecida (Mt 7.24). Um músculo ou membro do corpo imobilizado. porque não se trata de educação simplesmente. É um erro pensar-se que os adultos não podem ser transformados quanto a orientação religiosa dantes recebida. mas quando é ao contrário. Portanto. etc. Que fazer para por esta lei em ação "Despertar ou motivar o. porém sua real educação religiosa é das mais difíceis. A prática faz a perfeição. O ensino de adultos. aprende-se mais facilmente o que é agradável. facilitam cem por cento a aprendizagem. torna-se forte. sumários. A lei do exercício ou da repetição. questionários. O adulto não é um eterno escravo da educação recebida na infância e adolescência. ninguém quer repeti-la. aproveitada ou aplicada. torna-se atrofiado e enfraquecido. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 15 . Um aluno insatisfeito agirá contrariado. aluno. e dificilmente o que é desagradável. lições repetidas. O aluno aprende mais facilmente o que lhe causa prazer e satisfação. mas repete aquilo que lhe causa prazer.) usando as fontes de motivação apropriadas para o momento lembremo-nos que a alegria e a satisfação do aluno motivado. É a repetição de um ato que forma o hábito.quando o assunto lhe interessa. Sem atenção concentrada não pode haver aprendizagem. a pessoa quer repetir a experiência. mas reeducação. mas em uso normal. Uma verdade bíblica aprendida deve ser praticada. Essa repetição deve ser freqüente. Uma ferramenta em uso torna-se enferrujada. Quando o efeito de uma coisa é agradável. Aí está o campo das perguntas. Esta lei prova que a repetição ajuda a gravar. A lei do efeito.

Jesus foi o mestre ideal.. viveu aquilo que depois ensinou. Alguns elementos eram meramente humanos. como maiorrer.. como orar. Beardslee assim se expressou sobre Jesus: "Sua grande alma deu lugar bem grande para que o Espírito Santo o ungisse inteira e completamente... ... Jesus foi "um mestre vindo da parte de Deus"... você vê a luz. e também com as experiências naturais da vida humana....... Gordon disse: "Jesus tinha já feito antes de fazer. "A vida do professor é a vida do seu ensino.... Do fato de ele ser Deus e possuir as perfeitas qualidades de Deus. pelo estudo e freqüência à sinagoga. Ele difere de nós em qualidade e também em grau.. como serem amigos. .......6).. ... Por isso o professor de Escola Bíblica Dominical deve ser alguma coisa para poder eficientemente dizer alguma coisa.. "As palavras do professor só chegam até onde as projeta a força propulsora duma vida piedosa. outros. de persistência. Olhando para os olhos dele.. à ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 16 . ele os desenvolveu. "Jesus crescia em sabedoria" (Lc 2. porque a verdade mais se apanha do que se ensina. de entusiasmo... UNIDADE II JESUS O MODELO DE ENSINO ..... Experimentou tentações que diziam respeito à conservação de sua própria vida..... . A Encarnação da Verdade O elemento mais importante na qualificação de qualquer professor é justamente aquilo que ele e em si.. como dirigir. nos sentimos estimulados e inspirados para cumprir nossa tarefa de professor..... e feito dela parte de si mesmo. Foi ele o único ser perfeito.... Quando os consideramos. cada professor deve sentir bem fundo em seu coração que sua pessoa é a lição que mais apela ao coração do aluno.. como suportar. de paciência.. Ele tinha ilimitadas reservas de verdade..... a verdade" (João 14.. Isto é verdade tanto visto do ângulo divino como do humano. . Ele é o ensino modelar para todas as épocas. ele o encarnava e ensinava com trasbordamento de toda a sua vida.52)... Muitos elementos contribuíram para prepará-lo eficientemente para o magistério. Todos reconhecemos que um só exemplo vale por cem ou mil conselhos..." Jesus foi a encarnação viva da verdade. ao necessitado. aos vizinhos..... divinos....." C.. “Jesus foi um mestre vindo da parte de Deus”. D. aos servos. S....... Ele mostrou aos que dependiam de outros como deviam confiar... aos governadores.. "Aquilo que você é troveja tão alto que não posso ouvir o que você diz.. e a todos os homens.." "A verdade encarnada é a única verdade espiritual que consegue apelar de modo efetivo. S.... Por isso jamais poderemos nos aproximar de sua perfeição. A IDONIEDADE DE JESUS PARA ENSINAR Ninguém esteve melhor preparado...... Jesus aprendeu como filho e como irmão dentro de seu lar.... No sentido mais profundo. e viveu tudo bem mais do que pôde ensinar. Ele foi cem porcento aquilo que ensinou." Isto de fato é assim....... Fosse qual fosse o assunto." É o peso do machado que o faz penetrar mais fundo na árvore que se quer derrubar. Também a sua encarnação da verdade proveio do fato de ele ter estudado e experimentado a verdade.. No que toca às qualificações.. e ninguém se mostrou mais idôneo para ensinar do que Jesus. ao sofredor. em sua inteireza. A influência inconsciente é mais poderosa do que a consciente.... de majestade......... alguns lhe eram inerentes) e outros........" Esta encarnação da verdade proveio de duas coisas. como servir. bem como noutros mais respeitos. viveu tudo antes de ensinar..... de longanimidade........... Por isso. de beneficência.. Ele disse: "Eu sou.

Não se julgou tão cansado que não pudesse conversar sobre a Água da Vida com uma decaída junto ao poço de Sicar. os discípulos compreendem esse amaior e interesse do professor.14). possuir boas estatísticas. era matéria de cativa. organizações ou equipamento. para tirá-los do seu pecado. dizendo: "O sábado foi feito por causa do homem. e não como os escribas" (Mc 1. e afirmava repetidamente que viera para servir. A sabedoria de Jesus vinha de dentro e não precisava de escoras ou de confirmação.21). Em primeiro lugar. pelos ciumentos fariseus. pelo coxo. 6:34). Saber enfrentar uma grande classe. amando e desejando servir bem a nossos alunos. o discípulo e os métodos de ensino. pelo cego. O povo viu corporificado no que ele praticava aquilo que ele queria que . Na ocasião em que certo homem atacado de lepra suplicou a Jesus que o curasse. Mais cedo ou mais tarde. pelo surdo. A encarnação da verdade pelo mestre afetava o seu ensino pelo menos de duas maneiras. Não deu ouvidos à critica dos líderes religiosos e se associou com pecadores. "A maior coisa que seus discípulos aprenderam de seus ensinos não foi a doutrina. e. tocou-o" (Mar. Anotavam como ele se comportava diante da tristeza. Seu coração se derretia de simpatia por um mundo necessitado. Todo o mundo ama aquele que ama. Brilhou sempre no caráter de Jesus esse interesse profundo pelo bem-estar de todos. e não para ser servido (Mt 20. diz o evangelista que "Jesus. a maior coisa foi o terem eles estado com Jesus. ele os defendeu. e a eles respondem. Jesus mostrou que realmente estava interessado em tudo." Portanto. contemplando-o. dava-lhe um tom de autoridade. Por outro lado. O povo "se admirava do seu ensino. com convicção e poder." O Mestre não só se interessou pelos problemas humanos. visitar em sua própria casa um malquisto coletor de impostos. Algumas personalidades pouco prometedoras que conhecemos se tornaram ótimos professores de adolescentes (a idade mais crítica). e suas mãos secundavam e espalhavam essa simpatia por meio de serviço e ajuda. Até a última hora de suas vidas.eles fizessem. Nas parábolas da ovelha e da dracma perdidas e do filho pródigo. O seu modo de viver reforçava e dava peso àquilo que dizia. "Este mestre era diferente. mas sempre buscou fazer alguma coisa para solucioná-los. Seu coração encheu-se de afeição pelos escribas que viviam a criticá-lo. Quando os fariseus criticaram os discípulos de Jesus por haverem colhido espigas no dia de sábado. Revelou sempre genuíno espírito missionário. 1:41).29). ele se sentiu todo tomado de profunda simpatia por aquele sofredor. muito embora conheça bem a Bíblia. porque ele os ensinava como quem tinha autoridade. Jesus se interessava mais por pessoas do que por credos."' Por isso. teremos suprido em boa parte as deficiências de conhecimentos e de técnica. pelos pecadores mal- quistes. pelos desprezados e odiados publicanos. e apresentava sua própria palavra como suficiente. e não o homem por causa do sábado" (Mc 2. e "estendendo a mão. A sabedoria destes era mais aquela vinda de fora. Via o povo "como ovelhas sem pastor" (Mar. da perseguição. do desapontamento. Não citava ninguém. Ele sempre amou a todos e se interessava vivamente por seus problemas. cerimônias. "Ele encarnou e revelou todo o amaior de Deus. ou como o címbalo que retine".22).27). ensinava com clareza meridiana. o mestre será "como o metal que soa. de ajudá-lo. que se não via nos escribas e rabinos do seu tempo — os professores oficiais dos dias de Jesus. "designou doze para estarem com ele" (Mc 3. ou conhecer de sobejo os melhores métodos de ensino não constituem substituto apropriado para aquele profundo interesse que devemos ter pelo próximo. da critica. Sem esta qualidade. ensinavam mais citando autoridades e a tradição. O fato de viver aquilo que ensinava também inspirava confiança naquilo que dizia. O Desejo de Servir Um dos elementos essenciais para a qualificação de um professor é o interesse que deve ter pelo povo e o desejo de servi-lo bem. o amou" (Mc 10. Quando aquele jovem avarento e egocentralizado fez Jesus parar na estrada para lhe perguntar qual o caminho que conduz à vida. e se compadeceu dos homens por todos os seus males e padecimentos.consideração social e à ambição do poder. Não achou que lhe seria desdouro?. sua influência. e isto se explica pelo fato de terem amado verdadeiramente os alunos daquela idade. sim. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 17 .

não.27). A ênfase que Jesus deu ao ensino ressalta do fato de em geral ser ele reconhecido como Mestre. pois. por sua vez. 5:17-48). De forma alguma se distinguiu ele como "agitador da massa popular". ele se dedicou ao ensino e preparo do pequeno grupo de discípulos que a ele se agregara. cumpridos pela mãe de família. Somando-se todos os termos equivalentes a mestre. na estrada.23. Outrossim. Professor ou Rabi. Ele não se distinguiu primeiramente como orador. sabemos que és mestre vindo da parte de Deus" (João 3.20). e dizeis bem.13). nas praias. Fala-se em Jesus ensinando. e onze apenas pregando e ensinando. Hinsdale diz: "Até mesmo os deveres domésticos. 28:19. Ele preparou um grupo de mestres para que levassem avante sua obra. pois observamos que os ouvintes se sentiam à vontade para lhe fazer perguntas.2). Jesus se mostrou perfeitamente qualificado neste particular. como vemos em Mateus 4. e mostrou estar perfeitamente familiarizado com o conteúdo dele." Toda a obra de Jesus estava envolta em atmosfera didática. dentro do lar judeu. como também as assimilou de tal modo que as podia aplicar livre e perfeitamente às necessidades e ocorrências do dia. O Conhecimento das Escrituras Outra coisa essencial num professor é o conhecimento das Escrituras. Nesta linha de pensamento. requisito este indispensável a qualquer professor. Vemos perfeitamente que ele não pertenceu à classe dos escribas e rabinos que inter- pretavam minuciosamente a Lei. com práticas ritualistas. temos o total de sessenta e um. "No decorrer dos últimos dias de sua trabalhosa vida. Norman Richardson anota que o vocábulo Mestre é usado sessenta e seis vezes na Versão King James. em reuniões sociais. B. Jesus cria muito no ensino. Não. De fato. Não comprometeu sua Causa com apelos em reuniões populares. moldavam o caráter dos filhos segundo a disciplina nacional. ou com manobras políticas. nas casas. e tudo isto traz em seu bojo a mesma idéia geral expressa por Nicodemos quando disse:: "Rabi. vocábulo que traz a idéia de instrução. Ele ensinava em qualquer lugar e a toda hora — no Templo." Jesus também aprendeu na sinagoga. e nunca se fala nele como pregador. Ele ensinou. quando não coisa obrigatória. e. ele o conhecia tão bem que chegou mesmo a contrastar sua precariedade com a inteireza daquilo que cie ensinava (Mat. habilitando-se para refutar os rabinos e perguntar-lhes: "Não lestes?" Ligada à sinagoga havia uma escola elementar ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 18 .A Crença no Ensino Jesus viu no ensino a gloriosa oportunidade de formar os ideais. como era seu costume" (Lc 4. como mestre. Também dizia ser "a luz". porque este é o primeiro material que vai usar.16). lhes propunha questões e problemas. Ele confiou sua Causa aos prolongados e pacientes processos de ensino e de treinamento. Jesus a si mesmo se chamava Mestre. Jesus não só conhecia as Escrituras. e isso por vinte anos ou mais. nem como chefe. as atitudes e a conduta do povo em geral. onde se respirava atmosfera profundamente religiosa e educativa. quarenta e cinco vezes. nos dias dele. dizendo: "Vós me chamais Mestre e Senhor. Lucas diz: "No sábado Jesus entrou na sinagoga. quando Jesus explicou os ensinos das Escrituras relativos à sua Pessoa (Lc 24. no monte. preferindo aproveitar a oportunidade para apresentar sua mensagem. Também se revela bem a ênfase do Mestre em ensinar no modo entusiasta e até agressivo pelo qual externou sua atividade educadora. e não tanto num ar de preleções ardentes. Prova-o a conversa na estrada de Emaús. Ele se dedicou ao ensino e sempre dignificou tal vocação. vemos que seus discípulos e contemporâneos o tomavam como mestre. como reformador. Iniciara-os na infância. quando enfrentou os esforços do diabo. A. a batizá-los (uma ordenança educadora) e a instruí-los na observância de todas as coisas que lhes tinha mandado (Mat. Jesus citou passagens de pelo menos vinte livros do A." E ele os enviou aos confins da terra para que fizessem discípulos (para que matriculassem na escola de Cristo). estava ela espalhada por todos os lugares. sim. Wilson acha que Jesus ia à sinagoga pelo menos uma vez em cada sábado. junto ao poço. e ele. e a freqüência a ela era hábito arraigado. interessante é notar que João Batista sempre foi mais chamado pregador que mestre. Assim foi que Jesus aprendeu a Lei e os profetas. Prova-o o episódio de sua tentação. Nos Evangelhos. Sua maestria não provinha só de sua divindade. que pretendia confundi-lo com citações das Escrituras (Mt 4. "À luz dos Evangelhos. Jesus é chamado mestre nada menos de quarenta e cinco vezes. porque eu o sou" (João 13. nas sinagogas. mas também de seus estudos. "Relutava mesmo em curar.1-11)." Ele foi mesmo chamado Mestre.T. em pú- blico e em particular. No decorrer do seu ministério. cinqüenta e quatro vezes é derivado da palavra grega que significa professor ou mestre.

Ele tratava diretamente dos assuntos. Intuitivamente. e era obrigatória a freqüência. nenhuma prática pedagógica. Estudava a Lei. recebendo. estamos ensinando pessoas. do seu espírito de servir. Admitimos que ele tinha uma soma de conhecimentos que perfeitamente o habilitava para a tarefa de mestre. a história. A Bíblia diz que "ele bem sabia o que havia no homem" (João 2. Jesus não só compreendeu a mente judia em geral. bem andaremos se seguirmos o exemplo que Jesus nos deixou. atitudes e motivos. Na arte de ensinar. Empregou métodos com perfeita liberdade e eficiência. aplicando sempre muito bem seu ensino a situação e ao momento. Com a inteireza de suas fontes e recursos. ou por assimilação. os métodos usados hoje em dia — perguntas. e estudava as Escrituras até os dez. Importa. assim. um técnico.para meninos. drama- tizações. mas foi também um mestre na penetração do coração e na compreensão daquilo que se passava no íntimo de cada indivíduo. Dos dez aos quinze anos. Na verdade não se admitia que um judeu ortodoxo vivesse em lugares sem escola. Domínio da Arte Não afirmamos aqui que Jesus consciente e propositadamente estudasse os métodos e processos de ensino. e ensiná-los à luz do que deles conhecia. nenhuma teoria de edu- cação. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 19 . A dedicação. Quando olhamos para Jesus. ele mostrou conhecer perfeitamente todos os seus elementos principais e os usou de maneira mais que eficiente. é esta uma qualificação muitíssimo necessária ao professor. discussões. Compreensão da Natureza Humana Ao lado do conhecimento das Escrituras. para depois aplicar o remédio escriturístico. quanto as suas facções e seitas. conversas. e para cada caso. pelo menos em embrião. com ilustrações mui adequadas. Todo aquele que lida com a natureza humana deve conhecer alguma coisa a esse respeito. é coisa igualmente importante a compreensão da natureza humana. histórias. quando vemos que ele praticamente empregou aqui e ali. aproveitou bem todas as oportunidades de ensinar. O menino judeu começava a freqüentar a escola aos seis anos. educação religiosa e maioral. e aos treze tomava-se "filho da Lei" e membro responsável da congregação da sinagoga.17). começando pelo Levítico. que o mestre de religião compreenda as pessoas com quem vai lidar. ninguém nasce mestre. foi mestre de mão cheia. os profetas e a poesia. a não ser que se vencesse o rio por uma ponte. estudava as interpretações orais da Lei. que funcionava nos dias da semana. e não a Bíblia. de sua confiança no ensino. concluímos que ele foi o mestre melhor qualificado que o mundo já conheceu. Buscando dominar bem esta difícil e gloriosa arte. do seu domínio dos métodos e processos de ensino. pôde descobrir as habilidades de seus aprendizes. e deliberadamente buscasse segui-los. bem como suas necessidades. pois. desenvolvimento e conclusão sempre muito apropriados.25). em métodos de ensino. Parece até que os descobria e aplicava de modo natural. Assim como o médico precisa diagnosticar antes de receitar qualquer remédio também o professor precisa compreender a vida humana e seus problemas. o entusiasmo e a fidelidade ao ensino não ressarcirão a falta de conhecimento dos métodos de ensino. não obstante. preleções. mas provavelmente assim não fez. planejamentos e demonstrações. Criava-se onde existissem vinte e cinco alunos. Na verdade. Concluímos que Jesus foi consumado mestre na arte de ensinar. o método justo e adequado. Em última análise. Pelo menos meia dúzia de exemplos evidenciam que Jesus tinha acurada visão do íntimo da natureza humana e do pensamento do povo. e empregou sempre. Ele não anunciou propriamente nenhum princípio psicológico especial. Vemos ainda que Jesus conhecia perfeitamente a arte de ensinar pelos processos de que lançou mão. do seu conhecimento das Escrituras e da humanidade. porque não se pode aplicar a Bíblia à vida a não ser que se compreenda bem o aluno e suas necessidades. "Percebe-se que Jesus conhecia de cor quase todas as Sagradas Escrituras não só pelas citações diretas que delas fazia. pois. Em regra. quando analisamos suas partes componentes. Os mestres se fazem. caso vivessem em lugares separados por um rio. nem desculparão um ensino fraco e precário. ambas as localidades deviam ter sua escola. mas também pelas numerosas alusões que fez à Lei. lições objetivas. As próprias Escrituras foram dadas para ensinar. e muito. descobrimos que suas lições tinham exórdio. Tendo tal conhecimento. foi um mestre. É possível que sim. corrigir e disciplinar "para que o homem de Deus seja completo" (II Tm 3. e enfronhando-se dos ritos e cerimônias de sua gente. e o vemos à luz de sua perfeita personalidade.

quando não de perversidade progressiva. Pedro mentiu e jurou para ocultar sua identidade e se escapar de situação embaraçosa. e foi o campeão dos impetuosos. e falhou muito quando se encolerizou contra os descaridosos samaritanos. atirando-se de vida. a ser arrastado por tendências pecaminosas. e formá-los em pessoas bem desenvolvidas e preparadas. que depois se tornou o discípulo amado. conquanto viesse a gozar por alguns anos da companhia de Jesus. mas também ao orgulho. experimentariam muitas decepções e desânimos. Basta lembrar que um deles. ao menos temporariamente. CARACTERÍSTICAS DOS DISCÍPULOS DE JESUS Ilude-se quem pensa terem sido ideais e modelares as pessoas que Jesus ensinou. nem sempre foram tão angélicos como os pinta a nossa imaginação ou alguns artistas da tela. para se tornarem cristãos crescidos e maduros. Pior que isso: haviam tido na vida um desenvolvimento errado e falho. tinham vivido em graves pecados. não controlados pelos ideais cristãos. Mesmo ao contemplar sua obra. e vemos que eles fizeram coisas que mais tarde provavelmente desejariam ver retiradas dos registros. Na longa estrada do aprendizado. Simão. aos quais Jesus queria revelar seu amaior e o amaior de seus discípulos. Tomé mostrou-se tão duro e obstinado em não acreditar na ressurreição de Jesus que tal atitude exigiu esforços especiais do Mestre no sentido de lhe provar satisfatoriamente esse glorioso acontecimento. inevitavelmente os teriam arrastado a grandes e irremediáveis males. instintos e impulsos que. foi um verdadeiro milagre da arte de ensinar e exercitar. Impulsivos ou Impetuosos Os discípulos de Jesus não eram apenas imaturos. se aventuraria a tomar como alunos este grupo de pessoas e fazer deles o que o Mestre Jesus fez. Assim tinham eles que caminhar muito e muito. João. não sabia controlar seu gênio. que constituíam gloriosa inspiração para o mundo. Pedro era assim. movido do infinito amaior e paciência. tornando-se mesmo o tesoureiro do colégio apostólico. jurando por três vezes que nem o conhecia. João não só deu asas a seu temperamento e preconceitos. não demonstrou possuir aquela solidez e firmeza que tal nome sugeria. pois prometera a Jesus que estaria firme a seu lado ainda que os mais desertassem. Apanhar este pequeno grupo de indivíduos sem preparo e que quase nada prometiam. a natureza humana em sua essência é sempre a mesma. com muita paciência. Conquanto alguns deles se tornassem depois cristãos de elevado caráter. Havia neles altos e baixos. O Grupo de Imaturos Este grupo de pessoas com que Jesus lidou estava mui longe da perfeição. Mas Judas não foi o único. Humanos como nós. e ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 20 . por fim chegou a vender o Mestre por trinta moedas de prata. Alguns deles eram mesmo gente governada só por impulsos. "Era homem impulsivo e precipitado. Embora mudem as condições ambientais. Pecadores O Mestre não só teve que lidar com pessoas de caráter subdesenvolvido e de fortes impulsos. alguns dos quais Jesus ensinou e cujas vidas foram transformadas por ele. Judas. Eram "santos apenas em estágio de fabricação. mas também de acentuadas tendências para o pecado. Não é preciso vasculhar muito o Novo Testamento para se ver quão imaturos e imperfeitos eram aqueles que Jesus tomou como discípulos. e dentro de poucas horas negou a Jesus. a quem se daria o nome de Pedro (pedra). Eram "caracteres Ideais apenas em embrião. mesmo incluindo- se os doze apóstolos. não progrediu tanto a ponto de sentir-se preparado para resistir à tentação de traí-lo por trinta moedas de prata! Os discípulos de Jesus sofriam a enfermidade de desenvolvimento retardado. Na verdade. Jesus jamais foi suplantado por qualquer outro mestre. pois que esta é sempre a mesma em todas as épocas. após vários anos de companheirismo e aprendizado com o Mestre. ainda eram imperfeitos. Assim acon- teceu em parte. quando Jesus iniciou sua obra Junto deles. mesmo do círculo íntimo de Jesus. foi e é suprema inspiração e encorajamento para os mestres cristãos de todas as épocas. qual regato que desce célere e desabaladamente montanha abaixo. tinham as mesmas imperfeições e fraquezas naturais à criatura humana. e de persistente energia e perseverança. Somente alguém que tivesse uma alentadora visão do futuro.

dado que a mente deles não estava habilitada a apanhar toda a verdade. Ao contrário. visando pre- pará-lo para a liderança. Eram. um dos homens mais preparados do seu tempo! Cheios de Preconceitos Eram seus discípulos imaturos. Uma concepção materialista da vida e a idéia ritualista da religião muito os prejudicavam. no entanto. desenvolvidas. De fato. Nunca se sabe o que serão os nossos alunos de hoje. Vê-se claro igualmente que Jesus não foi compreendido quanto ao que lhes ensinou acerca da ressurreição. "Houve atritos entre eles. os discípulos continuaram a es- perar um reino temporal que se baseasse no poder material. Mas não era esta a única dificuldade. E também Maria Madalena. Mesmo na ocasião da Ultima Ceia. embora não pudessem eles entender. intempestivos. ficaram surpresos com a ressurreição de Jesus. As atitudes mentais deles em nada favoreciam a recepção das verdades apresentadas por Jesus. como os demais reinos da terra. E isso era verdade mesmo em se tratando dos discípulos mais íntimos de Jesus. Essa jovem culta e de modos gentis. de mente tardia e apoucada. ninguém esperou tal acontecimento. embaraçavam bastante o trabalho do Mestre. que chegaram a pleitear um lugar à direita e outro à esquerda — primeiro-ministro e secretário de estado. Mas não podemos parar aqui. pois eram homens de não pequenas ambições. pecadores. Como vemos nos Evangelhos. E isso tem sucedido inúmeras vezes. como errados pontos de vista. Lc 22. a qual tivera um rosário de cinco maridos. os corações deles giravam ao redor de tronos" (Mc 9.. eram tais alunos gente das mesmas paixões nossas. João abrigava dentro de si tais ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 21 . assim. Isso temos visto de contínuo na sociedade de que fazemos parte. Sabemos. e de paixões que não poucas vezes os dominavam por completo." Forte exemplo dessa incompreensão vemos no que respeita ao que Cristo lhes ensinou sobre a natureza do Reino. como Tiago e João. aqui vemos perfeitamente que a classe de alunos ensinada por Jesus em nada apresentava aquelas condições ideais para um mestre ideal. e por isso não tinham aquele fundo cultural que soem ter os de classe mais elevada. roubando assim ao povo necessitado. E Tiago se associou a ele. a arrastarão a uma vida vergonhosa. com sete demônios a seu crédito. que instintos não controlados inevitavelmente arrastam à ruína. conforme ordenava a lei. Até mesmo o propósito de sua maiorte não lhes ficara bem claro. tais discípulos foram para ele constante decepção. certamente o levarão para a penitenciária. o grupo todo de discípulos pensava mais em grandezas materiais. vemos Zaqueu. E ainda a mulher pecadora que lhe lavou os pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. o é ainda hoje. e muito menos explicar a outros. que parece trazer no rosto a marca legítima da inocência.24). Mesmo as exigências importantes e aparentemente simples para o discipulado parece não terem ficado bem claras na mente do próprio Nicodemos.33. e tudo aquilo desafiava os preceitos e a influência de Jesus. visto que o quadro ainda não está completo.chegou a pleitear o privilégio de assentar-se à destra de Jesus. o coletor de impostos.. os quais desapareceram quando Jesus lhes disse que quem estivesse sem pecado fosse o primeiro a começar a apedrejá-la.37. Ignorantes Seus discípulos provinham em maior parte das baixas camadas sociais e não da classe alta. 10. ambição e luxúria argamassavam a vida deles. pois que Paulo nos fala da cruz como pedra de tropeço para os judeus. tanto sua como nossa. visto que as verdades espirituais se discernem espiritualmente. Apesar de tudo quanto lhes ensinara sobre a natureza pessoal. Conquanto lhes houvesse dito que ressuscitaria ao terceiro dia. não controladas. gente mui imperfeita. pode muito bem estar abrigando dentro de si certos ideais e paixões que. os princípios que eram a pedra angular da fé que deviam propagar. Afora o circulo dos doze. Nos três anos que Jesus gastou a ensiná-los. E ainda a mulher de vida livre a quem ensinou à beira do poço. Nenhum professor pode ler todos os maus pensamentos e propósitos ocultos no coração de seus alunos. exigiu provas cabais para se convencer. E ainda aqueles acusado- res da mulher adúltera. Não estavam preparados para compreender muitas coisas. Tanto a ignorância. Tomé. homem que tinha grande amaior pelo dinheiro e que cobrava mais do que era devido. Orgulho. "Ele escolheu um grupo pequeno. íntima e subjetiva do Reino. Num rapaz de belo físico podem estar aninhadas fortes tendências para o crime. igualmente desejoso de posição social e política. O que foi verdade então. Não. um dos discípulos de Jesus. Pelo contrário. forças que.

para fugir ao dedo indicador dos inimigos de Cristo em Jerusalém. Ele sempre tinha um propósito e fins definidos a atingir.preconceitos que não admitia que pessoa fora do seu grupo expulsasse demônios e fizesse o bem (Mc 9. Sabia muito bem o que queria." Se todas essas coisas se deram com Jesus. o preconceito subjazia à raiz de muitos dos problemas já mencionados. Buscou. e obstáculos.10).67). em nada nos devemos surpreender quando vemos que nossos esforços parecem não render coisa alguma. e quando não poucos alunos e alunas deixam as classes da Escola Bíblica Dominical. e. pois que não visa a coisa definida. Dificilmente encontrará o professor um aluno completamente despido de preconceitos. em servir a Cristo. Instáveis Em certa época do seu ministério. ou de dançar. de propósito e de objetividade. apesar de todas aquelas dificuldades. em sacrifício e na cruz. a debandada de discípulos foi tal que Jesus pateticamente se voltou para os poucos que lhe ficaram fiéis. e tomarmos alento. e.48). se sua obra no tempo foi tida como decepção e derrota. a não ser o de apresentar o material que se lhes forneceu. Por isso. Nestes dias em que tanto se enfatiza no ensino a solução de problemas e o tratamento das situações da vida. as coisas caminhavam de modo mui diferente. Muitos professores trabalham meses e meses sem objetivo definido. urge lembrar do Grande Mestre. transformar outras vidas e regenerar a sociedade humana''. mal chegam à juventude. perdem todo o interesse e se vão. "Vim para que tenham vida" (João 10. o professor encontrará nos seus alunos práticas e preconceitos tais que fortemente os impedirão de encarar com coração aberto tais assuntos. assim. Quando se faz muito mais fácil tomar uma classe do que conservá-la. Sabia para onde ia e de maneira firme caminhava para a consecução do seu objetivo sem olhar para oposições ou derrotas. E o mundo age assim ainda hoje. Ele procurou de modo especial dar a todos uma compreensão mais clara da natureza de Deus e de sua atitude para com a humanidade. "transformar as vidas de seus discípulos. É coisa mui difícil convencer um homem e levá-lo a negar-se a si mesmo. tendo dado a causa como completamente perdida. Mesmo depois de sua crucificação. Queriam muitos deles ter cheio seu estômago e ver curadas suas doenças. definha-se o ensino por falta de perspectiva. a temperança ou qualquer outro assunto. Aqueles onze homens corriam de cá para lá. o guia para o curso áa vida. Todos querem ser curados e libertos do castigo eterno. unicamente por causa dum ideal que abraçou. Um jovem pode recusar tomar um gole de pinga. O professor de Escola Bíblica Dominical tem também que enfrentar situações idênticas. Jesus buscou formar ideais retos e justos. não esqueçamos a necessidade de plantar verdades divinas na mente de nossos alunos e de construir sólidos ideais de vida. emboscando-se nas trevas. como ovelhas assustadas. "Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celestial" (Mt 5. Jesus teve que lidar igualmente com alunos cheios de preconceitos. Mas. A intolerância é pior do que a ignorância. por meio deles. assim. Eles são como a carta. Ele nunca ensinava somente pelo fato de ser chamado a ensinar. não sabemos para onde ele se dirige e nem onde chegará. O OBJETIVO DO ENSINO DE JESUS Uma das coisas que mais ajudam no ensino é o ter objetivos claros e específicos. ou deixar de dar uma tragada. omapa. e caminhava nesse sentido. Assim é que surtos instintivos são largamente dominados por eles. que esteve sempre muito além daquilo que podemos ser. vemos que seus amigos mais leais voltaram ao seu primitivo ofício. Lembre-se de que. e. E também não se poderá avaliar os resultados do ensino. o dízimo. afirmam os psicólogos.38). Muitas coisas estão incluídas neste seu objetivo geral. mas sem qualquer interferência em seus interesses e sem qualquer mudança em seus hábitos. Na verdade. "Assim ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 22 . e perguntou: "Não quereis vós também vos retirar?" (João 6. Com Jesus. Em grande parte controlam nossa conduta. Sem um alvo certo e preciso. Os maiores obstáculos encontrados por professores e mestres são essas mentes fechadas e cheias de preconceitos. trate-se de ensinar a conversão. Formar Ideais Justos Os ideais são no mundo as forças impessoais mais poderosas para a construção do caráter. Jesus avançou pacientemente e conseguiu fazer daquele grupo o mais eficiente corpo de discípulos e mestres que o cristianismo já teve em toda a sua história. Ideais e sentimentos mais elevados são necessários para dar unidade à vida. Assim. quando se lhes fala em arrependimento.

." Relacionar com os Outros Viver cristão envolve relações retas para com o homem. Resolver os Problemas da Vida Em todos os seus ensinos Jesus nunca se esqueceu dos problemas íntimos de seus ouvintes.32). Ao enfatizar a doutrina das recompensas na eternidade. a pureza. o enfermo e os presos (Mt 25. espiritual. e assim estar preparada para viver bem num ambiente depravado. o sacrifício. a maior parte dos seus ensinos registrados era para ajudar indivíduos a resolverem problemas específicos que os desafiavam. Carlos F. libertar o altivo coletor de sua ganância. disse isso aos judeus que criam nele. do contato com o povo. tais como a honestidade. Ele não empregou termos gerais. para fazer deles discípulos felizes e unificados. o altruísmo. água ao sedento. mas acoroçoou virtudes particulares. Quando ele disse: "A verdade vos libertará" (João 8. firmam a conduta e alegram o viver. igualmente o indivíduo vagueia enquanto não se relaciona com Cristo. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 23 . Pode-se conhecer bem os males acarretados pela perversão sexual. e odeia a seu irmão. Assim." Jesus buscou criar e desenvolver virtudes positivas. o perigo das be- bidas alcoólicas e da jogatina. e não enfraquecer as convicções. dizendo: "Se alguém diz: Eu amo a Deus. de conversas e incidentes. e sempre buscou resolvê-los. e nem só resolver por meio deles problemas específicos da vida. Foi mais adiante. pois. Sem contar o Ensino do atonte. a bondade. Ele bem sabia que só o conhecimento ou a informação não venceria os desejos instintivos e o mau ambiente. "Jesus sempre visava a própria vida.35. O ensino deve fortalecer. mais do que o intelecto. e não obstante viver-se escravizado a um ou a todos esses vícios. é mentiroso" (I João 4. O Mestre nunca se iludiu pensando que basta o conhecimento para curar o homem de seus males." Formar Caracteres Maduros Jesus desejava não apenas obter uma resposta definida para seus ensinos. roupas ao nu.7). ambas estas coisas" acham-se envolvidas na mesma experiência. Ele denunciou corajosamente os fariseus que viviam a religião de modo exterior e que intimamente não passavam de consumados hipócritas. ético e consciente. a humildade. daquelas influências que quase irresistivelmente a prendem e arrastam. Ele olhava ainda mais para diante. desenvolver em seus seguidores aquelas graças que lhes possibilitariam conjurar suas fraquezas e vidos e fazer deles caracteres fortes. Quando Jesus resumiu o primeiro mandamento. tirado de emergências do dia e da hora. A juventude deve ser fortalecida no seu íntimo. no tratar bem o estrangeiro. Kent assim se expressa a respeito dos objetivos de Jesus: "Livrar os homens de cederem às tentações que sorrateiramente assaltam cada homem e cada mulher. Muitos fatos da vida de Jesus provam cabalmente este seu glorioso objetivo. É o maior ajustamento da vida. e desejava assim. ajudá-los a vencer as paixões que se precipitam sobre eles. "A alma de toda cultura é a cultura da alma. João foi mais longe. assim como para com Deus.. assim é o homem" (Pv 23. Assim como a agulha magnética oscila e não se firma enquanto não aponta para o norte. "Seu ensino é essencial e inteiramente ocasional. Todas as atividades da vida devem ser dirigidas deste centro. Jesus disse que tais recompensas se baseiam no ter dado comida ao faminto. que enobrecem o caráter. e condicionou essa afirmativa à permanência deles em sua palavra. a mulher da rua." A ênfase dada por Cristo era sobre a própria vida e não sobre coisas materiais. como religioso. o Mestre tanto buscou aprofundar as convicções como implantar a verdade.36). Firmar Convicções Fortes Jesus não ficou apenas a transmitir conhecimentos sobre assuntos maiorais e espirituais.como pensa em seu coração. íntegros e verdadeiramente cristãos.31). Converter a Deus A principal tarefa do professor é propriamente relacionar seu discípulo com Deus. Na verdade. acrescentou isto à nossa relação para com Deus — "amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mc 12.20).

Jesus empregou ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 24 . Como mestres. Os onze. mais vemos que ela se baseava em princípios substanciais: Jesus Olhava para Longe É evidente que Jesus olhou para longe ao escolher seus auxiliares. Foram eficientíssimos. e outros mais iniciaram o ensino da mensagem em sua marcha para conquistar o mundo. e não meramente suas presentes qualificações. O ensino deles percorreu todo o globo terrestre e modificou a marcha da história. eclesiástica e profissional. Campanhas desta ou daquela espécie são hoje a ordem do dia. De nossas classes de hoje podem sair os líderes voluntários de nossas futuras Escolas Bíblicas Dominicais. pela quantidade. Jesus Deu Valor ao Contato Pessoal A tendência hodierna é buscar colher resultados por meio de atividades levadas a cabo em grandes reuniões de gente. viu naquele Simão impulsivo. Nenhum grupo de mestres teve melhor treinamento que eles. Vivemos obsecados pelos números. Quando. pôde ver neles aquilo que eles e seus companheiros não podiam enxergar. e mesmo "o discípulo amado". de membros de igreja. radicalista e vacilante um caráter forte. mas. "Em grande parte. batizando-os em nome do Pai. Jesus buscou criar "o homem perfeito para uma sociedade perfeita". missionários a terras estranhas e outros mais líderes da Igreja de Cristo. Cobrem cada fase de nossa atividade — pessoal. À vista de todos estes fatos. por fim. Jesus podia descobrir num fariseu cheio de orgulho ou numa mulher de má vida possibilidades que ninguém enxergava. PRINCÍPIOS SUBJACENTES Á OBRA DE DEUS À primeira vista parece que o ministério instrutor de Jesus não se arraigava em nenhum princípio particular. e provavelmente o mais importante aspecto do treinamento deles foi a associação pessoal com Jesus. Não tiveram treinamento profissional específico. técnicos de educação religiosa. de nossas Sociedades Femininas. e do Espírito Santo. Incluíam todas as nossas relações — para com o nosso corpo. e do Filho. Olhava suas possibilidades futuras. doméstica. E a realização desses objetivos significa a vinda do Reino de Deus. dum pastor ou dum professor de educação religiosa é medido hoje pelo número de conversos. Grande parte do fim de seu ministério ele dedicou a essa tarefa. não é este o caso. pregadores leigos. devemos reconhecer que o treinamento de outros é uma tarefa a nós confiada. Estava muito longe de ser um processo acidental ou a esmo. Olhando lá da altitude divina. Contudo. para com os outros e para com Deus. Em resumo. sem qualquer subjacente filosofia definida. ou pelo tamanho da escola. tomaram-se os mestres mais consumados deste mundo. Assim aprenderam eles com o exemplo de Jesus. conquanto não pertencessem ao grupo de mestres e técnicos dos escribas e rabinos. de Jovens e de Homens.19-20). Quanto mais estudamos a obra de Jesus. e por isso lhe deu o nome de Pedro (pedra). eles fielmente deram contas daquilo que se lhes confiou. Jamais se fez depender tanto de tão poucos. O primeiro. Jesus enfatizava outra coisa: o contato pessoal. após aquele breve período de preparação com Jesus. Parecia mais uma espécie de atividade espontânea. O sucesso dum evangelista. ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado" (Mt 28. Semelhantemente. aprendendo eles mediante o exemplo e a imitação. Abrangiam a todos e a cada um dos aspectos da natureza humana — os pensamentos. os sentimentos e a vontade. corajoso e vigoroso. estavam preparados. Por exemplo. e até hoje essa gloriosa cruzada ainda não cessou.Preparar para o Serviço Cristão A tarefa final do Mestre dos mestres foi preparar e treinar seus discípulos para que espalhassem por todo o mundo os seus ensinamentos. é maravilhoso anotarmos quão largos e vastos eram os objetivos de Jesus. viu naquele João muito jovem e descaridoso ("filho do trovão") um caráter bem mais amaioroso e compreensivo. Ficaram tão bem preparados que eles e seus sucessores conseguiram arrebanhar maior número de seguidores que qualquer outro grupo de mestres religiosos. dizendo- lhes: "Fazei discípulos de todas as nações. com suas instruções e com suas atividades práticas. de nossas Uniões de Treinamento. os setenta. Jesus os enviou. Também desses nossos alunos poderão sair pastores.

Ao contrário. desaparecia e fugia da multidão e buscava provocar a reação de pequenos grupos. os mentores profissionais da religião dos dias de Jesus. A coisa que mais se aproxima disto é o Ensino do Monte. quarenta e duas regras sobre o insignificante assunto. de pouco mais de três anos. alimentava-as e as curava. ou assuntos de discussão teológica como faziam os escribas em suas classes nas sinagogas. Jesus empregou a maior parte de seu tempo na lida com indivíduos. dirigia-lhes a palavra." Em todo o seu ministério público. "Cristo apareceu no meio dum povo para quem a religião consistia na aceitação dum elaborado código de regras. ou com aquele seu grupo de discípulos ou alunos. Não dava tanta ênfase à organização. Em vez disso o Mestre tratou de problemas vitais. Tanto que verdadeiras multidões o seguiam de Cafarnaum. para dela tirar princípios gerais. de Decápolis e doutros mais lugares. comentários delas. com tradições ou mesmo com a Bíblia. Os fatos mais brilhantes do seu ministério se deram através dessas atividades junto a indivíduos. nem os costumes da Palestina.seu tempo a conversar com indivíduos. que pode ser lido em meia hora.25- 27). Jesus Começava Onde Estava o Povo Jesus não pregou sermões antecedentemente preparados para certas ocasiões." Jesus Detinha-se em Assuntos Vitais Em todos os ensinos de Jesus não encontramos indicação alguma de que ele se demaiorasse no tratamento de assuntos secundários ou incidentais. para que se tomassem seus leais seguidores (Lc 14. na montanha ou à beira-mar. de épocas fixas e de maneiras de cultuar. Assim. mas com pessoas vivas que com ele conviviam e que faziam parte de sua experiência diária. "Ele começava não com crenças estereotipadas com assuntos previamente estipulados. Jesus bem conhecia a futilidade daquelas práticas exteriores e por isso buscou libertar o povo duma virtual escravidão a elas. na sinagoga. Também não ordenou que decorassem as Escrituras. Esta tendência de olhar só para os defeitos de nossos semelhantes pode bem prejudicar a matrícula da classe que ensinamos. pode dificultar nosso ensino ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 25 . Estivesse em casa. nem aos materiais que empregava no seu ensino. Levantam. É verdade também que lidou com multidões. desse modo. pois ele. Jesus Trabalhava a Consciência dos Indivíduos Os escribas e os fariseus. e imediatamente aplicá-los a qualquer necessidade que viesse a descobrir. a quatro ou cinco mil. partindo do interesse do aluno e de suas necessidades." "Ele não tomava uma passagem da lei ou dos profetas. parece até que tais movimentos o perturbavam. às vezes. nessas ocasiões. Mas Jesus não estimulou o movimento das massas populares. como era permitido dar um nó no dia de sábado! A vida maioral e religiosa era quase intolerável sob tal sistema. Ao contrário. Jesus lhes dizia que deviam amar a ele mais que a qualquer parente mais próximo. Quando grandes multidões o seguiam. Também não enunciou elaborados sistemas de doutrina a serem ministrados pelas gerações futuras. Ele não ensinava os rudimentos do aprendizado. mas é claro que lhes falta discernimento e também tato. ao equipamento. notadamente após certos períodos de curas e por ocasião de sua entrada triunfal em Jerusalém. forte barreira e resistência entre eles e a pessoa com quem estão lidando. ensinava sempre mui naturalmente e de modo informal." Tais regras ocupavam minuciosamente quase todos os setores da vida e sobrecarregavam por demais o povo. Havia. ele tratava de situações humanas que tinha diante de seus olhos. nem geografia. de Jerusalém. Chegavam. por exemplo. Assim agem não poucas vezes pessoas bem intencionadas que sinceramente buscam acertar e ajudar. "O Mestre interessava-se mais por que poucos o entendessem bem e se enchessem de seu Espírito do que por grandes multidões que o seguissem de modo superficial. intentavam desenvolver o caráter por meio de regulamentos e preceitos assaz minuciosos. nem história. Jesus simpatizava com as multidões. Jesus Olhava Sempre para o Que Havia de Bom no Indivíduo Há pessoas que só olham para aquilo que de mau existe em seus semelhantes. Certas vezes sua atividade chegou mesmo a tomar o aspecto dum grande movimento popular. tomam uma atitude e tratam de coisas desagradáveis que só podem colher respostas desfavoráveis.

quando disse à adúltera que também não a condenaria. o Mestre Jesus estava implantando neles a confiança e a esperança que os arrastariam a desdobrar seus esforços no sentido de não falharem à confiança que Jesus neles depositava. Pode igualmente ser o resultado do cáustico espírito de crítica. Faz-se necessário um movimento de três ciclos — conhecimento intelectual. com um coletor ladino e sem escrúpulos. Jesus Assegurava a Liberdade de Ação do Aluno Provoque e dirija as atividades próprias do aprendiz. embaraçando bastante o ganharmos nossos semelhantes para Jesus. pois sempre podemos descobrir nele brilhantes possibilidades. Uma das coisas mais importantes que podemos fazer como professores de Escola Bíblica Dominical é procurar obter o máximo de nossos alunos. Não há nenhum tão medíocre que não tenha em si alguma qualidade para a qual possamos apelar. aquilo que ele faz com suas próprias mãos. interessando-se por eles e inspirando-os a prosseguir no bem. como pode ser o resultado duma atitude fria e antipática. Pode surgir ela do fato de não termos compreendido bem este ou aquele aluno. e mesmo de falta de tato e simpatia de nossa parte. ou com uma decaída. Mas. Jesus sempre apelava para aquilo que de bom ainda houvesse no íntimo deles. Com Jesus tudo era diferente." Quando mostrou o que pode conseguir a fé do tamanho duma semente de mostarda. Você não pode enfiar idéias na cabeça do aluno. A mente dele deve estar em atividade. e Jesus nunca se afastou deste grande princípio de tratamento eficiente. e. O aluno não deve simplesmente assentar-se calado enquanto o professor fala e ensina. e não mais pecasse. não é aquilo que você faz por ele. "Ele cria que o meio de se criar nos homens fé e confiança é mostrar que temos fé neles. estímulo emotivo e resposta volitiva. sim. e. como fez com os onze. Não é aquilo que você diz ou conta ao aluno. Essa tendência afasta ainda mais de nós o aluno. e quando disse a seus discípulos que eles eram o sal da terra. mas também os que apenas se mostravam imaturos e inexperientes. só fazendo é que aprendemos a fazer. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 26 . a reação dele que determina o seu desenvolvimento. O ensino só obtém êxito quando leva o aluno a agir. E assim tratava Jesus não só aqueles que viviam chafurdados no pecado. sim. e. E isso tudo Jesus conseguiu salientando as futuras possibilidades deles. sem esperança. sim. aquilo que ele pensa depois de ouvir suas palavras. Esta lei se baseia no fato de que o aprendizado não se efetua sem atividade mental. não é a impressão. Parece-nos mesmo que o Mestre se especializou em apanhar aqui e ali pessoas indesejáveis e desprezíveis para fazer delas caracteres esplêndidos e extraordinários.e mesmo inutilizar qualquer esforço que fazemos para levar nossos alunos a servir a Cristo. e não lhe ensine aquilo que ele pode aprender por si. e que fosse. De qualquer modo ele sempre enxergava algo de bom e apreciável nos homens Mesmo lidando com um fariseu empavonado e cheio de justiça própria. e trazia à tona alguma de suas boas qualidades. Não existe aluno algum que praticamente seja um caso perdido. O aluno deve interpretar tais símbolos e daí com isso construir suas próprias idéias.

.. "Vemos os vinhedos florescentes... “As palavras do professor só chegam até onde as projeta a força propusora de uma vida piedosa”.. o crescimento da semente desde a erva até o grão grado na espiga.. AS FONTES Várias eram as fontes gerais das quais o Mestre retirava seu ensino. a raposa espreitando a caça.. as chuvas descendo para justos e injustos...T... os rebanhos alimentando-se nas pastagens....... o arrulho do pombo torcaz...... e não há outro material de maior peso e valor.. acompanhou com olhos inteligentes." Jesus viveu junto à natureza e absorveu muito dela. Aspiramos o perfume do espicanardo.... Urge que o professor da Escola Bíblica Dominical conheça bem a Bíblia toda e saiba usá-la para o bem de seus alunos... Nos elevados céus. quatro vezes aludiu a acontecimentos nele registrados e cinqüenta vezes empregou linguagem paralela a certas palavras do Velho Testamento..... Provinham.. o boi na vala....T... A Bíblia é a Palavra de Deus.... e eram empregadas conforme as necessidades. o cão lambendo feridas. tanto a inofensiva pomba como o corvo em busca de alimento.......... o sol brilhando sobre bons e maus. No mundo dos pássaros.... o povo crê nela e gosta de ouvi-la. observou ele os ventos "soprando onde querem".. Tudo isso o ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 27 ... R. UNIDADE III COMO JESUS USAVA SEU MATERIAL DE ENSINO ..... Ouvimos o zumbido de abelhas.. O mundo natural Vê-se claro de seus ensinos que Jesus era um atento observador das forças da natureza e fez constantes referências a elas. e eram expressos na linguagem do mesmo. como diz Wilson: "Sua tala comum e habitual era de vivo colorido... D. Parece que usou mais os Salmos e o Deuteronômio. em vez de ensinar a Bíblia toda. o horror da figueira sem frutos.. .... espreitando sua presa. pletórico de roses e lírios.. a presença do joio no meio do trigo.. tanto o pardal que cai ao chão como a águia em seus círculos.. As Escrituras Sagradas Está bem claro que Jesus usou livremente as Escrituras do Antigo Testamento... as raposas causando estragos nas vinhas. o balido de ovelhas e bodes. No reino vegetal percebeu a relação vital da videira e suas varas...... todo garrido... trazendo-a sempre nos seus ensinos dos últimos anos................ Ele se referiu a vinte e um livros do A........ Na vida dos animais.... de seu preparo e experiência.. Nos seus ensinos este conhecimento da natureza lhe estava sempre à mão.. o vale. e a tempestade combatendo casas.. é certo..... observou a maiortífera serpente... usando isso como material de ensino. as pombas fazendo ninhos nas brechas das rochas.. do líbano e dos cedros do líbano.. Podemos separá-las em outras tantas divisões. Os pensamentos do Mestre mostravam-se saturados das idéias do A.. Piper nos conta que Jesus fez do Antigo Testamento trinta e oito citações diretas....... e de pomares cheios de romãzeiras. Um dos pontos fracos de nosso professorado eclesiástico é justamente este: o estudo só de certos trechos da Bíblia... pintalgada e saturada dessa beleza da terra que nos rodeia e que se revela no firmamento por sobre nós." Parece que lhe era familiar cada um e todos os aspectos da natureza.

que se estribavam em livros e regulamentos. do rei preparando-se para ir à guerra. Ele conhecia bem as medidas do alqueire. e. justamente por isso. os atritos de irmãos. Mas. usou consideravelmente os acontecimentos correntes. nem se ocupava com coisas abstratas. sete que nos falam de plantas. a uvas e figos. ou analítico propriamente. para mostrar nossa responsabilidade como cidadão. Afazeres comuns e correntes O Mestre dos mestres estava igualmente sempre de olhos abertos para as situações que surgiam na vida daqueles com quem convivia. relacionado com assuntos correntes e descritivos. falou do boi no valo. Jesus nunca deixou passar uma oportunidade sem que a usasse para ensinar algo a seus ouvintes. É verdade que ele apresentou princípios e conceitos de caráter geral. cães e águias. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 28 . Anunciando uma nova verdade. para salientar a inutilidade. para ensinar a humildade. E dessas experiências tirava ensinamentos e avisos para seus ouvintes." Ele tirou lições da galinha a defender debaixo de suas asas os seus pintainhos. "Falou sempre com autoridade — a autoridade da experiência própria e real e não como os escribas. empregando o princípio da a percepção. Jesus se referiu à luz e ao sal. Na verdade a eficácia daquilo que ele disse foi grandemente influenciada pelo modo por que o disse: Suas comparações e metáforas davam sabor ao seu pensamento. isto é processo assaz eficiente no se ensinar qualquer coisa. da mulher preparando a massa de pão." As Formas As formas literárias de que Jesus revestiu seu ensino interessam quase tanto quanto o próprio ensino. especialmente quando queremos ensinar crianças e outras pessoas que vivem em contato direto com a natureza. Começava de onde estavam os alunos e os levava para onde queria que estivessem. temos quatro delas que nos falam de animais — bodes. conhecia o valor duma dracma para uma viúva. dos odres de vinho. É difícil pensar o que Jesus teria feito sem esse material. o solo. o remendar vestidos. ao olho e ao braço. e fazia parte dele. Noutras palavras. muito impressionante. e tesouro escondido. Embora Jesus não fizesse citações diretas da história secular. e dezesseis que nos falam de coisas como a luz. sim. e animaram muito suas lições. Afirmativas concretas O ensino de Jesus sempre foi concreto. Qualquer ensino se terna mais eficiente por meio de ilustrações tiradas da natureza que nos rodeia. partia sempre de exemplos e coisas conhecidas. a lide nos moinhos de trigo. do alfaiate a remendar roupas velhas. nos fatos comuns da vida de cada dia. Jesus se revelou Mestre consumado por tomar sempre a verdade bem clara e imperativa. Isto significa que seu ensino era mais indutivo que dedutivo. para enfatizar a necessidade. da filosofia ou dos poetas do tempo. das coisas que apelam aos sentidos para aquelas que pertencem puramente à esfera mental. do pescador a tirar peixes da água. particularmente se forem de coisas que são familiares aos ouvintes e sabiamente escolhidas. da figueira estéril. do copo de água fria. quando se deseja levar um grupo de alunos a alguma verdade. redes. ao argueiro e à trave. o lidar com lâmpadas de óleo.impressionava. duma criancinha. em regra. e. "Ele encontrou. do viticultor a podar suas videiras. começava com coisas que estavam à mão. O estilo dele não é lógico. das talhas de água. os brinquedos e passatempos das crianças. a semente de mostarda. inspiração para os temas mais profundos e inspiradores que já empolgaram o coração humano. Lançou mão de pássaros. falando sempre de modo direto. Em suas parábolas. ia à conclusão. sem rodeios. São verdadeiramente espantosas a variedade e a beleza dessas figuras de linguagem. As parábolas de Jesus são ótimas ilustrações do emprego deste princípio. por meio destas. não teorizava. inclusive o fermento. Noutras palavras: ia do conhecido para o desconhecido. falar em falsos profetas como "lobos vestidos de ovelhas". No Ensino do Monte. ovelhas. Ele não filosofava. a figueira. mesmo quando anunciava ideais e princípios. Haveria modo mais eficaz do que falar em serviço pessoal como "pescar homens". do lavrador a semear. e ele usava isso tudo para ilustrar e colorir seus ensinos. para incutir nos outros a confiança. o joio. Muitas outras referências e ilustrações provêm dessas fontes. para ilustrar o serviço. e a outras mais coisas visíveis. ou o que conseguiremos sem ele. do concreto para o abstraio. à rocha e à areia. duma moeda. ao caminho e à porta. do construtor a edificar. e. Parece que nada escapava a seus olhos inteligentes e vigilantes.

24). é peça notável por ter ele usado expressões proverbiais. do ódio e doutros mais assuntos. que atraem a atenção. como comparações e analogias. podendo fazê-lo. e o exemplo de Jesus nos pode trazer alguma luz sobre o assunto. aí está também o teu coração" (Mt 6.37). mas como quem sente claramente que os discípulos eram pessoas vivas. incisivas e epigramáticas.falar aos cristãos como "sal da terra" e "luz do mundo"? Expressões incisivas O discurso formal e didático de Jesus. e daí passou a alargar tais ensinos e a "completá-los" (Mt 5. dessa usarão convosco" (Mc 4. podemos perfeitamente começar nosso ensino com referências ao que ela diz. como esta: "Onde estiver o cadáver. da vingança. pois que as figuras de linguagem são como "maçãs de ouro em salvas de prata" (Pv 25. "Onde está o teu tesouro.21-48). Disse ele. Por exemplo.30).11). A beatitude ou bem-aventurança. Semelhantemente. ativas e necessitadas que esperavam sua ajuda para poderem enfrentar sábia e vitoriosamente as circunstâncias e situações em que se achavam. o Mestre usou bom número de outras figuras. muitas que encontramos no ensino de Jesus. Os Propósitos Como usou Jesus as várias espécies de material de que vimos falando? Eram material de conteúdo. Daí podemos avançar. tal como o Ensino do Monte. O verdadeiro mestre usa seu material como ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 29 . aí se ajuntarão os corvos" (Mt 24. São características desta espécie de afirmativas curtas. tal como: "A medida de que usais. para atrair a atenção e despertar o interesse deles. Figuras de linguagem Jesus fez mais que empregar materiais concretos e sentenças lapidares. "Jesus iniciou sua obra de mestre não como quem tem certo arsenal de material e precisa transmiti-lo a seus discípulos numa ordem própria. como vemos no Ensino do Monte quando mencionou o que Moisés havia dito a respeito do assassínio. dos votos. encontramos também expressões consideradas parábolas em embrião. mas vale a pena porque elas movimentam e dão colorido ao ensino." Iniciar Algumas vezes ele começava com uma afirmação das Escrituras e a elaborava. Por isso as parábolas são as principais figuras de linguagem "empregadas por Jesus. Será ótimo e eficiente tanto quanto o outro processo que consiste em começar com o problema e terminar com as Escrituras. Elas sempre impressionam favoravelmente. empregou constantemente inúmeras figuras de linguagem. ou simples ajuda para o seu ensino? Estes problemas são vitais hoje no ensino moderno. São "condensações da experiência dos séculos e da sabedoria comum".37). certamente tornará mais eficaz o seu ensino. Jesus mostrou que o assassínio está na atitude do coração e não meramente no ato de matar. "Quantas vezes quis eu ajuntar teus filhos. quando falou no camelo a passar pelo fundo duma agulha (Mt 19.1). À vista da reverência que nossos alunos têm para com a Bíblia.28). é empregada quando diz: "Oh! bem-aventurados os puros de coração. Semelhantemente. curtas e incisivas. mostrando respeito aos ensinos da lei e dos "profetas. mas também usou as experiências dos presentes como ponto de partida. e lhes deu um significado mais íntimo e mais profundo. outro colhe" (João 4. O domínio e o uso das várias figuras de linguagem serão valioso auxílio para qualquer professor. porque verão a Deus" Empregou também a hipérbole. Também estas sentenças proverbiais: "Um semeia. para aplicar suas verdades aos problemas da vida deles. mas. A alegoria ou comparação sistemática é em parte usada quando ele diz: "Eu sou a videira. Jesus não só usou as Escrituras para começar seu ensino. Outro dito axiomático é: "Quem não é comigo é contra mim" (Mt 12. do adultério. O mestre comum talvez não esteja preparado para usar muitas delas. como uma galinha ajunta os seus pintos debaixo das suas asas. vós sois as varas" (João 15. foi muito além. revelou que o adultério está no olhar cúpido e sensual tanto quanto no ato manifesto abertamente em si. Empregando-se metá- foras. Assim. incutem a verdade e se fixam na memória. corre-se o risco de ser mal interpretado. lógica e predeterminada. Para tornar a verdade mais impressionante.24). e não o quiseste!" (Mt 23. Não obstante. espécie de exclamação.21).

Ao contrário. nem se escravizou a nenhum sistema. O que significa o começo da lição A introdução ou o começo da lição é o atrair a atenção e dirigi-la para o assunto do dia. Noutras palavras. Jesus ia além e apelava para as Escrituras como autoridade final. Algumas vezes. Ele fez com que a luz da revelação e dos incidentes do dia incidisse sobre verdades que não estavam bem claras. variando seu processo de ensino conforme a situação que se lhe apresentava. Este. maiormente quando as pessoas citadas gozam de autoridade comprovada e reconhecida. ou como para uma corte suprema. Para prender a atenção é preciso estabelecer alguma espécie de contato com a mente do aluno. Agia e ensinava da maneira que melhor lhe parecesse no momento. apenas fazendo referência e apelando às Escrituras. Bom exemplo temos quando Jesus silenciou aqueles que o criticavam. Por isso o professor precisa estudar com muito cuidado e esmero o início da lição. portanto. sim. É preciso o professor penetrar na área em que o aluno se acha. em que se toma na natureza ou da experiência de cada dia um incidente real ou imaginário para aclarar alguma verdade maioral ou espiritual. Lançava mão dela não como de algo arbitrário. o mestre precisa ligar-se de qualquer maneira ao pensamento do aluno. Se não prendermos a atenção e o interesse de nossos alunos logo no início. Eduardo Leigh Pell diz bem: "A diferença entre o professor experimentado e o mestre novato aparece logo nos cinco ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 30 . é quase certo que não mais conseguiremos isso no decorrer da lição. ou pelo menos das primeiras. Enquanto não se fizer isto não poderá ensinar coisa alguma. aclará-las. Não existe nenhuma regra invariável no que respeita ao modo de se iniciar uma lição. Assim. àquilo que Davi testemunhara a respeito de Jesus. Também eles nos ensinam que é melhor apegarmo-nos ao aluno do que à lição impressa. Isto explica o glorioso fato de seus ensinos terem permanecido tão claros através dos séculos. e. Precisamos começar por algum lado e com alguma coisa. e conforme o método que então lhe parecesse melhor.41-45). Fortalecer Jesus empregava as Escrituras para iniciar uma lição para aclarar seu ensino e também ainda para enfatizar aquilo que dissera. é o significado do verbo "ilustrar". O Começo da Lição É claro que toda lição deve ter início dum certo modo. ele a usava. É caso referido mui freqüentemente e conhecido quase que de todos. Não podemos ensinar sem a atenção do aluno. era senhor de sistemas e rotinas. como o advogado faz com a decisão dum tribunal ou com a lei constitucional. estamos ensinando gente e não propriamente lições. O exemplo que neste sentido logo vem à tona de nossa memória é o da conversa com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó. Nesses casos. como sendo quem devia dizer a última palavra. assim Jesus reduziu a nada a oposição que os fariseus lhe faziam quando negavam ser ele filho de Davi (Mt 22. Naturalmente o testemunho de outros dá peso às afirmativas deste ou daquele indivíduo. De fato. Ele não se amarrava a rotinas. assim. o início é a parte mais importante da maneira de ensinar. como fundada na verdade. pois que o êxito ou o insucesso pode depender muito da primeira sentença. em última análise. SUA MANEIRA DE DAR LIÇÕES Jesus não tinha maneira fixa de dar lições. nem contra a atenção dele. na verdade. Aclarar Jesus continuamente usava material escriturístico e outros mais cem o fito de lançar luz sobre algumas afirmativas já feitas. muitos professores gastam mais tempo preparando esta parte da lição do que qualquer outra. em casos que requeriam maior ênfase. para que seus discípulos pudessem apanhá-las. chamando-o de Senhor. ele as usava mais como referência do que como manual. Em certos respeitos. porque. e. segundo o objetivo que tinha em mente. É que seus ensinos foram em maior parte transmitidos por meio de parábolas. ou dela lançava mão. e. que literalmente quer dizer "iluminar" ou "fazer luz sobre alguma coisa".meio para ensinar e não como fim.

Isto é tão importante quanto procurar achar o significado material escriturístico então usado. Quase todos os obstáculos concebíveis estavam no caminho de Jesus. A lição verdadeira envolve o desenvolvimento de atitudes e leva o aluno a controlar sua conduta. Não significa isso que o professor ignore assuntos relevantes que não estão no plano. mas há verdades que queremos que a classe aprenda. inteiramente despida de qualquer antagonismo — pedindo um pouco de água. se não aos próprios materiais que usa. porque estes podem ser mais impor- tantes que o próprio material. O Desenvolvimento da Lição Havendo conseguido chamar a atenção do aluno para a lição do dia.1-7). Um exemplo de Jesus O mestre sabia muito bem estabelecer um ponto de contato. Não obstante. meditar nela. Havia ainda a desvantagem de serem pessoas estranhas." Noutras palavras. A mente dos alunos deve estar presa ao assunto até o fim da aula. Assim. Fosse qual fosse a maneira necessária para isso. Quanto à virtude. ainda que doutro sexo. Podia ser por meio dum pedido. necessidades. mas quer dizer que o professor não permitirá que os alunos consciente ou inconscientemente o desviem do ponto central e principal. tendo-se já estudado a composição. apresentando. passa-tempos favoritos e problemas. e como a apresentação da verdade. duma sentença ou duma história. samaritana — dois povos eivados de preconceitos mútuos. mulher — terrível barreira nas terras orientais. o primeiro cuidado deve ser estabelecer contato com o aluno antes de lhe transmitir a lição. então. Cremos que o exemplo mais frisante disto é a conversa com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó (João 4. ou cabeça de ponte. O novato olha primeiro para a lição. Isto não é coisa fácil. Ao se fazer o plano da lição. "A mente é um castelo que não pode ser tomado nem furtivamente. apanhando-se bem os princípios e implicações que lhe subjazem. importa agora avançar. duma pergunta. o primeiro cuidado de Jesus era estabelecer um ponto de contato — despertar o interesse e atrair a atenção. Para nos relacionarmos eficazmente com os desejos instintivos precisamos conhecer tanto quanto possível a vida de nossos alunos — seus interesses. É de suma importância que o professor se apegue ao assunto principal e não se deixe levar ou desviar por pensamentos irrelevantes. A ocasião de ensinar não era propícia. e a mulher. dum objeto. conosco. O ensino na Escola Bíblica Dominical é bem mais do que ajudar o aluno a adquirir conhecimentos. ou o desejo de conhecer. Isto quer dizer que. para daí iniciar com isso. a primeira coisa é selecionar a verdade principal a ser ensinada. não se sentiria ofendido com tal pedido. os fatos e as verdades. ela. conhecendo aquilo que estava na mente do homem. Jesus podia realizar isso muito mais eficazmente do que esperávamos. logo se punha em contato com suas mentes. Jesus derribou todas aquelas barreiras com uma introdução mui simples. ao passo que o mestre de mão cheia olha primeiramente para os alunos. uma decaída. A curiosidade. eram polos visceralmente opostos: Jesus. ou algo interessante na própria lição para onde podemos dirigir a mente do aluno. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 31 . Ele judeu. sem pecado. senti-la bem na alma. cheio de preconceitos e pecador. De fato. mas é muito importante. Lidando com amigos ou com inimigos. como no caso da lição ao moço rico. Após haver estabelecido contato e chamado a atenção. O professor se apegará ao aluno e ao tema central. teremos iniciado o aluno naquilo que importa. O melhor ponto de contato. humana. é fundamental. Por todo o seu ministério encontramos exemplos semelhantes de introduções bem conduzidas. vemos que tudo conspirava contra um favorável ponto de contato. como para com ele. Antes de se dar uma lição. Em qualquer caso. ele assim agia. Deve-se. deve ser cuidadosamente planejada. para prender a atenção é o interesse natural do aluno. natural. e daí Jesus saiu para o largo e caminhou direto para o alvo que tinha em vista. era fácil fazer a transição da água natural para "a água viva". Isto é tão importante como prender o interesse e a atenção. experiências. Quando se desperta isso. o professor perito procura ver primeiro o que é que os alunos estão pensando. Ele. problemas. aclarando e apegando-se à lição. homem. ela. como ocupações. avançar. Praticamente em cada caso Jesus apelava para aquilo que mais estava empolgando a mente. Fosse qual fosse o método empregado.primeiros minutos duma meia hora de lição. Deve-se extrair a verdade. Um estranho apressado. nem de assalto.

pois sabemos que aquilo que se diz por último é que causa maior impressão e fica mais tempo na memória. mas com todo o peso de sua atitude e em resposta à lição que recebera do Mestre. mais que de sua prática específica. Jesus. coisas que constituem o teste final duma boa conclusão. desenhos. de modo específico e pessoal. Ele se utilizou do seu princípio geral. é esta a parte mais difícil da tarefa. ou do tabernáculo. torna muito mais clara a razão da mudança das estações do que uma definição abstrata ou uma explicação. Um modelo da arca de Noé. esquecendo-se de tirar a água (para o que viera). Temos. O Mestre não só revelou a verdade central da lição. Ele buscou fazer da verdade uma coisa concreta e viva. quando se fala em lições objetivas. Constantemente se dá mui pouca atenção à conclusão. nunca o deixava no ar ou a meio caminho. Não obstante. e este método naturalmente deu resultado. com êxito. Jesus lhe disse: "Vai. Contudo. O método empregado também em maior parte determinará a fórmula especial de conclusão. houve um bom remate. ALGUNS MÉTODOS USADOS POR JESUS Não se pode afirmar que Jesus tivesse consciência do estudo de certos métodos ou do seu emprego nas lições que dava. da maneira habilidosa por que os empregou. Tudo parece indicar que não. pensamos logo no uso de coisas que simbolizam ou sugerem a verdade a ser ensinada. Uso de Objetos ou Coisas Ainda que nem sempre. vários casos bem definidos e interessantes do emprego que Jesus fez de objetos. mapas e outros materiais semelhantes. Jesus havia atingido o clímax de sua lição. para ilustrar quem é o nosso próximo. notadamente no sentido em que o fazemos hoje em dia. A natureza e o valor dos objetos Ordinariamente. O valor dos objetos está no apelo à ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 32 . parece que não foi feita nenhuma conclusão formal ou aplicação. ou do conjunto duma missão estrangeira é valiosa ajuda para aclarar e avivar a cena a ser discutida. Um exemplo de Jesus Quando os discípulos voltaram. o Mestre perguntou ao inquiridor qual dos três que passaram pela estrada provou ser bom vizinho e amigo do pobre assaltado e atirado à beira da estrada. tanto com mestres como com pregadores. quando ensinava a alguém.37). como também a aplicou diretamente ao doutor da lei. Uma conclusão formal nem sempre é coisa necessária ou imprescindível. Na conclusão. Tendo enfatizado a necessidade de se amar o próximo como a si mesmo. e havendo contado a história do Bom Samaritano. O planetário numa escola pública. duma forma ou doutra. Certamente aqueles métodos lhe eram coisa natural. mostrando a posição relativa do sol e da terra. Jesus apresentou uma conclusão definida e muito prática. e não fruto de deliberados estudos e planificações. e voltou à cidade dando testemunho de Jesus. Está claro que o Mestre levou a samaritana a tirar por si mesma a conclusão. esperando-se que tudo termine bem. e brotavam da ocasião e da necessidade. quadros.A Conclusão A parte final duma lição é aquela que desemboca na conclusão ou aplicação de tudo quanto se disse. depreendemos que ele foi verdadeiro mestre no uso de métodos. E. E. Mas a conclusão e parte de muita importância para ser assim descuidada. quando o doutor da lei respondeu que fora aquele que mostrara misericórdia e socorrera a vítima do assalto e roubo. boas ilustrações são de grande valor e eficácia. A natureza da lição e as necessidades da classe determinarão a espécie de conclusão a ser feita. Para alguns. pois vemos que a mulher deixou ali junto ao poço seu cântaro. e isso ela o fez não apenas intelectualmente. Isto parece ser verdade. porém. tanto para dar vida à verdade discutida como para aprofundar as convicções e impressões da mesma. e f aze tu o mesmo" (Lc 10. Isso inclui modelos. justamente quando o Mestre estava dizendo à mulher samaritana que ele era o Messias esperado. é fato que Jesus ensinou por meio de lições objetivas. Também se deve aplicar o princípio básico da lição à vida de cada dia. No caso do doutor da lei que ele fez perguntas. Nada nos inspira tanto como ver a verdade encarnada.

para lançar luz sobre outro caso não muito conhecido. É o método que toma o primeiro lugar em seus ensinos. pois que não se falha nunca ao empregar este método. fazendo andar o coxo. enviou os mensageiros para lhe perguntar se ele era mesmo o Cristo (Mt 11. dando vista ao cego. H. ao usar aquele objeto. dando ouvidos ao surdo. assaltado pela dúvida. sendo Senhor e Mestre. usou-o como instrumento para ensinar o dever de se pagar tributos. assim façais vós também" (v. Doutro lado. Fez aquilo de modo mui natural e normal. também vós deveis lavar os pés uns aos outros. e lhe perguntaram se era lícito ou não pagar tributo a César. mesmo que fosse a César. Eduardo Leigh Pell diz: “Falamos de princípios gerais. a fim de que. para uma visita ou uma festa. Alguns dos seus ensinamentos mais lembrados foram assim apresentados. como eu fiz. Jesus lhes pediu que mostrassem uma moeda de tributo. Porque vos dei exemplo. Era uma demonstração do que qualquer pessoa deve fazer em semelhantes circunstâncias. Por um lado chamou a atenção. Assim lavou e enxugou os pés dos discípulos. conseguimos de modo eficaz. e as histórias que ele contou são sempre mais lembradas que outros ensinos dele. Terminou aquilo. a atenção e o interesse deles. dizendo que só Deus podia perdoar pecados (Mt 2. Sem argumentar. A importância de histórias e seu uso O termo parábola significa literalmente projetado ao lado de alguma coisa. os pés sujavam-se muito. prender o pensamento. Home acrescenta: "Parábola ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 33 . e o empregou tanto de modo formal como informal. dizendo: "Se eu. tanto que alguns afirmam que 80% de nossos conhecimentos nos vêm pelos olhos. Se ele podia curar a paralisia. Igualmente o Mestre provou sua divindade. pois. e também nosso dever de dar ao Senhor. para ensinar qual a atitude que devemos tomar para com o Reino de Deus (Mt 18. também podia perdoar pecados. aos olhos. e Jesus foi fazer o papel de criado. Assim agindo. Jesus o usou tanto que julgamos ser isso o que mais o caracterizou como Mestre.vista. um pedaço de papel e duas ou três linhas retas ou curvas tornariam em dois minutos aquilo tão claro como a luz meridiana. Noutra ocasião vieram tentá-lo representantes dos fariseus e dos herodianos. tentando explicar uma coisa com palavras de sua boca. quando um lápis. temos abundantes provas de que Jesus usou lições objetivas para tornar seu ensino mais atrativo. quando João Batista. Temos também exemplo de Jesus lavando os pés a seus discípulos (João 13.1-4). quando os escribas o acusaram de blasfêmia. era costume o criado da casa tomar uma bacia de água e uma toalha para lavar e enxugar os pés dos visitantes.2-6). Caminhando por estradas poeirentas. e lhe trouxeram um denário.6-12). Parece que na hora não estava nenhum dos da casa. Por meio de coisas que os alunos podem ver. H. Assim. quando devíamos mostrar coisas concretas. Quase que invariavelmente lembramos bem mais aquilo que vemos do que aquilo que ouvimos. mais claro e mais impressionante. Também o caso do paralítico trazido por quatro amigos proporcionou ao Mestre uma demonstração objetiva do seu poder de perdoar os pecados dos homens. É uma apresentação viva e colorida da verdade." O uso que Jesus fez de objetos Um dos exemplos mais fortes do uso de lições objetivas pelo Mestre é aquele que nos fala de quando ele tomou um menino e o pôs no meio dos discípulos. bem mais do que por palavras que lhes dirigimos. É uma história ou ilustração tirada de algum caso conhecido ou comum da vida. Era também outra lição sobre a humildade e uma das mais expressivas lições que Jesus deu em sua vida. Os povos orientais usavam sandálias. pois que isto não era mais difícil que aquilo. A Dramatização Cristo lançou mão também do método de dramatização ao ensinar o povo.1-15). visto que aquilo que possuímos pertence a ele. Jesus fez pelo menos duas coisas. Os professores farão muito bem em buscar usar desembaraçadamente o quadro-negro. vos lavei os pés. Não poucos mestres gastam meia hora. 14 e 15). e no modo definido e prático pelo qual representa aquilo que se descreve. para atender a uma necessidade. Histórias ou Parábolas Sem dúvida. o método mais usado pelo Mestre foi o de histórias ou parábolas. Entrando numa casa. o Mestre mostrou a dignidade e grandeza do serviço humilde.

dantes impulsivo e instável. Não eram considerados como pessoas. virtude que é basilar em todas as relações justas e retas de homem para homem. Foi ele. Es- tes. Os gentios eram tidos pelos judeus como estranhos e pagãos. "Onze homens. na verdade. contribuíram imenso para modificar esse estado de coisas e essas atitudes erradas." ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 34 . que "vermelhos e amarelos. Os ensinos de Jesus nos induzem a reverenciar a pessoa humana. Nos dias de Jesus. A primeira delas é em prender a atenção do aluno. As gargalheiras do pecado seriam quebradas e a alma humana estaria livre. O caráter de Mateus foi reformado. Tiago adquiriu no contato com o Mestre aquela fibra e estofa de que se fazem os mártires. e de contínuo tinham que andar de rosto coberto e guardar silêncio em público. jovem de cabeça quente que era. Os judeus não queriam nem conversa com os samaritanos! As mulheres virtualmente eram escravas dos homens.é uma comparação de fatos familiares com verdades espirituais. o Mestre incomparável. nada representavam. e as crianças fracas no físico. RESULTADOS DO SEU LABOR Os resultados da obra de Cristo não só mostram sua superioridade como professor. A Valorização e Elevação da Pessoa Humana Antes de Jesus vir. chegando mesmo a censurar a Jesus por andar na companhia deles. para ter mais a natureza da comparação que da história. o único de sua classe. Os ensinos do Mestre. como nenhum outro mestre havia feito. não. tomou-se um ancião amado e cheio de amaior. tomou-se "o primeiro filantropo cristão. como ainda em muitos lugares hoje. para incontáveis milhões de batalhas em favor da Verdade Divina. . incessantemente marcharam com o seu espírito. os fariseus e os saduceus tratavam com desprezo os publicanos e os pecadores. e o negro então. era considerado bem apenas "para derrubar árvores e baldear água". pretos e brancos." O ensino de Jesus levou o mundo a ver que Deus não faz acepção de pessoas. e. Uma decaída. Jonas não foi o único a repudiar a idéia da conversão e salvação doutros povos. notadamente do sexo feminino. João. As comparações têm sido caracterizadas como parábolas em embrião. A libertação e a transformação de almas eram pontos capitais de sua obra. cujos direitos deviam ser respeitados. tomando-se pessoa firme. os escribas. tornou-se missionária do seu povo. o ganancioso cobrador de taxas. Há três coisas que podemos alcançar por meio de histórias no ensino. certos grupos humanos nada valiam. Os filhos quase não tinham direitos nenhuns. como tal. Pedro foi transformado. Isto é verdade. o perseguidor. Em primeiro lugar estão pessoas. em certas regiões eram abandonadas no campo ou em desertos. e não coisas. Saulo. Certos grupos sociais eram tidos como gente inferior. e muitos outros mais. A terceira coisa é usá-las para a apresentação da lição toda. A outra coisa é usar histórias para lançar luz sobre algum princípio ou verdade abstraía já enunciada. Transformação de Vidas Jesus disse que viera para pôr em liberdade aqueles que estavam presos. todos são muito preciosos a seus olhos". Zaqueu. corajosa e confiante no Mestre. e ainda é. um dos magnos problemas da civilização." Como método de ensino é praticamente idêntico à história. indignos das bênçãos divinas e fora do alcance das atividades missionárias. e costumava-se em certas nações dar filhas em casamento sem o consentimento delas. onze dos maiores benfeitores da raça humana. foram transformados e depois enviados a anunciar as Boas-novas. seja qual for o aspecto pelo qual estudemos sua obra didática. escravos dos outros. conquanto seja bem mais curta. dando metade de seus bens aos pobres e devolvendo quadruplicadamente o que houvera cobrado ilegalmente". porém. feitos de novo. e que a ninguém assiste o direito de possuir ou escravizar a outrem. Não passavam de meras peças de máquina. meios para certos fins. transformada. tornou-se Paulo o perseguido apóstolo aos gentios. para serem devoradas por feras. A regeneração era o próprio cerne de sua tarefa. . e se consideravam tão bons e justos que não podiam suportar a presença deles. Este era. como também justificam a ênfase que ele deu ao ensino. foi modificado radicalmente. "Jesus reconheceu e enfatizou o valor do homem. e seu caráter.

Sua relação tem de centrar-se em Cristo.O calor humano é uma atitude de amaior e bondade demonstrada por meio de um conjunto de comunicações verbais e não-verbais.22 encoraja os crentes.. os seus atos negam as suas palavras.. Cristo mesmo disse aos discípulos: "Eu vos escolhi a vós outros.. O discipulado é trabalho árduo." O altruísmo. Um discípulo que funciona é mais valioso para a edificação da Igreja do que uma multidão de crentes carnais.. A maiorte para si mesmo inclui colocar limites em amizades preciosas por amaior do reino de Deus. O amaior de Paulo fez com que ele se dispusesse a ser anátema se isso pudesse salvar a seu povo (Romanos 9. CRIADOS PARA REPRODUZIR Uma vez maiorto para si. Ambos precisam relacionar-se com outros e dar-se livremente a eles. Não é apenas uma série de reuniões sobre um dado curso de estudo. que eu não me inflame?" (II Cor. seja diácono. Resista à tentação de se envolver tanto nas atividades do "trabalho cristão" que negligencie as coisas do reino. São atividades recomendáveis mas não chegam a cumprir o seu alto chamado de fazer discípulos. O amaior motiva-nos a andara segunda milha com nosso discípulo. Mas o compromisso de Cristo para com eles foi inabalável: ". Seis qualidades que o auxiliarão a desenvolver um relacionamento saudável com seu discípulo: Calor humano . você é discípulo. O amaior a seu discípulo é baseado no seu compromisso para com ele. 11:29). Explique. e vos designei para que vades e deis frutos. Reavalie as suas prioridades à luz da comissão de Cristo de fazer discípulos. Estou do seu lado. apoie um grupo de mocidade. Primeira de Pedro 1. O seu sucesso em reproduzir a plenitude de vida que tem em Cristo no seu discípulo aumentará ou diminuirá segundo a força do seu relacionamento. Paulo se afadigava (Cl. não somente evangelho de Deus. A atividade não substitui a obediência. Se você fala do amaior incondicional de Cristo e mostra desprezo quando o seu discípulo admite algum pecado.1). 29) para apresentar todo homem perfeito em Cristo. a nossa própria vida. Paulo diz: "Porque nós que vivemos. e eu nele. Ele considerava vão o seu trabalho se seus filhos espirituais não se tornassem discípulos maduros. o viver ocupado não pode tomar o lugar da reprodução. mas. do que a ordem de reproduzir em outros o caráter que o Espírito de Deus criou em você. Sua vida deve comunicar: "Eu amo a você." (I Ts 2. igualmente. O discipulado é um encontro de uma vida com outra.11). E os discípulos foram criados para reproduzir. 1:28. a estender-nos a fim de animá- lo e edificá-lo. Não há chamado mais alto.3).. ou sirva como presbítero ou até mesmo pastor..” (João 15. Gerar filhos espirituais exige muitas horas por semana por muitos anos. cante no coro. Talvez você assista fielmente a uma igreja.. Isto permite que você permaneça verdadeiro para ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 35 .produzindo frutos duradouros.16). João declara ainda ". e devemos dar nossa vida pelos irmãos" (I João 3. Paulo sabia que o simples conduzir uma pessoa a Cristo não bastava. e o vosso fruto permaneça" (João 15:16). Transcende sentimentos emocionais. paciência e compreensão. serviço e compromisso constituem o amaior e distinguem seu relacionamento de submissão e autoridade das associações que existem no mundo. Muitos dos discípulos de Cristo o abandonaram enquanto ele maiorria por eles. amou-os até o fim" (João 13. Ternura é algo que intensifica sua liderança. e não no eu.8)." Ternura exige tato. Exige o desgaste de energia emocional. É essencialmente relacional—um investimento de tudo que você é numa pessoa. que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza. Nunca se envergonhe de dizer ao seu discípulo que você o ama. abrupto ou exigente em perdão. Transforma o espírito julgador. O seu amaior um ao outro é o indicador mais significativo de seu amaior a Cristo. somos sempre entregues à maiorte por causa de Jesus. O discipulado requer um compromisso constante para com a maiorte do eu. para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne maiortal" (II Coríntios 4. O derramar da vida por outra pessoa é um investimento que nos esgota. Jesus não deixou dúvidas: "Quem permanece em mim. Paulo pergunta: "Quem enfraquece.5).. uma percepção aguçada da coisa certa para se dizer ou fazer sem ofender o outro. E discípulos maduros reproduzem suas vidas em outros . dizendo: "Amai-vos de coração uns aos outros ardentemente. que o amaior exige que seu relacionamento não seja exclusivista. Cristo espera que cada cristão produza fruto espiritual. A pessoa que faz discípulos tem o compromisso de investir a vida no seu aluno:". esse dá muito fruto. porém. Talvez você testemunhe todos os dias ou ensine em grupos de estudo bíblico. comissão mais clara no Novo Testamento. estávamos prontos a oferecer-vos.

ele saiu a fim de encontrar-se com Tito (II Co 2.23 observa: "A palavra a seu tempo. Tito era mais importante para Paulo do que toda a cidade de Trôade. "Porque para com Deus não há acepção de pessoas" (Romanos 2. O seu discípulo verificará se você vive aquilo que ensina ou não.A equanimidade exige que sejamos imparciais. Mesmo que Paulo tenha encontrado uma porta aberta para pregar o Evangelho em Trôade.A maturidade é um andar firme e fiel com Deus. Você tem de ter uma resolução segura de manter o seu discípulo como prioridade. Ele aprenderá a servir. Como você procura produzir integridade em cada área da vida do seu discípulo. A paciência compele-nos a estender a graça ao nosso discípulo sem comprometer o padrão de Deus. Ele copiará a sua conduta e respeitará a sua maturidade. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 36 .7). unicamente a que for boa para edificação. Significa ficar a seu lado nos problemas como também nas alegrias. mas o Senhor continuou trabalhando com os seus homens até que eles se tornassem como ele. agüentou a ousadia de Tiago e João. em favor da paz. Jesus disse: "Eu faço sempre o que lhe agrada" (João 8. a instabilidade de Pedro e a dúvida de Tomé. justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros que credes" (I Tessalonicenses 2. Disponibilidade . nunca expresse falta de fé nele ou deixe subentendido que você deseja abandonar o relacionamento. uma piada duvidosa. ele obedecerá Zacarias 8.11).16: "Falai verdade cada um com o seu próximo. quão boa é!" Lealdade . Levou tempo para os seus discípulos desenvolverem o caráter piedoso. Seja especialmente sensível em tempos de ajustamento ou crise. a não ser que você seja casado. Efésios 4." Maturidade . e não passividade.O seu discípulo é prioridade máxima no Corpo.Paciência significa ser tardio para irar-se.12. Um comentário sarcástico. Juntos. Não lhe abafe o fervor. fazem discípulos devem esperar pelo tempo e pela direção de Deus.A lealdade é um compromisso consistente para com outra pessoa. Se o discípulo souber que esta é a sua maneira de tratar. Se ele estiver lutando com vícios tais como pensamentos impuros ou "fazer" em vez de "ser". É a fé em ação. conforme a necessidade. uma falta de confiança nos seus líderes ou uma atitude ciumenta serão observados e imitados. "Tudo sofre. ajude-o dia e noite. tudo espera. Ele nunca desistiu.29 nos instrui: "Não saia de vossa boca nenhuma palavra torpe. Paulo disse: "Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa. Se você for casado. executai juízo nas vossas portas segundo a verdade. O discípulo nunca deve questionar sua lealdade. Paciência é marca registrada de quem faz discípulos. tudo suporta" (I Coríntios 13. a ser sensível e a ter a atitude correta quanto à responsabilidade através de seu exemplo. 13). tudo crê. Paciência . Poucas coisas solidificam mais um relacionamento do que agüentar juntos uma crise. você tem de ser constantemente maduro. A recíproca também é verdadeira. Se ele falhar.29). E prevenção contra amargura. e assim transmita graça aos que ouvem. O professor eficiente é aquele que baseia seu ensino em uma rica experiência de vida.10). Jesus começou com homens não qualificados que precisavam ser instigados e animados a cada passo. o discípulo vem logo após sua família. Isto é paciência. e. Fale de seu desapontamento somente com os líderes que poderão ajudá-lo a edificar o seu discípulo. sim. Você e seu discípulo precisam ter acesso máximo um ao outro a fim de ter um relacionamento de qualidade. Ele o observará mesmo quando você não estiver percebendo. reafirmem o compromisso de unidade para a glória de Deus." Equanimidade . e não deve haver essa acepção entre lhe pedir e dar perdão. Leva tempo para fazer discípulos. Esteja disposto a investir em seu discípulo e desafiá-lo mesmo que ele tenha muitas dúvidas e que um forte desejo de aprender exijam grande período de tempo.com seus princípios sem fazer disparar os mecanismos de defesa do discípulo. Provérbios 15.

..... O aprendiz é um investigador. Nossa tarefa como mestres é distender a mente do aluno. estejamos sempre preparados para aproveitar bem os momentos em que o aluno se encontra predisposto a aprender. Nosso interesse principal não deve ser só passar-lhes princípios.. por sinal. Se paramos de aprender hoje. A segunda meta: ensinar os outros a aprender . Não se avalia a eficiência de um professor pelo que ele faz.... A LEI DO ENSINO Para ser um professor eficiente. É a lei do ensino.. mas o treinador que estimula e dirige os jogadores em ação.. de modo geral. Essa é a parte mais fascinante de todo o processo de ensino... O mestre é antes de tudo um estimulador e motivador...... Sugerimos três metas para o ensino: A Primeira meta: ensinar os outros a pensar ... mas o que o aprendiz faz e como o faz.. precisamos conhecer também aqueles a quem ensinamos.. Estamos constantemente aprendendo em todos os momentos de nossa vida... e principalmente o cristianismo evangélico....... é como uma tira de borracha: depois que é esticada uma vez nunca mais volta exatamente à forma original que tinha antes. A mudança ocorrida é superficial. Assim sendo.. não deve dizer nem fazer para o aluno nada que ele possa fazer por si mesmo.. para levarmos alguém a entrar no ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 37 .... Enquanto estivermos aprendendo estamos vivos.... Pensemos um pouco no que significa aprender. Acham que para nos tornarmos cristãos temos que cometer suicídio intelectual.. Então... “O professor eficiente é aquele que baseia a seu ensino em uma rica experiência de vida.... temos que modificar sua maneira de pensar...... Trata- se de um processo contínuo.. nem se o fazemos bem........ é o que age..... Por conseguinte. a melhor avaliação do ensino não é o que fazemos.. Os professores estão mais interessados é em ver que volume de conteúdo o aluno pode armazenar na mente para depois "vomitá-lo" no papel. Podemos enunciar essa lei do seguinte modo: o professor deve estimular e dirigir os atos de aprendizagem.. mas isso não é verdade........ de certa forma paramos de viver amanhã... a maneira como os alunos aprendem deve determinar a forma como ensinamos.. . Mas atenção: ensinar outrem a pensar pressupõe que o professor sabe pensar.... não basta dominarmos o conteúdo a ser ministrado.. Seja humilde e tenha predisposição para aprender”. que. mas influenciá-los... Portanto. isto é.. Ninguém pode ensinar o que não sabe. ele não entenderá por que se modificou.. que o conteúdo aprendido permaneça...... Seja o que for que ensinarmos.Isso significa formar aprendizes que reproduzirão o processo de aprendizagem pelo resto da vida.. UNIDADE IV AS SEIS LEIS ... mas o que o aluno faz depois de receber nosso ensino.. não permanece........ Se conseguirmos modificar apenas sua conduta. e......" fazemos...... aquele que descobre as novidades. tem sido acusado de pobreza intelectual... Essa definição demarca muito bem o papel do professor e do aluno..... Muitas pessoas o vêem como um substituto para gente que não deseja pensar por si.. O cristianismo.. sempre em andamento.. o importante não é o que nós... para levá-lo a pensar... professores.Quando desejamos que um aluno adquira novas atitudes... mas com base no que seus alunos fazem.. não é o jogador.

processo de aprendizagem. mas sempre um meio para se atingir um fim. No outono e inverno eles encontram muitos desses animais maiortos. mas causar um impacto. Estabelecer Pontes de Ligação O termo comunicação vem do latim communis. É bom que os alunos saiam da classe cheios de questões sobre as quais tenham de pensar e conversar durante a semana. Isso é verdade. na entrada. maior o volume do conteúdo apreendido. por não saberem mais caçar o alimento por si mes- mos. Nossa função não é fornecer respostas rápidas e prontas. conseguimos que todos os alunos estejam ativos. pois Já lhes dissemos tudo que eles precisam saber.Aqui caímos no princípio pedagógico de não fazer para o aluno aquilo que ele pode fazer por si mesmo. Nunca percamos de vista nosso objetivo. Achavam que seu objetivo seria vender grampos para cabelo. mas eles estão gostando muito. É o que está acontecendo conosco. nem soluções tipo "alívio imediato". ele transforma vidas. ao trabalhar com essa força revolucionária. Se o fizermos corremos o risco de formar "paraplégicos" e "deficientes" intelectuais. e aprenderá a depender muito mais de Deus. pois o cristianismo é a mais revolucionária força do planeta. — Fazendo o quê? indaga um observador. Uma professora pode dizer toda orgulhosa: — Finalmente. mas no ano seguinte foi à falência. Lembremo-nos sempre de que nossa tarefa é levar as pessoas a pensar por si mesmas. A LEI DA COMUNICAÇÃO Comunicar não é nada fácil. nós a colocamos numa fôrma. Isso se deu porque sua diretoria não havia enxergado com clareza qual era mesmo seu ramo de negócio. uma folha de instruções com os dizeres: "Não dê comida aos ursos. que significa "comum". Então. quando na verdade deveria ser artigos para cabelo. A atitude da média dos crentes é muito bem expressa no hino que diz: "Como era no princípio. Para que possamos comunicar algo a alguém precisamos antes estabelecer pontos em comum com ele. O que aconteceu foi que as mulheres pararam de usar grampos. que na prática não resolvem nada. é transformá-los. A lei da atividade é a seguinte: Quanto maior o nível de envolvimento no processo de aprendizagem. — Nada de importante. temos que fornecer-lhe primeiro o quadro geral. E quem aprender a encarar com seriedade o fato de que esse processo é realmente difícil irá orar com mais intensidade." As próprias igrejas muitas vezes opõem certa resistência às mudanças que elas mesmas deveriam promover. Só assim podemos ter certeza de que a aprendi- zagem está-se processando. Envolvimento Máximo — Máxima Aprendizagem Se ensinar fosse simplesmente dizer coisas para o aprendiz. A clássica ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 38 . a ser disciplinadas e a agir por uma deliberação própria. Certa empresa de Chicago faturou num ano dois milhões de dólares. E no entanto. É ele que irá determinar o produto final. mas com uma condição: a atividade em que o aprendiz está envolvido deve fazer sentido para ele. assim é hoje. todos filhos saberiam tudo. No Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos as pessoas recebem. A razão de sermos professores é exatamente esta: comunicação. Infelizmente nós nos preocupamos mais com a segunda etapa. e a empresa faliu. a divisão em partes. Disso se deduz um importante princípio do ensino: a atividade desenvolvida na aprendizagem nunca é um fim em si mesma. em concreto. A LEI DA ATIVIDADE Nossa tarefa como comunicadores não é tentar deixar os outros deslumbrados conosco. maior também será a probabilidade de uma boa comunicação. Também não é apenas convencê-los. E quanto maior for o número de pontos comuns. e sempre será. E isso é uma incongruência." Mas assim que chegamos encontramos pessoas dando comida para os ursos. A prática da educação cristã hoje em dia tem sido por demais passiva. Nós só obtemos aquilo que estabelecemos como meta. Terceira meta: ensinar os outros a trabalhar . lembremo-nos sempre disso: nosso negócio é comunicar. estudará e se esforçará mais.

se a sinto profundamente e ajo em consonância com ela. sentimento e ação. e não mercadorias. preciso conhecê-las muito bem. Ninguém consegue ser um bom comunicador a partir de um arquivo intelectual vazio. porque estamos em constante crescimento. diz o seguinte: "Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Estou dando continuidade ao processo "de aprendizagem. Aliás. e procura não fazer nenhum julgamento prévio. quanto mais intensamente a sentir e a praticar. É por isso que o apóstolo Pedro. É o processo de estabelecer pontes de ligação entre nós e outros. O ponto que ambos possuem em comum é: estão com sede. Damos ênfase excessiva às palavras. Se conheço muito bem determinada coisa. não podemos transmiti-lo a ninguém. para manuseá-lo bem. É isso que temos de fazer. poderíamos dizer que quem pára de "crescer" hoje. Sentimento. É claro que a Palavra de Deus não muda. Ação Agora quero tentar explicar esse complexo processo de comunicação numa forma mais compreensível. quanto melhor eu a conhecer. derruba todas as barreiras existentes — racial. temos em mãos um conjunto de verdades que nos foi entregue por revelação. Damos pouco peso aos aspectos emocional e volitivo) da comunicação — o sentimento e a ação — porque de certa forma isso constitui uma ameaça para nós. objetos. sou um aprendiz. A mulher fica muito espantada. pensamento. algo que pratico. ao final de sua segunda carta. em outras palavras. Então tudo que eu quiser comunicar a outrem gira em torno de: algo que conheço. conceitos. tenho grandes possibilidades de ser um excelente comunicador dela. sempre em transformação.Quer me dar um pouco de água? ele indaga. sim. Essa é a nossa maior vantagem. social e maioral — com a finalidade de criar uma base para comunicar-se com ela. vendo-me como estudante ao desempenhar meu papel de mestre. . mas pode ser também um grande problema de comunicação dentro da comunidade evangélica. Mas cada leitor deve entender que terá que estudar bem isso para poder dominá-lo. tenho que praticá-las. É como se eu fosse um vendedor. A LEI DO PROFESSOR O professor eficiente é aquele que baseia seu ensino em uma rica experiência de vida. Resumindo a lei do professor. E. Nós os crentes. Então. Esse é o ponto de partida para a comunicação. emoção e vontade. o diálogo de Jesus com a mulher samaritana. E essa é também a nossa tarefa. Portanto a mensagem já está pronta. religiosa. Parece que estamos convencidos de que se dissermos ao mundo tudo que precisa ser dito. um "estudante" ensinan- do estudantes. se não o dominamos de fato. isso deve refletir em meus valores. a diferença é que estou vendendo idéias. Será preciso lê-lo várias vezes. A comunicação eficiente sempre deve ter um ingrediente emocional - o fator sentimento. uma mulher samaritana? Jesus toma a iniciativa. Cabe-nos apenas divulgá-la. Ainda estou a caminho de minha meta. Por quê? Porque a maioria dos crentes se limita a transmitir a mensagem apenas intelectualmente. Esse princípio é fundamental e não há nada que o substitua. A lei da comunicação aponta para esse processo: para que haja comunicação é necessário que se estabeleçam pontes de ligação entre o comunicador e o receptor. pede água a mim." Para termos essa mentalidade precisamos adotar a atitude de que ainda não chegamos ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 39 . Pelo contrário. isso automaticamente vai solucionar todos os problemas.Como é que você. pára de ensinar amanhã. isto é. para conseguir vendê-las. sexual. A idéia implícita nessa lei é a de que. vou encarar o processo didático por um ângulo totalmente novo e pessoal. Toda comunicação possui três componentes básicos: intelecto.ilustração bíblica para esse processo é o texto de João 4. mas nossa compreensão dela. maior será minha probabilidade de comunicá-la bem. Não podemos passar a outros aquilo que não possuímos. Pensamento. Mas é preciso que os três componentes estejam presentes. . não precisamos fabricá-la. Se afirmo que estou comprometido com a verdade eterna revelada na Palavra de Deus. o entusiasmo. algo que sinto. tenho que estar profundamente convencido de que são boas. nem mesmo uma personalidade cativante ou método excepcional. Temos que estar sempre crescendo. Se não conhecemos determinado conteúdo. é preciso que elas estejam dando certo para mim. e que temos de comunicar ao mundo. um judeu. que cremos na autoridade e na inspiração das Escrituras. antes de ser professor.

o do conteúdo. e vimos a sua glória. Vez por outra devemos dirigir a nós mesmos a pergunta: "Que tipo de pessoa sou eu?" Em segundo lugar. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 40 . O mestre tem primeiro a percepção de um fato. Pathos compreende a parte da afetividade. Os evangelhos afirmam isso: "Ao desembarcar. mas também muito mais compensador. melhor conseguiremos comunicar-lhes o que desejamos dizer-lhes. Estas palavras que hoje te ordeno. e denominou-o logos. Que tipo de reação você tem para com os outros? Eles o incomodam? Inspiram-no a agir? Gosta deles ou sente-se ameaçado por eles? Terceiro. São aqueles que possuem um grande coração. viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se dela. pois uma vez perdida é dificílimo reconquistá-la. sente que pode confiar nele. diz respeito ao caráter. Ao comunicar.4-6: "Ouve. Mas acompanhe meu raciocínio e veja o que acontece com o aluno. dispõe-se a fazer tudo que ele quiser que faça. O caráter do professor gera confiança no coração do aluno. sentem-se atraídas para uma pessoa que as ama. e apossa-se dele. Afinal ele passa a integrar sua rede de conhecimentos. os melhores mestres. sua credencial. Aquilo que somos como pessoa é o fator que mais pesa em nossa atuação como orador. essa palavra englobava a totalidade do ser: intelecto. Por que os discípulos de Jesus o seguiam? É muito simples: ele os amava. e de toda a tua força. de toda a tua alma. Aliás. que depois o aluno também vê. diz respeito à credibilidade do professor. pathos. Todas as pessoas. Sócrates estava convencido também de que os professores e oradores precisam do conteúdo programático. sentimentos. Mas fazer esse trajeto pela via do coração é bem mais difícil. É preciso que confiem em nós. pela mesma graça. já que Deus nos criou com emoções. Essa é a lei do coração. Esse termo é um daqueles que tomam sentidos diversos. estarão no teu coração. jovens e crianças. Ethos. Israel. operada pela graça de Deus. O primeiro. e logos. mas de um coração para outro. O filósofo sabia que são as emoções que afinal determinam o rumo de nossos atos.T. diz respeito ao modo como o professor desperta as emoções e sentimentos de seus alunos. pois. Os maiores comunicadores. não são necessariamente os que se acham à frente de tudo. segundo explicava Sócrates. cheio de graça e de verdade. Deus personificou sua mensagem. fazem-no com todo o seu ser. e que depois. É exatamente isso que temos de fazer. Quem aplica esse princípio didático na prática está sempre se perguntando: "Como posso melhorar meu ensino?" A LEI DO CORAÇÃO O ensino que realmente causa impacto em quem o recebe não é o que passa de uma mente para outra. Um texto que revela o significado escriturístico do vocábulo é Deuteronômio 6. glória como do unigênito do Pai. que possuem grande inteligência. Ele afirmava que o nosso jeito de ser é mais importante do que o que dizemos ou fazemos já que determina o que dizemos ou fazemos. reconhece que ele tem algo a oferecer-lhe. E o logos se fez carne e habitou entre nós. Desejando comunicar-se conosco. Temos que ter atrativos para aqueles a quem lecionamos. Tenhamos o máximo cuidado para não perdê-la. O outro aspecto. E isso é a chave para a motivação. alcança outros para transformá-los também. homens. e atingem todo o ser daqueles que o ouvem. mulheres. Essa credibilidade é o maior atributo que o profes- sor possui para sua comunicação. o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Quando este percebe a qualidade de vida do professor. comunicador e conselheiro. e um deles acentuadamente sentimental. o Verbo. compreende." Para os hebreus. mas os escritores do A. Transferir conhecimento de intelecto para inte- lecto é a coisa mais simples do mundo. opera transformação de vida. descobre. afetividade e conteúdo. Hoje nós o empregamos incorretamente. emoção e vontade. ethos. que só pode ser verdadeira se compreendermos o sentido bíblico da palavra coração. o Senhor teu Deus de todo o teu coração. Sócrates resume a essência da comunicação em três conceitos fascinantes que ele denominou ethos. pathos e logos. vem de dentro de nós. O processo de ensinar nada mais é que a transformação total de uma personalidade. o usavam com o sentido certo. Precisamos convencer-nos de que a base de uma comunicação eficiente é aquilo que somos. É claro que qualquer professor pode lecionar sem atentar para o caráter. Amarás.lá. Quando o aluno sente que o professor o ama. é nossa afetividade que vai gerar no aluno a motivação para aprender. e quanto mais confiarem. Curiosamente este é o mesmo termo grego que aparece em João 1 para designar Jesus: "No princípio era o logos. é o conteúdo que gera no aluno a percepção. Percebe que o mestre não mentiria para ele.

A LEI DA MOTIVAÇÃO Veja esta ilustração: Dentro da caixa desenhada ao pé desta página estão os segredos da motivação. a tendência é fugir dela. A obra não era leitura obrigatória para nenhum curso que ela pudesse estar fazendo. Ensinar é levar alguém a aprender. deixando que ela penetre nossa mente. bem manchado pelo uso. não era tarefa da escola. Esse contato constante com a mentalidade mundana acaba por nos comprimir dentro dos moldes dela. Ele passou quase a manhã toda de um sábado — cerca de três horas — catando essas pedras. Eu e minha esposa o consultamos vezes sem conta quando nossos filhos eram pequenos. Por quê? A segunda coisa é um livro de puericultura. pois rejeitamos a pessoa dele. abrimos as portas de nossa vida para mudanças profundas. raramente vemos o conhecimento ser associado à responsabilidade. rejeitamos tudo que ele diz.O Processo Ensino-Aprendizagem: Pensemos por uns instantes nessa dinâmica de ensinar-aprender. e o da aprendizagem no que o aluno faz. e com algumas páginas soltas. Os dois termos são inseparáveis. que me enviou a secretaria da receita. a mais simples definição de aprendizagem é: aprender é modificar-se. As pessoas absorvem aquilo que se sentem interessadas em absorver. Então vamos ver o que há dentro dela. Contudo. Você já leu atentamente um desses manuais? É muito interessante. Existe uma clara distinção entre os dois conceitos em nossa língua. Mas por alguma razão ele resolveu catá-las. Por que será que fez isso? Ninguém mandou que o fizesse. Basicamente. A aprendizagem significa que houve mudança na mente. Existe uma relação básica entre ensinar e aprender. É interessante notar como pessoas que se dizem crentes absorveram toda a filosofia do mundo. uma leitura fascinante. mas no que o aluno faz. tendem a acatá-la. É o aluno quem aprende. tiro um maço de cartões com versículos bíblicos para memorizar. O ponto central do ensino localiza-se primeiramente naquilo que o professor faz. Portanto. isso significa que nós não ensinamos. Se têm uma atitude positiva em relação a determinada coisa que ouvem. Mas a eficiência de nosso ensino não se avalia com base naquilo que o professor faz. a caixa está trancada e a chave está comigo. estamos dispostos a atender seus pedidos por mais incomuns que sejam. conseguirá cortar de seu imposto uns seiscentos dólares. em decorrência de nossa prática didática. Nunca dizemos: "Eu lhe aprendi". A primeira coisa que retiro dela é um saco de papel cheio de pedrinhas de formato interessante. Essa é a mais simples definição. ao aluno. ao professor cabe ensinar. se nos afastarmos dela. Quem as apanhou foi um garoto de sete anos. Acredita? Bom. não? Mas acontece que alguém me disse: "Se você ler o manual atentamente. mas se têm para com ela uma atitude negativa. e rejeitam o que querem rejeitar. E aprender." Acha que eu o li? ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 41 . É o processo ensino-aprendizagem. ligado por hífen. algo conjugado. muito manuseado. E podemos também vir a amar o Deus que ele prega. emoção e conduta. sentir e agir. Ensinar é algo que diz respeito ao professor. Se o aluno não aprende. nas emoções e na vontade. Observemos agora o seguinte. Por que será? Em seguida. e nos expusermos mais à verdade divina. Onde Começa a Aprendizagem Toda aprendizagem começa ao nível da emoção. aprender opera mudanças em nossa forma de pensar. infe- lizmente. pois é impossível. Você já iniciou esse tipo de projeto de memorização da Bíblia? Por que o fez? Interrompeu-o? Por quê? O objeto que tiro a seguir é um certo manual de instruções para preenchimento do formulário do imposto de renda. Se temos sentimentos negativos para com alguém. Mas quando gostamos de alguém e sabemos que ele tem interesse por nós. Mas. já que ele fez dele um ser que admiramos. e no entanto estava sempre consultando-o.

que a Bíblia não promete. nossa reação mais lógica. não se achavam aptos para nada. vamos parar de ficar prometendo aquilo que o cristianismo não promete. sim. é a motivação extrínseca. E o problema não é que fossem incapazes. mais nos convencemos de que o QM de um aluno — seu Quociente de Motivação — é bem mais importante que seu QI. mais sensata. Ter Consciência das Próprias Deficiências A motivação se dá em dois níveis. de quando ele participava da Brigada de Serviço Cristão. Mas não podemos. de utilidade. emoções e vontade. deviam ter alguma capa- cidade. e de fato leva os alunos a fazerem o que desejamos. Mas sabe o quanto eles significam para ele? Não dá nem para colocar preço neles. eram totalmente inúteis." "Se vocês decorarem duzentos versículos. nada em que quisessem aplicar suas energias e habilidades. Mas todos os bons métodos que conhecemos estão representados pelos objetos dessa caixa. intencional ou não. E era bom que desse certo da primeira vez. que sugerem conceitos relacionados com curiosidade. Já vimos alunos que. Mas na verdade sua missão é formar um bom homem ou mulher. Quanto mais tempo lecionamos. Seria bom se pudéssemos penetrar no interior do aluno para descobrir o que é que desperta o interesse dele. Como professores. quando compreendemos plenamente tudo que ele já realizou em nosso favor. pois indica que pode haver. Se eu dissesse que descobri a fórmula do sucesso. Agora vem a camisa da farda de meu filho. mas só uma vez. É verdade que Cristo de fato atende a todas as necessidades daqueles que se achegam a ele. Num dos bolsos há quatro condecorações. capaz de trazer conseqüências desastrosas. A lei da motivação é a seguinte: o ensino será mais eficiente quando o aluno se encontrar adequadamente motivado. precisamos ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 42 . tornando-a bem educada." À primeira vista. Cada um daqueles pedacinhos de pano não custa mais que uns trinta e cinco centavos. de algo que os desperte e os estimule à ação. precisamos ser muito cautelosos com o que dizemos aos alunos com o intuito de motivá-los. Mas Deus mesmo só pede que façamos alguma coisa para ele depois que nos informa de tudo que já fez por nós. O problema deles era falta de aplicação. Então. só que com orientação cristã. Outra motivação inadequada é o uso da mentira. Vamos destacar aí a palavra adequadamente. se você se comportar bem na igreja hoje. nunca mais aceitariam nada que eu dissesse. Portanto.. ganha um picolé. ao se formarem. todos os seus problemas serão solucionados. Acho que já lemos tudo que se escreveu e publicou sobre motivação. Um exemplo de motivação inadequada: "Menino." É assim que as pessoas se decepcionam com o evangelho. Muitos pais e professores pensam que sua meta primordial é formar bem a criança. isto é. a intrínseca. é bem provável que o fizessem logo. um adulto automotivado. e procurasse conven- cê-los de que se a pusessem em prática imediatamente sua vida seria revolucionada. E afinal. do modo como o expressamos. Nessa condição nos achamos realmente motivados. Nosso objetivo de aplicar a motivação extrínseca é ativar a intrínseca. reconhecimento Social e aceitação por parte de outros. Então temos que atuar exteriormente objetivando atingir seu interior. uma motivação inadequada. e ninguém pode calcular o quanto ele se esforçou para conquistá-las. como motivadores.Claro que li. uma organização semelhante à dos escoteiros. e consegui cortar mais de seiscentos reais. isso pode parecer muito bom. submetendo-os ao senhorio dele. senso de propriedade. Encontramos muitas pessoas de mais de quarenta anos que ainda não passam de crianças bem educadas. Não podemos dizer: "Se você receber a Cristo. O outro é mais importante. nem na hora que nós queremos. ilegítima. Estamos fortemente convencidos de que uma das razões por que não conseguimos melhores resultados no trabalho de discipulado é que de início falamos aos novos convertidos das coisas que têm de fazer para Deus. O primeiro é o externo. inteligente e natural é consagrar-lhe tudo que temos: nosso intelecto. e em seguida utilizá-lo. de atender a necessidades. O QM O maior problema que ocorre hoje em educação é a falta de motivação para os alunos. Não encontraram nada que os atraísse. Se tinham podido matricular-se na faculdade. ganham uma estadia no acampamento. pois.. Não se sentiram motivados a se dedicar a coisa alguma. prontos para iniciar o processo de crescimento espiritual. interiormente capacitado para a vida. se não desse. Mas é possível que as tarefas executadas não dêem os resultados objetivados. mas não da maneira como dizemos. fazer do seu filho ou aluno. a motivação interior. desafios.

Agora não dá mais para ele se esquivar. em outro local. Sempre recomendo que o conteúdo dado nesse estágio seja anotado. vê aquela gente toda e fica petrificado. Precisamos compreender também que nem todo mundo irá aprender conosco. E. A etapa seguinte é a da demonstração. Chega o dia. A Boa Aprendizagem Uma forma de motivar os alunos é estruturar corretamente a experiência de aprendizagem. respondo. O Interesse Pessoal Você já assistiu à leitura de um testamento? O encarregado da leitura vai resmungando todo aquele jargão jurídico. Nela apresentamos exemplos práticos. Os alunos precisam ver-nos em campo. o aluno vai praticar numa situação controlada. Suponhamos que eu me ofereça para dar aulas sobre falar em público para alguém. Lógico. E a propósito. Aplicação: quando o aluno consegue enxergar-se dentro daquilo que ensinamos. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 43 . ou gravado em fita. batalhando. Segura as suas anotações com tanta força que até parece que elas vão voar. em situações reais. mas porque querem.levar os alunos a se tornarem automotivados. nas mulheres. a maioria deles não é crente. ouvindo-se fitas. eu dou. Na primeira. Aliás é esse o sentido do corpo de Cristo. pode sentir-se motivada para aprender. Estamos convencidos de que qualquer pessoa. Esse é um ponto em que muitas vezes falhamos. Ele só olha para o auditório até à terceira fileira. Por fim senta-se. Ótimo. não faz contato visual com o fundo do salão. que tudo diz respeito a ele. e precisamos de muita paciência. As etapas três e quatro consistem de atividades prática. e acaba perdendo o fio da meada. Você que lê pode falar ao coração de uma pessoa a quem outra não conseguiria falar por mais que se esforçasse. pela leitura. O momento certo é de importância crucial. nem da mesma forma. Isso significa três vezes sessenta segundos. Três minutos? É. todos menos o beneficiário do testamento. aplicando essas verdades em nossa vida. na verdade. A primeira é a da exposição. É que não tenho muita dificuldade nessa questão. Ah. acho que não preciso. gostaria que eu lhe desse um curso sobre como falar em público? Podemos começar amanhã? Agora ele está consciente de suas deficiências. Passa a narrar o testemunho principiando pelo fim. Como? Demonstrando-o nós mesmos. a propósito. seu nível de motivação será bem mais elevado. É por isso que uma das principais preocupações que devemos ter no ensino é expor os alunos a situações práticas da vida. ou porque alguém os obriga. Os alunos não podem ter apenas uma forma de contato com o conteúdo. O resto é uma confusão só. Um dos melhores modos de despertar isso no aluno é torná-lo ciente de suas dificuldades e lacunas. claro. claro. É preciso haver um modo de eles o repassarem diversas vezes. Vão estar presentes uns trezentos ou quatrocentos homens. em uma pesquisa. e todos os presentes chegam quase a cochilar — isto é. e ele responda: Bom. descobrimos que o aprendizado se solidifica melhor. e geralmente todos nós fazemos isso muito bem. que falasse uns três minutos. mas em condições diferentes. Acho que passei um pouco do tempo. Sua explanação é um fracasso. sem exceção. isto é. quando ele sente que é beneficiário do testamento bíblico. depois terá de fazê-lo sem supervisão. Então gostaria que você desse um testemunho em nossa reunião de oração para executivos na quinta-feira. Mas não todas ao mesmo tempo. Só nove minutos. é montar em sala de aula uma bomba-relógio. a fazerem o que têm de fazer não porque recebem ordem para isso. Só assim têm de fato condição de compreendê-lo bem. Aquele homem se levanta para falar. A aprendizagem se dá em quatro etapas. Começa contando uma piada. replico. Ensinar. se quisermos ser um bom professor. cochicha ele. e eu queria que você desse seu testemunho. e nos homens. que deverá explodir algum tempo depois. É por isso que temos de viver pela fé. nem com o mesmo professor.

e estão protegidos pela Lei nº.br ESUTES . Hayward . O Mestre por excelência – 9ª Edição. 1991. Após o primeiro acesso ao campus on line.pro.com.Bases da Educação Cristã – 2ª Edição.Os Fundamentos da Educação Religiosa – 1ª Edição. Para resolver as questões.br ORIENTAÇÕES PARA A AVALIAÇÃO ON LINE Agora que terminou o estudo de sua apostila. proceda da seguinte maneira: a) Acesse o site da escola: www. Sendo assim.br . a avaliação poderá ser repetida após Sete (07) dias. Keith – A formação de um discípulo – 13ª Edição. 9. – A Pedagogia de Jesus. é necessário que sua AVALIAÇÃO seja respondida. sem a autorização por escrito da ESUTES. BIBLIOGRAFIA • PRINCE. vá até o CAMPUS ON LINE e entre usando seu LOGIN e SENHA.pedagogia. Howard – Ensinando para transformar vidas – Minas Gerais. é proibida sua reprodução por qualquer meio.1995. Rio de Janeiro. Editora Vida. • SISEMORE. clique no link AVALIAÇÃO ON LINE e resolva as questões. JUERP.M.pedagogia.www. Resolvida a avaliação.esutes. Todas as citações bíblicas feitas nos manuais de estudo foram extraídas da Bíblia Versão Almeida Corrigida e Fiel(ACF). Rio de Janeiro. ESUTES – Escola de Teologia do Espírito Santo 44 .com. 2001. sua nota será informada no mesmo instante e irá direto para sua SITUAÇÃO ACADÊMICA. TODAS AS AVALIAÇÕES do seu curso serão respondidas através do CAMPUS ON LINE. publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana.ESCOLA DE TEOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO HOME PAGE: www.0). b)Após entrar no CAMPUS ON LINE. Editora Betânia.br . A AVALIAÇÃO contém 10 (dez) questões objetivas e é feita sem limite de tempo. solicitamos que o(a) irmão(a) modifique sua senha de acesso. John . Visite também os sites: www. O LOGIN é seu e-mail cadastrado conosco e sua SENHA inicial é seu primeiro nome. J. Caso não atinja a média do curso (7. Editora JUERP.esutes.considerada a tradução em português mais fiel aos Manuscritos hebraicos e gregos. lei que regula os direitos Autorais no Brasil. São Paulo.com. • HENDRICKS. Todos os manuais de estudo (apostilas) da ESUTES encontram-se devidamente registrados na Biblioteca Nacional – Escritório de Direitos Autorais. • ARMSTRONG. Rio de Janeiro.610. Editora JUERP. • PHILLIPS.